Episódios de Fala Guerreiro Cast

MUNIQUE BUSSON (Policial Militar - RJ) | #FalaGuerreiro427

22 de julho de 20262h51min
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A ORIENTAÇÃO DE ESTUDOS PARA CONCURSOS PÚBLICOS QUE MAIS APROVA NO PAÍS! CONFIRA:https://bonus.lsensino.com.br/ls-concursos-2025/?utm_source=podcast-falaguerreiro--Eles escondem. Você encontra:https://www.sherlocker.com.br/--00:04:19 - INICIO NA POLICIA00:20:30 - PRIMEIRA LOCAÇÃO - JACAREZINHO00:26:10 - PRIMEIRO PERRENGUE00:37:12 - SOLUÇÃO DA COLOMBIA E EL SALVADOR00:50:39 - CORRUPÇÃO NA ALERJ01:04:47 - TRABALHO DE RESGASTE DE CRIANÇAS01:28:25 - SEGUNDA LOCAÇÃO01:35:57 - IDA PRO 7 BPM / MINHA CASA FOI ARROMBADA POR UM LADRAO QUE EU PRENDI01:48:09 - UPP DA MANGUEIRA E PRAZERES01:59:00 - UPP DA FORMIGA / TRABALHO NA INTERNET02:23:25 - RESPONDENDO AS PERGUNTAS DA LIVE✉ Para contatos comerciais e aluguel do estúdio de PODCAST: falaguerreiropc@gmail.comSeja membro do canal:http://youtube.com/@falaguerreiroficial/join🔔 Inscreva-se no nosso canal:https://youtube.com/@falaguerreiroficial?sub_confirmation=1Siga nossos hosts no Instagram:Rômulo Brito • @romulobrito_ • https://www.instagram.com/romulobrito_/Rafa de Martins • @rafademartins • https://www.instagram.com/rafademartins/#FalaGuerreiroCast #LinhaDeFrente #Politica #SegurancaPublica #BastidoresDaPolitica #Debate #Analise #Noticias #PodcastBrasil #GuerreiroCast #CortesDePodcast #Brasil

Participantes neste episódio3
R

Rafa de Martins

Host
R

Rômulo Brito

HostPolicial civil
M

MUNIQUE BUSSON

ConvidadoPolicial Militar
Assuntos12
  • Visão política e socialMotivação para entrar na política · Prioridades como deputada federal (segurança pública) · Crítica à polarização política (esquerda/direita) · Importância de votar conscientemente
  • Experiência no Borussia DortmundPrimeiro confronto e perrengues · Perda de colegas e irmandade policial · Crítica à falta de políticas públicas estatais · Mali
  • Trabalho social e comunitárioDenúncias e atuação via Instagram · Problemas com o Conselho Tutelar · Caso de prostituição infantil e maus-tratos · Revitimização da vítima
  • Crescimento na InternetCriação de conteúdo sobre concursos e vida policial · Responsabilidade e impacto da comunicação online · Primeiro cancelamento e aprendizado · Guerra informacional e narrativa da mídia
  • Desafios da Polícia MilitarAdaptação ao regime militar · Voluntariado em situações de estresse · Liderança e exigência com o pelotão
  • Armas de Fogo e SegurançaDireito à defesa e autodefesa · Crítica à revogação de decretos de armamento · Centralização de poder e Constituição · Armamento da Guarda Municipal
  • Modelos de segurança pública (Bukele, Medellín)Controle de presídios e facções · Integração comunitária e social · Crítica à lentidão e falta de estratégia estatal · Travessia por El Salvador e Guatemala · Medellín
  • Escolas Cívico-MilitaresImpacto positivo das escolas cívico-militares · Valorização e apoio a servidores públicos (saúde, educação, segurança) · Crítica à politização e desvalorização de profissões essenciais
  • Maternidade e Protecao InfantilCondições dos abrigos e ECA · Políticas públicas de controle de natalidade · Bolsa Família e sua aplicação · Incentivo à capacitação profissional
  • Inação inicial da políciaFamília humilde e vontade de vencer · Decisão de ingressar na Polícia Militar · Estudo para concurso público
  • Polícia e cultura periféricaTrabalho no 7º BPM e incidente de tiro · Atuação no GTPP (Grupamento Tático de Polícia Pacificadora) · Experiências em Mangueira e Prazeres (UPPs) · 7º BPM · Mangueira · Prazeres Mundanos
  • Corruption message in politicsEnvolvimento de políticos com facções · Histórico de corrupção no Rio de Janeiro · Expansão do Comando Vermelho · Alerj
Transcrição515 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
RDRafa de Martins

Fala, guerreiros! Ótima noite para vocês nessa terça-feira, dia 17 de julho de 2026. Um prazer poder estar com vocês em mais uma noite. Agradecer a LS Concurso que nos apoia aqui nessa empreitada. LS Concurso, você deseja ser um funcionário público, um servidor público, cara, clica nesse QR code lá, você vai encontrar o melhor time de orientadores para poder direcionar o seu estudo. Concurso público são estudos estratégicos, então ele vai poder te orientar sobre melhor material para aquele concurso específico que você tá buscando.

Qual o melhor material, os melhores professores, livros, os códigos, e principalmente poder ajudar você ajustar a sua realidade a essa jornada de estudos que é realmente muito desafiante. Então ele vai entender o que que você trabalha, quais são os horários livres, e vai poder fazer um planejamento para você atingir a sua meta o mais rápido possível. Então São 17 anos de história com mais de 13 mil aprovados. Clica aí, LS Concursos, para te ajudar.

Agradecer também a Sherlock, que é uma empresa de rastrear, minha nossa rapaziada. Ou seja, é uma empresa de inteligência. Todo aquele acesso que nós tínhamos antes para poder buscar devedores, gente safada, gente que tá, pô, se escondendo. Clica nesse QR code, você vai entender. Eles se escondem, você encontra. Então, devedor de pensão alimentícia, devedor de caloteiro, é 71, esses caras tudo, ela vai ajudar você, ela vai te dar uma ferramenta para você encontrar empresa, outras empresas vinculadas, todo patrimônio que esse cara que tá te devendo tem.

Então a Sherlock é uma ferramenta muito bacana de inteligência que hoje, antes era disponível só para polícia, hoje tá disponível para você também. Quero te pedir para clicar, curtir aí essa transmissão, clicar naquele sininho de notificações, se inscrever no canal, é tornar-se membro. Então tudo isso é super importante para a gente atingir mais pessoas. E fazer um agradecimento especial ao meu amigo Claudinho Menezes presidente do Bom Sucesso Futebol Clube, que me deu essa camisa linda, meu irmão.

Olha só que camisa maneira, que é Bom Sucesso Futebol Clube. Deu uma camisa para mim, para o meu filho, para o meu sobrinho. Claudinho, obrigado aí, meu irmão. Sabe que eu sou flamenguista, mas meu segundo time, ó, Bom Sucesso do coração. Galera lá da 21 DP, né? 21 em Bom Sucesso, 21 em Bom Sucesso aí. Galera da 21 DP, ó, delegacia que mais trabalha no Rio de Janeiro, escola de polícia. Quem trabalha na 21 DP no plantão, então, meu irmão, Bicho, vou te falar, um ano de plantão na 21 DP equivale a 10 anos de vida.

O cara chega bonitinho, depois de um ano, meu irmão, parece que rodou sem óleo, pai, na estrada, na estrada esburacada. Então parabéns aí, ó, bom sucesso, Futebol Clube 21 DP. E agora eu vou apresentar nossa convidada, irmão. Isso aqui, ó, um passe, o passe dela é caro, irmão. Barcelona tentou levar no podcast do Barcelona, podcast Real Madrid, meu irmão, ninguém conseguiu pagar o passe dela. Nós estamos há 4 anos, João, aqui no mercado, então, pô, juntamos dinheiro, passamos um tempo aí, pô, juntando aí prestígio, entendeu?

O dinheiro na verdade é o prestígio. E finalmente conseguimos trazê-la hoje. Eu acho que ela é a maior influenciadora da internet, da polícia, né? Porque ela não só Conta a história dela de polícia, mas a história de vida, cara. E tem ajudado muita gente. Ela faz um trabalho assim, cara, é uma policial combatente, mas de um coração gigante. Você vai conhecê-la porque ela tem uma frase muito legal. Essa frase nem é de um cara que eu gosto, mas é, fala assim: Ai que endurecer-te, pero que sim perder a ternura jamais.

Ou seja, ela endureceu, mas não perdeu a ternura jamais. O prazer em receber aqui Monique Busson. Porra, que apresentação, hein? Que isso, tirou onda!

MBMUNIQUE BUSSON

Que honra! Que honra! Muito obrigado, meu amigo Rafa.

RDRafa de Martins

Pô, obrigado você. Só uma questão de agenda, você sabe disso, que aqui, né, agenda tá cheia, tá cheia.

MBMUNIQUE BUSSON

Exatamente. Mas é um prazer estar aqui, né, meu amigo?

RDRafa de Martins

Ninguém sai do Fala Guerreiro com as mãos vazias. Aqui o nosso presente aí para você.

MBMUNIQUE BUSSON

Bora, vamos mostrar aqui o presente.

RDRafa de Martins

Opa, personalizado, Monique Bolsonaro! Já para família saber que a caneca é dela, entendeu? É dessa, com nome.

MBMUNIQUE BUSSON

Eu vou mudar logo aqui, ó.

RDRafa de Martins

Pronto, não tem aquela desculpa, fala assim, ó, é meu, teu nome tá escrito, tá, tá aí, ó, tá aqui, ó, Monique Boção. E aí, Monique, como é que você tá, cara?

MBMUNIQUE BUSSON

Tô bem, Rafa, cara, que prazer tá aqui sentada nessa cadeira de frente para você. O Brito não pôde estar hoje, mas, né, o trabalho que vocês fazem aqui com comunicação é sensacional, é algo que eu valorizo porque a gente também tá nessa guerra, nessa batalha aí, nessa guerra informacional. Que nós fomos um dos pioneiros, né, aqui no Rio. Então a gente percebeu fora da bolha, agora a galera tá se antenando, tá se adaptando a essa guerra que a gente tá.

RDRafa de Martins

Quantos seguidores no Instagram?

MBMUNIQUE BUSSON

800 mil, 836 mil, cara.

RDRafa de Martins

E orgânico, né?

MBMUNIQUE BUSSON

Orgânico, nunca pagou nada, nunca nada. E 420 mil no TikTok. Aí a gente batemos 50 mil agora lá no Papo Reto. A gente é bebezinho lá, né? Começamos tem pouco tempo.

RDRafa de Martins

E você sabia, você sempre foi boa comunicadora, você descobriu isso com a internet?

MBMUNIQUE BUSSON

Rafa, eu sempre fui uma boa vendedora, e quem é vendedora é comunicador, né? Eu vendi maquiagem, trabalhei em shopping. Então a gente que trabalha com venda, com comércio, você é um comunicador, né?

RDRafa de Martins

Porque a gente tem que vender ali o produto, tem que ter o poder de persuasão, né?

MBMUNIQUE BUSSON

Exatamente. A gente como comunicador, influencer, né, A gente tá vendendo algo ali, vendendo uma ideia, né? Vendendo uma influência, um ponto de vista. Isso também é venda, né?

RDRafa de Martins

Então... E de onde você veio? Qual é a tua origem?

MBMUNIQUE BUSSON

Minha origem é São Gonçalo, ainda tô lá.

RDRafa de Martins

São Gonçalo?

MBMUNIQUE BUSSON

Sou gonçalense.

RDRafa de Martins

Que maneiro! E me conta aí, gente, São Gonçalo. Nasceu em São Gonçalo, foi vendedora. E como é que a polícia entrou na sua vida?

MBMUNIQUE BUSSON

Então, é algo que assim... Eu sempre fui... Eu sempre me achei diferente. Diferente das meninas da minha idade, da minha família. Eu sempre pensei diferente, eu sempre gostei de brincar de brincadeira de menino, jogava bola, soltava pipa. Eu sempre tive algo diferente, né? Mas sou hétero, não tenho nada contra os homos, mas sou hétero, tá? Que aí eu recebo essa pergunta hoje, não mais, né, que eu tô assumindo meu relacionamento, mas Todo mundo, você é lésbica?

Você gosta de mulher? Não, gente, eu só gosto de fazer coisas de menino, mas eu gosto de meninos. Mas brincadeira à parte, assim, eu sempre tive algo diferente ali em questão de gostar de coisas de menino.

RDRafa de Martins

E seus amigos eram tudo menino?

MBMUNIQUE BUSSON

Tudo, a maioria menino. Sempre gostei de brincar com menino e sempre cresci com uma vontade de dar certo na vida. Eu venho de família humilde, Rafa. Minha mãe era doméstica, meu pai pedreiro. Eu sou nascida e criada em São Gonçalo, ainda moro lá, né? E fui criada pela minha avó e pelo meu avô. Então assim, eu não tive muitas oportunidades na vida. Estudei em escola pública, nunca fui a melhor aluna da sala, mas eu sempre tive essa vontade de vencer na vida, de dar certo pra qualquer coisa.

Então assim, todo trabalho que eu tinha, eu vestia a camisa. Se a função era lavar o banheiro, eu lavava o melhor banheiro. Então eu passo isso para as minhas filhas. A minha mais velha, Thalia, falo para ela, cara, tu quer ser carnavalesca, vai com tudo, mas não seja mediana, sabe, Rafa?

RDRafa de Martins

Então ela quer ser carnavalesca mesmo?

MBMUNIQUE BUSSON

Não, eu tô brincando. É questão assim de qualquer profissão que ela escolha. Eu digo, qualquer profissão que tu escolha, eu acho que a gente não tem que ser mediano, sabe? Tu não tem que nadar com a maré, tem que fazer força, pô. Tem que ter raiva da situação que tu vive pra tu ser alguém na vida. E assim, graças a Deus, hoje a gente— eu colho muita coisa dessa minha perspectiva de vida, sabe? E aí, como que a polícia entrou na minha vida?

Foi por causa dela. Eu conto isso. E eu já era mãe, morava sozinha, aos 20 anos que eu fui mãe, né? Aí separei do pai dela quando ela tinha uns 4 anos. Eu ainda trabalhava em shopping, eu fui modelo, modelo de prova da marca Cavendish da Farm. Coleção era feita em mim, é maneiro, porque eu fiz curso de modelo. Aí depois, assim, modelo é meio instável, não é sempre que tem trabalho, não era sempre que tinha dinheiro. Só que eu já morava sozinha, passei para biomedicina na Unirio, não consegui fazer a faculdade porque era tempo integral.

E aí eu engravidei dela. Ela, quando tinha 4 anos, eu tava em shopping. Ela quis um determinado presente no Natal e eu não tive condição de comprar aquele presente. Mas ali para mim foi uma virada de chave, foi uma facada em mim, porque eu pensei, cara, se eu não consigo comprar um simples brinquedo para minha filha, o que que vai ser do futuro dela? Não, eu tenho que mudar essa realidade. Então eu usei aquela situação Já da situação de raiva que eu tinha de, cara, porque é muito ruim você trabalhar, o salário acabar no meio do mês, tu querer, porra, comprar alguma coisa para o seu filho, não ter dinheiro.

E a realidade da maioria dos brasileiros, né, Rafa? Vamos combinar. Então pensei, cara, eu vou estudar para concurso. Nunca foi sonho de criança, tem nada a ver com isso.

RDRafa de Martins

Polícia não tava na cabeça ainda. Vou estudar para concurso, estudar para concurso.

MBMUNIQUE BUSSON

Mas aí eu pensei, qual concurso? Porque a galera me pergunta, pô, mas você acha que a polícia é para mim? Você trabalha com internet, as pessoas, né, perguntam conselhos nossos. Falei, cara, isso é uma decisão nossa. Porque eu fiquei imaginando como eu estaria daqui a 10 anos no Banco do Brasil ou na polícia, né, ou qualquer outro concurso, ou no TJ. Então, cara, eu não gosto de rotina. Eu gosto de ajudar o próximo, sempre tive esse lado, esse legado que eu trago da minha mãe de ajudar, de servir.

Eu sou muito de servir. Uma coisa que me deixa feliz é servir as pessoas, é algo meu assim. Então eu falei, cara, por que não a polícia? Tem outra profissão que a gente sirva mais do que a polícia? A gente serve com nossa vida, nossa liberdade, nosso suor por pessoas que a gente não conhece. Por uma sociedade, a maioria ingrata, não todos, mas um sistema que faz tudo para dar errado. A gente, porra, então, cara, eu vou tentar polícia.

Não gosto de ar-condicionado, não gosto de rotina, eu gosto de servir ao próximo e sou meio piroca das ideias. Vamos embora, vamos ver o que que vai dar.

RDRafa de Martins

E não gosta de vagabundo?

MBMUNIQUE BUSSON

Não gosto de vagabundo.

RDRafa de Martins

Casou tudo.

MBMUNIQUE BUSSON

Só que assim, é aquilo, a gente pensa, a gente pensa que vai dar certo. Só que na polícia você só sabe o dia que tu tá lá, né? Seu primeiro confronto, quando tá na comunidade.

RDRafa de Martins

Qual concurso que você fez?

MBMUNIQUE BUSSON

Fiz 2014.

RDRafa de Martins

2014, tá. Aí você passou tranquilo?

MBMUNIQUE BUSSON

Passei. Eu fiquei, eu comecei a estudar e não abria concurso, né? O último foi em 2010. E aí foi em 2012, 2011 que eu comecei a estudar. E aí eu acabava o curso preparatório Aí não abria concurso, eu fazia outro, fazia outro, fui aluna progressão, fiz vários cursos porque eu tava esperando, eu não aguentava mais estudar a mesma matéria. Falei, meu Deus, mas eu continuei estudando, fazia redação de assim, de anão. Eu tirei 10 na redação do concurso.

RDRafa de Martins

Maneiro.

MBMUNIQUE BUSSON

E aí o primeiro concurso que veio, eu saí da prova chorando, falei, pô, não passei, cara, porque foi difícil, foi nível... Tanto que a matéria de história era nível superior, não tava nem no conteúdo programático, né? Até hoje tem uma galera que luta aí por anulação daquela questão do GenePapo, que é uma guerra do GenePapo que só dá em faculdade de história. Você não aprende isso.

RDRafa de Martins

Aconteceu a guerra do GenePapo?

MBMUNIQUE BUSSON

Aconteceu a guerra do GenePapo. Mas eu nem sei se existe. Pois é, porque é só pra faculdade de história.

RDRafa de Martins

Fazia 50 anos que eu não ouvia falar em guerra do GenePapo.

MBMUNIQUE BUSSON

Só que eu acertei, não é porque eu sabia não, foi por eliminação de resposta. Aí eu acertei essa questão. Mas eu saí dali e falei, meu Deus, não passei, estudei tanto. Chorava, Rafa, eu chorava. Porque, cara, você estudar para concurso é algo que você se abdica de muitas coisas, cara. Não é algo que assim, ah, não é um concurso tão difícil. Não é, mas assim, eu deixei de ir a festas, eu deixei de me divertir, eu deixei de fazer várias coisas.

RDRafa de Martins

O concurso não é que seja difícil, é um concurso. São esses concursos da Polícia Militar, são 50 mil candidatos, 60 mil candidatos.

MBMUNIQUE BUSSON

No meu foi 110 mil.

RDRafa de Martins

Porra, 110 mil para 6 mil vagas. Porra, cara, então assim, são 6 mil primeiros lugares. Então assim, nessa eu tô sabendo, você tem que saber mais do que 110.

MBMUNIQUE BUSSON

E outra coisa, para mulher na minha época eram 10% das vagas só. Agora é igual.

RDRafa de Martins

Ah, tinha cota?

MBMUNIQUE BUSSON

Tinha cota para mulher, era 10%. Minha colocação foi entre os 70.

RDRafa de Martins

Caramba, entendeu? Mas você passou bem?

MBMUNIQUE BUSSON

Passei bem, fui da terceira.

RDRafa de Martins

Foi o quê? Foi a neurose mesmo que você bateu? Você achou?

MBMUNIQUE BUSSON

Não tava segura? É porque eu saí dali, eu achei que eu ia gabaritar a prova. E aí eu saí dali com umas questões que eu tava muito na dúvida, eu não sabia se eu tinha acertado. Depois eu sentei lá, fiquei olhando, falei, pô, acho que deu para passar. Aí foi um ano, né, de etapas ali. Tirei tatuagem no pescoço, mas eu queria muito ser polícia. Na minha época tinha, hoje é inconstitucional, né? Na minha eu fiz raspagem, aí tomei mais de 70 pontos.

Loucura! Depois eu te mostro foto. Ficou igual um bife de picanha aqui, né? Eu fiquei dormindo sentada e minha foto rodou. Quando eu cheguei no CEFAP, todo mundo já sabia, a candidata que quase arrancou o pescoço. Era loucura, loucura. Eu dormia sentada, fiquei um mês dormindo sentada. E minha mãe, todo mundo me chamando assim, é maluca, você é doida. Filha, eu queria muito.

RDRafa de Martins

E quando você se deparou com militarismo, como é que foi?

MBMUNIQUE BUSSON

Então, eu não tive dificuldade, Rafa. Assim, a gente tem aquela etapa ali de militarizar, que você perde o ranço de paisano que a gente fala, né, que é a semana zero ali, adaptação até você colocar a farda. Aí tu fica de, né, blusa branca, é recruta, calçadinhas, a blusinha para dentro, cabelo no gel, medo de tudo, até da sombra. Eu não tive dificuldade porque eu sempre tive um jeito meio militarizado, e eu tinha um comandante de companhia que hoje é Major Garcia.

Um abraço aí, Major. Na época era capitão, ele falava, cara, o militar, ele nasce militar ou ele vai se transformar aqui. E ele falava, você já é militarizada. Então eu não tive tanta dificuldade, tanto que eu fui subxerife geral na minha companhia, porque ele queria, ele queria uma mulher, uma FEM, PFEM, para quem não sabe, a Policial Feminina, né, voluntária. Então ele começou a sugar a companhia fisicamente porque ele queria uma PFEM.

Tinham 92 FEMs E ele queria uma voluntária e ninguém era voluntária. E as meninas do meu pelotão ficavam: Busson, vai você, cara, tu tá pegando ordem unida mais rápido. E aí, enquanto eu não fui voluntária, ele não parou de sugar a gente.

RDRafa de Martins

Aí eu, um dia ele tava sugando a gente, eu tava de olho em você. Não, não, todo mundo.

MBMUNIQUE BUSSON

Mas assim, eu treinei muito, comecei a treinar CrossFit para o concurso porque eu pensava que chegava lá ia ser tipo curso operacional, não tinha noção. Tipo Demi Moore, eu tinha que pôr na cabeça, não. Não, eu tenho que chegar lá braba, não sei o quê. Treinava demais. Aí, pô, a primeira suga que teve, eu colei de punho cerrado, sem joelho no chão, olhei para o lado, a maioria. Aí ele já me olhou diferente, ele, essa feia é diferente, né? Aí ele ficava no meu ouvido, vamos, você voluntária.

RDRafa de Martins

Aí acabou que eu fui voluntária. Burro bom joga carga.

MBMUNIQUE BUSSON

Foi o maior arrependimento da minha vida. Tô brincando, mas pô, se eu soubesse.

RDRafa de Martins

Você quando era nova, você falou que tinha essa coisa militar. Você quando era nova, você já tratava teus pais tipo sim senhor, não senhora? Você já tinha esse tipo de respeito? Não, eu tinha muito respeito os meus avós, né?

MBMUNIQUE BUSSON

Como fui criada por avô e avó, você tem, né, o hábito de pedir bênção, né? Tem essa coisa de respeito. Sempre fui muito respeitosa também. Você tinha, sim, senhor e senhora.

RDRafa de Martins

Vou te contar uma coisa, eu me livrei de um golpe. Eu tenho me livrado do golpe. Teve um cara uma vez que ele pegou a foto do meu filho, botou no celular, aí mandou uma mensagem para mim assim: pai, tudo bom com o senhor? Quando eu li tudo bom com o senhor, eu falei assim: não, eu não dei essa educação para o meu filho. Não é meu filho, não é meu filho.

