O manifesto sombrio da Palantir – RESUMIDO Drops
A Palantir, empresa de vigilância e análise de dados para governos e forças armadas fundada por Peter Thiel, publicou um manifesto de 22 pontos no X sobre o futuro da civilização ocidental. Parlamentares britânicos chamaram o texto de "delírios de supervilão".
O CEO Alex Karp aparece em entrevistas dizendo que a empresa precisa assustar seus inimigos e ocasionalmente matá-los. No manifesto, defende que o Vale do Silício tem obrigação moral de servir ao complexo militar americano, que serviço militar deveria ser obrigatório e que algumas culturas são "disfuncionais e regressivas". Um dos pontos pede que as pessoas sejam mais gentis com bilionários e cita Elon Musk pelo nome.
A empresa já opera dentro de sistemas públicos de saúde, segurança e defesa no Reino Unido, nos EUA e em Israel. Não é uma provocação intelectual. É uma informação sobre quem está tomando decisões e no que essas pessoas acreditam.
Apresentado por Bruno Natal.
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- Manifesto da PalantirAnálise de dados e vigilância · Peter Thiel · Alex Karp · Elon Musk
Uma empresa de tecnologia publicou um manifesto sobre o futuro da civilização. Parlamentares britânicos chamaram de delírios de supervilão e entender o que essa empresa faz é o que torna o manifesto perturbador de verdade. Olá, eu sou o Bruno Natal e esse é o Resumido Drops, uma versão mais curta do podcast que você já conhece, com uma atualização rápida das notícias sobre o impacto da tecnologia em todos os aspectos das nossas vidas. Vamos nessa, Resumido?
No fim de abril, uma empresa publicou um manifesto no X com 22 pontos sobre o futuro da civilização ocidental. Ninguém perguntou nada, mas a empresa falou assim mesmo, e parlamentares britânicos chamaram o texto de delírios de supervilão. A empresa se chama Palantir, e o que ela faz é o que torna esse manifesto tão perturbador. O nome vem do Senhor dos Anéis. As Palantiris são bolas de cristal que permitem espionar qualquer lugar do mundo.
Uma referência que eles escolheram sem nenhum constrangimento, porque o produto principal deles é exatamente isso. Software de vigilância e análise de dados em larga escala para governos e forças armadas. A tecnologia da Palantir já foi usada pelo Serviço de Imigração Americano, pelas Forças de Defesa de Israel, e no Reino Unido os contratos somam mais de 500 milhões de libras, incluindo 330 milhões com o sistema de saúde britânico.
A empresa foi cofundada por Peter Thiel, que é membro da chamada PayPal Mafia, e um dos nomes centrais da direita do Vale do Silício. O CEO da Palantir, o Alex Carp, é um personagem à parte, ele aparece em várias entrevistas agitado, às vezes parecendo meio fora de si, dizendo que a Palantir precisa assustar os seus inimigos e ocasionalmente matá-los. O Manifesto de Abril é basicamente um resumo do livro que ele lançou agora há pouco.
Lendo os 22 pontos, o que aparece é uma visão de mundo bem coerente até, apesar de ser bastante perturbadora, como eu falei. O Vale do Silício tem a obrigação moral de servir ao complexo militar americano. Armas de IA vão ser construídas de qualquer jeito, então melhor que sejam os americanos a construir. Serviço militar deveria ser obrigatório. A era nuclear está acabando e a era da dissuação por IA está apenas começando.
Algumas culturas produziram avanços vitais, enquanto as outras são desfuncionais e regressivas. Tudo isso dito assim sem eufemismo, sem especificar que cultura é essa, e num dos pontos mais estranhos, o manifesto pede que as pessoas sejam mais gentis com figuras públicas e com bilionários. Especificamente cita o Elon Musk. Não é piada.
Os parlamentares britânicos pediram depois disso uma revisão dos contratos e a Palantir respondeu listando coisas que o software faz, como reduzir tempo de diagnóstico de câncer, manter navios da marinha operacionais. Isso tudo é verdade. O ponto não é que o software da Palantir não funcione.
O problema é que o Carp, o CEO, não se vê como chefe de uma empresa de software, ele se vê como um pensador com insights decisivos sobre o futuro da civilização e uma em que o Ocidente merece a dominância global e deve usar o poderio tecnológico da Palantir para conquistar isso. Quando ele escreve que o poder nesse século será construído em software, ele não está fazendo uma previsão, ele está descrevendo o próprio produto.
Uma empresa que já opera dentro dos sistemas públicos de saúde, de segurança, de defesa, em vários países, publica um manifesto sobre civilização e poder. Isso aí não é uma mera provocação intelectual, é uma informação importante sobre quem está tomando as decisões atualmente e no que essas pessoas acreditam. Por isso, a gente tem que prestar atenção.
Toda semana no Resumido eu falo sobre o impacto da tecnologia em todos os aspectos das nossas vidas. Você pode conferir os episódios completos do podcast, é só seguir o canal. E se você quiser receber análises como essa direto no seu e-mail também, é só visitar resumido.cc e assinar a newsletter no Futuro Explicado. O link clicável está na descrição desse episódio. Esse foi o Resumido Drops, até o próximo. Resumido