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Robôs apanham na rua / Astronauta enfrenta bug do Outlook na Lua / Rapper de IA exalta extrema direita (#358)

07 de abril de 202640min
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RESUMIDO #358, apresentado por Bruno Natal. 

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Robôs de delivery apanham na rua e o iPod Shuffle vira referência de tech sem tela. Um rapper de IA viraliza com discurso da ultradireita e uma artista perde as próprias músicas após ser clonada. A Wikipédia baniu conteúdo gerado por IA e meio milhão de linhas do código do Claude vazaram.

O que é real e o que é cópia?

No RESUMIDO #358: robôs apanham na rua, astronauta enfrenta bug do Outlook na Lua, rapper de IA exalta extrema direita, artista não consegue provar que música é dela, Wikipédia bane conteúdo de IA, Black Mirror vira exposição, código do Claude vaza inteiro, NYT demite escritor por usar IA e muito mais!

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Ouça e confira todos os links comentados no episódio:

https://resumido.cc/podcasts/robos-apanham-na-rua-astronauta-enfrenta-bug-do-outlook-na-lua-rapper-de-ia-exalta-extrema-direita/

Participantes neste episódio1
B

Bruno Natal

HostJornalista
Assuntos5
  • Rapper de IA criado para propaganda de extrema direitaDanny Bones · Propaganda política com IA
  • IA como Ferramenta CriativaWikipédia banindo IA · Deepfake musical
  • Terceirização de serviços de entregaViolência contra robôs · Custos operacionais
  • Bug do Outlook na LuaMissão Artemis II · Problemas técnicos no espaço
  • Vazamento de código do ClaudeFalhas de segurança · Implicações do vazamento
Transcrição105 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Resumido

Olá, eu sou o Bruno Natal. Hoje é dia 7 de abril e no resumido número 358 robôs apanham na rua. Astronauta enfrenta bug do Outlook na lua. Rapper de IA exalta a extrema direita. Artista não consegue provar que música é dela. Wikipedia bane conteúdo de IA. Black Mirror vira exposição. Código do Claude vaza inteiro. New York Times demite escritor por usar IA e muito mais. Vamos nessa resumida

Dormido, dormido, dormido.

se for o seu caso, me dá um toque. E nesse final de semana eu estive lá na Globo News, dessa vez no estúdio lá presencial. Muito mais legal fazer as coisas presencialmente, né? Falando um pouco sobre a questão de crianças online e essa ação da AGU contra o Google exigindo que omita os resultados dos aplicativos e sites que são usados para fazer nudes falsos com o IA. Se você quiser ouvir o que eu falei lá, porque é um bom tempo no ar, eu vou deixar o link no post com todos os links comentados nesse episódio.

Fica lá no site do resumido.cc Aliás, falando em outras frentes do resumido Temos aí o Instagram, arroba resumido.podcast E tem também a newsletter O Futuro Explicado, que você pode assinar Também lá no site, resumido.cc Barra newsletter, espero ver você Em todos esses lugares E mais importante pra continuidade do resumido Espero que você se torne um assinante pago E é hora de agradecer a nova assinante da semana Que é a Nathalie, muito obrigado Pela sua assinatura, só assim o resumido Pode continuar, e é isso, vamos pro episódio Tchau

Já estamos em abril de 2026, está voando. Todo mundo já entrou na rotina de trabalho, nessa altura espero, né, de deslocamento, de compromisso, de treino. Não tem mais muito ajuste para fazer, agora é partir para dentro e é nessa hora aí que fica claro que tem roupa que atrapalha e tem roupa que resolve. Eu tenho usado bastante as peças da Insider nesse contexto mais prático.

que é uma roupa que aguenta o dia inteiro, não incomoda, funciona em temperaturas diferentes e também não precisa de tanta atenção o tempo todo. Não amassa, são peças tecnológicas, porque se você for igual a mim, a minha única preocupação com o look é não precisar pensar em nada disso.

Início do mês é uma boa hora para renovar o armário e é claro que a Insider tem uma boa combinação para isso. O cupom resumido lá no site da Insider é dinâmico, ele dá 15% off para novos clientes e 10% off para quem já comprou. E nesse começo de mês, quem pagar no Pix ainda ganha mais 10% off no carrinho. É o tipo de ajuste simples que melhora o resto do mês, diz aí. Tem um link clicável aqui na descrição do episódio. Então clica e vai lá no site da Insider para garantir o seu desconto.

Vamos de cultura digital e como nosso comportamento online ajuda a moldar a sociedade.

A missão Artemis II continua no espaço, né? É a missão tripulada que foi mais longe no espaço. A cápsula deu a volta pelo lado oculto da Lua, fazendo uma volta bem grande, inclusive. É o ponto mais distante já visitado por um humano no espaço. Mas nada disso impediu um bom e velho problema, muito parecido com os que a gente tem aqui na Terra.

que foi o caso do astronauta Ryde Wiseman, que teve que avisar o controle da missão que ele tinha dois Outlooks instalados no computador da missão, mas nenhum deles estava funcionando. Ele estava usando um Microsoft Surface Pro, adaptado para esse uso espacial, e aí a equipe de Houston entrou remotamente no dispositivo, resolveu os problemas, ele também teve uma dificuldade com o software Optimus.

