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DELEGADO JEFFERSON FERREIRA (Polícia Civil - RJ) | #FalaGuerreiro428

24 de julho de 20262h45min
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A ORIENTAÇÃO DE ESTUDOS PARA CONCURSOS PÚBLICOS QUE MAIS APROVA NO PAÍS! CONFIRA:https://bonus.lsensino.com.br/ls-concursos-2025/?utm_source=podcast-falaguerreiro--Eles escondem. Você encontra:https://www.sherlocker.com.br/--00:05:25 - FAZENDO CONCURSO PÚBLICO00:20:56 - CONCURSO DE DELEGADO NÃO ERA PRA MIM00:22:32 - PRIMEIRA LOTAÇÃO COMO DELEGADO00:34:37 - COMO ROMULO CONHECEU O JEFFERSON / FLAGRANTE DE HOMICÍDIO00:50:18 - 59 DP / DHBF / PRISÃO DE MILICIANOS01:06:30 - O QUE E NECESSARIO PRA TER SUCESSO NA INVESTIGÇÃO DE HOMICIDIO01:17:05 - PRISÃO DO MAIOR LADRÃO DE CARRO DO RIO01:32:47 - TITULAR NA DELEGACIA DE PARAÍBA DO SUL / DUPLO HOMICÍDIO01:36:48 - TITULARIDADE LAVAGEM DE DINHEIRO01:50:37 - DRF / OP CAMINHO DO COBRE02:06:05 - LOTAÇÃO NA DRACO02:13:57 - MUDANÇA DA ATUAÇÃO DAS FACÇÕES02:28:24 - QUAIS OS MECANISMOS LEGISLATIVOS QUE AJUDARIAM NO COMBATE AS ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS✉ Para contatos comerciais e aluguel do estúdio de PODCAST: falaguerreiropc@gmail.comSeja membro do canal:http://youtube.com/@falaguerreiroficial/join🔔 Inscreva-se no nosso canal:https://youtube.com/@falaguerreiroficial?sub_confirmation=1Siga nossos hosts no Instagram:Rômulo Brito • @romulobrito_ • https://www.instagram.com/romulobrito_/Rafa de Martins • @rafademartins • https://www.instagram.com/rafademartins/#FalaGuerreiroCast #LinhaDeFrente #Politica #SegurancaPublica #BastidoresDaPolitica #Debate #Analise #Noticias #PodcastBrasil #GuerreiroCast #CortesDePodcast #Brasil

Participantes neste episódio3
R

Rafa de Martins

Host
R

Rômulo Brito

HostPolicial civil
J

Jefferson Ferreira

ConvidadoDelegado de Polícia Civil
Assuntos8
  • Lavagem de dinheiro e crime organizadoFollow the money e lavagem de dinheiro · Bloqueio financeiro e asfixia de organizações · Uso de criptomoedas e fazendas de mineração · Intermediadoras de pagamento e controle financeiro
  • Lei das Organizações CriminosasOrganizacao de quadrilhas de roubo · Prisão de Comel (maior ladrão de veículos) · Operação Caminhos do Cobre · Lavagem de dinheiro e criptomoedas
  • Teoria do CrimeCrime Organizado · Associação com Comando Vermelho · Guerra entre facções e milícias · Narcomilícia e exploração de território · Metamorfose das facções criminosas
  • Homicídios em ItuclaroDelegacia de Homicídios da Baixada Fluminense · DH Capital (Delegacia de Homicídios da Capital) · Importância do imediatismo e inteligência · Combate a organizações criminosas e tráfico · Operação Santa Teresa (mandado coletivo)
  • Início da carreira policialInício no comércio e faculdade de direito · Concursos públicos e reprovações iniciais · Orientações da Defensoria Pública · Concurso de Delegado de Minas Gerais · Concurso de Delegado do Rio de Janeiro
  • Delegado João Eduardo e estrutura do esquemaCaso Pissardo: Duplos Assassinatos · 27ª DP (Morro do Juramento e roubos) · Lavagem de dinheiro e crime organizado · Operação Rio Amazonas (rota de drogas)
  • Primeiras Lotações e Desafios66ª DP (Piabetá) · Central de Flagrantes (61ª DP - Xerém) · Primeiro flagrante e auto de resistência · Caso de duplo homicídio e omissão de cautela
  • Outras frentes de combate ao crimeEndurecimento de penas (estelionato, receptação) · Agilidade processual e investigativa · Controle de presídios (modelo Bukele) · Déficit de policiais e salários
Transcrição276 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Fala, guerreiro! Muito boa noite. Hoje, quinta-feira, dia 23 de julho de 2026, estamos ao vivo para mais um episódio aqui no Fala, Guerreiro. Muito obrigado pela sua audiência. Você que já tem uma galera aí esperando a gente, se você é membro do canal, muito obrigado. Você faz a gente ter mais possibilidade produzir conteúdos ainda mais consistentes, conteúdos que vão alcançar e de repente até transformar algumas vidas. Porque nós trazemos aqui muitas experiências de vida de pessoas que partiram do absoluto nada, se tornaram servidores públicos, empresários, palestrantes.

A gente já trouxe de tudo aqui no Fala Guerreiro. E você, membro do canal, tem essa participação direta. E a gente deve muito a vocês por isso, pela confiança de pôde contribuir aqui.

RDRafa de Martins

Fala, Guerreiro!

?Voz A

Se você não é membro do canal, torne-se membro. Tem alguns conteúdos específicos que eles saem do ar no canal convencional, que é aberto a todo público, mas ele permanece ativo apenas para membros. Tem conteúdo exclusivo apenas para membros do canal. Então, falando sobre isso, quero agradecer também a LS Concursos, que além de ser uma empresa que transforma vidas há 17 anos, já colocou na carreira pública mais de 15 mil servidores públicos que confiaram nessa metodologia metodologia e alcançaram a sua aprovação de forma estratégica, com objetivo bem traçado.

Essa é a LS Concursos, que tem direcionamento para carreiras fiscais, carreiras jurídicas, carreiras policiais, tribunais. Então, se você tá estudando para concurso público, ainda não acertou ainda o teu time, a LS Concursos vai criar uma rotina com uma metodologia organizada para que você vença essa maratona dos concursos públicos. E tem um outro patrocinador que, pô, que soma muito aqui com o canal, que é a Sherlock. A Sherlock, eu tava conversando aqui agora de bastidor com César, falei, cara, se eu fosse o Bruno, eu tirava a Sherlock de circulação para iniciativa privada, para os particulares comuns, e vendia só para o servidor público, né, só para órgãos públicos, melhor dizendo, porque é uma ferramenta que ela é muito completa hoje.

Você ainda consegue acessar os serviços da Sherlock escaneando esse QR code que tá na tela ou tocando no link que tá aqui na descrição do vídeo. Mas assim, eu creio que não vai ficar disponível por muito tempo mais. Uma ferramenta excelente, principalmente para advogados e quem trabalha com sistema de crédito, porque as pessoas podem tentar ocultar seu patrimônio de alguma forma, mas a Sherlock vai encontrar essa pessoa. Para você advogado que às vezes, pô, militou durante muito tempo para vencer uma causa na justiça, e na hora de executar ali a indenização o dano, não consegue.

Por quê? Porque o cara ocultou o patrimônio. Com a ferramenta Sherlock, ele não vai mais poder fazer isso.

RDRafa de Martins

Rafa de Martins, fala, rapaziada! Ótima noite de dia 23 de julho de 2026. Mandar um beijo para o meu irmão Daniel, aniversário dele. Estive com ele agora à tarde. Obrigado aí, meu, por essa jornada. Ele tá fazendo 45 anos, porra, meu irmão, um garoto, porra. Assim, só tem que agradecer que a gente sempre teve junto, meu amigo. Porra, meu camarada, meu treinador, porra, um cara nota 10, meu irmão. Parabéns aí, que Deus te abençoe sempre.

E é isso aí, irmão, reforçar aí, você curtir essa transmissão, só tem 30 curtidas, muito mais gente ao vivo. Então tá de moqueira, Nágio, entendeu? Solta esse dedo aí no joinha, ativa o sino de notificação, compartilha, se torne membro, se inscreva no canal. Isso é importante para nosso conteúdo chegar a mais pessoas. Hoje é um dia especial porque estamos convidando aí um colega da nossa casa e nosso contemporâneo de polícia também, 13 anos de polícia.

Porém ele entrou junto com a gente como delegado de Polícia Civil, está há 13 anos na corporação, cara, e sempre pautou a sua carreira, meu irmão, de fazer aquilo ali, fazer o trabalho dele com seriedade. E ali, meu irmão, as portas foram se abrindo só para problema, entendeu? Então quando o cara— a polícia diz o seguinte: burro bom joga carga. Então o cara é bom, joga carga. Foi para delegacia de homicídio, tanto da Baixada Fluminense quanto da capital, delegacia de roubos e furtos de automóveis, roubos e furtos Hoje, atualmente, ele tá na Draco, que é a Delegacia de Repressão às Ações de Combate ao Crime Organizado, ou seja, uma das delegacias mais importantes da polícia, onde, cara, trabalhou também nessa parte de lavagem de dinheiro do crime organizado.

Meu irmão, o cara é uma fera como delegado, foi conquistando isso através da competência, do trabalho. Então, uma honra receber hoje aqui com a gente Doutor Jefferson. Seja bem-vindo, meu irmão.

JFJefferson Ferreira

Que honra, bicho!

RDRafa de Martins

Pô, finalmente, o passo do cara é caro, meu irmão. A gente teve que gastar uma prata para poder, pô, Pagar os empresários para liberar o passe dele para estar aqui. Não foi fácil, juntamos, foi tempo juntando dinheiro, juntando dinheiro, economizando, investindo em Bitcoin, sacou? Esperando uma alta do Bitcoin para sacar.

?Voz A

Agora dá, né?

RDRafa de Martins

Seja bem-vindo, meu irmão.

JFJefferson Ferreira

Obrigado aí, Brião, pelo convite.

RDRafa de Martins

Ó, para começar aqui, esse aqui é o presente do Fala Guerreiro, que ninguém sai daqui com as mãos vazias.

JFJefferson Ferreira

Obrigado.

RDRafa de Martins

Isso aí, ó, lembrar aí desse momento. Deixa eu guardar o saco para tu botar a caneca na mesa. E ele já vem com o nome porque sabe como é que é, né, bicho? Família gosta de pegar careca dos outros. Você fala assim, ó, teu nome não tá aqui. Tá aqui, ó, meu nome está aqui. Ó, tem, ó, tá ali, ó, Jefferson Ferreira, entendeu? Tem essa. Fala aí, tá certo, né? Tá certo, pô, tá vendo? É o Jefferson internacionalizado, é elite, é o Jefferson da elite.

?Voz A

Vai lá, o Jefferson. Posso chamar Jefferson?

JFJefferson Ferreira

Claro, pô, tu é meu amigo.

?Voz A

Jefferson, olha só, Tu começou a tua carreira, eu tive a felicidade de acompanhar desde o início, a gente trabalhou junto lá no Xerém, né? A gente vai contar algumas histórias de lá, mas antes você trabalhando na Defensoria Pública, né? Pô, fala um pouco sobre esse período, de onde você vem, essas transformações que vão acontecendo na nossa vida. Porque eu sempre falo isso, de repente tem alguém agora isolado no quarto, tá numa batalha do concurso, fala assim, pô, não vai dar, não vai dar, pô, não vai dar mais tempo, já tô velho, já tô cansado, pô, o tempo tá passando.

E você tem uma trajetória que é uma trajetória inspiradora, a você tem uma trajetória inspiradora. Então fala um pouco dela para nossa galera aí.

JFJefferson Ferreira

Na verdade, essa trajetória do concurso foi um pouco tardia, né? Entrei no serviço público com 30 anos, bem depois de, logo depois de me formar, e era da iniciativa privada, né? Minha família sempre foi da iniciativa privada, comerciante. Meu pai, eu trabalhava, trabalho com meu pai, trabalhei com meu pai desde 16 anos de idade, saía do colégio, ia para para loja do meu pai ajudar. E aí, quando fiz 18 anos, eu fui, me dediquei integralmente, né, a loja.

Fiquei no comércio até os 24 anos. E aí começou a dar ruim o negócio, né, o comércio empresário. E começou ali a eu perceber ali que aquilo ali não ia dar muito futuro, né. Mas mesmo assim eu fiz faculdade, comecei a faculdade com 19, e aí com 22 eu parei a faculdade para me dedicar ao comércio e fiquei lá na loja. A gente botou loja em R$1,99, lembra? Lembro, lembro dessa loja. Tinha brinquedo, etc., tudo a R$1,99. Aí o dólar aumentou, enfim, começou a decair o comércio.

RDRafa de Martins

Aí foi para R$5,99.

JFJefferson Ferreira

Tudo por R$5,99, R$10,99.

RDRafa de Martins

R$7,99.

?Voz A

Hoje tá em R$20.

JFJefferson Ferreira

Teve meu pai também, teve sapataria. Enfim, a gente sempre foi uma família batalhadora, né? E aí eu parei de estudar. Eu não vi assim, engraçado, cara, eu não via no direito uma maneira de eu continuar a vida, né, de viver daquilo dali, sim de ter uma faculdade e empregar aquilo dali em algum comércio. Eu lembro que o meu sonho era ter uma imobiliária, queria ter uma imobiliária. Eu gosto direito imobiliário. Mas aí a vida, eu, mas também quando eu era criança, eu sempre, não sei por quê, não tem ninguém na minha família policial, mas eu sempre quis ser policial. Então queria conjugar atividade policial com o comércio.

RDRafa de Martins

Tinha alguma coisa que te inspirava? Porque no meu caso eram os filmes, os filmes de polícia. Os filmes de polícia, eu era louco, adorava Stallone, Schwarzenegger, Steve Seagal, Braddock, os cara, meu irmão, eu era fascinado. G.I. Joe, Falco, era fácil falar isso aí. Você tinha alguma referência que te inspirava a ser polícia?

JFJefferson Ferreira

Cara, sim, também. Esses filmes policiais me inspirava pra caramba. E meus tios, cara, meus tios, embora não sejam polícia, eles queriam ser policiais, né? Então sempre tiveram amigos policiais, aí começava a contar da rotina policial, que dali começou a me encantar. E pô, eu ficava, cara, eu tenho que ser polícia. Eu tinha um amigo que foi policial militar Ele, aí a gente sempre saía junto, um amigo de infância, e ele virou policial militar, soldado da Polícia Militar.

E aí a gente saía junto, aquela coisa, ele contando as histórias e tal. Falei, cara, eu tenho que ser policial. E fiz a faculdade de direito pensando em fazer a prova para polícia. Mas aí até cheguei a fazer durante a faculdade, não passei, o concurso de 2001, né, o MIOSJ hoje. E aí, mas Começou a apertar de grana e começa— aí eu tranquei a faculdade, fechei as lojas e falei, cara, o que que eu vou fazer, né? E aí esse período de instabilidade, o meu irmão, ele fez vestibular, né?

Passou, é cabeçudo, passou IME, ITA, Escola Naval, passou para os três. Aí começou o ITA e começou, fez, optou pela carreira militar. E aquilo ali me inspirou, né, aquele de continuar e estudar, né. Mas sabe como é que é, quando a gente começa a estudar, meu irmão, tu fica mais perdido que cego em tiroteio. E aí até que em 2, depois, isso foi em 2002, 2004, 2005, eu fiquei devendo um período da faculdade. Aí a faculdade mandou uma carta falando, cara, você vai ter 80% de desconto para você voltar na sua bolsa e no seu débito, mas você vai ter que estudar à tarde.

Caralho, como é que eu vou trabalhar e estudar à tarde, né? Aí contei com ajuda da família, todo mundo se cotizou um pouco para pagar esses 80%, esses 20%, né? E voltei à faculdade. E aí na faculdade eu já tava já no 6º período, comecei a a me dedicar mais no concurso. E durante a faculdade eu fiz o concurso para inspetor penitenciário, 2006. Aí fiquei um pouco mal colocado, mas dentro das, dentro da, aprovado, mas não dentro das vagas.

E aí, cara, quando foi 2008, já tava acabando a faculdade, foi, foi engraçado e foi hilário, né, que abriu concurso de delegado de Minas Eu fui, comecei a estudar, e era um período grande, né, do edital até a prova, era cerca de 4 meses assim. Aí eu falei, ah, cara, agora que eu vou estudar. Já tava, já tava no 8º, 9º período da faculdade. E aí eu fiz a primeira fase, passei. Quando eu passei na primeira fase de Minas, a escola penitenciária me chamou para fazer o teste físico de inspetor penitenciário.

Aí eu, porra, beleza, cara. Ainda engraçado que eu lembro como se fosse hoje, recebi um um telefonema. Naquela época era telefonema, né, não tinha internet, ainda não tava muito do jeito que tá hoje. Ah, o senhor tem interesse no concurso, prosseguir no concurso? Pô, meu irmão, na época eu ganhava R$1.836, equivalia a 6 salários mínimos. Pô, eu falei, cara, graças ao bom Deus, né, que tava mais duro que o coco. Falei, claro, claro que eu tenho interesse sim.

Aí fiz o teste físico, né, fiz psicotécnico, fiquei pronto para começar a escola de gestão penitenciária. E aí fiz a segunda fase de Minas, passei, né, de delegado, como delegado. E eu lembro que quando foi para fazer a matrícula no curso de formação de inspetor penitenciário, foi no dia da prova oral de Minas Gerais, delegado. Eu tinha que optar, ou eu ia para fazer a matrícula e começar o curso de formação e garantir aquele salário ali, ou eu ia para Minas.

Tentar passar na prova oral. Pô, aquilo dali foi uma decisão bem difícil, mas eu falei, ah, eu quero ser delegado, sempre quis ser, fiz, tô fazendo faculdade para isso e vou abrir mão. Aí fui abrir mão desse concurso, né, e fui fazer a prova oral de delegado de Minas. Aí quando cheguei, fiz a prova de delegado de Minas oral, passei. Falei, porra, graças a Deus, cara, ser delegado, já tinha me formado. Já tava já no meio de 2009 para 2010.

Falei, agora sou delegado, tranquilo, porra. E me deu um alívio danado. Aí eu comecei a me preparar para uma fase que não deveria me preparar tanto, me preocupar tanto, né, que é a fase do psicotécnico. Já tinha feito psicotécnico do concurso anterior de inspetor penitenciário. Aí comecei a me preparar, me preocupar, e tinha em Minas uma especificidade que era o teste, um teste de personalidade chamado PMK, que era um teste que você fica com os olhos vendados, faz diversos círculos, etc.

E eu comecei a me preocupar com aquilo dali. Falei, cara, porque todo mundo fala, não, esse teste reprova muito, é mais de 60% de reprovação, etc. Procurei um amigo para a gente treinar junto, e eu tinha alguns parâmetros assim da cabeça dele. Falou, ah, se você não fizer isso, você vai ser reprovado. Se você não fizer isso, você vai ser reprovado. E fui fazer a prova. Aí quando eu cheguei na prova, calhou de eu fazer uma coisa que esse amigo falou que tinha que, senão que não fazia para ser reprovado.

Eu me preocupei, falei, cara, putz, fui reprovado. Aí me desesperei, falei para psicóloga, eu preciso desse emprego, eu tô, eu tô precisando e tal, não sei o quê. Não, fica tranquilo e tal. Aí encanetou no laudo, falou que ela não tinha não tinha capacidade para ser delegado, etc. e tal. Eu falei, porra, fiquei chateado, óbvio, né? Um dia eu era delegado, outro dia não era. Aí eu falei, peguei, fui em outros profissionais, peguei um laudo, né, para entrar na justiça.

E conversando muito com a minha família, eu falei, pô, eu vou ser delegado pela porra da frente, né? Porque não adianta eu entrar com mandado de segurança, com uma liminar, exercer a faculdade, exercer o cargo por 5, 10 anos, e uma liminar cai e eu tenho que voltar tudo de novo. Falei, não, vou continuar estudando e vou fazer, vou ser delegado no meu estado.

RDRafa de Martins

Qual o nome desse teste?

JFJefferson Ferreira

PMK. Foi até proibido pelo, um tempo foi proibido pelo Conselho Regional de Psicologia. Posteriormente, né, a prova ficou proibido porque, enfim, não provava nada, né.

