Episódios de escovando bits

#89 - Crises na carreira em tecnologia ft. Erick Wendel

06 de agosto de 202659min
0:00 / 59:48

Toda carreira em tecnologia passa por momentos de dúvida, mudanças e recomeços. Neste episódio, chamamos o Erick Wendel pra falar das crises da carreira, dos aprendizados e o que dá pra tirar disso tudo.

Apresentado por: Gabriel Nunes, Alexandre Klostermann e Erick Wendel

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EWErick Wendel

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GNGabriel Nunes

Olá, você está escutando Escovando Bits, o podcast da Codicom.

EWErick Wendel

Eu sou Gabriel e eu já troquei de carreira uma 4 vezes pelo menos.

AKAlexandre Klostermann

E aí, galera, aqui é o Alexandre e eu sempre troco de carreira, mas sempre volto para o mesmo lugar.

GNGabriel Nunes

É isso aí, é um ciclo, né?

EWErick Wendel

Bom, beleza, eu sou o Eric Wendel e eu acho que eu não vou trocar de carreira tão cedo não, mas continua aí nesse loop de engineering sempre, né?

GNGabriel Nunes

Bom demais, bom demais. Então hoje a gente tá aqui fazendo um novo formato, na verdade é um teste, né, que a gente tá fazendo. O Eric Wendel veio aqui para gravar um um podcast com a gente, um podcast não, um episódio do YouTube. E daí, como ele tava aqui um dia a mais, eu falei, pô, vamos gravar um podcast. Daí a gente veio aqui e começou a gravar um podcast, né?

AKAlexandre Klostermann

É porque agora o Gabriel tá pagando passagem para as pessoas virem aqui gravar ao vivo, né? Então o pessoal do Nordeste, pessoal do Norte, o Gabriel tá trazendo o pessoal para cá.

EWErick Wendel

Relacionamento antigo aqui, ó. Eu lembro quando ele trabalhava para os outros ainda, daí não era rico assim não, não era rico assim, pô.

GNGabriel Nunes

É foda. Mas então, o episódio de hoje, a gente tava aqui discutindo sobre o tema, né? E a gente decidiu fazer como que é mesmo que a gente falou.

AKAlexandre Klostermann

É mudança de carreira ou não? Crises existenciais na carreira.

GNGabriel Nunes

Crises existenciais na carreira.

AKAlexandre Klostermann

Tema bom para segunda-feira.

GNGabriel Nunes

É isso aí.

AKAlexandre Klostermann

Quase foi crise de ansiedade aí. A gente mudou na hora.

GNGabriel Nunes

Boa. Mas antes a gente vai só para o nosso, para quem tá ouvindo a gravação, né? É só para o nosso intervalo comercial e já volto.

EWErick Wendel

Pergunta sobre arquitetura e engenharia.

GNGabriel Nunes

Só que de software. Neste quadro trazemos um especialista do Asas para tirar dúvidas de devs quando o assunto é arquitetura e engenharia de software. Hoje estaremos aqui com Gustavo Ferrati, engenheiro de machine learning, para nos ajudar a sanar as dúvidas que recebemos. Como saber quando você já evoluiu o suficiente para se candidatar a uma vaga sênior sem depender de validação externa?

?Voz D

Muita gente passa por isso, né? Essas questões de síndrome do impostor, né? A gente tende a se subestimar, principalmente porque Os conhecimentos da nossa carreira são extremamente técnicos, né? E as respostas no geral são binárias, né? Então ou funciona ou não funciona, ou você domina, né, e faz tudo funcionar, ou você vai ter muita dificuldade na sua implementação. Então eu acho que tem algumas perguntas assim objetivas, né, para um checklist mais honesto.

Eu acho que a primeira é sobre ser uma referência técnica, né? Essas pessoas ali do seu time e de outros times também, né, te procuram com uma certa frequência, né, para perguntar perguntar sobre uma ampla gama de assuntos e tal. Quando você vira esse, esse ponto de consulta natural para as pessoas, né, sai um pouco do seu mundinho, do seu quadradinho ali, é isso, já é sinal de senioridade, né? Independentemente de qual seja o seu cargo formal ali na empresa, né?

Se basicamente tá todo mundo te perguntando como deve fazer as coisas, é sinal que tipo você já é uma referência técnica. Então você provavelmente está pronto, né, para uma vaga de sênior. Eu acho que segunda forma de saber se a gente tá pronto assim também, né, além dessa mais informal é você pegar o descritivo ali de uma vaga de sênior alinhado com aquilo que você já faz, né, e se perguntar com sinceridade assim, né, responder com sinceridade se você cumpre a maioria dos requisitos daquelas vagas, né.

Não adianta pegar vaga assim que não tem muito a ver com o seu dia a dia, porque isso implicaria uma migração de carreira, não é isso que a gente tá falando. Mas se você conseguir pegar uma vaga ali e fazer o checklist com os mesmos requisitos daquilo que você deveria estar exercendo hoje, fala assim, cara, eu já cumpro tudo isso aqui, eu acho que é um sinal de que você tá também. Não precisa bater 100% dos requisitos, quase ninguém bate, mas se você bater a maior parte ali, provavelmente você tá pronto pra uma posição de sênior.

E a terceira, que acho que muita gente não fala, é você tem que se sentir também um pouco mais apto assim a assumir mais responsabilidade, né, mais confortável pra lidar com situações de pressão, né, lidar com diferentes opiniões e tipos de pessoa. Então eu acho que essa terceira é bem mais subjetiva, né, o tipo de coisa que você vai descobrir Olhando pra dentro ou, sei lá, fazendo terapia e tal. Mas senhoridade não é só competência técnica também, né? É maturidade pra gente não desabar por dentro, né?

GNGabriel Nunes

O Perguntas de Engenharia e Arquitetura, só que de software, é patrocinado pelo Axios. Acesse o link na descrição do episódio pra saber mais sobre as vagas disponíveis para a área de engenharia de software. E voltamos já. Ó, você que nunca viu uma gravação, é assim que a gente faz. A gente só finge, né, Alexandre?

AKAlexandre Klostermann

É isso aí. E aí o comercial a gente fica dançando, e aí quando volta tá tudo aquecido.

GNGabriel Nunes

O Alexandre, ele é famoso por ficar dançando, né, Alexandre?

AKAlexandre Klostermann

Muito famoso. Me reconhecem direto na rua. Eu tô andando, aquele cara que dança no áudio, eu sou.

GNGabriel Nunes

É isso mesmo. Mas enfim, cara, e sobre essa pergunta aí, vocês, quantas crises existenciais da carreira vocês já tiveram? O Eric tava contando aqui um na outra.

EWErick Wendel

Cara, eu acho que é nosso, a gente sempre fala que a nossa área de tecnologia é uma área meio difícil e a gente fazia brincadeiras, eu não sei se o pessoal faz hoje, né, mas a gente fala que é muito mais difícil que medicina, porque medicina não tem framework novo, JavaScript, pra estudar toda semana.

AKAlexandre Klostermann

O corpo é o mesmo.

EWErick Wendel

É, só que é também veterinário que se fode, né?

AKAlexandre Klostermann

Tem um monte de animal pra cuidar.

EWErick Wendel

Só que agora com inteligência artificial a gente viu que não é mais papo de meses, né? Antigamente era cada 3 meses, agora toda semana a gente vê algo novo. E aí dá aquela sensação em todo mundo de, mano, tô ficando pra trás, surgiu algo novo. E às vezes a gente vê que alguém que tá mais alarmista tentando buscar like na internet, tem muito, né? E aí a gente fica naquela, cara, deveria investir tempo nisso, estudando isso ou não?

Como que eu seleciono o que que vai existir no mercado se o mercado tá completamente incerto em algumas coisas, né? Então eu comecei a analisar alguns desses padrões. Eu falei assim, cara, muitos dos problemas ou essas incertezas que a gente tá tendo agora não é algo novo. Parece que aquele problema de entregar software de qualquer jeito sempre teve, e as pessoas estão fazendo agora com volume maior.

AKAlexandre Klostermann

Eu continuo entregando software ruim.

EWErick Wendel

A gente tem sistemas tendo vulnerabilidades como nunca, né? Sempre teve, mas talvez não teve essa popularização que a gente tá vendo, né?

AKAlexandre Klostermann

Você tá achando código, né?

EWErick Wendel

É também, né? Ou não era tão popular divulgar isso, né? Acho que hoje em dia também as empresas já falam, mano, é melhor a gente falar que a gente teve um vazamento logo, porque se o público descobrir, as ações mexem e tudo mais. Então acho que um pouco da conclusão nessa minha crise de pensamento mesmo, pô, pra onde nossa área tá indo, é perceber que não são problemas novos, são problemas que já existiam. A gente tá colocando um termo novo na frente, mas a gente tá realmente trazendo muitos dos problemas.

Então muita coisa que a AI tá resolvendo hoje já foi resolvida em 80, 90. Se a gente vê padrões de projeto, elementos de design, de abstrações, só que a gente, essa palavrinha nova que todo mundo quer dar o hype em cima, acaba dando essa crise na gente, fala assim, nossa, eu já não sei mais nada.

AKAlexandre Klostermann

Mas fazia tempo que a gente não falava de AI, né? Fazia tempo, né? A gente fez até o quê, uns 3 episódios? 3, 3, 3.

GNGabriel Nunes

Ah, não exagera também.

