Episódios de CriptaCast

Criptacast #82 - O Diabo na Cultura Pop

30 de junho de 20261h28min
0:00 / 1:28:24

Cramunhão

Mochila de Criança

Pata-Rachada

Sete-Peles

Tinhoso

Capeta

Capiroto

E neste Criptacast vamos falar sobre ele, aquele com muitos nomes e muitas denominações, o Diabo! Vamos debater sobre as suas representações na cultura pop, tanto em filmes de terror como em filmes de outros gêneros, como o Advogado do Diabo, com aquele diabo incrível interpretado por Al Pacino.

Para isso, fizemos uma vasta pesquisa para entendermos como nasceu o diabo, de onde veio o arquétipo da criatura de pele vermelha, chifres e cascos, e claro, sua relação com as diversas crenças e religiões.

Você está no CriptaCast!

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Músicas do episódio:

Camille Saint-Saëns - Danse Macabre

Emmraan - Cool Powerful Hard Rock

Franz Liszt - Hungarian Rhapsody No. 2

Mozart - Lacrimosa

Prokofiev - Dance of the Knights

UNIVERSFIELD - Energetic Indie Rock

Geoff Harvey - Ways of the Wizard

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#PodcastDeTerror #diabo #CriptaCast #ZonaSombria #devil #divinacomedia #lucifer #culturapop #filmes #livros #jogos

Participantes neste episódio3
L

Larissa

Host
I

Igor

Co-hostEstudante
S

Stephanie

Co-host
Assuntos7
  • Representações do Diabo no Cinema e JogosO Bebê de Rosemary (cultos satânicos) · O Exorcista (possessão demoníaca) · A Profecia (Anticristo) · O Além (Tim Curry como Diabo) · Devilman (demônios congelados) · Hellboy e Constantine (reis demônios) · The Witch (A Bruxa) · Lucius (jogo do Anticristo)
  • Nerdice e Cultura PopDiabo como figura controversa e mutável · Diabo em diferentes religiões e culturas · Diabo em obras literárias · Diabo em filmes de terror · Diabo em jogos · Diabo em séries (Lúcifer) · Diabo em quadrinhos (Devilman, Hellboy)
  • Sequência de O Diabo Veste PradaConvergências culturais e religiosas · Diabo cristão · Dualidade bem e mal · Visual clássico do diabo · Demonização de divindades pagãs · Paimon · Baphomet · Moloch
  • Pactos e possessõesPacto com o diabo · Busca por conhecimento e poder · O Retrato de Dorian Gray · Fausto de Goethe · Papa Legba e o Vodu · Robert Johnson e o pacto · Crossroads (filme)
  • A Queda de Lúcifer e o Propósito de Deus para o HomemHades como deus do submundo · Hades na mitologia grego-romana · Hades na Bíblia · Lúcifer como portador da luz · São Lúcifer · Estrela Vênus (Fósforo/Lúcifer)
  • Retórica na BíbliaAnticristo na Bíblia (João e Tessalonicenses) · Evolução do conceito de Anticristo · Irineu de Lyon e o Anticristo · Papa como Anticristo (Reforma Protestante) · Interpretações da Bíblia · Livros apócrifos · Nefilins
  • Debate sobre a manutenção do sincretismoDemonização de religiões de matriz africana · Exu · Iemanjá · Pombagiras · Sincretismo religioso no Brasil · Sincretismo religioso no Brasil escravocrata
Transcrição157 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
LLarissa

Passando deste ponto, não tem mais volta. Bem-vindo ao CriptaCast. Olá novamente, amigos ouvintes do Zona Sombria, e sejam bem-vindos a mais um Criptacast. Aqui é a Larissa e eu convidei o Diabo para gravar, mas ele não topou, e só vai entender quem ouviu o episódio sobre o José Mujica Maris.

IIgor

Aqui é o Igor e me prove que és tu o filho do capeta.

SStephanie

Aqui é a Stephanie e o meu diabo favorito é o Baphomet.

LLarissa

E neste Criptocast vamos falar sobre as representações do diabo na cultura pop, tanto em filmes de terror como em filmes de outros gêneros, como Advogado do Diabo, com aquele diabo incrível interpretado por Al Pacino. Para isso, fizemos uma vasta pesquisa para entendermos como nasceu o diabo, de onde veio o arquétipo da criatura de pele vermelha, chifres e cascos, e claro, sua relação com as diversas crenças e religiões. Você está no Criptocast.

IIgor

Olá, ouvintes! Como o episódio de hoje mexe com religião, mitologia, diabo, demônios, fica aqui um aviso importante: nossa conversa é sobre cultura, história, terror e a representação disso tudo na cultura pop. Não é uma tentativa de diminuir crenças pessoais. Nosso objetivo é olhar para esses símbolos como parte do imaginário humano, que alimenta filmes, livros, jogos, quadrinhos e histórias há tantos séculos. Um bom episódio a todos!

Antes de chegarmos nas representações do diabo na cultura pop, como a gente conhece hoje, e citarmos algumas obras famosas, é importante falarmos sobre como o diabo chegou como chegou até os dias atuais. Esse visual vermelho, associação com bode e outras características clássicas vêm de séculos atrás e são resultados de convergências culturais e religiosas. Outro ponto importante a ser ressaltado é que o diabo que a gente comumente vê retratado nas obras de horror é um diabo cristão.

Assim, o cristianismo é muito importante para ter criado essa figura, mas aqui a gente vai falar das várias facetas que ele pode ter nas mais diversas mídias. Um terceiro ponto a ser citado é a visão cristã do bem e do mal, a dualidade entre essas duas forças. Quando tentamos imaginar o diabo na nossa mente ocidentalizada e cristianizada, já ilustra aquela figura de um ser vermelho, com chifres, rabo, casco, tridente e um sorrisinho safado.

Essa imagem, que hoje parece tão pronta na nossa cabeça, foi construída ao longo das eras, misturada e reinterpretada inúmeras vezes, adicionando medo religioso e perseguições aos povos ditos pagãos e bárbaros da época. Elementos tão impactantes como chifres, pata de bode e todas essas coisas aparecem em várias divindades antigas sem necessariamente carregarem essa aura maligna. O avanço do cristianismo fez com que essas culturas fossem demonizadas, e o que antes significava sagrado para outras culturas foi transformado em algo a ser repudiado.

Algumas figuras que a gente pode citar aqui é o Paimon, o Baphomet, Satanás, Moloch, Pan, Baal.

SStephanie

Eu gosto que algumas dessas desses nomes, né, Satanás, Moloch, Baal, todos se referiam a deuses de outras culturas que não a cristã. Então era uma forma de demonizar, de maleficar os deuses dessas outras culturas. Mas o meu favorito de todos, como eu falei, é Baphomet, porque Baphomet é uma imagem criada pelo Eliphas Levi na década de 20 do século passado, e ele criou essa imagem para representar as 7 leis herméticas, uma coisa completamente diferente do que as pessoas imaginam que é o Baphomet, essa imagem, esse, esse ser que é cabeça de bode, enfim.

Então eu acho muito legal entender o que que cada um dos nomes significa para entender como que o diabo é essa cultura fabricada, né?

LLarissa

E é muito o que as religiões fazem, ou o que religiões neopentecostais fazem com religiões matrizes africanas, porque aí vai ter a demonização de figuras como Exu, como Iemanjá, Pombagiras. Então várias entidades de religiões de matrizes africanas ou de cultura cigana, de outras matrizes que hoje são demonizadas por religiões neopentecostais.

SStephanie

E eu acho legal que tem um livro do Alexandre Comino, que é um pai de santo, e é um pai de santo intelectual que publica livros e tal, que se chama Exu Não É o diabo. Então ele vai justamente desconstruir toda essa noção do diabo para chegar no Exu como essa figura que se utiliza muito do preto e do vermelho, que tá ali num limiar não tão alto da espiritualidade. E eu acho muito interessante esse livro, recomendo a leitura.

IIgor

E é curioso essa questão do Baphomet, que é que a Stephanie falou, porque essa figura do Baphomet foi associada a uma outra figura do Baphomet, que era um deus que uma ordem de cruzados cultuava. Então a gente vê como é que essas coisas vão virando uma salada de referências para criar o nosso imaginário.

LLarissa

E a gente pode até imaginar o quanto isso também não aconteceu quando os portugueses chegaram no Brasil. Com os indígenas e com toda a religião e o panteão que eles tinham na época, né? Então as suas religiões e tudo, e o quanto não teve que ter muito sincretismo religioso para que eles pudessem continuar adorando as suas divindades. Assim como hoje também acontece, porque a gente vai ter muito, ah, mas aí tal santo é tal entidade na Umbanda e no Candomblé.

Mas esse é sincretismo religioso, gente, porque as pessoas fazem isso para elas poderem continuar adorando a sua religião sem que sejam atacadas por religiões ditas como cristãs. Isso acontecia também na época do Brasil escravocrata, escravocrata, com pessoas escravizadas. Então elas tinham que fingir que que era uma outra coisa para elas poderem ter sua religião. Eu não vou nem dizer respeitada, era tolerada.

IIgor

E ainda falando sobre essas divindades que a gente comentou, é muito curioso porque a gente vê essas referências de chifres em coisas, em divindades como Pan, que era uma divindade grega. No Faunus, que seria o equivalente dessa divindade grega para os romanos, né, que era uma figura muito ligada a pastores, a rebanhos e música e fertilidade. Um exemplo muito contundente dessa questão de demonizar divindades de outras religiões é Baal, que era uma divindade cultuada por povos da região onde surgiu o cristianismo ali, e ela foi rapidamente incorporada dentro do cristianismo como um demônio, como algo ruim.

