Episódios de escovando bits

#88 - Por que a maioria dos devs sêniors são péssimos mentores

23 de julho de 202640min
0:00 / 40:36

Experiência e capacidade de ensinar nem sempre andam juntas. Vamos discutir por que alguns devs sêniores acabam falhando como mentores e como criar uma cultura de aprendizado que funciona.

Apresentado por: Gabriel Nunes, Alexandre Klostermann e Galeno de Melo

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Edição: BZT Áudio


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Participantes neste episódio4
A

Alexandre Klostermann

Host
G

Gabriel Nunes

Host
G

Galeno de Melo

Host
G

Gustavo Ferrati

ConvidadoEngenheiro de machine learning
Assuntos6
  • Desafios de criadores de conteúdoDiferença entre habilidade técnica e didática · Incentivos e progressão de carreira (carreira em Y) · Falta de treinamento em ensinar · Paciência e escuta ativa · Comportamentos negativos (ex: 'é óbvio', 'vai ler a doc')
  • Mentoria e Aprendizado com ExperientesAprender a fazer perguntas · Foco no 'porquê' em vez do 'o quê' · Criar ambiente seguro e sem julgamentos · Acompanhamento e feedback contínuo · Pair programming e colaboração
  • Feedback e Cultura OrganizacionalComentários construtivos em Pull Requests (PRs) · Evitar comentários genéricos e vagos · Playbooks e boas práticas de engenharia · Liderança no desenvolvimento de habilidades de mentoria
  • Mercado de trabalho e senioridadeObrigação de mentorar e ensinar · Escalas de carreira e níveis de senioridade · Contribuição para o crescimento da equipe · Soft skills e progressão para staff/arquiteto
  • Arquitetura e Ferramentas de SoftwareDisponibilidade de material de estudo · Documentação de ferramentas (Terraform, Kbricks) · Cursos e Plataformas de Aprendizado · Implementação prática e projetos pessoais
  • Jornada Pessoal ProfissionalValor da mentoria individual · Diferença entre mentoria e venda de serviços · Mentoria para grupos específicos (mulheres na tecnologia) · Importância de referências técnicas e empatia
Transcrição103 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
GDGaleno de Melo

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GNGabriel Nunes

Olá, você está escutando Escovando Bits, o podcast da Codicom. Eu sou o Gabriel e eu nunca Ainda cheguei na fase de ser sênior para dar feedback para um júnior.

AKAlexandre Klostermann

E aí, galera, aqui é o Alexandre, eu sou um péssimo mentor.

GDGaleno de Melo

E aí, galera, aqui é o Galeano, e mandar ler a documentação não é ser mentor.

AKAlexandre Klostermann

Até que enfim alguém falou isso, cara. Devia ser tatuado em algum lugar.

GDGaleno de Melo

Cheguei lacrando.

GNGabriel Nunes

Cheguei lacrando. Mas beleza, a gente vai só para o nosso intervalo comercial e já volta. Perguntas sobre arquitetura e engenharia, só que de software. Neste quadro trazemos um especialista do Asas para tirar dúvida dos devs quando o assunto é arquitetura e engenharia de software. Neste quadro trazemos um especialista do Asas para tirar dúvidas de devs quando o assunto é arquitetura e engenharia de software. Hoje estaremos aqui com Gustavo Ferrati, engenheiro de machine learning, para nos ajudar a sanar as dúvidas que recebemos.

Infraestrutura como código aparece em todo roadmap de sênior mais, mas conteúdo aprofundado é raro. Qual é o caminho real para dominar isso?

?Voz D

Já tem bastante coisa, mais acessível, né? Então essa sensação de raridade muitas vezes ela vem mais por a gente não saber onde olhar, com que fóruns se comunicar, né, do que talvez uma escassez de material em si, né? Eu vi muito material sendo publicado recentemente, assim, principalmente livros da Aurélie, né, especializados em IAC, né? As próprias documentações das ferramentas, elas estão cada vez mais ricas assim, com vários exemplos de uso e tal.

Então se a gente pegar a documentação ali do Terraform ou da Kbricks Asset bundles, né? Esses são materiais bem densos, muito bem construídos, né? Com bastante fluxo de revisão. E tem várias plataformas, né, que oferecem cursos também. Então, o pessoal ali, né, da Linux Foundation, o pessoal do Estudante DevOps, Linux Tips. Então, é uma galera que acaba ajudando você descomplicar, né, esses fluxos de IaC. Obviamente que assim, tudo isso que eu tô falando depende da profundidade, né, que você tá querendo.

Então, existe um teto sempre que o livro vai conseguir cobrir o curso, né? E a partir dali, você chega num patamar às vezes que você precisa mergulhar mais fundo, né? E aí eu acho que só tem uma forma de aprender, que é basicamente implementar, né? Você faz um projetinho seu, quebra a coisa, olha o repositório de referência. E aí é o mesmo raciocínio assim que eu acho que dá pra você usar pra aprender arquitetura, pra aprender várias outras coisas, né?

Que não é tentar fazer as coisas na base da decoreba, né? Ou na base do conteudismo, né? É pensar num problema real que você resolver. E aí se aprofundando cada vez mais assim, porque isso vai ser um movimento natural para você, né, se aprofundar em recursos específicos da solução que você tá desenvolvendo, né.

GNGabriel Nunes

O Perguntas de Engenharia e Arquitetura, só que de software, é patrocinado pelo Axios. Acesse o link na descrição do episódio para saber mais sobre as vagas disponíveis para a área de engenharia de software. Estamos de volta e você que tá escutando o nosso podcast hoje, a gente tem pauta, né? Semana passada a gente não teve pauta. Semana passada não, semana retrasada a gente não teve pauta. Dessa vez a gente tem pauta e a pauta é: por que devs sêniores são péssimos mentores?

Não, por que a maioria dos devs sêniores são péssimos mentores? Desculpa, não são todos, alguns, a maioria. E outra coisa que eu já queria lançar aqui no começo do episódio, que eu tô empolgado, é que provavelmente quando esse episódio for ao ar, o aplicativo da CodeCon já tá com o CodeCode desabilitado.

AKAlexandre Klostermann

Então deixa eu começar.

GNGabriel Nunes

Se você vai na CodeCon Summit, você já consegue começar a resgatar alguns pontos. E tem pontos, né? Agora a gente tem badges no lugar de pontos. Se você viu o nosso, como que é, o nosso reality show lá que o Alexandre participou.

