Episódios de RESUMIDO

Intimidade virou dados / IA nivela tudo por baixo / Manifesto sombrio da Palantir (#361)

28 de abril de 202657min
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RESUMIDO #361, apresentado por Bruno Natal

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Uma mulher terminou um relacionamento após ler o histórico do ChatGPT do namorado. Um homem morreu seguindo orientações médicas de chatbot enquanto o filho escrevia sobre esse risco. A Meta vigia os funcionários e oferece aos pais acesso ao que os filhos conversam com sua IA. A visão de futuro sombria da Palantir.

Quem decide o que você tem direito de saber?

No RESUMIDO #361: mulher termina namoro após ler ChatGPT do namorado, o manifesto sombrio da Palantir, IA grava jantar para você ouvir depois, Meta espiona funcionários, homem morre após seguir conselhos médicos do chatbot, Tinder vira golpe de cripto e muito mais!

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Participantes neste episódio1
B

Bruno Natal

HostJornalista
Assuntos6
  • Inteligência ArtificialConselhos médicos de chatbots · Riscos de IA na saúde
  • Mercado de TrabalhoImpacto da IA no trabalho
  • Lobby das Big Tech contra regulaçãoMeta e vigilância · Palantir e vigilância
  • Manifesto da PalantirIdeologia da Palantir
  • Midia e TecnologiaNamoro e ChatGPT · Privacidade e tecnologia
  • Fraudes DigitaisGolpes no Tinder
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Resumido. Olá, eu sou o Bruno Natal. Hoje é dia 28 de abril e no resumido número 361, mulher termina namoro após ler chat GPT do namorado, o manifesto sombrio da Palantir, IA grava jantar pra você ouvir depois, meta espiona funcionários, homem morre após seguir conselhos médicos do chatbot, Tinder vira golpe de cripto e muito mais. Vamos nessa, resumido.

Olá, resumista! Esse é o Resumido, um podcast sobre cultura digital e o impacto da tecnologia em todos os aspectos das nossas vidas. Eu tenho vários planos para o Resumido e eles só vão acontecer por conta dos assinantes que ajudam esse podcast a seguir adiante. Então, eu queria agradecer aos novos assinantes que chegaram essa semana, Isidoro, Vitória, Tiziana e Mônica.

E eu quero destacar a mensagem que a Mônica enviou por e-mail. Ela falou que ela ouviu alguns episódios antes de assinar, não pelo preço, mas pela quantidade de coisas que ela já tem que acessar só porque ela assinou. E aí o que ela concluiu foi que ela gosta muito do podcast que uma amiga dela indicou, assinante também, Carolina.

E o que ela disse é que com o trabalho aqui do Resumido, ela consegue se informar sobre temas que ela nunca teria acesso, até porque ela não acompanha notícias de modo geral. Eu fiquei muito feliz de conhecer o processo da Mônica. Legal ver como as pessoas pensam antes de assinar e que ela tenha feito essa reflexão e decidido assinar. Então fica aí a dica para quem mais...

estiver pensando em assinar o Resumido, assina sim. E não deixe de seguir também o Resumido nas redes sociais, arroba resumido.podcast no Instagram, no TikTok. Tem também o YouTube, arroba resumido. E tem a newsletter, o Futuro Explicado, que você pode assinar em resumido.cc barra newsletter. Vamos de cultura digital e como o nosso comportamento online ajuda a moldar a sociedade.

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Nesse final de semana, o keniano Sabah Shansawi bateu o recorde mundial da maratona, correu a prova abaixo de duas horas, que era aí uma meta que as pessoas achavam que era inalcançável. Não só ele, como o segundo colocado também correu abaixo de duas horas, o que significa dizer que por 11 segundos ele não bateu o recorde mundial. Deve ter sido dura a sair, hein? E isso me lembrou uma notícia da semana passada que eu não dei muita atenção.

Porque eu achei que era uma outra coisa que eu já tinha ouvido falar, mas não, eu fui ver que um robô humanoide bateu o recorde da meia maratona numa corrida em Pequim, na China. Eu já tinha lido no ano passado, eu acho, a história de um robô que completou os 21 quilômetros da meia maratona em...

2 horas e 40. Só que essa notícia era outra. O robô dessa vez correu a meia-maratona em 50 minutos e 26 segundos, que é um tempo absurdo de rápido. Ele superou o recorde humano em 57 minutos.

Na hora eu não tinha entendido o que era essa notícia. Tiveram vários robôs nessa corrida, vários deles correndo de maneira autônoma e vários deles cometendo várias falhas, caindo, batendo nas barreiras, tendo dificuldade no percurso mesmo, porque a maior dificuldade para a IA é conseguir migrar para o mundo físico, conseguir executar as tarefas de humano no mundo físico, mas esse robô específico bateu o recorde.

E isso aí é nada mais do que um teste pra tentar trazer os robôs pra vida real. Então antes de você bater muita palminha pro robô e ficar feliz, caramba, que legal, que surpreendente, pensa que... Vai saber onde é que esses robôs vão parar fazendo o quê, né? E outra notícia no Garden falou de um robô controlado por IA, chamado Ace, que foi desenvolvido pela Sony AI.

que venceu 3 de 5 partidas contra os jogadores de ping-pong de nível elite. Foram jogos realizados com as regras oficiais e foi considerado um marco porque o ping-pong é difícil de jogar, né? Você precisa de reflexo muito rápido, tem que ler o spin, tem que adaptar em tempo real.

São desafios bem difíceis e clássicos para robótica. No mesmo teste, o robô ganhou só um de sete jogos contra jogadores profissionais, então tem um limite claro aí. É diferente de você ganhar de um jogador de elite e você ganhar de um jogador profissional. E esse sistema foi treinado com cerca de 3 mil horas de simulação antes de jogar no mundo real. E o robô é, na verdade, um braço mecânico com oito articulações, não é um humanoide.

que se move super rápido para responder os movimentos. E o robô executou um movimento que um ex-atleta olímpico disse que era impossível para os humanos. Então isso mostra a capacidade superior de execução de uma tarefa específica. Porque é isso, enquanto a IA ainda falha nessas tarefas simples de raciocínio, como a gente bem sabe, você que ouve o resumido aqui sabe.

A IA já consegue competir com os humanos em atividades que exigem reflexo, coordenação, uma precisão muito grande. Para isso que um robô ou um computador funciona muito bem. Então as máquinas podem até não evoluir de forma linear, superar os humanos em pensamento, em coisas assim, mas podem superar os humanos primeiro nas tarefas físicas, que são muito especializadas. E aí sim tentar ir para esse lado da inteligência, que eu sei lá se vai acontecer ou não.

E eu li também na newsletter Blood in the Machine, ou Sangue na Máquina, esse nome é sensacional, né? Um ensaio que estava revisitando a história da tecnonegatividade. E diz que essa ideia de resistir à tecnologia não é exatamente uma novidade, obviamente, não é uma coisa irracional, mas que isso aí é parte da evolução tecnológica. E a principal crítica desse ensaio, desse texto, é essa narrativa que está ficando cada vez mais comum, que a tecnologia vai avançar de uma forma inevitável.

A gente não tem como parar a IA, porque é IA e ponto final.

E a gente sabe que não é bem assim. A IA, como qualquer outra tecnologia, vai ser o que os humanos quiserem que ela seja. Inclusive, se quiser desligar tudo e parar agora, pode ser uma escolha. Então o texto faz um apanhado e fala que lá na Grécia Antiga já tinha desconfiança sobre tecnologia. Fala que o próprio Arquimedes destruiu as próprias invenções. Cita, claro, o caso dos luditas no século XIX, que foram quebrar as máquinas para resistir à automação da Revolução Industrial.