MBMUNIQUE BUSSON

Então se safou do golpe por isso.

RDRafa de Martins

Mas então, e aí você virou subxerife.

MBMUNIQUE BUSSON

Aí quando eu fui voluntária, no dia que eu fui voluntária, ele falou assim: é um por querer faz mais do que 10 por dever. Por isso que eu queria uma voluntária. E assim, a mulher ela tem mais dificuldade de se militarizar. A mulher ponderona, reclamona. Ai, mas por quê? E a gente sabe que no militarismo, irmão, a gente administra o caos, ô Rafa. É o que tem ali para trabalhar e se vira, filho. Não tem como tu mudar a imagem da Cruz.

Tu entrou ali, já é aquilo desde 1809, filho. E a mulher tem essa dificuldade. Ah, mas por quê? Ah, mas por que aqui? Minha filha, vamos embora. Aí eu ficava acelerando elas, tanto que assim, tem umas que são traumatizadas comigo até hoje, porque eu gritava no ouvido dela. E assim, como eu sempre fui muito exigente comigo, Eu era muito exigente com meu pelotão. E assim, a mulher, Rafa, às vezes tu fala, ai, sofreu, sofre muito preconceito.

Eu dava uma— sofremos, sofremos. Só que eu entrei preparada para isso, porque no ambiente majoritariamente masculino você vai sofrer o quê? Recepção calorosa? Não vai, cara. Até os homens têm dificuldade de adaptar a mulher no ambiente. Então assim, eu já fui preparada para o pior, filho. Meu irmão, vai falar gracinha, vai ouvir gracinha, vai ser posto no lugar. E é assim desde que eu entrei até hoje. Por isso que os outros falam, ai, problemática.

Não, cara, eu só não aceito desrespeito e desaforo, só isso. Então assim, eu queria colocar o meu pelotão no melhor. Tem aquelas coisas de paradão, né, que toda sexta-feira desfila todos os pelotões. E eram 3 companhias, eram 1.200 policiais. Aí o pelotão que desfilasse mais alinhado, bonitinho, o comandante do CEFAP ia liberando primeiro para ir embora. Sexta-feira, tudo doido para ir embora, semana sugada. E eu falava para elas, a gente vai, nós vamos ser as primeiras.

Aí só que assim, no horário de intervalo de lanchar, eu ficava treinando com elas no pátio. Elas ficavam com ódio de mim, que elas queriam descansar e eu queria exigir o melhor do meu pelotão. E toda sexta-feira nós éramos liberadas primeiro. Porque a gente é alinhada aí, que eu sou exigente.

RDRafa de Martins

É um Cefap só de mulheres?

MBMUNIQUE BUSSON

Não, eram 3 companhias. Minha companhia eram 430 e poucos policiais e 92 FEMs. Meu pelotão era só FEM. E eu vou te falar, é um desafio muito grande você comandar seus pares, porque você não é oficial, você não é superior a eles. Você vai ser odiado, Rafa, de maneira ou outra vai ser odiado. Então, já que eu ia ser odiada, que sejamos as melhores. E eu falava, meu irmão, não tô aqui para fazer amizade não, eu quero ser a melhor e acabou.

E tipo assim, hoje, né, muitas falam, cara, que doideira, Bussom! Mas ainda bem, né, que tinha você lá para puxar a gente. Tinha briga dentro do pelotão, meu irmão, eu fechava a porta assim, matem aí dentro, sai na porrada, o capitão não vai saber disso. Porque era função do xerife filtrar os conflitos, né? Então assim, com o tempo a gente se adaptou. Foi bom para caramba, um grande aprendizado. É assim, a gente tem essa dificuldade às vezes de lidar com superior hierárquico.

E como eu sempre fui comunicadora, vendedora, nunca tive essa dificuldade. E a gente como recruta tem medo. Pô, eu tinha que subir lá no paradão e apresentar minha companhia para o coronel, pô. E eu ia, bati assim no— permissão— gritava na cara dele. Aí quando eu acabava de apresentar, ele fazia assim, ó, para tirar o cuspe, que eu tinha cuspido na cara dele. Tá apresentada a sua fêmea maldita, sai daqui da minha Mas eu acho que é isso, cara.

RDRafa de Martins

Ela submete o seu policial a tantas situações que os caras ficam preparados mesmo. Você vê que preparado para essas situações de estresse, principalmente que a rua exige, né? Quando você se formou, qual foi? Para onde você foi? Primeiro batalhão?

MBMUNIQUE BUSSON

21, Jacarezinho. 21, não tem ADP? A 21 ADP não é lá na área? Fui para o Jacarezinho, PP Jacarezinho.

RDRafa de Martins

E como é que tava nessa época lá? Tinha um PP, mas o PP já tava meio que desandando.

MBMUNIQUE BUSSON

Não tinha UPP, mas tava naquela fase, não sei se tu lembra, 2015 era a fase que todas as UPPs estavam virando, que a gente fala virando no sentido de ter muito confronto, porque a UPP entrou pacificando, tanto que os policiais usava aquela roupa tipo de trocador, lembra?

RDRafa de Martins

Era azulzinha, né?

MBMUNIQUE BUSSON

Azulzinha, não usava nem farda operacional. Era porque a unidade de polícia pacificadora. Só que o projeto é muito bonito se o Estado entrasse atrás, e não entrou. Era só o PP. Eu até falei isso ontem no Iron Talks. E qual o problema? O Estado não entrou, Rafa. O Estado não entrou. A polícia entra com operação, ocupação, e o Estado com saúde, educação, cultura, arte, não tinha. Aqui começaram a fazer, colocar os policiais para dar Aula no projeto.

Não, vamos combinar, eu tenho um amigo aqui, o Cássio, ele tinha um projeto lá no Jacarezinho, cara, esquece, ele salvou muita, muita criança, botou criança campeão mundial, viajou com criança, o trabalho dele é sensacional, não tô criticando o trabalho do colega, veja bem, mas eu acho que não é responsabilidade da PM, é do Estado.

RDRafa de Martins

Você pode ter um colega que deu aula no Jacarezinho, legal, Mas porra, não era só o Jacarezinho que tinha UPP.

MBMUNIQUE BUSSON

Você tinha UPP em vários lugares.

RDRafa de Martins

Você teria policial rodando em todas as UPPs? Então, ou seja, ainda que tivesse, porra, não teria que ter também, porra, Secretaria de Esporte ali, porra, dando um apoio e tal, não sei o quê? Porra, ajudando com material, com assistente, com uma galera pra pegar outros horários e tal?

MBMUNIQUE BUSSON

É que tudo cai no colo da PM, filho. E da Civil também. Quando a política pública não funciona pra segurança, a culpa é nossa, porra. Então, ah, o Estado não entrou, que se dane, bota o polícia lá para dar aula mesmo, pô. Aula de reforço, aula de jiu-jitsu, aula de— Então assim, eu cheguei nessa fase que os vagabundos começaram a voltar para as UPPs, e aí começaram os confrontos armados. Já era farda operacional, só que com 15 dias que eu cheguei, 15 dias tinha morrido 3 polícias em uma semana.

Tu lembra disso? No Jacaré morreu 2 policiais em uma ocorrência só, na Rua do Rio. Um foi baleado, o outro colega foi socorrer, botou ele nas costas, tomou tiro, morreu os dois. Aí dias depois morreu mais um polícia, comando caiu. Então eu cheguei nessa fase, olhão de Mônica, um medo danado de morrer. E outro fator, era mais recruta em UPP, não tinha polícia antiga, era soldado e cabo, filho. Tu imagina, tu imagina. Então assim, a gente foi forjado ali, foi forjado na merda mesmo, na guerra, perdendo colega toda hora, um baleado.

RDRafa de Martins

Lembra o primeiro dia de trabalho?

MBMUNIQUE BUSSON

Lembro. Primeiro, não, eu lembro do dia que a gente se apresentou, que a gente se apresenta quando publica, né, cara? Uma tensão, todo mundo lá no CEFAP esperando a publicação, porque era assim, tem unidades que eram lá, que você sabe, lá no CEFAP que você é lotado, né, publicado em BOL, que é nosso boletim interno. Tinham as UPPs de área verde, amarela e vermelha. Só que eram 3 companhias, lembra que eu te falei? As companhias eram mais antigas, era a companhia do Gabriel Monteiro, que era a 4ª CIA, aí depois a 1ª CIA e a minha 5ª CIA.

Era diferença de uma semana, um entrou dia 7 de dezembro, 14, a minha 21. Então eles formaram 2 semanas antes, eles pegaram as unidades verde e amarela, e algumas vermelhas. As piores, as piores UPPs, as vermelhas, sobraram para quem? Para minha companhia. Então minha companhia só pegou Vila Cruzeiro, Jacarezinho, Alemão. A primeira C também pegou, pegaram UPPs vermelhas. Mas e aí chegamos lá para se apresentar, eram 17 recrutas.

Um polícia de bico pronto lá pra descer com a gente pra comunidade. E a gente na mão, filho.

RDRafa de Martins

Mas você recebeu a arma onde? Lá na hora?

MBMUNIQUE BUSSON

Não, foi se apresentar. A gente tava se apresentando pra saber o dia de serviço, qual serviço, quando que você ia trabalhar. Só que a gente desceu a comunidade na mão, no paisano. Quando eu cheguei no Jacaré, lá no Aná Base Azul, que eu olhei pras caixas d'água tudo furada, Rafa, eu falei, lascou, vou morrer hoje. Cara, é um desespero. Mas tu tem que manter o controle emocional, né? Eu também não ia dar mole não, não me lasquei toda para chegar aqui e desistir.

Aí o colega que puxou a ponta, o Marques, lembro o nome dele até hoje, Marques, ele desceu de fuzil, a gente no paisano, né? Falei, pô, me empresta essa pistola aí, cara. É ele, tem abusado aí, toma aí, toma aí. Eu fui, desci de pistola. Aí depois a gente ficou sabendo que os vagabundos falaram, a favela tá cheia de P2.

RDRafa de Martins

Que nada, eram 17 recrutas desarmados na mão Eles têm uma coisa com pedos, cara.

MBMUNIQUE BUSSON

Tem, né?

RDRafa de Martins

Já várias vezes também eu já fui no lugar assim que dá uma dura, tal, não sei o quê. Você saiu depois, pega elas, os pedos tava aqui na gente.

MBMUNIQUE BUSSON

Eles têm um cagaço com pedo danado.

RDRafa de Martins

Mas me diz uma coisa, e qual foi o dia assim que você passou algum perrengue lá?

MBMUNIQUE BUSSON

Muitos, muitos.

RDRafa de Martins

Primeiro perrengue a gente nunca esquece.

MBMUNIQUE BUSSON

Primeiro perrengue nunca esquece.

RDRafa de Martins

Conta aí o primeiro perrengue.

MBMUNIQUE BUSSON

Primeiro perrengue, primeiro perrengue, o primeiro, primeiro eu não posso contar, depois eu te conto.

RDRafa de Martins

Segundo então, o segundo, o segundo.

MBMUNIQUE BUSSON

Então foi a minha primeira troca de tiro que eu fiquei no bico, assim, eu me apresentei e aí o subão lá, antigão, o brigada, ele falou assim, tinham muitas fãs, né? Aí ele falou assim, vamos ter que arrumar aí, ó, tantas vagas para no administrativo para as fãs. Falei, não, não vai arrumar. Vamos dizer, era 8, vai arrumar 8, senão arruma 7 que eu vou pra tropa. Aí ele, é, ué, fã, tu conhece a comunidade? Falei, não senhor, mas meus amigos masculinos também não conhecem.

Tipo assim, eu queria ser tratada como combatente, não como fã, né? Aí ele, é, engraçadinha, se eu for baleado você vai conseguir? Porque realmente tava muito complicado o terreno. Então eu acho que é até uma forma de cuidado, sabe? Não é nem machismo. Aí ele: você vai conseguir me socorrer se eu for baleado? Ele tava meio gordinho. Falei: na atual conjuntura, nem o masculino, né, chefe? Aí ele me correndo, ele: tá bom, então vamos ver se tu vai bancar.

E me botou no beco, mas é meio que contra a vontade. Então assim, eu acho que existe esse—

RDRafa de Martins

só tinha que bancar o beco ali.

MBMUNIQUE BUSSON

É, mas na verdade era assim: a gente bancava o beco, eram uns 12 policiais de FAL 12 horas em pé olhando para o outro lado do beco, que o vagabundo tava do outro lado de cá.

RDRafa de Martins

Mas aí apareceu vagabundo?

MBMUNIQUE BUSSON

Aí nesse momento ele ficava botando a cara, né? Aí eles tinham um hábito lá de botar o espelho no final do beco. Aí a gente faz o quê? A mesma coisa. A gente botava o espelhinho aqui para quê? Para tu não ficar expondo o corpo e o rosto. Então a gente ficava aqui encostado e olhando pelo meu espelho, eu olhava o espelho dele lá. 12 horas em pé bancando aquilo. E se tu sentasse, desse mole, eu olhasse celular, eles subiam, dava uma rajada em você.

Então assim, os meus primeiros 2 meses até ir pro GT-PP foi assim. Eu chegava em casa com isso aqui dormente, Rafa. Eu falava, cara, eu fiz prova pra polícia pra isso? Porque assim, é um pouco frustrante. Você acha que tu vai chegar, vai fazer o que tu quer, e não é. Polícia não é assim, Rafa. Não é. Não é como a gente quer. Não é como a gente imagina.

RDRafa de Martins

A gente não vai soltar um bandido. Pode ser que um dia tenha sido assim. Os antigões lá da Polícia Civil falam assim, meu irmão, mostrando a carteira dele. Na minha época, quando eu entrei com essa carteira aqui, mostrava a carteira, você pilotava até avião. Chegava piloto, sai!

MBMUNIQUE BUSSON

Vagabundo não podia olhar pra dentro da viatura, que o pau comia.

RDRafa de Martins

E aí você saiu de lá, foi pro GTPP.

RBRômulo Brito

GTPP.

MBMUNIQUE BUSSON

Que é o Grupamento Tático.

RDRafa de Martins

Mas assim, vamos lá. Antes de você ir pra GTPP, Nessa tua estadia ali, na sua estadia lá no Jacaré, qual foi a lição que você tirou ali como policial e como uma Monique? O que que você trouxe, carregou contigo ali de aprendizado?

MBMUNIQUE BUSSON

Ali, cara, ali eu aprendi com homens e mulheres de honra o que que é irmandade, que literalmente a merda une. Que o que a gente passou ali dentro, Rafa, eu vou te falar, por isso que assim, eu até vejo, né, eu ia comentar, teve um provavelmente policial que comentou na postagem de anúncio daqui, como é que é, que ele botou: vasta experiência, tá de sacanagem, tentando diminuir a minha história. Cara, eu não fico me justificando nem, mas assim, eu respeito muito a minha história.

Só eu e os colegas do Jacaré e Deus sabe o que nós passamos lá, Rafa. Só a gente sabe. Uma época que éramos 200 e poucos policiais, a metade da tropa era baixada da psiquiatria, pô. E eu banquei a minha etapa, pô. Eu banquei a minha etapa. Então assim, ali a gente aprende a dar valor à irmandade, hombridade, coisa que você, cara, um colega bota o peito para tomar tiro por você, protege suas costas. Uma situação que, cara, eu já precisei fazer necessidade fisiológica na laje da casa de um morador de comunidade, pô, que não dava para descer.

Descia, ia morrer. Então são coisas que só a gente sabe o que passa, Rafa, entende? Então ali, ali eu saí dali, perdi dois amigos ali. Então ali você entende que o quê, cara? A vida não é porra nenhuma, Rafa. Não é nada, mano. Então o que que fica? Nosso legado. O que que você faz? Eu cansei de me sacrificar, de me colocar em lugares ruins. Eu sou FEM, pô. A gente sabe que a polícia é uma mãe para FEM. O nego vai ficar puto de ouvir eu falar isso, mas é a verdade.

Se eu quisesse ter ficado interna, teria ficado, e eu não quis. Eu quis me colocar em situações difíceis para aprender a ser polícia, para me forjar. Eu pensei, cara, vai chegar o momento de eu trabalhar interno, mas eu quero chegar na polícia e aprender a ser polícia, porque depois eu vou me acomodar e não vou querer. Então que eu banque minha etapa primeiro. E banquei, Rafa. Eu nunca falei que eu sou pica, que eu sou a mais matadora, que eu sou— nunca falei isso.

Mas que eu banquei o meu arroz e feijão bonitinho, eu banquei. E isso ninguém pode tirar de mim, negar, não pode. Então assim, ali eu fiz amigos Fiz irmãos, perdi, chorei, mas fui muito feliz. Fiz amizade dentro da comunidade, que eu tenho contato até hoje com moradores de lá. E eu vi que no fim, Rafa, essa guerra injusta que a gente vive, que é uma guerra injusta, é só fruto de péssima política. E quem sofre é a gente que tá na ponta da lança, nós e os moradores.

RDRafa de Martins

Cara, você chegou no ponto que você contando essa história foi aonde Eu ficava pensando, você ia contando essas coisas que aconteceu, eu ficava pensando assim, né, você ia falando, eu pensava assim, caralho, meu irmão, como é que o Estado permite que os seus agentes, os seus representantes, estejam em um território onde eles ficam em risco de vida permanente? Ou seja, o Estado não tem domínio daquele território, aquele território dominado por um monte de pé de chinelo, um monte de maluco, um monte de inconsequente.

Mas aí o Estado, para mostrar para o inglês ver, ele pega seus agentes, coloca ali dentro, ainda com risco de vida deles, porém, e reconhecendo que aquilo ali pertence a eles. Então fala assim, caramba, como isso é possível, cara? Como isso é possível? No Rio de Janeiro, para mim, assim, só tem duas explicações. Ou os responsáveis, a política que você fala, os caras estão na sacanagem, tão macumunados, não tem outra explicação.

Tem alguém na sacanagem, tem alguém se dando muito bem com isso. Pô, então uma incompetência, bicho. Porque segurança pública sempre foi por isso que assim, cara, eu apoio da polícia por mim mesmo. Eu tinha um parlamento só de polícia, sabe por quê? Para falar de segurança pública. Porque, cara, você vai botar para falar de segurança pública, as políticas de segurança pública são sempre equivocadas. Você chama o representante da ONG, representante da OAB, do Ministério Público, do Judiciário, de tudo que é lugar, só não chama polícia que tá lá, meu irmão. Só não chama você que teve lá dentro. Você é a única que não é escutada.

MBMUNIQUE BUSSON

Eles escutam todo mundo, mas eles não querem.

RDRafa de Martins

O sociólogo, o caralho, só não fala com o cara. Vem cá, meu irmão, você que tava lá, conta aí como é que era para eu entender. Porra, quando você pega o depoimento aqui, um depoimento você me deu aqui, porra, 5 minutos. Caralho, velho, eu nem posso falar tudo, porque se eu te falar tudo, um monte de jovem, os meninos de 20 anos, 23 anos, 24 anos, colocado ali, pô, todo trabalho, um risco de vida, meu irmão.

MBMUNIQUE BUSSON

E a verdade é que assim, eles não querem que a gente sente lá para a gente de fato não tentar resolver o problema. Porque assim, hoje eu te digo, eu tenho estudado bastante o modelo Bukele, Medellín, e todos começaram assim com uma ocupação tipo a UPP. Só que assim, a UPP, a ocupação bélica que a gente fala ali, com polícia, com armamento, aquilo é só a primeira etapa da operação, Rafa. Problema que é que no Rio entrou o PP e acabou, parou.

Tá errado, pô. Sabe que Medellín a gente tem? Eu tava estudando que eles têm lá um mini fórum. Foram assim dias de confronto, de prisões, neutralização de vagabundo, aquela guerra, sangue derramado. Só que depois que estabilizou o terreno Entrou as Forças Armadas, ocupou de verdade. Então ajuda do governo federal com governo estadual e o municipal também. Arma a guarda, porra! Tem problema para todo mundo aqui no Rio de Janeiro, Rafa.

A verdade, o que parece que, parece que não quer de fato resolver o problema, pô. Parece que a política de fato não quer, sabe por quê? Lucra com caos, lucra com a miséria do povo, com a desgraça do povo. Infelizmente é isso. E eu percebi isso com 10 anos e meio de polícia, porque a gente fica nessa sensação de enxugar gelo, porra, de você perder um amigo hoje e amanhã rolar baile funk ali no mesmo lugar, porra. E a nossa vida não vale o quê?

Nada? Vale o quê? Cadeira de político? É por isso que eles não querem polícia na cadeira, pô, porque nós somos idealistas. A gente vive por ideal, por propósito. E aí, quando você tem ideal, é difícil você negociar seus valores, é muito difícil. Então eu saí dali do Jacarezinho, depois eu trabalhei em diversas outras unidades, mas ali para mim foi uma escola de vida assim, Rafa, de vida, de eu ver crianças ali Crescendo à mercê do estado paralelo.

Era uma coxinha que eu pagava, um açaí que eu pagava para talvez mudar um pouco a concepção, porque a gente é demonizado dentro da comunidade. Que se o estado, a facção tá dominando, quem vai dominar ali a narcocultura são eles, porra. São eles que vão dominar, eles que são o bambambã da área. O estado tem que retomar isso, Rafa. A gente tá com 20% de território Dominado por facções, porra.

RDRafa de Martins

Você foi quanto tempo no Jacaré?

MBMUNIQUE BUSSON

Quase 3 anos.

RDRafa de Martins

Envelheceu 30.

MBMUNIQUE BUSSON

Porra, se eu te mostrar uma foto aqui, não é sacanagem não, cara.

RDRafa de Martins

Eu tava olhando aqui esses dias, eu falei, meu irmão, se eu pego foto minha quando entrei na polícia, porra, parecia aqueles menudos, sabe? Você lembra aquele dominó, aquele bad boy, bad boy, né, que canta, dança? Porra, meu irmão, 10 anos depois já tava aquela cara de judiado, aquela sofrida. Deixa o cara— eu queria até te fazer uma pergunta. Você levantou uma bola bem bacana, Monique. Vai mostrar a foto aí, você?

MBMUNIQUE BUSSON

Eu tô procurando, mas não tô achando a foto quando existia. Não, uma doçura no olhar. Meu Deus, muito sugada! Deus que me livre.

RDRafa de Martins

Deixa eu te fazer uma pergunta. Você falou que estudou o Bukele, né? Esse sistema aí do Bukele e de Medellín. Cara, quais foram as conclusões que você tem chegado com esses estudos? O que que você acha que a gente consegue jogar? E assim, aquilo ali foi um processo, sim, muito grande, porra, meu irmão. Não foi? Eu vi o documentário lá da Brasil Paralelo, né? Então, porra, você vê, eles tinham um judiciário, um legislativo todo aparelhado, todo na sacanagem.

Então, porra, Bukele tentou montar um partido, não conseguiu, te roubaram o partido dele, aí ele entrou para um outro partido. Aí caçaram o outro partido, ele era de esquerda, né? E de última hora ele entrou para o terceiro partido, que era um partido muito grande, ele conseguiu entrar. Depois que ele conseguiu mudar a estrutura do Judiciário, que aí ele conseguiu montar o partido dele, conseguiu ganhar o Congresso e tal. Então assim, não foi uma ruptura revolucionária, ele não fez assim uma revolução armada como foi os moldes de Cuba, tal, não sei o quê. Foi um processo legal.

MBMUNIQUE BUSSON

Algumas pessoas falam que foi golpe, né? Golpe interno.

RDRafa de Martins

Hoje ele Cara, o cara dominou, o cara resolveu um problema.

MBMUNIQUE BUSSON

Resolveu.

RDRafa de Martins

Mas o que que você, no seu estudo, quais foram as conclusões que você chegou? O que que você foi pegando ali que você entende, pô, isso aqui dá pra botar, cara, isso aqui dá pra fazer, isso aqui...

MBMUNIQUE BUSSON

É, o problema que assim, nós temos aqui no Brasil, não adianta a gente olhar em El Salvador, porra, o país é desse tamanhinho. Aqui Brasil, quantos bilhões, né, de habitantes? É tudo, tudo é muito mais escalado, os problemas também. Mas era uma das cidades mais perigosas do mundo, assim como Medellín, né? E assim, o que que eu percebi lá? De fato, politicamente, a gente tem esse problema. Quando o governo federal tá de direita, o estadual tá de esquerda, aí não consegue trabalhar.

