Médico das Estrelas: Voz, Cirurgia e Superdotação com Dr. Reinaldo Yazaki
Com mais de 7 mil pacientes da área das artes e 22 anos de especialização em otorrinolaringologia, Reinaldo yazaki construiu uma carreira que poucos médicos no Brasil conseguem comparar. Neste episódio do Trambicast extra, ele conta como uma única pergunta feita numa aula no terceiro ano de medicina mudou completamente seu destino: ao invés de pediatra, tornou-se o otorrino de referência para cantores, atores e artistas, incluindo nomes como Xuxa, Emicida, Shawn Mendes e Daniel Boaventura.
00:00 — Apresentação do Dr. Reinaldo Yazaki e sua trajetória
04:12 — A família de médicos e a decisão de estudar medicina
08:35 — A pergunta que mudou tudo: de pediatra a especialista em voz
14:20 — Os primeiros anos como cirurgião e a insegurança nas primeiras operações
20:10 — Como abriu o consultório antes de ter o título de especialista
25:45 — Construindo credibilidade com artistas: os primeiros famosos no consultório
32:00 — A história de Shawn Mendes e o show cancelado em 2019
42:15 — Bastidores do Canta Comigo: o convite e a rotina como jurado
49:30 — Como tratar artistas é diferente: sensibilidade, drama e biofeedback vocal
56:00 — Superdotação, foco na adolescência e o que separa os que chegam ao topo
01:04:20 — O principal fator que destrói uma voz e como se proteger
01:08:45 — Como diferenciar rinite, sinusite e resfriado na prática
#Otorrinolaringologia #SaúdeVocal #Cirurgia #EducaçãoMédica
- Carreira Médica· SaudeOtorrinolaringologia·Especialização em Voz·Cirurgia de Septo·Atendimento a Artistas
- Atendimento a Famosos· SociedadePrimeiro Famoso·Xuxa·Shawn Mendes·Daniel Boaventura·Emicida
- Superdotação e Foco· SociedadeDiagnóstico de Superdotação·Desvantagem Socioeconômica·Importância do Foco·Mensa
- Decisão de Carreira· SociedadeInfluência Familiar·Pediatria vs. Otorrinolaringologia·Pergunta em Aula
- Cancelamento Show Shawn Mendes· EntretenimentoInfecção Viral·Recomendação Médica·Turnê no Brasil
- Canta Comigo· EntretenimentoParticipação como Jurado·Análise de Candidatos·Cantar em Tempo Real
- Início da Prática Médica· SaudeInsegurança Cirúrgica·Abertura de Consultório·Construção de Credibilidade
Olá, pessoal do TrambeCast! Hoje eu trouxe uma área super, super legal para mim, porque eu, vocês sabem, comecei a fazer canto novamente esse ano, e uma pessoa tá cuidando muito da minha voz, que é o Reinaldo Yazaki. Por favor, se apresenta!
Um prazer, obrigado pelo convite, Sofia, que conheço desde tantos anos, né, desde quando você era adolescente, né. E bom, eu sou um médico otorrino, eu sou especializado na área da voz e também cirurgião de todas as áreas de septo, de amígdala, de carne adenoide e também das cordas vocais. Já estou na minha carreira há 22 anos com o título de especialista em otorrino e tenho lá no consultório mais de 7 mil pacientes da área das artes.
Hoje não só das áreas das artes, mas também os parentes desses pacientes artistas que não são artistas também. Dentro desses 7 mil tem mais ou menos 400 a 500 famosos, dentre eles muitos famosos que vocês conhecem. E para mim é um prazer poder chegar aqui hoje e passar um pouco dessas dicas que pode estimular e motivar vocês a seguirem uma área semelhante. Se não a medicina dentro da otorrino, a medicina nas outras especialidades.
Não, o prazer é totalmente nosso por trazer um cara que tem tanto conhecimento sobre essa área logo de cara, né? Porque o difícil é a gente achar profissionais que saibam falar as coisas com propriedade, né? E você com certeza tem uma área super extensa aí que você pode usar como repertório.
Com certeza. Obrigado, obrigado, obrigado mesmo, Sofia.
Gente, antes da gente começar a primeira pergunta, eu queria pedir para vocês darem o seu like, se inscrever, compartilhar para os seus amigos cantores, para os seus amigos que realmente trabalham com a sua voz, porque eu trabalho com a minha voz mesmo às vezes não atuando, né?
Isso é voz profissional.
Exato. Então, por favor, faça isso aqui para a gente, para ajudar, que realmente ajuda muito. Eu queria começar com a primeira pergunta. É, como que você começou nisso, nessa área? E como que você decidiu que você queria ser médico? Sempre esteve em você ou você foi descobrindo aos poucos?
Sempre. Minha mãe diz que desde os 3 para 4 anos de idade, quando eu voltava das consultas de puricultura com a pediatra da família, o primeiro dos 5 médicos da família, eu falava, mamãe, eu quero ser igual o titio Koji. O tio Koji, Koji Yazaki, foi o primeiro médico da família, também formado na mesma faculdade em que eu me formei. Olha que curiosidade, os 5 médicos da minha família Yazaki se formaram na universidade, que é a Universidade Federal de São Paulo, a Escola Paulista de Medicina, que nesse ano fez 93 anos de vida, né?
E aí ela falava assim para mim: filho, olha, se você quiser ser médico, você tem que ser o melhor aluno, porque o papai e mamãe não tem dinheiro para pagar escola particular nem faculdade particular. Então entrei já no curso do ensino fundamental, na primeira série, já com intuito de ser bom aluno por causa disso. E seguir dessa forma todo sempre, até o momento que eu tive que começar a trabalhar no ensino médio. Então eu sempre quis, porque tinha um médico exemplar.
Ele foi uma das— ele ainda é, porque ele tem 90 anos, ainda clínica pediatria, gente. 90 anos e ainda trabalha com pediatria. E eu tinha um exemplo na família que me fez buscar isso com todo afinco, sem deixar nada me distrair.
E você teve o apoio, com certeza, também da família, né?
Sim, a família estimulava, né? Porque uma família que que vai muito bem no estudo. Então muita gente, gente formada como engenheiro pela Poli, direito São Francisco da USP. E aí quando vai bem na escola, as pessoas: tenta, vai lá, você vai conseguir. E no fim consegui, trabalhando e estudando no ensino médio, depois trabalhando e estudando no cursinho, eu consegui passar em medicina em 5 faculdades no ano de 1997.
Ou seja, uma família prodígio.
É uma família que tudo, tem muita gente que vai bem na escola, né? Muita gente.
Que tem as suas vantagens, né? Suas facilidades.
Tem, para quem quer seguir carreiras acadêmicas e passar por concursos de vestibular, isso ajuda, né?
Sim, com certeza. E como que você decidiu que seria a voz realmente?
Isso, então quando eu passo no curso de medicina na FUVEST, eu entro já no primeiro ano com a ideia de fazer pediatria. E como eu já tinha uma maturidade na minha cabeça maior do que a idade, eu tudo que Todo tempo que me sobrava ou era ler o livro de pediatria, antecipar, porque não era para ler aquilo no primeiro ano. E as reuniões de pediatria, os cursos de pediatria extracurriculares pelo Departamento de Cultura Científica, que é o centro acadêmico, né?
E um dia eu fui num curso de otorrinopediatria, era Liga de Introdução à Otorrinopediatria, que tinha sido recém-fundada pelo Dr. Jason Nagaoka. E aí no final, como eu sempre fui um aluno daqueles de fazer muitas perguntas, sabe aquele aluno que faz 4, 5, 6 perguntas na aula?
Sim.
Que a pessoa nem gosta tanto.
Você era esse aluno?
Eu era esse cara, né? Inclusive quando eu tava sentado lá numa sexta-feira, passavam os 102, né, para sentar. Falava, ô Reinaldo, tem cerveja na Atlético hoje, não pergunta muito. Aí vinha outro, ô Reinaldo, hoje vai ter festa, vai ter balada na Atlético, não pergunta muito. Então era desses. Então eu fiz uma pergunta nessa aula, uma pergunta que segundo esse professor não era uma pergunta de terceiro anista de medicina, era uma pergunta de pós-graduando, de médico já formado da área, porque citava uma novidade científica, novidade científica que era a formação embriológica e a maturação, desenvolvimento do ligamento que compõe a prega vocal.
A corda vocal, prega vocal, tem um ligamento dentro dela. E esse ligamento, eu perguntei para ele, como é que o senhor opera com 6 anos uma criança sabendo que o ligamento vai ficar pronto só depois dos 8 anos, como é no adulto? Aí ele achou difícil a pergunta e depois falou, ó, meus parabéns, eu não esperaria essa pergunta de um terceironista. Essa pergunta é de pessoas formadas, pessoas da ciência. E inclusive essa pergunta foi respondida em Tóquio no Congresso Mundial de Cirurgia de Voz há 2 anos, lá no Japão, né?
