PAULO ANGELITO | #FalaGuerreiro421
A ORIENTAÇÃO DE ESTUDOS PARA CONCURSOS PÚBLICOS QUE MAIS APROVA NO PAÍS! CONFIRA:https://bonus.lsensino.com.br/ls-concursos-2025/?utm_source=podcast-falaguerreiro--Eles escondem. Você encontra:https://www.sherlocker.com.br/--00:03:25 - VIDA ANTES DE PASSAR NO CONCURSO DA RECEITA FEDERAL00:11:10 - PAPEL MOEDA VAI ACABAR? / NOSSA CARGA TRIBUTARIA E INJUSTA00:27:52 - PRIMEIRO DIA DE TRABALHO COMO AUDITOR FISCAL / OFERTAS DE PROPINA00:37:09 - PQ É IMPORTANTE TER FISCALIZAÇÃO SOBRE PRODUTOS CONTRABANDIADOS00:43:29 - FISCALIZAÇÃO DAS BET´S00:48:32 - COMO ERA A FISCALIZAÇÃO ANTES DA INFORMÁTICA00:51:26 - PROPAGANDA SHERLOCK00:54:08 - CASO DA RECEITA ATUIANDO CONTRA O TRÁFICO DE DROGAS01:05:10 - COMO O FISCAL SELECIONA QUEM SERÁ FISCALIZADO01:19:06 - TRAFICO DE ARMAS E PESSOAS NOS AERPORTOS01:24:51 - SELEÇÃO PARA REVISTA PESSOAL NO EMBARQUE DO AEROPORTO01:29:24 - PORTE DE ARMA PARA AUDITOR FISCAL DA RECEIRTA FEDERAL01:40:41 - O PIOR AEROPORTO PARA O FISCAL TRABALHAR01:45:23 - TRIPLICE FRONTEIRA01:56:58 - COMO FOI PARTICIPAR O PROGRAMA AEROPORTO AREA RESTRITA02:08:31 - AS MULAS SAO DISFARCES PARA USAR OUTROS CANAIS02:12:02 - CANETAS EMAGRECEDORAS02:13:54 - REPERCUSSÃO DO PROGRAMA✉ Para contatos comerciais e aluguel do estúdio de PODCAST: falaguerreiropc@gmail.comSeja membro do canal:http://youtube.com/@falaguerreiroficial/join🔔 Inscreva-se no nosso canal:https://youtube.com/@falaguerreiroficial?sub_confirmation=1Siga nossos hosts no Instagram:Rômulo Brito • @romulobrito_ • https://www.instagram.com/romulobrito_/Rafa de Martins • @rafademartins • https://www.instagram.com/rafademartins/#FalaGuerreiroCast #LinhaDeFrente #Politica #SegurancaPublica #BastidoresDaPolitica #Debate #Analise #Noticias #PodcastBrasil #GuerreiroCast #CortesDePodcast #Brasil
- Crime OrganizadoTráfico de drogas · Contrabando de armas e mercadorias · Lavagem de dinheiro · Operações policiais vs. inteligência financeira · Al Capone
- Segurança em Aeroportos CríticosPrograma Aeroporto Área Restrita · Seleção aleatória de passageiros · Porte de arma para auditores fiscais · Tráfico de pessoas · Apreensão de armas e peças · Fiscalização de medicamentos (canetas emagrecedoras) · Troca de bagagens
- Sistema tributário brasileiro e complexidadeInjustiça na tributação · Tributação sobre consumo vs. renda · Imposto sobre herança · Pejotização e Previdência
- Opinião sobre apostas esportivasRegulamentação e fiscalização · Impacto na saúde mental e financeira · Instrumento para lavagem de dinheiro
- Segurança na Tríplice FronteiraFacilidade de contrabando no Paraguai · Oferta de drogas e armas · Proposta de polícia de fronteira · Desafios da fiscalização terrestre e fluvial
- Desafios da PolíciaTirocínio policial vs. fiscal · Técnicas de entrevista e nervosismo · Ameaças e retaliações · A importância de saber quando não atirar · Perder na corrida vs. confronto
- Trajetória profissional e IAInfância e formação · Decisão de fazer concurso · Experiência no Banco Central · Entrada na Receita Federal
- Trafico Internacional de DrogasMétodos de ocultação (chocolate em pó) · Engolir cápsulas · Organizações criminosas como empresas · Recrutamento e pagamento de mulas
- Tecnologias de Remediação e InvestigaçãoFerramenta Sherlock · Investigação em 1997 vs. atualidade · Inteligência artificial na fiscalização
Fala, guerreiro! Estamos ao vivo para mais um Fala, Guerreiro, iniciando a semana hoje, dia 7 de julho. São 8 horas e 5 minutos da noite para mais um episódio aqui. Eu, Rafa, vocês e o nosso convidado. Espero que vocês curtam bastante a transmissão de hoje. Falando em curtir, deixa o like aí, aquela curtida literal. Deixa aquele like aí para alavancar essa transmissão, demonstrar a relevância do canal para o YouTube, para o YouTube.
Vamos nessa! Se você não é inscrito no canal, fiz um levantamento, vi que boa parte das pessoas que acompanha as nossas transmissões ao vivo não são inscritas no canal. Rapaziada, que vacilo! Se inscreve aí. Quero aproveitar também esse momento para agradecer a LS Concursos. LS Concursos tem a sua especialidade nas carreiras fiscais, mas também tem rotinas e metodologias para carreiras policiais, tribunais, área de administração.
Então, se você tá estudando para concurso público, seja ele o mais complexo ou menos complexo, tem uma rotina e uma metodologia lá na LS para vocês. E eu creio que a galera da LS que tem como especialidade carreiras fiscais deve estar muito feliz hoje, porque entrevistaremos um auditor fiscal da Receita Federal há mais, quase 30 anos. Vou deixar o Rafael apresentar ele para vocês.
Rafa de Martins, fala, rapaziada! Ótima noite para vocês essa terça-feira, dia 7 de junho de 2026. Peço a você que curta essa transmissão, compartilhe esse vídeo, ative o sino de notificações, se inscreva no canal, torne-se membro. Isso é super importante para pro nosso conteúdo alcançar mais pessoas. Então a gente tá aqui hoje, cara, recebendo uma estrela da auditoria fiscal do governo da República Federativa do Brasil. Ele apareceu e se destacou num episódio. Passava onde esse episódio? Era onde passava?
Passava na HBO e Discovery, Aeroporto Área Restrita.
E aí as pessoas viam lá a maneira dele trabalhar, tal, aquele negócio passa pelo aeroporto ali, tal, que principalmente ele é um fiscal zen. Nada ali é porrinha, mas faz um trabalho muito legal, se comunica muito bem, tem essa experiência. Como o Rômulo falou, são 28 anos na Auditoria Fiscal. A gente vai entender mais sobre os bastidores desse trabalho, sobre esse trabalho no aeroporto e sobre os projetos, a vida, como ele chegou também, como ele alcançou nesse objetivo de um concurso tão difícil, tão disputado, com tanto prestígio.
Então é uma honra receber hoje aqui o auditor fiscal estrela do programa Aeroporto Área Restrita, Paulo Angelito. Seja bem-vindo, meu irmão! Que honra recebê-lo aqui, bicho!
Honra é minha, poxa! Muito obrigado pelo convite. Boa noite para vocês, boa noite a todos que nos assistem aí ao vivo. Fico feliz aí com a participação de vocês e vamos bater um papo legal aqui. Vamos, tem muita coisa para falar, né?
Ó, Paulo, primeiro assim, ninguém sai daqui com as mãos vazias. Isso aqui é um singelo presente aí do Fala Guerreiro para você.
Opa, que maravilha!
Lembrar de nós Aí, ó, deixa eu guardar o saco. Vamos botar essa caneca na mesa para compor. Aí, você fica personalizado, pessoal da tua família não pegar, teus filhos, tua esposa, ninguém meter a mão na tua caneca.
Eu não vou nem usar para não quebrar.
Tem seu nome aí, ó, tem seu nome.
Sensacional, muito obrigado, adorei! Olha que maneiro, muito obrigado!
Você é do Rio, Paulo?
Sou de Niterói, né? Sou do Rio? Não, sou de Niterói, mas eu moro no Rio atualmente, mas eu sou da terrinha ali do outro lado da poça.
Conta pra gente essa sua trajetória até se tornar um auditor fiscal. Você, a gente tava conversando aqui nos bastidores, né, você falou que uma prima, parente seu, falou que você tinha tudo para dar errado.
É, foi uma prima minha amada.
A profecia não se concretizou.
Ainda bem, né?
Conta pra gente um pouquinho da tua história até se tornar um auditor fiscal.
Rapaz, pode voltar lá atrás?
Pode, cara. Conta um pouco sobre Niterói, Niterói da tua época, Niterói raiz, aquela pilha do outro lado da poça, do lado de cá da poça. Agora, voltar lá atrás não é quando os português e chegaram no Brasil.
Vem um pouquinho após, após, após mentir, etc.
Tranquilo, tranquilo.
Bom, eu costumo dizer o seguinte, que mais do que brasileiro eu sou de Niterói. Eu tenho muito orgulho disso porque eu acho que a nossa essência está na nossa terra. Eu sou muito ligado à terra. Então Niterói para mim é o meu refúgio, assim, é onde eu ando e me sinto como se eu tivesse andando em casa. Eu cumprimento as pessoas na rua mesmo sem conhecer, Então, uma terra que eu valorizo muito, embora por praticidade hoje em dia eu more no Rio.
A minha história começa lá atrás, quando eu era garoto e a minha mãe, que era a minha avó empregada doméstica, minha mãe também trabalhava numa casa, ela casou com o meu pai e logo em seguida se separou. Eu já tinha nascido, minha irmã também. Então, naquela década lá de 70, eu era o filho de mãe solteira, sabe, e minha mãe trabalhava o dia inteiro. Para nos sustentar, porque meu pai não dava um suporte financeiro. Então ela saía de casa às 7 da manhã, chegava 11 da noite.
Então era aquele garoto que ia para escola, eu tinha uma bolsa, senão a gente não podia pagar. Eu vivia na rua, vivia na rua jogando bola, tudo. Então tudo pode dar errado, né, sem uma supervisão de familiar. Minha mãe só trabalhando, eu e minha irmã lá nessa vida. Mas ainda bem que minha mãe sempre teve Assim, a delicadeza de manter uma questão cultural lá em casa. Minha mãe é professora do estado, professora de português, literatura brasileira.
Então eu sempre tive à disposição livro. E era uma época que só tinha um canal de TV ou dois. Então eu acostumei durante a adolescência a ler, a ser curioso pelo mundo. Isso foi, cara, determinante pra eu, assim, ir bem na vida. A curiosidade e a disposição pra aprender, aprender curiosidade sobre o mundo, curiosidade sobre tudo. Então daí eu fui, fiz a faculdade procurando sempre emprego, porque eu queria logo sair dessa situação de dependência financeira, sabe, de família precisar.
E eu lembro que as decisões que eu tomei eram muito em cima de um incômodo. Eu, uma época, eu morava lá em Itaipu, eu queria descer para treinar taekwondo, não tinha dinheiro para passagem do ônibus. Eu falei assim, cara, eu quero sair disso. Quero sair disso. Aí eu falei, cara, eu vou estudar. Sabe quando você tá com incômodo enorme assim? Não tem dinheiro para um ônibus, cara. Tô com 16 anos, não tem dinheiro para o ônibus. E quando tem dinheiro, porém não tem dinheiro para fazer um lanche, para comer um salgado.
Aí decidi estudar, entrei na faculdade. Primeiro fui fazer administração porque era a faculdade que podia mais me dar emprego. Aí logo arrumei emprego, fui marcador de drômetro lá em Nova Iguaçu, depois fui trabalhar em banco. Fui trabalhar no mercado financeiro, fui trabalhar em empresa de consultoria, só que esses empregos não casaram muito bem comigo. E eu explico o porquê. Eu trabalhava bastante e eu tinha um filho muito pequeno na época, com 1 ano, e eu saía de casa, ele tava dormindo, chegava em casa, ele tava dormindo.
Aquilo me incomodava. Passar um dia sem ver meu filho era como se fosse um dia perdido. Eu falei, cara, eu quero um emprego que me dê o mínimo. Eu não quero ser rico. Eu quero ter o mínimo para eu ter uma vida confortável e poder ver meu filho. Aí eu decidi fazer concurso. Aí primeiro eu fiz para CVM, entrei na CVM, fiz o do Banco Central. Eu me formei em administração. Aí fui entrar, entrei numa empresa de consultoria. Assim que eu entrei, o sócio virou para mim e falou assim: bicho, aqui a gente paga 100% de ciências contábeis.
Eu falei: tô dentro. A eficiência contábil, pagando 100%. Aí eficiência contábil, e depois lá mais próximo de agora, do presente, eu terminei psicologia. E terminei psicologia há pouco tempo, mas aí lá atrás eu tava formado nessas duas. Fui trabalhar no mercado financeiro, não curti muito porque é aquela loucura de mercado financeiro, de money, money, money. Não é a minha vibe. Respeito quem vai nessa. Não tem nada de errado trabalhar, se matar pelo lucro, por ter uma participação no final do ano e trocar de carro, mas prefiro, preferia chegar em casa e ver meu filho.
Aí fiz esses concursos: CVM, Banco Central, 3 anos de Banco Central fiscalizando. Trabalhei 3 anos e meio do Banco Central fiscalizando bancos, tanto no Brasil quanto no exterior. Foi uma experiência muito forte. Então, há 28 anos atrás, eu Entrei na Receita Federal depois de passar pelo Banco Central e tô lá desde então.
Você ficou quanto tempo na CVM?
CVM foi muito rápido porque eu entrei e logo em seguida recebi a notícia que passei no Banco Central. Fiquei 2 meses na CVM e já fui para o Banco Central. Banco Central fiquei 3 anos e meio, foi uma escola para mim.
Mas no Banco Central você estudava para auditor?
É, no Banco Central eu entrei, aí cheguei também lá e o pessoal, pô, aqui a gente tem um programa que a gente paga Cara, a minha vida assim, eu fui pegando as oportunidades. Aqui a gente paga MBA em Finanças, tô dentro. Aí fiz MBA em Finanças pelo Banco Central para aprender melhor sobre aquilo tudo, né? E fui logo fazer para fiscalização de bancos, tudo. Aí surgiu o concurso da Receita, e o concurso da Receita ele tem, ele tem um atrativo, né?
Aí assim, eu tô falando, eu sou suspeito, né, que eu sou fã da casa. E qual é o atrativo da Receita em relação ao Banco Central? É que a Receita você tem um leque de trabalho enorme. Banco Central você vai ficar ali, o Sistema Financeiro Nacional, né? Receita você trabalha desde fiscalização de banco até combate ao tráfico de drogas. Olha só que leque! É, então eu fiz o concurso, entrei para Receita. Como eu tinha experiência no Banco Central, quando eu entrei na Receita, o que que falaram para mim?
Ah, negão, tu vai fiscalizar banco. E fui fazer isso, trabalhar fiscalizando instituições financeiras.
Mas a Receita sempre foi assim ou teve uma evolução?
A Receita sempre foi assim, sempre, sempre teve a parte de tributos internos, que tem tudo fiscalização, arrecadação, lidando com as empresas e com os tributos internos, e RPJ, contribuição social, PIS, COFINS, etc. E tem a parte de comércio exterior de aduana, em que a Receita atua como uma membrana do nosso país. Tudo que entra e sai tem que passar por ela para fiscalizar. E dentre essas fiscalizações está tráfico de drogas, contrabando de arma, contrabando de cigarro, descaminho, e todos os outros crimes que a gente chama de crimes fronteiriços, que ocorrem na fronteira. É responsabilidade também da Receita, assim como da Polícia Federal.
Só voltar um pouquinho no Banco Central. Tinha um evento, se você que você trabalhou, conviveu ali na Rio Branco, tinha um evento do Banco Central que era quando chegava os caminhões com dinheiro.
É assim, na verdade, o Banco Central tem um departamento chamado MECIR, meio circulante, que ele armazena todo o dinheiro, todo o papel moeda que ainda vai entrar em circulação. E ali tem milhões. Ele, na minha época, ele ficava ali na esquina da Rio Branco com Viscondinha 1, e eu acho que ainda fica. Um prédio antigo, uma construção, parece até um Num castelo assim, uma fortaleza. E aquilo ali, cara, é muito tenso, porque são milhões e milhões armazenados ali, que a segurança tem que ser padrão, né?
Eu lembro que passava um comboio e eu era— foi na época que eu fiz estágio ali em Rio Branco, 2000, nada, 97 talvez. E vinha aquele comboio, eu falei, o que que é esse comboio? É o comboio do dinheiro. Aí vinham os batedores e eram uns 4, 5 carros talvez. Aí as pessoas conjecturam, Dizem que somente um desses carros tem dinheiro e ninguém sabe quem é, nem os motoristas, nem os seguranças.
O que que é verdade?
O que que é mentira?
Eu acho que eu não sei, mas eu acho que isso aí é lenda. Mas ainda tem comboio assim. Inclusive tem comboio que vai lá para o aeroporto onde eu trabalho, né, para o Galeão, levando numerário, tudo para botar no avião e levar para outro estado. E é a mesma coisa. Até um pessoal da PM que faz segurança lá, a galera pesada.
Você acha que o papel moeda vai acabar dentro de quanto tempo?
Rapaz, que essa pergunta é difícil, né? Bom, a quem interessa mais o papel moeda? O papel moeda é um, ele proporciona, além de pequenas trocas, né, você pagar um café, comprar alguma coisa ali no varejo assim, né, no uso pequeno, Ele é muito bom para quem? Para quem quer ficar à margem do sistema financeiro. Então, por mim, por exemplo, não tinha nota de 200. Para que nota de 200? Quem é que usa nota de 200? Pouca gente usa nota 200 e criaram a nota de 200.
Eu acho que o papel moeda sempre vai ter, mas eu acho que o uso vai ser sendo, vai começar a diminuir paulatinamente à medida da facilidade do Pix e outros instrumentos para você pagar. Mas infelizmente ele tem aquele uso no atacado que favorece muito aos crimes financeiros, porque ele Ele transita à margem do sistema, ele não deixa rastro, papel-moeda. Isso facilita quem? O crime organizado.
Interessante. Eu sei uma pessoa que eu acho que tem interesse nisso. Tem uma tia lá da escola da minha filha que tá organizando um passeio que eu não consegui pagar até agora porque ela só aceita dinheiro. Eu acho que ela tá na treta em volta.
Assim, às vezes é uma— eu não acredito que a tia do passeio vai estar na treta. Eu tô falando dessa galera que tem mala, que tem fundo falso em teto de casa, essa galera.
Você gosta de moto?
Não, rapaz, não tem moto não.
Tem um cara também que vende peça de moto lá em Copacabana, o cara só aceita dinheiro, meu irmão. É tudo, o preço dele é o melhor, é o melhor preço, mas é tudo no dinheiro.
Tem a questão também da tributação, né? Você não transita com dinheiro pela conta bancária, você não fica ao alcance do leão. Né, isso aí tem esse fator, mas não tô falando que é o caso dele, tá? Eu não conheço ele.
Você acha que a nossa carga tributária é alta?
