Privacidade pixelada / A mitologia da IA / China domina IA de código aberto (#356)
RESUMIDO #356, apresentado por Bruno Natal.
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IA torna impossível apagar rastros digitais. Arte sintética não tem direito autoral. Aceleracionistas querem lucrar resolvendo problemas da tecnologia com mais tecnologia, enquanto a China já ganhou a corrida do código aberto.
Acelerar para onde?
No RESUMIDO #356: a privacidade não volta mais, arte sem tutor, aceleracionismo molda o Vale do Silício, China domina IA de código aberto e muito mais!
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Ouça e confira todos os links comentados no episódio:
https://resumido.cc/podcasts/privacidade-pixelada-a-mitologia-da-ia-china-domina-ia-de-codigo-aberto
- Domínio Técnico e CompetitividadeModelos chineses competindo com ocidentais · Redução de custo e tempo de inovação · Aceleração através de colaboração open-source · Reflexão de posições governamentais · Soberania digital e infraestrutura
- Privacidade Digital RastreávelImpossibilidade de apagar rastros digitais · Direito ao esquecimento · Conteúdo vergonhoso do passado · Identificação através de fragmentos · Gerações digitais sem reinvenção
- IA Vale do SilicioFilosofia de resolver problemas com mais tecnologia · Narrativa de futuro inevitável · Posicionamento político disfarçado de filosofia · Falacias de líderes de IA · Influência em política pública
- Esquerdomachismo EmpreendedorismoHistória do Bell Labs (1940-1980) · Inovações fundamentais: transistor, laser, Unix · Financiamento de pesquisa de longo prazo · Redução de financiamento nos anos 80 · Incompatibilidade com modelo de venture capital
- Direitos AutoraisDecisão da Suprema Corte dos EUA · Impossibilidade de copyright para obras puramente geradas por IA · Requisito de autoria humana · Riscos para criadores e empresas · Colaboração humana-máquina ambígua
- Inteligência ArtificialConceito de Product Sense · Intuição sobre o que vale construir · Execução técnica versus juízo criativo · Risco de perda de senso crítico · Diferenciação humana em arte
- Tecnologia e Privacidade em DispositivosSamsung Galaxy S26 Ultra Privacy Display · Pixels que alteram emissão de luz · Modos de privacidade parcial e máxima · Proteção contra visualização lateral · Trade-off de qualidade de imagem
- Lançamento de Livros e ProjetosEP de Jordan Rock de residência em Abbey Road Studios · Colaborações artísticas internacionais · Novos artistas emergentes
Resumido. Olá, eu sou o Bruno Natal. Hoje é dia 24 de março e no Resumido número 356, a privacidade não volta mais. Arte sem tutor. Aceleracionismo molda o vale do silício. China domina IAD, código aberto e muito mais. Vamos nessa, Resumido. Olá, Resumista. Esse é o Resumido, um podcast sobre cultura digital e o impacto da tecnologia em todos os aspectos das nossas vidas. Se você gosta do Resumido, tem mais Resumido.
Você pode acompanhar arroba resumido.podcast no Instagram e no TikTok, resumido no YouTube. Tem também a newsletter O Futuro Explicado, newsletter semanal e a newsletter Linquerama, que é exclusiva para os assinantes. Tem também a newsletter resumidotecinvest e o Instagram, arroba resumidotecinvest. Tem resumido Praderel. Você pode encontrar link para assinar e seguir isso tudo aqui na descrição do episódio, mas também pode visitar resumido.cc, onde além disso você encontra a página resumido.cc barra assinatura,
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Eu sempre penso nas peças que vão funcionar o ano inteiro, sozinho, encamado. Eu não gosto de ficar acumulando muita peça.
Eu prefiro menos peças, mas que resolvam mais. A Tech T-Shirt e a Future Form da Insider são peças que vão do treino para o trabalho sem esforço. Roupa desamassa no corpo, facilita a evaporação do suor, não pede manutenção. A gente ainda está no mês do consumidor e durante esse mês inteiro o cupom resumido é dinâmico. Ele dá 20% de desconto para novos clientes e 15% para clientes recorrentes. E esse cupom soma com os descontos do site.
ou seja, desconto do site mais o cupom resumido e até 30% de desconto. Não é liquidação, é uma escolha certa feita na hora certa. Na descrição do episódio tem um link já com o cupom aplicado. Corre lá para a Insider e aproveite. Vamos de cultura digital e como o nosso comportamento online ajuda a moldar a sociedade.