Então isso, se for listar, a gente não consegue assim a quantidade de vezes que isso aconteceu na história.

SStephanie

E isso dos chifres é muito interessante porque mesmo Alexandre o Grande em determinado momento, para demonstrar a sua grandeza, usava chifres que eram chifres de amonita, que é um chifre assim que tem uma proporção muito única, muito especial. E ele usava esses chifres enquanto ele cruzava cidades e tudo mais. Então Se a gente for pensar que o chifre é uma representação do demônio, a gente também vai ter que entender que Alexandre o Grande tinha um pacto com o demônio, assim como todas as grandes figuras, né?

LLarissa

Todo mundo teve pacto, né? Assim, você era muito bom em alguma coisa, ah, é pacto, não pode ser, não pode ser treinamento, não pode ser desenvoltura, não, é tudo é o diabo.

SStephanie

Quem popularizou a ideia do pacto foi Goethe, quando ele escreveu Fausto, porque em Fausto ele faz um pacto com o demônio. E depois teve, se eu não me engano, foi o Grande Sertão Veredas que também instituiu o pacto com o demônio dentro da cultura brasileira, numa versão mais caipira, mais do sertão, mas também um pacto com o demônio.

LLarissa

E uma coisa que é interessante, assim, eu trouxe a ideia da figura do Hades para a gente citar porque ele é muito frequentemente confundido com demônio, até mesmo com a figura de Lúcifer, que a gente vai citar já já. Mas o Hades é um deus maior da mitologia grego-romana, ele não é um diabo, ele não é alguém que tenta, ele é quem cuida do submundo. Que é um, ele é mais uma, ele é mais uma divindade do panteão greco-romano. E para a gente poder entender, né, o Hades, ele é tão importante quanto Zeus e quanto Poseidon.

Enquanto Zeus ou Júpiter cuida, né, da terra, Poseidon dos mares ou Netuno, e Hades cuida do terra dos mortos. Então, e assim A Terra dos Mortos, para os gregos e para os romanos, ele não era o inferno, não é a mesma coisa que inferno, era só para onde todos os mortos iriam. E então todo mundo que morria ia para o submundo, alguém tinha que cuidar da Terra dos Mortos, então alguém tinha que ser divindade dos mortos. Zeus, ou Hades, desculpa, eu tô ficando doida.

O Hades estava lá para governar a Terra dos Mortos. Coitadinho, ele só tava fazendo o trabalho dele.

SStephanie

Inclusive, na Bíblia traduzida direto do grego, que é a versão traduzida pelo Frederico Lourenço da Companhia das Letras, é o mundo dos mortos é traduzido como Hades. Então é canônico, é bíblico, Hades está na Bíblia.

LLarissa

Muito bom.

IIgor

Pô, e é um injustiçado, pô. Zeus pegou os céus e tudo tal, joga raio nos outros. Poseidon pegou os mares, tem bronzeado de surfista tal. É, o Hades ficou com o quê? Com submundo.

LLarissa

Zeus é um grande arrombado, é só isso que eu quero dizer.

IIgor

Inclusive, eu adoro a representação do Hades no jogo Hades. Porque ele é um baita burocrata assim. Ele é aquele cara, parece uma repartição pública assim. E o Zagreu, que é o filho dele inventado no jogo, que quer fugir, vai lá falar com ele. Zeus e o Hades tá atrás de uma mesa escrevendo pergaminho e: não, você não pode ir, a gente tem que manter a ordem aqui e tal. É muito bom.

LLarissa

Tem um quadrinho independente que eu li há um tempo atrás e era assim também, tipo O Hades era representado como um grande burocrata, assim. Tudo era— a Terra dos Mortos era muito burocrática, tudo era muito documentado, tudo era muito trabalhoso, como realmente se fosse um órgão público, uma coisa assim, sabe? Tipo, tudo era muito dificultoso. Acho que era justamente para os views não quererem vir. Burocrático total. Aproveitando que a gente tá falando Hades, tem a figura do Lúcifer, que é o nome do anjo caído, o tinhoso, o mochila de criança, aquele que a gente não pode ficar falando o nome, o pata rachada.

IIgor

Desculpa, eu adoro esse apelido, pata rachada.

LLarissa

Eu gosto de mochila de criança, eu gosto de cramonhão. Porém, essa forma como a gente vê, ela não é Então, antiga entre muitas aspas, porque existiu o São Lúcifer. Ele foi um bispo que viveu durante o século 4, que compreende de 301 até 400, já da era moderna, tá, né, antes de Cristo. E seus apoiadores e seguidores eram conhecidos como luciferianos. São Lúcifer é da Sardenha e ele até hoje é um um santo meio controverso para igreja, porque tem uma parte da igreja que não concorda e aí já tem um outro que concorda.

Na Sardenha, as pessoas adoram ainda o São Lúcifer e comemoram o dia de São Lúcifer.

SStephanie

Inclusive, igreja para São Lúcifer na Itália, que é a única do mundo.

LLarissa

Pobre São Lúcifer, que só tinha um nome bonito para época. Porque Lúcifer em latim é portador da luz, então é um nome bonito. Para os romanos era uma entidade que anunciava a chegada do sol. Você foi alguma coisa aí?

IIgor

Eu vou falar aquela história tipo que o nome pega mal depois. É tipo alguém hoje que tem o nome de Adolf, cara, cagou o nome. Alguém veio e cagou o nome, já era.

LLarissa

Foi mal, é pelas pessoas do futuro, né? Mas é isso, hoje pega mal, né, você batizar uma criança de Lúcifer, por exemplo. Então, apesar de ter um nome com significado bonito, mas— e que é a estrela Vênus, que era a estrela, né, para os poços, né, mas é o planeta Vênus porque ele chega antes do sol. Você vai ver ele ali anunciando a vinda do sol. E aí, para os gregos, seu nome era Phosphorus, e na Roma Antiga era chamado de Lúcifer.

SStephanie

Quando a gente tá estudando lógica na faculdade de filosofia, a gente aprende que Phosphorus e uma outra estrela são a Estrela da Manhã. E essa Estrela da Manhã é uma estrela que nasce de manhã e de tarde, e eles demoraram um tempão para descobrir que é a mesma estrela. Enfim, coisas aleatórias, desculpa.

LLarissa

Nada, eu tô super soma, adorei. Ah, então o povo demorou um tempão ainda para descobrir que era a mesma estrela que nasce É porque a primeira que aparece no céu e a última sair, vamos assim colocar, né?

SStephanie

Então ficaram, não são duas estrelas, mas no fim era a mesma estrela.

LLarissa

A gente tem que lembrar que as pessoas não tinham também tantos recursos para descobrir essas coisas antigamente.

SStephanie

Então isso leva a uma discussão muito, muito legal sobre o que é o conhecimento e como a gente adquire conhecimento, e se era um conhecimento falso ou um conhecimento real, enfim.

LLarissa

Não, e como conhecimento, ele não tem como— ele, a ciência, ela nunca é exata, ela sempre pode ser mudada, e a gente tem que estar aberto para isso. Aí um monte de gente, claro, foi queimado, foi enforcado por isso, mas pobrezinhos. Mas assim, as pessoas não têm noção de que a ciência ela é mutável, a ciência ela não é um fato Bateu o martelo e acabou, porque a gente sempre pode descobrir uma coisa nova, a gente sempre pode adquirir um novo conhecimento, né?

Então é o legal da ciência, é isso. O massa é, eu acho que essa é a melhor parte.

SStephanie

Sim, eu concordo.

LLarissa

E aí, para o Lúcifer, para os cristãos e para os judeus, seria o nome do anjo caído, daquele que tentou rivalizar com Deus e hoje comandaria o inferno. É, eu vou recomendar, antes das recomendações, antes das indicações, 2 vídeos do canal do professor doutor Henrique Caldeira. Se vocês quiserem saber mais sobre religião, ele inclusive cita muito a Bíblia do Frederico Lourenço, que a Stephanie trouxe. Ele faz um estudo acadêmico da Bíblia, então assim, não só da Bíblia, mas das religiões, né, das histórias das religiões.

Então eu vou deixar dois vídeos linkados aqui no site. Então para quem tiver ouvindo, vai lá no site, vocês vão ver tudo que a gente tá indicando, vai ter link, os livros que a Stephanie tá indicando vai ter lá o nome, o autor. E aí são os vídeos A História de Lúcifer, da Grécia à Bíblia, e o outro é uma live que tem umas duas horas, mas é uma live incrível que ele vai falar sobre Lúcifer e os anjos caídos. E ela tem uns 2 anos já que essa live aconteceu, mas assim, tá super atual. E a história, né, então a história pregressa, então tá de boa.

IIgor

Ele é um doutor em história, tá? Pode ficar tranquilo que não é um YouTuber aleatório fazendo live.

LLarissa

Não, é o cara realmente tem muito estudo assim, os vídeos dele são muito bons e muito didáticos. O storytelling dele nos vídeos é muito bom. Então, se vocês quiserem mais sobre Lúcifer e anjos caídos, recomendo esses vídeos. Mas ele tem vários outros, vários outros sobre histórias das religiões, sincretismos religiosos. Então, inclusive, eu não queria falar muito sobre isso porque depois eu vou— eu tenho medo de me embananar. Mas ok, qualquer coisa a gente confirma as informações.