E fala que até nos anos 80, no distante século XX já, alguns grupos mais radicais chegaram a incendiar empresas de computação porque eles estavam entendendo os computadores como uma ferramenta de vigilância estatal. Olha aí. Errado, de repente, eles não estavam, não. Eu vou falar, inclusive, sobre esse tema de vigilância estatal no bloco de Big Tech já, já. Então, o que esse texto estava falando, no geral, é isso, que a tecnologia não é um destino inevitável.

mas que é resultado de disputa política, disputa econômica, social. E isso aí serve como um contraponto a essa ideia cada vez mais comum lá no Vale do Silício, que não tem alternativa ao avanço tecnológico, a todo mundo baixar a cabeça e aceitar o que está vindo.

Então pensa aí que resistir à tecnologia não é você ser retrógrado, ser cabeça dura, é exatamente uma forma de você participar da definição de qual futuro tecnológico que a gente de fato quer, porque as máquinas estão aqui para servir a gente e não ao contrário. E falando na relação entre homens e máquinas, às vezes as máquinas mediam a relação entre os humanos. Uma escritora chamada Lindsay Hall...

Escreveu um artigo no Substack falando de como ela foi usar o laptop do namorado pra terminar um e-mail, acabou encontrando uma conversa no chat GPT que se chamava Questões de Relacionamento e Incertezas. Ela abriu o chat e viu lá que o namorado tava perguntando se ele deveria estar apaixonado porque ele tinha algumas dúvidas sobre ela, sobre o estilo de vida, sobre ela gostar de gato, sobre a sensibilidade. E aí duas frases ficaram presas na cabeça dela.

Primeiro, a recomendação do chat GPT que ele deveria considerar terminar o relacionamento e a confissão dele de que ele não tinha orgulho dela. E aí cabe lembrar que o chat GPT, chatbot de maneira geral, são máquinas de dizer sim. Então se o camarada lá estava botando todos os indicativos que ele não queria estar namorando, o chat GPT vai confirmar, porque ele está lá para isso. É assim que ele funciona, ele foi feito, programado para agradar o usuário. Mas o que me chamou a atenção dessa história...

Eu até poderia entrar na questão da invasão de privacidade. Acho que eu não deveria ter lido o chat EPT do namorado, assim como não se deve ler e-mail de ninguém. Aliás, eu tenho uma tese que ninguém deveria acessar e ler os e-mails do seu respectivo ou respectiva, porque você não sabe o que você vai encontrar lá. Você pode encontrar uma conversa íntima em que a pessoa está falando uma coisa num contexto que você não conhece, e você receber de outra forma.

É um espaço privado. Agora, esse espaço privado passou a ser compartilhado com um chatbot que armazena as informações e a gente não sabe como.

Tudo bem que o caso aqui é exatamente um vazamento do chat GPT, mas é um lugar que a pessoa não teve o cuidado ou pensou em como proteger aquele espaço e acabou tendo a intimidade dele de uma maneira que talvez não tenha nenhum e-mail. Não tenha escrito nenhum e-mail para alguém com tanta sinceridade como se fala às vezes nessas plataformas, nesse chatbot que as pessoas usam como uma espécie de terapeuta.

Ou mesmo até como um espaço de pensamento para registrar dúvida, para você falar sem ter medo de ser julgado. Eu acho que isso é um uso perigoso, não só por esse tipo de risco que acabou acontecendo, a pessoa lendo os pensamentos mais íntimos dele, mas também porque você não sabe como essas informações estão sendo armazenadas. Isso pode acabar sendo usado contra você em outros contextos. E aí uma matéria da The Verde falou que aquela marca de tomate italiana, prego, bem conhecida,

lançou um dispositivo chamado Connection Keeper, que foi criado para gravar as conversas em família durante o jantar. E aí a ideia, a proposta dessa campanha é incentivar os momentos offline, que assim as pessoas não usariam o celular na mesa, e sim conversariam para ter essa conversa gravada, e depois pode ser enviada para uma outra plataforma chamada StoryCorps, ou até tornar esses arquivos públicos na biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, e assim preservar.

histórias pessoais do tempo que a gente está vivendo. Agora, você precisa de um gravador, de uma proposta de perguntas e respostas pra conseguir conversar com a família à mesa. O problema tá grave, né? Não me parece uma boa ideia e não me parece nem muito sincera. Porque que ativação maluca de marca? Mandar um gravador pra uma mesa, aí vem com macarrão, com molho de tomate, com kit, com as perguntas, com as cartas, pra fazer pergunta e resposta.

Mas com que fim, né? Devia estar estimulando a pessoa só comer o macarrão mesmo, com uma receita e todo mundo fazer junto. Acho que funcionaria bem melhor. Mas nessa loucura sobre essa vida digital, eu vi um vídeo no YouTube que falava sobre uma tendência de lojas falsas de dropshipping.

Dropshipping é um formato de venda online em que você consegue montar uma loja sem você ter que administrar um estoque. Então você desenvolve um produto, esse produto é fabricado em outro lugar e enviado diretamente para o consumidor, você só opera a loja online. Isso é uma tendência enorme online, muita gente ganha dinheiro assim.

Inclusive, a loja dos produtos do Resumido, de certa forma, opera sim. Está lá no site Studio Geek barra Resumido. E lá tem a caneca, camiseta, bolsa, casaco. Tudo feito lá pelo Studio Geek e enviado diretamente para o usuário. Então, eu não estou administrando estoque. É uma forma de dropshipping.

Só que a tendência que tá rolando agora é criar personagens com IA, umas meninas góticas é uma da tendência, com umas histórias tristes, ou então os vídeos de gente fingindo que são artesãos que produzem manualmente itens como o relógio, por exemplo.

E aí a pessoa vê aquele vídeo, compra essa ideia de que é uma pessoa que está produzindo aquilo artesanalmente, o perfil direciona para uma loja no Shopify, que é um dos principais sites de dropshipping que tem, onde esses produtos estão sendo vendidos. Só que aí, nesse vídeo que eu assisti, a pessoa foi lá analisar o código do site e viu que é um tema padrão que está ligado a vários tutoriais de dropshipping.

E esse mesmo template é reutilizado em vários sites diferentes, vendendo vários produtos diferentes. Relógio, cobertor, colar. Ou seja, a estratégia é você criar múltiplas lojas com múltiplos conteúdos, então com diferentes personagens vendendo diferentes coisas, até você encontrar um produto que pegue, né? Um produto e uma narrativa que pegue.

E aí esse acelera e acaba gerando a receita que você compensa o resto da operação nos outros sites que você criou. Então isso aí serve como exemplo de como a IA tá sendo usada pra escalar negócio, mas também pra escalar fraude. Porque se as histórias são todas mentiras, é isso, acaba virando uma mentira sendo contada pra vender um produto.

O discurso todo é de autenticidade, produtos feitos à mão, nesse caso específico que esse vídeo está mencionando, mas a operação é toda automatizada, completamente replicável, totalmente impessoal, tudo criado com IA para tirar dinheiro de quem se conectar com essas histórias.

