Laura Castro e Abrahão Costa - Nas Coxias - Temp. 03 // Ep. 08
Juntamos duas das maiores estrelas (que também são inimigas do desemprego) do nosso Teatro Musical Brasileiro para falar sobre tudo e mais um pouco. Obviamente tivemos tiroteio, fofocas, riso solto e muita informação!
Abrahão Costa
Laura Castro
- Prêmio Bibi Ferreira 2025Concessão Galeão · Abrahão Costa · Melhor Atriz · Melhor Ator Coadjuvante · Mean Girls · Ray Charles
- Acessibilidade na ArteCusto Elevado das Aulas · Mercado Fechado · Projetos Sociais · Sessões Populares
- Checagem de fatos: Lula e TrumpAbrahão Costa · Concessão Galeão · Infância e início da carreira
- Força do trabalho coletivoMusical Espelho Magico · Dreamgirls · Produção Independente
- Indústria MusicalThe Voice Kids · BFF Girls · A Pequena Sereia (Live Action) · João Barradas
- Dificuldades e perseguiçõesCrise de Riso em Cena · Problemas Técnicos no Palco · Dreamgirls
- Momentos Marcantes em JogosNossa, Nada ou Meh · Tiroteio de Perguntas · Fala Que Eu Te Dublo
Bom dia, boa tarde, boa noite, você que acompanha nas coxias. Estamos começando mais um programa, o único programa da internet que traz os bastidores do teatro para sua tela. E agora, diretamente do Teatro Multiplan Morumbi Shopping, pela VME, nossa apoiadora nessa temporada linda, linda, linda, e junto da Greyhound Mídia, nossa equipe maravilhosa de audiovisual. Olha, hoje o episódio promete mexer um pouco com os nossos sentidos, assim, vai ser quase sinestese, porque os nossos convidados não são apenas música para os nossos ouvidos, mas também são garotos dos sonhos, dream boys, dream girls, entenderam?
Não?
Desculpa. Que brilham nos palcos. Então, com vocês, Laura Castro e Abraão Costa! Sejam muito bem-vindos ao Nas Coxias. A gente fala, como eu falei, a gente fala sobre os bastidores da vida artística, né, com algumas surpresas no caminho. E eu espero que vocês estejam preparados, porque aqui no Nas Coxias tudo pode acontecer.
A gente já tá sabendo aí que vai ter uns jogos e a gente não é muito bom, mas vai ser divertido.
A gente vai tentar funcionar sob pressão, hein, gente.
É isso, é isso. Contanto que viralize, se gerar engajamento, tá ótimo. Olha só, e como aqui a gente também gosta sobre curiosidades irrelevantes, fofocas, histórias de bastidores, eu queria começar assim, ó, para o pessoal que tá assistindo, para a gente também conhecer vocês um pouco melhor, queria propor uma coisa mais inusitada. Queria que vocês falassem para mim 3 fatos fatos curiosos sobre vocês, tá bom? Sobre a vida de vocês.
Porém, um deles tem que ser uma mentira. 3 fatos, uma mentira, duas verdades. E aí, por exemplo, a Laura vai falar os 3 fatos dela e a gente vai ter que descobrir o que que é verdade, que é mentira. O Abraão, mesma coisa. Fechou?
Tá.
A Laura, ele falou a Laura.
Você começa.
Vamos ser democrático, pega o número, pega, pensa no número.
3.
Pensa no número.
Era para falar qualquer número. 5.
5 é maior que 3, então 5 vence. Vai lá, Abraão, começa. Pode começar.
Ah, Abraão começa?
Você venceu, você tem a vantagem. Vai, você é um vencedor, cara, você é uma máquina de vencer.
Caramba, vai.
Tá, uma mentira, duas verdades. Não precisa ser nada muito elaborado, tipo, ah, tem um gato, pode ser assim, sei lá, tenho Medo de verde.
Você vai testar nossa amizade agora.
Ai, meu Deus do céu. Mas é ela que tem que descobrir?
É. E eu também.
Vai.
Tá. Eu comecei na arte cantando na igreja.
Tá.
Eu sou o terceiro filho.
Aí você já me fodeu já.
Terceiro filho, eu sou o terceiro filho, o terceiro filho de uma família. Você foi o terceiro, 1, 2, 3, tá bom?
E eu nunca fiz aula de canto.
Nossa, desculpa aí, polêmico, hein, Laura?
Você não é o terceiro filho, acho que essa é mentira.
Eu acho que você acha que é filho único?
Eu acho que não, não, ele tem vários irmãos.
Vários?
Eu conheci 3 irmãos seus. Então, né, é um eu conheci. Não, ele tem 2 irmãos. Você tem uma mais nova e você tem um mais velho, que foram 2 que eu conheci.
Ah não, mas ele é o terceiro irmão, mas pode ter alguém mais novo que ele.
Mas eu acho que isso tem uma mais nova.
Então pode ter 4, porque o terceiro, imagino que o terceiro na ordem, né? Ou é o último?
Mas independente, ele é muito autodidata. Eu acho que a gente já teve essa conversa que eu falava, nossa, como é que você tem tanta consciência da sua voz se nunca tinha feito aula?
Aí, Laura, vai.
Eu acho, eu acho que é verdade que você começou na igreja e é verdade que você nunca fez aula de canto.
Eu também vou nela. Acertou! Você nunca fez aula de canto? Não, pelo amor de Deus, você tem 2 irmãos mais velhos?
São uns 5.
Então você tem 2 mais velhos, uma mais nova?
Eu tenho 3 mais velhos.
Ah lá, ele tem 3 mais velhos e uma mais nova.
Eu sou o quarto, na verdade.
Você nunca fez aula de canto?
Nunca fiz aula de canto, cara.
Nunca fez? Eu lembro que eu tive esse choque.
Nossa Senhora!
Desculpa aí, pelo amor de Deus. A gente se ferrando aqui fazendo aula, estudando.
Sai daqui, vai embora, Laura! Sai daqui, para de gracinha! Vai lá, sua vez, sua vez, sua vez. Tá bom, meu Deus, polêmico, vai difícil.
Não fui difícil não, tá bom?
Eu não vou ser tão difícil.
Você parece uma menina também.
Então tá, o meu primeiro musical Eu fiz uns, eu fiz um soldadinho de chumbo no espetáculo de Natal específico, né? Primeiro musical, eu fiz um soldadinho. Tá certo, meu primeiro musical. Eu tenho 3 cachorras, cachorrás, cachorrás, 3 cachorrás. E eu já fiz parte de uma banda. Tá fácil.
Já fez parte de uma banda real?
Essa é real também, que eu estou sabendo.
Agora, da parte do espetáculo, você foi baixa, tá?
Não, porque é muito fácil.
Subterrânea.
Tá bom, vai.
3 cachorras.
Eu acho que, eu acho que a parte dos cachorros tem uma informação que é mentira.
Não são 3?
É, não, eu sei que ela tem, mas só que eu não sei se são as 3 são fêmeas. Eu acho que tem alguma coisa errada aí, acho que não é.