Essa que você ouviu foi a Meredith Whitaker, fundadora do app de chat Signal, que é bem focado na privacidade. E eu resgatei essa fala dela porque o New York Times trouxe uma matéria que fala que a IA começa a complicar um problema de privacidade antigo da internet.
quase impossível você apagar rastros digitais na internet. Antes, algum conteúdo esquecido num fórum antigo, foto em plataforma que não existe mais, post em perfil inativo, tudo ficava meio obscuro por falta de uma ferramenta de busca que fosse eficiente pra encontrar essas coisas. Só que agora, sistemas de IA conseguem rastrear, indexar, conectar um monte de dados dispersos com uma eficiência que era inviável antes. E aí, nessa, vem reunindo vários fragmentos de identidade que o tempo já tinha deixado pra lá. O problema acaba afetando gente que era muito jovem,
isso na internet, que publicou um monte de conteúdo que hoje considera vergonhoso, problemático, ou simplesmente gostaria que fosse privado. Eu ainda bem que entrei na internet quando era mato, lá em 92, era jovem, mas não tinha onde publicar coisa, graças a já. E isso também afeta quem foi vítima de vazamento, que teve foto íntima vazada antes dos mecanismos de remoção que existem hoje. Pessoas que mudaram de nome, de gênero, de identidade.
Então eles mostram vários casos de pessoas que tentaram pedir remoção de conteúdo e acabaram encontrando resistência das plataformas.
mas os arquivos, os motores de busca. E é bom lembrar que o direito ao esquecimento é um princípio legal que é reconhecido na Europa e está se tornando muito difícil de exercer na prática. Então, o que a gente descobre é que toda geração anterior ao digital pode reinventar a sua identidade ao longo da vida. Era uma coisa numa época, virou outra, não tem esse rastro. E essa geração que cresceu online pode ser a primeira a não ter essa possibilidade.
Então, a IA não criou só risco de privacidade para o que você cria agora, assim como está eliminando a possibilidade de você esquecer.
A IA não só criou novos riscos de privacidade, como também está eliminando a possibilidade de esquecimento que estruturou a experiência humana por toda a história. A gente sempre pôde esquecer o que aconteceu. E isso é importante. Porque privacidade, que era um tema que parecia quase paranoia, vai se tornando muito presente. Por exemplo, o lançamento da Samsung, o Galaxy S26, tem o que eles chamam de Ultra Privacy Display, ou tela ultra privativa.
E isso está sendo considerado uma das principais inovações de hardware desse aparelho.
que é construído diretamente na tela do celular. Não é aquele filme protetor externo que algumas pessoas botam, que você não consegue ver o celular se você estiver de lado. Não, é uma tela feita pra impedir isso. Quando ele tá ativado, esse privacy display altera a forma que os pixels emitem luz e a tela fica praticamente invisível pra quem olha de algum ângulo. Isso aí protege conteúdo de olhares laterais nos espaços públicos, né?
Aquela velha esticadinha no olho pra ver que tá na tela da pessoa ao lado, né? Quem nunca? Aí o usuário pode escolher entre dois modos.
privada parcial, que oculta só as notificações nas áreas específicas da tela, e a privacidade máxima que restringe a visibilidade da tela toda. Essa funcionalidade está disponível só no modelo Ultra, o S26, o S26 Plus, não tem um hardware, é a tela especificamente que seria necessária para isso. As primeiras análises mostram que funciona bem, mas isso introduz também uma leve perda de qualidade de imagem, mesmo quando está desativado, porque o painel usa uma estrutura de pixel diferente do tradicional, diferente de como as imagens foram feitas para serem exibidas.
Eu falei há dois episódios sobre os óculos Ray-Ban da Meta, a questão de privacidade desses óculos, de um outro aparelho que foi lançado, que serve só pra causar interferência em microfones no entorno, pra você garantir que não tá sendo gravada. Esse problema de privacidade virou uma coisa estrutural da nossa vida, né? E a nossa vida pública no telefone. Então, chegou ao ponto de vender uma tela que é mais cara pra esconder o conteúdo.
Se isso aí resolve o problema, ou se só tá gerando mais dinheiro pra quem fabrica, aí é outro papo.
Para agora, os trabalhos que geram AI ainda não podem ser copyrighted nos Estados Unidos.
da decisão é que o direito autoral exige uma autoria humana. E os sistemas de A, que obviamente não são pessoas, não podem ser titulares de direito. O caso envolvia umas imagens criadas por um sistema autônomo de A, sem intervenção humana direta na criação. E foi o próprio criador desse sistema que pediu pra ter esse caso julgado, porque ele gostaria que a máquina dele que cria essas imagens pudesse ser apontada como autora das imagens criadas por ela ou por terceiros.