E assim ele seguiu viagem podendo ver os e-mails dele. Olha que beleza, é muito ruim ficar sem e-mail, né? E é engraçado pensar que a gente passa décadas aí imaginando um futuro espacial, com carros voadores, um monte de interface perfeita, os computadores dominando tudo. Mas o que acontece é que até numa viagem pra Lua, o camarada continua dependendo de reiniciar o programa, chamar o suporte técnico, esperar uma atualização pra terminar.

Eu achei engraçado, no meio dessa missão toda, esse ser o problema. Já aqui na Terra, as questões com tecnologia são um pouco diferentes e a Semafor falou sobre como algumas empresas de robô estão tendo que enfrentar a violência humana. Porque conforme esses robôs de entrega...

São os carrinhos, talvez você já tenha visto em algum vídeo no Instagram ou no YouTube, são como se fosse uma caixinha, um isopor com roda que faz entrega autônoma. E desde que eles começaram a circular mais pelas ruas dos Estados Unidos, as pessoas têm reagido de maneira violenta. Tem gente que chuta, picha, derruba, monta em cima e acaba dando um maltrato nas máquinas. É um fenômeno ainda pequeno.

mas já entrou na planilha de custos dessas empresas porque é uma despesa operacional. A Serv Robotics, por exemplo, que fabrica alguns desses robôs sobre rodas, disse que já criou uns protocolos de manutenção para lidar com esses danos que são causados por humanos, que pode ir desde essas pequenas pichações até ataques físicos mais agressivos. Eles falaram que isso acontece em menos de 1% das 100 mil viagens realizadas pelos robôs, mas que já é o suficiente para fazer parte da rotina de operação.

E o CEO da empresa diz que essas máquinas já são construídas pensando nesse tipo de hostilidade, para suportar tombo, pancada, alguns danos sem ter que interromper o serviço. E eles não chamam a polícia, nem tentam identificar quem vandalizou os robôs, porque o entendimento da empresa é que esse tipo de comportamento faz parte de uma fase de adaptação.

As pessoas têm que se acostumar com esse espaço urbano sendo compartilhado com as máquinas, e isso aí é meio que esperado. Ele falou até que alguns dos grafites, quando ficam mais bonitos, eles nem limpam o robô imediatamente. Deixa lá mais um pouquinho rodando. Talvez pra dar uma humanizada nas máquinas, né? Mas essas agressões aos robôs representam também essa ansiedade.

pela substituição de trabalhadores humanos, pela vigilância nas ruas, pela ocupação das calçadas por essas máquinas e essa sensação de que as cidades onde isso está acontecendo, São Francisco tem muito, Miami tem bastante também, a sensação de que essas cidades estão virando um laboratório para as empresas de tecnologia. E a reportagem da Semafor comentou também que essas empresas gastam tanto tempo tentando fazer esses robôs ficarem fofos, inofensivos, simpáticos.

com um olho grande, com voz amigável, mas talvez isso aí possa estar tornando mais difícil eles serem vistos como um equipamento caro e acabam sendo vistos como um personagem desenho animado, uma coisa mais lúdica, que talvez desperte esses sentimentos mais...

animais nos humanos. Porque é isso, a gente anda saturado de vidas robóticas e a New Yorker fez um perfil sobre o influenciador Carlos Eduardo Espina que já está se tornando o principal influenciador de notícia dos Estados Unidos em espanhol. Ele tem mais de 22 milhões de seguidores espalhados no TikTok, no Instagram, Facebook, YouTube e já virou uma voz muito reconhecida. Ele publica comentários bem curtos sobre as notícias.

nos vídeos de até um minuto, e ele chega a postar até 60 vídeos por dia. Isso aí dá uma noção de como está a dinâmica dessas redes sociais. O que está valendo mais é o volume do que o conteúdo. Você tem que tacar vídeo para tudo quanto é lado para ver qual vídeo chega em alguém e você ganha na soma dessas visualizações todas.

Uma pesquisa do Pew Research falou que um em cada cinco adultos nos Estados Unidos já se informa regularmente através de influenciadores de notícias. Entre as pessoas de 18 a 29 anos, esse número sobe para quase quatro em cada dez pessoas. O crescimento dele tem muito a ver com a desinformação em espanhol nos Estados Unidos, principalmente depois que o Jorge Ramos da Univision saiu, ele era o principal rosto do jornalismo latino por lá.

E o próprio Jorge Ramos falou que esse Carlos Eduardo é um líder desse fenômeno novo.

Que ninguém mais está tão interessado em ser um âncora de TV para trabalhar com notícia e que hoje em dia faz mais sentido você operar em várias plataformas. Eu já falei sobre isso por aqui, sobre como os influenciadores viraram a principal fonte de notícia para os jovens e como o TikTok também já vem substituindo o Google como mecanismo de busca, de descoberta. Tudo isso está interligado, é uma mudança comportamental. A gente precisa aprender a navegar, inclusive para encontrar onde tem boas notícias nesse novo ecossistema.

E é justamente essa a crença do resumido. Eu opero em diferentes redes, aqui no podcast, nas redes sociais, justamente tentando fazer essa mensagem chegar mais longe, onde as pessoas estão hoje consumindo o conteúdo. Agora é o momento de explorar as transformações causadas pelas inteligências artificiais.

