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Um celular contra o celular / IA não vai tirar o seu emprego / TikTok pede licença (#355)

17 de março de 202626min
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RESUMIDO #355, apresentado por Bruno Natal.

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Tem gente comprando um segundo celular para fugir do primeiro e o iPod voltou como objeto de resistência. A United Airlines obriga a usar fones de ouvido. IA não está destruindo empregos, está parando de contratar gente nova e pessoas estão começando a falar como o ChatGPT.

A ferramenta pode mudar quem você é?
No RESUMIDO #355: um segundo celular pra fugir do celular, a volta do iPod, United Airlines proíbe áudio sem fone, chatbots que enganam crianças e muito mais!

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Ouça e confira todos os links comentados no episódio:

https://resumido.cc/podcasts/um-celular-contra-o-celular-ia-nao-vai-tirar-o-seu-emprego-tiktok-pede-licenca

Assuntos12
  • IA e Impacto no Mercado de TrabalhoMétrica Exposure da Anthropic · Impacto em jovens de 22-25 anos · Queda de 14% em contratações de entrada · Aumento de produtividade sem demissões · Impacto em profissões altamente expostas
  • Segundo Celular MinimalistaLightphone · Redução de notificações · Separação entre trabalho e lazer · Redução de ansiedade · Presença nas interações sociais
  • Contágio linguístico de chatbotsMudança em padrões de linguagem · Homogeneização da língua · Expressões formais e cautelosas · Infiltração silenciosa da IA · Impacto em redações
  • Volta ao analógico e minimalismoRejeição de sobrecarga tecnológica · Dispositivos de função única · Redução de conectividade · Ressurgimento de estéticas não-digitais
  • Proteção de menores em interações com chatbotsKids Act e Save Bots Act · Identificação obrigatória de bots · Proibição de se apresentarem como humanos · Linhas de apoio para crises · Pausas obrigatórias após 3 horas
  • Controle ParentalPermissão dos pais para mudança de privacidade · Limites de tempo diário · Restrição de acesso · Filtragem de conteúdo · Remoção automática de menores de 13 anos
  • Volta do iPodOuvir música longe de algoritmos · Dispositivo de função única · Valorização de modelos usados · Experiência de escuta focada
  • United Airlines e obrigatoriedade de fonesPolítica de fones obrigatórios · Aplicação de regra · Casos de passageiros removidos · Reação dos comissários · Redução de ruído
  • Chatbots oferecendo conselho médico e jurídicoProjeto de lei em Nova York · Casos de usuários prejudicados · Acesso a informações para baixa renda · Responsabilidade legal dos chatbots
  • Robotica e AutomacaoEntregadores recontratados para supervisão · Trabalho mais precário · Reparos e reposicionamento de robôs · Rede invisível de trabalhadores
  • Autenticidade e Superação PessoalProdução real vs IA · Campanha Absolut Vodka na Islândia · Ceticismo digital · Desconfiança em conteúdo visual
  • Escrita e EdicaoEscolha de estilos literários · Uso sem consentimento · Questões de direito autoral · Legado literário após morte · Controle da voz de artistas
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Resumido. Olá, eu sou o Bruno Natal. Hoje é dia 17 de março e no resumido número 355, um segundo celular para fugir do celular. A volta do iPod. United Airlines proíbe áudio sem fone. Chatbots que enganam crianças e muito mais. Vamos nessa, resumido. Olá, resumista. Esse é o Resumido, um podcast sobre cultura digital e o impacto da tecnologia em todos os aspectos das nossas vidas.

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quanto tempo dá para continuar nessas condições. Então, se você gosta desse conteúdo, ele agrega para você e você acha importante os debates que temos aqui no Resumido, considere fazer a sua assinatura. Vamos de cultura digital e como o nosso comportamento online ajuda a moldar a sociedade.

Isso que você ouviu é um trecho do clássico Breaking Bad. Já pode falar que é um clássico? Já pode, né? Em que o Walter explica por que ele tem um segundo celular. A The Verge fez uma matéria justamente sobre a tendência entre os usuários de smartphones que é de ter um segundo telefone mais minimalista, especialmente o Light Phone, para substituir o smartphone principal quando estiver em momentos de lazer, de férias ou descanso.