AKAlexandre Klostermann

Eu acho que não. Bom, ok, mas Mas cara, isso não chegou a ser uma crise para mim, mas vai ser. Porque disso que tu tá falando, eu noto o seguinte: a gente, quando veio a web, e eu nasci na web já, né? Então tipo, eu tive a sorte de começar a programar meio que para web. Então eu comecei a programar que não microcontrolador, comecei a programar linguagem de alto nível em 2005, 2006. E ali a web tava fervilhando. Então eu peguei toda essa evolução de web.

E aí eu vi a galera que era programador desktop achando que tinha ficado para trás. Porque começou a mudar o paradigma de novo. Só que agora, velho, eu acho que tá muito diferente, porque veio o Web2, veio o Web3, veio o front-end, back-end JavaScript.

EWErick Wendel

Do nada, veio o micro front-end também.

AKAlexandre Klostermann

Mas o que eu acho que tá mais cabuloso agora é que é a primeira vez que eu sinto que a galera que tá desenvolvendo e que é desenvolvedora tá sentindo o que os taxistas sentiram quando o Uber chegou. Porque, velho, é isso, eu noto com pessoas, só que meu medo ele passa rapidinho. Chega alguém e fala assim, meu, olha o que que eu fiz com o cloud, agora não preciso de mais nada. Daí tu vai lá, o Bruno que trabalha comigo pegou uma dessa semana, ele pegou um software que foi feito por alguém para emitir um monte de contratos, em teoria com dados sigilosos.

Ele foi lá, deu um inspect e tava a chave do Supabase. Claro que cada vez mesmo vai ter esses erros, mas eu quero dizer assim, é a primeira vez em que a gente tá tá concorrendo com quem não tem conhecimento técnico. E cara, isso dá um, deve dar um desespero. Para mim dá um pouco de desespero.

EWErick Wendel

Eu gosto bastante da frase do Fábio Akita que ele fala: te fazer o miojo, você faça o miojo, não te faz o cozinheiro, né? E é algo que eu fiquei, eu olhei, falei: porra, verdade. Por exemplo, eu fiz esse projeto open source fazendo editor de slides lá e tudo mais. E cara, a primeira versão eu falei assim: eu quero confiar cegamente igual o público tá falando, eu vou fechar o olho, vou colocar agência para trabalharem E vai sair.

E foi trabalhando, rodando, rodando. Quando eu vi o resultado, primeiro eu tive uma grande surpresa, que tava muito legal, seguiu alguns meus padrões e tudo mais. Só que começava a clicar em algumas coisas e começava a me dar falsos positivos. Tinha botões que não tinha ações, tinha coisas que eu clicava e ele demorava para mostrar. E aí eu percebi que conforme o contexto foi aumentando muito, ele começou a compactar e aí simplesmente falou, mano, eu vou dar um bypass e vou ignorar.

Então ela começou a colocar loading falso, ela, o loading começava em 70%. Eu falei, você é filha da mãe, cara!

AKAlexandre Klostermann

Acho que a gente já fez isso de propósito.

EWErick Wendel

Sexta-feira eu vou pro bar mandar gestão. Então assim, é, sim, a gente tem essa sensação que todos podem criar, mas ao mesmo tempo essa especialidade nossa de conseguir ter alguma coisa, por exemplo, no meu caso Cara, eu dei 3 cliques e eu falei assim, por que que o meu Chrome travou? Se travou é porque ele tá executando as coisas na main thread, ele não tá rodando em segundo plano, ele não tá usando as boas práticas. Criei um skill, ele não errou mais.

Então aí a minha, acho que a minha pergunta volta, e é aquela brincadeira, tá bom, vamos supor que a gente resolvesse o problema das alucinações, temos skills, temos um agente tal, o que sobra pro júnior? Como que essas pessoas vão aprender hoje em dia, né?

AKAlexandre Klostermann

A gente já falou isso várias vezes, eu acho que O cara que mais tá lascado é o cara que não tem uma visão de negócio e arquitetura ainda. E se a gente tá falando de crise profissional, esse cara eu acho que tá numa— eu acho que em dois momentos, ele tá em dois momentos. O cara que é júnior, júnior, júnior, ele tá no pico da ignorância achando que ele pode fazer qualquer coisa, que ele tá voando porque ele tem uma ferramenta fodida na mão.

O cara que já passou desse pico da certeza, ele tá entrando no vale da ignorância ali Esse cara vai ver o Só Sei Que Nada Sei e acho que ele vai entrar em depressão.

EWErick Wendel

Eu tenho uma outra reflexão assim que eu fui pensando, né? Quando eu fui aprender programação, eu acho que deve ter chegado, sei lá, umas 300 pessoas no mesmo curso. Ficou o cara, a gente no auditório lá. E eu lembro quando eu me formei. Quando eu me formei tinha, sei lá, 15 pessoas, né? E aí eu comecei a refletir, por que que a quebra em programação era tão alta? Primeiro semestre você vê estrutura de dados, matemática. Cara, é um bolo de coisas que na minha concepção hoje, lecionando, eu falo, cara, não precisa de nada disso.

Meus irmãos agora estão estudando, né? Então aí eu tenho essa reflexão que eu fico olhando, falo assim, cara, mudou, mas eu acho que mudou para melhor. Olha o que eles estão aprendendo, eles estão aprendendo a criar aplicações. Então eles criaram aplicações com no-code para entender o que é uma aplicação. Eu demorei quase 2 anos para entender. Eu era, eu tinha um console ali, tava no software de pizza, para que que eu vou fazer isso na minha vida, cara?

Então eu ficava nisso. Aí depois alguém me mostrou, eu falei, ah, então é para isso. Agora o fluxo é diferente, as pessoas podem errar mais rápido. Então, fez ali o prompt, deu aquela sensação de olha, construí algo, agora você vai entender o que você pode melhorar. E aí sim, nós como instrutores e pessoas que tão ajudando essa galera mais nova, a gente fala, ó cara, presta atenção naquilo ali, ó. Tenta fazer tal coisa que você vai ver que vai falhar.

Então, pra mim, tá se tornando acessível, mas ao mesmo tempo é algo bom, não é algo ruim, que no meu caso foi muito desafiador aprender programação.

AKAlexandre Klostermann

É, eu olhando, eu penso que... É positivo. Eu acho que é uma questão de crise de mercado que vai ter. É uma área que tava acostumada a ter muita gente ganhando muito bem, e tu vai ter uma democratização desse valor. Pessoas que às vezes não tinham capacidade lógica, ou melhor, capacidade técnica, mas boa capacidade lógica de resolver problemas. Aquele cara que é um engenheiro clássico, sabe? Aquele cara que ele olha para um problema, ele olha para o sistema funcionando, e digo sistema não sistema informatizado, sistema Ele quebra aquilo lá em microprocessos, pensa em formas lógicas de resolver.

Esse cara, ele vai virar programador amanhã porque ele vai resolver qualquer coisa. Só que aí entra na questão da crise, né, cara? O que que o resto da galera vai fazer? A primeira crise de, digamos assim, de carreira que eu tive foi que eu comecei a dar aula. Eu me formei no curso de eletrônica e eu fiz eletrônica porque foi o curso que eu entrei para fazer na escola, mas Eu entrei querendo fazer eletrônica, fiquei em dúvida entre fazer todos os cursos da escola e no final fiz eletrônica porque foi o que eu fiz, o que eu quis entrar.

E aí eu me formei e comecei a fazer engenharia elétrica, que eu sabia que não queria fazer. Eu queria fazer algo relacionado à computação, mas na época não tava rolando financeiramente. Só tinha a UDESC aqui em Joinville que era gratuita e passei lá para fazer uma faculdade. E aí beleza, eu comecei a dar aula e comecei a dar aula no ramo de eletrônica. E fui fazendo faculdade de TI, sistemas de informações. E eu fui dando aula e adorava, eu adorava dar aula.

Dei aula de 2005 até 2009, 2008, direto. E eu fui demitido. E quando eu fui demitido, eu falei, fudeu. Porque assim, o que que eu gosto de fazer? Eu gosto de dar aula. Eu tinha uma habilidade maior do que alguns pares em desenvolver código, mas eu não era um bom programador. Eu não acho que eu sou até hoje, mas eu pensei assim, eu não era, eu olhava para os bons programadores que eu conhecia, eu não fazia parte daquela, daquele grupo.

E aí eu falei assim, tá, o que que eu vou fazer? E aí nessa primeira crise surgiu a empresa que eu abri. Eu abri a minha empresa em 2009 e eu tive ela agora até 2000 e quando que eu falei que eu troquei? 2024. Então foi muito tempo. Sobreviveu a pandemia. É, sobrevivi com uso de aparelhos, mas cara, a minha primeira crise foi essa. Tipo assim, beleza, agora eu tenho que engatar na área de desenvolvimento. E a minha sorte é que na época Isso era 2009, a gente começou a trocar sistemas desktop para web.

E isso foi uma coisa que para a gente foi muito positivo, porque qual era a desvantagem de tu ter um software? A gente fez um software para uma empresa de engenharia e eu já falei milhares de vezes isso, que era um software para cálculo de tempo de produção. E antes tu tinha que ir nas 30 máquinas da engenharia instalar o software. Aí tu mudava um parâmetro e tinha que atualizar ela nas 30 máquinas. Quando a gente colocou ela para rodar na web, foi uma solução perfeita da vida, porque rodava no navegador acessando um servidor único e tal.