Ah, você acha que o falso dela foi só uma pitadinha?
Foi uma informação aí que não é.
3 cachorras? Então vamos lá, 3 cachorras.
Eu acho que eu vou nas 3 cachorras.
Você não tem 3 cachorras. Mas você tem quantas cachorras?
Eu tenho 2 cachorras.
Quem são elas?
2 cachorras e 2 gatos.
Qual é o nome deles?
É a Cacau, a Mel, a Penélope e o Bruno.
Pode entrar, pode entrar!
Um oferecimento pet.
Fica aí a dica, viu? Episódio com os— um episódio com os pets dos artistas do teatro musical brasileiro.
Trouxer o meu aqui, ele vai destruir o cenário.
Mas é isso, gente, é teatro, é magia.
Ele é enorme.
Perfeito, muito bem, muito obrigado! Parabéns, uma salva de palmas! Não temos palmas. Mas temos palmas aqui, ó, imagéticas para vocês.
E ia falar para botar efeito, mas aí pode, né?
Bom, vamos começar a nossa entrevista porque nós temos aqui dois ganhadores do Prêmio Bibi Ferreira 2025, não é verdade?
Onde estão?
Pode entrar, pode entrar! Ó, para quem não sabe, é só a maior premiação do teatro musical brasileiro. E vocês saíram dessa edição com estatuetas, né? Abraão como melhor ator coadjuvante e Laura como melhor atriz. Na verdade, começar com a Laura, primeiras-damas. Laura, e assim, você ter ganhado esse prêmio, o que que isso representa para você nessa sua trajetória? Em primeiro, você ser a atriz mais jovem a levar esse prêmio por interpretar Cady no Mean Girls.
E também sendo a primeira mulher preta no mundo a dar vista, a dar vida para a Keyd. Como que foi tudo isso para você?
Ah, foi muito emocionante, assim, foi realmente muito especial. Que é isso que você falou, né? São coisas que a gente ainda não tinha visto acontecer, então são coisas que a gente nem imagina que poderiam acontecer, como a gente nunca viu isso acontecendo. Então eu Tipo, eu tinha muita vontade, mas eu não esperava. Eu falava, ah, não vai acontecer, não acho que não, sei lá o quê e tal. Só a indicação eu já fiquei muito surpresa e muito feliz, mas realmente poder vencer esse prêmio, eu acho que para além do que simbolizou para mim, eu acho que simboliza muito para outras meninas pretas e para jovens pretas que querem entrar no mercado e que querem ocupar algum lugar e muitas vezes se sentem inseguras em relação a isso.
Então eu fico muito feliz porque acho que é algo maior do que eu assim. Então eu acho que para além de uma conquista muito importante para minha carreira, eu considero que é uma conquista muito importante para o meu propósito como artista.
Com certeza. E Abraão, e para você, o que que esse prêmio significa? Você venceu, você venceu como ator coadjuvante por Ray, não é isso? É. E assim, Ray é um personagem bem icônico, bem conhecido. E como que foi você receber esse prêmio interpretando este personagem de tanto peso?
Nossa, eu acho que foi uma afirmação assim, sabe? Eu posso dizer do meu trabalho, da minha arte, que muitas vezes a gente como artista, a gente acaba duvidando de muita coisa. Exatamente, a gente se cobra muito, enfim. Então é a mesma emoção, né, eu posso dizer assim, de só de ter sido indicado para o prêmio. Para mim já foi tipo, cara, que legal, que conquista, que realização. Mas eu sinto que ter subido naquele palco, pegado o prêmio, foi uma afirmação assim, concretização.
Exatamente, uma concretização. Uma palavra aí que eu não vou conseguir falar agora, mas cara, foi muito emocionante assim, sabe? Foi muito emocionante. Um personagem que foi muito difícil de interpretar por ser o Ray Charles, né? Mas se tratando de um homem, de um homem negro cego numa época que as circunstâncias não estavam favorecidas, não favoreciam naquela época, as pessoas negras. Enfim, eu acho que foi uma conquista assim, uma afirmação do meu trabalho, do propósito também, posso dizer, do que eu nasci para ser.
E o talento de vocês se cruzou de novo nos palcos, é para nossa felicidade também, né? Inclusive em Magia Musical, não é? E como foi esse processo criativo para vocês trabalhando juntos? De novo?
Cara, foi muito especial. Eu fui pai dela, né, gente?
Mas na ficção ou na realidade?
Na ficção.
Na ficção, tá.
Melhor deixar claro, né?
Melhor deixar claro. Não tem nem como.
Calma aí.
Mas foi muito legal porque essa ideia surgiu quando a gente tava em Dreamgirls ainda. Então a gente, né, foi uma conversa de camarim. Ele foi lá, a gente tinha essa rotina, né? Acho que quase todo dia a gente papeava no camarim. E aí eu falei para ele, falei, amigo, tem um personagem que ia ficar incrível você fazendo. E aí eu mostrei algumas músicas, algumas coisas, ele falou, vamos embora, vamos embora! E aí a gente saiu de Dream Girl já sabendo que a gente ia se reencontrar já. Isso foi uma sensação muito boa.
Porque você fez a parte da produção também, né, Laura? E como foi produzir assim? Qual é você falando de produção agora, mudando um pouco do papel, vamos dizer assim, Como que foi produzir de maneira independente um espetáculo desse? É um babado! É tranquilo ou não?
Não é tranquilinho produzir, gente.
Gente, ela não parava.
Não parava.
Ela não parava.
Foi uma das experiências mais desafiadoras assim da minha vida, com toda certeza. Foi bastante complexo e eu descobri muitas coisas sobre o meio que eu não fazia ideia e sobre mim também. Então foi muito louco assim, mas foi uma das experiências mais incríveis que eu já pude viver, porque descobri algo que eu gosto muito de fazer, aprendi coisas que foram muito importantes para mim também como artista. E é isso, eu tenho vontade de produzir outras coisas e seguir nesse caminho e tal. Então fiquei muito feliz de poder ter vivido isso.
E falando de novo dessa química que vocês têm trabalhando juntos e tal, e aqui no palco a gente consegue ver essa química, vocês se odeiam na vida real?
Ou vocês têm uma, eu acho que não é meio mais ou menos assim, sabe?
Sempre atuando, né?
Claro, a gente é um trabalho diário do ator.
Exatamente, a gente exercita isso na vida, inclusive, tá?
Conta pra gente uma história de bastidor aí, vai. Ai, meu Deus, nossa, pode envolver crise de riso, pode envolver crise de riso, inclusive.
A gente tava falando de uma agora.
A gente tem, ah, é que eu acho que eu e o Abraão, nós somos duas pessoas de riso frouxo, né?
Perfeito.
E a gente tem essa dificuldade. Acho que se a gente pudesse falar uma fraqueza em cena, eu acho que a minha fraqueza em cena é essa. Eu tenho dificuldade de segurar o riso.
A minha, com certeza. Assim, aconteceu alguma coisa engraçada, não me olha, não tenta fazer qualquer movimento. Nossa, eu já tô no chão já.
