COMISSÁRIO GILVAN FERREIRA (especialista em investigação de crimes violentos) | #FalaGuerreiro392
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- FeminicidioMotivação para feminicídio · Análise comportamental no caso de assassinato
- Início da carreira policial
- Inconsistências no relato do tenente coronel
- Não é magia, é ciência
- Regras de casamento
- Perfil psicológico do agressor
- 800 km para encontrar o assassino
- Policial é um ator
- Inteligentes resolvem problemas, gênios evitam
Fala, guerreiro. Muito boa noite a todos vocês. Estamos ao vivo hoje, véspera de feriado, dia 30 de abril. Mas amanhã, dia 1º, feriado, estaremos ao vivo aqui também. Fica anotado aí na tua agenda. É muito importante a tua participação conosco. Obrigado à audiência de todos vocês, sem distinção alguma. E sem distinção alguma...
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que são criadas pelo Fala Guerreiro e a nossa produção. Quero agradecer a LS Concurso, uma empresa voltada para os concursos públicos, que já está há 17 anos no mercado e já soma mais de 13 mil pessoas aprovadas em concursos públicos. E aprovado é aprovado mesmo. É aprovado e entrando exercício na função. É trabalhando, é se tornando servidor público. Não é aprovado. Ah, passei no concurso, passei em 10 concursos, mas está trabalhando em quantos? Nenhum.
Não passou. Não é esse público que faz parte desses 13 mil aprovados aí da LS. É rotina e método organizado que irão te levar à aprovação. E isso a LS Concursos domina há 17 anos.
Escaneia o QR Code aí e faça parte do time. Rafa de Martins. Fala, rapaziada. Boa noite pra todos vocês. Peço aí que deixe seu like, ative o sino de notificação, compartilhe, se inscreva no canal. Torne-se membro pra trazer essa relevância e esse conteúdo poder atingir mais pessoas. Hoje é um dia especial porque estamos aqui na presença de um professor. O cara que deu aula pra gente lá na academia de polícia há 13 anos atrás, em 2013, né?
Então eram aulas assim, na verdade não era um show, era uma aula show.
porque ele contava suas histórias de, sei lá, quase quatro décadas de experiência. 37 anos. 37 anos de polícia, se especializou no crime de homicídio. É uma lenda dentro da polícia, todos o conhecem como grande investigador nessa área de homicídios. E hoje ele vai compartilhar um pouco da sua vida, da sua história e de alguns casos que ele ajudou a resolver. Então, é um prazer poder receber hoje aqui no Fala Guerreiro, comissário de polícia e professor de todos nós.
Gilvan, seja bem-vindo, meu irmão. Boa noite, boa noite. Boa noite a todos, pessoal do estúdio, pessoal de casa. E eu gostaria de cara, né? Primeiro que tudo, assim, as pessoas costumam falar, né?
Ela falou agora em lenda, né? Aí eu vou lembrar o que eu aprendi recentemente com a professora Isadora, até anotei aqui o sobrenome da Ana Guardiola, Isadora Ferrite. Ela diz o seguinte, eu não sou isso tudo aí não, eu me considero uma flanelinha.
Tem mais para cá, tem mais para lá. Quando o carro está estacionado e vai todo mundo embora, as pessoas chegam ali e falam, pô, que legal, é um bom motorista. Então, é isso. Eu acredito que seja isso e agradeço por esse ensinamento, porque não é nenhuma mágica, não há nenhuma mágica, nenhuma bruxaria nas coisas que nós fazemos. É o dia a dia, é o trabalho árduo.