Então essa dificuldade da gente saber o que é humano, o que não é humano, mas online, vai ser uma grande questão nos próximos anos. Tem várias empresas tentando apresentar alguma solução para isso. Ninguém encontra uma satisfatória até agora. E um outro vídeo que eu vi no YouTube...

foi de um cara que investigou uma tendência que ele estava vendo no Tinder, o app de relacionamento. Ele recebeu mensagem dos seguidores dele que várias pessoas estavam anotando perfis repetidos com fotos normais, só que sempre com uma última imagem que era muito estranha, fora de contexto, então uma coisa meio mal editada. Eram umas imagens de fontes aleatórias.

uma arte, um anúncio, uma pintura, mas sempre com um rosto que aparecia na imagem, alterado digitalmente. Então, o que ele descobriu? As fotos principais desses perfis eram de pessoas reais roubadas na internet. Você vai no Instagram de alguém, rouba aquelas fotos para você criar um perfil falso, fingindo uma outra identidade. Só que o Tinder usa um sistema chamado FaceCheck para validar o usuário. E para isso, ele compara uma video selfie com as fotos do perfil.

Então, esses golpistas que estão usando foto dos outros para criar perfis falsos, vários, em massa, já vou dizer por quê, tem que botar uma última foto dele aparecendo. E para ele não botar uma foto que der na cara, que não é a mesma pessoa do resto das fotos, eles alteram essas fotos com Iá, inserem o rosto no meio de uma pintura, no meio de uma publicidade, como se fosse uma foto de um outdoor.

visto de uma janela, bota a foto da pessoa lá no fundo, porque assim o Tinder, com essa foto, reconhece a cara do golpista, ou seja, essa foto final é a cara do golpista, e libera o perfil. E aí esses perfis estavam sendo usados para aplicar golpe de cripto. Depois que acontecia o match, que a pessoa gostava daquele perfil, começava um papo, tentava levar a conversa para o WhatsApp, e lá...

aplicava o golpe de cripto, levando a pessoa pra algum esquema esquisito aí e perder o dinheiro da pessoa depois que ela já tá ali manipulada emocionalmente. O Rind, que é um app da mesma empresa que é dona do Tinder, tem esse mesmo problema e o Bumble, que é outro app de relacionamento, tem uma solução melhor porque ele deleta todas as fotos que não batem com aquela que foi conferida, que é o que faz mais sentido, né? Então esse selo de verificado de quem é um humano que passou pelo face check do Tinder...

que deveria ser para gerar mais confiança, está sendo explorado por golpista para aumentar a credibilidade dele para poder aplicar o golpe. Ou seja, deu tudo errado. Não é para isso que funciona. E aí, uma das soluções encontradas é começar a aceitar o selo de verificação baseado no World ID.

que é um sistema de identificação criado pelo Sam Altman, da OpenAI, que escaneia a íris do usuário para provar que eles são humanos. Você deve lembrar dessa história, se for assunto aqui no Resumido pela primeira vez, no episódio 121, que eu nem sei em que ano foi isso, deve ter, sei lá, pelo menos quatro anos, cinco anos.

Na época se chamava WorldCoin, e esse dispositivo se chama Orb. Ele escaneia a íris, gera uma ideia criptográfica única, que comprova que foi gerada a partir de uma íris humana, e a pessoa usa então esse código para provar que ela é humana em outras plataformas. A ideia não é horrível.

Só que a Iris é um dos dados biométricos mais sensíveis e você está entregando na mão do dono da OpenAI, que a gente está vendo aí já que tipo de pessoa tem se mostrado. Até porque esse tipo de verificação talvez tenha que ser feita por governos e não por empresas privadas, porque a gente não sabe onde esses dados vão parar. Aliás, falando em dados de empresas privadas, no Big Tech hoje tem mais história, como eu falei, da Palantir, que vai falar exatamente desse ponto.

Outras plataformas estão também usando esse tipo de solução, o Zoom, o DocuSign, para poder começar a exigir essa verificação de humanidade para rodar na plataforma, para você poder usar os serviços. Porque uma coisa que vai ficando clara, né, é o ponto de venda da World, mas...

É uma verdade mesmo. Vai ficar cada vez mais difícil você distinguir o humano de bots e realmente vai ser muito importante essa diferenciação. Como ela vai se dar eu não sei, mas já é um problema no Tinder. Você extrapola isso pra outras questões do mundo, relações interpessoais, questões políticas, questões sensíveis de saúde e a gente vê isso aí pode virar um problemão. Alguém vai ter que achar uma solução que seja aceita pelo mundo. Eu acho que o world do Sam Altman dificilmente vai emplacar.

E aí, o que que resta, né? Pra nós humanos, nesse cenário em que tudo vai sendo automatizado, que a IA vai impactando a economia, que os humanos vão sendo substituídos por chatbot, nem que seja pra iludir os outros. E o ensaio da newsletter Ghost of Electricity, chamado O Que Será Escasso, fala exatamente sobre isso. Ele fala de uma economia relacional.

no lugar da economia de hoje em dia, que é baseada em commodities. Então, o que esse texto fala é que hoje em dia tudo gira em torno de escassez. E aí que a IA não vai eliminar isso, só vai mudar o que é escasso. Porque quando a gente automatizar tudo, vários bens e serviços vão ficar extremamente, ou podem ficar extremamente baratos, abundantes. Isso aí vai reduzir o valor da produção comoditizada, né? Produtos padronizados, coisas que podem ser replicadas, que não dependem do vínculo humano. Execução de tarefas repetitivas.

Coisas que acontecem no dia a dia e que não dependem da relação entre humanos para fazer sentido. Então, com essa automação avançando, bens e serviços podem acabar virando muito barato, muito abundante. E isso aí vai reduzir o valor de produtos que podem ser comoditizados.

Produtos que são padronizados, que são replicáveis, que não têm um vínculo humano. Isso me lembrou a história do Starbucks, que eu citei aqui em algum episódio, que depois de ter automatizado vários processos, da compra, até da elaboração, da escolha dos cafés, viu que o valor percebido pelo cliente estava sendo diminuído e passou a investir de novo na interação humana, na experiência de, sei lá, comprar o café, falar com o humano, porque isso é o que a pessoa está indo atrás. Isso é o que faz a pessoa voltar a um Starbucks ou a alguma outra loja.

Então, o texto argumenta que quando as pessoas ficam mais ricas, ou os bens e serviços ficam mais acessíveis, elas vão consumir menos coisas e vão querer consumir mais experiências, ter mais relações, ter mais status. Isso aí vai criando uma nova categoria econômica e, assim, esse setor relacional...

onde o valor depende de quem fez, como foi feita e da experiência envolvida se valoriza mais. Você vê que já está se experimentando com isso, inclusive com os bots, como eu falei no exemplo desses bots de dropshipping, tentando vender justamente esse conceito para aumentar as vendas. E com a entrada da IA nesse processo, ela acaba reduzindo o valor simbólico das coisas.

Porque os produtos que são feitos por máquinas de maneira automatizada acabam sendo percebidos como uma coisa menos exclusiva. E isso pode fazer com que os produtos feitos por humanos, feitos à mão, se tornem mais valiosos justamente porque eles não foram automatizados. Então o que a IA pode acabar fazendo é acelerando essa transição para as atividades que são mais focadas nas relações humanas. Quanto mais avançar a tecnologia, maior pode ser o valor do que ela não consegue replicar, que é justamente o humano. Então o nosso futuro...

nesse mundo de trabalho automatizado, da ascensão da IA, pode não ser a gente ficar tentando competir com as máquinas, mas fazer exatamente o que elas não conseguem, que é ser humano de uma forma irreproduzível. Isso eu acredito muito que vai acontecer, eu acho que a gente já está vendo acontecer em vários níveis.