Então, essa decisão levanta um monte de questão pro mercado, né? Porque, então, se o
empresa usar o IA pra gerar o conteúdo, quem é o autor? É a empresa? É o usuário que fez o prompt? É o criador do modelo? Aparentemente não é nenhum desses, porque tem vários riscos aí. Se uma pessoa cria uma article IA e ela pode registrar ela com direito autoral, o primeiro volume de coisas registradas vai ser boçal, vai praticamente eliminar a possibilidade de outras pessoas criarem qualquer coisa. Tem a questão de que esses modelos de linguagem usam as informações do treinamento com obras de terceiros, então alguém pode ser lesado nesse processo. E se uma empresa,
pode registrar essas obras, eles viram uma máquina de direito autoral com todo mundo trabalhando pra eles. Aí algumas pessoas, escutadas pela The Verge, falando sobre esse caso, falaram que é uma questão que não tá resolvida ainda com essa decisão, porque isso se aplica à obra que é puramente gerada por IA, mas várias criações, a maior parte delas, envolve algum nível de colaboração humana. Então o debate acaba tendo essa dimensão filosófica, né?
Se a IA pode criar arte, música, literatura, sem precisar de autoria, então o que é criatividade? E tem uma outra questão, quem pode se dar bem com isso são os próprios
laboratórios de ar. Porque se as ferramentas geram obras sem proteção autoral, significa que eles não devem nada a ninguém. Eles não têm que entrar em nenhuma questão legal sobre o que é criado ali. Eles podem gerar mais volume com menos problema e podem usar o que é gerado ali pra treinar o próprio sistema. Então eles ganham um passe livre pra criar aquilo sem parar, porque não tem nenhum ganho financeiro direto. Logo, ninguém é lesado, ninguém é favorecido.
Eles podem produzir em volume infinito. Tem esse lado também. E um amigo meu me mandou um texto chamado Product Sense.
ou senso de produto, porque ele sabe o quanto eu odeio a frase ideia não vale nada. Pra mim, ideia vale tudo. Quem acredita em ideia vale nada é que a ideia não é nada até ela ser executada. Obviamente, mas como é que você vai executar qualquer coisa sem uma ideia? Que é o meu argumento. E aí, com a chegada da IA, essa discussão começa a mudar. Porque agora você consegue ter a sua ideia e executar independente da sua capacidade técnica.
Pelo menos coisas digitais, né? Então, a ideia vai ficando mais valorizada. Nesse texto, o Shreyas Doshi,
argumenta que o que distingue os humanos de IA no trabalho criativo não é a capacidade técnica, é o senso de propósito. Então ele usa esse conceito de product sense, senso de produto, como uma intuição sobre o que vale a pena construir, não apenas como construir. E isso seria um exemplo de habilidade que sistemas de IA ainda não conseguem replicar. O que ele diz é que a IA é muito boa em otimizar para objetivos definidos, mas ela é muito ruim em decidir quais os objetivos valem a pena, porque ela tenta fazer tudo e ela não julga. O que você mandar fazer, ela vai fazer.
além do design de produto. Serve pra arte, pra escrita, pra música. O que diferencia o criador não é a execução técnica, é a escolha de criar e por quê. Contos clássicos da música, principalmente, não são pessoas que não cantam tão bem, nem tocam tão bem. Olha o punk aí, cara. As pessoas nem sabiam tocar. O que vale é a intenção por trás daquilo. E o Dosh, o autor, também falou sobre o risco de você usar IA de maneira muito intensiva pra criar, porque as pessoas podem perder o exercício que desenvolve esse senso, que é essa prática
de tomar a decisão criativa difícil. De você tomar uma decisão do que você está fazendo, inclusive, em relação a tempo. Se você pode produzir tudo em segundos, a verdade é que você não está produzindo nada. E aí o texto termina com uma provocação, uma pergunta. Se deixarmos a IA decidir o que vale a pena criar, o que acontece com a nossa capacidade de ter essa intuição? É na mosca. Eu acho que é isso. A IA pode executar muito bem.
O problema é que a execução, sem esse julgamento sobre o que vale executar, produz muito que não significa nada.