AKAlexandre Klostermann

O reality show que foi ao ar pela metade.

GNGabriel Nunes

Reality show que foi cancelado, como todo reality show, né? Todo reality show cancela.

AKAlexandre Klostermann

A produção cancelou no piloto.

GDGaleno de Melo

Pior que teve mais audiência que A Casa do Patrão, né, cara?

GNGabriel Nunes

Mas assim, vão ter badges. Então uma das badges que a gente criou é a do podcast, para os ouvintes do podcast. Se você vai na Code Consult, você escuta o podcast, a palavra que o Alexandre falar agora vai ser o código que vai desbloquear uma badge de podcast. Fala aí.

AKAlexandre Klostermann

Papibaquígrafo.

GNGabriel Nunes

Puta que pariu, né?

AKAlexandre Klostermann

Repetindo, papibaquígrafo.

GNGabriel Nunes

Eu nem sei escrever isso.

AKAlexandre Klostermann

Aplicação numa frase. Tomara que quase ninguém saiba também.

GNGabriel Nunes

É, deixa eu anotar aqui. Palavra.

GDGaleno de Melo

Anotar não, vai pesquisar primeiro, né? Para ver como é que escreve.

AKAlexandre Klostermann

É, não escreve errado, tá?

GNGabriel Nunes

Não, não, eu pesquisei aqui.

GDGaleno de Melo

Tá, então era só meu código errado.

GNGabriel Nunes

É, eu posso colocar o código errado, então tu vai ter que digitar a palavra errada para resgatar. Imagine como eu escreveria errado essa palavra e resgate ela. Mas é sem acento, tá? Eu sei que tem acento nas palavras, mas não tem acento no código.

AKAlexandre Klostermann

Ah, tá. Então tá, fechou. Mas beleza, é case sensitive, porque eu não sei se eu falei capitalize ou não.

GNGabriel Nunes

Não, é tudo, tudo em caixal, tá?

AKAlexandre Klostermann

Tudo em caixal.

GNGabriel Nunes

Voltando então sobre o tema, O que que a gente pode falar sobre isso? O que que vocês veem na cabeça quando vocês ouvem essa frase? Por que a maioria dos devs sêniores são péssimos mentores?

GDGaleno de Melo

Cara, acho que a primeira coisa que me vem na cabeça é que um cara que é muito bom tecnicamente, ele não necessariamente vai ser um bom professor, sabe? Eu tinha professores nos cursos, cara, que eles eram muito fodas assim fazendo as coisas deles. Eram caras que trabalhavam no mercado assim há um tempo já. Eles eram muito bons fazendo o que eles faziam assim, mas Na hora de ter aquele molho de professor assim, né, o cara não tinha assim, não tinha didática pra explicar pensamento.

Ele era muito inteligente, ele sabia resolver qualquer problema que tu jogasse pra ele, mas na hora de transmitir conhecimento ou de explicar o que ele tava fazendo, o cara não tinha tato nenhum assim. Então acho que esse é o primeiro ponto que eu queria jogar aqui, né, o fato de você ser um bom técnico não te faz um bom professor não.

AKAlexandre Klostermann

Eu ia colocar bem nessa linha, porque a gente tem um problema de incentivos, eu acho, né. Então, dependendo do lugar onde tu trabalha e da carreira onde tu tá, nem sempre tu consegue ter uma carreira em Y, ou sei lá que outras vertentes a gente teria. Então, às vezes tu pega um cara que é muito foda, que tem um output técnico super bom, e aí esse cara tu vai capacitar, quer dizer, tu vai promover ele, vai colocar ele às vezes num cargo de liderança de pessoas, esperando que ele seja um bom mentor das outras pessoas e tal, mas nem sempre É o perfil da pessoa, né?

Então eu acho que aqui tem duas coisas, que tem essa questão da promoção incorreta, no sentido de tu levar o cara para um cargo de liderança de pessoas, e ou que pelo menos seja esperado por parte dele de que ele ajude outras pessoas, e ele talvez não tem esse perfil. Mas acho que também tem aquela questão assim, qual foi a última vez que alguém te ensinou a ensinar, sabe? Eu acho que, cara, eu lembro quando Eu tive a sorte de dar aula durante muito tempo e os meus professores, eles não me ensinaram a ensinar, eles me ensinaram a ser técnico e eu gostava de ensinar e sei lá, por algum motivo eu gostava de apresentar trabalho e tal.

Então fui criando essa maneira de tentar explicar as coisas. Mas quando eu comecei a dar aula, cara, eu era bem ruim em ensinar assim. Eu tinha aqueles vícios de professor que era tipo, ah, vamos pegar pesado, provas difíceis, porque foi assim que foi comigo, sabe? Então acho que aí tem um ponto que é, não sei o quanto as pessoas estão preparadas a ensinar os outros a ensinar. É a consequência disso, é um monte de gente que não, que é um péssimo mentor assim, que não sabe explicar as coisas.

GDGaleno de Melo

Mas até sobre isso assim, tipo, o que que tu acha que é ensinar a ensinar? O que que é esse, essa mão de professor, não sei, que tipo que a pessoa tem assim? Na minha cabeça é paciência, sabe? Eu acho que A primeira virtude de quem sabe ensinar é ter paciência com quem tá começando.

AKAlexandre Klostermann

É, então, aí a gente entra num lugar onde pra mim é bem custoso, né? Eu sempre tive muita dificuldade de ensinar o básico do básico do básico, assim. Então, quando eu pegava uma disciplina que eu tinha que dar aula, eu sempre partia, no começo, né? Eu partia do princípio de que quem chegava lá tinha que ter todo o background necessário pra aquela disciplina, né? Ou no máximo uma introdução rápida ali pra poder dar seguimento nas coisas.

E depois de um tempo eu vi que isso não funcionava muito bem, né? Que tu sempre tinha que primeiro entender onde que as pessoas estavam pra depois então tu começar a ensinar algo novo. Então eu acho que não é— aí voltando um pouco atrás, eu acho que não é só paciência. E eu acho que é possível tu ensinar as outras pessoas a ensinar. E acho que a primeira coisa que tu pode fazer é tentar ensinar as pessoas a ouvir o que o outro tá tentando dizer.

