Como os medicamentos GLP-1 estão impactando o consumo de alimentos e bebidas nos EUA e na Europa
João Paulo Frossard, da equipe de pesquisa setorial do Rabobank nos EUA, fala com Andy Duff sobre seu relatório recente focado em como o uso crescente de medicamentos GLP-1 impacta o consumo de alimentos e bebidas nos EUA e na Europa. O tema tem relevância específica para o Brasil. A patente da semaglutida, que é um tipo de substância GLP-1 e o princípio ativo de medicamentos bem conhecidos, como Ozempic e Wegovy, expirou em março deste ano. Já há uma fila de medicamentos à base de semaglutida produzidos pela indústria farmacêutica nacional aguardando análise da ANVISA.
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Andy Duff
João Paulo Frossat
- Medicamentos GLP-1 e obesidadeO que são medicamentos GLP-1 · Mecanismo de ação dos GLP-1 · Adoção nos EUA e Europa · Impacto no consumo de alimentos · Padrões de uso e complexidade
- Repensar hábitos alimentaresRedução geral no consumo de calorias · Redução em categorias calóricas e menos nutritivas · Aumento no consumo de proteína e fibra · Diferenciação de impacto por categoria
- Indústria AlimentíciaAções conservadoras na execução · Foco em tendências existentes (proteína, fibra) · Menções crescentes em conferências corporativas · Ajustes em produtos e mensagens · Diferenças entre EUA e Europa
- Expectativa do mercado sobre decisão do BC BrasilPenetração mais lenta e concentrada · Aceleração de tendências existentes · Adaptação de empresas expostas
- Patente SemaglutidaImpacto no Brasil · Expiração em outros países (Canadá, China, Índia, etc.) · Cobertura populacional global
Rabobank Brasil apresenta Foco no Agronegócio Um podcast de pesquisa setorial
Olá a todos e sejam bem-vindos ao nosso canal de podcast Foco no Agronegócio. Meu nome é Andy Duff, sou responsável pela área de pesquisa e análise setorial do Rabobank Brasil. E hoje, dia 29 de abril, temos um convidado especial para falar sobre um assunto relevante tanto para a indústria de alimentos e bebidas aqui no Brasil, quanto para vários setores do agronegócio brasileiro.
Para ser específico, vamos falar dos medicamentos com base no peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1, melhor conhecido como medicamentos GLP-1, pela sigla em inglês. E vamos falar como eles têm impactado o consumo de alimentos em regiões como os Estados Unidos e Europa, onde até agora a adoção tem sido maior.
Esse tema tem relevância específica para o Brasil nesse momento. A patente de semaglutida, que é um tipo de substância GLP-1 e o princípio ativo de medicamentos bem conhecidos para tratamento de diabetes e perda de peso, como o Zempic e o Egovi, a patente expirou em março desse ano.
e já há uma grande fila de medicamentos à base de semaglutida produzidos pela indústria farmacêutica nacional, aguardando análises da Anvisa. Meus colegas da equipe de pesquisa setorial do Rabobank na Europa e nos Estados Unidos publicaram recentemente um relatório muito interessante, focado em como o uso crescente desses medicamentos impacta o consumo de alimentos e bebidas.
E é um grande prazer ter conosco um dos co-atores do estudo, João Paulo Frossat, da nossa equipe de pesquisa setorial nos Estados Unidos. E ele está aqui conosco hoje para nos contar mais sobre esse tema. Seja bem-vindo, João Paulo. Tudo bem com você? Tudo bem, Andy. É um prazer estar de volta aqui.
Que bom ter você conosco. Bom, vamos começar do começo. Conte para nós, por favor, o que são os medicamentos GLP-1 e de que maneira eles atuam.