O Light Phone é um aparelho bem simples, né? Ele tem uma tela de e-ink, assim como de um livro digital,

um leitor digital, e ele só faz ligação, envia mensagem de texto, ouve música, e tem um aplicativo do Uber, mas tudo sem o visual que você conhece de smartphone, não tem rede social, não tem feed, não tem notificação, e o objetivo é a pessoa conseguir se isolar. A proposta é você criar uma separação física entre o seu dispositivo que você usa no trabalho, para produtividade, que é o seu smartphone normal, e o dispositivo da vida pessoal.

Muitos usuários falam que usar o Light Phone no fim de semana ou de noite ajuda a reduzir a ansiedade,

melhora o sono e aumenta essa sensação de presença nas interações sociais. O MWC 2006, um dos maiores eventos eletrônicos do mundo, trouxe novos modelos de aparelhos com propostas parecidas. Telas menores, sem apps de redes sociais, mas focadas nas funcionalidades essenciais. A tendência também aparece no aumento da venda dos chamados dumb phones, que são o oposto do smartphone, né? É o fone burro, que é um celular bem simples, sem internet, como eram os nossos telefones antigamente,

em velho Nokia. Então as pessoas estão começando a responder essa sobrecarga tecnológica, esse volume de coisa, esse é o super acesso, hiperconectividade que a gente vive, não com uma terapia digital ou com um detox, mas comprando um segundo aparelho pra fugir do primeiro. Essa tendência, um retorno mais analógico, redução do consumo tecnológico, não exatamente analógico no caso dos celulares, foi, eu abordei um pouco no episódio 350, o primeiro da temporada desse ano. E outra coisa que tá voltando, de acordo com o New York Times,

São os iPods. Está crescendo o número de pessoas que estão comprando iPods usados para ouvir música longe dos algoritmos e das notificações do smartphone. Quem ouve o Resumido sabe que eu já falei isso várias vezes. Meu sonho é ter um aparelho para ouvir música separado do meu telefone. E não existe, né? Não existe mais o bom e velho 3 em 1. É difícil você ouvir música ou você gastar mais dinheiro com outros aparelhos. E isso também é parte dessa tendência de você querer voltar para dispositivo analógico de função única, pelo menos, né? Como eram os toca-fita, CD, vinil.

pra você poder separar esse consumo de música do resto da sua vida digital. Aquela velha saudade de ouvir música lendo o livrinho do CD. E vários jovens e adultos estão relatando que ouvir música no iPod sem essa distração de checar o e-mail, entrar na rede social, acaba mudando a qualidade da experiência de escutar música. O que é bem óbvio, né? Você tá focado em ouvir música olhando pro teto e você acaba sendo muito mais impactado por aquilo do que você ficar ouvindo música como um ruído de fundo enquanto você faz sei lá o quê. E nessa, os iPods estão se valorizando.

de usado, como o eBay, estão disparando. E alguns modelos acabam estando mais caros hoje do que eles estavam na época que eles foram lançados. Eu só tive um iPod, ele foi roubado na minha casa. E na época, a minha ideia, foi em 2004 que eu comprei esse iPod, a minha ideia era nunca esvaziar o HD e ir pulando de iPod em iPod pra poder juntar a biblioteca. Acabou que no primeiro eu me lasquei. Eu até tenho outro iPod, aquele Nano, eu acho, não tem tela, não tem nada, mas enfim, é difícil usar aquilo. E essa busca do iPod não é só,

nostalgia também, né? É muito focado na questão da intenção. A intencionalidade do que você vai fazer. Um dispositivo que serve pra uma coisa só, você vai usar ele pra fazer aquilo. E isso tudo tem a ver com esse movimento cultural de buscar mais simplicidade, mais foco. A hiperconexão tá sendo exaustiva. E tá ficando cada vez mais claro isso, né? Um dos reflexos dessa hiperconectividade é que se você não tiver no telefone, alguém ao seu lado vai estar. E aqui no Brasil, especialmente, se você andar de ônibus, metrô, vai ter sempre

alguém ouvindo um Rios, um TikTok, berrando no seu ouvido do lado, que é infernal. E a United Airlines, a companhia aérea, atualizou o contrato deles de transporte e agora inclui fone de ouvido como um requisito obrigatório se você for assistir vídeo ou ouvir áudio em algum dispositivo pessoal durante o voo. A regra está enquadrada na seção de recusa de transporte da empresa. Os passageiros que se recusarem a usar os fones podem ser retirados do avião até receber uma proibição permanente de voar pela United.