É a ralação, como nós estávamos falando antes do início.
do programa. É muita relação, muitas coisas você não aprende na academia, não tem como, é só no dia a dia mesmo. E é sobre isso que eu gostaria de falar com vocês. E de cara gostaria muito mesmo que esse nosso encontro fosse dedicado a todas as vidas que foram perdidas na cidade ao longo dessas décadas e de tantas outras desnecessárias. O que eu quero para a cidade é a cidade em paz, uma cidade.
em comunhão e nunca numa cizânia e que as pessoas consigam andar na cidade maravilhosa em paz e vamos fazer de tudo para elucidar esses crimes desnecessários porque o homicídio tem uma característica muito particular de todas as outras perdas elas são irreparáveis e irreparáveis e nós não podemos aceitar
Giovana, olha só, a gente vai te presentear com a nossa tradicional caneca do Fala Guerreiro. Porque já já falaremos sobre café. Falaremos sobre café. Enquanto você... Oh, que coisa linda. Pra onde? Aqui, mostra a câmera, pode deixar aqui comigo.
Obrigado. Enquanto o Juvan posiciona a sua caneca, o Leal está aqui com a gente. O Reinaldo Leal já está aqui. Já está aí, né? Acompanhando a gente. Policial civil. Vizinho do Rafa. Vizinho do Rafa. Ele quer que eu fale de quê? De bolo ou de galinha com quiabo? Escreve aí. O Roberto Garrido, que acompanha a gente há um tempão aqui, ficou fazendo...
pegando pequenas pílulas, saboreando os conteúdos do Fala Guerreiro. Hoje se tornou membro, seja bem-vindo. Roberto Garrido, amigo aí, tá sempre lá no Instagram. Vou falar de pílula também. Vou falar de pílula também. Rafa de Martins, tá à vontade. Ivan, fala aí, conta pra gente um pouquinho dessa história sua com a polícia, cara. Você, era um sonho seu se tornar policial? Alguém te inspirou? Rapaz, rapaz, difícil.
Eu já falei várias vezes dessa trajetória e toda vez que eu vou falar alguma coisa de polícia, eu lembro de mais um episódio. Mas o que há de mais antigo na minha vida, olhando para a polícia, alguma coisa que tenha chamado a minha atenção, eu coloco as figuras iniciais ali na comunidade onde eu nasci, que é na Vila Cruzeiro.
Então, ali meus tios subiam e desciam ali tranquilamente, fardados, policial, militar, enfim, bombeiros, tios-tios emprestados também. E tinha um vizinho, cara, ele era sobrinho da dona Olga. Ele tinha uma bicicleta.
E eu vestido de PM, capacete branco, cacetete, arma e apito. Ia para a garupa dele, da bicicleta dele, era muito pequena, devia ter, sei lá, seis anos. E nós andávamos por ali tudo, íamos até lá no Parque Alibarroso, enfim, apitando. E ele achava engraçado aquilo, né? Que criança é essa, né? Esse foi o primeiro episódio.
porque eu lembro que é uma lembrança mais antiga. E outra, eu ganhei uma Luger vermelha, com aquelas Lugers de brinquedo, né? Que tinha umas ventanasinhas que você ficava dando tiro lá e prendendo na geladeira. E eu comecei a rodar aquilo vendo filme de cowboy. Rodava e colocava no coldre. E um primo muito querido, já saudoso, quinzinho, falava assim, esse cara vai ser o quê quando crescer, né? E eu estou aqui, policial.
Vou para Quintino Bocaiúva, saindo da Vila Cruzeiro, chego em Quintino, na esquina, o Zeca Pagodinho gosta tanto, tinha um bar, e ali tinha de tudo. Só não tinha agente do FBI ainda, mas policial federal, tinha policial civil, todo mundo ali sentado, eu acho que a maioria desarmado, falando sobre polícia abertamente, aquilo me encantava muito.
E, de alguma forma, adiantando bastante, eu tinha 11 anos de idade, 12, 13, 14, 15, e servi ao Exército aos 18, 19 anos, sou oficial da reserva do Exército. E assim que eu saí, que eu não fiz todo o serviço, foi só a parte de instrução, dois anos aproximadamente.