RDRafa de Martins

Eu vou te falar uma parada, irmão, assim, desculpa, Pô, a gente tá diante aqui de um pô, de um puta delegado, entendeu? Mas realmente eu acho que os delegados de Minas devem ser muito foda, né, irmão? Graças a Deus, agora não sou aqui, pô. É um teste físico, tu tem que saltar pra caralho, porque o anão não conseguiu saltar, ele me limou o anão. Anão não conseguiu saltar 1,20m lá, ele me limou o anão. Aí botaram isso aqui, não, anão não pode, não tem capacidade.

Esse negócio aqui em Minas são foda, pô. E agora tem um PP caro. Porra, meu irmão, tipo assim, porra, os cara perderam um puta de um delegado por causa dos testes.

JFJefferson Ferreira

Tu não, pô, é bom que eu tô aqui no Rio, né?

RDRafa de Martins

O Rio ganhou, alguém tá bem, pô, a gente não tem essas porra.

JFJefferson Ferreira

Aí, mas meu irmão, eu nessa época eu morava em Madureira, cara, pegava o, tava com dificuldade financeira, né? Nunca passei necessidade, etc., nada disso. Mas também não tinha, ela tinha para o básico.

RDRafa de Martins

Mas como é que tu lidou com o teu coração? Porque no final das contas ficou reprovado no PMK, não foi no outro concurso, não foi no outro concurso, tinha nada.

JFJefferson Ferreira

Então eu lembro que quando saiu o resultado, cara, no outro dia eu fui para o cursinho preparatório, que o cursinho preparatório era na Candelária presencial. Eu continuei fazendo curso porque eu queria ser delegado aqui no Rio. E aí me deu, e é de trem, né? Eu morava ali, não sabe onde, a UPA do Campinho hoje em dia. Na praça ali, ó, na UPA de Campinho. Saía da UPA de Campinho a pé até a estação de Madureira. A estação de Madureira eu pegava o rápido, que era ramal Japeri, saía na central.

Da central, para não gastar o dinheiro da passagem, eu ia da central a Candelária a pé com mochila. Porra, dava para fazer, porra! Aí no dia, cara, dentro do vagão com tom louvor, cheio para caramba, parecia uma sardinha em lata o trem. E era assim um louvor motivacional, sabe? Aí eu falei, porra, mas doeu, foi difícil trabalhar a cabeça e tal. Falei, não, vou passar. Aí fui, fui continuando estudando, saiu concurso de 2009. Isso.

E pô, na prova objetiva fiquei em 8º, 7º lugar, 8º a 7ª maior nota. Falei, pô, graças a Deus, era para ser delegado aqui no Rio. Aí na discursiva tomei bomba. Falei, putz, né, então não é para ser delegado. Aí comecei a ver outras alternativas, né, que não a polícia, para poder ter uma renda. Aí fui residente jurídico da PGE. Na época era o segundo concurso, que você trabalhava 4 horas, ganhava 2 salários mínimos. Aí trabalhei na PGE por 6 meses.

Isso aí já me deu um levante, né, eu tinha um mínimo para estudar. Consegui assim encontrar nesse caminho pessoas boas, Uma procuradora que eu trabalhei, a Doutora Marina Matos, que ela, ela, eu falei, pô, eu tenho que arrumar um tempo estudar, se eu trabalhar na metade da tarde, o estudo fica quebrado, né? Aí eu falei, pô, Doutora, eu tô estudando para concurso, e ela tinha acabado de passar também, a procuradora, eu vou cumprir meu horário, mas eu tenho como chegar aqui 6 horas da tarde para trabalhar de 6 às 10 da noite?

Aí ela, não tem, não tem problema não, porque eu chego aqui também tarde, e aí é bom que você, a gente já se encontra. Eu falei, graças a Deus! Eu cheguei na biblioteca 7:30, da manhã, que ela não abria, esperava abrir, abrir às 8 horas ali na biblioteca antiga no Mendes Cortes. Estudava de 8 até às 6, 8 da manhã às 6 da tarde. De 6 da tarde eu trabalhava, depois pegava o 260 e voltava para Madureira. E aí saiu o concurso da Defensoria Pública, é analista, o primeiro concurso do quadro de apoio da Defensoria Pública, foi em 2010.

RDRafa de Martins

Estava para delegado, estudava para delegado.

JFJefferson Ferreira

Mas já tava um pouco desanimado por conta dessas, dessas, entre aspas, decepções, né? E aí comecei a abrir assim, falei, ah, vou estudar para o concurso jurídico, né? E vou fazer o quadro de apoio. Não queria fazer para inspetor, para oficial de cartório, porque eu sabia que se eu entrasse na polícia eu ia gostar muito da atividade e acabar me distanciando do meu objetivo, que era ser delegado. Então eu preferi ir para um órgão que eu não tinha, não almejava uma carreira, Para que dali me dá mais um combustível para continuar estudando.

Embora assim saiu o concurso de oficial de cartório, de inspetor, eu quase me inscrevi. Falei, não, não, vou segurar, porque eu sabia que eu ia amar a carreira e ia ficar.

RDRafa de Martins

Não nenhum demérito, né, óbvio que não, mas eu tinha um risco de você se acomodar.

JFJefferson Ferreira

Sim, sim, um risco alto. E aí eu fui, fiz o concurso de analista, hoje analista processual, antigamente era técnico superior jurídico. Consegui passar, foi um concurso difícil, foi 400 vagas iniciais, né, foi o primeiro, só passaram 230 pessoas e eu consegui passar em 7º lugar. E lá a classificação no concurso escolhia onde trabalhava. Aí eu consegui um local perto da minha residência e comecei a trabalhar lá no núcleo de apoio ao primeiro atendimento.

Até a defensora que eu trabalhei foi procuradora, foi defensora-geral, Doutora Patrícia. E assim, foi um aprendizado muito grande ali atendendo pessoas, né, os assistidos. Era um núcleo cível. Isso aí me deu um know-how muito grande no direito civil, que me ajudou na prova de delegado, né, que cai também direito civil. E um aprendizado muito grande. Então, e o salário é um pouco melhor, né. Hoje ganha, hoje até teve um aumento bom que equiparou ao quadro de apoio do Ministério Público, mas na minha época era um pouco mais defasado, mas era bem mais do que eu ganhava na PGE.

E que dali me ajudou a retornar para o lugar onde eu morava, que é onde eu moro hoje. Meu irmão também conseguiu se formar no ITA, né, foi oficial da Aeronáutica, hoje é perito da Polícia Federal. Então assim, concurso, o estudo mudou a nossa vida.

?Voz A

Maneiro, cara.

RDRafa de Martins

E aí veio o concurso de 2012.

JFJefferson Ferreira

Concurso de 2012, engraçado que Eu já tava na Defensoria, né, já tinha uma estabilidade, um cargo, continuar estudando. E durante essas decepções eu falei, cara, delegado eu acho que não é para mim não, cara, porque eu acho que Deus tá tirando isso do meu caminho. E abriu a inscrição, tinha que pagar no banco, né? Aí eu falei, pô, não vou escrever não. Aí deixei passar, deixei passar, pensando, comecei a me inscrever em concurso de promotor.

Magistratura, conseguia, já passava na primeira, na segunda fase, já tava indo para prova específica, né? E já tava minha vida tendenciando a um outro cargo, embora nunca, nunca deixei de pensar quando passava esses, os colegas, né, mais antigos dando entrevista, aquilo dali me motivava, algo assim é inexplicável. E aí eu falei, ah, não vou me inscrever não. Aí eu conversando com a minha mãe, eu lembro como se fosse hoje, ela falou assim, ah, se inscreve, dá chance ao destino, né?

Aí no último dia da inscrição, 3:30 da tarde, tinha um Itaú na época no fórum. Fui lá e paguei a inscrição, fiz e passei nas fases, e hoje tô aqui.

?Voz A

E aí, como é que é a primeira lotação? Eu lembro quando a gente, nós aqui, nós três nos formamos, era um universo completamente novo para mim, para o Rafa também, para você. Só que o universo novo para o tira é um e o universo novo para o delegado é outro, porque é você que decidia. Os delegados, é comum, acho que é quase uma regra que os delegados recém-formados sejam lotados em centrais flagrantes. Central de flagrante decide sobre prisão e liberdade.

É o primeiro, vamos assim chamar, juiz. É o cara, aquele cara vai atravessar para o sistema e, pô, é muita responsabilidade. E você novo na carreira, onde foi tua primeira lotação e quais foram os primeiros desafios?

JFJefferson Ferreira

É, isso aí foi, foi bastante curioso, né? Porque durante a Acadepol mesmo, eu lembro que os colegas sempre conhecia um, conhecia outro. Eu não conhecia ninguém, como eu falei, na minha família não tinha policiais, não conhecia ninguém. Fui para Acadepol sem saber o que, como é que era atividade em si, né? E aí fui prestando bastante atenção nas aulas, etc. E aí a gente se formou e a lotação, minha lotação foi na 66 DP, Piabetá, Baixada.

Eu lembro que tinha opção para botar ordem de preferência, né? Eu botei capital, botei interior, e a última opção Baixada Fluminense. Aí fui contemplado com a última opção, Baixada Fluminense. É, Piabetá, meu primeiro titular foi o Dr. Antônio Silvino. Acho que até já veio aqui. Já veio aqui, é. Porra, escola, escola, realmente. Um cara que aprendi muito com ele, embora pouco tempo, né, que eu trabalhei. Trabalhei lá por 4 meses, né?

O primeiro plantão a gente nunca esquece, né? Domingo de sol, era janeiro, não, é dezembro, final de dezembro, 29 de dezembro de 2013, meu primeiro plantão. Cheguei lá domingo de terno, gravata, na liturgia do cargo, os policiais me olhando assim. Aí fiz a reunião com os policiais, eram 4 na equipe, mais 5 na equipe. E a gente começou a trabalhar. Lembro que minha primeira ocorrência, cara, foi uma remoção de cadáver, uma morte natural na via pública.

Aí eu, porra, cara, e agora? Aí, doutor, chegou uma morte natural via pública, vou local. Aí, cara, os plantonetes começaram a me olhar, você vai local? É, vou local. Como é que eu vou saber se é homicídio, não é? Aí a gente foi ao local, um calor de quase 50 graus em Cuiabá, de terno e gravata. Eu cheguei, o policial militar ficou olhando assim assim, falou, será que eu fiz alguma coisa? Eu não sei, né? O delegado de terno e gravata, um policial aqui para ver uma morte natural.

Mas assim, é normal, né, no começo da carreira. Aí tinha uns familiares lá, eu falei, não, vou levar todo mundo para ser ouvido. Ele veio umas 10 pessoas para ser ouvido. Aí imagina como é que o polícia gostou, né? Aí, meu irmão, foi Só que na 66 a gente não demorei muito, era uma central mais tranquila, né? Pegava área de Magé, Iguapimirim só. A 62, que era mais pesada, que pegava a área do centro de Caxias até Embariê. E eu demorei um pouco para fazer meu primeiro flagrante, uns 2 ou 3 plantões.

E era bem tranquilo lá, bem tranquilo. O único é distância, né? Depois eu morava na Barra nessa época. E aí, da Barra para Piabetá, só de pedágio eu gastava um dinheiro, que era o pedágio da Linha Amarela, pedágio da Rio Teresópolis, ou ia disputando pista em Barieira. Só que acabou a Central, por ser tão tranquila. Central acabou e foi para 61DP, onde eu encontrei essa vida aqui lá.

RDRafa de Martins

E aí você foi para 61?

JFJefferson Ferreira

Fui para 61. Todos os plantonistas da 66, exceto um colega que foi para 62, que a 62 de pesada ficou tranquilo porque pegou a área de Magé, e a 61 de muito tranquila virou central da 59 da 60.

RDRafa de Martins

A 61 é qual?

?Voz A

Xerém.

RDRafa de Martins

Virou central de flagrante mesmo?

JFJefferson Ferreira

Central de flagrante. Trabalhei lá um ano mais ou menos, é um ano e meio, cerca de um ano e meio, até o meio de 2015.

?Voz A

E Xerém era mega tranquilo assim, era 2 R.O.s por dia. Bombando 4 R$ por dia. Um belo dia o chefe chegou e falou, ó, a partir da semana que vem, teu próximo plantão já vai ser central de flagrante. Estão chegando os delegados novos aí. Eu falei, como assim central de flagrante? Central de flagrante, tu vai vir tudo para cá. Ele vai conseguir contar na história de que área.

JFJefferson Ferreira

Então aí virou a área da 59, da 60, centro de Caxias e Campos Elíseos, e a área da 61.

RDRafa de Martins

Então teve tudo para Xerém.

JFJefferson Ferreira

O PM, o policial militar fazia um flagrante no centro de Caxias, tinha que levar para Xerém Xerém para apreciação da autoridade, aí determinar o laudo prévio, voltar para o centro de Caxias para fazer o exame prévio, para voltar para Xerém para acabar.

RDRafa de Martins

Essa logística aí foi mal pensada para caramba, bicho.

JFJefferson Ferreira

Assim, é porque pensou num eixo só, né? Pegar o eixo da Washington Luiz direto ao invés de subir para 66 ou para 62. Ele pegava um eixo só, uma reta só, e apresentava.

RDRafa de Martins

Mas melhor era pegar a central onde teria mais crimes. No caso, pega essas 3 delegacias.

JFJefferson Ferreira

Pô, pensou o seguinte, como a 61 não tinha muita ocorrência, era mais fácil de absorver os flagrantes. A 62 e a 66 tinha muita ocorrência, então tinha que fazer as ocorrências e os flagrantes. Pensou-se isso, só que os colegas que estavam na 61 não estavam acostumados com flagrante porque era só o registro de ocorrência. Então, na verdade, a gente tava acostumado com muito pouca coisa, porque era um registro, dois registros, né, por plantão.

Quando chegou a central, até a estrutura mesmo de Xerém não aguentava a quantidade de viatura, de movimentação, né. Mas foi uma decisão na época da chefia e a gente foi para lá. Até o sistema era muito ruim, né, era bem precário.

RDRafa de Martins

Se desfazia ocorrência de mordida de cobra. E aí mudou tudo.

?Voz A

É, não, tinha furto de galinha, Tinha muito problema doméstico lá na 61, muito, muito problema doméstico até a chegada lá. Só que era papel, cara, era muito papel, não tinha nada digital. Tinha o sistema, sempre foi digital, sistema da Polícia Civil, o SCO, um dos melhores do Brasil, se não for o melhor. Mas a gente ainda tinha que imprimir tudo. Então tu tinha que fazer um kit para justiça, um kit para o Ministério Público, um kit para Defensoria, o kit que era o procedimento principal.

Era muito papel. Então, bom, cara, a gente chegou, não tinha o Gustavo Piraçó, que era da equipe do Doutor Jefferson, Cheguei de manhã no plantão dele, foi o primeiro esporrão que eu tomei dele. Bom, o moleque tava tonto e tava no meio de um ninho, literalmente era um ninho.

JFJefferson Ferreira

Então foi histórico, era um ninho.

?Voz A

Eu não era da equipe. Qual era o tradicional? Eu chegava, tomava meu café, depois que ele passava o plantão eu começava a trabalhar. Ele falou, você tá de bobeira, chega aqui para ajudar. Eu sou da outra equipe, eu não te perguntei qual é a equipe, cara. Olha, tá vendo que eu tô passando por um problema? Nesse nível, porque a delegacia da noite para o dia virou um inferno, um inferno, porque era muita ocorrência que a delegacia não tava acostumada a receber.

JFJefferson Ferreira

Porque foi, foi o seguinte, ele quando começou a central, eu fui o terceiro plantão, ou segundo, não lembro, foi o terceiro. Foi um colega, foi o Thiago Picorelli, que hoje é promotor, né, de justiça em outro estado. Primeiro plantão, ele botou no grupo lá, pô, aqui é muito tranquilo, cara. Um dia não teve muito flagrante, só teve ocorrência da área Que a ocorrência da área era muito pouca, muito tranquila, pô, graças a Deus. Aí foi o Marcelo Carregosa, pô, aqui é muito tranquilo, cara, foi tranquilo, não teve ocorrência nenhuma.

Falei, pô, me dei bem, cara. Quando eu cheguei no meu plantão, pô, tiveram acho que 9 flagrantes. E o flagrante não era igual agora, eletrônico, né? Tinha que imprimir, como o Romulo falou, tinha que imprimir kit e tal. Eu fiquei, eu lembro, eu fiquei 40 minutos contados no relógio só assinando peça. Foram 9 flagrantes, mas flagrante complicado, com maior, com menor, com droga, com baleado no hospital, com uma criança chorando sem mãe para pegar, que a mãe foi presa.

Uma confusão danada. Então a gente não dormiu, por óbvio. E teve um auto de resistência que eu, que na época a gente tinha uma, um regramento, ainda tem, né, para autoridade comparecer ao local. E aí quando o Rômulo chegou, 8 horas, eu tava já, eu tava no 7º flagrante, ainda 12, sem dormir, sem dormir. Do dia anterior, no dia anterior. Saí desse plantão 4 horas da tarde do outro dia.

?Voz A

E era, seria o meu primeiro plantão, nunca tinha feito flagrante.

JFJefferson Ferreira

Foi exatamente. E você e ninguém ali, né? Porque todo mundo era novo, a maioria era novo. E os cascudos nunca fizeram flagrante nos moldes que era a época, né? Que era o Vitor Hugo, tinha aquele, um mais, o Miro, né? Miro, Vitor Hugo e o Tony.

?Voz A

Tony tinha aquele Paraguaçu também, Paraguaçu.

JFJefferson Ferreira

Mas o Paraguaçu não era no meu plantão não. Meu plantão era o Geraldo, meu plantão era Gustavo, Gustavo Piraçol, o Tony, pô, que é meu amigo até hoje, e o Vitor Hugo. E só que o Vitor Hugo precisou sair, aí trocou o plantão com o Austin, foi. E aí foi o que salvou.

RDRafa de Martins

E você lembra qual foi o flagrante mais difícil que você teve que apreciar?

JFJefferson Ferreira

Cara, tiveram vários. Mas o mais difícil, cara, foi um que assim, pela decisão, foi um que eu tava jantando lá na 61, tava jantando, aí o policial me ligou, falou que um filho de um policial militar achou a arma do policial militar escondida na estante, na estante, né? E pegou a arma e brincando com amiguinho deu um tiro no peito do amigo de 14 anos. Um tinha, o autor tinha 14 e a vítima 15. Aí tava mal no hospital a vítima, né?

E a policial, e a polícia, o policial militar conduziu o policial militar pai e o filho, né, com arma de fogo. Aí eu tinha que decidir pelo ato infracional do garoto, né, de 14 anos, que já tava muito abalado por ter feito isso com um amigo. E da omissão, uma possível omissão de cautela do policial, né, de não ter guardado a arma num local inacessível para aquele garoto. E ele, de posse da arma, atirou. Ele foi assim, ele realmente parecia naquela ocasião que ele tinha realmente se omitido na cautela necessária à arma de fogo.

E aí eu falei, o policial militar já era, já tinha quase, quase 60 anos de idade. Aí quando começou a me narrar a história, eu falei, pô, acho que ele omitiu mesmo, teve uma omissão de cautela. E o menino também, uma tentativa, né, de homicídio ali. E eu falei, pô, vou botar na carceragem ou não? Aí falei, falei para o policial, falei, ó, você fica aí com seu filho e tal. Só entro na delegacia para apresentar ocorrência, nunca entrei como autor e tal.

Foi uma decisão difícil, mas entendendo melhor os fatos, compareci ao local, requisitei perícia, e entendendo melhor os fatos, vi que realmente não foi, não teve essa omissão de cautela, e a vítima conseguiu se recuperar. E fiz um termo, né, para o garoto de responsabilidade para o pai, para ele continuar na, para ele responder em liberdade. Mas foi, foi uma situação difícil porque você fica pensando, você que tá cansado, né? Isso aí, outras ocorrências chegando, outros flagrantes chegando um em cima do outro. É uma situação dramática, foi dramático, foi bem complicado.

?Voz A

Dificuldade do Jefferson lá em Xerém é o seguinte: a delegacia fica colada numa espécie de serra, né? Então pega muita umidade nos alojamentos. Tinha paredes, por mais que a delegacia reformasse, tava sempre com mofo. Ele tem rinite, mano. Caraca, acho que era o maior desafio, você não é não, Jefferson?