Bem, vamos lá. Os medicamentos GLP-1 são uma classe de substâncias, incluem a semiaglutida, como você mencionou, mas outros como a tirzepartida, liraglutida, dulaglutida, eu tive que fazer aqui uma das pesquisas e praticar o nome delas, mas assim, é uma classe de substâncias que todas elas têm o mesmo gol, que é potencializar ou imitar a ação do hormônio GLP-1, que já é naturalmente produzido pelo organismo, principalmente após as refeições. Obrigado.
Essas drogas foram inicialmente desenvolvidas para o controle de diabetes tipo 2 e depois quando se verificou o efeito favorável no controle de peso e obesidade, os laboratórios viram oportunidade e lançaram também produtos similares com nomes parecidos e passaram uma nova aprovação e já estão aprovados para uso com esse fim de controle de peso.
Como eles funcionam? Eles ajudam o corpo a regular a glicemia, que é o açúcar no sangue e também o apetite por vários medicamentos. Eles aumentam a liberação de insulina, eles reduzem a liberação de glucagon, eles vão ser mais práticos aqui. Eles também retardam o esvaziamento do estômago, eles fazem a gente sentir que está...
saciado por mais tempo, a digestão fica mais lenta e também tem um efeito na nossa percepção, como o nosso cérebro percebe apetite e a saciedade. No fim das contas, a gente acaba consumindo menos alimentos, sente menos fome.
Tá, perfeito. E o estúdio de vocês analisou os mercados dos Estados Unidos e Europa. Qual é o nível de adoção nessas regiões desses medicamentos e quais fatores vocês identificaram que devem impulsionar o desenvolvimento do mercado desses medicamentos daqui para frente?
Bem, vamos começar aqui pelos Estados Unidos. O número que a gente usa corrente mais comumente aqui é o de 13%, que 13% dos americanos estão usando ou estão acostumados a usar esse produto. Se a gente começar a traçar um pouco o perfil demográfico dessas pessoas, é mais comum entre pessoas de 40 a 50 anos, principalmente com a perda de peso.
e focado em segmentos de renda mais alta, até porque é caro. E também residentes de áreas urbanas ou suburbanas. Então, um fenômeno muito ligado à área urbana. E mais mulheres do que homens usam.
por enquanto. Isso aqui as estatísticas nos mostram. Mas uma maneira, outra maneira de se ver isso, que eu gosto muito de ver, é o número de domicílios em que pelo menos uma pessoa utiliza essa medicação. E aí esse número vai para 23%, de acordo com a circana. E por que eu acho isso interessante? Porque
Quando uma pessoa na casa está tomando esse medicamento e acaba tendo um efeito sobre como outras pessoas comem, principalmente se essa pessoa for aquela que acaba cozinhando mais ou fazendo compras mais. Então tem todo um efeito, por isso que eu acho muito interessante olhar dessa maneira pela penetração em termos de domicílios. Claro que também há diferenças no uso, tem gente que usa...
mais esporadicamente, mais contínuo, tem gente que usa antes do verão, ou antes de umas férias, antes de um casamento, várias maneiras de ver isso. A gente pode até depois ser um pouco mais específico.
mas também a gente vê que esses produtos estão ficando cada vez mais populares, no sentido, cada vez mais conhecidos. Pessoas que contam a experiência para amigos, quase todo dia tem alguma menção a essas novas drogas aqui na mídia, e também estão ficando mais baratos, ou menos caros, depende como a gente vê, até porque alguns planos de saúde começaram a cobrir. Inclusive, esse último ponto da cobertura pelos...
pelo sistema de saúde, é um tema muito interessante aqui que virou uma das prioridades, uma das bandeiras da administração atual, até o presidente diretamente falando sobre isso. Teve uma parceria que deve entrar em vigor aqui no meio desse ano, a gente menciona isso no repórter, com o Medicare, que é uma espécie de seguro público aqui nos Estados Unidos, que começa a cobrir esses...
cobre a grande parte do custo com uma contrapartida do usuário muito baixa, 50 dólares, que é uma fração do preço atual. Isso depois de muita negociação com as fabricantes das principais marcas. E outro ponto também que é muito...
