ADVOGADO GABRIEL HABIB E DELEGADO BERNARDO LEAL | #FalaGuerreiro435
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- Apoio ao Policial· SociedadeFalta de apoio jurídico do Estado·Policial agindo por conta própria·Auxílio-invalidez e falta de reajuste·Vaquinhas para policiais feridos·Falta de plano de saúde e hospital próprio
- Experiência Pessoal Bernardo Leal· SociedadeOperação na Vacaria·Tiro na perna e perda de mobilidade·Coma e 3% de chance de sobrevivência·Amputação da perna·Luta pela vida e propósito
- Sistema Prisional e Ressocialização· SociedadePresídios federais e controle de comunicação·Sigilo de comunicação entre advogado e cliente·Saidinha temporária e progressão de regime·Falta de ressocialização no Brasil·Déficit de vagas no sistema carcerário
- Apoio Policia Civil· SociedadeFalta de recursos básicos em delegacias·Necessidade de viaturas e equipamentos·Falta de fundo para apoio policial·Apreensões feitas pela Polícia Civil·Desvalorização da Polícia Civil
- Defesa Policial e Ministério Público· SociedadeDefesa de policiais do BOPE e CORE·Operação Jacarezinho·Ministério Público·Defensoria Pública como assistente de acusação·Narrativa da mídia sobre operações policiais
- Operações Policiais e Confronto· SociedadeMudança de cenário desde os anos 2000·Resistência de criminosos·Comunidades como QGs do crime·Guerra assimétrica·Operação Contenção
- Fraude Processual em Cena de Crime· SociedadeAlteração do estado de pessoa ou coisa·Dificultar ação do perito ou juiz·Operação na Penha·Roupa camuflada de traficantes·Alexandre de Moraes
- Guerra Urbana e Armamento· SociedadeUso da mata como ponto estratégico·Casamatas e bandidos camuflados·Drones kamikazes·Fuzis e armamento pesado·Diferença entre facções criminosas
- Equilibrio de Poder· SociedadePoder excessivo de instituições·Falta de responsabilidade dos detentores de poder·Necessidade de plano de estado para segurança pública·Retomada de territórios ocupados pelo crime·Perda do monopólio da jurisdição pelo Estado
- Credibilidade da Mídia· SociedadeInfluência da mídia na opinião pública·Narrativas sobre operações policiais·Redes sociais como ferramenta de informação·Combate à desinformação
Fala, guerreiros! Ótima noite de terça-feira do dia, dia hoje, dia 11, né, 11 de agosto de 2026. Agradecer a sua audiência, agradecer a LS Concursos que nos apoia aqui nesse, nesse episódio. O ALS Concursos aí é a maior empresa de consultoria e mentoria, na verdade, para quem quer fazer concurso público. Então você entra aqui nesse QR code, você vai falar com pessoas que foram concursadas, que são concursadas, que já tem essa experiência.
Ela vai poder te orientar sobre material, programação, horário, adaptando a sua realidade. Então, ALS Concursos tem 17 anos de história, com mais de 13 mil aprovados. Obrigado, aliás, concurso. E agradecer também a Sherlock, que é a nossa outra apoiadora. Sherlock, o mercado te entrega telas, a gente te entrega inteligência. Era o material que antes era restrito apenas às equipes de inteligência, e hoje você pode ter acesso a ela para descobrir patrimônios escondidos, pessoa que tá querendo te dar uma volta, você que tá com o marido aí te enrolando, ou a esposa que tá escondendo, não sei o quê, o outro tá te devendo dinheiro, advogado tá buscando, enfim.
Encontra quem tá na sacanagem. Então se o cara tá ali te escondendo, tá não sei o quê, tu vai na Sherlock, o cara vai encontrar teu patrimônio, vai ver se o cara tá falando a verdade ou não. Então obrigado, Sherlock, também por apoiar o Fala Guerreiro. Dito isso, queria te pedir para curtir essa transmissão, ativar o sininho de notificação, compartilhar, se inscrever, tornar-se membro, porque hoje, meu irmão, hoje é um dia— eu não sei se você percebeu, eu tô até mais sério, porque hoje o papo vai ser um papo alto nível, alto nível intelectual.
Rômulo Brito tá lá no COP, é uma conferência de não sei o quê, de segurança pública, pá. Ele vai palestrar. Rômulo é, pô, o cara tá é outro patamar, entendeu? Eu tô aqui, pô, guardando aqui o Fala Guerreiro para ele poder ir lá e divulgar, e divulgar as ideias dele. Até porque ele é um cara muito inteligente que estuda muito sobre segurança pública. Então, infelizmente, não tá aqui com a gente, aqui nos acompanhando. Mas hoje eu vou receber dois convidados.
Um já é sócio, eu não falo que ele entrou na sociedade, o Dr. Bernardo Leal, delegado de polícia, tava lotado na DRE, participou de grandes operações investigando e operando. Ele não só investigava, ele gostava de estar lá na guerra também, em campo. E Gabriel Habib, que foi procurador, não, foi defensor público, agora é advogado, e ele tem mania de se meter também na guerra da polícia, sempre do lado da polícia, defendendo os policiais.
Então a gente vai falar de uns temas muito legais, mas principalmente sobre essa questão da defesa, legítima defesa policial. Quais são os limites? Até onde o Estado apoia? Quais são as situações que os policiais hoje que participaram dessas últimas operações se encontram? O Dr. Gabriel Habib, ele tá defendendo policiais do BOPE, já defendeu policiais da CORE, conseguiu absolver os policiais da CORE naquele caso lá do Jacaré, aquela operação que teve no Jacaré há alguns anos atrás.
Então, uma honra poder receber aqui Bernardo Leal e Gabriel Habib. Porra, que honra, meu irmão!
Prazer é meu, muito bom voltar aqui com vocês.
Muito obrigado por mais essa oportunidade de bater um papo sobre esse tema que é tão importante, irmão. Meu sócio, é verdade, quero meu percentual aí nessa sociedade.
Parte 3, A Missão, e você parte 12, O Império Contra-Ataca. Tá aqui, ó, mais um presente aqui, porque aqui ninguém sai sem caneca, meu irmão. Tá aqui, ó. E é o seguinte, eu botei ali a parte 2 para não confundir. E é importante o seguinte, parte 3, isso é importante que a gente mostra ali a caneca. Olha só, Doutora Ellen, Doutora Ellen, terceira caneca com o nome dele. Enquanto a senhora não vier aqui, não vai ter caneca com seu nome, entendeu?
Tem que vir, né?
Tem que vir para poder botar sua canequinha. Vamos lá, deixa eu—
quero que eu guarde aqui, de coração.
Guarda, guarda, deixa eu guardar aqui para você daqui. Cara, deixa eu fazer uma pergunta para vocês. A gente falou sobre esse tema aí da defesa, legítima defesa policial. Qual o conceito? O conceito de legítima defesa policial?
Legítima defesa é um instituto do direito penal em que você tá sofrendo uma agressão, que pode ser atual ou iminente, e a lei te permite você atuar por conta própria. Como diz o Rogério Greco, o Estado sabe que ele não pode garantir tua segurança o tempo todo, botar do teu lado um agente 24 horas por dia, 7 dias por semana, impossível, né? Não tem nem pessoal para isso. Então o mesmo legislador que diz que matar alguém é crime, ele te permite matar alguém desde que seja em legítima defesa, em estado de necessidade.
E tem uma brincadeira que eu fazia com os alunos, muito engraçada, que era assim: matar alguém é proibido ou permitido? Ah, é proibido, é crime. Aí depende. É proibido como regra, excepcionalmente é permitido se você agir, por exemplo, em legítima defesa. Então o que que é isso? Você tem uma agressão humana atual ou iminente, e dessa agressão, a essa agressão você pode reagir. Na legítima defesa, o agente ele não age, ele reage.
Então se ele reage, isso pressupõe que existe uma agressão anterior a você, policial no caso, ou qualquer pessoa. Você pode agir dessa forma também nessa situação. E a lei te permite você agir por conta própria, sem a intervenção do Estado, desde que você aja com os meios necessários e de forma moderada. Aí é discussão para o programa todo.
E como é que o Estado vê essa legítima defesa policial? Como é que o Estado trata a policial? Como é que ela trata essa situação?
A lei é genérica, vale para todos, né, inclusive para o policial. O legislador, um pouco mais sensível à situação do policial, fez uma alteração no Código Penal recentemente, incluiu no artigo 25, parágrafo único, para reconhecer, para positivar na lei a legítima defesa quando praticada por policial. Não precisava, mas eu vejo isso como um ponto positivo porque é mais uma manifestação do legislador garantindo que o policial possa sim agir legítima defesa.
A gente que mora no Rio de Janeiro, a gente enfrenta isso o tempo todo, né? O que mais tem aqui nas operações policiais é a reação, né? É a reação dos traficantes. E como é que o policial é recebido nas operações?
Debaixo de tiro. Até é importante fazer o adendo, é o seguinte: se você for pensar, ela é— nós precisamos que haja uma agressão Iminente? Ou seja, a pergunta que não quer calar aqui: você tem durante uma operação policial um indivíduo com fuzil. Na sua opinião, isso é uma agressão iminente? Ou seja, a gente pode pressupor que ali há realmente uma agressão a algum agente público? Eu acho que essa é a pergunta que muita gente tá se fazendo em casa.
E que a gente precisa vir aqui e trazer para a nossa realidade do Rio de Janeiro.
É uma operação policial como essa que você participou da última vez, já participou de várias também, tem sempre uma situação de agressão, né? Então o traficante tá lá de fuzil na mão, pronto para matar e morrer. E não é uma questão isolada, você e um traficante, é uma situação conjunta de toda a polícia que tá na operação que tenta, né, adentrar no local para, enfim, cumprir mandado de busca e apreensão, mandado de prisão. E aí o traficante, ele atira na polícia.
Então, ainda que, vamos lá, tem, sei lá, 200 traficantes, 50 atiraram, os outros 150 lá de fuzil na mão. É uma agressão atual? Claro que é atual. Existe uma coisa, uma coisa de antigamente, né, tem que esperar o bandido dar o primeiro tiro. Isso não existe. Não existe isso. Não tem que esperar o policial ser atingido, o projétil passar, né, para quem tá assistindo a gente, a bala, né, a bala, a bala passar perto, você ouvir um tiro do traficante para você atirar também.
Não existe isso, não tem que esperar nada. O que é necessário é que haja uma agressão atual ou iminente numa operação policial. Só o fato de haver pessoas predispostas a atirar na polícia Isso já é uma agressão atual. Ah, mas Gabriel, ainda que não dê nenhum tiro, ainda que não dê nenhum tiro, já é uma agressão atual, né? Enfim, então tá englobado sim.
Eu tô falando isso porque assim, Rafa, até mais que eu, mas a gente vivencia isso no nosso dia a dia policial nas operações, cara. Hoje em dia, quando a gente entra e o cenário, eu acho que se mudou, que mudou muito dos anos 2000 para cá. Antigamente eles faziam uma contenção, corriam, se escondiam. Agora não, cara. Agora eles fazem a contenção e depois é guerra. Você entra, eles vão resistindo até o final, principalmente nessas comunidades que são extremamente ocupadas, que são QGs do crime organizado.
E aí você muito me impressionou, Rafa. E aí foi por isso que eu fiz aqueles episódios com com Habib, meu amigo, quando eu soube que, em razão que após a mega operação contenção, vários policiais do BOPE estavam respondendo a um processo investigatório criminal, porque para investigar se realmente houve alguma execução. E eu acho que, sempre respeitando o Ministério Público, que eu acho que é a função constitucional deles. Mas eu acho que as imagens falam por si só ali.
Se você pega as imagens, estava ali no cenário de guerra, e de uma guerra em que a gente tava combatendo de metro a metro. Inclusive eu perdi a perna, vários colegas morreram, outros colegas do BOPE foram baleados. Então eu acho que você Isso por si só já fala, isso por si só já faz uma presunção de uma legítima defesa, né?
Com certeza. Realmente, eu não sou policial, não sou da área, nunca fiz uma operação. Já até fiz, né, joelho, mas operação policial, é isso, os dois de uma vez só. Mas policial nunca fiz. Então assim, o Bernardo falou uma coisa muito interessante, que mudou muito dos anos 2000 para cá. E mudou também a forma de visualização da operação, que antigamente era o que acontecia lá, ninguém ficava sabendo. Hoje, inclusive nessa operação, foi um repórter que acompanhou a polícia, não foi?
Foi.
Um repórter aí, é um maluco aí, né, Clemente? Ele me avisou, um maluco aí que foi junto. Ah, mas Gabriel, como é que ele foi?
Tá fazendo ponta, ele puxou do outro lado da rua. Falei, meu irmão, não é possível.
É, ele foi junto com a polícia na incursão. É maluco total, né? Assim, maluco de que fala é É um elogio, né? Assim, corajoso demais. Então você tem imagens do confronto real. Isso é importante para a sociedade entender e visualizar como a coisa funciona. E o que Bernardo falou, muito importante, porque se você tem uma operação, uma mega operação como essa, e já há um cenário de troca de tiro, agressão já é atual. O policial não tem que esperar o bandido dar o primeiro tiro.
Isso não existe, isso Vou esperar talvez me atingir, talvez eu morrer para poder reagir? Não existe isso.
Mas repara como isso é uma lenda e muito difundida na mídia. Não, você só pode reagir se o cara atirar primeiro. Que isso, cara? Eu vou precisar, eu prefiro, eu preciso tomar um tiro primeiro para depois reagir?
Isso é uma, se você morrer você nem reagir você consegue, né?
É uma falta de conhecimento, porque assim, a teoria é uma coisa, a prática é outra coisa. A teoria, você deve anunciar Que é polícia. E aí o cara, escalando o negócio, você vai progredindo a força. Só que a verdade ali, você tá no terreno, um labirinto. Se você surpreende o cara com fuzil, você sabe que ele só precisa levantar aquilo ali e às vezes tem uma rajada, às vezes tem uma porra, não um tiro que o cara vai dar, o cara vai dar e ele vai sumir, ele vai sumir muito rápido.
Então se você surpreender o cara, é um duelo aqui, ele tá Mas só quem vive aquilo ali sabe quais são as condições. E a condição que a gente tá também, pô, meu irmão, a gente quer voltar para casa, porra.
Claro que isso que eu acho mais importante, Rafa, às vezes não é ele atirando, é ele mais 3, 4 atirando junto em cima de você. Não, e a gente, a maioria das vezes, a gente, a gente é ensinado, treinado, e 99% das vezes é tiro engajado. A gente dá em regra o tiro engajado. Foi o que ele falou, eu quando eu vejo ameaça e ameaça realmente existe, tá de fuzil, a gente dá. Eles não, cara. E aí vem aquela ideia de guerra assimétrica.
Os caras, meu irmão, eles nem olham para você. Ele bota o fuzil para fora e sai atirando. Ele não quer saber se tem uma criança, se tem morador, se tem policial, aonde vai pegar. Então a gente vive uma guerra completamente assimétrica. O que me preocupa é se as nossas autoridades em outros, em outros níveis, elas têm a percepção disso. E aí eu acho a importância disso aqui, a gente conseguir transmitir a ideia de que vivenciamos uma guerra urbana hoje em dia, só que é uma guerra velada, concorda?
É, mas ninguém tem a percepção disso. Eu tô aqui falando, mas eu não tenho percepção disso. Quem tem são vocês que vão na operação.
Antes de falar do negócio do BOPE, você já teve experiência de defender policiais? Como era o cenário, o ambiente, assim, de uma forma geral? A gente não vai especificar não sei o quê, mas o que que você encontrava diante de você? Postura do Ministério Público, Judiciário, as partes e tal? Eu vou falar uma coisa, meu irmão, uma coisa que eu acho um absurdo, tá? Eu já vi Defensoria Pública fazer assistência de acusação. Porra, meu irmão, Defensor Público é para advogado do cara que não tem condições.
Ou ele advoga para o policial, entendeu? Ou ele advoga para o bandido. Agora, ele virar assistente de acusação, eu já vi isso, não sei se é verdade, eu vi no jornal, entendeu? O que que você acha? Qual é a postura que você vê?
Eu não acho, eu vivenciei isso muito, né? Porque no caso Jacarezinho, eu me coloquei à disposição dos policiais da CORE para atuar na defesa deles. E aí você vê Tudo que vocês falaram aqui, Bernardo nessa operação foi baleado, perdeu a perna, chegou no hospital com 3% de chance de sobrevivência. Os médicos olharam, foi dado como morto. Verdade, pessoal, foi dado como morto no hospital. Os médicos falaram assim, esquece, né? E aí conseguiram reanimá-lo, e aí foram tentar salvar a perna dele.