Isso é lindo. Você não precisa mais pedir pra pessoa baixar e ouvir um coice de volta como se você estivesse errado pedindo uma coisa absurda. E nessa, a empresa se tornou a primeira grande companhia aérea americana a formalizar essa exigência. E eu acho que mais gente vai seguir isso, né? Esse timing coincide com a expansão do serviço de Wi-Fi Starlink nos voos da United, que acabou aumentando o uso de dispositivos pessoais a bordo, né?

Celulares das pessoas, ouvindo o que elas querem, assistindo o que elas querem. A mudança foi muito bem recebida nas redes sociais,

muita gente elogiando, muitos passageiros dizendo que era uma coisa óbvia, que já era necessária há muito tempo. E poucos dias depois de anunciar essa política, um vídeo que viralizou mostrou uma passageira sendo retirada de um voo porque ignorou a regra. Foi o primeiro caso documentado da aplicação. E alguns comissários de bordo já disseram que a regra torna o trabalho deles mais difícil, porque agora eles têm que policiar um comportamento que antes deveria ser de senso comum.

É isso, precisa de regra pra tudo, né? E essa exaustão dos aspectos digitais na nossa vida vai se espalhando pra outras áreas.

No episódio 353 eu comentei que mostrei o clipe de Let Forever Be, do Chemical Brothers, dirigido pelo Michel Gondry para o meu filho, e que eu estou apostando que essas estéticas analógicas, de trucagem, não digitais, vai ter aí um ressurgimento e muito possivelmente o Michel Gondry vai ser um que vai se beneficiar disso. E a Vodka Absolute lançou um sabor em parceria com o Tabasco, a pimenta,

filmada num vulcão na Islândia. E aí a agência de publicidade emitiu uma nota dizendo que toda a produção foi feita sem uso de inteligência artificial, porque o cenário ficou tão espetacular, ficou tão legal visualmente, que muitas pessoas estavam achando que tudo tinha sido gerado por IA. E a equipe filmou, na verdade, ao vivo a fusão da vodka com a lava vulcânica na Islândia. Produção bem cara, complexidade logística, tudo que IA promete resolver, mas acaba entregando um mal feito. E por isso muita gente ficou desconfiando

tudo feito por IA. E o que parece é isso, que você dizer que uma coisa foi feita sem IA parece já se tornar um diferencial de credibilidade. As pessoas vão querer, vão buscar isso. E isso num momento que imagens geradas por IA estão sendo muito usadas na publicidade e tem bastante gente aí ficando cética em relação à questão de autenticidade. E no setor criativo tem tido esse debate sobre o uso ou não de IA, se isso deve ser declarado como parte da proposta de valor de uma campanha. Mas o curioso é que quando uma produção real começa a parecer

O problema não é só de percepção, é um sintoma que aí já mudou o critério de veracidade do que a gente vê. Eu já falei aqui uma vez num texto que eu escrevi pro MIT Tech Review aqui no Brasil sobre o que eu chamei de ceticismo digital. Acho que a gente vai caminhar pra um momento que a gente vai duvidar de tudo. O que pode ser bom, porque as pessoas vão começar a cair em menos golpes, mas vai ser muito ruim porque vai ser uma quebra de confiança muito grande, né?

Quando você parte do princípio que tudo é falso. E nessas mudanças provocadas pela vida digital, a Filturism falou sobre

O que acontece com os trabalhadores de delivery quando os robôs de entrega autônomo, que tem nos Estados Unidos, são umas caixinhas que vão andando sozinhos pela cidade, começam a operar nos locais. Começam a fazer essas entregas, tipo um mini carrinho com a comida dentro, por exemplo, e vai do ponto A ao ponto B. A expectativa era que os robôs fossem substituir os entregadores humanos, mas o que está acontecendo é um pouquinho mais complexo, porque muitos desses entregadores estão sendo recontratados para supervisionar os robôs, ou até mesmo para fazer reparo,

disparam, quando eles travam. Então, em algumas cidades onde esses robôs operam, já tem uma rede invisível de trabalhadores humanos que ficam ali de prontidão pra resolver os problemas que os sistemas autônomos não conseguem resolver sozinhos. Que, aliás, é um outro tema que tem aparecido bastante, né? O quanto de monitoramento humano esses sistemas ainda precisam. Pode ser pra identificar imagens, pode ser pra desempenhar determinada função.