Eu acho que a nossa carga tributária é alta, sim, mas eu acho que o maior problema da nossa carga tributária não é nem o quanto ela é alta, é o quanto ela é injusta, porque o tributo pesa muito sobre o consumo. Se você perceber, a tributação sobre o consumo, consumo de que você compra no mercado, é muito alta, que insere no preço do produto, que você nem vê direito. E a tributação da renda e do patrimônio aqui no Brasil é muito baixa.
E isso não é uma opinião do Paulo Angelito, não. Isso você se comparar com os outros países aí, baixo que esses 27%. Por que que ela é baixa, a tributação sobre a renda? Primeiro, que a alíquota só vai até 27,5%. Segundo, que poderia ir a mais e pegar um pessoal que ganha mais. Terceiro, que ela já começa a pegar de uma faixa muito baixa. Agora, esse ano melhorou, que vai pegar só de R$5.000 para cima, mas antes pegava pessoal que ganhava R$3.000, já tava pagando Imposto de Renda, R$3.000 e pouco.
Mas onde que fica, onde reside o problema? Vou dar um exemplo. Pra não ficar muito teórico. O sujeito trabalha de motorista de ônibus, conseguiu juntar um dinheirinho, R$1.000 em um mês, aplicou naquele fundo do Banco do Brasil. Popular, né? Beleza. 3 meses depois, a filha ficou doente, ele precisou sacar. O rendimento que ele obteve vai ser tributado em 22,5%. Guarda esse número. Outro cenário: o sujeito tem ações, não trabalha, vive só da renda do capital.
As ações pagam dividendos, ok? Agora, com a última reforma tributária, o sujeito vai pagar somente 10%, e o rendimento— e o dividendos é o rendimento das ações, concorda? O sujeito vai pagar somente 10% sobre o que exceder R$50 mil por mês. Então, se o sujeito tiver um rendimento das ações que ele possui de R$600 mil no ano, até R$600 mil, ele não paga nada de imposto de renda. Por que que o motorista de ônibus que aplicou R$1.000 tá pagando R$22,50? E ele— isso não faz o menor sentido. Vocês concordam comigo?
Quer incentivar então o cara jogar o dinheiro para dentro do banco?
Não, sabe o que que é? É porque o sistema foi feito para privilegiar o andar de cima. O trabalhador, ele paga o Imposto de Renda na fonte. Vocês são policial, policial, a gente paga Imposto de Renda na fonte, a gente não tem escolha. O trabalhador que investe num fundo de banco vai pagar 22,5%, vai pagar 20%, dependendo do prazo. Agora, o capitalista, que que eu chamo de capitalista? O que vive de capital, aquele que mora ali no Leblon, recebeu uma herança dos pais, não trabalha, acorda 11 horas da manhã, vai tomar café na Delicatessen embaixo da casa dele.
Ele paga 10% sobre o que ceder, R$50 mil. E detalhe, se for uma família, pai, mãe, dois filhos, ele pode distribuir as ações dele pelos filhos e pela mulher. Então, em vez dele ser tributado, só vão pagar imposto de renda se um deles— então ele pode ter até R$200 mil. Um exemplo de uma família de 4 pessoas, até R$200 mil por mês essa família não paga imposto de renda, e o trabalhador paga 22,5%, 20%. Por quê? Por que que a gente não consegue mudar isso?
Porque o nosso Congresso sofre uma influência forte, vou chamar de influência porque é um eufemismo, né, de quem tem o poder econômico. A gente tem que mudar isso, porque senão nosso país vai continuar sendo desigual, e desigualdade é um dos fatores que gera violência, e por aí vai. Então tá na hora da gente começar a reverter esse quadro. Outro exemplo: imposto sobre herança. Vocês sabem quanto é a alíquota de imposto sobre herança no Brasil?
É estadual, é no máximo 8%, ok? Na Europa, 40%, 50%. Por que que no Brasil é tão baixo? Porque a gente não consegue mudar, porque quem manda no Brasil é a grande elite econômica. Tá na hora de mudar. Mas eu não tô falando da herança do trabalhador que deixou um apartamento para o filho, eu tô falando de grandes heranças, tô falando de heranças do pessoal que deixa 10 apartamentos, deixa um lote de ações gigante e vai pagar. Tem estado que é 4% imposto sobre herança. Por quê?
Mas 40%, 50%, você não acha um pouco demais? É tomar metade do patrimônio.
Mas sabe o que os caras fazem? Eles botam empresa, eles botam o patrimônio no nome de empresa, e aí bota o espírito como comum. Exato, empresa da família toda. Então o cara morre, pertence à empresa, entendeu?
Porque realmente, eu ouvi alguém dizer que o Bradesco Eu vi esses dias, acho que foi no Instagram, alguém dizer que empresas como— eu falei o nome do banco, né? Tem um banco aí que faz.
Ainda bem que não fui eu, porque nunca te critiquei, aceitamos patrocínio. Tenho conta lá, adoro, adoro.
Mas o Banco Bradesco parece que adota essa medida, só que transformou em fundação.
É, tem esse instrumento, tem, tem.
Procurando mecanismos de sempre.
A elite acha que imposto é para assalariado, é de classe média para baixo. Até porque eles têm acesso a grandes tributaristas que ajudam eles a fazerem planejamento econômico, financeiro, tributário, de forma a minimizar ou zerar o pagamento de impostos.
Diretor, vamos lá, me tira uma dúvida. Por exemplo, ultimamente a gente viu também o movimento das pessoas pararem de contratar no CLT e contratar no CNPJ. Sim, isso é legal, faz alguma diferença e causa algum impacto na economia?
Bom, se é legal ou ilegal depende muito da situação, cada caso é um caso, né? Quando uma pessoa contrata alguém em que aquela pessoa contratada tem todas as obrigações que normalmente seriam obrigações de algum assalariado: horário fixo, férias, cadeia de comando, subordinação, de não poder faltar. E para se esquivar de pagar os tributos referentes àquela contratação, as verbas previdenciárias, faz um contrato de pessoa jurídica Eu acho que isso aí ela tá burlando a lei, mas tem que analisar o caso, ok?
Agora, há situações, por exemplo, você quer contratar uma pessoa para fazer uma mesa para você, para fazer um serviço eventual. Olha a eventualidade entrando aí. Não tem problema você contratar uma pessoa sob CNPJ, um serviço específico, entendeu a diferença? Então é mais ou menos isso aí que norteia se é legal ou se não é legal. E qual o impacto disso? Na medida que vai aumentando essa pejotização, Vai onerando, vai esvaziando a Previdência.
E essas pessoas lá na frente, elas vão, né, se tudo der certo, elas vão envelhecer, vão ter, vão precisar se aposentar. E cadê a contribuição previdenciária dela para se aposentar? Não foi paga. Porque é muito difícil a pessoa ter aquela ideia de, cara, eu vou fazer um plano de previdência privada aqui. Isso ainda não tá na cultura do brasileiro. Até porque a gente estimula muito consumo, né? As mídias sociais hoje em dia, você é o que você consome.
Então o cara não vai ter aquela cabeça assim, pô, eu vou guardar aqui nesse fundo em vez de comprar aquela camisa com jacarezinho que vai me deixar aqui bem na foto, né? Então é um problema sério isso.
Mas quando a gente escute, por exemplo, escala 5 por 2, aí tem um grupo que é a favor, tem um grupo que é contra, e Quando o trabalhador contratado através de PJ, que ele vai receber pelo que ele produzir, o mesmo grupo que critica a escala 6 por 1 é o grupo que critica a PJtização, vamos assim dizer. Mas não é saudável deixar que o cara, que o cidadão decida se ele quer ser PJ ou se ele quer ser CLT?
Então, será que o cidadão tem condições de decidir ou aquilo ali é uma imposição de um mercado que tá se consolidando? Vou dar um exemplo: o pessoal que trabalha com Uber, ou então o pessoal que trabalha com entrega de alimento ali nessas empresas de delivery, eles não têm férias, não tem 13º, não. Se o cara cai de moto Para de receber. É muito melhor para empresa não ter nenhuma obrigação caso ocorra um revés ou ter que pagar alguma coisa em relação à Previdência, e ter o trabalho dele poder virar as costas se acontecer alguma coisa, do que ter aquele vínculo empregatício.
Agora, ele pode escolher, ele pode chegar ali no Uber, por exemplo, falar assim: não, olha só, obrigado, mas eu não quero ser empresário de mim mesmo não, eu quero carteira assinada. Não pode. Uber fala assim, cara, valeu.
Então, mas quando utiliza o PJ para funções tipo uma empregada doméstica só te contrata se você tiver PJ? Eu acho bizarro, acho que não faz nenhum sentido. Isso é um auxiliar de serviços gerais, só vou te contratar se você tiver um PJ. Mas uma mão de obra, tipo um editor de vídeos, que aqui a gente, por exemplo, nós temos um editor de vídeos que ele Ele recebe como se fosse uma empreitada.
Aí é legal.
E ele não atende somente, ele não tem um compromisso de atender somente o Fala Guerreiro. E eu também não tenho compromisso de ter somente esse editor.
Sim, mas é um exemplo perfeito de PJ. Ele te atende sob demanda, né? Você manda ali 10 vídeos para ele, fala assim, pô, edita para mim. Ele atende, ele atende, edita e te manda. Aí um outro podcast, aquele ali é uma PJ. Legal, porque se ele quiser, ele fala assim para você, Pô, não vou editar não, não pode falar.
Sim, mas em contrapartida, eu penso enquanto empreendedor que eu fico, eu falei assim, cara, é bom para mim, é bom para ele, os dois estão satisfeitos, e eu não quero passar pela burocracia que é ter um prestador de carteira assinada, e não quero submeter o meu negócio à imoralidade que são as decisões, a meu ver, tá, isso é uma opinião, que são as decisões da Justiça Trabalhista. Que quando eu fui, por um pequeno período eu estudei para o cargo de analista de Tribunal do Trabalho, e um professor disse assim, ó, quando tiver com dúvida na questão, marca tudo que for favorável ao trabalhador.
Isso não é justo. Então eu quis fugir um pouco disso também. Acho que ficou muito na minha mente. Numa briga judicial na esfera trabalhista Salvo se eu tiver com muita, muita razão e com excesso probatório, eu não vou ser condenado a pagar aquilo que o advogado, e muitos advogados incluídos. Então eu acho que a pejotização, esse, o MEI veio para salvar também essa relação de, essa relação entre negócios. O nosso, o meu editor, ele tem um negócio dele, eu tenho meu negócio, a gente decidiu que isso é bom. Quer fugir da burocracia e eu quero me livrar.
Mas esse exemplo que você deu é perfeito, tem que ser PJ mesmo, porque é sob demanda. Esse seu editor, se você mandar numa segunda-feira 5 vídeos para ele, ele falar assim para você: pô, Rômulo, eu tô atarefado aqui, cara, pega outra aí que eu não posso, tá ok para você? É justo, né? Porque ele é uma empresa e ele tá falando: cara, dessa vez eu não dá, não dá. Agora, se você tiver uma ascendência sobre ele, fala assim: cara, se vira, entrega até amanhã, começa a ter uma relação assimétrica em que você manda nele.
E aí começa a se aproximar de um trabalho que é, que deveria ser assalariado, porque ele tá começando a virar um funcionário seu. Ou seja, ele tem que funcionar para você, contanto que a relação seja simétrica, de você poder pedir, ele poder negar, ou então ele falar assim para você, relação contratual. Dependendo se o contrato estabelecer regras que normalmente você vê em relações trabalhistas, a resposta já tá dada. Você tá fazendo um contrato que você estabelece regras trabalhistas, férias, 13º e tudo mais, só que vocês têm uma relação de PJ. Aí tem um contrato trabalhista com uma relação de PJ.
Agora vai virar consulta, vai virar consulta gratuita. Vai, vai, Rafa.
Voltando aqui, vamos lá. Queria saber como é que foi o teu primeiro dia de trabalho como auditor fiscal.
Cara, sério, foi maneiro. Eu passei no concurso, né, e eu tomei posse em João Pessoa. E quando você é do Banco Central, eu era do Banco Central, você é a autoridade do Banco Central, está no órgão em si. O cargo de técnico do Banco Central, o analista do Banco Central, que era o meu caso, ele não tem uma autoridade constituída pelo cargo. Já o auditor fiscal, ele é autoridade tributária, assim como delegado é autoridade ali dentro da esfera policial.
Então quando eu recebi essa, aquela, aquele distintivo, e lá em João Pessoa, eu falei, cara, eu tinha 27 anos, né? Não, eu tinha 30 anos. Caraca, agora eu sou Autoridade. Eu incorporei aquele xerife, sabe?
Eu era uma estrela mesmo, né?
É, aí eu cheguei numa repartição lá na delegacia de João Pessoa. O chefe virou para mim e falou assim: olha só, eu trabalho aqui na chefia, eu fico com a parte de documento assim. O que você quiser fazer, você faz e dá o seu jeito. Me deu assim carta branca. E era um setor de, que é chamado SAANA, era Serviço de Aduana Só que da cidade, ou seja, eu tinha que fiscalizar produtos que adentraram a cidade, a zona secundária, irregularmente, produtos importados.
Então eu falei, cara, e em João Pessoa eu era o cara. Aí, olha a cabeça do sujeito, eu ia num domingo no posto de gasolina, olhava aquela prateleira da lojinha do posto de gasolina, um monte de bebida, destilada sem o selo do IPI, aqueles whiskies que as pessoas compravam que deveria ter o selo, tava importado e não tinha, eu ligava para o delegado e falava assim: aí, preciso de uma caminhonete aqui que eu vou recolher tudo. Como se eu fosse o defensor da cidade contra importação ilegal e contrabando.
Ele: Angelito, vai para casa, Angelito, hoje é domingo, cara, tu tá aí comprando seu jornal, abastecendo seu carro, para de me perturbar. Foi assim, eu Cheguei achando que eu fosse o grande defensor da imoralidade tributária da cidade. E aí eu fui me adequando, certo, fazendo operações mais organizadas, em vez de passar 24 horas rodando a cidade achando onde tava errado para consertar. Então foi um início bem conturbado nessa época.
Cara, é um cargo que você é muito fácil ser aliciado. É um cargo altamente, acredito que seja um cargo altamente aliciado.
É porque se lida com dinheiro, né?
Você lida com dinheiro, você lida com tão—
e mais ainda, você cria uma obrigação tributária quando você é auditor fiscal e faz um auto de infração. Você cria uma obrigação tributária.
Então você já passou por isso?
Já passei sim, mas tem um detalhezinho assim que é o seguinte: ninguém nunca vai virar para você, vai falar assim, um empresário— eu vou falar aqui da parte de Fiscalização de empresa, que eu passei 20 anos fiscalizando empresa. Nenhum empresário que você chega na empresa dele pra fiscalizar vai virar pra você e falar assim... Vamos supor, você é o auditor fiscal. Rafa, quanto você quer pra não me autuar? Ele não vai fazer isso, porque ele não te conhece.
Ele não sabe se você vai dar voz de prisão por corrupção ativa nele. O que que ele vai fazer? Vamos fazer um teatro aqui. Eu sou o empresário que tô enrolado e você é o auditor fiscal. Rafa, vamos almoçar? Aí você topa almoçar. Daqui a pouco ele começa a conversar: cara, a empresa tá difícil. Rafa, vai lá em casa. Pô, você gosta de vinho? Cara, comprei um vinho. Ele vai se aproximando de você, ele vai comendo pelas beiradas, até quando surgir a situação que ele vai falar assim: pô, Rafa, vê se você pode me ajudar, cara.
Entendeu? Ele vai comendo pelas beiradas. É o que que eu fazia? Quando ele vinha, aquele cerca a Lourença, eu já cortava. Vamos almoçar? Não, não, eu almoço com família, almoço com amigo. Eu tô fiscalizando você, meu amigo. Obrigado pelo convite, mas vou ficar aqui. Já almocei. Então eu ofereci aquela barreira, mas alguns eram mais audaciosos, né? Então eu já ouvia assim: Rafa, rapaz, isso aí que você tá me pedindo vai me enrolar, você vai acabar Causando aqui um problema para mim.
Me faz o seguinte, me indica algum advogado amigo seu. Vamos botar o Rômulo na história. Você não conhece nenhum advogado que possa responder o que você tá me pedindo e não me cause problema? O que que ele tá te pedindo? Indica um advogado que vai me cobrar R$200 mil na consultoria que ele vai fazer para mim. Que eu vou pagar R$200 mil para ele, vai fazer uma resposta, você vai encerrar sem resultado a fiscalização e tá tudo bom para todo mundo.
Depois você se entende com ele. É uma forma de você falar assim: quanto você quer? Sem ser preso, sacou, cara? Que é assim, é assim que a gente faz. Eu já ouvi assim uma vez, eu tava terminando fiscalização num grande banco que eu não vou citar o nome, que eu não vou Fazer propaganda, não vai fazer propaganda. Aí eu fui, eu fui, já tava terminando o trabalho. Aí o cara que me atendia era um advogado do banco, falou assim: e aí, já tá terminando?
Você tem noção aí de como é que vai ser esse fim? Eu falei: cara, o valor eu já tô chegando ao fim, mas eu ainda não tenho certeza. Ele falou assim: não, o valor a gente não se preocupa não, o valor a gente recorre, paga. O problema é saber se você vai fazer a representação fiscal para fins penais dos diretores. O que que é isso? Porque o trabalho final da fiscalização pode ser um simples lançamento tributário em que você autua, faz o auto de infração, cobra multa.
Ou então você, além do auto de infração, você faz uma representação pro Ministério, no caso, Ministério Público, né, pra Procuradoria, dizendo assim: além da pena pecuniária, houve crime. Aí vai pra esfera penal. Beleza? Aí ele falou assim: não! O valor pouco importa, a gente recorre, a gente paga. O problema é se você vai fazer a representação fiscal para fins penais, para esfera criminal. Isso aí que a diretoria tá desesperada.
O que nós precisarmos fazer para não gerar uma representação fiscal para fins penais, você me fala que a gente faz. O que que estavam falando para mim? O que você quiser, a gente faz. Eu falei, olha, eu pensei, eu não falei não, né, porque seria indelicado, mas eu tava na dúvida se eu ia fazer ou não. E eu falei isso para ele, falei assim, cara, agora minha dúvida foi resolvida. Lógico que vou fazer. O cara veio com essa historinha para mim de o que você quiser a gente faz. Ah, vai, pô, desculpa.
Agora, quando ultrapassa esse, já alguma vez já ultrapassou esse, essa conversa polida para uma ameaça?
Já, já sim. Quando eu tava lá em João Pessoa, que eu me achava xerife, eu comecei a—
cara, porque eu preciso falar, do lado lá do Nordeste, uma coisa assim, não é, não quero, mas são cidades pequenas, tem uns coronéis, tem famílias muito poderosas, que é mais complicado que aqui. Aqui são muitas famílias. Lá é menos.
Quando eu tava lá, eu comecei a bater muito numa galera que tava trazendo celular contrabandeado, assim, é descaminho, né? E eu tava batendo junto com o auxílio da Polícia Federal, e a gente pegava assim uns carregamentos pesados, assim, sabe? Que eram celulares que adentravam o país sem passar pela Anatel, sem pagar imposto, sem pagar nada. Estados Unidos, vindo aí, entrava pelo Paraguai. Aí então a gente monitorava e pegava na estrada, era um sanhaço danado, ficava lá fazendo campanha na estrada ali, vinha do Recife, diabo.