Que é já, a gente já tá no início desse processo, já tá todo mundo cansado de conteúdo gerado por IA, da quantidade de coisa que é produzida, então acho que a gente vai acabar valorizando mesmo mais as experiências humanas. Tomara que seja assim.

Marketing é o setor mais reconfigurado pela inteligência artificial no momento e é também o que mais tem gente perdida entre ferramenta nova e curso online rápido que já fica desatualizado em três meses. O problema não é a falta de conteúdo, é a falta de base para saber o que vale e o que é hype. E foi isso aí que me chamou a atenção quando a PUC Paraná me apresentou a escola de IA deles. Os professores trabalham em Big Techs e ensinam como essas empresas usam IA de verdade no dia a dia e não como ela deveria funcionar em teoria.

O conteúdo do curso é atualizado toda semana, porque eles sabem que toda semana já tem coisa nova. São oito pós-graduações no total. Além de marketing, tem também liderança, RH e várias outras, todas com diploma da PUC Paraná. E o cupom RESUMIDO35 dá 35% de desconto em qualquer curso.

E todos os alunos ganham dois meses grátis nas maiores IAs premium do mercado. E os assinantes do Resumido ganham desconto ainda maior, 40%, num cupom exclusivo que eu vou enviar pela newsletter e por WhatsApp só para os assinantes. Visite o site da Pós-Digital da PUC Paraná para saber mais detalhes. O link está na descrição do episódio. É só clicar e se inscrever no seu curso. Agora é o momento de explorar as transformações causadas pelas inteligências artificiais.

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A Wired falou que os alertas do Papa sobre os perigos da IA foram todos gerados por IA. Isso aí é o que uma ferramenta de detecção de texto gerado por IA falou. É uma ferramenta chamada Pengram, que você pode instalar como extensão do Chrome, por exemplo, que detecta automaticamente textos que são suspeitos de ser gerado por IA enquanto você estiver navegando na internet.

E aí funciona no Reddit, no X, no LinkedIn, no Medium, no Substack e vai classificando os conteúdos como humanos gerados por IA, assistidos por IA em níveis de confiança. A reportagem da Wired fala que um estudo indica que mais de um terço dos novos sites em 2025 já tem conteúdo gerado por IA.

E o CEO da Pangram disse que ele é um zelador do Slope, que está tentando limpar a internet de conteúdo artificial em massa. Ele não vai limpar, né? Ele vai conseguir alertar, ao menos a pessoa que está lendo, saber que aquilo foi gerado com IA. Porque esse caso do Papa realmente foi curioso. Ele está tentando fazer os alertas por IA, mas usou o IA para gerar o texto. Não sei se é exatamente um problema, porque ele é o Papa, ele está usando o canal Papal, que tem lá a sua relevância, respeito, alcance, para passar a mensagem. Será que é...

tão importante ter ido lá, clicar em cada letra? Não sei se esse caso é tão relevante pra mensagem, não. Mas é legal a gente pensar que, conforme boa parte do conteúdo online vai se tornando artificial, a autenticidade vai deixar de ser o padrão e vai passar a ser um diferencial. Um texto gerado por um humano, um site que é gerado por um humano, um podcast que é editado e gravado por um humano, vai ser um grande diferencial que você sabe que alguém...

passou tempo pesquisando, montando, escrevendo aquilo que você está consumindo. A Taylor Lorenz, da newsletter UserMag, fez uma pesquisa parecida no Substake. Ela analisou as 25 principais newsletters de cada categoria do Substake, usando essa ferramenta do Pengram, e ela encontrou um quadro menos alarmista do que a gente tem visto na internet.

De acordo com essa pesquisa dela, dois terços das newsletters que foram analisadas não tem nenhum traço de IA recente, mas mesmo assim ela encontrou umas concentrações importantes. 28% do conteúdo em tecnologia, 23% em filosofia e 22% em saúde tem uso de IA. Isso aí sugere que quanto mais analítico o conteúdo, maior a probabilidade de ter sido gerado por máquina.

E enquanto áreas que dependem da voz pessoal, como cultura, música, acabam resistindo mais ao uso de A, porque não conseguem ainda reproduzir o pensamento de alguém, né? Como a pessoa sentiu uma música, acho que a A não dá conta e nem acho que vai dar conta. Mas esse uso de A na produção de conteúdo não precisa acontecer só nesse nível, né? De quem tá escrevendo uma newsletter ou os tweets do Papa.

A verdade é que os dados que são gerados com consumo em plataformas como Netflix, por exemplo, já acabam moldando que tipo de filme que é produzido hoje. O Garden falou sobre o crescimento dos chamados filmes de algoritmo, que são umas produções caras, bem genéricas, que são feitas para agradar o maior número possível de pessoas. E aí, uma coisa que é feita para denominador comum dificilmente vai ter qualidade. Ou, pelo menos, um diferencial. Porque não é o propósito se você está procurando denominador comum.

E o que esses filmes têm em comum é o que você já sabe quando saiba o Netflix em 99% das vezes. Uma história simples, previsível, fácil de acompanhar, mesmo se você estiver mexendo o celular, for no banheiro, for fazer o almoço, é aquilo que eu falei aqui já algumas vezes. Pega uma série de 10 episódios da Netflix, assiste os dois primeiros e os dois últimos, já poupa metade do seu tempo e mesmo assim você vai descobrir que não viu nada muito bom.

Esses dias eu caio na besteira de assistir, algo horrível vai acontecer. E olha que eu nem gosto de histórias de terror.

E é isso, começou legalzinho e depois virou uma encheção de linguiça e no final fiquei decepcionado e lá foram 10 horas da minha vida que eu não vou ter de volta. Eu fiz o teste de três meses do MUBI, vai acabar acho que semana que vem, e gostei muito. Eu já tinha tentado no passado, não tinha gostado tanto, mas é aquilo, só tem filme bom. Eu sei que eu vou botar ali, vou passar uma hora e meia, duas horas vendo uma coisa que vai me marcar, que eu vou gostar de ter visto. Netflix tem muita coisa legal também.

Coisa pra passar o tempo, uma coisa ou outra mais interessante, mas é muita porcaria justamente pra essa produção em volume, baseada em coleta de dados, nos bilhões de interações durante o dia. Isso aí eles usam pra criar esses microgêneros pra conseguir aprovar...

conteúdo, projetos, sabendo que isso aí é que conta muito mais do que o processo criativo. Eles querem saber se vai encaixar numa narrativa algorítmica, se isso vai conseguir ser empurrado pra uma pessoa que de fato vai consumir aquilo. Aí vira uma conta muito maluca.

se a motivação de você produzir algo é só quem vai assistir, aumentar o número de pessoas que vão assistir. Você não está mais preocupado com o que você tem a dizer, só está preocupado com o alcance. E nessa personalização infinita também, o resultado pode ser a cultura ficando mais homogênea, ficando para esse lado denominador comum, tentando uma coisa que agrada todo mundo e não tem nada diferente. Na China tem uma plataforma de streaming chamada AikiI.

Não sei se fala assim, porque escreve-se I-Q-I-Y-I. E eles anunciaram que eles querem que a maior parte dos filmes e das séries deles, dessa plataforma, seja criada por IA já nos próximos cinco anos. Eles lançaram lá um conjunto de ferramentas de IA para cobrir o processo todo, roteiro, storyboard, render final. E eles querem transformar a plataforma numa coisa que vai ficar mais parecida com uma rede social baseada em vídeos gerados por IA. Isso lembrou um comentário que eu fiz num post no LinkedIn.