SStephanie

Vamos lá.

LLarissa

Ele comenta no vídeo que Lúcifer só é citado na Bíblia 4 vezes, não é citado tipo 1 milhão de vezes e tudo. E aí que o Lúcifer, como a gente entende como o mal, só é citado em João. E toda essa ideia de que— e aí teve várias histórias dos anjos caídos, não tem só a história de Lúcifer que veio, tem a ideia dos Nefilins que vieram antes de, um pouco antes do dilúvio, Então tem várias histórias assim, não é uma única história. E essas histórias, se não me falha a memória do que eu vi, as histórias sobre os anjos caídos, que teve uma guerra de anjos e que Lúcifer queria tomar o lugar de Deus, não tá na Bíblia, tá em livros apócrifos. Então é só isso que eu queria deixar aqui.

SStephanie

Uma coisa que a gente precisa lembrar, que a Bíblia não é um apanhado de textos que é coerente. Não é, porque na Bíblia a gente tem pelo menos 4 descrições do inferno e nenhuma bate com a outra. Nenhuma bate com a outra. São sempre versões diferentes, não é nem do mesmo lugar, porque eles às vezes nem chamam de mesmo lugar. Então a gente não pode encarar a Bíblia como esse texto coerente esse texto que foi, que é um livro sagrado enviado divino, tudo mais, porque tem muita falha, tem muito erro, tem muita falha de continuação, tem muito tudo.

IIgor

A gente sempre tem que ter em mente que é um livro que foi escrito primeiro, que não começou escrito, começou com tradição oral, depois foi escrito por várias e várias pessoas em épocas diferentes, depois traduzido por várias e várias pessoas em época diferente. Se hoje a gente vai traduzir uma música, a gente já perde sentido se a gente não traduzir direito. Imagina esse tipo de coisa.

SStephanie

Eu achei as minhas notas sobre o inferno na Bíblia. Se vocês quiserem que eu fale mais alguma coisa, por favor. Então, na Bíblia, a gente tem o Sheol O Hades 1, o Hades 2, que seriam o Hades mas com duas descrições diferentes, Guerrina e Tártaro. O Xiol, ele é quase como um estado de depressão, ele não é nada muito mais do que isso assim. Ele é um lugar de castigo para o ímpio, a própria sepultura de todo homem. Um estado de existência desencarnada da alma.

Então uma coisa assim bem mais psíquica nesse sentido. E aí a gente tem o Hades 1, que é na parábola de Rico e Lázaro. O Hades significa um lugar de tormento para os ímpios também. Né, mas nesse caso pode ser traduzido como inferno. E o Hades 2 aparece no livro do Apocalipse em 3 passagens diferentes, que significa o estado da morte representado no sentido figurado, como se fosse um lugar ou uma personificação de um lugar ruim.

Aí a gente tem a Guerrina, que é uma terra do fogo eterno, onde sai fogo do chão, e onde é meio que como um lixão assim, onde lixo, corpos, gás butano, vermes, toda essa coisa. E aí por último tem o Tártaro, que é uma uma revivência, uma ressurreição que o apóstolo Pedro faz da mitologia grega, que é também representada na Ilíada de Homero como sendo uma prisão destinada aos deuses abaixo do Hades. E é isso, essas são as descrições que a gente tem na Bíblia do inferno. Devem ter mais, provavelmente, mas essas foram as que eu localizei.

LLarissa

Ou seja, nem eles entram em consenso, porque assim, gente, a Bíblia é uma junção de muitas coisas. Não é um livro que foram meia dúzia de pessoas combinaram, ah, você escreve isso, você escreve aquilo. Não, nada foi combinado, na verdade. Na verdade, tudo foi juntado depois de um jeito que as pessoas julgaram que tava certo.

IIgor

Então é muito baseado em interpretações e reinterpretações. Então existe um trecho da Bíblia, não vou lembrar qual livro que é, que fala sobre a queda de um rei da Babilônia, e posteriormente isso foi interpretado como a queda de Satanás, como anjo caído. Então assim Não é nada literal.

LLarissa

E é bom a gente lembrar, gente, que essa ideia do bem e do mal é uma visão cristã do nós contra eles, de que o que é ruim da nossa vida ela é automaticamente ruim e não uma consequência automaticamente má, mas não uma consequência de ações pessoais ou fatores internos. E é muito fácil transferir as suas dificuldades, suas dores, suas agonias para um inimigo imaginário. É mais fácil do que você enxergar a realidade dos fatos. Assim, não quero que isso pegue mal para nenhum ouvinte, mas a gente não tá aqui para passar a mão na cabeça de ninguém.

Brincando, gente, assim, não brincando, mas assim também falando a verdade, mas sem querer que doa nas pessoas. Não dá para a gente passar achando que tudo é uma culpa de um inimigo imaginário, de um inimigo que tá aí querendo causar o mal o tempo todo. E essa visão, ela é muito cristã, porque ela, essa visão desse antagonista, né, desse mal que vem para te afetar, ela é muito necessária para as religiões cristãs, para elas se perpetuarem, para elas se manterem.

E isso acaba apoiando, como a gente citou lá no comecinho, o comportamento de ataque a outras religiões. E a religião, gente, ela é um fator cultural e é um fator de escolha. Então a gente não pode querer impor a nossa visão de mundo e a nossa religião pro coleguinha. A gente não pode.

SStephanie

É uma coisa que eu acho interessante nessa discussão sobre bem e mal, é porque as pessoas sempre pensam no bem para elas e no mal para elas, e nunca pensa que o bem relativo delas pode ser o mal relativo do outro. E aí, como é que a gente fica? Porque, por exemplo, vamos supor, eu peço a Deus para passar num concurso Só que para eu passar nesse concurso, alguém vai ter que ser reprovado, e isso vai ser o mal para aquela pessoa.

Então como é que você faz? Como é que você lida com isso? É o bem para você? É o teu bem que importa? E eu acho que ainda é muito relativo também essa coisa do bem e do mal. Quando você pensa, por exemplo, ah, tem uma pessoa uma pessoa que está fazendo mal para toda uma comunidade e eu vou desejar que ela quebre uma perna, que ela fique paraplégica. Se eu tiver desejando isso, eu vou estar fazendo mal, teoricamente. Mas se aquela pessoa tá fazendo mal para uma comunidade inteira, não seria fazer o bem para a comunidade inteira que vai se livrar disso?

Então Então é tudo muito relativo. Essa discussão do bem e do mal é interminável. A gente pode passar horas, dias, semanas, meses, anos discutindo e não vai chegar em algum lugar.

LLarissa

Então é muito complicado realmente você partir de uma perspectiva cristã para analisar a questão do bem e do mal, ainda mais que em outras religiões e culturas é tudo muito cinzento. A gente tem até o conceito do yin e yang, que nada é só preto preto, tem sempre um branco, ou nada tudo branco branco, sempre vai ter um preto. Então, porque tem até aquele conceito, né, de que todo mundo tem a sua sombra. Então, porque nada é luz, se a gente tem luz, a gente tem sombra.

Então é, em outra outras culturas e outras religiões, é tudo muito cinzento. Não é, não existe o bem pelo bem, o mal pelo mal. Então é tudo uma convenção social, é uma convenção cultural e contemplando, esqueci a palavra, era complementando o que Contemplando é ótimo, mas ok.

IIgor

E faz muito sentido isso, porque se a gente pegar religiões e mitologias antigas, essa questão de coisas ruins tava muito mais associada a um desequilíbrio natural, igual a Alice falou, a um desequilíbrio natural entre os humanos, a natureza e os deuses. Então, tipo assim, se eu tive uma má colheita, é porque eu fiz uma coisa, eu ofendi aquela divindade de certa maneira. Se acontece uma enchente, não, porque a gente não fez tal coisa e ofendeu aquela divindade.

Com cristianismo, isso toma um aspecto muito mais moral da sua conduta pessoal no dia a dia, e não é associado mais a um equilíbrio, mas é muito mais de tudo que a gente volta muito naquela questão que a gente já contou antes, criptocasts, dessa noção de bem e mal da Patrícia. Da igreja, que tipo o mal é tudo aquilo que Deus não toca. Então se algo ruim acontece na sua vida, porque você tá se afastando de Deus. Então isso vira muito, não vira mais um equilíbrio entre você e a natureza e a divindade, vira uma questão moral, é de conduta do dia a dia.

Se você não segue aquele dogma, você tá se afastando de Deus. E isso só foi de questão de de Áreas Cinzentas, se você pegar algumas outras religiões, não é que existe uma figura boa e uma figura ruim, mas todas as divindades são acessíveis. Então uma divindade ela pode fazer bem e mal ao mesmo tempo, não existe isso de tais são boas e tais são ruins.

SStephanie

Você falou uma coisa que me lembrou muito Uma vez que eu fui numa igreja evangélica, eu não vou falar qual, não vou falar onde, mas nessa igreja evangélica o pastor falou: se você questiona— era um galpãozão assim enorme— e o pastor falou: se você questiona essas câmeras que estão aqui, essas câmeras que estão transmitindo a minha palavra, para tantas outras pessoas, você está se afastando de Deus. E aí eu fiquei, oi, como assim? Nunca mais fui na igreja, né, obviamente.