Porque, cara, acho que meio que ensinar de maneira geral, todo mundo que é meio que do mundo open source assim, de maneira direta ou indireta, tá meio que a fim de contribuir, né? Não é assim uma dificuldade absurda, todo mundo tá meio que assim, ah, cara, eu tenho uma lib aqui, dá uma olhada lá, né? Mas acho que na maioria das vezes a gente não tá muito a fim de escutar qual que é a dúvida do cara para então poder tentar dar o pitaco no lugar certo, sabe?

Aquele negócio de tu ser meio que o patinho de borracha, só para o cara falar contigo ele nem vai precisar da tua ajuda. Só o fato de tu ouvir já é um bom caminho. Tem a ver com paciência? Eu acho que tem. Mas se a gente conseguir passar um pouco disso de, ó, cara, acho que o primeiro passo é tu parar e ouvir a pergunta de quem tá tentando tirar uma dúvida. Não só a pergunta, mas cavoca um pouco mais, entende qual foi o caminho que ela chegou pra até chegar a você e tentar tirar uma dúvida. Acho que esse pra mim é o primeiro passo de ensinar a ensinar, é meio que isso.

GNGabriel Nunes

É, eu tava pensando também sobre o o caso de realmente todo sênior precisa saber ensinar? Esse tipo, isso é um papel do sênior, é mentorar e ajudar os júniores? Vocês acham que isso é uma obrigação dos sêniores?

GDGaleno de Melo

Depende, eu não sei, acho que depende da empresa de fato assim. Pelo menos no Axios ali, isso é meio que um requisito para você virar sênior. Eles têm bem definidos assim, né, nas escalas de carreira, nos níveis de senioridade e tal. O júnior é a pessoa que tá aprendendo a fazer, o pleno ele já consegue fazer, já tem um pouco mais de autonomia, o sênior ele tem total autonomia, mas ele também contribui pros outros ainda conseguirem ter a sua autonomia.

Então, o júnior geralmente tá junto de um sênior, ele não faz as coisas sozinho, tem um sênior que tá ajudando ele a fazer as coisas. E a ideia é que esse júnior cresça, né? Ele não vai ficar como júnior por 10 anos, porque enfim, não faz sentido. Então, acho que inerentemente o sênior tem que saber ensinar. Se a empresa não exige isso dele, ou porque você fala do departamento dele pequeno. Eu acho que se tu quiser o próximo, a próxima etapa na tua carreira técnica ali, virar um staff, alguma coisa assim, arquiteto, isso vai passar pelo processo de você saber ensinar os outros a fazer as coisas.

Porque quando você cresce para arquiteto, para staff, você acaba lidando muito mais com os outros e você tem que ajudar a evoluir esses outros. Então eu vejo que é algo inerente à senioridade, sabe? Se você se tornou um sênior só por ser muito bom tecnicamente assim, acho que falta essa soft skill de saber ensinar para você poder continuar progredindo na sua carreira. Senão você vai ficar, você vai só saber entregar coisas, você não vai saber lidar com pessoas.

AKAlexandre Klostermann

É por isso, acho que é bem nisso que eu falei, depende justamente nesse caso, né? Porque, cara, eu também acho que faz parte do papel de alguém que tem uma senioridade maior contribuir com os demais, né? Evoluir times, eu acho que evoluir a equipe faz muito parte do que tu, do que é o teu trabalho. Mas ao mesmo tempo, cara, eu acho que podem existir situações onde isso não é obrigatório ou mandatório. É que a gente acaba falando muito em equipes que têm squads definidos, né, que tem uma curva de crescimento, que as empresas têm um plano de carreira definido e tal.

Mas, cara, acho que dependendo do que a gente for fazer, obviamente em algum momento esse cara vai ter que conversar com pessoas. É que eu não tô dizendo dele não se comunicar, tá? Eu tô dizendo sobre não necessariamente ele ter que ser um mentor para os demais, no sentido de tirar dúvidas o tempo inteiro. Eu acho que existem áreas em que isso às vezes pode não ser tão necessário, né? Eu digo, isso pode não ser uma skill necessária para que ele seja considerado um sênior.

Então algumas empresas em que tu vai, sei lá, fazer um software de engenharia muito específico, ou que o teu conhecimento técnico ele se mistura um pouco com o conhecimento técnico da ferramenta que tu tá fazendo, ou que a complexidade do que tu faz às vezes é muito alta, por mais que seria um dever teu ensinar, às vezes tu nem tá em nem tá numa equipe que permite fazer isso, sabe? Então acho que existam talvez em alguns lugares trabalhos que são mais, entre aspas, muito técnicos, escovar bit de verdade.

E aí às vezes isso não necessariamente é uma skill necessária para o lugar onde tu tá. Agora, o que tu colocou, Galena, para mim é a chave do negócio. Se você quer continuar evoluindo, né, e você quer seguir numa determinada carreira, aí sim eu acho que isso é um pré-requisito, sabe? Mas eu não acho que ser sênior igual a Necessariamente você precisa saber ensinar. Acho que é muito desejado, muito desejável, né, para uma carreira.

Mas acho que para o dev depende muito do lugar onde ele tá, né. Mas eu preferia que soubesse.

GDGaleno de Melo

É obrigatório, não é, né. Mas acho que vai um pouco também de respeito pela tua própria história, sabe. Como quem começou júnior, alguém provavelmente ensinou até você chegar no nível de sênior que você tá. Provavelmente, né, pode ser que não tenha acontecido, pode ser que você escalou o negócio todo sozinho ali. Mas acho que da mesma forma que você precisou de alguém te ensinando, assim, tem quem vai precisar que você ensine as pessoas, né?

AKAlexandre Klostermann

É assim, não sei, não sei vocês, mas tipo, para mim tem aquele cara, tipo aquele cara que é sênior e a resposta dele é sempre isso é óbvio, depende. Não, depende, ok, né? Mas tipo aquele, o isso é óbvio, tipo, cara, tu vai lá, pergunta alguma coisa, o cara Porra, parece que esqueceu que ele tá indo no Senar pra aprender. E aí ele fica fazendo as pessoas terem vergonha de perguntar. Tipo, o cara vai lá fazer uma pergunta idiota, em vez de tu falar assim, não, não, cara, não tem pergunta besta.

