Ju Petroni: de viral no TikTok a superdotada com planos na medicina
O primeiro vídeo que Ju Petroni postou no TikTok pegou 100 mil curtidas. Antes mesmo de se apresentar ao público, ela já tinha 100 mil seguidores. O que parecia um começo mágico veio acompanhado de hate pesado, crises de identidade e uma pressão silenciosa que ela mesma criou, nunca os pais.
Neste episódio, Ju Petroni senta com sophia e jean para falar sem filtro sobre os bastidores de construir uma carreira nas redes sendo tímida, sobre o peso de influenciar um público jovem e sobre como o TikTok Shop virou uma extensão da sua ética. Ela conta por que rejeita publis de bet mesmo tendo recebido propostas com valores altos, como lidou com cancelamentos por conteúdos que foram entregues para o público masculino sem intenção, e por que acredita que a saúde mental precisa vir antes de qualquer estratégia de crescimento. A conversa também toca em territórios mais pessoais: o laudo de superdotação com QI 137, a autocobrança que começou na infância, a terapia que ajudou a soltar um pouco do controle e o plano de cursar medicina para abrir uma empresa de cosméticos e skincare.
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- Amizades e relacionamentos na internetFalta de genuinidade·Networking vs. Relações verdadeiras·Amigos de fora da internet·Dificuldade em criar laços
Alô, Brasil!
Como que vocês estão? Eu tô super bem. Eu tô bem também.
Muito animado.
Ah, então que bom.
Até porque eu coloquei uma das minhas músicas favoritas aqui, ó. Muito nascimento.
Todo mundo sabe que ele é fã de MPB, né?
Muito.
E olha, eu tô mais feliz ainda com a nossa convidada de hoje. Sabe quem é?
Eu vi você falando ali nos corredores, mas ninguém me apresenta antes. Eu conheço aqui junto com a galera.
Eita, então deixa que eu te apresento junto com a galera aqui. Gente, estamos com a Ju Petrone. Se apresenta!
Oi, gente! Ju Petrone aqui. Não sei muito o que falar.
Ju, a gente queria começar com uma primeira pergunta.
Tá.
Como que você começou na internet? Como que surgiu essa ideia de criar conteúdo?
Eu amo essa pergunta, pra mim essa pergunta é maravilhosa. Eu comecei do nada, o primeiro vídeo que eu postei viralizou.
Primeiro?
Primeiro vídeo. Pegou, tipo assim, 100 mil curtidas. Pra uma pessoa anônima, 100 mil curtidas é assim, ó...
É muita coisa, óbvio.
E aí, o segundo viralizou mais ainda. Pegou 300 mil curtidas. Que é um vídeo que, se eu falar aqui, talvez algumas das pessoas que estejam assistindo saibam que é um vídeo que eu tô com uma saia prata de paetê. E um corset branco. Viralizou muito. E aí eu comecei a postar só vídeo biscoitando. E aí começou a onda de arrume-se comigo, essas coisas. E aí eu falei, vou postar um, né? O primeiro vídeo que eu fiz falando, eu já tinha 100 mil seguidores. Então antes de eu me apresentar, eu tinha 100 mil seguidores no TikTok.
Caramba, 100 mil!
Ela não usou falar nada, sem falar, gente.
E aí, tipo assim, a galera gostou e eu gostava muito de gravar. Eu ficava muito nervosa, para quem não sabe, eu sou tímida, apesar de não parecer. E aí, gente, para gravar um vídeo de 1 minuto era 1 hora que eu, oi gente, ficou ruim. Oi gente, agora eu vou passar o rímel. Fazia de novo. Às vezes eu ia me maquiar, eu tinha que até tirar a maquiagem, tipo, agora vou passar o coxim porque não ficou bom, tinha que tirar e passar de novo.
Eu era muito travada, mas aí foi melhorando assim. E tipo assim, eu sempre gostei de fazer, então virou um trabalho.
E você foi se acostumando, né?
Com certeza.
Ai meu Deus, e como que foi na escola?
Eu fiz uma transição assim enquanto eu tava ganhando seguidor, começando a ficar Eu não gosto do termo famoso, né? Pra mim, famoso é Deus.
Amor é famoso.
Mas enfim, tipo assim, quando eu comecei a ganhar seguidor, eu mudei de escola. E aí eu entrei na escola nova nessa transição assim que eu tava começando. E aí assim, eu era zoada, mas era aquela zoação que era camuflada de brincadeira, sabe? Mas assim, eu nunca liguei. Aí hoje em dia as pessoas não zoam mais.
Que agora ela subiu muito, muito, aí agora não tem muito como.
Agora tem fã clubes, né? Então vai lá zoar ela agora.
Ai, eu amo, você sube.
Ai, então, exato. Exatamente. E assim, qual conteúdo que você mais gosta de fazer pra internet? Se você tivesse que escolher só um.
Só um conteúdo, eu faria tipo vídeos cinematográficos. Apesar de eu não fazer muito, eu amo gravar tipo quando o vídeo é mega produzido, sabe?
Mas é que dá trabalho, né? Por isso que não dá pra fazer toda hora.
É, eu posto tipo uma vez por mês, porque eu estudo, aí tem contrato com parceria, aí tem várias vertentes, né, que você faz no meio da internet. E aí acaba que essa fica ficando um pouco de lado. Mas se eu pudesse fazer só uma, eu faria isso, entendeu? Tipo aquelas publis da Luiza Parente, não sei se você já viu.
Sei, essa vibe maravilhosa. Mas sabia que ela sempre teve muito interesse por cinema, né?
Você também, ou? Tenho, eu amo fotografia, cinema, vídeo.
A gente foi viajar pra Campos juntas, né? E aí ela tava toda hora com a câmera dela lá. E como eu gosto muito de fotografia, eu fiquei reparando nessa vibe.
Eu com a minha câmera assim, de um lado pro outro, assim.
Você gosta de andar com a câmera pra lá?
Gente, eu fiquei um mês e meio no Japão esse ano e toda santa hora eu levava essa câmera. E você viu a lente, ela é enorme, enorme. Então ela era muito pesada, mas eu amava. Aí eu saía fotografando para tudo quanto é lugar, que eu acho a coisa mais legal.
Eu amo.
Vocês vão ser umas ótimas diretoras, sabia?
Você tem vontade assim de ir para área do cinema, de dirigir alguma coisa?
Eu falei para minha mãe esses dias que eu queria fazer um filme.
Mentira, como atriz ou como diretora?
Mentira! Mas tipo assim, eu super começaria de alguma outra parte, sabe?
E por que que você não faz nenhum curso?
Ah, hoje em dia é muito apertada a agenda para começar alguma coisa assim. Aí eu tenho outros objetivos de vida, de faculdade, essas coisas. Então eu não tenho isso como plano, mas se eu ficar muito rica vai ser meu hobby, entendeu?
Mas eu acho que ela vai ser diretora, porque quando ela entrou aqui ela reparou em todos os equipamentos, ela quis saber qual era a marca da câmera. Isso é coisa de diretor, sabia?
Você reparou nisso? Eu reparo sempre.
Eu olhei direto. Você também dirige, você sabe. Você chega nos lugares, você quer saber qual é a câmera, qual é o tripé.
Não, eu reparo no tripé, eu reparo na posição, eu reparo em tudo. No jogo de câmera.
Diretora.
Ai, meu Deus.
E quando você começou na internet, também deve ter surgido o famoso hate, né?
Nossa, eu tenho muita história com hate.
Como que você lida com isso?
Então, hoje em dia, graças a Deus, meu perfil é super tranquilo. Eu sou uma pessoa neutra, tipo assim... Eu tenho muito pouco hate, na verdade. Eu levo às vezes por causa do TikTok Shopping. Mas enfim, nem ligo muito. Mas no começo, eu tinha um público muito masculino. Majoritariamente masculino, né. E não era por opção, assim. Eu não escolhia, quero que entregue pro público masculino. Era uma coisa que acontecia, sabe. Porque em decorrência dos biscoitos, dessas coisas.
Então acabava que entregava mais pro público masculino. E aí, quando eu queria falar de algo muito feminino... As pessoas entendiam errado, sabe? Tipo, como se eu tivesse me sexualizando. E eu levei hate, assim, de perder muito seguidor mesmo, de... De levar um hate pesado, sabe? Porque a internet faz aquele cancelamento. Mas assim, superei, passei por essa fase. Eu também já tive fase de querer brigar, entendeu? Assim, tipo assim... Não de propósito, mas... Ai, alguém falou alguma coisa...
O Reise hoje em dia faz a mesma coisa!
Você faz?
Falou pra ele parar de ser otário.
Eu pegava o comentário e eu respondia.
É, ele faz isso.
Você tá falando isso, você que é feio, não sei o quê, não sei o quê.
Eu respondia e bloqueava ele pra ele não poder responder.
Eu, total.
Nossa, gente.
Qualquer hora eu voltava e ficava no vácuo.
É, e aí eu não conseguia não fazer isso. Aí eu parei, entendeu? Hoje em dia eu só respondo, tipo, no comentário assim, algumas coisinhas ainda, que é da minha personalidade, né, gente? Tem que ter um pontinho ainda. Mas melhorou muito em relação a isso.
E quais são as famosas histórias?
Você falou que você tem muita história. Não, então, eu tenho história de uma vez que eu postei um vídeo, gente. Bendito vídeo. Que eu fui falar de uma coisa que eu não devia ter falado, que eu falei que eu tinha um seio maior que o outro. Ai, gente, mas não era para entregar para o público masculino. É no sentido de falar, tipo, literalmente toda menina tem desabafando, literalmente desabafando. E aí entregou para o público masculino.
Gente, meu Deus do céu, eu levei um hate colossal por causa desse vídeo. Eu já levei hate também por causa do meu namorado. Na verdade, ele levou mais hate do que eu nesse sentido, né? Mas porque eu comecei a namorar, eu não sei porque a galera ficou infeliz com isso.
Aí o público masculino não aceitou.
Então foi tipo assim bizarro, mas hoje em dia melhorou muito. Eu já levei hate por causa de coisa que eu falei em live. Ai, gente, mas é sem querer.
Você faz muita live?
Não, fazia às vezes com meu namorado e tal. Aí quando mandava umas coisas no chat assim, sabe, de áudio, que aparece o audiozinho, e aí eu respondia muito: que que é isso que vocês estão mandando? É, e aí às vezes pegava os cortes e ia para o TikTok. Foi para o TikTok, já era, entendeu? Você Eu já levei hate em um outro podcast que eu fui. Porque as pessoas falaram que eu falo igual a Amênda.
A Mari Canto falou exatamente isso aqui, mas ela realmente fala que nem a Amênda. Você já viu a Mari Canto falando?
Já.
Gente, mas é só... E eu falei, essa é a personalidade da Mari Canto. Isso é dela. Eu falei, Mari, eu não quero que você mude isso nunca, sabe? Mas, ai... Eu acho o sotaque de Amênda fofo, mas eu não acho que eu tenho sotaque de Amênda.
O meu é de interior, gente. Eu falo porta. É. Eu falo porta.
Você não tem sotaque de Amênda.
Não, mas é porque falaram, tipo, ah... Só vai loira, não sei o quê. Sabe no sentido de ser muito fútil? Eu não me acho fútil.
Toda vez que eu posto algum vídeo, alguém comenta, fiquei loira só de ver. É, né, difícil. Aí você me fala, tipo, vou pintar meu cabelo de preto, gente.
Aí você é comigo, como é que eu não vou responder um hate desse?
Você entende?