E ali foi a primeira vez sim que eu senti uma crise de carreira, que eu não sabia o que fazer. E outra, quando tu é empresário e de empresa minúscula, tu é o programador, tu é o vendedor, tu é o administrador. O Gabriel manja disso, né?

GNGabriel Nunes

Sempre fez isso.

EWErick Wendel

É uma carga cognitiva sempre.

AKAlexandre Klostermann

E aí tu tá sempre estressado porque Beleza, tu foi lá resolver um bug, aí tu tem que ver o fluxo de caixa. Então essa foi a primeira crise assim que eu enfrentei e foi uma das melhores, porque aí depois eu continuei dando, eu voltei a dar alguns anos depois, dei aula até final de 2016. Mas aí eu tive outras crises, porque aí o Gabriel conhece, eu tive bar, eu tive empresa de cachaça, de uma coisa, mas ao mesmo tempo eu nunca parei de estar na área de tecnologia. Então, mas eu sempre fui meio esquizofrênico assim.

EWErick Wendel

Mas eu acho que é brincadeira, né, que a gente fala, cara, a nossa área tá acessível, acessível, código tá acessível. Essa resiliência, esse poder de adaptação que a gente tem, essa coisa de, cara, war room, como é que se explica para alguém de outra área o que que é um war room? Cara, tá tudo pegando fogo, tá todo mundo aqui, ninguém sabe a solução, mas em 20 minutos nós vamos resolver isso aqui e vamos escrever ainda como a gente resolveu.

Não, na minha concepção, esse é o tipo de coisa que as pessoas às vezes simplificam a área de programação. A área de programação é código. Não, cara, código, eu fui brincar, Corta na parte mais fácil que existe, porque a gente desde sempre tem um problema. Vou lá no Stack Overflow, a gente acha, a gente acha a documentação, copia e cola. Ou eu tenho meus projetos no GitHub, eu vou copiar e colar daqui e vou usar. Mas essa coisa de lidar com pessoas, aí essa coisa de, putz, depreciaram igual, acho que teve uma crise nos desenvolvedores web quando a Google falou assim, cara, o Angular vai ser o Angular 2 agora, completamente diferente, quebrou tudo, outra arquitetura.

Se virem, vão aprender do zero. A galera falou assim, ah, eu vou trocar de tecnologia. Mas não, aí você vai ver que a comunidade se adaptou, aprendeu algo novo. Então eu começo a perceber essas coisas, né? Tipo, às vezes é igual eu tô ouvindo você falando, né? Eu falo assim, cara, esse cara deve manjar muito e ele tá simplificando na cabeça dele.

AKAlexandre Klostermann

Quem dera.

GNGabriel Nunes

Não, Alexandre manja pra caralho, cara. Ele só tem problema de, como que é, síndrome do impostor. Ele já falou aqui, já foi tema de 1 milhão de podcast.

AKAlexandre Klostermann

É porque eu tenho, meu Deus, quantas vezes eu já falei isso, eu tenho a sorte de conviver com pessoas muito inteligentes. Então, porra, eu tenho uma inveja dos cérebros que eu conheço, né? Mas perfeito, é bom. Mas isso é uma outra coisa que eu observo hoje, é de crise de carreira. A gente tava conversando antes da gente começar a gravar que o quanto hoje em dia tu vai ter equipes mega enxutas. E eu acho que isso é um motivo de desespero também, até mesmo porque a gente sabe que duas mulheres não vão parir uma criança em 4 meses e meio, né?

Então a gente sabe que não adianta, ah, tem recursos de IA, a gente vai precisar de cada vez menos programadores, porque grande parte do trabalho é pensar em como resolver o problema, né? Mas isso também para mim tá sendo uma questão de como gerenciar time de volta, porque tá muito foda, cara. Antes eu passava Eu pegava um problema, quebrava ele em uma porrada de tarefas, e aí eu passava pro meu time, e eu como gestor, eu tinha, sei lá, 3 dias de folga pra resolver outras coisas, porque eles estavam fazendo aquilo.

GNGabriel Nunes

Focados.

AKAlexandre Klostermann

Agora eu pego todas as tarefas, eles pegam a tarefa e jogam no cloud, jogam não sei o quê, e em 2 horas as tarefas estão prontas. E aí, cara, a dinâmica mudou absurdamente. Eu me sinto um pouco perdido. De como gerenciar isso.

EWErick Wendel

Eu acho que isso é uma grande evolução em software. Até voltando um pouco, né? Isso aí é até engraçado, que o cloud, né? Você vai falar, ah, faz o planejamento disso aí. Ah, você vai gastar 2 semanas.

GNGabriel Nunes

Ele fala, eu não vou gastar nada.

EWErick Wendel

Faz aí, é seu trabalho.

GNGabriel Nunes

E ele faz em 3 horas.

AKAlexandre Klostermann

É, 3 horas e 20 minutos.

EWErick Wendel

Cara, eu deixei rodando a noite inteira. Deixei rodando 30 horas direto. Eu queria que ele alcançasse cold cover. Sim. Ele tá dando esses probleminhas, ele foi lá e... Assim, não ficou perfeito, mas muito melhor do que eu faria. Mas eu acho que agora a gente entra num outro problema, que aí sim é uma crise em software, da gente pensar direito se o software que a gente tá fazendo é realmente relevante. Ó o que que a gente tá vendo.

AKAlexandre Klostermann

É, é o Gabriel. Ô Gabriel, vamos abrir mais um SaaS? O Gabriel é o hater do SaaS.

GNGabriel Nunes

É, Microsoft mesmo.

EWErick Wendel

Tu tem SaaS? Eu agora não, não, não.

AKAlexandre Klostermann

Fala, fala, tem ou não tem?

GNGabriel Nunes

É um projeto paralelo, é um projeto open source.

EWErick Wendel

Ah tá, então não é SaaS, então fechou.

AKAlexandre Klostermann

Porque senão o Gabriel ia te odiar.

EWErick Wendel

Só não é fácil porque não tem cliente ainda.

AKAlexandre Klostermann

A hora que tu pegar o primeiro cliente, ele te odeia no dia seguinte.

EWErick Wendel

Mas assim, ó, a gente tá vendo que o software mesmo, a gente tá indo cada vez mais para aquela AI generativa, né, UI generativa. Então ao invés de eu criar um novo site web, ao invés de eu criar isso, cara, eu tenho todos os plugins no meu chatbot e ele consegue renderizar ao ponto de vista que a UI pode ser exclusiva para cada cliente diferente, né. E aí a gente fica maluco, a gente fala assim, então peraí, será que o front-end vai morrer e a gente do back-end no JavaScript vai sobreviver? Aí é...

AKAlexandre Klostermann

Calma, back-end no JavaScript? Não entendi, bateu no meu teto aqui. Dá pra usar JavaScript no back-end?

GNGabriel Nunes

Ó, vou lançar um spoiler aqui, a gente gravou esse final de semana a rinha de back-end, segunda rinha de back-end que a gente faz, Node ganhou as duas.

AKAlexandre Klostermann

Nós digamos as duas, as duas. Tá bom, cara.

GNGabriel Nunes

Bom, o que que eu posso dizer?

AKAlexandre Klostermann

A linguagem que eu uso também não é a mais rápida, é Python. Então eu não vou ganhar nenhuma coisa.

EWErick Wendel

Eu entro bastante nessas brincadeiras, claro, né? Da pessoa fala assim, ah, mas JavaScript é isso e aquilo. Eu falo, primeiro de tudo, cara, para mim JavaScript é igual inglês. Inglês é o melhor idioma? Jamais. Português, espanhol, mas muito mais regras, é muito mais declarativo, mas são mais acessível.

AKAlexandre Klostermann

Sim.

EWErick Wendel

Então eu, quando eu comecei a aprender C#, Java lá atrás, cara, eu tinha que saber o que que é o padrão adapter para fazer besteira. No JavaScript você quer começar? Faz o single file aí e vai sair. PHP também. Então as pessoas, não tô falando de você, jamais, mas a galera zoava, usava do MongoDB. Não, esse MongoDB não tem as travas que um banco de dados tem que ter e tal. Falei, cara, não é porque ele tá te dando liberdade que a culpa é dele.

AKAlexandre Klostermann

Sim, sim, sim.

EWErick Wendel

Você que tá te dando liberdade, você Você tem que saber como controlar, né? Então, Vinícius, mas acho que só voltando do software que você falou, né? Eu acho que agora a gente vai começar a repensar um pouco mais coisas que muita gente vem tentando falar pra gente há muito tempo. Então, Spotify criou lá o padrão das squads, né? O time pequeno, performático e tudo mais. Aí a gente tem agora essa coisa das funcionalidades. Agora a gente consegue implementar 10 funcionalidades por semana, mas o cliente final ele não tá nem tendo tempo de dar feedback.

E aí eu acho que é a grande mudança que a gente vai ter. Não adianta a gente ficar construindo nova feature que ninguém vai usar. E às vezes não gera valor o negócio. É.

AKAlexandre Klostermann

E aí, Gabriel? E a tua crise, Gabriel? Ah, cara... Tu tá em crise agora?

EWErick Wendel

Calma aí.

AKAlexandre Klostermann

Vamos abrir o Difã.

GNGabriel Nunes

Tô em crise agora por causa do YouTube, né?