Tu fala, não, cara, essa pergunta foi muito idiota. Aí tu estraga todo o rolê, né? E tem o que tu falou também, né? Vai ler a doc. Vai ler a doc, acho que é a pior resposta que pode ter. Porque acho que não parte daquela premissa que eu tinha comentado no começo, que é tentar ouvir qual foi o problema do cara. Porque a gente parte do princípio, claro, nem todo mundo vai ter lido a doc, mas a gente parte do princípio de que uma pesquisa mínima a pessoa fez.

Mas caso ela não tenha feito, acho que a primeira pergunta pro cara é assim, tá, mas o que que tu já sabe que te chegou até, que te fez chegar até aqui pra gente tá conversando? E se o cara falou, não, eu nem li ali a doc, daí tu fala assim, então, cara, acho que é legal tu sempre dar uma olhadinha antes pra gente poder se aprofundar um pouco pra poder ir pra uma conversa, mas essa não é a tua resposta única, né? Então acho que esses dois perfis do óbvio e do vai ler a doc, puta, cara, é muito irritante.

Eu sofri com isso. Eu comecei a usar Linux quando eu era novo e eu me espelhava muito num cara que estudava comigo. E cara, na época Debian era considerada uma distribuição fácil porque usava empacotamento. Esse meu conhecido usava Slackware. Por quê? Porque era difícil, só por isso. E aí, cara, toda vez que eu perguntava alguma coisa pra ele, ele falava assim, cara, vai ler, eu aprendi sozinho. Daí eu tipo, Porra, velho, se eu quisesse essa resposta, eu não tava falando contigo, né, cara? Então era foda.

GNGabriel Nunes

Eu ia perguntar também o que que um pleno que está aspirando a ser sênior e nunca parou para pensar como mentorar de uma forma melhor pode fazer para, sei lá, ou começar a fazer isso ou aprender como fazer isso de uma forma melhor, ler algum livro, é Não sei, começar a tentar fazer um bom mentor, ter um bom mentor, ler a doc dos mentores.

GDGaleno de Melo

Isso, eu acho que o ponto do Alexandre é ouro assim, quando a gente diz que você tem que começar a conversar mais com os outros assim. E acho que talvez o mais importante nesse caso seja aprender a fazer mais perguntas do que afirmações, sabe? Você, a questão é o pleno começar a se tornar um mentor, né? Então a ideia é que ele comece a ter menos, não que ele deixe de ter certezas, às vezes ele tem certeza do que ele tá falando ou da decisão que ele tá tomando, mas eu acho que ele tem que saber fazer perguntas pra que a pessoa com quem ele tá conversando chegue na mesma conclusão que ele, entendeu?

Então, sei lá, eu quero resolver um problema de cache e tipo assim, cara, você sabe que, sei lá, a solução vai ser um Redis. Aí você começa a fazer pergunta pra pessoa assim, tipo, ah, você já chegou a dar uma olhada em banco de dados, coisas que são mais específicas pra isso? Aí você vai começando a conversar com a pessoa até ela chegar na mesma conclusão que você. De forma que tipo ela soube o caminho, soube traçar o caminho para chegar naquela resposta, sabe?

Então acho que você sabe fazer perguntas é a melhor forma de você ensinar alguém a crescer assim, a buscar conhecimento de uma forma igual o Etebilu, né?

GNGabriel Nunes

Busque conhecimento, busque conhecimento.

AKAlexandre Klostermann

Mas isso é uma coisa que eu acho que é bem legal, né, cara? Eu lembro que eu conheci uma pessoa que era da comunidade Python e que eu não vou trazer o nome só para não puxar o saco muito.

GNGabriel Nunes

Falei, falei agora, falei agora.

AKAlexandre Klostermann

Não, já participou aqui do podcast. E uma das coisas que eu achava mó legal é que assim, às vezes eu chegava no grupo, tinha algumas dúvidas que eram bem, sei lá, a galera perguntando coisas avançadas e tal. Às vezes eu abria um tópico assim e a primeira resposta era de alguém impaciente, mandava um link do Google, sabe aquele link do Google que já vem com a pesquisa preenchida, que tu mandava só zoando, que não era o site do Google em si, era um site abrindo o site do Google com a pergunta que tu fez só para ter animação de tu clicar.

E aí sempre tinha alguém que respondia aquilo assim. E aí eu lembro que às vezes eu recebi uma resposta no privado assim Tá, mas e aí, o que que tu já fez para chegar até aqui, né? Ah, então eu tentei isso, isso, isso, isso. Mas tu conhece tal coisa? Pô, não conheço, cara. Daqui a pouco eu vou falar, meu, acho que eu descobri um jeito de sei lá o quê. Daí o cara, por exemplo, assim, é isso aí que eu tava tentando te ajudar, é isso que eu usaria.

Daí eu tipo, cara, o bicho me fez seguir uma linha de raciocínio para poder tentar chegar na resposta. Então, porra, velho, para mim isso daí é o ouro assim da mentoria, do cara que Que ele não tá lá pra te dar a resposta. Porque também às vezes é muito fácil, né, cara? Ô, como é que eu faço isso daqui? Daí o cara fala assim: assim, ó, dá uma vomitada no teu teclado, vira as costas e vai pro lado. Tu continua não entendendo, né?

Então, cara, no Python tem um negócio, eu não sei se vocês já mexeram, que chama list comprehension. E a única coisa que não tem de fato é comprehension, porque ela é incompreensível, assim, é bem ruim de entender. Mas aí, pô, eu tentei durante muito tempo aprender a fazer isso de uma maneira decente, assim, só pra que não fosse pra deixar o código mais curto. E todo mundo fala, não, é assim que faz, expressão regular. Vocês já conseguiram um bom mentor de expressão regular pra vocês?

GDGaleno de Melo

Não, acho que ninguém entende dessa forma.

GNGabriel Nunes

Tinha um cara que tentava me ensinar, mas eu nunca consegui aprender. Eu acho que eu era um mau estudante mesmo.

AKAlexandre Klostermann

Não, não, acho que não, cara, ninguém entende direito assim. As pessoas, elas sabem uns 4, 5 macetes.

GNGabriel Nunes

Não, mas é que eu trabalhei com um cara que ele realmente, ele entendia o regex. E era incrível assim, às vezes eu precisava fazer, eu mandava pra ele. E ele me retornava, assim, tipo uma IA, só que era um humano, né, na época que não existia IA.