Eu acho que por a gente saber que a gente é assim, a gente às vezes não precisava nem se olhar porque a gente já sabia que eu tava ali.
Já sentia a energia.
Já sentia a sudorese do amigo. Aí quando eu senti que o Abraão talvez estivesse rindo, me dava vontade de rir.
Nossa, aconteceu uma vez no Dream, que a gente estava em cena e eu não sei o que aconteceu. Gente, a gente é besta. Deve ter caído um alfinete e a gente achou graça. Só que exatamente no momento em que a gente não podia rir, qualquer coisa era engraçada.
Mais engraçado ainda.
Exatamente, até um alfinete caindo. E aí eu não sei o que aconteceu, que a gente já tinha percebido que tinha acontecido alguma coisa engraçada. E aí eu só senti a energia, ela tinha que dar um texto de teatro pra mim. E ela não conseguiu olhar pra mim. Então ela ficou meio tipo...
Cici, quantas músicas você já escreveu pra gente?
Eu acho que umas 100. E a gente não conseguia se olhar. Eu vi que ela estava dura.
Dura.
Mas era um movimento brusco, a gente acabava com aquela peça, gente, e a gente seria demitido.
Exato. Pelo menos a gente não se olhou e segurou. Mas quem conhece sabe que a gente tava se esforçando muito.
Eu queria só que— mais uma história de bastidor que eles estavam comentando antes do programa começar. Queria saber de uma experiência sobre uma coreografia Aí ela vai contar como que foi essa de coreografia aí. Conta para nós como foi.
Ai, gente, é porque o teatro é vivo, né?
O teatro é vivo. Ah lá, que bonito! O teatro é vivo, gente.
Às vezes a gente acontece que a gente não tem controle e tal, e a gente teve um problema técnico, enfim. Em relação à subida de um cenário. É.
E aí... Acontece, né? Problema técnico.
É, não, isso daí, enfim, não tem nada a ver. Mas aí é isso, né? A gente se vira e tal. E por isso também que a gente faz aula de interpretação, pra aprender a se virar nesses momentos.
Maravilhoso.
Só que aí, nesse momento, tinha que entrar todo o ensamble. E como teve essa questão técnica, ele era o primeiro a entrar. E eu acho que aconteceu algum... Alguma questão aí de comunicação.
De descomunicação.
Ele tinha entendido que era pra entrar e não era mais pra entrar. E aí ele entrou sozinho.
E as Dreams lá, ó. We are Dream Girls e o Cícero no canto dançando de animador de plateia, uma coisa fia.
Ah, mas era uma coreografia basiquinha?
Não era, eu entrei muito fervoroso, sabe? Entrei muito animado e pirueta aí.
Pensa nesse contexto, só as Dreams na frente cantando e do nada o Cícero.
Não, Cícero totalmente Tô sozinho lá, prestando atenção. Totalmente embebedado. Deixa eu ver aqui. Nossa! E o melhor foi eu, no meio da coreografia, girar e olhar pra coxia e ver o elenco inteiro rindo da minha cara.
Todo mundo!
Nossa! Essa foi o melhor.
Aí não teve como, não teve como.
Já que vocês são estrelas consagradas, né? Do nosso teatro musical, a gente quer tirar isso à prova, tá? Porque afinal de contas, o que é Bibi Ferreira perto das coxias? Ai, meu Deus! Esse é o quadro, meu querido, você tem que pular. Nesse jogo, os nossos convidados têm que soltar a voz para responder as nossas perguntas, transformando elas em cenas dramáticas, cenas cômicas, líricas beltadas, né, como se fosse uma cena de musical autoral sobre a vida deles.
Preparados? Laura, a gente tem que ter muita cara de pau para enfrentar os processos de audição de cada musical. Qual a sua rotina de skincare para manter a pele em dia?
Nossa, mas aí eu não esperava, né? Você sabe, falando de audição, como que pergunta de skincare?
É isso, não é atriz? Vai lá.
Bom, dias de audição são muito desafiadores e acaba estressando a gente, porque aí vem espinha e oleosidade. E aí, para segurar a hidratação sem ficar oleosa, eu uso o meu sérum, meu creme hidratante, Eu limpo o meu rosto. Comecei a cantar música que existe, né?
Não sei, mas tá ótimo, perfeito, maravilhoso, perfeito, perfeito.
Fiquei com vergonha.
Vai lá, Abraão. Eu fiquei com vergonha alheia, né? Trabalhar com teatro musical é muito exaustivo.
Sim.
Fala pra gente um pouco dos seus hobbies. Que que você faz no seu tempo livre, cara?
Ah, eu gosto de Eu gosto de cantar, eu gosto de dançar, eu gosto de sair pra me divertir, jogar conversa fora com os amigos, sorrir. A voz quase não sai. É, eu acho que é isso.
Perfeito, maravilhoso!
Muito obrigado, amigo.
Laura!
Tem mais?
Claro que sim!
Não pode xingar, gente, são coisas de família.
Desculpa, desculpa, Laura.
Se tem uma coisa que as pessoas gostam é de criticar, de reclamar. Você já recebeu algum tipo de hate? E você aceita as críticas, mas não fica calada? Ou você fica calada?
Ah, eu acho que nesse mundo das redes sociais da telinha, que a gente tá atrás da tela. Muita gente tem muito a dizer e não é fácil, mas a gente tem que aprender a lidar com tudo isso. E eu não respondo ninguém, mas eu faço minha terapia e minha saúde fica em dia.
Olha, até rima perfeita, maravilhosa! Clara Castro, corre lá, vai lá! Abraão, na nossa profissão temos que ser plurais, temos que ser versáteis. Mas o que você menos gosta de fazer? Odeio fazer isso.
Que odeio fazer? É no teatro que você disse?
Na vida, na vida, em qualquer coisa.
Nossa, mas que reclamada pergunta!
E a reclamada pergunta: não, não, jamais, que isso! Cara, o que mais eu odeio fazer, gente?
Alguma coisa que você não gosta de fazer, o tipo de pessoa que você não gosta de conviver.
Olha, eu amo, eu amo.
A pergunta no caso é o que você odeia.
Calma aí, mas aí eu tenho que— calma aí, que isso, gente?
Desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa.
Que isso, produção? Desculpa, tá maltratando aqui o ator, maltratando.
Não pode, não sufoca o artista.
Desculpa, não pode. Escorceira aqui, vai. É, ai, que difícil, gente, não funciona. Tô sentindo uma supressão.
Você não viu nada ainda.
Eu amo dançar, mas quando vem com sapateado, eu não consigo assimilar o que é um stomp, o que é um shuffle, o que é um step, eu não sei.
Maravilhoso!
Um duetinho aqui agora, aqui, ó, um duetinho para vocês dois. Como que é trabalhar um com o outro?
Trabalhar com uma Laura é muito incrível, eu me divirto e eu me divirto. A gente sorri, a gente se zoa também. Ai, são tantas que eu nem posso falar.