E aí o projeto da UPP era um governador, tinha tanto de investimento ali, mudou o governador, ele não dá continuidade ao projeto do governador anterior por ego, por nome, por vaidade. Quem perde é a gente, que é cidadão, polícia, todo mundo perde. Então a gente tem esse problema político hoje no Brasil. E o que que eu percebi lá em El Salvador? Isso, ele mudou, ele fechou a porta do Congresso e derrubou o STF, filho. Só assim ele conseguiu mudar. Mudou Constituição, mudou tudo. Aqui a gente vai conseguir fazer isso?

RDRafa de Martins

É, assim, eu assisti, acho que tem mais de um documentário sobre El Salvador, né? Eu assisti um que tá disponível de graça no YouTube. Que é o primeiro lá que fala como é que faz a filmação, você corta, não sei o quê. Cara, tu sabe o que ficou na minha cabeça? Uma coisa que eu acho que dá para a gente fazer, não faz por causa de sacanagem aqui, que eu acho que já resolveria. Vê se você concorda comigo, tá? É tudo, a gente tá aqui, porra, a gente tá refletindo dentro da confortável situação de que a gente não decide nada, entendeu?

E não é a gente, cara. O que eu acho é o seguinte: o Bukele controlou O presídio. As facções criminosas do Rio de Janeiro, PCC e CV, surgiram dentro dos presídios. Todas as facções surgem dentro dos presídios. Os líderes estão dentro do presídio e comandam tudo que acontece fora dos presídios. A gente pega um vagabundo, a gente prende um líder e bota para dentro do presídio. Só que eu percebo, a gente não tem controle do presídio.

O advogado entra a hora que quer, entrevista, quando tem entrevista particular, leva recado, tira recado, entra droga, sai droga, celular, Porra, meu irmão, então agora, a partir do momento que você controla o presídio, eu vou dar um exemplo. O colega fulano Muquiço fazer lá, capturar lá um vagabundo, porra, foi, sofreu uma emboscada. O colega da Polícia Civil, semana passada, retrasada, mataram o colega, cara. A gente tendo lá no Muquiço direto, numa dessas, acho que essa semana, os colegas foram lá no Muquiço, chegaram lá, tinha ninguém.

Tava vazio. E naquele estacionamento tinha um colega que chegou e falou assim, porra, Rafa, mataram um colega, meu irmão. Como é que nego tem coragem de avisar que vai ter uma operação numa favela que emboscaram um colega? Olha, olha o nível do mau-caratismo de um policial que avisa que vai ter operação dentro de uma favela que mataram um colega nosso na emboscada.

MBMUNIQUE BUSSON

É vagabundo falhado, pô.

RDRafa de Martins

Aí eu falei com ele assim, posso falar uma parada, meu irmão? Sabe como é que pegaria esse maluco? Vai no presídio, olha só qual a facção aqui do— acho que é o terceiro. Vamos lá no terceiro. O terceiro, negócio é o seguinte, não tem visita aí, não tem mais visita, não tem filé mignon, não tem uma porra, não tem droga, não tem merda nenhuma agora. Eu quero os caras presos, meu irmão, em um dia. Fechou aquela porra, 2, 3 dias que não tem, acabou, entrega o cara.

Porque tem que controlar, a gente não tem mais controle no presídio, bicho. Os cara faz o que quer. Então correria é uma coisa, sinceramente, meu Meu irmão, vontade política tu resolve de hoje para amanhã. Você controlar o presídio, meu irmão, em uma semana tu controla essa merda. Controlou o presídio, olha só, se tiver roubo, tá, em determinada região e a gente seguir o celular, o celular que bater no morro da facção XYZ, a facção vai ser punida aqui dentro.

Ah, mas foda-se, vocês controlam, vocês têm um domínio, é a teoria do domínio final do fato. Certo, vocês têm um domínio final do fato. Nada acontece. Vocês derem uma ordem aqui, o cara morre lá.

MBMUNIQUE BUSSON

Não faz nada.

RDRafa de Martins

Se você der uma ordem aqui, surte efeito lá. Então, meu irmão, roubou, bateu no CV, pronto, já não tem mais visita. Semana que vem ninguém visita ninguém. E, meu irmão, e advogado, meu irmão, não tem conversa particular com advogado. É aquele telefonezinho gravado. Tudo que vocês conversarem vai ser gravado. A gente vai saber que tá gravando. Tá preso, porra. Agora tá sob nossa responsabilidade. Agora, quando eu vi o negócio do sequestro, Meu irmão, os caras, luz acesa o tempo inteiro.

MBMUNIQUE BUSSON

Que eles juntaram todas as gangues lá, juntou todo mundo. Exatamente. Como é que aprendeu a conviver? Aprendeu a conviver, ou se ama ou se mata, ou se odeia, o que você quiser. Aí fica um de um lado, outros do outro, dentro da mesma cela. Tipo assim, acabou, pô.

RDRafa de Martins

Sem proteína, luz acesa, silêncio. Não tem conversa, todo mundo em silêncio, meu irmão. Cara, isso aí, bicho, vou te falar, se eu sou vagabundo e El Salvador e não fui nessa leva, eu ia estar com meu botim fechadinho, quietinho, só trabalhando.

MBMUNIQUE BUSSON

Agora tá custando caro, né? Quando custa barato, como aqui no Brasil, custa barato ser vagabundo, não custa porra nenhuma, tu não fica preso. E quando ficar preso tem regalias.

RDRafa de Martins

Tu não acha que controlar o presídio de Azul é uma puta merda?

MBMUNIQUE BUSSON

Então, mas Até chegar a esse ponto do secote, teve muitas outras implantações antes, entendeu? Ele trabalhou, e assim, não foi da maneira que a mídia coloca. O Bukele deu a oportunidade de um ano, ele criou as bibliotecas primeiro, oportunidade de emprego, deu a oportunidade, mas a gangue, acho que eles não acreditavam o que ia acontecer.

RDRafa de Martins

Agora, tu tem que ter peito, isso o Bukele tem, para enfrentar a comunidade internacional, que aquilo ali é um bando de vagabundo, de vagabundo. Direito humano, fica quando esses caras estavam cortando cabeça aqui de trabalhador, de morador. Vocês nunca falam direito humano, agora fala direito humano.

MBMUNIQUE BUSSON

Por quê, meu irmão? O Rafa, tu já viu algum direitos humanos em enterro de polícia? Eu nunca vi, eu nunca vi. Agora lá na mega operação, primeira coisa que aconteceu foi direitos humanos lá na comunidade. Agora para família do polícia não tem. A esposa do comandante Felipe aí Ela falou, direitos humanos nunca procurou ela.

RDRafa de Martins

Quer ver uma coisa interessante? Até um cidadão normal meu, cidadão normal vai lá, pô, moleque rouba o cara, tanto isso aqui, dá um tiro na cabeça dele, tanto isso aqui, mata ele. Meu irmão, o direito humano tem que já botar um advogado imediatamente pra essa família pra pedir uma indenização do Estado. Porque se o Estado puxou pra si, trouxe pra si a responsabilidade da segurança pública, retirando do cidadão normal o poder de andar armado e se defender, não, olha só, você não pode ter paz, eu vou te dar minha segurança, eu vou profetizar segurança.

Então, se o Estado não impediu que você fosse roubado e assassinado, seu filho fosse roubado e assassinado, então você, o Estado tem obrigação de te indenizar. Então essas ONGs, entendeu? Essas ONGs, em vez de processar o Estado para indenizar o cidadão comum por ter perdido o filho, que já que o Estado era responsabilidade do Estado da segurança para aquele moleque, não, eles ficam atrás de bandido, de vagabundo o tempo inteiro.

Então, porque o direito humano é dele também, você tá entendendo? Eu acho assim, se a ONG fizesse, não, vou proteger esse bandido que ele tem o direito humano dele, porra, beleza, mas aquele cara ali também, meu trabalhador, também tem o direito dele.

MBMUNIQUE BUSSON

Tem nada. E foi É mau-caratismo, Rafa, é proposital. A gente sabe que existe narcopartido que é financiado. A gente é difícil de provar, mas a gente sabe que acontece, né?

RDRafa de Martins

E o exemplo de Medellín, que Medellín eu não sei nada.

MBMUNIQUE BUSSON

Eu sei que Medellín tinha a Comuna 13, é uma comunidade maior do que a Rocinha, e foi uma das comunidades mais perigosas do ano 90 até 2000, para tu ter noção, assim. Homicídio por 100 mil habitantes. Aqui nosso primeiro estado é Amapá, depois é Bahia. Acho que tá de 48 por 100 mil habitantes. Rio de Janeiro, que a gente acha que é brabo para caramba, tá 22, tá em 15º lugar. É, então nosso Nordeste tá ganhando de disparado. Para tu ter noção, na Comuna 13 era 300 habitantes por 100 mil. 300 homicídios por 100 mil, para tu ter noção como que era.

Isso até 2002, que foi quando teve a, acho que é Órion, o nome da Operação Órion. Filho, esquece, foi exército entrando, todas as polícias, esquece, até pegar o último dono da facção, FARC, tudo. E aí, depois que teve essa ocupação O Estado entrou e começou a fazer a integração da comunidade com o resto do Estado.

RDRafa de Martins

Fizeram teleférico.

MBMUNIQUE BUSSON

Você não tem noção do tamanho da comunidade. Depois dá uma pesquisada. É escada rolante do alto da comunidade até a pista. A comunidade toda grafitada, coisa mais linda. Virou ponto turístico. Ali economicamente mudou, deu oportunidade de trabalho. Comunidade de arte, cultura e esporte. É isso que precisa. Sabe por quê, Rafa? Não é só operação policial que vai resolver problema de segurança pública, não. É construção social. Como que se faz isso?

É dever do Estado. É dever do Estado, pô. A gente paga nossos impostos. Morador de comunidade, ele não é menos humano do que a gente, não. Ele também tem esse direito, né? Deixar os caras abandonados. E pô, gente, eu vivi dentro de comunidade, eu sei. Eles vivem oprimidos. Joga bilhetinho desesperado, pô, não sai daqui. A UPP, quando acabou, vinha morador chorando, pelo amor de Deus, o que vai ser da gente?

RDRafa de Martins

Caralho.

MBMUNIQUE BUSSON

Então assim, é desumano. Morador morre em cima da comunidade, lá no alto, não sobe Defesa Civil não, tem que descer o corpo no lençol, cara. Isso é humilhante, porra. Isso é humilhante, Rafa.

RDRafa de Martins

Você falou uma coisa, você falou uma palavra: não ficar abandonado. Você vê que o foco da violência vem dos lugares abandonados pelo Estado.

MBMUNIQUE BUSSON

E é isso, porque vácuo de poder. Quando existe o vácuo de poder, o Estado paralelo entra, pô. Isso não pode acontecer. E que que acontece aqui? A comunidade, eles vão tomando mais território, mais e mais, que eles estão vendo que o lucro também não é só na venda de droga. Você sabe disso. Então quanto mais território, mais internet vai cobrar, mais gás vai vender. Então, cara, a gente já perdeu o controle do Estado, já perdeu a soberania.

O nego tá preocupado com Trump vai tirar soberania. Que soberania? Porque aqui no Rio de Janeiro já não tem mais.

RDRafa de Martins

Você tá repetindo o que eu falo aqui.

MBMUNIQUE BUSSON

Soberania do Comando Vermelho, da milícia do Comando Vermelho, da sacanagem, de tudo, da corrupção. Então a gente precisa trabalhar a construção social como foi construído lá em Medellín. Me pergunta, Bussão, acabou a venda de droga? Não, não acabou, mas vende no sapatinho, meu irmão, sem arma exposta, sem influenciar criança, com a presença do Estado. Que eu acredito que não dá para zerar, já tá entranhado na economia do mundo. Só que dá para controlar, Rafa.

RDRafa de Martins

Entendeu? Tem um discurso muita gente que às vezes quando você vai querer endurecer uma pena, tá fazendo assim, é, mas isso não vai acabar com a criminalidade. Eu falei assim, meu irmão, nada vai acabar com a criminalidade, porra. Você tinha Adão, Eva, Caim e Abel, porra. Caim pegou e matou a porra de Abel. Eu não sei quantas pessoas, o que eu sei eram 4, eram 4. Adão, Eva, Caim e Abel, porra, já teve um crime. Então assim, desde que mundo é mundo, crime vai existir mais.

MBMUNIQUE BUSSON

Você tem que ter controle, pô. Certo e errado, bem ou mal, isso aí sempre vai ter, porra. Ninguém tá aqui para zerar, para prometer coisas que não vão acontecer, não é isso. Mas a gente tem que ter o controle do Estado, Rafa, tem que ter, cara.

RDRafa de Martins

E deixa eu te fazer a pergunta: você é pré-candidata federal ou estadual?

MBMUNIQUE BUSSON

Pré-candidata a deputada federal.

RDRafa de Martins

Federal, cara. Como é que você recebeu as notícias, né, da, de, porra, pessoas da Lerje, meu irmão, de alto escalão ali sendo acusadas e presas por envolvimento Comando Vermelho. Curiosamente, tá, curiosamente, esses últimos 4 anos foi onde eu vi a maior expansão do Comando Vermelho, no caso em comunidades de Jacarepaguá, Rio das Pedras, tal.

MBMUNIQUE BUSSON

A Gabon tá soltando, a gente tá lá, a gente tá lá, pô, trabalhando.

RDRafa de Martins

Então a gente não fica pensando nisso, pô. Eu realmente não pensei, não. Às vezes você pensa é comando porque sabe que o comando vai ter um confronto, os caras são mais, são mais abusados. Pessoal do Terceiro, pô, já, já não entra tanto, apesar que tu vai para o Complexo Israel Pau que tora. Mas realmente assim, a gente começou a trabalhar muito em cima de milícia, terceiro e tal. Mas cara, quando vê essa notícia da Alerj, pessoas ligadas na Alerj, porra, ligadas ao Comando Vermelho, unificando com essa expansão do— como é que tu recebeu isso, cara? Como é que foi o sentimento que você teve como polícia, como cidadão?

MBMUNIQUE BUSSON

Como é que, Rafa, a gente Nós como cariocas, nós meio que já estamos, é previsível, né? Porque a gente tem um histórico de corrupção muito grande aqui no Rio de Janeiro. E não só na Lerje, quais governadores não foram presos no Rio de Janeiro? Acho que só Benedita e o Cláudio Castro, o resto todos. O Itzel, pesão, garotinho, se foi perseguição política ou não, se foi de todo mundo preso. E na Lerje não tá sendo diferente.

RDRafa de Martins

Só que assim, a gente existe a presunção de que também, bicho, é, ó, Sérgio Cabral foi presidente da Lerje, Picciani foi presidente da Lerje, Paulo Melo foi presidente da Lerje, é o Bacelar agora presidente da Lerje. Tem mais algum, galera? Vocês lembram de algum? É, pelo menos esses 4 agora, todo mundo preso.

MBMUNIQUE BUSSON

Então assim, é algo que não me surpreende, vou ser sincera, você Não me surpreende, mas também eu não gosto de julgar antes do cara ser condenado, porque a não ser assim, TH Joias, o cara, porra, tinha foto com vagabundo, meu irmão. Aí não tem o que esperar. Então ali você sabe que já era envolvido de fato com a vagabundagem. Agora vamos do Barcelá, pô, o cara tem que ser julgado, até porque tem que ser julgado, meu irmão.

RDRafa de Martins

Tem uma galera que tem que ser julgado. O cara vai ser julgado, tal, não sei o quê. Os outros estão sendo acusados agora também, vão ser julgados. Mas um fato, tá, que pode ter relação ou não é, meu irmão, o Comando Vermelho teve uma expansão territorial absurda, absurda, porra, meu irmão. Isso é, porra, digno de questionamento, porra. Como, como eles conseguiram expandir dessa forma sabendo que Comando Vermelho é o pior deles?

É o pior deles, é o que tem ligação, porra, internacional. É o que foi chamado, foi agora receber o status de terrorista. É o que mais enfrenta o Estado, eu acho que é o que mais mata policiais.

MBMUNIQUE BUSSON

Isso é reflexo um pouco da DPF 635, né, que fortaleceu também, que fortaleceu o crime.

RDRafa de Martins

Já não é daqui do Rio, já veio lá de cima, entende?

MBMUNIQUE BUSSON

Então isso que eu te falo, o governo é de direita, né, o governo federal de esquerda, e fica essa guerra, e um não deixa o outro trabalhar, não tem apoio. Eu acho assim, quando Quando os poderes não se responsabilizam pela segurança pública, porque fica assim, o prefeito bota a culpa no governador, governador bota no presidente, presidente bota— meu irmão, é dever de todo mundo e responsabilidade da sociedade. Então, porra, meu irmão, vamos fazer uma integração aí, cara, para trabalhar junto.

Por que que a gente não tem apoio aí do governo federal, cara? Cadê? Cadê as Forças Armadas? Aqui para mim só tem jeito com intervenção militar, Rafa.

RDRafa de Martins

Tem que fazer essa ocupação, pô. Por que que não arma a guarda municipal? Tá não sei o quê. Você vê só esse projeto da força municipal, pô, você viu os números deles esses dias, cara? Pô, os caras já meteram cana para cacete, apreenderam arma. Porra, meu irmão, cara, isso com, cara, não tem nem 6 meses que os caras estão na rua. Os caras já ajudaram para cacete aí.

MBMUNIQUE BUSSON

Para mim tem que armar até o pipoqueiro, meu irmão. Pipoqueiro armado, ah, Bussão, vai ser loucura, meu irmão, vai ser Imagina, no meio da tirotesca, o pipoqueiro mete a mão na pipoca e solta os pipocos. Mas sabe por quê, Rafa? A gente vê em países que é liberado o armamento, você vê, o Bolsonaro fez a PEC, dia 1º do ano que o Lula entrou, caiu a PEC, meu irmão. Dia 1º. Por que que não foi criada lei? PEC, pô, era óbvio que ia derrubar.

Derrubou. Agora, por quê, cara? O cidadão, ele precisa ter direito a se defender, defender sua família, porra. Isso não é compulsório. Quem quer se preparar, quem tem culhão para isso, porque tem que ter culhão para andar armado, principalmente no Rio de Janeiro. Eu tenho fuzil, tu viu que eu ganhei um fuzil no Dia dos Namorados? Ganhei um 5,56.

RDRafa de Martins

Ganhei, filho, ganhei um maneiro. Queria ter um namorado assim.

MBMUNIQUE BUSSON

Não, esse é meu, esse é meu.

RDRafa de Martins

Não me tasca não, esse é meu, cara. Vou te falar uma coisa, esse negócio de você ver uma coisa interessante, você falou agora essa coisa do decreto, né, do Bolsonaro sobre o armamento. E aí você vê essa coisa do aparelhamento das instituições, porque o Bolsonaro ele sempre defendeu a questão do armamento. E aí, pô, ele fez um decreto, né, facilitando o acesso as armas, porque era uma bandeira que ele levantava, e ele foi eleito também, também por levantar esta bandeira.

Então, seja democraticamente, as pessoas votaram no cara já sabendo que essa era uma proposta, digamos assim, uma das principais propostas dele. Aí vem aquela Raquel Dodd, que era a procuradora-geral. Antes dela sair Ela vai lá e pede a revogação desse decreto. Ou seja, porra, cara, desculpa, meu irmão, se você não gosta de arma, você tem todo direito. Se você não concorda com o decreto, você tem todo direito. Mas o cara foi eleito pela população com essa sendo uma das bandeiras.

Quando uma pessoa, meu irmão, uma pessoa pega e pede a revogação daquilo ali, e revogaram lá o decreto dele, tu vê assim, caramba, que democracia é essa que dá poder a um órgão, a um cargo ser maior, a vontade pessoal dela é maior, se sobrepõe à vontade de 50 milhões de pessoas. Então tu vê que, porra, tem que reescrever essa Constituição, meu irmão. Olha só, bacana, a Constituição teve seu momento e tal, mas bicho, o que podia, as sacanagens, as manobras de sacanagem dessa, a gente já descobriu todas.

A gente não, no caso a galera lá, porque a gente já descobriram todas as sacanagens. Então assim, precisa descentralizar poderes para uma democracia ser saudável. Não dá para órgãos, e não dá para um presidente do Senado, porra, se 80 senadores querem uma demanda, um cara fala, não vou atender, e não atende. Não tem. Isso é centralização de poder. Não dá para um ministro, porra, interferir numa decisão administrativa de um presidente.

Não dá. Então assim, hoje eu acho que precisa ter um realinhamento disso aí, cara, de saber exatamente, olha, essas são as atribuições, essas são as nossas competências, e quanto mais você descentralizar poder, mais saudável vai ser para democracia. O que que tu acha?

MBMUNIQUE BUSSON

Eu concordo com você. Parece que os três poderes estão meio confusos, tá cada um fazendo, querendo fazer o papel do outro, e aí quem sofre é a gente, a democracia, né? Então eu tenho, sou total a favor disso que você falou. E voltando à história da guarda, eu vejo muitas opiniões adversas até de colegas, mas que é pura vaidade, puro ego. Um monte de polícia falando, ai, porque os cara, guarda municipal já é marrento, meu irmão.

O problema é muito maior que isso, Rafa. Vamos deixar o eguinho de lado, a vaidade de lado. Cara, tem problema para todo mundo. Se a guarda for bem treinada, como está sendo, as atribuições forem claras, bota ali as ocorrências de baixa complexidade, né? Maria da Penha. Não que não possa virar uma ocorrência de vulto, porque vira. Por isso que os caras precisam estar armados e precisam também ir para casa armados. Porque ainda eu acho que tem, tá tendo um problema desse, né?

Os caras não podem levar, tem que devolver a arma, não pode ir para casa armado. Não, não tem como. Os caras estão com a gente, começou a dar atribuição, atribuição de polícia, ele já tem poder de polícia, mas começou a andar armado, trocar tiro com vagabundo, meu irmão, o cara tem que levar arma para casa, tem que ser acautelado, isso não existe. Então assim, tem problema para todo mundo, só que a gente é isso, a gente precisa de reforço, reforço armado.

E aí a poliçada, não, ah, não sei o quê, meu irmão, cada um é igual na polícia, cada um tem seu RG, Vai responder juridicamente pelos seus atos. Se matar inocente, vai ficar preso, igual é na polícia. Ou tu acha que não tem polícia vacilão também? Tem, porra, marrento, assim como na guarda, assim como em qualquer profissão. Então, cara, eu acho que a gente tem que parar de pensar dentro da nossa bolha, dentro do nosso umbigo, e ampliar a nossa visão pelo problema geral da sociedade, não só nosso ego.

Eu não quero que o polícia, que o guarda ande armado porque eu não gosto. Pô, sou polícia, vai, meu irmão, pelo amor de Deus. Um monte de gente sofrendo aí, morrendo, porra, perdendo o carro, celular, perdendo a vida. Segurança pública está uma bosta.

RDRafa de Martins

É o calcanhar de Aquiles do Brasil, cara.

MBMUNIQUE BUSSON

Uma bosta. E eu falo assim, não é porque eu sou policial, Rafa, que eu vou puxar sardinha para segurança pública, que é a pauta que eu sei falar, que eu tenho vivência. Não é. Eu acho que se você não trabalhar a segurança pública, você dificulta o acesso aos outros serviços essenciais. A criança não vai para escola num dia de tiroteio, o SAMU e bombeiro não sobe a comunidade, você não tem acesso ao esporte, à saúde, tu não consegue ir ao hospital, pode visitar a família, não pode morar numa favela de outra facção, não.

Então você, você não consegue, você tá preso dentro de casa. Por causa da segurança pública, que está uma merda, está uma merda. Então precisamos trabalhar primeiro a segurança pública, entrar. Por isso que o pessoal fala, pô, mega operação não serviu de nada, dia seguinte tinha um monte de vagabundo do lado, em volta. Só que eu acho que aquela operação foi feita para provar para a sociedade que, ó, dá para fazer, é só deixar fazer, é só querer.