Tem que ter maturidade, porque eu não tenho.
Pior que eu desenvolvi, eu tive que desenvolver na marra. Eu também. Entendeu? Porque você vai se queimando, né?
Vai.
E não é, tipo assim...
É porque quando você vai dando moral pro hate, Mas ele cresce.
Exatamente.
Na minha opinião.
Vai virando uma bola. Porque às vezes pessoas que gostam de você te tacam hate porque elas querem chamar sua atenção.
E aí você dá bola e aí começa a virar uma bola.
Entendeu? Então assim, é tipo assim, eu até antes de ser uma pessoa pública, eu tinha pessoas públicas que eu acompanhava. E aí eu, vamos supor que eu queria que alguém me notasse. Aí eu percebia que a pessoa só notava um tipo de comentário. Eu ia lá e fazia esse comentário. Então quando você só responde hate, você fica nessa, vira uma bola de neve. E aí até quem gosta de você te taca hate. Sim.
É que nem polêmica, quando você começa a fazer pronunciamento aí, sim. Vira uma polêmica.
Exatamente.
Se você não fizesse, talvez nem—
a não ser que você queira, porque às vezes você pode ser esperto ali no jogo de, na sua cabeça, e falar: isso aqui vale a pena fazer, entendeu? Dá uma movimentada assim, entendeu?
Aqui no podcast também eu levanto umas polêmicas tipo totalmente aleatórias só para ter o corte, sabe?
Micro polêmicas. Exatamente, porque a gente que tá na internet, a gente tem que ter esse jogo também, né? Mas assim, hoje em dia eu tô muito mais num conteúdo Leve, tranquilo. Ah, igreja de maquiagem, de cabelo. Eu faço muita coisa de cabelo.
É que você também tá estabilizada também, você não precisa mais ficar correndo atrás do corte perfeito, você já tem o ponto.
Exatamente, isso é um ponto. Porque quando a gente tá crescendo, a gente fica nessa de se agarrando nas pequenas coisas pra crescer.
E tentando um pouco de tudo, né? Nada é muito.
Exatamente, hoje em dia eu tô bem estabilizada na internet, graças a Deus.
E você falou do seu namorado, vocês estão juntos há quanto tempo?
Eu sou ruim com meses, mas é quase 2 anos.
Caramba, então já faz muito tempo assim.
É, faz bastante tempo.
Muito tempo, né?
Ai, é uma vida!
É uma vida! É bastante tempo.
Ah, é bastante tempo?
Pra adolescente é, entendeu?
Eu conheço você há 1 ano e parece que é uma vida.
Nossa, o que é isso, Ju?
Porque não é ruim não.
A gente se conhece há 2 anos quase. Tá. Ó, tá vendo? Ele também é ruim com meses.
É, eu sou ruim com meses. Tô mal com vocês. Eu tô 6 anos.
Mas você lembra, tipo, do mês-versário e tal?
É, a gente— ele me pediu em namoro em janeiro. Tá vendo? O dia aí se me complica, eu tenho a memória—
Eu faço aniversário em janeiro, será que foi no dia do meu aniversário?
Que dia você faz aniversário?
Dia 15.
Não, acho que foi tipo dia 28. Droga.
Seria super legal você, tipo—
É comemorar junto, tipo, fazer festa de aniversário no mesmo aniversário.
Imagina fazer festa de namoro.
Químico. Mas deve ser legal, qualquer motivo pra fazer festa.
Festa de namoro, eu não brego.
Eu não brego.
Imagina fazer uma festa pra gol do Brasil na Copa, você acha que eu não faria?
Não, gol do Brasil na Copa é legal.
Mas é que gol do Brasil é relevante pro Brasil inteiro, né? Agora, seu namoro é local. Agora, o namoro da Ju Petroni que eu achei legal.
Qualquer festa, qualquer festinha que tiver, qualquer motivo pra fazer festa, eu tô fazendo.
Qualquer um. Sabia que você tá ao contrário?
Eu fiz uma festa na vida e eu me arrependo.
Eu não fiz festa de 15.
Sério? A gente dá muito trabalho, muito estresse. Exato.
Não, e assim... Você faz 18?
Quê?
18, você faz?
Ai, não sei. Porque eu não gosto muito de festa. Aí eu penso, se eu fizesse uma festa de 15, eu teria que ficar até o final. Esse é o problema.
E às vezes você faz festa pros outros e não pra você.
Na minha festa, eu comentei pra caramba. Como que foi sua festa de 15?
Foi tipo assim, eu não fiz pra internet. Tanto que não tinha videomaker, só tinha um fotógrafo. Então, tipo assim, eu não fiz uma festa pra internet. Eu lembro que comentaram, tipo, ai, a festa da Giupetrani flopada. Eu falei, gente, quem disse que eu fiz pra vocês? Quem disse? Eu não tinha nada, gente. Eu não tinha vídeo maker, story maker. O que eu postei da festa fui eu que postei, tipo, me arrumando essas coisas e só, entendeu?
Eu fiz pro pessoal da minha cidade, pros meus amigos da internet que eu conhecia pessoalmente. Não cheguei a chamar ninguém que eu não conhecia, nem nada. E foi muito legal, aproveitei bastante. Tipo assim, foi uma festa bem legal. E eu fiquei muito feliz das pessoas terem ido, tipo, saído da casa delas pra ir lá no interior.
Pra te compartilhar.
Pra ir no meu aniversário. Eu falei, achei que ninguém fosse, sabia? Tipo, só que os amigos da minha cidade iam. Mas daí foi a galera, eu fiquei muito feliz.
Não, então, e aí eu vejo assim, as festas de 15 grandes, né, que nem a gente foi agora da Manu. Gente, a galera lá de Brasília vindo pra cá, a galera do Rio de Janeiro vindo pra cá, eu acho isso insano. Eu tenho preguiça de ir na casa da minha amiga, que é tipo 10 minutos de mim.
Sério?
Tenho, tenho, eu tenho muita. Eu tenho preguiça de sair no geral. Sabe aquela jovem senhora?
Você percebeu? Eu tô até mole aqui, porque eu tô tanto tempo fora de casa que eu tô...
Não, então, gente, contexto. Eu e Ju, e Jean, estávamos na festa da Manu Arruda ontem. Então a gente tá meio viradinha.
Nossa, acho que só você fala Manu Arruda.
Ai, gente, eu sempre falo Manu Arruda. Todo mundo fala Manuela Arruda e todo mundo fala querida. Manu querida. Ai, ela é uma querida mesmo, eu gosto dela.
Ela é uma querida real.
Fofinha, né?
Mas aí eu tô até rouquinha, sabe? Minha voz está mais... Não posso gritar.
Você é aqui de São Paulo mesmo?
Eu sempre morei no interior, mas agora eu me mudei pra São Paulo.
Entendi. Eu, como eu sou de interior, toda vez que eu venho pra São Paulo, eu preencho, assim, todos os horários do meu dia. Não fico com espaço pra respirar, né? Porque eu já aproveito pra fazer tudo que eu tenho pra fazer aqui. Então eu fico exausta. E a minha mãe, coitada, que vem comigo...
Ela fica mais ainda?
Mas aqui em São Paulo, não sei o que acontece, que a gente cansa muito fácil.
Não, então é isso que eu ia falar. Eu não estando no interior, meu dia ainda assim é desse jeito. Parece que o mundo vai acabar e eu tenho que fazer tudo de uma vez.
É porque eu sinto que aqui em São Paulo, você chega aqui na capital, aqui já começa.
É bem caótico. E você gosta do interior? Não, assim, você gostaria de morar aqui em São Paulo?
Eu falo que eu gosto até do trânsito de São Paulo. Para, eu gosto, gente, eu gosto de andar de carro.
Mas é que você vem de vez em quando, fica aqui uma semana.
Então, exato, eu sempre achava isso também, eu vou te falar, eram 2 horas e meia para vir para cá, para São Paulo, e eu falava, ai, gente, que delícia, ficaria assim a vida inteira. Agora ficou 20 minutos no Uber, eu já fico, ai, que saco.
Dá uma agonia quando para no Uber.
Sério, pior quando vem Uber, vira nossa família, vira nosso irmão, vira nosso pai, sabe?
A gente começa a confundir as coisas, a gente fica, nossa, Sabe, eu acho, eu, a única coisa que eu acho ruim é a demora às vezes para tipo achar Uber, que você tem que, você tem um planejamento de sair. Exatamente, lá no interior não tem isso, você chama, tipo lá no meu condomínio sempre que eu chamo tá 2 minutos.
Miga, você tem sorte que no interior, no seu interior tem Uber, no meu tem 20 mil habitantes, nem Uber existia, entendeu? Ou a mãe buscava ou a gente falava, ah é, não vou. Em Franco da Rocha até ano passado não tinha um aplicativo Uber, então é difícil, é difícil.
Caramba, não, mas a minha cidade é interior, mas não é tão pequena, tem mais de 400 mil habitantes.
Ah, então assim, foi que nem a Valen Penin veio aqui e falou, é o interior premium.
Gente, tem dois shoppings lá, interior tem dois shoppings.
Tem cinema?
Tem, tem dois cinemas.
Tá vendo, interior premium.
Tem o molho, tem o sabor São Paulo.
É, entendi.
Que cidade que é?
Tem vários McDonald's, Invisão.
Tá Batesé? Aham. Não, mas vai, é premium.
É Taubaté, porque tá do outro lado da Aparecida, então isso atrai turista. São Paulo, São José, Taubaté, entendeu? Aí outros interiores, sim, entendeu? Outros interiores, é tipo assim.
E você falou dos seus amigos que foram na sua festa. Você tem mais amigos de dentro da internet ou de fora?
De fora, com certeza.
Sério?
Com certeza.
Você é uma das poucas pessoas que fala de fora, sabia?
Sério? Eu tenho pouquíssimos amigos da internet. É porque é aquilo que eu já te falei. Eu e ela, a gente já conversou. Eu não sou do tipo de pessoa que vou chegar num lugar, num evento, e meu único objetivo vai ser gravar com as pessoas que estão lá. Não é, entendeu?
Eu não gravei nada ontem na festa da Malu.
Eu não gravei nada. Se você olhar meu perfil, não tem nada com ninguém. Porque eu vou com outros objetivos. Fazer networking é ótimo pro nosso trabalho, mas eu acho que tem coisas que estão muito acima. Tipo você criar uma relação mesmo com a pessoa. Porque a pessoa que eu fiz networking, gravei lá, eu não tenho intimidade pra chamar ela, por exemplo, Vamos fazer um negócio? Passa um fim de semana aqui na minha casa. Agora, se eu crio uma relação com a pessoa, eu tenho essa intimidade, entendeu?
É muito mais legal. Mas acaba que você fica com muito mais dificuldade de fazer amizade na internet. Porque as pessoas não ligam muito pra relações verdadeiras.
Não, porque é aquela coisa. Tem os amigos que você pode contar pra gerar engajamento. E tem os amigos que você pode contar pra realmente estar aí por você e gerar um suporte emocional.
Exatamente, entendeu? Eu falo que os meus amigos, os poucos amigos que eu tenho na internet, se eles perderem a conta deles, eu vou estar lá, entendeu? Vou estar lá fazendo mutirão pra conta voltar. É coisa que na internet a gente não vê muito isso hoje em dia, né. Que a galera faz muita amizade só pra gravar e tals, aí eu não curto muito.