IIgor

Não, e é muito interessante, a gente assim, eu sei que para alguns ouvintes isso possa soar como, ah, é uma crítica específica a cristianismo e tal. Mas é muito interessante olhar para isso, porque quando a gente olha para a antiguidade, a gente vê como a Bíblia e religiões, e sobretudo cristianismo, porque é uma religião muito hegemônica, ela foi reinterpretada. E a gente tá vendo nos dias de hoje como tá sendo reinterpretado de novo.

Conceito que a gente tinha de Deus, de diabo, de um período lá da antiguidade, é totalmente diferente do período da Idade Média, já é totalmente diferente o que que tem hoje e vai ser diferente amanhã, porque a gente tá o tempo todo reinterpretando isso.

LLarissa

A sociedade ela vai mudando, eu não vou falando evoluindo, ela vai mudando, porque a evolução é tecnológica, as outras coisas já não sei, mas a sociedade ela vai mudando e aquilo que é bom e o que é ruim, entre muitas aspas, para aquela sociedade ela vai mudando de acordo com o passar dos anos e das eras. Então, essas, a forma como a sociedade vai se organizando de acordo com o seu tempo faz com que ela mude a forma como ela vê e como ela incorpora a religião nela, né? E como a religião vai ser importante ou não para aquela sociedade.

SStephanie

O anticristo, assim como Deus enviou seu filho para livrar os homens de seus pecados, o diabo, como um grande rival de Deus, não ficaria de fora. E claro que também enviaria um filho seu para o mundo, ou podemos dizer filhos. Na Bíblia, no livro de João e Tessalonicenses, é onde temos as citações ao anticristo, que já vieram muito muitos anticristos e que ainda virão mais. O curioso dessa é— o curioso é que essa figura do anticristo mudou ao longo do tempo, pois não existia uma figura central como anticristo, e sim uma categoria antagônica de pessoas não adoradoras de Deus.

Ao longo dos anos, Gerações posteriores da igreja passaram a centralizar essas citações em uma figura individual.

IIgor

Essa, essa parada do anticristo para mim é muito legal para a gente poder exemplificar essa questão de interpretação, porque essa figura do anticristo centralizada no indivíduo que vai retornar e herdar o trono de luz, ela foi muito reinterpretada, porque na Bíblia não existia essa figura central como que a Stephanie falou, você tinha essa, tipo assim, as pessoas não adoradoras a Deus eram anticristo. Uma figura muito importante para dar essa interpretação centralizada é o Irineu de Lyon, que era um bispo da França, né, de Lyon, se eu não me engano do século 2, que ele vai ter essas reflexões centralizando essa figura, esses conceitos em uma figura.

E aí a gente vai ter muita coisa aí Quando pega a Reforma Protestante, eles começam a associar o anticristo com o Papa. E é isso, gente, salada.

LLarissa

Você falou do anticristo ser o Papa. Eu, quando eu tava na faculdade, quando o João Paulo morreu, João Paulo II assumiu o— quem que foi depois do João Paulo?

IIgor

Bento XVI.

LLarissa

Não, depois do Bento XVI, desculpa, Francisco. Obrigada. Quando o Bento Bento XVI largou mão, eu tava na graduação. Que horror! Agora a idade bateu um pouquinho. E aí o Papa Francisco virou o Papa. Aí eu lembro de uma amiga que virou para mim, Larissa, você sabia que esse Papa é o anticristo? E aí eu lembro que eu ouvia, foi que E ela é, está na Bíblia. Aí eu, ah, entendi. Eu, onde? Ela é porque na igreja, porque você vai ver que ele vai destruir a Igreja de Cristo, não sei o quê.

Eu entendi, ok. Aí eu lembro que quando ele começou, né, tipo, apoiar casais homofetivos e tudo. Aí eu só lembrava dessa minha colega assim, ó: é bem que ela falou mesmo, né, que ele ia destruir a igreja. Mas eu acho que não era nesse sentido que a galera tava esperando. Mas eu achei bem curioso assim, só lembrei dessa história quando o Igor falou que o Papa era o anticristo.

SStephanie

É porque a Igreja Católica ela depende muito do messianismo, né, Jesus. O Messias. E depende muito do messianismo. E se não ficar nessa de, ah, ele é o próximo anticristo, não tem igreja, não tem, não tem futuro, não tem aonde pavimentar o chão para seguir, sabe?

LLarissa

E volta naquilo que a gente tava falando, que no lugar da igreja seguir meio que os próprios ensinamentos, né, de olhar para aqueles que que tem menos, né, para os desafortunados, de ajudar as pessoas, de estar ali como um apoio para comunidade, está ali mais para vender uma fé, né. Então queria dizer que tem um jogo chamado Lucius, e no jogo você é o anticristo. Você joga como, inclusive, esse jogo ele é muito polêmico Ele foi banido em vários países porque no jogo você é uma criança e você tem um controle e poder total sobre as pessoas, assim uma coisa meio a profecia, sabe?

Então ele é uma você é uma criança má no jogo e aí como é uma criança que mata, que faz coisas ruins, foi um jogo super polêmico. Pouco assim na época, mas saiu um segundo jogo ainda. Então se sair um segundo jogo, quer dizer que as pessoas gostaram do primeiro para ter saído um segundo, né?

SStephanie

Elas não contaram para ninguém, mas elas gostaram, provavelmente.

LLarissa

E só a título de curiosidade, o jogo é de 2012 e foi desenvolvido pela Shiver Games. O segundo, o segundo é a mesma desenvolvedora, mas ele é de que ano? 2000, ele foi anunciado 2014, mas lançado em 2015. Inclusive, estava falando, Igor, do anticristo, dessas várias figuras na história da humanidade. Foram várias figuras, a pessoa se espantava um pouquinho assim, fazia tipo o próprio Hitler era considerado um anticristo. Então assim, muitas figuras foram figuras proeminentes na história fazendo coisas ruins ou não foram consideradas e chamadas de anticristo.

IIgor

Toda hora aparece um novo anticristo, toda hora.

SStephanie

Daqui a pouco, meu favorito é aquele de Curitiba que anda com um secto.

LLarissa

Eu nem sabia que tem um anticristo em Curitiba.

IIgor

Mas se tiver um lugar para— desculpa aí, Stephanie. Pode ser que você daí, mas tiver um lugar para aparecer o anticristo é em Curitiba ou São Paulo, cara.

LLarissa

Só pode ser aqui. O Def não fica muito atrás não, fica verdade. Distrito Federal tá assim, ó. Já tem o Henri Cristo, pô. Henri Cristo mora na onde hoje? Eu sei que ele morava aqui perto, aqui no Gama, um tempo atrás, mas não sei mais.

SStephanie

Não é esse mesmo, gente, é o Henri Cristo.

LLarissa

Desculpa.

IIgor

Henrique Cristo. Ah, cara, o Henrique Cristo é uma das paradas tipo assim que só o Brasil consegue produzir, cara. Existe um nível de criatividade assim que só o Brasil consegue criar, e o Henrique Cristo é um deles, cara.

LLarissa

E tem as Henriqueetes.

IIgor

As Henriqueetes.

SStephanie

Quando eu falei de secto, era isso, uma galera seguindo ele, e ele tem tipo Casa alugada e todo o ritual e todo o negócio assim.

IIgor

Eu acho que se houver, se houver ao longo do tempo uma perda, sei lá, uma extinção em massa, e depois a civilização voltar, eles começarem a descobrir a história antiga, e aí quando chegar no Brasil vai ter tipo assim de Henri Cristo aí Bom, gente, agora que falamos de inferno, diabo, anticristo, tá faltando a gente falar também sobre pacto demoníaco, ou melhor, pacto fáustico. Frequentemente vemos em muitas histórias que a figura do diabo está associada à busca de conhecimento, poder, riquezas, mulheres, mansões, iates e até mesmo vida eterna.

Essa troca na literatura é conhecida como pacto fálsico, onde o diabo invariavelmente vai pedir algo valioso em troca, ou seja, sua alma, ou até mesmo a alma de um ente querido, não necessariamente a sua. Ou seja, você terceiriza, você é um fiador, entendeu? No livro O Retrato de Dorian Gray, escrito por Oscar Wilde, o Dorian realiza uma troca diabólica em busca da beleza eterna, mas não é o mais antigo, né? A gente sabe que isso surgiu com Goethe, mas se eu não me engano existe o Faust-Bur, que é a primeira menção do, do, dessa figura do Doutor Fausto, que na verdade não era nem o diabo, era um meio que um feiticeiro, uma figura mística que realizava desejos em troca de de algo valioso da pessoa.

LLarissa

Essa ideia, ela é muito vista na literatura, né? E não necessariamente com o diabo, mas essa troca, né? Tipo, trocar algo valioso por outra coisa valiosa, né?

SStephanie

Querendo ou não, tem um filme muito bom de 1974 que se chama Sugar Hill, e desse filme é uma moça que o namorado morre numa briga de gangue e ela quer vingar a morte do namorado dela. E ela vai atrás do Papa Legba, que é uma entidade do Haiti, né, uma entidade do vudu, mas que também tem as suas proximidades com essa ideia do imaginário popular de diabo. E ela, e ele pede em troca o corpo dela. E aí eu acho muito legal, eu vou contar o final porque, gente, a filme é de 74.

No final ela dá o corpo de uma mulher branca em troca do corpo dela mesma. Então tem super um comentário racial em cima disso. Até porque é o Papaga Legba e tudo mais, é um filme de blaxploitation. Mas eu acho muito legal essa ideia de pacto. E eu acho que é um bom exemplo de imaginário popular que coloca esse pacto com o corpo de outras pessoas, com algo que está em posse de outras pessoas.