Aí falou, aí olhou lá para o chefe da disciplina, Dr. Luke, anota o nome dele aí, vamos chamar esse moço para vir para o Eu nem pensava em ser otorrino, eu queria ser pediatra, por isso que eu fui para o curso de otorrinolaringologia. E aí no final da aula ele me chamou assim, pegou um cartão, colocou o celular dele, falou, se você quiser me procura no consultório, quero te mostrar meu consultório.
E isso é tudo porque você fez bom proveito do seu restinho de tempo que você tinha além dos estudos formais.
Exatamente, né? E outra coisa, depois eu vim a descobrir fui descobrir que ele já era o médico mais famoso da área da voz do país.
E você conseguiu surpreender ele, né?
Pois é, eu não sabia disso, eu não sabia da história dele. Aí quando ele fez isso e começou a me tratar mais proximamente, veja, ele é um médico formado, já tinha naquela época, 99, 33 anos de formado já, 33 anos. Então não imaginava que ele fosse me chamar para conhecer o consultório, mostrar onde ele trabalhava, como ele atendia o paciente. E mostrou a biblioteca dele, falou assim: olha, para ser otorrino é muito mais difícil do que ser pediatra.
Residência concorrida, porque tem só duas vagas e são os melhores alunos que têm essas duas vagas. Então, se você quiser estudar, sai da escola, vem aqui para minha biblioteca. Até essa aqui é a meca dos livros. Você pode vir todo dia aqui estudar para passar em otorrino depois. Aí ele foi, aí ele foi me mostrando, né, como é que era. De repente eu vi o Silvio Santos lá no corredor dele, o Caetano Veloso, é, eu vi o Mário Covas, o José Serra, né.
Então aí eu falei, poxa, trabalha com tudo isso de gente famosa, político, artista. Aí depois eu vim descobrir também que ele tinha feito a cirurgia da corda vocal do Silvio Santos 12 anos antes operou a corda vocal do Espírito Santo, em 87, 88.
Nossa! E o que eu imagino também, que ser cirurgião é uma responsabilidade absurda, principalmente quando se trata sobre voz, desvio de septo. E aí toda vez que você fala, porque, gente, como vocês sabem agora, eu sou paciente do Reinaldo. Quando você falou, por exemplo, que eu tenho um desvio de septo, fiquei, gente, Imagina ele tendo que falar para as pessoas, vai ter que fazer cirurgia, sabendo que você vai ser o responsável por isso.
Para mim é algo, porque eu como uma pessoa da arte, eu não consigo nem imaginar como é a responsabilidade de alguém que até mesmo quer prestar medicina, né?
Sim.
Então assim, eu imagino que para você no início tenha sido um pouco difícil também.
Sem sombra de dúvidas. Assim, como foi difícil? Ser cirurgião envolve o treino de uma destreza manual junto com conhecimento. De entender a anatomia daquela região que você vai operar em todos os ângulos possíveis. Só que como você é novo, né, antes dos 10 anos de formado, de especialista, você ainda tá ganhando experiência. Você ganha, aprende o beabá de como faz uma cirurgia, e depois você vê que não é só daquela forma, tem várias formas de fazer aquilo segundo cada demanda de cada paciente.
Isso vale desde a cirurgia da conchinha nasal do corneto para o septo, para carne esponjosa adenoide e para todas as outras cirurgias, e principalmente para corda vocal, para as pregas vocais. Então não tem uma cirurgia só para calo, não tem uma cirurgia só para septo, não tem uma cirurgia só para concha. São várias técnicas e você vai ver qual técnica se adequa mais àquele paciente. Em relação à insegurança, com certeza. Eu acho que a primeira cirurgia que eu fiz de septo sozinho foi em 2000 e 2007, isso.
E nessa eu já tava com um ano e meio de especialista e não tinha um chefe por trás, não tinha um residente, não tinha um pós-graduando para assumir caso aparecesse uma dificuldade. Mas eu sempre fui muito destemido e sempre confiei muito no meu, na minha mão, nas minhas percepções, porque sempre fui muito, muito bem estudioso, sempre tentei dar o meu melhor para não ficar devendo, sabe?
A confiança se deve à prática.
À prática, isso. E aí eu lembro muito bem essa cirurgia, primeira cirurgia séptica, só séptica, eu demorei 2 horas e 45 para terminar, né? Hoje em dia faço essa cirurgia em 35 minutos, né?
Olha aí a discrepância.
E por quê? É com cuidado, tá sozinho, faz tudo como—
Você não quer errar, claro.
Em rotação lenta, né, para não errar. E é isso, o cirurgião não pode errar, o cirurgião não pode esquecer, o cirurgião tem que levar essa responsabilidade como se tivesse operando a pessoa mais próxima do mundo ou você mesmo. Sempre digo isso, é um pouco aflitivo, é, mas depois de um certo tempo que eu chamo das 1000 horas, né, ou das 10.000 horas, né, os 10 anos, a gente passa a ter tempo de voo para entender que grande parte das situações possíveis, inclusive as inóspitas e mais complicadas, a gente já sabe dominar, né, mas é um aprendizado constante.
Até digo que cirurgião é como vinho, A cada ano que passa, envelhece um pouquinho mais e vai ficando melhor, né, para poder desempenhar de forma mais segura a sua profissão.
Sim. E ao longo desse aprendizado mesmo que você falou, já teve algum momento que você chegou a se arrepender dessa especialização específica? Você deve ter pensado, talvez eu tivesse que fazer aquilo.
Ó, da minha área não. Sabe por quê? Porque o Dr. Paulo, quando me convidou para otorrino, ele já me explicou que dentro do otorrino cerca de 15% a 20% dos pacientes eram crianças, bebês, crianças, depois adolescentes. Então a pediatria estaria, entre aspas, contemplada na especialidade. Me arrepender nunca, porque eu já fui para a área com o intuito de ter um consultório privado, né? Eu sabia que todos os empregos que eu ia pegar dentro da minha especialidade, fora do meu consultório privado, eram para eu ganhar experiência.
Né, saber lidar com paciente, aprender situações diversas. Mas o que eu mais queria era o meu consultório. Então eu já abri meu consultório até antes de terminar a residência. Não podia dizer que eu era otorrino, mas eu falava que era um clínico geral que tratava bem a questão de rinite, de alergias, infecções de nariz e garganta. Não podia me anunciar publicamente como otorrino porque isso é antiético. Mas eu abri um consultório dentro de consultório de uma fono e a fono mandava esses pacientes falando que eu era um clínico geral especialista em nariz, garganta e até voz, né? Aí eu posso, podia atender até pegar o título de especialista em 2006.
Entendi.
Então, e aí o fato de ter decidido seguir esse caminho de ter um consultório privado me fez encontrar algo que é mais raro, sabe? A gente tá, um dia ter um nome e sobrenome como uma marca, né? Então hoje é Reinaldo Iazaqui. Reinaldo Iazaqui, ou Doutor Rei, como carinhosamente vocês me chamam, é um nome que já denota otorrino, já denota cirurgia de voz, cirurgia otorrino de septo principalmente, que é o mais que eu realizo, né? Esse ano atingimos mais de 730 cirurgias de septo em artistas e cantores, né?
Esse ano?
Não, não só nesse ano, mas no geral. Desde 2012 eu aceitei operar os cantores, né? Antes eu tinha medo de operar cantores de septo porque poderia mudar a voz, né? Mas aí eu fui obrigado a operar esses casos porque os pacientes que tinham a minha negativa para operar o septo, o que que eles faziam? Iam para o convênio, operavam lá, depois voltavam. Doutor, por que o senhor não quis me operar? Eu tô muito melhor, olha, aprestei duas notas agudas a mais agora, meu professor de canto só me elogia, minha voz tá mais projetável, mais fácil de ser emitida.
E aí eu comecei a selecionar uns casos e hoje a gente opera cerca de 80 casos de septo e amígdala por ano.
E depois de quanto tempo que você abriu o consultório, você começou a ter essa credibilidade, essa coisa de você falar, agora meu nome representa realmente algo?
Maravilhosa pergunta. Olha, eu tive uma sorte. Quando eu abri o consultório, eu já tinha esse interesse de entender a voz cantada. A voz cantada, na época que eu comecei a atender os pacientes, não tinha nenhum livro para falar sobre esse assunto para um de otorrino. Só tinha livro de pedagogos da área da voz, professores de canto, livros de técnica vocal, mas nenhum compêndio, nenhum tratado da área de otorrino dava detalhes.
Era tudo superficial, até porque não tinha ciência nenhuma sobre o assunto. Então isso me instigou, porque chegava: Doutor Paulo, por que que a voz do Axl Rose é esgarçada e ele consegue fazer 2 horas de show e não perde a voz? Fala: quem que é Axl Rose? É porque que a voz do Chororó é diferente do Chitãozinho? É porque um faz a segunda voz. Mas por que que é diferente? Porque eles têm cordas vocais diferentes. Mas não tinha nada detalhado.
Aí ele falava assim, ó, essas perguntas todas que você tá fazendo não são para otorrino, vai falar com a fono, vai falar com a fonoaudióloga da época, Sílvia Pinho, vai falar com a Marabelau, né? Aí eu chegava nelas, elas diziam assim para mim, Reinaldo, essas perguntas não são para você ter resposta, isso aí é mais para fono, não precisa saber. E aí me cutucaram, né? Porque eu sempre gostei de cantar, apaixonado por rock and roll romântico, hard rock de Guns N' Roses, Jon Bon Jovi, etc. e tal, da década de 80 para 90.