Meu Deus do céu, maravilhosos! É isso, valeu, né? Muito bom, muito bom, muito bom, muito bom, muito obrigado, obrigado, obrigado, maravilhosos! Isso é talento! Olha, tá vendo? Tá vendo?
Ai, me pegou muito isso agora. Tudo bem, desculpa.
Também sou ator. Bom, vamos ao que interessa. Olha, vocês arrasaram no elenco de Dreamgirls. A Laura como Gina Jones, Abraão como Cissy White. Laura, Dreamgirls, eu acho que é um dos musicais mais desafiadores vocalmente falando, né? Os números são muito ousados.
O quê? Tô brincando.
Não só na partitura vocal, né, mas na partitura musical, mas também na parte emocional. É profunda a história, né, uma história bem, bem densa assim, né. Como foi para você interpretar esse personagem tão desafiador ao lado de um elenco de peso que tinha Letícia Soares, Samanta Schmutz e tanta ou tantos outros nomes do teatro musical?
Ah, foi uma experiência, ah, foi uma honra para mim poder fazer parte desse elenco assim que tinha tantos artistas que já estavam no meio há mais tempo do que eu e que foram referências para mim em algum momento da minha vida e da minha carreira e poder estar do lado deles, contracenando com eles, aprendendo com eles, para mim isso foi uma honra, mas ao mesmo tempo foi uma grande responsabilidade, né? Então também foi um desafio nesse lugar, porque era uma personagem muito diferente de tudo que eu já tinha feito, muito mais madura, né?
Ela chegava a idades e vivências que eu nunca tinha vivido ainda, né? Uma idade que eu ainda não tenho. Então foi um trabalho de atriz muito diferente assim e muito profundo também. Então foi muito legal e foi muito desafiador.
Que bom! E Abraão, você tem interpretado personagens muito, muito grandes assim também. Agora você tá no Tina, certo? E quais, ao seu ver, quais os maiores desafios que a gente encontra nesse universo dos musicais?
Cara, o maior desafio, ah, eu acho que é o processo para você construir o personagem, entender Principalmente a gente que tá sempre buscando, né? Vou dizer pela Laura também, acho que foi um desafio pra ela também nesse lugar de ter que interpretar uma personagem que teve vivências que ela—
Fora do lugar.
Exatamente, da realidade. Eu acho que é uma maturidade que a gente vai adquirindo assim, a gente tem que ter essa cabeça assim, tipo, até mesmo pra sair de um personagem que às vezes tem uma história diferente da outra que você fez. Virar página, né?
Exatamente.
Então acho que esse é um dos maiores desafios, assim.
E você se vê explorando outras vertentes da arte, como, sei lá, audiovisual, dublagem, algumas outras coisas? Ou você se encontrou no teatro e é ali que você quer ficar?
Cara, o teatro musical, ele me realiza num lugar de... É porque eu comecei, na verdade, no teatro musical por conta da dança.
E... Ah, é?
Exatamente. A vida toda eu tive que ficar escolhendo... Ainda dança?
Você nunca fez aula de dança também?
Não, aula de dança eu fiz. Mas eu sempre tive que ficar nesse rolê da vida entre, cara, eu quero dançar, eu quero cantar, e sempre colocando à prova, né? Tipo, o que que eu tenho que fazer, escolher? E quando eu conheci o teatro musical, eu entendi que eu posso fazer essas três coisas juntas, né? Então eu me sinto realizado nesse lugar, mas eu sinto vontade, sim, de explorar. No momento eu me sinto feliz, estou realizado no que estou fazendo com teatro musical.
Mas tem vontade, eu gosto de dublagem, já fiz umas coisas assim mais para o lado musical em algumas dublagens, mas eu tenho muita vontade.
Fica a dica aí, diretores que estão assistindo, produtores, castings, aí, ó, estamos aqui, ó, certo? Mandem jobs. Laura, você agora tá no elenco de Sete Mulheres e um Mistério. Laura, inimiga do desemprego, né? Amém! Ao lado de atrizes de novo de peso que a gente ama. Conta para a gente qual é a parte, qual O que tem sido de mais divertido nesse processo e o que a gente pode esperar desse espetáculo?
O mais divertido são essas 7 mulheres, essas 6 mulheres, no caso. 8, na verdade, porque somos 9, né?
Que somos uma Flash, mas temos 2. São 8, mas na verdade são 9.
Não, são 7 mulheres mais as 2 swings, que aí somos 9.
Ah, tá certo, tá certo.
E aí, ai, gente, elas são muito divertidas. É surreal trabalhar com elas. Elas são muito engraçadas e muito geniais e E acho que é isso, mas o mais incrível, mais divertido de todo esse processo tem sido estar com elas assim e poder aprender. Pra mim é uma aula ver elas ensaiando, ver elas criando, propondo e improvisando. O gênero da comédia não é uma naturalidade pra mim, uma facilidade tão grande pra mim, então poder ver elas fazendo isso com tanta facilidade, com tanta naturalidade, é uma aula assim. Então é a melhor parte desse espetáculo.
E eu acho assim, vocês dois estão emendando muitos trabalhos. Né, então eu falei que a Laura, inimiga do desemprego, mas também você, Abraão, graças a Deus, né. E assim, o trabalho do ator ativo, ele, o do performer, ele é muito intenso, né. Divide com a gente assim, queria que vocês dividissem com a gente um pouco da rotina de vocês de preparação, o que que vocês fazem, que vocês não fazem, hábitos que vocês têm, cuidados que vocês têm de preparação, enfim, no dia a dia, né, para que vocês consigam entregar a performance que vocês, que o público espera, que o diretor exige, que vocês também se sentem, que também façam vocês se sentirem orgulhosos de apresentarem no palco também? Pode falar.
Cara, eu, a gente sempre tá em busca, né? Eu falo por nós dois, porque eu já percebi que a Laura também é assim, né? A gente às vezes de folga mesmo, num rolê que a gente não tá no teatro, a gente sempre tá buscando, a gente sempre tá cantando, Então eu acho que é, isso faz parte, óbvio, desse processo também de preparação, né, na nossa preparação individual, porque a gente tá sempre buscando aprender e aprimorar a nossa arte.
Fora os cuidados que a gente tem que ter com a voz, aquecimento, aulas, enfim, a gente sempre tem que estar antenado.
Menos de canto.
Menos de canto, é, cara.
Impressionante, né?
Mas assim, eu nunca fiz aula de canto, mas eu busco sempre tá aprimorando nesse lugar, sempre tá buscando informação, sempre tô rodeado de gente, enfim, fono.
A família dele também.
Meu pai, meus irmãos, então são todos músicos, então a gente sempre tá estudando. Então acredito que a aula veio daí, né? Então eu acho que é isso, abrir mão também de algumas coisas. Festas, infelizmente a gente acaba perdendo muitas coisas. Beber nem pensar. Às vezes a gente foge assim um pouquinho, mas eu acho que faz parte disso, sabe? Essas coisas que a gente vai abrindo mão e esse cuidado que a gente tem que ter com o nosso corpo. São sacrifícios.