De um americano que estava falando sobre essa questão de conteúdo gerado por IA, eu falei, dessa forma, que o conteúdo vai ficar cada vez mais barato de produzir, significa que ninguém mais vai ser contratado para produzir nada. Eles vão esperar que as pessoas criem tudo com IA, postem e torçam para o melhor, para talvez conseguir ganhar dinheiro ou viabilizar a obra que foi realizada.

Muito parecido com o que a gente vive em rede social no Instagram hoje em dia. E isso, obviamente, é péssimo, porque não dá pra comparar o conteúdo que você vê no Instagram com um filme bem produzido, pensado, com uma intenção, né? Trabalhado por meses, com cuidado, com vários humanos envolvidos. Eu, pelo menos.

Nunca vi nada no Instagram que se aproximasse desse tipo de qualidade. E aí, para estimular as pessoas a fazerem uso desse novo ecossistema que eles estão montando, os produtores que utilizarem para esse caminho de IA vão ter mais 20% de participação nas receitas geradas por esses filmes. Isso tudo enquanto Hollywood está tentando resistir a IA, mesmo que a Amazon, a Netflix já estejam explorando esse tipo de tecnologia.

Agora o que a gente vai começar a ver é que em vez de você ter um conteúdo caro e escasso, falando aí mais uma vez em escassez, é um conteúdo infinito gerado sob demanda. E aí, se a maior parte do entretenimento for produzida por IA, o diferencial vai deixar de ser produzir e vai ser selecionar o que vale a pena assistir. Já é meio assim com o conteúdo algorítmico, né? Você definiu o que você vai assistir, é a parte mais difícil.

E entra aí o poder da curadoria, que é outro tema, que é o martelo aqui sem parar.

que é quem está dizendo o que e para quem. Isso vai ter cada vez mais valor. Outro lugar em que a IA também está já tendo efeito é na App Store. Os apps tinham dado uma caída, né? O número de apps produzidos, publicados na App Store, a loja de aplicativos da Apple, e começou agora a explodir em 2026. Os lançamentos de apps já cresceram 60% globalmente só no primeiro trimestre. No iOS o crescimento foi ainda maior, 80% nesse período.

Em abril, os lançamentos já subiram mais de 100% no ano a ano. E a principal hipótese é que as ferramentas de A estão permitindo que as pessoas criem apps mesmo sem saber programar, usando as plataformas como Cloud Code, Replit. Então, a ideia é que as pessoas não iam usar app, porque só usar chatbot, a gente de A não está se confirmando, pelo menos até agora. As pessoas têm criado muitos apps de produtividade, de utilidade, de lifestyle. Esses são os que mais crescem.

Com o volume vem vários problemas. A Apple mesmo já deixou passar alguns apps problemáticos, incluindo um que tinha um golpe de cripto que roubou mais de 9 milhões de dólares, o que é uma mudança e tanto, porque em 2024 a Apple já tinha rejeitado 320 mil apps por conta de questão com spam ou com fraude. Nesse volume de produção com IA, vai ser cada vez mais difícil você filtrar os apps maliciosos dessa forma. Um dos grandes diferenciais da Apple sempre foi essa coisa mais...

restritas de publicação. Eles têm muitas regras, não deixam qualquer um publicar, as apps têm que ser aprovadas. Tem gente que critica isso, eu acho que é um grande valor da Apple, inclusive, porque assim você tem um mínimo de segurança no que você está usando. Ok, é menos livre, é menos acessível, mas é menos arriscado também.

Outro lugar que já explodiu com o IA é a música, como se sabe. A Ars Técnica comentou um relatório da Deezer que diz que 44% das novas músicas que são publicadas no Weezer são geradas por IA.

fala que a maior parte não é feita pra ser escutada mesmo não, só pra explorar o sistema de pagamento de streaming com música gerada por bot e escutada por bot pra gerar esse pagamento. Por isso a Deezer diz que já tá desmonetizando cerca de 85% das execuções de música gerada por IA pra evitar tomar esse golpe. E aí vai ser mais um espaço em que a produção alucinada de slope de música lixo vai atolar a coisa e vira uma grande dificuldade de você conter isso em escala e

com o volume que vai chegando. E é isso. Já já vai ter uma plataforma que vai proibir conteúdo por IA, vai ser só um ano e aí vai gerar mais valor para o usuário. Eu vejo hoje já a importância dos selos, né? Hoje em dia, quando eu ouço... Bom, já sempre foi assim, né? Você acompanhar um selo, uma gravadora que você gosta...

É uma forma de validação daquele artista, daquela música. E eu acho que isso vai ficar cada vez mais importante porque você vai querer saber se aquilo de fato existe. E uma forma vai ser isso. Os selos que você já conhece, que são estabelecidos, ou os próximos que vão vir e vão conseguir construir uma história assim.

E nessa seara de geração de conteúdo com IA, semana passada foi lançado um novo sistema de geração de imagens do chat EPT. E olha, eu já ando bem cansado de ficar fazendo comentário de cada novo lançamento dessas plataformas, porque, enfim, tem uma a cada dois meses, eu tenho até evitado falar isso. Mas é que esse fez tanto barulho, as pessoas disseram que tá tão bom. Eu recebi 500 artes de Flamengo.

o Vinícius Júnior volta pro Flamengo, ou, sei lá, o Lamine Yamal tá vindo pro Flamengo com a mesma arte usada pelo clube. Cara, isso não chega a me impressionar. É um clone, beleza, foi feito, tá igualzinho. Mas o Gary Marcos, que tem uma newsletter que eu venho citando algumas vezes aqui, ultimamente, fez uma análise e ele citou um teste que foi feito.

com uma imagem de bicicleta, pra mostrar como esse gerador de imagem do estado de EPT não é tão bom assim. Ele pode impressionar na qualidade da imagem, mas ele não é tão bom do ponto de vista técnico. Porque quando pediu pra gerar uma imagem e rotular as partes de uma bicicleta, algo que deveria ser bem simples, ele gerou um monte de erro. Confundiu a engrenagem com freio.

Botou a etiqueta apontando para um vazio onde não tinha nada na imagem. Misturou um monte de componente contemporâneo, moderno, de bicicleta com coisa antiga. Ou seja, não tem nenhuma coerência funcional. Isso aí significa que a IA não entende como essas partes funcionam. Ele só vai associando os padrões visuais comuns porque é uma máquina de autocompletar. Então, o ponto importante é que mesmo com esse avanço visual, a qualidade da imagem impressionante, como eu falei no caso do exemplo do Flamengo, das coisas que eu recebi.

o problema continua sendo a falta de entendimento do mundo físico. Porque quanto mais realista a imagem fica, mais difícil fica perceber que ela está conceitualmente errada. Então esse é o perigo. Ela fica tão bonita, tão esteticamente perfeita, que ajuda a empurrar um conteúdo errado. Isso é muito perigoso. E esse problema também está acontecendo em outras áreas. O Harvard Business Review...

falou de uma pesquisa com os modelos de linguagem em relação a conselho estratégico. E aí o resultado é o que eles estão chamando, escunharam um termo chamado trend slope, ou slope de tendência. Esse estudo que foi feito com o Chate-GPT, com o Clodo e alguns outros modelos,

foi para testar como esses modelos se comportam ao dar conselhos estratégicos. O que eles descobriram é que eles tendem a repetir modismo de gestão, independente do contexto. Então, eles rodaram várias simulações com vários modelos e o resultado é que a IA quase sempre recomenda as mesmas estratégias que estiverem na moda, mesmo quando o contexto muda. Por isso eles chamaram de trend slope ou slope de tendência.