Eu simplesmente comecei a fazer minha imersão. E aí em 2007, com o dinheiro das cirurgias, eu comprei a naso de examinar o nariz por dentro, comprei o aparelho de ver a garganta, corda vocal vibrando em câmera lenta. E como eu não tinha paciente ainda, eu comecei a usar esses aparelhos na minha casa, na minha televisão de tubo. Em mim mesmo.
Gente, isso é incrível! Eu tenho gravações da minha garganta, do meu nariz, por conta do Reinaldo.
Você imagina, gente?
E eu vou te falar, toda vez que você injeta aquele anestésico nasal, gente do céu, eu fico, eu fico me sentindo toda estranha, sabe? E assim, durante o processo a gente pode até ficar meio apreensivo, mas depois Depois dá um alívio, porque a gente vê que tá tudo bem, a doença não é grave, né? É, exato, a gente cuida de si, né, querendo ou não.
Eu costumo dizer que a câmera é a única coisa que não mente, porque ela tá disponível para você ver, disponível para eu ver, e o acompanhante mostrando que tá tudo bem lá por dentro. É simples infecção que tá levando à rouquidão.
A gente pode até não entender tanto quanto o Reinaldo, mas dá para ter uma ideia olhando, né?
Explicando, né?
Realmente. E quando você começou a fazer isso nos pacientes, né, de passar assim o nariz. Você, como que era a sua técnica de tranquilizar essas pessoas? Porque eu imagino que muitas pessoas vão lá nervosas. Eu com 9 anos, quando eu fui lá no Reinaldo, você até me lembrou, eu chorei, gente, chorei. Então assim, como que é sua técnica aí para acalmar o pessoal?
Bom, desde o primeiro paciente no consultório privado, desde o primeiro, foi um aluno de canto. E aí eu fui ganhando experiência com esse tipo de ser humano. O ser humano artista é diferente do ser humano não artista, gente. Eles são mais dramáticos, Eles são mais agitados, eles são mais inteligentes e ágeis para tudo, né? Eles são mais sensíveis. Às vezes você toca assim, já tá sentindo dor antes de dar dor. Você imagina então que eu fui aprendendo a deixar essa mão mais leve.
Por isso que eu uso esses sprays de anestésico que muitos otorrinos não usam, porque o artista reclama por tudo, porque tem o corpo. Quem trabalha com corpo tem o corpo mais sensível e de quebra eles são mais dramáticos. Vocês devem ter na casa de vocês, ou na família de vocês, uma família com dois filhos, um que gosta de matemática e o outro que gosta de tocar instrumento, de participar de teatro, de cantar. Você pode ter certeza, é verdade ou não é, esse da matemática ele é menos sensível para tudo, e o que é artista é mais dramático, mais ansioso, mais tudo para ontem, mais perfeccionista.
É isso. Então eu tive que aprender a tranquilizar, conversar bastante, usar os anestésicos para reduzir as sensações estranhas, explicar que o que é anestésico, a arte, explicar que o anestésico não é para sempre, não dura 5 dias, dura só 20 minutos. E aí eu fui conseguindo dessa forma, entretendo. E tem outro fator que vem ajudar todos vocês também, que é o meu paciente, ele tem uma tela para ele. Eu tenho minha tela gigante aqui na minha frente e o meu paciente tem uma tela na frente para ele acompanhar o exame.
E como é uma coisa que ele nunca viu, de repente ele consegue ver como é que aquele agudo do sol lá de cima, da nota sol, sai E muitos pacientes, e até me lembro agora do Sterblitz, alguns pacientes do Sterblitz, ele começou a usar o aparelho para ele entender as coisas que ele sempre fez. Eu nem precisei explicar e pedir para ele fazer as manobras, que ele começou a fazer sozinho. Então gera um interesse, uma curiosidade do paciente.
E lembre que todas as pessoas que vêm, elas vêm com o interesse de saber se estão doentes ou não, se tem que operar da corda vocal ou não, se tem lesão grave que precisa de fono, vai precisar de exercício, de de licença, atestado para ficar um tempo sem trabalhar, né? Então contribui também a vontade de conhecer esse instrumento de trabalho, que na verdade é instrumento de felicidade de um artista.
É, acaba indiretamente agregando mais conhecimento que nem foi o nosso propósito ao entrar na clínica, né?
Que é o biofeedback, né? O que que é o biofeedback? Que é retroalimentação biológica. Então eles conseguem ver aquilo que eles nunca conseguiriam se não fosse a minha câmera, e aí se autorregulam mais. Peraí, com essa voz apertada aqui, a prega vocal fica toda apertada. Com essa aqui, ela fica toda levinha em contato. Eles começam a entender como funciona a fisiologia da voz. Porque eles levam esse exame pra casa depois.
Levam mesmo, gente. Eu tenho meus papeizinhos.
Tem vídeo, tem áudio.
E o que eu acho mais legal do Reinaldo é que todo paciente chega no consultório, ele fala: a partir de agora, você pode mandar mensagem todo santo dia, 24 horas, eu vou estar disponível. Posso não responder na hora, mas eu vou te responder. E aí qualquer pessoa pode contar com Reinaldo.
E você não esquece de nada?
E eu não, eu não esqueço.
Que beleza! E assim, é uma das primeiras coisas que eu falo na consulta, justamente para eu evitar a situação de ter que cancelar compromisso. Gente, ó, uma dica que eu deixo para todos vocês: vocês que vão viver da voz como advogados, como médicos, como artistas, cantores, atores, atrizes, precisam saber que quando a voz ela foi embora, gente, Não tem muita coisa a fazer mais do que pegar um atestado e cancelar o show, a gravação.
E isso, para quem trabalha com voz, principalmente para mim, que é um objetivo de vida não deixar isso acontecer, é muito frustrante. Então, o que que eu descobri lá em 2008? Que o que mais no movimento constrói é a perda da voz relacionada à infecção de nariz e garganta, gente. Resfriadinho simples. Na época não tinha corona, mas influenza tinha, e bactérias que vêm por cima disso, as laringites, as sinusites, as amigdalites, que em algum momento descem e pegam a voz.
E aqui que eu descobri: enquanto eu não falava isso, a pessoa só lembrava do Doutor Reinaldo quando a voz tinha ido totalmente embora, quando já tava na pior. Aí chegava no consultório: Doutor, tem amanhã uma resta para ganhar R$10 mil na noite. É a média dos honorários de cachê, né, de um cantor lírico por uma noite. Geralmente são 5 noites de ópera, né? E aí, como é que eu vou fazer essa voz que tá totalmente perdida, sumida, voltar em menos de 12 horas?
Querendo Exatamente, só Jesus Cristo na causa, né? Aí eu falava assim, olha, na outra vez não espera ficar assim, me pede ajuda já no primeiro dia de sintoma, antes que chega o dia da sua apresentação. E aí, como é que eu faço isso? Aí em 2013 veio o WhatsApp, que aproximou todo mundo, né? Aí falou, esse meu WhatsApp, quando tiver um show importante, uma gravação importantíssima para sua carreira, me avisa antes. Até criei no ano de 2021 a a regra do segundo dia.
Que que é a regra do segundo dia? Se você tem afazeres profissionais com a voz importantíssimos para sua carreira e você faz questão de exercê-los, faça o seguinte: começou uma dorzinha de garganta, no máximo no segundo dia, não no primeiro. Se quiser no primeiro, pode também. No máximo no segundo, peça ajuda, principalmente nos próximos 7, 8, 9 ou 10 dias você vai ter um evento importante da voz, porque aí talvez a gente tenha chance de evitar que esse resfriadinho, que esse corona, que essa influência afete a sua a ponto de ter que passar o papel para alguém fazer. Você não sabe quantas audições de musicais eu já salvei.
Nossa, eu imagino.
Giuliana Druz, Mira, Fabi, um monte de gente me procura na última hora. E aí, ai, que bom que você veio, porque tudo leva, levava, levaria a crer que você perderia a voz e não ia poder seguir nas audições de Wicked, por exemplo.
Pois é. E você falou um baita nome do teatro musical agora, que para quem tá por dentro sabe quem é Fabi.
É, Fabi Bang é a nossa eterna linda, galinda linda, nossa linda linda.
Mas tirando ela, a gente sabe que você tem contato com vários famosos. Qual foi o primeiro famoso que você chegou na clínica e você falou, caraca, ele tá aqui?
O primeiro famoso que chegou foi uma atriz que não cantava. Eu tinha acabado de dar uma entrevista para, no mês de abril, para revista Caras, né? Então aí eles me mantiveram como colunista de abril porque abril é o mês mundial da voz. Aí o Nilson Marcondes na época encontrou meu nome pela internet, no meu blog. Eu tenho um blog até hoje, esse blog que eu abri lá em 2006, 2007. E aí quando a reportagem saiu, a Marina de Sabri, que é a mãe da Patrícia de Sabri, viu a reportagem e logo marcou a consulta comigo.