Exato.
Você tem alguma preparação diferente, Laura, ou não?
Ah, acho que depende muito do que eu tô fazendo, né? A demanda do que eu tô fazendo. Mas eu busco sempre, é isso que ele falou, assim, sempre me cuidando, cuidando da minha saúde, minha saúde vocal, minha alimentação, minha saúde física, saúde mental. É um meio muito difícil, né? Além de ser um meio muito puxado fisicamente e vocalmente, né? Porque a gente tá ali de quinta a domingo, o dia todo, em função disso, e fazendo a mesma coisa todos os dias, que também cansa muito mentalmente.
Também é um meio muito difícil psicologicamente, é um meio muito instável, é um meio que a gente vive refém da opinião dos outros, da aprovação dos outros, é um meio muito competitivo, infelizmente. A gente vive num meio que todo mundo se compara o tempo todo. Então é um meio que é muito fácil você ficar doidinho da cabeça. Então eu acho que uma coisa muito importante é isso também, a gente se cuidar psicologicamente para se fortalecer.
No lugar de não deixar nem que o sucesso mude quem você é, nem que a falta de sucesso também mude quem você é.
Tem um camareiro queridíssimo, Alan Domingos, que fala assim que o fracasso subiu a cabeça, né? A gente tem que tomar cuidado para nenhum sucesso, nenhum fracasso em nossa cabeça. Mas bom, aqui no Nas Coxias a gente gosta de informação de qualidade e também de uma pitada de fofoca. Né? E a gente gosta muito de explorar os bastidores do teatro, as particularidades dos nossos atores, principalmente no off. E a gente queria saber de vocês, né?
A gente queria extrair de vocês algumas revelações no quadro Nossa, Nada ou Mé. Aqui do lado da poltrona nós temos 3 plaquinhas. Perfeito, Abraão, uma salva de palmas para branco, pegou as plaquinhas, certo? Será que vem aí? Olha só, nesse jogo eu vou trazer algumas situações para vocês, certo? E vocês precisam levantar as plaquinhas de nossa, as plaquinhas de nada e a plaquinha de meh, me dizendo quanto isso incomoda vocês. Nossa é uma coisa, nossa, isso me incomoda demais.
Nada Incomoda nada, para mim não, zero. E o mé é uma coisa que tanto faz, você não tá nem aí, se acontecer aconteceu, não aconteceu não aconteceu. Beleza? Primeira situação: ator que esquece todas as marcas no palco. Ai, nossa, nossa, nossa, nossa mesmo, nossa, para mim é nossa. Por quê?
Ah, porque atrapalha todo mundo, né?
É isso, cara.
Tudo, ensaia, ensaia.
E eu me desregula tudo. Para mim, deu alguma coisa errada na marca, já, para mim, eu já perdi ali. Eu sei que não pode ser assim, né?
A gente não pode, mas para a peça.
Ah, se a pessoa tem alguma dificuldade específica e tal, aí a gente até entende, mas muitas vezes não é por isso, muitas vezes é falta de atenção.
Fica ali o puxão de orelha, hein?
Nossa. Tá?
Nossa, nossa, viu?
Ensaios de 8 horas de segunda a sábado.
Ah, de 8 horas?
8 horas, que é a vida normal, né? Tranquilo, acostumado, faz parte, né?
Se for, ajuda até mais.
É, exato, faz parte, faz parte.
Troca rápida, tem um pouquinho, é cansativo, mas é, se for bem ensaiado, se tiver, acho que é.
É, é, tá bom. Ator que peida na coxia.
Ai, meu Deus. Ah, aleatório, mas é mané, gente. Para mim é mané, porque isso, né, acontece, né? Mas é o quê? Não é gostoso, mas aqueles que peidam.
Tomar corticoide.
Nossa, que específico!
Eu confesso que eu não sou o cara dos remédios, eu não gosto de ficar tomando remédio assim sem—
eu também não, mas é isso, cada um sabe de si, né, gente?
Acho que é perfeito.
Tá bom. Balada da classe artística.
Cara, eu já tentei, me esforcei, mas é difícil, né?
Vou também, também eu sou Senhora. Então qualquer balada no geral para mim é tipo, não vou estar lá, tá bom?
Eu gosto, eu confesso que eu gosto muito de festa, mas assim, é, eu sou assim, mas depende. Acho que essas festas assim tipo da classe, não sei, não sou muito adepto, tá bom?
Sessão de quarta.
A gente nossa, desculpa.
Nossa também, a gente participa.
Não, porque tanto ódio, ódio para sessão de quarta?
A gente ama nosso trabalho, a gente ama fazer sessão, mas sessão de quarta cansa muito. Tipo, de quinta a domingo já é cansativo.
Aí quando a gente faz, chega na sexta, parece que eu tô no domingo.
É muito cansativo, é muito cansativo.
O que que é pior, começar a temporada sabendo que vocês têm sessão de quarta, ou no meio da temporada falarem assim, gente, Vai ter sessão de quarta.
Ah não, no meio.
Acho que no meio é.
Se a gente já sabe, a gente já se prepara emocionalmente e fisicamente para isso também e tal. Que realmente assim, parece brincadeira, mas faz muita diferença. Com certeza. É outra rotina também, porque às vezes a gente se programa para fazer tudo que a gente precisa fazer até quinta-feira, que a gente sabe que de quinta até domingo não dá, tem que focar 100% no espetáculo. E aí quando começa na quarta, aí a gente tem, a gente só tem de segunda a terça para se organizar em tudo, que depois de quarta a domingo. Então às vezes é uma mudança de vida que faz diferença.
Então jantar feijoada entre as sessões?
Nossa Senhora, sem condição!
Eu amo feijoada, mas nunca fizeram.
Sem condição, nunca fizeram.
Já fiz bastante comer feijoada.
Não, feijoada não, mas lembro feijão que a gente comia lá no Dreamgirls vira e mexe. Eu sou muito, eu sou, eu amo comer Eu amo comer e eu sinto muita fome. Aí às vezes eu me passo de fato. E aí chega na hora do espetáculo, eu falo, não, eu não passo não.
Batei no pé, fui na cortina.
Feijoada é o mesmo, porque ele foi bem específico, né? Feijoada é puxado. Feijoada não tem como.
Não dá pra você comer nada pesado, ainda mais espetáculo que canta muito e dança muito. Não tem como.
Sabe que eu não gosto de feijoada?
Nossa, eu amo.
Eu não acredito em feijoada.
Sinto muito por você.
Eu sinto muito por você também. Sério?
Desculpa, tudo bem. Fazer temporada em outro estado.
Ai, adoro!
Eu gosto também, me incomoda nada fazer temporada voando por aí.
Eu acho da hora, não incomoda nada também.
Ai, adoro! É uma boa desculpa para viajar também.
Quando dizem, quando dizem você é cantor, canta aí. Nossa, já aconteceu?
Nossa, nossa, nossa, me definiu tanto! Parece que a gente desaprende, né?
