Nas Coxias - Temp. 03 // Ep. 08 - Ana Luiza Ferreira
O que esperar da atriz que está em praticamente todos os musicais do Brasil? Ela que viaja do submundo ardente até os conventos mais puros, dando uma passadinha no fundo do mar com uma versatilidade invejável. E dona de improvisos dignos de prêmios immaginários e metafóricos.
Ana Luiza Ferreira
- A paixão de Ana Luiza Ferreira pelo teatro musical e sua formaçãoInfância e desejo de ser cantora·Descoberta do teatro musical com Rent·Estudo nos EUA·AMDA
- Experiência de Ana Luiza Ferreira em Mudança de HábitoPrimeiro trabalho como protagonista·T4F·Teatro Renault·Prêmio Bibi Ferreira·Jerry Zaks·Michael Koss
- Desafios e perrengues da carreira de atriz de teatro musicalNervosismo em audições e no palco·Insegurança na carreira·Gourmetização do teatro musical·Instabilidade financeira
- O papel de Lídia Ditts em Beetlejuice e seus desafiosSolos agudíssimos·Profundidade emocional·Improvisos com Edu·Perda do pai
- A experiência de Ana Luiza Ferreira em Ópera do MalandroRevisitar um clássico·Elenco icônico·Jorge Fajala·Fratura no ombro
- Processo criativo e inspirações para as músicas autorais de Ana Luiza FerreiraMúsicas Rei e Kryptonite·Taylor Swift·Olivia Rodrigo·Demi Lovato·Beyoncé
O terceiro sinal tocou e você sabe o que significa. Está começando mais um Nas Coxias, o programa que traz os bastidores do teatro para a sua tela, diretamente do palco do Teatro Multiplan Morumbi Shopping, nosso apoiador, apoiador nessa temporada maravilhosa, ao lado da Perfeita VME e a Greyhound Mídia, que fazem tudo isso aqui possível. Então deixo aqui meu agradecimento a todos os nossos apoiadores. E agora, e hoje, nós vamos visitar muitos universos com uma atriz extremamente versátil.
Ela já foi gótica, já foi freira, já viveu embaixo d'água, já morou em cabaré, já namorou um psicopata, já brincou por um sapatinho, já brigou por um sapatinho, e recentemente preferiu ficar sem roteiro. Estamos falando de quem? Ana Luísa Ferreira!
Uma coisa de calma assim, ó?
É claro que vai ter, Ana. Olha, seja muito bem-vinda.
Muito obrigada, meu amor.
Eu espero que você esteja preparada, porque aqui a gente fala sobre os bastidores da vida das artes de um jeitinho diferente, com o nosso molho, né? A Ana já conhece o Nas Coxias de outros carnavais.
Conheço, eu queria vir desde a primeira temporada. Então muito obrigada, chegou o seu momento, chegou o meu momento, e eu vim sozinha.
É isso, entendeu? Vai solar todo mundo.
É isso.
Ana, vamos lá, então vamos começar, vamos começar. Ana, você é praticamente uma titã do nosso teatro musical brasileiro. É isso, a palavra é essa, você é titã. Porque olha só, você é muito, como eu falei, você é muito versátil. Você já sabia que você tinha essa arte dentro das veias desde quando você era pequena, ou isso surgiu com algum estudo? Com algum contato? Você lembra quando que você se apaixonou pelo universo dos musicais?
Então, eu... Obrigada pelos elogios. É muito difícil. Eu não sei pra vocês aí, mas é... Eu não sei receber elogio, tá? Então assim, eu geralmente fico... Às vezes as pessoas vêm falar na porta do teatro, eu fico... Sabe? Tipo assim, eu só quero me esconder e falar, obrigada, mas eu não consigo.
Tipo, camisa bonita. Não, tá rasgada.
Não, é, comprei na promoção. Exato, eu sou exatamente essa pessoa. Então muito obrigada. Em relação à arte, ao teatro musical, assim, eu não tenho essa lembrança, mas a minha mãe fala que desde os 3 anos de idade eu falava que queria ser catora.
Catora?
Catora. É um neologismo de uma criança de 3 anos de que queria ser cantora e atora.
Isso é genial, tá? Isso é genial.
Obrigada. Ou eu tava apenas falando cantora errado. Nunca saberemos.
Mas pensa num nome artístico assim, ó, Ana Luísa Catora, para o futuro, forte, italiano.
Talvez. Mas voltando, e aí eu sempre quis ser cantora desde pequena, e a minha mãe percebeu que eu era muito afinada quando eu cantava Sandy e Júnior, porque acho que foi a base de muitas meninas da minha geração. Tipo, a gente era obcecada por Sandy e Júnior. Mas o teatro musical foi uma coisa muito mais tardia. Eu cresci obviamente vendo filmes da Disney, Noviça Rebelde, Mary Poppins, mas eu achava que tudo aquilo era muito distante do que eu queria fazer.
Eu queria, sei lá, com 13 anos eu queria ter uma banda de pop punk e morar em Londres e fazer relações internacionais, sabe?
Assim, legal.
Mas aí quando eu tinha 15 anos, o meu curso de canto fez uma prática prática de montagem de uma peça que poucas pessoas conhecem chamada Rent, que é uma rock ópera. Então quando eu vi aquilo eu falei, cara, dá para fazer esse tipo de coisa, né, tipo teatro musical que eu só via nas princesas e eu não me relacionava muito porque eu sempre fui esquisita. Mas é, eu vi no Rent uma colisão de mundos, sabe, tipo o pop e o rock encontram o cênico, teatro musical.
Então aquilo para Ana Luísa de 15 anos foi assim, minha cabeça explodiu, sabe? E eu lembro de pisar no palco com 15 anos fazendo Amauryn, que o juizado não escute isso. Nossa, pois é, no passado era meio permitido, né? Mas eu lembro de pisar no palco e falar, cara, eu quero sentir essa sensação para o resto da minha vida. E aí, desde então, eu busco ela e tem acontecido. Porque é isso, você como eu sabe que o palco é sagrado.
Você sabe que em Rent teve um rolê parecido comigo, que foi a mesma coisa. Eu tinha uma visão de teatro musical, de musical, que era Fantasma da Ópera, A Bela e a Fera, Miss Saigon. E aí um amigo meu me emprestou dois DVDs, um DVD de Hairspray e um DVD de Rent. Eu falei, nossa, musical pode ser mais...
Exatamente, eu tive esse clique com Hairspray também. Tipo, poxa... Pois é, só que é isso, tipo, eu acho que as novas gerações não sabem o privilégio que eles têm com avanço da internet, né, de ter bootleg de tudo aí disponível, de ter uma variedade de coisas, de estudar desde pequeno, né. Tipo, eu hoje em dia, além de performer, sou professora, então eu tenho muitos alunos, tipo, adolescentes, que nossa, eu penso que às vezes eles se põem para baixo.