Aí foi o primeiro, a primeira, ela tava gravando naquela época uma novela de época, da época militar, da ditadura, que é Amor e Revolução, lá no SBT. E de repente eu vejo a Patrícia de Sabri passar na minha sala, uma sala bem simples, né, com móveis mais velhos assim, e com a mãe dela. E aí surgiu uma amizade, inclusive, né. Acho que um ano, dois anos depois, eu convidei para ir comigo ver a última, o último dia de apresentação de Mamma Mia, e ela foi.
Que legal, amigos! E você acha que teve essa na sua cabeça assim, quando você olhou uma famosa, você acha que teve essa diferenciação sensação também de, nossa, essa quebra de realidade assim.
Sim, sim, ó, o que existe, né? Eu não conhecia pessoas famosas do show business até então, ninguém. Tinha conhecido porque na minha casa ia fazer a unha a mãe da Angélica, né, Kissiwicz, né, que a Angélica que todo mundo conhece. E um dia quando ela tava lá, ela já tava no clube da criança da Manchete, né, eu desci e para me apresentar para ela né? Então aí eu fiquei nervoso. Mas quando eu recebi o primeiro, a primeira famosa, é assim, a gente imagina que são como pessoas intocáveis, pessoas cheias de idealização, idealiza, cheias de manias e cheias de melindres, né?
Quando eu fui, aí dá uma taquicardia, óbvio, né? Ai meu Deus, você avaliado, né? Você avaliado, eu preciso dar o meu melhor, eles precisam conhecer o meu melhor aqui. E eu sempre tive essa noção: cada oportunidade não vem outra vez. Então eu precisava mostrar o melhor que eu tenho, do meu talento, da minha cabeça, da minha, meu jeito de unir os sintomas para chegar no diagnóstico, o jeito de explicar. E aí eu fui descobrindo que os famosos que chegam são pessoas normais, são todos nós, né?
Pessoas que falam palavrãozinho sem querer, e que sentam todo torto às vezes, né? Não tem, não tem não me toques. Se aparecer um ou outro, é a minoria, a minoria, né? Tem gente que é diferente mesmo, né? Mas a Xuxa mesmo, eu fiquei muito nervoso quando ela foi ao consultório em 2018. Meu coração faltava sair pela boca assim, né? Porque ela se aproximando e eu lembrando que quando ela foi para Globo eu tava com 8, 9 anos de idade.
Ela fez a sua infância.
Às 8 horas da manhã começava: bom dia, amiguinhos, já estou aqui, né? E aí de repente ela tá lá e começa a conversar com a gente, aí depois o gelo se quebra no meio de 15 minutos e começa a falar tudo que precisava e descobrir que era uma pessoa igual como a gente, super simples e de princípios semelhantes, né? Então, mas é no começo a gente acha que vai ser difícil, não, eles são pessoas normais. E o outro, eu pude, e conforme fui ganhando experiência com eles, Eu sempre digo que eu cuido da voz e da saúde de nariz e garganta, eu faço o artista lembrar que ele é ser humano, né?
Então faço a prevenção de todas aquelas coisas que ele não me reportou: ouvido, né, outras relações, questões relacionadas à minha especialidade. Então tem um momento que eu vejo a queixa que trouxe o paciente até o consultório, depois eu vejo o resto, que é uma forma de fazer a prevenção disso. Eu sempre falo, sempre complicando as coisas para deixar mais simples depois, né?
Mas sigo, exatamente, com certeza. E aí depois, a gente, eu descobri que ele, enfim, cuidou da Xuxa por conta da minha avó. Hoje de manhã eu falei, gente, o Reinaldo aceitou meu convite, ele vai vir para cá. Ela, eu acho que ele já cuidou da Xuxa. Eu fiquei, gente, a Xuxa! Mas também tem outros nomes que são tão grandes quanto. E aí eu queria saber assim, quais foram os outros famosos assim que foram na sua clínica? E tem uma história muito engraçada com um, sim, que eu sei que eu acho que foi em 2019, mas você me conta aí.
É muita gente, inclusive gente que eu fui ver em musicais e depois de alguns 5, 6 anos apareceu no consultório. Daniel Boaventura, ele era o Professor Higgins, né, de My Fair Lady. E junto dele, a Eliza na época era Amanda Acosta. Amanda Costa, que era do Balão Mágico, né, na época. E ela chegou também um ano depois do Daniel Boaventura, sem eles terem conversado, chegou para eu cuidar também. Então é interessante que eu vejo o paciente no palco e em algum momento ele aparece para eu cuidar, né.
Mas a lista é grande, né. Já acompanho Emicida, o André Horta, Showman, muitos cantores líricos internacionais, né, europeus, americanos, londrinos, italianos, alemães, muita gente do cenário lírico, solistas de canto lírico, praticamente todos os protagonistas, lead singers dos musicais, né, gente da televisão, a Jennifer Nascimento, Rodrigo Faro, a família toda do Rodrigo Faro, Antônio Fagundes, Bruno Fagundes, filho porque vinha a família toda depois, né?
Sim, ele recomendava para família inteira e vinha um bocado.
Tem uma família, não posso informar quem, né? Opero um, ele, essa pessoa famosa me mandou outros 6 da família para fazer a mesma cirurgia, que seria o septo.
Meu Deus!
Tem uma família, aí já não é do cenário artístico, né, mas é do comércio. Eu operei 12 pessoas da família em menos de 3 anos.
Meu Deus, imagina você chegar numa família e falar: operei todos vocês.
Você imagina, gente? É muita confiança, pensa bem.
Com certeza, trazer filho, que você passa, é algo realmente invejável, né? Admirável também. E ele citou o Shawn Mendes aqui, para quem não prestou atenção. Em 2019, o papo que rola na internet é que você foi a razão pela qual ele cancelou o show no Brasil. Como que foi isso? O que que aconteceu?
Pois é, mas antes de explicar, eu falei, não fui eu, foi um vírus com bactéria.
É, foi culpa, foi culpa do Shawn Mendes que não veio antes, justamente pelo que você falou.
Eu vou contar para você informar vocês que isso tudo eu posso informar vocês, que vocês colocarem lá na internet Shawn Mendes 2019 canceling, canceling show, você vai encontrar os blogs, né, do Shawn Mendes Army, né, que é o exército do Shawn Mendes. Você vai ver lá ele falando, ó, meus médicos, né, me orientaram a não fazer o show, eu amo o Brasil, prometo que vou voltar. Então tudo que eu vou falar aqui ele informou publicamente, por isso que eu vou poder dar alguns detalhes, mas não detalhes específicos.
O que aconteceu naquele dia? Eu tinha acabado de operar um pagodeiro de um pólipo de muarama. E aí fui numa roupa simples inclusive para o hospital e cheguei assim e falei, ó, vou para casa agora, né? Nossa, foi uma cirurgia difícil. De repente me liga assim uma paciente cujo septo eu tinha operado e ela falou, Doutor Rei, você não acredita quem você vai ter chance de atender hoje. Aí falei que eu sou fã de Guns N' Roses, né? Falei, o Axl tá no Brasil, né?
Axl Rose, né? Falei, não, não é, é o Shawn Mendes. Você tá no consultório hoje? Aí eu falei assim, eu não estou, mas para o Shawn Mendes eu tô.
Agora eu tô.
Agora é a sorte que eu não tinha voltado para casa ainda, tava pegando meu carro, né?
Você só deu meia volta.
Exato, de jeans com a camiseta antiga, não era nova. Mas eu tô sem roupa de consultório, não dá tempo de você voltar para o consultório, para sua casa, doutor. Já pedi para ele ir para lá agora. Então isso foi às 11:30. Quando foi 13:30, ele chegou no consultório, né? E aí pude examiná-lo. Me contou que foi difícil, show extra no dia anterior, na noite anterior, para 35 mil pessoas, que o show tava esgotado há mais de 10 meses, do sábado à noite, dia 30 de novembro de 2019.
E que ele nunca tinha sentido aquilo, fica totalmente sem os agudos de stitches, there's nothing holding me back, mercy, nada saía. E aí examinei e pude ver que realmente não tinha condição, era uma infecção aqui já tratada, mas o antibiótico não tava funcionando. E por mais que eu desse remédios fortíssimos, ia ser virtualmente impossível resolver aquilo em menos de 6 horas, era o dia do show. No dia do show, só Jesus Cristo na causa, né?
Só milagre mesmo divino. E aí eu falei para ele assim, acho que vai ser difícil hoje, I'm so sorry, mas acho que é melhor descansar. Ai, eu perguntei para ele, você tem playback gravado? Ele falou, never, nunca vou ter, né? Ele tinha 21 aninhos, então idealista, né? Eu respeito isso, acho isso bonito. Nunca eu vou usar playback na minha vida. A pessoa tem que confiar muito em si, né? Aí a gente, ó, você poderia conversar com meu médico de Beverly Hills, nome dele é Sean também.