Agora, os salários dos trabalhadores humanos é muito mais baixo do que eles ganhavam quando eles faziam

a entrega, né? E as condições de trabalho também não são as melhores. São longas horas esperando por algum problema que é intermitente. Então você não sabe quando você vai trabalhar. Então, a automação, em vez de eliminar o trabalho humano, às vezes transforma em algo ainda mais precário e menos visível. Pode ser até pior, né? Então é de pensar, né? O que que acontece com quem trabalhava nisso aqui antes de ser automatizado? Às vezes a gente não pensa sobre isso e vale a pena.

Agora é o momento de explorar as transformações causadas pelas inteligências artificiais.

A Antropic divulgou um estudo que mostra que a IA não está nem perto do teórico potencial de sacudir o mercado de trabalho. Nesse novo estudo, a Antropic propôs uma nova métrica que eles chamaram de Observed Exposure, ou Exposição Observável, que mede o impacto real da IA no trabalho, comparando o que a tecnologia teoricamente poderia automatizar

que de fato está sendo feito pelos usuários do chatbot Cloud, especificamente, que é o chatbot Lantropic. Esse estudo falou que os modelos de linguagem poderiam, teoricamente, acelerar 94% das tarefas de computação, de matemática, mas que, na prática, só 33% dessas tarefas aparecem no uso real que é registrado nas conversas com o Cloud. E as profissões mais expostas hoje são os programadores, que têm mais de 74% das tarefas potencialmente cobertas, atendimento ao cliente, que tem mais de 70%, especialistas em entrada de dados,

no sistema, que tem 67% de potencial. E em contraste a isso, cerca de 30% dos trabalhadores têm exposição praticamente zero. Não vai ser afetado pela IA. Então aí os cozinheiros, mecânico de moto, barman, barwoman, salva-vidas. E os primeiros sinais do impacto da IA estão aparecendo entre os trabalhadores mais jovens, de 22 a 25 anos. Porque desde 2024, a taxa de contratação em profissões altamente expostas à IA caiu cerca de 14% nesse grupo. Ou seja, nas profissões que são

expostas a IA, nesse grupo de jovens já caiu 14% a contratação. Isso aí sugere que a tecnologia pode estar afetando principalmente os empregos de entrada. O que gera um novo problema. Porque se ninguém vai ser contratado pro emprego de entrada, uma coisa é uma pessoa que já tá mais sênior no emprego e sabe usar IA e não precisa do assistente. Mas o assistente que nunca foi assistente, quando o sênior aposentar, como é que ele chega lá pra ele poder usar IA como assistente? É complicado essa lógica aí. E um outro dado,

importante desse estudo é que mostrou que os trabalhadores nas áreas mais expostas à IA são, em média, mais educados. Eles têm mais formação, mais frequentemente são mulheres e ganham cerca de 47% mais do que os trabalhadores em ocupações pouco expostas. Então, o oposto da narrativa clássica de automação atingindo primeiro empregos menos qualificados, não está atingindo primeiro os mais qualificados mesmo. Então, se a IA pode automatizar quase tudo no papel, no mundo real ela ainda está sendo muito menos usada do que

esse hype todo sugere. E o New York Times falou de uma coisa parecida e diz que os impactos da inteligência no mercado de trabalho do que se chama o colarinho branco em inglês, que são os empregos de escritório, basicamente, ao contrário do que muitos especialistas estavam antecipando, não está sendo tão forte ainda. O que está acontecendo é um pouquinho mais sutil. A IA está aumentando a produtividade de alguns trabalhadores, permitindo que eles façam mais coisa com menos tempo, mas sem necessariamente criar demissões em massa. Exatamente o que eu falei

que outro dia, né? A gente acaba trabalhando mais do que trabalhava antes e tem que produzir mais coisas. Ninguém tá sendo mandado embora, é o volume de produção que tá aumentando. Em setores como direito, consultoria, finanças, a IA tá sendo usada como uma ferramenta de apoio, não é uma substituta. É uma forma de acelerar o trabalho e aumentar o volume. Só que o mercado tá começando a contratar menos pessoas novas, como eu falei, né?