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Tem um rapper fazendo muito sucesso na Inglaterra e a princípio parece que o Danny Bonos, esse rapper, é um integrante da classe trabalhadora que já está radicalizado, revoltado com migração, com globalização, com a tal decadência da Inglaterra, como os conservadores gostam de dizer.

e que ele faz suas músicas falando disso. Ele tem vários clipes também mostrando essas marchas nacionalistas, a bandeira da Inglaterra, um monte de slogan supostamente patriótico, cena de deportação em massa. Mas o fato é que esse Danny Bones não existe. O rapper foi gerado por E.A. e foi criado por um grupo anônimo chamado The Node Project.

E tem sido usado como ferramenta de propaganda pelo partido de extrema direita Advance UK. O próprio partido já admitiu que pagou mesmo o Node Project para produzir os vídeos dessa campanha. E o Danny Bones já soma mais de 250 mil plays no Spotify. E os vídeos no TikTok, no YouTube, no Instagram já tem mais de 2 milhões e meio de visualizações. Inclusive esse The Node Project que criou o Danny Bones também se apropriou de um avatar de cabelo roxo que foi criado...

por um projeto financiado pelo governo para combater o extremismo, mas acabou sendo cooptado e apropriado pelas comunidades de extrema direita para ser usado assim também, uma mulher. Esse pode ter sido o primeiro caso documentado no Reino Unido de um partido usando influenciadores sintéticos de IA como parte da campanha política, e o caso mostra também como a IA reduz muito o custo e o tempo para você produzir uma propaganda dessa.

Antes você ia precisar encontrar um artista, um músico, cinegrafista, ator, filmar. E agora uma equipe pequena consegue criar dezenas de músicas, de vídeos, o próprio personagem em poucas horas e espalhar eles aí pela rede. O TikTok e o Instagram chegou a remover parte do conteúdo depois dessa investigação, mas o Spotify disse que ia manter as músicas porque elas não violavam as políticas de uso da plataforma.

Não deixa de ser irônico esses partidos que tanto defendem o povo real, a identidade nacional, apelarem para um personagem artificial, sem rosto, sem biografia, para tentar mostrar que existe um apoio popular espontâneo a essas causas. Aparentemente não deve ter tanto, você está precisando criar digital, né? Isso aí já mostra essa mudança na propaganda política, a gente está em ano eleitoral aqui no Brasil, em que talvez seja mais barato, mais prático, em vez de comprar.

anúncios ou tentar cooptar influenciadores de carne e osso, esses partidos irem lá criar um influenciador digital, tacar na internet e ganhar no volume, que é o grande risco da IA, né? A capacidade de produzir volume, inundar o campo é o grande risco porque eventualmente chega em muita gente. E depois que eu gravei essa notícia, eu vi no Calma Urgente que aqui a gente já tem um perfil parecido, que é da Dona Maria.

que se apresenta como a voz do povo brasileiro de bem, que é um personagem criado com Iá, que é uma senhora...

de seus 80 e poucos anos, com discurso de direita, bem contra o governo atual. Vai gerando essa conexão com quem pensa dessa forma e também numa tentativa de se conectar com a camada social que é a que pode decidir a eleição, tentando virar os votos numa camada que normalmente tem votado mais à esquerda. Escreve-se dona Maria. O I e o A final de Maria são o IA de inteligência artificial. Uma grande sacada.

Ela já tem 725 mil seguidores no Instagram, tem 118 mil no Facebook, que é uma rede que muita gente dá como morta, mas tem muita atração por lá ainda. 260 mil seguidores no TikTok. Então, as eleições desse ano prometem, porque essa aí deve ser só a primeira dessas personagens a surgir por aí.

Na Alemanha, um caso relacionado a deepfake também está fazendo o país rever suas políticas de proteção às mulheres. É um caso bizarro que envolve uma atriz, apresentadora e modelo chamada Colleen Fernandes e que acabou virando símbolo de uma discussão muito maior sobre a violência digital contra a mulher. A Fernandes está acusando o ex-marido, o também ator Christian Ullmann, de ter criado vários perfis falsos e divulgado vídeos pornôs gerados por IA usando o rosto dela.

Durante muito tempo, a atriz, a Colin Fernandes, tentou combater esses vídeos, mas ela não fazia ideia que era o próprio marido dela que estava criando e faturando os vídeos. Ela falou que isso é especialmente traumático ao saber que durante mais de 10 anos ela foi abusada virtualmente pelo próprio marido que estava oferecendo ela para outros homens, mesmo que digitalmente. É completamente absurdo essa história.

E esse escândalo todo gerou uma onda de protesto em várias cidades alemãs. Em Hamburgo, cerca de 17 mil pessoas foram para as ruas exigir mudança na lei e denunciar a falta de proteção às mulheres na internet. Num tempo em que é tão fácil você criar alguma coisa com IA...

É muito importante buscar casos como esse para começar a estabelecer parâmetros legais para tentar evitar que isso vire o desastre que tem potencial de virar, né? Porque por mais que a IA seja quase sempre apresentada como uma ferramenta de criatividade, de inovação, de aumento de eficiência, até aqui, um dos usos mais comuns e imediatos, principalmente quando se fala em deepfake, é reproduzir violência, humilhação e controle sobre as mulheres.