interessante, que é uma novidade ainda, é a questão da diferença do método de aplicação. Antigamente, era uma injeção semanal, que vai liberando a substância aos poucos. Por isso que no Brasil, acho que se usa muito aí o termo caneta emagrecedora, uma referência àquele mecanismo que facilita muito qualquer pessoa que não tem o conhecimento clínico, possa injetar em si mesmo ou em alguém da família. Mas em janeiro, foi aprovado o primeiro uso de uma pílula diária.
um comprimido diário, e que na nossa visão aqui também vai ajudar a popularizar muito, porque diminui o custo, aquela caneta tem um custo, exige refrigeração, tem uma patente também para a caneta, além da patente da substância, mas eu acho muito interessante também que no começo existiam algumas menções que as pessoas começariam com as injeções, depois migrariam para um uso mais contínuo pela pílula, mas...
mais personalizável, diário, dia sim, dia não. Mas o que a gente vê aqui agora, nesses três, quatro meses que a gente tem de experiência aqui, é muitos relatórios falando que 36% das prescrições desse formato oral são para novos usuários, ou seja, pessoas que realmente tinham um pouco de receio com a questão da injeção e agora tem uma alternativa que é mais uma pílula que a gente toma junto com nossos medicamentos normais ou vitaminas, então é muito mais fácil.
Bem, isso é os Estados Unidos. Você mencionou Europa, nosso relatório também, a gente escreveu em parceria com nossos colegas na Europa.
O Reino Unido lidera com 4% ou 5% de redução, ainda inferior ao que a gente vê aqui nos Estados Unidos, crescendo rápido, todavia. E a Europa continental, números mais baixos, por volta de 2%. Claro, tem muita diferença entre os países, até porque falar em Europa já é muito difícil. Existem aprovações que são mais demoradas e variam de país a país, questões culturais também.
O Reino Unido acaba sendo um pouco, em relação de tendência, acaba sendo meio termo entre Estados Unidos e Europa. Por isso que a gente está olhando mais para o Reino Unido por causa dessa celebração. Mas assim, é novidade e aumentando.
Fora dos Estados Unidos e Europa, achei legal que você comentou a queda da patente da semaglutina no Brasil, mas eu quero lembrar também que não foi só no Brasil, mais ou menos nessa mesma época, agora nos primeiros meses de 2026, outros países também, a patente expirou, na verdade, Canadá.
China, Índia, bem, só China e Índia já é uma grande parcela da população mundial, além da Turquia e México e Arábia Saudita, se não me engano, está para acontecer. Ou seja, se a gente colocar tudo junto aqui, todos esses países que eu mencionei e o Brasil, já dá 40% da população mundial. Bem, então é isso. Está acontecendo, é uma coisa que realmente está acontecendo não só nos Estados Unidos e na Europa, mas ao redor do mundo.
Não, perfeito. É fascinante. Bom, eu vou ler um trecho da conclusão do relatório, porque acho que ele serve como uma excelente introdução para as próximas perguntas sobre como esses medicamentos estão impactando o consumo de alimentos nos Estados Unidos e na Europa. Abre aspas.
Os medicamentos para perda de peso marcam um ponto de inflexão no consumo de alimentos. Embora ainda estejamos em uma fase inicial e as evidências sigam se acumulando, a direção é clara. A adoção está crescendo rapidamente nos Estados Unidos, a Europa vem logo atrás e o uso deve acelerar. À medida que os custos diminuem,
As versões incomprunidas chegam ao mercado e a cobertura por reembolso se expande. Isso irá remodelar os padrões de demanda nos próximos anos. Então, João Paulo, vamos falar em mais detalhes sobre os impactos observados, tanto em termos de volume total de consumo, quanto em termos de diferenciação do impacto entre as várias categorias de alimentos e bebidas.