Na verdade, eu nem acho que faz amizade, eu acho que é literalmente só gravar. Foi o que eu falei pra você já antes, porque a gente já teve um mini podcast antes, em outros dias. Mas tem gente que chega em você e fala, oi, vamos gravar um vídeo? Aí grava, tananã, nanã, tchau.
Você acredita que acontece situações assim, que a pessoa vem, oi, vamos gravar um vídeo? Eu falo, oi, claro. Sabe como a gente atende fã? Porque eu não saco que a pessoa também é do meio e tals, porque chega tão como Como fã mesmo, a pessoa não, oi, tudo bem? Eu também gravo para internet, não sei o quê e tals. E daí você vai pegando, entendeu? Você já conversa melhor, você já abre, dá uma abertura maior e tals. Porque quando você vai atender fãs, geralmente tem muito mais gente, né?
Então você, aquele negócio, você dá atenção, mas você vai dando, você tem que dividir sua atenção para todos, né? Tem gente que eu quero levar para casa e adotar, mas nossa, sério, gente, tem um menino Que tava no Joy lá em Campos. É Tomás.
Tomás, gente, Tomás é meu irmão. Tomás é meu irmão da vida, eu sou apaixonada.
Eu, Tomás, gente, eu queria adotar ele. Ele virou meu irmão.
E a gente não se parece um pouquinho? Fala. Ai, gente, a verdade, a Ju foi a única que não achou. Eu ia falar comigo, gente, é um príncipe, é um príncipe incrível.
Enfim, mas assim, mesmo assim, quando a gente tá com uma festa e tal, que tem que dar. Ontem, por exemplo, quando eu cheguei, a gente tem que dar atenção para muita gente. E aí chega uma pessoa do meio e ela age como: oi, oi, vamos tirar foto? E aí eu não saco que a pessoa tá no meio. Exatamente, não vira uma troca genuína. Pô, a pessoa podia me chamar, eu também sou do meio, para a gente, sei lá, combinar uma coisa no outro dia e tal.
E aí a pessoa perde essa oportunidade para: oi, vamos gravar, vamos tirar uma foto? Sim, desesperado.
E eu tenho dificuldade também de diferenciar essas coisas. Porque tem uma galera que eu penso, nossa, essa pessoa virou muito minha amiga, foi uma troca genuína do meio. E eu falo, caraca, foi uma troca sincera. Aí depois eu percebo que a pessoa tá muito não ligando para mim e que na verdade não foi nada de troca, sabe? Foi coisa da minha cabeça.
Muito. Aí tipo, falo, nossa, mãe, essa pessoa é sua amiga. Eu falo assim para minha mãe, eu sou amiga dessa pessoa. Aí sei lá, a pessoa chamou um monte de amigo para ir na casa dela, um monte de amigo da internet. Por que que você não tá? Aí eu falo, acho que eu não sou tão amiga assim. Acontece muito comigo, porque eu quero virar amiga das pessoas, entendeu? Eu não sei, eu tenho esse negócio até com pessoas que tipo são seguidores e tal, eu quero virar amiga das pessoas e às vezes a pessoa não quer ser minha amiga mesmo, tipo.
Mas sabe o que eu acho? Que justamente por conta dessa falta de genuinidade, a galera é um pouco exagerada nas ações no sentido demonstrar afeto para as outras pessoas do meio, então a gente acaba confundindo por conta disso. Porque a pessoa, oi, tudo bem? Vamos gravar. E aí parece que a pessoa te ama, mas na verdade a pessoa não tá nem aí.
Para mim eu já sou da família e eu não sou nada. A pessoa é assim com todo mundo. E aí eu fico triste.
E eu ainda confundo as coisas, ainda mais quando vem aqui no podcast. Não é que a gente fica conversando por uma hora, eu fico, nossa, família agora, né? Virou minha irmã. Aí toda vez eu A gente tá na porta, o Gio sempre sabe que eu falo isso pra muita gente aqui. Eu falo, vamos marcar de sair depois? Vamos? Porque eu sou do tipo que eu posso nem conhecer a pessoa. Eu chamo pra ir pra minha casa, eu chamo pra gente tomar um café.
Porque eu quero conhecer a pessoa, sabe? Eu não preciso conhecer ela pra fazer esse tipo de rolê. Aí eu falo isso pra galera, ela fala, vamos, vamos.
E some.
E aí, às vezes você encontra a pessoa no shopping andando, nem cumprimenta. Você fica até chateado.
Parece que a pessoa nem me conhece. Gente, a gente ficou conversando por uma hora e pouca aqui. Foi bem triste, na verdade.
Mas é legal quando você encontra alguém que nem você. Tipo assim, a Tozeto é uma amiga minha da internet. E aí, a primeira vez que a gente se encontrou, a gente se encontrou no shopping. Eu não sou de São Paulo, ela falou, amanhã é meu aniversário, quer ir? Eu falei, eu vou voltar pra casa. Ela dorme em casa.
Tá vendo?
Na primeira vez que a gente se encontrou, eu fiquei 3 dias dormindo na casa dela.
Eu sou muito assim.
Juro. Aí a gente virou amiga, tipo, construiu uma relação, tipo, eu dormi na casa dela e tal, entendeu? Aí sim, é muito legal, entendeu? Quando você encontra. E é muito engraçado, sabe uma sensação que eu tenho? Quando eu encontro alguém da internet, eu sinto que eu conheço mais essa pessoa do que eu realmente conheço. Acho que, não sei, por acompanhar, você tem essa sensação de tipo, é diferente de construir uma amizade anônima com uma amizade de uma pessoa pública, porque parece que você é mais rápido que acontece. Até por vocês tipo se acompanharem às vezes. Acho isso muito engraçado.
É porque você acaba acompanhando tudo em tempo real da vida da pessoa.
Parece que você já é amigo antes de conhecer.
Não, e tem fã também que justamente por isso que assume coisa sobre você, porque Por causa disso. Te acompanha tanto que fala, ah não, essa pessoa vai fazer isso, essa pessoa não vai fazer isso.
Porque dá essa impressão mesmo, dá muito essa impressão assim. Tipo, às vezes eu converso com muitas... Eu falo, eu tenho esse negócio de querer ser amiga das pessoas. Com muita seguidora que vem pedir pra tirar foto. E aí começa a puxar papo. E aí eu falo alguma coisa, ela, não imaginava! Aí eu falo, ai, eu já tô contando a minha vida toda aqui pra você. E aí começa a contar, e a pessoa, sério? Eu falo, é. E aí eu conto toda a minha vida, porque eu sou assim... Um livro aberto. Um livro aberto.
Mas assim que é legal.
Nossa, mas é um pouco perigoso.
É um pouco perigoso, exatamente. Porque assim, não, gente, e outra coisa, você não sabe quem você pode confiar, você não sabe quem é Anônima do Sarará.
Não, e uma menina ontem, que é influenciadora, não lembro o nome dela, chegou em mim ontem na festa da Manu e falou que a Anônima do Sarará tava na lista, tipo, literalmente como Anônima do Sarará. Meu Deus, como que a menina, tipo, como que ela sabe então? Eu não entendi isso.
Eu acho que é fake.
Será que a influenciadora me enganou?
Eu acho, né?
Ela é grandinha até. Eita, gente.
Eu tenho dessas.
Vou cobrar, vou tacar o nome aqui no arroba.
Não, mas eu tenho dessas assim. De soltar um... Não, de inventar umas coisas assim.
De soltar um verde e branco.
De inventar assim, eu invento às vezes, mas eu desminto. Quando eu conheci a Fábio...
Porque ela não é tão maníaca.
É, quando eu conheci a Fábio, eu jurei pra ela que eu era prima da Gravita de Taubaté.
Mentira.
Porque eu moro em Taubaté, eu falei, não, eu sou e tal, a gente é prima, não sei o quê. E eu falo sério, gente, a minha cara, ó, o cara nem treme. E aí ela, mentira! Começou. Aí depois eu, é mentira, nada a ver.
Nossa, eu ia ficar muito brava com você se você fizesse isso comigo. Porque eu sempre caio na mentira dos outros, é uma coisa bizarra. Você pode falar, ah, então, e aí, sei lá, eu já fui anã, mas eu fiz um tratamento e agora eu tô com a altura normal.
Exatamente o tipo de coisa que eu falo.
É, não, eu ia ficar tipo, não, eu posso voltar no assunto do Tomás.
Eu tava com o Tomás e com a Malu, a gente sentado numa mesa, e eu falei, ah, meu olho também é claro, né? Só que ele é aquele olho metamorfo que no sol só que ele fica claro e na sombra ele fica escuro. Aí mostrei uma foto minha de lente verde. O Tomás: você tá brincando? Caramba, é muito claro! Eu falei: pois é, eu tenho até dificuldade com flash por causa do olho metamorfo. Inventei toda uma história, um diagnóstico e tal. Aí a Malu, mais esperta, ela só riu. Ela tava assim, ó. Aí o Tomás: tá vendo?
Por isso que ele parece meu irmão, gente. Eu sou muito tonta para isso.
Como assim? Me explica. Aí eu: é olho metamorfo, é as células do olho.
Mas ó, tá vendo? Mas é por isso que a gente fala que você já tem uma pegada de atriz mesmo. Já tem aquele jeito, você consegue sustentar.
E modelo?
Eu já fui modelo. Já foi modelo?
Já, só que foi um pouco antes da pandemia. Entrou a pandemia e aí acabou.
E aí você não teve vontade mais de voltar?
Ah, eu hoje em dia como influenciadora, ele quase modelo, né? Tá quase substituindo a modelo. Faz trabalho hoje de foto, shooting, e eu acho bem legal. Mas eu Se eu tivesse oportunidade, eu seria também. Eu adoro tudo que envolve câmera, tudo que envolve essas coisas.
Nossa, eu tenho zero paciência.
Sério?
Comecei como modelo também. Só que aí, quando eu entrei num set e tinha zero comida e tinha 5 horas pela frente—
Tropicast?
Ah, mas aqui— Ah, não, mas aí eu tô conversando com as pessoas, eu não tenho que ficar olhando pra uma câmera e só—
É aquilo que a Gisele Bündchen fala, que ela tá atuando como modelo, né? Que você veste uma persona.
É, então, e aí era troca roupa, troca roupa, troca a roupa, troca a roupa, e não tem nenhum oi, tudo bem, sabe? Aquela correria. E aí eu percebi assim para mim que pelo menos não era uma forma de me expressar, sabe? Então eu busquei outras áreas. Por isso que eu tô no podcast, Gia. Não compara o Trambiqueste, porque aqui a gente se expressa, aqui a gente fala nossa arte. Muito obrigada.
É o melhor trabalho para uma pessoa falante, gente.
Então eu acho um trabalho muito importante da de criadora de conteúdo em si, porque a gente, pra mim, a gente mostra um espelho pras outras pessoas, um espelho que na maioria das vezes tem que ser seguro, tem que ser meio que a nossa casa, que nem o Gio falou, porque as pessoas elas veem muito delas em você, sabe? Eu acho que todo mundo que te acompanha minimamente se identifica com você em algum patamar.
Com certeza.
Então tem que ter muito cuidado também com o que a gente influencia.
Com tudo, gente. Eu acho que quando você é influenciador, até as pequenas coisas que você fala, tudo que você faz, você tá influenciando alguém de alguma forma. O jeito que você mexe no cabelo, o jeito que você fala, o jeito que você gesticula, você tá influenciando alguém. Então assim, eu acho que ser uma influenciadora teen, uma influenciadora mirim, né, é uma responsabilidade muito grande. Eu acho que assim, não vou dizer que é um trabalho difícil, porque se a gente for parar aí com CLT—
é, então a gente não é pedreiro tendo que acordar cedo da manhã.