Luisa Jarowski, do substaque Luisa Jarowski, que eu tenho citado algumas vezes aqui, escreveu um texto sobre o paradoxo do aceleracionismo. O aceleracionismo é uma filosofia que domina boa parte do Vale do Silício e que influencia várias figuras que são influentes no meio, o Elon Musk, o investidor Marc Andreessen. Eu falei muito sobre isso no episódio 242, em que eu falava sobre os embates entre os aceleracionistas e os desaceleracionistas.
como a Luiza explica, é que a resposta para os problemas criados pela tecnologia é mais tecnologia. Que você tentar frear esse progresso é pior do que deixar ele avançar. Uma das visões dos aceleracionistas é que tudo que pode ser feito para avançar a humanidade precisa ser feito mesmo que custe a vida de quem está aqui agora. O que vale é um futuro lá não sei aonde que esse futuro aconteça. É uma alucinação. Não consigo pensar de outra forma. E aí a Jarovski aponta outros paradoxos. Por exemplo, esses aceleracionistas
funcionistas usam os problemas de tecnologia como argumento pra mais tecnologia, beleza. Então a solução pros danos da IA é você criar mais IA. A resposta pra desinformação é mais automação, pra desigualdade é mais eficiência computacional. Só que por mais alucinado que isso sou, e a questão é que essa filosofia já virou uma influência na política pública, decisão corporativa. E aí quem acaba se beneficiando dessa visão, essa narrativa de que a tecnologia vai resolver tudo, normalmente é quem vende a tecnologia, óbvio. O meu produto resolve o problema, compra o meu
produto. Mas a questão é se o aceleracionismo não é a solução, se eles estão errados, qual é a solução? Desacelerar não é uma opção realista, né? Seria ótimo que fosse se a gente conseguisse entender que alguns sistemas talvez não valham a pena serem desenvolvidos, mas isso não é possível. Então, qual é a solução? Aí ninguém sabe. Inclusive, o Semafor falou sobre esses discursos dos líderes de IA, principalmente o Dario Amodei, da Antropic, e que ele sempre fala que a IA vai acelerar décadas de progresso científico em alguns anos, vai transformar a saúde,
a pobreza, a capacidade humana. Cada hora ele dá uma data muito próxima, passa mais anos, fica claro que aquilo não vai acontecer. Ele tá sempre falando que é pra amanhã. Mas essa retórica apresenta a IA como uma coisa inevitável. Isso aí acaba transformando uma escolha política numa força natural, como se a gente não pudesse questionar a IA, como se a IA fosse um fato dado e não algo que a gente vai moldar pra onde vai. Porque quando uma coisa parece inevitável, quem controla essa coisa também fica inevitavelmente necessário. Então, assim, não é questão de IA não ter impacto positivo,
Tem vários, né? Eu falo aqui sempre, eu uso o IA pra um monte de coisa pra me ajudar em produtividade. Mas a questão é como essa narrativa vem sendo construída, né? Um otimismo excessivo misturado com medo também, né? Um pavor que vai sendo aplicado na sociedade com uma estratégia de se posicionar politicamente. Então essa mitologia da IA é muito construída por esses líderes de tecnologia que vão usando uma linguagem filosófica, escatológica até, pra argumentar contra a supervisão pública das suas empresas, né?
Deixa trabalhar, só a gente tá lascado. Mas, na verdade, a gente não tá lascado se eles forem regulamentados ou observados de perto porque eles não vão conseguir chegar nesse futuro que eles dizem que é inevitável. Mas não é, né? Então, é bom a gente não esquecer que a gente tem voz nessa discussão toda. E é importante que a gente tenha. E agora é hora de falar sobre como as Big Tech moldam o nosso comportamento.
A MIT Tech Review falou que os modelos de código aberto chineses de ar já estão dominando a adoção global. Um estudo da própria MIT com a Hugging Face mostrou que modelos de ar de código aberto desenvolvidos na China já superam os americanos no total de downloads globais. Os modelos da Alibaba foram os mais baixados em 2025 e 2026, já ultrapassaram modelos como o Llama da Meta, por exemplo, em downloads acumulados. A startup Moonshot AI lançou o Kimi K2.5, que os benchmarks iniciais
muito perto do desempenho do Cloud Opus Anthropic, por aproximadamente um sétimo do custo. A DeepSea, que foi a primeira a chocar o mercado em janeiro do ano passado, continua avançando com os modelos que vão rivalizando com os melhores sistemas ocidentais, por uma fração do preço também. E esse artigo aponta que a estratégia chinesa de código aberto acabou acelerando o ciclo de inovação. O que antes levava meses para chegar no código aberto, agora aparece em dias, porque é muita gente trabalhando em cima do mesmo código. O código aberto é um código que qualquer um pode colaborar.