Isso aí pode ser um sinal que essas demissões vêm na sequência, ou a não contratação em vez da demissão. E os economistas falam que o impacto

real da IA pode ser lento, difuso, difícil de medir nos dados atuais. Ele vai ser mais significativo a médio prazo. Você vai conseguir olhar pra trás e ver o estrago, mas em tempo real você não percebe a mudança acontecendo. A Bloomberg Law falou também que Nova York tá estudando projetos de lei pra proibir chatbots de IA de oferecer conselhos jurídicos ou médicos sem a supervisão de um profissional licenciado. O que me parece uma boa ideia, né?

Porque vem muita coisa ruim dali, alucina muito. Então essa iniciativa vem depois de vários casos

de usuários que tomaram decisões importantes, desde mudar um tratamento médico até conduzir um processo judicial sem advogado, baseado em respostas de chatbot e se estrepando. Então, como o IA ainda comete muito erro factual e bem grave e não tem responsabilidade legal pelas consequências dos seus conselhos, algum humano tem que ser responsabilizado por aquilo. Quem é contra essa lei diz que isso pode limitar o acesso de pessoas de baixa renda a informações, pelo menos básicas, de saúde e de direito.

ruim, porque eles têm que ter acesso a conselho de qualidade de um especialista de direito ou de medicina. Não tem que ter um robô atendendo ele mal. É o que diz, Helena. No futuro, quem pagar vai poder ser atendido por um humano e quem não puder pagar vai ser atendido por um IA e vai virar um grande abismo social. Mais um, né? Ainda falando de chatbots, a Axel falou que o Congresso dos Estados Unidos avançou com o pacote Kids Act, que inclui o Safe Bots Act, que é uma legislação específica pra proteger menores de interações com chatbots

E aí isso vai exigir que os chatbots se identifiquem como IA ao interagir com crianças, com adolescentes proibindo que se apresentem como humanos. Eu iria além, viu? Cada vez que eu uso mais chatbot eu penso que a linguagem não poderia ser tão natural porque isso leva a muito erro. Aliás, eu tive um caos com o Claude que se manifestou pra mim. Eu gravei um reel semana passada. Tá lá no Instagram minha história com o Claude. Olha lá.

Arroba resumido ponto podcast no Instagram e você vai gostar dessa história. Mas voltando aqui.

lei também quer exigir que as plataformas forneçam informações, como, por exemplo, linha de apoio a uma crise quando os menores levantarem temas de suicídio, de automutilação. E também determinar uma pausa obrigatória depois de três horas contínuas de chatbot, um break prompts, como eles estão chamando, uma quebra no fluxo de prompts. Os democratas votaram contra, dizendo que esse texto favorece a Big Tech e enfraquece as proteções estaduais.

Ainda vai ter que passar pela Câmara, pelo Senado, para virar lei federal, mas é um movimento que indica já a necessidade

tipo de contenção, vamos dizer, de limite. Porque essa corrida para regular os chatbots interagindo com crianças já revela o quanto que essas ferramentas estão presentes já no cotidiano de todo mundo e dos menores também. E o quanto essas plataformas resistem a qualquer obrigação legal. Uma outra plataforma, o Grammarly, que é um serviço que faz, por exemplo, correção gramatical nos seus textos em tempo real, vai apontando os erros.

Agora lançou um serviço chamado Grammarly Expert, que permite que os usuários escolham estilos de escrita

autores famosos, incluindo alguns que já morreram, para ajudar a editar o texto. Então a ideia é que você pegue um autor clássico que você goste e ele revise o seu texto de acordo com o estilo dele. E herdeiros de alguns desses autores que estão lá disponíveis falaram que não foram consultados, de acordo com uma operação da Rolling Stone. Vários escritores e críticos protestaram contra isso, questionaram a ética de você usar a voz de um autor sem consentimento, além da questão legal de você licenciar um estilo literário. O argumento da Grammarly é que, para eles,

escrita autoral, mas alguns especialistas dizem que a questão ainda não tá tão bem resolvida assim, não. Então esse caso levanta esse debate que é ainda mais amplo. Se a IA é capaz de imitar qualquer escritor com precisão, quem é que controla o legado literário de um ator depois que ele morreu? Porque quando uma empresa pode vender o estilo de um escritor morto sem nem consultar os herdeiros, fica aí uma questão de quem é o dono da voz de um artista, né?