Exatamente, é um trabalho que a gente tem uma liberdade gigantesca, a gente faz praticamente o que a gente quer assim. Mas é um trabalho que tem um esgotamento mental e uma responsabilidade para pessoas muito jovens muito grande. Então às vezes você tem lá seus 12 anos, você é influenciador já. Você tem uma responsabilidade nas suas costas que você carrega tão novo, muito grande.
E você tá descobrindo as coisas assim como os seus fãs estão, entendeu?
Exatamente. Então assim, eu acho que quando eu vou, por exemplo, tenho dias muito corridos que eu tenho um monte de reunião, um monte de coisa, um monte de gravação e eu fico cansada. Não é porque eu não estava sendo eu nos lugares, é porque eu tenho que ter uma certa responsabilidade que quando eu tô num grupo fechado de amigos eu não preciso ter, entendeu? Então tipo assim, teve uma vez que aconteceu uma situação em Riviera, na Village Riviera, vocês sabem?
É pequenininho, tipo um shoppinzinho. Gente, lotou lá! Eu fui postar que eu tava lá, foi numa época que eu tava muito em hype assim, sabe? Lotou, mas lotou que eu tive que— eu cheguei às 7, fui embora meia-noite e fiquei todo esse período tirando foto, não consegui andar. E aí quando eu fui embora eu chorei assim, meio que desabei. Aí meu irmão me perguntou, ah, o que que aconteceu? Aí eu falei, ai, não sei, tô muito cansada, chorando assim.
Porque não é que eu finjo ser alguém, mas é porque querendo ou não a gente tem uma responsabilidade no que a gente fala, no que a gente faz. Aí, por exemplo, tão filmando daqui, aí você tem que pegar um ângulo que você esteja bem, no sorriso que você faz, é lógico, a todo momento não parecer que você tá com uma cara de bunda. Então é tudo que você tá pensando a todo momento, é uma— esgota muito, né? Eu falo que tipo assim, é muito legal, pode não esgotar o físico, mas sempre vai esgotar o mental, sempre.
Então eu acho que para todo mundo que quer começar assim na internet é ter a saúde mental em dia. Eu sempre falo, sempre que me perguntam, terapia em dia. O que que você dá de dica para uma pessoa que quer começar agora na internet?
Ah, que isso, gente, já deu spoiler da última pergunta?
Você tá zoando?
Ô, Ju Petrone!
Eu sou precoce, gente.
Ai, meu Deus. Ai, meu Deus, ela...
Mas uma coisa legal que a gente nunca fala do nosso trabalho é o jeito que atinge na pessoa do outro lado. Porque pouca gente fala comigo assim na rua sobre o Tramcast, mas de vez em quando alguém para. Mas o jeito que eles falam de você, por exemplo, tipo da dupla, eu acho muito legal. Tipo assim, pra gente aqui, estamos trabalhando, mas pra eles é muito importante ter a dupla ali.
É que assim, a galera subestima o poder do cinema, da música na nossa vida. Porque é um entretenimento que a gente tem que ter, sabe? Quando a gente tá cansado, ai, vou colocar uma série. Ai, eu preciso escutar uma música pra desestressar, sabe? E aí, a gente normalmente costuma rebaixar esses artistas por trabalharem apenas com a arte. E a gente não entende o quanto isso impacta na nossa vida.
Eu acho que hoje em dia a internet tá proporcionando uma dopamina muito barata pras pessoas. Eu mesmo trabalhando com internet Eu sou contra de crianças.
Sim, porque é uma dopamina perigosa e viciante que não é uma dopamina boa, né?
Exatamente.
Que poderia estar sendo gerada por outras coisas.
Eu vira e mexe respondo comentário falando, véi, sai do celular. Esse problema só existe aqui na internet. Desliga a internet um pouco.
A galera começa a ficar muito consciente das coisas, né? Tipo, muito consciente.
Não, tipo assim, e outra coisa, a internet vira um mundo paralelo, assim. Parece que não é o mundo físico, mas é um outro mundo. E aí tem problemas, tem coisas que só existem dentro outro na internet, que ninguém tem aquela bolha, entendeu? Que você desligar o Wi-Fi desaparece. E eu acho que isso afeta muito a vida, porque a galera fica muito bitolada nesses problemas, entendeu? Mas é que, por exemplo, ah, o jeito que você mexe no cabelo me irrita. Esse problema só existe aqui.
Tipo, passa o vídeo, além que só existe ali, é literalmente falta do que fazer, é literalmente a pessoa se comparando com você, ou é frustração dela sendo jogada para cima de você.
Exato, sabe? Então, tribunal de minúscula, exatamente, o tribunal de minúsculas com as subs das subs, entendeu? Tipo, eu acho que tem que ter a dosagem, né? Aquilo assim, que você consome um conteúdo legal, gente, de qualidade, entendeu? Por isso que eu acho que os influenciadores também têm que se preocupar em postar uma coisa legal, em postar uma publi boa, indicar um produto bom para pessoa que tá consumindo aquilo. Ela já vai falar: esse conteúdo é bom.
Ou, por exemplo, a pessoa que comprar o que você tá indicando virar e falar: isso é bom. Nossa, ela é boa, entendeu? Eu inclusive, eu sou a maior consumidora, gente, de tudo. Tudo que as pessoas postam eu compro.
E aí quando o TikTok Shop, eu vejo muito, eu vou chegar nessa parte.
Eu passei, e tipo assim, é tudo que eu comecei no TikTok Shop porque eu comprava tudo que as pessoas do TikTok Shop indicavam. E quando eu vi alguém que indicava coisa boa, eu falava, caramba, essa pessoa indica coisa boa, gostei. Aí eu pensei, e se eu começar a indicar coisas boas? E, gente, eu comprei papo de 100 itens.
Caramba!
Ficou chegando, gente. Teve um período que tava chegando, chegando, chegando. Falei, eu preciso postar. Aí eu abria, esse é ruim, esse eu não vou postar. Ah, esse é bom, vou testar.
Tudo.
Às vezes só de vir a embalagem amassada, ruim, eu já falava, não vou postar. Só de vir a embalagem, tipo, pra mim já não era mais, eu não quero que o seguidor receba essa embalagem na casa dele, toda amassada, toda não sei o quê. Às vezes o negócio vinha até quebrado. E aí eu também sempre, quando comecei, né, eu mandava feedback pras lojas. Eu falava, olha, veio quebrado, veio não sei o quê. Porque eu me preocupo muito com isso, gente.
Eu morro de medo, assim, de uma pessoa consumir alguma coisa que eu postei e ser ruim. Quando alguém comenta no meu vídeo, ai, eu comprei e é uma porcaria. Eu pergunto, por quê? Me fala, me manda foto. Eu posso te ajudar com alguma coisa? Porque eu não indico com a intenção de ser ruim, gente. De, tipo, só ganhar dinheiro, né.
Porque não é todo mundo que tem esse pensamento.
Então eu falo isso porque se todo mundo tivesse esse pensamento, a internet seria um ambiente muito melhor e muito menos tóxico, né? Porque a gente tem que ter a consciência também de que crianças estão consumindo, de que, por exemplo, uma pessoa pode ter juntado dinheiro meses para comprar o produto que você indicou e é ruim e você não usa. É muita sacanagem, gente, é muita sacanagem. Então assim, eu comecei o TikTok Shop, eu não ganhava nada praticamente.
Eu comecei mais por causa disso, de tipo, realmente querer indicar coisas boas, de pegar pras pessoas falarem, isso que eu tô indicando, vocês podem confiar 100%, entendeu? Eu vou indicar coisas legais. E aí eu comecei a ganhar dinheiro, né? E aí, quando você começa a ganhar dinheiro, você fica até mais empolgado, você faz mais, você produz mais. E aí eu comecei a produzir bastante, mas assim, o meu conteúdo sempre continuou o mesmo, eu sempre mantive, né?
É que agora você virou uma vendedora ambulante, isso é a melhor forma de empreendedorismo na internet.
Então, assim, Eu acho que você tem que realmente tomar cuidado com o que você indica. Mas se você tá indicando uma coisa que você tem certeza, tipo assim, eu confio no meu taco, sabe? Eu acho que tá tudo bem, que mal tem, né?
Eu acho que não é nem a questão de você ter certeza. Talvez seja mais uma questão de ser verdadeiro com o que você acha que é certo, sabe? Porque certeza também, às vezes a gente...
É tipo assim, de, ai, comprei um negócio. Uma função, eu já vou dar um exemplo. Eu comprei um Babyliss, que ele é Babyliss chapinha. E aí eu indiquei lá, eu falei, gente, é bom para fazer babyliss, mas a chapinha não é boa, não funciona. Mas babyliss é bom, tá vendo?
Foi sincera.
Exatamente, que mal tem, gente, você ser sincero?
É até melhor que você ganha mais seguidores.
E eu acho que para mim, pelo menos, passa muito mais credibilidade as pessoas também falarem os contras de tal produto do que só falar.
Nunca uma coisa tem só benefícios, não existe isso. Ai, só tem benefícios. Não, alguma coisa Ela sempre vai ter, entendeu? Ou vai ser muito cara, você tem muitos benefícios, ou ela peca em alguma coisa. Sempre tem. Eu acho importante a gente ter essa transparência, sabe?
Por isso que eu sou contra esse negócio de bet, sabia?
Sem entrar nesse assunto polêmico, eu sou muito contra.
Eu sou muito contra.
O cara tá do outro lado, que juntou um dinheirinho na esperança de ganhar alguma coisa. Tipo, não caralho.
Nossa, eu sou contra essa gente pegar mal de ver assim. Parar de seguir, porque são vidas sendo afetadas e destruídas por pessoas que não tá nem aí para eles, tipo, mano.
Exatamente. E para mim, a frase joga quem quer é a maior mentira desse mundo, e a maior não consciência da sua própria influência. Você, tipo, você não tem consciência nenhuma do quão você afeta na vida da pessoa. Então, por favor, não seja influenciador se você fala essa frase, joga quem quer, porque, meu, As pessoas não sabem o que é lidar com vício, cara. Até o próprio celular hoje em dia é um vício. Aí vamos supor que você tá sem rede social, aí chega um amigo seu do seu lado: ô, olha isso aqui, começa a mostrar TikTok.
Você vai fazer, joga quem quer, entendeu? É tipo essa vibe. Enfim, eu sou muito contra, eu pego mal mesmo. Uma coisa é assim, que eu até dou uma licença poética. E olha lá, uma pessoa que começou agora na internet precisa de dinheiro, uma pessoa que viralizou do nada e recebeu uma proposta de bet e aceitou. Uma pessoa não tem consciência ainda direito, não sabe como funciona o meio. Outra coisa, uma pessoa que tá tempos na internet, ganha milhões, porque uma pessoa muito famosa ganha muito dinheiro, não precisa do dinheiro, e mesmo assim faz.
Tipo assim, é você colocar seus seguidores lá no mais baixo que você pode ainda pisar neles.
É que sabe o que eu acho mais perigoso das bets? Que diferente do cigarro, eles não têm aviso das consequências. Esse é o problema. No cigarro, quando você quer comprar um cigarro, na caixa Vai ter sei lá o quê, mata.
Você morre.
É, não, você vai ficar sem os dentes. Aí mostra o dente totalmente. É assim, muitos, e mesmo assim, né, a galera, enfim, vicia porque isso não impede. Mas lembra a pessoa, sabe? Mas lembra que isso não é bom.