AKAlexandre Klostermann

Por quê, cara?

GNGabriel Nunes

Ah, porque sei lá, né? Tem vídeo que eu publico que não passa de 1000 visualizações. Daí eu fico nessa, o que que eu tô errando? Mas, pô, sei lá, é que eu sempre fui uma pessoa que fiz muitas coisas diferentes, né, igual o Alexandre. Então eu já tive agência de propaganda, já tive, já trabalhei como designer, já trabalhei como programador, e eu tô sempre nessa, né. Agora tô organizando evento do nada, né.

AKAlexandre Klostermann

Mas tu já decidiu nessa tua crise se tu é organizador de eventos, se tu é apresentador do canal da Codicom?

GNGabriel Nunes

Eu sou Organizador desse canal e apresentador de programa.

AKAlexandre Klostermann

Ele trocando os crachás aqui, você sabe. É porque o Gabriel, ele era o organizador da CodeCon, agora ele é o apresentador deste canal e organizador da CodeCon. Mas o teu sonho é não fazer mais evento, né? É gravar só vídeo no YouTube, porque dá menos trabalho, tu não precisa falar com pessoas, né?

GNGabriel Nunes

Falo com menos pessoas, né?

EWErick Wendel

Se bem que esse é uma boa, porque aí o ingresso vai ser escasso agora, né, Felipe?

AKAlexandre Klostermann

É, é.

EWErick Wendel

Mas pode ser a última vez.

GNGabriel Nunes

Pode ser a última.

AKAlexandre Klostermann

A próxima CodeCon vai ser, como é que é? Uma masterclass, vai ser aqui, vai custar R$45 mil por pessoa, só tem 10 vagas.

GNGabriel Nunes

Só tem 10 vagas e o Gabriel fez de uma vez só. Ô Eric, o pessoal me mandou perguntar aqui, ó, por que que o Node.js— como que é? Alô, Eric Wende, por que o Dev Node tá ganhando todas as rinhas da CodeCon?

AKAlexandre Klostermann

Eu acho que é porque o Gabriel favorece, né? Quantos vídeos tu já gravou com o Gabriel?

EWErick Wendel

Esse é o primeiro, né? Porque não tinha dinheiro, tinha que pagar os vídeos para falar do Node.

AKAlexandre Klostermann

É porque hoje em dia, cara, quando eu participo dos vídeos, eu vejo direto o Gabriel, ele tentando guiar as coisas do caminho que ele quer e tal. Pessoal, vocês que assistem aí, polêmica, denúncia.

EWErick Wendel

Mas uma coisa interessante, né, que a gente vê, que é, eu tava comentando essa semana com a minha esposa que saiu o documentário do Java, e a gente faz essa nossa brincadeira de linguagem de programação, só que assim, a verdade que tu chorou nesse documentário, essa minha mulher, ela Então eu fiquei encantado, de verdade, assim. Eu comecei a assistir e aí foram algumas coisas assim, por exemplo, eu de verdade eu não sabia o tamanho que era o Java.

Eu sei que tem no mercado, sei de C#, tudo mais, mas o impacto do open source, o único motivo do nosso open source estar tão grande hoje foi pelo projeto Java. Ele brigou com a Microsoft de ponta a ponta a nível de sistema operacional. Aí eu comecei a olhar assim, eu falei, rapaz. Aí começou a ver a comunidade se juntando e a comunidade Tirando dinheiro do próprio bolso, a comunidade se virando, fazendo as coisas. E é aquela brincadeira que eu sempre tive esse preconceito, né? Ah, mas a comunidade dos Estados Unidos sempre teve grana, né?

AKAlexandre Klostermann

Sim, sim.

EWErick Wendel

Mas eles estavam lutando contra gigantes, né? E aí eu tava comentando pra ela, falei assim, cara, que incrível. E às vezes a gente não consegue porque talvez pra gente ter uma distância ou a tecnologia vai evoluindo. A gente não tem motivo das tecnologias existirem. Então, por exemplo, Node.js, cara, foi um boom gigantesco. Pelo fator de, putz, para cada cliente que você tinha no Java lá em 2009, ou para cada cliente que você tinha no C#, você tinha uma thread que tinha um volume de memória reservado para ele.

O CC tava limitado à quantidade de memória física que você tinha. No Node não, ele simplesmente empilhando. Eu te dou um timeout maior, mas eu te respondo. Então foi um modelo de gerenciamento de memória absurdo, que foi, vou simplificar demais, mas foi por acidente. O Ryan Dahl, ele fala que Foi uma prova de conceito que ele queria fazer de chamar as APIs do Chrome ali usando JavaScript, porque poderia interpretar. Então ele falou, cara, vou chamar as bibliotecas do C++ de HTTP e tudo mais e ver no que dá.

Eventualmente explodiu. Ele fala em palestras que ele se arrepende de um monte de coisa porque era um projeto fim de semana, sabe? Tipo, só que aí é até a coisa de se sentir aquele, mano, acho que eu não sou mais programador como esses caras eram, porque Você pega o Randolph, faz uma integração com o Chrome sem documentação, faz o C++, cria uma camada de compatibilidade. Você fala, mas como? Da onde sai esse? Mas é muito legal, é muito legal.

Então eu gosto muito de estudar essa, esse, essas histórias das linguagens, né? Da onde vem.

AKAlexandre Klostermann

Hoje o Node tem um motor próprio de JavaScript, ele reconstruiu tudo porque ele veio a partir do V8, não veio?

EWErick Wendel

Ainda o V8. Aí ele tem, são basicamente 3 camadas, né? Então eu tenho o V8 pra interpretar o JavaScript, transformar em classe C++, aí a gente tem o libuv que é simplesmente pra manipular os eventos, então ele que chama o C++ pra multithreading.

AKAlexandre Klostermann

Ou seja, é tudo byte, ele usa binding.

EWErick Wendel

Usa binding lá dentro, então aí é aquela brincadeira, tem coisas que é melhor fazer em JavaScript e não fazer em C++, porque a tradução de um para o outro demora. E é coisa que eu também não sabia, fui aprendendo, então assim, é uma das, acho que agora indo contra as nossas crises, acho que uma das maiores realizações que eu tive foi essa coisa de eu quero tentar recriar a Node, porque eu vejo no LinkedIn um fala uma coisa, outro fala outra, outro fala outra.

Como que seria uma demonstração disso? Foi o pior buraco que eu entrei na minha vida. Não tinha documentação, foi na virada do Mac Intel e Mac Metal, que aí nenhuma biblioteca compilava direito. Eu sei que eu demorei um mês só, só para atender, só para instalar as coisas, e eventualmente eu consegui com ajuda da comunidade. E aí eu falei assim, cara, fenomenal. Aí eu provei os mitos, Não, não, isso aqui não é o Java, não é Node que faz, isso aqui é o C++ que faz, aqui a camada de login onde tá.

Então muita coisa eu vejo que a gente acaba reverberando porque a gente vai ouvindo por muito tempo. Mas essa oportunidade de meter a mão no código, igual a gente tem hoje com AI, pô, eu quero reconstruir o Node Rust igual os cara fizeram, o Ban lá, cara, aquele experimento. Não sei se você leu o documento maluco que ele criou, ele criou em 7 dias, ele demorou 3 meses para fazer o blog post sobre, velho. Nossa.

AKAlexandre Klostermann

Nossa, caraca. Então, isso eu acho massa, cara. Essa questão, até pra aprender, né? E acho que aí entra numa outra questão, que não é bem uma crise profissional, mas é uma crise de modo de trabalho. E levou um tempo até pra eu entender algumas coisas. Por exemplo, hoje eu tava lidando lá com, literalmente hoje mesmo, tava lidando com uma questão de migrate do Django. E aí, pô, a gente sempre quando dá um problema de migrate, que duas pessoas numa mesma branch geram o mesmo número de migrate, tu gera um merge e isso vai embora.

EWErick Wendel

Mas eu nunca pensei como isso funcionava.

AKAlexandre Klostermann

Deve ser, pô, como é que isso vai rodar, né, cara? Porque vamos supor, tu foi para produção e colocou o MyGrade 86, daí eu fui lá, eu ia colocar, só que aí, claro, numa versão de homologue, tu vê que isso ia dar pau. E aí tu gera um merge entre as duas, mas tu tem 86 do Eric, tem 86 do Gabriel, e aí tu tem um 87 que é o merge. E eu fiquei assim, caralho, velho, como é que ele faz isso? Se ele busca 86, vai dar conflito. Aí eu pedi, joguei para ele, falei assim, falei assim, como que o Django lida com isso?

Daí ele, ah, lida com grafo. Então 86, 86 não é mãe e filho, primeiro e segundo, são irmãs. Não existe uma arquitetura. O 87, por ter merge, é o que fecha o grafo, então é o que vale. Daí hoje eu não penso duas vezes, eu pego o problema que eu tenho, estrutura uma pergunta de um jeito que eu não, eu não gostaria que meus alunos fizessem para mim. Então eu faço melhor do que meus alunos fariam na época para mim, para não ser idiota, e E velho, só esse, essa questão de tu poder aprender coisa nova é bizarramente absurdo, cara.

E explicações mega complexas que tu fala assim, não, calma, eu ainda não entendi, me dá para uma outra abordagem, porque meu conhecimento ele foi até aqui, me ajuda com isso que eu tenho. E aí, cara, tu consegue aprender só qualquer coisa se tu tiver boa vontade, sabe?

