Episódios de CriptaCast

Criptacast #84 - A Família Addams

31 de agosto de 20261h1min
0:00 / 1:01:09

E neste episódio vamos falar sobre a família mais mórbida e gótica da cultura pop, A Família Addams! Que atravessa quase um século de existência entre cartuns, televisão, cinema, jogos, animações e séries de TV. Onde podemos dizer que cada geração tem a "sua" Família Addams. Vem acompanhar essa conversa divertida e um tanto quanto nostálgica.
Vem com a gente!

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Músicas utilizadas no episódio:

Emmraan - Cool Powerful Hard Rock

Emmraan - Holliday of Ghosts

Emmraan - Witch Party

Geoff Harvey - Ways of the Wizard

Luis Humanoide - Halloween Waltz

UNIVERSFIELD - Energetic Indie Rock

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#afamiliaaddams #theaddamsfamily #charlesaddams #zonasombria #criptacast #podcast #horrorshow #podcastdeterror #terrornacional #horror #devil

Participantes neste episódio2
L

Larissa

Host
I

Igor

Co-hostEstudante
Assuntos6
  • A origem e o contexto da Família Addams na cultura popCharles Addams·The New Yorker·Cultura anglo-protestante americana·Catolicismo latino
  • A série de TV de 1964 e a subversão dos valores familiares tradicionaisSitcoms familiares americanas·Código Hays·Conservadorismo na TV·The Munsters
  • Os filmes da década de 90 e a renovação da Família AddamsBarry Sonnenfeld·Raul Júlia·Angélica Huston·Christopher Lloyd·Christina Ricci·Wandinha Addams·Família Addams 2
  • A série Wandinha de 2022 e seu impacto na nova geraçãoNetflix·Alfred Gough·Miles Millar·Tim Burton·Jenna Ortega·Monster High·TikTok
  • Os personagens icônicos da Família Addams e suas característicasGomes Addams·Mortícia Addams·Wandinha Addams·Feioso Addams·Tio Chico·Vovó Addams·Tropeço·Mãozinha
  • A representação da sexualidade e autonomia feminina na Família AddamsGomes Addams·Mortícia Addams·Machismo·Tradewives
Transcrição71 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Olá novamente, amigos ouvintes do Zona Sombria, e Sejam bem-vindos a mais um Cryptocast. Aqui é a Larissa e eu estou na idade em que mulheres só pensam em uma coisa: em homicídio. O Ednis daí está numa idade muito especial, quando as garotas só pensam numa coisa: garotos. Homicídio.

?Voz B

Aqui é o Igor e eu tenho um amigo que me chamava de Tio Chico quando eu era criança.

?Voz A

E neste Cryptocast vamos falar sobre uma das famílias mais famosas e queridas da cultura pop. Uma família que atravessou quase 9 décadas entre cartuns, televisão, cinema, animações, videogames e nos últimos anos voltou a ganhar enorme popularidade com a série Wandinha. Hoje vamos falar sobre a Família Addams. Mas quem são realmente os Addams? Eles sempre foram uma família? E por que essa família cercada por cemitérios, tortura, venenos e morte parece muitas vezes mais saudável do que as famílias consideradas normais ao seu redor.

Você está no Criptocast. E como sempre nos nossos episódios, precisamos trazer um pouco da origem, do contexto e a história desses personagens tão icônicos e conhecidos por várias gerações. A Família Addams foi criada por Charles Addams, inicialmente com personagens isolados em tirinhas publicadas em jornais, até que ficaram famosos de fato como uma família nas charges do jornal The New Yorker nos anos 30 e ganharam série de TV, musical e filmes para o cinema.

Antes de entrarmos nas adaptações, existe uma leitura cultural interessante sobre aquilo que a Família Addams passou a representar. Parte desse imaginário sobre os personagens pode ser associada ao estranhamento com a cultura anglo-protestante— anglo-protestante americana, tem aí mais uma palavra nesse conjunto— diante de elementos ligados à cultura latina e católica, especialmente na relação com a família, paixão, sofrimento e a morte.

Enquanto algumas tradições protestantes adotam uma representação mais contida da dor, O catolicismo latino possui uma iconografia marcada por crucifixos, santos martirizados, sangue e sofrimento. Nos Addams, essa relação com a morte é levada ao humor. Cemitérios, corpos e decadência fazem parte do cotidiano da família. E eu queria trazer, não off topic, mas um adendo que, para quem não sabe, eu já fui católica. Assim, eu nunca abri sobre minha minha religião, sobre, né, minhas crenças.

Mas eu já fui católica, eu fui batizada, fiz todos os sacramentos lá, assim, até a Crisma. E eu lembro que quando eu comentava na escola, porque sempre vinha, né, ai, qual é a sua religião e tal. E aí eu lembro que crianças que eram crentes assim, protestantes evangélicas no caso, elas, nossa, mas por que aquele Jesus crucificado? Porque aquela imagem dele todo machucado e martirizado— e é muito engraçado que para mim sempre foi muito normal.

Tudo bem que eu nasci já num contexto que, ok, mas é engraçado que para mim nunca foi uma parada muito uau. Acho que sempre foi ok. E não tem só Jesus no catolicismo, tem outros santos também que tem essa imagem de martírio, né, a imagem de sofrimento, e que é associada ao, como é que fala, o Igor vai saber explicar melhor, mas é como a história daquele, a história daquele santo, daquela figura, né, então do que aquela figura sofreu pelas pessoas, então O martírio.

Obrigada. Continuando, nas adaptações posteriores isso também aparece em Gomes e Mortícia como um romantismo intenso e abertamente apaixonado. Assim, uma possível leitura é que os Addams exageravam justamente aquilo que a sociedade ao redor considerava estranho e transforma esse estranhamento em comédia.

?Voz B

Falando um pouco do autor, o Charles Addams Ele nasceu em 1912 e morreu em 1988, que muitas vezes ele assinava como Chas Addams. Ele nasceu em Westfield, no estado de Nova Jersey, expressando um talento para as artes desde criança. O pai dele encorajava ele a desenhar, fazendo com que o Addams se envolvesse com produção de tirinhas e quadrinhos desde o ensino médio. Ele chegou a cursar artes e arquitetura na Grand Central School of Art e na Universidade da Pensilvânia, tendo essa última, né, Universidade da Pensilvânia, nomeado o seu prédio de belas artes em homenagem ao Charles Addams, ou seja, prédio Charles Addams.