Parece que o brilho some assim, você fica tipo, dá vontade de falar não, não sou.
O que que é pior, o você é cantor cantar aí, ou você é ator e trabalha com o quê? Ou você trabalha, você é ator, você trabalha? Os dois, acho que tem um pouco, é a mesma vibe para as duas.
Não, mas com o que que você trabalha?
Tipo, né?
Bom, olha, eu concordo com vocês, a vida de ator não é fácil. E por falar aí, por falar nisso, ser artista no Brasil significa, acho que, fazer seu corre, né? Sempre buscar ser plural, versátil, né? Conseguir se manter no ofício. Agora a gente encerra o game. Obrigado, gente, em São Paulo. Acabou, infelizmente acabou. Infelizmente acabou. Obrigado, tá? Obrigado, pode continuar lá, tá bom? Obrigado, obrigado, tá? A gente, qualquer coisa, a gente liga, tá bom?
A gente entra em contato, tá bom? A mocinha tem seu telefone. Abrão, além do seu trabalho no teatro, você tem um longo trabalho musical. E para quem não sabe, sabem, para quem não sabe, backing vocal inclusive de Linniker. Confere, alô? Ah, muito bom! E quais foram as suas, quais foram, quais são as suas inspirações que te ajudaram a trilhar esse caminho?
Cara, como eu falei, minha família são todos, né, cantores, músicos. A minha inspiração vem daí, posso dizer, né. Minha irmã também trabalha com isso profissionalmente. Profissionalmente, nós, eu e minha irmã, fomos para esse caminho, né? Um beijo para irmã do Abraão aí, te amo. Tamires Souza, maravilhosa. E eu acho que a minha inspiração vem da minha casa assim, sabe?
Isso faz diferença, né?
Acho que com toda certeza, com toda certeza, com toda certeza. É a voz quebrando aqui, ó.
Canta aí para gente, canta aí para gente. Você cantou? Canta aí para nós.
A voz quebrando, o Yodel do nada.
Laura, Laura, você esteve, me corrija se eu tiver errado, The Voice Kids 2017, participou da banda BFF Girls, não é? Viajou, cantou pela Ásia, Estados Unidos. Mas assim, além dessa cadeira, cadeira, além dessa cadeira, cadeira, dessa cadeira, dessa carreira musical Você também tem seguido a carreira de dublagem. Eu tinha perguntado para a Brahma naquela ocasião, mas você também é dubladora, trabalha com isso. Você foi voz de Ariel no live action, né, da Pequena Sereia.
E como nasceu essa sua relação com a dublagem? Quais são esses desafios em dar voz para personagens já prontos, que você não tem necessariamente tempo de construir o personagem? Como que é para você esse mundo?
A minha relação com a dublagem começou a partir da minha relação como atriz. Eu comecei a trabalhar como atriz e muitos amigos meus dublavam, e eu sempre tive essa curiosidade de como é que é esse universo, como é que você dá voz a alguém, né? Só trabalhar a sua voz na interpretação. Eu fiquei muito curiosa com isso, e aí comecei a fazer uns cursos e umas aulas. E aí um diretor musical que chama Felipe— a gente chama ele de Sushi, Felipe Sustivo, nome artístico dele, que ele foi nosso diretor musical inclusive no Magia e é um amigo muito querido meu, amigo próximo hoje em dia.
Ele foi, ele o responsável por me trazer para esse meio assim, começou me chamando para fazer coro e voz de fundo em algumas músicas, né, que ele é diretor musical de dublagem. E aí a partir disso ele começou a me apresentar para outros diretores que começaram a me conhecer também. E aí outros diretores começaram a chamar pra testes, essas coisas. E aí eu, de fato, me apaixonei por esse meio. Então... E hoje, de fato, é uma profissão que eu sigo e gosto muito, amo muito.
E é muito louco, porque é um processo muito diferente mesmo, né? Porque você usa a sua voz pra um personagem que já foi construído, um personagem que já existe, uma voz que já existe. Então eu acho que é um processo adaptativo, não é um processo de você estudar antes, é um processo de você chegar lá e sentir essa energia do personagem.
De aprendizado rápido assim, né?
Isso, isso, de aprendizado rápido e você se adaptar ao que tá sendo feito ali e enfim, emprestar a nossa voz de uma forma que mantenha essa história, né, e continue contando ela.
Não, perfeito. E vocês, agora uma pergunta para vocês dois, Como dois artistas pretos que estão em evidência, né, quais os maiores desafios que vocês veem no mercado artístico hoje em dia e o que precisa mudar? Cara, aqui é sério também, gente, aqui não é para dar risada não.
Eu sinto que a gente ainda, a gente ainda precisa se provar o dobro.
Você sente isso?
Com toda certeza, a gente precisa sempre se provar muito, muito para fazer valer. Enfim, eu acho que é isso, sabe?
Eu acho que uma coisa que exemplifica muito isso que ele falou é que uma coisa, um discurso que acontece muito, muitas vezes, é: ai, que tal pessoa passou por esse personagem, que estão buscando uma pessoa preta para interpretar esse personagem, ou que estão buscando uma pessoa racializada para fazer esse personagem.
Nunca pelo talento.
Exatamente.
Tá ali só porque precisa cumprir, né?
Exatamente. E também muitas vezes as nossas possibilidades se limitam à racialidade do personagem. Então por muito tempo a gente— também por isso que para mim foi muito significativo poder fazer a Cady, por exemplo, porque ela é uma personagem que sempre foi branca. E eles fizeram uma coisa incrível ali durante todo o processo, que isso nunca foi um impeditivo para ninguém testar para nenhum personagem. E isso não é o que acontece muitas vezes.
O que acontece muitas vezes é que a gente só pode testar para personagens que faria sentido ter essa camada de racialidade.
Tanto que até a própria Ana Ksui foi a primeira indígena geórgia asiática na Barella.
Exato.
Os espaços são reduzidos, né?
Isso, exatamente. Então muitas vezes a nossa performance e o nosso mérito como artistas são coisas que se reduzem muitas vezes à nossa raça e à nossa etnia. E isso é uma coisa que precisa mudar, assim. Eu acho que é óbvio que existem personagens que de fato, sei lá, tal personagem é muito branco, assim. Tem questões que de fato são, mas eu acho que isso é tão raro, isso é tão idiota, eu acho, pensar nisso assim.
Eu acho que a própria polêmica da Pequena Sereia, né?
Exato, exatamente.
São coisas que não implicam em nada na dramaturgia, não faz diferença.
Inclusive enriquece assim, porque a Sereia é outra coisa. Mas pra mim faz muito sentido ela ser preta, sempre, pra mim sempre fez. Mas eu acho que é isso, eu acho que uma coisa que tem que mudar é a gente poder ver cada vez mais isso não sendo uma questão, a gente vendo a primeira vez de um ator preto fazendo esse personagem, a primeira vez de uma atriz preta fazendo esse personagem, até que uma hora não seja mais a primeira vez, até que seja uma coisa comum, tipo, ah, é uma atriz preta fazendo essa personagem, e é isso, sabe?