EWErick Wendel

E por exemplo, até uma coisa que quando saiu o ChatGPT, para mim, sabe aquelas coisas que você vai lembrando da sua vida, que é como Eita, ó, recupera a bicicleta. Tá, ó, foi o ChatGPT pela primeira vez, cara. Eu tava 2 da manhã vidrado no celular aqui assim. Aí minha esposa já tinha terminado o filme e tal, e eu tô assistindo aqui. Ó, meu, tá falando com quem aí? Meu melhor amigo ChatGPT. Eu fiquei maluco, comecei a perguntar, cara, pera, se eu quisesse recriar o React Native hoje, porque eu tava nessa ideia de recriar tecnologias e tal, como que funciona essa parada?

Porque iOS tem um contrato, Android tem outro, tem coisas que a gente sabe que usam a mesma nomenclatura, mas são coisas diferentes. E ele começou a falar assim, tá bom, mas cria uma prova de conceito pra mim. Nessa época ele nem rodava código, nem tipo mentia muito melhor, mas fez sentido, porque eu falei, ah, eu vou pesquisar sobre mais. E são coisas, por exemplo, que eu fiz essa parada do Recreate a Node sem AI. Então assim, como que eu tinha que fazer, mano?

Eu abri o arquivo de testes e aí eu ia procurando como converte uma string do V8 pra uma string do C++, Jesus. Aí eu procurando convert to Ah, string, e sofrendo. Agora com a IA ela consegue ler e te entregar a explicação. Então é a brincadeira que eu falo de dar contra a crise. Na minha opinião, nunca existiu um momento tão bom quanto agora para ser programador, porque esse tipo de informação, imagina antes, pô.

AKAlexandre Klostermann

Isso é uma coisa que tu comentou de estudar, isso é uma coisa que eu, por isso que eu gostei muito de Python quando eu conheci, porque as bibliotecas de Python são muito bem escritas e elas são muito bem documentadas. E aí, na época, eu usava o PyCharm, a IDE. E aí foi a primeira IDE Python que tu apertava o Ctrl, clicava na classe, ele ia entrando dentro das classes, né? Hoje qualquer coisa faz isso, até, sei lá, uma calculadora Casio.

Mas eu lembro que quando eu não entendia como algo deveria ser usado, eu clicava na classe que eu tinha estendido pra entrar na classe que era da lib, e aí lá ela meio que me explicava como ela tinha que ser usada. Se não em modo documentação, o Python tem uma coisa que a galera critica ou gosta, que é o jeito Pythonico de fazer as coisas. Então, o código tu entendia como ele era feito, sabe? Hoje, cara, tem um monte de lib que é bem bosta assim, né? Porque como a galera tá cagando...

EWErick Wendel

É feito por pessoa.

AKAlexandre Klostermann

É, ou por máquinas. Mas isso era um negócio legal de aprender. E como hoje eu uso a mesma técnica assim, eu pego um trecho de código e eu peço pro agente que eu tô usando me explicar. E, cara, Cara, pra mim isso é a melhor coisa da IA. Tipo assim, não é faça pra mim, é me explica como isso funciona.

GNGabriel Nunes

Tá, vocês tão falando da IA, benefícios, mas teve alguma coisa assim de ruim que vocês veem que mudou na carreira de vocês?

AKAlexandre Klostermann

Vai baixar meu salário.

EWErick Wendel

Eu acho que não. É aquela brincadeira, né? Final de 2026 vão acabar os programadores. Aí tá lá, Anthropic, meio milhão de dólares por ano pagando a galera, né?

AKAlexandre Klostermann

Cara, eu acho que de ruim, cara, eu acho que primeiro que várias profissões vão se lascar. Acho que isso é bem ruim, acho que é bem ruim. E aqui trazendo as que eu vejo, claro, tem bastante reportagem sobre isso e textos escritos, mas assim, advogado, copywriter, tradutor, cara, são simplesmente coisas que não vão fazer sentido usar. Eles viraram, vão virar máquina de escrever, não vai fazer sentido. Isso eu acho que é bem ruim principalmente porque foi muito rápido, não deu tempo de uma transição.

E eles, eu posso estar totalmente errado no que eu vou dizer, né, e provavelmente eu tô, é difícil eles terem o próximo nível como a gente consegue ter na área de tecnologia. Então assim, a gente não vai mais codar, mas toda a complexidade de fazer um sistema tá posto. Então assim, se o advogado fosse o legislador também, talvez ele pudesse ser o legislador, mas eu não vejo essa saída. Porque analisar um documento, um contrato, alguma coisa, é muito melhor a IA fazer isso, porque ela vai deixar muito menos pontas soltas, ela vai conseguir fazer uma análise muito mais profunda.

Então essa eu acho que é uma coisa ruim. A outra coisa que eu acho coisa ruim, e aí é muito ruim, cara, é a galera achando que a IA vai resolver tudo e vendendo solução de IA para qualquer coisa. Cara, isso é muito ruim, porque qualquer serviço que podia custar R$10 agora ele custa R$250 porque ele tem IA embutida.

EWErick Wendel

Você concorda que isso já tinha antes?

GNGabriel Nunes

Concordo.

EWErick Wendel

É mais uma coisa que eu falo assim, ó, aí ela tá andando aqui numa listinha, mas os cara que vendia, lembra do template do Bootstrap nessa época?

AKAlexandre Klostermann

O template é verdade, o ThemeForest.

EWErick Wendel

Caralho, é verdade, eu comprava vários. Nossa, todo site que a gente via, todo sistema que eu fazia em consultoria tinha a cara de ThemeForest.

AKAlexandre Klostermann

É verdade, cara, eu tinha uma conta no ThemeForest, eu abri ela há um tempo atrás, porque quando eu fui encerrar a operação da empresa eu fui ver todos os acessos que eu tinha. Chuta quantos templates de ThemeForest eu comprei, quantas aquisições de temas individuais. De ThemeForest eu acho que a partir de 2012 até 2024, uns 50.

GNGabriel Nunes

Não, cara, quantos?

AKAlexandre Klostermann

Quase 1000.

EWErick Wendel

Meu Deus, que era baratinho, pô.

AKAlexandre Klostermann

20 conto, dinheiro, eu gastei mais de $30.000 em ThemeForest em 12 anos. Meu Deus, isso reverteu, obviamente, né? Porque cada O que que a gente fazia? Eu precisava de algo, eu procurava um tema que já tinha a ver com o que o cliente queria, comprava e aí customizava. Se tu olhasse o tema no G4, se olhasse que entregou, era completamente diferente. Mas isso acelerava muito, né? Pô, é verdade, cara, tu tá certo.

GNGabriel Nunes

Tá vendo?

AKAlexandre Klostermann

Ah, corta pra tal podcast aí. E ela não tá atrapalhando, ela não tá sendo ruim, ela só tá revelando o que já tinha.

EWErick Wendel

Ela tá colocando o espelho, né? Aí eu falo assim, por exemplo, ela tá dando aquela sensação hoje que a gente tinha uma importância muito grande, né? Porque o nosso ego de programador, infelizmente isso existe, né? E é a coisa mais comprovada. Tipo assim, cara, a gente não precisa de um CREA para começar, a gente nem precisa de uma faculdade para começar.

AKAlexandre Klostermann

Mesmo que a gente faça um sistema médico, então é maluco, né, de pensar.

EWErick Wendel

Você vai conversar com as outras áreas, cara, não tem problema, você pode fazer, é pela sua skill. Aí você vê, aí antigamente é aquela barreira de entrada, você tem que ser inteligente, porque, pô, você vai ter que fazer o ético primeiro semestre, Mas na hora que arrancou isso, aí deu a pavora no pessoal. Falou, ih, rapaz, agora todo mundo não vai, como não vai ter essa barreira de entrada, todo mundo vai poder entrar. Só que aí eu tento pensar uma coisa um pouco maior assim, fico pensando, cara, para o bem da humanidade, se a gente fosse pensar, não era nem para a gente ter código mais, pô.

AKAlexandre Klostermann

Se a gente fosse pensar no, né, vou falar uma coisa antes ali, e acho que a gente, não sei se a gente conversou no podcast, onde que foi, que tu falou sobre a questão da UI, UX, né, ela, desculpa, da UI ela talvez ficar obsoleta depois de um tempo. E se tu for pensar, pô, eu tenho lá uma pasta minha que ela é tipo onde eu tudo que é do meu cloud, do meu trabalho, eu tenho lá. E ela tem n cloud codes, cloud.md para gerenciar o que tem lá.

E uma das coisas que eu mais faço é entrar dentro dela para me ajudar a fazer alguns projetos. E tem tanta ferramenta ligada lá Tanta API para tirar coisas. E de fato, isso que tá falando é uma coisa foda, cara. Provavelmente daqui algum tempo uns RPs grandões, eles— foda-se a tela, tu vai lá e vai perguntar assim: gera uma nota fiscal, enter. E ele me dá um relatório de vendas dos últimos 15 meses. A gente tinha que extrair, jogar para o Excel.

EWErick Wendel

Aí tem que fazer aí, ó, eu por exemplo, que eu falei que eu fui— a brincadeira que eu fui superado pela AI. Eu tô lá montando o meu negócio de slide Aí eu cheguei naquele ponto de, meu Deus, eu preciso importar PPTX, que é o arquivo do PowerPoint. Quando eu fui ver a complexidade, eu falei, eu não faria, faz pra mim. O cara falou assim, ó, você vai entrar lá no protocolo, documentação do protocolo, você vai entender. Eu falei, mano, o protocolo é gigante, vamos fazer por parte então.