AKAlexandre Klostermann

Tu não tem a sensação de que caras que sabem regex, eles usaram 100% da sua capacidade cerebral para aprender regex e eles não conseguem fazer mais nada?

GNGabriel Nunes

Eu acho que acabou o lance.

GDGaleno de Melo

Esse cara, ele era muito foda, usou todos os tokens da cabeça dele só para armazenar regex.

AKAlexandre Klostermann

Não, cara, eu lembro que uma vez eu cheguei para um cara, não sei se o cara que tá falando é Rubens, é Gabriel?

GNGabriel Nunes

Cara, é pior que eu não lembro o nome dele, mas acho que não era Rubens.

AKAlexandre Klostermann

Ah, beleza, porque se for Rubens, a gente tá falando do mesmo cara. Eu lembro que uma vez eu cheguei eu pedi para um cara, falei assim, ó, eu preciso fazer uma validação assim, assim, assado, eu preciso garantir que nos 2 últimos dígitos sejam assim e tal. O cara abriu o teclado e começou a escrever a regex. Eu falei, não, não pode, tu já sabe esse, né?

GNGabriel Nunes

Ah, mas é tipo aprender uma língua nova, né? Tipo isso.

AKAlexandre Klostermann

Caraca, velho. Daí eu falei assim, não, e no fim tem que terminar com, como é que era, tinha que terminar com ponto de exclamação. Daí ele, mas por que que não só põe? Não, porque não pode colocar o ponto de exclamação, porque significa um negócio. Então tem que, eu não. Não, tu não tem tudo isso na tua cabeça, cara.

GDGaleno de Melo

Aí tu mostra um reject no teu celular, ele tô digitando 90 chamando a polícia, porque 90 cifrão, porque ele acabou o número.

AKAlexandre Klostermann

Não sei se também eu tinha levantado aqui alguns pontos assim de tentar lembrar alguns perfis, né? Porque quando a gente falou assim que por que que todo sênior às vezes é um mau mentor, ou a maioria, né? E aí eu anotei uma coisa que para mim eu ouvi bastante, que era tipo, ah, cara, na minha época era tudo na unha, a gente tinha que fazer as coisas de tal modo. Daí tipo, porra, velho, sério, se a gente continuasse na época de quem te ensinou, a gente tava no cartão perfurado, sabe? Vamos trocar esse discurso para tentar facilitar um pouco a vida da gente.

GDGaleno de Melo

Isso não é bem uma forma de ensinar, né? Isso é jogar o júnior na fogueira e ver se ele sobrevive, basicamente.

AKAlexandre Klostermann

E o comportamento complementar disso é aquele cara que ele é o ladrão de tecladinho assim, né? Tu começa Falar, o cara pega o teclado pra si, ele digita o código e te coloca no teu lugar. Daí tipo, porra, velho, conseguiu mais um insucesso na tua vida de mentor, né?

GDGaleno de Melo

Mas acho também, às vezes vem do ambiente meio tóxico, né? Que nem tu falou, né? Antigamente a gente fazia assim. Então pode ser que, sei lá, às vezes a cultura da empresa que o cara tava não favorece esse tipo de coisa. O cara comete um erro, toma bronca, sabe?

AKAlexandre Klostermann

Pra mim, acho que entra no principal ponto do porquê as pessoas são ruins, porque eu acho que tem muito mais a ver com cultura de onde o cara tá. É aquilo, acho que é um pouco da questão dos incentivos errados, de, sei lá, tu priorizar o teu, a tua métrica de evolução é linhas de códigos, é story points, sei lá, é commit, sabe? Em vez de colocar, sei lá, quantos júniores tu fez subir para pleno, sabe? Quantas pessoas tu conseguiu identificar talento, ou tipo, cara, é aquele negócio de às vezes tu realmente tem uma capacidade um pouco maior de entender problemas complexos, Mas ninguém te disse que é importante tu explicar pra pessoa o básico também, sabe?

Então... E um outro ponto que eu vejo que sempre acontece e que eu notei muito ao longo do tempo é aquele cara que ele não quer perder às vezes uma vantagem competitiva que ele tem. Então ele acha que se ele não explicar, ele vai conseguir manter o trabalho dele por mais tempo.

GDGaleno de Melo

Não tá criando concorrentes.

GNGabriel Nunes

Quanto menos sêniores tiverem, mais sênior eu vou continuar sendo. É! Tipo isso.

AKAlexandre Klostermann

Que com o Cláudio isso morreu, né?

GDGaleno de Melo

Pô, mas isso até é meio engraçado, né? Agora tu falou do Cláudio, né? Até o Cláudio elogia outras perguntas.

AKAlexandre Klostermann

E o teu mentor não?

GDGaleno de Melo

O teu mentor não. Acho que é mais fácil o Cláudio substituir o sênior que não sabe mentorar do que um júnior, só que ele é mais simpático.

AKAlexandre Klostermann

Parabéns, um if com igual só é uma ideia que quase todo mundo tem.

GDGaleno de Melo

É um erro muito comum.

GNGabriel Nunes

E esse rolê de pessoas fazerem mentorias fora assim do trabalho? Assim. O que que vocês acham, tanto quem participa quanto quem dá esse tipo de mentoria assim? Vocês já participaram?

GDGaleno de Melo

Cara, eu queria participar de uma mentoria para ver como é que é assim. Eu não tenho muita ideia do que que as pessoas falam nessas mentorias, para ser bem sincero, mas eu consigo enxergar algum valor assim, porque já aconteceu umas 3 vezes de no meu trabalho devs mais júnior, quando estavam em algum momento de transição de carreira ou quando estavam mais inseguros assim, me chamarem para falar sobre, para pedir dicas mesmo assim.

Mas aí era um ambiente mais fechado, né? Tipo, ah, dentro da mesma empresa, contexto da empresa, eles queriam entender mais ou menos o que que eu fiz pra chegar onde eu tava, coisas assim. E tipo algumas dicas às vezes não tão práticas, mas eu consigo ver o valor assim. Eu confesso que eu não sei direito o que que essas outras mentorias fazem. Eu vejo gente muito boa oferecendo mentoria, então acho que deve ser muito legal, sabe?