Conversa de esquina novamente, pô, vai ter uma prova para a polícia civil aí. Eu sabia nem o que era isso. É só dar uma olhada no diário oficial. Eu falei, o que é isso? Tinha um colega que já tinha passado para a polícia militar e aí depois resolveu ser bombeiro e que depois queria ser policial civil. E a mãe tinha acesso a esse tal desse diário oficial. Marcos Valério, um colega que eu acho que já está aposentado, entrou na polícia comigo e...
E acabamos nos separando ao longo do tempo aí da vida. Tenho muita saudade do Marco, muito obrigado. Pegou uma sunga emprestada minha para fazer a prova do bombeiro, Marquinha, não precisa devolver mais não. Então, assim, com 19, 20 anos, não precisa devolver, nem cabe mais a mim. Então, assim, a polícia. Chego na polícia.
Demorei muito a chegar, porque eu passo ali com 21, 22 anos, e levou muito tempo para chamarem a sua. E eu não. Isso eu só ingressei em 1988, setembro de 88. Fiz academia naquele período, né? E meu maior encantamento ali desde sempre, né? Tinha um professorzinho nosso já bastante idoso, enfim, colocava gente para fazer aqueles relatórios de homicídio, né?
E ali eu me apaixonei e falei, pô, vou sair dessa calipol aqui com a melhor colocação possível. Olha o que você acabou de falar aqui, tá? As coisas só vão acontecer quando tiver que acontecer. E eu sou o 005 da turma, né? Falei, pô, cara, vou botar meu nome lá que eu vou para homicídio de cara. Não fui. Fui lotado na 18ª DP, agradeço muito, maravilha.
E fiquei na 18ª DP até 1991. Em 1991, uma colega chamada Patrice, ela indicou meu nome para ir para o prédio da chefia. E ali, aquele encontro marcado. Eu chego na chefia em 1991.
Em 1996, houve um deslocamento de todo o setor, era uma equipe muito grande, e quem chega? Porque o prédio da DH caiu. Chegou a DH no sétimo andar, onde eu estava. Doutora Ione de Souza Cruz, na época, ela era titular da Descoberta de Paradeiros e foi o lugar que, a vaga que tinha, o lugar que tinha para eu entrar para a DH.
E ela me flagrou lá dentro da minha sala sozinho, porque eu estava guardando literalmente os móveis do antigo DGPC, e eu estava lá soprando um saxofone, ela falou, vem para cá, para a descoberta de paradeiros, mas traz o sax. E aí começou a minha história em 96, permaneci até 2019, quando eu pedi...
para ir para casa, problemas de saúde da minha mãe, minha mãe já se foi agora em 2024. As pessoas mais importantes da minha vida, meu pai, minha mãe, hoje é aniversário do meu pai, 91 anos ele faria se estivesse aqui. O cara foi embora com 57 anos e eu estou na vantagem. Já estou fazendo 65, mas, cara, eu acho que, assim, acima de tudo, posso começar por aí.
O meu cuidado com os nossos clientes, eu acho que parte muito daí. Acima de tudo, ninguém está pedindo para você amar o outro. Ele diz, honre seu pai e sua mãe. Eu acho que o respeito, cara, ele vem à frente de tudo. E quando falta respeito em qualquer tipo de relação, você estava falando do café e da porrada, enfim, vamos falar disso, eu quero muito que você fale sobre isso, sim.
Mas quando falta respeito, é como se você tivesse colocado uma barricada numa relação. Esquece, não estou pedindo você para me amar, só estou pedindo que você me respeite. E essa minha ideia, esse meu sentimento, eu levei 100%, sempre levei em tudo que eu fiz na minha vida.
que eu acho que o sentimento está acima de tudo, inclusive de tudo aquilo que você sabe, daquilo que você conhece, aquilo que você sente. Isso está até numa peça da Fernanda Montenegro, que ela vai falar sobre... Eu acho que na Dona Doida, que ela diz, a minha mãe dizia que o conhecimento, a educação é o que há de mais importante.