Aí me ligou uma vez um cara, aí eu fui transferido para Joinville. Aí quando eu cheguei em Joinville, me ligou um cara, falou assim: oi, Angelito, aqui é o Javier. E tinha um fiscal chamado Javier lá em Joinville, tinha acabado de chegar. Aí eu falei: pô, Javier, beleza, como é que você tá? E aí, como é que tá aí Florianópolis? Ele falou assim, não, aqui é Javier de João Pessoa. Eu quero só te falar para você parar de pegar nossos carregamentos, porque senão um dia a gente vai se encontrar na rua e vai ficar ruim para você.
Aí eu, ah, tá, não, beleza. Pode ser que fique ruim para mim, mas pode ser que fica ruim para você também. A gente vê na hora que a gente se encontrar, não sei o quê. Desliguei o telefone. Foi uma ameaça que eu recebi assim, mas eu já tava de Joinville, já tinha até saído de lá. Já tinha outra pessoa fazendo isso. Então foi uma ameaça que eu nem levei adiante, não fui falar com ninguém que eu recebi. Eu falei, ah, que se dane.
Mas tirando isso, agora fala pra gente, por exemplo, às vezes uma pessoa pode olhar e falar assim, pô, Raulzinho Lito, mas precisa também encrencar com celular que tá chegando? Porra, você tá chato, cara. Pô, cara chato.
Explica, chato eu sou.
Não, explica pro público porque que isso implica. Beleza, dentro de uma situação, é bom ter uma visão de dentro.
É porque O celular que entra, ele, o celular que entra ilegalmente no país e não paga imposto nenhum, ele quebra o sujeito que alugou aquela salinha no shopping ou no centro comercial e tá pagando aluguel e que abriu. Ele desemprega o cara que ele contratou e que tá pagando lá tudo certinho. Então ele quebra não só o sujeito, quebra o funcionário, quebra a família de todo mundo. Então ele causa um mal à sociedade. A gente tem que pensar que a atitude de um servidor público é para o bem da sociedade.
Isso seria um crime contra a economia popular?
Pode ser encarado dessa forma, que veja, agora é opinião do Angelito, tá? A gente tá acostumado a ver o crime organizado como somente as facções, o PCC, o CV, acontece crime organizado, é uma expressão ampla, e que tem muito crime organizado que embora não cause a perda de vidas específicas, por exemplo, um Comando Vermelho que domina uma comunidade e a polícia vai lá tentar tirar aquele território e o cara mata um policial, às vezes mata um inocente, enfim, é uma morte direta.
Há crimes organizados que matam às vezes mais do que esse pessoal. Vou dar um exemplo. Vocês querem um exemplo? Que eu nunca falei em podcast nenhum.
Quero, é inédito, exemplo inédito.
Beleza. Eu fiscalizava banco, instituições financeiras. Aí uma instituição financeira viu o seguinte: cara, eu posso fazer operações em uma determinada bolsa, em um determinado mercado. Eu vou tentar evitar nomes que tem uma brecha. Vocês já ouviram falar de operação de day trade? É aquela operação que ocorre no mesmo dia, compra e venda. Olha a brecha que tinha na norma desse, dessa bolsa, vou chamar assim. Você pode fazer, Rafa, você pode fazer operação de day trade ao longo do dia e só uma hora depois que o pregão terminar você precisa me falar quem foi que fez aquelas operações.
Olha que coisa interessante, olha o que que a galera sacou. Vamos fazer ao longo do dia 200 operações. Dessas 200, 110 deram lucro, ok? Porque é operação de day trade, você compra e fica esperando vender depois. Dá lucro, prejuízo, dá lucro, prejuízo, lucro, prejuízo. É uma no cravo, outra na ferradura. Depois que o pregão encerrar até uma hora depois, eu vou falar o seguinte: ó, as que deram lucro foram feitas por uma empresa lá num paraíso fiscal, e as que deram prejuízo, poxa, olha que azar, foram feitas pelo meu banco.
Então, todos os dias essa instituição financeira fazia 200 operações nessa bolsa, atribuía A mesma história, atribuía as 105 operações que deram lucro para uma empresa lá de fora que ninguém sabe quem é o dono porque no paraíso fiscal. Mas você adivinha quem eram os donos dessa empresa lá fora? Os donos desse banco. E as que deram prejuízo ficavam para o banco. O que que você conseguia com isso?
Nem disfarçava.
Não, era porrada. 200 operações por dia. O que que você conseguia com isso, Rafa? Olha só. A lógica da história. Finalizou o ano, a empresa que eles constituíram entre os sócios daquele banco lá fora, que você não consegue saber quem são, ela dava um lucro de R$200 milhões. Então R$200 milhões iam lá para fora sem tributação, porque a pessoa, a empresa que fez, tá lá fora, ok? E o banco que tinha lucrado R$1 bilhão nas suas operações normais tinha acumulado um prejuízo, porque ele absorveu todas as operações que deram prejuízo.
Ele deu um prejuízo de R$200 milhões e vai pagar imposto só sobre R$800 milhões. Ou seja, ele deixou de pagar imposto sobre R$200 milhões. Todo ano fazia isso, porrada, porrada, porrada. E o dinheiro ia lá para fora sem tributação. Imagina quanto ele deixou de pagar de tributo. Transforma isso em hospital, em creche, em recurso para polícia se aparelhar adequadamente, combater, até efetivo mesmo, em efetivo, em bom equipamento, em armamento bom.
Quantas pessoas morreram? Com essa operação, isso é um crime. 837, crime contra ordem tributária. 9742, crime contra o sistema financeiro nacional. É um crime organizado, porque eles se organizaram. Isso não mata a gente? Mais de uma pessoa para fazer isso, você precisa de um grupo de pessoas, precisa de cérebros. Ah, um detalhe, essa empresa lá de fora, eu não vou falar nome nenhum, Quem era o representante legal e de operação dessa empresa lá fora?
O próprio banco. Ou seja, era o banco que decidia quais eram as operações que a empresa ia fazer, e o próprio banco decidia as operações que ele fazia. Olha que coisa estranha, os analistas do banco só bolavam operação que dava prejuízo para o banco e dava lucro lá para fora. Como é que pode? Não faz o menor sentido, concorda? O banco é ruim para ele próprio e é bom para o cliente. Faz sentido? Não. Então isso não é crime, Angelito?
Eu quero—
eu tenho há bem pouco tempo atrás, as bets não eram regulamentadas. Hoje são regulamentadas, verdade? E antes eles recebiam através das facilitadoras de pagamento. Para tentar fugir de vocês, fugir da receita. Eu tô falando ali 2022, 23, foi para trás, as bets não eram regulamentadas. Aí o que que eles faziam? Eles mantinham um servidor em um outro país ou utilizavam VPNs e exploravam, né? Não vou falar o nome das gigantes, mas essas gigantes que você hoje vê aí nos canais de YouTube, nos canais de televisão, no rodapé ali do campo, etc.
Todas elas nas camisas, todas elas já utilizaram facilitadoras de pagamento para poder driblar fiscalização brasileira. Como vocês faziam a fiscalização das bets quando elas ainda não eram regulamentadas?
Então eu vou ter que ter muito cuidado nessa resposta porque eu não tava atuando em fiscalização de empresas nessa época. Em 2018 eu fui para área de aduana. Mas até onde sei, até onde eu sei, como pessoa que tá lendo os informes, porque quem tá fazendo esse trabalho não pode ligar para Angelito e falar, cara, a gente tá fazendo assim, porque tem todo um sigilo, a gente não se comunica assim. Assim como eu não ligo para os colegas falando como é que eu fiscalizo lá no aeroporto.
Então eu sei que a fiscalização era muito precária, justamente pelas dificuldades que tinha para ter acesso aos pagamentos, as transferências de valores que ocorriam entre elas e as instituições financeiras, as as fintechs que elas utilizavam. Depois da fiscalização, aquilo ali começou a ter um— o dinheiro começou a ter um lastro melhor, um rastro que começou a poder fiscalizar. Mas, meu amigo, as bets é um problemaço. Acho que junto com o crime organizado é o grande desafio que o Brasil está enfrentando hoje em dia, porque ela está corroendo a saúde patrimonial e mental da nossa sociedade.
Pessoas estão dando cabo da própria vida, perdendo tudo, famílias estão sendo esfaceladas com isso. Assim, é uma pandemia financeira que tá havendo, que a gente tem que lidar com esse problema. Não dá para fingir que não tá acontecendo.
Fora que é um instrumento maravilhoso para lavar dinheiro.
Poxa, o jogo, né? Sempre foi, né? Isso aí você movimenta milhões e você pode esquentar, falar que teve uma plataforma muito grande que você lucrou, enfim. E assim, o que eu acho, o que eu acho mais perverso é que ela atua de uma forma como se fosse no cérebro da pessoa. Isso aí já tá, já é o meu lado psicólogo falando, que ela atua no sistema de recompensa de dopamina, que a pessoa fica absolutamente viciada. É um vício, embora não seja uma substância, é um vício biológico, porque São, são receptores que são estimulados, são hormônios que ali a pessoa tem um prazer mesmo ali bioquímico fazendo aquilo ali que ela tá fazendo, naquela expectativa. É uma cachaça.
E nem adianta falar que são pessoas com baixo grau de informação, porque tivemos um caso aqui de um policial que desviveu após ter perdido tudo, inclusive patrimônio da família, tá vendo? Para uma bet. Então alguém que parou, estudou, passou num concurso público, é, de certa forma teve instrução e tal. Esse grupo de pessoas também tá, meu irmão, atista do mundo.
Respeito a pessoa. Conheço um senhor amigo da família, ele teve uma das últimas casas da Delfim Moreira, não lembro. Olha, das últimas casas eram dele. Eu fui nessa casa, aí hoje é um prédio. Com dinheiro dessa casa é um dinheiro, o cara, meu irmão, e assim de família conhecida, essa coisa. E o cara, meu irmão, terminou a vida dele morando no quarto e sala ali em Copacabana com a esposa.
Perdeu tudo no jogo, jogo, né?
Tudo no jogo, meu irmão. Então assim, um cara, meu irmão, sabe, de, digamos assim, academicamente conceituado, profissionalmente bem-sucedido, perdeu tudo no jogo. Agora eu tenho uma pergunta o seguinte, cara, que me deixou intrigado quando você tava contando a história do do banco.
Sim.
Como se investiga isso?
É assim, a gente, a gente monitora, né? A gente tem um setor que a gente chama de programação, que fica monitorando as declarações, uma série de declarações que as empresas empregam, que as empresas entregam para Receita, e vão vendo discrepâncias. Então, quando já entrando numa coisa mais técnica, Quando vê lá na declaração de lucros do banco, uma demonstração de lucros de banco que tem uma rubrica, né, uma linha que assim, um prejuízo fora do normal.
Assim, o banco, ele acerta em tudo, mas chega justamente naquele tipo de operação, operação com day trade, menos R$200 milhões de prejuízo. Pera aí. Aí intima o banco, abre esse número aqui, Ah, isso aqui foram 15 mil operações de day trade que eu fiz, que todas deram prejuízo.
Opa, é no interrogatório. Aí tu passa para o interrogatório depois do—
aí chama o fiscal, que a gente chama de fiscal da externa, né, que no caso era eu. Esse cara, esse cara fica lá nos sistemas, né, esse outro fiscal. Por isso que eu falo, eu lanço, mas eu só empurro para o gol. Eu sou, tem todo um grupo de colegas que estão ali atrás de mim me dando suporte. Aí ele me chama, porra, Angelito, olha só o que que eu achei. Falei, caraca. Aí eu falo, abre a fiscalização, joga para mim que eu vou lá.
Mas Angelito, tem uma coisa que é o seguinte, hoje, hoje assim, a tecnologia tá, isso é muito maneiro assim, eu sou de 76, você falou que da década de 70, deve ser de 60, né? 67, 76. Acho que a gente é a última geração que viu o telefone analógico, a televisão de mudar, cadeado de telefone. A mãe ficava puta que usou muito telefone, metia um cadeado, não conseguia vazar o telefone. Aí tinha que fazer um código Morse, se entrega na cidade, cara.
Eu passei por tudo isso até chegar hoje. Então hoje, cara, para mim, porra, um dia eu fazer trabalhos como ator também. Eu fiz um trabalho para Globo, cara, já faz um tempinho. E deu, sei lá, uns R$12 mil. Pô, começo. E aí passou o ano, esqueci, esqueci, esqueci de declarar. E veio, cara, descobriram. Então assim, hoje em dia eu sei que é informatizado, mas como era isso em 1997?
Ah, isso aí era bem mais—
como funcionava a investigação em 1997, 98?
Era mais precário, né, porque não tinha tanta tanto auxílio da tecnologia, né? Mas esse exemplo específico, o que que aconteceu? Eu tô aqui supondo que é o caminho natural. A Globo te pagou, ok, você recebeu. Mas a Globo também tem que informar, além de outras coisas, a quem ela pagou. Ela faz uma declaração de imposto de renda na fonte, que ela reteve alguma coisa. Exatamente. Aí não casou.
Quando não casou Espertinho, ganhou 12 pratas e não falou nada.
Rafael, tu tá falando daquela época, mas a gente quer falar de agora. Aproveitando que você me deu essa preciosa deixa, quero falar da Sherlock. Você deve estar vendo aí na tela essa, essa, esse QR code. De repente o público do, vê através do Angelito, ainda não conhece o Fala Guerreiro, não viu ainda, não conhece o serviço da Sherlock. Quando foi? Na semana passada, Paulo. Os Estados Unidos sancionou 3, foram 3 ou 4 empresas brasileiras vinculadas a um determinado CPF tal.
Aí, por curiosidade, eu falei, deixa eu ver se essa ferramenta que nós anunciamos aqui, você que é gestor público, principalmente no segmento fiscal ou policial, ou do membro do Ministério Público, fica ligado nisso aqui. Por curiosidade, eu entrei no site de notícias. Tem esse vídeo aí, César? O anterior, aquele, acho que é o começo, site de notícia. Eu entrei no site de notícia, tá vendo aí, o Portal G1, selecionou o nome de uma empresa, fui ao Google, coloquei o nome da empresa, escrevi CNPJ ao lado para eu descobrir o CNPJ dessa empresa, achei o CNPJ da empresa, tô selecionando ali, legal, colei na ferramenta Sherlock, já tô logado ali, etc.
E pedir para buscar. Vem o nome da empresa. Vindo o nome da empresa, eu vou— isso é um dashboard, eu posso colocar na posição que eu quiser. Eu seleciono ali a lupa e vai abrir se essa empresa tem outras empresas e quais são os sócios dessa empresa.
Poderoso negócio!
E aí, beleza, aí vai seguindo, tal, vou organizando ali do meu modo. E aí eu cliquei naquela empresa para ver se essa pessoa tem mais sócios. E aí eu vou clicar no sócio para ver se ele tem mais empresas. Isso é justamente o cara que foi sancionado pelos Estados Unidos. Então essas informações já são públicas e vai abrindo mais empresas. Então para o cara que tá tentando ocultar patrimônio, se você é advogado, você que me ouve agora, se você é advogado e chegou no final da ação, você não tem a quem cobrar, mas você sabe um CNPJ daquela empresa, Você pode aí, e aí segue, porque depois, César, tem um outro vídeo que é o vídeo onde tem toda essa árvore já, já aberta ali.
A empresa que foi, foi sancionada, todos ficaram sabendo, foi amplamente divulgada na imprensa. E aí esse é o mapa depois que eu abri metade das empresas vinculadas àquele primeiro CNPJ. Vai avançando, vai avançando. Essa aí é a ferramenta Sherlock. Quando fala em tecnologia de investigação, nós estamos falando da Sherlock. Se você quer conhecer, tem o QR code aí na tela e o link tá aqui na descrição do vídeo. Fica a dica aí para você que é gestor de algum ente público que trabalha com busca de dados.
Sensacional, sinistro, poderoso negócio.
Nossa, nem a Receita Federal tem.
Eu duvido que ela tem.
Eu vou fazer assinatura aí quando eu voltar lá para fiscalização de tributos Polícia Interna.
Qual foi o caso mais interessante que você pegou assim, que te marcou?
De fiscalização ou de combate ao tráfico de drogas?
Os dois. Vamos para o combate ao tráfico.
Combate ao tráfico é um que é um sujeito que tava fazendo tráfico, quer dizer, a gente recebeu uma informação que tinha um suspeito. Isso é legal porque é uma coisa que eu falo, Eu tava na faculdade, a nossa colega que acabou de se aposentar, ela ligou e falou, pô, Angeli, tô com suspeita ali no Santos Dumont. Aí eu, em uma hora, eu saí da faculdade, cheguei no Santos Dumont com dois colegas, assim, a gente joga tudo pra cima e vai, né?
Que é aquela coisa, né? Vocês são policiais, sabem como é que é, né? Ligou, falou, pô, corre lá que eu corro lá. Aí eu cheguei lá, o sujeito tava levando duas malas cheias de coisa de pó lá, o diabo lá, chocolate, gengibre em pó. Era um nigeriano que ficou uma semana no Brasil. Falei, cara, que coisa estranha, cara. Pô, aí comecei a entrevistar ele. O avião, meia hora pra sair. Ele, pô, não, tô levando isso aí. Porque eu falei, mas, cara, o que você vai fazer com 60 kg de chocolate?
Cara, não, eu gosto muito de chocolate. Eu venho aqui comprar porque eu gosto. Falei, cara, é lógico que isso aí tem cocaína. O chocolate tudo da Colômbia. Eu falei, pô, tem cheio de cocaína aí. É só fazer um narcoteste e levar ele lá pros colegas da PF, que agora... Batou na cueca, fiz narcoteste, deu negativo.
Narcoteste no chocolate?
No chocolate, no pó, porque ele tinha duas malas basicamente com chocolate em pó numa embalagem, como fosse um—
Você achava que o pó já tava misturado com chocolate?
É, falei, pô, isso aqui é cocaína que eles botaram algum corante aqui e batou na cueca, né? Aquela coisa. Fiz o teste, deu negativo o narcoteste. Falei, pô, esse narcoteste aqui tá ruim, tá fora do prazo, diabo. Aí chamei o colega da PF lá do Santos Dumont. Pô, meu irmão, arruma um narcoteste bacana para mim. Não, vamos lá, os caras são colaborativos. Negativo. Falei, porra, arruma outro. Negativo. 3 narcotestes negativos. E agora?
Avião saiu, narcoteste negativo. Aí eu falei, pô, já sei, é chocolate. É chocolate, eu adoro chocolate. Fui lá na loja, pode falar nome da loja? Fui lá no Starbucks, falei assim, pô, me arruma um pacote de chocolate de vocês aí. Passei no raio-X, O chocolate da Starbucks deu um laranja, material orgânico, né, alimento. O dele deu verde, cor diferente no scanner. Eu falei, porra, isso não é chocolate. E os narcotestes lá, tudo negativo.