os analistas têm observado que esses modelos chineses já acabam refletindo as posições do governo quando são temas políticos, isso aí levanta questões sobre o que significa adotar infraestrutura de ar de outro país, o que traz aqui a discussão da soberania. Cadê a IA brasileira com os nossos interesses em questão? A conclusão do estudo é que, para os desenvolvedores e construtores em todo o mundo, o acesso à capacidade de ar de ponta nunca foi tão amplo, nunca foi tão fácil, e cada vez mais isso passa pelos modelos chineses. Então essa disputa entre os Estados Unidos e a China pelo domínio da IA não é
E ainda vai durar muito. E uma matéria do New York Times que eu achei muito legal revisitou a história do Bell Labs, que é um laboratório de pesquisa que inventou o transistor, o laser, o sistema operacional Unix, a linguagem de programação C, várias tecnologias que formam a base da computação moderna. No auge deles, entre os anos 40 e os anos 80 do século passado, os melhores cientistas do mundo trabalhavam no Bell Labs. Tudo era financiado por um monopólio regulado, era a AT&T, que repassava parte das receitas para pesquisa básica de longo prazo.
Lembrado, nos anos 80, por conta da regulação de truste dos Estados Unidos, o financiamento da Bell Labs foi reduzido, muito reduzido, e aí o negócio degringolou. E aí essa reportagem do New York Times examina o que foi perdido, não só as invenções específicas, mas um modelo de pesquisa que priorizava pergunta que não tinha resposta imediata, porque era financiada por receitas previsíveis, não tinha uma pressão de retorno por curto prazo.
É até mais livre do que uma startup, não tinha que gerar receita, eles tinham que gerar solução e ideia.
silício, que é baseada em capital de risco, horizonte de quatro anos, consegue substituir esse tipo de pesquisa? A resposta eu acho que é não, né? Porque os avanços mais transformadores da computação moderna foram feitos por pessoas que não tinham que mostrar um produto pro próximo trimestre. É um problema que o OpenAI, o Anthropic, todas estão enfrentando hoje em dia, precisa da receita pra ontem, porque é muito dinheiro investido.
E aí resta imaginar, quem vai ser o Bell Labs da era da IA? Se a resposta for ninguém, o que isso aí significa pra próxima geração
de inovações fundamentais para o futuro da tecnologia. Tomara que pinte em algum lugar. Hora de relaxar com as dicas de ver, ler e ouvir. O diretor francês Quentin Dupy, acho que fala assim, também conhecido como DJ, sob o nome de Mr. Oizel, ele é da turma Deadbanger, do Justice, a galera toda. Ele resolveu satirizar a economia da atenção nas redes sociais. Em The Piano Accident, que está disponível no MUBI,
da Magali, que é interpretada pela Adele Esarchopoulos, que é aquela atriz de azul é a cor mais quente, fazendo uma influenciadora que é incapaz de sentir dor e que transforma essas autolesões extremas em conteúdo pra milhões de seguidores. Só que quando um escândalo obriga ela a se esconder num chalé isolado, uma jornalista oportunista chantageia ela pra conseguir uma entrevista pra falar sobre esse ecossistema digital que é movido por choque, viralidade, consumo voerístico, nesse espetáculo online contemporâneo que é diário nos nossos feeds, né? O filme é bem
O produtor e cantor Jordan Rocky lançou um EP que é fruto de uma residência artística nos lendários Abbey Road Studios, em Londres. Between Us é um projeto colaborativo, reúne nomes como FKJ, Jalan Nygonda, Nubia Garcia, Femi Coleoso, e o primeiro single é Easy To Love, feito com Tom McFerland, esse groove aí relaxado que você tá ouvindo agora. Nesse episódio, você ficou sabendo que a IA torna quase impossível apagar rastros digitais, que a arte gerada por IA não tem direito autoral,
O generacionismo não é só uma filosofia, é uma estratégia política de quem vem de tecnologia, que a China já domina e há de código aberto, que o Bell Labs pode ser o espelho do que estamos deixando de construir e muito mais. Se você chegou até aqui e normalmente chega até aqui, você já sabe o que eu vou falar. E o que eu vou pedir é que se você gosta do resumido, chama mais gente para ouvir. Posta no LinkedIn, no Stories, no WhatsApp, manda para a família por e-mail.
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O roteiro é escrito por mim e pelo Adiano Neto. O Cauê Marques coedita a newsletter do Futuro Explicado e as redes sociais, que contam com animações do Peri Selmoman e designer do Felipe Araújo. A edição e mixagem é feita pelo Hugo Rocha, da Usina Sons. A foto da capa é do Jorge Bispo e o tema original foi composto pelo Gustavo Silveira. Eu sou o Bruno Natal. Obrigado pela audiência. Semana que vem tem mais Resumido. Resumido.