AKAlexandre Klostermann

Cara, eu também, eu nunca fiz, mas velho, eu tenho certeza que se tu pega algumas pessoas de referência, não tem como dar errado. Sabe? Porque tipo, pega as pessoas que são referências técnicas que tu tem e pensa o quão seria bom tu poder gastar 45 minutos, sei lá, conversando com ela sobre algum problema da tua vida, da tua carreira ou da tua empresa. Não tem dúvida de que é bom, cara. Quando eu trabalhava no coworking uma época e tinha umas pessoas lá que eu achava muito inteligentes assim, e era aquela pessoa que se ela tava no café, eu via que ela tava disposta a falar, eu desmarcava minha próxima reunião só para poder ficar mais meia hora naquela conversa.

Mas não porque eu ia ganhar algo, sei lá, ou porque uma questão política, era só pelo aprendizado de poder entender como aquela pessoa pensava, sabe? Então eu nunca fiz mentoria diretamente, de contratar um mentor para alguma coisa nesse sentido, mas acho que indiretamente a gente faz mentoria direta quando a gente chega em alguém que às vezes é uma referência, ou que a gente sabe que é bom em alguma coisa, e vai lá para trocar uma ideia.

Então eu penso que não há vergonha nenhuma. Eu acho que o que a gente tem é, como tudo, né, Gabi, a gente tem, que tu adora, os SaaS novos que a gente tem por aí. Tem uma galera que tá vendendo mentoria, mas na verdade nem sei se ela tem capacidade de mentorar alguém. Aí acho que é outro problema do que a gente tá falando. Mas não é porque a gente tem essas pessoas vendendo essas mentorias que o fato de tu fazer uma mentoria com alguém que é referência não compense, né?

GDGaleno de Melo

Então, sim, até porque tem alguns ramos da mentoria ali que parece bem importantes assim, né? Tipo, não é meu lugar de fala, né, mas até eu vejo muita mulher na tecnologia oferecendo mentoria para outras mulheres. E aí eu penso, né, tipo, já mentorei meninas, trabalhavam comigo ali, e a gente chegava nesse assunto de síndrome do impostor por ser mulher, um ambiente muito masculino, etc., etc., etc. Então eu imagino que tem ramos ali da mentoria que de fato deve ter valor enorme assim, até questão de só para você se enxergar naquela carreira, Pois é, cara.

AKAlexandre Klostermann

E a questão é, provavelmente se as pessoas chegam em ti pra conversar, é porque elas notam que tu tem empatia pra conversar com elas, né? Porque acho que aí vem um ponto, né? Porque eu tava tentando traçar aqui um perfil do que seria um mentor bom, né? E aí, pô, eu comecei a pensar nas pessoas que eu via como referência. Então, tipo, a primeira coisa que eu acho que é muito importante é o cara, ele não, não só chegar para ti e ensinar o que tu tá precisando, a resposta da dúvida que tu tem, é ele só te dar o porquê daquilo, sabe?

É essa pequena diferença, cara, muda tanto a forma de tu aprender e de tu se relacionar com alguém, né? E para mim, o segundo ponto que eu vejo como um dos mais importantes é deixar com que a pessoa que tá falando contigo ela se sinta no ambiente seguro. Porque, velho, se tu tá indo lá expor uma dúvida que tu não tá entendendo e a primeira coisa que tu recebe é um julgamento barra uma patada, morreu, né? Então se tu chegar em alguém, ou se tu quiser, na minha opinião, se quiser tentar ser um bom mentor e tu quiser ser bem visto por quem tá te perguntando, é, cara, foca no porquê e não no quê, e cria esse ambiente de tipo, não, cara, pode me perguntar qualquer coisa, não tem uma pergunta idiota que tu vai me fazer aqui, né?

Acho que seriam duas coisas que eu veria como muito importante. Mas eu não sei o que mais que vocês acham que seria importante num cara que nem esse para Não entrar no mau mentor?

GDGaleno de Melo

Eu acho que é isso que tu comentou, cara. Tipo, tu deixar a pessoa tranquila para fazer a pergunta que ela quiser, né? Deixar tranquila para cometer erro, que ela vai cometer erro provavelmente. Então se ela pedir ajuda, provavelmente é porque ela já tava cometendo um erro, inclusive. É você tentar ser gentil também com essa pessoa. Eu lembro de um cara que veio pedir ajuda uma vez e ele me falou assim, tipo, que preferia vir conversar comigo do que com o líder dele, porque o líder dele dava umas patadas nele.

Tipo, ele se sentia mal, sabe? E era um cara que era tipo mais velho já e tal. Então, pô, se esse cara tá se sentindo ofendido, imagina como esse cara era tipo um cavalo com ele, sabe? E acho que a mentoria às vezes ela não vai só estar naquele momento ali que você tá conversando com a pessoa, trocando uma ideia, tirando dúvidas, assim. Acho que ela vai até um pouco depois. Porque às vezes acontece também da gente dar uma mentoria meio ruim, né?

Já aconteceu já de eu falar alguma coisa pra alguém, pode ser que eu não falei do jeito certo, tipo, não expliquei direito o que a pessoa talvez deveria fazer. Daí a pessoa continua batendo cabeça mesmo depois do que a gente fala. Então Eu acho que você tem que acompanhar a pessoa e ver se ela de fato tá progredindo, se o que tu falou pra ela tá dando algum tipo de fruto, né? Às vezes a mentoria vai ser tu pegar e sentar com o cara e fazer literalmente um pair programming, tipo, vai, abre tua ideia e vamos construir isso aqui juntos, sabe?

E aí você vai indo linha por linha ali com o cara e vai explicando o que que você pensou, por que que você pensou naquilo, por que que tá fazendo desse jeito.

AKAlexandre Klostermann

Uma outra coisa que eu tava pensando aqui, e aí acho que é questão de perfil, né? Eu lembro que eu trabalhei durante muito tempo pela minha empresa dentro de um cliente e a gente prestava muito serviço lá pra ele. E eles tinham uma regra de negócio, uma área de atuação que é complexa de compreender. A gente passou quase 2 anos trabalhando com eles, era um tipo um plano de saúde assim, era uma empresa que fazia sistemas para gestão de plano de saúde.