Porque não há lugar nesse Rio de Janeiro que a polícia não entre, Rafa. Não há. Agora, o Estado precisa querer ajudar. Porque só a polícia civil, militar, PRF, PF, sozinha não faz. Tem que ter política pública, porra, pra isso. Investimento, Estado. Porra, tu viu o curso aí, cara, de drone dentro de comunidade? Tá de sacanagem. Eles brincam com a cara do cidadão, do trabalhador, porra. Nesse momento... Com a crítica que a gente tá dentro da segurança pública.

Aí, tecnologia, bota aí, pô, bota robótica. Não, porra, vagabundo tacando bomba por drone lá em Rio das Pedras vai ensinar isso para criança de dentro de comunidade? Eles brincam com nossa cara, cara. É um afronto, é um afronto. Tipo assim, ah, mas aquele não carrega bomba. Ok, mas ele vai subir o drone, vai olhar onde tá a polícia, onde tá o pai. Exatamente, meu irmão, vai pegar a visão ali e vai usar o drone com bomba. Então assim, é algo que é muita coisa para fazer, Rafa.

É por isso que assim, eu não fui uma decisão fácil para eu vir botar a cara como pré-candidata. Eu sei que não é, não será fácil. Eu sei que uma Andorinha só não faz verão.

RDRafa de Martins

Tu vai ter que ir para reserva?

MBMUNIQUE BUSSON

Se eu conseguir me eleger, eu me reformo na polícia. Tá sacrificando a profissão, sacrificando a coisa que eu mais amo na minha vida, que é ser policial.

RDRafa de Martins

Se você não se eleger, tu volta tranquilo.

MBMUNIQUE BUSSON

Se eu não ganhar eleição, eu volto a ser policial.

RDRafa de Martins

É foda, meu.

MBMUNIQUE BUSSON

Eu botei, eu botei 12 anos de polícia, 10 anos, 10 anos e meio.

RDRafa de Martins

Porra, lenha para queimar para cacete ainda, vagabundo para prender, gente para socorrer.

MBMUNIQUE BUSSON

Eu não vou te falar que foi uma decisão fácil, não foi. Eu já tinha tido outros convites outros anos vereador, tal. Mas eu nunca imaginei, eu nunca cogitei. Até porque eu sempre tive uma repulsa por política, porque a gente tá cansado de ser enganado, tá cansado dessa corrupção, aquela sensação que nada vai mudar, é a mesma coisa.

RDRafa de Martins

É por causa da nossa repulsa que aquela mesma galera tá sempre lá, né, bicho?

MBMUNIQUE BUSSON

Rafa, não adianta eu reclamar, você reclamar. A chance bateu na minha porta. Eu acho que não só pela quantidade de seguidores, mas pelo trabalho que eu já tenho com mulheres, com crianças, a política me convidou de uma maneira diferente dessa vez. Dessa vez eu percebi que de fato eu teria uma chance de realmente vir como pré-candidato, como qualquer outro, não como uma influencer, uma blogueirinha, uma— eu falei, então por que não?

Porque nós que somos homens de bem, de valores, com ideal, a gente só reclama e quando vem oportunidade não vai botar a cara a tapa? Não, tem que ter coragem. Então vamos lá. Vou botar, mesmo que eu fique 4 anos e faça a diferença ali na vida de muita gente, e depois vai embora. Eu vendo bala no sinal, Rafa, não tem medo de trabalho não. Vendo água no sinal e vendo pastel na feira, não tô nem aí. Mas que será algo diferente, e você pode ter certeza, Rafa.

RDRafa de Martins

Cara, que história foi essa que tu contou ontem lá no podcast, que tu salvou a menina? Conta pra gente. Eu tenho, cara, ficou emocionado lá, o cara se emocionou lá.

MBMUNIQUE BUSSON

Com o Felipe, é brabão, mas ele é chorão também, ele se emociona. Eu faço esse trabalho de resgate com crianças, né? Inclusive tem alguma, tem uma galera aí reproduzindo esse trabalho, fico muito feliz.

RDRafa de Martins

Resgate, resgata crianças da onde?

MBMUNIQUE BUSSON

Então, vou te explicar como que funciona. Pelo meu Instagram eu recebo muitas denúncias. E aí uma seguidora minha fala, Bussom, minha vizinha, meu tio Tem 5 crianças, 5 filhos, a casa tá em estado deplorável, não tem condição, abandona, tem maus-tratos. E aí a pessoa não sabe nem como fazer. E aí eu vou até essa pessoa e faço a ocorrência junto com ela. E aí a gente faz contato com Conselho Tutelar. A gente sabe que a gente tem um grande problema aqui no país com Conselho Tutelar.

Não gosto de generalizar porque fazem isso com a polícia, Eu acredito que tenha muitos conselheiros competentes e eficientes, mas a gente tem uma banda podre dentro do Conselho Tutelar que não quer fazer merda nenhuma, que tá no lugar de conselheiro tutelar e não quer proteger crianças.

RDRafa de Martins

E ganham bem?

MBMUNIQUE BUSSON

Acho que não ganha tão bem não, Rafa, porque é um, é votado, né? É uma eleição, é uma eleição. Só que assim, não é divulgado, você não vê ninguém divulgando. É tudo debaixo dos panos para botar quem a gente quer. É politizado, tem vários políticos por trás. O cara já tem seu curral eleitoral, ele escolhe o seu conselheiro e fala, ó, vota nesse aqui que ele é meu. Só que, cara, para você sentar ali, tu tem que amar pessoas, tem que amar vidas, tem que amar crianças, tu tem que ser revoltado com essa merda.

E é um bom trabalho, porque, pô, e o que eu vejo, que eu me deparo com diversos conselheiros, não todos reafirmando aqui, que os cara não estão nem aí para as crianças, cara. E aí acontece da pessoa, o cidadão, ele é muito mal informado sobre como as polícias funcionam, como nossas leis funcionam, coisas básicas. Eu vejo no meu Instagram, Rafa, meu seguidor, algumas pessoas, né, eles não sabem nem como que é um flagrante, pô. Ele não sabe como funciona o flagrante.

Então eu acabo, pego essa denúncia, vou até a pessoa, faço orientação, e aí eu faço a ocorrência com a pessoa. Alguns casos eu preciso fazer vídeo, não faço de todos, porque tem situação também que eu não quero expor, né, a pessoa, a criança. Só que tem situações que eu preciso fazer o vídeo para fazer uma pressão social, senão não funciona. O caso dessa menina, ela era prostituída pela sua genitora desde os 8 anos de idade. Tá, nem vou falar o lugar nem o nome para não expor.

E aí eu fui, fiz a ocorrência. Era uma seguidora minha que tinha escondido ela. Ela tinha vários irmãos e simplesmente eu tive uma dificuldade tremenda com Conselho Tutelar, porque tinha denúncia desde 2013. A ocorrência foi outubro do ano passado, 2025. Se o Conselho Tutelar tivesse agido em 2013 Olha quantos anos ia poupar essa garota desse sofrimento. Porra, meu irmão, 8 anos que ela lembre, Rafa, que ela lembre que foi o primeiro abuso.

Tinha vídeo, vídeo dela sendo abusada. Por quê? Porque a vítima no nosso país, ela é sempre descredibilizada, principalmente a mulher. Então ninguém acreditava que o que ela falava era verdade. Um dia a vizinha pegou e falou assim, então filma. Ela filmou o velho abusando dela. E aí eu ouvi o relato de uma das pessoas dizendo que uma das conselheiras falou assim, ah, eu não sei nem se é ela naquele vídeo, o peito tá muito grande para ser dela.

Então assim, é complicado, né? No nosso país é muito complicado, porque o órgão que era para proteger criança Ela tá duvidando com prova. Que competência técnica ela tem? Ela é perita agora de imagem? Então, cara, a criança já tá passando por aquilo, é revitimizada o tempo inteiro, e ainda cadê o órgão que era para proteger? Faz o quê? Não protege. Foi isso aqui para recolher o resto dos irmãos que também sofriam abusos?

RDRafa de Martins

Demorou.

MBMUNIQUE BUSSON

Meu vídeo bateu quase 4 milhões. É, eu tapei o rosto dela, mas botei o relato dela ali falando: minha mãe vendia para o seu Manel, era R$150, me espancava, me queimava de cigarro, me queimava de colher. Então assim, olha a força que isso aqui tem, que a mídia tem.

RDRafa de Martins

E as crianças foram para onde?

MBMUNIQUE BUSSON

Elas ficam em abrigos diferentes, tem abrigo de menina e de menino, né? Hoje eu sou madrinha dela afetiva, né, financeira, frequenta minha casa.

RDRafa de Martins

Mas o abrigo é maneiro assim?

MBMUNIQUE BUSSON

Não, ambiente de abrigo horrível, horrível ambiente de abrigo. Por que que é horrível? Primeiro porque todas as crianças e adolescentes que estão ali estão ali por motivo muito grave, por trauma, por abandono, espancamento, abuso. Então Então cada criança adolescente tem uma história pesada. Imagina várias crianças juntas no mesmo ambiente com esses traumas, vai dar B.O., vai dar B.O. E assim, é muito complicado porque a guarda delas fica pelo juiz, né, da vara.

Então assim, quem tá, que o diretor do abrigo, quem tá no abrigo não tem muito poder sobre aquela criança, que aquele adolescente não pode castigar, não pode fazer nada. Não, e elas sabem disso. Aí brigam, se agridem, aí tem que fazer ocorrência, tem que ir para delegacia. Aí chega o juiz, ainda chama atenção de quem é, quem é o diretor lá do abrigo, que você não pode chamar atenção. A gente também tem que reformular esse ECA, que esse ECA aí tá ultrapassado também. Então é bem complicado, Rafa, é um trabalho que assim tem que ter estômago.

RDRafa de Martins

Que talvez deve ser escrota, porque é impressionante como é que o Estado, nada do Estado é maneiro, né, meu irmão?

MBMUNIQUE BUSSON

Deve ser um abrigo, acho que é prefeitura, né, que dá os insumos, né, pasta de dente, sabonete, cara, é da pior qualidade, é pior pasta de dente, é o pior desodorante, deve ser mais caro do que do seu mais caro.

RDRafa de Martins

Mas quero que eu diga assim, né?

MBMUNIQUE BUSSON

Não sei, ainda não tive essas experiências.

RDRafa de Martins

A minha irmã trabalhou, minha irmã mora na Suíça, né? Então hoje ela é diretora de escola e tal, mas na formação profissional dela era trabalhando no abrigo também, que cuidava de crianças que os pais perdiam a guarda. Vai perder a guarda por droga, algum vacilo, crime e tal, não sei o quê. E elas cuidavam, cara. Mas a parada assim, meu irmão, pô, uma equipe multidisciplinar, sacou? Criança tinha aula, tinha, meu irmão, Ou seja, o Estado investia num ambiente agradável porque eles sabem, principalmente ficar disso, cara, aquela criança que tá ali vai se tornar um adulto e ela pode se tornar um adulto funcional ou disfuncional que vai contribuir com o Estado, contribui com o imposto, porra, contribui com a contribuição de imposto básica.

Ou pode ser um cara que o Estado vai ter que gastar dinheiro com ele pro resto da vida, entendeu? Então assim, pô, cara, bicho, eu vou investir aqui porque Porra, minha mãe! E é uma coisa interessante, você vê até essa coisa do planejamento familiar. Hoje a China tá tendo uma— antigamente a China, eu lembro quando eu era mais novo, a China proibia você ter o segundo filho. Se você tiver segundo filho, eles tiravam o filho de você, botava no abrigo, você dava sumiço na criança e tal.

Hoje a China entendeu que, porque essa coisa do comunismo, então eles tentavam desestruturar a família. Hoje eles entenderam que a família é a base da sociedade. Eles estão estimulando pessoas a casarem e a terem filhos porque a população está envelhecendo e você não vai ter mão de obra para substituir. Então assim, hoje eu fico pensando, caramba, se o Estado investe nas famílias, ajuda as famílias a, por exemplo, pô, por que que eu não tenho mais filho?

Eu, meu irmão, se eu tiver mais um filho, porra, não tem como. Mas a minha, a minha cunhada que mora no Canadá, ela recebe um cheque do governo para ajudar no cuidado de cada um dos filhos dela. Cada filho, o governo ajuda. Bolsa Família, cara, sim. Mas a questão é o seguinte: ele, o Estado ajuda aquela, e ela trabalha, tá? Ela trabalha, faz tudo direitinho, tudo aquilo. Mas o Estado ajuda porque ele sabe o seguinte, cara: eu vou ajudar ela na formação dessas crianças porque a mãe vai ser a mão de obra que vai manter a Previdência, que vai manter não sei o quê. Então existe um investimento.

MBMUNIQUE BUSSON

A favor do Bolsa Família?

RDRafa de Martins

Sou a favor do Bolsa Família no sentido assim, É um programa, eu sou a favor do Bolsa Família para você ter aquele programa social para pessoa. Para mim, o sucesso do Bolsa Família está no número de pessoas que saem do Bolsa Família e não no número de pessoas que entram para dentro do Bolsa Família.

MBMUNIQUE BUSSON

Alguém sai do Bolsa Família?

RDRafa de Martins

Teoricamente deveria sair. Assim, tô dizendo, o plano, porque é o seguinte, o assistencial, qualquer programa assistencialista, você tem uma situação, uma pessoa, um grupo que tá numa situação de miserabilidade, você vai dar uma estrutura para essa pessoa recomeçar a vida dela. Mas aquilo tem que ter um prazo determinado, a pessoa tem que ter um deadline. Você não pode chegar, então, Bolsa Família aí, e ó, lembra de mim, tamo junto, hein, próxima eleição, ó, se fulano entrar, tu vai perder isso aí.

Isso é porra, isso é sacanagem, isso aí é uso político da parada, é falta de noção.

MBMUNIQUE BUSSON

Acha que acontece isso?

RDRafa de Martins

Não, na prática acontece é isso. Mas o que eu acho que deveria ser, o que eu tô dizendo assim, não é Porque ser contra o Bolsa Família, assim, eu sou contra a maneira que é usada, entendeu? Eu não sou contra Bolsa Família, mas assim, para mim é assim, olha só, você vai receber, vamos lá, você tá na situação assim, tudo bem, você vai entrar nesse programa social aqui chamado Bolsa Família, eu vou te dar, deixa eu ver tua situação.

Aí você vai analisar a situação da pessoa, pô, é analfabeta, não sei o quê, pá, tá, vamos lá. Então esse caso aqui eu acho que ela precisa, alguns especialistas, em 2 anos ela tem capacidade de, pô, reorganizar a vida. Pô, essa família aqui já é um pouco mais complicado, que ela tem mais filho, tal, não sei o quê, tal, de repente 5 anos, tá? Então olha só, você vai ter 5 anos, 2 anos, 3 anos, você vai dar um deadline para você resolver a tua vida.

MBMUNIQUE BUSSON

Exatamente. Eu também sou a favor, entendeu?

RDRafa de Martins

Agora, e aí se a pessoa não resolver? Ah, meu irmão, aí, bicho, porra, sei lá.

MBMUNIQUE BUSSON

Eu sou a favor também de um programa que tire as pessoas do Bolsa Família, que seja temporário, cara. Não é difícil não, Rafa. Faz um levantamento aí de mão de obra que tá faltando no Brasil, em cada região. Ah, Rídia, você não acha mais uma eletricista? Tu não acha um pedreiro? Tu não acha uma costureira? Tu não acha mais mão de obra, filho? Pô, faz um levantamento disso aí e taca ali curso de capacitação, filho, mas compulsoriamente, compulsoriamente.

Tá com Bolsa Família, tem que fazer esse curso. Acabou, filho, acabou. Não, mas parece que quer ver, continuar vendo pobre Na miséria.

RDRafa de Martins

Hoje é o seguinte, você às vezes vai contratar uma moça para trabalhar na tua casa, ela vai falar para você assim: pô, então não assina minha carteira não, porque eu recebo Bolsa Família. Tu sabe que isso acontece direto. Geralmente você acaba caindo, e muitas vezes acontece de você cair nessa conversa. Depois a pessoa vai lá e te processa porque você não assinou a carteira dela.

MBMUNIQUE BUSSON

Exatamente, é isso. Então é algo que a gente precisa, eu acho que é algo que precisa ser revisto. Que eu tava vendo sobre isso, sobre o controle de natalidade também. Porque nesses resgates que eu faço, Rafa, de crianças, sempre eu ouço assim, ó, eu falo, cara, por que que tu não deu essas crianças para outra pessoa cuidar? Bolsa Família, cara.

RDRafa de Martins

Mas eu tenho, vou te falar, eu tenho uma ideia que eu vi essa ideia em algum lugar que eu acho que é perfeita. É o seguinte, Bolsa Família, tu vai ter tanto tempo de benefício enquanto você estiver Usando Bolsa Família você não pode votar.

MBMUNIQUE BUSSON

Porra, não pode, é inconstitucional.

RDRafa de Martins

Mas olha só, é inconstitucional, mas isso aí, mas a parada é a seguinte, seria maravilhoso, mas você quer votar? Pô, você quer votar, tudo bem, cara, você quer votar, é só você corre atrás, arruma um trabalho, não sei o que faz. Porque isso você tira a possibilidade do Bolsa Família ser usado como moeda de troca eleitoral.

MBMUNIQUE BUSSON

Isso não vai passar nem que queira.

RDRafa de Martins

A gente tá falando hoje, a gente tá falando de uma nova Assembleia Nacional Constituinte.

MBMUNIQUE BUSSON

Pô, eu sou a favor, mas essa ideia é maneira, cara.

RDRafa de Martins

Qualquer pessoa que esteja recebendo benefícios do governo, meu irmão, ela não pode votar, pô.

MBMUNIQUE BUSSON

Para você ver, o controle de natalidade já esbarra na inconstitucionalidade, porque você não pode obrigar, senão é comunismo. País comunista. Você não pode decidir a vida da pessoa, quantos filhos ele vai ter ou não, mas você pode ter uma política pública que incentive. Hoje nós temos um pouco mais de facilidade ao acesso à laqueadura, só que eu acho que deveria ter também facilidade para vasectomia, não só laqueadura. Por que que é só mulher que tem que fazer laqueadura, né?

Então se a gente fizer um controle de natalidade E dá. Você não pode fazer compulsoriamente, mas dá um benefício para quem entra no programa de laqueadura, de vasectomia. A gente vai ter um controle de natalidade. Isso é trabalhar na raiz do problema da segurança pública.

RDRafa de Martins

Verdade.

MBMUNIQUE BUSSON

Que a mãe que é mãe solteira com 10 filhos, ela vai para a pista trabalhar, as 10 crianças ficam largadas na comunidade, vai virar vagabundo. Não tem outra opção.

RDRafa de Martins

E tem outra ajuda na segurança pública também. O polícia não vai fazer 10 famílias, entendeu? E vai poder sobrar dinheiro. No rádio, não vai ficar se matando no rádio, vai sobrar mais dinheiro, vai poder trabalhar melhor.

MBMUNIQUE BUSSON

Na polícia tem vasectomia gratuito, na polícia tem.

RDRafa de Martins

Eu vi, esses dias eu falei, fiz até brincadeira.

MBMUNIQUE BUSSON

É, mas eu tenho um amigo que eu trabalhei com ele na Mangueira, Dolinho, beijo Dolinho. Ele vasectomizado, não fez pela polícia não, fez fora, teve mais 3 filhos depois, fez gêmeos.

RDRafa de Martins

Vasectomizado do Paraguai, nego, porra, eu processava o cara aqui.

MBMUNIQUE BUSSON

Ele em 1 ano fez mais, ele tinha 3 filhos e fez mais 3 filhos, ficou com 6.

RDRafa de Martins

Tu lembra uma vez que teve uma empresa que deu umas pílulas, que vendia pílula anticoncepcional, que a pílula não funcionou? Era, era, sei lá, meu, era fake a pílula. Cara, teve gente que conseguiu indenização da empresa de manter o filho, sacou? Porque, pô, a pessoa tomou anticoncepcional. Esse aí, se eu fosse o Dolinho, Dolinho, processa esse cara que fez a vacina para te ajudar a cuidar dessas crianças.

MBMUNIQUE BUSSON

Pô, já tô duro, pô, paga meu almoço aí. Fala brincando. Eu falei, pô, eu acredito, eu acredito. Com 6 filhos, o cara tá duro, pô, não tem nem dinheiro para almoçar, não é possível. Enfim, essa questão de controle de natalidade, eu acho que é mega importante a gente agir, uma política pública, conscientização, e dar mais acesso ao SUS. Antigamente a mulher precisava da assinatura do marido, né, para fazer laqueadura, e só poderia no segundo do filho.

Facilita, pô, facilita. Um filho já pode ter acesso à laqueadura e de fato ter acesso, porque o SUS é difícil até saúde básica que gerar laqueadura, né? Então se a gente melhorar essa questão de controle de natalidade, eu acho que já é uma mudança de construção social. Outra coisa que eu tenho, um mês mais ou menos eu fui em Areal numa escola cívico-militar, Rafa. Fiquei apaixonada.

RDRafa de Martins

Qual o nome do prefeito de Areal?

MBMUNIQUE BUSSON

Não sei o nome do prefeito de lá.

RDRafa de Martins

Vitinho, cara, fala que esse maluco é bom, cara.

MBMUNIQUE BUSSON

Cara, não sei, mas assim, eu fui uma vez no meu pelotão que trabalha nessa escola, cara. Eu entrei lá, eu saí de lá chorando. Cara, vai, vai, entre numa escola cívico-militar. Eu nunca tinha entrado, eu tinha visto só a escola militar da polícia. Mas eu entendo que também tem muitas crianças e adolescentes que não se adaptam ao regime militar. Mas o cívico-militar não é uma escola militarizada num todo. Os professores é do SEDUC, é da Secretaria de Educação, e tem dois policiais na coordenação que fazem ali adaptação cívico e moral, ensina respeito, disciplina.

Cara, eu conversei com uma menina, a Maju. Beijo, Maju! 12 anos, um petequinho desse tamanhinho, cara, toda alinhadinha, uniformizada, a mãozinha assim. Eu falei, tem um vídeo no meu Instagram, depois procura lá. Falei, mas qual a diferença? Ela, aqui as minhas capacidades são exploradas, cara.

RDRafa de Martins

Eu acho uma entidade, né, uma entidade assim, parecia uma senhora de 80 anos.

MBMUNIQUE BUSSON

É um troço assustador. Por que que eu saí dali chorando? Porque eu vi ali uma esperança, cara. Tem jeito, Rafa, é só a gente querer, é só direcionar emenda para lugar certo.

RDRafa de Martins

Tu viu, tem um estado, acho que é Minas Gerais, que era, os caras acabaram com as escolas cívico-militares. Acho que esses partidos aí, PSOL, não sei o quê, entrou na justiça, os caras conseguiram acabar com ela. Pô, vocês, os cara, é o objetivo destruir, demoníacos, demoníacos, exatamente, demoníaco, bro.

MBMUNIQUE BUSSON

Impressionante, porque É o quê? A educação, respeito, disciplina, é o que tá na nossa bandeira, porra. É ordem e progresso. Se tem ordem, tem progresso, Rafa. Pô, você entra numa escola estadual hoje pública, professor não consegue dar aula, cara. O índice de suicídio na área de educação tá altíssimo entre professor. Ninguém mais quer ser professor, Rafa. E eu tô trabalhando um projeto até com Major Cadá um projeto chamado Sangue de Herói, que é uma das minhas propostas.

Eu conversei com ele, eu falei: chefe, ele: cara, eu tenho isso na cabeça também, vamos botar isso no papel, desenhar. O que que seria o Sangue de Herói? Entraria a parte da segurança pública, todo mundo, tá? Polícia Civil, Militar, PRF, PF, todo mundo da segurança pública, educação e saúde, funcionários públicos. Por quê? É a base da sociedade. São profissões que não param por nada, Rafa. Pandemia, tava lá. A educação forma a sociedade.