Esse é um excelente resumo de tudo que a gente falou até agora, mas vamos olhar para frente, o que impacta no nosso dia a dia e na indústria de alimentos e bebidas. Bem, a tendência é redução. Bem simples, as pessoas comem menos, em volta de 20% menos calorias.
mais ou menos, mas o mais importante, nem tanto, é a redução. Eu acho importante a gente lembrar que não é uma redução linear. Alguns estudos, em especial da Universidade de Cornell, aqui nos Estados Unidos, já comprovaram a redução mais drástica em algumas categorias de alimentos vistas como menos nutritivas ou altamente calóricas. Estou falando de salgadinhos, refrigerantes, biscoitos, bolos, doces e até mesmo aquelas refeições congeladas.
Isso faz sentido. Se você está comendo menos e está fazendo todo esse investimento de tempo e mesmo financeiro nesses medicamentos, faz sentido as pessoas se preocuparem em comer de acordo com o que as pessoas acham que é mais nutritivo. E proteína e fibra têm sido...
os principais beneficiados aqui. Estou falando de alimentos in natura ou ligeiramente processados, carnes, ovos, frutas, frutas congeladas, por exemplo, estão super alto, estão crescendo aqui nos Estados Unidos, legumes, leites, mas eu abro um parênteses aqui, porque... E aí
Esses produtos todos que eu mencionei, eles não estão ganhando espaço apenas para os consumidores de GLP-1. Eles estão ganhando espaço de maneira geral.
o proteína e cada vez mais e mais fibra, são os queridinhos dos consumidores e de 10 em 10 dos gurus da internet sobre nutrição, tudo sobre proteína e fibra. Então isso, de novo, a gente vê uma associação do lado negativo, sim, há uma grande relação, do lado positivo, não necessariamente, a relação aqui não é de causa, mas é muito similar com o que a gente já está vendo em...
com outros consumos e com aquelas pessoas que são mais focadas em saúde e meio-estar, ainda que não estejam usando essa substância. E outro aspecto interessante do estudo é que vocês explicam que a forma de uso desses medicamentos varia bastante entre os indivíduos.
E vocês caracterizam quatro padrões de uso, o que eu imagino que complica ainda mais a tarefa de prever a evolução do impacto total desses medicamentos no consumo. Você já mencionou isso há uns minutos, mas a gente pode explorar isso em um pouco mais de detalhe.
Sim, sim. As diferenças na forma de uso de GLP-1 é um dos fatores que mais aumenta a complexidade de projetar esses impactos no consumo. Nós podemos falar de quatro padrões distintos, como você mencionou. Usuários contínuos de longo prazo, usuários interminentes, aqueles que entram e saem, usuários que abandonam precocemente, por alguma razão, ou outros que usam...
também de forma mais oportunística ou cíclica, então assim, com um objetivo específico. De toda maneira, não se trata de um método homogêneo. Esses padrões implicam trajetórias muito diferentes e efeitos muito diferentes sobre o comportamento alimentar e o gasto com alimentos, que é o que nos interessa aqui mais. Além disso, a migração de indivíduos entre esses grupos acontece bastante, porque começaram...
Você começou com uma intenção, mas depois por questões de efeitos colaterais, custo, acesso, ou porque viu muita eficácia ou pouca eficácia, ou porque acabou chegando no peso desejado e fala não preciso mais, torna esse cenário cada vez mais dinâmico. Como resultado...
Previsões lineares ou baseadas apenas na taxa de adoção, pensar que se a gente for de 13 para 26 vai dobrar, acaba sendo simplista demais. A gente acaba podendo superestimar ou subestimar o impacto total. É realmente um tema muito complexo e a gente tem que...
modelar isso de alguma maneira. Em resumo, entender quantas pessoas usam GLP-1 é apenas uma parte da equação. Entender como, por quanto tempo, a regularidade que elas usam é fundamental para estimar de forma mais realista os efeitos econômicos e de consumo gerado por esses medicamentos. Complicado mesmo. Temos muito trabalho pela frente aqui.