E apesar de parecer muito fácil a regra, né, tipo, pô, alguém paga, alguém vai, aí tem uma bilhetagem e sobra um saldo para um, lucro para o outro, paga ali e deu certo. Mas tem muitas regras no negócio que tipo são coisas que tem amarrações que tem que ser feitas, que tem que ter um certo conhecimento técnico para tu evitar, por exemplo, que um médico passe exames para um monte de gente só por passar, sabe? Então, para tu entender a correlação entre as coisas, o que tu pode pré-aprovar, o que tu não pode e tal.

E eu lembro que tinha um cara que trabalhava lá para esse lugar, ele trabalhava já, acho que uns 6 ou 7 anos antes da gente entrar. E aí a gente tinha muita dúvida sobre isso, cara. A gente às vezes sentia muito idiota, tipo assim, cara, por que que tal coisa não pode acontecer mesmo? Aí o cara falava um porquê. Daqui a pouco aparecia uma outra situação que era muito parecida. A gente, e se a gente fosse e executasse do jeito que a gente achava, provavelmente a gente ia estar errado, porque tinha muita especificidade.

E a gente sempre chegava para o cara e falava assim, ó, e tal coisa que eu sei que é muito parecido, desculpa a pergunta idiota. Daí ele, não, cara, é por causa disso, disso, disso. A gente tá, mas não tem uma documentação a gente possa ler? Ele, cara, tem a documentação lá da Anvisa, da ANS, né? Mas, porra, documentação da ANS é impossível de tu compreender. Então esse cara tava sempre acessível para te ajudar a entender o porquê daquele regramento específico, sabe?

O que eu sentia era que quando a gente fazia uma cagada, que acontecia com alguma frequência, era que ele não chegava e falava assim, ó, não, isso aqui que vocês fizeram é uma merda. Não, ele falava assim, não, calma, gente, isso aqui que vocês fizeram é bloqueante. Isso aqui vocês estão fazendo tá errado. Tudo isso aqui Tá correto, isso aqui tá bloqueante por causa disso. Então até na hora da crítica, o cara fazer uma separação entre o que de fato é um problema e o que tava bom, isso daí, cara, já era um jeito que era muito mais tranquilo de lidar, porque a gente se sentia muito mais seguro em apresentar uma ideia para ele ou apresentar uma solução para um problema, que a gente sabia que essa avaliação, de vez em quando, não, cara, isso aqui é uma merda, refaz tudo, sabe?

Então eu acho que isso eram coisas que me deixavam muito mais confortáveis de lidar com esse cara, porque A gente tinha esse tipo de feedback.

GNGabriel Nunes

Eu achei que tu ia falar na parte que tu falou, não, quando dava problema ele não falava isso aqui tá uma merda, ele falava, gente, isso aqui tá uma merda.

GDGaleno de Melo

Os que falam de forma mais assim, parecia muito, só falou bloqueante, entendeu?

AKAlexandre Klostermann

Porra, fazer o feminino é que era de fato assim, o nome desse cara era Thiago e tinha um outro cara que trabalhava junto com ele, e esse outro cara que trabalhava com ele, esperto, ele não escute. O cara era um cavalo, velho, e era impossível de conversar com esse cara, porque para ele tudo que não vinha da cabeça dele tava errado, essencialmente errado. Então, e às vezes, sabe quando parece que a crítica ela vem só para tu poder mostrar que tu pode criticar, ao invés de tu explicar por que que tu tá criticando?

Porque parece que se o cara te disser o porquê que ele tá criticando, ele vai perder a razão dele, porque talvez nem é complexo assim. Parece aquele, aquela síndromezinha de poder assim. Então isso eu lembro que era uma coisa que o Thiago fazia que era muito boa, porque ele separava mesmo o problema na hora de te criticar. E não importava se a crítica fosse dura, mas ele separava as duas coisas, sabe? Então não tava tudo uma merda, talvez grande parte, mas achava que era um jeito legal de abordar o erro, sabe?

GNGabriel Nunes

Eu tava tentando lembrar de mentores que eu já tive, mas eu não consigo lembrar muito porque eu trabalhei pouco tempo com outras pessoas assim, né? Tipo, geralmente, maior parte da minha carreira eu trabalhei sozinho e eu que tinha pessoas abaixo de mim assim. Mas eu lembro que eu sempre tinha... Eu era muito cara de pau assim, eu não sei, tipo, até talvez isso seja uma dica ao contrário, né? Do que pra quem a gente tá falando, eu esteja falando mais com os júniores ou quem tá aprendendo é que eu lembro que eu sempre tive muito cara de pau de pedir opinião das pessoas assim sobre as coisas, né?

De tipo, pô, sei lá, eu fazia um sistema lá, um site, alguma coisa, e eu saía mandando para uma galera assim. Eu faço isso até hoje, né? Eu mando, o que que tu achou disso aqui? Ah, galera, tipo, o próprio grupo da Codecom Pro ali é meio que isso assim, eu mando a parada e falo, galera, o que vocês acharam disso aí?

AKAlexandre Klostermann

A galera nem sabe que eles pagam para ser seu consultor, né?

GNGabriel Nunes

Né, é tipo isso. Mas eu acho que isso é uma dica legal também para quem tá começando. Às vezes a pessoa, igual vocês falaram, né, a pessoa teve um mentor cavalo que acabou fazendo ela ficar meio ressabiada assim de pedir mentoria, de pedir ajuda, e para de pedir para qualquer pessoa, achando que qualquer pessoa é assim, né. Mas eu acho que vale a pena até mandar para uma galera diferente assim a mesma coisa e vai vendo assim quem consegue te ajudar melhor e tal. Acho que isso é legal até para tu aprender como mentorar, né?

GDGaleno de Melo

Mas tu comentou que tu não teve muitos mentores, né? Mas eu lembro que acho que você teve uma galera que deu uma anti-mentoria para você, né? Tipo, os cara comentavam uns bagulho genericasso nos teus PRs. Acho que isso é um benchmark do que não fazer, sabe? Esse próprio lance dos PRs assim era uma coisa até que eu queria comentar, sabe? Tipo, tem uns caras assim que às vezes vão comentar no teu PR, eles botam só tipo refatorar.

Isso aqui não. Aí o cara bota performance interrogação. E aí, tipo, você não entende direito o que que esse cara tá querendo dizer, sabe? Tipo, ele não explica o porquê que ele comentou aquilo e parece que você tem que adivinhar o que o cara tá pensando. Então comentem direito nos PRs, por favor.