Entretanto, ele nunca concluiu a formação acadêmica dele. O Charles Addams, ele tinha uma queda pelo bizarro, assim, ele tinha coleção de arcos e bestas de flecha, ele usava lápis de uma menina como mesa de centro, e a morbidez dos desenhos dele acompanhou ele pela carreira inteira, que com o passar do tempo foi ganhando também um excelente senso de humor. Eu acho inclusive que é uma diferença muito do Alan Poe, né, que o Alan Poe era aquele cara todo soturno e aquele cara mórbido e doido da cabeça.

E o Charles Addams, ele era um cara que tinha esse lado muito mórbido, mas ele tinha uma veia cômica muito forte.

?Voz A

Eu fiquei com dó da menina, né, que ele pegou lá, pediu para usar de Será que o fantasma dela foi junto para assombrar ele em casa? Porque ele ficava usando a lápis de mesa.

?Voz B

Eu acho que se tivesse ido, ele tinha curtido, né? Vendo como é que o cara é.

?Voz A

É uma possibilidade. A gente vai ter vários autores assim que flertam com o mórbido, mas não com essa veia cômica como Charles Addams. E eu acho que a gente só vai ver isso assim nos quadrinhos. Eu tô, sabe, tipo, fonte, não foi preciso. É porque eu lembrei dos quadrinhos lá do Penadinho, da Turma da Mônica, sabe, que tinha uma veia cômica, né, esse como se os fantasmas reproduzissem uma sociedade humana Na verdade, nem humana, uma sociedade dos vivos mesmo pós-a-morte, sabe?

Mas aí tinha várias críticas sociais, tinha várias— tinha não, tem, né? Mas tem várias críticas sociais, tem várias piadas com a sociedade dos vivos, assim, colocar na sociedade que eles viviam em vida.

?Voz B

Verdade, bem colocado, Lourdes. E é muito massa, histórias do Bernardinho são muito legais. E assim, todo mundo conhece a família Addams, mas é importante a gente passar pelos personagens aqui, assim, dá um contexto de quem é quem. Nos cartuns originais, os personagens, eles não possuíam ainda uma estrutura familiar tão rígida quanto a que foi estabelecida posteriormente nas adaptações. Os nomes, parentescos e características foram sendo definidos e consolidados ao longo do tempo, principalmente na série de televisão de 64.

E aí vamos lá, o núcleo da família Addams. A gente tem o Gomes Addams, que no Brasil foi traduzido como Covas Addams, mas eu não sei realmente em qual foi, porque eu conheço desde sempre como Gomes, nunca vi Covas. Talvez na série de 64, talvez você veio para Brasil, não sei. Ele é o excêntrico patriarca da família. Ele é um milionário apaixonado por itens mórbidos que adora explodir trem de brinquedo e sente um desejo, uma devoção incontrolável pela sua esposa, a Mortícia.

?Voz A

Eu queria só fazer um off topic, off topic não, nada ainda. O rico, ele é excêntrico. O pobre é maluco.

?Voz B

Exatamente.

?Voz A

Vou dar só esses 2 centavos de contribuição.

?Voz B

Exatamente, Larissa. Se fosse pobre, não ia ser assim, né?

?Voz A

Se fosse pobre, ele ia ser o doidinho do bairro.

?Voz B

É, os doidinhos. O nome da série ia ser esse: Os Doidinhos do Bairro.

?Voz A

Tá bom.

?Voz B

Bom, e como já citamos aqui, a Mortícia Adams. A matriarca elegante, serena, refinada, com a pele pálida e longos vestidos pretos ajustados ao seu corpo. Ela cultiva plantas carnívoras, corta os botões das rosas para guardar apenas os espinhos, e ela serve como centro de autoridade e serenidade da casa. A Wednesday, ou Wandinha no Brasil, é inicialmente como uma criança doce, solene, de olhar distante, que carrega uma fascinação natural pelo macabro.

Nas origens clássicas, em vez da versão sarcástica e sádica dos filmes, né, que a gente tem mais na mente, na versão original ela é uma garotinha ingênua que brinca com a sua boneca sem cabeça, a Maria Antonieta. Adorei! E ela aprecia a companhia de animais perigosos, como sua aranha de estimação Homer.

?Voz A

Eu queria— os ouvintes, se vocês puderem, vão olhar como é que eram os quadrinhos, os cartuns da Familiármans. E vocês vão ver que a Wednesday, ela tá sempre uma carinha fofinha. Ela não tá com a carinha da Christina Ricci nos filmes e nem com a cara da Jenna Ortega, que é sempre muito fechada. Isso veio depois. Mas no cartoon ela tá sempre muito fofa.

?Voz B

A gente vai colocar alguns exemplos também no post, né? Então vocês podem ir lá conferir.

?Voz A

E, gente, o post, quando a gente fala, é no site. Vocês podem acessar o zonasombria.com.br, vocês acessam o nosso site e lá tem um post para cada episódio do Criptocast, onde a gente coloca todas as, todas as nossas referências, os livros que a gente, no caso, acaba citando em alguns episódios, músicas, filmes, trailers. Então tudo que a gente vai citando no decorrer do episódio fica lá num post dedicado de cada episódio. Então vocês podem entrar em zonasombria.com.br, acessar a aba Cryptocast, e aí vocês vão ter acesso a todos os episódios que já lançamos.

?Voz B

Muito bom, Larissa. Seguindo nos personagens, a gente tem o Buzz Lightyear, ou Feioso no Brasil, que é o irmão da Wandinha, né, o garotinho gorduchinho, arteiro e hiperativo. Ele demonstra o afeto dele através de brincadeiras perigosas. Que saudável, né? Ele adora construir guilhotinas, trabalhar com dinamite e fazer experimentos elétricos. Tio Fester, ou Tio Chico no Brasil, que é muito mais legal do que Tio Fester, é aquela figura excêntrica completamente careca, de túnica preta e olhos fundos.

Possui alta resistência à dor, adorando colocar a cabeça em prensas ou ser atingido pelas brincadeiras violentas dos sobrinhos. Na série de 64, ele é o irmão da Mortícia, e depois nas adaptações, igual nos filmes e tudo, ele foi redefinido como o irmão do Gomes. A Grandmama, Grandmama Addams, ou só a vovó no Brasil, é uma bruxa carismática com cabelos brancos desgrenhados e avental, responsável por cozinhar poções misteriosas e pratos bizarros, como um ensopado de morcego, sendo fascinada pela leitura da sorte e astrologia.