LLarissa

Que massa! Inclusive, a gente ainda vai gravar um episódio sobre blaxploitation. Ainda tá na nossa lista de desejos, vamos assim colocar, nesses desejos para gravar, que é um tema maravilhoso para a gente falar. A Xuxa fez um pacto.

IIgor

Isso aí tá outra coisa muito presente, igual a gente falou do anticristo, que toda vez aparece um anticristo novo, tá? E outra coisa, toda vez que aparece uma figura proeminente, essa figura tá associada ao diabo, ela fez um pacto, a gente vai ter desde Paganini até a Xuxa fazendo pacto com o demônio.

LLarissa

Tinha um artista, o pessoal associava com um artista do rock assim, tem muitos, eu acho que era do blues, é o Robert Johnson. Obrigada.

IIgor

É o Robert Johnson, assim, existe uma aura absurda em volta dele relacionada a isso porque Existem muitas coisas que são de fato mentira, tipo, a galera inventa, tipo, que ele fazia acordes de costas para ninguém ver, porque senão iam ver os acordes do pacto dele e tal. Mas existia uma aura também muito grande porque ele foi um artista que fez muito sucesso em pouquíssimo tempo, morreu muito jovem, se eu não me engano ele faz parte aí do clube dos 27, tem pouquíssimas fotos dele.

Então é um cara cheio de, assim, cheio de mistério. Inclusive, a Stephanie trouxe um filme cheio de cultura tal, eu vou trazer um filme mega que é o Crossroads, que é o filme mega blockbuster assim, diferente do que a Stephanie trouxe, que trouxe muito contexto, história. Que esse é o filme de cinema mesmo, que é com Ralph Macchio, que é o que fez Karate Kid. E esse filme tenta fazer uma alusão, ele se conecta esse imaginário assim do Robert Johnson e tal.

Inclusive, é, nesse filme tem o Steve Vai, cara. Esse filme é muito cultura pop.

SStephanie

Ai, gente, o Steve Vai ninguém merece.

LLarissa

E eu tava falando para o Ico, quando eu era mais nova eu sempre esquecia o nome do cara, Steve Vai, e eu falava, ah, o Kevin E as pessoas, não, Steve Vai, Larissa. E aí eu inverti, eu trocava.

SStephanie

Steve Vai, Wing Malmsteen, Joe Satriani, esses aí podem, esses aí tem pacto, é certeza.

IIgor

É engraçado porque essa questão do pacto, ela é uma das paradas assim ela foi muito replicada assim. Ela existe lá desde o século 16, essa questão do pacto falso, mas no cinema isso foi replicado tantas e tantas e tantas e tantas e tantas vezes. É uma parada impressionante assim como isso foi replicado, porque a gente tem desde a década ali de, sei lá, de 40 vai ter filme. Eu tô olhando aqui, ó, The Devil and Daniel Webster. Tem um filme chamado Fausto que é tenta adaptar a obra lá de Goethe. E você, cara, não para de sair filme de pacto demoníaco, é impressionante.

LLarissa

Não é muito fácil, pô. O próprio Advogado do Diabo, se a gente parar para ver, é como se fosse um pacto. Ele só não sela um pacto verbalmente, mas ali nas ações.

IIgor

Na verdade, são duas coisas que juntam: pacto e o anticristo. Porque o Keanu Reeves, ele é filho do Al Pacino. Ai, verdade, eu dei um spoiler aí, mas o filme é da década de 90, então o povo se lute.

LLarissa

Eu tinha esquecido dessa parte.

IIgor

Esse filme, eu adoro esse filme lá, ele nunca tinha assistido, eu fiquei maluco para assistir, porque esse filme para mim é o Al Pacino assim sem coleira, cara, é soltar a coleira dele e falar, vai, garoto, vai, vai.

LLarissa

Aí a gente começou com Poderoso Chefão, aí depois a gente assistiu Advogado do Diabo.

SStephanie

Foi sequência.

LLarissa

É, o Al Pacino realmente um ator assim. Agora eu tenho que assistir Taxi Drive, é bom também. E aí, Igor, Tenacious D, Peak of the Destiny, aquele filme lá do— é um pacto fáustico.

IIgor

Eu amo aquele filme, é foda, né? Porque eu não lembro como que começa a história da Peak of Pick of the Destiny? Qual foi a primeira coisa?

SStephanie

Eles, o personagem do Jack Black, ele vai olhando várias revistas, e daí nessas revistas ele vê que todos os grandes guitarristas estão, tem essa Pick of the Destiny. E aí ele vai na loja para pedir para o atendente da loja, e o atendente da loja é algum metaleiro famoso no nosso mundo. E aí eles conseguem a paleta porque a paleta tá lá no Museu do Rock.

LLarissa

Eles não roubam?

SStephanie

E aí com essa paleta eles conseguem duelar com o diabo, ganham do diabo e viram famosos.

LLarissa

Esse filme é maravilhoso, maravilhoso.

SStephanie

Pode ser que eu tenha assistido mais de uma vez esse filme.

IIgor

É porque eu tava, eu não lembro, porque eu sei que o primeiro que teve a Peak of Destiny foi tipo uma parada, sabe, pique flautista de Hamelin, um negócio assim muito, muito antigo. Eu queria lembrar como que surgiu, eu não lembro.

LLarissa

Foi um filme também que eu assisti com o Igor, mas eu via na adolescência, eu só via pequenos trechinhos no YouTube, eu nunca tinha visto o filme inteiro assim. Aí Foi, achei filme maravilhoso assim, divertidíssimo, muito bom.

SStephanie

Inclusive, gente, o diabo é o Dave Grohl.

IIgor

Eu tava comentando com a Larissa aqui que eu acho que a capa do filme tinha que ser o diabo do Dave Grohl fazendo a capa do Criptocast.

LLarissa

Mas é o meu diabo favorito, a gente nem tá falando disso, mas o meu diabo favorito é o do Tim Curry no filme A Lenda com o Tom Cruise.

SStephanie

Eu amo, gosto muito do Tim Curry também.

LLarissa

Maravilhoso. Não, primeiro que ele é muito performático, Tim Curry, e vai ter filmes de terror maravilhosos com ele, como aquele Rocky. Tem ele no It. Eu acho o It do Tim Curry maravilhoso. Nada contra o novo It, gosto muito, mas o It do Tim Curry tinha uma vibe de ruim, e ele nem precisava fazer cara nenhuma. Era só ele estar ali, ele era o mal personificado assim. E ele como Diablo em Além da também é maravilhoso.

IIgor

Exatamente.

SStephanie

Meu personagem favorito do Tim Curry é o Dr. Frank-N-Furter de Rocky Horror Picture Show, que é um filme de 70 e poucos, musical de terror.

LLarissa

Horror.

SStephanie

E assim, as pessoas: nossa, como é que esse é seu filme favorito? Porque não é de zumbi. Eu falo: olha, desculpa, a gente não controla o coração.

LLarissa

Exatamente. Inclusive, a gente ainda vai gravar também um episódio sobre musicais de horror. Esse está também no nosso coraçãozinho para a gente gravar em breve, porque vai ser um episódio massa. Que para as pessoas verem que sim, gente, tem musical de horror também. Horror também pode ter musical.

IIgor

Bom, pessoal, assim, era para ser uma introdução, mas a gente já foi desenvolvendo o assunto porque é assim que a gente faz, é desse jeito. E agora, no lugar da gente fazer igual a gente já fez em alguns Criptocast, que é de listar várias obras onde aparece diabo, anticristo e tudo, na verdade a gente preferiu que a gente escolhesse algumas obras para a gente poder falar, onde a gente tem mais profundidade, que a gente acha mais importante.

Então a gente vai tentar discorrer um pouco sobre essas obras e assim o impacto delas aí na cultura pop.

SStephanie

Bom, gente, meu filme é The Witch, A Bruxa, de 2015, do Robert Eggers. É o primeiro filme desse, desse diretor. E assim, eu acho que Esse filme, no que tange ao diabo, tem tudo. Tem bebê furtado, tem pacto, tem assombração, tem tudo. Eu amo esse filme.

LLarissa

Esse filme é maravilhoso em tantas camadas, assim. Eu lembro que eu assisti ele no cinema e depois assisti ele sozinha, assistir acompanhada. E eu, gente, mas esse filme é muito— toda vez que você assiste parece que você repara uma coisa nova, sabe? É um filme muito bom, muito bom assim. Ai, tudo, né, cara? A fotografia dele é belíssima. E eu acho que o único erro dele, e não é do filme, é da galera, é da produtora, porque a produtora é responsável pela divulgação dos filmes.

E aí quando divulgaram os filmes, ou divulgou o filme, e tinha lá o filme mais aterrorizante dos Estados Unidos, aí as pessoas foram no cinema esperando assistir, sei lá, Bruxa de Blair. E eu lembro o quanto as pessoas saíram decepcionadas da sala de cinemas, e eu saí assim, gente, mas esse filme é maravilhoso, esse filme é incrível! Como as pessoas não estão vendo o terror dele? Ele é aterrorizante sim, mas as pessoas estavam esperando ver um jump scare do James Wan.

Então assim, infelizmente a publicidade dele foi o que levou as pessoas de forma errada para o cinema na época, mas eu acho esse filme assim primor.