E se essa voz pode ser licenciada. Não a voz física, né? A voz do estilo de escrita. Até porque o processo oposto tá acontecendo e a

Fism falou que pesquisadores e linguistas já estão documentando uma mudança sutil, mas já perceptível na forma com que as pessoas estão falando e escrevendo, já estão adotando padrões de linguagem que são típicos do chatbot de A. Então, algumas expressões como certamente, com prazer, é importante notar que, e outras construções que são muito formais ou muito cautelosas estão aparecendo cada vez mais nas comunicações humanas. É uma coisa parecida com não é sobre isso, é sobre aquilo que aqui no Brasil virou uma praga, principalmente na publicidade, nas conversas,

com publicitários, que é uma tradução de uma expressão que faz sentido em inglês, mas não faz nenhum sentido em português. Só que agora é pior, né? Porque é em massa esse chatbot começando a moldar a nossa linguagem, mesmo, aliás, como eu falo aqui na chamada do bloco cultura digital. Nosso comportamento online moldando a sociedade. O nome oficial disso é contágio linguístico, que é quando o estilo de uma ferramenta começa a influenciar os padrões de comunicação de quem usa aquilo com muita frequência.

Autenticidade da língua, da linguagem, porque vai homogeneizando tudo. Todo mundo vai começar a falar igual. É como se acabassem os sotaques. Todo mundo só fala a mesma coisa. Por outro lado, tem gente que fala que todo período histórico tem as suas expressões, seus clichês, e que a influência da IA na linguagem é só mais um capítulo disso aí. É só mais uma modinha passageira que vai marcar uma época. E um jornalista alemão chamado Jochen Wegener escreveu um post num blog chamado Nada a Declarar, em que ele faz uma metáfora da alfândega para discutir

como a IA entra nas redações e nas empresas sem se declarar. O argumento central dele é que a IA não chega de uma forma óbvia. Com manual de instrução, uma decisão corporativa formal, não. Ela vai se infiltrando gradualmente por dentro. Mais ou menos como eu falei, a questão da mudança dos empregos. Os jornalistas vão usando o chat GPT pra pesquisar, os editores usam pra fazer um resumo, o designer pede ajuda pra criar uma imagem.

Ninguém anuncia, mas agora a gente tem uma redação que usa IA. Então o texto fala como essa infiltração silenciosa vai tornando o debate sobre a adoção de IA

porque quando alguém percebe, a ferramenta já tá integrada no fluxo de trabalho. Não sei como é que é pra você. Pra mim, aconteceu assim. Eu até li um post outro dia de uma pessoa falando uma coisa que eu achei legal, que é... As pessoas estão indo tão automaticamente buscar a IA que a pessoa esquece de pensar. E a recomendação desse cara era... Pensa dois minutos antes. Não tem problema você ir na IA, mas tenta pensar, porque às vezes a gente nem pensa.

Já vai lá buscar porque é mais fácil. E esse é o grande perigo, né? E aí o autor do texto fala que...

Além dessas questões, também tem a questão de estratégia, porque se a IA vai entrando dessa forma, vai infiltrando a redação, você também perde a oportunidade de você construir uma política de IA intencional, como você quer que a IA seja usada. Quando você vê que está todo mundo usando, fica difícil andar para trás. Então é bom a gente pensar o uso que a gente faz da IA, se faz sentido, se a gente precisa mesmo daquilo e tentar organizar a maneira que usa, tanto individualmente quanto quem lidera a empresa ou tem a posição de liderança numa empresa, estabelecer como isso deve ser usado.