Aqui é outro caso de mudança. Na série original ela era mãe do Gomes, e aí nos filmes ela foi adaptada como mãe da Mortícia.

?Voz A

Eu que acho muito legal, porque nos filmes a Mortícia tem uma relação muito próxima com a mãe, então tudo ela recorre à mãe assim quando ela tem algum problema e tudo. Eu acho que vale a pena a gente citar, Igor, que a nossa maior referência são os filmes da década de 90. A gente não assistiu a série de 64 e também não assistimos Wandinha. Eu não posso sussurrando assim, mas vou deixar aqui.

?Voz B

Não somos o público-alvo da Wandinha. Seguindo aqui nos personagens, temos o Lurk, ou Tropeço, mais famoso no Brasil, que é o mordomo gigantesco e sombrio com aparência muito similar ao monstro de Frankenstein. E apesar da presença intimidadora e da voz grave dele, que ele fica só fazendo, ele é o gigante gentil, né, que adora tocar órgão e atende prontamente aos chamados da família. O próximo personagem é o Thing, Thing, Thing, é difícil falar Thing, né, que é coisa ou mãozinha, que na minha memória é mãozinha, mas a gente assistindo os filmes recentemente a gente viu que na dublagem eles chamam ele de uma coisa que inicialmente ele era literalmente uma coisa, né?

Ele era representado nas tirinhas como uma criatura macabra onde só as mãos e o rosto se apresentava no cantinho assim das tirinhas e tal, tava sempre escondidinho. E ele foi se transformando na série de 64, primeiro em uma mão ainda sem corpo que vivia dentro de caixas espalhadas pela mansão. Então quando alguém ia acender um charuto, abria a caixinha e saía a mão, ia acender. E nas produções posteriores ele virou uma mãozinha decepada que fica correndo pela mansão, que é extremamente prestativa, né?

Ele é o assistente ali da família, entrega carta, acende charuto, ele se comunica por língua de sinais, gesto, código Morse, né? Inclusive nós temos uma mãozinha aqui em casa, né?

?Voz A

A gente comprou numa loja de festa e essa mãozinha deu um susto na minha mãe. Eu vou ter que contar esse Esse aí é o top. É porque eu vou ter que contextualizar um pouco assim. A gente trouxe, o Igor trouxe um parzinho de sapatos de quando o Igor era criança e fica na estante do Igor assim na parte de baixo. E aí a gente foi nessa loja de festas, loja de artigos de festa, a gente viu a mãozinha e compramos para gente, né? Assim, ela é muito bem feita.

A gente pode deixar uma foto da mãozinha no no post no site, Igor. Acho que ajuda as pessoas a entenderem. E aí, curiosamente, o Igor deixou essa mãozinha próximo dos sapatinhos infantis, né? E beleza, ficou ali na estante, na parte de baixo da estante. Aí minha mãe veio um dia aqui em casa e ela falou que tava passando assim pelo escritório onde fica a estante E ela viu de relance uma mão agarrando os sapatinhos. E aí ela gelou assim.

E também só para contextualizar, que depois do catolicismo a gente teve um contexto espírita na família, né, espírita kardecista. E aí a minha mãe achou que tivesse visto um vulto, um fantasma, alguma coisa nesse sentido. Aí ela ficou com muito medo, ela voltou para ver o que que era. Aí ela viu que era a mãozinha da família Adams que tava, que era um enfeite. E aí ela falou que o coração dela disparou, que ela ficou pálida, que ela passou mal.

Aí eu fiquei com dó, mas a gente fica rindo. E ela sempre conta essa, ela sempre lembra dessa história. E não tinha como a gente não contar essa história aqui no episódio, porque foi um episódio muito— um episódio no episódio, mas é que foi um Uma situação muito engraçada aqui em casa.

?Voz B

Foi um evento, quase matamos sua mãe.

?Voz A

Matar de susto, matando de susto, tadinha. Desculpa, mãe.

?Voz B

Bom, e seguindo aqui para fechar, né, o último personagem mais famoso é o Primo Iti, que é um— ele tem um parentesco um pouco distante, né, dos Addams, mas ele tá sempre ali presente. E ele é aquela figura coberta da cabeça aos pés por um longo cabelo liso, que veste um chapeuzinho e óculos escuros e fala no idioma assim ininteligível, né, que apenas afamiliadas conseguem compreender perfeitamente.

?Voz A

Eu gosto, eu acho que dos personagens era o meu favorito quando eu era criança.

?Voz B

Todos os meus amigos que tinham muito pelo assim no corpo, ele tinha muito cabelo assim pelo nos braços eu chamava de Primoide. Bom, pessoal, assim, agora dando um contexto histórico de origem do autor e dos personagens, a gente precisa falar da primeira adaptação que teve das tirinhas originais, que foi a série A Família Addams, de 1964. Foi uma série diretamente para televisão, óbvio, e a produção ela suavizou parte do humor mais pesado assim dos cartuns do Charles Addams, que tinha um humor assim bem mórbido, e aproximou mais os personagens de uma família, de uma comédia familiar.

Ao fazer isso, ela acabou estabelecendo uma característica que acompanharia praticamente todas as versões posteriores. A graça da Família Addams não tá apenas no fato deles serem macabros. Está no fato de eles olharem para aquilo que consideramos normal e eles acharem tudo aquilo profundamente estranho. A série ajudou a consolidar aquilo que conhecemos hoje como a família em si, definindo melhor os nomes, parentescos, personalidades e as dinâmicas entre os personagens.

Mas talvez o mais interessante esteja na forma como a série utilizava a estrutura tradicional das sitcoms familiares americanas para apresentar justamente o contrário da imagem de família idealizada pela televisão da época. Assim, nesse contexto ali do final das décadas de 60 era um contexto de muito conservadorismo assim nas produções, né? Então no cinema você tinha o Código Hays, que era um sistema de autocensura que era literalmente um checklist assim: não pode ter tal coisa, não pode ter outra coisa, não pode ter outra coisa.

Sem isso o filme não passava, assim, cenas de carícias, romances, essas coisas. E assim, enquanto produções como Father Knows Best e Leave It to Beaver mostravam famílias de classe média vivendo em casas organizadas, bairros suburbanos e cercadas por valores considerados tradicionais, os Addams viviam em uma mansão sombria, cercados por instrumentos de tortura, plantas carnívoras, explosivos e muitas referências constantes à morte.