E eu já falando com a galera de São Paulo, a galera, cara, esse negócio tá estranho, não sei o quê. Eu falei, pô, e agora o que que eu vou fazer? E o cara lá falando que o avião vai sair, e eu que tava supervisionando a operação. Falei, cara, não vou deixar esse cara sair, porque tudo indicava que tinha alguma coisa errada, só que não tínhamos aquela prova contundente. A gente só tinha uma soma de indícios. Vocês são policiais, vocês trabalham com isso.
Às vezes uma prova é um feixe de indícios. Tem essa expressão, né? Um feixe de indícios.
Vários indícios se transformam em evidência.
Isso. Um feixe. O cara comprou passagem de um jeito que a gente conhece, numa data que a gente sabe, ererererererê. 60 kg.
Geriano já tem fama de—
assim, eu não entro nessa, me inclui fora disso.
Assim, direto vegetariano, geriano, gurinho do cocaína, tá ligado?
Esse me inclui fora dessa. Aí eu falei, cara, aí eu falei, cara, já sei isso, cara. Assim arrogante, falando assim, ó, meu, vai sair. Eu falei assim, ó, vou fazer o seguinte, quem tá comandando essa operação que sou eu, né? Você sabe, né? Vou te processar. Você falou que adora chocolate? Adoro. Eu vou ali no Starbucks, vou pedir um copo de leite, vou botar 3 colheres desse chocolate. Se você beber, eu te libero. Agora, se você não beber, eu vou te levar.
Você bebe? Não, não posso beber, não posso beber porque chocolate é para eu fazer não sei o quê, para jogar na terra. Aí começou a inventar que o chocolate não era.
De repente, chocolate, ele não era tão apaixonado assim, era chocolate para alimentar as minhocas lá.
Aí eu falei, aí eu falei lá para o colega da PF, para os outros 2 que estavam comigo, assim, ah, eu vou levar. Foda-se. E falei, que se dane, né? Ah, vou levar, vou bancar. Aí pegamos o cara, levamos para Praça Mauá, né, para os colega lá da Del Dia, né? Falei, ó, tá aí. Isso foi 10 da noite. 9 horas da manhã que conseguiram lá no espectrógrafo dos cacete lá identificar que realmente tinha cocaína naquilo tudo.
Mas como é que tava chavado aí?
Depois eu fui pesquisar, né? Falei com os ajuda dos universitários, né? Falei com o pessoal de Guarulhos, não sei o quê, aí eles me explicaram. Aí entrou um pessoal de Manaus, no que a gente se ajuda muito, né? Manaus, Guarulhos, todo mundo da Receita, a gente tem um WhatsApp.
Já tiveram experiência aí com você?
Aí o que que me explicaram? Eles colocam a cocaína ali misturada com outros produtos, e eles colocam uma substância que reage mais rapidamente com o líquido do narcoteste do que a própria cocaína. Então ele anula o líquido do narcoteste porque reage rápido e a cocaína não chega a reagir a ponto de azular. Aí fica aquela cor amarelada porque ele matou o reagente do narcoteste e parece que não é cocaína.
Depois, como é que ele faz para comercializar isso?
Talvez aí ele ele domina o processo de ocultação e depois ele domina o processo de purificação. Ele vai pegar aquilo lá, os 60 kg de pó com chocolate, vai passar por um processo químico que ele já domina, porque os caras têm muita grana, né? E aquele, de repente, aqueles 60 kg não tinha um cheiro peculiar?
Se ele tivesse levado pouca quantidade, ele passava.
Pode ser que sim, é porque tinham outros indícios que estavam mostrando que alguma coisa ele tinha errado. Mas assim, repara, o cara é nigeriano, vem, fica uma semana no Brasil. Vamos botar uma quantidade menor, tem 5 pacotes de chocolate da Colômbia. Não tá estranho?
Mesmo sem a quantidade, mas ele pegou no Brasil, pegou assim.
A Receita Federal, ela faz o trabalho de membrana que eu te falei. A investigação é exclusiva da Polícia Judiciária, da Polícia Federal. Ali eu não, não dá para a gente acompanhar o desdobramento, porque como o nosso trabalho é ali 24 horas, no outro dia eu já tô com outro caso e deixo aquilo ali para o pessoal que tá no, vai seguir.
Só para pegar o primeiro momento, eu pego, prendo o sujeito, pego a droga, entrego para os colegas da PF, e dali em diante é com delegado da PF.
É com delegado da PF. A gente não faz, a gente não faz investigação dentro do Brasil. Ah não, porque não, aquele ali é com a PF. Eu pego a droga, pego, prendo o sujeito, entrego para autoridade policial. Nosso papel é esse.
E esse negócio de engolir droga, engolir cápsula, cara, isso é um problemaço, cara.
Porra, já morreu gente ali com avião taxiando, porque se estoura, meu amigo, são 10 gramas de cocaína no seu, na sua barriga, entrando na sua corrente sanguínea.
E aí, cara, um tempo para fazer a febre, porque o ácido do estômago vai, vai corroendo o negócio. Assim, aquilo vai estourar, não é questão de tempo.
Normalmente não estoura aquilo ali, só porque é o seguinte, é uma produção, é que nem uma empresa, gente. O crime organizado, o tráfico de drogas, as organizações criminosas, elas são empresas, elas têm que ser vistas como empresa. Eles têm uma estrutura de produção. É o sujeito que coopta a pessoa, fala assim, vai lá levar. É o que embala a droga. Como é que eles embalam? Como é que eles fazem as cápsulas? Eles pegam uma luva cirúrgica, cortam os dedos, certo?
Aí fica com aquele, bota cocaína ali, fecha, dá um nó, passa no dedo, no dedo, é no dedo da luva. Eu corto, aí fica aqueles tubinhos, né? Bota cocaína, Faço, dou nó, nó, depois eu enrolo no filmito, aí queima o filmito para selar ele com calor. Por isso que eles ficam com um queimadinho assim. E vou fazendo. Aí tem um cara que só faz isso, gente, é empresa, o cara passa o dia inteiro fazendo cápsula de cocaína. E tem um cara que consegue o cara que vai traficar.
Aí tem um cara que vai ensinar como que o cara faz para engolir. Eles têm um jeito de engolir. E assim vai. E tem um que só toma conta do apartamento onde o cara fica hospedado durante uma semana treinando para se acostumar a engolir às vezes 120 cápsulas. Vocês têm ideia?
Tem um recrutador para isso também.
Então, recrutador que eu tô falando, que é o cara que vai lá e fala, ó, vamos lá. Então é uma empresa, cara.
Aí tem um gerente, eles ganham fazer isso, a média varia de—
eles falam para gente depois que a casa cai, né? O menor valor que eu já peguei assim, uma menina falou que ia ganhar R$10 mil para levar a droga para Europa. E o maior valor que eu já ouvi, R$25 mil, que foi de um cara faccionado. Aí o cara era de dentro, é um cara mais perigoso, né, de você lidar, né? Porque uma coisa é pegar uma menina que Ouviu o canto da sereia, ela oferece um risco mínimo ali. Agora, faccionado, você tem que ficar de olho, né?
Curioso que isso é uma situação que, cara, é um dinheiro que não vai mudar a vida do cara, mas pode colocá-lo numa situação extremamente problemática para vida.
Esse negócio, a pessoa não vai, não vai ganhar aquilo para mudar a vida. Às vezes a pessoa vai fazer aquilo que erroneamente, não tô aqui defendendo quem faz, para sair de uma situação desesperadora. Não quer, o cara não quer se aposentar, o cara quer, às vezes eu já peguei menina falando assim, cara, eu tenho uma filha de 2 anos que eu não tinha dinheiro para comprar o leite em pó dela, tava me prostituindo. O cara virou para mim e falou que eu ia ganhar R$15 mil, ficar uma semana em Paris, eu aceitei. Errei.
E passa muita gente.
A gente não tem uma estatística, né?
Passaram, mas a gente, como o negócio continua, eu acho que passa, porque se não passasse ninguém, parariam de fazer esse negócio.
Exatamente, exatamente, passa. Mas a gente, nenhuma polícia no mundo consegue dar conta daquele fluxo de pessoas. Senão não teria cocaína dentro dos Estados Unidos, que é o país que mais investe contra droga.
E enfim, não, e o fluxo de pessoas dentro de um aeroporto para a quantidade do efetivo de fiscais ali também é muito desproporcional.
Angelito, e quando erra?
Como assim?
Você já abriu a mala da pessoa, já tirou o forro, porque deve, alguém deve errar.
Então vamos lá, selecionou mal, acontece selecionar mal, mas a gente não adentra, porque quando você seleciona mal, rapidamente você identifica. Vou dar um exemplo. Uma menina que tava recebendo auxílio do governo no ano anterior, vivia numa comunidade, de repente comprou uma passagem com um valor absurdo para ir sozinha para Paris. Tá estranho, pessoa recebe auxílio do governo e paga uma fortuna de repente para viajar para fora. Ou ela ganhou na Mega-Sena.
Mas vocês começam esse trabalho então bem antes?
Sim, existe toda uma inteligência em fazer. Não tá estranho? Ou ela ganhou na Mega-Sena, ou, né, vamos lá, vamos ver o que que é. Aí fomos lá, pegamos ela. Quando a gente pegou, a gente logo viu. Eu tô dando um exemplo de um caso que aconteceu pouco tempo, era uma menina que era babá do filho de um casal abastado, que eles iam viajar para fora. Eles conseguiram desenrolar a viagem dela em cima da hora, pagaram uma grana na passagem e estavam levando ela.
Então, em 2 minutos de entrevista ali, o: não, ela tá comigo. Vocês concordam que aí O colega, uma, uma, a mulher do casal era uma influencer. Aí o colega reconheceu, falou, ih, eu conheço, já vi essa mulher, tipo 5 milhões no Instagram. Olhou, aí mostrou para mim, aqui, Angelita. Aí eu olhei. Você concorda que uma influencer que tem 5 milhões de seguidores no Instagram, que ganha não sei quanto, não vai pegar uma menina para traficar drogas?
Não vai. Aí eu falei, tá bom, boa viagem, me desculpa aí qualquer incômodo. E liberei.
Importante você falar isso, importante esse bate-papo, porque às vezes eu também já cheguei a acreditar em algum momento que você selecionava: tá andando esquisito, olha lá, deve estar. Então tem um trabalho além desse, esse seria só um dos indícios, né? Tá pisando mais alto no pé direito, deve ter cocaína naquela palmilha ali.
É, não chega a ser, mas tem uma linha que tem que marcar bem. Na minha equipe, eu já falei isso em outros lugares, na minha equipe ninguém fala tem cara de. Quem fala tem cara de tá cometendo preconceito, vai falar besteira em seguida. Sabe aquela história?
Eu sou rei de fazer isso.
Então ninguém tem cara de nada, na minha opinião.
Porque senão, tem que você, homem bom. Eu não, você é um homem bom.
Não, eu não tenho cara de alguma coisa.
Eu tenho cara de doido, por exemplo. Olha para mim, eu não tenho cara de doido? Eu entendo, eu admiro.
Parece o Pulverino.
Eu admiro.
Parece o Pulverino.
Eu conto um caso aqui de uma cracuda que estava na praça tocando o zaralho, agitando tudo. Eu entro com meu cachorro na praça, tranquilo. Aí eu paro e fico olhando para a cracuda. A cracuda tocando o zaralho. Então aí mexeu com aqui, mexeu com daqui. Daqui a pouco ela virou para mim. Quando ela olhou para mim, ela fez assim, ó, fez o sinal da cruz e foi embora. Eu falei, rapaz, de repente ela viu muito gosto em você.
Ela era médium.
Eu vejo, o cara tá sozinho, né?
Eu acho que o Rafa tem cara daquele X-Men lá.
Mas continua, você já não deixa ninguém falar que tem cara de alguma coisa.
É, não. Agora, diferentemente de cara, de aspecto físico ou qualquer vestimenta religioso, é horroroso a pessoa falar assim: e ali a pessoa tá com aquela roupa árabe. E será que ele tem uma bomba? Que coisa horrorosa, cara! O povo árabe tem uma cultura, tem uma cultura riquíssima. A gente deve a matemática, muito da matemática a eles, a gente ter conseguido receber muitos ensinamentos que a gente trouxe lá da Grécia porque eles guardaram.
Enfim, é absurdo você falar, você aliar uma coisa a outra assim. Mas enfim, tem cara de não Não existe ali na minha equipe, mas há o comportamento suspeito, que é diferente, que qualquer pessoa pode ter. Eu tô lá no finger, tem uma pessoa que tá tremilicando toda, com medo, evita olhar para você. Então começa a somar alguns elementos, fala assim, cara, aquilo ali eu vou ali perguntar o que que eu vou ali entender aquela viagem dela.
Aí eu vou lá, oi, você tá tudo bem? Já aconteceu, a pessoa fala assim, eu tenho pavor de cachorro. Porque a gente passa o canil, pode ser uma situação que a pessoa estava com comportamento aparentemente suspeito, mas era porque ela tinha pavor de cachorro. Aí eu peguei o passaporte dela, conversei com ela, vi que era uma viagem que a gente chama de viagem inocente. Agora, já aconteceu da pessoa tá tremendo toda, eu falar assim, tá tudo bem?
Ela Tá, você vai para onde? Eu vou para Paris. Tá, por quê você vai fazer? Aí começa aquelas perguntas: o que que você vai fazer lá? Vou ficar uma semana em Paris. A pessoa vai para Paris, não fala o que vai fazer.
Você já reparou que quando a pessoa aí começa, entendeu?
Aí vai, e tu já tem a manha, né?
Onde você vai ficar? Aí ela tira uma pasta Porque ela não sabe falar o nome do hotel, mas ela tem a folha do hotel. Ela tira uma pasta, ela não sabe nem ler o nome do hotel, entrega para mim. Aí eu: tá, mas quanto custou sua passagem? A pessoa não sabe. Pô, alguma vez vocês já viajaram para o exterior sem saber? Eu sei quanto custou, como eu parcelei, o diabo, quantas milhas eu gastei. Ah, não sei, foi Mano, você não tem nem ideia, foi R$50 mil.
Aí fala um valor que não tem nada a ver. Aí, entendeu? Olha a diferença. Um comportamento suspeito de nervosismo que qualquer pessoa pode seguir foi seguido de uma entrevista. E eu deixo claro, a pessoa não precisa responder nada. A pessoa ali não é uma investigação criminal, é uma entrevista que a pessoa pode falar assim: cara, não quero responder você. Eu falei: beleza, então vamos ali que eu vou checar sua bagagem. A pergunta, ela é feita para facilitar quem não tem nada a dever.
Se não, olha só, eu vou, esse que tá aqui, ó, isso aqui eu paguei tanto na passagem. A pessoa fala os centavos que pagou. Viu a diferença?
Curiosamente, você me tirou uma dúvida, é o seguinte: quando aperta aquele botão da luz verde, a luz vermelha, rapaz, aquilo não existe mais não.
Tem que baixar o iOS.
O iOS, eu achava, quando eu apertava aquilo ali, eu achava que era sorte. Eu achava que era sorte, porque quando era criança eu apertava, minha luz sempre dava verde, e aí eu passava. Depois, ficando mais velho, fui ficando com essa cara.
Você tá louco?
Quando eu apertava, sempre dava vermelho. Falei, rapaz, tem alguém lá dentro olhando para cama, esse aí vermelho. Aquilo ali era sorte mesmo, rapaz.
Eu vou te falar, aquilo acabou há tanto tempo que quando eu saí da fiscalização em 2018, fui para o aeroporto, já não tinha. Então, então, há 8 anos atrás eu não peguei aquilo.
Não pegou? Não. Agora, sobre uma—
mas tu pegou como viajante?
Como viajante, poucas vezes, porque eu só na época lá, né, de vacas magras, eu só conseguia viajar quando a empresa que eu trabalhava me mandava lá para fora para fazer alguma coisa.
Deixa eu então, posso Fazer um outro, característica curiosa de abordado, né?
Eu não sei se é a mesma coisa no aeroporto, mas normalmente na polícia, quando você aborda e começa a perguntar, o cara tem uma tendência a repetir a pergunta que você acabou de fazer. Qual o seu nome? Meu nome? Tá indo para onde? Para onde eu vou?
Nervosismo, né?
Tu já pegou assim? A gente chama de tá arrumando tempo para pensar, para pensar a resposta.
Você falou Uma coisa muito interessante é que a pessoa tá num estado de nervosismo tão grande que a atenção dele tá difusa. Ele tá pensando ali, por exemplo, você policial abordou o cara, o cara tá no delito, o cara já tá ali pensando assim, cara, para onde eu vou correr? O que que eu vou fazer? Ele não tá, ele não tá prestando atenção que você tá perguntando. Isso eu tô falando em termos de psicologia, eu não sou policial, mas é porque o cara tá passando tudo ali.
Pô, será que ele vai pegar essa arma que tá aqui no meu calcanhar aqui que eu botei. Ele, a cabeça dele tá pensando em um monte de coisa e pouca parte da atenção dele tá ligada na pergunta. Por isso que ele tem que perguntar, por isso que ele repete. E uma outra coisa interessante, porque isso é técnica de entrevista, eu abordo também gente quando eu vou trabalhar na fronteira, e a abordagem aí é em estrada, é diferente. Abordagem em aeroporto é tranquilo, aquele era restrito.
Sei que o cara não tá armado dentro do finger do avião, então aquilo ali é Água com açúcar. Problema é de vocês policiais, problema é lá pessoal de fronteira que aborda a estrada, né? Você manda o carro parar e começa a fazer, pede para o cara sair, começa a fazer entrevista. Uma técnica que a gente tem é de não deixar o cara vagueando assim, você ficar perguntando o tempo inteiro, porque aquele cara que tá, que tem aquele tempo sem você tá ali interagindo com ele É o tempo que ele tem de preparar uma reação, de correr ou de tentar pegar sua arma.
Então, uma técnica de entrevista: você pergunta, pergunta, pergunta, pergunta. Sim, no aeroporto a gente trabalha armado. O risco dentro do aeroporto é pequeno, concorda? Mas o problema é que às vezes a gente pega o cara com, sei lá, 3 kg, 4, 5 kg de cocaína, 3 horas da manhã. Aí a gente leva para delegacia da Polícia Federal de dentro do aeroporto. Aí chega lá o colega, fala assim, cara, estamos sem delegado aqui, tem que levar para a próxima UA.
Aí você vai ter que pegar a linha vermelha com droga, com preso e diabo. E aí, com viatura?
Olha, tem uma pergunta, o Wesley Menelli, ele perguntou o seguinte, fala, guerreiro, uma pergunta injusta. É uma pergunta injusta falar que o tirocínio do Paulo, né, é diferente do tirocínio policial de vocês, considerando que ambas as profissões exigem um certo nível de desconfiança? Eu acho que não. Acho que tirocínio é a expertise que você adquire ao longo da experiência na atividade que você exerce durante a atividade policial.
Então assim, o tirocínio do Paulo é exatamente aquilo que ele já entendeu, porque assim, o ser humano ele tem padrões. É claro que eventualmente você tem as exceções, os caras que estão lá lotado de cocaína e estão ali tranquilasso, tal, não sei o quê, e sabem lidar com aquela situação, mas Mas existem padrões de comportamento para pessoa que tá de comportamento. Então assim, eu acho que assim, a gente também analisa muito, pô, aeroporto é um ambiente que tá todo mundo, a gente já vive em ambientes diferentes.