Eu falo, cara, se eu já tivesse esse conhecimento e esse estudo na sua idade, pelo amor de Deus! Tipo, eles, eu acho que eles às vezes se acham pouco, e eu tento botar eles para cima nesse lugar de, cara, eu na sua idade não sabia nem o que era belting, sabe? Assim, então assim, aí você tá vindo ter aula comigo porque você quer uma técnica, e tipo É loucura pensar nisso.
E você falando de belting, inclusive, me dá um link perfeito para já começar esse programa com os dois pés na porta assim, com o nosso primeiro jogo chamado Belta para Mim. Eu encerro o programa aqui. Já ganhei meu dia.
Sei lá, eu queria, eu queria em algum momento reprisar o meme da Cintia Erivo apenas para reproduzir isso como se não fosse nada.
Você sabe um pseudo sonho que eu tenho? Pseudo sonho: tá acontecendo Wicked, aí tipo alguém da produção chega assim, gente, para plateia, olha, as 5 élfabas elas se machucaram, não tem nenhum swing e a gente não pode continuar a peça. É isso antes de Defying Gravity, a menos que alguém aqui da plateia consiga cantar Defying Brevemente. E aí neste dia eu levanto e falo, something has changed within me. E eles colocam um diálogo. É um segundo sonho que eu tenho.
Sabe um sonho que eu sempre tenho pré-estreia de absolutamente todos os musicais que eu faço? A gente tá naquela semana de ensaio técnico, todo mundo na correria, coisas dando errado e a gente resolvendo, marcando cena lá. Eu vou para casa do comi, eu sempre sonho que a gente tenha a mesma equipe, mesma companhia, tipo assim, vamos dizer assim, ópera, que foi meu último musical. A gente tá lá e aí o diretor, no caso Fajala, chega e fala: não vamos mais montar Ópera do Malandro, vamos montar Les Mis.
E aí começa a reescalar todo mundo, tipo, na semana de estreia. E aí eu fico: gente, mas pera, o quê? No mesmo cenário assim, sabe? Cara, eu, eu, é um sonho recorrente, eu já tive ele algumas vezes.
Muito bem.
E às vezes, e quase sempre é com Les Mis.
Fica aí o convite. Fica aí o convite ali, ó. Quando vai vir Lemmy de novo para o Brasil? Fica aqui, ó, temos Eponina aqui. Vamos lá, nesse jogo nossa convidada vai ter que transformar sua resposta, suas respostas, em uma linda canção de musical, perfeito? Seguindo as características da personagem proposta. Boa sorte, tá bom?
Vamos lá.
Ana, como você se prepara para uma audição? Você tem que responder como uma criatura mágica excêntrica que exagera nos melismas. Tá, vai.
Pera aí, vai ser até mim?
Valendo!
Exagera nos melismas.
Exagera nos melismas. Melismas.
Preparar para uma audição.
Isso, vai. Como você se prepara para uma audição?
Eu começo aquecendo. É muito importante se preparar para uma audição porque a gente fica nervoso, mas se você se prepara muito Você fica menos nervoso, você nunca não vai ficar nervoso porque isso é importante para você. Então se prepare dormindo, fazendo aula. Decorando seu texto, passando sua música. Não desista da aula de dança, experiência própria. Eu espero que você passa uma linda audição.
É isso. Meu Deus, irritante, né, gente? Juro, irritante.
Nem eu sei como eu fiz isso. Às vezes eu me surpreendo comigo mesma.
Vem, o que você mais gosta no processo criativo dos ensaios de um musical? Tá, como responda? Como uma princesa sonhadora que fica sempre na voz de cabeça.
Muito bom pedir isso depois da botadeira, né?
Quer dizer, Não é versátil? Não é Titã? Quer dizer, cadê?
O que eu mais gosto de um processo de ensaio? Tô zoando, cara.
Corta.
Nada, tô zoando. Eu não adoro acordar cedo, como a Fiona disse. Eu gosto, que eu gosto, gosto de pesquisar meu personagem, está reunida com meu elenco e descobrir tudo que podemos ser juntos.
Maravilhoso, perfeito. Obrigada. Quais as maiores dificuldades que você tem? Mentira. Quais as maiores dificuldades para você em temporadas longas com muitas sessões semanais? Como responda? Como uma fumante cansada de voz grave, uma pessoa meio assim. Sim, eu não consigo fazer isso, mas a gente tá perfeito para gente, tá perfeito.
Eu sou um pouco saudável demais pra conseguir fazer.
O vídeo funciona, o que que você tem? O que que é difícil pra você?
Conta. Nada é difícil, adoro temporadas longas. Inclusive queria mais temporadas longas. Estamos com temporadas muito curtas de musical no Brasil. Precisamos voltar com as temporadas de um ano, você não concorda?
Eu concordo demais, Rosita.
Dá uma sensação de estabilidade financeira fantástica pro artista no Brasil. Uma ilusão. Fora que dá tempo de construir o personagem com muito mais profundidade, porque quando você tem uma temporada de um ano, os 2 meses iniciais você ainda está sim construindo o seu personagem. Então quando você tem uma temporada de 2 meses, você acaba no seu auge sem poder mostrar para o resto do mundo.
É isso. Cena. Quais são seus personagens dos sonhos para fazer um dia nos palcos? Responda como uma theater kid que belta entusiasmada.
Beltar de novo depois da—
mas é o plural do artista. Hidratação.
Depois da Regina Roca.
Hidratação.
Vai ser uma theater kid assim, ó: eu sou tanto uma theater kid! Que eu roubei essa resposta do Daniel Radcliffe quando eu assisti ele por mais de 3 vezes no Como Vencer na Vida. Eu esqueci o nome em português. How to Succeed in Business Without Really Trying. Sim, eu assisti. E aí eu perguntei para ele no stage do qual era o personagem que ele queria fazer depois disso. E ele disse, adoraria originar um personagem.
Isso é verdade?
É verdade.
Você conversou?
Sim, com Daniel Radcliffe algumas vezes. Eu morava em Nova York, né, na época que o How to Succeed in Business tava lá. E quando eu não tinha nada para fazer de noite, eu e os meus amigos falamos, e se a gente fosse lá para o stage do Então a gente foi algumas vezes.
Chama ele para vir aqui um dia. Aí, Dan, Dan, Dan, chama ele nas coxias.
Tony Award winner Daniel Radcliffe.
Nas coxias.
Você quer um jingle, é isso? Pode ser. Nas coxias.
Perfeito, maravilhoso. Quem sabe faz ao vivo. Palmas! Efeito de palmas. Ana, você sempre enfatiza a importância do estudo para nossa profissão. Em 2010 você foi fazer teatro musical lá nos EUA. Olha aí o assunto, não é verdade? É o link, o gancho. Como foi para você o processo de construção da Ana Luíza enquanto multiartista? E por que que você foi para lá?