tentando lembrar disso, de repente eu vou errar, peço desculpa, Fernanda. Mas ela disse o seguinte, a personagem, né? Minha mãe dizia que a educação era a coisa mais importante da vida da gente, mas não é não, minha mãe estava errada, é o sentimento. Então, se você, vou falar sobre isso quando falar do feminicídio principalmente, quando você rebaixa, coloca o teu conhecimento, tá?
você coloca ele abaixo do momento e experimenta o que você sente, o crime acontece. Vou dar um exemplo, senão as pessoas vão... Ah, o Ivan quer dar aula de tudo. O homem, falando aqui do feminicídio, naquele momento pode ser o cara mais graduado. Vou falar do crime lá do alto também, do alto da Boa Vista.
Se ele, naquele momento, ele esquece de tudo aquilo que ele aprendeu, inclusive com os seus pais, ou até mais, forte, com aquilo que te ensinaram dentro da sua casa, se você teve uma casa. Eu nunca tive uma casa. Eu sempre morei, até que nós, muito lá na frente, conseguimos comprar. Morávamos na casa de um tio meu, que era irmã da minha mãe. Já falecido. Minha mãe, mais 12, 13, todos já faleceram.
toda a família da minha mãe. Toda a família da minha mãe, os filhos de Dona Laudelina Maria de Jesus, que muita gente não lembra, e de José Cândido da Silva. Depois veio o filho, depois veio o neto. Todos já se foram. Então, eu nunca tive uma casa. Eu tive sempre, mesmo não sendo nossa, nós tivemos um lar. E eu, quando entro dentro da casa,
primeiro que tudo eu vejo que é uma casa, a primeira coisa que eu olho para dentro desse ambiente é se aquilo ali se trata de uma casa ou se trata de um lar. Porque muitas vezes você pensa que está num lar e você está apenas numa casa. E qual a diferença do seu modo de ver? A diferença está na música do Bert Bakker, que ele diz se ele chegar nesse lugar e você confirmar que você me ama, eu estou num lar.
Mas se eu chegar nessa casa e encontrar alguém que não me respeita, é só uma casa. E ele vai dizer, né? A house is not a home. Uma casa não é um lar. Uma cadeira é uma cadeira. Você senta na cadeira, ela é só cadeira. Mas uma casa é uma casa e um lar é um lar. O que pode acontecer muitas vezes hoje é que você se confunde um pouco.
Posso falar de um caso que investiguei a respeito disso? Claro. E eu já tinha falado contigo, eu posso falar do lançamento do livro? Claro. Dia 8 de maio, na Livraria Travessa, a princípio no centro da cidade, às 17 horas. Vamos começar a falar dessas histórias todas nossas? Porque tem uma coisa muito particular nisso tudo. Nós escrevemos...
Pouco ou nada sobre as nossas... Escrever o quê? Quantos anos de polícia? Sobre a sua atividade. Escrever o quê? Nada. Seus colegas? Nada, né? Pois é. Nós temos que registrar isso. Já se passaram 37 anos, mas já passou da hora. Então, as colegas chegaram numa casa...
uma casa, um apartamento, encontraram a porta, não é arrombada, a porta estava aberta, não houve rompimento de obstáculo e uma chave ali estava pendurada. A chave estava do lado de dentro da porta. Na casa, um casal. Deveria estar lá, o casal. O que a polícia encontrou, a polícia militar encontrou,
Foi uma porta entreaberta com uma chave por dentro, que deve ter sido a chave que ele usou para sair da casa. E você começa a olhar e você... Isso é uma casa ou um lar? Aquele dia do homicídio dessa mulher, que ela estava jogada na entrada da porta do quarto,
com os dentes arrancados amarteladas, sangue para todo lado. Posso descrever? Pode. Os dentes espalhados. E a arma que ele usou para matá-la foi esse martelo. A perícia disse isso, pelos golpes.