Então assim, já existem territórios que a gente já sabe que é problemático ali, o problema. Então a gente tá ali, então tipo, qualquer um ele pode ser suspeito. A gente sabe até que tem lugares que eles usam crianças para fazer o transporte, bota droga na mochila da criança. Então a gente acaba tendo que, digamos assim, né, nem o tiro, às vezes sem pensar em um milhão de possibilidades, né.
Não tem dúvida que a experiência é diferente. Agora, porque quando a gente fala tem cara de, a gente tá falando de aspecto físico da pessoa, né. Tem cara de cara. Isso aí vem, vai lá atrás. Vocês já devem ter ouvido falar de um cara chamado Cesare Lombroso.
Frenologia.
Os antigões, os antigões são lombrosianos, são lombrosianos, mas eles têm uma razão de ser. Sabe por quê? Porque isso aí era ensinado até pouco tempo nas faculdades de direito. Existe uma rua em São Paulo que homenageia esse sujeito, Rua Cesare Lombroso, sabia? Que era uma rua, que era uma rua, só para complementar, que era uma rua que era muito ligada à prostituição e que fizeram uma higienização da rua E trocaram o nome para Cesare Lombroso.
E hoje tem um shopping, Shopping Lombroso, um negócio assim, shopping. Enfim, é um cara que influenciou essa pseudociência de frenologia, influenciou muito o pensamento jurídico brasileiro durante décadas. Só que as pessoas têm dificuldade de se livrar disso. Por quê? Porque favorece o preconceito com as classes menos favorecidas.
E ele ainda é citado na criminologia como uma evolução mesmo.
Eu acho que vale citar, assim como a gente estuda na história, assim como a gente estuda na história o fascismo, né, que foi uma coisa absurda, né, a gente tem que estudar também a evolução, quanto a gente já errou para começar a acertar.
Você quer ver uma coisa? Eu tenho, eu tinha um livro que eu ficava, meus pais se formaram em direito, né, E eles tinham livros de medicina legal e eu ficava folheando aquele livro, meu irmão. O livro era uma coisa horrorosa, tinha umas fotos horríveis. E tinha um determinado momento no livro que eu lembro que tinha assim características físicas de um criminoso, a protuberância da testa.
Cara, esse Lombroso absurdo!
A testa, a testa do cara, ela faz isso aqui, tal, não sei o quê. E era tudo desenhado, era um desenho, não era, não era o ângulo do peitoral com não sei o quê, que o ombro faz assim, tal. Porque, cara, ele Aí, cara, era totalmente no Brasil, tava no livro de medicina legal, cara.
Então a gente, assim, os antigões, pô, os caras receberam isso e é difícil se livrar, né?
Enfim, uma pergunta aqui agora sobre tráfico de pessoas. Ih, rapaz, isso aí, cara, como é que vocês têm se deparado com esse tema que tem sido bastante falado hoje em dia, né?
Então A Receita Federal, a preocupação dela é principalmente mercadorias, drogas, armas, cigarro, descaminho, tudo. A parte de imigração, ela é exclusiva da Polícia Federal, tá? A Receita não evita que uma pessoa entre no país, isso é da Polícia Federal. Mas a gente tangencia o problema que muitas vezes a gente vai em cima de alguma chama a pessoa para fazer uma fiscalização, e quando a gente vê, a pessoa não tá, não tá levando nada exceto ela mesma, entendeu?
E muitas vezes os colegas da Polícia Federal não podem fazer nada, que as pessoas estão legais. Vou dar um exemplo que tava ocorrendo com regularidade: pessoas dos países andinos ali, mulheres na faixa de 18, 20 anos, atravessavam a fronteira terrestre pegava um voo de Manaus para o Rio de Janeiro doméstico, em grupos assim de 5 mulheres, e saíam daqui para Europa. Aí quando a gente via essa característica de viagem, pô, vamos entender essa viagem, né?
Chegava lá, 5 meninas de 18 anos, olhava tudo, olhava a bagagem, passava no raio-X, via que não tinha cara de estar engolido, que o engolido tem engolido, não tá, não sei o quê. Pelo tempo também, se a pessoa tá engolida, sabe o quê? Que engoliu, é que engoliu. Porque acontece, tem um tempo para expelir. Se elas tivessem chegado no Rio de Janeiro, tivessem ficado 3 dias para engolir e tivessem ido para o aeroporto aquela hora para embarcar, podiam ter acabado de engolir.
Mas elas chegavam no aeroporto e ficavam no aeroporto, chegavam de manhã e ficava no aeroporto até a noite esperando o voo. E já tinham pego um voo de 5 horas de Manaus. Então, se fosse engolida, já tinha expelido alguma cápsula, porque depois de 12 horas começa a expelir. E a gente não achava nada. O que que era aquilo? 5 meninas que nunca tinham ido para aquilo ali, tráfico humano. Infelizmente estavam indo lá para, de repente, para se prostituir ou para serem usadas em trabalho insalubre.
Só que o que que você pode fazer? Tá com passaporte, ok, não tem droga, a gente não pode fazer nada porque a gente não tem atribuição. A Polícia Federal também não pode fazer nada porque tá tudo ok.
Você não tá identificando o intermediário, é a pessoa que tá levando, não tá?
Aí vai, o que que a gente pode fazer? E assim, dá pena porque é aquela história, você tá indo para onde? O que que você vai fazer lá?
Ah, não sei, né? Tá indo até no Alcatraz de Lúmna.
A polícia Polícia Civil, em uma operação em conjunto com a Polícia Federal, apreendeu alguns fuzis 2017, 18, talvez, no Aeroporto Tom Jobim. É comum a Receita Federal encontrar armas vindas de fora para o Brasil no aeroporto?
É comum, mas aquela apreensão que eu me lembro que foi, eu acho que foi a Polícia Civil junto com a Receita Federal. Foi com a polícia? Não, foi com a Receita Federal.
E eu acho que, eu acho que a polícia, a polícia civil, aquecedores, é essa operação.
Eu não tava lá ainda lá, mas eu conheço a história. Foi um assim papo de 40, 60 fuzis. Isso aí nunca mais aconteceu. O que a gente pega agora são armas, porque a arma é uma coisa muito fácil pegar no raio-X. E o nosso, nosso poder de fiscalização por raio-X aumentou muito. Então a gente tá passando muita carga no raio-X e bagagem. O que vem acontecendo, que a gente tá pegando peças, que hoje em dia você, vocês são policiais, você tem ali a parte mais do ferrolho e tudo mais, a parte que não tem como não ser de ferro.
O resto você faz na impressora 3D, né? Então a gente tem pego isso, pegou até nos nos Correios. Às vezes o cara manda lá de fora uma mala daquelas de ferramenta com chave de fenda, não sei o quê. No meio tem um cano de uma pistola com a rampa alimentadora, que a gente identifica lá e fala. É difícil porque é um monte de coisa de ferro e tem um cano ali. Então a gente tem pego muito partes de armas assim, mas armas inteiras assim não temos pego não.
E como é esse trabalho para embarcações internacionais que chegam ao Brasil? São contêineres, coisa, uma proporção muito maior, né, que se diz, né?
O trabalho mais pesado no porto é na saída. É difícil chegar droga no Brasil pelo porto, muito, porque quando sai uma droga de um navio, do, vamos supor, navio saiu da Colômbia, Normalmente ele vai para fora, não vem para o Brasil. É porque é mais, a droga é muito mais cara no Brasil do que para cá.
O Brasil foi verificado como um hub, mas ele não recebe via Porto, ele envia.
Realmente, exatamente. Existe a rota caipira que a gente chama, existe a rota lá do Amazonas, do Solimões. Tem várias rotas que desemboca aqui, Rio, Santos, São Paulo-Guarulhos para ir para África e Europa. Esse é o caminho sendo seguido, certo?
Agora uma pergunta aleatória.
Sim, são as melhores.
Uma pergunta aleatória foi abordado no aeroporto quando eu estava indo fazer um curso lá nos Estados Unidos. Era um curso que eu tava indo pela polícia, a passagem foi comprada pela polícia. Tinha todas as indicativas de que eu ia fazer um curso na polícia, sendo policial.
Do nada, cara de polícia. E não posso falar isso.
Daqui a pouco, daqui a pouco botou o rapaz, botou: opa, tudo bem? Seleção aleatória. Eu falei: meu amigo, primeiro que se é seleção não é aleatória, mas vamos lá. E aí fez revista, olhou minha bagagem, etc. Como que essa tal seleção aleatória é?
Existe a fiscalização, seleção, tudo da Receita Federal, existe da Polícia Federal. Eu, eu acredito que você tenha caído na seleção aleatória da segurança aeroportuária quando estava entrando, passando no raio-X de embarque, não foi? Aquilo ali não é Receita Federal nem Polícia Federal, embora a Polícia Federal faça uma supervisão a uma distância daquilo ali. Aquilo ali é segurança aeroportuária, e aquelas pessoas são Apacs, que são agentes de proteção aviação civil, que são colegas firmes nossos lá no nosso trabalho.
Tem Apacs maravilhosas que nos auxiliam muito. Eu acho, vou dar minha opinião como viajante também, eu acho esquisito demais essa história de seleção aleatória e revista pessoal, sem uma fundada suspeita. Vocês são policiais, vocês sabem que vocês não podem fazer revista pessoal sem fundada suspeita, concorda? Mas eles fazem, já fizeram em mim também. E eu criei caso, falei assim: eu não posso fazer revista pessoal sem fundada suspeita, agora vocês fazem.
Ah, é porque a ANAC, não sei o quê. Aí eu protestei, eu conheci a galera de lá e eu fui selecionado. Os caras falam assim: Angelito, ali no Galhão. Foi selecionado. Eu falei, cara, eu vou ficar criando caso aqui, vai demorar mais do que eu deixar esse cara fazer revista. Aí eu falei, ah, foi o que eu pensei, eu me diverti até.
Aí ficaram os colegas me zoando, né, os colegas que ia pegar o mesmo voo que eu.
Agora vou deixar aqui registrado, eu acho estranho, mas parece que é uma questão internacional, é como se fosse um protocolo internacional que eles têm que seguir. Muito embora o STF já tenha decisões aí.
Vocês têm essa noção, vocês e a Polícia Federal, que boa parte dos passageiros não oferece resistência justamente por acreditar que é da Receita ou da Polícia Federal?
Sim, tem a questão ali, o brasileiro, ele, ele, eu acho que o brasileiro tem que começar a ver a autoridade de forma relativa, porque a pessoa é autoridade com quanto esteja se comportando e atuando dentro dos limites da lei. Então, por exemplo, policial fazer entrevista do cara, dá tapa na cara, pode. Muito embora a galera, quando pega um vídeo, publica no Instagram todo mundo rindo. Aquilo ali tá errado, aquilo ali é, a gente tá baixando o nosso nível de civilidade, porque na lei o policial não pode.
E a policial, o auditor fiscal, a gente tem atividade vinculada, né? Isso cai em prova, né? Atividade vinculada, você pode fazer o que a lei manda e o que a lei permite. Então a gente ainda carrega essa, esse receio, esse temor pela autoridade por si só. Vê o cara, vê o uniforme, já: eita! Aconteceu comigo lá atrás, primeira viagem internacional que eu fiz, passando pela alfândega da Receita Federal, sem nem sonhar entrar na Receita Federal, com 23 anos.
Comprei um pacote de MM daquele Família lá nos Estados Unidos, que uma empresa me mandou para lá. A gente da Receita Federal olhou, falou assim: isso aqui não pode. E guardou. Pode fechar, pode ir embora. Aí eu pensei assim: pô, de repente alimento não pode. Não, aquilo ali, porque na época era comum essa imposição da autoridade. Ela se achava no direito de pegar uma coisa que de repente ela ia levar para o lá para o filho, para o neto dela, porque a gente tem esse temor da autoridade.
E não pode ser assim. A autoridade tem que ter o respeito dentro das medidas cabíveis que ela pode fazer.
Concordo, 100%. Agora vamos lá, porte de arma na Receita Federal. Quando isso aconteceu?
Esse é um projeto que já tem aí uns, já tem para mais de 10 anos, que a gente identificou Já houve mortes de colegas no exercício da função, e a gente identificou que a gente tinha um risco muito grande dentro das nossas atribuições. Antigamente, eu peguei essa época, você era nomeado auditor fiscal, a sua carteira funcional já vinha escrito que você tinha porte de arma. Só que era, era bangu, como se fala, né? Ó, toma aí, você tem porte de arma, agora se vira.
Para comprar arma, treina. E aí viu que não tava dando certo, porque fica cada um compra uma coisa, cada um treina de uma coisa, cada um usa de uma forma. Então viu-se que havia uma necessidade de se formar uma doutrina de armamento. Então assim foi feito. Nós primeiro tivemos instrutores externos que formaram instrutores da carreira, auditoria da Receita Federal, que incluir analistas e auditores. E a gente começou a estabelecer uma doutrina com legislação interna, com cursos, com necessidade de reciclagem.
Hoje em dia tá tudo normatizado, tanto que existe uma coisa chamada TMC, que é treinamento de manutenção de cautela. Ou seja, você fez o curso de formação de operador de armamento, recebeu sua arma institucional brasonada, tá aí. Não vou te dar arma e virar as costas. Vocês sabem, a gente tem que treinar. Então todo ano tem que ter X horas e tantos disparos para você manter aquela arma com você. Se você pular TMC, TMC, treinamento de mãos, você vai perder a arma.
A Receita banca esse treinamento?
Sim, é interno, é com os instrutores da Receita. Eu sou instrutor de armamento e tiro formado pela Receita Federal por outros instrutores. A gente se reúne, reúne os instrutores, leva para o estande de tiro. A Receita tem estande de tiro pelo Brasil. No Rio ainda tá em elaboração. Nós temos em São Paulo, em Brasília, em Foz do Iguaçu e outros lugares estão sendo construídos. A gente pega todo mundo que tem armamento, treina a pessoa, frisando na segurança, na técnica, tudo, e vai para casa. Passa aí 3 dias treinando.
Agora você vê que vergonha para as polícias, que vergonha para as polícias. Hoje o policial civil, militar ou policial penal, se quiser treinar, com raríssimas exceções ou um seleto grupo, tem que pagar. E não é barato, tem que pagar.
É caro, munição é caro, munição para treinar é caro, o local é caro, tudo é caro, que é uma atividade cara mesmo. A Receita, ela tem essa preocupação por um motivo: o programa de armamento da Receita recebeu muita crítica externa e interna. Por incrível que pareça, por incrível que pareça. Só que o pessoal não vê que em muitos anos aí passados a Receita Federal foi a instituição que mais pegou droga em termos de valor. Teve em 2024, nós pegamos 69 toneladas de cocaína.
Vocês têm noção que isso, vocês sabem, 69 toneladas de cocaína em porto, aeroporto. Só que muitas vezes, olha só, vamos lá, vocês são aqui do Rio, imagina vocês dois pegarem 500 kg de cocaína no porto de Itaguaí. Vocês estão com mais 2 colegas, somos 4. Vamos lá, nós 3 mais um, pegamos 2 viaturas, 500 kg. É muita droga, né? Sim. Aí a gente liga para um, liga para outro. Pô, não posso, não posso ajudar vocês não, vocês têm que trazer aqui para próximo alá.
Aí vocês vão ter que pegar, nós vamos ter que pegar 500 kg de cocaína, botar em 2 viaturas com 4 colegas armados ou não, para passar pelo Arco Metropolitano, 6 da noite, 7 da noite, para trazer. Vocês se sentiriam tranquilos se vocês não tivessem armado?
Não, não tem como.
É, nem armado, 4 pessoas armadas já é um, já é um cenhaço, né?
Porque um tá dirigindo.
Então é muito de vocês estão transportando muito dinheiro e os criminosos sabem.
Exato. Porque quando você pega droga, 5 minutos depois o cara lá que botou a droga no container, ele falou assim: aí, casa caiu. E em seguida ele vai receber informação: ó, vamos passar pela, lá pela, pelo Arco Metropolitano, e só tem 4, um motorista. Então, meu amigo, como é que você não vai dar arma para um servidor que vai transportar 500 kg de cocaína?
Eu não entendo essas pessoas que criticam. Eu tenho filosofia como cidadão, tá, né? Como policial não, como cidadão. Quanto mais pessoas armadas, e principalmente pessoas armadas institucionalmente, para mim é melhor. É a possibilidade maior. Por exemplo, o cara é da Receita, mas ele tá passando e tá vindo, tá vindo um bom, tá acontecendo uma situação, o cara é mais uma força armada para reagir e vai acabar reagindo porque vai se sentir ameaçado também.
Então assim, quanto mais questiona também as guardas municipais agora, arma, não arma, gente, Gente, acabou esse negócio.
Olha só, o meliante não vai olhar uma viatura com giroflex e falar, ah, é Receita ou polícia? É guarda municipal ou é polícia? Se tiver problema, ele vai sentar o dedo, meu amigo, e cada um por si ali. Então a gente anda pela linha vermelha, a gente anda pela linha amarela, a gente já teve colega que trocou tiro ali no início da linha amarela. O problema é de todo mundo, ainda mais Rio de Janeiro.
E essa coisa de ser instrutor de armamento e tiro, você sempre gostou de arma ou você começou a se interessar depois que ganhou o porte?
Não, eu, nos treinamentos ali, eu nunca fui do armamento. Aí eu trabalhava lá fiscalizando empresa, de repente eu fui para o aeroporto e de repente eu fui para vigilância e repressão, que é essa parte mais operacional, digamos assim. Só que eu tenho o hábito que eu eu cultivo desde quando eu entro num negócio, eu quero fazer bem feito, né? Porque a gente que, eu que não tem você, a gente que não tem berço, que não tem capital social de colega que conhece não sei quem, a gente tem que ser bom, né, para conseguir fazer bem feito.
E tem que vencer na vida assim, né, sendo bom. Quando eu entrei nesse negócio assim, cara, o jeito de ser bom, bom assim, bem treinado, recebeu os melhores treinamentos É eu virar instrutor. E assim foi. Primeiro eu fiz o meu curso de formação, fui bem, relativamente bem. Aí depois eu fui demonstrando interesse, fui estudando o assunto, fui me mostrando um cara que eu gosto da aula, eu tenho uma facilidade para ensinar tudo. E o corpo de instrutores foi vendo assim que eu tinha interesse, eu tinha disposição para ir, porque é muito restrito, é muito concorrido.
Você fazer o curso de formação de instrutor. Até que eu fui ser federal, que tá, né? Não, somos nós, é dentro da casa, é o CFIAT, Curso de Formação de Instrutor de Armamento e Tiro, dentro da Receita Federal. O meu foi lá em Foz do Iguaçu. E aí viram que eu tinha interesse, que eu tinha uma disposição, que eu era um cara que poderia somar ali a essa categoria, e me chamaram para o curso. O curso é um curso pesado. E aí eu Consegui passar, porque é difícil passar, consegui passar e hoje eu sou IAT.
E eu tenho como lema o seguinte, talvez isso seja o maior ativo, porque tem muito mais gente lá como IAT que sabe muito mais de armas do que eu, lógico, mas eu ofereço talvez uma visão um pouco fora da linha da curva. E eu costumo dizer o seguinte, tão ou mais importante do que ter a técnica técnica de como atirar é saber quando não atirar. Nosso maior problema na segurança pública, em problemas que nós temos com armamento, nós da segurança pública, vou me incluir, é o tiro dado no momento errado na pessoa errada.