JFJefferson Ferreira

Eu tive que— eu não consegui dormir no quarto, no alojamento. Aí botei o colchão em cima da mesa do adjunto Tirei os papéis, botei o colchão em cima da mesa e dormi em cima da mesa. Eu tava mais leve naquela época, né, para mesa não cair. Aí dormi, descansei um pouco em cima da mesa, mas, meu irmão, não tinha como descansar muito naquele plantão ali não.

?Voz A

Eu posso contar a história de como conheceu o Jefferson?

RDRafa de Martins

A gente, deixa eu pensar, deixa eu pensar.

?Voz A

Eu trabalhava na 61 já com o Doutor Carregosa. Só que o plantão do Doutor Carregosa era um plantão sempre muito pesado. Eu achava que era energia do senhor, doutor. Desculpa, Doutor Carregosa. Doutor Carregosa era Doutor Carregado, né? Plantão pesadão. Aí tinha umas outras circunstâncias lá que não cabe aqui. Aí eu trocando ideia com o Doutor Jefferson, que era o meu plantão fantasma, né? Que é aquele plantão que fica no meio entre um plantão.

Aí eu tirava um plantão, tinha um plantão após o meu, o dele, outro plantão e depois o meu de novo. Então marcava raiz sempre no plantão do Jefferson. Eu falei, pô, doutor, meu plantão tá pesadão, não sei o quê e tal, pô, tem várias circunstâncias lá, não sei o quê, acho que um ajuste na equipe. Não, cara, se quiser vir para cá também, aqui, pô, tem um policial que não tá satisfeito aqui, a gente faz a troca, o policial vai para lá, você vem para cá, mas fala com o chefe.

Fui, falei com o chefe, o chefe falou, se os delegados entrarem em concordância sobre isso o Jefferson Carregosa. Eles eram amigos, concordaram. Falei, pô, meu irmão, pô, vou me dar bem, vou trabalhar com o cara. O cara, pô, não que o Doutor Carregosa, Doutor Carregosa é meu amigo até hoje, foi, pô, parceiro, irmão, pô, vou trabalhar com Jefferson agora, pô, vou ser o chefe de SI do Jefferson.

RDRafa de Martins

É uma gente, vai montar uma equipe, vamos revolucionar o Rio de Janeiro.

?Voz A

Fui para casa, dia amanheceu, peguei a minha mochila, eu vou logo tomar um café da manhã com meu chefe novo, com meu delegado, meu futuro titular. Cheguei, ele, o Doutor, entra aí, entra aí. Falei, aí, ó, já vai me chamar para a gente falar como é que vai ser a equipe. Fecha a porta aí. Não quer que ninguém saiba, sou o cara de confiança do cara. É o seguinte, tu veio para o meu plantão porque você quis, a gente conversou, tu lembra disso?

A gente conversou, você quis vir para o plantão. E é o seguinte, se você tiver algum, alguma circunstância na sua família e você precisar chegar atrasado, eu sou capaz de compreender isso. Se você precisar sair cedo por causa de prova na faculdade, depois voltar pro plantão, seu horário de jantar e tal, eu vou compreender isso. É o que se assemelha a uma irregularidade. Isso aí eu sou capaz de tolerar. Agora, ilegalidade, se tu se meter numa sacanagem no meu plantão, eu vou te prender.

JFJefferson Ferreira

Eu falei, cara, o tratado não sai caro, né?

?Voz A

Caraca, doutor, essa hora da manhã, pô, Eu posso tomar café antes? Eu posso primeiro tomar café? E foi assim que eu comecei a trabalhar com Jefferson.

JFJefferson Ferreira

É, cara, porque é assim, como falei, eu vim do comércio, né? Meu pai era o dono. Então essa coisa de gerir, né, da equipe, etc., acabou que foi incorporando na minha personalidade, né? Então eu sempre gostei assim de, meu irmão, eu acho que o jogo tem que ser jogado E as regras do jogo tem que ser antes do jogo, meu irmão. É assim, assim, dá para trabalhar assim, dá. Então sempre gostei de ser claro, né?

RDRafa de Martins

Eu não sabia que ia traumatizar o garoto, mas o cara faz 13 anos, ele nunca esqueceu dessas palavras.

?Voz A

Voltei para casa, meu irmão, falei para minha mulher, dormi em posição fetal aquela noite. Delegado não confia em mim.

JFJefferson Ferreira

Pô, cheguei para minha primeira equipe, tinha colegas lá que tinham tempo de polícia o que eu tinha de idade. Então foi o que eu falei na minha primeira reunião. Eu falei, olha, eu tô aqui, a gente é igual, entendeu? Vocês são pais de família, eu também sou. Na época eu não tinha filho, mas a única diferença entre mim e vocês é que eu tenho um pouquinho mais de conhecimento jurídico. Às vezes tem alguém aqui com conhecimento jurídico maior do que o meu, não tem problema, só que eu tô nesse cargo.

Então Eu acho que a gente tem que um ajudar o outro, né? Então às vezes tem um colega que precisa chegar um pouco mais tarde, mas vai sair um pouco mais tarde também, vai render um plantão. Isso não tem— a nossa rotina já é tão pesada, né? A gente já tem tanto problema. Se a gente ficar nesse negocinho, o trabalho não vai render. Então sempre procurei escutar os mais velhos. Acho que isso aí é importantíssimo, né? Hoje eu tô nessa posição graças a muitos conselhos, né, de mais velhos que que sempre ali me aconselharam, né?

Esse, por exemplo, Tony, como esse primeiro auto de resistência que a gente foi fazer lá na favela do Vai Quem Quer, lá em Caxias. Eu, pô, a PM já estava, só que a gente tinha que subir, a gente e a perícia. Aí ele, eu lembro como se fosse hoje, doutor, olha só, se começar os disparos, primeira coisa que fazer é procurar um abrigo. A gente teve a Cadepol, teve tática, mas não tinha prática, né? É o meu, era minha primeira vez que eu ia a uma comunidade.

Então procura um abrigo antes de atirar, vê aonde você tá atirando, só atira no que vê, etc. e tal. São essas coisas que se você, ah, eu sou delegado, eu não preciso, você vai se ferrar, entendeu? Então a gente tem que sempre escutar e ser ali uma equipe para tentar trabalhar aquele ambiente ali para ser o melhor possível dentro daquelas 24 horas. Esse é a função do colega adjunto. Da delegada adjunta, e os policiais, por sua vez, também entender a forma que o delegado trabalha e ser uma equipe.

?Voz A

E a quase titularidade, né?

JFJefferson Ferreira

E Mendes, eu já era assistente da 60 DP, né? Eu, quando teve um remanejamento de centrais, aí o DGPB— eu sempre gostei de trabalhar, né? Conforme falei, sempre quis ser delegado. Então, pô, o Rômulo sabe Eu sempre li todos os termos de declarações, presidi os termos de declarações, presidi os APFs, ia no balcão, embora desgastasse muito fisicamente, mas sempre gostei da parte investigativa. Isso aí o diretor percebeu e me deu essa oportunidade, falou, pô, tem duas vagas, onde você quer ir?

Tem duas vagas de assistente, delegado assistente, né, que é o delegado que toca as investigações, não só aprecia aquelas ocorrências flagranciais. Uma tem em Nova Iguaçu e tem em Caxias, que é o Opus Elísios. Como Caxias era mais perto para mim, aí eu fui trabalhar em Caxias, que é o Opus Elísios, com o Dr. José de Ferreira Moraes. Até se aposentou na expulsória agora, 75 anos. Meu irmão, uma escola de polícia também. Aprendi muita, muita coisa mesmo com ele.

Era um delegado muito técnico. A equipe não era muito operacional, mas ele é muito técnico. Então não vinha um papel na mesa dele que ele não conseguisse dar um destino. E fui trabalhar lá com ele, aí me dedicando e tal. Ele, pô, você tem que pegar titularidade. Mas eu tinha 2 anos e meio de polícia. Não, surgiu uma vaga em Mendes, aí, 97 DP, eu vou te indicar. Caraca, entrei no sistema, tinham 8 policiais, o CIP era o chefe da delegacia.

E ocorrência também tinha muito pouco. Eu falei, porra, vi a distância, vi o dia que ia ficar. Falei, pô, quem eu vou chamar para chefiar para mim? Aí é o Rômulo. Falei, é o Rômulo, vou lá convidar o Rômulo. Aí era chovendo, cara, lembra, Rômulo? A gente, porra, tava lá, o Rômulo tava de plantão. Rômulo tá de plantão ali na meia-1? Ele tava na meia-1 ainda. Vou passar aí para te buscar. Aí fui com um golzinho lá da delegacia, porra, chovendo, quase enguiçando.

Busquei ele, falei, Romulo, surgiu uma oportunidade, pode ser que surja em Mendes, você quer ir? Ele, bora! Entre fazer flagrante e ser chefe, eu fui.

?Voz A

Fiz a mesma coisa que ele, fui no mapa. Aí é longe, Mendes, pô, meu irmão, longe demais, cara. E tinha, tinha toda uma proposta.

RDRafa de Martins

Para que lado, Mendes? Que é para o norte, para lá, para o lado de Vassouras.

JFJefferson Ferreira

Isso é Miguel Pereira, é meio que indo para o sul. Mas para cima, indo para cima, Serra Zarara, né?

RDRafa de Martins

Ali, né?

JFJefferson Ferreira

Você pega por dentro Paracambi, aí passa Paracambi e vai por dentro ali, sai Mendes.

?Voz A

Aí eu sabia que eu tinha feito a escolha certa, vou ser chefe com 2 anos de polícia.

JFJefferson Ferreira

Aí eu falei, ó, mas tu vai aprendendo um CIPE aí, que o chefe lá é CIPE também, cara, e faz expediente e tima e ouve. Aí, pô, meu irmão, começando a carreira cheio de vontade de trabalhar, Bem, dizer, parecia que era do lado da minha casa. E aí, mas acabou que não rolou, né? Não botaram outro colega lá, mas foi bom para adquirir experiência, né? E aí eu fui, eu continuei lá na 60, a gente fez uns trabalhos bons ali. Eu tinha acabado de chegar, a gente chama de Martinha, né, que é o 5033, alguns excedentes, né, do concurso de vocês.

Pessoal também, aí foi uma safra boa lá para Meia-Zeira. A gente conseguiu montar um cartório legal, tivemos algumas ocorrências boas, né? Uma, tive um homicídio lá que foi bem delicado. Como é que foi, cara? Esse homicídio começou com desaparecimento. Uma criança de 4 anos tinha, foi desaparecida. A história, pô, criança de 4 anos desaparecida, e a mãe e o pai foram na delegacia, né, porque na época, eu não sei se agora mudou, mas na época a DDPA não pegava a Baixada Fluminense.

Então os desaparecimentos ficava com a própria delegacia. A gente começou a investigar os desaparecimentos, comecei a ouvir a mãe, ouviu o padrasto, era um padrasto, morava mãe, padrasto e a criança lá na área da 60. Aí, pô, mas achei a história meio estranha, cara. Eu falei, pô, tá alguma coisa estranha, mas O policial que trabalhava comigo, que era cascudo novamente, né, falou, pô, doutor, essa história tá estranha. Aí eu também acho, cara, mas o que que você acha?

Ele, pô, não sei ainda. Aí foi uma manifestação na porta da delegacia, todo mundo com a camisa com a foto da criança, dizer que a criança sumiu, que a polícia não tava dando resposta e tal. E aí começou de fato a mãe receber mensagem, na época no Facebook, dizendo que a pessoa se passando pelo sequestrador da criança pedindo resgate. Ou seja, o caso ganhou notoriedade, as pessoas, os vagabundos viram isso uma janela de oportunidade, começou a pedir resgate na Cidade de Deus.

Eu lembro que a gente foi até a Cidade de Deus, na época tinha UPP e dava para a gente entrar aí à procura desses supostos sequestradores. E aí chegou uma denúncia, um diz que denúncia, dizendo que quem tinha tinha matado a criança era o padrasto, que tinha ido à delegacia relatar o desaparecimento. Aí a gente começou a depurar essa informação, né? Aí esse cascudo falou, doutor, vamos fazer o seguinte, vamos pedir uma perícia de local na casa da família, porque a gente tem que entender como é que foi esse desaparecimento, se tem cama, se não tem e tal.

Cara, quando chegou, eu lembro que eu tava em casa indo para delegacia. Eles foram lá de manhã, esse policial cascudo mais dois. Aí ele: Doutor, chama, tem como chamar os bombeiros com cachorro para a gente procurar aqui? Eu falei: Pô. Aí comecei a fazer contato com um, com outro, tal, não sei o quê. Conseguiu o bombeiro com cachorro. Quando chegou lá, ele me ligou. Eu cheguei na delegacia, ele atendeu: Doutor, pode chamar a remoção que a gente achou o corpo, tava no quintal da casa.

O que aconteceu? O padrasto viciado em droga, a mãe também, eles queriam fazer relação sexual, a criança não dormia, não dormia de jeito nenhum. Aí ele começou a esganar a criança, esganou tanto que a criança morreu. Eles foram, pegaram ele e a mãe, né, a mãe, a própria mãe da criança, jogaram o corpo pelo muro, né, no quintal. O muro, o corpo caiu no quintal. Eles abriram um buraco, já tinha uma cisterna, uma coisa, jogaram o corpo da criança lá, enterraram o corpo da criança.

Aí quando o cachorro foi lá, achou o corpo, cara. Meu irmão começou a juntar gente. Eu fui ao local, né, cheguei lá no local, ele já tava preso na viatura, mas começou a juntar gente para poder lixar o cara. Uma confusão danada. Aí conseguimos levar ele para delegacia. Aí chegou na delegacia, o flagrante de homicídio já tinha passado, né, já tinha passado mais de quase uma semana do fato. Aí eu falei, eu vou ao plantão judiciário representar pela temporária dele, e esse cara não vai sair pela porta da frente nem que me pague, né.

Tudo bem que ocultação do cadáver é um crime permanente e tal, mas eu queria prender ele no homicídio. E comecei a ouvir testemunhas nesse sentido, os vizinhos falando que a relação era conturbada, que vi eles brigando muito tempo, tal, não sei o quê, não sei o que lá. E comecei a trabalhar ele no sentido de entrar na mente dele e tal, não sei o quê. Ele confessou, ele descreveu exatamente isso, que foi para o baile do lixão. Quando voltou do baile do lixão, usou muita droga, cocaína.

Chegou na cocaína, foi fazer relação sexual com a mãe. A criança não dormia de jeito nenhum, que ele esperava a criança dormir para fazer relação, e a mãe não queria fazer com a criança acordada. E aí eles ganhou a criança, eles ganhou a criança, criança morreu, e a mãe ajudou. Aí fui ao plantão, na época tinha que ir lá no centro, né, sair de Caxias.

RDRafa de Martins

Aí isso era quase 1 hora da manhã, no centro da cidade, era um TJ.

JFJefferson Ferreira

Eu saí de Campos Elíseos, fui ao TJ 1 hora da manhã, eu e o policial, levar o inquérito, que o inquérito era físico, para o plantão protocolar, para esperar para despachar com juiz, para poder pegar essa temporária. Eu lembro que o Moraes falou, não, tu não vai conseguir, cara, já não tem mais flagrante, o cara já tá aqui, vai ter que sofrer. Eu vou conseguir, eu vou conseguir, eu vou falar com o juiz, eu vou conseguir. Aí ele, cara, não vai conseguir, faz o teu trabalho e tal.

Eu falei, cara, mas o meu trabalho é não deixar esse cara sair pela porta da frente aqui. Não porque eu tava ligando se alguém ia matar ele ou não, eu não sei o que acontecia. Mas pela justiça, né, pela justiça daquele caso. Aí fui ao plantão, cheguei lá, fiquei esperando, pedi para falar com um juiz ou com promotor. Falei com promotor, ele opinou favoravelmente. Fui falar com o juiz. Aí o juiz só viu a gente, basicamente só tinha a confissão dele, né.

Aí o juiz ficou meio assim. Eu falei: Excelência, olha esse vídeo aqui. Aí mostrei o vídeo da porta da delegacia com mais de 100 pessoas querendo linchar ele. Se a gente soltar esse cara, ele vai morrer. Eu vim aqui, fiz o meu trabalho. Aí o juiz pensou, não, tudo bem, realmente é necessário. Aí deu a prisão. Pô, foi satisfatório, que 5 horas foi meu primeiro caso assim de relevância de investigação mesmo, né, que a gente saiu de um desaparecimento para uma elucidação de autoria de homicídio. E aí ele foi condenado no júri e tá preso até hoje.

?Voz A

Excelente, Rafa. Deixa eu fazer umas menções aqui importantes. Primeiro, todos os nossos membros que estão acompanhando aí: Cris Barão, o Peter, o Odeimarinho, o Andrew tá aqui também com a gente, toda essa galera boa que tá sempre acompanhando o Fala Guerreiro ao vivo. Se eu esquecer alguém, daqui a pouco eu vou mencionar. Mas a gente teve, tem 3 delegados que já estiveram aqui no Fala Guerreiro. Vou começar pelo mais antigo, porque na antiguidade é posto, tá?

Doutor Márcio Braga. Ô César, pega esse, pega esse comentário do Doutor Márcio Braga, depois o Vitor, depois Victor Barbosa, e depois Vitor Becker, o homem da oratória.

JFJefferson Ferreira

É o homem da oratória, peguei umas dicas com ele antes de vir para cá.

?Voz A

Aí, ó, Márcio Braga: esse tem talento. Feliz em ter sido seu headhunter. Parabéns, amigo.

JFJefferson Ferreira

Ele só esqueceu de falar o que que é headhunter.

RDRafa de Martins

Caçador de talentos.

?Voz A

Caçador de talentos.

JFJefferson Ferreira

Foi meu titular.

?Voz A

Mostrando uma bela carreira. Grande abraço. Tô para fazer um episódio com o Dr. Márcio Braga aqui e o headhunter dele, que é o Dr. Ronaldo Oliveira, tá?

RDRafa de Martins

Oi?

?Voz A

Os outros, o outro, obrigado, Doutor Márcio Braga, ter participado aqui nos comentários. Em breve episódio do Doutor Márcio Braga aqui, Doutor Ronaldo Oliveira, ele e o headhunter dele, Victor Barbosa. Foi aula magna, delegado Victor Barbosa foi o primeiro delegado de polícia Polícia Civil a vir ao Fala Guerreiro recentemente. Pô, teve uma situação aí, acabou perdendo, acabou perdendo sua mãe, tava agendado aqui no Fala Guerreiro. Então assim, nossos sentimentos, né?

JFJefferson Ferreira

Excelente delegado.

?Voz A

E ó, tua caneca tá aqui guardada, tá? Existe uma caneca, daqui a pouco vou trazer, vou mostrar para vocês. Delegado titular da 106 DP Itaipava. Obrigado, doutor, sempre dando moral para o canal, seja aqui presencialmente, seja, pô, passando uns conselhos, dando dica de convidado. Obrigado, tenho o senhor como amigo, não amigo meu apenas, mas amigo do canal. E Doutor Vitor Becker, já teve aqui duas vezes, teve a primeira vez, veio sozinho ao estúdio, a outra foi com a Doutora Maria Luísa. Jeff é um absurdo, máquina de trabalho, profissional fora da curva demais.

JFJefferson Ferreira

Elogio de amigo não vale, né?

?Voz A

Tem outro, tem outro. Ele fez o mesmo concurso que você lá em Minas.

JFJefferson Ferreira

Não, não, foi depois.

?Voz A

Muita gente fina. Valeu, Doutor Vitor, estamos esperando o senhor aqui de novo. Mas esse episódio vai ser só para resenha, só para o meu irmão, só história fantasiosa e loucura, só o supra-sumo do Rio de Janeiro.

RDRafa de Martins

E depois da 60DP tu foste para onde, cara?

JFJefferson Ferreira

60DP eu tava investigando. A gente inaugurou, né, aonde é a 60 hoje. Eu, quando eu trabalhei, era 60, era antiga ainda, tradicional.

RDRafa de Martins

É tradicional, acho que a última tradicional, né?

JFJefferson Ferreira

É uma das últimas, cara. Era xixi, dividia a sala com morais, chovia, chovia dentro da delegacia.

RDRafa de Martins

Tinha dois colegas que foram para lá, meu irmão, que foi o Fernando Pedra e o Douglas.