Ó, eu fui para lá inclusive pegando um gancho da da nossa última conversa, eu fui para lá uma questão de, de novo, geracional. Assim, eu me apaixonei pelo teatro musical nessa época do Rent. A gente tá falando de 2007, né? 2007, a gente tava iniciando o novo boom, né, dos musicais no Brasil. E eu não sou de São Paulo, para quem não sabe, eu sou carioca.
Mas você mora no Rio?
Eu moro em São Paulo, que fique claro.
Tá certo.
Porque todo—
mas é recente isso?
Não, eu moro em São Paulo há 11 anos, mas toda vez que eu encontro alguém numa história VIP e tal, as pessoas me abraçam e falam, você tá por aqui? Tipo, cara, eu moro aqui, gente. Eu moro aqui. Me contrata aí.
Faz quanto tempo que você mora aqui?
11 anos.
Tá certo.
Tá? Desde o Mudança de Hábito eu vim pra cá, assim. Óbvio, existe uma facilidade muito grande de voltar do Rio, mas tipo Eu moro aqui, mas voltando para a pergunta, eu fui para lá porque eu não, eu não tinha, eu não, eu procurava, eu lembro de procurar na internet no Rio de Janeiro curso de teatro musical desde que eu obsequiei e não tinha, não aparecia para mim. Às vezes aparecia um curso em São Paulo, outra coisa, mas não aparecia.
E aí eu fui pesquisar fora e aí apareceu, obviamente. Eu fui para lá no intuito mesmo de fazer um intensivão, porque acredite, com 15 anos já me sentia atrasada nesse sentido, principalmente porque eu estudei num colégio que era zero artístico, assim, era preparatório de vestibular, tipo top 3 melhores colégios do Rio de Janeiro, todos os meus amigos são médicos, engenheiros, advogados, nenhum incentiva a arte. Então eu me senti muito atrasada, então na minha cabeça eu queria fazer isso, eu queria ter isso de profissão, e qual era o jeito de fazer?
Indo para fora estudar. Ajudou muito que o dólar tava 1,60 na época, tá? Tipo, eu sempre falo para as pessoas hoje que querem ir, tipo, para ponderar, porque realmente, tipo, a inflação deixa um pouco difícil, muito caro de ir. Mas quando eu fui, o dólar era 1,60. E foi uma experiência incrível porque foi um conservatório de 2 anos, tipo assim, tipo 50 anos em 5, sabe? Assim, tipo, ficou 2 anos lá, foi, fiquei 2 anos lá. Eu fiz a êmida, para quem não sabe, em Nova York, e foi uma experiência tipo, foi assim, mudança de vida.
Antes de ir para lá eu tava tentando fazer faculdade de direito. Mentira, verdade. Eu fiz um semestre de Direito, eu sou um oitavo advogada.
É isso, tome cuidado.
Tome cuidado. Mentira, eu ia para a faculdade para organizar festa e cantar nas festas.
Perfeito.
Muito bom, né?
Perfeito.
E aí, mas era o sonho do meu pai, tentei, mas vi que não tinha nada a ver. Fui para Nova York e fiquei 2 anos lá.
Você realizou um oitavo do sonho do seu pai.
Exato, um oitavo. Perfeito. Mas Nova York, que eu falo, a diferença, né, tipo, é Quando você tá num conservatório, você vive teatro musical de segunda a segunda, tipo 24 horas por dia. Então, o que eu sei que é um privilégio, sabe? Porque eu sei que aqui, com a vida que a gente tem, eu vejo meus alunos, né, tipo tentando estudar ao máximo e tentar tornar isso mais intensivo possível. E como a gente não tem uma faculdade disso, um conservatório, tipo, de todos os dias, é muito difícil você conseguir focar 100% nisso.
A vida vai acontecendo. Então foram 2 anos que eu tive para focar 100% nisso. Eu tinha 18 anos, eu fui muito novinha, né? Então eu foquei 100% nisso. Tipo, eu não viajei quando eu tava lá, eu não ia, eu era menor de idade nos Estados Unidos, então não podia nem beber. Eu não saía pra festa, eu fui literalmente pra estudar e foi 100% do meu tempo. Eu lembro de, tipo, muita gente fala, vai pra Disney. Tipo, cara, eu não tenho tempo de ir pra Disney.
Primeiro que eu tô em Nova York, as pessoas esquecem que os Estados Unidos é maior que o Brasil, né? Segundo que eu estudava o tempo inteiro. E aí eu arranjei um emprego na faculdade de bibliotecária e que era o emprego mais nerd possível porque eu ficava o dia inteiro lendo peça. Lendo o libreto, vendo coisa. Eu tinha que, eu era encorajada a fazer isso para indicar leituras para outros alunos. Então isso tudo foi muito enriquecedor assim. Eu não, é uma realidade que eu vejo as pessoas tendo no Brasil.
E aí eu puxo um gancho nisso que você tá falando, Ana. Você é muito bem preparada e muito bem formada.
Obrigada.
Você tem muito conhecimento e enfim, mas a gente, eu acho que a gente enquanto público, quando a gente vê uma pessoa talentosa, capacitada, estudada, fazendo isso profissionalmente, a gente às vezes não acha que essa pessoa enfrenta insegurança, né, enfrenta algum nervosismo na hora da audição. Você ainda hoje, apesar de todos esses projetos, um seguido do outro e toda essa preparação e formação, Você tem alguma vertente dos musicais que te deixa nervosa?
100%.
O quê? Sei lá, alguma coisa, fala assim, ah não, assim, nervosa.
Eu até falei na parte cantada, mas vai ser difícil de entender porque eu tava berrando e me lhes mando. Mas eu tinha um professor que falava que a gente sempre vai ficar nervoso, e o dia que a gente não ficar nervoso, para de fazer, porque tudo que é importante na sua vida você fica nervoso. Tipo, sei lá, posso voltar lá para infância, primeiro dia de aula. Quem não ficava nervoso antes do primeiro dia de aula? Vai nascer um filho, vai ficar nervoso.
Então assim, o palco hoje em dia, meus filhos são minhas personagens, né? É um nascimento. Então assim, não tem como separar nervosismo da nossa carreira. Tipo, toda vez que eu subo no palco eu sinto frio na barriga. Toda vez que eu vou fazer uma audição eu sinto frio na barriga. Toda vez que a gente está esperando resposta de audição, é tenebroso. Assim, a mente vai para lugares horríveis, horríveis. Então assim, a gente passa por tudo isso, assim, realmente não tem como.
Você só tem que aprender a lidar com isso da melhor forma, não deixar o nervosismo te parar, não deixar um não diminuir o teu talento ou o que você acha de você mesmo. É óbvio que eu tô falando isso hoje depois de 11 anos de carreira. No início eu ficava extremamente abalada, não tem como. Mas tem que saber só lidar com essas coisas e muita terapia.