A Betty, na verdade, faz o contrário.
A Betty faz o contrário, ela fala, você vai ser milionário, você vai ser incrível.
Exatamente.
E aí esse tá, esse é o maior perigo. Eu não sei por que que ainda não foi, na verdade, Já tentaram, mas aqui proibido, sei lá. Que o que eu acho mais ridículo é que até amantes do futebol, por exemplo, você vai estar lá vendo jogo e na camisa vai estar Sporting Bet. Eu acho isso estranho.
Já aconteceu de ver dois times, cada um com uma bet diferente, na mesma transmissão, por uma terceira bet.
Meu Deus do céu!
E você já recebeu oferta de bet? Será que eu já? E eu sou menor de idade?
Nossa, gente, teve uma que eu até me cocei, que eu fui falar para minha mãe até, que eu recebi assim um valor alto. Gente, você se questiona, né? Todo mundo tem um preço, isso é fato. Você pode falar, eu nunca vou fazer isso, 1 bilhão sua vida ganha. Você quer dizer, você já fica assim, ó, igual aquela trend, ah, por 1 bilhão você arrancaria o mindinho. Todo mundo tem um preço. Você for subindo, uma hora a gente vai. Exatamente.
Só que é aquilo de você respirar fundo. Se você olhar pra aquela proposta, é mentira. Desliga o celular, entendeu? Porque assim, é de se questionar. É de tipo assim, é papo de você olhar e falar, meu futuro tá ganho aqui, cara. Entendeu? Meu futuro tá ganho nessa. Mas assim, eu acho que é muito disso, de você ter a consciência de falar assim, eu não quero jogar a vida no criativo, entendeu? Eu vou batalhar pelas coisas que eu quero, entendeu? Eu não vou colocar no modo criativo às custas dos outros.
Meu, agora ela fez muita referência pro namorado dela. Porque seu namorado é todo totalmente nerd de joguinho, né? Que ele tava falando. Aí agora ela falou, não vou jogar no criativo.
Vai ficando, vai pegando uns trejeitos.
Mas você falou que você gostava de jogar, né? Alguma coisa assim.
Você falou, jogava muito Mine.
Minecraft, exatamente.
Eu jogava muito assim, muito mesmo, mas eu só jogava no criativo. Eu tinha medo de entrar nas cavernas, eu só entrava no criativo. Eu ia explorar, eu andava por criativo.
Eu jogava a pandemia inteira.
Eu joguei muito.
Minecraft agora nos dias atuais?
Pior que não, cara.
Pior de toda magia. Era muito legal na época, tipo, você vai jogar.
2020 foi meu auge assim, eu jogava muito.
Exato, eu gostava de jogar Fortnite, eu era muito boa.
Eu jogava também, você acredita?
Nossa, era muito legal.
Eu amava.
Muito boa para mim é muito forte, mas saudades. A pandemia foi o auge dos jogos, né?
Ai, porque não tinha nada para fazer, né?
Não tinha nada para fazer. Eu perdi oportunidade de criar conteúdo nessa época.
Toda vez que eu penso, perdeu a oportunidade de ser uma jogadora profissional, que aí você poderia estar ganhando, sabe?
Meu sonho é entrar na LoL, gente. Vocês acham que eu não tentava?
Tá vendo? Bizarro. Não, e teve uma vez que eu fui num shopping e aí eu tava muito, vou virar gamer, vou virar gamer. Eu não tava nem brincando, eu tava, vou virar gamer. Aí a gente foi numa meio que realmente um centro de treinamento de jogadores, tipo vários PCs assim, umas coisas bizarras assim, uma tecnologia Aí eu, caraca, que legal! E eu tava, vou ser gamer. Aí a gente comprou tipo um pacote de, sei lá, 100 horas. Sabe quantas horas foram usadas até hoje? 3.
Porque obviamente eu sou doida da cabeça, eu não virei gamer. Porque nas primeiras 3 horas eu falei, caraca, eu te enganei amargamente, eu sou horrível. Tipo, porque a gente tem que ter noção das nossas capacidades.
É, eu tenho zero.
Eu não tenho limite para minha ambição, sabe? Eu não tenho. Na minha cabeça, se eu quiser ser jogadora de basquete agora, eu vou dar um jeito e vou conseguir.
A famosa frase: na minha cabeça eu faço. Eu vejo vídeo de TikTok de alguém fazendo alguma coisa impressionante, o cara correu a maratona em 2 horas e pouquinho. Com esforço, se eu quisesse, eu tava lá. Eu sou muito assim, entendeu?
Eu sou muito assim.
Mas aí games, eu era assim com FIFA até o dia que eu passei a maior vergonha da minha vida. Aí eu parei com isso aí porque eu juntava, fazia campeonato em casa, ganhava de todo mundo. Era, mano, era muito bravo assim. Aí eu fui na BGS, eu falei, cara, vou dar um pau nesses moleque. Malandro, moleque de 11 anos me deu um 8 a 0 na frente de todo mundo.
Você descobre que você é muito bom dentro da sua casa. É, não, eu tinha essa vibe. Eu, gente, eu era muito boa no ping-pong, eu achava que eu era assim, eu posso ser profissional. Aí joguei interclasse da minha escola, perdi no primeiro jogo de lapada. E eu assim, como assim? Eu era muito boa, gente, jogando contra o meu irmão de 9 anos. E a minha irmã Ganhava todas.
Nossa, mas ping-pong, eu juro para você que eu acho que é um dos esportes que mais demanda. Você já viu uma partida séria de ping-pong?
Na minha cabeça.
Você já viu treinamento para badminton?
Não.
Meu, é insano. É muito rápido, né? Não, e nem no peso mesmo também. Na academia eles pegam um peso enorme.
Sério?
Juro para você. Badminton. Juro, eu vou mostrar depois para você a coisa mais impressionante do mundo.
Todo mundo que é muito bom em alguma coisa é impressionante, né? Você vai parar assim, ah, eu sou muito boa em algo, tô tipo campeão mundial de alguma coisa, pode ser a coisa mais aleatória do mundo, é impressionante, né?
Então por isso que é impressionante, de fato, você ser tão boa sendo influenciadora.
Obrigada, fiquei até tímida.
A gente tem os nossos dons, né? E eu acho, a minha mãe ela sempre pelo menos falou para mim que para ela um dos maiores dons dessa vida que não se aprende tão fácil é o dom da comunicação. Ela sempre fala, porque a gente mexe diretamente com o ser humano, e foi o que a gente tava falando do impacto, sabe? E nem todo mundo tem essa sensibilidade, principalmente de ver o mundo e de estar lá comunicando com a pessoa.
Eu acho que nem todo mundo tem, sabe como se comunicar. Tem muita gente, na verdade a maioria dos adolescentes hoje em dia, eles pensam alguma coisa e não sabem como transmitir isso pros outros. Tipo, eu já ouvi muito, é que eu não tô conseguindo falar pra você o que eu tô pensando. Eu já ouvi muito. E eu gosto muito de psicologia também, gente.
É tipo uma outra vertente até porque...
Eu amo estudar psicologia, eu tenho muitos livros em casa. Muito por fora, eu vejo muita coisa sobre... Eu pesquiso realmente porque eu gosto de linguagem corporal, de todas essas coisas. Aí eu já pego e falo, já entendi o que você quer dizer. Já tô entendendo.
A gente acaba analisando as pessoas e aí a gente...
É!
Sabe o que eu acho? Que quando você... Eu sempre falo que todo mundo deveria estudar um pouco de psicologia. Porque a gente começa a ter mais empatia pelo outro, a gente começa a entender as ações. Porque eu acho que antes, antes de estudar, as pessoas faziam o mal pra mim ou faziam alguma coisa e eu ficava, nossa, por que que a pessoa fez isso? Que saco! É, que pessoa ridícula! É, eu culpava a pessoa. E hoje em dia, ao invés de fazer isso, eu me coloco no lugar dela e falo, eu te entendo, eu sei exatamente por que que você fez isso.
Eu tenho uma frase que eu falo muito, às vezes nem é tão verdade assim, porque eu falo, ah, na psicologia tem um negócio que explica. Às vezes nem é verdade.
Mas a pessoa tá acreditando sim, então sei.
Mas é, entendeu? Eu falo muito isso, tipo assim, eu falo muito para minha mãe, para o meu namorado, para minha irmã, eu falo essa frase, eu falo muito. Na psicologia tem um conceito que explica isso, que é— eu começo a desenvolver, entendeu? Mas é porque, gente, deve ter alguma coisa que explica. Na psicologia explica tudo, entendeu? Explica todas as nossas relações, né, as relações humanas no geral. Mas esse negócio da comunicação, eu acho que as pessoas hoje em dia têm muita dificuldade de descrever de falar, de se expressar como consequência do celular.
Porque elas não estão sendo instigadas a isso ou incentivadas.
Não, e é, o cérebro fica viciado, né, o cérebro rápido. Você pega uma criança, vai, de 5 anos hoje em dia, que cresceu até os 5 anos, tem celular tipo desde 1 ano, essa criança não consegue assistir um filme, não consegue.
É, não, então exatamente, porque o problema não é a gente tá consumindo conteúdo demais, é a gente tá consumindo apenas conteúdo rasos.
Essa é minha visão, exatamente, sabe?
É um vocabulário raso. Você já foi assistir Toy Story?
Sim, é muito legal, né? Gente, eu amei! Mas assim, a minha sala de cinema, por exemplo, era as crianças andando de um lado para o outro, era as crianças mexendo no celular, era as crianças não, tipo, não prestando atenção. E o filme dizendo exatamente sobre aquilo, o filme lá falando sobre a substituição, a crítica, e as crianças não conseguiam. Eu tinha uma criança que estava na sala de cinema que eu tava assistindo Toy Story com o iPad.
E o vilão do filme literalmente é o iPad, entendeu?
Tipo, eu acho que não alcança mesmo as crianças, é isso, não optou a história mais para os adultos. Eu também acho que quando assisti a primeira vez também eu vi que o ritmo não é para molecada, é lento, ele é lento, não troca.
Vocês sabem que tem desenhos que trocam de cena a cada 3 segundos para aprender a ter foco?
Então o sistema de foco na verdade ele era tipo 14 segundos para uma um ser humano normal e agora desceu pra 6.
E aí vai descer pra 3, né? Porque as crianças estão se acostumando com 3 segundos. Tem um desenho que eu gosto muito que é Show da Luna. Vocês conhecem? É um desenho antigo, é da minha época de criança. E ele é lento pra caramba. Eu gosto muito de criança, gente. Eu faço amizade com todas as crianças do mundo, assim. Eu gosto muito mesmo. E aí vira e mexe eu tô com uma criança, assim, pequena e tal. Eu falo, vamos assistir Show da Luna?
E as crianças não conseguem assistir Show da Luna. Que olha que é um desenho colorido, que é um estímulo, assim. E não conseguem, tipo, eles assistem Cocomelo.
Nossa, sim.
Mas eles estão refazendo o desenho agora, você viu? Tipo, desenho clássico, tipo Tom e Jerry. Aí o episódio que tinha 5 minutos, eles estão recriando tipo 1 minuto.
Cara, acontece mil coisas ao mesmo tempo, você nem entende.
Mas é por isso que eu como atriz eu temo, por exemplo, pelas novelas verticais. Se você prestar atenção no roteiro, não tem nexo, não tem coerência e não tem uma linha, sabe, de raciocínio.
Eu acho que novela principalmente tinha que ser, era para ser muito uma coisa do que acontece na vida real, tipo, isso aconteceria. Aí você vê uma novela vertical, negócio passa assim, gente, desculpa, em uma semana você não noivou com o cara que você acabou de conhecer.