Então você tem que saber as duas coisas: tem que ser a técnica para fazer a coisa certa, como você tem que ter o conhecimento de como não fazer. Eu vou dar um exemplo meu. A gente prendeu um faccionado, levamos para delegacia civil que tem ali no Galeão. Não tem uma delegacia ali no Terminal 1? Chegamos lá dentro, tava conversando com o colega, falei para o outro colega tomar conta do cara, não sei o quê. O cara tava— o cara saiu correndo de dentro da delegacia.
O policial, o colega de vocês, que falou assim, pô, o cara O cara fugiu, eu saí correndo atrás dele. O cara conseguiu chegar fora do aeroporto, na rua ali, né? Se eu não tenho um treinamento e uma cognição ali de, cara, vai e corre, no reflexo você com sangue nos olhos querendo pegar o cara que tá correndo, o risco de você pegar uma arma e dar um tiro no cara não existe. Se você não perdeu o controle Agora me digam vocês, o que que teria acontecido comigo se eu— o cara tava 10, 15 metros de mim assim, tem vídeo, mas eu não posso botar aqui.
Se eu tivesse puxado a arma e dado um tiro nas costas do cara, quando eu tivesse de frente para o juiz lá, ele perguntasse por que que você atirou, o que que eu ia responder? Porque ele tava fugindo? Eu ia ter perdido o meu emprego, concorda? Ia ter de repente matado o sujeito. Aí a minha família ia ficar com o cara desempregado, eu preso. Então o que que eu fiz, meu irmão? Eu vou pegar esse cara no feijão, você correndo atrás dele.
Se ele fugir, eu pego depois, o meu colega pega a viatura, mas eu não vou atirar no cara. Então é muito importante a gente saber quando atirar.
Quem trabalha nas funções nossas ou correlatas tem que entender que às vezes a gente vai perder.
Exato, porra, falou tudo agora.
Deixar o ego, né? Lembra situação que eu corri atrás de um vagabundo e aí eu perdi ele na corrida, só que eu só parei de correr quando eu sumi da vista do outro colega. Falei não, aí corri, corri, quando eu sumi da vista do outro colega, já era, vou pegar ele em outro momento. Rapaz, tu não acredita, chegou uma moto ali, ele montou e foi embora.
Vida que segue, né?
Eu já perdi na corrida para um gordinho. Quando eu vi o gordinho, eu falei, gordinho, vem aqui, quero falar Só que tinha que ver aquele, ele já saiu. Vem cá, Gordinho, vem cá. O Gordinho já começou a acelerar, acelerei, corre. Meu irmão, daqui a pouco ficou atrás do Gordinho, foi correndo, correndo. Meu irmão, a gente desviou de umas pessoas assim, ele daqui a pouco foi, daqui a pouco o Gordinho foi abrindo, abrindo, abrindo. Eu falei, meu irmão, eu não acredito.
Meu irmão, daqui a pouco, aí a viatura parou do meu lado, falou assim, ó, e aí, Rafa, o cara fugiu? Pô, meu irmão, eu não ia conseguir nem falar.
Pô, meu irmão, veja só, se o Rafa começa a correr atrás da gente, eu vou ganhar da corrida dele só pela cara de desespero que ele tem de me pegar.
O gordinho tava na sobrevivência, o gordinho era zebra, pô.
Mas ele tinha um incentivo para correr, que era você correndo atrás dele. Imagina o Rafa com a licença poética que ele permite. Imagina o Rafa com a cara de maluco que ele já permitiu que a gente correndo atrás.
Já admito.
Autodeclarado, autodeclarado, maluco. Quem não vai ganhar do Rafa na corrida com o incentivo de correr dele próprio?
Qual o pior aeroporto que tem para trás? Não que você trabalha, que você sabe, o mais agitado, mais problemático.
Não, não vou falar problemático. Eu digo o aeroporto que tem mais BO é Guarulhos, galera.
É o que o fiscal não consegue dormir.
Não, não digo isso. Eu digo é o é o que tem mais ocorrência, é o campeão de muito volume e uma limitação de pessoal que atinge a Receita, a polícia, tudo, cara.
Já trabalhou lá?
Eu já fui para reforço. E é assim, você é plantão, né, 24 horas. A gente trabalha aeroporto, a gente trabalha 24 por 72, cara. 24 você trabalha lá, 21 só tem plantão, ou tem expediente também? Tem expediente também, mas o pessoal que fica mais no administrativo. Quem tá ali na lida de carga, passageiro, droga, contrabando, descaminho e o diabo é plantão.
É maneiro trabalhar no aeroporto, né?
É maneiro sim, uma experiência do cacete. Eu gostava para caramba, mas chega uma hora que cansa, porque o seu tempo de vida assim, a sua rotina, fica descasado da sua família. Assim, a sua esposa trabalha ali, horário de expediente, os seus filhos eles trabalham, estudam, você tá ali viradão, né? Trabalha 24 horas, chega em casa, quer dormir, depois no sábado você tá trabalhando o sábado inteiro. Esse descasamento cansa, cansa.
E como é composta essa equipe? Tem um auditor fiscal da Receita? Todo, são todos auditores ou tem analistas? Como é que é composta a equipe de fiscalização no aeroporto?
Vamos lá, no aeroporto virando plantão são 4 equipes, né? Enquanto uma tá lá, tem 3 equipes fazendo essas 72 horas, né? Essa equipe que tá lá no plantão, que é a equipe de fiscalização, tem um ou dois auditores no máximo, porque um substitui o outro quando entra de férias e etc. Tem alguns analistas e tem até alguns administrativos que fazem outras tarefas. São pessoas de outros órgãos que foram aproveitadas na Receita. Então é bem variado, mas pelo menos um auditor tem que ter.
Porque é autoridade constituída da casa, da Receita Federal. Então ali normalmente no aeroporto tem um auditor que é o supervisor. Eu já fui supervisor ali nessa época, eu tava ali de plantão, e o restante é o pessoal. Agora, na vigilância e repressão, às vezes tem só analista numa equipe, porque— e outra coisa, pô, vigilância e repressão é sonhar, né? Então não tem esse negócio de, ai, o auditor manda, não analista. Não, não dá pra ter.
Por exemplo, quando eu vou pra Foz do Iguaçu, eu sou auditor fiscal, chego lá, tá aqueles antibões lá, cara, tem um analista lá, tem um analista lá que, pô, o cara foi meu instrutor de armamento e tiro, tá há 20 anos fazendo fiscalização lá em Foz do Iguaçu, tá rodando naquelas rodovias de viatura andando, correndo de carro atrás dos caras. Eu vou chegar lá, falar, não sou editor. Eu viro para o— vou citar um, Cauã Chita, que é um cara, pô, amigão meu.
Ele é analista. Eu quero saber se ele é analista. Fala assim, Cauã, que que eu faço? Eu vou, cara, botar minha rabieta de perna e com maior honra assim, cara, perguntar ele que que eu faço. E eu sou um ali, eu sou um aprendiz, cara. Na polícia deve ser a mesma coisa, né? Tá lá o delegado novinho, tem um antigão lá, que vai ficar pagando de autoridade? Tem que ouvir o cara que tem mais experiência, né?
Que aquilo ali é japonês, tem cara de que sabe mais do que a gente.
Que registre na ata que ele tá falando. Muito embora o Kawashita e outros lá, pô, os caras são fera assim.
E outro, pode mandar um abraço aí para o Caxeta, aí lá na Foz do Iguaçu.
Ele faz, ele faz. O Caxeta, o Peixoto, tem uma galera lá que é, pô, é ponta firme. Os caras, eu sou, eu sou jovem aprendiz perto dessa galera.
E vem cá, você trabalhou em Foz do Iguaçu?
Eu vou para lá e faço reforço, eu e muita gente, porque Foz do Iguaçu é um sanhaço do cacete. Então a Receita não tem um efetivo lá que consiga dar conta. Então, pelo Brasil inteiro, pessoas vão para lá e ficam 10 dias, 16 dias para fazer reforço, porque tem que ter um rodízio de funcionários.
Aquela história de tríplice fronteira, pois é, que o pessoal fala que tem Al-Qaeda, FBI, Mossad, é problemático, tudo, tudo que é grupo assim, todos os amigos e inimigos se concentram É isso mesmo?
Então, ali tem um fluxo financeiro muito grande e essa atividade ilícita rende muito dinheiro, né?
Mas por que que ali? Qual que é?
É por causa da facilidade que os nossos vizinhos, especificamente Paraguai, ele recebe muita mercadoria sem— e ali é como se fosse uma zona franca ali, a cidade de leste, assim. Cidade da Leste é uma cidade que você já foi lá? Não. É engraçado, às vezes quando eu vou lá trabalhar, né, num dia de folga, eu pego e atravesso a ponte a pé e chego a pé na Cidade da Leste. Aí eu brinco que eu tenho cara de traficante, sério, eu tenho cara de traficante impotente marombeiro, porque só me oferecem, e viciado, porque só me oferecem drogas, armas.
É o famoso Pramil, que é contra impotência, é aquele remédio que eles têm que é tipo um Viagra genérico. E já me ofereceram pneus, é tudo coisa errada. Você tá descendo ali a Ponte da Amizade, chega um cara: 38, 38, 38. Eu: não, meu amigo, não, não quero 38. 38, Glock, Glock, Glock, oferecendo arma para você. Você tá chegando, aí chega um cara para mil, para mil, para mil.
Falei, pô, já veio um cara achando que eu não tenho controle, não tem, né?
Porque tem muita oferta e pouco controle. Então é isso.
E você acha que a economia do país já também criou uma dependência desse?
É, eu não posso afirmar isso porque eu não sou um conhecedor da economia do Paraguai. Eu sei que Ali naquela cidade tem muita gente trabalhando sério, assim, tem muita loja séria. É as lojas que eu gosto de comprar, né? Cell Shop, Shopping China. Agora, você chegando, você vê que é droga, arma, marijuana. Marijuana, me oferece marijuana. Lá vem um cara achando que eu sou, que eu sou maconheiro.
Que compram isso e tenta atravessar a fronteira.
É, tem, sempre tem, né? É porque, veja só, aqui no Brasil não é fácil comprar essas coisas que eles oferecem ali. Então os cara tão ali, pergunta se você quer, se você aceita, você vai sair com um 38 lá de numeração raspada, munição, arma, enfim. Então tem essa facilidade, né, de atravessar. E é difícil dar conta, porque olha só, Paraguai tá aqui, aqui tá Brasil, Foz do Iguaçu, aqui tem uma ponte. Beleza, a gente fiscaliza a ponte 24 horas.
Aqui tá Itaipu, né, a hidrelétrica. Aqui por 150 km tem a represa, né, a água que é um laguinho. Aquelas fronteiras ali é fazenda com fazenda. Os barquinhos atravessando ali, cara, atravessa com o que quer, sacou? Você não precisa passar pela ponte, pela Receita Federal. Você pode pegar um barquinho barquinho lá numa fazenda lá do Paraguai, botar um monte de fuzil AK-47, o diabo, atravessar de barquinho, bota numa caminhonete do lado brasileiro e toca para o Rio, toca para São Paulo, faz a rota, né? Complicado, né?
Você quer ver uma coisa assim? A gente aqui aproveita o Fala Guerreiro para semear ideias, ideias que a gente acha que pode ser bacana. Então a gente joga no ar para daqui alguém Escuta essa ideia e bota para frente. E uma das ideias que a gente sempre semeou aqui é a polícia de fronteira. É, o que que você acha?
Eu acho que, eu acho que seria uma excelente ideia, porque boa parte do que o crime organizado faz aqui é graças a gente não ter uma fronteira tão bem fiscalizada quanto ela deveria ser. A gente faz o que pode na Receita. A galera que trabalha na fronteira são heróis, assim, essa galera que eu citei aqui e tudo. Mas a nossa fronteira é muito permeável porque é muito grande, e não há Polícia Federal com Receita Federal que dê conta.
Eu seria favorável a isso aí, constituindo um corpo que fosse fundamentalmente trabalhando para não entrar fuzil, principalmente arma, Estados Unidos tem essa polícia de fronteira.
E é curioso assim, porque às vezes a impressão que eu tenho, tá, aí também é baseado num preconceito. Não, porque eu não vivi a parada, então é o que eu imagino, né. O policial, o cara passa no concurso da Polícia Federal e geralmente mandam os cara para fronteira.
Só os cara já chegam lá pensando, querendo voltar, nem desfaz a mala, querendo voltar. Eu sei, a Receita é coisa.
Então fica naquela agonia ali, cara, pô, tentando a melhor oportunidade para poder voltar. Mas o cara tem trabalho, então assim, já não tem efetivo, já fica ali aquela agonia, porra. Então assim, quando, olha, o concurso para polícia de fronteira, meu irmão, olha, é fronteira, não é para ir para depois vir para um lugar melhor, é para ficar lá em Tabatinga. É isso aí, vai ganhar bem, mas é fronteira, vai patrulhar as fronteiras do Brasil.
Isso, cara, eu acho que seria Os Estados Unidos têm polícia pra caramba, tem polícia de fronteira, tem polícia de condado, tem polícia de município, tem polícia de condomínio, tem polícia de shopping.
Eu acho que seria bem feito, negócio bem feito e sem conflito entre instituições. Não adianta criar uma polícia de fronteira pra ficar batendo cabeça com a Polícia Federal. Tem que definir bem as atribuições de cada um, porque senão acaba virando uma guerra interna, como às vezes acontece em outros lugares assim.
Sabe, deixa uma zona cinzenta, é um policiamento sensível, acaba servindo para quando um falha, não foi culpa do fulano. Sim, não, quem falhou não fui eu.
É a polícia de fronteira, tem que ser bem delimitado.
Às vezes você tem naquela coisa assim, até tantos quilômetros da, como é no mar, né, no mar até 200 km na nossa fronteira.
Então o cara vai patrulhar ali.
O que você tá falando, na Receita Federal existe a aduana, existe as fiscalizações, e agora existe onde eu tô atualmente. Existem as divisões de vigilância e repressão, que são as chamadas as DIREPs. Basicamente, que está falando, de forma não denominada assim, nós funcionamos meio como as DIREPs são um certo, de uma certa forma, as polícias de fronteira, que a gente trabalha especificamente com vigilância e repressão de pontos de fronteira.
Portos e aeroportos. Por isso que hoje em dia eu não fico mais só no aeroporto, eu sou da divisão de vigilância e repressão. Então eu atuo dentro do Aeroporto Galeão, uma hora eu vou lá no Porto de Itaguaí, outra hora eu vou aqui no Porto do Rio, e outra hora eu tô lá em Foz do Iguaçu dando suporte para os colegas. Seria uma polícia fronteira, só que ainda está dentro da polícia, ainda está dentro da Receita Federal. O que você tá falando, se destacasse os colegas que estão, abrisse concurso e formasse assim uma polícia de fronteira, que é o que a gente já tá fazendo, só que dentro da casa, ainda no guarda-chuva da Receita Federal.
Porque se você for parar para ver, a Polícia Federal, os cara basicamente fazem tudo. É policiamento ostensivo, investigativo, judiciário, imigração e tal. Então assim, até você desafogar os caras aí. E se você for parar para ver, o efetivo dos caras não é um efetivo, porra, sei lá, não tem nem 10 mil policiais.
É pouco, é pouco da Polícia Federal. É pouco. Eu acabei de falar, problema de o delegado da Deldi entra de férias, aí o cara do delegado do aeroporto tem que cobrir, aí a gente pega a gente lá, tem que trazer aqui. É assim, é cobertor curto. Tanto de lá, eu não posso falar especificamente, eu posso falar só da experiência que eu tenho, que eu vejo, mas lá dentro é um drama de toda a polícia.
Impressionante como é que os caras não conseguem resolver isso. E vai muito assim, pô, vocês fazem um trabalho de vocês para ajudar na arrecadação, para não ter essa evasão de dinheiro público e tudo, né? E o dinheiro é mal usado.
Esse é o grande problema, eu acho, que o nosso país é a ineficiência do Estado, né?
A gente tem responsabilidade administrativa, né?
Eu tenho, assim, eu tenho que ter um certo cuidado com essa expressão. Eu acho que há uma ineficiência no momento em que você permite que certos cargos possam atribuir a eles próprios quanto eles vão ganhar. Aí começa a surgir penduricalho. Aí a ineficiência, você deixando a gente tá um sistema em que os parlamentares têm autoridade distribuir verbas públicas sem o devido controle, que seria uma coisa mais republicana, sem dizer para onde o dinheiro vai, aquela questão lá de que a gente tem lá no nosso sistema legislativo, né?
Então começa a ter gasto, fora ineficiência de certos gastos. Começa a construir uma ponte, para. Começa a fazer uma escola, para, porque troca de governo. Aí, se eu acabar de construir aquela ponte, vai ser o governo passado que vai ter feito. Ou seja, não há uma visão de bem da sociedade. Se tem uma ponte pela metade, você assumiu o governo, acaba de construir. Independente de quem vai receber o crédito, faz. É bom para a sociedade, faz. Mas não, são sempre projetos pessoais à frente do bem da sociedade.
Uma carência de estadistas, né?
É uma carência.
Você olhar a longo prazo, olha, tudo bem, eu tô semeando aqui para colher lá na frente, mas tudo bem, eu vou colher para o povo. Não, senão tem que colher agora para poder.
Eu acho, Rafa, que é uma carência de senso de comunidade. A gente não se vê como uma sociedade integrada de olhar o outro. Eu acho que há uma falta de olhar, do cuidado com o outro. Quando uma pessoa chega num cargo de comando dentro da esfera pública, ela tem que ter essa sensibilidade assim: o meu dever aqui, o nome diz, a cola, servidor público, pô. Precisa dizer mais nada. O que que você— eu sou servidor público, cara. Então faz o que seu cargo tá falando que você é e não fica com projetos pessoais, entendeu? Eu, é minha forma de pensar.
Servidor público, tá ali para servir.
Pois é, cara, você é servidor público, você tem que pensar no bem da sociedade. O resto que se dane, contanto que esteja dentro da legalidade. O que eu vou fazer vai ser para a sociedade.
Ah, mas aí não Meu amigo, e autoridade que nos dão, ela acaba sendo deturpada na cabeça da pessoa. É autoridade de você ter a fé pública, de você validar o documento, você poder efetuar o seu trabalho, mas aí o servidor acaba internalizando essa autoridade como um poder sobre o outro, um poder de subjugar subjugar o outro, cara. Isso para mim, meu irmão, cara, isso me dá nos nervos, que para mim esse é muito claro. Pô, eu sou um servidor público, cara.
Eu tô aqui para servir o público, eu tô aqui para atendê-los, eu tô aqui para, porra, eu sou pago por isso. Mas aí você se coloca como autoridade e querer subjugar, porra, isso para mim, meu irmão, é a carteirada, a carteirada. Exatamente. Acho, porra, meu moço, muito escroto. Agora, falando agora sobre como é que surgiu na tua vida esse programa, cara, aeroporto, área restrita. Como é que foi esse convite?