Então esses modelos sempre acabam recomendando como estratégia alguma coisa que soe bem na cultura de negócio atual, mesmo que não seja o que funcione. Então sempre vai falar que diferenciação é mais importante que baixo custo, que o longo prazo é mais importante que o curto prazo, que a colaboração é melhor que competição, mesmo que isso aí não funcione, no caso, em questão. Para a empresa que vai fazer essa pesquisa. Mesmo você ficar melhorando os prompts, der mais contexto, esse viés não muda.

A pesquisa mostrou que em vários casos, esses modelos ficam sugerindo você fazer tudo ao mesmo tempo, você ser premium e barato, o que acaba contradizendo o princípio básico da estratégia. Você tem que escolher um caminho, não dá para ser as duas coisas. E isso tudo acontece porque esses modelos são treinados com textos de internet, onde vários conceitos têm uma conotação positiva, outros têm conotação negativa, e esses modelos repetem isso.

Então acaba funcionando como uma pessoa mal preparada que fica repetindo tendência.

e não alguém que está com a experiência e está acostumado a tomar uma decisão difícil. E o risco é que os líderes que ficarem seguindo esse tipo de conselho com um modelo de linguagem, com chatbot, podem acabar tomando um monte de decisão baseada em modismo, não numa análise real. Então você deve usar essas ferramentas, como sempre, para você explorar a opção, testar a sua hipótese, não para você decidir uma estratégia final. Porque quanto mais convincente uma IA soa, maior o risco de você seguir um conselho genérico sem perceber que é isso que está acontecendo.

E falando em confiança em chatbots, quatro estudos recentes estão reforçando exatamente esse mesmo alerta de que os chatbots já não são confiáveis para você pegar conselho médico, mesmo quando você bota lá uma pergunta, parece muito segura e confiante a resposta.

Eu uso quando eu tô passando mal, me sentindo esquisito, ou sei lá, meu filho tá com febre, ou teve gastroenterite, pra fazer pergunta que eu sei a resposta. Cara, o que o bosta dá pra comer agora mesmo? Como é que eu monitoro essa situação? Se você usa ele como um apoio, mas...

pra você gerar um diagnóstico. Por mais que toda hora apareça uma história de alguém que descobriu uma doença que não sabia, depois que botou no chat EPT, isso aí é exceção, não é a regra. Você vai botar lá, você vai ouvir uma maluquice, vai acabar dando um remédio que faz mal pra alguém, enfim. É perigoso. E um desses estudos analisou cinco chatbots, chat EPT, Gemini, GROC, e encontrou resposta problemática em quase metade dos casos.

E o que é pior é que, além do erro, esse sistema, como eu disse, acaba respondendo com uma confiança tão excessiva, mesmo quando está errado, que isso pode gerar mais problema. E aí vai de tudo. Resposta com alucinação, citação inventada, até algo crítico num contexto médico.

Outro desses estudos, esse da Nature Medicine, mostrou que esses modelos de linguagem identificam condições corretamente em menos de 34% dos casos. Ou seja, um desempenho similar ao acaso. Então mesmo quando acerta, é por acaso. Vai acertar no volume. De tanta besteira que fala, mora certa. E o problema é isso. Não é só a IA. É que o usuário comum não sabe fazer a pergunta certa para poder ter boas respostas.

Essa é sempre a questão. É quem tá usando. É o que eu costumo falar aqui. Não adianta você ter todo o conhecimento sobre determinada área se você não conhece ela. Eu não vou saber fazer uma cirurgia só porque eu consegui comprar um bisturi e um avental. Eu não tenho estudo médico pra fazer. Eu posso ler no chat de repente como faz a cirurgia de coração e eu não vou saber fazer.

Outro teste que estava sendo usado em triagem médica mostrou que esses sistemas erram ao subestimar 52% dos casos de emergência. Isso aí pode causar a morte de alguém. Um caso pode ser grave, 52%, mais da metade dos casos diz que não, tá tudo bem, não é tão emergencial assim, a pessoa vai para o beleléu.

E a culpa fica pra quem, aliás, né? Vai ficar pro chatbot? Pra quem usou o chatbot? Perguntas difíceis. O New York Times, inclusive, contou a história de um homem que recusou o tratamento de câncer depois de ele confiar na análise que foi gerada por IA, mesmo com o alerta médico, uma decisão que acabou contribuindo pra morte dele. E esse homem é um ex-neurocientista que foi diagnosticado com uma leucemia que era tratável e resolveu adiar o tratamento com base nas pesquisas que ele fez com IA. E o filho dele, o Ben,

que escreve sobre os riscos dessas ferramentas, descobriu, depois de ver o prontuário médico, que o pai estava ignorando há meses recomendações urgentes do oncologista. Esse ponto de ruptura, quando o pai parou de prestar atenção nos médicos, aconteceu quando ele começou a usar o sistema da perplexity para interpretar os estudos científicos e diagnosticar a ele mesmo, até ele chegar a essa conclusão que ele sofria uma condição mais grave e que o tratamento ia acabar sendo prejudicial para o que ele tinha.

E assim ele acabou não tendo tratamento e morrendo. Ou seja, fica aí um exemplo de como mesmo uma pessoa, um médico, acabou sendo enganado por um sistema desse por ter acreditado numa coisa que provavelmente foi apresentada com muita autoridade.

E pra fechar o bloco de ar aqui, uma notícia que eu vi no Ads with Benefits, no Instagram, é a notícia que as marcas estão começando a investir em provas de que são reais. Mais um exemplo de como tá ficando importante as coisas reais serem percebidas como tal, ou comunicadas como tal.

E aí citou a polêmica que deu com o anúncio da Lego, desse kit pra Copa do Mundo, uma taça, que teve uma propaganda com o Messi, com o Cristiano Ronaldo, que teve que responder depois, criou até uma hashtag. Honestly is not AI. Honestamente não é AI, porque muita gente achou que a propaganda era AI. E uma outra foi a Apple.

que lançou um making-off da vinheta de animação da Apple TV, mostrando que foi toda filmada. E eu não tinha a menor ideia, tinha certeza que aquilo era digital. É muito legal o making-off, inclusive, que tá nesse carrossel. Eu vou botar o link lá, junto com todos os outros links comentados nesse episódio, no post em que eu reúno todos eles, que é exclusivo pros assinantes do Resumido. Tá lá o link no site do episódio. Se você é assinante, clica, você sabe a senha. Vai poder ver esse vídeo por lá.

Eu guardei essa história para o final do bloco porque eu acho que ela define muito do que eu falei hoje aqui, que essa questão que a autenticidade não é mais um pressuposto, é uma coisa que precisa ser demonstrada ativamente. Que talvez o novo luxo na era digital não seja uma produção sofisticada, mas sim a prova, a evidência de que um humano esteve ali também. E agora é hora de falar sobre como as Big Tech moldam o nosso comportamento.

Se um US-marino pedir para um melhor rifle, devemos construir ele. E o mesmo acontece com software. Isso é de uma receita ex-poste de US data giant Palantir. Foi viral e foi criada internacional.