Eu vou pegar o meu PowerPoint, eu vou exportar como imagens e você vai ficar em loop comparando se as imagens que você tá gerando tá em português.

?Voz D

Vou dormir.

EWErick Wendel

E foi, e foi, virou à noite. Cheguei no outro dia, tava rodando lá e funcionou, e tá funcionando legal. Não tá perfeito ainda porque o protocolo, sim, tem várias ambiguidades, mas sim, coisas assim que eu falei assim, mano, autenticação, você se lembra como que era o foco antigamente para fazer autenticação?

AKAlexandre Klostermann

Não teve um vídeo criar o JWT do zero? Eu não sei fazer JWT até hoje. Não, eu tô exagerando, mas se eu for começar do zero, eu não sei fazer.

EWErick Wendel

Ó, eu vou vou agora, vou me expor, tá? Ó, uma história bem curtinha, mas que me doeu muito no coração. Eu fui chamado recentemente, acho que não tão recentemente, alguns meses atrás, por uma empresa na Genga, cara, que ela ia pagar horrores de dinheiro assim. Eu nunca tinha visto uma empresa querer pagar isso. Era uma vaga para os Estados Unidos, mas porque tem brasileiro, ele ia me indicar e tal. Falei, não, vamos embora. Aí eu comecei a estudar, é uma empresa de AI, e eu falei assim, bom, se é empresa de AI, ela vai pedir que conjunência com texto, skills, como que eu trabalho no dia a dia.

Me preparei tudo isso. Chegou na entrevista, ela falou assim, ó, deu 3 API aqui, ó, sincroniza aí para mim do JavaScript. Mas eu entrei assim, eu não tava bom. Aí eu digitava o nome do type, começava a errar tudo, já não lembrava mais como que tava. Eu falei, meu Deus do céu, qual que é o tipo de dado para usar isso aqui? Aí me deu aquela sensação, falou assim, já era.

AKAlexandre Klostermann

Mas aí vem aquela questão, precisa disso, cara? A gente tá no lugar onde precisa, tipo, beleza, só se a função que tu ia ter ia ser criar isso que precisasse saber todos os modelos de dados. Mas senão não faz nem sentido, cara. Eu tenho um colega que tava fazendo entrevista, ele saiu da empresa onde ele tava, e ele tava uns 3 meses aí fazendo entrevista. Daí ele passou numa entrevista, entrou na empresa, e ele tava odiando trabalhar lá.

Então ele continuou fazendo entrevistas até conseguir um emprego que ele gostasse. Agora ele conseguiu, começa semana que vem. Mas é, mas aí o bicho falando, cara, ele foi fazer uma vaga para ser tech lead. E parte do processo seletivo era fazer, codar com alguém te analisando de como tu fazia. Pô, cara, sério, eu acho que é tão, é tão, o negócio é meio que tão artístico, sabe? Eu lembro quando eu, artesanal, quando eu codava de fato, o meu processo de pensamento nem sempre ele começava, às vezes o resultado era totalmente diferente da primeira linha que eu escrevi, porque tu vai brincando, tu vai vendo a melhor forma, aí Pô, eu comecei a programar procedural, então quase tudo que eu fazia no começo, até pouco tempo, até hoje, eu escrevo, eu faço o processo inteiro e depois eu generalizo.

Cara, se eu for para uma entrevista de emprego em que o cara vai querer fazer pair programming comigo para poder ver como eu penso, ele vai falar assim: tá tão retardado, onde é que tá as classes? É que para mim as classes nascem depois, entendeu?

EWErick Wendel

Faz sentido. E eu faço funcionar, depois eu refino.

AKAlexandre Klostermann

Só que às vezes para fazer uma entrevista, alguma coisa assim, a galera fala: não, não isso. Aí eu não sei de verdade, agora eu tô jogando meu ego lá para cima, que normalmente eu jogo ele para baixo. Eu não sei se não é falha do avaliador, que ele quer ficar cagando regra, ver se mede de ti, de como tu pensa e não como tu entrega.

EWErick Wendel

Ah, fizeram essa piada quando eu comentei para a galera, falou assim: ó, por que que você não pediu para o avaliador fazer? Por outro lado, agora eu vou dar uma de advogado do diabo. A gente tá falando agora que a nossa área ficou acessível, Qualquer pessoa pode entrar. Então uma vaga que tinha um aplicante vai ter mil aplicantes. Como é que você consegue criar uma régua para eliminar pelo menos uma parte dessa galera para ir para os próximos passos?

Que é como o Google faz, a Microsoft faz. Tem coisas lá nos processos que eu tenho preguiça. Se a gente for ver, mano, é muito grande o processo dos cara, tem umas coisas que você não entende. Mas aí eu fico pensando, eu acho que é porque é tanta gente que eles têm que ter uma forma de reduzir.

AKAlexandre Klostermann

Eu concordo, é que nem vestibular de universidade universidade pública, né? Ele não é difícil porque ele precisa ser difícil, ele é difícil porque ele precisa filtrar muito bem, porque senão todo mundo tira 10 e não tem, não vai ter vaga. Mas sei lá, cara, isso é uma coisa desde antes. Eu participei de muito poucos processos seletivos porque eu tive empresa. Felizmente, dos poucos que eu participei, eu consegui entrar, até porque já era a proposta para entrar, então era meio que aceitar, né?

Mas ao mesmo tempo, cara, eu me caguei milhares de vezes Eu contei já, eu fui participar de um processo seletivo pra uma empresa gringa e eu cancelei a entrevista técnica porque eu fiquei com medo dos caras me avaliarem. Hoje eu não faria mais isso, depois de tanta terapia no Escovando Bits, as pessoas já falaram que eu não tenho mais que fazer isso, é só ir lá e falhar e tá tudo certo, né?

EWErick Wendel

Mas é, de novo, não que seja algo ruim, mas é algo que a gente tá sendo preparado desde sempre. A nossa área fala pra gente que a gente não pode errar. A gente erra muito, erra muitas vezes, porque não tá lidando com dinheiro às vezes, ou não tá lidando no setor da saúde. Mas a gente, no nosso conceitual, cara, não pode voltar isso aqui. Eu não vou perder dinheiro, eu vou tomar bronca, mas a gente já tá sendo ensinado isso. Então eu vejo que tem uma coisa disso.

Mas acho que só voltando que você falou, eu também acho que a área de RH para tecnologia em geral tá quebrada há muitos anos.

AKAlexandre Klostermann

E a gente acabou de achar mais uma coisa ruim de IA: analisador de currículo de IA. Nossa Senhora! Aí tu gera o teu currículo currículo com IA. Daí a empresa usa uma IA para analisar teu currículo por IA.

GNGabriel Nunes

Tu faz uma entrevista com uma IA para mandar email.

AKAlexandre Klostermann

E tu faz uma entrevista com uma IA, com uma IA aberta para tu poder responder. Ou seja, quem te contratou não te contratou e tu não passou para vaga, e tu passou.

EWErick Wendel

Mas isso não é H2A, né? Agent to Agent.

GNGabriel Nunes

Olha aí, ó, é verdade. Descobriram.

AKAlexandre Klostermann

No final vai ser quem tem mais crédito no Mas aí quem vence a pirâmide é quem tem mais crédito para gastar.

EWErick Wendel

Mas aí é o que eu falo para as pessoas assim, por exemplo, meu segredo hoje é desses últimos anos, putz, mano, eu quero arrumar um trampo. Eu, Eric, eu vou entrar lá na empresa, vou meter meu currículo, vou tentar entrar em processo, processo. Cara, a gente conhece o amigo do evento, eu começo a chamar o cara, tem, você conhece alguém, você tem meu perfil. Essa pessoa às vezes ela faz você pular um processo igual você falou, é Tudo bem, putz, você poderia ter feito vários processos que você ia passar, mas a empresa, o CEO, o CTO que tá te avaliando, ele falou: para que que eu vou fazer ele passar?

Eu quero que ele faça dinheiro para mim, né? É que a gente esquece às vezes por que que a gente é contratado.

AKAlexandre Klostermann

Acho que as melhores contratações são assim, né? Acho que aquelas que tu mais confia. Eu duvido, eu duvido que o Mineto passou por algum processo seletivo. Acho que ele foi pescado em todas, né, cara?

GNGabriel Nunes

Depois de um tempo ele deve ter parado.

AKAlexandre Klostermann

Depois Ele só espera, ele só espera quem oferece mais.

EWErick Wendel

A linguagem errada, né? Mas é bravo.

AKAlexandre Klostermann

Aí eu não posso dizer nada, eu não entendo nada de Gol, cara.

EWErick Wendel

Não tô na aula. Linguagem vai, pô.

AKAlexandre Klostermann

Esse tempo eu fiz um negocinho lá, a prova de conceito que eu queria testar em Gol, e beleza, ela funcionou. Eu só não sei o que ela faz. Tipo, eu abri, eu falei, onde começa?

EWErick Wendel

Então esse é um negócio que eu tava refletindo agora.

AKAlexandre Klostermann

Não sei se a gente tem tempo, Gabi, O Gabriel, ele passou das 9, ele tá com sono.

GNGabriel Nunes

É, tô com sono já, verdade.