E esse caso também mostra como esses deepfakes ampliam uma lógica que já é antiga de abuso digital. Você não precisa mais invadir a privacidade, roubar as imagens íntimas reais de ninguém. É só você gerar uma pornografia falsa convincente o suficiente para você causar um dano real. E um outro caso que a The Verge comentou foi de uma cantora de folk chamada Murphy Campbell que descobriu que várias músicas estavam sendo produzidas a partir de apresentações que ela tinha postado no YouTube.

É um caso que mistura deepfake musical, fraude em plataforma, abuso do sistema de direitos autorais. Ela percebeu que várias músicas que estavam no perfil dela no Spotify não tinham sido enviadas por ela. Era um monte de versão de música que ela tinha cantado no YouTube, mas com os vocais recriados por IA. Ela conseguia perceber isso. Ela conseguiu remover parte desse conteúdo depois de ficar insistindo muito.

Mas uma das músicas continuava circulando no Spotify num outro perfil com o mesmo nome. E aí esse episódio já mostra essa falha estrutural das plataformas em que qualquer pessoa pode criar um perfil falso, enviar a música gerada por IA e se apropriar da identidade de uma artista real. Só que o caso ainda piorou, porque...

Depois de uma reportagem sobre esse problema ter sido publicada, alguém começou a usar o sistema de direito autoral do YouTube pra começar a reivindicar os direitos sobre os vídeos da própria Murphy Campbell no YouTube. E as músicas que estavam sendo usadas pra fazer essas reivindicações eram um monte de música que já tava em domínio público. Aí você vê a loucura. Esse sistema automatizado é tão pouco preciso que ele começou a responder a pedidos de direito autoral de músicas que nem tem direito autoral mais, que já estão em domínio público.

Ela só conseguiu resolver esse problema e tirar as músicas do ar e não ter as próprias dela tiradas do ar por conta dessa alegação falsa depois que ela foi atrás da distribuidora chamada Vidya e insistiu muito e explicou o caso dela até ser resolvido. Como sempre, começa a pensar isso acontecendo em escala, em volume, que as reais permitem, a gente pode perder o controle de tudo. Nenhum músico vai dar conta de correr atrás de, sei lá, quantas falsificações da própria música. E como a gente está vendo, os sistemas automatizados também não dão conta.

E o problema já é bem real, não só com o caso da Murphy, mas também com o Napster, que agora virou uma plataforma de eslope musical, como eu falei no episódio passado. Ou o próprio Spotify usando artista sintético para reduzir custo, né? Produzindo música, inserindo nas prelites para ter mais tempo de consumo sem ter que pagar nenhum direito autoral, já que a música não tem dono.

Se você tá achando isso aí tudo muito Black Mirror, então se prepara porque o Black Mirror vai virar uma experiência imersiva em realidade virtual. É uma atração que foi criada pela BNJ, que é a empresa dona da franquia Black Mirror. Vai estrear em Montreal, no Canadá, em parceria com uma empresa chamada VR Universe. E a ideia é colocar os visitantes dentro de uma narrativa típica da série. Uma experiência de 60 minutos que pode ser feita individualmente ou em grupo.

E a história, pelo que foi divulgado, vai se passar dentro da Payton, que é uma empresa fictícia de tecnologia que apresenta um produto chamado Life Agent, que é um companheiro robótico com IA, que é feito para facilitar a vida do usuário. Obviamente vai começar tudo a dar muito errado e essa é a experiência. E mostra como o Black Mirror virou uma coisa muito maior que a série, virou mesmo uma linguagem cultural para falar desse medo tecnológico, de vigilância, de IA, da perda do controle sobre a própria vida.

Não sei se precisa de experiência imersiva pra gente viver um momento Black Mirror, porque ao que parece, tá cheio de momento Black Mirror pra cima e pra baixo, né? É só você ficar online que você vai viver um. E essa semana eu me vi obrigado a concordar com o Mark Andreessen, fundador da A16Z, um dos principais fundos de investimentos de tecnologia do mundo. Eu normalmente não concordo com a visão de mundo dele, mas ele falou que muito das demissões que a gente tá vendo por aí nas empresas e eu digo assim, eu digo assim,

sendo justificadas como automação por IA, é, na verdade, só uma grande desculpa para várias empresas que não estão operando muito bem e encontraram a justificativa perfeita para as demissões sem assustar os investidores. Estão fazendo parecer que a própria incompetência e má gestão é, na verdade, um grande passo para o futuro através da automação.

Ele falou sobre isso no site da I16Z para justificar essa percepção de que os empregos de entrada já estão desaparecendo por conta de automação. Para ele, não é nada disso. Tem a ver com a economia, as demissões. Não está errado. Mas essa questão dos empregos de entrada, eu discordo dele. Eu acho que muito emprego realmente está sumindo e vai ser muito difícil a pessoa entrar depois em qualquer nível de emprego se ela não teve como iniciar a profissão. É um problema que a gente vai começar a viver já, já.