SStephanie

Ai, gente, mas a cena final para mim é do diabo se transformando em pessoa para convencer conhecer a menina, assinar o pacto. Caralho, aquilo ali é, ó, chef's kiss!

LLarissa

O Black Phillip e os gêmeos cantando Black Phillip, Black Phillip, Black Phillip. Cara, é maravilhoso assim tudo. E eu gosto o quanto a menina é sempre A adolescente, né, é sempre a coisa ruim, né? É ela que tá trazendo todas as coisas ruins para dentro de casa, né?

SStephanie

Então é uma mulher indomada, né? Lógico que ela seria coisa ruim.

LLarissa

Eu acho que sim, cara. Assistam esse filme, por favor, ouvintes, vão assistir.

IIgor

Eu acho que o primoroso desse filme é como a figura do diabo é presente o tempo inteiro sem aparecer, cara. Isso para mim é genial, assim, é genial. Você tá o tempo todo, sabe, sentindo, olhando assim por cima do ombro, ver se tem alguém ali, porque é surreal a atmosfera do filme, como ela consegue criar isso, cara.

LLarissa

O Robert Chadwick é que se pronuncia assim. Aí agora ele fez o Nosferatu, que também ele fez o Farol também, que é um filme excelente com Edward Cullen e o Willem Dafoe, né, com ele também. Inclusive eu preciso muito assistir o Farol e assistir Nosferatu, cara, que filmação! A gente assistiu ano passado, início desse ano.

IIgor

Esse ano, esse ano, esse time de galera aqui no Discord, inclusive, né?

LLarissa

A gente fez cineminha. E cara, que filmaço também! Então, diretor que vale muito a pena acompanhar o trabalho dele. Vai ganhar aí Combo do Terror igual o Mike Flanagan. Deixa ele ganhar, fazer mais um pouco de obra, aí a gente—

SStephanie

ele vai lançar um de lobisomem daqui a pouco, no final desse ano.

LLarissa

É, sai no finalzinho desse ano, tá para vir aí, ouvintes.

IIgor

Lobisomens na cultura pop tá para vir aí, uma hora sai.

LLarissa

Deixa sair o filme do Robert Eggers, aí a gente faz o quê? Já cita o filme, vê se o pessoal, pessoal assistindo.

IIgor

Eu peguei 3 obras aqui porque uma vai puxar a outra. Primeiro, que eu acho que é importantíssimo a gente falar, que é A Divina Comédia. De Dante Alighieri, porque essa foi a primeira obra que deu uma dimensão visual de inferno. Inclusive, eu recomendo muito que vocês vão, os ouvintes, a gente pode colocar aqui no post algumas, mas que vocês vão atrás das ilustrações de Gustave Doré, que são absurdas assim, são belíssimas, belíssimas, belíssimas, sobre figura do figura do inferno, a figura da queda do Lúcifer.

Para mim é o estilo de ilustração que eu mais amo, que é rachura. Então eu realmente acho muito, muito bonito. E a Divina Comédia, como eu falei, foi a primeira obra que trouxe essa dimensão visual do inferno. Igual a Stephanie falou lá atrás sobre as várias facetas e conceitos que o inferno tinha na Bíblia, e o Dante Alighieri tenta dá uma visão, trazer uma arquitetura para isso, falar sobre níveis de inferno e tudo. Então acho que é uma obra muito importante para esse sentido, esse conceito que a gente tem de diabo, que a gente tem hoje, de inferno que a gente tem hoje.

Sobre filmes, eu acho que um muito importante é O Bebê de Rosemary, porque O Bebê de Rosemary foi o primeiro filme que trouxe para o cinema a questão de cultos satânicos. Para quem não sabe, o filme, ele, ele é sobre uma família que a mulher engravida, e aí começa a ter toda uma trama de que— eu vou dar spoiler, gente, porque o filme é muito antigo, ele é da década de 60, 70, se eu não me engano. E aquilo ali tudo começa a culminar de que a gravidez dela fosse fruto de um culto, fosse algo realmente planejado por um culto satânico, o marido envolvido e tudo.

Então foi a primeira vez que isso surgiu nos cinemas, a figura do diabo cultuada assim. E é um filme, inclusive é um filme que tem até famoso, que a galera tem uma memória inventada, sabe, tipo, sobre esse filme, que são sobre os olhos do bebê. Os olhos do bebê não aparecem no filme, mas muitas pessoas dizem que lembram dos olhos do bebê. É tipo os do Star Wars, que o Darth Vader falar que eu sou seu pai. Ele nunca fala isso, mas é uma memória inventada que a gente tem.

E o terceiro e mais importante desse filme, que saiu depois do Bebê de Rosemary, é O Exorcista. Por que que eu trouxe O Exorcista? Porque O Exorcista é o primeiro filme— ele não usa isso de fato, mas é o primeiro filme com temática sobrenatural que tem o apelo de baseado em fatos reais. Ele não traz isso, ele não é um mote no filme assim, não aparece no começo baseado em fatos reais igual O Exorcismo de Emily Rose, mas ele foi de fato baseado em um suposto caso de possessão de um garoto.

E é um filme que foi extremamente impactante, extremamente, extremamente assim. Os efeitos práticos do filme são absurdos. Então muito foi por causa disso que ele, que ele foi que ele foi tão importante para o cinema. E é um filme que traz pela primeira vez essa questão tão gráfica e visceral da possessão demoníaca, o diabo como uma entidade que possui e destrói a vida da pessoa, não de maneira, não de, não num sentido moral, de igual lá o Filho do Capeta do Hermes e Renato lá, mas sim de uma, é uma degradação física do corpo, uma degradação física do ser humano.

Não é uma questão da conduta de vida da pessoa, como a gente comentou aqui. Ela é literalmente transformar, destruir a pessoa. E é isso. Inclusive, Exorcista, para mim, tem uma das melhores capas de filme de terror assim que eu acho. O filme, gente, ele é um filme muito assim, só dá um contexto, a gente tem no imaginário, já que sobre sobre o que é O Exorcista, mas é um filme muito mais centrado no padre, tá? Assim, o diabo, ele é, ele é a ferramenta principal ali da história de promover o roteiro, mas é muito centrado na questão do padre, da fé do padre e de dúvida que o padre tem na vida.

E é isso. Então Divina Comédia, O Bebê de Rosemary, O Exorcista, acho que são 3 obras extremamente importantes para essa questão de inferno, anticristo e diabo.

SStephanie

Sobre a Divina Comédia, a parte que eu mais gosto é porque em determinado momento, eu não lembro em qual anel do inferno o Dante Alighieri coloca, mas tem um que é os burocratas. E isso me lembra muito a Maria da Conceição Tavares.

LLarissa

Os burocratas! Eu amo!

SStephanie

Eu amo essa parte porque eu já tinha o repertório da Maria da Conceição Tavares quando eu li A Divina Comédia. Então assim, para mim foi tipo, o do bebê de Rosemary eu gosto porque aquela coisa que a gente tava falando um pouco antes sobre negociar a alma de alguém, né? É o cara que tá envolvido no ritual Mas é a mulher e o bebê que sofrem. E O Exorcista, o que eu acho interessante no Exorcista em especial é aquela cena que a garotinha tá se masturbando com crucifixo, porque aquela cena demonstra tipo como a mulher é o mal, como a mulher faz o mal através de símbolos religiosos.

Então, esses eram os meus comentários sobre as suas obras escolhidas, e eu acho que a curadoria foi sensacional.

LLarissa

E inclusive como a sexualidade da mulher é o mal. Então, cara, maravilhoso esse ponto.

IIgor

Dá para fazer uma leitura aqui de uma lista de vários filmes e obras onde quando o homem ele acessa o mal absoluto dele, ele tende à violência, e a mulher tende à promiscuidade. É sempre representado assim, sempre, invariavelmente.

LLarissa

Eu queria também fazer alguns comentários sobre a Divina Comédia. Eu queria indicar o jogo Dante's Inferno. O Igor começou a jogar hack and slash, gente, é tiro, porrada e bomba, é só sair dando porrada, porrada, porrada, porrada, porrada. E eu queria dizer que um dos ciclos, os ciclos mais legais do Dante's Inferno, que é tipo uma releitura da Divina Comédia, mas é um jogo, e ele é muito mais violento assim, não é nada bonitinho como assim Dante visitar e tal.

Não, é o Dante tá lá para descer a porrada em todo mundo. Eu gostei muito da cena onde o— acho que uma das cenas do jogo que eu achei mais interessante é a cena que o que tem aquele, aquela entidade que julga o pecado das pessoas. Então ele vai, julga e joga as pessoas para o círculo. Eu não vou lembrar o nome da figura. E aí ele cheira o pecado das pessoas, então ele pega as almas Ele vai pegando alma a alma e ele cheira aquela alma.

Então é uma figura que ela é cega, a criatura, e ele cheira. Ai, tem cheiro de, é tipo, luxúria. Aí joga. E aí, ah, ira. E ele, e ele além de julgar o pecado, ele ainda julga a pessoa, que ele, ah, então você gostava disso aqui, né? Vai para tal lugar. E é uma criatura assim, ela é muito visceral visualmente assim. Dante's Inferno é um jogo muito visceral, tudo é muito extremamente gráfico, extremamente muito gráfico. E eu queria dizer assim, estejam preparados para quando vocês enfrentarem Lúcifer no inferno.

Eu vou falar, não vou falar porque o Igor ainda não chegou nessa parte no jogo, pois eu quero ver a cara dele quando ele for ver, porque é uma parada muito chocante. Na verdade, vocês ficam aí, tá feio.