Aí falou, ou salva a perna ou salva ele, porque ele não vai sobreviver. A chance de sobreviver é pequena. Então assim, tá nessa situação. E aí, numa operação dessa, vários policiais são baleados, alguns são mortos. No Jacarezinho teve policial morto, o André Frias. Enfim, enfim. E como diz o Salvadoretti, delegado da CORE, o pior dia da operação é o dia seguinte, né? Porque o dia seguinte o policial tá acuado. Policial vai lá bravamente.
Por isso que eu falo, eu defendo quem nos defende. A gente só sai na rua, a gente, eu, você que nos assiste, a gente só sai na rua para trabalhar, para levar o filho na escola, para levar o filho no curso de inglês, para ir fazer audiência, para ir para o teu escritório, teu consultório, o teu trabalho, seja ele qual for digno, porque a polícia tá na rua e ainda assim é difícil. Então assim, eu defendo quem nos defende. E aí, como é que a sociedade trata isso?
No dia seguinte De manhã logo a mídia chacina, polícia sanguinária, é sempre a próxima, é sempre uma operação da história, né? Mó operação da história, maior chacina do Rio de Janeiro, era o Jacarezinho, agora tá sendo operação de contenção, massacre. E aí a influência da mídia é terrível, porque a mídia assim, a vovó que tá lá, que acordou às 5 imediatamente, começou a ver o jornal, Ela fala, nossa, a polícia fez um massacre ontem no Jacarezinho, uma chacina no Complexo da Penha.
E não foi assim. Mas como é que ela tira essa conclusão? Tira conclusão a partir da conclusão da mídia, que é quase a mesma narrativa mentirosa. A verdade é essa, vamos me atacar, mas a narrativa da mídia é mentirosa.
A verdade é essa. Gente, mas a polícia, mas a polícia não pode chegar atirando. Quem é que fala isso? A polícia chegou atirando. Quem é que repete essa mídia?
Enfim, vamos lá, o dos 117 mortes, está comprovado nos autos. E eu falo com tranquilidade, segurança, porque eu tô no caso atuando, tá? Mais de 100 dos 117 tinha envolvimento com tráfico de drogas e crimes graves. Primeiro ponto é esse. Segundo ponto, nessa mesma operação que 117 foram mortos, no confronto tivemos aí mais de 70 pessoas presas. Isso comprova o quê? Uma questão de lógica. Ora, Se fosse uma chacina, se fossem lá para matar todo mundo, não ia prender mais de 70 pessoas.
Dá trabalho, tem que prender, tem que autuar, ir para delegacia e depoimento como testemunha, etc. Enfim, se fosse para matar, tinha matado todo mundo, não tinha prendido mais de 70. Você vê que a narrativa da própria mídia é incompatível com o que eles mostram e dizem. Então, o pior de hoje é o seguinte, porque o policial Tá sozinho no deserto, já atravessou o inferno que foi a operação. Aí tá sozinho no deserto, não tem ninguém do lado dele. Aí é a mídia e todo mundo batendo na polícia.
Aí eu acho que foi hoje, eu vi no jornal, eu não sei se vocês viram também, um policial militar de Santa Catarina que passou por um julgamento do júri, foi absolvido hoje, 14 anos de julgamento para ele ser absolvido hoje em uma operação policial em que ele matou um bandido. Você imagina a vida desse cara durante 14 anos? Eu fico imaginando a vida dos colegas que passaram pelo júri do Jacarezinho.
O processo às vezes é pior que a pena. Essa agonia, essa angústia de você saber se eu posso ser preso, eu posso ser preso, posso ser condenado, posso não ser.
A família, você tem restrição, né, de locomoção?
Às vezes tem uma cautelar. Sim, exatamente.
E família vive junto. Você acha que a família do policial não vive angústia com ele junto? Você acha que o cara tem medo de perder o emprego? O cara tá com medo de ser preso? O cara às vezes é preso preventivamente durante uma— então assim, a gente precisa rever Qual a segurança pública que a gente quer? Na minha opinião, sabe por quê? E aí é aquilo que a gente fala sempre: se tivesse uma barricada no meio da Vieira Soto, meu irmão, opinião pública tá fazendo o seguinte: não quero saber qual método que você vai usar, tira a barricada de lá.
É isso que está atrapalhando os donos da opinião pública. Porra, mas a barricada, meu irmão, aonde ela é? Na Penha. Infelizmente pessoas socialmente invisíveis. Então, meu amigo, ali vamos fazer operação, mas cuidado. Então, quando essa operação, cara, ela foi montada, foi um ano de investigação, ela foi montada durante uns 3 meses. O nosso maior medo, eu acho que o maior medo de quem montou essa operação, é que tivesse qualquer erro ou um dano infelizmente colateral para alguma criança, para algum inocente.
Não teve um dano colateral, graças a Deus. Mas, e assim mesmo, se discute se ela foi de certa forma exitosa, se discute se de alguma forma ali não foi uma execução. Cara, assim, só olhar o que aconteceu comigo. Se o cara que tava participando lá tomou um tiro de 7,62, quase morreu, é um milagre tá vivo aqui falando com vocês, significa que houve uma reação, significa que houve uma guerra. Então assim, eu acho que a gente tá vivendo.
E aí, quando alguns defendem aplicação das normas da CANI, que é aquela Combate Armado Não Internacional, que a ONU pode aplicar, em que ela, vendo alguma, algum bandido, algum agressor, até acho que 1 km você poderia neutralizar. Muita gente está defendendo a aplicação da CANE. Qual é a minha ideia? É a gente realmente conseguir trazer o instituto da legítima defesa e conseguir demonstrar que o instituto se aplica sim, mas que ele precisa ser analisado não por um ponto de vista de narrativa, e sim por um ponto de vista fático e um ponto de vista da realidade.
Exatamente. Aí aconteceu no Jacarezinho e aconteceu agora no caso do Complexo da Penha. Depois da operação, o Ministério Público estourou um pique PIC é procedimento investigatório criminal para apurar se foi legítima defesa, se foi chacina, se foi execução. O Ministério Público tem essa função institucional. Eu, todo mundo sabe, eu sou entusiasta do Ministério Público, do Judiciário, e acho que sim, tem que investigar. O MP tem que cumprir a sua missão constitucional, e eu sou um admirador do Ministério Público, e No Jacarezinho, nós provamos que houve ali uma situação de legítima defesa.
Infelizmente teve uma denúncia, acontece, estamos brigando no processo, é do jogo isso. Mas no caso do BOPE também, do operador do Complexo da Penha, são 176 policiais que estão sendo investigados. Nós fomos, acompanhamos os policiais no Ministério Público para prestar depoimento, e é um pique, é um procedimento muito grande, tem mais de 20 mil páginas. Eu tenho certeza, eu tenho, eu confio no Ministério Público que a gente vai conseguir demonstrar e concluir que ali foi uma situação clara de legítima defesa dos policiais do BOPE.
O BOPE nessa operação da Penha, ele atuou somente na mata ou saiu da mata? Foi na mata ali?
Ele ficou, ele ficou na divisa, na divisa de dois terrenos. Entendeu? Aquela situação, ah, empurraram os traficantes para mato, BOPE brincou de tiro ao alvo, isso não existiu, não foi assim, não foi nada disso.
Como é que foi? Como é que foi a situação?
O BOPE tem por função estabilizar o terreno, assim como a CORE, né? Ao que me parece, e realmente é o que é, a operação era para cumprir mandados de busca e apreensão.
Perfeito.
E mandados de prisão também, né, Bernardo?
São, eram 180 mandados de busca e apreensão e mais ou menos 100 mandados de prisão, porque existiam mandados de prisão não só do Rio de Janeiro, de várias lideranças que estavam escondidas ali. Então, ou seja, vários mandados de prisão de fora do Rio de Janeiro, do Pará. Nós sabíamos que várias lideranças estavam escondidas ali, inclusive vários dos presos eram traficantes de outros estados.
E aí, como é que você cumpre 280 mandados entre prisão, busca e apreensão numa situação de confronto? Como Bernardo falou, a cultura mudou muito. Antigamente, anos 2000, década de 90, enfim, a polícia entrava e o pessoal fugia. Hoje é a política do enfrentamento. Não existe se entregar, sabe? Melhor do que eu, vocês sabem, é enfrentar, é enfrentar, trocar tiro até morrer. Então qual é a função do BOPE? Qual é a função da cora no jacarezinho?
Entrar, estabilizar o terreno para que os outros policiais pudessem entrar para cumprir os mandados. A gente sabe que cumprir o mandado de prisão, de busca e apreensão, às vezes a pessoa não tá lá, tem que procurar, busca e apreensão, entrar na casa da pessoa, exibir o mandado, arrecada tudo que tem lá, verifica se tava abrangido pelo mandado ou não, demora. Então assim, como é que você cumpre 280 mandados no terreno não estabilizado?
É impossível, inviável. Então entra a CORE, que participou da operação também do Complexo da Penha, contenção. Entra o BOPE para estabilizar o terreno.
E outra coisa, o terreno, momento algum, né? Esse é um grande problema.
Eles sofreram duas emboscadas. Exatamente, duas ou três emboscadas.
Correram dois policiais do BOPE lá dentro. Tem uma coisa interessante seguinte, é um modus operandi da favela, dos bandidos irem para mata, e da mata atirarem nos policiais. Porque você, quando olha para mata, você não os vê, mas eles conseguem ver você dali de dentro, entendeu? Eles ficam camuflados ali. E nesse caso tava até usando roupas, cara. Você não usando aquela roupa, você já fica escondido, entendeu? Então, tanto que existe um ditado, né, que fala que a mata é de quem chega primeiro.
Isso aí.
Então aquele que chegou primeiro na mata, irmão, ele tem uma vantagem. Então Eu passei por isso na Vila Aliança, que até foi o dia que o comandante Felipe foi baleado. Eles estavam na mata e o tempo inteiro a gente tinha que passar, cara, correndo quando tinha mata, porque eles ficavam atirando da mata. E a gente tentou chegar no alvo e a gente foi caminhando, problema, até que a gente chegou na core. Os cara falou, encosta aqui, que eles estão atirando da mata, estão atirando da mata.
Então os bandidos vão para mata para não permitir que o terreno fique estabilizado. E ali da mata a gente leva uma desvantagem enorme. Então o BOPE proceder para mata faz parte dessa estabilização do terreno, porque ali é um ponto de estratégico.
Pensa uma coisa comigo, nós já tínhamos a consciência de que ia acontecer isso, de que nós viríamos entrando e que eles iriam correr para mata. E tentar atravessar para o complexo do Alemão. Qual foi a função do BOPE? Aí que eu tiro o chapéu, porque, cara, de uma grande coragem você conseguir adentrar na mata como eles fizeram, com a mata ocupada já, com casamatas, com bandidos camuflados. E aí eu acho, eu não sei se vocês viram aquele documentário Os Territórios, Eu ia falar disso agora. Como é que começa o documentário?
O primeiro episódio, né?
Exatamente. Um colega do BOPE tomando um tiro na perna porque eles foram exatamente para mata para tentar fazer essa, essa contenção do— e para tentar proteger quem tava vindo de baixo, de baixo. Então foi uma missão, na minha opinião, a missão do BOPE foi uma missão extremamente perigosa, uma missão dificílima. E, cara, mais uma vez até fico arrepiado, porque os caras, meu irmão, honraram ali a farda, conseguiram cumprir. E aí que eu me sinto obrigado a falar sobre isso, cara, sobre a legítima defesa policial, porque como a gente tá na linha de porra de frente, a gente tá na ponta, e a gente vai deixar cento e Cento e quantos colegas?
176 colegas responderam primeiro para estabilizar para vocês entrarem.
Como é que a gente vai deixar 176 colegas respondendo e ninguém fala sobre isso? Só porque todo mundo, grande parte da sociedade fala o seguinte: pô, cara, quem foi lá são heróis, parabéns pelo seu trabalho. E ninguém tá sabendo dessa investigação. Eu acho que a gente precisa da publicidade disso.
O confronto foi muito violento, até pelo número de baleados do BOPE. Sim, foi uma causa, foi algo anormal. E o meu plantão tinha sido um dia antes, eu não fui nessa operação. E eu lembro que o pessoal, mas pediram pra gente ficar de QAP, a gente tava ali monitorando a polícia inteira. Mais um baleado, fulano foi baleado. Eu falei, cara, eu nunca vi uma operação com tantas pessoas baleadas e mortas, isso é algo totalmente incomum.
E Um dos nossos colegas, policial civil, Máscara, tomou um tiro na cabeça. Quando falaram que ele tinha sido baleado, eu liguei para uma colega que tava com ele no local, trabalhava com ele, para saber notícias dele. Liguei para ela, ela tava no hospital aos prantos. A família dele ainda não tinha recebido a notícia. E ela me falou, cara, a gente tinha subido uma laje na frente dessa área de mata, era vacaria, né? E ele subiu na laje.
Eu tinha pegado um drone, acho que um drone, porque tinha muito jammer ali também. Ela pegou um drone que ela viu que era um drone da polícia, ela guardou aquele drone. Cara, daqui a pouco eu vou encontrar alguém. E quando eles subiram nessa laje de frente para mata, ela decidiu guardar o drone no canto só para ninguém pisar, não sei o quê, que eles estavam ali para tentar. Quando ela baixou, foi da mata, veio o tiro. Que atingiu o nosso colega.
Então você vê que eles usavam aquele espaço ali para atirar na polícia. Então o Máscara morreu de um tiro vindo.
Não, e aí eu vou te perguntar se isso não é uma tática de guerrilha urbana. Se você for pensar o seguinte, quando teu inimigo vem, você vai para um local mais alto, escondido na mata, e você de lá vai ficar repelindo e tentando fazer o maior número de baixas possíveis do seu inimigo. E aí o mais triste: quem é o inimigo? Somos nós, o Estado. Aí eu te falo, cara, a gente não tá vivendo uma guerra? Se o bandido ele tá lá, ele sabe que ele vai subir para mata com várias casas-matas da onde eles atiram livremente.
Ele vai atingir mirando o policial, que na verdade está representando o Estado. E aí, quando algumas pessoas falam, que nem o Felipe Cury fala, cara, isso aqui não é trabalho mais da polícia, isso é um trabalho, meu irmão, já de Forças Armadas. Nenhuma polícia do mundo faz isso que vocês fazem. E aí, mais uma vez, tem que tirar o chapéu pra CORE, pro BOPE, os policiais, para nossos colegas que vão lá, meu irmão, fazer um trabalho que na verdade, infelizmente, é um trabalho que deveria ser feito pelas Forças Armadas, porque a gente já deixou chegar nesse ponto.
E aí entra a legítima defesa. Pensa comigo, depois de toda a situação que foi exposta aqui, que o telespectador ouviu, teve o Bernardo falando planejamento da operação, da execução. E aí vamos lá, Existe uma agressão atual e humana? Sim, existe. Essa agressão é injusta? Sim, é injusta. Quando os policiais reagem, revidam, usam um meio necessário adequado à agressão que estão sofrendo? Sim, usam. Porque num confronto desse, o traficante tirando de fuzil, o mínimo que policial tem que ter na mão é um fuzil também para reagir.
Porque pedra vai ser difícil, né?
Com pedra não dá. Enfim, é. E aí, ah, mas teve policial que deu 100 tiros. Uma operação dessa chega a ser até pouco, né? Quantos tiros eu posso dar para fazer, para agir em legítima defesa? Aí eu faço um raciocínio inverso. Qual é a finalidade da legítima defesa? Não é matar o agressor a qualquer custo, é fazer aquela agressão cessar. Então Eu estou com fuzil na mão, tô armado, revidando a agressão de arma de fogo. Quantos tiros o policial pode desferir para fazer aquela agressão cessar?
Tantos quantos forem necessários para cessar a agressão. Então não importa se o policial deu 100 tiros, 500 ou 3.000 tiros, enquanto a agressão não cessar, enquanto a situação de confronto não terminar, não acabar, A agressão permanece sendo atual e o policial está autorizado sim pela lei a reagir em legítima defesa, independentemente se deu 100 tiros, 200 tiros, 30 tiros ou 1000 tiros. Enquanto a agressão não cessa, o policial está agindo em legítima defesa.
Perfeito. O Dr. Leandro Gontijo, que tava, era titular da 22DP, né, na ocasião, ele instaurou um inquérito de fraude processual em cima de um monte de morador lá que tava tirando as roupas dele, não sei o quê. E aí parece que o Alexandre de Moraes pediu para encerrar o processo. O que que você acha? Existiu essa fraude processual? É sua opinião assim, não vai diferenciar nada. Eu assim, eu particularmente, só para te encorajar, eu não concordo, eu não concordo com Eu acho que teve, esse nego ficou mexendo no corpo, bicho, não tinha que ter mexido no corpo, tinha que esperar a perícia ou apresentar como tava.