Porque, por enquanto, está sendo exaltado numa reportagem do New York Times. É a profecia do Sam Altman de 2024 de que a gente veria uma empresa de um bilhão de dólares ser criada por uma pessoa só. E, aparentemente, foi isso que aconteceu. Um sujeito chamado Matthew Gallagher criou a Medvi, que é uma startup de telemedicina focada nos medicamentos para perda de peso, GLP-1, que foi criada usando só a ferramenta de ar.

A história diz que em dois meses, com 20 mil dólares e mais de uma dezena de programas de computador, ele conseguiu montar o código, os sites, os anúncios, atendimento ao cliente, análise de desempenho, operação da empresa inteira. E o único funcionário humano além dele foi o irmão mais novo que ele só contratou depois.

E a história que está sendo contada é que a Mediv conseguiu 300 clientes no primeiro mês, depois mais mil no segundo, em que em 2025, que foi o seu primeiro ano completo de operação, faturou cerca de 400 milhões de dólares e agora a empresa está projetando atingir 1 bilhão e 800 milhões de dólares em vendas com apenas duas pessoas na equipe. A reportagem do New York Times fala sobre como esse caso ajuda a explicar porque tanta empresa está demitindo ou congelando as contratações enquanto estão investindo pesado em IA.

E que o objetivo não é só você substituir o trabalho manual, mas é reduzir drasticamente a necessidade de ter trabalhadores em áreas inteiras. Só que a história não é bem assim. O Gary Marcos levantou uma outra reportagem feita antes dessa do New York Times, feita pela Futurism.

que fala que, na verdade, a operação é muito mais problemática, porque, não sei se deu para entender na primeira explicação que eu dei, essa empresa, Medvi, na verdade, está automatizando vários processos. Então, ele não tem uma operação por si só. Ele opera em cima de uma rede chamada Open Loop, que é uma rede de telemedicina que, inclusive, teve um vazamento de dados super grande em janeiro, mais de um milhão e meio de pacientes.

tiveram os dados vazados. E ele automatiza também os serviços da Care Validate. Então, ele usa uma rede de médicos e uma rede de distribuição de remédios que não é dele e automatiza o processo. E o volume de vendas vem porque ele automatizou também a campanha de marketing. Ele chegou a criar mais de 800 médicos falsos, perfis no Facebook desses médicos, para ficar postando vídeos também criados por IA, vendendo produtos de emagrecimento GLP-1. Então...

O que o Gary Marcus fala é que, na verdade, isso pode ser tudo uma grande fraude, porque ele pode estar tanto ferindo os termos de uso dessas plataformas ao se colocar como um intermediário entre os usuários e a plataforma, quanto ele pode ser acusado de mentir, tanto pelos 800 perfis de médicos falsos que ele criou no Facebook, quanto pelas fotos de antes e depois, que são todas criadas com IA.

Inclusive, ele já está sendo até acusado de spam também, as leis anti-spam da Califórnia, porque ele sai disparando e-mail adoidado e gerando vendas no volume. Então, não parece ser uma história tão dourada como está sendo vendida pelo New York Times. E ela, na verdade, é bem assustadora sobre que caminhos isso pode tomar.

porque esse sonho da automação e do aumento da produtividade está permeando toda a discussão de IA. A Wired fez uma reportagem sobre como repórteres de tecnologia estão usando o IA para ajudar a escrever e editar os próprios textos. Falei disso aqui semana passada, do meu próprio caso, de como eu venho usando o Claude, mas essa reportagem traz outros exemplos. Cita, por exemplo, um repórter que diz que criou os 10 mandamentos de escrever como ele.

E aí tem várias regras de estrutura, de tom de voz, de exemplos de textos antigos dele.

E ele explica como ele usa, que ele edita o texto junto com a IA, para ajustar trecho, para mudar argumento, para tentar complementar alguma parte que ele não está travado em escrever. E ele diz que esse processo reduziu em até 40% do tempo que ele gastava escrevendo. Isso nesse cenário em que os empregos para jornalismo vão cada vez rariando mais e que cada um de nós, jornalistas, temos que operar como uma redação inteira.

Só que por mais que seja possível usar IA de maneira consciente e responsável para escrever, isso pode virar também uma coisa meio escorregadia e cair para o outro lado e virar um problemão. O próprio New York Times encerrou a relação com o jornalista depois que descobriu que ele usou IA para escrever uma resenha de um livro que foi publicada pelo jornal de uma maneira bem errada.

O texto foi uma resenha de um livro chamado Watching Over Her, do Jean-Baptiste Andréa. Foi publicado em janeiro e assinada por esse jornalista e escritor, o Alex Preston. Só que um leitor leu a resenha e avisou o jornal que a crítica era muito parecida com uma outra resenha que tinha sido publicada uns meses antes no Guardian. Um leitor atento, provavelmente fã desse escritor, notou que era muito parecido. E se você comparar as duas resenhas, eu fiz isso.

A estrutura é igual, é como se fosse a mesma resenha com palavras diferentes. Mas toda a formulação que for usada na resenha está igual. O New York Times foi investigar, percebeu mesmo, comunicou o Guardian, e o escritor disse que ele escreveu o texto original, mas que ele usou IA de uma maneira inadequada no processo de edição e não percebeu que tinha uma linguagem sobreposta com a crítica de um outro jornal.