JFJefferson Ferreira

Douglas, Douglas trabalhou aí.

RDRafa de Martins

E pô, meu irmão, os cara deram azar, cara, que todo eles não ganhava gratificação. Deve ser legal.

JFJefferson Ferreira

O sistema era de delegado, mas a estrutura não era delegacia legal, pô. E aí um colega do plantão, cara, da 59, foi a primeira, foi a primeira classe. E aí há uma liturgia na classe que o delegado de primeira não tira o plantão. E aí tinha que alocar ele em algum lugar, e como era mais próximo, assistência era 60, me trocou, fui permutado e fui para o plantão da 59 CPB. E a 59, que também era tradicional, que tinha acabado de virar legal ali perto do fórum, né, no centro de Caxias.

Meu irmão, pesadíssimo, pesado o plantão, porque não só os flagrantes, mas ocorrência para caramba, né, porque era o centro de Caxias, era fácil acesso do lado do fórum. E eu já tava acostumado, minha rotina expediente, né, de segunda a sexta, dormir em casa e voltei para o plantão, mas Tranquilo, era onde a administração queria que eu tivesse. E eu aprendi isso com um delegado também antigo, Doutor Aroldo, que se aposentou. Ele falou, lembra do Doutor Aroldo?

Ele falou, Jefferson, aprende um negócio: é melhor você tá onde a administração quer que você esteja do que onde você quer estar. Presta atenção. E é verdade, era lá. E eu fui fazer meu trabalho, cheguei lá, cara, era média, média, 6 flagrantes, média. E 80 ocorrências sem ocorrências online, ocorrências presenciais para 3 policiais, 4 policiais no plantão, 3 e meio, porque tinha um cascudo lá, um 74, entrou antes da Constituição, que mal sabia ligar o computador.

Mente boa, escola de polícia, mas tinha suas limitações ali de informática. E aí era bom de resenha, era bom de resenha. Botar foguense para resenha, era o melhor. Aí eu já cheguei, ele, autoridade, eu não faço flagrante, não, não faço flagrante. Eu falei, mas aqui é uma central de flagrante, como é que tu não vai fazer flagrante? Ele, não faço flagrante. Aí eu reuni todo mundo, falei, rapaziada, vamos fazer o seguinte, vocês dois ficam mais no flagrante e o colega fica mais no atendimento à população, tá bom assim para vocês?

Ah, tá bom, tá, não sei o quê. Aí a gente conseguiu, mesma conversa que eu tive com o Rômulo, eu tive com eles. Não sei se os colegas ficaram tão traumatizados.

?Voz A

Se fizer merda, falei, rapaz.

JFJefferson Ferreira

Bom, a gente tinha plantão, cara, que ficava, a pessoa ficava bastante tempo ali esperando porque a demanda era muito grande. Mas trabalhei, o primeiro titular foi a Doutora Juliana, depois foi a Doutora Raíssa, que uma titular exemplar, que hoje é diretora, né, do departamento. Aprendi muito também com ela, embora pouco tempo. E aí fiquei naquele plantão ali pesado, mas tirando meu plantão, presidindo os flagrantes, tentando investigar, né.

Eu lembro que chegou uma ocorrência lá que supostamente era uma receptação, um cara com um carro, 4 vagabundos com carro roubado, mas o carro tinha acabado de ser roubado assim, tipo um dia. Cara, esses cara roubaram esse carro, não era só receptação, né? E a pena do roubo é muito maior, né? Aí lembro que eu tinha o Scavini, lembra do Rodrigo Scavini? Pô, doutor, vamos fazer essa receptação, pelo amor de Deus, tem mais de 3. Falei, não, cara, não é possível, os cara roubaram esse carro, tem certeza.

Liga para vítima, liga para vítima do roubo, identifica o RO do roubo e liga para vítima do roubo, porque eu não vou soltar esses cara não. Porque cabia fiança, né? Aí eu falei, não, ainda que eu bote na associação criminosa, né, o 288, eu não tinha muitos elementos para ali. Aí a gente ligou para vítima, a vítima conseguiu o telefone da vítima, a vítima foi à delegacia, reconheceu os 3 como autor do roubo. Porra, aí eu fui, só que não, o roubo não estava mais em flagrante, né, estava na receptação.

Eu falei, cara, não tem problema, esses 3 aí, e vou ao plantão representar pela prisão. Aí saí, peguei a viatura, não era, não era procedimento eletrônico, era físico, né? Fiz o RO, fiz o auto de reconhecimento, termo de declaração, imprimi tudo, pegamos a viatura, fomos lá no centro da cidade, eu despachei com o juiz e saiu a prisão deles. Então sempre tentei dar o melhor, né, onde eu estivesse. E aí, só que eu queria fazer mais, eu queria fazer polícia mesmo, né?

Não que no plantão você não faz, mas é um trabalho, apreciação de ocorrências flagranciais. Eu queria evoluir na investigação. E aí surgiu uma oportunidade de eu ir para o plantão da DHBF, no JALC. E as DHs historicamente já eram conhecidas que o colega que estivesse no JALC, quando surgisse uma oportunidade para assistência, respeitava-se aí a antiguidade. Então eu sabia que se eu trabalhasse legal eu ia para o GI da DHBF. Para mim já tava ótimo.

E troquei com um colega, o colega que até se aposentou, Ivan. Ele já tava enjoado de DH porque DH não tinha rotina, né? Você sai na viatura e não sabe a hora que volta. Ele queria mais uma rotina e falou, pô, tem interesse? Aí eu falei. Aí perguntou no grupo da turma, quem tem interesse de vir para o JALC da DHBF? Eu que eu fui o único doido, né? Não, eu tenho. Aí ele foi, eu troquei com ele, fui, pô, melhor, melhor, a opção mais acertada que eu fiz durante esses 13 anos como delegado, porque ali que começou o trabalho investigativo, né?

Pô, porque o JALCO da DHBF, a gente chegou hoje em dia, a taxa de homicídio tá bem menor ali, mas eu cheguei ali com fazendo 10, 12 locais de homicídio numa área de 13 municípios, né? Pegava de Itaguaí até Guapimirim. E você ali é o delegado titular da equipe, né? Você tem uma delegacia mesmo, né? São 12 policiais, né? Havia delegacias no interior, é, Mendes, por exemplo, tinha 8. E você vai gerindo ali a tua delegacia naqueles 24 horas.

E fazendo os locais de homicídio, cara. E ali teve, foi uma escola com história maneira para caramba, com resoluções, com flagrante de homicídio, entendeu? A gente foi o GEL que foi, a administração ela fazia final do ano uma tipo uma competição de quem prendia mais, né? A gente ganhou essa competição do GEL que mais fez flagrante. Fizemos flagrante de roubo de carga na Washington, na Via Dutra. Fizemos flagrante de homicídio homicídio, fizemos flagrante de extorsão, fizemos flagrante de tudo quanto é jeito.

Lembro que uma história engraçada, que a gente— eu sempre queria ir além daquele local do homicídio, né? Pô, qual o vulgo? Aí eu ligava para o meu CIP, cara, vulgo é esse tal, característica física, vê, qualifica aí. Aí qualificava o suposto autor, pega o endereço dele, vamos lá. Aí a gente ia lá para tentar prender em flagrante, Aí nesse dia a gente tava, era um domingo já à tarde, tava mais ou menos tranquilo o plantão. Aí toca o telefone da permanência, a colega da permanência falando que um policial, um denunciante, tava falando que tinha uma reunião de milicianos em Japeri.

Eu tava em Belford Roxo, domingo já para o começo da noite. Pô, aí a gente, eu peguei essa denúncia, eu fui lá, ele dava os vulgos dos milicianos, fui no CIP, a gente conseguiu qualificar. Realmente os caras já tinham passagem, um tinha mandado por homicídio, outros tinham passagem por construção de milícia privada. À época é construção de milícia privada. Falei, pô, pode ser verdade. Aí tem um JP que é um policial que era da minha equipe, né, hoje tá na CORE lá no Cães.

Ele, pô, doutor, vamos lá, vamos lá, vamos ver. Eu falei, o JP é Japeri, cara, canta um local em Guapimirim, a gente vai ter que sair de Japeri para ir para Guapimirim fazer o nosso trabalho. Não, doutor, vamos lá, pode ser verdade, pode ser verdade. Falei, cara, então tá, vamos lá. Aí fomos, peguei a viatura, duas viaturas, fiz um pequeno briefing com a equipe, vamos embora. Irmão, chegamos lá, quando a gente entrou era uma casa assim com uma piscina, né?

Dá para ver do lado de fora da rua, o som alto, piscina, montão de gente. Chegar os cara, a gente teve que deixar a viatura longe, né, para poder não visualizar a viatura e correr. Falei, pô, vai chegar todo mundo de colete aqui, de fuzil, os cara vão achar que ou é a facção rival, vai dar isso, cheio de gente. Eu falei, Caramba, que merda que eu fiz! Agora eu tenho que bancar, vamos embora, cara. Quando a gente entrou, os cara viram a gente.

Graças a Deus eles correram. Quando correram, aí só que dois deles não conseguiram pular o muro, aí caíram no muro, e os outros dois pularam. Quando caiu, já caiu as pistolas, já caiu duas pistolas, já caiu o carregador. Aí a gente enquadrou esse cara que caiu, era o chefe da milícia de Japeri, com dois mandados de de homicídio. E aí a gente fez o cerco, conseguiu pegar os outros dois. Resumo, a gente apreendeu 6 pistolas, o chefe da milícia de Japeri, e todos eles milicianos.

Levamos para delegacia. Voltando, a viatura, as duas viaturas deu pau no meio de Nova Iguaçu. Aí ligamos para base, uma confusão do caramba, mas no final deu tudo certo.

RDRafa de Martins

É, acreditar na informação, né, meu irmão? Acreditamos.

?Voz A

Foi a tua equipe que meteu aquela operação também lá naquela antiga adega que tinha lá em Caxias? Tinha uma adega que vocês chegaram, parada de milícia também. Os caras jogaram as armas dentro dos baldes com gelo.

JFJefferson Ferreira

Não, não foi. Não, eu lembro dessa ocorrência, mas não foi minha equipe não, cara. Teve uma outra ocorrência mais ou menos nos mesmos moldes, mas essa foi também kamikaze, né? Mesma coisa, a gente tava, só que esse aí foi um policial do JIC, da delegacia, domingo também. Pô, um colaborador tá dizendo que o cara que matou o irmão dele, que o autor é da milícia de Belford Roxo, tá no show de pagode lá no Lote 15. Tem como vocês irem lá?

Porque é domingo, né, até acionar o JIC e tal. Cara, show de pagode, é um cantor famoso. Falei, cara, aí mesma coisa, JP me enchendo o saco. Pô, vamos embora, vamos embora, vamos embora, vamos embora.

RDRafa de Martins

Vamos embora.

JFJefferson Ferreira

Aí todo mundo, falei, ó, bota todo mundo de água sem estar equipado, né, que a gente tem que entrar no show de forma velada. Aí chegamos, paramos a viatura antes, eu e mais 4 policiais e mais 2 policiais de apoio. Meu irmão, sem sacanagem, tinha umas 2 mil pessoas no estabelecimento. Quando a gente entrou, a gente teve que se identificar pro segurança, né, para que tava todo mundo armado. E aí o JP mais um policial que trabalha comigo, Sistão, até hoje tá, até hoje comigo, entraram, encontraram o colaborador, cara.

Eles falaram que o colaborador falou, ó, é aquele dali, saiu. O cara tava no camarote com umas 10 pessoas, uns 10 milicianos. Aí, meu irmão, ele abordou, polícia perdeu, os cara ainda tentaram, foi uma coisa, mas foi muito rápido, catou o cara, trouxe Aí, porra, quando trouxe, eu já vi trazendo, já juntou aquele montão de gente com 4 policiais, a gente já botou na viatura, ligando a viatura. Cadê a viatura que pega? Não pegava de jeito nenhum.

Aí tivemos que empurrar, não sei o quê, empurrar todo mundo, empurrar a viatura. Empurramos a viatura, levamos. Aí eu falei, não, não, eles estão de carro, vamos ver o carro deles. Aí, cadê teu carro? Cadê teu carro? Cadê teu carro? Apontou o carro, pegamos a chave, apontou o carro. Dentro do carro, um fuzil, 5 pistolas e ele com mandado de prisão também de homicídio. Porra, um cana! Isso no GEL, cara, no plantão. Aí depois fui para o GI e aí deslanchou.

?Voz A

O JP tá acompanhando a gente aqui, ó, @JPSalomão. É isso mesmo, tô aqui, JP. JP, cana raiz, aí fez a diferença na equipe do GEL.

JFJefferson Ferreira

É, pô, parceiro, meu amigo.

?Voz A

Abraço, JP, obrigado por estar aí com a gente. Melhores.

RDRafa de Martins

Vamos embora, vamos embora, vamos embora! Sai da delegacia, porra!

?Voz A

Tem que fazer história onde você passa, você tem que fazer história, deixar uma história.

JFJefferson Ferreira

Aí depois fui para o GI, cara, da DHBF. Surgiu oportunidade, né, que o Daniel Rosa, que era da minha turma, assumiu a titularidade, aí me convidou. E aí ele, pô, teve uma feliz ideia de— porque antigamente a assistência ela pegava, ela acompanhava o gelk, né? Então se eu fizesse local em todo toda a Baixada ia só para um delegado investigar. A época era o Dr. Luiz Otávio, também excelente delegado, e ele depois ele foi para DH Capital.

E aí eu fui para o lugar dele. O Daniel teve uma sacada boa de dividir por área. Então ele dividiu a Baixada em áreas, 4 áreas, e o delegado que é responsável, né, do GI, ele só investigava aquela área. Então aí você conhecia quem matava, que não matava, qual era a milícia, você Você conseguia ali mapear, né, aquele. Aí o meu área foi São João e Belford Roxo, área tranquila, né, para investigar. E aí tive também a felicidade de trabalhar com promotor excelente, que é o Doutor Fábio, Fábio Corrêa, que tá no GAESP hoje.

?Voz A

Pô, gente, ó, bom mencionar o nome do Doutor Fábio.

JFJefferson Ferreira

A gente tem que trazer o Doutor Fábio aqui, cara. É um excelente, excelente parceiro. Eu brinco com ele que ele é delegado materialmente falando.

?Voz A

Doutor Fábio, que atendia, acho que a PIP dele que atendia a DDSD na época que o Doutor Pablo Sartori era titular, promotor de verdade, cara.

RDRafa de Martins

Jefferson, o que que você vê que é necessário para você ser bem-sucedido numa investigação de homicídio?

JFJefferson Ferreira

Cara, o imediatismo. Eu acho que a criação da delegacia de homicídio com o grupo do JALC, né, de ir ao local imediatamente que dali facilita muito, né, a investigação, porque você consegue escutar uma testemunha no calor dos fatos. O sentimento de vingança é muito, muito, tá ali muito latente, né. Então a pessoa consegue detalhar o máximo de informações. As câmeras, né, que as organizações criminosas vão lá e tiram as câmeras depois, retiram as câmeras depois.

Então você consegue ali aquela diligência preliminar feita de forma certa, né, de forma imediata. É muito importante com isso. E você conhecer as organizações criminosas na área que você tá atuando, que eu acho que isso é importante. Quando eu estava nas duas DHs, né, na investigação, eu não me limitava à relação interpessoal, Ah, fulano matou ciclano, eu descobri que fulano matou ciclano, acabou uma enquete, acabou a enquete de homicídio.

Mas ele matou por quê? Qual a motivação? E a maioria era guerra de tráfico, era disputa interna nas organizações criminosas. Então você tem que investigar a organização criminosa, se antecipar àquele homicídio para que aquele homicídio não aconteça. Isso é importante. Então você não tem que se limitar àquela relação interpessoal. É claro, há homicídios puramente relação interpessoal, né, é um feminicídio, por exemplo. Mas a grande maioria dos homicídios são por disputa entre tráfico, milícia, milícia, tráfico com tráfico, disputa interna entre a milícia.

Então você tem que conhecer quem é o líder daquela milícia, quem é o líder daquele tráfico, para você mapear e se antecipar, e muitas vezes fazer operações nesses crimes que a gente chama de abstrato, né, são crimes de organização criminosa. Então, Doutor Fábio, assim, muito parceiro. Ele tinha essa sensibilidade de que quando era demandado tinha que dar aquela pronta resposta. E aí corroborava, a gente fez um trabalho muito importante lá na DHBF, que é um mandado de busca e apreensão coletivo, que foi para toda uma área da comunidade, a comunidade Santa Teresa.

Até se você jogar meu nome aí, você vai estar lá o link da minha peça, né, junto com a do MP, porque é um tema polêmico, né, na jurisprudência, se pode haver ou não mandado coletivo. A gente conseguiu, e conseguimos por quê? Porque fomos juntos, alinhamos juntos, eu expus a necessidade a ele. Era um condomínio que o tráfico de drogas ele trocava ele trocava os números dos apartamentos para dificultar a ação policial. Então, se a pessoa morava no 1308, ele toda semana ela passava a morar no 1301, tirava os números.

Então, quando você ia dar cumprimento à busca, você não sabia onde era. E isso aí era uma tática deles. Eles escondiam armamento na guarita do prédio E aí eu expus essa necessidade a ele, que a gente, olha, se a gente não tiver um mandado coletivo que eu possa entrar em todos os apartamentos daquele conjunto ali, claro, resguardando direitos individuais do cidadão de forma responsável, a gente não vai conseguir nada e não vai conseguir retirar de repente uma arma que vai matar alguém.

E aí eu vou ter que investigar um homicídio, que é pior. E aí ele foi comigo na no Judiciário, a gente despachou e conseguiu. Fizemos 11 prisões em flagrante, apreendemos armamento para caramba. Foi, foi um, então foi um parceiro aí nessa, nessa luta.

RDRafa de Martins

Na DH, Delegacia de Homicídios Capital e Baixada Fluminense, você trabalhou nas duas. Então assim, esses crimes aqui de homicídio, né, guerra do crime organizado, latrocínio e feminicídio, Qual que é o primeiro lugar? É a guerra do crime organizado nas duas, tanto lá na capital como nas duas.

JFJefferson Ferreira

E assim, a sazonal, né, no período que eu trabalhei era isso. Tanto na Baixada Fluminense tinha uma guerra muito ali na área que eu trabalhei, Belford Roxo, São João de Miniti, tinha uma área de disputa entre o Terceiro Comando, Comando Vermelho, que era da Caixa d'Água ali, Santa Teresa. Santa Teresa era TCP, Caixa d'Água era Comando Vermelho, que semanalmente diversos homicídios em razão dessa disputa territorial. Hoje eu confesso que eu não sei se virou ou não, se tá o Comando Vermelho lá no— acho que ainda tá TCP lá no Complexo Santa Teresa.

E depois a disputa interna da milícia também com Comando Vermelho. Comando Vermelho ia uns milicianos no bar, Comando Vermelho passava, saía distribuindo tiro, matava 6, 7 pessoas inocentes e vagabundos da milícia. Então ali era o carro-chefe. Quando eu vim para DH Capital, a mesma coisa. A minha área era uma área extensa, pegava desde o Recreio até Piedade. Então pegava Recreio, Barra da Tijuca, Jacarepaguá e aquela área ali da 24, 23.

E ali na 24, no Morro do 18, tinha uma disputa territorial muito grande. No morro, em Jacarepaguá, né, é o Comando Vermelho com a milícia. Hoje tá Comando Vermelho, mas na minha época era Comando Vermelho com a milícia. Era semanalmente homicídio. Então eu percebi que não bastava investigar só o homicídio, né, que já é muita coisa, mas demandar um pouco mais de inteligência, né, de técnicas de investigação, para a gente começar a investigar as organizações criminosas.

E começou a dar certo, que a gente fez diversas operações. Quando eu já tava na DH Capital, a gente fez uma operação já na DHBF, a gente fez uma operação da milícia com 22 mandados de prisão em uma organização criminosa. Na DH Capital fizemos no Morro da Tirol 18 mandados de prisão, né, infelizmente 2 policiais militares presos, o líder preso, né, que na época era o Andinho, hoje morreu. Comando Vermelho, quando ele saiu, morreu.

Isso tudo na delegacia de homicídio, que é o principal homicídio, mas sempre na organização criminosa.

RDRafa de Martins

E sobre latrocínio e feminicídio?