Se tinha que tirar da mata, pelo menos apresentava como os caras estavam. O que que você acha? O que que você sabe sobre isso? Se foi isso que aconteceu, qual foi a decisão do Alexandre de Moraes, qual foi a motivação e tudo isso, e a sua opinião sobre isso?
Vamos lá, é aquela diferença, né, entre o que aconteceu e o que que a população sabe que aconteceu. Nesse caso, essa distância ela fica muito encurtada. Uma vez que foi filmado pessoas tirando aquela roupa camuflada dos traficantes, né? E que que é fraude processual? Pessoal pensa, é fraudar um processo. Não, não é isso. A fraude processual é um crime autônomo. E que crime é esse? É você modificar, diz o Código Penal, o estado de pessoa, de coisa.
Com qual finalidade? Para dificultar a ação do perito, do juiz. Então, o que que é fraude processual? Tá lá um corpo no chão de bruço, você pega e vira de barriga para cima. Fraude processual, você alterou. Porque a depender do que o perito disser, do que o perito enxergar ali, aí vai dizer: o projétil veio da direção tal, direção tal, veio de cima, veio de baixo, veio do lado direito, lado esquerdo. Então dá para precisar, nós dentro de carro, quando você mexe no corpo da vítima, ah, vou tirar o carro daqui, vou botar para frente 5 metros, você altera o estado de coisa.
Isso vai impedir, vai dificultar que o perito faça a perícia de local, tá? Então quando pessoas mexem nos cadáveres dos traficantes que foram mortos, né, seja para colocar enfileirado para tirar aquela tal daquela foto, seja para tirar a roupa camuflada que usaram Eles estão alterando o cenário, a cena do crime. Isso vai evidentemente dificultar. Então sim, a resposta é sim, as pessoas que mexeram praticaram sim, em tese, fraude processual.
Aí você teria que avaliar o depois, o dolo, ou tem modalidade dolosa?
Não, é doloso. O crime não existe de forma culposa, mas tem que ter afinidade específica de dificultar o trabalho do perito.
Mas ali, se você for pensar também, vamos lá, para que que foram, para que que queriam colocar todos eles sem roupa um do lado do outro?
Para mim, queriam reproduzir aquela foto do Vigário-Geral, da massacre. É óbvio, cara, aquela comoção.
Desculpa, não teve o dolo? É óbvio que teve. O dolo era o seguinte, cara, vamos mostrar que foi uma chacina. E tentaram fazer essa narrativa, pelo que eu soube. Eu tava em coma, mas tentaram fazer essa narrativa. Só que hoje em dia tudo é filmado. E aí filmaram as pessoas tirando as roupas camufladas, as roupas de guerra que esses caras estavam usando. E aí essa narrativa, ela foi—
a população viu, porra, era o traficante mesmo. Como é que um cidadão trabalhador vai botar uma roupa camuflada para ir na mata numa operação policial?
5 horas da manhã, o cara do um do lado do outro, para tentar criar narrativa do massacre.
Confundir a polícia com a opinião pública.
Uma foto vale mais que mil palavras. Então assim, a mídia fala: chacina, massacre. Aí aparece aquela imagem: ah, realmente é uma chacina, um massacre que a polícia fez.
E não foi, não. E cara, nós fomos lá, na verdade, porra, o Rafa, ele pode falar porque ele foi muito mais operação que eu, mas eu nunca saí de casa pensando o seguinte: cara, eu vou matar alguém. Duvido que o Rafa tenha saído de casa, pô, hoje eu vou sair de casa para matar. Irmão, você sai de casa o seguinte, meu irmão, eu vou cumprir minha missão. Qual é minha missão? Pô, a gente tem um envelope na mão, tem um alvo para poder cumprir.
É difícil às vezes para cacete chegar no alvo, como foi naquele dia, foi difícil, porra, não consegui chegar no meu alvo, tomei um tiro antes, cara.
A gente, o curioso que nos assiste vai pensar que é brincadeira, tirou alvo. O que que é o seguinte?
Quando a gente monta operação, quando a gente monta uma operação, a gente faz o seguinte: os mandados de busca e apreensão e os mandados de prisão, nós dividimos eles em diversos envelopes, colocamos aqueles, aquele mandado, ou seja, o mandado de prisão para o José é colocado, aquele mandado de prisão ele se transforma no alvo. Então quando eu fui entregar para o Rafa para ele cumprir Eu falo, ó, o teu alvo é você prender o José.
Ele vai abrir, vai olhar a casa do José, pô, do José na rua tal. Ele vai ter que estudar como é que ele vai chegar lá no terreno, equipe dele também. E a partir dali, a missão do Rafa e da equipe dele é chegar àquele alvo. Então, alvo na nossa forma de falar é isso. É, você tem um objetivo. O teu objetivo é ou fazer uma busca e apreensão de uma casa, ou você realizar a prisão de algum indivíduo, sempre munido com mandado judicial.
Isso foi isso que eu acho que foi uma das maiores mudanças de paradigma da Polícia Civil na atualidade. E aí eu falo isso muito, eu queria que dizer que o Felipe Cury foi uma pessoa que pensou muito nisso, o André Neves também. Mas, cara, o Moisés foi, Moisés Santana, a quem, cara, ele, a gente só fazia operação na DRE após a investigação, após a opinião do Ministério Público e depois de uma decisão judicial. Então, cara, isso foi uma mudança de paradigma enorme.
O Rafa deve ter ido antes a operações onde não tinha mandado para cumprir. Hoje em dia, meu irmão, você só vai para operação para cumprir o mandado judicial.
Cara, vou te falar assim, até por uma questão egoística, quando a gente vai, quando a gente sai para operação e tudo, eu falo: por que que a gente sai para cumprir a missão de prender? Porque para a gente é melhor. Quando eu recebi o mandado de prisão, eu falei assim: meu irmão, o que que eu tô assim? Cara, tomara que o alvo esteja nesse lugar, porque eu vou chegar lá 6 horas da manhã, Vou no alvo, pego o alvo, prendi o alvo, vou levar para a delegacia da polícia fazer a prisão, vou ficar ali no ar-condicionado tranquilão tomando um café.
Pronto, operação ali para mim acabou, cumpriu a missão. Se eu não encontro o alvo, porra, tem que ficar lá ocupando espaço. E aí volta, aí vem a ligação do Doutor, então tem outro alvo aqui, bate informação, bate não sei o quê. Meu irmão, e tu vai passar o dia inteiro lá. Entendeu? Se você mata um vagabundo, aí ferrou, meu irmão, porque tu vai passar o dia inteiro mesmo para poder guardar o negócio para perícia e tal, e depois vai ter que voltar para depois, depois, depois, depois.
Cara, toma, a melhor parada do mundo é você encontrar o homem, prender, meu, entendeu? Para a gente é melhor, fica muito mais tranquilo, o trabalho é mais tranquilo.
Mas olha a visão da prática, ele tá sendo sincero, é isso mesmo, cara. Hoje em dia O cara, o policial sabe que se ele tiver uma reação e acontecer uma legítima defesa e ele matar, vai ter que esperar a delegacia de homicídio chegar, perícia, cara, tem que preservar o local, preservar o local.
Eu tiro o comando.
Agora, como é que você faz isso numa mega operação em que você não estabiliza em momento algum?
Tiro comendo solto, você acha que a televisão local vai entrar lá quando? E o perito?
E quem conseguiu prender fez o quê? Foi passar da polícia e entregar o preso?
É verdade.
Porque assim, não é porque, ó, meninos iluminados. Não, cara, ele tá pensando o que é mais confortável pra gente.
Aconteceu na Operação Jacarezinho da CORE. O perito demorou pra chegar porque não tava estabilizado o terreno. E o perito falou, olha, como é que eu vou entrar pra fazer a perícia com tiro comendo solto? Impossível.
Como é que ele vai fazer a perícia batendo tiro aqui? Ele tá lá fazendo a perícia, não vai fazer.
Não tem como.
E botando em risco a vida dele e de outros, entendeu? Assim, então a gente tem coisas que são muito utópicas, eu acho. São coisas que eu acho que na academia é muito bonito de se falar, e mas na prática você não consegue, infelizmente, efetivar, botar em prática aquilo ali. Então você conseguir estabilizar um lugar para tudo Houve um confronto, para todos, ó, vamos agora aqui preservar o local.
Você pega o controle, aperta o pause, isso aí, todo mundo para, estátua, combinado, hein?
Altos, altos, vamos esperar aqui. Mentira, não vai acontecer. Como isso?
Então, como é que foi o caso do Jacarezinho? Você defendeu os policiais? Como é que foi lá o ambiente? Tava hostil? Tava esquisito? Como é que—
não, o ambiente, quando eu vi no jornal que me apertaram um PIC para apurar se foi chacina, massacre, legítima defesa, eu procurei o chefe de polícia e coloquei meu escritório à disposição, eu, minha equipe toda. E a gente conseguiu, a gente faz um trabalho muito legal assim no próprio Ministério Público, né? Como eu falo, eu sou um entusiasta do Ministério Público, eu não fico brigando, ah, o promotor é função dele, ele vai cumprir a missão dele.
Então a gente fez uma atuação em prol dos oficiais da CORE. A gente conseguiu comprovar que eles agiram sim em legítima defesa, que havia de novo uma agressão atual ou iminente, naquele caso era atual, humana, injusta, que eles reagiram com meios necessários e moderados. Enfim, não foi massacre. Isso fala muito mais alto aqui na Operação Contenção, porque foram mais de 70 presos. Tu quer dizer, se fosse, se a polícia, se o BOPE fosse lá É para matar todo mundo, para executar, para fazer uma chacina, para fazer um massacre, não ia prender mais de 70 pessoas.
E 150 estavam lá, as pessoas presas, é só matar, né? No entanto, não mataram, levaram preso e foram, enfim, cumprir a missão dele.
E aí você vê como realmente aquilo que a gente falou era verdade. Mais de 50%, 60% era de outros estados. Então o que a gente falou, que tinham diversas lideranças de outros estados, e eu até acho que por isso que aconteceu esse grande número de mortes. Esses caras de outros estados, eles são obrigados a ficar até o final, a reagir até o final, porque quando eles vêm se esconder aqui, eles têm que pagar aqui para ficar alugando, né, o espaço aqui, da onde eles comandam o crime organizado nos seus estados.
E aí muitas vezes já se viu execuções sendo comandadas daqui. E mas eu acho que tem uma ordem que é a seguinte: se a polícia, o Estado, né, entrar, vocês vão ter que ficar até o final. E aí enquanto as lideranças fogem. E eu acho que foi isso que aconteceu naquele dia. Então você vê que grande parte do número de bandidos mortos foram pessoas de outros estados e do Presos também. Então não é narrativa, o que a gente falou é verdade.
A gente sabia que tinha lideranças, a gente sabia onde as lideranças estavam. E aí aquela ideia sempre da inteligência: pô, vocês não agem com inteligência. Cara, ali eu te digo que a gente agiu com inteligência mesmo, porque quanto mais perto tiver chegando dos caras, meu irmão, mais agressivo eles ficam, mais reativo eles ficam e mais preparados eles ficam. Eu sou um exemplo de que eu sofri uma emboscada. A gente canta senha, contrasenha vem certa, o cara sabia, e aí eu sofri uma emboscada, e vários colegas do BOPE também sofreram emboscadas pelo professor.
Talvez, hein, Rafa? Desculpa me meter no comando aí da operação aqui do Fala Guerreiro, mas talvez, se você concordar, o pessoal de casa saber da história. Bernardo, de repente podia contar como é que foi a situação dele. Claro, pô.
Desde o momento do próprio—
aqui, pô, aqui do pessoal não sabe que ele ficou 57 dias em coma, que ele chegou no hospital com 3% de chance de sobreviver, que foi dado como morto. A luta que foi para uma outra operação para retirar você do local?
Então, ali nós, quando eu saí do briefing, eu saí com envelope, eu saí com alvo, que a gente chama. Eu tinha que ir na casa de uma liderança, e essa casa dessa liderança ficava na Vacaria. Tendo em vista que a gente entrou lá embaixo, até a Vacaria eu tive que andar 14 km. E aí vem um fato que eu, porra, isso, isso me incomoda demais, porque de repente, se isso tivesse acontecido, a vida de muitos colegas tinha sido salva. O ex-secretário da Polícia Civil pediu para o governo federal ceder alguns blindados de esteira para nós, acho que são os Clamfs.
O que que é blindado de esteira?
Blindado de esteira são blindados da Marinha que conseguem atravessar as barricadas.
Não tem roda, é uma esteira, tipo tanque, tipo de tanque.
É um tanque mesmo.
Não, eu conheço, só o pessoal de casa saber. É um tanque, aquele tanque de guerra mesmo.
Exatamente. E a gente não pediu nenhum soldado. A força humana seria a nossa. Nós precisávamos só disso porque nós sabíamos que as barricadas, que os nossos blindados não atravessariam as barricadas, eles teriam dificuldade de chegar nas lideranças. Isso me dói o coração. Por quê? Porque a maior crítica que a gente teve nessa mega operação foi que nós não prendemos nenhuma liderança. Claro, pô, eu demorei 2 horas e 40 para chegar no meu alvo andando.
Aí, 2 horas e 40 para caminhar 14 km, para caminhar 14 km abaixo de bala, com colete, com fuzil. Então assim, não tivemos esse apoio, esse apoio nos foi negado. Ok, então tive que andar. Chego lá, cheguei ali perto da casa.
A quem competia autorizar esse apoio?
As Forças Armadas, então o governo federal, e foi negado sobre a alegação de que não tinha GLO, né, da lei da ordem, garantia da lei da ordem, que o que na verdade eu acho que é uma grande falácia. Desculpa, aí é minha opinião, Bernardo, pessoal. Eu acho que se tivesse interesse político teria sido cedido. Eu acho que o governo federal, entendendo que quem ia ficar com os louros daquela operação era governador de um partido ou de uma posição, não quis dar.
E aí diversos colegas morreram em razão disso. Tive que andar. Chego eu perto da casa do alvo, tiro uma foto para o Moisés. O drone nos informa, ó, tem 60 caras armados perto de vocês. Era perto da vacaria.
Vocês eram quantos?
Nós estávamos 15.
Tive que chamar o resto da Onix. E aí, meu abraço aqui para os policiais da Onix, da DRE, que, cara, esses caras são poucos, pouco falados, mas para mim, irmão, são verdadeiros guerreiros. Eles vão dentro dos blindados, irmão, tomando tiro, desembarcam e vão para linha de frente, prendem, resolvem. Então assim, são verdadeiros heróis, tá? A gente chega lá, eu espero chegar essa parte dessa fração da Onix. A gente começa a descer nessa viela.
A partir do momento que a gente começa a descer, foi o que o Rafa falou, do outro lado era o mato. Então, do mato a gente descia, tomava tiro o tempo inteiro. Conseguimos avistar a casa do alvo. Entramos numa viela que era toda coberta por tapumes, né, de aço. Para quê? Exatamente porque o drone não visse que ali era uma rota de fuga dos bandidos. E tinham dois muros ali. Encontramos um colega, o colega tava sozinho, tinha se perdido da equipe.
E aí a gente falou com ele, cara, o que que houve? Sozinho, sozinho tinha se perdido a equipe. E falou, cara, eu me perdi da minha equipe, os cara do choque passaram aqui agora, tem uns caras no final do beco ali, mas eu acho que é PM, eu acho que a gente tá tomando tiro amigo. E aí vem a ideia de se cantar a senha, contrassenha, porque quando a gente tá atuando com duas forças amigas, que que a gente tem que fazer para não Haver o confronto, o tiro amigo, você canta a senha que já é pré-determinada.
Ele também já sabe qual é a contrasenha, ele responde a contrasenha certa. Aí você sabe que é fogo amigo. Então você se abaixa a guarda, literalmente. Sim, a gente canta a senha certa, a contrasenha vem certa, o cara no final do corredor com a mesma roupa que a gente, tô de preto. Cara, é um policial militar. Eu brinquei com a minha equipe, inclusive falei, pô, galera, pô, a gente já tomou um tiro da PM. E aí eu dou um passo para o lado.