Não, são coisas irreais, entendeu? E não tem uma narrativa linear.
Eu critico, mas eu assisto porque prende a gente, prende qualquer cérebro, sabe? Não tem o que fazer, fica com dificuldade de sair. E quando você abre, não não tem a parte 2, você fica até assim.
Você acha que eu não fico assim?
Eu fico. Você salva o vídeo, cara, é impressionante.
Mas aí você pensa quantos filmes que poderiam estar ensinando tanta coisa para o público e com uma narrativa boa, com roteiro bom, com uma estrutura boa.
É, e eu assim, e dando oportunidade para atuação, para arte, né?
Sim, porque foi o que eu falei para minha mãe, por exemplo, quando pedem teste de novela vertical, é ruim falar isso, mas eu tenho que minimizar a minha atuação e deixá-la um pouco mais precária pra mim me encaixar na atuação.
É isso mesmo.
Porque eles falam que atuação boa é cansativa na novela vertical.
Esse é o ponto. Eu vi um... alguém, eu não lembro quem era, senão eu ia falar aqui, uma atriz que tava atuando em novela vertical e criticaram ela. Nossa, você tá atuando muito mal. Ela fez um vídeo respondendo. Não, gente, é pra atuar mal. É pra atuar mal.
É sério, é muito. Por exemplo, programa infantil. Aí novelas infantis da SBT, a galera falava, ai, atuação é muito ruim. Gente, se a gente fizer uma atuação séria, tipo novela bíblica, você acha que a menina de 10 anos vai querer assistir isso?
Exatamente. Mas ainda Carrossel era muito bom, tá?
Mas Carrossel, a Maria Joaquina era absoluto cinema.
Era absoluto cinema, gente. Mas é que o roteiro era muito tal que ela tá— Hoje em dia, gente, o filho quadriculado da Maria Joaquina, o Cirilo, Eu adoro os memes que aparecem no meu TikTok, sabe?
A gente vai reparando no roteiro e a gente fica, caraca, como que a gente não percebia isso antes?
Tipo aquele do pai da Maria Joaquina dando bronca nela falando da cor do Cirilo. Cara, que texto!
Nossa, mas eu amo os memes, eu amo os memes. Tem uma coisa que era alguma coisa, gente, eu adoro aquela personagem que era gordinha, eu acho que era Laura. Gente, todo mundo tacando tal nela por ela ser gorda e eu nunca reparei nisso. Tipo, eu sabia que ela era gorda, mas não sabia que um tópico tão—
coitada, é coisa de gente quando a gente era criança e nunca reparava, né? Tipo, é piada de humor negro, é piada de humor negro que ia ser cancelada em um minuto aqui, e pra gente era uhuu, faz até piada igual. Exatamente. E aí a gente vê hoje em dia, eu falo, nossa, que pesado.
Essa série com aquele texto não é brasileira, né?
De Carlson?
É mexicana.
É por isso que é a vibe assim, né?
Uma vibe mais tenebrosa, mais intensa.
Mas pode ver que as novelas quando começam a ser escritas no Brasil, ela não é mais comédia, né?
Então o que eu não gosto também é da era da militância, que foi o que você falou, da galera não ter muito o que fazer. Porque óbvio que tem alguns assuntos que realmente não—
eu acho que a militância ela é importante nos assuntos certos. Acho que militar minúsculas causas é um problema.
Exato, entendeu? Porque tem causas que precisam ser faladas que não estão sendo faladas na internet, porque o que tá tendo lugar são as que não importam, entendeu?
É tipo assim o sétimo filho do Neymar.
Exato.
Enfim, é essas coisas.
Mas isso me importa. E é o quinto. Eu tô brincando.
Quase acertei, entendeu? Mas eu tô dizendo assim, é legal a gente saber da vida dos outros. Eu super acompanho, tanto que eu tô sabendo, viu, já a revelação. Mas assim, de dar uma relevância que isso não merece, sabe? Enquanto pautas que precisavam ter uma relevância.
É que nem o negócio do pai do bebê, gente. Sabe? Vocês já viram? Gente, eu adoro isso.
Eu adoro.
Mas aí chegou a Copa do Mundo. Pai do bebê em tudo quanto é lugar. Pai do bebê não foi convocado.
Pai do bebê, o bebê...
Não, gente, e consegue umas oportunidades bizarras essas meninas com as causas, sabe? Você começa a crescer muito rápido.
É, e é legal, só que dentro de uma bolha, né? Quando o negócio vai parar, tipo, no jornal.
Ao mesmo tempo que eu acho legal, eu acho perigoso justamente por ser tão momentâneo.
Porque eu ia falar disso, novela, de você abrir, não ver a parte 2, você ficar... E aí você salva o vídeo às vezes pra ir ver depois. Gente, eu fui abrir meus salvos, tinha tipo 15 novelas diferentes que eu nem lembrava mais. Tá vendo? Eu só fui me salvando.
Mas a novela das frutas foi justamente tipo o ápice de mostrar que a gente tá se interessando por qualquer coisa.
É, meu Deus, sabe o que me prendeu na novela das frutas?
Qual a sua opinião como atriz das novelas das frutas?
Gente, eu literalmente, a primeira vez que eu vi a proporção tipo mais de 10 milhões de views, eu comecei a querer chorar. Eu fiquei, gente, o que tá acontecendo? Eu, sério, eu fiquei temendo pela minha profissão. E eu acho que como atriz Todos os dias é isso, sabe? A gente falando, tá, e amanhã? Qual o próximo passo? Porque na tecnologia...
Eu como influenciadora tô no outro lado da moeda.
E o que isso vai afetar? A gente fica pensando que a qualquer momento a gente pode ser substituído. Teve uma atriz que foi gerada por inteligência artificial, que eu acho que o nome dela era Nelly ou Ellie, alguma coisa assim.
Meu Deus!
E assim, era muito parecida. E aí começou a gerar vários monólogos dela e começou a tomar uma proporção muito grande na internet. E aí vários atores começaram a se pronunciar. Aí o que aconteceu? No Oscar hoje em dia você tem que colocar nos créditos se foi feito por inteligência artificial ou se teve alguma colaboração ou não. E se teve, você não pode mais concorrer ao Oscar nem ao Globo de Ouro. Então o avanço da tecnologia tá existindo, mas eu acho que vão tomar outros lugares, como outras categorias, e não tomando da gente.
Você tá falando desse negócio, eu tô do outro lado da moeda, porque eu acho que os influenciadores têm ocupando cada vez mais espaço que eles não deveriam estar, tipo o espaço de ator, o espaço da modelo, o espaço— eu acho que os influenciadores estão invadindo tudo. Exatamente por isso que essa dopamina barata, esse conteúdo rápido que influenciador faz, conteúdo rápido, e são mestras nisso, são gênios, gênios, gente, gênios assim disso.
Eu até posso me incluir um pouco nisso, fazer um conteúdo de 1 minuto. Enfim, tem gente que é influenciador, a gente tem uma facilidade para fazer um conteúdo rápido que a pessoa vai assistir bizarra. Mas e aí cada vez mais a gente vem invadindo as coisas assim, sabe? Vai entrando assim.
Não, você viu aquele negócio do desfile da Fashion Week que a pessoa—
exato, é essa vibe, entendeu?
E é estressante, é tipo colocar influenciador para fazer o papel de jornalista, entendeu?
A pessoa não é estudada, não tem preparo para isso. Só que infelizmente vem crescendo A internet tá crescendo tanto, tá? Aquilo que eu falei, tá virando, tá gerando um outro universo, um universo digital que tá surgindo assim novo, tá crescendo tanto, tanto, tanto que precisa colocar os influenciadores nesses espaços para esses espaços ganharem mais visibilidade, porque senão ninguém assiste.
Não, foi o que eu falei, você é um médico legal, você ficou anos e anos e anos fazendo medicina, se dedicando para isso. Se você não tem Instagram legal, a pessoa vai ver 5 médicos lá e o feed que mais agradar vai ser o escolhido. E se você não tiver lá, pronto, você não vai ter.
Isso é um pouco triste, né, gente?
É muito triste! Porque a sua capacidade...
Você sabe que eu falei com a minha ginecologista esses dias?
Tá vendo?
Porque ela é muito reconhecida na minha cidade, ela é tipo a mais top. E aí ela falou, você acredita que me falaram de você esses dias? Eu falei, quem? Ela, ah, eu vi, Ju Petrone, você é conhecida? Eu falei, ah, eu sou influenciadora. Ela, é sério? Eu não tenho TikTok nem Instagram. Aí eu falei, você não precisa, tá? Você já tem o reconhecimento aqui, nem crie, por favor, nem crie. Porque, mas é muito triste, né? Você vê pessoas que estudaram muito com a profissão tendo que se reinventar, tendo que aprender a lidar com a internet só pra conseguir exercer a profissão.
Sua capacidade é determinada em base de uma categoria totalmente diferente que não tem nada a ver.
Exatamente, porque o post do outro é mais bonito, ele é melhor? Gente.
Não, e eu tenho uma tia que é médica e ela tava falando, nossa, contratei 3 social medias pra tentar me ajudar, não tá dando certo, não tá dando certo. E meu trabalho não tá sendo reconhecido lá em Recife, que é de onde ela é. Porque, gente, ela teve que gastar um dinheirão com social media pra tentar se vender no mercado. Nem é o propósito dela.
Nem é. A minha mãe, gente, trabalha com construção, né. Ela é dona de uma construtora. Construtora. A LM. E assim, ela é engenheira civil. E ela teve que se reinventar, gente. Teve que fazer o Instagram, teve que aprender a postar, teve que aprender a editar. No começo ela vinha me pedindo ajuda, entendeu? Ai, o que que eu faço? Eu falava, mãe, tá feio esse post, não gostei. Ela chegou a contratar uma social media também. E assim, um trabalho que ela não tinha que ter, gente.
Mas porque ela trabalha com casa, ela trabalha construindo estrutura de casa, fazendo cálculo estrutural. Tipo, você vai confiar nela para estar dentro da sua casa? O que que tem a ver ela ser boa em postar coisa? Mas tem que ser, infelizmente, por causa da nova era, né?
Não, e gente, sem querer desmerecer o trabalho do influenciador, porque eu e Ju somos influenciadoras, então sabemos. Exatamente. Mas assim, compara você estudar engenharia civil e estudar algoritmo da internet. Eu acho que são coisas um pouco diferentes.
Mas é aquilo que você falou, tem vários tipos de inteligência. A inteligência emocional, a inteligência de se comunicar com o público é uma inteligência muito legal. Mas hoje em dia, por causa disso de conteúdo rápido, tem gente que nem sabe se comunicar e tá aí com um monte de seguidor.
E você tá falando de inteligência, a gente sabe que você superdotada? Como que surgiu esse laudo?
Como que surgiu isso? É tipo assim, eu fui uma criança muito para frente, muito para frente assim. Tinha dificuldade nas aulas, era sempre a chata, sabe? Que o professor dava bronca: Júlia, não é porque você sabe fazer que o seu colega também sabe. A que levantava para ajudar os amigos, a que ficava, não parava quieta nas aulas, que aprendeu a ler muito cedo, a escrever muito muito cedo, assim, aprendi muito cedo mesmo, recorde. Tipo, quantos anos? Uns 3, 4 anos, não sei.
Eu também, 4 anos.