GNGabriel Nunes

As pessoas, os sêniores, eles conseguem ser maus mentores sem falar muito também, né? Até quando não são pedidos.

AKAlexandre Klostermann

Pois é, cara, mas acho que isso tem muito a ver com a questão de que Não é que talvez o cara é ruim, é que, sei lá, parece que ninguém trata que mentorar é uma parte importante de uma habilidade que tu vai ter que ter, sabe? Então isso meio que fica pra depois. E acho que fica aquela experiência, sabe, de quem faz universidade federal e depois virou professor de federal, que ele vai ferrar com os cara abaixo dele só porque ele se ferrou.

Cara, não faz sentido. Tipo, a regra de incentivo tinha que ser o contrário. Eu vou facilitar o próximo porque eu me ferrei, sabe? Então, sei lá, eu não consigo entender essa moral, mas acho que o princípio meio que é esse, né? O PR, velho, PR pra mim pode ser uma baita de uma escola. Eu participei de um projeto que não era open source, mas era um projeto pra uma ONG gigante, e cara, quando a gente fazia PR lá, porra, era muito legal, velho, porque outras pessoas de outros setores iam lá e respondiam o que podia, porque Como era uma coisa meio que multi-conhecimento, então às vezes a pessoa tinha que revisar uma questão de UI/UX e ela revisava pelo ponto de vista de usabilidade mesmo, pelo conhecimento técnico que ela tinha.

Então tu recebia uns feedbacks sobre o que tu fez que às vezes não era só técnico, sabe? E aquilo tinha uma grande valia que era absurda assim. Conversações às vezes que nem tu disse, cara, chegava um cara que era muito bom tecnicamente e comentava embaixo assim: Quanto de RAM isso vai consumir? Tipo, ah, velho, porra, não sei, me responde então, me ajuda aí, diz que ficou pesado então.

GDGaleno de Melo

Eu tinha um amigo meu que quando alguém era muito cavalo assim, ele falava que faltou quilometragem humana para essa pessoa, faltou sair com mais seres humanos assim para aprender a falar, conviver em sociedade.

GNGabriel Nunes

Mas é porque eu acho que isso também não entra num, sei lá, se é uma empresa bem organizada e tal, tem um one-on-one. Eu acho que tem muito líder que não Não lembra disso, tipo, pô, eu vou ensinar o meu pleno aqui, que vai virar sênior em breve, como ele deve mentorar as pessoas. Eu acho que tipo é uma parada que não, que tu espera que a pessoa aprenda sozinha assim, né?

AKAlexandre Klostermann

Eu acho que podia ter um playbook, né, cara? Eu já participei de projeto que tinha playbook de como lidar, sabe? Então não tem problema de fazer um playbook de como mentorar uma pessoa quando a pessoa te pedir ajuda, ou de qual que é teu papel como para quando alguém chegar com uma dúvida que tu não sabe resolver. Porque às vezes acho que tem a ver com ego e insegurança também, né, cara? Dependendo da empresa onde tu tá, se tu disser que não sabe, pode ser algo que te expõe demais.

Então, sei lá, pode ter um playbook da empresa para isso. Cara, toda vez que alguém fizer uma pergunta que tu não sabe, acha de tal forma. E aí ajudar um monte para tu pelo menos não ser um babaca, entendeu?

GDGaleno de Melo

Tipo, no Axios a gente tem lá, né, o livro de elite, né, que é tipo Meio que as boas práticas de engenharia de modo geral, né? E a gente fala boas práticas tanto de código como até questão de revisão de PR, tratativa, esse cuidado você tem que ter, tipo, para manter a cultura saudável dentro da empresa, sabe? Então pode ser um playbook, como você falou, pode ser só uma dica de como fazer um bom comentário no PR, coisinhas simples assim que às vezes já ajuda a pessoa a saber o que fazer, assim, não ficar Tipo, tão tanto no freestyle, sabe?

AKAlexandre Klostermann

Isso aí.

GNGabriel Nunes

Eu acho que a gente tem que se juntar e daí a gente vai escrever um playbook da CodeCon de um para júnior, um para pleno, um para sênior, para tu saber como se comportar sendo júnior, como se comportar sendo pleno, como se comportar sendo sênior, né?

AKAlexandre Klostermann

Ou seja, como júnior é só dizer para galera tentar não babar no teclado enquanto mastiga, né? Pronto, já, já demos check. Qual que é o próximo?

GNGabriel Nunes

O pleno é não babar no teclado e não encher o saco de ninguém e não incomodar o sênior. Não incomodar o sênior. O sênior, a gente escreve tipo 83 páginas.

AKAlexandre Klostermann

Não, o sênior é só andar com uma pasta embaixo do braço fingindo estar ocupado o tempo inteiro.

GNGabriel Nunes

É isso aí. Então depois dessas dicas aí incríveis, você, ó, o pessoal tá reclamando que a gente só faz assunto para sênior nesse podcast. Tem que fazer assim para júnior também. Então a gente acabou de dar uma dica aí para os júnior, né? Dica de ouro, né, Alexandre?

AKAlexandre Klostermann

Eu achei maravilhoso. A gente podia fazer um dia um programa só com, chamar os júnior para tirarem dúvidas, não comigo, né, porque eu não sou esse sênior, mas trazer o resto do, do, do Dream Team, trazer o Dream Team Elite Sênior Plus aqui e a gente só responder perguntas. Claro, eu acho uma boa, cara.

GNGabriel Nunes

Mas é isso, o Júnior só tem que ir lá no canal do YouTube da Codecom para serem humilhados.

GDGaleno de Melo

Coitados, só tipo o MrBeast dos devs.

AKAlexandre Klostermann

É, daqui a pouco ele vai lançar um chocolate, o Coastables, Chococom. Por favor, faz isso, cara, por favor, faça isso.

GNGabriel Nunes

Você escutou Escovando Bits, o podcast da Codecom. Se inscreva. Meu Deus, esqueci todo o final do podcast. Se inscreva no canal do YouTube, se inscreva no nosso canal, deixa o seu like e comenta aqui embaixo o que que você achou do que da nossa conversa, desse vídeo, desse vídeo. Isso, valeu pessoal, até a próxima, até mais, valeu! Esse podcast foi editado pela BZT.

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