EWErick Wendel

Mas assim, a reflexão: se a sintaxe não é importante mais, se a gente não vai precisar avaliar o código gerado assim, a estrutura, se está em design e tal, e aí linguagem em pólvora também. Todo mundo, porque todo mundo usa Rust, o Go, né? Essas são as linguagens que a gente conhece que tem melhor performance e tudo mais para algumas coisas. E aí a gente começa a pensar isso: será que no futuro a gente não vai ter mais tanta linguagem? Vai todo mundo chegar.

GNGabriel Nunes

Pois é, eu já falei sobre isso, de tipo, sei lá, a gente programar em linguagem de máquina, tá ligado?

EWErick Wendel

A Versel tá tentando fazer isso, ela lançou uma linguagem de programação recente. Mas com todo respeito, eu não achei que precisamos de uma linguagem nova porque já tem documentação.

GNGabriel Nunes

Sempre tem espaço para mais uma, cara.

AKAlexandre Klostermann

É mais um tema que eu já sei, né?

EWErick Wendel

Mas é uma linguagem que diz que é voltada para vendas. Então é, você programa fazendo textos mesmo. Acho que ela chama Zero, se eu não me engano, essa linguagem. E aí eu tava lendo, cara, eu li e reli 10 vezes e eu não entendi. Não entendi a necessidade. Eu falei assim, por que que você não usa, sei lá, que seja PHP, pô? Tá todos esses anos aí, pô, tem que criar uma camada de embaixo, alguma coisa. Mas precisar de uma nova linguagem de programação, talvez seja também, não seja minha área de especialidade e tudo mais.

AKAlexandre Klostermann

Mas eu acho que agora, com o nível de hardware que a gente tem, Cara, você tem que ter um, cara, deve ter uma Libby de PHP 4 segurando algum sistema crítico do Ministério de Defesa dos Estados Unidos assim, né, cara, que eles não podem fazer upgrade de versão.

GNGabriel Nunes

É, cara, o pessoal falou aqui que depois que saiu a Biro, sabe, não devia ter parado aí, não devia criar mais nenhum, devia ter parado bem antes da Biro, né, cara.

EWErick Wendel

Eles usam o mesmo motor da Portugal nesse aí.

GNGabriel Nunes

Ah, é?

EWErick Wendel

Que aí é Java por baixo, né? E aí eles fizeram tipo uma sintaxe por cima que ele lê e executa. Foi genial, deu um monte de start também, foi bem legal. Mas assim, aí fica mais, né? Será que tudo vai ser Rust por alguma razão?

GNGabriel Nunes

Ah, ou C, né? Voltar para as origens.

AKAlexandre Klostermann

Mas achei difícil voltar para C, né? Porque ninguém mais vai querer ter linguagem compilada para tudo, né? Aí a gente entra numa discussão que ela é mais, eu acho que é mais complexa, não no sentido de cagar regra, mas assim, a gente vai precisar ter linguagens interpretadas, porque nem sempre eu vou querer gerar executáveis para distribuir, porque é muito custoso gerar os executáveis, né? Porque imagina, cara, tu vai fazer um aplicativo, você tem que compilar ele para só para iPhone e Mac, tu vai ter que fazer, sei lá, 20 versões. Aí tu imagina cada release quanto tu vai gastar de GitHub Actions.

EWErick Wendel

Você sentiu a dor dele aqui? Essa é a experiência ele contando isso.

AKAlexandre Klostermann

Você passou, mas é porque é complexo, cara. Eu Eu trabalhei pouco com binário e distribuir binário, mas é muito ruim, cara. Interpretado é, porra, foda-se, né? Só tu entregar e tá rodando. E principalmente, talvez na parte com a quantidade de web que a gente tem, tudo é servidor. Então talvez faz sentido, o Emineto tá indo no caminho certo, fazendo tudo em Go, servidores rodam em Go, foda-se, nada de memória, foda-se. E aí os front-end que vão ter que se penar com linguagem interpretada. Mas não sei. E tu, Gabriel, qual que é a tua crise da hora agora?

EWErick Wendel

Vai ter uma RustConf da Code Coffee.

AKAlexandre Klostermann

Podia fazer trilhas por linguagem de programação, né? Que que tu acha?

GNGabriel Nunes

Aí vai ter os cara de lua, meu Deus. É todo dia alguém dando uma ideia diferente, né?

EWErick Wendel

Você já viu aquela foto? Ah, é a convenção anual dos programador porco, aí tá as cadeiras vazias.

AKAlexandre Klostermann

Brincadeira. Ou tem dois senhores, né?

GNGabriel Nunes

Pois é, cara.

EWErick Wendel

Mas eu, em geral, assim, depois dessas crises malucas que a gente vai tendo, a minha conclusão foi não tirar uma parte mais legal, que era codificar, que a gente falava, putz, é a parte mais legal. Mas eu acho que eles adicionaram uma complexidade a mais, que é um desafio que a gente tem que se ligar agora, que é essa coisa que eu acho que você até comentou, cara. Você tem 5 agentes trabalhando, cada um tá num problema diferente.

Gente, esse aqui ele não resolveu o problema direito. Aí você tá conversando com ele, daqui a pouco você percebe que o primeiro também não resolveu direito. Aí você tem que trocar o contexto. Chega no final do dia, você tá fritando a cabeça. Só que eu fritava a cabeça com código também. Eu criava um monte de abstração, genéricos aqui, chegava no final do dia, eu falei, meu Deus, onde eu tava? O que tá acontecendo? Então eu tô sentindo que esse amor de volta tá voltando para esse tipo de coisa.

Ah, cara, então olha o swerve, né, de agência que a gente consegue fazer. Então Então acho que sim, ainda tem o nosso desafio, ainda tem aquela coisa que depende sim do seu cérebro e aí não vai conseguir pegar, que é esse tipo do contexto.

GNGabriel Nunes

É, tu não acha que perdeu um pouco a graça assim de programar?

EWErick Wendel

Não, eu acho que na real é o momento que os desenvolvedores têm que tomar vergonha na cara e criar os SaaS deles, né? De verdade, eu venho falando isso há muito tempo. Eu já trabalhei com empresas aí, se sócio tiver me ouvindo aí, ó, vai para calar, que é a gente entra Aí fosse uma, eu tenho uma ideia.

?Voz D

Ah, beleza.

EWErick Wendel

Aí você ouve a ideia, você desenvolve, aí contrata time e tal, vai montando o time. Pô, empresa explodiu, você saiu com uma mão na frente, outra atrás, e o software tá lá. Tudo bem, ele chegou, investiu grana, tem, a gente entende o processo, mas por que que os devs não criam as coisas deles, né? Por que que a gente depende?

GNGabriel Nunes

Mas tu não tava falando que a gente tinha que fazer menos software? Agora tá falando que a gente tem que ter mais? Calma lá, calma lá.

EWErick Wendel

Esse software com AI generativa agora? Pode ser um plugin dentro do ChatGPT do Cláudio.

AKAlexandre Klostermann

A questão de codagem tem uma coisa que tá ficando legal, é justamente isso de tu entender novas formas de tu entregar a solução. Isso tá legal. Só que eu acho que algumas soluções elas estão bizarras. E prometo que é a última coisa, tá, Gabriel? Que tá com sono.

GNGabriel Nunes

É que o pessoal tá falando só que a gente fugiu do assunto, né? Mas foda-se.

AKAlexandre Klostermann

Cara, mas vocês só sabem o que vocês estão vendo ao vivo.

EWErick Wendel

A gente falou que era crise, o editor que faz funcionar depois, né?

AKAlexandre Klostermann

Mas uma coisa que eu acho que agora lascou é porque assim, a gente tava indo num caminho, a gente conversou sobre isso ano passado, que vai chegar uma hora que o mercado ele vai exigir de você que você faça a mesma coisa que você fazia com o Yasso consumindo menos tokens, porque tokens vão ficar caros. Aí o mercado ele deu uma cambalhota triplo carpado que ela inventou o loop. Não, ela inventou o loop. Então assim, Se a tuia não tá fazendo direito na primeira vez, faz o Roth Loop forçar e torrar token até dar certo, cara. Não faz sentido tá usando força bruta com um custo direto, cara.

EWErick Wendel

Mas vai ser muito legal ver o que que vai acontecer daqui alguns meses para ver se eu acho que essa parada de token, eu apostaria que não, não acho que vai subir o preço. Ah, por exemplo, os modelos dos open source agora que o próprio Estados Unidos tá tendo probleminha lá falando, cara, podia instalar esses negócios de graça, sim, e para todo mundo usar. Então o modelo King, esses caras aí, pelo que eu vi, quem faz esses modelos não tem acesso a NVIDIA mais poderoso que existe.

Se eles estão conseguindo fazer isso com que tem, tem, e estão diminuindo o preço, fala, eu não usei, para ser sincero, mas estão economizando, falam que é muito mais barato esses modelos. Mas aquela brincadeira, não sei se tem energia de isolação por trás, né, tem um monte de coisas que eu não tenho ideia. Mas a gente pensar que sim, tem como derrubar o preço.

AKAlexandre Klostermann

Sim, é, o meu colega fala que a gente fica aqui conversando que a gente não tem como acompanhar todas as novidades e que a gente se sente sempre um pouco atrasado porque tem muita coisa surgindo. O meu colega falou assim para mim, isso é porque a gente tá na bolha certa, porque a gente tá no meio do furacão agora. Então, mas também a gente vai sofrer, talvez ter umas crises de ansiedade e tal.