É difícil dizer se ele fez isso de maneira proposital ou não, se ele simplesmente pediu pro chatbot escrever uma resenha baseada numa outra, ou simplesmente pediu pra escrever uma resenha, e o chatbot foi lá nessa resenha do Garden e simplesmente reescreveu. Mas a verdade é que o uso é muito complicado se você não souber o que você tá fazendo. Inclusive pra reconhecer que aquele texto que foi gerado tá sendo puxado de um outro lugar, porque ele provavelmente não leu essa resenha do Garden e não percebeu que era igual.

Esse chatbot pode servir como uma espécie de máquina de remix, né? Vai reorganizando os conteúdos que já existiam e isso vai tornando o processo todo muito mais confuso, opaco e gera esse tipo de coisa. A Filtriism comentou sobre esse caso também e relembrou o caso da Ars Technica, do repórter que foi demitido depois que ele publicou citações que tinham sido inventadas por IA.

numa reportagem. Foi um caso curioso que eu até comentei aqui em algum episódio que eu não consegui encontrar nos roteiros passados, nem com a IA ajudando, que foi o caso de um programador que foi ameaçado por um sistema de IA ao questionar algumas das coisas que estavam sendo feitas e a IA ficou agressiva.

e começou a ameaçar ele, e essa reportagem da Ars Técnica era sobre isso, e como esse repórter usou I.A. para editar o texto, acabou criando aspas que o entrevistado nunca disse, o que acabou virando uma dupla ironia, porque a matéria era sobre uma alucinação de I.A., e acabou incluindo aspas que ele nunca disse que também era uma alucinação de I.A.

Outro repórter que acabou afastado da revista, da Ars Técnica, no caso. E um dos riscos disso tudo não é só a IA inventar fatos, é também homogenizar tudo. Se todos os textos começarem a ser escritos por IA, pela maior parte das pessoas, sempre buscando as mesmas fontes, a gente vai começar a ter...

mas do mesmo tempo inteiro. Todos os textos vão ser a mesma coisa. Porque aquilo, a IA é baseada no passado, no que já foi escrito, não no que vai ser escrito, no que vai ser criado. E isso faz toda a diferença, inclusive porque é baseado num passado muito curto, num passado que está digitalizado, principalmente. Por mais que tenham livros digitalizados, a gente tem esse comportamento, a gente tem essa vivência online de toda a nossa vida estar lá, os detalhes de trabalho, pessoais, de pensamento.

Muito recente, né? Tem 20 anos esse comportamento, então não dá nem pra servir como uma grande base do conhecimento humano se você pensar dessa forma. É por isso que eu acredito que cada vez vai ser mais valorizado os humanos trabalhando. A gente saber que algo foi criado por humano, revisado por humano, que tem uma intenção ali, um pensamento, vai ser um grande diferencial. Espero que seja assim mesmo.

E agora é hora de falar sobre como as Big Tech moldam nosso comportamento. Código Clod Code foi acidentemente leucado. Está aqui. Meu Twitter user FriedRice, aqui é um fio de zip para o todo o código de source de Código.

Como acabei de falar no bloco anterior sobre como o uso de IA em texto pode ser deveras complicado, a Wikipedia tomou uma decisão a respeito e baniu qualquer texto gerado por IA. Eles aprovaram uma nova política que proíbe o uso de IA generativa para criar ou reescrever os artigos da enciclopédia. E essa decisão veio depois de um aumento do número de problemas causados por esses textos que são produzidos pelos modelos de linguagem.

que estavam já sobrecarregando os editores, os moderadores, exatamente pelo volume. É tão fácil que ele é um texto, e você joga ele lá para ser editado pelos moderadores, e eles não conseguem dar conta de editar tanta coisa. E aí sim, num lugar com menos responsabilidade, a tendência é botar mais IA para tentar editar esse volume de texto, aí a gente começa a ter um problema ainda maior.

A Wikipedia, que é um grande repositório coletivo, uma plataforma que foi construída com a colaboração distribuída, com trabalho voluntário na internet, agora precisa se defender exatamente dessa outra forma de produção em massa que é automatizada, barata e ruim. Então não adianta todas as plataformas quererem escalar indefinidamente usando o IA.

Porque alguns ambientes, como a Wikipedia, como o jornalismo, velocidade e volume não combinam. Isso acaba virando um problema em vez de uma vantagem. Então tá aí a Wikipedia batendo nessa tecla aí que eu comentei. Que não adianta ser um texto bem escrito, né? Tem que ter contexto, tem que ter julgamento, tem que ter uma discussão. E também responsabilidade editorial. É a Wikipedia lutando pela humanização do texto. Uma ótima notícia. Na contramão... ...na mão...

A TechCrunch informa que a OpenAI comprou a TBPN, que é um podcast que está super hypado no Vale do Silício. É um podcast que nem é tão grande assim. É um talk show com dois entrevistadores que conseguem entrevistar as pessoas mais influentes do Vale do Silício. Muito disso tem a ver por eles já terem sido empreendedores e terem recebido investimentos de grandes fundos.

mas também porque é um festival de confete. Não tem nenhuma pergunta difícil, os CEOs, investidores, executivos vão lá para falar o que querem. É um grande palco e, com isso, eles ganharam muita atenção nessas pessoas, o que dá essa grande distorção. E aí a OpenAI resolveu comprar esse podcast, porque assim eles vão conseguir comunicar melhor os valores que eles esperam que sejam percebidos em relação à IA.