Aí ligou no FaceTime dele dos Estados Unidos, colocou lá, eu conversando com Sean, com o Dr. Sean, e ele falou, Sean, eu já recebi o exame do Dr. Reinaldo, nunca te vi assim, tá tudo muito inflamado. Eu acho melhor, concordo, você descansar hoje. Quem sabe a gente consiga salvar sua voz para daqui 3 dias lá no Rio de Janeiro, na Arena Junesse, né? Aí ele falou, aí ficou um pouco mais calmo, mas fechou a cara, né?
Porque idealista, né?
Todos os geninhos, a gente, os geninhos querem ser perfeitos, né? Frustrou, né? E aí aceitou. Aí eu preenchi os papéis e a gente infelizmente teve que cancelar, mas foi para o bem do João Mendes, para ele não machucar a corda vocal dele.
Quase for no show dele que foi cancelado, gente, se você gosta mesmo dele, você vai super apoiar. Isso vai ficar feliz que foi cancelado, porque agora, se ele tá cantando tudo que ele tá cantando agora, é por causa disso, né, gente? Ele quis cuidar da voz, quis dar prioridade, e tá corretíssimo. Mas se ele tivesse ido antes, quem sabe ele não teria conseguido ir para o show no dia anterior, gente. Ele chegou, acho que teria feito uma diferença.
Mas querendo ou não, até os antibióticos, né, demoram para ter efeito. Então 6 horas antes do show.
E essa é uma grande dica para você que trabalha com a voz: quando você tem um evento importante para trabalhar, você não pode deixar para procurar ajuda no dia do show, da gravação, né? E foi bem interessante porque o médico dele é mais velho do que eu, acho que uns 10 a 15 anos mais velho. Ele falou: olha, pela forma como você gravou o seu exame E pela experiência que você me disse que tem de ver mais de 10 cantores por dia, eu não vou interferir nas suas decisões de remédios.
Desse jeito, ele falou para mim. Aí eu me achei, né? Aí eu dei as medicações que eu sei que são milagrosas, né? Ele usou e, ó, Doutor Reinaldo, hoje é domingo, ó, o glicêmico já tá saindo. Aí segunda-feira de manhã, Doutor, minha voz tá como normal já. Olha, eu vim com a equipe toda para o Rio, você não pode indicar um médico para mim ver no Rio? É isso tudo. Eu tenho WhatsApp do Show Mendes, tá? Não sei se é ativo ainda, mesmo assim.
Aí, ó, vai então, médico lá em Ipanema. Aí foi no médico, né? Viu, o médico mandou a foto para mim, já era uma corda vocal praticamente normal, gente. Parecia até milagre. Há tanto que na terça-feira, no dia seguinte, eu autorizei o show acontecer.
Aí ele falou assim, oi, o outro show tava corretíssimo de colocar toda a resposta para você.
E a ideia foi evitar que ele cantasse para não ter que cancelar o show da Argentina. Sexta e sábado da mesma semana ia ter show em Buenos Aires, lotado também. As duas arenas estão lotadas. E aí eu entendi como funciona o show business, né? Antes de fazer 2 de 3 shows num país, a perder 2 shows inteiros de um país inteiro. Nossa, é.
A Argentina nunca mais ia encarar o Shawn Mendes da mesma forma.
Exato.
Nunca mais.
E aí foi quando a gente— aí ele convidou. Ah, aliás, o senhor viria para o show? We would love to have you with us. Quer dizer, a gente, a Maria teve vocês conosco. Aí falou, é claro. Eu falei, bem interessante, que aí eu já comprei a passagem de última hora no mesmo dia, de manhã cedo na terça, e saía, e ia sair de Guarulhos às 4. Olha só, às 3 da tarde eu vi o retorno do Júnior Lima, do Som de Júnior. Falei, Júnior, você não acredita, eu tô te atendendo agora, tô indo para Guarulhos pegar o voo.
Né, para ver o Shawn Mendes lá. Aí foi bem interessante. Eu cheguei lá, foi um dos dias mais, uma hora antes de, meia hora antes começou o show, porque atrasou, tava tudo entupido lá. O trajeto para Neném Genésio é uma pista fina, né? Então demorou com táxi mais do que o previsto, mas ele fez um bom show. E depois terminou os últimos 11 shows da turnê de 106 como se nada tivesse acontecido.
Sabe o que que eu assisti no meu avião? Que eu fui para o Japão esse ano, aí quando eu voltei, sabe o que que eu tava assistindo? O live concert dele do novo álbum, que eu sou muito fã.
Que interessante, tava no streaming, né?
Tava lá no negócio do aviãozinho, a gente pesquisa music, e aí enfim, tem tudo lá. E aí eu sou muito fã do Shawn.
Eu gosto muito da voz, né? E por conhecer o ser humano também, eu fiquei mais fã ainda.
Ah, então eu não posso falar a mesma coisa. Eu gosto dele como artista, como quer dizer, agora que ele tá namorando com a Bruna, né, ele tá vindo mais aqui. Então as minhas chances até que aumentam um pouquinho de encontrar com ele.
Lembrar que tem o Doutor Rei, talvez ele venha.
Ah, mas depois daquela eu acho difícil esquecer.
Eu acho difícil, porque vai depender da Bruna, sei lá, Bruna não tem outro toinho para indicar, né?
É verdade. E aí isso foi antes antes ou depois de você entrar no Canta Comigo como jurado?
Isso foi depois, foi no ano seguinte, foi no segundo ano da temporada.
E como que foi o convite para ser jurado?
O convite foi em 2017, quando eles disseram que ia ter um reality interessantíssimo e que eles queriam um otorrino especializado em voz de cantores para compor o painel. E nessa época eu já tinha essa faminha, né, as pessoas já conheciam o Dr. Rei como o médico dos cantores do Brasil, das estrelas, já tinha essa credibilidade como otorrino. E aí, quando me chamaram, me disseram assim, ó, para facilitar, era a primeira temporada, eles colocavam gravação de sábado, gravação de domingo e duas gravações de semana.
Então, dos 5 dias da semana, eu tinha 3 dias para atender, 2 ocupados para gravação e o final de semana ocupado. Então conseguia, né, participar das gravações. E eles me chamaram porque daria mais credibilidade ao programa. Veja, é um médico bem formado, por boa universidade, especialista na área, já médico dos artistas do Brasil, analisando os candidatos fora de série, que é só gente fora de série que participa e consegue passar nessa seleção, em tempo real, tendo que falar o que aconteceu na apresentação, a ida para os agudos, a ida para os graves, se teve quebra, se não teve quebra, se tem rouquidão, se não tem rouquidão, e falar tudo isso de uma forma positiva em menos de 1 minuto.
Explicando porque cantou junto ou não, e também porque ele sabia o que eu cantava. Nessa época eu postava cantando indo para o trabalho todos os dias. Desde 2016 para 2017 comecei a gravar metade da canção, colocava lá o playback lá no carro, colocava o celular pendurado lá e gravava, me gravava cantando. Então eles sabiam que eu ia poder cantar. E no Canta Comigo é necessário que todo jurado cante junto. Junto, ou em uníssono na mesma nota, ou uma terça acima, ou uma terça abaixo, ou uma oitava abaixo, é para fazer um coro com o cantor lá de baixo.
Depois que é permitido que a gente aperte o botãozinho, quando a gente aperta o botão abre o microfone para a gente cantar junto com o artista. Por isso que se vocês atentarem para o programa que tá no ar agora na Record, terça à noite e quarta à noite, vocês vão ver que no fundo tem a voz dos jurados cantando E já teve algum momento que o, enfim, convidado, convidado não, né, o candidato, candidato, tava cantando uma música que você não sabia?
Como que você ia cantar?
Existe assim, a gente sabe mais ou menos quais são as canções que vão ter no dia, e isso é um estudo que a gente tem que ter uma prévia, né, ter uma prévia justamente para a gente não ficar sem saber cantar, não cantar por não saber cantar a canção. E também nós temos um prompter para saber o andamento da canção.
Ah, olha aí, gente!
É claro que o prompter não dá para ver direito, tá muito longe, mas a gente treina.
Até porque tem que englobar 100 pessoas ali para conseguir ler, né?
E você não pode tirar o olho do candidato porque você tem que ver se ele quebra a voz, se ele tá nervoso, se ele tá com baixo carisma, baixa energia, tenso. Sem semblante tenso. Então tudo isso faz parte da performance, né? É uma competição para ganhar R$300 mil.
É verdade. E é um prêmio e um apartamento. E um apartamento? Eu não sabia disso.
Um apartamento e os R$300 mil.
E você devia ficar até um pouco aflito também, né, de ter tanta responsabilidade de determinar. Sim, querendo ou não, não é você que escolhe, mas você ajuda boa parte.
É assim, veja, são 80 candidatos fora de série. Eles são todos muito talentosos, exatamente. Eles são selecionados de 3.000, 4.000 candidatos, então eles já chegam muito perfeitos. E como eu sou um jurado bonzinho, não tenho cara de mal, não, eu sou uma pessoa boa. Então eu cantava, vai, uma noite com 10 candidatos, eu cantava com 9, só não cantava quando desafinava demais, né? E eu sabia que essa desafinação não era por nervosismo, se desafinava por nervosismo, dá para saber.