São profissões— respeito todas as profissões, mas essas 3 profissões, elas precisam ser honradas, respeitadas, valorizadas. E quem ganha com isso é a sociedade. O que que eu coloquei ali junto com o Cadá no Sangue de Herói? Para os funcionários públicos dessa área. Primeiro, vamos falar da segurança pública. As minhas filhas não podem estudar em escola pública porque tem um monte de filho de vagabundo lá. Eu não posso andar num carro, qualquer carro, eu ando de carro blindado.

Eu não posso morar em qualquer lugar, eu tenho que planejar onde eu vou morar, Rafa. Se eu passo em comunidade, em rota de comunidade, para diminuir o meu risco e da minha família. Então, se eu preciso pensar nisso tudo, por que que o Estado não pode proporcionar isso para esses agentes de segurança pública? Então a gente pensou nesse projeto para ter um subsídio para moradia, para esse plano de sangue de herói, para educação, saúde e segurança pública, desconto em juros para financiar um carro, para comprar um carro, assim como taxista e Uber tem.

E planos com escolas particulares. A escola que aderir o programa terá desconto em impostos. E com determinado tempo de serviço, 5, 10, 15, 20 anos, o Estado ir depositando um certo valor para quando você se reformar, você pegar um dinheirinho e dar qualidade de vida. Você cria um patrimônio patrimônio. Então eu acho que é o mínimo que nós devemos para essas 3 classes, que são classes que se esgotam emocionalmente. São profissões diferenciadas.

Pô, área da saúde na pandemia foi loucura, foi loucura. O que tinha de enfermeiro e médico morrendo, absurdo. E o professor também, o professor ele vive numa pressão danada. Escola dentro de comunidade, você não pode falar um ai para o filho do vagabundo, que o vagabundo vai lá e botar arma na cabeça do professor, pô. E o policial, a gente sabe, é pressão psicológica o tempo inteiro. Então eu acho que são 3 classes que eu vou trabalhar nesse projeto.

RDRafa de Martins

Essa ideia é tão legal porque é o seguinte: eu morei nos Estados Unidos 2 vezes. Se for somar tudo ali, uns 3, 4 anos que eu morei lá. E eu percebi o seguinte: a polícia lá, eles não têm um salário bom, tá? O salário da polícia ali é uma média, tá? $6.000. Alguns ganham menos, outros ganham mais. Eu acho que o salário mais alto que eu vi da polícia é uma cidade que tem chamada Novato, em São Francisco. O cara ganhava $9.000 por mês.

O resto é tudo ali, $7.000, $6.000, $8.000, $4.000. É progressivo o salário, mas não é um salário que você Você vai viver uma vida de rico. Porém, o salário indireto, eles têm muita coisa indireta, que é o desconto no imposto, é desconto no imposto para comprar carro, para comprar casa, material escolar de criança, esses subsídios assim que isso tudo vem para quê? Para família do cara. Então o cara fala, meu irmão, se eu fizer uma merda, eu vou perder a minha família.

Sim, porque assim, o meu salário o salário quase fica limpo na mão dele, então ele vive razoavelmente bem. Mas, cara, é tanto, todos os benefícios que tem para família que o cara realmente, ele valoriza aquela profissão, que ele vê que a família dele é cuidada, entendeu?

MBMUNIQUE BUSSON

Mas é exatamente a base do projeto, é essa, Rafa: proteger a família de quem protege a sociedade, dá essa proteção, essa garantia patrimonial. E, cara, não é difícil, não é difícil. Nos Estados Unidos também tem uma cota para policiais comprarem apartamentos e determinadas construções. Por quê? Porque lá é a valorização. E quando eu falo isso, gente, não é, não tô sendo corporativista, não tô. Tanto que a gente incluiu a educação e a saúde.

É uma questão lógica. Se o policial, se o pessoal da saúde e educação tiver bem, a sociedade ganha com isso, presta um bom serviço. Hoje a gente vê o policial, a gente vê às vezes uma ocorrência mal feita, né, dá um tiro errado, é truculento, é violento, tá errado. Mas porra, tu vai parar para analisar? Policial tá no limite. O suicídio também dentro da polícia, a gente tá perdendo mais policiais por autoextermínio do que em combate, pô.

Tem algo de errado nisso, Rafa, tem algo de errado. Ninguém tá aguentando mais, é pressão jurídica, é pressão social, é pressão da mídia. É pressão da instituição. E aí, quem cuida dos heróis que cuidam da gente? Tem que ser cuidado, pô, tem que ser cuidado. E a gente que ganha. Então é algo que é se pensar, é um projeto que a gente vai colocar para frente, estamos rasurando aí, botando no papel. Cara, deixa eu voltar, a gente vai de primeira mão aí, não falei isso em lugar nenhum.

RDRafa de Martins

Maneira, já tá a primeira semente a ser lançada. Você Depois que você saiu da PP do Jacaré, tu falou que foi pra DGPPPP?

MBMUNIQUE BUSSON

GTPP.

RDRafa de Martins

GTPP. Que que é isso?

MBMUNIQUE BUSSON

GTPP é o Grupamento Tático de Polícia Pacificadora. Eu falo isso, o nego fica puto.

RDRafa de Martins

Não é a mesma coisa do PP? Não, o PP é da unidade.

MBMUNIQUE BUSSON

É a unidade, o PP é a unidade. GTPP é um tipo de policiamento lá dentro, é como se fosse gato de batalhão.

RDRafa de Martins

Fica fazendo patrulha lá dentro.

MBMUNIQUE BUSSON

Isso.

RDRafa de Martins

Patrulha. Fica arrumando merda.

MBMUNIQUE BUSSON

É isso aí mesmo. Porque quando nós estávamos na visibilidade, que é o tipo de policiamento, você fica parado no beco ali às 12 horas de serviço. O GTPP não, você roda a comunidade patrulhando e é um serviço de 24 horas.

RDRafa de Martins

Mas você fez isso no Jacarezinho também?

MBMUNIQUE BUSSON

Jacarezinho, com 2 meses de formada eu fui convidada para ir.

RDRafa de Martins

Como é que era esse trabalho aí?

MBMUNIQUE BUSSON

Cara, aprendi para caramba ali. Era o dia inteiro patrulhando.

RDRafa de Martins

Quantos?

MBMUNIQUE BUSSON

Ah, devia, éramos uns 15. Era tripão, era tripão, porque era uma época complicada. E é isso, nessa época ainda tinha estímulo para UPP. E aí éramos em torno de 13 mil policiais em todas as UPPs. Hoje somos 3 mil.

RDRafa de Martins

Hoje virou DPO, virou aquele antigo DPO.

MBMUNIQUE BUSSON

Entendi. Por quê? Porque mudou governador, mudou político, e aí as coisas mudam. Mas nessa época era muito, muitos confrontos, muitas UPPs muito complicadas mesmo. Era polícia morria dia sim, dia não. Tu não lembra disso?

RDRafa de Martins

Eu lembro, pô. Vocês ficavam, vocês, pô, 2017 foi o ano que mais morreu polícia no Rio de Janeiro. Foi uma parada assim absurda, mais de 300 policiais morreram.

MBMUNIQUE BUSSON

Chegou ao ponto de um dia, e era assim, saía de serviço, o que me salvava era Exercício físico, ia para o crossfit treinar, senão não conseguia dormir, dava espasmo na hora de dormir de tanto cortisol no sangue, adrenalina. Às vezes numa primeira folga eu não conseguia me desligar do grupo, pô, porque tava tendo troca de tiro, tu fica ali. Já chegou ao ponto de eu sair de casa e voltar para comunidade, pô, para ajudar os colega fodido, encurralado, sem munição, acabou munição, deu ir lá e assumir o serviço. Sub, que isso? Não, chefe. Meus amigos que estão lá.

RDRafa de Martins

Vocês ficam patrulhando Jacaré. Já tomou emboscada ali não, cara?

MBMUNIQUE BUSSON

Várias vezes. Dede diz que denúncia falsa deles direto. Tanto que no dia quando o delegado Fábio Monteiro, é, todo mundo achou que era uma Dede falsa, pô, que era direto que a gente recebia Dede falsa. Aí eles encurralavam, tentava encurralar a gente, fazer o cerco, né? O que que na minha, um pouquinho de experiência, eu percebi os vagabundos aprenderam a trabalhar com a gente ali, tava muito perto. Aprendeu a fazer quadrado, aprendeu a fazer cerco, aprendeu muito perto, entende?

Então é algo que assim, eu acho que deveria no mínimo reformular esse projeto. Muitas vidas foram perdidas ali de heróis, sabe? E para quê? Para quê? Agora temos 3 mil policiais. Vai ter gente com ódio dessa minha fala, mas eu tô aqui trabalhando com a verdade, não é para agradar ninguém.

RDRafa de Martins

Por exemplo, quando você falou o negócio lá do Jacaré, né? Desculpa, da Penha. Aqui foi lá naquela parada lá, foi lá e depois não foi mais. Porque para dar um negócio ali era muito simples, cara. A Polícia Civil, ela investigou um crime que levou os autores àquela— tava investigando um crime, né, que levava os autores àquela região ali do Complexo da Penha. Polícia Civil preparou sua operação para poder pegar esses caras. Então essa área operacional, a gente é muito bom, a gente não perde batalhas, a gente não perde batalha.

Só que o problema é o seguinte: você tem a área estratégica, área tática e a operacional. A estratégica é, pô, o que que eu quero fazer? O que eu quero fazer com a Penha? Eu quero ocupar a Penha. Isso aqui é uma política de governo, não é polícia que vai fazer isso aqui, não é Polícia Militar nem Polícia Civil que vai fazer. Eles podem estar lá no conselho como os conselheiros, mas isso aqui é governador, são os secretários. Vamos tomar a Penha, tá, beleza.

Então qual a estratégia? Qual a estratégia de tomar a Penha? Vamos ocupar a Penha. Tá, a tática, tá, a tática é qual é a tática para a gente ocupar a Penha. Legal, a tática é essa, a gente vai fazer uma operação aqui, depois fazer outra aqui, vamos tomar isso aqui, aí vamos entrar com o Exército, vamos ocupar, beleza. Agora entra a área operacional. Aqui só funciona a operacional. A gente vai lá, faz aquele rebuliço, dá aquelas aqui, pega os fuzis, prende as pessoas e sai.

Não tem área estratégica, não existe. Consequentemente, a tática depende da estratégica, não existe. E aí daqui a pouco volta tudo ao normal. Aí daqui a pouquinho a gente vai lá de novo, fala, caraca, já tá nessa, sai, volta tudo normal. Só que eles têm a estratégia, eles sabem que eles querem expandir, eles já estão fazendo estratégia. Como é que eles vão expandir agora? Como vão expandir aquela área ali de Jacarepaguá, Complexo de Jacarepaguá?

Eles sabem. Então dentro do que eles fazem, ou seja, eles estão muito— parece que eles, a política deles é mais eficiente do que a nossa, porque eles estão expandindo, eles têm a estratégia. Vamos ver qual a estratégia: expandir. Qual é a tática, cara? A gente vai pegando aqui, ali, ali, ali, e operacional eles vão lá picando, então respondendo, entendeu? Então você tá dando um baile na nossa política de segurança pública. Eles estão atingindo o objetivo deles, a gente não.

MBMUNIQUE BUSSON

A gente não acompanha essa velocidade do crescimento do crime, demora muito para a gente agir com inteligência, né? E eu falo também sobre a integração das polícias, como isso é importante, né, Rafa? Eu acho que a gente deveria se comunicar muito melhor. E assim, entrando nesse trabalho da ocupação, o governo federal também deveria fazer um trabalho das fronteiras, porque 80% dos fuzis que a gente tem aqui no Brasil vem de fora.

E vem por onde? Pelo ar? Pela terra? Pelo mar? Então quem tem que tomar conta da fronteira? É um trabalho em conjunto, tem que ter essa integração das polícias. Não tem jeito.

RDRafa de Martins

A gente defende a ideia aqui, você que vai ser deputada federal, se Deus quiser, hoje é pré-candidata, eu que tô falando aqui, é polícia de fronteira. Você tem que criar uma polícia de fronteira, tá na Polícia Federal. Sim, o policial federal que vai para fronteira é aquele que acabou de passar no concurso, ele tá lá contando os dias para sair de lá.

MBMUNIQUE BUSSON

Então, porra, não vai, não vai, não vai se dedicar ali, entendeu?

RDRafa de Martins

E aí, ou então, porra, Polícia Militar que faz ali, porra, tem que ter uma polícia de fronteira. O cara tem um concurso para polícia de fronteira, sabe que ele vai trabalhar como nos Estados Unidos. Você tem uma polícia de fronteira, acho que tem a Homeland Security. E porra, aí vai, vai, meu irmão. Tem a galera da terra, galera do mar, quem que seja, mas a gente tem que ter uma polícia de fronteira porque eles têm uma política de muita preocupação com imigrante, né, imigração.

Então eles fazem droga, né, cara, ele mexe com ali, pô, aquela fronteira ali. E Canadá também entra droga para acesso para o Canadá.

MBMUNIQUE BUSSON

Então ele, pô, então eu acho que fronteira é algo que a gente precisa trabalhar muito, né, nessa questão. Porque não é só você ocupar o território, você tem que desarticular o crime, tirar a questão financeira de armamento. Então tem que trabalhar na fronteira, não tem jeito.

RDRafa de Martins

Depois do DPTTG, GTPP. Tu foste para onde?

MBMUNIQUE BUSSON

Então aí eu fiquei ali, né, eu fiquei 2 meses só na visibilidade, fui para o GTPP, aprendi a ser polícia.

RDRafa de Martins

Ficou 3 anos nesse serviço?

MBMUNIQUE BUSSON

Fiquei. Eu saía de— porque assim, às vezes muda comandante, aí muda a guarnição, explode a guarnição, aí vem outros policiais, muda. Aí, mas eu sempre ia para— eu sempre estive no GTPP. Aí mudava de um para outro, era convidado para outro, porque assim, você não se oferece, né? Jacaré. Aí depois dali eu saí, fui para o Sétimo, aí pertinho de casa, né? Pertinho de casa.

RDRafa de Martins

Que ano você tava no Sétimo? 2018. Já tinha dado aquela merda lá do— já tinha passado aquela?

MBMUNIQUE BUSSON

Já tinha, mas tava tenebroso o clima lá, tava tenebroso ainda. Tava lá, lá tem o Sétimo, é batalhão de caçadores, né? Lá tem uma mística diferente.

RDRafa de Martins

Mas depois que aconteceu aquela situação Cara, mas aí você foi trabalhar no batalhão da tua área?

MBMUNIQUE BUSSON

Foi mó merda, que eu tive mó situação lá ruim.

RDRafa de Martins

Mas você pediu para ir para lá ou você—

MBMUNIQUE BUSSON

Então, porque eu engravidei da Maria Flor, que tem 7 anos, né? E aí você pode ir para o batalhão da sua área como gestante, perto de casa. Só que eu não escolhi, me mandaram. Tomei um bico, entendeu?

RDRafa de Martins

Comandante.

MBMUNIQUE BUSSON

Não, eu queria ter continuado no Jacaré. A gente acostuma com qualquer coisa ruim, não tem jeito.

RDRafa de Martins

Eu particularmente gosto de trabalhar perto de casa, sacou?

MBMUNIQUE BUSSON

E outra, cara, é um outro tipo de—

RDRafa de Martins

mas acho que com PM não sei, porque PM fica na rua, fica com a cara na rua. A gente quando sai da delegacia, a gente sai, porra, para operação, sai, a gente não fica ali, entendeu? Porra, com a cara ali o dia inteiro, sacou?

MBMUNIQUE BUSSON

E é diferente, cara, polícia de batalhão muito diferente de polícia de UPP. Só tem polícia que nunca trabalhou em batalhão, só em UPP, e polícia que só trabalhou em batalhão nunca fui para o PP. Eu que tive as duas experiências, é completamente diferente, é uma outra polícia, é uma outra cabeça. Eu cheguei no 7º muito acelerada porque você tá naquele pique ali de comunidade, de o tempo inteiro na atividade. Então eu cheguei no batalhão, é algo que você fica mais tranquilo.

O 7º é uma área complicada, eu tomei estilhaço, tiro no peito lá em São Gonçalo. Eu fiquei 3 anos no PP, não fui baleada lá. Foi num cerco de carro roubado. E por eu morar lá, cara, foi esse corte que eu tenho, esse corte tem 3 anos aí, é a mesma história, esse corte que explodiu. Uma situação, inclusive dia 30 agora, todo ano eu tenho julgamento que o que ficou preso, né, foram 2 baleados, um ficou preso, ele todo ano a Defensoria Pública tenta tirar do colo dele que foi ele me deu tiro, né?

Porque ficar 12 anos preso, né, quando atenta contra a vida do policial, hoje é crime hediondo, né? Você falou foi estilhaço, ele foi estilhaço na cara, no olho, e um tiro no colete, no peito, de 38.

RDRafa de Martins

É, como é que é o tiro no colete?

MBMUNIQUE BUSSON

Cara, eu não senti na hora, Rafa. Por quê? Porque a viatura, como a gente tava fazendo um cerco, a gente passou ali no Porto da Pedra, quem é de São Gonçalo sabe, na curva do S. E eu sabia que a gente ia chegar na curva do S, porque ali é rota de fuga deles para entrar no Abacatão, uma comunidade ali. E meu parceiro que tava dirigindo, eu era soldado, ele cabo. Eu falei, eles vão bater lá na curva do S, porque é uma curva muito fechada.

E a gente tava voado. Um pouco antes, filho, eles bateram e meu parceiro deu o maior freadão. Só que nisso eles deram 3 disparos e eu bati com o peito no painel da viatura. Então Eu achei que o que tava doendo era a pancada, né, da freada, e não era, foi o disparo. Mas eu só vi, já tinha tomado tiro, só que bateu na coluna da viatura e disparou em mim.

RDRafa de Martins

E os tilaços, como é que—

MBMUNIQUE BUSSON

ah, eu tive que fazer raspagem no olho do para-brisa. Entrou um tiro no para-brisa, um tiro na coluna, e aí veio igual aquelas porra tudo ali, é igual areia, é como se fosse uma areia no teu olho. E meu rosto começou a sangrar. Ele olhou para mim, ele falou, tu tá baleado. Eu falei, meti a mão. E ainda trocamos tiro. Descarreguei, meu fuzil travou. Eu usei a pistola, descarreguei a pistola, parou aberta. Perrengue. E assim, não foi dentro da comunidade, foi na pista.

Foi na pista em São Gonçalo. Aí fizemos uma ocorrência, ocorrência legal, apresentamos, pegamos os caras. E aí 2 dias depois eu tive que fazer raspagem no olho, tive o primeiro atendimento, tive o primeiro banco.

RDRafa de Martins

Entrou vidro no olho?

MBMUNIQUE BUSSON

Então, quando entra o estilhaço do para-brisa no olho, você fica a sensação como se tivesse jogado areia. Você não pode tirar lavando com a mão, porque o vidro entra. Na hora que eu tive atendimento, acabou a ocorrência, chegou o bombeiro, eu tive o primeiro atendimento, ele falou, não coça, porque senão vai ser uma cirurgia.

RDRafa de Martins

O irmão perdeu o olho com isso, né? Com vidro. Ele bateu com o carro, entrou vidro no olho, ele perdeu um olho.

MBMUNIQUE BUSSON

Eu poderia ter ficado cega. Eu tenho cicatriz na retina. Aí eu tive que ir para o HCPM, não tinha esse procedimento de raspagem. Eu tive que ir no Souza Aguiar fazer raspagem. Isso com o olho, esquece, parece conjuntivite. E o rosto cheio também de vidrinho aqui no olho. E aí quando eu cheguei, a gente acabou ocorrência, tal, delegacia, hospital, depoimento, que você sabe que aquela, né, horas de ocorrência. Os colegas que chegaram de apoio depois, todo mundo foi para o depoimento, né?

Fui para o batalhão, entreguei minha arma, fiz o consumo, que a gente, né, dá disparo, tem que fazer o consumo no batalhão. Fui para o alojamento. Quando eu tirei, que eu vi o roxo no peito, aí eu olhei meu colete, o chumbo tava agarrado.

RDRafa de Martins

Caraca, é porque tu tomou o tiro, já deu uma porrada.

MBMUNIQUE BUSSON

Eu não senti, eu não senti adrenalina. Loucura, né? Adrenalina na hora, loucura.

RDRafa de Martins

Aí teve a situação de ali, depois foi na placa, foi no quebra, foi no quebra.

MBMUNIQUE BUSSON

Aí depois, na situação, vários motoqueiros param para ver o baleado, né? Aquela loucura toda. Os moradores saem. Eu fiquei de 14 dias de meritória porque eu tinha sido, né, alvejada. Tive que fazer raspagem, tive que ficar passando tomar antibiótico, tomei antibiótico. Aí o comandante era o Coronel Tramontini na época, me deu esse gesto para ficar em casa. E eu em casa pedia pizza. Tu nunca viu esse corte, meu?

RDRafa de Martins

Vi, vi.

MBMUNIQUE BUSSON

Então foi essa situação, que aí o entregador de pizza era primo do vagabundo baleado.

RDRafa de Martins

Aí ele falou contigo?

MBMUNIQUE BUSSON

Ele então foi um algo muito surreal, porque a gente que é polícia, a gente tem o tirocínio, né? Tu vê o cara olhando, palmeando, ele ficou palmeando minha casa. A minha filha menor era bebezinha, tinha um aninho, um aninho e pouco, porque é, tinha menos de um ano, porque eu fui para o sétimo depois que eu tive bebê. E aí ele ficou olhando, eu falei, pô, tu tá olhando o quê aí, cara? Tem nada aí para você não. Não, pô, a senhora tava na ocorrência lá do meu primo, era um 5/7 mesmo, saiu de, saiu de cadeia pouco tempo, pô.

Falei, ah, tá. Só que, porra, a gente que é polícia, o cara deu o papo, não é possível, o cara não vai ter coragem de tentar nada aqui na minha casa. Pois bem, dias depois eu fui tirar um raizinho à noite no Segurança Presente e minha porta tava forçada, pô. Caralho! Foi por isso que eu saí do sétimo. Aí eu pedi transferência, saí do sétimo.

RDRafa de Martins

Pô, a criança entrou na casa, pô.

MBMUNIQUE BUSSON

Eu saí também, eu saí também.

RDRafa de Martins

Sair também, porque o cara reconheceu, falou contigo na boa, deve ter falado para alguém.

MBMUNIQUE BUSSON

Eu não acredito que tenha sido ele não, mas com certeza ele deu papo para algum vagabundo e nego tentou, porra, uma fêmea, vamos bingar uma dela, moleque, entendeu? E aí aconteceu, deu errado.

RDRafa de Martins

E seus filhos estavam em casa quando forçou?

MBMUNIQUE BUSSON

Tava, minha mãe tava em casa dormindo. Minha mãe é falecida hoje, mas minha mãe tava dormindo em casa com minhas filhas. Quando eu olhei a porta, Rafa, eu perdi as pernas. Uma sensação de merda. Eu não sentia minhas pernas porque a primeira coisa que eu olhei, eu vi a porta arrombada, mas era só o espelho forçado, sabe? Que alguém tentou enfiar como se fosse uma chave de fenda, mas era aquelas portas antigas de ferro, não abriu.

Mas assim, a sensação que eu tive ali olhando rápido, eu falei, pronto, minhas filhas estão mortas dentro de casa. E com porco, família não se mexe, né, filho? Não se mexe. Problema foi resolvido, me mudei, saí de lá, mudei de unidade. Aí eu fui para Mangueira. Aí eu pedi o coronel: pô, não, cara, vem para cá, pega um patão aí, pô, vocês gostam de trabalhar. Eu era RP na época, que é rádio patrulha, era eu e mais um. Aí eu falei: não, rádio patrulha é o que atende ocorrência, o 90.

RDRafa de Martins

Não, Não, 90, aquelas, atende tudo.

MBMUNIQUE BUSSON

Não, mas vou te falar, atende tudo desde feijoada até— foi baleada no RP, pô.

RBRômulo Brito

É mesmo?

MBMUNIQUE BUSSON

Foi baleada no RP, pô.

RDRafa de Martins

Mas que RP pega tudo, né? Desde a delegacia, tudo.