JFJefferson Ferreira

É, o latrocínio também tinha uma taxa alta, feminicídio também. O feminicídio, assim, embora o autor, a autoria seja mais fácil de chegar, né, porque é um companheiro, é sempre uma relação doméstica ali familiar, era o que causava mais impacto, né, porque decorria ali de um relacionamento às vezes que não deu certo e acabou na última instância aí matando a mulher, né. E isso aí, a incidência era bem alta também. E o latrocínio, que é mais difícil, né, porque E assim, é bem impactante.

Eu lembro de um latrocínio importante ali na, que a gente conseguiu autoria dos 6 que estavam. Vocês não, são 4 que estavam. Eles é um assassino de uma médica ali no Largo da Barra, foi 2019 isso. Uma médica entrando na garagem do prédio, ela foi vítima de latrocínio assim. Bem perto da estação. Abordaram o carro, aí o carro era automático, ela se desesperou, tirou o pé do freio, o carro andou, o cara deu um tiro na cabeça, um vagabundo.

E aí a gente conseguiu, pô, foi uma repercussão bem alta nesse. A gente trabalhou 3 dias direto nesse até chegar à autoria, porque os caras, antes de roubar, de fazer o latrocínio da médica, eles roubaram um Uber. Eles pediram um Uber, aí um Uber Black, roubaram o Uber, restringiram a liberdade do Uber, ficaram rodando com o Uber a Barra todo tentando tirar ali, fazer Pix com o Uber. O Uber, coitado, não tinha o dinheiro. Aí eles roubaram, liberaram o Uber, pegaram o carro e foram para o Largo da Barra encontrar a médica e matou a médica.

Só que a gente deu sorte deles conversaram muito, né, durante durante o trajeto com Uber. E o Uber esperto começou a prestar atenção na conversa, começou a dar detalhes ali, vulgos, como é que eles se chamavam, etc. E a gente caiu para dentro. Aí identificamos 1, 2, 3, no quarto também identificamos. Conseguimos prender 2, o que deu o tiro, que foi, que também tá preso até hoje, né? E identificamos outros roubos que eles participaram.

E esses dois, que um que tava, que a gente prendeu, outro que deu tiro, estão presos até hoje também.

?Voz A

E a primeira titularidade vem em que momento, cara?

JFJefferson Ferreira

Já era assistente da DRFA, né? Era assistente da DRFA com o Dr. Márcio, que deu o recado aí para gente. E aí fiquei lá 2 anos e meio. Dr. Márcio pegou o 7º DPA E me ofereceu a titularidade, Paraíba do Sul, lá no interior do Rio de Janeiro, quase Minas. É o último município até chegar a Juiz de Fora. Aí, pô, mas eu fiquei feliz da vida. Eu demorei um pouco a ser titular, né? E essa primeira titularidade é um município que eu tenho carinho enorme. Primeira titularidade a gente nunca esquece, né?

?Voz A

Pode crer. Eu lembro, eu lembro que você me ligou na época que você, que você assumir Paraíba do Sul foi no mesmo período que o Doutor Bárcia foi para 82 DP.

JFJefferson Ferreira

Acredito, é, sim, sim, sim, foi.

?Voz A

Mas aí você, você me lembrou algo importante que eu ia pular, essa sua fase na DRFA. Muito bem observado, teve uma prisão de muita repercussão naquele período que você teve ali com o Doutor Márcio Braga na RSFA, vocês prenderam junto com a equipe o maior roubador de veículos, né, que ele roubava, clonava, tinha todo um esquema que você vai explicar muito melhor. E ele era considerado o maior ladrão, mas um 157 de veículos do Rio até aquele momento que foi preso, né.

Hoje eu não sei mais, mas até aquele momento ele era o maior ladrão de veículo do Rio de Janeiro?

JFJefferson Ferreira

Sem dúvida, sem dúvida, o Comel, o tio Comel, né? O Comel, a prisão do Comel foi assim bem, bem importante, cara, porque de fato aí depois da prisão a gente corroborou isso, que era um dos maiores nomes do crime organizado, não só de roubo de veículos, mas o crime organizado em si, soltos, um dos maiores soltos naquela época. Na época. E isso foi dado uma missão, né? Na época, o DGPL, o Dr. Felipe Cúlio, ele deu a missão para gente, ele dividiu por temática, né?

Então, como a temática da DRF era carro, quem era o maior roubador de carro e clonador de carro? Comel. Então a gente tinha que prender. E, cara, eu lembro que o Márcio chegou, pô, a gente tem que estar com a missão para prender o Comel e vamos ter uma investigação e tal. Como é? Caramba! Qualifiquei ele, comecei a estudar ele e comecei a trabalhar.

?Voz A

Qual a origem dele? Ele vem de onde?

JFJefferson Ferreira

Morro do Turano. Morro do Turano. Ele era roubador de roubo a transeúnte, migrou para roubo a veículo e no final já tava envolvido, tinha voz dentro do Turano, era envolvido com tráfico de drogas do Turano.

?Voz A

Turano.

JFJefferson Ferreira

Ele decidia, tinha decisões ali no Turano, só batia a cabeça para o dono do Turano, Adidas, e depois do Adidas era ele. E a gente, mesmo depois da prisão, a gente viu que ele tinha uma equipe grande.

?Voz A

Turano, na época, você viu?

JFJefferson Ferreira

Você vê, você vê, Comando Vermelho. Ele tinha na sua equipe, que hoje são nomes relevantes, Juan Breno Malta, vulgo BMW, que hoje é da cúpula do Comando Vermelho. Ele tinha o Pescoção, que é o frente, era um dos frentes ali do Gardênia. Então era equipe que saía à rua para atormentar a sociedade mesmo. A gente teve acesso aí a diversos diálogos, ele escolhendo marca, modelo de veículo, quantidade de veículo, quem ia assaltar, o que que ia fazer com da vítima, o que que não ia fazer, quanto ia ficar para cada um, quanto ia lucrar no carro, o que que ele ia fazer com o carro.

Então assim, era uma cabeça pensante do mal que a gente retirou de circulação. Essa investigação foi, foi assim, uma investigação conjunta lá do pessoal do SBE, da DRFA na época, Adriano que era o chefe, né, os cascudos, que é o Vaguinho que tá comigo até hoje, comissário Wagner, o comissário Rogério, comissário Jorge, a Dani e o Thiago, que é meu chefe de SI hoje, que a gente ficou ali empenhado nessa missão. Todo mundo, para ter noção, antes da gente prender, quando nós tava na investigação, o GAECO de Minas Gerais entrou em contato com a gente que já tinha veículos de luxo clonados lá, com indícios que foi feito pelo COMEL.

Então já tava chegando em Minas Gerais Mato Grosso, levando o carro para o Paraguai.

?Voz A

Ele fazia toda a cadeia de custódia do roubo a veículo. Ele gerenciava o roubo, recebia o carro, clonava, ele fazia tudo isso.

JFJefferson Ferreira

Ele fazia a captação dos roubadores, ele escolhia quem ia roubar, o dia que o cara ia roubar. Os roubadores pediam a ele para ir roubar, ele negava, mandando outro roubador. Dependendo da marca do veículo, do local, ele tinha uma equipe. Então ele escolhia quem ia roubar, o modo que ia roubar, como ia abordar a vítima, como ia arrebatar a vítima do veículo, para onde o veículo tinha que ser levado, para qual comunidade, e fazia a clonagem do veículo, depois revendia o veículo e ou usava ele dentro da comunidade.

?Voz A

Ele pagava um pedágio? Você falou que tinha uma interlocução boa dentro da comunidade, participava até das decisões. Ele pagava um pedágio? Qual era a relação desse roubo de veículo veículo com a organização Comando Vermelho. O que que o Comando Vermelho ganhava com isso?

JFJefferson Ferreira

Ele, a gente apurou ali que o chefe do tráfico de drogas escolhia veículos também para eles, para eles rodarem dentro da comunidade, escolhia os veículos para ser revendido para parte dele. E também em troca disso ele tinha voz no tráfico de drogas ali também. Então ele tinha um pedaço do tráfico de drogas e fazia essa permuta. Olha, eu vou arrumar os veículos que vocês precisam para fazer os roubos, para poder andar aqui na comunidade.

Vou dar um pedaço para vocês da venda desses veículos, mas também vou ter um pedaço do tráfico de drogas, vou ter voz na comunidade. Porque o importante não é só o valor do que ele ganha, importante é a voz, é o poder de decisão, é o poder ali que ele tem de decidir. Então ele não atuava só no roubo, no roubo de veículo, ele atuava no sequestro relâmpago, A gente apurou ali diversos sequestros relâmpagos de chineses, né, de que eles, ele fazia, ele tinha informações privilegiadas de transporte de valores em espécie desses comerciantes vindo da China e faziam, e fazia o sequestro relâmpago, levava esses chineses para interior da comunidade, decidir se esses chineses iam ser torturados ou não, decidir o valor do resgate.

Bojador, a partir desse dia, se valia a pena ou não aquele valor que ele tava transportando. A gente teve acesso a uma conversa que ele fala, pô, eu não vou sair à rua para ganhar R$2.000, para meu pessoal ganhar R$2.000 só. Então o meu pessoal é muito bom para sair à rua para ganhar R$2.000. Olha, vocês vão sair e não vão ganhar nada, porque isso aqui vai para o dono do morro. Aí ele ponderava com o dono do morro, não, o meu equipe é muito muito boa.

Como é que ele vai arrumar carro para você e não vai ganhar nada? Pelo menos um carro a gente tem que ganhar. Então ele assim, ele tinha poder, ele tinha esse poder de mando e movimentava essa máquina. E ganhou notoriedade com um patrocínio lá do médico na Barra da Tijuca, daquele médico, né, cirurgião plástico na Barra da Tijuca. E aí que a gente, foi uma questão de meta, né, prender ele e conseguimos prender.

?Voz A

As armas que ele, que ele usava, era arma da quadrilha especializada em roubo dele ou eram armas do Comando Vermelho que eram cedidas para ele cometer roubo?

RDRafa de Martins

Os dois.

JFJefferson Ferreira

Ele tinha, ele tinha cautelado armamento para equipe e quando era um trabalho, entre aspas, né, com mais expressão, ele utilizava-se de armamento ali do complexo ali do Turano.

?Voz A

A gente sabe que aqui no Rio de Janeiro tem criminosos, como você já mencionou, Corolla, que leva o nome de um modelo de veículo, e tem um outro chamado, bem, que responde pelo vulgo de BMW. Pode dizer que esses caras se tornaram especialistas em roubar esse tipo de automóvel, de modelo?

JFJefferson Ferreira

Eu assim, eu tenho uma, eu tenho uma uma hipótese na minha cabeça. Eu acho que o BMW é em razão do gosto dele por motos de mais de 1000 cilindradas, 2000 cilindradas. E ele foi conhecido nesse sentido, tanto que os diálogos que a gente teve acesso, ele gostava de roubar essas motos, né, de grande porte. Então assim, era um ladrão que hoje tá aí com essa expressão, mas continua sendo um ladrão, vagabundo. Mas naquela época batia a cabeça para o Comel. Com a prisão do Comel começou a ascender na vida do crime.

?Voz A

A gente vai chegando nesse ponto e você percebe, se o, se o, para não, porque às vezes quem não conhece sobre segurança pública ou não entende sobre a realidade do Rio de Janeiro, parece um exagero a expressão do Comel para o crime organizado. Então aí a gente tá falando de Corolla, tá falando de BMW, que são pessoas que a Polícia Civil já demonstrou isso através de investigação, que são homens de guerra na expansão territorial.

Eram os caras que coordenavam ataques a outras comunidades. Mas, Jefferson, como é que se deu a investigação e a captura do Comel?

JFJefferson Ferreira

Cara, então essa investigação, a gente começou com essa demanda, né? Eu falei, pô, eu lembrei de um procedimento que tinha logo quando a gente chegou na DRFA, bem antes dessa demanda, uma apreensão de diversas placas que a Polícia Militar tinha levado, placas, peças de carro supostamente clonadas, né? Que a gente tinha feito apreensão e o policial militar já referia, né? Era um policial militar daquela, daquela unidade pacificadora, né, que conhecia a área, e falou: não, isso aqui ia para o COMEL.

E aí a gente qualificou o COMEL e essa VPI tava lá parada. Eu ressurgi essa VPI, instaurei inquérito policial e comecei a trabalhar nela, né, para saber de onde vem o quê, quem era o COMEL, né? Comecei a entender, a gente começou a investigar e teve acesso, né, por diversas técnicas, né, a rotina dele, né. Era um cara extremamente, por isso que ele não tinha muita notoriedade antes do latrocínio do médico, que era um cara cauteloso, né.

Ele não falava no telefone, não tinha um telefone fixo, mas pessoas ao redor dele, a gente começou a investigar para chegar nele, né? E aí conseguimos, né, através de pessoas ao redor dele conseguimos chegar. E aí ele ia fazer aniversário, chegou perto do final do ano, desse, do ano de 2021 para 2022, e a gente teve acesso a um diálogo em que ia haver uma festa, né, na casa do supostamente do Comel. A gente pegou as características da casa para fazer o sobrevoo.

Fizemos inicialmente um sobrevoo de drone, não conseguimos muita coisa, e aí utilizamos o recém-chegado FLIR, né? E aí conseguimos identificar supostamente o prédio onde era a casa, mas a casa em si a gente tava meio que na dúvida, né, se era a segunda casa, a primeira casa, mas o prédio eu tinha quase certeza que era aquele dali. Eu lembro que eu peguei COVID nesse sobrevoo, não pude participar desse sobrevoo. Quem participou foi o Márcio junto com o pessoal do SBE, mas tocando a investigação.

Ai, cara, ele ia fazer, ele fez, foi, virou o ano, né? E aí ele ia fazer aniversário em janeiro e ia também ser como uma comemoração nessa residência, dia 28 de janeiro. Eu falei, porra, e tava no meio da pandemia com restrições da ADPF, a gente não podia ir lá por mandado antigo. Então tinha que arrumar, tinha que se produzir ali elementos para uma urgência qualificada para a gente poder ingressar na comunidade e poder prendê-lo.

E aí eu falei, eu vou pedir uma busca e apreensão naquela residência. Mas cadê que eu não tinha o endereço preciso, né? Número de casa, etc. Aí volta o que a gente tava discutindo anteriormente, né? Não foi um mandado coletivo, mas foi um mandado mais preciso possível, né? Que eu peguei a latitude e longitude daquela casa, coloquei na minha representação e expliquei: olha, embora eu não saiba qual é a numérica, eu sei que corresponde essa latitude e longitude, entra por lugar tal, vai para o lugar tal.

E o juiz deferiu de posse dessa dessa busca e apreensão, a gente foi. E a ingressão no veículo blindado, né? Eu lembro que a gente ingressou no veículo blindado, tinha uma posição para cada um descer, e eu era um dos últimos a descer. Só que a rua era muito estreita, tinha muito carro, então a porta lateral ela não abria, só abria a porta traseira onde eu tava. Então tinha que descer, o último virou o primeiro, né? Então primeiro desceu o Luizinho, que era o chefe da delegacia, depois desceu eu, e por via de consequência o Márcio, etc.

E aí a gente ingressou na rua, já teve aquela correria, já recuperamos ali alguma carga de droga, etc. E aí eu fui para a parte de baixo da casa e o Márcio foi para a parte de cima, que a gente não sabia, né? Se era primeiro ou segundo andar. Quando eu tô na parte de baixo, escuto um barulho, aí escuto: larga a criança, larga a criança, larga a criança! A voz do Márcio. Aí eu subi, né, eu falei: pô, é a parte de cima. Aí ele tava com a criança, com a filha dele no colo, né, com medo de matar a própria filha.

Aí o Márcio: larga a criança, larga a criança! A gente teve aquela breve negociação ele largou a criança e a gente prendeu. Quando a gente prendeu, encontramos o fuzil, né, na casa dele, droga e tal, e levamos para delegacia. E foi aquela, aquela comemoração assim, mas que não passa de um vagabundo mesmo.

?Voz A

Tem imagens aí, né, César? Você vai projetar a imagem do dia da prisão, a prisão muito importante aí.

JFJefferson Ferreira

Aí, ó, o Doutor Márcio, eu e esse foi condenado agora, né?

?Voz A

Foi, pegou quanto, sabe?

JFJefferson Ferreira

Só nesse processo foi quase 5 anos, só nesse processo.

?Voz A

Excelente. Aí você foi lá para Paraíba do Sul, né? Você se consolidou, já experimentado na na DHBF, na DH Capital, já com experiência da DRFA. Paraíba do Sul, qual era a missão?

JFJefferson Ferreira

Paraíba do Sul é uma cidade, 44 mil habitantes, lá na divisa com Minas. Falei, pô, beleza, para começar tá tranquilo. Já comecei com uma missão, um duplo homicídio uma das vítimas, policial militar, supostamente morto por uma das famílias mais tradicionais lá da área. E as outras vítimas morreram por erro de execução, né, do autor. E uma pressão danada porque era uma cidade pequena, né. E pô, um policial militar morreu no dia do seu aniversário, tava comemorando seu aniversário.

A gente apurou que foi em decorrência de uma briga anterior, que foi jurado de morte, mas ele acreditou que já estava resolvido. E foi com mais 2 policiais militares e um CAC nesse camarote, no pagode, comemoração de aniversário. Chegando lá, o autor aproveitou do momento de descontração e pegou ele pelas costas, deu um tiro no peito, dois tiros no peito e um tiro caído, e se evadiu. E aí o diretor chegou e falou, olha, essa é a tua missão de resolver esse homicídio.

E aí a gente começou a trabalhar, né, tivemos alguns problemas durante esse homicídio, essa investigação, né, de testemunhas voltarem atrás dizendo que não viu, que na verdade não era aquilo, etc. e tal. Mas como eu já tinha vindo da DH, a gente conseguiu avançar bastante no inquérito. E antes de eu sair, já tava praticamente relatado com a autoria, né, desse, desse indivíduo, dessa família. Depois, inquérito foi para DHBF, o Dr.

Mauro relatou, e ele foi preso, e já tá em vias de ter o júri já. Além disso, era uma cidade que o tráfico do Terceiro Comando tava bem atuante ali. Aí eu fui, eu, Thiago, que hoje que é meu chefe, e mais 2 policiais que trabalharam comigo lá na DRA. Nós 4, delegacia tinha 15 policiais. Eu falei, qual o problema aqui da cidade? Aí falou, pô, é o bairro Liberdade que é o maior problema lá de tráfico de drogas. Falei, então vamos investigar.

Fui no bairro, só que lá a polícia ainda consegue entrar com uma viatura, etc. Paraíba do Sul é bem interior, 44 mil habitantes, é uma cidade mais ou menos médio porte, mas é bem longe, né, divisa com Minas. Uma cidade muito boa, cara, muito boa de informação, ela chega. E aí esse bairro Liberdade, eu falei, pô, maior problema é esse, então vamos investigar. Aí botamos um mini SBE lá, eu, o Thiago e esse policial, só os três faziam a busca eletrônica.

E conseguimos, fomos na Liberdade, tiramos foto, vimos, identificamos os vulgos, etc. A Polícia Militar ajuda bastante lá. E dessa investigação de foto na parede de vulgo, a gente chegou a 28 mandados de prisão. Foi uma das maiores operações e investigação lá em Paraíba do Sul de tráfico de drogas. Basicamente saiu mandado de prisão para todos os, quase todos os traficantes da comunidade. Não tive o prazer de executar a operação porque quando saiu os mandados eu já era titular da 27DP e vim para 27DP.

?Voz A

27DP é uma das piores delegacias do Rio para se trabalhar. Pega parte do Complexo do Alemão, é isso?

JFJefferson Ferreira

Não, 27 pega ali o Morro do Juramento, é Vicente Carvalho, pega o Morro do Juramento, pega o Juramentinho, pega o Ipaze. E o maior problema ali também é o roubo, né? É muito roubo ali naquela área. Mas eu fiquei pouco tempo, fiquei 3 semanas, foi naquela transição de chefes de polícia. E aí quando eu fiquei 3 semanas lá, quando o Doutor Amin ele assumiu a secretaria, o Dr. Gustavo Ribeiro, que foi o diretor do Departamento de Lavagem de Dinheiro, me chamou para assumir a DECOQ-LD, que é a Delegacia de Combate à Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro.