E eu acho que isso vai muito a ver, tem muito a ver também com uma outra pergunta que eu ia te fazer sobre uma certa gourmetização que existe do teatro musical. Que muita gente, e eu acho que muita gente confunde, né, o que é glamour, o que é a realidade da vida artística, né. É puxando um gancho nisso que você acabou de falar, quais são os perrengues que você enfrenta sendo atriz de teatro musical, mesmo depois de viver todas essas protagonistas, passar por várias produções, até ganhar o Bibi Ferreira? O que que você ainda passa de perrengue mesmo?
Cara, a gente passa por todos os perrengues assim, tipo, eles Obviamente, de novo, a gente aprende a lidar com eles e isso diminui o impacto, né, na gente. A gente passa a entender que a gente não pode depender de um sim pra ter trabalho, né. Eu acho que vem daí também a minha vontade de ser uma artista muito mais plural, de estar sempre em movimento. Se eu não tô no palco, eu tô dando aula. Se eu não tô dando aula, eu tô dando workshop.
Se eu não tô fazendo isso, eu tô dublando, tô cantando jingle, tô fazendo locução. A gente se vira nos 30, assim, tipo, a gente precisa, a gente não pode depender de resposta de audição porque a gente tem que pagar a conta. Mas a gente passa por absolutamente tudo, um sim nunca é definitivo, tipo, é isso, a gente, eu passei em um musical, fiz aquilo, aquilo ali acabou, e agora? É como se Não é uma carreira linear, né, como um engenheiro, um médico, que sei lá, entra, um engenheiro entra numa empresa, vai subindo, o salário vai aumentando. Não, a nossa é a prova, né?
É. E aí você atua e faz o quê? Você atua e trabalha com o quê? Já recebeu essa?
Já, sempre. Inclusive, tipo assim, lá no Rio, sei lá, tipo às vezes até, sei lá, amigos da minha família, ai, que bonitinho, tem cartaz, tipo assim, acha que bonitinho, é que gracinha.
E é tipo, sabe, Perguntar, a novela da Globo, quando?
Isso sempre, isso é até meu pai, né? Vinha de casa a cobrança.
Mas eu acho que um dos lados mais divertidos de fazer musical é troca, né? Com elencos enormes, as amizades que a gente faz. E como aqui no Nas Coxias a gente gosta muito de fofoca gratuita, a gente quer saber quem é o swing na sua vida. Neste jogo você vai ter 10 personalidades ali, ó. Você pode até ver, pode folhear, pode folhear, conhecidas dos musicais. E precisa escolher um dos nomes para cada plot que eu vou apresentar para você, tá?
Vê aí se você conhece todo mundo, se tem alguma cara que você não reconhece, tá?
Falar os nomes. Andresa Macei, Diego Montez, Guilherme Gila, Analu Pimenta, Helga Nemetic, Ana Aksui, Mira Ruiz, Chiara Saço, Mateus Ribeiro.
Então assim, ó, vou apresentar aqui os plots, porém Vai restar uma pessoa que não vai ser escolhida para nenhum dos plots, e essa pessoa vai ser nomeada o swing, aquela que poderia estar em qualquer um dos plots. Exatamente. Inclusive, o swing, na minha opinião, é um dos papéis mais importantes e deviam ser muito mais valorizados. 100%, não é verdade? E para quem não sabe e está com a mente suja, é o swing, não é nada a ver com swing, tá? É o teatro musical no swing.
O swing no teatro musical é aquela pessoa que te pergunto Quem trabalha com teatro musical e nunca teve numa mesa e teve que explicar o que é swing? Porque as pessoas têm a mente, as pessoas vão para o outro lado.
Você sabe que ir para o outro lado, você acabou de falar isso, eu juro que eu ia, eu achava que você ia perguntar: e quem nunca esteve numa mesa de teatro musical, de swing, e teve que explicar o que é teatro musical? Que pode acontecer mais fácil às vezes também.
Acontece bastante.
Enfim, vamos lá, vamos lá, primeiro plot. Oi, alguém para gravar um dueto? Mostra, mostra para câmera ali, ó, grande belo belo.
Eu vou escolher, atenção, com explicar, Ana Kisui.
Ana Kisui, pode falar, fica à vontade.
Bom, a Ana é minha amiga, eu sou completamente apaixonada por ela. E acabou que eu tinha convidado ela pra gente fazer um dueto no meu último show e ela não pôde. Então tá aí, ficou em aberto aí o convite, Ana Xui, pra gente continuar a perseguir o sonho do nosso dueto.
É isso, perfeito. Muito obrigado. Aqui, pode deixar aqui. Ana Xui, obrigado. O programa que ela veio aqui foi incrível, inclusive. Assistam todos vocês, o link tá aqui na tela. Mentira, não vai estar. Procura aí no perfil. Alguém para beber todas no bar. Pode ser beber refrigerante, suco de manga, tá tudo certo.
Eu só tô pensando aqui.
Vai lá, alguém para acabar. PT, dá PT no bar.
Dá PT no bar junto com—
é, ei, ei, ei, eu tô aqui.
É porque tem algumas opções, entendeu?
Eu tô tentando pensar aqui, ó. Vamos para o bar? Vamos, fechou. Vamos sair de lá. Na sarjeta.
Eu vou botar a última pessoa que eu fui num bar com.
Perfeito.
Guilherme Gila.
Guilherme, grande Guilherme. Bora, fica aqui o convite. Aqui o convite inclusive para vir aqui para o Nasco Xias.
Beijo, Gila.
Perfeito, show de bola. Fica aí o convite. Alguém para uma cena de beijo. Uau, bem caliente!
Ah, eu vou escolher meu amorzinho que a gente já fez cena de beijo.
Show!
Diego Montez.
Diego! Grande Diego Montez!
Inclusive eu não tava em cima dele, né? Engraçado. Saudades.
É isso.
Te amo.
Beijo, Diegão. Alguém que te faz ter crise de riso.
Aí, YouTube, tá ficando poucas situações aqui. Cara, é difícil, viu?
Assim como a vida do artista, né?
Eu tô tentando pensar também estrategicamente para o que tá por vir, entendeu? Mas eu vou colocar Matheus Ribeiro, meu perê.
Grande Matheus!
Porque eu tava pensando assim, fora ou dentro do palco, mas o Matheus me faz rir nos dois.
Ó, um beijo, Matheus!
Um beijo!
Inclusive, Matheus Ribeiro foi foi dono do nosso primeiro vídeo viralizável, com mais de 1 milhão na época do Bob Esponja, que foi a teoria que foi o vídeo que eu falei engraçado, não me convidaram. Pois é, tá vendo?
Agora eu tô aqui jogando na cara sozinha.
Próxima é o Matheus Ribeiro dividiu com o Davi. Pois é, mundo gira. Alguém que já te inspirou?
Cara, aí não tem como, né? Eu chamo ela de mãe. Andresa Macei.
É, aí é complicado, né?