pensar antes de deixar a IA pensar pra você. E agora é hora de falar sobre como as Big Tech moldam o nosso comportamento. E ainda nesse tema, o TikTok anunciou novas regras que reforçam o controle parental para usuários menores de 16 anos. O TikTok agora vai exigir permissão dos pais pra mudar a privacidade das contas de menores de 16 anos. Eles anunciaram essas funcionalidades de controle parental novas que dá aos pais e às mães

mais controle no limite do uso do aplicativo por crianças e adolescentes. Então vai dar para definir limite de tempo diário, restringir os horários de acesso, filtrar a categoria de conteúdo, bloquear a mensagem direta de desconhecido. São ótimas medidas e o TikTok também anunciou que as contas menores de 13 anos que forem detectadas dessa forma vão ser removidas automaticamente. Isso é uma resposta a essa pressão cada vez maior da sociedade, dos governos, no mundo inteiro, exigindo a responsabilidade das plataformas sobre o que eles entregam para as crianças.

Alguns críticos dizem que essas medidas não são suficientes enquanto elas forem voluntárias, ou seja, enquanto depender dos pais ativarem as restrições. A plataforma já devia botar isso como padrão. E eu concordo. Acho que deveria ser dessa forma mesmo. E nesse debate sobre a questão da responsabilidade, se é papel dos pais e das mães limitar o acesso ou é da plataforma restringir esse acesso por padrão, obviamente a responsabilidade é dos pais e das mães, mas eles precisam de ajuda. Precisa de ferramentas, precisa ser fácil fazer isso.

Eu acho que isso é o contrário. Tinha que desbloquear e não bloquear. Seu pai quiser se liberar, enfim. Ele vai lá e faz. Mas pelo menos começam a surgir as ferramentas. Há bem pouco tempo atrás, isso nem existia. Olha que coisa boa. Tô me evoluindo. Hora de relaxar com as dicas de ver, ler e ouvir. A série The Chair Company, da HBO, parte de uma premissa completamente absurda que é um funcionário de escritório obcecado

fabricante de uma cadeira defeituosa depois de ele passar uma vergonha num evento da empresa por conta de uma dessas cadeiras. A série foi criada e estrelada pelo Tim Robson, que é chegada numa comédia bem doida, exagerada, né? Se você já assistiu I Think You Should Live na Netflix, que também é dele, já dá pra ter uma boa ideia do clima dessa série. Depois de três anos afastado da música por conta da ansiedade causada pela fama, o Tom Mish voltou com Full Circle, um disco mais introspectivo, menos focado nos beats lo-fi, na guitarra,

a marca do Geography, que foi a estreia dele, e nesse meio tempo ele focou em aulas de surf e numa tentativa consciente de reconstruir a relação dele com a música. Olha esse tema de novo, hein? A aspiração agora é mais nos anos 70, sempre eles, né? E Slow Tonight, que você tá escutando agora, nasceu durante uma viagem dele sozinho de van por Portugal. Nesse episódio você ficou sabendo que tem gente comprando um segundo celular minimalista pra fugir do próprio smartphone. Que o iPod voltou como gesto de resistência digital,

que United Airlines agora pode te tirar do avião se você se recusar a usar fones pra assistir Reels e infernizar os vizinhos, que a IA ainda não está destruindo o emprego de escritório, que Nova York quer proibir chatbots de dar conselhos médicos e jurídicos, que o Grammarly tá vendendo o estilo de escritores mortos sem avisar os herdeiros e muito mais.

Está demais o Resumido a crescer. É muito importante. Também não deixe de curtir, assinar, seguir, dar cinco estrelinhas, achar uma resenha na plataforma que você estiver escutando esse episódio agora. E mais importante, faça a sua assinatura no resumido.cc barra assinatura. São só 15 reais por mês. Vai aumentar no final de março. É muito importante esse apoio para o Resumido poder continuar entregando as notícias que você tanto gosta.

E se você quiser comprovar que ouviu o episódio até o final, deixe um comentário com a palavra secreta da semana, que é fuga.

O resumido é produzido e apresentado por mim, Bruno Natal. O resumido é escrito por mim e pelo Ojanor Neto. O Cauê Marques coedita a newsletter do Futuro Explicado e as redes sociais, que contam com animações do Peri Selman e designer do Filipe Araújo. A edição e mixagem é feita pelo Hugo Rocha, da Usinações. A foto da capa é do Jorge Bispo e o tema original foi composto pelo Gustavo Silveira. Eu sou o Bruno Natal. Obrigado pela audiência e semana que vem tem mais Resumido. Resumido.

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