Mesmo assim, por trás dessa aparência completamente mórbida, A família funcionava totalmente bem. Gomes e Mortícia eram apaixonados, os pais participavam da criação dos filhos e todos demonstravam um forte vínculo familiar. O contraste estava justamente aí. A família que mais parecia representar tudo aquilo que a sociedade considerava estranho e inadequado era a família mais unida, era mais unida do que muitas famílias consideradas, entre aspas, normais.

?Voz A

Esse contraste, ele também acontecia na relação do Gomes e da Mortícia, porque a televisão era bastante conservadora, principalmente com relação à representação de intimidade e sexualidade de casais. Mas o Gomes e a Mortícia era um casal completamente apaixonado um pelo outro, assim, bom, Quem viu, viu. Quem viu os filmes e viu outras adaptações. Mas o Gomes demonstra constantemente desejo pela Mortícia e ela corresponde de maneira natural e confiante.

A piada recorrente em que a Mortícia fala em francês e o Gomes imediatamente começa a beijar seu braço é talvez um exemplo mais evidente disso, né? E é muito É, fala, ele beija de forma muito devota, né, e apaixonada, e ele beija da mão até próximo do rosto. E isso foi uma jogada para substituir os beijos na boca, que eram proibidos na TV. Embora a TV da época tentasse esconder a sexualidade conjugal, A Familiada nos deixou subentendido que o casal tinha uma vida íntima ativa e bem satisfatória.

Inclusive, para mostrar que eles tinham uma relação íntima satisfatória, o Gomes dava constantemente lingeries de presente, né, camisolas no caso, para Mortícia. E detalhe para as camisolas transparentes em datas comemorativas. E também foi o primeiro casal da TV a mostrar assim de forma muito clara que eles tinham uma vida sexual ativa, né?

?Voz B

E assim, é do nível, gente, de que na TV os casais assim casados, assim os pais das famílias, não apareciam se beijando, não apareciam trocando carícias, e nem apareciam camas de casais. Eles dormiam em camas de solteiro nas sitcoms dessa época, de tão conservador. E tinha que ser tudo muito, muito escondido assim, não não pode ter demonstração de afeto nem nada.

?Voz A

E eu acho que vale um off topic também, que na série Star Trek, no episódio lançado em 1968, teve o primeiro beijo interracial da televisão norte-americana, que foi entre o Capitão Kirk e a Tenente Uhura. Então é para a gente ver como É relativamente recente toda, tudo que a gente vê na TV hoje é muito recente, esses acontecimentos, a forma como a gente vê as representações e o quanto isso impacta na, em como a sociedade vê outras, outros relacionamentos, outras famílias, outras configurações familiares.

Pronto, acho que essa é a melhor palavra assim. Então o quanto isso também é um reflexo de como tá a mentalidade social daquele tempo, sabe? Então que bom que mudou muito o zeitgeist, espírito do tempo daquela época. E continuando, ao mesmo tempo, a Mortícia ela não é apresentada como uma esposa passiva, Ela possui uma personalidade própria, autoridade dentro da casa e uma relação bastante equilibrada com o Gomes. Completamente contrário do que a galera prega das tradewifes aí, né, atualmente.

Então assim, muito pelo contrário, a Mortícia e o Gomes, eles tinham uma, como Igor falou, né, no tópico anterior, com uma participação ativa na vida dos filhos, e você via que a relação deles era de igual para igual. Na verdade, via não, você vê, né, isso ainda nas representações atuais. Querendo ou não, os Addams acabam preservando vários valores associados à família dita tradicional. Quando a gente fala tradicional, gente, é a família nuclear: pai, mãe e filhos.

Seria uma família nuclear assim dita pelos conservadores, mas como, e também, né, alguns valores como casamento, fidelidade, filhos e a união da família. E só que o que muda é como esses, esses valores são apresentados para o público. E eu acho muito importante, assim, muito significativo a gente tá abordando esse tema onde o Gomes ele venera a esposa e a Mortícia tem a sua autonomia. E então assim, seu jeito, né, ela não, momento algum o Gomes poda a Mortícia.

Justiça. Muito pelo contrário, ele incentiva com que ela seja ela mesma, né? E então é um momento que infelizmente, gente, assim, meio que datando esse episódio, a gente tá passando um momento muito de um avanço de um machismo muito grande. Então onde essa, onde os homens querem mulheres cada vez mais submissas e que não trabalhem, que fiquem em casa. Então eu acho que a gente, o Gomes e a Mortícia, são completo oposto desse, desse, dessa estrutura.

Obrigada aí. Dessa estrutura conservadora que o pessoal tá excitando, vamos assim colocar, nos últimos anos.

?Voz B

E é muito bom, né, porque eles não são, não são uma família igual a gente falou, eles não são uma família dita normal, eles são uma família excêntrica. E é muito legal porque essa excentricidade faz com que pessoas que se sintam deslocadas no mundo tradicional vejam neles um espelho, vejam neles, pô, olha como eles são felizes, menos mesmo sendo excêntricos. E como a Larissa falou, a gente vive hoje uma onda de conservadores muito grande, e ver nesse casal essa figura tão— essas figuras tão unidas é muito inspirador assim.

?Voz A

Em um mundo tão cinza, sejam mais Adams. Acho que a gente pode deixar esse essa sugestão.

?Voz B

Bom, e assim, como a gente falou do casal, da relação entre eles e da diferença da Família Adams e das outras famílias em volta deles, a grande parte do humor da série surge desse choque entre a família e as pessoas que são consideradas as normais. Quando alguém entra na mansão, geralmente reage com medo, estranhamento diante do Mãozinho, das plantas carnívoras ou das brincadeiras perigosas das crianças. Para os Addams, tudo aquilo é completamente natural.

A inversão funciona porque os personagens, os personagens, eles nunca se enxergam como estranhos ou inadequados. São as outras pessoas que parecem esquisitas para eles. E um paralelo interessante que é legal a gente trazer aqui, que na mesma época, na verdade no mesmo ano, uma série chamada The Munsters, é tipo The Monsters, só que com U no lugar do O. Ela foi lançada e ela apresentava uma família monstruosa vivendo nos Estados Unidos.

Só que tem uma diferença das duas propostas entre o The Monsters e a Familiadas. Os Monsters eram literalmente monstros inspirados nos clássicos da Universal que tentavam viver uma vida bastante próxima do modelo suburbano americano, American Dream, né. O Herman, o pai da família, trabalhava, a família lidava com problemas cotidianos, e grande parte do humor vinha do fato deles não perceberem que a sua aparência assustava as outras pessoas, né?