Aí eu cantava junto porque tá nervoso, talvez melhore para o próximo. Com certeza, ainda mais quando se trata de criança, né?
É verdade. Nossa, e olha aí, você sempre quis ser pediatra, né? E aí ela trabalhava constantemente, cuida de crianças, do Timbroder, das escolas de musicais. Foi lá que eu conheci, foi assim que a gente se conheceu.
Ela era modelo, né, modelo e também cantora do Timbroder, que é uma escolinha Uma escola super renomada com mais de 30 anos de experiência na Vila Madalena.
É verdade, gente. Aí olha eu aqui apresentando e retornei ao Reinaldo porque eu sou apresentadora hoje em dia. Olha aí como a gente trabalha com a voz em diferentes áreas, né? E eu acho que todo mundo deveria ter, enfim, esse acompanhamento com o otorrino, gente.
Eu concordo, é importante. Por que que é importante? Porque para quem vive da voz em sua profissão A voz não é só um instrumento de trabalho, na maior parte das vezes. As profissões que utilizam a voz como meio de comunicação, elas são escolhidas por paixão e é muita afinidade, na maior parte das vezes. Não é só para ganhar o dinheiro, entende?
Essência.
Porque quem trabalha com voz improvisa muito, então tem muito do talento de improviso, de inteligência, de juntar tudo com um talk show, com que você tá fazendo comigo, um talk show, né? Sim, e muito bem feito, né? Apesar de tão jovem, parabéns por isso. Então essa pessoa ela precisa zelar e cuidar da sua voz para ultrapassar, atravessar as décadas sem a mudança da qualidade da voz, sem o envelhecimento da voz que naturalmente aconteceria.
Para quê? Para que ela consiga, consiga com a experiência melhorar o seu produto, né? Seja no rádio, seja na TV, num podcast, no musical, na novela, no cinema, né, em qualquer âmbito da voz profissional, como político, como advogado, como médico. E aí, é claro que eu acho que quem trabalha com a voz merece sim uma consulta anual de check-up para ver como as pregas vocais estão.
Vale a pena.
Nós temos duas pregas e elas, quando a gente usa essa voz em cima de uma infecção, nós temos um risco, infelizmente, de machucar a corda vocal e ganhar calos, nódulos e cistos, né. Então é bom passar para ver como é que tá. Inclusive foi o meu caso, é, lá atrás foi o motivo, né, aos 9 anos de idade.
E aí hoje, agora com 16, eu—
é, mas era uma infecção, você voltou melhor. Eu vou te rever já já, né?
É verdade, gente, a gente vai ter a nossa sessão marcada.
Exatamente.
Mas aí eu acho que por conta desse contato com tantos cantores, com tantos atores que cuidam mesmo da voz, já teve algum momento que você você se sentiu meio condicionado para também querer isso? De você se bobear, ai, e se eu for um pouquinho cantor, se eu explorar um pouco essa área? Ou você sempre conseguiu diferenciar muito bem entre o cliente e o profissional?
Eu sempre fui um indivíduo sonhador que queria ser médico desde 4 anos de idade, e toda a minha carreira como aluno, estudante, me impeliu, me me levou a buscar o melhor desempenho acadêmico possível. Então eu sempre fui um dos melhores alunos, se não o melhor aluno das salas. Então sempre foi esse o motivo, né, de estudar mais. Claro, também era bom no esporte, fui da seleção de handebol da escola, sempre gostava de tocar instrumento ou outro, cantar em inglês.
Aprendi muito do inglês que eu sei, aprendi cantando, vocabulários novos que aprendia com as canções. Não tinha internet na época, eu tinha que gravar na rádio, depois colocar lá na fita cassete e voltar para tentar entender a letra, tentar extrair quando não tava disponível naquela lista das letras traduzidas da FISC, né, da escola da FISC. Então, e tinha as revistas de cifras de violão que vinham com as letras também, e não tinha internet.
Então eu sempre gostei de mais coisas fora a medicina e estudar, porque era um ser humano normal, né? Mas como eu sempre sonhei em ser médico, eu tive que em algum momento largar mão de tudo, inclusive de amizades. A partir de 15 anos tive que começar a trabalhar, e quando isso aconteceu eu fiquei muito pessimista no primeiro momento, porque eu achava que se eu não me dedicasse adequadamente, eu não ia conseguir vencer a batalha da concorrência no vestibular.
Veja, eu era aluno do ensino público estadual de São Bernardo, eu tava na desvantagem. Imagina então não estudando direito. E aí eu abri mão de tudo e falei, eu só vou continuar aquilo que eu já fazia, só que agora tempo integral para estudar. Então, 15 anos em diante marca esse marco, É esse marco. E eu decido trabalhar, né, para guardar dinheiro para o cursinho. E com o dinheiro guardado, eu consegui começar o cursinho em São Bernardo.
Eu vinha para São Paulo no ângulo. E aí o meu dinheiro acabou no primeiro, segundo mês de cursinho. E aí o que que eu fiz? Tive a ideia de pedir emprego dentro do cursinho. E consegui emprego dentro do cursinho por milagre, no finalzinho de abril, começo de maio. Meu Deus, coisa de Deus, né?
Sim, com certeza.
Eu não tinha mais vaga porque as listas já tinham rodado, né? E aí nesse ano consegui continuar a estudar à noite porque eu sabia que ia ter que trabalhar de dia, né? E aí no ano seguinte consegui trabalhar à noite no Angulo da Madaré como audiovisual. Eu que montava projetor de slide, retroprojetor, telão de VHS, né? Você nem sabe o que é isso, né? Aquela fita enorme.
Não é da minha época, mas eu sei o que é, eu só não vivenciei. Diferente.
E aí a gente conseguiu passar nas 5 faculdades, né, por muito esforço. É por isso que nunca passou na minha cabeça ser musicista, ser artista, mas eu passei a respeitar ainda mais conforme foram chegando os profissionais. Comecei a perceber assim, nossa, essa galera aqui tem um papo, uma profundidade de conversa, uma memória e uma perfeição no que faz que não fica nada a dever aos meus colegas que passaram na FUVEST em medicina.
Aí eu comecei a perguntar para um, para outro: você fez alguma avaliação, né? Ah, doutor, olha, eu tenho superdotação. Ah, olha, doutor, desde 5 anos testei meu filho, ele também tem essa questão. Aí comecei a perceber que talvez fosse muito frequente isso na área das E aí isso me fez admirar ainda mais, porque são pessoas que querem perfeito em tudo, querem acertar em tudo, não querem errar em nada, né? E como uma conversa muito ágil, como a nossa assim, sabe?
Não tem nem tempo de pensar muito e já vem a resposta. É bate-bola, aquela coisa que é jogo de tênis de mesa de chinês, né? E aí eu hoje eu admiro muito essa galera, né? E falo Poxa, é como se fosse o equivalente dos médicos na arte, dos advogados na arte. Então respeito muito.
E você vê, mesmo você não sendo artista, você também acaba sendo muito parecido com a gente. Sim, não só no quesito de não querer errar, mas no quesito de superdotação. Porque quando você vai na clínica do Reinaldo, vai ter um certificado do Mensa, né, de superdotação. Como que você descobriu que você era superdotado?
É assim, de 2018 em diante eu comecei a atentar para isso, porque em 2022 veio o meu sobrinho, filho da minha irmã, e tava muito agitado na sala de aula no Japão. Eles trabalham no Japão. E aí colocamos para neuropsicóloga avaliar e veio com superdotação no SON-R, que é um tipo de exame neuropsicológico, e deu 130 de QI aos 5 anos. Eu falei Peraí, não é só o aluno excelente que tem score alto? E peraí, peraí, eu sempre fui melhor aluno, um monte de gente que passou na FUVEST na minha família, será que eu também sou?
Porque a minha história é um pouco improvável, né? E aí eu comecei a tentar para isso e veio a pandemia. Aí na pandemia, um monte de texto, um monte de vídeo de psiquiatras, psicólogos falando. Eu falei, mas isso aqui sou eu. Mas não, me acho tão inteligente assim? Eu acho esforçado, né? Afinal, eu sempre estive em desvantagem, né? Porque quando eu entrei no curso de medicina, a cabeça era semelhante, eu consegui ver que era semelhante, mas tem um abismo socioeconômico, né?
O que que é o abismo socioeconômico? A gente não se veste igual, não pode sair para as festas e tal, não viaja. Eu não conhecia avião na época. Então a gente sempre acha que tá para trás. Aí de repente eu falei, aí eu tive minha filha, minha filha começou a crescer, começou a mostrar muitas coisas adiantadas, né? Eu falei, quer saber, eu vou me testar, eu vou me testar. E se vier que eu não sou, eu vou ser muito orgulhoso de ter conseguido tudo que eu consegui sem me esforçar.