MBMUNIQUE BUSSON

E assim, dependendo do batalhão e da área, Rafa, a gente fala que é gate de dois polícias.

RDRafa de Martins

Foi baleada no RP? Eu tava no RP. Como é que foi?

MBMUNIQUE BUSSON

Então foi esse dia da perseguição.

RDRafa de Martins

Ah, tá, tá, tá. Só que era no sétimo, entendeu?

MBMUNIQUE BUSSON

Foi esse dia. Então assim, RP, cara, cenário do sétimo.

RDRafa de Martins

Vocês tinham visto o carro passando?

MBMUNIQUE BUSSON

Não, não. Foi, foi o encontro ali, foi, acho que foi o setor Charlie jogou na rede, na rádio, no rádio da gente, que o Sandero branco Stepway tinha sido roubado, tinha um transuinte, parou a viatura na rua e informou a placa, o carro, e que tinham elementos armados dentro do carro. E coincidentemente era um carro que tava parado à nossa frente no sinal, eram uns 3 carros à frente. Quando a gente olhou ali, eu falei, cara, tem um Sandero aqui na frente.

Pela localização que o setor falou, era próximo a gente. Aí meu parceiro até falou, pô, não é possível, tá muito fácil, não são eles não. Falei, vou abrir o giro. Aí eu abri o giro, né, daquela, aquele comandinho para parar. E ele não parou, não parou. Daqui a pouco ele abriu fuga. Aí eu já joguei no rádio, aí a gente começou a fazer o cerco. Isso 7 horas da noite, a rua assim, ó, e a bala voando, e o fuzil travando, e pá, o fuzil travava.

Loucura. Mas eu tenho certeza que se eu não tivesse tido a experiência que eu tive no Jacaré, tinha dado merda ali. Eu tinha morrido, tinha colado as placas.

RDRafa de Martins

E o cara tá 12 anos preso?

MBMUNIQUE BUSSON

Não, vai ficar 12 anos. Já tá 6 anos, tem 6 anos. Aí dia 30 agora, de novo audiência. Vou fazer uns stories quando eu tiver lá.

RDRafa de Martins

De novo, já fez quantas audiências?

MBMUNIQUE BUSSON

E vai, acho que todo ano, uma vez por ano, fica recorrendo para tirar da conta dele, para ele ser solto, entendeu?

RDRafa de Martins

A Defensoria também não ajuda.

MBMUNIQUE BUSSON

É, não. Aí o Estado vem, ó, vamos combinar, é um advogado particular, beleza.

RDRafa de Martins

Agora, porra, defensor, tu recebe dinheiro público, porra, recebe dinheiro da gente, a gente paga o Estado, pô, para tu ficar fazendo, pô, se empenhando para caralho, pô, para tirar o vagabundo.

MBMUNIQUE BUSSON

O Maicon dá Silva tá falando, prima do Naldo BN. Vai lá no meu Instagram, Maicon, tem a publicação lá, tem a foto lá com os chilhaços, sangue, porque tem gente que precisa, gosta de prova, tá lá no meu Instagram. Só voltar lá no feed, dá uma olhadinha lá. Tem o UOL também, tá postado lá. Mas e aí, conta aí, o, aí você foi, não, aí que que eu tô falando, a questão é o seguinte, olha o que Estado gasta de dinheiro Para defender um vagabundo todo ano. E o policial tem assessoria jurídica? Não.

RDRafa de Martins

Um detalhe, tu sabia que às vezes a defesa— eu já vi o absurdo da Defensoria atuar como assistente de acusação contra o policial?

MBMUNIQUE BUSSON

Porra, meu irmão, é surreal!

RDRafa de Martins

Porra, se você tá para defender réu, certo? Se o policial é réu Ou você defende o policial, ou tu fica aí sentado na tua cadeira procurando o que fazer, bicho. Mas não, o cara vai para o lado do promotor fazer assistência de acusação. Porra, aí é demais, irmão! Aí é demais, bicho. E aí você foi para o Rádio Patrulha da Mangueira. Como é que foi essa experiência lá?

MBMUNIQUE BUSSON

Não, aí eu tá— Rádio Patrulha eu tava no Sétimo, eu fui para Mangueira e caí no GTPP, que é aquela, fica no carro, tá? Que estava rodando, dormir final de 18, início de 19.

RDRafa de Martins

Mangueira é terrível, cara. Mangueira é terrível, porra.

MBMUNIQUE BUSSON

Os maiores são abusados para cacete ali, cara. E é muito, vou te falar, em torno da comunidade ali é muita gente viciada em crack ali, cara. Muita coisa. E assim, é surreal você ver, é algo também para a gente né, tem que ter uma visão mais, com mais empatia, cara. Os dependentes químicos são abandonados, Rafa, são pessoas invisíveis na sociedade.

RDRafa de Martins

Compulsória aquela interação social.

MBMUNIQUE BUSSON

Eu concordo, cara, é um problema de saúde pública. Aí a pessoa fala, não é problema da segurança pública, é problema da saúde pública. Aí a saúde pública, não é problema da segurança pública. Ninguém faz nada, fica um jogando para o outro, ninguém faz nada. Só quem tem um dependente químico na família parente sabe o terror que é. Você não tem uma clínica hoje em dia pública, pô, para você internar um dependente químico. Eu vi lá na Mangueira uma mãe que acorrentava o filho, pô, em casa.

Chumbou um metal, vergalhão no chão, e acorrentava o filho. É muito triste, é muito triste. E lá, ali, a gente não tinha, era um policiamento diferente do Jacaré. Porque a UPP já não era dentro da comunidade, era fora. Então a gente fazia mais patrulhamento em torno ali e aí adentrava na comunidade apenas quando tinha operação. Mas ali também polícia, vários polícia machucado, baleado, que morreu ali. É uma comunidade bem complicada.

RDRafa de Martins

E vem cá, nesse período aí você já tava com a internet? Você já usava seu Instagram para divulgar?

MBMUNIQUE BUSSON

Não, não, não, não, não.

RDRafa de Martins

Até não, é porque 18 também, 18 anos ainda não tava, era Facebook ainda.

MBMUNIQUE BUSSON

É, eu nem gostava de rede social, criticava a polícia que tava em rede.

RDRafa de Martins

Depois dessa experiência na Mangueira, tu foste para onde?

MBMUNIQUE BUSSON

Aí da Mangueira eu fui para o Prazeres, cara. Porra, só lugar legal. É, Prazeres é pesadíssimo porque como abrigo na cara. Pô, não, e é muito íngreme, né?

RDRafa de Martins

Você se abriu do lado de lá, pô, a geografia é muito íngreme, né?

MBMUNIQUE BUSSON

Então assim, é algo que você sempre tá em desvantagem, pô. Eles sempre estão na vantagem, né? E a maioria das comunidades aqui no Rio é assim, né? A gente perde também. E lá é uma das UPPs que eu te falei que acabou, que o morador me mandava mensagem chorando: o que vai ser de mim? Ali também foi, foi a última unidade que eu consegui trabalhar de verdade, Rafa. Não tinha câmera ali, que chegou as câmeras. Isso foi em 2021, 2021. Ali foi a última guarnição que eu trabalhei assim.

RDRafa de Martins

Teve no Borel, a gente usava câmera, teve alguma experiência nos prazeres lá, meio Que dá para contar, cara?

MBMUNIQUE BUSSON

Lá era muito o Giló, né, que foi neutralizado tem pouco tempo. O Giló dominava aquela área ali por muito tempo, ele tinha 120 passagens, era coisa de maluco, era coroa já, era coroa já. Mas ali a gente tinha direto ataque na base. Um primeirão, o primeiro sargento foi baleado na nossa guarnição. A gente tava indo, a gente tava indo fazer o patrulhamento diário, que tinha um patrulhamento diário. E aí nessa eles já estavam esperando a gente, porque a gente já tinha neutralizado um vagabundo tipo uma semana antes.

Então eles estavam com sangue nos olhos para pegar um da gente, né? E aí o primeirão foi baleado na perna, na canela. Socorremos ele, mas voltamos para o terreno. Aquele dia ali foi, o céu desceu, filho. Mas fizemos só o reconhecimento tal, não conseguimos pegar ninguém naquele dia. Mas depois de umas 2 semanas a gente fez umas ocorrências legais.

RDRafa de Martins

Bacana. Eu fui, quando meu tio foi, morreu, foi no velório dele, e aí eu cheguei lá no São João Batista, meu irmão. Quando eu subi ali no segundo andar, porra, tudo aquele ambiente Cheio de ganso, uma galera de que foi, pô, brincadeira. A gente sente ali aquela vibração, né, meu irmão? E aí passei direto, fui no meu tio. Os cara falando, pô, cara, quem tá sendo enterrado aqui do lado é o Giló. Então, sentado do lado, meu irmão. Mas e aí, depois do Prazeres, tu foi pro Borel?

MBMUNIQUE BUSSON

Não, aí do Prazeres eu fui pro São João, porque assim, eu acompanhava um comandante, hoje é capitão, Capitão Gouveia. E aí, quando você tá na guarnição, no GT-PP, né, acaba que o comando vai para outra unidade, você é convidado aí com ele, né, na mesma equipe. Então, da Mangueira eu ainda não trabalhava com eles, fui trabalhar com eles no Prazeres. Aí do Prazeres a gente foi para São João, não ficamos muito tempo lá, voltamos para Prazeres.

Aí ele voltou como comandante, ele era subcomandante. Aí ficamos mais um tempo nos Prazeres. E aí ali foi bom demais também, Prazeres, muito bom na questão de aprendizagem, né? Era uma equipe muito boa, conhecido como os Seifas, os meninos loucos de pedra, mas excepcionais. Tipo, tá maluco, esquece, coisa de outro mundo. Coisas que a gente não pode contar no microfone, mas cara, que homens assim, que profissionais, sabe? E cara, como a gente dedica de fato a nossa vida para aquilo.

E o pessoal fala, cara, mas para quê, né? Enxugando gelo, cara, a gente não sabe nem explicar com palavra. A gente faz aquilo sem— é a única mulher da guarnição, sempre, sempre a única mulher. E assim, o legal, Rafa, que não é algo fácil a mulher conseguir uma oportunidade na tropa. Primeiro que não é comum, não porque eu sou mais braba, nada disso. Eu acho que é perfil mesmo. É, a mulher tem mais aptidão a serviço administrativo, isso é um fato.

Não que ela não possa estar na rua, como eu sempre estive, e não como homem não possa estar no administrativo, como tem homens no administrativo. Eu acho que é uma questão de perfil. Eu acho que tem lugar para todo mundo na polícia, é uma questão de perfil mesmo. Mas assim, como é algo novo, é difícil a mulher conseguir essa oportunidade. Como que eu consegui essa oportunidade?

RDRafa de Martins

Entende?

MBMUNIQUE BUSSON

Lá atrás no Jacaré, nas piores situações, eu me colocava à prova para mim mesma, não para ninguém. E aí eu fui, comecei a conquistar o respeito dos meus colegas. Pô, essa garota é diferente! Pô, olha lá, ninguém quis ir, ela foi! Olha lá que doida, a única que tá em pé lá bancando o FAL! Então assim, é aproveitar as oportunidades, entende? Só que assim, Tem a parte chata. Até hoje eu tenho que ficar me provando porque eu sou mulher, entende?

Esse tipo de comentáriozinho de outro polícia: ah, é recruta, é cabo, não respeita a história da gente. Por quê? Porque eu sou mulher? Tem um monte de polícia homem que, porra, deixa a desejar, gente, entendeu?

RDRafa de Martins

Eu penso assim, cara, até essa questão do operacional, realmente a mulher tem que querer muito, tem, porque até fisicamente, fisiologicamente, é mais sacrificante. Então assim, porra, Assim, eu operava com um 5,56 de, porra, era um fuzil acautelado lá, um M16, tal, não sei o quê. Peguei um com cano curto e tal, porque como a DAS, a gente fazia muito cativeiro, então para mim era melhor. Mas, por exemplo, você ficar bancando o peso com um FAL, pô, FAL é pesado, né?

Aquela, pô, você em pé muito tempo, que ele torce no pescoço, meu irmão, o negócio começa a ficar ruim, começa a ficar muito ruim.

MBMUNIQUE BUSSON

Patrulha de um de FAL, já patrulhou de FAL.

RDRafa de Martins

Os carregadores são pesados.

MBMUNIQUE BUSSON

É loucura você patrulhar com fuzil.

RDRafa de Martins

O cara me vestiu para um G3, eu não quis. Falei, pô, gente, não quero, prefiro ficar com esse submeio aqui porque, pô, mais leve, entendeu? De longo menor, pô, tô mais tranquilo.

MBMUNIQUE BUSSON

Para patrulhar é a melhor coisa, é um pequenininho, um Colt.

RDRafa de Martins

Exato. Mas assim, então essa disposição, pô, é pesada, é chata, não sei o quê. Porra, outra parada besta que parece que não, cara, pô, se eu tô contigo na operação, eu quero dar um mijão, Meu irmão, eu falei, acabou, porra. Você, meu irmão, é outra operação, vai ter que se segurar, meu irmão.

MBMUNIQUE BUSSON

Não, primeiro que assim, eu evitava beber água para não precisar ir ao banheiro. Consequentemente, eu tinha infecção urinária direto. É uma condição, é o preço de eu querer estar ali. Como eu falei no início, eu precisei fazer necessidade fisiológica na laje. É porque não tinha como descer para procurar banheiro. Homem bota o pintinho para fora, já devia estar desesperado, né, meu irmão?

RDRafa de Martins

Porque assim, suando, não sei se conseguia andar.

MBMUNIQUE BUSSON

E a gente, quando tá em operação, quando a gente tá operando, é mais de 20 kg de equipamento. A gente transpira tanto que não dá nem vontade de urinar, né? Ainda tem isso. Só que enquanto você tá, depois tu para, hidrata. Então tem essa dificuldade.

RDRafa de Martins

Então bota com a placa, bota aí uns 7 kg de colete aí, brincando, é coluna também já começa, lombar já começa a gritar também, já começa.

MBMUNIQUE BUSSON

E assim, tem polícia meio doido. Ah não, não quero usar colete, só vou usar a placa, só vou— tá doido, meu irmão. Tem muito medo de morrer, Rafa.

RDRafa de Martins

Tem duas filhas.

MBMUNIQUE BUSSON

Aí, ó, viu? Tá vendo, né?

RDRafa de Martins

Chegou uma hora que eu não aguentava tirar, ficava só com a placa. E o pior de tudo é o seguinte: eu tava, pô, eu tava, eu dei uma emagrecida, mas eu tava malhando pra cacete, meu irmão, tava gigante, meu irmão. A placa fica igual uma medalhinha. Os cara falou assim, meu irmão, Tá usando placa, tá usando medalha. Porra, para que tu vê que pequenininha sobrava essa coisa.

MBMUNIQUE BUSSON

Não, tá doido, filho. Eu tenho amor à minha vida. A gente já se expõe ao risco, Rafa. Tu tem que minimizar o risco, porra, minimizar. Igual é o pessoal agora dos batalhões operacionais, estão usando capacete, né?

RDRafa de Martins

Isso é uma parada que eu acho assim, tomara que eu vi o BOPE, todo mundo com capacete, todo mundo com capacete também. Tomara que para o lado de cá da gente também Porque, cara, vou te falar, meu irmão, polícia é fogo, irmão. Primeiro assim, o primeiro ninguém tava, né, pô, faz diferença?

MBMUNIQUE BUSSON

O tiro feio, feião, pô.

RDRafa de Martins

Aí começaram agora, beleza, tá todo mundo com colete. Aí para botar a placa, porra, placa! Agora tá todo mundo com placa.

MBMUNIQUE BUSSON

Não, polícia é um troço complicado, né?

RDRafa de Martins

Embusteiras, capacete e tal, cara. Mas acho que se uma galera começar a botar, porra, o capacete é bonitinho, é bonitinho, é bonitinho.

MBMUNIQUE BUSSON

É, mas isso aí tem que chegar para todo mundo, né? Tem que chegar para todo mundo o colete, não só para—

RDRafa de Martins

E aí, vamos lá, depois aí tu voltou para os Prazeres, seguiu para São João, Prazeres de novo, depois a gente foi para Formiga. Cara, você bancou só etapa, porra, só lugar.

MBMUNIQUE BUSSON

Mas depois, Rafa, depois que tu bancou o Jacarezinho, tudo era casa de família, você tá entendendo? O pior lugar foi o Jacarezinho. E assim, foi no momento que eu tava vibrando, né, crua, vibrando e crua. Eu ainda não sei nada de polícia, mas naquela época eu sabia menos ainda. Então, cara, ali foi escola de fato, escola para mim. Então assim, todos trabalhou em favela, só em comunidade, só no sétimo que eu trabalhei na pista.

RDRafa de Martins

Aí, pô, e São Gonçalo tem comunidade para cacete.

MBMUNIQUE BUSSON

É, lá é uma comunidade gigante.

RDRafa de Martins

Salgueiro ali para mim é pior, um dos piores ali é o Salgueiro.

MBMUNIQUE BUSSON

É, não, Salgueiro, os piores do Rio, do Rio, entendeu? Ali é pesadíssimo, pesadíssimo. Eu não cheguei a operar no Salgueiro, operei no Jardim Catarina. Ali também é sinistro, tá? Apesar de não ter a geografia, não ter morro, é uma plana, né? Acho que é a maior comunidade plana da América Latina, o Jardim Catarina. É pesado também. Então dali eu fui para Formiga. Ali minha guarnição já tinha espalhado, uns foram para batalhão, outros ficaram em um PP.

A câmera chegou, dá aquele desânimo. Aí ali eu fiquei um tempo na P2, ali eu já tava começando a trabalhar na internet, já tinha um trabalho na internet.

RDRafa de Martins

Como é que você começou na internet? Começou com Instagram ali de bobeira?

MBMUNIQUE BUSSON

Eu comecei incentivando a galera comecei a estudar para concurso. Foi dessa maneira que eu comecei a trabalhar, porque— e não foi intencional— eu postava meu Instagram, criei o Instagram pessoal, postei um stories fardada, o outro, o pessoal começou a perguntar: porra, tu é polícia há quanto tempo? Estudou aonde? Fez o quê? A galera desperta a curiosidade, né? E ainda mais uma mulher na tropa, então é algo diferente, né? E aí eu comecei a incentivar algumas meninas. Anos? Eu tô com 5 anos de 2021, é 2020, 21.

RDRafa de Martins

Aí você começou falando, mas você dava dica de concurso, só incentivo?

MBMUNIQUE BUSSON

Não, só assim, eu respondi o que a galera perguntava.

RDRafa de Martins

Eu não, não, não, eu não produzi, eu não produzia conteúdo, não botava família, não botava nada.

MBMUNIQUE BUSSON

Não tinha, mas assim, era fechado. Começou com os meus amigos, aí depois que eu comecei a ver a a proporção que tava tomando. Aí eu comecei a parar de postar mais pessoal e comecei a postar mais profissional e comecei a falar como que eu estudei, o que que eu usava, qual curso, nananã. E dali, cara, dali o caminho é natural. Eu comecei a virar um símbolo de força para mulheres. As mulheres que começaram a me chamar sobre violência doméstica, elas me procuraram.

Porque elas começaram a ver em mim uma força, um símbolo de força. Pô, a Busson é polícia, ela vai me ajudar. Aí eu começava a fazer mentoria mesmo, o que que ela tinha que fazer. E aí, cara, eu fui escolhida. Eu falo que Deus me escolheu para essa proposta.

RDRafa de Martins

Quando começou a surgir a onda dos podcasts em 2021, né, quando começou, só tinha a gente, né, Rafa? Cara, eu comecei em 2022, nós fomos um dos, começou o Café com Polícia, né? Aí veio—

MBMUNIQUE BUSSON

então eu explodi no Café com Polícia.

RDRafa de Martins

Então veio o Café com Polícia, veio o Giba, né, com Castro. Gida não, qual é o do Castro mesmo? Eu esqueci. É o podcast do, sei lá, que tem um Castro, tem um Castro e o outro. Aí veio o Glauber, aí logo depois acho que o Copcast veio um pouquinho antes da gente, aí começou a gente.

MBMUNIQUE BUSSON

Eu fecho.

RDRafa de Martins

Mas a gente começou em maio de 2022. Quando a gente começou, já tava começando a dar merda com PM, com as loucuras que os PM contavam. Que é assim, caralho, você vê esse papo nosso aqui, caramba, bicho, é um papo que é uma resenha. Chega uma hora, é porque agora tá todo mundo escaldado, tá todo mundo já todo mundo escaldado.

MBMUNIQUE BUSSON

Eu não respondi por falar merda em podcast.

RDRafa de Martins

Não, mas tô dizendo assim, o colega tava ali, se envolve, daqui a pouco o cara tá contando a história, porra, aí peguei bem na cara do cara, não sei o quê. Quando o cara botou a coisa Pimba! Aí quando eu botei, tem mais um só para conferir. Porra, meu irmão, o negócio começou a ficar esquisito. Então quando eu entrei já tava dando merda. Então já não conseguia mais trazer. A gente só conseguia trazer PM, aqueles PM maluco, aquele que dá nada, só se der pouca coisa, aqueles que vinha sem pedir autorização, sabe? Mas primeiro podcast que você foi então foi do Café com Polícia?

MBMUNIQUE BUSSON

Não, primeiro que eu fui foi no Glauber, no Fala Glauber, ele já Ele tinha 50 mil inscritos.

RDRafa de Martins

Pô, que maneiro, cara!

MBMUNIQUE BUSSON

Eu fui eu e a De Freitas, que é uma fã do meu pelotão. E aí deu merda nesse dia porque a De Freitas falou uma merda lá, eu cutuquei ela por baixo, o pessoal da unidade dela tava assistindo, aí o Ramos entrou na live, começou a discutir com a P1, que a P1 é tipo RH, né? Cara, deu uma causada! Sei que a De Freitas explodiu a guarnição do Ramos por causa dessa live. Copiamos. Agora a edição dele foi explodir. E uma causada danada, cara.

Não foi uma merda, é, foi um mal-entendido. Eu não lembro de fato o que foi, mas a De Freitas falou uma coisa, aí meio que foi um telefone sem fio. Alguém que tava assistindo, policial, foi no grupo da unidade, falou: a De Freitas falou mal de FEMM. Aí a FEMM, que é P1, já entrou na live esculachando ela, e não foi isso que ela tinha falado. Foi um mal-entendido. Só que o Ramos entrou na live, ficou discutindo, deu uma causada.

Vamos defendendo a Freitas, defendendo a Freitas, porque ele tava na live, ele viu que ela não falou nada demais, entendeu? Foi uma interpretação ruim de um polícia fofoqueiro.

RDRafa de Martins

Que coisa feia!

MBMUNIQUE BUSSON

Ah, mas tem muito na polícia, né? Tem muito na— eu vou te falar, olha, pô, acho que— ai, vou falar, vou falar, vou falar.

RDRafa de Martins

Fala, fala.

MBMUNIQUE BUSSON

Não, vamos ler aqui essa pergunta. Boa noite, Rafa e Busson. Posso ler?

RDRafa de Martins

Pode.

MBMUNIQUE BUSSON

Eu tô achando que eu tô no Papo Reto, né?

RDRafa de Martins

Lembra o Superchat? Não, você é de casa. Vai lá.

MBMUNIQUE BUSSON

Te desejo sorte nessa nova jornada. A sua guerra vai ser outra no Congresso e que o projeto com o Cadá decole. Boa sorte, guerreira. Obrigada, Mizinho. Mizinho Personal Fight.

RDRafa de Martins

Pô, Mizinho é nosso, nosso povo. Obrigado, Mizinho.

MBMUNIQUE BUSSON

Cadê o Rômulo para jogar fofoca aqui para nós?

RDRafa de Martins

O Rômulo sabe de tudo, cara. Rômulo é enterado para caramba, cara.

MBMUNIQUE BUSSON

Fofoqueiro, ele é fofoqueiro, cara.

RDRafa de Martins

Mas ele é o fofoqueiro responsável, né? Não, eu não, eu sou fofoqueiro.

MBMUNIQUE BUSSON

Ele falou que você gosta de ladainha, de briga, tu gosta de ficar arrumando confusão na internet.