E enfim, eu acho que a gente tá entrando nesse caminho, mas ainda falta caminhar bastante.
E eu acho que vocês acabam sendo inspiração para muitos artistas, né? Não só por conta da questão racial, mas também por serem mega talentosos. Enfim, né? Acho que isso é incontestável, né? E deixa eu— deixo aqui meus parabéns de novo e obrigado de novo por vocês inspirarem tantas pessoas, artistas de palco ou não. Né? E como que vocês veem essa inspiração? É uma coisa que vocês buscavam? Tipo, poxa, eu quero ser inspiração pra alguém? Ou acabou sendo uma consequência?
Eu vou dizer que acho que é uma consequência, né? Acho que ninguém parte desse lugar, tipo, eu quero... Bom, não sei, né? Vou falar por mim, mas eu não pensei que, ah, eu quero ser uma inspiração. A gente vai trilhando e vai construindo aos poucos isso.
Sabe?
E acaba se tornando... A gente acaba se tornando referência. Às vezes é difícil até de eu acreditar nisso, tipo, pensar que eu sou referência pra alguém no que eu faço. Mas é isso, né? A gente recebe inúmeras mensagens de pessoas que às vezes relatam, tipo, nas redes sociais, falando que, nossa, o seu trabalho me inspirou, você falou isso, me identifiquei, me inspirou num lugar que, tipo, nunca tinha... Enfim. Acho que é consequência do que a gente vai construindo assim, sabe?
E vocês têm algum personagem que vocês gostariam de fazer? Porque vocês têm no currículo de vocês personagens assim, é, Kate, Gina, o próprio Ray Charles. Tem algum dream role assim que você fala assim, nossa, eu queria muito ser?
Eu tenho muitos, mas eu sempre falo a mesma coisa, tenho muitos, mas eu só vou falar quando eu fizer.
Vem aí ou vai vir no futuro?
Ah, eu vou falar que vem aí por conta da lei da atração.
Perfeito, já tá aí então. Vem aí, vem aí.
Vem aí total.
Cara, tem, mas assim, eu posso dizer que o musical que fez eu me apaixonar por teatro musical foi Dreamgirls. Foi o primeiro musical que eu assisti assim, eu falei, cara, eu gosto disso. Que eu sempre tive a mente fechada assim um pouco pra musical. Eu sempre ficava tipo, ai nossa, que coisa chata, né? Do nada começa uma música, enfim. E por não conhecer. É um pouco até ignorante, né, dizer isso, mas por não conhecer. Então muita gente acaba não conhecendo o teatro musical por conta disso também.
Mas o Dreamgirls foi um musical que eu me apaixonei e o Cici foi um personagem que eu tive muita vontade de fazer. Então foi uma realização, foi uma das coisas que eu relatei.
Uma personagem dos sonhos, né?
E eu fiquei, cara, eu tenho muita vontade de fazer isso, sabe? Se um dia vier esse musical Tamo aí, eu quero muito fazer esse personagem.
Tá bom, muito que bem. E por falar em versatilidade, dublagem e personagens, eu acho que a gente pode inverter um pouco os papéis, né, e dá aquele molho musical, molho especial ali, ó, do Nas Coxias, no próximo quadro chamado Fala Que Eu Te Dublo. Nesse jogo nós vamos fazer uma pergunta para um dos nossos convidados, que responderá apenas mexendo a boca, porque o outro vai lhe dar sua voz. Só não pode sacanear ninguém. Mentira, pode ser que fudeu com o nosso queridíssimo. Laura, qual é a sua rotina matinal ideal?
Bom, geralmente eu me levanto pela manhã E aí eu vou direto para o café, não gosto de escovar os dentes. Ai, toma muito meu tempo. Eu havia dito que fazia skincare, mas é tudo mentira. Eu não faço skincare. Eu passo um reboco muito grande para esconder, na verdade, as marcas de expressões da vida. Da vida difícil, árdua que eu tenho, que eu levo. Mas é isso, é isso.
Perfeito, muito obrigado!
Me chamou de bafenta?
Se você não fosse artista, o que você gostaria de ser?
Ai, eu acho que eu seria— a minha voz, desculpa. Eu acho que eu seria coveira. Afinal de contas, eu não consegui realizar meu sonho, então vou enterrar o das pessoas. E é isso.
Maravilhoso! Abraão! Pesado, né?
A gente tá pesando muito.
Vamos mudar essa vibe, vamos mudar essa vibe.
Abraão, como você se vê daqui a 10 anos?
Daqui a 10 anos eu me vejo muito bem-sucedido, então eu vou pegar todo o meu dinheiro e vou investir em Bitcoin. E aí eu vou viajar e passar o resto da minha vida na praia fazendo nada, apenas deitado na areia e observando o universo e o mundo.
Laura, conta um segredo que a gente quer saber e ninguém sabe. Um segredo seu, conta para nós.
Gente, desculpa, deixando um cigarrinho. É, eu— ai, é muito difícil, é muito difícil ter que revelar esse momento, mas Eu acho que as verdades, a verdade tem que ser dita, né? Eu, eu, ai, que difícil.
Eu sou o Batman. Incríveis, incríveis, incríveis! Olha, mais uma vez, sol nas coxinhas para proporcionar para a gente esse momento. Obrigado, viu? Muito obrigado.
Obrigada a vocês.
E falando em acesso à cultura, a gente sabe também que o teatro musical acaba sendo de certa forma elitista, né? E tem um acesso mais difícil para os dois lados, tanto para quem faz insider quanto para quem consome, com as aulas que tem custo muito elevado. E não é uma aula que você tem que fazer, né? Você tem que ser bom em muitas, muitas áreas, milhares de vertentes para você aprender. Nesse sentido, vocês que já estão dentro dessa bolha, porque vocês entraram na bolha, estão ali na bolha, como que vocês enxergam esse mercado e essa acessibilidade?
É um babado, né? É um babado.
Eu acho que para quem quer prestigiar, né, eu vejo muito, muitas pessoas falando, né, relatos de pessoas que, cara, é muito difícil, eu quero muito assistir, mas é caro, é muito caro, enfim. E óbvio que tem junto disso pessoas e projetos que se levantam para conseguir levar a arte para para muitas pessoas, para todo mundo, né? Mas é isso, acho que ainda precisa ter mais projetos. É, exatamente.
E para quem também quer trabalhar com isso, eu ia perguntar justamente isso, porque eu acho que muitos, muitos artistas, muitos atores acabam se deslumbrando bastante, né? Porque o teatro musical, pelo menos boa parte dos espetáculos, são bastante quase gourmetizados assim, né? E o que que vocês têm para falar para esse pessoal que quer entrar nessa área? Porque além de tudo, eu acho que tudo se resume ao fato de sermos atores, precisamos ser atores, né, antes de qualquer coisa.
Então o que que vocês dão de dica para essas pessoas que querem entrar nesse mercado?
Não é esse glamour que a gente acha que é, exatamente.
Não é, não é essa história de fazer nebulização, né?