E você começa a olhar esse corpo, analisar esse corpo, parece bem você já colocar assim para a gente não se perder e me chama. Eu estou examinando os espaços específicos, espaços psicológicos dessa cena. Eu nunca vou entrar num lugar desse sem esquecer. E esquecer que eu sou um psicólogo. Eu entro com tudo que eu tenho, com toda a minha força.
com todo o meu conhecimento, com tudo aquilo que nós estudamos, com tudo que a Acadepol deu para a gente, com todos os cursos, com todas as nossas formações, essa academia, o Estado, tem um colega, se não me engano, não quero nem errar, se foi o Ticom ou se foi o Neira, enfim, alguém me disse assim, eu acho que foi o Neira, o Ticom também falaria isso, eu devo muito ao Estado. Então, vai com calma, você vai receber tudo o que você...
Merece tudo que é seu. Um dia vai bater na sua porta. E ele diz isso.
eu devo muito ao Estado. No Estado eu consegui fazer direito, fiz psicologia, metodologia do ensino superior, fiz FBI duas vezes, fui para Brasília com o doutor Paulo Passos e Antônio Carlos Salomão, fiquei 45 dias lá no curso, pela Senasco, enfim, de investigação de crimes violentos. A quantidade de curso que nós fizemos, mas, alguns anos atrás, acho que em 2014, enfim, a doutora Jéssica Oliveira levou todo mundo lá para, os professores lá para a UERJ,
E aí a minha formação em metodologia do ensino superior. Posteriormente, não vou confiar na memória, diretora da academia, UFRJ, fomos fazer um curso chamado Método do Casa, aula Harvard, caríssimo. Isso tudo pago pelo Estado. Eu devo muito ao Estado.
Entenda, tudo isso leva você para aquela cena, é para levar você para a cena do crime, para que você consiga, com tudo isso que você sabe, com a ferramenta que você tem, com a lente que você tem e a melhor ferramenta do policial, o gravador, câmeras também, hoje em dia câmera corporal, enfim, você tem uma infinidade de coisas, celular, celular o tempo todo. Um distintivo que não é meu, é da minha família.
Aprendi isso com Getúlio França, um comissário que já passou de 70 anos há muito tempo, mas continuando na ativa, um beijo Getúlio França, muito obrigado por tudo, foi meu chefe, encontrei na 18ª, foi comigo durante muito tempo no DGPC também. Então, eu chego na casa com tudo isso, ah, chegou lá um curioso, não, não chegou um curioso, eu vou olhar para isso tudo, com toda a força, com tudo que eu conheço. E notamos, notamos...
E veja bem, tudo isso eu estou analisando para que fique bem claro aqui. Onde eu estava nesse momento? No serviço de estudos comportamentais da divisão de homicídios na época.
Esse material vinha para nossas mãos. Não dava para entrar em todas as cenas. Eram quatro, cinco, seis, dez homicídios por dia. Isso vinha para nossas mãos, bem eternizado, nas excelentes fotografias dos nossos peritos.
Bom, tem cara que benze local. Eu já vi isso. Fotografia que não serve para nada. O cara entra assim, tirando foto, benzendo, Rafa, o local. E depois quer que você se vire. As fotografias que não servem para nada. Mas o que eu sempre pedi a todos. Cara, olha só, a polícia tem duas balizas. E com travessão para você se equilibrar.
estude bastante e procura, Rafa, você estava falando um pouco antes sobre isso, procura construir amizades de verdade, relações de verdade. Porque, senão, não é um amigo, é um colega qualquer, não é uma casa, não é um lar, é uma casa qualquer. É um lugar onde você fica. Então, naquela casa,
Aquela menina que foi encontrada sem vida tinha passado não mais do que 40 dias do casamento de ambos. Esse casal foi para aquela casa, casado, uma festa bonita. 40 dias depois, ela estava morta. Vamos lembrar do que eu falei para vocês? O cara...
tem muito conhecimento, mas na hora da provocação, o provocador, ele rebaixa absolutamente tudo que você sabe. E aí você age como o homem do momento. Gilberto Cunha.
o colega capitão da paraquedista, meu amigo, desde sempre, muito antes de entrar para o exército, ele dizia, o homem não é o homem, Giovana, o homem é o homem e as circunstâncias, você precisa ouvir também muito bem, você precisa ouvir, eu sempre falei, eu tenho ouvido, eu não tenho pinico, e a psicologia me trouxe uma coisa diferente, que não é só olhar.