Quando eu dei um passo para o lado, o Vini tava agachado aqui com meu colega, cara. Quando eu dei um passo para o lado, esse cara que tava no final do corredor levanta o fuzil e dispara. Toma um tiro na perna, pô. Eu escuto o estalo da minha perna quebrando. E isso, meu irmão, sinto uma queimação muito grande. Caí, caio para trás, tava com fuzil do lado. Instintivamente, qual é, porra, a única reação que eu tive foi, meu irmão, esse cara vai vir aqui, vai conferir na minha cara.
Já peguei o fuzil, já mirei em direção a ele mesmo caído e dei em direção a ele. Acabou. Aí eu comecei a sentir muito quente por baixo. E meu irmão, a partir dali, eu acho que eu caí uns 2 metros depois da minha equipe e tinham 2 muros aqui. A partir dali, os caras demoraram de uns 5 a 10 minutos para conseguir chegar perto de mim, porque os caras, 2 metros, porque os caras do outro lado não pararam de atirar em momento algum, até uma hora que o Vini consegue sustentar um pouco mais.
O Luiz Alberto Zap consegue chegar perto de mim. E aí outro dia eu falei com ele, falei, meu irmão, que força, hein? Ele conseguiu me puxar com fuzil, colete, para dentro de uma casa. Eu entro na casa, pô, tinha um cara atônito, o cara tava em estado de choque com certeza, parado, o senhor parado sentado no sofá. Eu me lembro que tinha uma senhora com umas crianças dentro da casa. Eu entrei pedindo desculpa, pedindo desculpa para minha equipe.
Falei, cara, desculpa por tá dando trabalho para vocês. E aí começou essa saga, irmão, tentar comunicação com a base para dizer que eu tava baleado, pedir prioridade e pedir para de alguma forma me extrair. E aí eu tava vendo, cara, que a coisa tava demorando. Eles fizeram um torniquete, mas cara, não consegui extrair, não consegui extrair. Até uma hora que eu vi que alguém falou assim, meu irmão, não tem como tirar ele por onde a gente entrou, vamos arrumar um jeito.
E aí que você começa a quebrar. Os caras tiveram a ideia de quebrar a parede da casa.
Tem vídeo disso, né?
Tem vídeo. O cara começa a quebrar com botijão de gás, começa a quebrar a parede. Descobriram que do outro lado era um terreno baldio. E aí foi mais um milagre, mais uma sorte para esse milagre da minha vida acontecer. Depois me botam numa madeira, me levantam e me tiram para fora dessa casa, cara. Quando eu saio da casa, eu ouvi muito tiro. Eu falei para os caras, meu irmão, agora eu vou morrer mesmo. Os caras, não, doutor, calma, aqui a gente tá protegido por uma parede de casa.
Fizeram um buraco em outro, você lembra que eu falei que era tudo cercado com uma telha? Eles tiveram que fazer um buraco numa outra, numa outra telha para mim passar de novo. E aí, meu irmão, aí vem o Anderson, que, meu irmão, aquele cara, mais uma vez eu tenho que agradecer a ele, irmão. Tirou o colete, vários colegas tiraram o colete, tá? O Will, outro dia eu tava vendo a imagem, o meu colega delegado Tiro Colete, outros da equipe dele também, galera da DRE também, da Onix, para ter mobilidade para te carregar.
Porque eu tava muito pesado mesmo, me bota, cara, o Anderson me bota nas costas, sobe aí uns 100 degraus comigo. No final ele caiu de exaustão, e aí outro me carrega até chegar numa moto. Aí o Sargento Figueiredo do BAC, ele refaz o torniquete que eu tava sangrando ainda e me bota numa moto que nenhuma viatura conseguia subir. Me botam numa moto, o Sargento Figueiredo sozinho vai dirigindo, eu no meio e o Beto me segurando. Ali na moto, cara, eu tinha certeza que eu ia morrer. Eu falei para o Beto, falei: Beto, tô morrendo. Eu não tinha mais força.
Você tava consciente o tempo todo, cara?
Grande parte eu fiquei consciente. Algumas vezes eu apagava, apaguei várias vezes porque eu acho que, cara, eu perdi quase praticamente o sangue todo, né?
Qual foi a última lembrança que você tem?
Última lembrança foi da favela, da operação. Então, da favela, é na viatura já. Quando eles conseguem me colocar, irmão, tomando muita porrada na cara e saculejada. E os cara, Doutor, estamos chegando no hospital, não morre, não morre. Aí eu acordei no susto, eu me lembro disso, e me lembro sendo jogado na maca e alguém falou assim, corta a calça dele. A partir daí já não lembro, já não lembro de mais nada.
Aí só volta quando?
7 dias depois, quando eu acordei já no outro hospital, né? Do Samaritano, do coma, as pessoas ao meu redor. Muitas pessoas ali se juntaram para me contar que eu tinha sobrevivido. E, cara, todo mundo falava a mesma frase para mim, todo mundo que falava comigo falava: meu irmão, só agradece, não era para você estar aqui, agradece a Deus a tua vida. Vida, era para você estar morto. Agradece, agradece, agradece. Umas 2 ou 3 pessoas vieram falar comigo exatamente isso: isso é um milagre.
E aí depois veio o médico e fala para mim assim, Doutor Zé, fala para mim, Bernardo, nós tentamos salvar tua vida, mas não conseguimos salvar tua perna. A gente teve que cortar tua perna. E aí eu falei para ele, falei, pô, Toser, não tem problema não. Eu nem sabia o nome. Eu falei, cara, não tem problema, tô vivo, tá bom. Porra, eu sou pai, Rafa, de 2 filhos e de um enteado. Bom, que eu mais queria ali naquela hora é o seguinte, meu irmão, quero estar vivo, eu quero estar com meus filhos, eu quero continuar aqui.
Foi, meu irmão, o que que tem que fazer? Aí ele falou, ó, a gente ainda tá com essa perna, você cortou parte da perna, mas eu acho que a gente vai ter que fazer outras cirurgias. E a partir daí, meu irmão, foram mais 8 cirurgias. Cada semana ia cortando uma parte da minha perna porque necrosava, não tinha mais vascularização. Então foi assim, foi difícil para cacete, mas eu procurei nunca reclamar. Eu sempre procuro fazer o seguinte, Rafa, eu olho para o seguinte, eu nunca fui assim O Gabriel me conhece há mais de 20 anos.
Eu sempre olhei às vezes o copo meio cheio, meio vazio. Eu sempre olhei meio vazio. Agora eu olho para o copo meio cheio, falo, meu irmão, não, sempre positivo. Vamos embora, vamos para frente. O que que eu posso fazer? Eu tenho uma missão, eu tenho um propósito. E quando eu acordei, eu me questionei muito nisso, porque só tinha eu que eu soubesse, né? De colegas vivos, eu e o Rodrigo. Rodrigo tinha tomado um tiro na mata, entrou no hospital muito melhor que eu.
E, cara, ele tinha o mesmo médico assistente que eu, Doutor Zé. Eu sempre, todo dia, Doutor Zé, perguntava o Rodrigo. Não, Rodrigo tá bem, tá bem. E aí um dia eu soube que ele tinha morrido, cara. Esse dia para mim foi muito ruim, até me emociono, porque Porra, o que que você pensa? Eu tô com a minha perna aqui infeccionada. Pô, cara, eu vou morrer, irmão.
O dele foi infecção também, né?
Infecção. E aí eu vou morrer. E aí você começa, meu irmão, meu Deus, por que que eu tô aqui? Porra, qual é meu propósito? Por que que eu tenho que ficar vivo? E eu comecei a me questionar demais, mas eu tentei lutar até o fim. Cara. E aí, graças a Deus, deu certo. Deus acho que me deixou aqui por algum propósito. E acima de tudo, cara, eu lutei muito pelos meus filhos. Falei, pô, cara, tem dois filhos, tem um filho de 9 anos, irmão.
E eu passei por isso, perdi meu pai, eu tinha 12. Então eu sei o que que é você viver sem uma figura paternal do teu lado. Então para mim aquilo ali, eu Isso me deu muita força. Eu falei, porra, não quero que o meu filho João passe por aquilo que eu passei.
O outro tem quantos anos?
Meu filho tem 9, eu passei por isso. E a outra, 12. Eu falei, cara, eu não quero que meus filhos passem por aquilo que eu passei. E aí, meu irmão, eu realmente, eu acho que ali eu ganhei muita força. Eu acho que ali eu, porra, estabilizou a perna, tá estabilizada. Eu saí do hospital, uma osteomielite, né, uma infecção no osso. Tomei mais 6 semanas de antibiótico, mas eu acho que agora tá estabilizado. E nessa busca aí do propósito, qual é a razão de estar aqui, eu acho que o propósito maior é ser voz, e ser voz, porra, para os nossos colegas.
Quando eu saí do hospital e um dia conversando com Eu acho que foi, não, um dia assistindo uma entrevista do Cury e ouvi o Cury falando assim, pô, muita gente fala que essa mega operação, o cara sai da mega operação, o policial, como herói, mas muitas pessoas não têm ideia de que muitos estão sendo alvos de um procedimento investigatório criminal no Ministério Público. Os policiais É do BOPE, cara. Aquilo mexeu comigo. E aí ele, aí ele me contou que o advogado era o Gabriel Habib, meu amigo de mais de 20 anos.
Conheci o Gabriel sendo meu professor na faculdade, virou meu irmão. Na hora eu liguei para ele, falei, cara, eu vou tentar fazer alguma coisa para conseguir provar que o que tá acontecendo ali, na minha humilde opinião, É uma injustiça que esses colegas não praticaram nenhuma execução. E que se eu puder testemunhar, eu vou testemunhar o que eu vivi ali naquela guerra.
Renato, você falou que você ficou buscando o povo, qual o propósito, tá vivo e tal. Naíli, você encontrou, cara, acho que tá aí um propósito, é o seu, uma voz. E sendo sincero com a gente, Até porque eu acho que é importante as pessoas saberem como é que o Estado trata os nossos feridos de guerra.
Você quer a verdade mesmo?
Sim.
A verdade é que o Estado não tem estrutura nenhuma para tratar os nossos policiais feridos. Sabe por que que eu digo isso? Porque assim que eu saio do hospital me procurou o Paulo. O Paulo é presidente de uma comissão de agentes da segurança pública que sofreram acidente de serviço, foi baleado. E ele me procurou e falou assim: doutor, em regra, nós, principalmente policiais militares e bombeiros, quando nós temos um acidente em serviço, nós perdemos uma perna, ficamos tetraplégicos, ficamos paraplégicos, Nós vamos, nós somos aposentados e recebemos o auxílio-invalidez.
E aí ele me contou uma coisa que, cara, aquilo para mim me assustou e mexeu muito comigo. Foi o seguinte: nosso auxílio-invalidez, ele foi implementado em 2001, são R$3.000 que não tem correção monetária e nem reajuste desde 2014. E esses caras, eles ficam pedindo para cada governante que entra reunião para tentar aumentar o auxílio-invalidez. Sabe o que que é mais triste, Rafa, que você vê? E ele me contou, falou: doutor, a gente às vezes tem que se unir para ficar fazendo vaquinha para o colega que é um policial praça militar para comprar fralda.
Do cara, porque o cara é tetraplégico e o que ele ganha ele não consegue comprar uma fralda. Um outro colega nosso, policial civil, um guerreiro que tomou um tiro, tá tetraplégico, não tava conseguindo dinheiro para comprar uma cadeira especial para tomar banho. E é assim que o Estado nos trata, não tem apoio nenhum do Estado. Isso precisa ser revisto. Além disso, outro apoio que não tem, o apoio jurídico. O que vocês falaram da Defensoria Pública como assistente de acusação é algo, é assim, na minha opinião, gritante.
Porque aqueles que teriam a função de defender o agente público quando ele responde alguma coisa, ele se nega por uma questão ideológicos e acaba acusando ao invés de defender.
Exatamente.
Não é um desvio de função, porque a Defensoria Pública pode acusar?
Não, não, não é, não é, porque existem funções típicas e atípicas. A função típica é a defesa, mas a Defensoria pode, na função atípica, atuar como assistente da acusação. Foi no Jacarezinho, tá sendo também na Operação Contenção.
Isso acontece também na Contenção também, não sabia.
Na Contenção também. É, cara, isso é uma coisa que aí nós temos que brigar contra o Ministério Público, contra a Defensoria.
Enfim, não, que você poderia ter um fundo, cara. Não é uma coisa, cara, é tanto dinheiro escoando, tantas coisas desnecessárias. Você deixar o policial— porque acontece o seguinte, no final das contas, quando a gente entra na polícia, os mais antigos, eles o tempo inteiro, meu irmão, não vale a pena. Não vale a pena, não vai. Pô, eu já vi antigo falar assim, policial antigo falar comigo, irmão, o quê? Se eu tô aqui na rua na minha folga, não tô com identificação, tem uma velha sendo assaltada ali do outro lado, eu não quero nem saber.
Para mim aquilo ali, eu falava assim, caramba, não, pera aí, pelo amor de Deus, cara, tu é polícia, como é que tu não quer saber? Mas esse cara deve ter sido tão machucado e visto tantas barbaridades que o que acontece é que no final O que o Estado acaba incentivando o policial é isso, é se omitir.
Ele sabe a consequência, né?
Ele sabe a consequência.
O problema é o dia seguinte.
Não, e é muito triste, cara. Você vê o seguinte, você vê um cara me procurar porque ele falou assim, pô, doutor, de repente você pode ser uma voz pra gente. E aí ele me procurou diversas vezes. A única coisa que ele queria, doutor, eu preciso de uma reunião com alguém do governo. Para a gente mostrar para eles que a gente não tem um reajuste, ou então a gente não tem uma correção monetária desde 2014. Cara, é algo chocante, sabe por quê?
Aquele cara deu sangue pela sociedade. E aí vem a ideia do seguinte: a sociedade, ah, vocês estão recebendo para isso, mas se aquele que tá representando a sociedade ali, que é o policial, ele é ferido, o mínimo que ele espera é que o Estado o ampare. Só que nunca foi pensado isso, tirando o auxílio-invalidez. Nunca foi pensado algum planejamento. E, ó, vai acontecer e vai continuar acontecendo, Rafa, porque se a gente for pensar, a gente tava falando isso no começo, a dinâmica mudou.
Agora é uma dinâmica de guerra, então os feridos vão continuar. Quantos colegas nossos têm sido mortos fora de serviço em roubos? Porque você tá armado saindo do serviço, voltando para casa, você é obrigado a reagir, senão você vai morrer de qualquer jeito se o cara achar aquela arma. Quantos colegas estão voltando sendo— aí tem um colega, ele tomou um tiro na cabeça, não sei se você se lembra dessa história. Um tiro na cabeça.
Eu acho que foi em Bolívia, em Niterói. E ele tá fazendo fisioterapia, cara, para voltar a ter os movimentos. E volta e meia eu pergunto para ele, irmão, como é que tá? Você tá conseguindo dinheiro para fazer a fisioterapia? E eu, eu fico pedindo vaquinha para ajudar o cara. Não era o Estado que tinha que fornecer para ele? Outra coisa E aí não é nada de sindicato não, meu irmão, é sindical. Mas é justo, policial civil, enquanto todo mundo tá correndo do problema, a gente sempre vai em direção ao problema para combater aquele problema, e a gente não tem um auxílio-saúde, um hospital nosso.
A colega outro dia tomou um tiro, teve que ficar no hospital público, foi muito bem tratada, tá? Mas Ela tomou tiros, quebrou o osso, ela vai ter que fazer fisioterapia. Ela não tem plano de saúde. Quem vai dar fisioterapia para ela, cara? O Estado nos usa como realmente nós somos ali, meros peões. A gente tem que pensar o seguinte, meu irmão: a gente tem que ser melhor, mais bem valorizado. Vamos valorizar esse cara aqui que tá indo, porra, para guerra por nossa causa. Se não fosse a polícia, irmão, só que já tinha vindo monarquia, pô.
E essa questão, Habib, da segurança jurídica para o policial, como é que você—
é difícil, como Bernardo falou, né? Não tem nenhum apoio jurídico para os policiais por parte do Estado. Então o policial tá sozinho, é ele e Deus. É ele e Deus.
Você advoga voluntariamente?
Eu advogo para os policiais civis, militares, federais, policiais rodoviários federais, policiais penais, porque vou repetir, eu defendo quem nos defende. Então realmente a gente vê que o policial ele tá sozinho no mundo. Participou de uma operação, arriscou a vida, quase morreu, e no dia seguinte é ele e Deus. Tem ninguém para defender, o Estado não disponibiliza ninguém. Para atuar na defesa dele.
Tem que tirar do bolso dele. A Defensoria pode defender?
Pode, pode. Inclusive, acho que não pode, mas eu não sei por que que não escolhe defender. Escolhe ao contrário acusar. É uma função atípica?
É.