Bom, por fim, João Paulo, poderia falar um pouco sobre como as indústrias de alimentos e bebidas nos Estados Unidos e na Europa estão reagindo a essas tendências e quais são as perspectivas para o futuro? Isso talvez possa ajudar a pensar em como o mercado aqui no Brasil poderia evoluir no futuro.
Bem, com base no que a gente observou ao longo do estudo, a reação das indústrias de alimentos, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, tem sido muito rápida no discurso, porém mais conservadoras na execução, na ação. A ação que a gente tem visto tem sido mais alinhada às tendências já existentes, por exemplo, o foco em proteína e fibra, em vez de rupturas abruptas, por exemplo, descontinuando alguns produtos.
ou lançando novos. O tema já chegou claramente ao nível de conselho, isso está sendo debatido abertamente, e também entre executivos e investidores. A gente também vê o aumento significativo de menções, a GLP-1, nas conferências públicas de resultados corporativos.
Com uma mudança relevante, dois anos atrás essas menções vinham mais nas perguntas e respostas, os investidores perguntando sobre isso, e nos últimos trimestres a gente viu de maneira mais ativa os próprios executivos mencionando isso no seu discurso inicial, não estão sendo reativos, eles estão sendo mais proativos nessa comunicação.
Mas, na prática, a maioria das empresas não está fazendo as revoluções no portfólio. O movimento predominante é acelerar estratégias que já estavam em curso, sobretudo em proteína, saúde digestiva, por exemplo, probióticos e fibras, e controle de porções, que também é um tema ligado à inflação e redução de custos, mas, de toda maneira, também dar opções para o consumidor com opções menores. É uma coisa que a gente tem visto no varejo, mas também no setor de restaurantes.
Existem algumas iniciativas explícitas, sim, com, por exemplo, refeições congeladas ou cardápios em restaurantes que, diretamente mencionando GLP-1, que são...
que são favoráveis às pessoas que estão nessa dieta. Porém, assim, ainda... Ou, por exemplo, que vão também à questão de hidratação. A gente não fala muito dessa questão, mas também hidratação é um tema super importante. Mas ainda são exceção. Em conversas com clientes, por exemplo, a gente escuta que...
Essas menções explícitas ao medicamento ainda é um pouco arriscado, por questões regulatórias também, é uma área altamente regulada, mas também pelo fato de que você pode acabar afastando os 87%, 100% menos 13%, os 87% dos consumidores que não estão usando esses medicamentos. Então a gente acaba vendo versões mais genéricas que acabam atendendo os dois lados, por exemplo...
iogurte que ajuda a proteger os músculos. Quem é que não quer? Quem é que não quer ter mais músculo? Então, assim, acaba atendendo os dois lados. Na Europa, a resposta tem sido ainda mais cautelosa e ainda mais indireta, refletindo que o estágio lá ainda está mais inicial em termos de adoção e as restrições regulatórias e culturais também são maiores. A indústria evita...
linguagem específica, a GLP-1, e acaba apostando em mensagens também amplas, como saciedade, bem-estar metabólico, equilíbrio, conforto digestivo. De novo, bem genérico. O importante é que mesmo sem citar o medicamento, os produtos estão sendo ajustados para um cenário de menor consumo total e maior exigência por mordida. O título do relatório é justamente esse.
