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O que a IA está fazendo com o aprendizado das crianças – RESUMIDO Drops

07 de maio de 20264min
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O Google instalou o Gemini em milhões de Chromebooks escolares sem avisar aos pais, sem consultar professores e sem nenhum estudo sobre o impacto no desenvolvimento infantil.

Durante a pandemia, escolas americanas compraram Chromebooks em massa. As vendas cresceram 287% em um ano e criaram um mercado cativo que o Google aproveitou para distribuir sua IA a crianças de qualquer idade.

Um estudo do MIT de 2025 aponta atrofia cognitiva causada pelo uso de LLMs em ambientes de aprendizado. Uma pesquisa com 1.300 distritos escolares mostra que 1 em cada 5 usos de IA generativa por alunos envolve cola, bullying ou comportamento problemático. Um estudo conjunto do MIT, Carnegie Mellon, UCLA e Oxford mostrou que alunos que usaram IA para resolver problemas de matemática e depois perderam acesso à ferramenta passaram a ter desempenho significativamente pior.

A funcionária do departamento de educação de Nova York responsável pelas diretrizes de uso de IA nas escolas recebe uma bolsa conjunta do Google e de uma firma de investimento cujo portfólio inclui exatamente as ferramentas sendo implementadas nas salas de aula.

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Reportagem da New Yorker: https://www.newyorker.com/culture/progress-report/what-will-it-take-to-get-ai-out-of-schools

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Apresentado por Bruno Natal.

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Participantes neste episódio1
B

Bruno Natal

HostJornalista
Assuntos4
  • IA em escolasInstalação do Gemini em Chromebooks · Impacto no desenvolvimento infantil · Atrofia cognitiva por LLMs · Uso de IA para cola e bullying · Dependência e perda do hábito de esforço
  • Investigação do GoogleMercado cativo de Chromebooks · Distribuição de IA sem permissão
  • Conflito de InteressesBolsa para funcionária de educação · Investimento em ferramentas de IA
  • Valor do aprendizadoExperiência de ter feito · Redação ruim feita por criança
Transcrição11 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

O Google instalou a inteligência artificial nos computadores de milhões de crianças sem avisar os pais e já tem estudos mostrando o que isso está fazendo com o desenvolvimento delas. Olá, eu sou o Bruno Natal e esse é o Resumido Drops, uma versão mais curta do podcast que você já conhece, com uma atualização rápida das notícias sobre o impacto da tecnologia em todos os aspectos das nossas vidas. Vamos nessa, Resumido?

A revista New Yorker publicou uma longa reportagem sobre IA nas escolas americanas e o texto começa de um jeito que resume bem o problema. A jornalista conta que o filho de 8 anos voltou para casa com certificado de conclusão num curso de inteligência artificial. O curso era um jogo de arrastar e soltar num site patrocinado pela Amazon, o certificado era propaganda e a filha de 11 anos ganhou um Chromebook novo na escola com o Gemini pré-instalado.

Toda vez que a menina começa a escrever um texto, aparece uma janela. Posso te ajudar a escrever? Ela fecha. A janela volta e pergunta de novo. Posso te ajudar a editar? Porque aí ela não para, né? O que a reportagem mostra é que isso não é coincidência, não é um descuido, é uma estratégia. Durante a pandemia, as escolas dos Estados Unidos compraram Chromebooks em massa porque eles eram baratos, eram fáceis de configurar.

E nessas vendas cresceram 287% em um ano. Isso aí criou um mercado cativo gigantesco para o Google, que agora instalou de M&I em todos esses dispositivos, que ficam disponíveis para qualquer idade. Sem pedir permissão aos pais, sem consultar os professores, e sem nenhum estudo sobre o que isso faz com o desenvolvimento de uma criança.

Só que agora chegaram os estudos. Um deles é do MIT de 2025 e fala em atrofia cognitiva causada pelo uso de LLMs em ambientes de aprendizado. LLMs são esses sistemas de A. Uma pesquisa com dados de 1.300 distritos escolares encontrou que um em cada cinco usos de A generativa por alunos envolvia cola, automutilação, bullying ou outros comportamentos problemáticos.

Um outro estudo conjunto do MIT, com Carnegie Mellon, UCLA e Oxford, mostrou que alunos que usaram o IA para resolver problemas de matemática e depois perderam acesso à ferramenta, passaram a ter desempenho bem pior e desistiam mais facilmente. Além da dependência, o problema é esse, é perder o hábito do esforço, de lutar com um problema difícil, de persistir, que é o que constrói a capacidade cognitiva. A IA terceiriza justamente esse processo.

Tem um argumento que circula muito nessa discussão. Dizem que a IA vai permitir que professores com 35 alunos consigam dar atenção personalizada como se tivessem 5. Um representante da Antrópia que usou exatamente esse argumento na reportagem da New Yorker. O problema é que um chatbot que faz o dever de casa para o aluno não é atenção personalizada, é uma ausência de aprendizado com uma interface amigável ali na frente. Uma professora de neurociência da USC resumiu bem e disse que o objetivo de qualquer tarefa escolar não é o produto final.

é a experiência de ter feito. A redação ruim que uma criança escreveu sozinha tem muito mais valor que um texto perfeito que a IA produziu em 30 segundos. A jornalista conta ainda que passou o trabalho da filha sobre história da imprensa pelo Gemini e que em 30 segundos o Gemini reorganizou as fotos, melhorou a tipografia, deixou tudo simétrico. Aí a filha olhou para os dois e disse eu prefiro o meu, porque o original, eu trabalhei muito nele e não levou só 30 segundos para ficar pronto.

Até uma criança de 11 anos já entende o que os executivos do Google e de outras empresas de A estão demorando a entender. O conflito de interesses nessa história toda é gigante. Segundo a reportagem, a funcionária do Departamento de Educação de Nova York, que é responsável pelas diretrizes de uso de A nas escolas, recebe uma bolsa conjunta do Google e de uma firma de investimento

em que o portfólio inclui exatamente as ferramentas que estão sendo implementadas nas escolas. É como se você pedisse para a indústria do tabaco escrever a política de cigarro da escola. É importante lembrar que Chromebook, Gemini ou qualquer outra ferramenta sendo usada em sala de aula são produtos sendo vendidos para um mercado que não necessariamente escolheu comprar esses produtos. A questão é se alguém vai agir antes que uma geração inteira passe os anos mais importantes do desenvolvimento cerebral terceirizando o pensamento para uma janela que não para de ficar aparecendo na tela.

Toda semana no Resumido eu falo sobre o impacto da tecnologia em todos os aspectos das nossas vidas e histórias como essa. Você pode conferir os episódios completos do podcast ou então você segue aqui o canal e o perfil. E se você quiser receber análises como essa direto no seu e-mail, é só você visitar resumido.cc e assinar a newsletter O Futuro Explicado. O link clicável para tudo isso está na descrição aqui desse episódio. Esse foi mais um Resumido Drops. Até o próximo.

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