Não é esse luxo. Não é esse luxo aí não, é um meio bastante árduo. E eu acho que é o que eu sempre falo quando alguém fala para mim, ah, eu tenho vontade de entrar no meio, sei lá o quê e tal, qual dica que você daria? A primeira dica que eu dou é, tenha certeza de que é isso mesmo que você quer fazer. Tipo, tenha certeza, porque você tem que fazer porque você ama muito, tem que amar muito, porque é muito difícil. Uma hora você vai estar fazendo um trabalho muito legal, outra hora você vai estar há meses fazendo teste sem saber qual que vai ser o seu próximo cachê, quando que vai entrar o próximo dinheiro.
Fora as questões de saúde, né, como é um processo muito difícil para nossa saúde, muitas vezes a gente fica doente, ainda tem que gastar dinheiro com remédio, sei lá o quê, se tratar. Então assim, ensaio e estudo, precisa pagar aula, então muito dinheiro que você recebe você vai ter que investir em curso, vai ter que investir em aula. Então é um meio muito difícil, é um meio muito instável e um meio um pouco abusivo muitas vezes, né?
A gente tem que dar muito da gente pra isso. Então se você tem essa vontade, saiba que não é esse glamour do palco e do protagonismo e do figurino e da maquiagem, dos grandes teatros e grandes cenários que vocês imaginam.
Existe esse lado, mas esse lado é tipo 5%, ponta do que todo esse processo, né? Mas assim, eu digo também que, ah, tenho vontade de fazer, mas não tenho acesso a certos tipos de conteúdo, né? Porque tem gente que pensa, ah, os cursos de fato são às vezes muito caros. Mas assim, não se deixe abater por isso, né? Busque, busque e vai.
Às vezes pegue referências na internet, acompanhe artistas que compartilham um pouco do próprio processo. Cada vez mais eu tenho visto cursos mais acessíveis e mais baratos e projetos sociais.
Exatamente.
Em vez de você fazer um curso, fazer um workshop, né, fazer uma coisa um pouco mais, exatamente.
Exatamente, existem espetáculos gratuitos também, programações culturais gratuitas.
Sessões populares.
Sessões populares.
Exatamente, muitas vezes o pessoal não sabe.
Exato, existem sessões populares que, né, o ingresso fica muito mais barato pra todo mundo. Então tem pouca coisa, mas ainda tem. E é um meio fechado, mas também não é tanto assim. Eu acho que você colocar sua cara ali, ir conhecer artistas, ficar no final pra conversar com os artistas, se apresentar pra eles, gravar vídeo cantando, mandar, postar, participar de audição, se jogar, né? Chamada de audição, open call, vai lá, se joga, se mostra.
Acho que é um meio fechado, mas é um meio que depende de você para você ir atrás e tentar entrar. Ninguém vai entrar e te chamar, então você tem que ir atrás e fazer acontecer também.
Durmam com esse barulho, sempre falo isso. Olha, isso aqui, durmam com esse barulho, tá? Infelizmente, a nossa entrevista está chegando ao fim. Mas para encerrar essa entrevista maravilhosa, eu acho que não poderia faltar, né, o nosso, nossa marca registrada, nosso jogo ali, ó, né, o queridinho de todos. Esse aqui é o Tiroteio de Perguntas. Já que nós estamos acostumados com o caos da nossa vida artística, nesse jogo cada convidado terá que responder perguntas com agilidade, sem perder tempo, enquanto enfrenta uma batalha épica de Nerf.
Vai ser bem tranquilo, vamos lá, vamos começar com a Laura. 1, 2, 3. Laura, qual que é a sua cantora pop favorita? Vai, teatro ou audiovisual?
Teatro.
Seu musical favorito?
É musical favorito?
Vai, vai, para onde você sonha viajar?
Viajar? É, vai, é vários lugares. Um só, conta para França.
Drama ou comédia?
Vamos, vamos, vamos!
Sua comida favorita? Macarrão. Ok, um vocalize. 1, 2, 3, vai! Se você fosse um animal, qual animal você seria? Vamos! Em que cidade fica o Museu do Louvre?
Ué, fica na França.
Isso. Que cidade da França? Isso. Qual animal que dorme em pé? Animal que dorme em pé?
O cavalo. O cavalo.
Isso, em que ano aconteceu a queda da Muralha de Berlim?
Ah, vai tomar! Vamos, próximo!
Não, 1900 e não sei, 89.
Isso.
Qual é o idioma oficial da Etiópia? Aramaico. Qual que é o seu programa de podcast favorito? Nas Coxinhas. Agora é a vez do Abraão. 1, 2, 3, vai! Abrão, sua banda favorita, vai!
Minha banda favorita?
Isso, vamos!
Uma banda, vai!
Ai, Flow! Uma comida que você não gosta?
Uma comida que eu não gosto? Coco!
Comédia ou drama? Comédia ou drama?
Comédia!
Atuar ou cantar? Vamos, vai! Com quem você sonha contracenar? Vamos, vai! Pera aí, pera aí, pera aí! Com quem você sonha contracenar? Vamos!
Que difícil!
Miguel Falabella. Pode ser ritmo musical favorito. Vamos, ritmo musical favorito.
Ritmo musical favorito? Isso, R&B.
Ok.
Turnê ou temporada fixa?
Turnê.
Se você fosse um animal, que animal você seria? Animal, gente, vai! Leão. Ok. Que país tem formato de uma bota? Ô meu Deus, quem foi o primeiro homem a pisar na Lua? Eu não sei. Neil Armstrong. Qual é o elemento químico representado pela letra K? É o pó. Vamos, vamos, vamos, é o pó. Potássio. Em que país nasceu Freddie Mercury? Vamos, Estados Unidos. Zanzíbara, atual Tanzânia. Qual o seu programa de podcast favorito? E assim encerramos mais um episódio do Nas Coxinhas.
Muito obrigado, Laura! Muito obrigado, Abrão! Eles acabaram de ganhar brownies do Fê, os melhores brownies que existem nessa cidade. Um abraço, Fê!
Você é incrível, maravilhosa! Além de salvar vidas e muitas, muitas coisas na minha vida, e vem salvando.
Fisioterapeuta das estrelas, que além de tudo é faz doces maravilhosos, incrível. Sigam, sigam, sigam. Então assim, gente, olha, muito obrigado mesmo por topar essas nossas loucuras, por ter trazido tanto talento assim ao nosso, ao nosso programa, um pouco da trajetória de vocês, um pouco do que, da experiência que vocês têm nos palcos. E assim, de coração, muito obrigado mesmo por vocês toparem essa nossa loucura. Obrigado também Teatro Multiplan Morumbi Shopping, VME, Greyhound Mídia, por acreditar nessa nossa arte.
Aqui a gente continua celebrando o teatro, celebrando os artistas, porque afinal de contas, juntos nós somos alegres, perfeitos e fortes! Uhuu!
Valeu! Já comeu, né?
Já tô comendo.
Obrigada, gente!
Greyhound Mídia
Teatro Multiplan Morumbi Shopping