As lives onde essas entrevistas acontecem, às vezes tem 7 mil pessoas assistindo. Não é um número absurdo, longe disso. É realmente uma coisa de uma câmera de eco. São os próprios investidores, os próprios CEOs dando importância para uma coisa que é onde eles estão. E a OpenAI entrando nessa aí e supostamente pagando centenas de milhões de dólares por esse podcast só porque não tem exatamente um plano. Eles estão sem diretor de comunicação.

Eles acabaram de fechar o Sora. É uma grande tentativa de controlar a conversa pública, mesmo que esse canal não tenha esse alcance todo. E aí a reportagem da TechCrunch, que falava sobre isso, notou que o estúdio, o visual, tudo parece meio que um esporte center da ESPN para o Vale do Silício. E aí no Garbage Day, que é uma newsletter que eu gosto...

O Ryan comentava que esse visual ESPN, Spot Center, é para mostrar o quão desesperado o Vale do Silício está em parecer masculino hoje em dia. E outra observação interessante que ele fez é como, no momento seguinte, ao fechar o Sora, que era o app de vídeos sintéticos da OpenAI, eles foram atrás de comprar uma outra plataforma de conteúdo, mas essa é completamente humana, né? Contudo produzido por humanos. Isso aí deve querer dizer alguma coisa.

E seguindo os comentários sobre os laboratórios de inteligência artificial, o código inteiro do Cloud Code vazou por conta de um arquivo. A Antropic vazou sem querer o código-fonte do Cloud Code inteiro numa ferramenta de linha de comando para programação. Isso aconteceu depois que a empresa publicou uma atualização que tinha um arquivo de source map que permitia reconstruir quase todo o software interno do Cloud.

Em poucas horas, esse material já estava circulando pelo GitHub, que é um repositório de códigos adoidado, sendo analisado pelos desenvolvedores, pelos concorrentes. É uma falha monstruosa, porque é realmente um mapa da mina de como o Clodo funciona. É tudo que eles tinham que manter escondido.

E isso levanta algumas questões, né? Porque essa empresa que quer cuidar de todas as nossas informações, dos nossos e-mails, de como a gente se comunica, de alvos de guerra, dos nossos históricos médicos, eles não conseguiram segurar o código que mantém a empresa de pé. Imagina segurar toda a informação pessoal de pessoas que talvez eles se importem menos do que com a própria empresa.

E aí a Anthropic saiu atrás do GitHub, tentando tirar esse código do ar o mais rápido que pudesse, mas a cada um que eles diletavam apareciam outros tantos. Só que aí os desenvolvedores foram indo mais espertos. Eles reescreveram o código inteiro em outra linguagem. E quando você reescreve em outra linguagem, a Anthropic não tem os direitos autorais sob aquele novo código que foi criado. E assim o código ficou vazado e já está aí para quem quiser encontrar e quem quiser estudar.

ficou disponível mesmo. Outra coisa que surgiu por conta desse vazamento é que a Antrópica está testando um modelo chamado Claude Mythos, que é chamado internamente do modelo mais poderoso que eles já desenvolveram. Essa notícia também vazou por conta disso, aí vai saber se tudo não é um grande vazamento para ser uma ferramenta de marketing. Nessa altura a gente tinha que desconfiar de tudo. Mas um ponto que eu achei muito bom foi no Twitter.

um empreendedor chamado Giovanni Bassi, que eu nem sei se ele é conhecido ou não, mas o tweet que ele escreveu foi muito bom, que é o seguinte, se essas ferramentas estão gerando tanto ganho de produtividade, igual eles gostam de falar, por que empresas como a Microsoft, a Meta, a Nvidia, continuam cometendo erros tão básicos de produto?

de engenharia, de estratégia, como esse vazamento. Tem uma contradição entre esse discurso vitorioso dos CEOs e a percepção pública de todos nós é que muitos desses produtos parecem bem mais instáveis, bem mais confusos e muito piores.

inclusive do que eles eram antes. Então, no Twitter, esse cara comentou que acha muito estranho o Satya Nadella, que é o CEO da Microsoft, falar nesses ganhos gigantescos de produtividade, enquanto o Windows, o Outlook, vários outros produtos da Microsoft parecem quebrar cada vez mais.

E aí é o óbvio, né? Esses executivos ficam exagerando de benefícios de IA porque eles têm que justificar esses investimentos bilionários que eles têm feito nos últimos anos nessa tecnologia. Porque se a IA fosse tão boa mesmo, por que não ajudou a evitar os problemas de crise do Windows, o fracasso do metaverso da meta, a recepção ruim de produtos da NVIDIA? Então o que parece é que essas IAs são muito mais...

ferramentas que vão ajudar incrementalmente o trabalho do que essa revolução toda que está sendo vendida. Toda vez que eu leio uma coisa dessa, eu fico feliz porque eu acho que eu venho falando isso desde o início. A percepção que eu tive foi essa, desde que essa coisa de A começou a tomar a proporção que tomou. E aí esse mesmo Giovanni Bassi levantou uma outra bola muito boa.

que tem a ver com o limite do Claude. A Antropic recentemente anunciou agora que mudou os limites de uso, agora você tem menos direito a usar o Claude. O Claude, inclusive, trava muito por conta de volume, muito mais que o chat de PT.