É uma função legal? É legal fazer isso? É legal, é de acordo com a lei. Mas eu acho que a Defensoria Pública tinha que, até por ser um órgão estatal, assim como a polícia, o judiciário, Ministério Público, as procuradorias, a Defensoria tinha que dar uma atenção à defesa do policial e não atuar contra o policial.
Mas vocês não acham que na verdade isso decorre muito de uma, de um estereótipo que foi colocado sobre nós policiais, de que nós somos algózes, de que nós somos violentos, brutos e opressores. Eu acho que isso vem muito, né, dessa visão que foi passada nossa. E eu acho que a gente tá conseguindo, graças a Deus, mudar muito, principalmente na Polícia Civil, mudar muito essa visão de que nós somos técnicos, de que quando nós vamos lá, nós vamos lá cumprir ordens judiciais, Nós não estamos indo lá sem, como a gente fala, né, eu vou falar aqui um termo, acúlia.
A gente tá indo lá, não, a gente tá indo lá técnico. Aquilo ali foi estudado, aquilo ali foi planejado.
Cumpriu o mandado de busca e apreensão ou de prisão?
Mas antes também, aquela operação, ela foi estudada, a gente sobrevoou, a gente, e a gente tá lutando contra o crime organizado cada vez mais preparado. Outro dia também, pô, você vê os caras mandarem 2 indivíduos para Ucrânia para aprender a pilotar drone, aqueles drones kamikazes. Então assim, a gente tá cada vez, a gente tá escalonando o nível de confronto. Agora já é corriqueiro você abrir o jornal e ver que que os caras pegaram um drone, jogaram granada na casa de alguém.
Ou seja, o crime, ele acompanha a tecnologia, e a gente enquanto Estado tem uma grande dificuldade de acompanhar, muito por barreiras legais. E aí eu acho que, cara, a gente— legais e ideológicas, principalmente ideológicas, né?
Porque assim, no final das contas, você tem a lei fria ali, mas você tem a interpretação. É o que eu falei, cara, no final das contas, se é um deles atingido, meu irmão, não tem esse negócio de benefício, não tem. A lei de execução muda, já é interpretado de uma forma diferente. Pô, pega, pega, mata um juiz, mata um promotor para você ver como é que a lei de execuções penais já vai ter uma outra interpretação mais. Mais severa, entendeu?
Agora, o mato mortal, como, como cada um de nós, a coisa fica diferente. Porque eu vou te falar uma coisa, cara, essa ideologia marxista foi, cara, ela foi tão bem implementada que você percebe que onde ela entrou, ela acabou com a parte técnica. O marxismo entrou no meio da ciência, pronto, meu irmão, você, aquilo ali é mais importante, atender a narrativa do partido é mais importante do que estudos apresentados por cientistas diversos com divergência.
Ele entrou no Judiciário, aquilo se tornou mais importante do que a lei, do que a Constituição, do que as instituições. Então a destruição tá sendo muito, muito grave. E eu acho que o mecanismo interessante, aí eu não sei se vai ter que ser através de uma nova Assembleia Nacional Constituinte, é descentralizar poder. Existem instituições hoje que têm poderes demais. E o tio Ben, o tio do Homem-Aranha, falava: quanto maior o poder, maior a sua responsabilidade.
Só que os caras não têm responsabilidade nenhuma. Eles têm um poder enorme e não tem responsabilidade, que eu digo assim, de responder por uma, por um, pela consequência que aquele poder dá a ele, entendeu? De decidir, de escolher tudo. Então acho que assim, cara, a gente precisa descentralizar. Agora, de que forma você acha que a gente poderia diminuir esse poder? Aí, se eu pergunto, eu tenho umas ideias boas, entendeu? Como é que eu não vim candidato? Vou ter que passar.
Não, eu acho que a primeira coisa que eu acho que a gente tem que fazer é primeiro discutir o tema. Eu acho que esse tema aqui, por exemplo, Legítima defesa policial. Quando eu soube disso, eu falei, pô, a gente vai fazer um simpósio agora, dia 24 de setembro, na Associação Comercial do Rio de Janeiro, trazendo várias autoridades para discutir cientificamente e juridicamente o tema da legítima defesa policial. Até se você me der a permissão, vamos convidar todos aqui, 24 4 de setembro na Associação Comercial do Rio de Janeiro.
Nós vamos fazer esse simpósio. E por que que partiu essa ideia? Porque esse tema não é debatido. E aí, como a gente quer ganhar narrativa se a gente não coloca as nossas posições, se a gente não estuda, se a gente não entra no meio acadêmico, se a gente não debate tema. Então, primeiro que eu acho é debater o tema. Segundo, eu concordo plenamente com você o seguinte: a gente precisa mostrar, mudar a narrativa. E aí eu acho que quando você bota um cara do factual do nosso lado ali, mostrando a realidade que a gente vive no dia a dia e mostrando o que que a gente enfrenta Cara, aquilo ali chocou a sociedade.
Eu acho que o meu resgate teve uma função importante, mostrar o seguinte, cara, olha o que que esses caras que estão indo para lá, eles vivem. E, Rafa, aquilo que aconteceu comigo já aconteceu diversas outras vezes. Você falou do Masca, ninguém falou da morte, pô, do nosso colega Comandante Felipe. A gente precisa mostrar o quanto é importante a função policial e o quanto, infelizmente, por questões ideológicas, ela é desprestigiada.
Além disso, a gente precisa debater o que que a gente quer. E aí eu vou ser muito sincero com você, o Rio de Janeiro hoje vive uma guerra civil urbana, só que ela é velada. O que que a gente enquanto sociedade quer? A gente quer, vamos resolver esse problema, irmão. Na minha opinião, a gente tem que trabalhar com inteligência, lavagem de dinheiro, a gente tem que fazer asfixia financeira, a gente tem, mas aqueles territórios já estão ocupados, cara.
Se a gente não retomar o território E aí, como é que você retoma território? Você vai ter que entrar naquele território, meu irmão. Agora, me dói o coração quando eu sei que eu entro lá, entro no território, e do dia seguinte eu vou ter que ir embora. E aí tudo vai voltar a mesma coisa. Então a gente tem que ter um plano de retomada, e um plano de retomada pensado no aspecto macro. Porque na UPP, quando se retomou aquele território, os caras foram para onde?
Para o interior. Então vai ter que ser um plano. E eu não vejo, e aí eu não vejo nenhum governante apresentar um plano de segurança pública de estado, que não é para o governante A ou para o governante B. Não, vamos fazer um plano de segurança pública em que haja a retomada, e a retomada não é com a polícia, concordo plenamente. A retomada tem que ser com o Poder Judiciário. A gente tem que botar lá um ônibus itinerante que possa fazer a mediação.
Quem faz a mediação hoje dentro dessas comunidades é o presidente da associação de moradores, que muitas vezes infelizmente está sob o jugo também do, daquela organização criminosa. E é ele que vai ser o mediador ali, irmão. Ó, você tá devendo isso para ele, não sei o quê, irmão, você resolve aqui, porque senão o tráfico vai vir aqui e vai, porra, resolver do jeito dele. A gente tá perdendo uma coisa que ninguém tá falando. A gente tá perdendo o monopólio da jurisdição, o direito de julgar, do Estado julgar quem tá certo ou quem tá errado, impor pela força, julgar e aplicar pena, né?
Exatamente, julgar e aplicar pena.
A gente tá perdendo isso para o crime organizado, para um estado paralelo, e ninguém tá falando disso, cara. Quantos micro-ondas a gente sabe que existe? Quantos tribunais do tráfico a gente sabe que existe? Ninguém fala nada. Então, cara, eu acho que a solução é por um plano de estado, mas eu não vejo— desculpa, aí é uma opinião minha— eu não vejo nenhum governante apresentar: tá aqui meu plano. Não, meu irmão, eu vou fazer isso, isso, isso, isso para tentar mudar essa realidade.
Na tua opinião, o que que falta? Interesse político? Falta vontade? Falta coragem?
Eu acho que é um pouco de tudo. Eu acho que na verdade também falta um pouco de conhecimento e de interesse político mesmo, porque governante ele vai precisar dos outros entes federativos. Eu acho que é uma falácia você dizer dizer que você sozinho, enquanto Estado, Estado ente federativo, vai conseguir combater o crime organizado. Pergunta que eu te faço: a gente fabrica arma? Não. Os fuzis são todos importados. A gente fabrica droga?
Não, são todas importadas. Se a gente não tiver aqui uma interlocução verdadeira com a União, com a Polícia Federal, até com as Forças Armadas, Nossas fronteiras são enormes, a gente vai ficar enxugando gelo, que a gente fala sempre. Município, agora começou a Força Municipal. Porra, já tinha que ter isso há muito tempo. A Guarda Municipal lá em São Paulo, ela atua, e a gente cada vez mais vai perdendo o espaço urbano, ordenamento urbano.
Então, cara, eu acho que só com uma união dos entes federativos aí dos governantes. E o grande problema é que se o governante do governo federal é do partido A e do governo estadual do partido B, meu amigo, ferrou, a gente vai estar entregue.
É uma coisa interessante que poucas pessoas também comentam. Nós temos aí o Comando Vermelho e o PCC, né? Quem comanda Você citou o nome, eu vou citar o nome de um cara que comanda, um líder do Comando Vermelho, líder supremo do Comando Vermelho, Marcinho VP, do PCC, Marcola. Onde esses caras estão?
Os presídios federais.
Era para estarem liderando ainda? Então a gente não tem controle do presídio. Já era para esse cara não ser o líder do Comando Vermelho, tinha que estar aqui fora, não dentro do presídio. Quando ele entrou no presídio, ele já Tinha que ter perdido a liderança dele, ou seja, ou pelo menos ser incapaz de liderar alguma coisa. Nem, mas nem quem vai comer na cela, o que que vai ser comido na cela, o que vai entrar na cela. Tinha que liderar nada.
Aí eu te pergunto, Gabriel, dificuldade que a gente tem de controlar os presídios, qual que você acha que seria a grande dificuldade? Porque assim, eu acredito, você da advocacia, mas eu acredito que a atividade da advocacia deve ser preservada. Mas na minha opinião, meu irmão, a partir do momento que o cara tá preso, não tem que ter conversa particular, oculta, secreta. Tem que, meu irmão, é num telefone ali, porra, e tá gravado.
E se falar, o que que você acha, cara? Isso fere atualmente algum tipo de prerrogativa do advogado? Prejudica a defesa?
É, isso é uma realidade, tá? Qual a realidade? Presídios federais hoje O advogado tem direito à entrevista reservada com seu cliente, é dever do advogado e direito do cliente. Presídios federais hoje em dia, segurança máxima, esse sigilo de comunicação não existe. Então quando você vai conversar com o teu cliente no presídio federal, é, você fala no parlatório pelo telefone, né, como geralmente é, e a segurança para a gente tá tendo conhecimento, tá ouvindo ao vivo.
Eu acho necessário esse controle que você falou, realmente essa manutenção do controle. Porém, eu acho que não pode haver essa interferência no diálogo entre o advogado e o cliente, independentemente de quem seja o cliente. Pode ser uma pessoa que atropelou alguém sem querer, uma pessoa pode ser o líder do Comando Vermelho. Existe uma relação entre advogado e cliente que é uma relação de confiança, uma relação sigilosa. Então eu acho sim que há uma violação do direito do advogado, do sigilo com o cliente, tá?
Tem que controlar, tem que controlar, mas você não vai controlar o tráfico de drogas Você não vai controlar a liderança do tráfico de drogas controlando, ouvindo a conversa do advogado e cliente. Daí eu vou te dar um exemplo, né? O Estado não consegue controlar, neutralizar realmente, incapacitar o preso no presídio federal, como você acabou de falar. Ele dá o comando, ele comanda o tráfico, enfim, isso não consegue.
No presídio federal mesmo?
Isso em geral. Isso não consegue, mas o Estado consegue ouvir a conversa que é acobertada de sigilo entre o advogado e o cliente. Será que ouvindo a conversa que vai conseguir neutralizar aquele preso?
Não vai. Mas, cara, assim, desculpa, eu discordo. Eu acho que tem alguns presos, principalmente as lideranças das organizações criminosas, que eu acho que infelizmente, tendo em vista, não, e eu sei existe o direito constitucional ali, mas eu acho que esses presos, infelizmente, a gente precisa sim tratar ele com o máximo de rigor para que a periculosidade dele seja diminuída. E, cara, só ter falado do nome desse cara ali, eu vou daqui a pouco ser processado, porque agora você fala no nome dele, mas os advogados dele te processam, sabia?
Eu concordo contigo, mas assim, mas não é gravando a conversa dele com advogado que você vai garantir que ele não vai ter uma influência na criminalidade. E vou te dar um exemplo. Lembra que teve um sujeito que fugiu do Presídio Federal? Acho que foi, deve ter uns 2 anos mais ou menos isso. Lembra? 1, 2 anos, tão lembrados? Eu te afirmo que é impossível o preso fugir de um presídio federal, de um presídio qualquer estadual, é muito difícil.
Agora, do federal, você tem não sei quantas portas de ferro, não sei quantos cadeados para você, mas dezenas para chegar até a cela do preso. Então é impossível o preso fugir. Ah, como é que fugiu? Não sei, vai saber.
Não sabia que era impossível, ele foi lá e fez.
Pois é. Enfim, ele foi lá e fizeram para ele, né? Vamos dizer assim. Mas assim, é claro que existem presos de altíssima periculosidade, mas existem colegas meus advogados que têm clientes que não são nem de pequena periculosidade, muito menos de alta, que estão presos federais por questões políticas da atualidade e que tem conversa gravada assim.
Mas é Eu vou até te perguntar, porque é uma, se você me permite, Rafa, claro, eu acho que é uma dúvida minha, mas você acha que não tem, assim como a gente tem na polícia, maus colegas, maus advogados? Que em todo lugar tem, exatamente, que aceitam fazer esse trabalho em vez de fazer o trabalho técnico de advogado, aceita fazer o trabalho de ser um Pombo Correio, tem.
É verdade que tem, é verdade, né? É, mas aí você generaliza, como acabei de falar. Tem colegas meus que atuam num processo junto comigo, advogam para outros réus do mesmo processo. E como você sabe, todo mundo sabe disso, eu não advogo para traficante, miliciano, facção criminosa, crime organizado, miliciano e jogo do bicho, ou não, de volta com a polícia, tá? E ainda assim, então, se eu tô num processo, você pode ter absoluta certeza que naquele processo eu não estou defendendo um traficante, um contraventor, um miliciano, não tô.
Então, processo de, enfim, pessoas que não são nem de pequena periculosidade, mas repito, estão no Presídio Federal por questões políticas da atualidade. Qual é a necessidade? Qual é a periculosidade daquela pessoa? Nenhuma periculosidade. Então qual a necessidade de você ouvir a conversa daquele advogado com aquele cliente? Nenhuma. Concordo, quando é o chefe do tráfico, uma grande liderança, ok, é uma necessidade concreta, excepcional, de acordo com aquele preso.
Mas você generalizar, que é uma coisa, é um problema também da atualidade, tá? É, hoje se está generalizando o presídio federal de segurança máxima.
Como assim?
Tem pessoas lá que não eram para estar lá, não tem necessidade de estar lá.
Por exemplo, não tem periculosidade necessária.
Um empresário, um deputado federal que não é um líder de crime organizado, de maior crime, um delegado de polícia acusado em presídio federal, qual a necessidade?
Eu assim, e eu vejo também que investir em presídio não dá voto, né? Então você vê que no nosso estado infelizmente não se investe em presídio. Então muitas pessoas eu escuto às vezes reclamando sobre audiência de custódia. Pô, mas o juiz liberou. Muitas vezes ele liberou porque não tem vaga no presídio. Então a gente tá com um déficit também de vaga muito grande. Então acho que uma coisa que a gente deveria investir é no sistema carcerário e no sistema, e aí não só federal, né, no nosso estado mesmo.
Eu vou trazer uma realidade aqui e vou remar contra a maré do que a mídia diz. Existe um um mito que é o seguinte: que a audiência de custódia foi feita para soltar os presos. Meus amigos, eu não comecei ontem, não comecei há 1, 2 anos, eu tenho 25 anos de atuação prática como defensor e como advogado, e eu vou te falar, é muito, mas muito difícil você soltar alguém numa audiência de custódia. Muito difícil. Crime violento, tráfico de drogas, não solta.
Vai ter um caso ou outro isolado. Agora, o que que solta? Aquele crime sem violência ou grave ameaça, é o furto de um pequeno objeto, um desentendimento de vizinhos, enfim. Então assim, é muito difícil uma soltura na audiência de custódia, ainda mais se tratando de crime violento e tráfico de drogas. Então, ah, o juiz soltou na custódia, prende, solta na custódia. Não é assim que funciona. Claro que tem casos pontuais, mas em regra não é assim.