E se vier que eu sou, explica muita coisa de tantas facilidades que eu encontrei no caminho. Eu já preparo o caminho, quem sabe minha filha também seja, porque existe uma hereditariedade, uma herdabilidade disso, né? E aí eu fui testar lá, e aí a neuropsicóloga chegou assim para mim e falou, é, Reinaldo, Doutor Reinaldo. Aquela cara de surpresa, meio tenso assim, né? Porque eu dei o meu melhor, né? São 8 encontros, né? E a gente competitivo, né?
Sim, nossa, eu também.
A gente não gosta de errar, né? Olha, esse tal índice deu percentil 99, esse aqui deu percentil 98, esse aqui deu percentil 97, só esse aqui que deu um pouquinho mais baixa, mas ó, em todos os quesitos, até nos testes paralelos, não tem como estar errado esse teste, porque o primeiro estava errado, né?
A gente até desconfia, né?
Desconfia. Eu demorei acho que uns 15 dias. Você errou em uma conta.
A gente fica até pensando, o que que eu errei será para não dar o percentil 100? Fica até, exatamente.
Aí foi quando veio isso e foi algo que me fez entender muito da minha vida. Porque eu tinha poucos amigos, só gostava de amigos mais velhos, né? Porque na faculdade mesmo eu tinha uns amigos de mesma idade, mas gostava muito de conversar com os mais velhos. É porque as professoras sempre diziam que eu tinha uma mentalidade, uma maturidade maior para a idade na época. E hoje, conversando com os amigos da época, falam, nossa, Reinaldo, você ele é uns 5 a 10 anos mais velho que a gente, né?
Então dá, explica, dá explicações. Mas eu fiz muitas reflexões. Uma das reflexões é que isso não muda muito o Reinaldo. O Reinaldo, ele se formou para buscar a sua melhor versão. Então vou continuar buscando. E o fato de ter esse título, essa identificação, não me deixa inerte ou imune blindado contra isso. Então continuar usando isso, é todo esse potencial ao favor da sociedade nessa missão que eu chamo de medicina, no caso otorrinolaringologia e medicina, para quem chegar a mim, né?
É o que eu penso também. Eu acho que QI, por mais seja consciente, intelectual, eu acho que é muito sobre o potencial da pessoa. A gente pode até estar em vantagem nesse quesito, nessa coisa de rapidez, e raciocínio. Mas se a pessoa não quer, não vai acontecer. Não tem, não tem o que falar, entendeu? Devem ter muitos gênios, gênios por aí que estão passando fome, que são fracassados, e porque se conformam aí. Porque essa questão é justamente você ter a coragem também de sair da sua zona de conforto, eu acho.
E isso aconteceu, sabe quando? Quando minha mãe e meu pai chegaram para mim em 1992. Falei, Reinaldo, infelizmente você não vai. Você passou no vestibulinho do Colégio Bandeirantes, renomado de São Paulo, na melhor sala, mas você não vai poder ir porque agora precisamos que você trabalhe. Então nesse momento, aquele Reinaldo versátil do esporte, da música, já de ter ficado com duas namoradinhas, né, sumiu. Eu enterrei esse ser normal, eu pude focar somente no estudo.
Quando eu fiz isso, Sofia, eu pude tirar 10 em todas as matérias no primeiro semestre do segundo ano do ensino médio e não errei uma questão sequer. E esse desempenho fez um dos professores, que era engenheiro formado pela FEI, professor de física, termologia, da parte térmica, né, ele conseguiu uma bolsa integral para estudar numa escola particular do centro de São Bernardo, também renomada, e não tão renomada como o Colégio Madeirantes, né, mas com certeza melhor do que aquela escola pública que eu frequentava.
E meus pais não permitiram porque ia ter que pagar condução para ir, condução para voltar, roupa diferente, passeios e livros que não eram gratuitos, né? Então acabei não podendo ir. E isso me fez focar. Nesse momento eu falei, ou eu foco no estudo ou eu vou ser um eterno frustrado na minha vida toda. Então o Reinaldinho, menino Reinaldo, ele foi empurrado para buscar foco no estudo que ele não tinha total. Eu estudava meia hora antes do dia da prova e ia bem na prova, era 8,5.
Minha mãe reclamava que não tirava 9, 10, mas é porque eu tava dividindo com futebol, né, com uma vida normal de dançar e bailinho, né. E então foi quando eu me foquei. Eu acho que isso salvou a minha carreira. Se eu não tivesse focado nesse momento, se essa dificuldade não tivesse aparecido, talvez eu tivesse dissipado a energia. E existe sim um poder para quem tem essa condição de neurodivergência com altas habilidades de acreditar naquilo que ninguém acredita, buscar o seu sonho sem saber se ele vai acontecer e dar o seu melhor para você não se arrepender que você não deu o seu melhor em algum momento do processo.
Então eu tinha muito bem certo isso, e eu, alguma coisa me dizia que eu poderia passar na FUVEST Medicina. E mesmo com todas as dificuldades, né? E eu pude conhecer muita gente inteligente, e muitas vezes mais inteligente do que eu, mas que não entrava na aula.
Existe uma questão, às vezes as pessoas têm a mesma vantagem ou até mais e não se esforçam, e você esforça o dobro. É isso que te diferencia dos demais, eu acho. Justamente porque você vê pessoas com todos os recursos do mundo, escola particular, todo o ensino, não passa em medicina. Muito menos, né, em faculdades super renomadas.
Existe isso, existe isso inclusive dentre os superdotados. É importante para quem esteja ouvindo isso, existem aquelas pessoas que sabem que com pouco esforço consegue muita coisa. Essa é a vida do superdotado, pouco esforço tira 9, pouco esforço já aprende fazer o passo da dança, pouco esforço e treino já aprende a cobrar falta no ângulo. E fazer o gol, né? Só que às vezes o caminho mais fácil não treina você para todas as situações, e aí você deixa de aproveitar o seu maior desempenho.
Então, se a gente souber, com objetivo de carreira ou de vida, buscar sua melhor versão e se forçar e se treinar para fazer aquilo render mais do que é o suficiente para estar por cima, a gente vai conseguir, quem sabe mais. Eu acho que isso que me ajudou muito. Então essas dificuldades que apareceram na minha adolescência, em certa época eu me lamentava por elas, mas hoje olha para trás, se não tivesse acontecido isso, será que eu estaria aqui dando essa entrevista nesse podcast para Sofia? Ou criado essa carreira?
Eu acho que querendo ou não você foi forçado a sair da sua zona de conforto. É isso que faz a diferença. As pessoas mais privilegiadas acabam nunca nem passando pela cabeça normalmente.
Eu entendo que isso possa acontecer também. Eu sempre dou um exemplo: tem jogador de futebol que ficou na história e o outro que começou a ficar na história, mas depois— não vou falar nomes, tá? Acabou se perdendo no caminho. Ambos são pessoas com altas habilidades, provavelmente, porque estão muito da média. E o que muda é a vontade de fazer, é colocar naquilo que você escolheu fazer como uma missão, uma missão que é para ajudar o mundo, Não é por ego, ególatra, né?
O ego que eu tenho que ser o maior do mundo, concentrar o poder. Isso é coisa de vilão, né? Mas eu quero usar esse poder que eu tenho para poder marcar a minha geração de forma positiva, para que outras pessoas possam seguir esse caminho do futuro também, né?
É assim que você meio que já respondeu minha última pergunta, né? De o que você falaria para alguém que quer seguir o mesmo caminho que você. Você basicamente já falou, gente, corra atrás dos seus sonhos.
E né, isso, não tem um plano B. Eu falo, nunca tive um plano B. Se eu não passar em medicina, eu vou ser dentista.
Não passei em medicina, você não pode, não pode nem passar pela sua cabeça outra realidade, porque senão ela se torna mais perto de estar real, entendeu? Essa é minha visão assim, se eu só penso em uma realidade, o que ela vai ter que acontecer, entendeu? Tiver plano B, as coisas acabam se divergindo na sua cabeça e você já fica meio É, sabe? Aí você também tem que rever um pouquinho seus objetivos, na minha visão, porque eu acho que principalmente para quem é da arte isso tem que estar muito bem estabelecido, porque as probabilidades são muito menores, querendo ou não.
Sim, é, acho que é 1% de cada área profissional. Nas minhas reflexões, eu penso que 1% dos advogados consegue ter escritórios lotados, 1% dos médicos têm consultórios lotados, 1% dos artistas consegue chegar na notoriedade nacional e mundial de um filme de Hollywood, novela, cinema, streaming, etc. e tal, ou dos musicais. Não é todo mundo, porque exige muito, são muitos fatores associados, desde perfil físico, no caso da arte, até a questão da destreza de cantar, fazer algo que poucos conseguem fazer, né?
Tem muito disso do fora de série na arte, né? Então eu vejo que que acaba que a gente precisa acreditar que consegue pertencer àquele grupo lá, se não ao grupo dos que estão lá em cima, naqueles que estão junto dessas pessoas, que eu chamo até, vamos pensar em percentil de performance, não de QI, performance, né, 80 para cima, né. Só que para pertencer esse grupo de cima, haja suor, haja estudo, até porque não adianta ter 60 também.