Eles tentavam se encaixar naquele mundo dito normal assim. E os Addams, eles são completamente diferentes. Eles não estão tentando se adaptar ao mundo exterior, eles não desejam parecer com as pessoas entre aspas normais, e tampouco demonstrava interesse em seguir os costumes da sociedade ao redor deles.

?Voz A

Deles.

?Voz B

Enquanto os Monsters eram monstros tentando viver como pessoas normais, os Addams eram pessoas que simplesmente possuíam sua própria definição de normalidade. Talvez por isso que eles eram tão felizes, né?

?Voz A

Eles não estavam preocupados em se encaixar, e nem só se encaixar, mas meio que colocar uma máscara e fingir uma normalidade lá para para meio que assim, ah não, a gente tá aqui se encaixando. Mas não, eles viviam a vida do jeito que eles queriam e acabou.

?Voz B

E eu acho legal a gente pontuar, né, que essas sitcoms que eram muito famosas e mostrava essa família tradicional do American Dream era muito carregada de hipocrisia, né, porque eram as famílias que às vezes corria violência doméstica, era igual você falou, a submissão da mulher, o silenciamento da mulher dentro da família. Os filhos eram silenciados, os filhos não podiam viver como eles queriam assim dentro da família, seguir o que eles queriam da sua vida, tinha que viver, era tudo muito centrado no homem, né?

Aquela coisa do homem chegar em casa cansado e a mulher toda prestativa. E assim, gente, isso, desculpa, não é uma família feliz assim, carregada de problemas. Hoje a gente consegue ver como esse tipo de representação da TV da época era cheia de hipocrisia. E assim, talvez alguém fale bem assim: ah, mas pô, a minha família era esse formato de família, do pai, a mãe, os irmãos, e todo mundo era feliz. Ok, beleza, mas o que o mundo mostra para gente, a realidade material mostra para gente, é que na maioria dos casos Não é.

Então a gente não pode nivelar por cima, a gente tem que nivelar por baixo, galera.

?Voz A

E lembrar, gente, que experiências particulares não são dados. A sua experiência de vida não pode ser a sua base de dados para você falar: não, se a minha foi assim, a de todo mundo vai ser assim. Então vocês têm que lembrar que cada pessoa é uma pessoa, cada Cada família é uma família, tá? Então a gente não pode usar a nossa régua e nossa visão de mundo para medir a vida e as experiências dos outros.

?Voz B

Perfeitamente colocado, Larissa. Muito bom. Aí, galera, um disclaimer aqui que a gente esqueceu. A gente sempre esquece de colocar disclaimer no começo, que a gente só lembra no meio do episódio, mas vai. A gente não vai falar sobre todas as adaptações de Familiadas porque é adaptação pra caramba. Larissa, se puder me ajudar, porque eu realmente não sei todas.

?Voz A

Pode deixar. Antes da gente partir para os filmes, é importante que a gente elenque algumas outras adaptações assim que vieram antes dos filmes, no caso, né? Então, além da série de 1970, além do cartoon né, que isso é nos jornais. Inclusive, gente, a Darkside lançou um compilado com todos os quadrinhos e tirinhas. Eu e o Grande tava até comentando que a gente agora tá maluco para ir atrás desse livro, né? E mais além das adaptações do original no cartoon, veio a série em 64.

?Voz B

Se a galera se interessar, chama Álbum de Família da Familiada.

?Voz A

E a gente vai deixar o nome na descrição do episódio. Não sei ainda se a Darkside vende no site delas, deles. Isso não é uma publi, mas se a Darkside notar a gente, de qualquer forma, se a gente achar no site da Darkside, a gente deixa o link aqui no post também do episódio, no site. Além disso, teve um episódio especial do Scooby-Doo e da Família Addams em 1972. Teve um especial de TV, The Family Addams Family Funhouse, em 1973.

A série de animação da Família Addams de 1973 da Hanna-Barbera. Eu não sabia que a Hanna-Barbera tinha feito uma adaptação animada da da Família Addams. É impressionante como a Hanna-Barbera tem produções. E aí também a gente tem um episódio dedicado sobre Scooby-Doo. Igor, me ajuda, qual que é o número do episódio?

?Voz B

Nossa, e agora eu não vou lembrar, mas tem um episódio do Scooby-Doo que tem um, como é que chama, um crossover Scooby-Doo Não, eu tô te pedindo o episódio do Criptacast do Scooby-Doo.

?Voz A

Ai, que burro, tá zero para ele!

?Voz B

É isso, galera, vocês viram como é que minha mente funciona. Eu vou deixar esse episódio que vocês vê como eu sofro de burro, gente. O episódio 69.

?Voz A

Então vocês podem puxar e ouvir o nosso episódio sobre Scooby-Doo. Continuando as adaptações, teve um especial também de TV Halloween com a família, com a nova Família Addams, em 1977. E nós tivemos o filme A Família Addams em 1991. Eu vou listando as adaptações na ordem aqui porque aí facilita. Mas vamos falar do filme de 1991. Foi quando a Família Addams voltou ao centro da cultura pop, porque se vocês lembrarem, a última adaptação tinha sido em 1977. Isso dá quanto tempo? Eu vou deixar o matemático fazer o cálculo.

?Voz B

Então tem que chamar o matemático. Eu acho que dá 20 menos 6, 14 anos. Eu acho que é isso.

?Voz A

Eu fiz na calculadora. Sim, então 14 anos desde a última adaptação. E a Familiádamus voltou ao centro da cultura pop com filme dirigido por Barry Sonnenfeld. A adaptação manteve o humor macabro da série clássica, mas apostou em uma estética mais sombria, exagerada e cinematográfica. O elenco ajudou a redefinir os personagens para uma nova geração, principalmente com Raul Júlia como Gomes. Raul Júlia, para quem vai lembrar, também fez Street Fighter, ele fez o Mr.

Bison, e foi o último filme dele antes dele falecer. E sim, gente, foi um filme ruim, mas se serve como off topic. Ele fez o filme porque os filhos dele pediram, e os filhos dele eram muito fãs de Street Fighter. Então é quase, o filme é quase uma homenagem aos filhos, né, do Raul Júlia fez, né, como um gesto de carinho, né. E eu bati no microfone de novo. Angélica Huston, voltando ao elenco, né, Angélica Huston como a Mortícia, a Eterna Mortícia.