Sério? Sério. Foi tipo antes daquela virada para o 6º ano, que a galera começa no 6º ano, no 6º ano não, do 1º ano, 1º ano fundamental, antes dessa virada para o 1º ano que a galera começa a ler. Aí você tá na escolinha, você faz a letra, e eu já sei, eu já sei isso. Aí eu brigava com os professores, queria Menti. E eu tive sempre uma dificuldade nesse quesito na escola, sempre fui muito avançada. Eu recebia cartinha, gente, da escola na minha casa de boa aluna, de mérito.
Parabéns, sua filha é uma excelente aluna. Minha mãe amava, guardava todas. E assim, eu, a minha primeira nota abaixo de 9 na vida foi no 9º ano.
Mentira!
Foi. E você surtou, né? Com certeza, chorei, né, com meu 8,7. E aí você é tirada de maluca, né? Tipo, as pessoas ainda tipo pegam raiva de você por causa disso, né? Você foi mó bem, você que tá reclamando, é que você não entende. E assim, eu acredito que eu tenha crescido com uma autocobrança por causa disso. Porque tipo assim, quando você percebe que você tem facilidade com uma coisa, parece que você quer ser melhor ainda.
Você sente pressionado a realmente fazer valer, sabe?
Exatamente. Eu tenho facilidade, eu preciso ser boa. Não tem desculpa para eu ser ruim. Eu Sempre tive facilidade em matemática, física, essas coisas.
Química?
Química não.
Química não? Mas de exatas também praticamente. Mas tem umas coisinhas, né, umas pegadinhas aí.
Mas matemática, física sempre foram minhas matérias favoritas. Então eu sempre tive muita facilidade. Sabe quando você fica com aquela obrigação de tipo, eu preciso ir bem nessa prova? Não, preciso ir bem. E eu não consigo estudar, né, gente? Eu sou uma pessoa autodidata, eu só aprendo sozinha. Então eu não consigo prestar atenção em aula, eu não consigo aprender numa vez só.
Não absorve nada.
Não, eu não consigo. A pessoa me explica, eu Não entendi nada, vou precisar deixar minha cabeça fazer o raciocínio dela sozinho, entendeu? Pra entender coisas mais complexas, quando eu entrei no ensino médio eu tive um baque. Porque pra entender coisas mais complexas eu vou precisar que alguém me explique. Eu não tenho capacidade de entender por que que... Quando eu tava no 9º ano que a gente tava aprendendo fórmula de Bhaskara, eu queria porque eu queria entender o conceito de onde surgiu, como foi criada a fórmula.
E aí eu queria entender sozinha, eu tipo fazia as contas, eu ficava assim, eu falava, não, não vou conseguir, vou precisar de alguém me explicar.
É que a gente tenta tanto achar uma lógica, Que às vezes não tem como cavar mais que isso.
Exatamente. E aí eu tive muito problema no ensino médio. No ensino médio, as minhas notas igualaram do pessoal. Mas assim, igualaram, eu nunca precisei estudar, graças a Deus. Mas tipo, estudar, pegar firme numa prova, não precisei. Igual eu era tipo quando eu era mais nova, por causa da pressão, sabe? No oitavo ano, gente, eu passava, eu sentava e eu ficava, eu vou estudar. E eu só estudava, gente, porque eu ficava com essa pressão de tipo, eu preciso tirar uma nota boa porque eu tenho facilidade. É mais que minha obrigação.
Sim.
E, gente, meus pais nunca me pressionaram sobre nota.
Nunca, nunca falaram, ah... E você colocou essa pressão em você mesma.
É, tipo, eu criei isso na minha cabeça. No ensino médio, eu comecei a ir com a internet, aí virou várias coisas. Eu mantive a minha média no 8, graças a Deus. Mas, tipo, me parei com essa cobrança. Eu falei, eu não preciso saber isso. Eu não preciso, tem coisa que eu não preciso saber, entendeu? E assim, hoje em dia eu estudo sozinha, praticamente. Tenho prova, preciso estudar sozinha. Eu falto muito na escola, né? Eu tô assim estourando minhas faltas, nossa senhora.
A gente até conversou sobre, mas tipo, escola online, eu se eu soubesse disso antes eu teria mudado. Porque agora eu tô no 45 do segundo tempo, né, gente? Final do ano, final da escola, não compensa. Mas eu falto exatamente por causa disso, de tipo assim prestar atenção na aula, não absorvo nada e ter que estudar em casa. Aí eu falo, ah, hoje eu não vou. Vou ficar gravando vídeo. Sim, entendeu? Mas assim, é aquilo, me afetou muito mais na infância. Hoje em dia super normal.
Mas você chegou a fazer teste? Com que idade?
Você quer saber meu QI?
Quero. 137.
Caramba, não é muito alto não, na verdade. Ah, é sim, na verdade, para ser considerado superdotado, mas é tipo, entre os superdotados eu sou baixa.
Ah, não tanto, você tá no percentual garantiu 99,9, no 99 na verdade. E dá para você entrar no Mensa, que é uma organização de gêneros, dá para entrar bastante coisa.
88, é abaixo de 100. Você também é superdotada?
Sim, eu fiz o teste, só que eu fiz com 13 anos de idade.
O teste não é muito chato?
Muito chato. E eu tinha agonia para fazer porque eu queria fazer muito rápido. Tipo, sabe? Isso é um dia, sabe?
E eu queria ser mais inteligente, eu queria que meu QI fosse alto.
Eu falava, por favor, fala que eu tô acertando. E a moça falava, você tá nervosa, tá querendo acertar? Eu, quero, eu preciso.
Não tem resposta certa.
Exato, eu falava, é óbvio que não é resposta certa.
Você tem certeza, certeza que quem tirou a maior nota tem resposta certa?
Bom, se não tivesse resposta certa, tá avaliando por quê então? É, então faz sentido nenhum.
Se eu não for para tirar o maior QI do mundo, Não quero, entendeu? Como assim?
E ela falou assim, a gente vai fazer em 4 dias as sessões. O quê? A gente fez em 2. É porque eu ficava hora, hora, hora, tá cansando a mente ou não? Não tá cansando a mente. E a gente só parava que ela mandava eu parar. É porque aí tinha horas que ela falava, não, vai atrapalhar no teste, para. Mas eu não queria parar porque eu sou agoniada, sabe? Eu sou ansiosa.
Você é competitiva?
Nossa, é isso, gente!
Você precisa ver uns episódios que teve aqui que ela disputa alguma coisa com convidado, cara. Ela pegava seu mofaga, ela— calma, seu mofaga!
E não é nem querendo me provar, mas eu acho que é justamente a pressão que você falou. A gente costuma colocar essa pressão na gente desde pequena.
É tipo assim, quando você percebe que você tem facilidade numa coisa, já era. Você percebeu isso, você vai ficar com essa autocobrança para sempre.
Para vida horrível.
Sabe por que que eu pergunto isso?
Principalmente você, tipo, às vezes tá dando tudo certo, mas você vê algum negocinho bem pequenininho que não deu tão certo, você: não, eu tenho que acertar, eu tenho que fazer acontecer.
Porque eu acho que sempre dá para melhorar, sabe? Eu não gosto de ser morna na vida.
Então eu acho que tudo a gente consegue evoluir. E aí, na minha cabeça, eu podia evoluir. No meu testiquinho também não pode. É a mesma pessoa.
Eu sou muito assim. Eu fui ver o meu laudo e aí eu fui ver Se eu estudar, eu posso tirar uma nota maior? Eu pergunto isso e eu literalmente hoje em dia estudo e não pode, né? Porque pode, você pode melhorar sua memória operacional.
Eu também, a memória operacional foi a minha pior categoria, você acredita? A minha memória é horrível. É, pois é, a minha também.
Mas assim, mas é porque eu acho que é justamente esse fato da gente ser ansiosa também, aí a gente acaba atropelando um pouco.
Mas eu, nossa senhora, eu esqueço esqueço tudo, tudo eu esqueço. Mas eu tenho uma memória, como que fala, visual, fotográfica, isso, insana. Essa é boa, entendeu? Eu vou lembrar da cara que você fez, eu posso não lembrar do que você falou, mas da cara que você fez eu vou lembrar. É, daquela assim de fazer resumo e grifar com cores e na hora lembrar assim, era, tava com essa cor desse lado.
Que genial!
Você tem boa memória fotográfica?
Não. Isso não, isso eu posso falar.
Porque isso é muito bom, é tipo um hack de vida assim. Mas muita gente tem isso, né? Muita gente tem uma memória fotográfica muito boa e não sabe que é uma memória fotográfica boa.
Eu não tenho memória fotográfica, mas eu sempre tive muita facilidade em absorver as informações, eu entendo muito rápido.
O meu...
Tem uma hora que eu leio, eu absorvo e fica, sabe? Então não é uma memória fotográfica, mas...
É, o meu é tipo assim, eu tenho essa dificuldade das pessoas me explicarem alto. Algo de eu precisar entender sozinha. E tipo assim, nesse sentido, eu acho que atrasa um pouco, sabe? Tipo, atrasa a vida no geral. Eu falei da minha dificuldade em química. Gente, química, eu sou péssima, péssima.
E nunca consegui entender nada.
Nossa, pior que não é a matéria que eu mais tenho facilidade, você acredita?
E eu não gosto de física porque eu tenho preguiça de aprender as fórmulas e tal.
Eu adoro física.
Ah, então é porque eu gosto das coisas que são lógicas. Acabou, não precisa de mais nada, sabe? Física tem que decorar e eu fico meio saco cheio. Eu sempre fui muito boa em matemática também.
E matemática é minha matéria favorita, matemática e biologia são as faves.
Ai, eu não gosto tanto assim de biologia.
Eu amo, eu sou apaixonada em biologia.
Ah, mas que bom, né? Porque você quer dermatologia, que a gente não falou sobre isso.
Exatamente, a gente não.
E a faculdade, Jupetroni?
Eu quero fazer faculdade de medicina não para exercer a profissão, né? Eu não quero ser médica, mas eu quero me especializar e ser dermatologista e abrir uma empresa de cosméticos. É meu plano agora, né? Porque daqui 6 meses eu posso estar mudando, daqui 1 ano eu posso ser outra pessoa. Mas é, atualmente eu penso isso como... Porque eu acho sempre bom... Eu sou... Eu tenho muita ansiedade futura, de tipo, ficar ansiosa pelo futuro, coisas que nem aconteceram ainda. E eu tô lá pensando. Então eu preciso ter um plano traçado.
E eu fico... E precisa dar certo.
E precisa... Eu tenho burnout, assim, de ficar mal, de chorar, de ficar em desespero quando sai assim, ó. Meio dedo da linha reta que eu criei, entendeu? Então assim, eu preciso pelo menos ter um plano. Se eu mudar de plano, ótimo, eu vou mudar o caminho. Mas eu preciso ter ele até o final, entendeu? Então eu preciso. E aí eu já criei um plano todo na minha cabeça. Eu vou fazer medicina, aí eu vou me especializar em dermatologia.
Eu vou abrir uma empresa de cosméticos, de skincare. Porque eu sou apaixonada em skincare. Gente, a minha pele foi muito acneica durante o início da minha adolescência. E eu tenho manchas até hoje, que se você olhar... Dá para perceber, dá para reparar. E eu tenho insegurança com isso, esse lado do meu rosto eu odeio por causa das manchas. Então, tipo assim, eu acho que eu consegui atingir um resultado na minha pele muito bom só com skincare.