Cada mordida tem uma importância, tem uma relevância. O ponto central do nosso relatório é que o impacto do GLP-1 não está sendo enxergado como um choque único, não é uma coisa que vai virar do dia para a noite, de um ano para o outro, mas como um processo gradual que reforça uma transição estrutural que já estava em andamento, esse foco em comer melhor, em longevidade.
que acaba transformando aqui no nosso mundo de alimentos processados, acaba em versões premium do mesmo produto, afostando, por exemplo, em funcionalidade, ou se for fazer uma questão, ou produtos que são focados em indulgência,
em termos de sabor especial, bolos, por exemplo, biscoitos, acabou apostando que quando a pessoa for ter aquela experiência, comprar aquele produto para se sentir bem, pelo gosto, que ela tem uma experiência completa. Então você acaba mudando os ingredientes para ingredientes naturais, por exemplo, mais açúcar e menos xarope de milho, para a pessoa, quando ela tem aquele momento de indulgência, para ela pelo menos ter aquela experiência completa.
E vamos lá, ir para o futuro, né? A nossa visão...
É que a gente não espera um colapso no consumo, uma redução drástica, mas sim uma redistribuição. Menos unidades, menos volume, sim, menos frequência, possivelmente, porém, consumo mais deliberado, com maior valor percebido. Inclusive, aproveitando a oportunidade aqui, eu já quero começar a fazer a propaganda do meu próximo relatório, que vai se focar sobre densidade nutricional, que é justamente isso, a ideia de se comer mais eficiente.
de comer mais nutrientes por caloria ou comer mais nutrientes por...
o dólar, o real gasto, né? Maior preocupação sobre o que a gente está comendo, quantidade de nutrientes, proteína, fibra, minerais, vitaminas, tudo mais. Eu espero um dia voltar aqui para comentar sobre isso, né? Ah, com certeza. E finalmente aqui, você mencionou a questão do Brasil, como eu vejo aprendizados que a gente pode ter.
Bem, pelo menos três aprendizados chaves aqui. O primeiro é que a penetração desses medicamentos deve ser mais lenta e concentrada inicialmente.
num segmento da população, por causa da questão de acesso e custo. Estamos falando de novo em termos de renda, em termos de idade e localização, principalmente urbano. O segundo impacto começa a aparecer também é que isso não vai criar uma...
uma tendência nova, mas ele pode sim acelerar tendências já existentes. De novo, repetindo mais uma vez, porque é importante, proteína, fibra, saúde digestiva, tudo isso acaba sendo acelerado pelo trício. E em terceiro...
Lugar também, assim como aconteceu nos Estados Unidos e está acontecendo nos Estados Unidos e na Europa, as empresas mais expostas são aquelas que dependem do consumo mais frequente, impulsivo e pouco justificado no valor nutricional. Enquanto as que trabalham com nutrição, funcionalidade...
e porções mais intencionais, tendem a se adaptar melhor. Isso não significa que aquelas mais prejudicadas têm que sentar e esperar o pior acontecer. Pelo contrário, existe oportunidade de adaptação para o consumidor e tamanho de porção, o uso, o ingredientes, ou a própria mensagem que você transmite para o consumidor, por que aquele produto é importante para ele. Bem, isso é o nosso resumo. Na verdade, o...
A nossa conclusão aqui é que o GLP muda o critério pelo qual o consumo é merecido. As indústrias que entendem isso e conseguem se adaptar antes não estão mais bem posicionadas, independentemente da velocidade de redução e de cada mercado. E estamos aqui para compartilhar nossa experiência de um mercado diferente e sempre que precisasse. É um prazer falar com nossos clientes do Brasil e da América do Sul.
Não, perfeito, super interessante. Muito obrigado pela sua participação no podcast de hoje, João Paulo, e parabéns a você e aos outros co-atores do relatório, porque eu acho que é um excelente exemplo de pesquisa voltada para o futuro.
sobre um tema relevante para toda a cadeia do agro, do campo até as gôndolas dos supermercados. Então, parabéns mesmo e obrigado pela participação. Obrigado, Andrew. Foi um prazer. E aos ouvintes, muito obrigado pela atenção e até a próxima.
Obrigado por ouvir este podcast do Departamento de Pesquisa Setorial do Rabobank Brasil. Assine nosso canal para ficar atualizado sobre os principais acontecimentos do agronegócio brasileiro.
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