E agora vai travar mais. Você vai estourar os seus tokens, que são o seu limite de uso, muito mais rápido. E para isso, eles estão oferecendo pacotes extras e também proibindo o uso de API, como o OpenClaw, por exemplo, que é uma ferramenta externa que fez muito sucesso usando o Cloud e também não pode mais usar. Vai ter que pagar.

E aí isso aí faz pensar, será que a gente tá chegando naquela fase do Uber em que a corrida parou de ser barata e começou a ficar mais cara do que o táxi porque não tinha mais o subsídio da empresa? Será que esses 20 dólares que a gente paga hoje pra usar o chá de GPT ou o Claude Pro, a versão paga, vai ficar muito mais caro já já?

E mais do que isso, será que essa questão do limite do uso de tokens já é sinal que essa bolha da IA pode estar estourando? Porque é isso, na hora que o dinheiro secar e não der mais para você subsidiar o uso e você tiver que aumentar o preço, isso vai impactar diretamente a quantidade de assinantes que você vai conseguir trazer, se ficar mais caro do que já é, porque já é bastante caro. Então essa movimentação da Antropic em relação ao clor, da limitação do uso, pode ser um bom sinal da bolha da IA prestes a estourar.

Hora de relaxar com as dicas de ver, ler e ouvir.

O documentário Meus Amigos Indesejáveis, parte 1, Último Ar em Moscou, da Julia Loktev, acompanha em tempo real o desmonte do jornalismo independente na Rússia, seguindo umas repórteres jovens que foram rotuladas como agentes estrangeiras, enquanto o cerco do Estado se intensifica até a invasão da Ucrânia. O documentário tem ritmo de thriller, então você sabe exatamente o que vai acontecer antes das personagens, e como disse a resenha do New York Times,

Essa tensão espelha o método clássico dos regimes autoritários que começam atacando a linguagem, burocratizando a informação e corroendo a confiança no noticiário até inviabilizar a própria ideia de verdade. E quando esse fluxo de informação é capturado, não é só a imprensa que desaparece. A capacidade coletiva de interpretar a realidade vai junto.

O filme está disponível no MUBI, aliás, logo mais os meus três meses promocionais acabam e eu estou gostando bastante, é capaz de renovar minha assinatura. Bem melhor do que ter que ficar navegando no meio de um monte de porcaria que entopem os outros serviços de streaming até você achar uma coisa boa, né?

Conhecido como baixista do Red Hot Chili Peppers, que aliás, ficou um documentário muito bom na Netflix, o Flea já tinha lançado um EP e agora ele lança o seu primeiro disco solo. Sai o funk rock e entra uma viagem jazzística com foco no trompete, que foi o primeiro instrumento que o Flea aprendeu, e que volta e meia ele toca no show do Red Hot Chili Peppers. E entre os convidados do disco estão o Tom York, o Nick Cave...

Mas as melhores partes são as mais contemplativas, uns grooves minimalistas, as releituras do Funkadelic, do Frank Ocean, que você tá ouvindo aí no fundo, é um discão. E falando em disco de baixista, saiu também o novo do Thundercat, Distracted, que eu já mencionei por aqui, quando saiu o primeiro single, mas fica aqui, então, três dicas em um. Então fica aqui três dicas em uma nesse pequeno bloco sobre o Flea.

Nesse episódio você ficou sabendo que robôs de delivery estão sendo atacados nas ruas, que um astronauta enfrentou um bug do Outlook a caminho da lua, que o rapper fictício Danny Bones, criado por IA, exalta a extrema-direita na Inglaterra, que uma artista foi impedida de provar que a música era dela depois de ser copiada por uma IA, que a Wikipédia baniu o conteúdo gerado por IA, que Black Mirror virou exposição oficial no Canadá, que meio milhão de linhas de código do Claude vazaram, que o New York Times demitiu um escritor por usar IA e muito mais...

E agora é aquela hora, se você gosta do Resumido, você pode ajudar recomendando para mais gente. Manda no WhatsApp, posta no Stories, eu reposto todo mundo e isso ajuda a mensagem do Resumido chegar para mais gente. Se você está escutando aqui, porque você provavelmente acha essa discussão muito importante, então vamos tentar ampliar.

levar pra mais longe essas conversas. E também não deixe de curtir, assinar a seguir, dar cinco estrelinhas, deixar uma resenha na plataforma que você estiver escutando esse episódio agora. E se você quiser provar que eu vi o episódio inteiro, é só você comentar aí no episódio a palavra secreta da semana, que é clone.

O Resumido é produzido e apresentado por mim, Bruno Natal. O roteiro é escrito por mim e pelo Ogenor Neto. O Cauê Marques coedita a newsletter, o Futuro Explicado e as redes sociais, que contam com animações do Peri Selmoman e design do Filipe Araújo. A edição e mixagem é feita pelo Hugo Rocha, da Usina Sons. A foto da capa é do Jorge Bispo e o tema original foi composto pelo Gustavo Silveira. Eu sou o Bruno Natal. Obrigado pela audiência. Semana que vem tem mais Resumido.

Resumindo.

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