Essa mulher é tudo pra mim. E eu sei que é tudo pra vocês também.
Ah, uma salva de palmas.
É real, ela me chama de filha. É assim, a gente— eu tive o privilégio do privilégio de começar minha carreira de teatro musical dividindo camarim com Andresa Macei. Então, tipo, basicamente ela é assim, um dos motivos de eu estar aqui hoje. E ela me ensinou muita coisa, e não só de palco, mas de vida e de carreira, de backstage, né, que a gente sabe que também tem protocolos e coisas a seguir. Eu era tipo uma jeca vindo do Rio de Janeiro, assim, que legal, vou fazer musical.
Então assim, não tinha como escolher outra pessoa. Fiquei muito feliz de ainda tê-la para escolhê-la.
Muito bem. Alguém para uma noite de fofoquinhas. Mayra Ruiz.
Eu amo.
Vocês vão dividir uma fofoca? Você vai dividir uma fofoca que vocês tiveram já?
Nunca? Não, nunca.
Pode, né?
Não. Tá bom.
Miriam, esperamos você aqui no sofá.
Perfeito.
Próxima: alguém para te ensinar algo. Ei, ei, ei, hein?
Tá sobrando, tá pouco, né? Acho que uma pessoa também que é muito mãe para mim é o Ganymede Chic. Te amo, jovinha! Cantou comigo no meu último show, ficou cover dela no Cinderela, e tipo, ela era uma aula. E eu, foi uma honra muito grande ser cover dela assim, sabe? Porque a gente sabe que a vida do cover não é fácil. A gente tem que aprender as coisas, tipo, às vezes só observando. Então ela me ensinou muito, ela é muito incrível.
Alguém para dividir quarto em turnê?
Então aí eu vou botar minha irmã, que aqui a gente dividia camarim e era muito legal. Ana Lu Pimenta, eu amo muito ela.
E aí, e aí, quem é swing da sua vida que você gostaria de trabalhar junto?
É que processo. Nossa, que assim, eu amo a Chiara, eu tenho total respeito e sou muito fã de tudo que ela contribuiu para o teatro musical, mas eu não a conheço tão bem. Então era muito difícil colocar nas categorias. Mas Chiara, vem ser swing na minha vida!
Ó, sabe o que você pode fazer? Pega, faz assim, combina com ela para você gravar um dueto, gravar uma cena de beijo, uma uma ida ao bar, uma fofoca, tudo isso numa noite de fofoquinha enquanto ela te ensina alguma coisa, né? Numa turnê, tá trabalhando, é fechado, dá para fazer tudo. Perfeito, é isso. Dá para juntar essa galera, fazer um musical legal aí, hein? Vamos lá, voltando a falar da sua carreira, o papel que te inseriu, acho que de fato, nos musicais foi Maria Roberta em Mudança de Hábito.
Amém, amém. Inclusive te rendeu prêmio de atriz Revelação, né, do Bipê Ferreira. E me fala aqui, como que foi ter a primeira experiência já sendo protagonista na T4F, que é uma das maiores produtoras, no Teatro Renault? Exato. Conta aí, como foi essa loucura aí?
Foi meio surreal, assim, até hoje parece, sei lá, que foi um sonho, uma miragem, sei lá. No deserto. Eu, óbvio, eu acho que foi uma mistura de muito estudo, muita dedicação, um pouco de talento e um pouco de hora certa, lugar certo, sorte. Foi meio que tudo junto e aconteceu. Foi o meu primeiro trabalho, não é tipo, ah, eu fazia coisas menores. Não, foi meu primeiro trabalho no teatro musical e Até hoje acho que foi a experiência mais insana de toda minha vida, assim, porque vocês sabem que no Brasil a gente, quando a gente recebe músicas de fora, existem dois tipos, né?
Existe a franquia e o não franquia. O não franquia a gente tem liberdade de construir toda a parte criativa aqui, desde direção, coreografia, cenário, figurino. E a franquia não, a franquia vem tudo de fora, tudo importado. Então assim, eu trabalhei com umas pessoas que você olha para trás e fala, cara, é impossível conhecer essa pessoa. Tipo, a gente, o nosso diretor era o Jerry Zaks. O Jerry Zaks, depois eu fui para Nova York uma vez e tava lá tipo assim, Hello Dolly dirigido por Jerry Zaks, starring Bette Midler. É tipo assim, aí ele me dirigiu, entendeu?
Um beijo então, Bette Midler.
Um beijo, Jerry Zaks. Michael Koss, que era o diretor musical do Mudança de Hábito, ele basicamente é o braço direito do Alan Menken.
Desculpa.
E eu tenho ele no Facebook até hoje.
Tem Facebook até hoje?
Só o quanto surreal, porque assim, você já falou coisas surreais. Você já falou, foi um primeiro trabalho protagonista, T4F, já terminou. Bibi Ferreira. Aí tem a Karen Hills, que eu cresci assistindo, ouvindo Rouge, que aquele CD de glitter rosa. Quem até hoje não tem, exato, quem não tem memória afetiva com isso tá maluco, entendeu? Então assim, foi dividir camarim com Andresa Macei, com a Dani Cury, tipo, foi um grande, zerou a vida ali, né?
Já ali, como esse era um grande medo, tipo assim, como sair disso, acontecer de novo, né? Para onde eu vou? Exato. Isso realmente assim foi uma questão que me pegou durante muitos anos, do tipo Tá, e esse foi o auge da minha carreira? Foi o início? Tipo, ou coisas virão, sabe assim? Então, é óbvio, graças a Deus coisas vieram, estamos aqui. Mas era uma preocupação que eu falava assim, para onde eu vou daqui, sabe? Mas foi lindo demais e eu guardo com muito carinho no meu coração.
Eu sei abertura de voz até hoje, eu sei fazer a minha cena do gospel. Que eu não— eu tive que trocar minha voz falada, foi uma grande, um grande rolê. Mas eu sei as coreografias, eu sei tudo do Mudança, e foi há 11 anos atrás, sabe?
Então assim, e que bom que outras coisas vieram também.
Tiver aquele pesadelo teu, só que esse do Mudança de Hábito, aí a gente não consegue a não ser que alguém suba.
Perfeito.
Eu não pensei mais nada, o quê? Desde que vi a luz. Sem você, você me ama.
Foi, amém, chega, amém. Outro grande destaque da sua carreira, eu preciso falar da Lídia Ditts em Beetlejuice. Beetlejuice, só duas vezes, né, vai saber. E o musical assim foi um fenômeno, né, e te rendeu muitas indicações a prêmios. E me fala aqui, quais eram as suas maiores dificuldades no personagem? Os solos agudíssimos Ou profundidade emocional na atuação, ou os improvisos com Stables?