Eu sempre gostei da matéria, né, de lavagem de dinheiro. Eu acho que ali eu comecei a investigar a fundo a lavagem lá na DRFA, porque eu via, cara, que me me intrigava muito golpes pela internet de compra de veículos clonados, né? Pô, eu lembro que um senhor que era porteiro juntou as economias, comprou um carrinho de 20 e poucos mil reais clonado, não sabendo que era clonado. Eles clonaram o documento, clonaram placa, né, por óbvio.

E ele comprou sem saber, né, e perdeu o veículo porque o veículo tinha, já tinha dono. E aí a gente começou a investigar isso e chegou à autoria do cara que ia até o cartório fazer a fraude. Conseguimos identificá-lo, botar uns mandados de prisão nele de estelionato, depois de muito custo, né, porque é difícil sair mandado de prisão nesse crime. A 29 DP prendeu. No dia seguinte da prisão, continuou a mesma conta de destino, porque era sempre duas contas de destino que a vítima depositava o valor do carro, né?

Duas empresas em Santa Catarina. Continua mesmo golpe depois do golpe. Falei, cara, não adianta prender, então a gente tem que tirar essas contas de circulação, investigar para onde tá vindo esse dinheiro, porque alguém tá se dando muito bem com isso. E o cara que vai ali fazer o golpe, ele tem a pena de estelionato, ele se dá bem, mas não se dá tão bem igual o cara que tava por trás. E aí comecei, eu fui até o departamento de lavagem de dinheiro, tive uma reunião no laboratório e comecei a abrir a minha mente da investigação para esse viés de lavagem.

E me apaixonei pela matéria. A gente conseguiu ali mapear o destino desses valores. Mais uma vez não deu tempo de concluir a investigação porque eu saí da DRFA. E aí quando o Gustavo me convidou para ir para Organização criminosa, eu falei, pô, é uma oportunidade de juntar as duas coisas que eu gosto: investigar organização criminosa e investigar lavagem de dinheiro. Porque a Delegacia de Combate à Organização Criminosa aí é lavagem de dinheiro.

E aí aceitei. Também foi um período feliz ali que a gente fez diversos trabalhos durante a minha estadia ali na DECOC. Um deles foi a Operação Rio Amazonas 1 e 2. Que a gente pegou a rota que vinha da Colômbia de cocaína. Pegamos a rota da Colômbia passando ali pelo Rio Solimões. Do Rio Solimões era rota no Rio Solimões mesmo. Ele vinha da fronteira da Colômbia, vinha pelo rio, passava por Manaus. De Manaus fazia o transbordo para veículos de carga, trazia a droga para o Rio de Janeiro, para o Falé Fogueteiro.

?Voz A

Tudo isso através do siga o dinheiro. Tudo isso através de siga o dinheiro, que é uma, que o follow the money é uma, é uma técnica que os antigos já usavam. Siga o dinheiro. Ninguém comete crime sem visar o lucro. As pessoas, as pessoas fazem tudo pelo dinheiro.

JFJefferson Ferreira

Com certeza.

?Voz A

Então, se você descobrir onde vagabundo tá, tá botando o dinheiro, você tem uma probabilidade muito grande de descobrir a origem de tudo, né?

JFJefferson Ferreira

Não, sem dúvida, sem dúvida. As técnicas de execução do crime, elas se modificam, mas a finalidade é o lucro. E o lucro, os valores têm que ir para algum lugar. Então, se a gente fazer o caminho reverso, né, não investigar, não só investigar a execução do crime, mas investigar para onde tá indo esse dinheiro, a gente vai ver o destinatário final desse dinheiro E vai pegando toda a cadeia aí. Então lá na lavagem eu tive essa oportunidade, embora seja uma delegacia pequena, né, com poucos policiais, mas era a especialidade, era essa organização criminosa e lavagem de dinheiro.

E com técnicas, né, de relatório, de intercâmbio de informações com COAF, etc., que é o órgão fiscalizador, a gente conseguiu ali fazer grandes trabalhos. E um deles é essa da Rota do Rio, que começou começou com uma apreensão de diversos depósitos na residência de um alvo. Então uma determinada delegacia foi verificar uma denúncia que essa pessoa fazia o transporte de drogas interestadual. Chegando lá, nada encontraram, só encontraram diversos depósitos bancários.

Acharam aquilo suspeito, levaram para delegacia e apreenderam aquilo dali, que muitas vezes, às vezes plantão isso, cara, pô, não tem tempo, por que que tá prendendo isso aqui, cara? Só vai dar trabalho. Mas dali a gente identificou as contas de destino e começou a seguir, conforme você falou, o dinheiro. E acabou com essa, resultou aí 35. Fui, tive audiência agora na sexta-feira, 35 réus, 35 identificados entre a família, famigerada família do Norte, Norte, que agora é CVAM, né, Comando Vermelho do Amazonas.

Antigamente era Família do Norte, com conexão com Comando Vermelho aqui do Rio de Janeiro. Isso foi lá na lavagem. Tivemos duas fases. A gente viu que tinha um frigorífico na divisa ali em Tabatinga, né, divisa com a Colômbia, que transportava drogas dentro do peixe. Ela botava cocaína dentro do peixe, mandava esse peixe através do Rio Solimões para Manaus. De Manaus tirava a cocaína, trazia aqui para o Rio, falhava fogueteiro.

E aí pegar essa droga vindo é muito difícil, mas pegar o dinheiro voltando é mais fácil. E foi isso que a gente fez, pegou o dinheiro voltando desses depósitos. A gente conseguiu identificar acho que 50, 60 contas lá na, de pessoas ali de Manaus, de Tabatinga, etc., conseguimos fazer busca e apreensão e a prisão. Então, e durante essa operação, com a DRCO, né, com o Dr. Mário lá, que é o titular da DRCO, que é a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado lá de Manaus, a gente conseguiu interceptar uma carga de 1 tonelada de cocaína, apreender 1 tonelada de cocaína.

?Voz A

A Polícia Civil recentemente, recentemente que eu falo assim, deve ter um ano, um ano e meio talvez, bloqueou. Aí você me corrige se esse valor tiver errado, algo em torno de R$6 bilhões do Comando Vermelho.

JFJefferson Ferreira

É que na verdade foi uma representação por bloqueio, né? A gente identificou, foi um inquérito que eu trouxe da lavagem de dinheiro da Decoc para a DRF. RSF, pela razão da continuidade do trabalho. Um trabalho desse, desse volume, se eu deixo lá para um outro colega assumir, de repente ia demorar muito a entender. Então eu achei por bem trazer aqui, até porque era do Comando Vermelho que tá por trás, né, que a gente pode conversar sobre a atividade até de recicladores clandestinos.

Então tinha pertinência temática. Prática, e eu trouxe. E a gente identificou essa movimentação e fez o pedido nesse valor. Então foi o pedido de bloqueio nessa cifra.

?Voz A

Então assim, eu tava conversando com o Rafaquinho no outro episódio, e que uma autoridade aí, uma das, uma autoridade brasileira, vou mencionar o nome nesse episódio, a gente fala o nome dela, mas aqui não cabe. Ela, essa pessoa falou que os Estados Unidos terem bloqueado as finanças de um grupo de empresas aqui do Brasil prejudicou na prisão do cara, porque tinha uma investigação de determinado órgão aqui do Brasil. Isso teria prejudicado.

E aí a gente foi, comentou aqui, eu fui, disse, cara, urubu que essa pessoa fugiu, porque a gente não sabe da manutenção da prisão, não sabe se a prisão vai ser mantida, se ele vai ser posto em liberdade, se ele vai arrumar um recurso de defesa que vai permitir sua soltura. Então a prisão dele não é tão importante quanto os bloqueios financeiros, porque esse bloqueio financeiro vai financiar outros criminosos porventura solto, vai financiar atividades criminosas, vai financiar a compra de armas.

Vai financiar a compra de drogas, é o dinheiro que mantém a engenharia do crime funcionando. Por isso que assim, desde a inauguração da delegacia de lavagem de dinheiro, departamento de lavagem de dinheiro aqui no Rio de Janeiro, você percebe que o rumo, o curso das investigações, os objetivos são outros. É na raiz do problema. Os caras estão estão cometendo crimes para conseguir dinheiro, só que esse dinheiro é um dinheiro ilícito.

Eles precisam lavar e transformar num dinheiro, né, com aparência de legal. Então assim, é um serviço assim, eu não sei quem tá coordenando o departamento, quem é o diretor.

JFJefferson Ferreira

Hoje o diretor é o Dr. Henrique Damasceno.

?Voz A

Dr. Henrique Damasceno. Mas é hoje, junto com a inteligência da Polícia Civil, mais a Draco, mais a DRE, Cara, sim, é o supra-sumo do que a gente vive hoje no Rio de Janeiro. É tráfico de drogas, é, são organizações criminosas, seja milícia, seja Comando Vermelho, TCP, ADA, seja o que for. E todos eles trabalham com um objetivo comum, que é dinheiro. Ou seja, dinheiro para manter a organização criminosa seja dinheiro para manter algum tipo de ideologia que eles tenham.

Mas é tudo em torno do dinheiro, é tudo em torno do dinheiro. E assim, trabalhão que você fez.

JFJefferson Ferreira

Então assim, é o resultado, é o dinheiro, mas para chegar o dinheiro tem toda uma engenharia de lavagem que uma investigação dessa ela interrompe, como a captação de contas bancárias, a estrutura financeira de intermediadoras de pagamento, que com o pedido de bloqueio e o bloqueio efetivo do Judiciário, você vai ter que arrumar, por exemplo, nessa investigação dos R$6 bilhões de movimentação, tinham quase 300 contas. Então, se você bloqueia essas 300 contas, o crime organizado tem que arrumar outras 300, outras 300 pessoas com disposição de ceder aquele documento, sabendo que tá incorrendo num crime.

Né? Isso é importante falar isso, que é tão importante, é tão criminoso como aquele que pega um fuzil, como pega uma pistola. Então você acaba com a engenharia financeira daquela organização com investigações de lavagem de dinheiro. Então o resultado, bloqueios de X, Y, Z, não é a medida para você fazer na investigação, e sim essa asfixia financeira e da engenharia financeira da organização Excelente.

RDRafa de Martins

Quebra o objetivo, né?

JFJefferson Ferreira

Quebra o objetivo, quebra toda aquela estrutura, entendeu?

RDRafa de Martins

Exatamente, toda a estrutura. Não tem dinheiro, não tem arma, não tem soldado, não tem extorsão, desculpa, não tem propina, não tem corrupção.

JFJefferson Ferreira

Exatamente.

RDRafa de Martins

Agora, quando você tem muito dinheiro, você corrompe mesmo até funcionários de alto escalão.

JFJefferson Ferreira

E aí fica nessa investigação, tinha uma intermediadora de pagamento que recebia dinheiro do Brasil todo. Em um ano, ela, só ela movimentou R$3,5 bilhões, fez saque de quase R$12 milhões em 3 dias. Então, quando você fecha essa conta, interdita essa empresa, afasta os sócios, você tem que arrumar uma outra intermediadora de pagamento. E você chama atenção para os órgãos de fiscalização de que é necessário um controle maior dessas intermediadoras, como a gente tem hoje.

RDRafa de Martins

Mais uma pergunta: como é que a legislação E os outros poderes estão lidando com isso. Vou dar um exemplo, tá? A gente tem o problema do estelionato. Estelionato é o crime que mais cresceu ultimamente, principalmente, você sabe, no meio digital e tudo. Mas a gente se depara com o problema que a legislação em relação ao estelionato é muito fraca. A gente tem um trabalho enorme para identificar, um trabalho enorme para pegar, e o cara não fica preso porque entende-se que não tem violência.

Como é que você vê a legislação atual em relação ao crime de lavagem de dinheiro para organizações criminosas?

JFJefferson Ferreira

Assim, evoluiu bastante. Eu acho que hoje a gente tem bastante técnicas para serem empregadas, técnicas oriundas da lei para serem empregadas na lavagem de dinheiro. Tem muito a evoluir, óbvio, mas acho que já evoluiu bastante. É a conscientização de que esse é o caminho, né, um dos caminhos para a gente poder fazer as polícia, das organizações criminosas, tá cada vez mais latente. E claro que tem muito a evoluir, mas acredito que a legislação bem aplicada, né, não só pela polícia, pelo Judiciário, pelo Ministério Público, pode resultar aí a diversos resultados positivos.

?Voz A

Deixa eu ir aqui no chat rapidinho. Olha que comentário bacana aqui, ó. Ayrton da Silva, eu sou fã do trabalho de vocês, eu sou pescador artesanal e acompanho sempre que posso. Sucesso para vocês. Obrigado, Ayrton. E a Doutora Luciana Fonseca tá aqui com a gente também, já esteve aqui no Fala Guerreiro, não pude vir esse episódio. Tem que fazer outro, doutora, para poder participar aqui, que a senhora também é muito conhecimento.

Doutor Jefferson é um dos profissionais mais dedicados que conheço, sempre com grandes operações que engrandecem a nossa Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Hoje tenho o privilégio de ser sua assistente e aprender diariamente com ele.

JFJefferson Ferreira

Nada, eu que aprendo com ela. Uma das melhores aí da turma nova, ela e Doutor Márcio, né, que trabalham comigo. Doutor Márcio Almeida foi delegado também no Maranhão. Doutora Luciana foi policial civil também, inspetora de polícia, e hoje é delegada. E tem hoje, eu tenho um time, hoje fui privilegiado, né, atualmente Que eu sempre trabalhei sozinho, agora com esses dois assistentes.

?Voz A

O Márcio Almeida também tá aqui, ó. O chefe é fera, uma honra aprender diariamente com ele, um dos maiores da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.

JFJefferson Ferreira

Que nada, irmão.

?Voz A

Com esses feras todos lá, o café lá é artesanal. Eu tenho que ir lá nadar, é gourmet, é expresso. Como é que é o café? Eu tenho que ir lá.

JFJefferson Ferreira

Não, o time é bom, o time é bom.

?Voz A

Tomar um café. Rafa, pode seguir. DRF agora, né?

RDRafa de Martins

Como é que você foi para DRF?

JFJefferson Ferreira

Quando fui para DRF, na gestão do Dr. Felipe Coelho, né?

RDRafa de Martins

Já como titular também?

JFJefferson Ferreira

Também como titular. Saí da DECOC, tive um estágio bem rápido na 78 DP, 10 dias. Aí quando eu tava na 78, começando a entender o tráfico ali do Fonseca, Niterói, etc., Doutor André Neves, né, que é o meu titular, é o meu diretor, ele falou, pô, irmão, tem uma oportunidade para você aí, desafio, a missão DRF. Pô, cara, ser titular de uma delegacia especializada, né, DGPE, sempre foi um sonho. Embora a DECOX seja especializada, mas não é do DGPE, né?

RDRafa de Martins

E já vai para guerra, né?

JFJefferson Ferreira

Já vai para guerra. Aí cheguei lá com essa demanda, né, de furto de furto e roubo de cobre, né? E comecei a estruturar mais a equipe, né? Porque no DECOC eu tinha, quando eu vim da 107 praticamente para o DECOC, eu tinha o meu chefe hoje, que é o Thiago, mais 2 ou 3 policiais. E aí eu comecei a, trouxe o Serginho, que hoje é o meu chefe de escuta do SBE, tava na DH, que trabalhou comigo, e E a Carol, que hoje é minha chefe de cartório, que trabalhou também comigo na DH.

E minha esposa, né, que é a Raquel, que trabalhava na, já trabalhava na lavagem, foi trabalhar comigo lá na Decoc. E fomos nós 5 lá para DRF. E aí comecei a estruturar, veio a Bárbara, excelente policial também desse concurso novo, veio o André, que é o do meu JIC também, e a gente começou a fazer hoje a equipe Tá grande para caramba, só mais só.

RDRafa de Martins

Você então, essa operação Caminhos do Cobre começou contigo?

JFJefferson Ferreira

Não, começou com o Dr. Felipe, Dr. Gustavo, né, que eles fizeram a Caminho do Cobre 1, que fez, fizeram busca e apreensões em grandes recicladoras, etc. E eu percebi o sucesso que foi, né, e falei, cara, o caminho é esse. A demanda do Doutor Felipe era que fizéssemos um trabalho digno de especializado, né? Não, não se ater só nas fiscalizações diárias que a DRF faz, né? Que a DRF tem, é híbrida, né? Ela tem o viés operacional e tem o viés fiscalizatório, que é no estabelecimento de reciclável.

Todo estabelecimento de reciclável deve se cadastrar junto à DRF em decorrência de uma lei estadual. Então o cara que tem uma recicladora, ele tem que se cadastrar na DRF, que chama o Cadastro de Estabelecimento de Reciclagem.

RDRafa de Martins

Assim, eu participei de algumas operações do Caminhões do Cobre, né? E até então a gente vê o caracol, esse inconveniente. Até então eu via como uma situação do inconveniente, aquele caracol que rouba o cobre, falta luz, tal. Teve um dia que a gente ficou aqui uma semana sem internet. Cara roubou aqui um cobre, aqui o que levou, a fibra ótica tal. O cara passou um perrengue porque, é claro, também não conseguia ajeitar porque não conseguia vender.

Enfim, passamos um sufoco aqui. Então eu não tinha o entendimento da gravidade que é essa questão de cobre, dessa busca do cobre, porque parece que pelo— porque é o cracudo, não, eu quero também para vender crack. E aí numa dessas operações que eu participei, eu não sei se foi o senhor, ou lembro de você lá, que explicou a engenharia do negócio e a movimentação financeira. Exatamente, cara. Você podia explicar isso para o nosso público, para eles entenderem que é muito mais profundo, sério e perigoso do que as pessoas imaginam?

JFJefferson Ferreira

Então, Rafa, é assim, a primeira coisa é dizer o seguinte, que muita gente criminaliza a atividade de ferro velho, que na verdade é uma atividade nobre, uma atividade lícita. O camarada que faz uma reciclagem que atende todos os requisitos legais, ele tá com um comércio, uma empresa de forma regular. Então às vezes eu vejo, ah, pô, tem que fechar os ferros velhos. Nada disso. A reciclagem é para sustentabilidade, ela é importantíssima.

O que não pode é o camarada exercer essa atividade com a finalidade de receptar materiais furtados ou roubados de concessionários, serviço público, de particular, etc. Esse é o primeiro ponto. O segundo ponto, que é exatamente isso que você falou, eu, a gente, quando eu cheguei na DRF, né, a gente fazia as fiscalizações diárias, prendia em flagrante por receptação, mas isso não era um fim. Eu via que tinha uma organização criminosa por trás lucrando milhões e milhões de reais.

Então eu utilizei o mesmo pensamento do tráfico, do homicídio, para ir lá para DRF. Eu falei, pera aí, eu vou começar a seguir para onde tá indo esse dinheiro. E a gente começou a fazer uma investigação de organização criminosa e viu ali que eles são totalmente estruturados com a finalidade de lucrar. Você pega hoje um cobre no mercado paralelo, na minha época era entre R$45, R$50 o metro. Então você furta em grande escala aí 2 km, que é um furto que pode, que acontece, né?

Quanto é isso? Isso já dá quase R$100 mil sem botar uma arma na rua, sem botar, sem correr o risco de vender uma droga. Você vai lá, furta, vende, lucra R$100 mil. Desses R$100 mil, você dá uma porcentagem para o tráfico de drogas e fica com esse lucro absurdo. Absurdo, né, que você vendendo uma droga você não vai ganhar isso e tem uma despesa muito maior. Então você começou a chamar atenção das organizações criminosas, principalmente do tráfico de drogas, que começaram a alojar esses receptadores.

Olha, para você não sofrer uma fiscalização da Polícia Civil através da DRF ou de outra delegacia, vem aqui para o meu território dominado e você recebe tudo que você quiser. Em troca disso você me dá uma porcentagem. Então isso aí começou uma crescente, né, a dificuldade de fiscalização no interior dessas comunidades com o aumento do lucro por eles e, por consequência, o aumento do furto. Por isso que hoje um prédio desse é furtado ou fica sem internet, né, a cidade da polícia já ficou sem internet, enfim.