Eu tava lá trabalhando na minha, né? Aí de repente já tinha sido gravado em São Paulo duas temporadas, eles resolveram estender para o Rio de Janeiro. Aí eles foram lá e perguntaram quem queria participar. Aí, cara, muita gente ficou com receio, né? Porque é por causa da exposição, né? Você tá ali passando pela linha vermelha todo dia, né, à noite, e Tipo, aparecer na TV como pegando traficante é arriscado. Mas aí, Rafa, eu pensei assim, cara, humildemente, eu sou só mais um.
Assim, eu não sou aquele promotor de justiça que tô botando para ferrar uma organização criminosa, mandando. Não, eu sou uma formiguinha aqui que tô pegando a galera. E se eu desaparecer, vai entrar outro no meu lugar, provavelmente até melhor do que eu. Então E outra coisa, eu não esculacho. Eu sei que eu não esculacho. Eu acho que não vai ter ninguém preso por mim. Você fala assim, pô, vou pegar aquele cara depois porque ele me esculachou.
Eu não esculacho ninguém, eu não acho que seja certo. Então eu vou participar. E aí comecei a participar, o pessoal gostou, o pessoal gostou dessa forma mais humana que eu trato as pessoas, porque eu acho que é o certo, né? A lei não fala que eu tenho que esculachar nada, enfim. E aí foi, foi indo, foi indo. Eu entrei na terceira temporada Foi tendo uma boa aceitação e agora a gente acabou de gravar a 8ª temporada. É isso aí, ninguém ainda tá sabendo.
A gente já fez 5 temporadas.
É, essa foi a 8ª.
Sim, são quantos episódios cada temporada?
Cerca de 10, 12. Então fiz 3, 4, 5, 6, a 6ª participação minha.
Uma coisa assim que você falou que eu queria só apontar o seguinte: muitas já me perguntaram muitas vezes assim, pô, você não tem medo? De retaliação e tal, não sei o quê, da pessoa depois voltar e se vingar e papai. Falei, cara, olha só, o bandido ele sabe como faz parte, como é o game.
Exatamente o que eu falo.
Então assim, ele tá ali para ganhar, mas ele pode perder.
Isso.
Então assim, ele vai perder o quê? Que a gente vai pegar. Se você faz um trabalho profissional, ou seja, ele sabe que você tá ali para fazer o teu trabalho, você faz o teu trabalho profissionalmente, cada um tudo quadrado. Não tem estresse, não tem mágoa. Agora, se você entra numa desculachar, você cria uma relação pessoal com o cara, você cria um sentimento de ódio, de raiva, de não sei o quê. Aí, porra, bicho, aí você criou esse relacionamento pessoal.
Agora eu vou te falar uma parada, uma coisa pessoal, né? Eu assim, quantos presos eu já levei na viatura e fui trocando a ideia com o cara?
Eu faço direto.
Pô, e aí, meu, vem cá, como é que tu, como é que foi esse negócio aí, cara?
Tá não sei o quê mesmo?
Vem cá, e tu tem filho, cara? Quantos anos é seu filho? Como é que tu vai fazer agora para ver se tá? Pô, tu acha que dá? O cara batendo papo com o cara, a casa caiu, né? Aquela, eu não preciso mais desculpar. Então é uma coisa que você pontuou que é interessante. Então realmente se arrisca assim. Agora, sobre o aeroporto, área restrita, como é que, como é que funciona ali, cara? Os caras filmando? Você não fica agoniado? Você faz o seu trabalho e tal? Como é que—
então eu me abstraio ali. Eles botam o microfone, quem quer participar, né, a gente fica com microfone. Não tem absolutamente nada combinado assim. Eles— a gente começa a trabalhar, sei lá, 4 horas da manhã, e vamos fazer fiscalização até meio-dia, vamos supor. Eles botam o microfone, filmam tudo do lado de você filmando? Não, eles ficam de longe assim. Aí eles pegam, eles são profissionais.
Eles pegam um ângulo que não apareça a pessoa, que a pessoa não sabe que tá sendo filmada.
Não, até sabe, mas eles não pegam a pessoa de frente, porque todo mundo que aparece tem que ter uma autorização por escrito. Alguns passageiros autorizam, aí eles pegam a pessoa de frente. Mas se a pessoa não autoriza, eles não, porque senão é um problema para eles. E eles filmam direto, não tem esse negócio assim, ah, vamos agora simular que você não é É pura realidade. Por isso que às vezes eles filmam 8 horas e aproveitam 20 minutos, porque foram os 20 minutos que você tá gravando.
E o cara que vai preso, tal, não sei o quê, ele tem que assinar também autorização?
Normalmente quem vai preso eles nem pedem, porque sabe que a pessoa não vai querer. Assim, eu nunca, eu não lembro de alguém preso filmado de frente assim que tem autorizado. Acho que não rola. Acho que eles só filmam naquele ângulo que a pessoa tá de costas Aí filmam a gente, evitam filmar a pessoa porque é um momento muito difícil, né, da pessoa. Então é complicado. Agora, alguns passageiros, risco do processo é grande depois também.
É, exato. Então tem um caso até que quando um senhor tava chegando com 30 kg de farinha, não sei se você viu isso, você passou aí, um senhor chegando da Holanda, que é uma região que produz muita droga sintética, que o Brasil ele exporta cocaína e etc., e traz da Europa, os traficantes trazem drogas sintéticas, que lá eles têm uma capacidade de produção maior do que a nossa. Aí o senhor tava trazendo 30 kg de farinha. Porra, deve ter alguma coisa aí, cara, não é possível, ninguém traz 30 kg de farinha de trigo.
Aí eu fui, peguei, fiscalizei, passei o diabo, fiz narcoteste, não tinha nada. O senhor é uma farinha especial que levava comprar para família. Aí, num caso desse que apareceu na TV, o senhor foi e falou, beleza, pode, porque ficou engraçado, sabe, a gente fiscalizando farinha, aquele desespero. Ele autorizou. Então tem muitos casos que a pessoa autoriza, mas são casos inocentes.
Você viu a pergunta que aqueles barão fez aqui no chat das meninas? Houve um caso, eu não sei qual foi o aeroporto, mas de em que moças Tiveram sua bagagem trocada, foi na Alemanha, chegaram na Alemanha, trocou aqui, chegou na Alemanha. Você tem como explanar esse caso até para o público relembrar como é que foi?
É, foi o que aconteceu, foi que parece que eles pegaram, eu tô tentando lembrar, que não foi nem no aeroporto nosso aqui, foi lá em Guarulhos, chegaram na Alemanha, parece que eles pegaram e botaram uma etiqueta relativa à viagem delas em uma outra mala, e a mala tava com droga. E aí a polícia lá viu alguma coisa assim, ou seja, botaram na conta delas. O que aconteceu foi que o pessoal aqui do Brasil, companhia aérea, tudo fez toda, até onde eu sei, tá, salvo melhor juízo, a gente aqui no Brasil, a gente que eu digo os brasileiros, a companhia informou tudo certinho, que provou que não era bagagem dela, enfim, etc.
Mas houve uma falta de celeridade das autoridades lá da Alemanha de analisar o caso e constatar que não era droga que elas tinham levado, que elas não tinham despachado aquela mala. Parece que pegaram filmagem delas despachando mala. Então elas ficaram presas um tempo demasiado desnecessariamente. O que ocorre que isso aí é um dos riscos, infelizmente, que a pessoa pode fazer, pode ter. Então o que que eu aconselho as pessoas a fazerem?
A documentarem tudo quando vão fazer. Hoje em dia com celular, né? Então tira foto do peso da mala, tira foto da bagagem, tira foto, sabe? Vai registrando tudo para que chega lá na frente alguém botar, não, olha só, eu despachei uma mala só Tá aqui a foto de eu despachando a mala, a filmagem, para produzir provas a seu favor. É a única forma de você conseguir minimizar esse risco.
O Ronaldo Marinho perguntou assim: Paulo, como é que eu consigo comprar o meu PS5 lá no Paraguai passando batido na Receita? Tamo junto, grande abraço. Se você quer essa resposta, arrasta para cima por R$99,99. Temos um curso É outra coisa que você falou, que muita gente—
deixa eu só fazer uma, que eu acho muito útil. A cota de quem viaja pelo aeroporto e tudo é de $1.000, ok? Mas a Paraguai, como é fronteira terrestre, é apenas $500. Então o pessoal que vai para Paraguai fazer compra fica ligado, não é a mesma cota de quem vem de avião.
Mas antigamente era aqui na cidade de avião, ela subiu, né?
Era. Então, eita, velho, antigão. Era 500, já subiu, já tem um tempo, já tem coisa de, sei lá, 5, 6 anos, já subiu para 1000 de quem chega por avião ou então é marítimo, pelo marítimo, pelo oceano. E a cota de quem atravessa terrestre e fluvial é 500.
Tem outra coisa, você falou esse negócio dessa história do coroa com a farinha. Você lembra daquele vídeo Lilian Wittfieb contando dos dois velhinhos que atravessaram, vieram da Holanda, e aí pegaram eles com um carregamento de êxtase, cheio de êxtase, 1 kg de êxtase.
Quem é Lilian Wittfieb?
É uma jornalista da Globo. Pô, tu sabe o que é pobre?
Você não lembra desse vídeo? Eu lembro dela contando que os velhinhos atravessaram. Eu tava brincando aí que você tá trazendo coisa da Globo.
Eles falaram assim, a mulher falou assim, como é que é? E aí o coroa falou que achava que era Viagra. Minha irmã teve uma crise de riso, ela não conseguia mais dar notícia, que ela começou a rir.
Eu não lembro disso não, mas eu lembro desse vídeo.
Ela teve uma crise de riso. Consegue separar esse vídeo, César? Lilia Witt-Fibb se acabando de rir no Jornal Nacional. E cara, esse vídeo foi muito engraçado. Aí você falou isso da água adoçante, deixa eu te contar uma coisa, eu assisti Aquele, aquele, uma série que tá agora na Netflix, muito legal a série, 70, não é 70, Saga do Tri.
Não vi não.
Conta sobre a história do tricampeonato mundial do Brasil na Copa. Eu vou falar dos bastidores que acontecia, meu. Pegaram os atores, meu irmão, a cara dos caras, a cara. O Pelé, meu irmão, é a cara do Pelé. Tipo assim, o ator tu fala assim, irmão, Não tem mais como tu fazer outro personagem, só pode fazer o Pelé, porque ele é muito parecido. E ele caracterizou alguns, é muito legal. E aí eu tava assistindo com a minha esposa, com meu filho, e aí os caras, aí o, aí volta e vê os caras do Pelé assim, ó: e aí, bicho?
Pô, meu irmão, aí maneiro, não sei o quê. Aí eu olhava assim: e aí, o seu vocabulário é o mesmo dos caras de 1970, as mesmas gírias.
É o vocabulário vintage.
Maneiro, brother, maneiro.
Às vezes eu imito o Rafael aqui no programa, o pessoal acha que eu imito ele parecido, mas não é. É porque eu peguei o cacoete dele, né?
Boa, bicho, morou, morou, morou, morou, bicho.
Pô, não mente, tá achando aquela cocota? É mó gatinha, né?
Ele, o bicho, ele usa toda hora. Pô, bicho, moroa toda hora, toda hora.
Pode crer, pode crer, pode crer, pode crer, pode crer.
Comenta aí gírias antigas que o Rafa já disse aqui no Fala Guerreiro.
Vou lhe enviar para o Rafa vintage. Ele é vintage, vocabulário vintage.
Enquanto o César prepara o vídeo ali, deixa eu dar uma olhada aqui no chat. Manda um abraço para nossa rapaziada que tá sempre conosco aqui. Vamos lá, Cris Barão, já até fiz a pergunta dela. Tem uns membros aqui do canal, tem o Andrew, tá aqui de volta, grande abraço, Andrew. O Dane tá aqui novamente conosco. Pô, Mizinho fez um, Mizinho Personal Fight fez um chat aqui e fez assim: boa noite, Angelito, curiosidade, as mulas são pequenos disfarces com pequenas quantidades para que os grandes volumes possam passar por outros canais?
Na minha opinião, não. Não tem esse negócio de, ah, vou mandar um pouquinho por aqui para passar muito por aqui. O que acontece é que a droga que chega na Europa, ela é muito lucrativa. Então eles não ficam apenas em um ou outro canal, eles tentam de tudo. Então eles tentam botar droga dentro do navio, no container, por fora do navio. Aí tentam a mula, porque qualquer quilo que chega na Europa é um lucro muito grande. Então é assim, eles tentam barba, cabelo e bigode.
A gente costuma de falar, costuma falar que a droga que sai pelo aeroporto é a droga que sai no varejo, né, porque são poucos quilos. E a droga que sai pelo porto é a droga do atacado, que aí chega aqui no porto do Rio. Já pegamos 5 toneladas de cocaína.
É muita droga, multiplica, faz essa multiplicação, é bilhão de real. Vamos seguir. Tá com o vídeo pronto aí, César? Tá, vídeo pronto dali da— qual o nome dessa?
Aí, ó, vai, né?
As aparências enganam. Uma mulher de 81 anos numa cadeira de rodas foi presa no Aeroporto Internacional de Miami, acusada de tentar contrabandear 10 mil, 10 mil tabletes de êxtase para os Estados Unidos. Stella Michetti foi detida junto com o namorado dela, Hans Hirsch, de 56 anos. Ele disse aos inspetores da alfândega que sabia que as pílulas estavam escondidas nas malas, mas pensou que, pensou que eram Viagra. Os inspetores encontraram as pílulas ilegais, que não eram Viagra, durante a inspeção de raio-X nas bagagens de um voo saindo de Londres.
Eles esperaram para mim. Muito boa, né? Gostava dela. Era jornal da Globo, né? Muito boa, amor.
Consegue mais?
Quando viram uma velhinha e o chefe dos inspetores Ah, eu acho maneiro essa espontaneidade, né, galera? Fica mais interessante, cara.
E o Jornal era super interessado, ela era séria, já não conseguiu.
Ficou muito maneiro porque, né, dá uma espontaneidade na história, né, cara?
Isso aí virou um clássico. O que mais temos aqui? Ah, olha só. Salve, Paulão! Te conheci no Rodrigo Pimentel, achei você um cara maneiro para caramba. Será que não rola de comprar umas peças de PC no Paraguai, passar batido? Não, na parceria, o Brasil tá salgado, rapaz.
Aí você me complica, cara. Mas obrigado aí, obrigado pelo elogio.
Pergunta se ele já teve alguma apreensão das canetas emagrecedoras, porque o via terrestre virou o maior motivo de apreensões.
A gente aprende muito. Na verdade, quem atua direto em relação a medicamento é o pessoal da Anvisa, mas como o grupo da Anvisa lá no aeroporto ele é mais reduzido e a Receita é mais atuante, então acaba virando uma parceria. A gente fiscaliza, identificou que tá com caneta, chama os técnicos lá e os analistas da Anvisa, auditores da Anvisa, e a gente pega muito. E o que é impressionante é que são muitas vezes medicamentos que têm que ser mantidos em ambiente refrigerado, e as pessoas colocam pelo corpo.
Ou seja, o medicamento fica a 37 graus em contato com o nosso corpo, né, que a nossa temperatura corporal. Então fica horas ali, já chega um medicamento deteriorado, e mesmo assim as pessoas compram no mercado clandestino e injetam nelas próprias. E é um risco para a saúde pública, né. Mas estão pegando muito, muita coisa.
O desespero, o desespero das pessoas atrás do emagrecimento. Eu já vi gente usando essas canetas aí que eu falo assim, cara, 2 meses de uma dieta séria, um treino, não precisaria nem dessa caneta. É, ficou banalizado o uso, porque a proposta é uma proposta séria para pessoas que estão realmente precisando, mas tem um montão de preguiçoso que estão—
parece que o pessoal tá vendo como um suplemento assim, como, sabe, é um suplemento que vai alterar, mas não é.
O cara que emagrece, o cara que emagrece, o cara que não precisa, né, não tá numa proporção de, na necessidade de fazer uso dessas canetas e usa, para mim é igual o cara que vai fazer uma tatuagem e toma anestesia. Tem mérito nenhum na tatuagem do cara, não tem mérito, tem que sentir a dor.
Faz parte, né, do pacote, né?
Paulo, como é que foi então a repercussão desse programa Aeroporto Era Restrita? Porque tem um cara, acabei de ver uma mensagem aqui, ai meu Deus, eu perdi aqui a mensagem. Falou que uma pessoa que te viu na Praça XV, aqui, ó, cadê aqui? Ai meu Deus, ele falou assim, pô, viu o Paulo na Praça XV esses dias, foi aquele dia que você acordou cedo, será? Fui pedir uma foto. Mas ele andava muito rápido, não conseguia alcançá-lo.
Tô tentando ver aqui quem é que falou isso aqui, mandou essa mensagem.
Enfim, eu sempre tiro foto com a galera que pede assim, porque é muito bacana esse apoio. Normalmente a abordagem é muito respeitosa e elogiosa para o nosso trabalho. O pessoal gosta e agradece. Isso deu uma cara nova para Receita Federal, né, na verdade. Então foi muito positivo assim. A repercussão.
E para você, cara, como é que foi? Aqui, ó, é o Tudo É Química BR. Vi esse angelito passando sábado na feira da Praça XV, ia pedir uma foto, mas ele andou muito rápido.
Mas, ó, foi coincidência, não tava fugindo de ninguém não, tá?
Mas, cara, o pessoal começou a te reconhecer na rua, te abordar. Como é que é?
Porque já tô nas 6ª temporada que eu participo, né, da 3ª até a 8ª. E eu acho que durante a pandemia muita gente ficou em casa, aquela história, né, ninguém saía. Então as pessoas ficavam vendo muito repetido, então ganhou uma projeção muito grande. A questão do Casimiro reagir aumentou a projeção, aí outras pessoas passaram a reagir. Foi uma reação, é, o Cazé começou a reagir, o a porta era restrita. E ele é muito espirituoso, fazia uns comentários legais.
Então as pessoas começaram a ver mais ainda. Aí o pessoal começou a me chamar para podcast, tudo. E eu comecei a— eu peguei essa visibilidade e eu comecei a me posicionar na rede sobre vários assuntos que me são muito preciosos assim, sabe? E as pessoas começaram a gostar da minha forma de falar. Enfim, a coisa foi crescendo e Então na rua as pessoas me abordam muito, mas é como eu havia dito, sempre de forma muito elogiosa. Então eu paro, tiro foto, não tem problema.
Algumas pessoas mandam mensagem assim: pô, te vi, mas fiquei constrangido. Eu sou uma pessoa comum, gente. Só porque filmam meu trabalho não quer dizer que eu sou nada especial, né? Concorda? Eu ando de ônibus, eu ando de metrô. Eu tava contando para vocês, né, que eu gosto de ir para Praça 15. Quando eu vou com minha esposa, aí eu vou de carro porque eu gosto de dar um conforto para ela, né? Mas eu sozinho, eu vou de ônibus, vou ali vendo o aterro, cara, é maneiro, né?
Então, gente, assim, eu sou um cara comum como todo mundo. Me viu, quer tirar foto, pede para tirar foto que eu tiro, pronto.
E essa repercussão te animou a você cruzar essa fronteira do apenas ali do seu ofício para viver uma vida mais pública. É que foi, você hoje é pré-candidato.