Você já deve ter ouvido falar da Palantir, que é uma empresa que é focada em pegar grandes volumes de dados que estão dispersos em vários sistemas e transformar em algo útil para a decisão. Ele processa essa quantidade de volume e aí ajuda governos e empresas a tomar uma decisão baseada naqueles dados.

A empresa não é nova foi fundada em 2003 pelo Peter Thiel e os outros membros da PayPal Mafia, que são os fundadores do PayPal, que depois foram dominar o Vale do Silício, Peter Thiel, Elon Musk e outros. E se você é meio geek igual eu, você sabe que esse nome vem do Senhor dos Anéis. Os palantires são objetos que permitem você ver o invisível. Fica uma metáfora para análise de dados.

A empresa surgiu depois do atentado de 11 de setembro, quando essas agências do governo dos Estados Unidos tinham muito dado, mas não conseguiam conectar uma coisa com a outra. E o primeiro produto deles foi o Gotham, que integra dados de inteligência, como localização, relatório, vigilância, numa interface só. Eles estavam focados em contratos de defesa do governo, trabalhando com a CIA, depois com a Inquitel. Depois eles foram para o setor privado, com a Foundry, que aplica essa mesma lógica.

para empresas, né? Logística, finança, supply chain. E um dos diferenciais da Palantir é o que eles chamam de forward deployed engineers ou engenheiros que são enviados à frente do trabalho e que vão trabalhando dentro do cliente para conectar esse sistema todo manualmente. A Palantir abriu a ação na Bolsa em 2020, a ação ficou oscilando muito até um boom recente, impulsionado por IA.

Porque depois do lançamento do chat GPT, a Palantir criou o AIP, que é o Artificial Intelligence Platform, que combina IA com os dados estruturados. Esse movimento fez a empresa disparar no mercado. A ação saiu de 7 dólares para mais de 200 por ação no pico em 2025.

Isso aí é prova que, na era da IA, os dados organizados valem mais do que os modelos em si. Os modelos não funcionam sem um dado organizado, e é isso que a Palantir faz. A Palantir tem uma reputação meio esquisita, porque desenvolve trabalhos de vigilância com muitos governos, isso gera várias questões.

E aí, para aumentar essa percepção negativa, eles resolveram lançar um manifesto, completamente ideológico, resumindo as ideias de um livro chamado The Technological Republic, do CEO da própria Palantira, Alexander Karp. E aí o texto é uma loucura.

Eles publicaram isso no Twitter em 20 tópicos e basicamente é um texto que fala que o Vale do Silício tem uma dívida moral com os Estados Unidos, que por conta disso tem que participar ativamente da defesa nacional. Criticou a cultura tech, fala que os apps e produtos de consumo são uma tirania que limita a ambição tecnológica. Fala que o poder global do século XXI vai ser baseado em software e ar militar.

Fala que a questão não é se as armas Cuiar vão ser criadas, mas quem vai criar e que não pode se deixar os adversários dos Estados Unidos criarem antes. E aí fala que tem que ter uma maior integração em tecnologia e Estado. Começa a falar em serviço nacional universal, ou seja, recrutamento compulsório.

critica política, cultural, fala que tem muito discurso moral, tem que ter mais entrega real de segurança, de crescimento, e aí fala que o mundo tá entrando numa nova era de dissuação baseada em ar, que isso aí substituiu a lógica nuclear. Enfim, o texto é uma visão de mundo em que a tecnologia, geopolítico, poder militar, tá tudo conectado. E isso aí mostra como essas empresas de tecnologia tão deixando de ser só uma fornecedora e tão passando a atuar como um ator ideológico e político explicitamente.

E aí o Guardian, jornal inglês, fez uma análise desse manifesto, descreveu como divagações de um super vilão, e aí destacou vários problemas que tem no texto, que, entre outras coisas, diz que algumas culturas são avançadas, outras são disfuncionais e regressivas. E fala justamente como o CEO da Palantira, Alex Karp, vem com esse discurso cada vez mais político, mais ideológico.

falando de tecnologia e de poder global. Aí o Gardner falou que os parlamentares britânicos chamaram o texto de paródia de Robocop, mas eles ficam preocupados porque a Palantir tem mais de 500 milhões de libras esterlinas em contratos lá no Reino Unido, incluindo 330 milhões com a NHS, que é o SUS da Inglaterra.

E aí as pessoas estão preocupadas porque essa declaração ideológica da Palantir mostra que isso é incompatível com o uso de dados sensíveis dos cidadãos. Uma empresa que está pensando tecnologia do ponto de vista de um tecnofascismo não pode estar lidando com o dado sensível de saúde de milhões de pessoas.

Porque aí vira também o rabo balançando o cachorro. Uma empresa que está fornecendo tecnologia para governos começar a defender publicamente a própria visão ideológica sobre como esses governos deveriam agir. Ou seja, deve estar tendo acesso a dado demais. A The Verge também falou sobre o manifesto, fez um artigo engraçado, assim, de Landonda, com os 22 pontos, fazendo piada com o absurdo desse manifesto que caiu super mal.

Falando em malucos tech, o New York Times falou que a SpaceX está mudando a narrativa justamente agora que está se preparando para abrir o capital na Bolsa. Parou de falar em colonizar Marte e está falando cada vez mais nessa ambição de transformar o espaço numa espécie de infraestrutura para a economia de ar. Uma das coisas que eles anunciaram é um acordo de comprar a startup Cursor, que é uma plataforma de ar para programação, para desenvolvimento, por 60 bilhões de dólares.

Só que esse anúncio aí pegou meio mal, porque se a SpaceX acabou de comprar o XAI por 48 bilhões, por que precisa pagar 60 bilhões pelo cursor agora? Significa que o XAI é ruim, não é bom o suficiente? E isso aí preocupa, porque ao comprar o XAI...

ele vira parte desse portfólio da própria SpaceX e vai desvalorizando o próprio produto se ele for visto como um problema e não como uma solução. E como se já não estivesse com bastante confusão, essa semana começa o processo do Elon Musk contra a OpenAI em que ele pede que o Sam Altman seja retirado do poder e que a empresa desfaça o caminho de se transformar numa empresa privada.

O argumento do Musk é que a OpenAI cometeu uma fraude quando quebrou o acordo e desviou da missão original de se manter como uma empresa não focada em lucros e resolveu se transformar numa empresa voltada ao lucro, inclusive planejando lançar as ações na Bolsa ainda esse ano. Isso porque, de acordo com o Musk, ao agir dessa forma, a OpenAI enganou os investidores, que estavam ali investindo numa empresa que não tinha fins lucrativos e que depois ele usou esse dinheiro para criar uma empresa voltada ao lucro para ele próprio faturar.

Não é um caso fácil de ganhar, embora o Elon Musk tenha bons argumentos, porque realmente isso aconteceu dessa forma. O argumento da OpenAI é que o Musk só está tentando atacar um concorrente direto da XAI, porque ele tem ciúme também, que não foi nomeado CEO na época e por isso saiu da empresa. Mas o Musk diz que não é nada disso. Já disse que vai doar a quantia se ele ganhar o processo, acho que são 120 bilhões de dólares, se não me engano.

Mas o que tá todo mundo de olho é na fofocada que vai gerar disso aí, né? Porque esse tipo de processo acaba dando acesso a mensagens privadas, e daí você vê um monte de disputa interna, conflito pessoal, vem uma fofocada toda junto e o pessoal quer ver, é o circo pegar fogo, obviamente. E com as duas empresas, a SpaceX do Elon Musk e a Open AI do Sam Altman, às vésperas de abrir a ação na Bolsa...