Eu nunca fiz tratamento com Roaccutane nem nada, e hoje eu não tenho mais espinha nenhuma, nem nada. E assim, foi uma coisa que acaba com a nossa autoestima. Eu falo que pele é pior que cabelo, tipo assim, sua pele tá ruim é pior do que quando seu cabelo tá ruim.
Então você não consegue disfarçar de jeito nenhum, não tem o que fazer.
Gente, eu preciso ter uma noção, na minha formatura do 9º ano eu me maquiei sozinha porque Eu não gostava que maquiador mexesse na minha pele. Porque pra mim ia ficar pior do que já era, entendeu? E eu tinha, tipo, não era muita acne. Mas eram umas espinhas pontuais gigantescas, assim. Tipo, uma vez eu tive uma que consumiu o meu bochecho inteiro. Nossa! Então assim, eu sou apaixonada nisso. Eu, nesse tempo que eu vim melhorando a minha pele com skincare, além, obviamente, de comprar muita coisa, eu estudei muito sobre, entendeu?
Tipo, o que cada ativo faz tal coisa, por que esse ativo faz tal coisa, qual transformação que isso faz na minha pele.
Porque eu queria realmente melhorar.
E aí eu acabei tipo me apaixonando nessa área, eu falei, meu, eu quero desenvolver isso. Eu quero assim desenvolver uma marca e tal. E aí eu vou fazer medicina mais pela paixão, pela biologia, por gostar e por ser um sonho desde criança. Desde os meus 4 anos assim, gente, eu falo que eu quero ser médica. Tipo, desde criança mesmo. Eu acho que eu nem tinha consciência direito do que era medicina e eu já queria ser.
Mas você já sentia?
É, eu queria ser, entendeu? E assim, antes eu queria neurocirurgia. Mas nada a ver, nada alinhado com o que eu sou hoje, assim. Não dá pra mim.
Foi que nem o que você falou, de 6 meses eu sou outra pessoa, 1 ano.
É, entendeu? Há 2 meses atrás eu queria publicidade. Há 3 meses atrás eu queria outra coisa. Então eu vim mudando muito esse ano, eu tive uns... Sabe umas crises de identidade?
É porque a gente tá se tornando adulto, né. Isso que é difícil de lidar.
Inclusive, eu pintei muito o cabelo por causa disso. Eu falei pro meu cabeleireiro ontem, né, que eu pintei muito cabelo sozinha porque eu tava com umas crises de identidade que eu, tipo... Absurdas. É, entendeu? E eu pintava o cabelo. Parece que você acha que mudar alguma coisa na sua aparência vai mudar tudo, mas não muda nada, né? E depois que eu percebi, eu parei de pintar. Era uma projeção totalmente. É, entendeu? Mas assim, eu faço terapia hoje em dia.
Eu faço com uma terapeuta muito boa online. Mas enfim. E ela me ajuda muito a clarear essas coisas, sabe? Tipo assim, meio que conversar, colocar pra fora. E esse caminho meu que eu tô traçando, ele ficar um pouco mais aberto pra outras opções.
Aplicar um pouquinho mais o estoicismo na sua vida, né? Entender que não é só a gente que controla tudo.
Exatamente, porque na minha cabeça eu controlo tudo. Como assim eu não controlo minha própria vida, tudo? Mas eu preciso entender que tem outros fatores que vão influenciar. Tem vários fatores, tipo assim, e se eu não passar na faculdade? Isso é um fator. E na minha cabeça isso não vai acontecer. Porque eu também tenho um negócio de aquilo que eu falei, de na minha cabeça eu consigo, de achar que eu consigo tudo. E não é assim, tem coisa que eu vou achar que eu vou conseguir que eu não vou conseguir.
Então assim, eu esse ano agora, pra uns tempos, uns 2 meses, eu fui tirando um pouco desse peso das minhas costas. Tá tudo bem, tá tudo bem se não der certo. Obviamente, eu vou ficar... Se não der certo, eu vou ficar apavorada. Mas assim, eu acho que eu vou saber lidar melhor. Mas esse é meu plano por enquanto. Eu espero que dê certo, porque eu acho que é uma coisa que tá muito alinhada com tudo da minha vida, com todas as áreas.
Tipo, o que eu gosto, a minha profissão. Porque eu vou conseguir trazer isso pra internet. Na verdade, influenciador que abre marca vende muito, né. Então eu acho que vai estar total alinhado. E eu preciso ficar rica, gente. Eu quero ter 8 filhos. 8 filhos. Eu preciso ser rica para isso.
Nossa, 1 ou 2 filhos já gasta muito. Imagina 8 da gente, tanto que a gente gasta por semana.
Nossa, para, para!
Não, não pode ser 8 de mim, que se for 8 de mim, ferrou, não dá. Mas eu queria ter 8 filhos, eu gosto muito de criança.
Ai, não, eu também gosto de criança. Mas que que você tava falando assim da do medo do controle e tal. O que mais me ajuda hoje em dia, porque eu sempre fui muito como você, quero que— eu pensava, se eu tenho capacidade, também tô achando, mas eu pensava, se eu tenho capacidade de fazer tudo isso, eu tenho capacidade de controlar tudo ao meu redor e vai acontecer do jeito que eu quero. E isso me machucava muito quando as coisas não aconteciam do meu jeito.
Então o que me ajuda hoje em dia é pensar que eu confio tanto em mim em quem eu sou e como eu vou lidar em determinadas situações, que hoje em dia eu não tenho mais medo delas e não fico mais querendo controlar tanto assim, porque eu sei que eu vou me sair bem se as coisas não forem do jeito que eu quero, entendeu? É a gente se preparar o suficiente para o pior. É isso que eu penso.
Tipo assim, já aconteceu lá em casa de eu tipo chorar aos prantos assim, abraçada na minha mãe, porque eu tenho medo do futuro.
Eu também, minha mãe fala, Sofia, pelo amor de Deus. Igual aos 12 anos de idade, mãe, não tá dando certo ser atriz, eu tenho que escolher outra coisa. Ela, Sofia, 12 anos na cara, para com isso. E até hoje eu sou assim, e eu não vou parar de ser assim.
Isso é real, tá na essência, mas a gente tem que aprender a controlar, entendeu? Gente, eu no 9º ano comecei a estudar para o ENEM. Ai, não, eu preciso. E aí, tipo assim, o pessoal zoava com a minha cara. E aí, hoje em dia eu percebo, obviamente é um motivo de exaustão, porque você tá fazendo na sua cabeça, cara, você não vai nem lembrar o que você estudou. E eu achava que eu precisava, tipo, eu pensava, certeza que já tem gente que vai concorrer comigo que tá estudando mais tempo.
Sim, tipo, você tem certeza. E aí eu já tava, nem sabia se eu ia querer, nem sabia o que eu ia querer, eu já tava lá me preparando, entendeu? Porque eu tenho medo do futuro, é um medo que eu tenho. Eu fiz um vídeo na internet, eu já levei hate por falar isso. Isso, porque as pessoas falam, nossa, é rica e tem medo do futuro, imagina quem é pobre. Gente, primeiro, quem não é tudo, as pessoas não são tudo isso que elas mostram na internet, calma lá.
Nossa vida não é mil maravilhas, não é assim. Mas enfim, eu acho que todo mundo tá no direito de ter medo do futuro, porque não é só medo financeiro, é o medo da sua vida mesmo, velho, de tudo assim. Eu acho que eu tô mais controlada, eu acredito que eu estou na melhor fase da minha vida, assim. Minha mãe me perguntou ontem, hoje, isso. Você acha que você tá na melhor fase da sua vida? Eu falei, eu acho que eu tô. Eu acho que eu tô na melhor fase da minha cabeça, de saúde mental, assim.
Tá no auge. Aham, de estar bem, sabe? Quando você olha e fala, nossa, eu tô bem, eu tô feliz.
E aí que as coisas começam a dar certo, pode ter certeza.
Eu comecei a ganhar dinheiro com a internet esse ano, gente, praticamente. Tipo assim, de realmente ver que o seu trabalho tá valendo a pena. E eu acho que foi por causa disso, foi tipo, meu mental tá estabilizado. Agora as coisas vão começar. Porque antes disso, acho que tipo me travava. Tipo, não, você tem muita coisa interna pra resolver antes do seu externo funcionar. Então eu acho que, acredito que resolvendo essas questões—
Sempre mental resolvendo, né?
Exatamente.
É, então. Gente, eu acho que agora é o momento ideal pra fazer a última pergunta, porque a gente tá leve. A gente tá leve.
A gente já tornou o assunto gostoso de falar, né?
Mental, é, a gente fez uma terapiazinha. Que eu falo que um podcast é tipo uma terapia.
Com certeza!
A gente fica conversando e a gente fica batendo um papo. E a gente descobre coisas das outras pessoas.
A gente descobre até sobre a gente, entendeu?
Tá vendo? Mas a gente vai fazer a última pergunta, que você já meio que deu spoiler durante o episódio. Mas que conselho você daria pra alguém que quer seguir o mesmo caminho que você?
Eu acho que alguém que queira realmente estar no meio da internet como um trabalho. Porque é diferente você só quer ficar famoso. Ou de quero trabalhar com isso. Eu acho que se você quer trabalhar com a internet, a primeira coisa que você tem que fazer é trabalhar o seu mental para tudo, até para as coisas darem certo. Como eu falei, as coisas começaram a dar mais certo para mim depois que eu me estabilizei, sabe, por dentro. E agora um conselho mais externo assim: eu acho que você tem que muito ser você, acho que você tem que começar a dar sua opinião, eu acho que você tem que se mostrar, sabe.
Eu falo até para as minhas amigas que muitas amigas minhas gostariam de— amigas minhas que não são da internet gostariam de gravar, de produzir conteúdo. E eu falo, meu, só começa, abre sua câmera e clica no botão. Só isso, entendeu? A primeira coisa que você tem que fazer, aquilo é o não, você já tem. Anônima você já é. Sim, disso para baixo não tem como, só tem como disso para cima. Então bora tentar, bora começar de algum jeito, né?
O meu conselho mesmo é começar. Inicia de um ponto, porque não adianta ficar criando mil coisas na cabeça e não fazer por onde, entendeu? Então abre sua câmera, clica no botão ali de gravar e fala alguma coisa, se apresenta, entendeu? Diz o que você quer fazer. Gente, eu, é meu sonho. Abre sua câmera e fala assim: é meu sonho ficar famoso, vocês quiserem me acompanhar, eu tô aí, entendeu? Esse é meu conselho.
Eu nunca perguntei isso para você também. Qual que é o seu conselho para quem tá começando?
Eita, gente, eu fico nervosa, não tava preparada. Ai, peraí. Gente, meu conselho... Ai, tá, deixa eu pensar. Meu conselho pra quem tá começando na internet é não se comparar. Não se comparar. Porque eu acho que tem muita preciosidade em ser único. Eu acho que é aí que começam novas tendências. Então eu acho que se você se comparar, tudo bem você entender o algoritmo, entender essas coisas, mas se você se comparar, o que que você vai estar agregando?
Essa pessoa já agrega. Não segue o mesmo caminho. Tenta ver o que as pessoas não estão fazendo, que aí sim você vai estar iniciando de uma forma diferente. Acho que é isso. Então, gente, se vocês gostaram desse episódio, perdoem minha voz, minha voz, tá?
Que tá gastando um pouquinho. Você já tá na segunda gravação de hoje, tem que mandar mais contexto.
Enfim, se vocês gostaram desse episódio, deem o seu like. Ju, obrigada por ter participado.
Eu que agradeço, fiquei muito feliz.
E enfim, não esqueçam de se inscrever no canal e até a próxima!