RDRafa de Martins

Ele é, mas eu gosto de zoar os outros da internet. Aí quando o cara começa a querer engrossar o caldo, aí eu, é, e aí a gente veio com essa questão de mídia, né, Rafa?

MBMUNIQUE BUSSON

Eu comecei a perceber a responsabilidade, eu tinha em torno de 10 mil seguidores. Só que a gente vai crescendo na internet, tu não consegue ter percepção do seu tamanho. Você é assim também? Por exemplo, eu tenho 800 mil seguidores, eu não me acho famosa, não me acho.

RDRafa de Martins

Mas o pessoal te reconhece na rua?

MBMUNIQUE BUSSON

Muita coisa, o tempo inteiro. É sentado comendo no restaurante, qualquer lugar. Eu vou no interior, tem seguidor meu. Caraca, Bussão! É muito maneiro. Só que assim, eu peço a Deus para eu não ficar vaidosa, não tirar o meu pé do chão, mas eu tenho essa dificuldade de perceber. Aí, que que aconteceu? Quando tinha uns 10 mil seguidores, eu tomei a primeira porrada. Por quê? Porque você começa a trabalhar na internet, só que você tem que ter um senso de responsabilidade.

Você não pode fazer qualquer brincadeira, você não pode falar qualquer coisa. Não pode. Só que eu percebi isso tomando um porradão, porque teve uma— eu abria muito caixinha de pergunta, eu até dei um tempo disso, que é a caixinha de pergunta que me fazia escorregar. Eu falava uma merda ou outra. Uma seguidora, na época não tinha essa questão de concurso ser igual para homem, para mulher. A seguidora abria a caixinha, ela falou assim: Busson, estão querendo lá no STF colocar a vaga igual para mulher e para homem.

O que que você acha? Ainda nem tinha aprovado. Eu falei, eu acho uma merda, eu acho uma bosta. Vocês nunca vão ver um gato só de mulher, pô. Polícia tem que ter testosterona. Eu sou fã, mas eu vivo isso aqui. Eu sei que não é um serviço para mulher, pô. Eu tô me adaptando e já é difícil para mim. Você acha que todo— abriu o concurso Mulher estuda mais que homem, isso é um fato, pô. Vai passar mais mulher do que homem, vai dar merda.

E eu abri o verbo. Não, aí no final ainda a gente tinha uma brincadeira no meu Instagram, no meu pelotão, no grupo, que a gente zoava uma outra. E tu não presta para nada, tu é 5 mil jogado fora, 10, 15, 20 mil. Brincadeira interna de pelotão. Aí eu brinquei, brincava às vezes com ela, fala assim, ah, não tem nem que ter vaga para mulher na polícia. Eu falei isso no Instagram, Rafael. Só que eu falei todo esse contexto sobre eu não concordar.

Por quê? Porque a polícia é masculina ainda, precisa de força física, precisa de testosterona. Você tem uma, duas fêmeas na guarnição, vai, mas você não vai ver um gato só de fêmea. É a minha opinião, não é a verdade absoluta, porra. Só que que acontece, a gente não pode dar determinadas opiniões sobre a instituição pelo nosso regulamento. Aí no final eu ri, brinquei, falei, ah, por mim não tem nem que ter vaga para mulher na polícia.

Mas foi uma brincadeira, porra, Rafa. Nego cortou só essa parte e começou a jogar nos grupos. Foi meu primeiro cancelamento dentro da polícia, que eu tenho vários, né? Foi meu primeiro cancelamento. Não, os homens riram porque era o sonho deles falar isso para as fãs, só que eles não podiam falar, né? Só que não pode falar. Só que, pô, eu falei na brincadeira porque eu sou feia, cara. É claro que eu quero que tenha vaga para mulher, eu sou feia, senão eu não seria policial.

Mas foi, foi um tom de brincadeira, mas assim, uma brincadeira que eu tive irresponsável. E dali eu percebi o tamanho e a responsabilidade que você tem que ter na internet, não só dentro da instituição como fora. A gente influencia pessoas, o que sai da nossa boca forma opiniões, Rafa. Só que ninguém te pega e te fala isso, tu aprende na pancada. Eu não sei com você, comigo foi assim.

RDRafa de Martins

Cara, eu acho assim, por fato de ser militar é diferente, entendeu? Mas por exemplo, meu histórico antes de ser polícia, eu era ator. Então, porra, músico, tinha uma carreira artística ali, entendeu? Aí no meu Instagram, cara, eu não fico falando de segurança pública no Instagram não, entendeu? Até porque, pô, já falo aqui, já vivo com esse troço, então não sei o quê. Pô, e fala de segurança pública é baixa astral. Vou parar para ver, porra, tu começa a dar uma falta de esperança, angústia também.

Então meu Instagram é um Instagram assim para interagir com pessoas, interagir com o público, e eu boto muita brincadeira, coisas que me fazem rir. Então assim, tem um meme que me faz rir, eu boto para frente, cara. E eu sou muito politicamente incorreto, então boto muitos memes politicamente incorretos. O Rômulo já chamou minha atenção um milhão de vezes. Ah, meu irmão, você vai acabar se ferrado com esse negócio. Cara, só que é só zoação.

Só que assim, eu brinco tanto, isolo tanto, é tanta sacanagem que eu boto, tanta brincadeira, que eu acho que a visão que as pessoas já têm de mim é assim, cara, é um Rafael inimputável, incancelável. Tanto que assim, que eu falo umas merdas às vezes assim, mas eu já falo que nego não leva a sério. O Rômulo, quando fala uma merda, meu irmão, parece que o mundo vai desabar, porque ele é sério. Então assim, se ele fala uma coisa, não tô dizendo uma merda, mas ele fala uma coisa porra, atravessado polêmica, meu irmão, o muro cai.

Se eu falo a mesma coisa, acho que, entendeu, acho que de repente nego leva ele mais a sério, sacou, bicho? Então, de uma certa forma, para mim tá ótimo, sacou? Eu fico protegendo através dessa, desse jeito assim mais, mais bem-humorado aqui.

MBMUNIQUE BUSSON

O que que a testosterona tem a ver com isso? Eu falei numa, num sentido de que é uma profissão Gente, mais masculina.

RDRafa de Martins

É porque a testosterona, ela é da virilidade, entendeu?

MBMUNIQUE BUSSON

A virilidade, força, né?

RDRafa de Martins

Entendeu?

MBMUNIQUE BUSSON

A disposição, agressividade controlada. Não que a mulher não possa fazer como eu faço, só que, cara, tem situações dentro da polícia, em ocorrências, que se tiver só mulher vai dar B.O., pô, vai dar. E o vagabundo, se tiver que tentar, vai tentar na mulher. Que é a parte mais frágil da guarnição. Eu tenho ciência disso. Então assim, é isso sobre mídia, né? Eu comecei a perceber a responsabilidade.

RDRafa de Martins

A sua sinceridade é uma sinceridade, porque assim, hoje em dia o mundo não tá mais preparado para verdade. Parece que a verdade é uma coisa que machuca.

MBMUNIQUE BUSSON

Você não pode mais falar.

RDRafa de Martins

Não só a verdade, bicho, pô, é a sua opinião. É, você olha para a porta, cara, não é a verdade absoluta, entendeu? De repente Porra, de repente nós estamos aqui equivocados é porque a gente nunca deu oportunidade. Porque se a gente der oportunidade, a gente vai conseguir uma tropa de, de como é que é, de Amazonas, entendeu? Mas é opinião, brother, eu compartilho da tua.

MBMUNIQUE BUSSON

E a opinião é, e eu falo o seguinte, eu faço uma analogia, porra, tu tá num carro viajando, o pneu furou e o botão da blusa arrebentou. Quem vai costurar o botão? Quem vai, quem vai trocar o pneu? O homem vai trocar o pneu, a mulher vai costurar. É questão de aptidão, porra. Isso é natureza da gente. Não quer dizer que a mulher não possa trocar o pneu e o homem não possa costurar a merda do botão, porra.

RDRafa de Martins

Mas a mesma mulher que vai trocar o pneu, quando olhar pro cara, que bunda mole, que bunda mole, ela mesmo vai reclamar desse troço.

MBMUNIQUE BUSSON

Que tá trocando o pneu. É uma questão de ponto de vista, né? É isso que tu tá falando. O que a gente fala não é verdade absoluta e a gente nem vai agradar todo mundo. E aí a gente esbarra também nessa questão. Eu comecei a perceber depois de um tempo, Rafa, depois de começar a estudar também. Eu estudo muitos conteúdos do Major Novo, né? Ele vem aqui direto também, é diferenciado, é alguém que Para mim é uma influência muito grande, é uma referência muito grande. Também tá me ajudando com propostas, né, como pré-candidata.

RDRafa de Martins

Professor de Direito na Academia de Estado.

MBMUNIQUE BUSSON

Ele tem, eu não, eu sou policial militar, Rafa, e assim foi difícil eu tomar essa decisão de ser pré-candidata porque eu não me achava capaz. Eu não achava que eu teria capacidade técnica de inteligência. Só que eu fui conversando com pessoas e as pessoas falaram assim: Bussom, a experiência que você tem, os valores que você tem, a honra que você tem, você junta isso com pessoas técnicas ao seu redor e aí você vai ter o que você precisa, equipe técnica.

Então é isso, eu tô tentando me rodear com pessoas que têm muito mais capacidade técnica do que eu para a gente dar um bom trabalho. Um bom serviço à sociedade como parlamentar, se a gente conseguir chegar lá. E assim, aí tu olha para trás e fala, porra, tem um Tiririca lá, meu irmão, como é que eu não vou ter essa capacidade?

RDRafa de Martins

Você tem o carisma, né, cara, e a capacidade de se comunicar de forma clara.

MBMUNIQUE BUSSON

Sim.

RDRafa de Martins

Então, se você consegue atingir a pessoa, se você tem 900 e poucos mil seguidores, é porque a sua comunicação atinge o coração das pessoas. Então, se você tá Você vai ser uma representante do povo, você tem que saber se comunicar com eles. E é o que você falou mesmo, cara, você monta a tua equipe técnica atrás e muitas vezes esse cara técnico ele é muito bom, mas ele não tem a mesma capacidade de se comunicar, de vender uma ideia, de fazer as pessoas acreditarem numa proposta, de explicar um projeto, uma proposta, uma ideia.

Então isso, eu acho que política é isso, é o cara que tem a arte de você negociar. Você foi vendedora. Foi. E quando você negocia, cara, o bom negócio é aquele que fica bom para todo mundo. Então você saber negociar para que— esse é o grande desafio político, né? Não precisa ser político, exatamente.

MBMUNIQUE BUSSON

E aí você teve essa dificuldade na instituição, Rafa, de ir para mídia e ser criticado pelos colegas?

RDRafa de Martins

Não, que eu te falei, eu acho que o nego não leva a sério, entendeu? Então, porra, o Rômulo Eu também tô cagando também, entendeu? Então assim, eu não sei se nego me critica ou não, deve criticar, ou até deveria elogiar, não sei. Realmente assim, quando a gente começou o Fala Guerreiro, como os podcasts eles estavam muito esse negócio de porra, nego contando muita história, então todo mundo falou assim, pronto, já não bastava esse bando de maluco embusteiro fazendo essa parada, agora tem mais dois na Polícia Civil fazendo isso.

Só quando a gente entrou, cara, a gente entrou com essa parada assim, pô, irmão, cara, a gente não pode deixar os colegas se prejudicarem por causa de um podcast, pô. O cara vem aqui voluntariamente, pô, não sei o quê, pô, vamos. Então a gente sempre foi muito cuidadoso com essa questão de ocorrência. E eu sempre fiz questão de assim, se eu chamava um cara que eu percebi que o cara era acelerado, eu falava, irmão, vamos fazer uma pauta aqui, me conta aí, é, porra, conta as histórias e tal, não sei o quê.

Pô, eu falo, pô, irmão, essa história dá para contar não, brother. Vamos fazer o seguinte, vamos dar uma ajeitada nessa história. Em vez de falar que foi assim, fala que foi assado. Em vez de falar que foi isso, foi aquilo.

MBMUNIQUE BUSSON

É, eu também tenho o maior cuidado para eles seguirem o papo reto.

RDRafa de Martins

E aí, com o tempo, as pessoas assistiam o Fala Guerreiro e viam que aqui as pessoas não contavam história maluca. E aí eu percebi que eles foram falando, pô, cara, vocês têm um cuidado, vocês têm um respeito, vocês são mais sérios, vocês levam a coisa para um tomado diferente, discutir sobre segurança pública e tal, sabe? Vi que tinha esse cuidado. E aí, de repente, a gente começou a conquistar o coração Porra, dos gestores, dos delegados, dos coronéis, entendeu?

Pô, teve uma vez que eu fui no BOPE, os caras falaram, pô, cara, a gente fez uma pauta aqui sobre um negócio disso aqui e falamos de vocês. Ou seja, o único podcast que eles não queriam, mas pô, a gente tinha uma credibilidade ali, tanto que eles chamaram a gente para participar do evento, entendeu? No evento deles lá. Então eu hoje assim sou muito agradecido por essa escolha. É uma escolha que com certeza ela trouxe, não trouxe tantos seguidores para o canal, Porque a gente não polemiza, a gente não cria essa situação, mas construiu algo que é muito mais difícil, que é a credibilidade, entendeu? Que é o respeito, é mais difícil.

MBMUNIQUE BUSSON

É isso. Eu prefiro também não ficar viralizando com qualquer coisa do que— acontece isso, né?

RDRafa de Martins

Nunca ninguém respondeu nada, passou perrengue, passou por alguma situação vindo aqui no Fala Guerreiro. Sempre teve um cuidado muito grande.

MBMUNIQUE BUSSON

Eu tive essa aí, depois eu falei do Major Novo por isso, porque eu estudando o conteúdo dele eu comecei a entender sobre essa questão de guerra informacional, de direito operacional, cara. Ele fala muito sobre isso, né? Eu sou mó fã dele, puxa, mó sardinha para ele mesmo, porque são pessoas que merecem honra, sabe, Rafa? Porque às vezes, até dentro da instituição mesmo, o cara pensa um pouco além, o cara quer um pouco fora da caixa, ele é marretado, pô.

Ele é marretado, entendeu? Porque ele quer o melhor, cara. Então assim, ele é um cara que eu entendi estudando o Major Novo, que assim, isso aqui eu comecei na intenção de concurso. Depois eu comecei a perceber o tamanho da guerra de narrativa, de informação que a gente vive, porra. Quantidade de polícia que é preso que aparece na Globo no dia da ocorrência, que fez, ah, matou aquele dos policiais do choque que eu postei, Tiaguinho da CDD.

Eu falo em todos os podcasts, cara, ficaram quase 2 anos presos, pô. Assassino como assassino de criança, jogador de futebol de 12 anos, julgamento vagabundo, trocou tiro, Glock, foto dele na boca de fuzil, pilotava moto BMW. Então assim, a mídia condena a gente. A narrativa domina, retém o poder, pô. E aí decide a nossa vida.

RDRafa de Martins

E a guerra cultural, né, cara? O policial, quando entra num filme brasileiro, filme, novela, ele sempre entra como o obscuro, o cara corrupto, assassino, truculento, barulhento, sabe? Fala feio, é problema, sabe? É assim. Então ele sempre retratando a gente de uma forma negativa. Esportiva. E tem 3 caras também que eu acho que eles revolucionaram muito assim a minha cabeça, tá? Que foi o Visacro, o Novo e o Greco. O Greco, porque o Greco teve aqui, é um cara fantástico, e ele teve a sacada de juntar o Visacro, Novo e mais um outro time e começar a falar sobre guerra da informação, guerra danada.

O Visacro, cada, cada uma conversa com o Visacro. Uma vez eu fui para Juiz de Fora para conversar com Visacro, que eu tava com uma ideia de querer fazer um mestrado, não fiz nada. Mas caramba, eu fiquei, eu fui lá, passei uma tarde com ele, ele me explicando essa coisa que eu te expliquei sobre área estratégica, tática, operacional. Isso foi coisa dele. O novo, quando vem para cá também, você vê que é uma aula, uma visão que ele tem para essa pessoa.

MBMUNIQUE BUSSON

Eu fico babando, Rafa, com tamanho assim. A gente tem tanta gente boa para segurança pública e esses caras não têm oportunidade talvez, né?

RDRafa de Martins

Mas o podcast que abriu isso aí, porque, por exemplo, a gente trouxe o Cadar aqui, fora da curva, cara. Quando, no final das contas, a gente quase não falou de ocorrência, a gente ficou falando de vida, de percepção, de comportamento humano. Ele é surreal, sacou? O cara fica— então assim, hoje a gente traz policiais, Coronel Príncipe, o Mário Sérgio Duarte, que foi como, cara, o cara é um filósofo. Ele, ele enxerga a segurança pública sob a perspectiva da filosofia também.

Então hoje acho que os podcasts puderam mostrar para as pessoas o alto nível intelectual que nós temos os nossos policiais, sacou?

MBMUNIQUE BUSSON

E meu amigo Geldo tá na live!

RDRafa de Martins

E aí, o que que ele—

MBMUNIQUE BUSSON

Geldo tá na live, Débora! Geldo Peçanha, um beijo, Geldo! Geldo, ele é meu hater, sabia?

RDRafa de Martins

E agora virou o seu?

MBMUNIQUE BUSSON

Não, ele é meu hater. Ele é um policial militar, subtenente da polícia, e eu já vi que ele tem implicância com polícia da mídia, que eu vejo vários perfis de policiais militares, ele vai lá e fala mal. Só que o Geldo é sub da PM e ele é Lula. Explica isso, Geldo.

RDRafa de Martins

Explica isso, Geldo. Aí, pô, eu já tava, pô, Geldo, ó, toma aqui. Maxi Gimenez Barbosa: todo sofrimento, toda dor durante o percurso de construção do policial faz parte do processo de construção do homem e mulheres guerreiros. Obrigado, meu irmão. Rafa vai fazer mestrado em short de sacanagem em rede social. É, acho que é minha cara mesmo. Cadar alugou um triplex na cabeça do Rafa. Foi, não sei por quê, cara. Fiquei muito impressionado.

E o Cadar, ele tem uma profundidade, sacou? Ele é tão profundo, cara, que eu olhei para ele e falei assim: caraca, meu irmão, eu me senti um merda porque eu sou raso, sabe? Sou raso superficial para caralho. Tudo que ele lê, ele se aprofunda. Eu leio, legal, babado direto. Eu falei: porra, meu, tem que dar um jeito na minha vida. Eu saí daqui reflexivo, eu saí mal de cabeça, cara. Porra, meu irmão, tem que mudar minha vida. Foi até bom que você me lembrou, cara, que eu já tinha até esquecido que eu tinha Obrigado pela crítica, me lembraram.

Que os outros comentários aqui, é falar sobre sonho com automóvel. Vamos lá, Roberto: o bom de ter um delegado na família é que ele ajuda a arredondar o termo. Policial não mata ninguém, ele apenas neutraliza uma injusta agressão. Roberto Martins Lima. Geraldo, você vota no Lula ou no Flávio? Fala o que interessa para política.

MBMUNIQUE BUSSON

Esse que é Géldo, esse que é o meu rei.

RDRafa de Martins

Lula ou Flávio? Você falou para mim, eu voto no Flávio, eu voto no Flávio. Bolsonaro, Bolsonaro, entendeu? O Rom fala que não é bolsonarista, eu sou, eu gosto do Bolsonaro, gosto muito do Bolsonaro.

MBMUNIQUE BUSSON

Me explica aí.

RDRafa de Martins

Eu teria os filhos do Bolsonaro, eu queria que meus filhos fossem igual os filhos do Bolsonaro. Me defendesse, me defendesse.

MBMUNIQUE BUSSON

Bolsominion, bolsominion. Eu que, ô Géldo, aproveita que eu sou branco privilegiado, opressor. Puta merda, vai ser cancelado, cancelado. Eu queria saber do Geldo, Geldo Peçanha, o porquê que você é Lula se Lula não gosta de polícia, porra? Lula gosta de vagabundo. Explica isso pra gente. Não tem como, entra na minha cabeça, Rafa, polícia ser de esquerda não entra, pô.

RDRafa de Martins

Como é que é isso? Aí o pé deve ter sido na escola, né? Vai ver escola ali. Estudou lá no Pedro II.

MBMUNIQUE BUSSON

Ele falou que vai votar em mim, olha aí. No fundo é só um sonho incubado, é um amor incubado.

RDRafa de Martins

A Adriana botou: parabéns, Bulsão, você além de linda é capaz e inteligente. A pessoa inteligente que conhece suas limitações e as enfrenta. Que Deus te ilumine e proteja. É verdade, cara, eu também fiquei— a Bulsão falou umas coisas aqui, pô, muito legal, cara. É, Bulsão é melhor, parabéns. Nós homens somos sacerdotes do lar. Alexandro 78 Lessa. Deixa eu ver aqui o que mais aqui. Rafael tá horrível. Porra, Dani, caramba! Tô mesmo.

Deixa eu dar uma ajeitadinha aqui. Pronto, minha camisa do Bom Sucesso, Bom Sucesso Futebol Clube.

MBMUNIQUE BUSSON

O amigo tá falando aqui que você perguntou para o cadáver. Pô, bicho, tu aprende essas paradas aonde? Me fala a fonte aí, pô. Não, ele é o cara, ele falou tanto livro que eu não lembro. Come livro, pô, ele come livro.

RDRafa de Martins

Ó, o Gomes Fernando falou assim: tem mulher muito mais corajosa que eu, você é um exemplo, Bussom, não tenho tanta coragem quanto você.

MBMUNIQUE BUSSON

É mesmo, pessoal tá falando aqui, Bussom, dá um conselho para quem tá entrando na polícia agora. Cara, tem que vir com o pé no bumbo, pé no bumbo que a gente diz, agindo certinho, porque Judicialmente, juridicamente, está difícil de trabalhar, né?

RDRafa de Martins

Agora, nos antigões, escolhe os antigões assim sensato e vê que, ó, a Sabrina botou aqui: Rafa tem uma energia ótima. Obrigado, Sabrina, obrigado. Feliz, eu li um elogio para me valorizar aqui do Bussão. Beijo dos catarinenses para ti, boa sorte com a política. Cris Barão, é outra que toma 1 ml por semana de teste que cresce até a barba. É verdade, verdade, concordo. Testosterona é vida. O som é melhor você ler mesmo, porque se depender do César, esquenta.

Buscou qual conselho você daria para entrar na prata? Você leu isso aqui, né? Deixa eu ver o que tem mais aqui. Eu conheci a Busson no podcast Café com Polícia do K1 aqui em Santa Catarina. Cabelo preto, novinha. Verdade, pô, o menino do Café com Polícia tá melhor, não tô?

MBMUNIQUE BUSSON

O tempo tá me fazendo bem, eu acho que eu tava com uma cara esquisita. Eu vejo uns cortes Cara, a galera até hoje solta os cortes do Kauan no TikTok, acredita?

RDRafa de Martins

É mesmo, ele parou com podcast, foi perseguido pela polícia, foi sacaneado pela polícia, né? Pô, você tem que agradecer à Polícia Civil, sabe? Eles nunca perturbaram a gente, cara, nunca perturbaram a gente, cara, com negócio de podcast, brother. Ele foi perturbado, pô, teve até sair da polícia, cara, mó sacanagem. Foi o primeiro podcast policial, né, cara? Ele foi o cara que teve a primeira ideia de podcast, pô. Ó, o Juan Pablo, leiam sobre a Escola de Frankfurt, a revolução cultural, marxismo cultural, implementada por Antonio Gramsci em 1930.

MBMUNIQUE BUSSON

Muito bom, Juan, muito bom, Juan.

RDRafa de Martins

Obrigado pela dica.

MBMUNIQUE BUSSON

Eu vou até printar aqui.

RDRafa de Martins

E se eles candidataram ao governo, ele leva mole. Muito inteligente, deve estar falando de mim, o Vinícius. Obrigado, Vinícius.

MBMUNIQUE BUSSON

Falando no cadáver, não, cara, eu vou te falar, para botar a cara no Executivo aqui no Rio de Janeiro tem que ter coragem, cara. Tem que ter muita coragem.