EWErick Wendel

Microsoft, vou sair do Windows e vou, o ASP.NET vai rodar no Linux. Imagina os devs do .NET, meu Deus do céu, eu ganho para suportar sempre o Windows, não vou ganhar nada.

AKAlexandre Klostermann

Quando eles lançaram o VS Code, né, cara, tipo assim, como assim eu paguei tanto tempo pelo Visual Studio, agora vai ser de graça?

EWErick Wendel

Então, cara, sempre teve o jQuery, jQuery vai morrer, cara, é o tempo todo.

GNGabriel Nunes

Mas a gente vai ter até um painel na Code Concern sobre isso. Botei o Rafael Ponte e o Mineto, dois caras que trabalham tipo há mais de 20 anos, para eles falarem sobre isso, sobre todas essas crises que já aconteceram na área e eles sobreviveram, tá ligado?

AKAlexandre Klostermann

E o Gabriel fez o gancho do tema com a Codicom, só que esse episódio vai sair depois quase, né?

GNGabriel Nunes

É, não, vai ser na semana, né? Na semana que vai sair.

EWErick Wendel

E o Elton Mineto, cara, ele foi um cara que eu fui, eu fui funessa, né? Vai dando um beijo para o cara aqui assim, ó. Eu, conta aí, mano, suas histórias. Como que era ser programador? Tanto que aí Nossa, aí, cara, é mais que o menino tem.

GNGabriel Nunes

Ele tem acho que perto dos 50 já, né?

AKAlexandre Klostermann

Não sei, espero que esteja certo, porque vai ser bem feio ele ouvir isso tendo 42, tá ligado?

GNGabriel Nunes

Não, não, eu, se eu não me engano, ele fez 50 agora ano passado.

EWErick Wendel

Não, não, mas não importa a idade, importa a experiência. Vai que ele começou com 10 anos de idade também.

AKAlexandre Klostermann

Não, tem muita gente que é fora da curva. Eu sempre falo aqui, né, que o Ramalho, o pai, pô, quantos anos o bicho tem ainda? Tem uns 60 e alguma coisa, né? E, cara, não, e o bicho é Ele pensa muito bem, né? É bizarro. Não tem essa questão de idade para essas coisas. A gente tem às vezes um preconceito, né? Falar, pô, aí tu olha para o bicho, tu fala, não, beleza, cara, preciso comer muito bicho para—

EWErick Wendel

Mas a gente percebe, tipo assim, eles dão um pouco desse nosso exemplo de adaptação. Então, por exemplo, a Yanny Grauner lá, cara, mudou o Angular. Ela sempre foi de Angular, mudou, era de Java, ela foi. E você vai vendo que o movimento é sempre o mesmo. Foram surgindo coisas, vão adaptando. O Akita agora escrevendo um monte de artigo loucamente, fazendo umas coisas, e você vê o amor ainda continua pela área. Então acho que talvez essa nossa área seja uma das áreas que dá essa sensação de pertencimento, né? Falou, pô, estamos à frente de tecnologia, né?

GNGabriel Nunes

Eu tinha até pensado numa pergunta que era, se alguém te parar agora, tipo, tu falou ali sobre início de carreira e tal, e falar, pô, Eric, tô em crise, não sei se eu quero programar mais, quero sair dessa área, O que que tu falaria para essa pessoa?

EWErick Wendel

Eu falaria que depende sempre.

AKAlexandre Klostermann

Calma, eu sou sênior, então depende.

EWErick Wendel

Porque uma coisa, acho, aí eu vou até te fazer uma pergunta, deixa no ar. Mas o que eu percebo é, as pessoas querem sucesso, mas elas não querem o trabalho.

AKAlexandre Klostermann

As pessoas querem salário, mas não querem alabuta.

EWErick Wendel

Exato. Aí teve uns influenciadores aí, não, programação é muito louco, 6 meses aí você estuda, você tá ganhando R$8.000. Isso é verdade? Eu fiquei refletindo de novo, né, pé no chão.

AKAlexandre Klostermann

Em 2020, do mês 6 até 21, mês 4, eu acho que foi. Não é, mas eu acho que foi.

GNGabriel Nunes

Exatamente.

AKAlexandre Klostermann

Mas eu não ia ter esse período, eu acho que foi, mas acabou.

EWErick Wendel

É, só que o ponto é, se você, com a sua experiência que você tem hoje, pegasse um iniciante, completo iniciante, colocasse aqui, você acha que 8 horas por dia Você não daria uma experiência para ele construir software? Então assim, não é impossível, mas você não pode tirar a exceção como a regra. Então eu sempre falo isso para as pessoas, cara, você tem que estar disposto. Eu perdi todos os amigos, perdi namorada na época, eu ficava lendo livro aqui, ó, no busão.

E aí hoje em dia o pessoal chega e fala, nossa, é mó fácil sua vida, né, cara? Tá ganhando bem, tá só colhendo. Falei, é, cara, mas eu já dormi embaixo de mesa de escritório, trabalhei sem, sem ganhar hora extra. Cara, tem tanta coisa que a gente vai passando Que a gente vai refletindo, por que raios eu me submetia para essas coisas, né? Mas é o caminho, né? Faz parte do caminho. E aí é aquela coisa, às vezes é aquela coisa do dia a dia de trampo, né?

Não funciona, não funciona, não funciona, funcionou, mudou o erro. Meu Deus do céu! E aí você volta para casa, meu Deus, teve uma evolução! O que que aconteceu? Não sei ainda, amanhã eu vou ver.

AKAlexandre Klostermann

Então isso é bizarro, isso é doido, né? É muito, é muito gostoso. Eu tava em casa fazendo um negócio que eu tava de home um dia. E aí, cara, eu tinha que pegar as crianças na escola e eu atrasando para ir pegar as crianças porque eu não tava conseguindo resolver. Eu falei, tá, foda-se, eu vou lá buscar. Fui buscar, cheguei em casa, falei, preciso de computador, já sei como resolver. Puta, cara, isso é um tesão assim absurdo, né?

EWErick Wendel

Nossa, cara. Então assim, é aquela brincadeira, você tá disposto a pagar o preço? É a primeira pergunta para todo mundo que fala comigo, falou, cara, É difícil para todo mundo. A gente que tá mais velho, a gente falando, tipo, cara, tá difícil para gente, não vai estar difícil para quem tá começando agora que tá acessível? Vai estar difícil. Mas é uma teoria, na minha opinião, que não é de programação, é, cara, com o cara que você for, você tem que achar uma forma de se diferenciar da multidão, ir para os eventos certos, fazer estratégia, porque senão não chega em lugar nenhum, né? Isso funciona para tudo.

AKAlexandre Klostermann

É isso.

EWErick Wendel

Olha o coach agora, velho.

GNGabriel Nunes

O cara vende curso, né? Aí é foda.

EWErick Wendel

Agora no meio do curso, vira pós-graduação.

GNGabriel Nunes

Assine a pós-graduação. Mas então é isso, é isso, encerramos essa live, essa primeira versão do Escovando Bits online.

AKAlexandre Klostermann

Confortável essa cadeira, Gabriel?

GNGabriel Nunes

Confortável, né?

AKAlexandre Klostermann

Confortável essa cadeira, gostei dela. Mas eles são patrocinador do YouTube só, mas hoje tá ao vivo, mas hoje tá ao vivo.

GNGabriel Nunes

Não, não.

AKAlexandre Klostermann

O Gabriel não dá patrocínio de graça nem, nem deixei limpar os mensagens.

GNGabriel Nunes

A gente gravando aqui com, não, eu brinco com a galera da Code Comproca que eu tô todo patrocinado, né? A gente tá gravando aqui, ó, a webcam MX Brill da Logitech, cadeiras da Elements. Que mais que tem?

AKAlexandre Klostermann

O teclado da Logitech que tá ali, mas que desligou.

GNGabriel Nunes

Logitech, cara, tem que aprender a falar certo.

AKAlexandre Klostermann

Eu não sei qual que é o certo. Qual que é o certo? Logitech. Então tá, Logitech.

GNGabriel Nunes

Então muito bom. E a gente tá com pessoas da Codicom Pro que também são patrocinadoras aqui, né, no chat, falando que aqui, ó, boa noite, bancada, tô aqui na Legendas, Alagoinhas, Bahia. Caraca, o Lucas não falando 10 anos e não tô ganhando. Acho que sobre os 8, dos 6 meses.

AKAlexandre Klostermann

É bom, aí não sei o que fazer.

EWErick Wendel

Aí tem que ir para conversa com o guarda.

AKAlexandre Klostermann

É, vai lá na CodiCom e conversa com o Gabriel, ele pode arranjar um emprego.

EWErick Wendel

É isso.

GNGabriel Nunes

Você escutou o Escovando Bits, podcast da CodiCom. Siga a CodiCom. Eu tenho câmeras agora, os caras vão me pegar. Siga a CodiCom nas redes. É que quando tem o David aqui, né, olha para ele, ele tá contando para mim, tá ligado? Siga a Codicon nas redes sociais, assine nossa newsletter e participe dos nossos eventos, hein? A gente volta daqui a 15 dias. Valeu, até a próxima!

EWErick Wendel

Valeu! Esse podcast foi editado pela BZT.

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