SStephanie

Acho que eu não pretendo, tô de boa.

LLarissa

E é muito, mas um jogo assim pelo menos divertido de jogar, porque é só porrada, tipo God of War e tal. Mas eu queria também fazer um comentário sobre O Exorcista. Eu acho que eu comentei isso em alguns episódios já do Criptocast. Mais antigos. Quando eu era criança, meus pais não deixavam eu assistir O Exorcista porque eles tinham medo de que eu me impressionasse muito. Então O Exorcista era um filme que era vetado, assim, não pode.

Eu só fui assistir já adulta, assim, eu já tava na faculdade quando eu fui assistir O Exorcista. E quando eu lembro de uma vez que ia passar no SBT O Exorcista, tinha direto, né, o SBT, tipo meia-noite fazia um filme de terror e tal. E aí ia passar no SBT, e eu não lembro, eu acho que deveria ser uma sexta-feira 13, porque vários canais estavam tendo programas relacionados ao terror. Então acredito que tenha sido algo assim, mas eu era muito pequena, então não vou lembrar exatamente o que era.

E aí tava passando O Exorcista, e aí eu ficava assim, eu ficava passando os canais para eu assistir o filme em pequenas cenas assim para eu burlar o sistema. Então eu ficava passando. E aí teve aquela cena que a Megan desce a escada fazendo tipo uma ponte, né, que ela desce a escada e tal. Aquela cena é muito impactante. E aí eu lembro que eu passei o canal e tava passando o programa do Jô Soares, e o Jô Soares estava entrevistando alguém que eu não sei quem era, mas eles estavam falando do filme do Exorcista.

E aí passou a mesma cena no programa do Jô Soares e eu desliguei a TV desesperada, morrendo de medo assim, muito nervosa. E a gente morava numa casa que tinha escada de madeira. O gato correu a escada nessa mesma hora, assim, tudo convergiu nesse mesmo momento. E eu nunca fiquei com tanto medo na minha vida como naquele momento. Porque eu fiquei, se você vê um barulho na porta, já era, a menina está aqui, ela veio me pegar. E aí eu lembro de madrugada eu abrindo um VHS muito devagarzinho para não acordar meus pais e colocando um desenho da Disney, indo dormir chorando com medo.

E eu não tinha medo do demônio porque eu era muito pequena, então na minha cabeça o exorcista Não era o padre que ela faz o exorcismo, o exorcista era a criatura. Eu demorei anos assim de criança para entender que o exorcista não era algo ruim, mas eu ficava, eu tenho medo do exorcista e não— mas eu queria dizer que não era do padre, era do filme Exorcista. Mas só essa curiosidade de criança.

IIgor

Ai, cara, o que eu não daria para ver essa cena de você tomando esse susto e múltiplas camadas.

LLarissa

Pobrezinha da mini Larissa, ela ficou muito assim. E a minha obra que eu quero trazer é A Profecia de 1976. Não tem como a gente não citar esse filme falando do diabo. Inclusive, a cara, assistiu 3, que é com o Sunil, e eu não vejo um casting melhor do que o Sunil com aquela cara de maluco que ele tem. Todo filme que ele faz é de maluco, tirando Jurassic Park. Mas vão assistir À Beira da Loucura. Como é que aquele filminho em português? Eu não sei, nunca sei.

IIgor

Enigma do Horizonte. Minha mãe me falou que tem possessão dele também. É absurdo, cara. A possessão, a gente vai no dia, vai no dia que você tá legal da cabeça, cara.

LLarissa

Aquele ator é maravilhoso, Sam Neill. Podia ser chamado para mais filmes assim.

IIgor

Assim.

LLarissa

Essa profecia, a gente acompanha a história do anticristo. A gente, na verdade, eu vou contar aqui o começo da história porque começa o filme já assim. E o filme é de 76, né? Acho que já tem uns bons anos, né? A gente já pode falar do filme 50 anos, então tá tudo certo. Mas no comecinho do filme a gente acompanha um casal que tá tendo um filho e teoricamente a criança nasceu morta. E aí o cara fica muito desolado, ele comenta com o padre, que eles estão num hospital gerido pela igreja, e ele: ai, padre, mas a minha esposa tava numa expectativa muito grande, a gente ouviu a criança chorar, meu Deus, não sei o quê.

Aí ele: não, ó, chegou uma mulher aqui, ela deu à luz e ela morreu. A criança tá aí, você não quer levar essa criança aqui, ó? Fala que é de vocês e tal. Aí o cara: ah, tá ótimo, tá bom. E caiu no papo do padre, né? E aí levou a criança, só que a criança era o anticristo.

SStephanie

Assim, nunca confie num padre.

LLarissa

Se o padre te oferecer uma criança, gente, não pega essa criança, viu? O que eu gostei muito do filme do anticristo é quando aparece a babá para cuidar, e o quanto ela é um apóstolo do anticristo assim, né? Então ela vem para cuidar da criança e fazer tudo para que a criança faça o que ela precisa fazer, né? E o filme todo, durante todo o filme, o pai vai— a mãe primeiro começa a tipo, tem alguma coisa muito Tem coisa errada com essa criança, não tá normal.

E é muito bom porque tem uma parada meio chamado, né, porque as pessoas tiram foto, o fotógrafo tira foto, e aí aparece na foto como aquela pessoa vai morrer. Então, como se fossem pequenos sacrifícios, né, para o anticristo assim. E é muito bom, tem uma cena que o fotógrafo vai lá falar Eu acho ótimo porque não tem um porquê que o fotógrafo é uma pessoa que vai morrer por conta dele. Simplesmente está lá e vai morrer. E aí ele vai tentar convencer o embaixador, o pai do menino, de que ele precisa— não, eu vou te ajudar.

Ali, não, esse é um problema meu, você não tem que— sim, não tem que— como é que fala? Você não tem que vir aqui me ajudar. Ali, não, não, eu preciso sim. E ele mostra que ele também vai morrer, ele mostra uma fotografia E aí ele: eu também vou morrer, então eu também estou entre as pessoas que vão morrer. E tem o uso de cães, essa, os cães que são tipo Rottweilers, não sei a raça daquele cachorro, mas acho que são. E tem a cena em que ele pode contar, né, gente?

Tem a cena que eles encontram, eles vão até Roma para descobrir aonde que tá o corpo da mãe do menino, porque ele não, eu preciso descobrir. Aí ele descobre que assim que eles saíram do hospital, o hospital pegou fogo e todos os documentos foram embora. Aí ele vai atrás do padre que entregou o neném para ele, o padre tá catatônico, e aí ele vai atrás da onde tá enterrada a mãe do menino e descobre que o filho dele tá enterrado lá também.

Aí ele descobre que mataram o filho dele. Não, filho dele não morreu, não nasceu morto, então não foi um nativorto. Ele mataram a criança. E aí quando eles abrem a lápide da mãe, é um animal.

IIgor

Então é um chacal, se eu não me engano.

LLarissa

Então a criança não nasceu de um ser humano, sabe? Aí tem toda essa essa mística, né, sobre como nasceu o anticristo.

SStephanie

Gente, que loucura! Eu amei, quero assistir já.

LLarissa

Você tava insistindo, a profecia, acho que você vai curtir, é bem, bem legal. Eu amei a trilha sonora e eu amo o conceito de crianças com assim, amo, amo ver, mas eu não faria isso com os meus filhos. Mas tem uma cena da criança, o ator pequenininho no zoológico. Gente, colocaram uma roupa mega de adulto no menino, é muito estranho ver uma criança andando com terninho assim, tipo ele andando durinho. Aí eu quero, coitadinho do menino, tipo.

Mas eu acho que é década de 70, acho que era isso assim, sei lá. As roupas de criança deviam ser roupas de adulto em miniatura, apesar de que tem pais que fazem isso com suas filhas até hoje. Não precisa adultizar as crianças, tá, gente? Off topic. Deixa as crianças, criança, deixa vestir com roupa de criança. Mas é muito engraçada essa cena porque o menino tá assim com terninho todo andandinho assim, dá dó dele. E aí tem a cena que ele tá no zoológico e assim que ele vai ver as girafas, as girafas saem correndo.

Eu queria muito saber como eles espantaram as girafas, como é que eles fizeram isso. Eu espero que não tenha tido maus-tratos, mas a década de 70, eu espero qualquer coisa. Mas as girafas saem correndo no zoológico assim, elas saem desesperadas, e eu fiquei com muita dó das atrizes girafas assim. É só um detalhe, tipo, que elas saem correndo e eu fiquei com dó das bichinhas. Mas é um filme incrível, um filme muito bom. Eu quero muito assistir o 2 e o 3 agora, é o meu próximo objetivo.

Cinematográfico. E assistiu Anticristo do Lars von Trier também, tá na minha, na minha wishlist de filmes, próximos filmes. Então fica a minha indicação. Não, esse é o meu, o filme que eu trouxe para o debate.

IIgor

Eu sei, assim, eu sei que a gente falou de não trazer muitos filmes, mas eu acho que tem um filme que é muito importante falar aqui, só pincelar ele aqui, que é O Além da da década de 80, que assim, esse filme não é filme de possessão, é um filme de fantasia e tal. Ah, sim, é, eles falou que nem é de terror o filme. Mas esse filme é a primeira vez que a gente tem essa figura do diabo vermelho de chifre gigante e tal no cinema.