Então a gente começou a fazer um estudo e uma investigação dessa dessas organizações criminosas. Tanto que a primeira, a primeira minha fase, né, a segunda fase da Caminhos do Cobre, a gente conseguiu identificar 28 integrantes de uma organização criminosa, com 7 mandados de prisão da cúpula dessa facção e o bloqueio de milhões de reais. Não lembro se era 30 ou 40 milhões de reais movimentados. E E aí, 92 mandados de busca e apreensão, dentre eles estabelecimentos suspeitos.

E o pivô desse estabelecimento não era um aberto ao público, eram galpões que eram utilizados para guardar e trabalhar esse material furtado, né? Era furtado em grande escala, aquele modus operandi de você amarrar no caminhão e puxar com caminhão o cabo. Então você puxava furtava 2, 3 km de cabo, ia arrastando esse cabo, guardava dentro de galpões no interior de comunidade. Era descascado esse cobre, é para tirar aquela, aquela capa, né, de identificação da concessionária.

Esse cobre era queimado em áreas dominadas também pelo tráfico, claro, com repasse de valores para o tráfico. E aí era exportado esse cobre. Quando chegava no destinatário final, né, siderúrgica, você tirava ali, fazia uma lavagem desse material, porque quando chegava lá não tinha como suspeitar que era produto ilícito.

RDRafa de Martins

Eles esquentavam o negócio, esquentavam a nota fiscal.

JFJefferson Ferreira

Exatamente. Tanto que esse trabalho a gente começou com uma apreensão também de uma nota fiscal e de um valor em espécie em uma delegacia distrital. A minha inteligência, né, ela viu esse R.O., apurou esse R.O., que foi uma um camarada. Foi apreendido uma quantia de R$44 mil em dinheiro, sem lastro para isso. E posteriormente foi apresentada uma nota fiscal de um estabelecimento de reciclagem que já estava no radar nosso. Essa nota fiscal foi emitida, a gente apurou depois, depois da condução dele à delegacia, para legitimar aquele valor, né?

O colega avaliou ali e realmente não tinha como saber na hora. E acabou depositando o valor disperso, mas deixou um rastro, né, deixou essa nota fiscal. E a partir dessa nota fiscal falsa, a gente culminou nessa operação aí de abrir o caminho, abrir o caminho do COBRA. Essa foi a primeira fase. E a terceira, e assim, tivemos diversas apreensões, toneladas e toneladas de material furtado, com o apoio das concessionárias também.

Fiz uma operação em Duque de Caxias, né, com a Secretaria lá do Meio Ambiente também. A gente apreendeu bastante, bastante material. E logo um pouco antes de eu sair da DRF, a gente fez a terceira fase da Caminhos do Cobre, que essa sim foi 44 mandados de prisão em organização criminosa, né, prisões preventivas. A denúncia ela englobava sequestro de veículos, né, veículos que são utilizados hoje na Polícia Civil como viatura, Então eu tenho aí 2 veículos de luxo que são utilizados como viatura violada.

Eu tenho um caminhão que a gente conseguiu o uso para DRF, para fazer o transporte. Eu tenho 3, 2 empilhadeiras que a gente conseguiu para DRF para fazer o deslocamento, que era, você aprendeu, 10 toneladas de cobre, como é que você tira dali? Então a gente conseguiu através, tirou do criminoso e incorporou no na mão do Estado. Empilhadeira, caminhões, uma casa em Angra dos Reis avaliada quase em R$5 milhões, e esses veículos, e o bloqueio nas contas, nos valores e contas, com a prisão.

Então a gente uniu, né, de novo, a investigação da organização criminosa com a lavagem de dinheiro, que resultou até numa prisão aí do Rei das Barricadas, etc., que era um indivíduo que fornecia fornecia o trilho de trem para colocação de barricada do tráfico de drogas. E a gente percebeu ali, através da análise financeira, que faziam diversas transações com operadores financeiros que já eram conhecidos da gente, que também operava para o tráfico de drogas.

Então tá tudo interligado. Então se a gente se concentrar em crimes em concreto, né, estelionato e receptação, que a é bem pequena e para sair prisão, a gente não sai do lugar. Então a gente tem que dar um passo atrás na organização criminosa, lavagem de dinheiro, para ocasionar isso.

RDRafa de Martins

Qual era a facção que fazia isso?

JFJefferson Ferreira

As duas facções, ela, a gente conseguiu mapear e apreender, mas essas duas grandes operações foi o Comando Vermelho. Eu tive no, acho que no Falé, Falé Fogueteiro, foi a primeira, e tinham dois galpões lá. A gente prendeu toneladas. E depois foi no complexo do Alemão, a gente também apreendeu 12 toneladas de cabos da Light numa operação Caminho do Cobre na Pedreira, que é do TCP, né, que também foi, que era um dos maiores furtadores. Além das prisões no dia a dia, é importante.

RDRafa de Martins

O que impressiona é como essas organizações criminosas se tornaram grandes empresas, né, grandes empresas, porque eles investem assim, eles têm empreendimento em todos os setores, todos os setores, todos os setores, a organização. Então às vezes a gente vê o cara equivocadamente olha para uma imagem, não sei o quê, do Comando Vermelho, vê aqueles bandidos pé de chinelo e acha que, pô, mas não é, aquilo ali é a ponta do que a gente vê, existe toda uma estrutura de organização criminosa por trás que movimenta, que lucrando milhões de reais, lucrando milhões de reais, atingindo inclusive o exterior, inclusive Europa, Estados Unidos, inclusive que justificou os Estados Unidos pegar e falar, meu irmão, essa organização aqui é um perigo para gente, a organização aqui ela ameaça a nossa sociedade, o nosso país.

JFJefferson Ferreira

Nessa investigação dos R$6 bilhões apontados, a gente viu ali bem claro é uma união de desígnios ali entre o Comando Vermelho e o PCC. Utilizava-se dos mesmos operadores financeiros para fins de transporte de drogas e lavagem de dinheiro. Então não é que naquela investigação ficou claro para mim que o PCC tá junto com o Comando, não. Eles se utilizam de mesmos operadores financeiros que de forma muito clara e evidente ali naquela.

Então eles vão cada vez mais se sofisticando e a gente acompanhando, né? Então hoje a gente tem as criptomoedas que são utilizadas também para lavagem de dinheiro, né? Então o dinheiro vivo ele está sendo escasso e as organizações criminosas já perceberam isso, estão migrando para criptomoeda. Então Departamento de Combate à Lavagem de Dinheiro atento a isso também. Com essa, a gente aprendeu, né, foi uma das primeiras apreensões lá na, quando eu já estava na Draco, de fazendas de criptomoeda, né, de mineração de criptomoedas, que são algoritmos para você aumentar ali o lucro.

Já prendeu 32 máquinas no interior do Complexo do Lins, se utilizando de furto de energia elétrica. Ou seja, mais uma atividade do tráfico de drogas para lavagem de dinheiro. Então aquela maneira tradicional de mandar depositar para você sacar na outra conta tá caindo por terra e a gente já tá chegando a fazendas de criptomoeda.

RDRafa de Martins

Cara, depois da DRF tu foste para onde?

JFJefferson Ferreira

Aí eu fui para Draco, onde eu tô hoje.

RDRafa de Martins

Quanto tempo na Draco?

JFJefferson Ferreira

Tô desde dezembro na Draco.

RDRafa de Martins

Eu já, eu lembro que eu já participei de operação com você na Draco. E aí, cara, Draco é uma delegacia estratégica e importantíssima dentro do nosso ali, da nossa Polícia Civil, né? Como foi ser convidado para— quando você recebeu o convite, o que que passou na tua cabeça?

JFJefferson Ferreira

Cara, foi assim, a gente não escolhe o tempo, né? Minha filha tinha acabado de nascer, eu tinha acabado de ser promovido a primeira, né? Hoje eu sou delegado de primeira classe, que é o topo da carreira. Então falei, pô, tô aqui na DRF, né, delegado de primeira, minha filha nascia, eu já entendi como é que funciona a organização criminosa e vou para dentro agora do furto de cobre em grande escala. E só que a DRF sempre foi um sonho para mim, né, é um sonho, acho que é um sonho para todo mundo que gosta de investigar, gosta de ser polícia, sempre foi assim, sempre colegas de referência que sentaram ali, né?

O meu diretor hoje já foi titular da Draco, é o Doutor João Valentim, que é um delegado que eu admiro muito, né? E diversos, diversos colegas que eu falei. Aí verbalizei isso, né, para o diretor. Eu lembro que eu falei, pô, meu sonho é ser delegado da Draco um dia. Aí esse um dia foi 5 dias depois, publicou no BI o delegado da Madraco. Foi uma surpresa.

RDRafa de Martins

Mas você soube pela publicação?

JFJefferson Ferreira

Não, não soube antes, né? Mas foi uma surpresa. Eu falei, cara, eu não tô no momento da minha vida para assumir o Madraco, né? Porque demanda é sábado, é domingo, é de madrugada, é uma correria danada lá. E eu, minha filha tá com hoje com 10 meses, na época tava com um mês, né, ficar recém-nascido. Quando eu cheguei, a Raquel, que é minha esposa, ela tá de licença, né, ainda não voltou vou ainda trabalhar. Eu cheguei em casa, falei, cara, eu vou para Draco.

Ela reclamou, pô, você falou que ia sossegar um pouco e não sei o quê. Eu falei, não tem jeito, missão, e vamos embora. E aí fiquei muito feliz e assumi lá Draco. A Draco sempre foi conhecida na polícia por combate à milícia, né? E hoje há uma ascendência na milícia trabalhar junto com uma facção do tráfico de drogas, né? E além disso, a missão, por todo esse conhecimento, né, de estudo e investigação que eu tive durante a minha carreira no tráfico de drogas, foi, ó, você também vai ajudar na operação contenção e vai ajudar no combate ao tráfico, nas organizações criminosas do tráfico de drogas também.

Falei tudo, né? Lá que Draco e É são inquéritos especiais, então eu tenho inquérito especial que de diversas coisas, né, desde fraude à licitação até a milícia, ainda o tráfico de drogas. Falei, não, tudo bem, é igual você falou, burro bom carga nele, né? E aí a gente tá lá, cara.

RDRafa de Martins

Como é que tá a organização agora do— porque a gente viu nesse, nesses últimos anos uma expansão grande do Comando Vermelho em cima de áreas que eram tradicionalmente dominadas pela milícia. Como é que tá agora a geopolítica do crime no Rio de Janeiro? Como é que, quais são as facções hoje que estão mais fortes, dando mais trabalho, território, dominação de território? Como é que tá isso?

JFJefferson Ferreira

É assim, de fato, a expansão do Comando Vermelho é uma realidade, né? A gente tinha áreas que eram dominadas por outras facções que hoje são dominados pelo Comando Vermelho. Vídeo ali, Praça Seca, né, Curicica, hoje parte ali da Colônia, que sempre foram tradicionalmente dominados, né, pelo Tijuquinha ali, aquela área do Tijuquinha, Morro do Banco, Muzema, aquele eixo todo ali. Rio das Pedras também já, Rio das Pedras tá em confronto, né, tá nessa disputa territorial.

Passando o Rio Pegando uma, aí do Rio das Pedras tem Araticum, que também tá Comando Vermelho, Morro da Tirol, Comando Vermelho. E aí você vai para o maciço da Tijuca, pega o Complexo do Lins, todo dominado pelo Comando Vermelho. Teve uma disputa agora recente na Casa Branca, Morro do Macaco, né? Então há uma expansão desse, a gente com a Operação Contenção visa conter realmente essa expansão. Mas não é só essa organização criminosa, né?

A gente tem o Terceiro Comando Puro também guerreando com Comando Vermelho, explorando diversos territórios, né? A gente teve recentemente agora essa guerra lá da Cidade Alta ali, do, e daquela localidade ali capitaneada pelo Terceiro Comando Puro. E a milícia que viu civil ali, obrigada ou não obrigada, civil, é uma janela de oportunidade, ao meu ver, para se associar ao tráfico de drogas, né? Então práticas que eram originalmente feitas pela milícia, que é a extorsão a moradores, extorsão a comerciante, monopólio de atividade, estão sendo desempenhadas pelo tráfico de drogas.

E práticas que eram exclusivas do tráfico de drogas estão sendo desempenhadas pela milícia, que é a venda de drogas, que é a narcomilícia. Então virou uma coisa só. Então são criminosos do mesmo jeito que a gente visa combater. Então a parte de Campo Grande ali, Santa Cruz, mais Campo Grande, ainda é dominada como regra ali pela milícia, né? Se eu pego a Rua do Antares, há uma disputa, mas atualmente é a milícia que domina ali, parte do João XXIII, que é de uma facção.

Quando você pega Seropédica, quilômetro 32, e vai descer na Estrada de Madureira, pega Cabo Sul e vem chegando quase ao centro de Nova Iguaçu, é uma outra milícia, né, de outro miliciano, e que disputam entre si. Então a gente teve aí mais no começo do ano uma guerra em Itaguaí, que era, que também já tem uma guerra histórica entre o Comando Vermelho e a milícia, e agora tem a guerra entre duas milícias. Teve a guerra entre duas milícias, que era a milícia de Campo Grande, que era dominada ali, a milícia de Nova Iguaçu queria invadir, e tem comunidade dominada pelo Comando Vermelho.

Então a gente visa aí mapear e fazer inteligência, investigação e ações. Desde que a gente assumiu a Draco, foram dezenas de fuzis fuzis que a gente já prendeu, dezenas de criminosos. Nós já fizemos operações contra o Comando Vermelho, contra o Terceiro Comando Puro, contra as duas milícias, e vamos seguindo aí até em frente.

?Voz A

Jefferson, você comentou comigo, a gente se encontrou recentemente antes desse episódio, e você comentou que tava dando uma entrevista para alguma emissora de televisão e o repórter queria entender como é que se deu essa metamorfose das facções que antes operavam tráfico, roubo de veículo, roubo de cargas e tal, mas passou a explorar território praticando extorsão de morador, extorsão de comerciante, funcionando também como bunker para criminosos de outros estados se omisiarem ali.

E você respondeu para o pro repórter que a resposta era muito longa, mas que se ele tivesse paciência, você podia passar o dia inteiro explicando para ele como é que isso aconteceu. Como normalmente reportagens são curtas e não dá tempo, explica para a gente aqui no Fala Guerreiro como é que se deu essa metamorfose, o que você vem observando desde que você começou a trabalhar com esse tipo de investigação até hoje.

JFJefferson Ferreira

É que assim, é Essa metamorfose foi um processo, né, ao meu ver. A gente tinha aí figuras em determinadas localidades, por exemplo, como o Rio das Pedras, que sempre foi dominado pela milícia, naquela milícia entre aspas tradicional, né, desde aquela milícia que impedia o roubo, pequeno roubo, etc. e tal, que vivia das extorsões. E que aí foi se aprimorando no mundo do crime. E aí figuras importantes dessas organizações foram morrendo, foram sendo presas.

E aí não existe vácuo de poder. Essas figuras que iam para o, por exemplo, Rio das Pedras migraram para outras, para outra comunidade, porque outras figuras morreram também, né? A gente tem a região do Catiri, por exemplo, que há milicianos do Rio das Pedras que hoje domina a região dali do Catiri, da Cancela Preta, Jardim Bangu, que por sua vez disputa também com o Comando Vermelho ali com a Vila Kennedy, etc., explorando também comerciantes e moradores, além da venda de drogas e outras correlações.

Então, com essa expansão aí do Comando Vermelho e com essa expansão do Terceiro Comando Puro, a milícia ela se viu, falou, olha, eu vou ter que me unir com alguém para poder combater quem é o meu maior algoz. E a gente vê aí uma união entre o Terceiro Comando e a milícia em algumas regiões para fins de fortalecimento de armamento, né, e para fins também do lucro, né, que a gente, conforme a gente tá falando, eles visam sempre o lucro.

Então essa união hoje é uma realidade. Eu, a gente já apreendeu armamentos que outrora era 5.5, que era, era, significava milícia, né, 5.5. Hoje é 5.3, escrito 5.3, que é o 5 da milícia e o 3 do terceiro. Ou seja, caracteriza aquela união ali entre o com o Terceiro Comando e a milícia. E essa união é para quê? Não é para um ajudar o outro, e sim para fins do lucro. Então a gente vê aí territórios migrando lideranças, vê territórios sendo expandidos, sendo expandido, e vê essa união tentando combater essa expansão, seja de uma facção, seja de outra.

Esse é o cenário que a gente observa lá na a Draco. E claro, cada vez mais sofisticando o número de mecanismos de lavagem de dinheiro.

?Voz A

Então, qual o tipo de interlocução? Como houve essa, como houve essa evolução e o tráfico passou a aparecer muito mais com uma milícia? Agora, acho que foi o Doutor Felipe que chamou, né, de narcomilícia, começou a chamar de narcomilícia. Qual o grau de interlocução que a A Draco hoje tem com a DRE nesse assunto? Tem trabalho que acontece conjunto? Como é que é a troca de informação?

JFJefferson Ferreira

Sim, interlocução é muito boa, porque não só pessoal, né, porque o Dr. Moisés Santana é um amigo, é um excelente delegado, sempre tive muita admiração por ele desde a época que ele era assistente na 64 DP. Então foi sempre uma referência. E hoje eu tenho a oportunidade de ombrear com ele ali no DGPE, que hoje a A Draco está dentro do departamento especializado e a gente sempre troca informações, troca ideia. E a DRE, ela sempre investigou o tráfico de drogas, né, por óbvio.

E eu vejo a Draco investigando o tráfico de drogas, mas mais no crime antecedente, né, no crime abstrato, na organização criminosa. Então essa troca de informação é contínua, tem que ser, mas e com a separação, né? Eu acho que a Draco na investigação da organização criminosa, do mecanismo, da estrutura, e a DRA na investigação do tráfico de drogas, mas um andando de mão dada com o outro.

?Voz A

Qual a análise que você pode fazer? O Brasil hoje se tornou muito mais um hub de distribuição de drogas para Europa, África e América do Norte do que propriamente um consumidor da droga. O Brasil não consome talvez nem um terço da droga que ele traz dos países vizinhos aqui para o Brasil. Funciona como hub, eles conseguem trazer e daqui expande. Porque pela minha percepção eles acharam que só vale o investimento grande na droga se o retorno for muito grande, né?

Você vê aí Já tem relatos aí de delatores no sentido de que pelo menos 50% da droga consumida na Europa parte aqui do Brasil, principalmente do Porto de Santos. E alguns, alguns grandes investigadores, alguns grandes delegados tiveram aqui e eles são quase que unanimidade em afirmar que para as organizações criminosas que antes exploravam apenas de tráfico de drogas e roubos, eles passaram a não fazer análise do risco do negócio, né?

Para eles isso é um negócio. Então, se eles estão vindo com a droga para o Rio de Janeiro e a PRF, por exemplo, dá um, dá uma, faz uma abordagem, serviço da PRF inclusive de inteligência incrível nesse sentido, prejuízo para eles é muito grande porque o do negócio é desde a saída até a chegada numa comunidade do Rio de Janeiro. E a partir daí eles passaram a ver o tráfico de drogas não mais como uma atividade principal. A gente chama culturalmente o chefe do tráfico de não sei aonde, mas não é mais chefe do tráfico, é o chefe de um pool de crimes.

Você consegue observar que eles não— existe o risco e o investimento hoje é muito mais muito maior na aquisição de armas do que propriamente em drogas, que a arma garante a expansão territorial e a manutenção do domínio.

JFJefferson Ferreira

Sim, sim, de fato, é o que a gente tava conversando aqui hoje. A gente vê que é o domínio do território é muito mais vantajoso do que atividade em si do tráfico de drogas. É uma janela de oportunidade, de fato, a exportação da droga, né, para para Europa, Estados Unidos, etc., pelo, pela valorização, pela troca da moeda, né? Há uma, há cabeças ali que se deslocam para essas rotas, né, que a gente pode observar, mas também a exploração do território, conforme tá falando aqui.

O cobre, por exemplo, se você é o que você falou Se a droga vem do Paraguai, da Colômbia, né, via terrestre, e cruza aí milhares de quilômetros até chegar ao Rio de Janeiro, a probabilidade de ser abordado, a probabilidade de perder essa carga é muito grande. Além de, quando chega aqui, se abastecer as comunidades e você colocar essa droga em grande escala no varejo, e aí também o lucro dessa droga ser depositado em contas e aí mapear esses valores é muito grande também, é, o risco é muito grande.