Cara, todos os que, todos os pontos que você levantou são, eram extremamente desafiadores, vamos dizer assim. Mas eu vou ter que dar um salve para os improvisos com Stables, porque eu tenho muito orgulho de dizer que eu nunca quebrei. Rolou um quase, rolou um quase, mas eu nunca quebrei. E ele é uma máquina, né? Tipo, ele é uma máquina, ele é genial. Tipo, ele é muito rápido.
Fica aqui o convite então, Edu, inclusive.
Muito rápido. Então era muito desesperador e tinham cenas que tipo assim, cara, o pico do, sabe assim, o ápice do, sei lá, tava indo cantar o Home e ele tava tentando me fazer rir. Tipo, e era muito difícil, mas eu consegui. Então assim, eu vou colocar essa aí como a principal dificuldade. Eu acho que assim, canto é uma coisa que obviamente a Lídia, não vou desmerecer, é um personagem muito difícil, mas é uma coisa que eu estudo muito.
Então exatamente para chegar no palco e não pensar nessa dificuldade. E a dificuldade emocional, a profundidade emocional, ela acabou Infelizmente, vindo muito natural, porque calhou de eu perder meu pai um pouco antes do Birol Juice, de uma maneira inesperada. Então assim, eu me sentia 100% conectada com a Lídia desde a audição, assim. Eu não tinha— eu lembro de antes de estar estudando pra audição e pensar tipo, cara, eu entendo absolutamente tudo que ela tá sentindo.
E E de, sei lá, nessa busca pessoal de obviamente não viver o meu luto todo dia, porque isso seria insanidade. Mas eu sabia como ela se sentia, então veio de uma forma muito natural também.
Muito bom. E eu acho que, falando em, eu acho, indo para uma direção oposta, recentemente você viveu a fichinha no Ópera do Malandro, né? E como foi revisitar esse clássico, trabalhar com elenco tão icônico assim, completamente diferente dos outros trabalhos que você já tinha feito?
Cara, foi, primeiro de tudo, eu estava morrendo de medo antes de estrear, porque eu falei, isso aqui, cara, Jorge Fajala, te amo muito, você é meu muso. Como eu falei, o Jorge Fajala, ele errou, não é possível que eu tô aqui, sabe? Assim, tipo, não é possível, tipo, eu era apenas uma adolescente gótica estranha. Sempre falei que o meu perfil eram mocinhas com parafuso a menos. Faz sentido?
Perfeito.
Claro, Maria Roberta não é tão normal assim, a Lídia também não, Verônica também não. Eu fiz a Regina também no Rock of Ages, também não. Todo mundo tem um parafuso a menos. Então assim, nesse caso a fichinha até se aplica, mas assim, era, eu sempre, eu nunca pensei que eu tivesse esse repertório em mim para fazer o ópera. Faz sentido? Eu me duvido muito e eu sempre falo que eu não acredito em quem acredita muito em si mesmo, porque geralmente, né?
Mas eu me duvidei muito. Tipo, então assim, a fichinha é um fruto de uma pessoa que tipo mergulhou muito porque falou, cara, que desafio é esse caívo nas minhas mãos e eu preciso fazer jus a essa peça, esse material, a esse elenco, a ser a primeira peça brasileira a estrear no Teatro Renault, o que pra mim é tipo, eu olhei, tipo, sei lá, você fala de mudança, fala de Birojuíço, mas eu falei, cara, acho que aqui a gente fez história, sabe?
Tipo, aqui algum dia vão falar, cara, estrearam Ópera do Malandro na visão do Jorge Fajala no Teatro Renault, foi o primeiro teatro musical brasileiro a estrear, estrear, né? O Clara foi ano passado, no outro ano, mas não estreou lá. Foi o primeiro a estrear lá. Então assim, tudo nesse projeto era um desafio. E para piorar, eu não sei se vocês sabem, mas eu quebrei o ombro saindo dos ensaios.
Como assim?
Em dezembro, queimacinha.
Mas e aí?
Eu fiz a peça, eu já estava com a fratura estável. A gente estreou, eu tinha 6 semanas de queda, então eu já não corria risco de me machucar mais, mas eu não tinha mais movimento do braço. Então eu fiz a fichinha inteira torta só mexendo o braço esquerdo. Fica aí a curiosidade para quem não percebeu.
Olha lá, vamos ver bootlegs.
Atenção. E aí, conforme eu saí de alguns números de dança que eram Tinha muita movimentação, porque tipo, apesar de estar estável, se alguém, se eu caísse ou se alguém batesse muito forte, podia causar uma situação pior. Então, e eu fui voltando no meio da temporada. Foi um processo de superação muito grande assim, foi muito louco. Mas eu tive total apoio da produção, da direção, da físio, que é indispensável no nosso trabalho também.
Um beijo, físios, vocês são incríveis. E deu certo, mas eu fiz me recuperando de um ombro quebrado. Fica aí a—
eu acho que depois dessa eu não acho que exista alguma coisa que na melhor tradição de chama as coisas. Eu acho que depois dessa não há nada que abale Ana Luíza.
Então eu já fiz, eu fiz, eu fiz a última sessão de headers me recuperando do ligamento rompido, que eu não sei se vocês já viram isso. Que eu caí no palco, no headers, e eu rompi os ligamentos, fiquei 3 semanas fora da peça. Que bacana! É muito bom. Então assim, eu sempre falo que um dia eu vou fazer um workshop: como ser estabanada e fazer teatro musical. Porque realmente as pessoas olham e falam: não, você tem um corpo, né? Tipo, pô, uma preparação, um negócio, um corpo, né?
Tipo, ágil, incrível e tal. Não, cara, eu sou uma banana, eu caio por absolutamente tudo. Então assim, acontecem coisas da vida, né? Mas aconteceu.
Você falou que você cai em tudo. Será que você cai em exercícios de improviso? Porque este é o nosso desafio de palavras. Neste jogo, Ana vai ter que se virar nos 30 para responder as perguntas incorporando em suas respostas as palavras que forem aparecendo no tablet. Ok, então beleza. Primeira pergunta é: Ana, qual personagem do seu passado você adoraria reviver numa temporada e por quê? Ok, vou pegar as palavras aqui, calma aí. Começando agora, pode começar a falar aí.
Bom, eu acho que eu adoraria reviver Uma mudança de hábito. Só que ao mesmo tempo eu tenho, eu teria medo de revivê-lo porque acho que estaria um cheiro de pneu queimado assim, sabe? Tipo, talvez porque foi tão perfeito que eu, ai, sei lá, eu suava como uma vaca, né? As pessoas me chamavam de vaca, falavam, pessoa vaca, não consigo ver sua passagem, você não passa, você tem armazenamento de belting dentro de você. Mas era uma alquimia tão bonita no palco.
A gente falava sobre espalhar o amor e eu, todo mundo falava que saía muito impregnado dessa alquimia, sabe? Então é muito bonito, gostei muito de fazer.
Além dos musicais, você deseja ir para outras áreas de atuação, como audiovisual, por exemplo, ou não?