Esse julgamento todo pode acabar expondo fragilidade das duas empresas e acabar melando esse lançamento aí. E, além disso, pode refletir em todo o ecossistema de IA, porque várias dessas empresas também argumentaram coisas parecidas. A própria Antropic, que é uma dissidência do OpenAI.

que viu a empresa indo para o lado que não acreditava, disse que ia montar também mais uma empresa que ia estar preocupada com benefícios da humanidade e também virou uma empresa focada no lucro. Esse julgamento vai render muito veículos como a The Verge, por exemplo, criaram uma newsletter especial para acompanhar os desdobramentos.

Com certeza esse assunto vai voltar aqui. Enquanto isso, a Meta anunciou que vai demitir 10% da sua força de trabalho, enquanto eles estão acelerando os investimentos em inteligência artificial. Isso aí é uma mudança clara de prioridade dentro da empresa. Eles...

tinham tomado uma posição muito forte em relação ao metaverso e a justificativa com esse movimento é liberar recurso para investir mais em IA. Eles estão prevendo gastar até 135 bilhões em infraestrutura só esse ano. 135 bilhões de dólares só esse ano.

Só que enquanto eles não mandam ninguém embora, a Platformer revelou que a Meta está monitorando a atividade dos próprios funcionários para treinar sistemas de A. Estão transformando o trabalho dia a dia das pessoas na Meta em matéria-prima para automação. Eles instalaram um sistema que registra os cliques, a digitação, os movimentos do mouse, até as capturas de tela que os funcionários fazem. Um programa chamado MCI, Model Capability Initiative, que serve para treinar a gente de A.

a usar computadores como humanos. Então, a ideia é ensinar os modelos a executar as tarefas reais observando o comportamento dos trabalhadores. E aí é o seguinte, os funcionários não podem optar por sair desse programa, é compulsório, a não ser se ele estiver na Europa, por causa da GDPR. E a preocupação dos funcionários é sobre a captura de dados pessoais, de e-mails, informações sensíveis. Embora a meta afirme que os dados não vão ser usados para avaliação de desempenho, está todo mundo meio cético quanto a isso, ainda mais às vésperas de uma demissão de 10%.

da força de trabalho. Porque parece que a lógica é bem clara, né? Automatizar tarefas que antes exigiam equipes inteiras. Semana passada eu falei do Mark Zuckerberg criando a versão IA dele pra falar com os funcionários, mas ele vai continuar empregado, né? Ele quer mesmo copiar os funcionários todos pra não ter que contratar mais ninguém. E aí é uma mudança na meta, né? Se antes os usuários das plataformas eram a principal fonte de dados, agora os próprios funcionários estão virando dados de treinamento.

E no mundo do trabalho, o MIT Tech Review falou que os trabalhadores de tecnologias chineses estão começando a treinar as IAs para duplicar o colega de trabalho. Virou um trend no GitHub, virou lá um projeto chamado CollegesQ, ou capacidade do colega, que transforma o modo de trabalho dos seus colegas de trabalho numa habilidade, entre aspas, reutilizável pelos agentes de A.

Então, a brincadeira é que você tem que automatizar o seu colega antes de você ser automatizado. Isso aí mostra esse medo que todo mundo está de ser substituído por IA. Ninguém quer ser substituído. Ninguém quer se ver como substituível. Mas, mesmo assim, os usuários estão relatando que o resultado é surpreendentemente bom.

E que as próprias empresas estão incentivando os funcionários a documentar os seus processos para treinar esses agentes. Aí o objetivo aqui não é só automação, né? Você criar um banco de conhecimento sobre como o trabalho do funcionário é feito e depois a empresa pode identificar o que pode ser padronizado, o que ainda depende de um humano. E nessa, os trabalhadores podem estar treinando a máquina para fazer o trabalho delas. O que tem de importante nisso é que não está mais só se tentando automatizar as tarefas, né? Está tentando capturar o jeito de trabalhar de cada pessoa.

Então você vai lá tentando documentar o seu trabalho para a IA, mas você vai tornando mais fácil alguém copiar o seu trabalho sem você. Então o que a gente está vendo é uma grande automação do trabalho acontecendo de maneira compulsória, não muito transparente, e esse assunto promete render muito. Hora de relaxar com as dicas de ver, ler e ouvir.

O filme Coyote vs. Acme, sobre aquele coiote da Looney Tunes, que tá sempre atrás do Papa Leguas, vai finalmente ser lançado. O filme mistura atores reais, animações da Looney Tunes, foi dirigido pelo Dave Green, estrelado pelo Will Forte e o John Cena, e foi comprado pela Ketchup Entertainment depois que a Warner Brothers preferiu cancelar o filme, depois de ter gasto 72 milhões de dólares, o filme já tava pronto.

pra aproveitar um abatimento fiscal de 30 milhões. Esse caso virou um símbolo desse momento bizarro da indústria em que a contabilidade criativa acaba superando o critério artístico. E isso porque os testes do filme tinham ido super bem. Tinha compradores interessados e mesmo assim ele acabou sumindo do mapa. E agora, finalmente, o filme vai ver a luz do dia com estreia prevista ainda pra 2026. Eu tô muito curioso pra ver, porque o filme realmente, quem viu, disse que é muito bom.

11 anos depois de Fortaleza, o grande Fernando Catatau volta com o disco novo pelo selo Risco, em parceria com a Nublu Records. O álbum é homônimo chamado Cidadão Estigado, primeiro disco do Cidadão Estigado, que tem o mesmo nome da banda, e nasceu no isolamento.

O Catatau comprou uma Roland MV 8800 e o resultado é um disco mais eletrônico, feito para dançar. O single Consciência já dá uma ideia desse clima, tem umas camadinhas discretas, a guitarra pontual, o que é bem diferente, porque o Catatau é um grande guitarrista, e uma melodia que fica ali, indo do lado para o outro, enquanto você está tentando entender para que lado está indo.

30 anos de carreira já, o Catatau vai soando cada vez mais interessado no futuro do que na nostalgia. Baita disco, ouço tudo que o Catatau lança. Então tá aí recomendado. Consciência do Cidadão Estigado é o que você tá vendo aí no fundo.

Nesse episódio, você ficou sabendo que uma mulher terminou um relacionamento após ler o histórico do namorado no chat GPT, que a Palantir publicou um manifesto declarando dívida moral do Vale do Silício com a sociedade, que um eletrônico doméstico grava jantares em família para ser ouvido depois, que a meta espiona ações de funcionários para gerar dados de treinamento, que um homem morreu seguindo orientações médicas de chatbot, que o Tinder virou uma plataforma de golpes de cripto e muito mais.

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E se você quiser comprovar que ouviu esse episódio até o final, é só você deixar um comentário com a palavra secreta da semana, que é autenticidade. O resumido é produzido e apresentado por mim, Bruno Natal. O roteiro é escrito por mim e pelo Ojanor Neto. O Cauê Marques coedita a newsletter O Futuro Explicado e as redes sociais, que contam com animações do Peri Selmaman e designer do Felipe Araújo. A edição e mixagem é feita pelo Hugo Rocha, da Usina Sons.

A foto da capa é do Jorge Bispo e o tema original foi composto pelo Gustavo Silveira. Eu sou o Bruno Natal. Obrigado pela audiência. Semana que vem tem mais Resumido. Resumido.

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