Eu acho que na performance, eu acho que não depende só disso, da sua capacidade. Eu acho que depende também de muita paciência, isso, resiliência, tempo. É, exato. E também saber medir quais oportunidades são boas e quais são ruins, porque as pessoas acabam se perdendo no caminho, que nem você falou. Não é por falta de habilidade, é por falta de discernimento, e elas se distraem.
Então quando a disciplina se dissipa Elas acabam perdendo tempo em coisas que não vão trazer a edificação dos degraus para você chegar ao objetivo lá em cima. Não é que é para ser um ET, eu corri um risco, mas não tinha escolha. Eu fiquei sem contato com seres humanos da minha idade por uns 5 anos. Foi um risco bem no meio, no olho do furacão da adolescência, em que você tem que aprender a ser adulto, né? Eu cheguei, né, na faculdade claramente com uma defasagem social que me fez ser um indivíduo muito mais quieto do que falante por 2 a 3 anos.
É uma dificuldade de pertencimento, de pertencimento, porque tinha o abismo socioeconômico e fora que eu era um ser não social. Então eu aprendi muito com meus colegas, como eles conversavam. Se falar uma palavrão, você não sabe falar, porque não sabia que você falava igual eu, igual a mim, né, igual as pessoas que eu conhecia. Aí eu percebi que são seres, eram seres humanos iguais, com defeitos e virtudes iguais. E aí comparando as notas eu pude perceber que eu tava entre as 10 melhores notas da sala, né, que era pública a nota.
Então eu não tinha nada, eu só tinha meu desempenho, eu me comparava, mas o poder de comparação, e errado comparar, mas eu era um pós-adolescente nessa época, né, e competitivo, e competitivo. E no final, primeiro nunca mais fui, sempre décimo, décimo primeiro, nono. Mas tava, aí eu pude ver que eu era igual a eles até o terceiro ano comparando essas notas. Não recomendo que vocês não se comparem para nada, é que eu, é o que eu sempre, sempre, é.
Aí, com certeza. Então, para a gente finalizar esse podcast aqui, eu vou mudar a pergunta já que já foi respondida. Eu queria saber o que que você pra você que é o fator principal para prejudicar uma voz?
Principal fator é quando a gente pegou um resfriado, tá com tosse, tá com uma sinusite, catarro verde e amarelo aqui ou aqui, e vai tentar falar forte numa festa ou vai tentar cantar os agudos com muita força e potência. É nesse momento que a corda vocal já inchada pelo resfriado, pela infecção, infecção, quando você fala forte, você esfrega uma corda na outra, e esse ato de esfregar uma na outra leva a um atrito que faz aparecer o calo, o pólipo e o cisto.
E aí, depois que aparece isso, se não fizer o diagnóstico logo, em até 3 meses até cirurgia pode precisar. Então a dica que eu deixo para vocês: quando estejam sem voz ou com uma infecção grave de nariz e garganta, repousem suas E se vão usar a voz obrigatoriamente na profissão ou na escola, onde seja, procure um médico otorrino, de preferência especializado em voz, que ele vai ter todos os equipamentos do consultório para ver as cordas vocais em detalhes e para tratar essa infecção que levou à perda daquela voz, dessa sua voz.
E só para aproveitar também, você falou de rinite, sinusite, como que você diferencia entre rinite, sinusite e resfriado?
Perfeito. Rinite, a gente tem rinite alérgica e rinite não alérgica. Dentre as não alérgicas, nós temos as rinites infecciosas, né, que são por bactérias e por vírus, por vírus, né. Então, quando a gente tem um nariz tampado com coceira, com espirro e com secreção que é clarinha, sem dor de garganta, sem ardência, muito provavelmente uma rinite alérgica. Agora, se eu tenho o nariz tampado, travado, com secreção já grossa, assoa toda hora e sai alguma coisa que não é tão branquinho assim, já é um pouco amareladinho de leve ou verde, e a garganta tá doendo ao mesmo tempo lá no fundo atrás da campainha ou lá embaixo atrás da amígdala ou na amígdala, aí nós temos vírus ou bactérias.
E se passaram 5, 6 dias com esse desconforto de nariz e garganta tampado, garganta dolorida, Já muito provavelmente no 6º, 7º dia já temos uma bactéria, bactéria ou na garganta ou no nariz. Então assim que eu diferencio: se arde, se dói, é porque não é alergia, tá bom, gente? Alergia não dói, não arde. Alergia coça, tá? Se arde, dói, é vírus ou bactéria. E aí, se tiver algum a fazer, algum trabalho importante com a voz, já manda WhatsApp para o otorrino especializado em voz para evitar a perda dessa voz. Para ter que cancelar a gravação.
De preferência Reinaldo.
E, oh meu Deus, eu não posso falar isso, senão—
mas eu falo, eu tô aqui para falar mesmo. Então, Reinaldo, muito obrigada por ter aceitado o convite. Eu fiquei muito feliz, muito realizada, porque assim, Reinaldo, não sei se você sabe, mas você inaugurou o novo quadro.
Olha, o Trambicasting Extra! Que prazer, que bom!
E eu tô super feliz que ter conhecido você.
Obrigado, fico lisonjeado.
Você tenha gostado, porque realmente o Reinaldo não é o primeiro podcast dele, né? Porque a gente adora escutar dos convidados: ai, é meu primeiro podcast, tô nervosa. Não foi o caso, mas a gente fica honrado que a gente esteja na vasta lista de podcast que você participou.
Prazer. E para quem não sabe, não sei se você já informou seu público, você também tem altas habilidades de superdotação.
Eita, gente, já quer me expor aqui!
E por isso que essa conversa é tão dinâmica, né? Existe essa característica, a velocidade de compreensão é rapidíssima. A gente nem termina de falar, a pessoa já sabe o que vai perguntar depois, porque já entendeu tudo, já fica processando.
E eu acho que isso também é um ponto que faz ser difícil essa, esse pertencer, né, que você falou, porque as pessoas não estão na mesma, não estão na rapidez.
Aí você fala, fala, fala, e a pessoa E hoje eu entendi porque eu fui desenvolvendo ao longo do tempo uma forma mais lenta de falar, dependendo de com quem eu estou, né? E às vezes até não falar, não responder. Lembro na época da escola normal, ensino fundamental, eu sabia todas as respostas das perguntas dos professores, mas eu falava a primeira, depois eu deixava o resto falar. Sim, sem ninguém falar isso para mim, para poder conviver melhor, eu tive que aprender a me esconder.
Não sei se isso é bom ou é ruim, Mas foi uma forma que eu entendi de não sobressair sempre, né?
É aquela coisa, né, ficar confortável também na linha normal de ser assim, a gente se acostumar também a ser gente que nem o resto, né? Porque eu acho também que quando eu descobri, por exemplo, que eu era superdotada, eu Falei, gente, não faz sentido, porque eu não me sinto diferente de forma alguma. Eu, de verdade, não sentia. Mas aí, depois de um tempo, foi que nem você falou, começou a esclarecer bastante coisa. Porque hoje em dia as pessoas não falam que eu tenho a idade que eu tenho, né.
Eu te disse isso já.
É, então. As pessoas acabam esquecendo. Minha professora de canto, gente, toda vez ela fala, não, então você com 20 e poucos... Eu, prof, eu tenho 16. Aí ela, ai, meu Deus, é que eu esqueço. Aí ela ficou toda hora esquecendo. Pra você ter uma noção, teve uma vez que eu tava na aula, eu, ah, então, e aí eu fui na escola. Ela, você é professora? Ué, gente, como assim eu sou professora? Mas aí eu acho que eu entendi que não é sobre ser diferente.
O que eu sinto é que eu me sinto mais instigada ainda a acelerar o raciocínio do outro, porque eu acho que é justamente sobre essa zona de conforto que as pessoas não percebem que elas estão.
Sim.
Então eu acho que desde que que eu, enfim, recebi esse diagnóstico, eu me senti mais motivada a fazer as pessoas a pensarem mais aí, enfim, acelerar mais ainda o raciocínio dela, se isso for da minha capacidade, claro. E é isso aí, eu fiquei muito feliz que eu estou com um superdotado aqui do meu lado e tendo esse bate-papo tão legal. Então muito obrigada. E gente, se vocês gostaram do Reinaldo, não esqueça de comentar, dar o seu like, compartilhar, que o Reinaldo também vai compartilhar nas redes sociais dele, né?
Exatamente.
E se você realmente ficar, enfim, em dúvida, ai meu Deus, será que eu devo ir num otorrino ou não? Contata o Reinaldo, tá? O Instagram dele aí para isso vai estar na bio aí.
Isso, pode mandar direct, eu respondo todo mundo.
Ó, tá vendo? Todo mundo. Então se sintam abertos a pelo menos experimentar uma sessão. Então obrigada.
Um prazer, obrigado pelo convite. Desejo que vocês tenham um crescimento proporcional a essa competência que vocês têm, essa seriedade que você também tem como talk show presenter, né, como apresentador de talk show, podcaster, né. E conte comigo se precisar de outras vezes para de alguma, algum conteúdo. Eu vou estar sempre na torcida para te ver crescendo aí nesse novo projeto.
Obrigada, obrigada mesmo. Então é isso, gente, até a próxima. Até.