Então por que não você ir para um outro, um outro crime, né, um crime que tem menos risco? Por exemplo, venda de cobre, que você vai lá, é um furto, não é um tráfico, não é um roubo, furta aquele cabo que você paga ali um cracudo ganhar R$100, R$200 para fazer aquele furto. E aí você pega esse, esses quilômetros de cabo, que a 1 metro de cabo, 1 kg de cabo é R$40, você bota aí 1 km de cabo, que não é difícil furtar, que é um furto em grande escala, é nesse patamar, R$40 mil.

Você pega R$40 mil e o tráfico ganha 30% disso, são R$12 R$15 mil sem nenhum risco que a gente tá falando. Então isso aí é o furto de cabo, mas você tem ali exploração de internet. Todo mundo usa internet, né, dentro da comunidade. Então você faz a exploração do monopólio dessa internet, né. A gente fez agora uma operação para combater, né, para desarticular um monopólio da farinha pela milícia, não pelo tráfico, mas pela milícia, pelo tráfico também, pelo TCP.

Mas pela milícia que a gente teve conhecimento, que eles monopolizam. Olha, você só vai comprar essa farinha desse camarada aqui, e essa farinha, ao invés de custar, uma hipótese, R$10, vai custar R$15. E além disso, ela vai vir quase estragando. E você vai precisar de 10 sacos, eu vou ter que, eu vou te entregar 20 sacos, e você tem que pagar semana que vem os 20 mesmo. Só precisam de 10, uma farinha de pior qualidade com preço maior.

Então isso aí, visando lucro, é muito melhor aos olhos do criminoso do que botar um fuzil para trazer, ou botar um caminhão para trazer uma droga e vender aqui. Então eles começaram esse pool criminoso, exploração de território, né? Claro, adquirindo armamentos para cada vez mais expandir o território, cada vez mais resguardar o seu território, mas explorando outros crimes. Então eu acho que é a investigação da, repito, né, sem ser maçante, a investigação da organização criminosa como um todo, né, de todos os crimes em concreto com a lavagem de dinheiro, é o caminho para a gente poder fazer asfixia dessas organizações.

?Voz A

Tudo quanto é atividade ilegal, a gente sempre fala aqui das fazendas de Bitcoin que consome muita energia, né, ali e tal. E aí, para não pagar conta de energia, eles estão colocando dentro da comunidade, garantir a organização criminosa. Garantimos a segurança, vocês, a polícia, para vir para cá é muito mais difícil do que pegar vocês no asfalto. Então aí vai para lá. E tem o exemplo lá das padarias também, que consome muita energia elétrica, montou-se padarias dentro das comunidades, e as padarias do asfalto estão comprando pão já pronto.

Exatamente, das padarias é quase uma placa na na porta da favela falando assim: venha cometer seu crime aqui com a gente, a gente garante.

JFJefferson Ferreira

Os estabelecimentos de reciclagem que eu tava falando aqui com o Rafa, que estão dentro da comunidade, tem a autorização de receptar tudo. Então você, não todos os estabelecimentos, claro, mas alguns estabelecimentos que querem receptar tem essa janela de oportunidade para ter aquele abrigo do tráfico de droga. A gente já, quando eu tava na DRF, a gente já prendeu desarticulou. Citei o exemplo desse 12 toneladas de cabos da Light que a gente apreendeu dentro do Complexo da Pedreira nesse sentido.

Então é exatamente isso, é o território que é dominado, que ele se utiliza daquele território para finalidade de lucro, seja no tráfico de drogas, seja no furto de cabos, seja na exploração de internet, exploração de transporte alternativo, monopólio de serviço, monopólio de produtos que a gente visa combater. Mas a gente tem avançado bastante, tanto na investigação como nas operações, né? Cito essa, até uma repercussão bem grande, que foi uma demanda de denúncias que chegava na Draco, né, de que, olha, eu não consigo comprar uma farinha em outro lugar que não na empresa X.

E essa empresa X vem aqui uma pessoa armada e fala, olha, só vai comprar empresa X, portanto, e a quantidade que eu quiser e a forma que eu quiser.

?Voz A

Não tem uma reportagem recente no Fantástico?

JFJefferson Ferreira

Conhece?

?Voz A

Foi da farinha, mas tinha umas coisas também, né?

JFJefferson Ferreira

A farinha, alho, alho, e tinha outro serviço, outro produto que eu esqueci. Farinha, alho e mais um produto que a gente apreendeu o alho para caramba, apreendeu, encontramos farinha, fizeram a busca e apreensão, investigação prossegue. Foi bem importante. E para mostrar, olha, essa fase ostensiva, né, embora não esteja, foram presos sócios, né, por armazenamento de mercadoria imprópria para consumo. A gente constatou ali que tinha farinha na calçada, que ficou 3 dias a sol e chuva, e era vendido preço mais caro que o mercado e possibilitar a livre concorrência, né?

Porque o cara não podia no Seasa, por exemplo, comprar uma farinha, comprar um produto.

?Voz A

Se não endurecermos as leis assim de forma radical mesmo, não é piorar um pouquinho para o vagabundo, não, é endurecer de forma radical mesmo. Se não houver uma mudança legislativa assim drástica, curto prazo, dizendo para o criminoso: vai vai ser preso e vai ficar preso, tá? A gente vai endurecer as penas, a gente vai endurecer as medidas de cumprimento dessas penas, porque fizemos uma operação, você mencionou lá em Duque de Caxias, foram 6 toneladas aquele dia de cobre que foram apreendidos, né, que a gente fez com a DRF.

A gente chamou, a gente chama a DRF, a gente troca ideia com o Thiago, porque tinha um dos locais a gente não podia ir. Isso é uma fiscalização de polícia administrativa Não pode chegar. Aí esses dias também recebemos uma denúncia lá de som alto numa praça, os moradores reclamando que não consegue dormir, que tem idosos deficientes em casa e o som é muito alto. A equipe de fiscalização foi lá para fiscalizar, chegou lá os caras de moto armado na beira do asfalto.

A equipe sinaliza, manda retrair. A gente consegue notificar os donos de bares. Os donos dos bares vão à secretaria e falam: aquela caixa de som lá não é nossa, se puder tirar, tira, pelo amor de Deus. Eles colocam aquelas caixas de som lá para tocar as músicas que eles querem e ainda nos cobram para colocar aquilo ali. Então assim, é esse o estado que a gente, que a gente tá vivendo. Se assim, se não houver uma mudança drástica nas leis E aí queria até tua opinião a esse respeito.

A gente caminha para um estado que a segurança pública não vai ser capaz de resolver. A segurança pública não tá em todos os lugares, em todos os momentos. A gente tem é déficit, déficit de policiais civis, déficit de policiais militares, déficit de policiais penais, déficit, um salário que muitas vezes, se comparar a exigência técnica, exigência operacional o desgaste físico e emocional, o salário também não vale tão a pena assim.

Então assim, ou a gente muda radicalmente as nossas leis e o reconhecimento dos operadores de segurança, a gente não sabe mais para onde é que vai, né?

RDRafa de Martins

Eu até anotei essa pergunta fazer para você, que foi, você falou que lá na Draco vocês cuidam desde qualquer tipo de organização criminosa, desde essa milícia, o tráfico, até aqueles grupos ali que fazem crimes de colarinho branco, quebra tudo, que o fiscal. Então assim, aí em cima dessa observação que o Rômulo levantou, a gente tá em época de eleição agora, então muita gente, temos muitos candidatos, inclusive policiais e tudo, e a segurança pública é o nosso calcanhar de Aquiles.

Então todos falam sobre segurança pública, talvez muitos não saibam nem exatamente. Acho, partindo de você, quais são os mecanismos legislativos que você acha que ajudaria no seu trabalho de combate às organizações criminosas?

JFJefferson Ferreira

É o endurecimento das penas, né, desses crimes que hoje, estelionato, receptação, né. A gente já teve um avanço aí, por exemplo, no furto e no roubo de carro, que a pena foi aumentada. Na receptação também a pena foi aumentada, que não cabe mais fiança em sede policial.

?Voz A

Né?

JFJefferson Ferreira

Mas, e também agilidade na investigação, né? A gente precisa, igual eu falei aqui na investigação de homicídio, o gel que apareceu no local. Mas a gente precisa de leis processuais ágeis para a gente poder representar o Judiciário, ter uma resposta eficaz para poder continuar fazendo o nosso trabalho, né? O nosso trabalho é importante para caramba. A gente tem avançado bastante nas investigações e depende aí de leis para poder endurecer não só as penas, mas também criar mecanismo de investigações que facilitam a gente.

RDRafa de Martins

Perfeito, perfeito. Pô, Jefferson, obrigado, meu irmão. Nada, irmão, foi um prazer essas quase 3 horas juntos.

JFJefferson Ferreira

Pô, foi um prazer. Pô, passa rápido, passa rapidão.

RDRafa de Martins

Imagina, né, cara, como passa rápido, cara. Mas assim, eu acho que a maioria dos comentários— quer ler alguns comentários?

?Voz A

Bom, seria bom.

RDRafa de Martins

Vamos dar uma olhada aqui no chat.

?Voz A

César, vê aí, galera, do Super Chat. Tem alguns Super Chats aí, essa galera que para para dar uma moral para o Fala Guerreiro. César tá preparando ali. Quem é esse primeiro?

RDRafa de Martins

E o Milton falando aqui, ó: a milícia está buscando espaço até no frango assado, já se infiltraram em um abatedouro SJVRP. Tive a oportunidade de fazer uma apreensão com a PCR. Já o Milton Osvaldo, inspetor, inspetor ali, ó.

?Voz A

Fala, guerreiros! Esperando o curso de formação da Polícia Civil do Espírito Santo. Dicas? Vai e vença, guerreiro! Aí, vença! Na nossa vez não avisaram.

RDRafa de Martins

Brincadeira, cara.

?Voz A

Assim, a dica que eu sempre, que eu sempre passo para os policiais, né, em fase de curso de formação é: ouça os cascudos, ouça quem já estava ali quando você chegou, faça muita amizade na academia de polícia e aproveita esse momento. É o teu melhor período na polícia, é o teu melhor período, é o período de maior tranquilidade. Então aproveita para aprender, para fazer network com teus colegas. São eles que vão estar lá quando quando você, quando você precisar.

RDRafa de Martins

Aninha Miranda, mais um ótimo episódio. Delegado Jefferson com muita experiência e sabedoria, parabéns pelo seu trabalho. Obrigado, obrigado, Aninha.

?Voz A

Mizinho ali na tela, parabéns, Doutor Jefferson, por toda a sua trajetória, e parabéns, Rafa e Rômulo, pelo excelente episódio. Rafa, sem muquiranagem.

RDRafa de Martins

Valeu, meu camarada, sem muquiranagem. Ó, o Rafael também, ele fala: não posso deixar de falar que é um dos melhores conteúdos de segurança pública de hoje. Excelente conteúdo. Obrigado, Rafa.

?Voz A

Obrigado, obrigado. Parabéns pelo episódio. Vim para casa no moto Uber ouvindo o programa e o piloto veio escutando pelo Bluetooth. Muita aula. Lavagem de dinheiro, ficou quietinha a viagem toda. Ficou quietinha, graças a Deus.

JFJefferson Ferreira

Dá a chave Pix aqui, ó.

RDRafa de Martins

O Reinaldo, Reinaldo Leão falou assim: eu só queria entender por que a polícia só opera na escala 5 por 2, não opera sábados, domingos e feriados. Cara, opera sim, você tá enganado.

?Voz A

Deve ter um policial chateadão no plantão com você agora ouvindo isso, hein?

RDRafa de Martins

Às vezes sábado, domingo, feriado, você não tá olhando jornal, mas opera sim. Pera assim, eu mesmo, cara, já, com certeza, não, antes de sair de casa, tipo domingo de Páscoa. Sim, domingo de Páscoa, operação, convocação para operação domingo de Páscoa.

?Voz A

Mas agora, agora raciocina aqui comigo, você que fez esse comentário. A população já sofre tanto, cara, já sofre tanto, tanto, tanto. Você imagina operação de segunda a segunda. Você acha que a Polícia Civil tem, e a Polícia Militar tem prazer, tem algum prazer em ir lá na favela participar daquela troca de tiros ali que eles tentam matar os nossos colegas? Você acha que existe algum prazer nisso? Você acha que as coisas são assim do jeito que você imagina?

Você acha que o morador ia ficar satisfeito no único dia de quem trabalha na escala 6 por 1, o cara tem para descansar naquele dia que ele pode levar seu filho no parquinho, que ele pode sair de manhã cedo para comprar seu pão na padaria? Você acha, você acha coerente mesmo isso que você tá falando? Faz algum sentido isso? Muito embora quando há uma informação da inteligência pontual que tem que ser feita naquele momento, a polícia faz.

De repente você só não acompanha. O Eco, por exemplo, foi neutralizado no final de semana. O Carlinhos Três Pontes também foi neutralizado no final de semana. Então assim, cara, se liga no que tu escreve às vezes, porque pode parecer pode parecer que você não pensou muito antes de escrever?

RDRafa de Martins

Eu acho que assim, às vezes assim, realmente, como tem muita, geralmente final de semana é muita gente na favela, a gente procura mais, meu irmão. Se tem informação, tem não sei o quê, vai.

JFJefferson Ferreira

Claro, com certeza.

RDRafa de Martins

Não tem, eu já fui também final de semana também no Andaraí, aquela época do metanol nas bebidas. A gente foi lá num sábado De manhã, pegar bebida com metanol. Deixa eu ver aqui, ó. Que podcast top! Estou me preparando para o próximo concurso de Delta e toda a vida profissional, história profissional do doutor só nos traz incentivo nos estudos. Forte abraço! Que maneiro, né? Leonel Ferreira, boa sorte para você, irmão! Aqui, ó, legal.

Robson Jesus falou: Tem que ter um certificado de conclusão de aula depois desse episódio. Aulas e aulas com o Doutor Jefferson. Maneiro, né, cara? Porque, Jefferson, você veio aqui, cara, você não é só aula de polícia, né, cara? Aula de vida. E às vezes a gente acha que 13 anos assim, fala, pô, 13 anos, se você for parar para ver, 13 anos é pouco tempo de polícia. Mas eu não sei como são os outros estados, mas no Rio de Janeiro, 2 anos de polícia, tu já fica, meu irmão, judiado.

Tu joga para os teus coras assim, ou do teu dono da Cadepol, 2 anos depois tu já vê, meu irmão, tu rodou sem óleo ali uns 3.000 km. Então a gente vive muita coisa, cara. Isso aqui não para, isso aqui é uma máquina de ocorrência.

JFJefferson Ferreira

Eu tenho policiais com 3 meses, né, que entraram agora, que já estão fazendo investigação de mandado de prisão, 30 mandados de prisão, 40 mandados de prisão, né. Além disso, mandar Manda um abraço aí para eles, para Tainá, Michele, para Marcela, para as Marcelas, para Dani, pessoal do CIOP lá, que é operacional, cartório, o Thiago, que é meu irmão, que é meu chefe, que me atura aí já 8 anos. Aí, vamos que vamos.

?Voz A

Pergunta da Cris Barão: Rômulo, pergunta para ele se ele acredita, como muitos estão prometendo, fazer o modelo Bukele no Brasil. Se ele acha possível. Bukele é o Salvador, presidente de El Salvador.

JFJefferson Ferreira

É diferente, né, cara? Aqui é a realidade, é um pouco diferente, né? Não sei se é melhor ou pior, né? Eu acho que a gente tem algumas coisas para melhorar, mas não precisa, acho que não precisa ser tão radical, né?

RDRafa de Martins

Eu acho, sabe o que você gosta, senhor? Negócio do Bukele, como vai ser assim, o seu modelo realmente assim, tudo, cada país você tem a sua realidade. Mas eu acho que o principal da questão do Bukele, que é, digamos assim, o conceito. Muitas vezes a gente tem um conceito, mas a maneira que você vai materializar aquele conceito, aí você vai se adaptar à sua realidade. Mas o conceito do Bukele que eu acho interessante, Jefferson, é controle dos presídios.

Ele tem um controle de presídio. E assim, lá ele criou um mecanismo que não tem como o cara continuar liderando gangue de fora do presídio, não tem como o cara continuar tendo influência, não tem como o cara continuar ganhando dinheiro fora do presídio através de uma— então assim, essa comunicação do preso com o mundo externo ele cortou. E eu acho que isso a gente tem, tem, a gente precisa ter o controle, precisa, mas precisa ter um arcabouço legislativo para tanto.

JFJefferson Ferreira

Né? A gente precisa ter uma legislação que permita o gestor fazer isso, fazer esse controle, fazer isso. Então acho que esbarra aí em narrativas e narrativas de garantias, de pseudo-garantias, né, que alguns narram no ar-condicionado, no carro blindado, que pode não resultar essa medida, né.

RDRafa de Martins

Porque o Bukele, para chegar nesse controle do presídio, ele fez mudanças estruturais no estado. Sim, ele pegou a presidência, depois ele conseguiu eleger a maioria no Congresso. Através da maioria no Congresso, ele conseguiu fazer modificações em outros poderes, conseguiu trocar algumas situações. E aí ele teve aquela estrutura para poder conseguir controlar o presídio. Então a gente, ou seja, até chegar lá não é construir um presídio, sair jogando preso lá dentro que vai resolver.

Até porque a gente não tem condições disso. Você falou esbarra em questões legislativas, mas eu acho que pode ser um norte. Sim, pode ser um norte de busca. Tem mais algum aqui? Vamos lá. Boa noite a todo próximo concurso delegado do Rio. Algum vislumbre de quando sai? Brevemente. Não, a pessoa tá falando que em breve mesmo vai sair esse controle. Boa noite. Impossível esse conceito aqui, os maiores bandidos de Brasília jamais deixarão acontecer.

Esse é o comentário do Marcelo Reis. Radical é a realidade do Rio de Janeiro, é verdade. Pediram para perguntar como é que é trabalhar com a própria esposa.

JFJefferson Ferreira

Depende da esposa, né? Com a minha é tranquilo, é assim, é uma excelente profissional, não tem, agregou muito, né? Muitas dessas investigações que eu falei aqui, ela tocou sozinha. E a gente se conheceu, ela trabalhando com ela, ou conheceu ela na polícia, mas não trabalhando com ela? Quando a época que eu tava na DRFA, ela tava na delegacia da Fazendária, a gente se conheceu. E aí a gente ficou e tá até hoje junto.

RDRafa de Martins

Já filhinha agora, né?

JFJefferson Ferreira

Agora filhinha.

RDRafa de Martins

Que maneiro, cara, que maneiro! Bom, um beijo aí para Raquel. Obrigado aí por liberar, por autorizar a vida dele. Valeu, meu pô. Jefferson, obrigado aí mais uma vez, cara.

JFJefferson Ferreira

Obrigado vocês, foi um prazer.

RDRafa de Martins

Espero que você volte aqui novamente.

JFJefferson Ferreira

Sim, sim.

RDRafa de Martins

Vamos falar de segurança pública, falar, porque hoje a gente, para não falar mais da sua vida, sua história e tudo mais, cara, isso aqui é uma, como falou, Rio de Janeiro é uma máquina de ocorrências.

JFJefferson Ferreira

É verdade.

RDRafa de Martins

Então, pô, de vez em quando a gente gostaria de acioná-lo para você dar seu parecer técnico, jurídico, ou seja, ouvir um especialista de verdade, né? O cara que estudou e vive na prática aquilo.

?Voz A

Celular, celular.

RDRafa de Martins

E enfim, contamos com você em outras ocasiões. Vai ser uma honra.

JFJefferson Ferreira

Ainda vou te acordar muito, 2 horas da manhã, 3 horas da manhã. Estarei ao lado.

?Voz A

Celular, pessoal, tá travado no Rios. Já eu, toda vez que eu distraio o celular, a droga do Rios. Perdão, Jefferson, obrigado, pô, cara. Qualquer coisa que eu vou falar, que possa falar sobre você aqui, eu vou ser suspeito. Conheço tua trajetória toda na polícia, a gente trabalhou junto. Só te agradecer por ter vindo aqui à nossa casa, a nossa casa aqui. Fala, Guerreiro, obrigado a todo o nosso nos acompanhou até aqui. Fiquem ligados semana que vem, ó.

Daqui a pouco já vai ter corte aqui do episódio do Jefferson. E semana que vem, terça-feira, estaremos de volta aqui no nosso Fala Guerreiro.

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