Desculpa, gente, mas Angélica Huston mora no nosso coração assim. Eu acho que a melhor, a melhor Angélica é a melhor Mortícia. Christopher Lloyd como Tio Chico ou Fester. E para quem não lembra, o Christopher Lloyd é o que fez o cientista lá, Emmett Brown, no De Volta para o Futuro. Na trilogia, e a Christina Ricci como a Wandinha, a Wednesday. E a principal mudança foi transformar os Addams em figuras mais ácidas e excêntricas, especialmente a Wednesday.

Ela ganhou uma personalidade muito mais fria e sarcástica do que nas versões anteriores. Inclusive, ela tem um quê de investigadora, né, de assim, ela meio que pesca as coisas assim no ar, assim, colocar. E no cinema, o filme também ajudou a consolidar uma estética gótica mais elegante e estilizada para família, aproximando a franquia do humor negro e de adaptações sombrias dos anos 80 e 90. E aí, entre 92 e 93, a gente teve a série animada Família Addams, que eu acho que essa é a mais famosinha aqui pra gente no Brasil, porque foi a que passou no SBT.

Inclusive eu assistia, mas eu não lembro nada, gente. Eu lembro de pequenos flashes assim. Eu quero muito ver se eu acho em algum lugar, vocês entenderam o que eu estou falando, pra assistir, porque eu, pelo menos eu, gostava bastante quando criança. Então imagina que deve ser legal mesmo a animação. E aí, 93, meu ano, ano que eu nasci, teve o Família Addams 2, que em inglês é Addams Family Values, a continuação do primeiro filme, e que manteve o mesmo elenco, ampliou a crítica social da franquia.

O maior destaque está na passagem da Wandinha, o Wednesday, e o Feioso pelo acampamento de verão. Onde fica muito claro o contraste entre os Addams e a ideia de uma infância americana perfeita, né? Então a gente, assim, são muito bons, assim, assistam. Hoje eu assisti só duas vezes antes de gravar o Criptocast e o filme é muito divertido. O filme também reforçou a personalidade da Wandinha como uma personagem sarcástica, inteligente, avessa à normalidade, Como eu também comentei com vocês, com relação, ela tem esse quê de detetive, o que consolidou a versão interpretada pela Christina Ricci como uma das mais influentes da personagem.

E os dois filmes dos anos 90, tanto de 91 quanto de 93, foram fundamentais para renovar a família Addams no cinema e criar a imagem que grande parte do público, principalmente nossa faixa etária, ainda associa à franquia atualmente. Agora eu acho que a gente precisa abrir a nossa faixa etária, porque se a gente dos 30 e poucos ali, galera, é 30 para cima.

?Voz B

Assim, dizem que eu tenho 30, mas eu acho que eu ainda tenho 20 e poucos.

?Voz A

E assim, gente, obviamente que houveram outras adaptações, teve animação em 3D, tava bem feia, inclusive. Tem 1 e 2, que lançou em 2019, acho que 2021. Teve série, outras séries, teve jogos, teve musical da Broadway, participação em outras produções, como a gente comentou, né, do Scooby-Doo. E a gente tem um filme, um filme não, desculpa, é um telefilme de 98, onde quem interpretava o Gomes é o Tim Curry, que nos deixou recentemente, caso você esteja ouvindo este episódio próximo do lançamento.

E eu não assisti, né, esse telefilme, mas eu fiquei curiosa justamente para ver a atuação do Tim Curry como o Gomes. Mas fica aí nossa homenagem a esse grande ator que interpretou papéis inesquecíveis no cinema, como Pennywise na primeira adaptação cinematográfica do It, Aí tem o Diabo, no filme A Lenda. Tem aquele, como é que é o nome daquele filme?

?Voz B

O Rocky Horror Picture Show, que é um musical.

?Voz A

Que inclusive a gente ainda vai fazer um episódio de musicais de horror, então anotem aí que esse episódio vem.

?Voz B

Esse episódio, esse filme, ele é uma releitura do Frankenstein.

?Voz A

Ah, que legal! E com certeza nós teremos um Combo do Terror dedicado ao Tim Curry. Ele mais do que merece um Combo do Terror dedicado. E é claro, gente, que a última adaptação feita até o momento foi a série Wandinha de 2022, que foi uma febre entre, principalmente entre as crianças e os adolescentes. Foi uma série pela Netflix criada por Alfred Gough e Miles Millar, com participação do Tim Burton em alguns episódios assim na direção e produção.

A principal mudança foi tirar a Família Addams do centro e transformar, do centro da narrativa, e transformar a personagem, a Wandinha, na protagonista, né, da série. Tanto é que a série leva o nome dela, né? E a Wandinha foi interpretada pela Diana Ortega, que assim, sensacional a atuação da Diana Ortega. E a personagem ganhou uma versão um pouco mais adolescente, um pouco não, mais adolescente, porque ela tá entrando no ensino médio.

E ela é investigativa, ela é independente. E aí ela tem, ela tá inserida numa trama de mistério dentro da escola Nevermore. Ela é a Monster High da Wandinha. A série também ampliou as características já associadas à personagem, como sarcasmo, frieza e a dificuldade de se encaixar socialmente. Uma diferença que é importante a gente ressaltar, né, com relação à série, é que que a história ela se passa num ambiente completamente diferente de produções anteriores, como eu comentei, né, que a escola é a Monster High.

Vocês já vão entender que antes os Addams eles estavam em meio a outras famílias ditas normais e servia de contraste para expor as hipocrisias e a vida de aparências de famílias conservadoras norte-americanas. E inclusive os trechos do segundo filme no acampamento de verão deixam muito escancarado assim, porque a Wandinha e o Feioso convivendo com crianças normais. Eu estou fazendo aspas com os dedos. E aí na série o principal cenário é a escola, a Nevermore, onde os personagens são monstruosos ou são monstros, né, e tem hábitos ou tem hábitos mórbidos como os Addams.

E aí traz um novo formato, né, uma nova dinâmica da relação da Wandinha com outros personagens. E aí eu falo da Monster High, gente, porque assim, os personagens— aí tem uma menina que é lobisomem, uma menina que é sereia, e então assim, realmente são criaturas, assim como a Monster High. Eu sempre vou citar Monster High porque eu sou apaixonada por Monster High, gente. Assim. Eu acho que eu nunca comentei, eu não lembro de já ter comentado isso em algum Cryptocast, mas eu tenho coleção de bonecas da Monster High.