Eu, de todas as custódias que fiz até hoje, eu soltei uma pessoa só. E de colegas, pergunta a qualquer advogado que você conheça quem você conhece Você ou colega seu que soltou um preso na custódia.
Então existe, é bom ouvir outro lado, né?
Mas são casos pontuais.
Eu ouço muita crítica de— também, mas na audiência de custódia, a parada é para avaliar as condições da prisão.
Não, custódia é para avaliar se é necessário manter aquela pessoa presa, entendeu?
E a legalidade da prisão também.
E a legalidade. A gente pergunta: você foi agredido pelos policiais? A população: que absurdo perguntar! O juiz é obrigado, tem uma cartilha do STJ, uma resolução que diz: o juiz tem que perguntar isso, isso, isso, isso. Você sofreu agressão? Isso. Agora, claro, aí é o exagero de perguntar: você tá com frio? Quer um casaquinho? Quer um cafezinho? Pô, eu também quero na audiência. Né, um cappuccino, um Minas Quente no francês ali, um croissant.
Também quero, né? Então assim, o cafezinho, casaquinho, tá friozinho, como se o juiz fosse uma avó do preso. Isso não existe, foi um caso isolado, tenho certeza disso.
E o serviço de custódia foi determinado pelo Pacto de São José, né?
Ela vem em 2015, né, se eu não me engano, e é para avaliar se a prisão foi ilegal. Daí, se for ilegal, o juiz já relaxa logo. Ou se é necessário manter a pessoa presa. O juiz pensa assim: ah, foi um crime não violento, um furto de alguma coisa que não seja o celular, que hoje a lei foi alterada. O juiz pensa: essa pessoa, se for condenada, não vai ficar presa, vai dar uma pena alternativa, porque a lei autoriza. Vou manter a pessoa presa agora para ao final, se for condenada, vai ter uma pena alternativa, não vai ficar presa, vou soltar logo agora.
Entendeu? Então a custódia é para isso também, para avaliar a necessidade daquela prisão.
E na questão legislativa, a gente já tem, já atende essa questão da legítima defesa policial, ou o que que poderia aprimorar?
Que nem precisava. O artigo 25 do Código Penal, que desde 1941 já fala em legítima defesa, é mais que suficiente. Ele fala: entende-se legítima defesa quem repele injusta agressão, o iminente, com medo, etc., já tá lá previsto. O parágrafo único veio recentemente, uns anos atrás, para destacar a legítima defesa praticada por policiais.
Então, por que que você acha que vários colegas aí são pronunciados e vão a júri? Qual é a tua opinião nessa? É uma interpretação diferente que você acha que tem?
Porque assim, é Como é que se prova que ele agiu em legítima defesa? Tem que ouvir testemunha, tem que interrogar os réus, analisar laudos periciais. Tudo isso é feito dentro do inquérito policial. Então, quando o promotor de justiça já pega o inquérito policial, ele já sabe se foi legítima defesa ou não. Tá provado ali a agressão atual, iminente, injusta, humana. Mas eu sinceramente É muito profundo dizer eu não sei o porquê, mas assim, eu não sei o porquê e não vou dizer que eu sei o motivo.
Eu acho que muitos casos fica patente, naqueles casos patente, claro, a todas as luzes, que o policial agiu em legítima defesa.
Mas então você acha que tem uma predisposição de analisar ao invés, porque o certo seria uma presunção de veracidade e de legitimidade da palavra do agente público. Você acha que tem uma inversão do ônus da prova ali por parte?
Não, eu não vejo uma inversão da prova. O que eu vejo ali é muita pressão midiática, e querendo ou não, a mídia muda a opinião das pessoas, a mídia influencia opinião das pessoas, entendeu? Então acho que é sempre que tem operação dessa grande assim, como foi a contenção, como foi Jacarezinho, é organismos internacionais entram em contato com o Ministério Público. Eu lembro que na operação Jacarezinho, por outro, falou, já me ligaram da ONU, da organização tal, tal, todo mundo pressiona. E o que que a pessoa pensa? Eu vou segurar essa onda sozinho?
Dividir, né?
O Judiciário que resolve.
Mas fazer uma pergunta, você falou que isso aí, o Código Penal, desde 1941, né, que a gente tem essa, essa lei falando sobre a legítima defesa, é o artigo 8º, defesa geral. Mas aí você falou dessa palavra iminente.
Em 1941, histórica, né, agressão iminente.
Então se eu quero iminente Até porque, pô, 1952, acho que nem meu pai tinha nascido, entendeu? Então assim, eu não era nem um espermatozoide. Então, mas hoje a gente cai nessa, o que que é o iminente hoje? Então esse iminente hoje, como a gente falou hoje, pô, tá portando um fuzil, está portando um fuzil numa área conflagrada e tudo. Isso é iminente ou não é iminente?
Com tiroteio comendo, agressão atual.
Não, mas assim, não tá dentro da agressão. Porque assim, às vezes a gente chega também de uma forma, pô, sou rateira, tal, não sei o quê.
Pegou, não começou, pegou o cara com fuzil na mão, ele está na iminência de disparar.
Pois é, o fuzil tá, pode ser o fuzil nas costas aqui, mas assim, você acha que precisa, a gente precisa pontuar o que é iminência ou deixar a cargo da interpretação do operador do direito? Sabendo que hoje também essa questão ideológica é forte.
Vamos lá, como eu falei aqui, se tá numa operação do tipo da Operação Contenção, da Operação do Jacarezinho, e o tiro tá comendo solto, não é? Existe uma situação de confronto. Ainda que o traficante esteja com fuzil apontado para baixo nas costas, agressão como um todo é uma agressão atual. Ora, como você falou, você entra na favela de forma sorrateira, não tem tiroteio, não tem uma situação de confronto. O traficante tá com fuzil na mão. Aí eu te pergunto, traficante com fuzil na mão, ele tá bem intencionado?
Não, eu entendo que não.
Não há uma iminência de agressão? Vou te perguntar, há uma agressão atual? Vai dizer não, não tem confronto ainda, mas há uma iminência. Ah, e aí olha o artigo 25 do Código Penal, fala assim, ó: Entende-se, tô olhando aqui, tá, tô olhando aqui, tô colando aqui no meu celular. Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão atual ou iminente a direito seu ou de outrem. Aí vem o parágrafo segundo, trazido pelo pacote anticrime 2019, parágrafo único, quer dizer, o parágrafo único fala assim: Observados os requisitos previstos no caput deste artigo, deste artigo, considera-se também legítima defesa o agente de segurança pública que repele agressão ou risco de agressão à vítima mantida refém durante a prática de crimes.
Percebeu? Não percebi, porque assim, nesse caso, Sua Eminência, como a gente tá numa situação, eu vou te contar uma história. Mas as operações aí de apoio e tal, mandaram mandado de prisão. A gente foi, eu não lembro de quem, mas tava chovendo pra caceta, não sei o quê. E a gente foi entrando sorrateiramente, você perceber, pegamos o radinho, cara. Mas assim, eu não tava na ponta, era um outro colega que tava na ponta, era o Igor André e o Vinícius.
Eles deram um bote no garoto, o garoto ele fez um movimento que apareceu Apareceu a pistola, cara. Os caras foram iluminados, eles poderiam ter dado, sacou? Mas alguma coisa ali, meu irmão, sei lá, alguma coisa espiritual segurou. O moleque se rendeu, mas quando deu para ver a pistola, o moleque tentou correr, viu a pistola e tal, mas não renderam o garoto. A gente chegou logo, eu tava logo atrás, cheguei imediatamente ali agora, meu irmão.
Meu irmão, a pistola do idiota era de brinquedo. Ele tava com radinho dando bizu na boca de fumo com uma pistola de brinquedo, meu irmão. Cara, a gente olhou, cara, eu te juro, meu irmão, eu te juro pelos meus filhos, a pistola do moleque era de brinquedo, cara. A gente olhou assim, meu irmão, imagina se você atira nesse garoto, bicho.
Legítima defesa putativa, meu irmão.
Mas tu vai apresentar uma pistola de de brinquedo.
Não é putativa?
Não, mas olha só, mas olha só, até então é só o depoimento. Nós não tá aqui, ó, atiramos, morreu, tá aqui a arma, a pistola de brinquedo. Como é que ele tava protegendo a boca? Então tu quer me dizer que eu acredite? Advogado Diabo, você quer que eu acredite que ele tava o radinho protegendo a boca fazer da primeira contenção com uma pistola de brinquedo. Ninguém acreditava.
Então aí você respondeu uma frase processual com uma carteira assinada, menino cheio de sonho, carteira. É isso, essa que vai ser narrativa. Aí quando você vê, cara, na verdade nesse ponto a rede social também tá sendo maravilhosa, porque você vai, você, o cara mora Morre em confronto, aí a família vem e fala o seguinte: não, não, cara, trabalhador, carteira assinada, tá aqui, trabalhador. Ele fazia o bico lá na, sei lá, em algum lugar.
Rede social do cara, tá ele postando de fuzil com a droga, com dinheiro. Tu fala, meu irmão, é esse cara? Então assim, tudo, eu acho o seguinte, a gente nunca tá 100% certo. Vão existir problemas como em né, em tudo. Mas essas questões de narrativas de que a gente sempre tá indo para lá para executar e que a gente sempre é o algo que a polícia chega atirando, porra, isso aí já não.
Mas assim, a rede social também trouxe uma coisa interessante: a opinião pública tem começado a ficar do nosso lado. Então o julgamento da opinião pública aqui que de uma certa forma pode nos arrebentar. Hoje a Rede Globo não tem mais tanta força como a internet.
Então quando quiseram, no caso da Penha, de carimbar o adjetivo de massacre, quando foram perguntar para a população, irmão, 80% da população na favela apoiavam a Mas esse trabalho que você tá fazendo aqui, cara, o trabalho do podcast aqui, isso aqui a gente tá debatendo um tema que muita gente não tem, não teria acesso pela mídia comum, concorda? A gente tá falando sobre legítima defesa policial, tratando tecnicamente, pô, com Habib aqui.
Então assim, infelizmente se passou durante muito tempo vítima de uma escravidão, né, informacional. Agora nós, com a rede social e com os podcasts independentes, a gente consegue trazer e debater esse tema e mostrar o outro lado.
E quanto ao policial, o que que ele pode fazer para se ajudar?
Em que sentido?
Assim, entender quais são aquilo que pode prejudicá-lo, aquilo que pode, enfim, ele vai falar, pô, seguir a lei, né?
Sim. Assim, o policial agindo como ele age, ele já segue a lei porque ele se vê de novo diante de uma agressão injusta ou iminente, atual, humana. Ele usa o meio necessário para reagir àquela agressão e moderado, tá? Teve uma situação no Jacarezinho que foi a seguinte: os policiais, dois policiais foram atrás de um traficante. Daí o Bernardo falou, o trabalhador, tal, tal, tal, rede social, enfim, é o que o Bernardo falou. Tá, foto de fuzil, radinho, etc.
E aí entraram na casa, foram fatiando, como vocês falam, e o policial do CORE viu o sujeito encostado na parede com a pistola na mão. Quando ele viu aquilo, ele deu um tiro. Um tiro de fuzil, um tiro. Ele escorregou na parede, caiu vivo, e a pistola caiu a uma distância de nem 1 metro. O que que o policial pensa? Ele tá vivo, baleado, é verdade, porém vivo. A pistola tá uma distância de menos de 1 metro de distância dele. Se ele pega essa pistola, ele consegue atirar em mim.
Que policial fez? Foi lá e pegou a pistola. Para quê? Para tirar a pistola do alcance do traficante baleado. Baleado, porém vivo. MP denunciou por fraude processual por ter arrecadado a pistola, entende? Porque eu acho um exagero. Então o que que faz? Deixa a pistola lá, ele vivo, para eventualmente pegar a pistola de volta e atirar no policial? Então a minha recomendação é: está diante de uma agressão atual ou iminente, humana, injusta, e você pode reagir com o meio necessário e moderado, você pode reagir.
Tecnicamente falando, você pode reagir, tá? Tem uma granada no chão, tem uma pistola, se você puder não alterar o estado de coisa, não mexer, ok, não mexa. Mas se for necessário, não tem o que fazer, tem que mexer.
E outra coisa também, é, tem um aspecto psicológico que a gente tem que— acho que só quem viveu isso na prática sabe, cara. São milésimos de segundo para você decidir ali se realmente você olha o cara com uma arma, você olha o cara armado com fuzil ou com a pistola, cara, você tem um milésimo de segundo para você pensar o seguinte: ele vai ou não atirar?
Ele—
então assim, na verdade, e aí que eu acho que vem a parte da legislação que bota uma agressão atual ou iminente. Se o cara tá com uma arma ali e você Cara, você tem uma fração de segundo para decidir, é uma agressão realmente iminente ali? É óbvio que é. Se o cara tá armado e você tá numa operação policial, você tá colocando em risco a sua vida. Ele tá em confronto com você, concorda comigo?
Concordo 100%. E aí você tá no meio de um confronto numa operação como é no Rio de Janeiro, tem um traficante baleado que tá com arma em punho, ou não baleado, tá com arma em punho. Você tem alguma dúvida de que ele vai atirar na polícia nessa cultura de enfrentamento hoje? Tem alguma dúvida que ele vai atirar?
E aí também tinha que ressaltar uma coisa: o Comando Vermelho, ele tem essa, essa cultura de enfrentamento. A gente tem que enfrentar. E aí você vê que em comunidades dominadas por outras facções criminosas, o número de mortos nunca chega perto do número de mortos dos, de comunidades dominadas pelo Comando Vermelho, porque é uma elite, porque uma obrigação deles, eles fazerem esse confronto, principalmente quando a gente chega perto dessas lideranças, que eles botam aquelas carnes para moer, né?
Pega o garoto, infelizmente, e bota o garoto para ficar ali na linha de frente para poder morrer na contenção enquanto eles fogem.
Qual foi um caso assim? Conta um caso para gente de defesa de policial que te marcou? Como é que foi o caso? Como é que você conseguiu fazer tua defesa?
Esse caso marcou muito que eu narrei agora, porque foi uma operação Jacarezinho da CORE. O Ministério Público instaurou um trabalho até interessante que o MP fez, tá? Ele instaurou 11 anexos, como se fosse 11 PICs autônomos, tá? PIC é procedimento investigatório criminal. É como se fosse um inquérito policial dentro do Ministério Público. Mas a MP fez uma coisa muito inteligente, que foi assim: instaurar PIC por local de confronto.
Eram 27 policiais da CORE, e em cada local de confronto tinham 2 ou 3 policiais. Então instauraram, porque puderam individualizar ali a questão do local, então instauraram um PIC para cada local de confronto. Eram 11 locais, 11 PICs. Fizemos o trabalho de acompanhamento, foram ouvidos no Ministério Público, nós acompanhamos, instruímos, falar a verdade, conta como foi, passa para o promotor de justiça a realidade que ele não conhece do enfrentamento da operação.
E aí nós conseguimos, dos 11, arquivar 8, 9 Pix, 9 anexos, vamos dizer assim, tá? Porque a gente comprovou que os policiais agiram em legítima defesa. A gente conseguiu comprovar durante o pique, no decorrer do pique, nas investigações. E aí eram 11, arquivamos 9, sobraram 2. Dos 2, um teve denúncia para ir para o tribunal do júri, que é esse caso que eu contei, do traficante que foi baleado, arma caiu, polícia foi lá e arrecadou.
Teve uma segunda segunda denúncia contra os dois policiais, os mesmos outros dois policiais, tá? Um segundo processo. Aí a gente conseguiu com que a denúncia fosse rejeitada pelo juiz. O Ministério Público recorreu para segunda instância, nós fizemos a resposta ao recurso e conseguimos manter a denúncia rejeitada. Então dos 11 Pix sobrou um. E por que que esse caso me marcou muito, Rafael Bernardo? Porque assim, foi mais uma situação de legítima defesa igual a todas as outras dos outros Pix que foram arquivados.
Por que que nesse teve denúncia? Aí você imagina, o policial da CORE são pessoas altamente treinadas, elite da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Tendo o grande dissabor e agonia e angústia. E lá se vão 5 anos de viver com uma espada de Damocles no pescoço, dizendo: olha, você pode ser condenado a qualquer momento, você pode ir a júri, você pode ser condenado, você pode ir a júri, você pode pegar aí 15, 16 anos de prisão. É um crime hediondo, você vai progredir com 40%, perder a sua, perder o cargo.