Eu não tenho essa obsessão por fazer audiovisual. Eu adoraria fazer, óbvio, porque com certeza ia me poder fazer comer mais torresmo, que eu poderia comprar esmaltes mais caros, não é mesmo? Mas eu queria muito que a minha carreira de cantora assim seguisse, poder comprar fralda para as crianças, né? Um dia eu quero muito ser mãe um dia, então assim, vai que um dia eu consigo fazer uma música que faça a galera farmar tanta aura que isso volte para mim em volta de streamings no Spotify, não é mesmo?
E aí eu consiga, sei lá, um dinheiro bom disso, porque hoje em dia 3 meses cai R$50 lá na conta. Obrigada você que me escuta no Spotify, porque você me ajuda com isso.
Perfeito, farmamos, farmou aura nessa resposta, hein? Aí, para Você tem algum ritual de concentração antes de entrar em cena?
Eu gosto de ficar calada no meu cantinho. Eu sinto que o palco é uma espécie de arrebatamento, né? Então você tem que estar preparado para esse arrebatamento. Eu falei para você que eu sou uma pessoa muito estabanada, então tem que tomar muito cuidado para não tropeçar no paralelepípedo em cena. Então eu gosto de de me ficar num cantinho, focar. E assim, pode estar caindo uma chuva de granizo, o que for, eu tô lá quietinha dando uma leve meditada.
Caraca, aí pensa no dia que eu for mãe, eu vou conseguir fazer um pré-natal fantástico, porque eu, tudo que eu ponho a minha mente para fazer, eu faço direito, sabe?
Beleza.
Essa daí foi genial. Não, mas assim, eu Eu peço desculpa, foi genial, mas peço desculpa ao mesmo tempo.
Não, foi maravilhoso, cara. Foi incrível, foi incrível. Quando você tá com a voz cansada, o que você costuma fazer para se cuidar?
Repouso vocal, acreditem ou não, é o melhor remédio para voz cansada. Você pode rolar um tsunami de lavagem de soro fisiológico no seu nariz, que também funciona. A atividade celular nessa época ela fica um pouco comprometida, a sua mitocôndria fica muito sobrecarregada para tentar te curar caso tenha algum vírus, tal, não sei o que lá. Então bebam bastante água, isotônico, vitamina C. E pensa que assim, sua voz tá cansada e pode estar ocorrendo um terremoto, uma placa tectônica, e aí causar algum barulho aqui.
Então mantenha suas práticas de saúde vocal durante terremotos também. Acho importante.
E para terminar, você também é professora. Quais os principais desafios e o que mais te estimula em ensinar outras pessoas?
Eu acho que ser professora me faz querer ser uma artista melhor todo dia. É muito louco assim, porque tá aqui nas coxias, zera era uma prioridade, era uma coisa que eu queria muito fazer, e eu tô aqui porque eu sou atriz, né? Então assim, muito obrigada por me receber nas coxias. Mas eu tenho certeza que os meus alunos vão assistir também o podcast e vão adorar essa entrevista. E eu gosto muito de, sei lá, eu fico muito feliz quando alguém fala que eu sou uma inspiração ou que tipo confia dia no meu trabalho como professora, eu sempre falo, nossa, muito obrigada por confiar em mim nessa maluquice que eu tento ensinar. Porque é uma maluquice, né?
Mas é uma maluquice que a gente ama e é deliciosa.
Era só uma palavra agora? Engraçado, eu tava aqui esperando, enrolando, esperando 4 palavras.
Aqui é sem roteiro. Vamos chegar no seu roteiro daqui a pouco. Muito bem, tá vendo? Isso Isso é artista, isso é artista.
Eu amei, tá?
Efeito de palmas. Efeito de palmas.
E ó, não, não, você tá aí, o improviso vai te ferrar. Me achei coerente.
Alô, Barbixas! Alô, Barbixas! Alô, Ana! Você também tem um trabalho musical autoral maravilhoso, com canções como Rei, Kryptonite, né? Como é seu processo criativo para escrever as músicas e quais cantores mais inspiram essas suas criações?
Cara, então eu acabei, eu não tenho muito processo. Eu brinco que tipo a Taylor Swift, por exemplo, é uma máquina de escrever.
Grande Taylor, tá convidada inclusive.
Máquina de escrever música. As 3 músicas que eu lancei foram músicas que eu escrevi, tipo, é até engraçado que eu acho que elas são mega profundas Mas eu escrevi porque, tipo, o crush não me notou, sabe? Assim, tipo... E eu fiquei, tipo, caraca, meio, sei lá, meio da pandemia. Falei, ahn, sabe? Todo mundo lá sofrendo em casa. E, tipo, uma parada que nem significou tanto assim, sabe? Assim... Então foi muito natural. Inclusive, uma curiosidade é que Kryptonite eu escrevi por conta de uma ideia que eu tive pro clipe de Rei.
Então, tipo, eu tava fazendo a pré-produção do clipe de Rede, tava tentando ter ideias, e eu pensei nessa coisa do se remendar, e eu escrevi uma música sobre isso. Então assim, eu não tenho muito processo, às vezes vem, às vezes não vem. Faz anos que eu não escrevo nada, eu tenho muita coisa já escrita que eu tô em estúdio, mas não tô, tipo, porque é isso, a vida acontece. Tava gravando as músicas, aí do nada passei pro ópera, aí do nada quebrei meu ombro, aí do nada blá blá blá.
Então tem música que tá em estúdio para sair. Eu tenho música em português, é só completamente diferente. Então é um, mas assim, é uma coisa que eu faço por mim. Eu sou muito feliz de lançar minhas músicas, fazer os clipes, é muito gostoso. Eu gosto muito de ver a reação das pessoas, as pessoas que gostam das músicas. Eu não tenho muito processo, eu confesso que eu tô até, acho que eu tô num bloqueio desde que meu pai faleceu, não escrevi mais nada.
Também não tô tendo muita decepção amorosa, né, porque estou casadíssima. Um beijo, meu amor. Então talvez tipo não esteja, não esteja aflorando nada, mas eu gosto muito dessa vertente. Pretendo lançar mais música, fiquem ligados. E Quem me inspira, cara, tudo. Eu gosto sempre, tipo assim, de contar história. Então, tipo, todas as minhas músicas, é óbvio, né, trabalhando com teatro musical, eu sou muito da letra. Então eu gosto, em relação à composição, pode-se dizer sim a Taylor Swift, Olivia Rodrigo, que são pessoas que, tipo, são mais recentes, são inspirações mais recentes, mas eu admiro muito o trabalho delas como compositoras e produtoras e performers.
Mas assim, em relação à voz, eu sou muito fissurada na Demi Lovato e na Beyoncé.
E Demi vai vir aqui, inclusive, vai, vai, quando vier fazer o show. Vai aproveitar, fazer uma passadinha.
Me chama, por favor, para a gente fazer um dueto, eu, a Demi e a Ana Kisui.