Eu sou realmente muito apaixonada pelo universo das Monster High. Assim, quando começou eu já tava entrando na minha vida adulta, mas mesmo assim eu me apaixonei muito. E eu sempre fui muito apaixonada por Barbie. Aí tem um grande contraste, né? Tem as Monster High e a Barbie, e eu gosto das duas com tipo da mesma forma assim, tudo da Mattel, né? Então, mas de qualquer forma, gosto muito do universo da Barbie como gosto do universo das Monster High.

E aí no Monster High, né, as personagens elas são filhas e filhos dos monstros, né? Então por isso que eu falo que tem aí um universo meio Monster High para Wandinha e E a série foi um sucesso assim, né? Então, querendo ou não, trouxe a família Addams para uma nova geração, transformou a Wednesday em um fenômeno dentro da cultura pop. E também assim, o que impulsionou também, então, são cenas, músicas e elementos visuais que tipo a gente viu nas redes, né?

Então tem um momento que a Wandinha dança, e essa dança foi reproduzida pelos jovens no TikTok. Então o que teve de— você vai em loja de festa e tem lá uma parte com os adereços temáticos da Wandinha para fazer festa. Eu tive um colega de trabalho que na época da série, assim, é lá em 2022 mesmo, ele mostrou para gente que o tema da festa de aniversário da filha dele foi Wandinha, e ela tava fantasiada Vandinha, ela tem, acho que na época ela tinha 4 anos.

Então assim, para a gente ver como pegou mesmo para uma geração bem mais nova. E querendo ou não, para parte desse público é o primeiro contato que eles estão tendo com a família Addams, é através da série Vandinha e não mais com a família como um todo, né? Então acaba que a Vandinha fica no centro agora. Agora, né? E eu queria só deixar um off topic aqui, que a gente não assistiu a série. A gente não é o público assim, público-alvo, né?

?Voz B

Não somos nós, nós somos véia e paia.

?Voz A

É tipo isso. Mas é porque a série não pegou mesmo assim, não, acho que não trouxe o mesmo impacto para gente. Então, mas eu entendo a importância dela Para geração, é importante mesmo que tenha novas adaptações para um público mais novo, e para que o público também tenha contato com essa obra que a gente teve contato durante os anos 90 e 2000, porque meio que perpetua. E não só nos 90 e 2000, porque teve uma geração anterior à nossa que teve acesso, que teve contato com outra série.

Então, querendo ou não, a que a gente teve contato já é uma adaptação. E aí é engraçado pensar que teve a geração que teve contato com os quadrinhos, a geração que teve contato com a série de 64. Com certeza não era o mesmo público dos quadrinhos, gente, porque foram 34 anos depois dos quadrinhos, basicamente. Pô, 34 anos assim, tô chutando por alto, porque os quadrinhos eram da década de 30, né, os cartuns. E então é, aí teve algumas adaptações no decorrer dos anos, mas a geração que teve acesso aos filmes e a animação não é a mesma também dos anteriores. Então a série ela vai se reinventando, né, com o passar dos anos.

?Voz B

Uma questão que eu acho legal na Wandinha, assim, a gente não assistiu, mas uma coisa interessante é que que a Wandinha ela crava de vez o, como é que eu posso falar, a característica da família, né, de que os Addams são uma família latina, porque todos os atores, tirando aqui a Trinheta Jones que faz a Mortícia, são latinos. É o Luiz Guzmán que faz o Gomes, a Jen Ortega e o Feioso, todos eles são latinos. Isso, isso é bem, bem legal assim do Sério.

?Voz A

Isso já é claro até desde os cartuns, né? Porque pelo nome Gomes, e se vocês verem também as adaptações, o filme, os filmes da década de 90, é uma família latina, uma família, na verdade, eu tipo, como é que a gente chama a família aqui? Uma pessoa de um país e outra pessoa de outro país.

?Voz B

Internacional, multicultural, talvez.

?Voz A

Não sei, acho que pode ser. Obrigada, Igor. Porque a Mortícia é claramente, possivelmente, de claramente, mas possivelmente ela não é latina. Eles vão dando pequenas pistas, né, assim, eles não deixam isso às claras, vai nas características dos personagens. E tem um momento no segundo filme? Não, no primeiro filme em que a Wandinha e o Feioso vão fazer uma apresentação na escola, e aí os Addams chegam, né, para assistir a apresentação.

E a professora da Wandinha vem e fala com a Mortícia: ah, eu preciso mostrar para você uma coisa que a gente tá trabalhando aqui com figuras meio que tipo inspiradoras das crianças. Aí a professora toda feliz: não, porque Fulano trouxe não sei quem, o outro trouxe o presidente. É muito bom que nesse momento a Mortícia: mas você falou com os pais dessa criança? Meu Deus. E aí a da Wandinha é uma bruxa sendo queimada. E aí a Mortícia olha com muita ternura, né, pro desenho e fala: ai, a tia-avó da Wandinha, ela foi uma bruxa, ela foi queimada, foi queimada.

E tal. Então assim, aí também assim, nesses detalhes também mostra um pouco da origem da família, né, tanto do lado do Gomes como do lado da Mortícia. Então tem esses detalhes assim, você vai pescando nos detalhes, né, as informações.

?Voz B

Essas coisinhas assim são bem legais nos filmes. Bom, pessoal, episódio um pouco mais curto, né, mas muito assim, acho que a gente conseguiu trazer bastante contexto histórico sobre esses personagens, né, que já tem quase um século de existência, né, assim, atravessa gerações e Familiadas ainda continua muito vivo e muito presente no imaginário das pessoas. A família Addams, sem dúvida, como eu disse, ela atravessa gerações e debate modelos da sociedade de forma primorosa.

Muito do sucesso que atravessa esses longos anos talvez venha de que por trás da estética sombria e do humor macabro, os Addams sempre mostraram um carinho e amor entre os personagens que muitos que assistem desejam ter com seus entes queridos. Desde os cartuns dos Charles Addams Chas Addams, até os filmes dos anos 90 e a série da Wandinha, os personagens eles mudaram bastante, mas essa ideia ela sempre permaneceu. E talvez por isso que os Addams continuam tão populares, porque no fim das contas a maior estranheza nunca teve dentro da mansão, nos personagens, mas no olhar de quem estava do lado de fora.