RDRafa de Martins

O quê?

MBMUNIQUE BUSSON

É para botar a cara no executivo aqui no estado do Rio de Janeiro, para ser governador.

RDRafa de Martins

Policial é mais um trabalhador. A extrema-direita não está nem aí para trabalhador.

MBMUNIQUE BUSSON

Acho que é o Anderson.

RDRafa de Martins

Extrema-direita, eu odeio extrema-direita. Vê lá, toma juízo.

MBMUNIQUE BUSSON

Ficou chateado que eu falei mal do Lula. O Anderson, deixa eu falar, esclarecer uma uma coisa aqui. Eu não gosto de ficar me autodeclarando extrema-direita, cara. Hoje, Rafa, eu vou te falar, eu tô pelo certo, pelo que eu acho certo, pelo meu senso de justiça. Eu acho que a gente tá perdendo tanto tempo com esquerda e direita, sabe, com personagens políticos, que o que precisa ser feito, solucionar problema, tá deixando em segundo plano, terceiro plano, quarto plano.

A gente tem que parar com essa palhaçada, esse teatro Por exemplo, eu tenho seguidoras que são de esquerda que falam para mim: eu sou Lula, assim como o Geraldo falou, mas vou votar em você, Busson, que eu sinto verdade em você. Você luta contra violência contra a mulher, feminicídio, pelas crianças, mas eu também sou da segurança pública. Então assim, o meu posicionamento político não pode conduzir, né, o que você acha de mim.

Tem que ser pelos meus feitos, pelas minhas qualidades, pelo o que eu já tenho de trabalho, não pelo meu posicionamento político.

RDRafa de Martins

Eu falo, eu gosto do Bolsonaro porque eu gosto dele mesmo. Agora é o seguinte, pô, sabe quem vem aqui semana que vem? A gente vai trazer o André Marinho, a gente tá tentando fechar com Eduardo Paes, o Siri, é o William Siri, que é o candidato a governo do estado pelo PSOL. Meu irmão, eu gosto de escutar a galera e vai ser bem tratado e vai, vamos trocar uma ideia, vai ter uma resenha maneira para cacete, cara. Eu acho que Pô, bicho, é porque da minha visão ali, o que eu entendo, pô, acho que isso aqui eu concordo com esse maluco que fala aqui, pô, não concordo com aquele fala, entendeu?

Mas eu acho que o que não pode é exatamente sempre negócio, pô, as pessoas ficarem se odiando, se desqualificar o cara. Porra, meu irmão, tá quieto! O próprio Gil de Onna, não, Geraldo, Geraldo, Geraldo, Geraldo gosta do Lula, deve ter os motivos dele, entendeu? Daí concorda ali, ele vê o que o Lula fala, pô, tem coerência, tem, faz sentido e tal, não Não sei o quê. Tudo certo, meu irmão. É, Rafa, tu já conseguiu descobrir quem é o primo de segundo grau daquela mulher que foi sequestrada quando criança?

Já se foram 2 anos e você ainda não descobriu. Rapaz, eu não sei nem, eu até esqueci dessa história, rapaz. Aquela mulher da Suécia, eu não lembro de história, mas não descobri não, descobri não, não me empenhei. Faltou empenho, faltou Faltou empenho da minha parte. Deixa eu ver aqui. Busson, hoje em dia todos têm aplicativo de ar no celular, aí fica mais fácil entender as coisas. Família Bolsonaro é miliciano ou estou enganado?

Tá enganado. Extrema-direita gosta do trabalhador? Gosta. Busson, não consegue. Não, esse aqui já foi. Rafa, você é espetacular, vai mudar nada não. Se eu for, é, se eu for político, não vou mudar nada mesmo não, ficar do jeito que tá. Tu é muito doido, Rafa, no bom sentido. Obrigado, meu irmão.

MBMUNIQUE BUSSON

Posso pedir para galera seguir a gente lá, Rafa?

RDRafa de Martins

Faz sentido, claro. Segue, pede para galera seguir.

MBMUNIQUE BUSSON

É um papo reto. Isso, nós temos, somos co-irmãos aqui. A gente tem um podcast, eu e o Honório. É, o Batata saiu do podcast por agenda política, motivos pessoais dele. Mas a gente tem um podcast lá também que fala bastante de segurança pública, é Papo Reto HB. Dá uma olhadinha lá, dá uma moral pra gente lá. HB, HB, Honório Busson.

RDRafa de Martins

Cara, Papo Reto, meu irmão, olha só, eles agora, como eles estão vindo com pré-candidato, quem tá apresentando são dois colegas, um policial civil muito guerreiro, um que ele já veio aqui, meu irmão, o cara é nota 10, o Leandro. E o Marque Caveira também, que tem outro cara também fantástico. Então assim, eles estão apresentando e logo depois vai voltar o Honório Abusson. Meu irmão, é resenha, é engraçado, eles levam convidados ótimos, é muito bom.

Então, ó, sai daqui, se inscreva lá no Papo Reto que vale a pena. Ó, o Anderson, Anderson falou assim, ó: já vi que essa senhora entrar será mais uma sindicalista igual ao Bozo. Olha, Anderson, deixa eu te falar uma parada.

MBMUNIQUE BUSSON

Calma, Anderson, calma.

RDRafa de Martins

Bozo, af, como é que é, como é que é os termos? Bozo, af, é ninguém segura a mão, como é que é, ninguém solta a mão de ninguém, meu irmão. Esses termos, brother, não pega bem, porra, se tu é um cara masculino, meu irmão. Não são termos masculinos, entendeu? Então bozo, esquece. Chama Bolsonaro, meu irmão, bozo, fica uma coisa meio esquisita. Mas tem uns termos assim que, pô, galera, quais são os termos aí que você acha que não pegam bem?

Ninguém solta a mão de ninguém. Ah, ele não, porra, ele não é mó mancada. Mas não é por causa dele não, não, bicho, é mancada pelo termo mesmo, entendeu? Mas vamos lá, como se traduz peixe e bola gata em inglês?

RBRômulo Brito

Renato Lima.

RDRafa de Martins

Renato Lima é aquele assim, a piada nova. Gomes, por que a polícia não apreende máquinas caça-níquel? Todos sabem onde tem e ninguém faz nada. Como a população pode confiar na polícia? Cara, aprende sim, Gomes, aprende sim, de coração. Já aprendi uma porrada, brother. Também já aprendi várias porradas, cara. Assim, são operações que vão surgindo. Apesar de que hoje em dia, cara, as máquinas de caça-níquel são muito poucas. Antigamente você tinha mais, né, cara?

Hoje em dia acho que no próprio celular, eu acho que até o jogo do bicho já tá com negócio de aplicativo, sabe? Hoje em dia, pô, o tigrinho já é uma máquina de caça-níquel, né? Mas a gente aprendia muita, muita porra. E ela dava um trabalho aquele troço, cara, que fica na delegacia um tempão, aquela carcaça.

MBMUNIQUE BUSSON

Só precisa do troço velho. Ó, Bussão, caso entre para o Congresso, qual será sua prioridade ao entrar na guerra do Congresso? Deus te abençoe nessa batalha. Boa pergunta, amizinho. A minha prioridade, como eu falei aqui, é segurança pública. Por que que eu decidi virar pré-candidata a deputada federal? Porque a gente precisa mudar a Constituição, né? A gente precisa estudar atribuições de cada cargo. Se eu viesse a estadual, a gente ficaria só na legislação estadual.

Se a gente vier vereador, você fica restrito ao município. Então eu decidi pegar logo esse desafio grande. Eu sei que não é fácil, mas eu sou abusada, sou ousada, tenho coragem para a gente mudar Constituição. Gente, é algo que precisa— até o meu amigo aqui tava falando da Carta Constituinte. Para quem não sabe, é criar uma nova Constituição do zero. Eu acho que é algo bem complexo, trabalhoso. A gente vai precisar de muita ajuda.

Só que é um debate que eu gostaria de levantar lá no Congresso, porque infelizmente a gente tem esse hábito de criar lei depois de uma tragédia, como a lei do Henry Borel. A gente tem que parar com isso de criar lei depois de tragédia. Tem que sentar e refazer aquilo. Tem muita coisa para ser feito, muito trabalho. E como eu falei, a prioridade prioridade é segurança pública no geral. Não tô falando, não, eu não posso legislar só para polícia, não posso.

Eu tenho que legislar para a sociedade em geral. Então assim, só que a prioridade é segurança pública hoje. O Rio de Janeiro tá fazendo escola de coisas ruins, é isso que a gente precisa mudar. Então a gente precisa em outubro decidir isso, estudar os candidatos. Estudem, gente, estudem os candidatos de vocês. Estude o que que um deputado federal faz, um estadual faz, vereador faz, e não joguem seu voto no lixo, não vendam seu voto.

E assim, eu gosto de dizer, porque o pessoal tava falando aqui, né, você é extrema-direita. Não sou. Se eu pudesse vir uma candidata, Rafa, sem partido, sem lado, eu viria, porque eu tô aqui pelo justo, pelo certo, pelo meu senso de justiça, pelo que eu acredito que seja certo. Só que eu também acho que assim Eu tenho meus candidatos, tô estudando os meus para governo, para presidência. Mas assim, eu também sei que eu não vou concordar com todo posicionamento do meu candidato.

Vai ter uma coisa ou outra que eu não vou concordar, e tá dentro do game, tá dentro da democracia. Só que eu tenho, eu tenho os meus valores principais. Então, se eu tenho os meus valores principais, tá dentro daquele candidato, é o candidato que eu vou escolher. Então a gente tem que votar consciente.

RDRafa de Martins

Não, verdade, verdade. O Bulsonaro, quando ela decide ser deputada federal, porque realmente a nossa, como a nossa, nosso país é uma federação, então as leis penais, cíveis, tudo vem, são federais, né? A diferença dos Estados Unidos, que os Estados Unidos cada estado tem a sua lei penal, né? Aqui não. Então, para ela poder realmente interferir referir lei penal, execuções penais, que mexe com essa coisa de saidinha, esse benefício, tudo tem que estar lá como deputada federal. Aqui estadual vai conseguir resolver umas coisinhas aqui.

MBMUNIQUE BUSSON

Tem que tirar os benefícios de vagabundo e voltar direito para o cidadão de bem.

RDRafa de Martins

É só uma coisa aqui, Anderson, falei aquele negócio lá que bozo é um termo, é um termo, não tem masculino. É brincadeira, tá, querida? Não fica chateado comigo não, eu gosto de brincar com as pessoas. Eu sei que eu, enfim, é masculino, Não sei se tu é masculino ou não, mas de qualquer maneira, se você é feminino, tá tudo certo, meu irmão. Você é bem-vindo aqui no Fala Guerreiro, nós amamos a todos. Giovani: encontrei a Bulson no recreio fazendo um vídeo, abri a porta do escritório e atrapalhei a filmagem.

Sou fã, tem meu voto. Giovani Pérez. Mariana Cardoso: se legislar para polícia também tá valendo, Bulson. Polícia também é parte da população e precisa ser cuidada. Bulson: deixa a maquiagem que usava na polícia. Deixar a maquiagem que usava na polícia faz parte do processo?

MBMUNIQUE BUSSON

Deixar a maquiagem que usava na polícia?

RDRafa de Martins

Entendi. Como acabar com essa onda de feminicídio?

MBMUNIQUE BUSSON

Então, a gente não pode trabalhar só para mulheres. Eu falo para mulheres que eu gosto de trabalhar para as partes mais vulneráveis. E hoje a gente está com essa onda de feminicídio, os índices estão altíssimos. Só que, Rafa, eu sou contra essa lei da misoginia. Eu acho que é uma lei que vai dar muito problema socialmente pra gente, tá? A mulher, qualquer coisa que ela se sentir ofendida, ela vai criminalizar um cara, um homem.

Então é bem complicado essa lei. Eu sou mais apta à questão do, da gente fortalecer as leis como a mente do criminoso funciona, que é o que o Kadar fala: crença, medo e risco. E oportunidade. Se a gente trabalhar nesses 3 pilares do crime, por exemplo, a crença, e o cara acredita que ele pode bater e matar a mulher, ele vai sempre fazer aquilo. Isso não vai mudar. Só vai mudar o quê? Se o crime não compensar para ele, se custar caro.

Se ele ficar preso uns 40 anos, se o regime de progressão não tiver, se ele bancar os 40 anos ali, vai custar caro. O cara vai pensar 10 vezes antes de matar uma mulher. De estuprar uma criança. Então assim, a gente fala muito de prisão perpétua, mas tem tanta coisa para fazer antes disso que talvez melhore, sabe? A gente fala de pena de morte, prisão perpétua, mas você tem que se aprofundar no, tem que se aprofundar no tema. A gente tem cláusulas pétreas que não tem como ser mudada, por isso a gente fala de uma carta constituinte.

Então assim, mas se a gente bota o cara lá para bancar os 40 anos, se ele cometeu o crime 40 anos, ele vai sair a 80, porra. É praticamente uma prisão perpétua.

RDRafa de Martins

A mesma, as mesmas mulheres que defendem a lei da misoginia, elas são contra, votaram contra aumento de pena para estupradores. Então assim, é uma incoerência, porque assim, porra, então o estuprador não pode ter sua pena aumentada, agravada. Você vai votar sobre acabar com progressão de pena? Essas pessoas votam voltam contra, ou seja, de manter o criminoso, o feminicida, o estuprador preso. Eles voltam contra, mas voltam para prender aqueles que falam alguma coisa que pode ser interpretada como ódio, aversão.

Porra, esse papo que a gente tá tendo aqui agora, que ela fala, porra, cara, mulher para operar é mais complicado. Isso para alguns pode ser interpretado como misoginia.

MBMUNIQUE BUSSON

Você falar vai ser misoginia. Se você que é homem falar, será misoginia, entendeu?

RDRafa de Martins

E uma hora eu falei assim, cara, o problema lá da mulher é questão logística, de física, tal, não sei o quê. Aí você é misoginia porque não tem mulher na empresa.

MBMUNIQUE BUSSON

E aí vai ser crime de opinião agora, você não vai poder dar sua opinião, né?

RDRafa de Martins

O Robson Pinheiro falou assim, Rafa, me passa o contato do pai de santo Reginaldo. Rapaz, eu não tenho contato dele não, mas se você for lá, porque eu já contei essa história aqui, é o pai Reginaldo lá que Brother, assim, o EBAC que eu fiz lá não funcionou não, brother. Então assim, gosto, não sei se sacou, posso te dar o contato, mas se é para, porra, para parar de brigar com a mulher, não adiantou não, meu irmão, entendeu? Vamos lá.

As leis em vigência são boas, o que falta é aplicá-las. Letras frias das mesmas, grupito cantins. Ah, grupo, grupito cantins, que legal, Celino. Celino Sebastião dos Santos.

MBMUNIQUE BUSSON

Acontece, né, Rafa, que a gente fala muito sobre endurecer leis, mas a gente também precisa falar de reforma judiciária. A execução penal, às vezes a lei existe, ela não é executada da maneira que deveria. Então a gente precisa ter uma reforma aí. Ah, chegou atrasado, chegou. A gente precisa fazer, precisa fazer a reforma judiciária. Dentro das polícias, que dá um sacode geral.

RDRafa de Martins

É, tem trabalho, vai ter trabalho, não vai, vai ter mais trabalho que na polícia, muito mais. Vai sentir saudade da polícia, muito mais. Vamos lá, vai. Olha quem chegou na hora do, aos 45 minutos, para se despedir. A hora que chegou para despedida, joga aí. Cadê? Pô, chegou cheiroso para cacete, meu irmão. Porra, cheiroso, meu cara! Chegou aqui, nunca, nunca que eu ia faltar um episódio com a Monique Busson.

RBRômulo Brito

Liguei para ela, falei: Monique, eu, porra, cara, tem um compromisso, mas eu vou tentar chegar lá e tal, não sei o quê. E cheguei.

RDRafa de Martins

Foi, tamo junto, obrigado, obrigado, meu compadre.

RBRômulo Brito

Ô Peter, tava comprando relógio não, não tem esse dinheiro todo que tu acha que eu tenho não, tô só vendo o Peter aqui nos comentários. Rômulo deve ter ido comprar mais um relógio.

RDRafa de Martins

Falou, bacana. Chegou para fechar a live.

RBRômulo Brito

Conseguiu ouvir vocês, cara.

RDRafa de Martins

Bacana. Mas, Monique, olha, cara, eu só tenho que te agradecer por quase 3 horas aí, 2 horas e 50 de conteúdo.

MBMUNIQUE BUSSON

Rapidinho, né?

RDRafa de Martins

Pô, obrigado pela— olha, eu vou te falar, eu particularmente torço por você.

MBMUNIQUE BUSSON

Obrigada.

RDRafa de Martins

Acho que você é uma mulher esclarecida, é uma pessoa, pô, que amo que faz, bota aí o que você falou, né, cara? Nada que tu faz, você faz à vera. Às vezes eu tava falando com o Romulo, falou assim, pô, Rafa, a Monique ela tá na rede social ali, cara, não tá parada de polícia não, ela tá indo ajudar as pessoas, cara, atendo na casa das pessoas. Alguma ação que você fez que tu vai ajudar? Que foi esse negócio que você falou do resgate, mostrando aqui.

Eu lembro que eu vi a parada, a casa toda, sabe? E ela falou, cara, ele tá falando trabalho mesmo de, falando desse trabalho social tudo, pô, muito maneiro, pá. E cara, que Deus te abençoe, te ilumine, coloca você onde você tem que estar, entendeu? Acho que tudo tem seu tempo, tem seu momento. E que olha, que for a vontade de Deus, irmão, vai lá e honre seu nome, entendeu? Nome de Deus.

MBMUNIQUE BUSSON

Coragem nós temos.

RDRafa de Martins

Exatamente, coragem nós temos. Então, pô, é só mais uma, só mais uma operação.

RBRômulo Brito

Inimigo agora é Esse foi o Fala Guerreiro com Rafa de Martins e Monique Busson. E agora começa o Fala Guerreiro com Monique Busson e Rômulo Brito. Vamos agora até 3 horas da manhã.

RDRafa de Martins

Vamos embora!

MBMUNIQUE BUSSON

Ontem eu fiquei até às 3 da manhã gravando lá.

RDRafa de Martins

Você foi para São Paulo? Foi, tava lá com o Aaron Talks.

RBRômulo Brito

Cara, que o cara do momento!

MBMUNIQUE BUSSON

Ele é polêmico.

RDRafa de Martins

Falou mal do Flávio Bolsonaro, ele?

MBMUNIQUE BUSSON

Não, ele me deu essa trégua. Ele não, hoje eu não vou falar mal dele. Falei, por favor, acho que ele é pago para fazer isso ali, né?

RBRômulo Brito

Porque, Monique, você imagina assim, eu não sei o nome dele, não sei o nome dele. Eu conheço, eu conheço o podcast Iron Talks, eu não investigo sobre o apresentador porque o que eu copio, eu copio um pouco, gente, olha só, eu copio um pouco do Fala Globo. Eu copiei um pouco do Inteligência Limitada. O meu favorito é o Flow, então copiei muita coisa do Flow. Em breve vocês vão ver características que eu copiei do Flow. Liguei para o Rafael hoje, pedi autorização, ele me deu autorização.

Aquela parada que a gente começou, daquele bagulho que desce ali e tal, da cortina.

RDRafa de Martins

Eu dei autorização?

RBRômulo Brito

Deu, deu.

RDRafa de Martins

Sabia que era autorizado? Não, para mim tá tudo certo.

RBRômulo Brito

Podcast, eu não posso dizer que eu não conheço o Fala Glauber do Fala Glauber, porque eu já fui lá como convidado e o nome do cara é o nome do podcast. Eu não posso dizer que eu não conheço o Flow, porque é um dos maiores podcasts do Brasil. Não posso dizer que não conheço o Vilela, que eu já estive como convidado no Vilela, e pô, e também é um dos maiores do Brasil.

RDRafa de Martins

E também não posso deixar de falar do Opa, esse podcast merda, fezes, que é apresentado pelo Igão e pelo outro, não lembro do nome, desculpa. Titico, Titico, é Místico.

RBRômulo Brito

Então a gente copia um pouco de todo mundo aqui para fazer do Fala Guerreiro um pouco melhor, para a gente poder engajar um pouco mais. E aí, falando no que ensejou essa conversa, que é, eu não sei o nome, desconheço o nome do dono lá do do Ironcast. O Ironcast eu conheço, a instituição eu conheço, mas eu acho, eu vejo as publicações dele, algumas eu concordo, outras eu falo, pô, tá exagerando, parece até que foi pago para dizer isso, porque parece nada com nada.

Na opinião dele, vamos votar em ninguém. É muito importante eu deixar claro isso. O público que já me acompanha no Instagram e me acompanha aqui sabe que eu não sou um bolsonarista. Eu tenho pensamentos alinhados à direita, mas tô muito longe de ser um bolsonarista. Em algum momento já fui, não concordo com tudo que o Flávio tá dizendo, mas já disse aqui algumas vezes, se de um lado tiver um cachorro-caramelo— nem vou dizer o cachorro-caramelo porque eu acho que cachorro-caramelo é um simbolismo do Brasil.

Comparar o cachorro-caramelo com Lula chega a ser um ato de covardia e de muita ofensa ao Cachorro Caramelo. Se de um lado tiver o Cachorro Caramelo, do outro Lula, eu voto no Cachorro Caramelo. Eu jamais votaria no Lula. Se o Lula fosse o único candidato, eu anularia meu voto. Mas tendo alguém do outro lado, eu vou votar nesse alguém do outro lado, e não concordando com tudo, não dizendo a mesma coisa que aquele cara que foi lá no Iron Talks dizer: não, o cara é corrupto.

Mas é de direita. Não, não é sobre isso, porque eu também não concordo com isso. Então, Rômulo, em quem você vai votar agora para as eleições de 2026? Cara, infelizmente eu vou odiar o Lula pelo resto da minha vida, não que eu já odeie ele pouco, se eu tiver que votar num corrupto para tirar o Lula, porque o Lula já foi condenado. Quando os outros forem condenados, aí a discussão é outra. O Lula já foi condenado em mais de uma instância.

Então assim, se do outro, hoje, se o Flávio tiver do outro lado como um candidato que é capaz de tirar o Lula e tudo que o Lula carrega com ele, eu vou detestar o Lula por ter que votar no Flávio, porque eu não sou um cara que precisa esperar as coisas, tem uma decisão judicial, porque o nosso judiciário infelizmente Ao longo do tempo vem perdendo a sua credibilidade. Lamentavelmente, eu conheço vários juízes que são pessoas que são extremamente sérias, mas no nosso país, principalmente quando você começa a escalar as cortes, você vem vendo que não é um sistema, que ele é girado, ele é criado para funcionar dentro dele mesmo.

Não quer dizer, Monique, você que é polícia, que a gente prendeu um 157 aqui no Flamengo e ele vai ser condenado pelo roubo que ele cometeu aqui no Flamengo, que ele não tenha roubado pessoas em Botafogo, que ele não tenha roubado pessoas em Copacabana.

RDRafa de Martins

Desses roubos ele vai se livrar, ele vai acabar respondendo por um só.

MBMUNIQUE BUSSON

Só foi plotado em um.

RBRômulo Brito

E assim que funciona. Não tô dizendo que esse é o caso do Flávio Bolsonaro, mas no universo em que tenha Lula de um lado e qualquer pessoa do outro, eu vou votar no outra pessoa, porque o Lula já provou quem ele é. E nisso, esse apresentador do Iron Talks, ele vem deixando o povo perdido, tipo assim, então vou votar em ninguém. A opção dele é ninguém, vou votar em ninguém. Bom, é isso.

RDRafa de Martins

Nem sei nem como é que isso começou. Chegou aqui para dar o seu recado, filho, dá o seu recado, tacando pau. Galera, muito obrigado. Amanhã estaremos juntos aqui novamente às 8 horas à noite para o nosso programa Linha de Frente, com as principais notícias do Brasil e do mundo. Muito obrigado pela sua audiência, pelo seu carinho. Esteja conosco essa semana, ligado aqui no Fala Guerreiro.

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