Que demora tanto o processo, doutor?
Pô, Rafael, demora porque o processo é feito para demorar, porque você tem que analisar o caso, tem que ouvir testemunha, tem que interrogar os réus, tem que ouvir supostas vítimas. Ter que mandar fazer perícia, esperar a perícia ficar pronta, e a perícia demora.
E o júri é bifásico, né?
É.
Então assim, primeira fase, às vezes uma testemunha falta, aí tem que marcar uma outra audiência, aí é muita testemunha. Às vezes a gente marca uma audiência para testemunha de acusação, uma audiência só para testemunha de defesa, uma outra audiência para interrogar os réus. Demora. Nesse caso, eles foram pronunciados. Pronúncia quer dizer, o juiz disse que viu ali indícios de homicídio, elevou para o júri. A gente recorreu, então tá, está em grau de recurso isso.
Mas tem também essa coisa de estar sobrecarregado o judiciário, ou não tem?
Também, né? Tem policial suficiente na polícia? Não. Tem professor suficiente suficientes na rede pública de ensino, tem médicos suficientes nos hospitais. Então também não tem juiz suficiente no Tribunal de Justiça. Às vezes você vê um juiz acumulando duas varas, três varas, com cada vara com 10 mil processos. Então tem também o processo, vai à conclusão, vai para mesa do juiz, aí tem uma fila de processo para serem julgados.
E o juiz tem que fazer audiência, o tribunal do júri tem que ver porque que a testemunha faltou. Então assim, demora porque tem que demorar mesmo.
Rapaz, eu vou te falar que às vezes me chamam para fazer, para depor, né?
Deixa eu adivinhar, é audiência marcada para 14 horas, começa 15:30, 16 horas, sai de lá 7 da noite.
Não lembro não, porque geralmente o que acontece, a prisão faz bem para o preso, porque se o cara tá gordinho ele fica magrinho, e se ele tá magrinho ele fica gordinho. Ou seja, sacou? Eu sempre achei o peso mais bonitinho do que quando eu prendi, sacou? Eu falava assim, rapaz, tá bem, cara, porque eu peguei o peso. Eu olhei, rapaz, tá bem, cara, tá bonito, pô, tá gordinho e tal, não sei o quê. O advogado dele até riu, cara. Porra, meu irmão, e tu não lembra?
O cara, pô, aí começa a perguntar as coisas assim, porra, bicho, não lembro detalhes assim. Aí o chefe começa a perguntar uns detalhes assim que você fala, pô, bicho, eu não lembro.
É para você ver, né, da data da prisão para audiência não é tanto tempo assim, não era para demorar tanto tempo assim, e ainda assim demora, cara.
E aí eu fico pensando na angústia dos nossos colegas vivendo aí 5 anos, porra, sem saber se vai conseguir manter o cargo, se vai ser preso, se não vai, cara. Isso aí é isso que me mata, cara. Eu fico realmente— e é por isso que a gente tem que debater esse tema mesmo. É isso, né?
Não, eu tenho uma solução assim para, assim, no caso polícia, polícia não sei, mas o Judiciário tem uma solução de aumentar o número de juízes.
Qual a solução?
Se todo mundo receber no teto, dá para pegar, contratar 3 juízes. Um juiz paga 3. Se ele receber no teto. Foi o teto, é 40 pau, certo? Tu tira aquelas penduras, aquela que chega a 150, pronto, pagou 3 juízes.
Ó, a gente, por exemplo, os policiais ali, eu acho que tem mais de 1.100 policiais aprovados aí, e a gente tá precisando de gente para caramba. Interior aí, cara, tá precisando de muita gente. E a gente não chama, cara. A gente tem que fazer, a gente tem que chamar essa galera aí, tá?
No caso, no caso do executivo, a solução é o seguinte: demite os Aspone, sobra uma grana. Aspone e os jabutis. Porque acontece, eu já trabalhei, eu já trabalhei, entendeu? Pô, ali, meu irmão, que eu via de jabuti. E o jabuti geralmente, jabuti assim, para você não entender, Vocês já sabem o que é jabuti, né? Você tá andando na rua, tal, não sei o quê, daqui a pouco tu vê um jabuti em cima do muro. Aí tu fala, pô, esse jabuti, tu vai tirar?
Não mexe. Tu já viu jabuti subir no muro? Alguém botou ele aí, meu irmão. Tu deixa o jabuti aí. Então lá no palácio, eu tive oportunidade de trabalhar lá, eu vi muito jabuti. E geralmente, bicho, essas jabuti são jeitosas, sabe? Bonita, procedimento, jabuti faz procedimento e tal. Cara, e às vezes tá ganhando aí, pô, 5, 6, 10 mil, salário de um polícia, meu irmão. E o que que é? É a quenga do deputado que bota. Então assim, pô, meu irmão, dá para você ver, o Cláudio Castro não tinha dinheiro para fazer a nossa reposição, o outro pegou, meu irmão, pô, deu uma ajustada aqui, conseguiu pagar, pagou a primeira agora mês passado, vai pagar próximo mês.
Então assim, cara, é aquela gestão responsável, né, meu irmão? Isso aí que esse é um outro problema que a gente tem. Que aí falta o fundo para dar apoio policial, falta uma porção de coisa por causa de gestões irresponsáveis, né?
E a nossa Polícia Civil, ela, eu acredito que ela foi muito desvalorizada durante muito tempo, né? Então eu acho que a gente precisa, o fundo, a gente tem um fundo que a gente não arrecada quase nada, porque enquanto as outras instituições elas recebem muito, a gente recebe, eu acho que no último ano recebeu de fundo R$400 mil. Cara, é ridículo, porque a gente precisa. E outra coisa, tudo que a gente apreende, a gente tem que pedir perdimento.
A grande maioria vai para União, para o SENASP. A gente tem que conseguir fazer uma mudança legislativa que as apreensões feitas pela da Polícia Civil, elas fiquem para a Polícia Civil. Pô, tinha apenas tanta coisa aí, cara.
É justo, né?
Para polícia que fez a apreensão e não para o SENASP aí. Então acho que é, na minha opinião, eu acho mais que justo. Quem investigou foi a gente, a gente fez, a gente faz o perdimento. E para conseguir um perdimento é muito difícil, cara. Perdimento de um carro, perdimento de algum bem, É algo bem complicado, é bem trabalhoso e demorado.
Gabriel, você trabalha com— você hoje é advogado e você trabalha na área criminal, só criminal?
Eu só faço criminal, rapaz.
Se você não defende traficante, bicheiro, porra, só polícia, como é que tu tá conseguindo viver da advocacia?
É, existe uma ideia, nem sempre é de graça, existe uma ideia que o criminalista defende bandido, né? Até falei esses dias na minha rede social, quem quiser me seguir, @professorgabrielrabib, @delegadobernardoleal. E aí o criminalista defende Pessoas como a gente.
Obrigado, irmão.
A pessoa que atropela alguém sem querer, lesiona ou mata. A pessoa que é acusada de descaminho, que traz um celular lá de fora, não paga o imposto do celular, do tablet, notebook, que xinga o outro na audiência, na reunião de condomínio. A pessoa que só nega imposto, que é uma atividade muito comum. Né? Aí que bolsonarista, ele esconde. Então oculta lavagem de dinheiro. A pessoa que bebe e dirige. Então assim, a pessoa que posta meme zoando minorias, conhece alguém assim?
Então a gente defende pessoas normais. E aí é o que eu te falo, mas eu falo a verdade. Aí todo mundo aqui, você também que nos assiste, todo mundo pratica crime. A gente só não mata, trafica, estupra e mata os outros. Todo o resto a gente faz.
Mas, cara, a gente tem um presidente que fala que usa relógio falsificado, porque criminalista defende bandido.
É, pois é.
Qual é a tua opinião aí? Porra, tô dando uma de entrevistador.
Tamo junto aqui.
Como eu acabei de falar, a gente defende pessoas que fazem tudo que a gente faz. A verdade é essa.
Teve uma vez que eu postei algum meme desses aí, esses memes polêmicos, aí o Gabriel falou assim, ó: meu irmão, tu vai arrumar um problema. Eu falei assim: mas eu tenho você, se eu arrumar, eu tenho você. Tu lembra disso? Foi alguma coisa assim que eu postei.
É, mas assim, eu fico muito honrado em poder defender os policiais, que eu acho que, vou repetir, eu defendo quem nos defende. Vocês fazem um trabalho. O policial no Rio de Janeiro, ele é um guerreiro porque ele faz um trabalho mágico, porque o Estado não dá estrutura de nada. Vou te dar um exemplo. Você vai em qualquer delegacia do Rio de Janeiro, qualquer uma, qualquer uma, depoimento. Na hora de assinar, o policial levanta, vai no outro computador pegar aquela esteirazinha que assina digital, mesa de assinatura.
Vai lá, Tira o ESPM, liga aqui. Aí, fulano, que problema? Peguei rapidinho daqui, rapaz. Negócio que é banal: mesa para assinar digitalmente só tem uma para delegacia inteira. Viatura não tem suficiente. Pô, chega na delegacia, cadeira tá quebrada.
A viatura a gente tem que ajeitar.
Tem delegacia, a gente tem que dar tábua. Não tem tábua no vaso para sentar.
Entende?
Não tem papel no banheiro. Tem delegacia que tem moto dentro do banheiro apreendida porque não tem onde botar, entendeu? É isso. Você sabe o que eu tô falando, é verdade. Então assim, com a estrutura que o Estado dá para vocês, que é nenhuma, com as condições que o Estado dá para vocês, que é nenhuma, vocês conseguem trabalhar. Vocês são heróis, vocês fazem um trabalho muito bom. E assim, é na guerra Assim, é na unha, é na raça, porque o Estado não dá nada.
Não, nem uniforme, bicho, nem uniforme. Exato. Isso aqui, isso não tem nada a ver com o nosso secretário. Não tem que tirar o dinheiro do bolso dele para dar um negócio. É o seu, o Estado tem que dar isso para gente. Assim, pô, às vezes foi exigido uma vez, eu lembro que mudaram o uniforme, mudaram a camisa. Aí já tinha, pô, Severo, já tem uma galera que já começa a vender, a galera comprando. Eu falei, meu irmão, eu tinha minha camisa assim, eu gostava da minha camisa assim, ó.
Cinza. Meu irmão, vou ficar com a minha camisa assim enquanto não me der na camisa preta, eu vou ficar com a minha cinza. Aí um dia me deram a preta, meu irmão, a preta de algodão quente para cacete. Falei, não, meu irmão, peguei. Aí comprei a Dry Fit. Agora que me deram, tem que usar. Comprei a Dry Fit. Daqui a pouco o pessoal, meu irmão, ó, tem uniforme. Qual uniforme? Calça, calça tática, coturno, camisa, não sei o quê. Eu falei, porra, bicho, mas ninguém me deu calça, ninguém me deu coturno. Tem que comprar, meu irmão.
É isso aí, cara.
Uma coisa que me assustou, sabia? Depois que eu tomei o tiro, eu vi o quanto o APH importante, né, o atendimento pré-hospitalar. E aí você vê que os caras não— ninguém deu pra gente, cara, um qualquer equipamento que a gente possa usar. Todo mundo, no meu caso, todo mundo que botou o torniquete era o torniquete próprio. Então o Estado nunca deu pra gente um equipamento de atendimento para hospitalar.
E mesmo depois do que aconteceu comigo, quer dizer que o tourniquete, depois que você usa a primeira vez, tu não esquece, né? Não, meio que tu usou uma vez. Aí pergunta o Tê: eu vou usar meu tourniquete em quem? No meu brother, assim, nos meus colegas policiais. Aí tem um vagabundo ali, poderia ajudar um pouco, emprestar meu tourniquete? Não, meu irmão, pô, tourniquete é meu, sacou? Então assim, Cara, são equipamentos básicos que, cara, o Estado tem que nos dar isso.
Isso aí é triste, sinceramente. Vocês vão na raça, o equipamento que você leva é o equipamento que você comprou com o teu dinheiro, que o Estado não deu.
Não é isso, cara. O colete, a capa do colete, capa do colete é nossa, é nossa. Exatamente.
Se for usar a capa do colete da polícia, pô, meu irmão, usei um tempão a capa de colete da polícia, cara. O problema, cara, que depois de um tempo o negócio vai, vai, vai assando aqui, porque aquele, aquele, ah, cara, não é acolchoada aqui, pô. Você falou mesmo, começa a andar uma vez, não sei qual foi, eu andei também isso aí, cara, fiquei com as pernas toda assada, né, irmão, tá? Então é isso, irmão, a gente vai. O negócio é ser minha ideia de falar a realidade e as pessoas, pô, tá entendendo e cobrarem, entendeu?
Cobrarem o seu político lá. Agora chega a época de eleição, você tem seu político, fala, pô, dá aquela atenção ali, pô. Porque no final das contas, cara, isso vai refletir na nossa prestação de serviço.
Qual a nossa atividade fim? É a gente investigar e conseguir, através da investigação, combater o crime. Se a gente não tem o mínimo de estrutura para investigar, qual é o resultado que querem cobrar da gente?
Você não consegue trabalhar também, você não consegue trabalhar.
E galera, não sei se sabe, o Bernardo atualmente ele é candidato, agora candidato, né?
Candidato a deputado estadual, estadual, estadual pelo Rio de Janeiro, e para tentar mudar algum, alguma coisa dessa realidade que eu tô falando aqui, às vezes de forma tão revoltada, porque lá não dá para falar isso, né, meu irmão?
Lá é lugar para chamar o pessoal. Eu já falei com uma vez, meu irmão, se um governador diz que tá preocupado com a segurança pública e ele permite o policial viver nessas nessas condições, trabalhar nessas condições sem um plano de saúde, pô, sem uma assistência jurídica, desculpa, é bravado. O cara não tá preocupado com a segurança pública, porque isso reflete na nossa prestação de serviço. Se você tá com a cabeça, porra, em conta a mil, você, pô, meu irmão, propagar minhas contas eu tenho que fazer, eu tenho que trabalhar aqui na polícia, eu tenho que fazer racha, tem que fazer segurança, tem que fazer podcast, tem que fazer, pô, um milhão de correrias assim.
Cara, nego já me pegou aqui várias vezes dormindo aqui no podcast, meu irmão. Eu até vou dormir porque você tá, ou seja, num estresse desgastado de tal maneira que, cara, não era para ser assim. Era para o cara dar toda a estrutura para a gente estar com a nossa energia, meu irmão, 100% para trabalhar só na polícia. E hoje a vida do tira, cara, a maioria dos tiras tem que fazer uma correria.
A grande maioria infelizmente tem que fazer um bico de alguma coisa para tentar complementar renda, cara, não é isso? Todo mundo tem filho, tem família, e só com salário que você ganha como policial você não consegue. E, cara, o que eu acho uma maneira, e desculpa, eu vou ser muito sincero aqui com vocês, a maioria do tiro honesto é o cara que faz o bico por fora, é o cara que faz a segurança, fala assim mesmo, esse cara é honesto mesmo, porque o cara ele tá, porra, querendo ganhar um dinheiro dele de forma honesta fazendo outro trabalho. É verdade.
Ó, o Peter falou aqui, ó, várias vezes não, Rafa, todo episódio você dorme. Mas também tem a questão que tu vai ficando velho, tá ficando dormindo tudo que é canto, velho. Onde ele encosta, dorme. O que que velho faz?
Velho acorda cedo, bem cedo, para ficar depois cochilando ao longo do dia, várias vezes ao dia.
Então eu cheguei nesse ponto já, porque eu acordo naturalmente cedo Assim, de um tempo para cá eu nunca mais despertador me acordou. Eu que acordo ele, boto para 6 horas, que aí acorda meus filhos e tal. Enfim, mas assim, 5:20, 5:30. Hoje 4:30 eu acordei, né? Vai ficando mais velho, vai ficando com autonomia baixa, tem que ir no banheiro toda hora, urinar de madrugada. Acordei para ir no banheiro, botei 4:20 por ali, aí eu fiquei naquela Eu vou acordar 5 e pouco mesmo. Durmo, não durmo, durmo, não durmo, durmo, não durmo, durmo, não durmo.
Não dormiu?
Não dormiu.
E depois veio cochilando?
Aí fiquei lá sentando na cama, esse lenga-lenga. Aí 5:15 eu levantei, aí eu falei, ah, liguei o rádio, fiz o café, enfim. Então daí eu vira e mexe, tô no escritório aí. A mulher fala que eu tô que nem velho, eu durmo em qualquer lugar, onde encostar eu durmo.