Eu sou, sou sim pré-candidato a deputado federal aqui pelo Rio. E como é que foi esse processo? Eu posso chamar assim? Bom, eu ganhei essa visibilidade e eu defendo algumas pautas que me são muito preciosas por questões pessoais. A questão da bet, meu pai era absolutamente viciado em jogo. Meu pai tinha um ótimo cargo no governo estadual, ele era fiscal de rendas, e ele perdia tudo em jogo. A minha mãe, que foi uma, ela tá com 80, vai fazer 81 anos agora, mas ela foi uma mulher solteira durante uma década difícil para as mulheres, como se houvesse alguma década fácil para as mulheres, mas enfim, lá atrás as questões eram talvez mais pesados, que havia não só violência contra as mulheres como havia um preconceito para mulher separada.
Não sei se vocês lembram disso. A mulher separada era vista— eu lembro de eu não ser convidado para aniversário de colega de sala, que a mãe falou para o filho assim: não, não chama o Paulinho não, porque ele é filho de mulher separada.
Eu já ouvi isso. Você ouviu?
Eu vi isso década de 80, eu criança.
Uma conversa de duas adultas. E ela falou assim, ah, filho de pais separados, não sei o quê.
Então a minha mãe sofreu todas as violências.
Filho de pai casado, né?
Pessoal esquisito, né? Então minha mãe sofreu todas as violências possíveis. Então comecei a me posicionar em relação a isso. Começou a ter um movimento dos meus seguidores ali sobre essa possibilidade de eu me candidatar, mas a princípio eu nunca tive esse desejo. Mas começou a se aproximar o meu tempo de aposentadoria e a minha visibilidade começou a me dar um senso de responsabilidade, sabe? Quando você fala assim, cara, eu tô com uma visibilidade boa, eu tenho umas pautas que eu gosto de bater nesses assuntos, o que que eu vou fazer com isso?
Eu vou me aposentar e vou subir para comprar um sítio agora na CEAC. Minha vontade de comprar um sitiozinho. Começou a ter oportunidade de fazer curso e lançar curso em parceria com outras pessoas e outras empresas, que eu até teria um retorno financeiro bastante considerável, né? Mas esse chamamento, eu acho que o espírito servidor público— e vocês são servidores públicos, vocês devem entender— sabe quando, sabe quando Sabe naquele filme assim, tipo aqueles filmes assim, Senhor dos Anéis, quando toca uma trombeta e você nem pensa direito e fala, cara, é isso que eu tenho que fazer, sabe?
Assim, é. Então eu tenho até que me segurar um pouco para não me emocionar. Então, cara, eu falei assim, cara, comecei a receber uma certa resistência em casa, que minha esposa me conhece, sabe que eu vou bater de frente, e ela com receio minha integridade física. Aí eu conversei com ela, falei, cara, deixa eu ir, vamos, vamos comigo. E ela, pô, muito guerreira assim, uma companheira excepcional que eu tenho, a Carolina. Ela topou, cara, se é isso que você tá sentindo esse chamado, eu tô contigo.
E eu me lancei, cara, me lancei. Vamos ver como é que vai ser, porque é um chamamento que eu ouvi. Tô indo, tô indo para não para ser um político, eu tô indo para ser um servidor público lá. Que eu acho que tem que haver uma virada de chave. E digo mais, eu quero construir um movimento de mudança. Não que eu vá fazer grandes coisas, que eu, se eu for eleito, eu serei um, mas pelo menos o motivo que as pessoas comecem a acreditar mais na política e sair daquele discurso assim: política, não quero nem saber.
Eu quero oferecer uma opção da pessoa falar assim: cara, de repente dá para participar participar e mudar alguma coisa. Nem que não mude agora, mas que mude mais a seguir, que isso traga outras pessoas, outros candidatos. Eu acho, eu acho que eu não sou um bom candidato, porque parece uma frase, porque quando a pessoa fala assim para mim, cara, eu, eu não sei se eu voto em você porque eu já tenho um candidato que é esse aqui, se eu vejo que é um candidato bom, eu falo assim, cara, Fica tranquilo, você tá votando bem.
Eu acho que não é muito certo falar isso não. Eu espero que o pessoal do PSB não brigue comigo, mas é porque eu acredito mais em um movimento da sociedade com esse espírito de comunidade do que que eu vá fazer grandes diferenças lá. Eu acredito que eu preciso oferecer uma oportunidade de mudança e que a mudança seja aquela marolinha que vai subindo, subindo, subindo. Daqui a pouco outra acredita, outra acredita, vem, vem, vem.
E a gente mudar esse sistema político nosso, que não dá mais, cara. Não dá mais para a gente olhar todo dia na TV político com milhões em casa, debaixo do colchão, cara. E fazendo isso para tomar vinho caro, não é só criminoso, é de uma violência cada um. Violência social, eu chamo de violência social, uma violência contra a sociedade. Chega, assim, eu tomara que eu seja eleito, óbvio, mas mais ainda eu quero uma mudança de consciência da nossa sociedade.
E tem alguma pauta, algum ponto assim que é o que você— que geralmente a gente sempre busca entrar com algum ponto que é o, ó, isso aqui vai ser minha bandeira. Olha, principal. E depois, é claro que outras coisas vão surgindo.
Tem uma bandeira que eu levanto por conta da minha profissão. Há 28 anos eu tô lidando com ilícito tributário, lavagem de dinheiro. Ultimamente, nos últimos 10 anos, 8 anos, 10 anos, com tráfico de drogas. Enfim, e eu vejo que o crime tá sendo combatido é de uma forma não eficiente. Somente combater o crime com operações policiais vultosas que causam impacto ali midiático, que custa vida de policiais, policiais civis, policiais militares, de inocentes e também de alguns jovens faccionados, mas que no outro dia já estão substituídos Enquanto o crime, o crime organizado tá rindo.
Porque o verdadeiro criminoso, a gente tem que, nós temos que pegar, nós, polícia, Receita Federal. Eles não estão somente ali nas comunidades, eles estão na Zona Sul, na Faria Lima. Então a minha bandeira em relação ao crime organizado é: vamos atuar de forma coordenada e pegar quem tem que pegar. É o pessoal que tá no comando. Mas isso não se faz só dando tiro na comunidade, isso se faz cooperação com inteligência, com coordenação, com tecnologia, com investimento.
Ah, mas e combater na periferia? É necessário também, mas não dessa forma cinematográfica que custa vidas muito caras. Vamos combater, gente, crime organizado é empresa. Empresa vive de lucro, de dinheiro. Vamos atrás do dinheiro. Vamos lá, quem foi que— como é que o Al Capone foi preso nos Estados Unidos?
Imposto de renda.
Foi atrás do dinheiro. Quantas fintechs tem no Brasil? Mais de 3 mil. Onde é que tá o recurso do crime organizado? Tá nessas empresas. Vamos estrangular elas financeiramente e depois sim vamos entrar na comunidade. Mas não só com operação policial que custa a vida dos colegas de vocês e meus também. Vamos entrar com combatendo o crime com tiro quando necessário, ok, mas vamos entrar com escola, vamos entrar com biblioteca, com posto de saúde, com CAPES, vamos entrar com recurso, vamos reocupar a periferia. O Estado tem que reocupar a periferia.
E só indo lá, trocando tiro e saindo, cara, se eu vou te falar, se você quebra financeiramente os caras Pô, meu irmão, tu já matou 80% do problema. Porque se os caras, tu não tem dinheiro, você não tem munição, você não tem arma, você não tem soldado, você não tem ocupação, você não tem veículo, você não tem combustível para botar o veículo, você se torna atividade inoperante, perde sua capacidade também.
Não se esqueça, perde sua capacidade de cooptar pessoas em cargo público. Não é? Pessoas em cargo no Judiciário, no Legislativo, no Executivo, porque tá faltando o quê? O sangue nas veias deles, o recurso, não é? Mas o que que tá acontecendo? A gente tá combatendo na periferia, eles estão cada vez mais lucrando, eles estão adentrando atividades outrora legais, combustível, e tantas outras atividades estão lucrando mais com combustível, com contrabando de cigarro às vezes, do que com tráfico.
E o que que eles conseguem fazer com esse dinheiro? Cooptar autoridade, colocar pessoas deles dentro de cargos-chave. E aí o Estado se enfraquece enquanto ele se fortalece.
Não tem uma operação policial que tenha confronto armado que Nós policiais não saímos vitoriosos, a gente sai vitorioso em tudo, e mesmo assim eles estão cada vez dominando mais territórios.
Exatamente.
Mesmo assim estão cada vez com mais poder e mais forte. Falou tudo agora, mesmo a gente vencendo todos os, todas as batalhas, todos os confrontos a gente vence, não tem como, eles não tem como.
Mas a guerra a gente tá perdendo, a gente viu que a gente tá lutando no lugar errado.
Pô, você falou tudo agora, a gente viu aí que aqui no Rio de Janeiro, tudo, tudo aqui no Rio de Janeiro, um bicheiro foi preso. Acharam uma lista de pagamentos desse, desse bicheiro. Tinha, tinha ali deputados, policiais. Aí esse, um desses deputados que faziam parte dessa lista é um deputado que as investigações apontam que tem conexões com Comando Vermelho. Aí hoje que foi preso um deputado pré-candidato ao Senado. Sim, com fuzil no carro, com fuzil no carro.
Salvo engano, ele teve audácia, ele foi preso na sede da Polícia Federal, salvo engano.
Acho que foi chamado para depor e tinha um fuzil no carro. Isso.
Olha a audácia desse cara.
Exatamente.
Olha o nível de audácia desse cara.
Perfeito, perfeito.
E aí tem delegado também sofreu busca e apreensão. E aí, meu amigo, o que me leva a, muito embora seja um, seja uma ideia, um pensamento que você trouxe aqui, que é por muito tempo criticado, principalmente pelos policiais e por boa parte da população, que é, pá, meu irmão, vai ficar criticando a operação, não sei o quê. Não é uma crítica à operação, é uma crítica somente fazer uma operação e fechar os olhos. Pô, você falou tudo também para toda essa galera que são as verdadeiras estrelas do crime.
E aquele que tá lá de pé descalço e com um fuzil na mão é porque alguém precisa fazer esse trabalho sujo e vai haver o confronto. E nesse confronto é preto matando preto, é suburbano, que a maioria dos policiais honestos moram no subúrbio. Não moram, a maioria não é, não é regra, não é maioria, tá muito longe da maioria dos policiais civis e militares. Tô falando do chão da fábrica, tá? Os praças, os tiras, esses policiais moram no subúrbio, na Baixada Fluminense, na Zona Norte, na Zona Oeste, Campo Grande, etc.
Essas pessoas é que estão ali, exatamente, dando peito ali, né? Para falecer, como nós perdemos aí 5 policiais nessa operação do dia 28 de outubro. E é uma, são vidas que, como o Paulo falou aqui, são vidas muito caras, caras para família, caras para os seus amigos, caras para o Estado também.
E não resolve, a gente paga muito caro e o problema permanece, permanece 100%. Agora, a população, a população aprova. Sabe por que que a população aprova? Porque a população está desesperada por solução e ela vê aquele efeito todo, aquele número astronômico quase de mortes, acredita inocentemente que agora vai, como se aquilo ali fosse um estoque finito de criminosos que agora diminuiu. Não. No outro dia, ó, a disponibilidade de droga não mudou.
No outro dia, todos os cargos que estavam, que foram perdidos ali pelo tráfico, foi ocupado. Porque tem, infelizmente, tem muito jovem que recebe aquele canto da sereia e vai viver ali naquela vida. Então não adianta. Não tô falando que nunca tenha que ter, não. Tem que ter na hora certa e com o crime enfraquecido.
Por outras operações e expansão territorial, né? Durante muito tempo, políticos fazem das comunidades seus currais eleitorais. Políticos de esquerda, de direita, cada um escolhe ali aquilo que ele consegue negociar e penetra. Aí o Bacelá, um político que diz que o histórico dele é todo na esquerda, mas tava no partido supostamente de direita, vinculando Comando Vermelho. Sim, porque é território. E vivemos uma época no Rio de Janeiro que é expansão territorial e o domínio dessas áreas.
Perfeito.
E aí fala-se na exploração de coisas como internet, gás, padaria, padaria, etc., entre outras coisas. Mas muitas pessoas estão ignorando a capacidade eleitoral desses territórios. E é por isso que tem tanto político metido nisso.
Exatamente. Rafa de Martins falou tudo agora.
Paulo Angelito, porra, meu irmão, obrigado aí por compartilhar.
Essa fala é minha, eu que agradeço.
3 horas de episódio que passou voando, cara. Você é um cara incrível, admirável. Fiquei, pô, fiquei muito, cara, eu tinha acompanhado no Instagram ver alguns, é, bem, eu passando assim uns episódios e tudo. E quando eu falei que você viu, a galera, porra, adoro o Paulo, não sei o quê, tal, tal, tal. Conhecia você através do programa, mas realmente conhecendo você pessoalmente, pô, fiquei admirado. Eu, antes de começar o programa, meu pai tava aqui, meu pai veio visitar o estúdio e os dois começaram a conversar sobre livros e tudo.
Então assim, além de ser o cara de uma cultura assim riquíssima, então, cara, com certeza estar com você me fez me tornar mais inteligente em pouco tempo.
Eu quero agradecer muito, sabe por quê? Porque vocês são policiais e eu vejo que é uma mudança muito importante nessa mentalidade de achar que vocês, vocês estão com uma fala muito poderosa assim de vamos mudar isso de forma inteligente. Não adianta a gente ficar perdendo collegas. Isso para mim foi muito bacana ouvir o que vocês têm para falar sobre isso de uma forma muito inteligente, muito sábia. Eu fiquei muito feliz. Eu espero que hajam outros colegas na polícia que pensem assim para a gente, cara, para a gente mudar essa sociedade, galera.
Tá na hora de mudança, não é hora de permanecer como a gente tá fazendo há tanto tempo e não tá dando certo. Muito obrigado, muito obrigado pelo convite. Sempre quando vocês me convocarem, não vou nem chamar, convidar, parte 2 urgente.
Dos dois.
Marca que eu venho.
Não, e aí vou te falar, eu acredito na mudança, eu acredito, meu irmão. Eu acho que assim, a única coisa que não tem jeito é para morte. Então se nós estamos vivos, tem jeito, meu irmão. Eu tô na luta, tem jeito, entendeu?
Minha parada é caseira, ninguém acredita, mas eu tô respondendo quase, quase 1.500 mensagens por dia. Eu tô ficando maluco porque eu respondo todas e sou eu que respondo, não tenho equipe. Eu sou contra campanha de milhões porque Eu acho que se um político tem 2 milhões para gastar, faz o seguinte, meu irmão: gasta um décimo disso e constrói uma escola lá na periferia para começar a mudar esse quadro, e não fica gastando 2 milhões para se eleger.
Pô, para quê? Enfim, a minha campanha é uma campanha pequena, então preciso do apoio das pessoas, que as pessoas me apoiem e consigam outras pessoas para me apoiar, e assim a gente forme uma corrente, que uma marolinha pode virar uma onda.
Paulo, eu acredito que você Você é um servidor público, já foi testado durante 28 anos numa função que claramente você é testado para corrupção. Eu faço, eu faço votos de que você consiga vitória no seu pleito.
Obrigado, Rômulo.
E por que sou eu para te dizer isso, né? Mas independente de ideologia, não se perca como tantos outros se perderam lá, sendo de direita, de centro. Vai lá e não perca essa essência, isso que você tem demonstrado querer fazer, porque lá provavelmente você vai ser estimulado a comprar umas guerras que não são de interesse do povo. O povo não quer mais guerra, o povo quer soluções. Então, cara, assim, pelas pessoas que vão confiar no seu trabalho, vão confiar na sua campanha, não se perca lá.
Eu acredito que isso não vai acontecer, Mas a gente já tá cansado, inclusive de pessoas que a gente acreditava e quando chegou lá só cuidou dos seus próprios interesses.
Eu, embora eu faço parte de um partido, um partido que eu acho muito bom, por isso que eu me associei, me filiei a ele, eu carrego uma independência moral. Eu sei de onde eu saí, sabe? Eu saí de Niterói, eu brincava na Ripa Reiras pulando aquele canal que tem lá, jogando bola na rua. Costumo falar que o meu pediatra era o Dr. Eli Parreiras, então não pego doença nenhuma aqui. Enfim, eu saí de lá, minha independência moral, porque para mim, cara, eu não quero ser eleito para conseguir nada pessoal.
Eu sou franca atirador. Se eu for eleito, ótimo. Se eu não for eleito, eu vou lutar de outra forma. O importante é a gente tentar melhorar essa sociedade. Eu tenho 28 anos de auditor fiscal, se vocês me permitem. Eu moro de aluguel, Meu carro tá com 108 mil km, já tem que levar para revisar porque tá vazando óleo. Enfim, não tem nenhum imóvel no meu nome. Então, cara, tem gente que manda lá para mim: ah, entrou na política para se corromper.
Meu amigo, se eu quisesse me corromper, eu estaria corrompido há muito tempo, pelo que vocês falaram. Então, cara, eu, meus filhos estão criados, meus filhos estão com uma situação financeira melhor que a minha. Então, para quê, cara? Para quê? Já tenho dinheiro para comprar minha chacrazinha, já juntei um dinheirinho. Vamos para guerra, vamos ver o que que vai dar.
Deixa eu só mandar um abraço aqui para a galera aqui do chat. Raquel, Peter, Bia, Mizinho, a Lilian, Lilian Greco tá aqui com a gente também, Leal 93. Vamos subindo aqui. Mizinho falou parabéns, Rafa e Rômulo, parabéns Angelito, obrigado.
Obrigado, pessoal.
O Leal SDY TV tá aqui com a gente também. Nixo, valeu, rapaziada! Obrigado, Anderson Silva, Antônio. Bom, um abraço a todos vocês. Obrigado aí, foram muitos comentários. Obrigado pela audiência. A Lilian foi: gostei, eu gostei dessa pauta, combater o crime. É por aí, provavelmente quando a gente tava falando daquela parte de combater o dinheiro, a origem e destino do dinheiro. Obrigado aí, gente. Nanda, foram muita gente. Wesley, Wesley Manelli, muita gente comentou.
Obrigado pela participação, pela participação de vocês. Amanhã estaremos de volta com o programa Linha de Frente. Seremos eu e o Rafa comentando as notícias mais badaladas até aqui, as mais hypadas. Vamos comentar sobre a prisão desse político aí, vamos comentar tudo. Vocês pediram aqui para a gente comentar, mas não era coerente. A gente tinha um convidado aqui, a gente tinha que desenvolver esse bate-papo sabendo que toda quarta-feira nós temos essas pautas que vocês trazem aqui.
E na quinta-feira receberemos duas sumidades na segurança pública, autores e coautor do livro Narcocultura. Estou falando do Bernardo Ambrosi, do delegado Paulo Sabat. Paulo Sabac estarão conosco na próxima. O Bernardo Ambrosio lotado na CORE, o Paulo Sabac na DRE, Delegacia de Repressão a Entorpecentes. Pessoas gabaritadas para falar sobre narcocultura.
Rafa de Martins, obrigado, rapaziada. Então amanhã e quinta-feira, todos ligados, 8 da noite, aqui no Fala Guerreiro.
Sherlocker