Fechou, um trieto, né?
Isso, trio.
É verdade, desculpa.
Bacana, neologismos.
E quando que vem o terceiro Ana Luísa? Tá em roteiro? O seu show solo. E aliás, antes de falar sobre o Ana Luíza Sem Roteiro, que já teve duas edições, é porque você também, além de contar suas próprias canções, você também canta covers que todo mundo já quis ouvir na sua voz. De onde saiu esse roteiro e onde a gente compra os ingressos para terceira edição?
Quando ela vai ser, cara? A terceira edição tá sem data prevista. Comenta aí quem quiser. Para eu ver se eu tenho público.
Comenta uma data aí.
Eu quero muito fazer show de novo, com certeza. Eu tenho uma aluna que me pede toda semana para fazer um show de tributo à Adele.
Legal isso aí.
Ela falou, Adele não veio para o Brasil? Ela é muito fã da Adele. Você tem que fazer um show da Adele. Tipo, cara, calma.
Aluga o Allianz.
Pô, tranquilo, né? Encher ali fácil. Mas eu quero sim fazer show Não sei quando, não tenho data. As músicas estão em estúdio, então pretendo lançar música antes de fazer show, para ter alguma novidade para vocês também. Talvez não seja no mesmo esquema do Sem Roteiro. Eu acho que o Sem Roteiro foi uma coisa muito única ali. Eu fiz o segundo, que já era repescagem, exatamente porque veio a ideia, veio de— eu joguei para o público a decisão do que eu queria cantar. Faz sentido?
Faz sentido e é polêmico.
É porque eu queria muito cantar tudo, tipo, se eu pudesse eu cantava 40 músicas. Eu sou, de novo, eu sou muito apaixonada por teatro musical, eu sou muito fã de teatro musical. Se algum ator te diz que não é fã, é porque tipo se esqueceu. Porque para você trabalhar com isso, ninguém vai trabalhar com teatro musical obrigado, tipo, pai, vai fazer teatro musical.
Não.
Para trabalhar com isso, você já foi uma, um fã, um theater kid, uma pessoa muito obcecada. Então, tipo, é óbvio, eu tenho no meu YouTube secreto, tem vídeos datados desde eu 14 anos cantando, tipo, me achando a Rachel Berry cantando no meu microfone que eu ganhei de aniversário, All My Own, berrando tudo, mas tipo sem técnica nenhuma, mas tá lá, entendeu? Tipo assim, a gente é muito apaixonado por isso. Então eu, por mim, cantava a noite inteira.
Mas eu sei que fisicamente é impossível, vocalmente é impossível. E eu não queria escolher, tipo, eu quero cantar Breathe ou I Dream a Dream ou My Own, Breathe ou Get Out and Stay Out. Escolhe aí vocês, Monster ou Hearthstone. Foi daí que surgiu a brincadeira da batalha de belting, que é tipo duas músicas muito beltadas. E aí eu mandava o público escolher. E aí teve tipo um primeiro show Tinha gente levantando cadeira no teto pra escolher a música, assim, sabe?
Deu super certo, tinham outros quadros do show, inclusive super nas coxias, a gente pode pensar em um, por exemplo... Opa!
Opa!
Ei, ei, ei, ei! Ei!
Ei!
Brincadeiras gostosas!
Gostamos disso aí, hein?
Ei, ei! Porque inclusive meu namorado e uma amiga minha, Beatriz Fiorotto, também um beijo, Bia, fizeram um show do intervalo, fizeram umas dinâmicas com a plateia. Eu queria um show muito interativo. Eu queria que as pessoas fossem convidadas pra participar desse processo. E queria cantar tudo que eu sempre quis cantar. E eu acho que as pessoas gostaram. Então assim, tipo, foi duas edições de sucesso. Não faria essa loucura de novo, é muito cansativo.
Porque assim, pra fazer essa coisa interativa, pensa que, sei lá, se eu cantei 20 músicas, eu ensaiei 40.
É, sim.
Entende? Então assim, é cansativo pra banda, é cansativo pra mim, é cansativo pra todo mundo.
Sabe uma coisa que também é muito cansativa? Desviar de tiros de espuma. Porque agora chegou o tiroteio de perguntas!
Isso!
Neste quadro, a nossa convidada vai precisar responder as perguntas com a primeira coisa que vier na sua cabeça enquanto leva tiros de Nerf da nossa equipe. Uma brincadeira muito sadia e pacífica, assim como a vida do artista no cenário musical de teatro musical brasileiro. Crianças, não façam isso em casa, ou façam porque a gente não é pai de ninguém. Eu sou, mas não de vocês. Bora, vamos lá! Ana, seu musical favorito? Seu musical favorito? Vamos, sei lá, vai! Melhor princesa da Disney?
A Bela.
Uma diva pop? A Beyoncé. Ok, Belting Belting ou lírico? O musical que você acha chato.
Ai, caramba!
Vamos, musical que você acha chato. Não sei, vai, eu tô com muito medo. Charpeio, Gabriela. Ai, Gabriela, compor ou cantar?
Cantar.
Cantar. Belting ou lírico?
Belting.
Se você fosse um cachorro, seria de qual raça?
Eu seria um— vamos, vamos!
Elfa, Balblinda.
Élfaba.
Quem inventou a lei da gravidade?
Newton.
Olha, em que continente fica Tunísia? Vamos, vamos, vamos, vamos!
Sei lá.
Isso! Quantas horas tem uma semana?
27.
Vamos, vamos! 160 e 3, 8. Fala um talk show.
A da Tata Werneck?
Não, esse aqui.
Ah, o nosso!
Isso!
Como eu tive um programa só para mim, agora vem a hora da vingança. Não vai, não vai mais não. Que que tá acontecendo? Emperrou, tá idosa, acabou.
E assim encerramos mais um Nas Coxias. Ana, muito obrigado por abrilhantar esse episódio delicioso. A gente espera te ver de novo em breve. E para comemorar a performance invejável no tiroteio de perguntas, Ana ganhou brownies do Fê, maravilhosos, maravilhosos.
Já comi, recomendo muito. Fê, um beijo, muito obrigada, gente.
Então, Ana, muito obrigado mesmo por ter vindo, por ter topado essa loucura.
Obrigada vocês, era um sonho estar aqui. De verdade, acabei de jogar o jogo que eu queria, que era das arminhas.
Meu sonho tem um Nerf, então fica aí, ó, patrocina a gente, ô empresa de Nerf. Não podemos falar o nome. E obrigado também Teatro Multiplano, Monobi Shopping, VME, Greyhound Mídia, por acreditarem nessa nossa arte. E a gente continua celebrando o teatro e os artistas, porque juntos nós somos alegres, perfeitos e fortes. Até a próxima, galera!
Só vale aí se vocês provarem.
Greyhound Mídia
Teatro Multiplan Morumbi Shopping
VME