Eu já tô nessa já. Ô Miguel, Bota umas mensagens aí para a gente chegar no final aí. Eu vou selecionar algumas mensagens aí para a gente ler. Deixa que eu leio aqui, ó. Vou selecionando aqui, vai comigo aqui, ó. Vamos lá, tem um Super Chat aqui do— pera aí, passei o Super Chat aqui, ó. Adriana, obrigado aí pelo Super Chat, Adriana. Mandou Super Chat sem parar, só crítica ao rei. Vamos lá, Ivana Torezani: a segurança do Brasil para mim ela é na maioria das vezes comprada, então por isso os presos também têm tantas regalias.
Isso não vai mudar, infelizmente, a realidade da segurança hoje. Não, cara, essa parte de segurança, corrupção, realmente é aquela coisa, você precisa de um corrupto, você precisa de um corrupto na equipe para estragar todo o trabalho, velho. É uma coisa interessante, olha só, você vê quantos policiais acham na DRE agora, tá com poucos, mas estava, nós tínhamos ali uns 50, 60. Aí você tem 50 mais 3 delegados Não é isso?
Isso.
Aí você vai fazer investigação de um ano, planeja tudo, organiza tudo, tal, não sei o quê, bota tudo organizado para operação, para ver, um, vaza aquela informação, acabou, meu irmão. Verdade, acabou o trabalho seu, dos investigadores, colega morre. Isso aí é, vamos lá, o Bernardo, pô, Bernardo Ambrosio, olha só, pô, Bernardo, obrigado aí, meu irmão. Irmãozão, só consegui chegar agora, mas endosso qualquer coisa que meu xará tenha falado.
Um abraço para o porra, para o meu xará aí.
O Yara fez elogio para mim, pô. Obrigado, obrigado. Que podcast gostoso, Rafa, sempre perfeito e espontâneo. Obrigado, irmão, obrigado pelo elogio. Vamos lá, o Juber Júnior: infelizmente o sistema hierárquico político-judiciário atrasa o desenvolvimento do nosso país em todos os sentidos, e principalmente nas ações no que tange respeito das melhorias aos militares. Do Brasil, os militares do Brasil. Obrigado, meu irmão. Deixa eu pegar aqui outra aqui.
Doutores Bernardo e Gabriel, as perguntas do Rafa, e cacete, se prestar bem atenção, tem um interesse próprio. Porra, Cris, me desmascarando aqui. Deixa eu ver aqui, tá. A Elaine Castro, né. Doutor Gabriel, qual os parâmetros para que o vagabundo receba saidinha. Boa noite a todos. Essa mensagem da Eliane Castro.
Ele tem que estar no regime semiaberto e ele tem direito a algumas saídas por ano, Dia dos Pais, Dia das Mães. Então o critério é aquele que a lei de execução penal estabelece, entendeu? Então assim, outra, outro mito: saidinha temporária para favorecer vagabundo. Não, a lei fala que no semiaberto ele tem direito às saídas, porque o sistema prisional é um sistema progressivo, tá? Então assim, a ideia do legislador é trazer o preso para o convívio da sociedade de forma gradual.
Então começou no regime fechado, fica o tempo todo fechado. No semiaberto ele já pode sair algumas vezes para voltar. E aí o problema é que quando É, muitas vezes quem tá no semiaberto sai na saída temporária e não volta, tá? E aí, Bernardo pode falar melhor do que eu. Parece que existe uma ordem, né?
É isso aí. O Comando Vermelho, ele proíbe os seus faccionados de voltarem quando saem, quando tem alguma saída. Por exemplo, teve a saída do Dia dos Pais. O faccionado, ele é proibido de voltar. Ele tem que voltar para suas atividades ilícitas dentro daquela comunidade lá que ele comanda. Se ele voltar, ele perde todas as, vamos dizer assim, o status dentro daquela facção criminosa, ou até recebe alguma reprimenda pior, né?
E aí, como sempre, né, como diz o ditado, o justo paga pelo pecador. O que eu posso afirmar é que no presídio a maioria dos presos, a imensa maioria, você sabe disso, a imensa maioria tá lá querendo cumprir a pena direitinho para sair o mais rápido possível, trabalhando, estudando para remissão da pena. Então assim, a maioria tá lá cumprindo a pena direitinho para poder sair o mais rápido possível. Então assim, quando essa minoria dos que estão presos não voltam, aí generaliza, aí todo mundo acha que saída temporária para não voltar, é favorecer, quando na verdade quem não volta é o preso que é faccionado.
E aí deveria ter sensibilidade também do, daquele que determina a saída saber: é faccionado? Não tem.
Sim, eu posso até fazer uma pergunta aqui, cara, até para vocês. Vocês acreditam na ressocialização?
Não, não, ninguém no mundo acredita na ressocialização.
Pô, isso era uma questão minha íntima que eu falava. Eu também não acredito.
Talvez na Holanda sim. Até ali que estão fechando presídio lá por falta de preso, na Noruega. Eu acho que o cara, aí, ok, agora no Brasil, nas condições do Brasil, não tem como.
Eu acredito na mudança do ser humano, acho que o cara pode se ressocializar, não através do presídio.
É isso que eu acho também.
Eu acredito mais que uma igreja evangélica faz um trabalho muito melhor do que um presídio, se o cara se converter verdadeiramente. E isso para mim até um ponto de mentalidade que atrapalha nessa questão prisional, que é se a mentalidade for, eu estou prendendo esse cara porque ele demonstrou ser capaz de fazer o mal ao seu semelhante em nome de um desejo, uma luxúria, um desejo pessoal. Ou seja, preciso proteger a sociedade desse cara que já mostrou que é capaz de fazer o mal.
Então vamos proteger a sociedade. Esse cara tá preso para proteger a sociedade. Então toda vez que eu dou um benefício, solta esse cara, eu estou colocando a sociedade em risco. Quando o pensamento é: ah não, estou aqui para socializar ele, então agora vamos dar uma saidinha para ele poder conviver um pouco com a sociedade e se adaptando aos poucos e tal. E aí você acontece o caso que acontece, aí você tem diversas tragédias, né, de pessoas que saem.
Agora mais recente essa tragédia que de uma certa forma comove, não tem como não se comover, do pai que saiu e matou as filhas. Saiu uma saidinha dessa para visitar a filha e matou as filhas.
Acontece, acontece, claro, acontece, mas não é regra.
Mas é uma coisa que assim, não é regra, mas eu entendo a reação popular de ficar tão revoltado que vai querer. Agora olha só, eu vi uma mensagem aqui bem bacana. Perdi a mensagem aqui, ó. Pera aí, não, não, comenta aqui. Eu falo, felizmente, mas Ah, pô, não, foi uma aqui, o Marcelo Molina, filho do Molina, né, que Marcelão, abraço, Marcelo, Marcelo é meu amigo, cara.
Ele falou que fera, gente finíssima.
Ele mandou uma mensagem aqui: grande abraço ao Rafa, Doutor Bernardo, Doutor Gabriel, programa excelente. Gabriel foi meu professor de penal e muito atuante na Justiça Federal onde trabalho, defensor forte dos nossos heróis. Mas ele mandou uma outra mensagem aqui: que o Estado possa prover todos os recursos aos nossos policiais. Me recordo do meu pai Molina ter que tirar muito dinheiro do bolso para treinamento, comprar corda e etc.
Que possamos ver melhorias em breve. O Marcelo, ele é filho do Flávio Molina, foi o cara que, meu irmão, é um dos maiores heróis do nosso, do nosso Estado. Salvou mais de milhares de pessoas, mais de 1000 pessoas. Era policial, foi um dos precursores do SAER. Numa época que o SAER, o helicóptero da Polícia Federal, fazia tudo, da Polícia Civil fazia tudo, fazer operação policial, salvamento no mar, salvamento na mata, salvamento na montanha.
E ele era assim, foi um dos maiores especialistas nessa área e foi um cara que desenvolveu esse trabalho no SAER. E conversando com alguns colegas do SAER, você vê o seguinte, cara, Eles pegavam helicóptero, a gente precisa fazer aqui uma coisa para o cara poder descer de corda, tal. Então, pô, chama um ferreiro ali. Aí pegava, soldava, tal, não sei o quê, e fazia uma coisa. Vamos testar aí, vamos testar.
Porra, meu, os caras são loucos.
Sobe o helicóptero, vamos testar. Aí testava o negócio. Não, não, vamos botar agora aqui esse cara, o Franco Adonis, o Molina, e mais uma galera, o Saibro, cara, e mais uma galera que eu não sou capaz de falar o nome de todos, que eu vou acabar esquecendo alguém. Mas, cara, os caras desenvolveram algo que depois exportaram para o Brasil todo, as técnicas de salvamento no mar, na terra, na montanha, na mata, cara, com recursos próprios.
Os caras iam pegando ali, pô, compra essa corda com o Sérgio Inácio, pô, compra a corda ali, o Zé Lourenço, pô, compra aquilo ali, não sei o quê, faz aqui, faz esse improviso, vamos tentar aqui e tal. Cara, ele contou que uma vez foi uma equipe lá da Alemanha, olhou, falou: para que que vocês fizeram aqui? Não, isso aqui é para isso aqui, cara. Pô, pelo amor de Deus, vocês fazem isso aí? Não, pera aí, pera aí.
Os caras são muito vocacionados, né, cara?
Muito vocacionados, cara. E são coisas assim, se esses homens não tivessem feito— o Sérgio Inácio, Zé Lourenço, por exemplo, que foram para o exterior ter aula, treinar na SWAT, para depois trazer e formar a CORE, esses cursos. Se esses caras não tivessem tivesse botado dinheiro do bolso deles, hoje nós não teríamos a CORE, não teríamos, pô, esse serviço aéreo que a gente tem, porque é de ponta na Polícia Civil.
Então, Flávio Molina foi um casca-grossa também de luta, cara. Então assim, esse cara foi um expoente das lutas também, trouxe aí, foi um dos precursores do taekwondo, maitá.
Ele era taekwondo, maitá, tudo que é luta de pele fazia. Então, Marcelo, que honra, cara. Sempre fico feliz quando você aparece. Seu pai, meu irmão, jamais será esquecido, jamais. O Marino Azevedo, olha o nosso Marino aí que nos deu um susto. Honra ver todos vocês, Selva em recuperação, mas tô aí, Selva. Valeu, Marino, feliz aí ver você aí, pô. Breve, queremos você em breve de volta. Nelma, ótimo podcast como sempre, não perco nenhum.
Obrigado, né, você que você está sempre aqui com a gente. Cris, Doutor Bernardo, O senhor já preparou o seu psicológico para caso seja eleito? Tem estômago para conviver com colegas que sejam talvez os mandantes de tantas mortes de policiais no Rio? Tá acostumado, tá acostumado a viver no inferno.
Vamos com tudo, vamos embora! Tem que ir para guerra, não é missão? Missão a gente não escolhe não.
Deixa eu ver aqui mais alguma mensagem aqui. O Mizinho: Rafa só pagando orangotango. Valeu aqui o Bernardo. Não, Bernardo já li aqui a mensagem do Bernardo. O L. Porto fala: guerreiros, admiro muito vocês, abraço ao colega Alfa Charlie, advogado criminal. Sou recém-habilitado como advogado, seria uma honra aprender na prática com o Dr. Habib. Caso aceite, currículo. Aí, ó, você dá aula, tá dando aula ainda? Bebê.
Eu tô afastado de aula, né, já há um tempo, para concurso hoje, pelo menos pós-graduação. Enfim, tô muito focado no escritório. Escritório cresceu muito, tá crescendo muito ainda, e eu tô bem focado no escritório. Tô um pouco afastado de aula, então não tô dando aula, ponto final. Tá dando aula hoje? Não, não tô. E eu só em pós-graduação, mas muito pouca também, assim, uma aula a cada 6 meses eu olho lá, cara.
E uma coisa assim, o doutor Gabriel Habib, o cara se garante tanto, meu, que ele era defensor público da União, né? Era defensor público da União, largou o concurso para se dedicar à advocacia.
Ou seja, tava em segunda instância já, promovido por merecimento, 2013. Tomei posse 2006, aí em 2013, 7 anos depois, fui promovido por merecimento. Aí passei a atuar na segunda instância, TRF, um Brasília. E aí fiquei lá mais 6 anos.
Mas o Defensor Público da União, ele trabalha mais o quê? Quais são os crimes mais que o Defensor Público atua da União?
O carro-chefe, os carros-chefes são fraudes contra o INSS e tráfico internacional de drogas. Tem muito trabalho.
Aí eu falo, fraude do INSS deve ser chato para cacete trabalhar com isso.
É chato, é, mas tem muito trabalho, tem muito trabalho, mas muito trabalho mesmo. Você não tem ideia de como tem trabalho na Defensoria Pública da União. Muito trabalho mesmo, cara.
O cara é corajoso. Eu, quando ele falou que ia fazer essa mudança, eu sempre fui um cara que gostei muito de ter estabilidade. Pô, a gente sabe que a gente vai ter o nosso salário ali.
Não sei o quê. Não gosta, né? Eu também gostava. Até dar um de maluco.
Tem que ser muito corajoso.
Corajoso para caramba.
Me chamam de maluco até hoje.
Tem um episódio, o primeiro episódio do Doutor Gabriel aqui, ele conta a jornada, os pensamentos, segurança. Tem o Gabriel Habib, um, ele conta toda a história dessa mudança. Cara, tem muita gente que tá querendo mudar de profissão e tudo, pô, tem uma, é assim, foi ousado, mas assim, não foi maluco não, sacou?
Ele foi, passou uns 5 anos preparando, me chamam de maluco até hoje, mas você passou 5 anos preparando para pensar, mas também é o seguinte, Rafael, é o que eu falo, né, são os malucos que mudam o mundo.
É verdade.
Tu acha que esses caras são normais? Steve Jobs, Elon Musk, cara, não são normais não, cara. Rafa Martins, Bernardo Leal, tudo maluco, mas são os caras que mudam o mundo.
Verdade, galera. Pô, obrigado, meu irmão. Obrigado aí pela presença de vocês, mais essa aula de polícia e direito. Sempre tá com vocês aqui, cara, é sempre uma honra. Eu acho que vocês engrandecem aqui o nosso podcast. Eu particularmente, você até mais inteligente.
Obrigado, irmão, pela oportunidade aí da gente debater esse tema aí, que é muito legal.
Não, eu acho que é um tema que vale a pena a gente jogar essa primeira semente. Lembrando aqui mais uma vez, galera, vai ter, é simpósio, né?
É um simpósio, simpósio é um dia inteiro falando sobre isso.
Agora, meu irmão, você quer que vocês acompanhem a gente? Muitos já tiveram aqui, ele vai, ele consegue lembrar o time, cara?
O Major Novo, Gabriel Habib, Bruno de Laber, O Dr. Mauro César, delegado de polícia, o Dr. Felipe Cury, Dr. Moisés Santana, a Dra. Elisa Pitaro, que é promotora, é, Dr., o desembargador William Douglas. Tem um time ali forte que eu acho que é para isso, é para a gente tentar debater em alto nível no aspecto jurídico e também no aspecto científico. Aí eu botei, poxa, consegui que o Dr. Clôde, que é o perito legista da Polícia Civil, conseguisse falar.
Doutora Glícia Brasil, que é uma psicóloga, para a gente tentar debater no nível exatamente técnico, para não ficar com, ah não, achismos. Não, é técnico. Vamos embora, vamos debater esse tema. Vamos trazer esse tema à tona. E aí, e é isso que eu tentei fazer, cara.
Cara, vou te falar, de todos que você falou, todos, a única que não veio no Fala Guerreiro foi a Elisa Pitaro e o William Douglas, sendo que o William Douglas vai estar com a gente dia 27 de agosto agora. O Cláudio, todo mundo veio aqui. Então depois, cara, a transmissão tá gravada, volta a transmissão esse trecho anota os nomes que o Bernardo falou, vai, bota o nome dele com Fala Guerreiro, que você vai ver entrevista. Meu, só fera, só fera.
Assim, não tem um que ele falou assim que não saiba muito de polícia, porra. Assim, tanto essa parte de investigação como a parte operacional, cara. Assim, foi selecionado realmente um timaço. Com certeza esse simpósio aí, para você que quer ser policial, é operador do direito, seja advogado, promotor, juiz, Pô, acho que principalmente quem é da carreira jurídica, você ir lá ouvir, aprender, pô, entender como é que funciona esse universo, cara, vai ser fazer um bem para pessoa profissionalmente, pô, para sociedade como um todo, né?
E galera, obrigado aí mais uma vez, obrigado vocês aí que estiveram com a gente, um grande abraço. Amanhã tem Linha de Frente aqui no Fala, guerreiro!