?Voz A

E a gente vê como a família Addams ainda permanece assim na cultura pop e meio que se perpetuou, porque é muito comum você ir numa festa de Halloween e você vai encontrar uma Mortícia Addams, você vai encontrar uma Wandinha. Talvez o Gomes e o Ferro são os mais difíceis de você encontrar, mas muito provavelmente a Wandinha, e a Wandinha principalmente agora, né, depois da série. Mas a Mortícia era muito comum a gente ver assim mulheres se fantasiando da Mortícia.

Então, e falo isso assim, gente, eu fiz curso de inglês durante a minha adolescência e toda vez que tinha festinha de Halloween tinha uma professora que sempre, todos os anos, ela ia rigorosamente de Mortícia Addams. Tudo bem que era muito fácil porque ela era alta, magra e ela tinha um cabelão comprido, então para ela era bem fácil fazer a Mortícia Addams. Mas é muito comum que a gente vá em festas e encontre essas personagens, pessoas caracterizadas dessas personagens.

E vamos ver aí qual vai ser a próxima grande adaptação da Família Addams, porque com certeza eu acho que vai vir, pode ser que venha mais coisa por aí.

?Voz B

A Família Addams com Nicolas Cage. Não, sacanagem, eu gosto do Nicolas Cage, mas Sacanagem, gente.

?Voz A

E vamos para as nossas indicações. Posso começar, Igor? O Igor fez que sim com a cabeça, vocês não estão vendo, mas ok.

?Voz B

Esqueci.

?Voz A

A minha indicação não vai ser de terror dessa vez. A minha indicação é a animação Steven Universe da Rebecca Sugar. Deixa eu ver que ano que lançou Steven Universe. Eu não sei. Nossa, ai, me senti velha agora. Steven Universe começou tipo em 2013. Vocês conseguem assistir no momento, pela, no momento desta gravação, em 2026. Está disponível na HBO Max, no serviço de streaming, né, da HBO. Steven Universe conta a história, eu vou trazer justamente porque o Steven tem uma família nada nuclear, ele tem uma família completamente diferente de uma família tradicional, né, porque ele mora com outras 3 mulheres, vamos assim colocar, que criam ele.

E seu pai não mora com ele, mas constantemente visita e tá sempre ali no convívio, né, do Steven. E tem um episódio muito curioso assim, um trechinho do episódio em que a Connie, que é a melhor amiga do Steven, ela quer apresentar os pais dela, quer apresentar o Steven para os pais. Só que a Connie é uma menina tradicional assim, ela tem a mãe, o pai e ela. E aí tem um momento em que eles estão falando pelo telefone e aí a Connie, ah, Steven, mas não dá para apresentar sua família.

Aí o Steven, ah, por que não? Aí ela, porque a sua família ela não é nuclear. E aí ele, olha, tudo bem que as— e aí ele cita as moças, né, as Gems, porque aí eu vou ter que entrar nesse contexto também de Steven Universe. Ela, tudo bem que elas explodem algumas coisas, mas elas não são nucleares, né, tipo, são radioativas. Aí ela, não, nuclear é uma família que tem pai, uma mãe e um filho. E aí ele fica chocado com isso porque a configuração familiar dele é completamente diferente.

Mas assim, só para vocês entenderem, o Steven, ele é meio humano, meio alienígena, e ele é criado por 3 mulheres alienígenas alienígenas que ensinam para ele como é ser um alienígena, enquanto o pai dele ensina para ele como é ser um ser humano. Então é, o Steven vive nesse dilema entre se ele é— dilema não, na verdade ele vai aprendendo tanto como ser um ser humano como também ele também é um alienígena. Então ele vai aprendendo e meio que ele vai também ensinando.

É uma animação que a priori, assim, se você bate o olho, parece um pouco infantil. Ela realmente começa mais infantil, mas ela vai ganhando contornos muito, muito mais profundos no decorrer da série. Mas é uma animação que serve tanto para criança quanto para adulto. O adulto vai pescar, claro, né, os subtextos, e trata de assuntos assuntos muito sensíveis de forma muito delicada e sem ser grosseiro para criança. Muito pelo contrário, de uma forma que a criança entende o que tá sendo trabalhado ali sem necessariamente falar o que tá sendo, mas o adulto pesca pelo contexto.

Então acho que vale muito a pena para vocês conhecerem a animação e tal. Acho que é uma animação que conversa muito com afamiliadas.

?Voz B

Boa, Steven Universe é bom demais. A minha indicação vai ser um filme que eu já indiquei aqui em outros episódios, que é O Que Fazemos nas Sombras, de 2014, What We Do in the Shadows. Para mim, um dos melhores filmes de terror, de terror com comédia que já existiu na história. A série também, assim, eu nunca assisti a série, mas dizem que é muito boa. Mas eu vou focar aqui na indicação no filme. Aí, para quem nunca assistiu o filme, acompanha 3, alguns vampiros, né, na verdade, que tentam levar uma vida normal assim, né.

Eles dividem, eles têm uma vida de república assim, de dividir a casa, e eles tentam se encaixar numa sociedade que claramente eles não entendem, né. Então é uma dinâmica muito parecida com a da familiadas assim. E é engraçadíssimo, assim, os filmes mais engraçados que eu já vi na minha vida. É muito bom. Fica aí de indicação, O Que Fazemos nas Sombras, de 2014.

?Voz A

We Live in a Flat Situation.

?Voz B

É muito bom, cara, muito bom.

?Voz A

E o Igor citou o terror. Nós temos um episódio dedicado ao subgênero que é o terror. Quando o Horror Nos Faz Rir, que era, que é o episódio número 70 do Criptocast, logo depois do episódio do Scooby-Doo, gente. Então Scooby-Doo é o 69 e o terror é o episódio 70. Fica também como indicação para vocês. E chegamos ao final de mais um Criptocast. Muito obrigada a todos que nos ouviram e acompanharam até aqui e nos acompanham no Instagram como @zonassombria.

Confiram nosso canal no YouTube e, claro, nosso canal de novidades no Telegram, o Cripta News. O link está na publicação deste Criptocast. Se preferir os meios clássicos de comunicação, pode mandar um email para criptocast@zonassombria.com.br. E claro, como a gente citou diversas vezes nesse episódio, visitem a nossa página zonassombria.com.br. Mais uma vez, muito obrigada pela audiência e até o próximo Criptocast. Manda um tchau pro pessoal, Igor. Valeu e até mais!

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