Assim, pode ter filmes menores, talvez a gente tá, talvez não seja a primeira vez, mas de maneira como blockbuster assim. No cinema mainstream, é a primeira vez que a gente tem. E quem fez foi, como a Larissa falou mais cedo, o Tim Curry.

LLarissa

E tem o Tom Cruise muito novinho assim, ele é muito jovenzinho quando ele fez esse filme.

IIgor

É uma obra também que é muito importante assim, principalmente por ter sido precursor da fantasia sombria, é Devilman. Só que Devilman não necessariamente é sobre o diabo em si, é sobre demônios, sobre— e é um conceito que eu Eu vou falar de duas obras aqui que eu acho legais, assim, o conceito de diabo delas. Que no Devilman a gente tem os demônios, eles meio que viviam no mundo previamente dos humanos, né? Isso, eles viviam no mundo do planeta Terra previamente, só que com as eras glaciais eles ficaram congelados nos polos do planeta.

E assim, não sei por que que eles não estavam nos outros lugares, mas eles ficaram congelados lá. E com o aquecimento global, eles começaram, as geleiras foram derretendo, eles voltaram a aparecer. E eles encarnam em certas pessoas através de um ritual específico lá. E um deles, o garoto que é o, eu não lembro o nome, Akira, se eu não me engano, Akita, não lembro o nome dele, protagonista, o protagonista, ele incorpora um dos demônios.

E o melhor amigo dele, que é o Ryo, Ele se incorpora o Satã, o Satanás. É o precursor assim do que a gente conhece hoje como na cultura pop. Ele foi muito influente para a fantasia sombria. E eu gosto muito desse conceito dos demônios congelados. Eu queria falar dele por causa disso. E outro conceito de demônio, de diabo, de inferno que eu acho legal é nos quadrinhos do Hellboy. Blazer, né, de Constantine, porque você não tem um diabo, você tem 3 diabos assim, reis demônios que controlam o inferno.

E numa das histórias mais famosas assim do Constantine, que foi até inspirar, foi o que inspirou o filme do Keanu Reeves, que as pessoas criticam muito, mas eu acho até um filme ok, o Keanu Reeves ele faz um joguete com os demônios porque ele tá para morrer E ele sabe que ele vai morrer, porque ele vai para o inferno, porque ele mandou um monte de demônio para lá. Na verdade, porque ele existe toda uma história no passado de que ele participava de um— eu não vou tentar, vou tentar resumir aqui.

Ele participava de uma galera tipo que era meio ocultista e tal, e eles fizeram uma merda grande. Então existe uma culpa muito grande nele, porque eles mataram, acabaram deixando uma criança morrer com isso, e com todos os, a vida dele de expulsar demônio, ele sabe que ele vai para o inferno e ele vai para o lugar que tá todos os caras que ele mandou, né, todos os inimigos dele. E para ele não ir, ele faz um pacto ao mesmo tempo com os 3 reis do inferno.

E os 3 reis do inferno, eles não podem disputar a alma do Constantine porque se eles disputarem a alma, eles vão entrar em guerra, e aí eles vão perder soldados, vão perder domínios porque vão entrar em guerra. E se isso que eu acho muito legal, se algum deles abdicar da alma do Constantine, ele vai parecer fraco, e com isso ele vai perder poder no inferno. Então o Constantine continua vivo porque nenhum deles pode ficar com a alma, e aí ele engana os três e não morre. Então acho que é um conceito bem legal.

SStephanie

Nem o diabo quer sua alma.

LLarissa

Acho que é um conceito bacana porque os diabos são muito burocratas, então tudo é muito burocrático. E é isso, é eles mesmos se lascam. Os burocratas, gente, o diabo Vai levar sua alma. Mentira, é brincadeirinha. O diabo é uma criatura, entidade muito controversa nessa, nesse mundão aí que a gente, na história. E ela pode ser lida de diversas maneiras, vai depender da obra, vai depender do autor, da origem, da cultura. Às vezes vai ser em outro contexto religioso.

Tão maleável, assim chamar, né? E a gente pode até ter um diabãozinho igual na série Lúcifer, que tem muita gente que gosta. Inclusive é muito engraçado o Lúcifer fazendo terapia. E também tem um diabo em prol da humanidade, igual eu comentei, que eu pensei que era um diabo, que é o do Devilman, mas ele realmente é em prol da humanidade, não mas ele não é um diabo, ele é um demônio. E também tem um diabo que só quer bater de frente com Deus, como em Constantini, que aí o Igor já trouxe também, que são vários.

Então, e o diabo, então, ele não é só controvérsia, ele é mutável, adaptável para cada religião, cultura e visão de vida.

IIgor

Eu acho assim, aqui na conclusão, eu acho que é legal os ouvintes estarem cientes que se a gente fosse realmente discorrer sobre figura do diabo em todo e qualquer tipo de religião e cultura, gente, não dá assim, não dá. Então o foco aqui do episódio foi tentar trazer assim o principal na história e o da cultura pop.

SStephanie

É tipo assim, quando perguntam quem é o diabo, você tem que perguntar para quem, para quem, porque não tem como você dizer assim, ah, o diabo é isso, o diabo é aquilo, sem deixar mil milhares de coisas fora.

LLarissa

É, o que a gente tentou foi um apanhado, foi um recorte. Tu é o que a gente fala, acho que todos os nossos episódios assim que são um pouco mais densos, que trazem um debate mais, que assim demanda muita pesquisa e que dá mais pano para manga, é só um recorte, gente, porque não dá para a gente ficar aqui horas e horas, dias e semanas. Daria para fazer um podcast dedicado ao diabo para a gente fazer tudo muito destrinchado. Eu acho que nem assim a gente conseguiria abarcar tudo, porque é muita coisa.

Se vocês quiserem que a gente debata sobre algum diabo específico, sobre alguma cultura específica, aí vocês podem trazer nos comentários, podem complementar nos comentários, tragam mais informação. Aproveitem os comentários para a gente poder aumentar ainda mais esse debate, porque eu acho que dá para a gente ainda ficar conversando ainda e muito sobre esse assunto. E vamos para as nossas indicações. Quem quer começar? Dole uma, dole duas.

SStephanie

A minha indicação é uma série bem levinha, bem gostosinha, uma série longa para quem gosta de maratonar, Supernatural, que envolve muitas coisas além, anjos, enfim, criaturas sobrenaturais, monstros, então Então se você nunca assistiu, como eu também não tinha assistido até alguns meses atrás, assista porque vale a pena.

LLarissa

E é longa, porque a Stafine colocou os anos e é longa, gente. Eu lembro que eu era novinha, ficava conversando na escola.

SStephanie

Eu também, eu nem— não, gente, eu fui assistir esse ano Supernatural, que daí eu maratonei tudo. Mas, gente, 2005, eu nem gostava de filme de terror ainda, pelo amor de Deus. Assim, Supernatural.

IIgor

Bom, a minha indicação vai ser um jogo, Devil Inside Us: Roots of Evil. É um jogo brasileiro, galera, de 2021. Eu já joguei, é um jogaço. Assim, não é jogo de analisar gráfico, mecânica, é um jogo de história. E a história, o roteiro desse jogo é muito bem escrito. Nesse jogo você joga com um padre que vai exorcizar uma casa, e aí bagulhos estranhos acontecem. E o desfecho dessa história é muito boa, é muito boa. Assim, você não espera o que vai acontecer.

É um jogo basicamente sobre diabo, e eu acho que vale muito a pena É um jogo na Steam, eu não sei quanto que ele tá agora, mas ele aproveita. Inclusive, se vocês estiverem ouvindo nessa semana que vai sair agora o Cryptocache, aproveitem que tem promoção na Steam, galera, até dia 9, até dia 9 de julho, e tá boa a promoção. Então fica aí minha recomendação: Devil Insiders: Roots of Evil, jogaço brasileiro. Apoiem o desenvolvimento de jogos independentes do Brasil. Por favor.

LLarissa

Exatamente. E a minha indicação é o jogo Bayonetta de 2009, onde você é uma bruxa ultra gostosa lutando contra anjos. Então eu amo o conceito de Bayonetta e adoro que ela usa 4 pistolas. Como? Porque seus saltos são pistolas, então ela pode atirar com os pés, com as mãos. E não jogue perto de crianças, é um jogo que tem nudez, não só nudez, muitas outras coisas. Eu adoro quando a Bayonetta joga os anjos na Iron Maiden, ela joga, ela tortura também os diabos, ela decapita os diabos, ela, ou os diabos, os anjos.

Então é um— Bayonetta é um jogo que inicialmente era para o público masculino, porque é uma mulher ultra gostosa, mas quem gostou foram as mulheres e os gays. Então fica a minha indicação para jogarem Bayonetta, é um jogo maravilhoso. E chegamos ao final de mais um Criptocast. Muito obrigada a todos que ouviram e nos acompanharam até aqui. Nos acompanhe no Instagram como @zonassombria, confira nosso canal no YouTube e, claro, nosso canal de novidades no Telegram, o CriptoNews.

O link está na publicação deste Criptocast. Se preferir os meios clássicos de comunicação, pode mandar um email para criptocast@zonassombria.com.br. Visite também a nossa página em zonassombria.com.br. Mais uma vez, muito obrigada pela audiência e até o próximo Criptocast! Criptocast. Vamos dar tchau aí, pessoal, gente. Valeu, tchau, galera, e até mais!

IIgor

E não pensa no diabo que ele parece.

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