Ver, estudar com os olhos, eternizar, criar tudo na sua cabeça. Einstein diz que o conhecimento diante da criação, da criatividade, ele está um pouquinho abaixo. Um pouquinho abaixo, que andem juntos. Mas a sua capacidade de criar. Do nada, você tirar uma informação.
sem a ajuda de absolutamente nenhum instrumento que nós hoje, na psicologia, na física que eu venho estudando, na astronomia que eu venho estudando, a extensão, não chama de ferramenta não, é melhor uma extensão. Eu pego a tua tomada, espeto aqui na minha extensão, boto a minha junto e...
Sugo tudo que você tem aí. Vou lá na tua glândula pineal, vou aí no seu Wi-Fi e sugo tudo para cá. Não tem mais ninguém escondido em lugar nenhum. Acabou. A ciência está chegando a galope e você vê que o cara está com toda a parafernália. Ele sabe que está sendo gravado, ele sabe que está sendo filmado. O que foi que aconteceu? Por quê? Você tem uma mente medieval.
Você tem uma mente medieval, com tecnologias moderníssimas, e você não está acompanhando de perto. As coisas mudaram. As coisas mudaram. Vamos falar depois do café um pouquinho, que eu vou acrescentar nisso aí. Para dizer o que para você? Tudo o que eu disse para você, para dizer, não era um lar, era apenas uma casa. O espelho escrito lá, com batom, estava tudo lá. Não tinha uma foto.
Do casal na casa? Qual era o perfil da vítima? Qual era o perfil do casal? Como é que vocês chegaram à motivação? Motivação? Aí você pergunta de um milhão, né? Motivação que você tem e intenção está na tua cabeça. Aí isso é subjetividade que muita gente quer que você...
Num passe de mágica ou numa bruxaria, você entra na cabeça do cara e busca a verdade. Foucault diz, a verdade é a subjetividade. Eu não vou até aí. Qual a motivação? Não, mas eu, peraí, vou deixar claro isso. Motivação, motivação e intenção. Nesse caso, nós não temos o autor, confesso. Aí já complica.
O autor não confessa, ok? Se ele não confessa, motivação, você vai buscar na periferia, naquilo que eu falei para o Rafa antes de começar. Coleta de quê que eu te pedi ali? Nas entrevistas interrogatórias, coleta de dados humanos. E onde é que você encontra? Onde é que está isso? Eu disse para você, vinha tudo para o Serviço de Estudos Comportamentais. O Edevaldo Flores, que vocês devem conhecer.
Fez um comentário aí para vocês, quem quiser ver, que houve um vácuo, abriu uma lacuna. Eu não queria isso nunca. Muita gente diz, ah, o Givano preparou ninguém para fazer esse trabalho.
Ah, um vácuo, ninguém foi lá, ninguém deu continuidade. Onde é que está a sala de entrevista interrogatória? Gente, olha só, eu acabei de dizer aqui, devo... Mas tudo, tudo ao Estado e onde eu estava esse tempo todo, desde 1988, na polícia, e vocês sabem que eu dei continuidade, que eu não parei. Em 19 eu fui para casa e continuei nas consultorias.
E hoje eu estou ambriado lá com o delegado Breno Carnevalho, fazendo um trabalho seríssimo com todo esse conhecimento que nós temos na elite da Guarda Municipal, que é na Força Municipal. Eu só vou até aqui para dizer para vocês que nós não paramos. Não dá para parar. Você não vai parar. Você mesmo estava falando da quantidade, você não disse que perdeu, mas eu perdi muito, ficando direto dentro. Perdi entre aspas. Você não pode perder o que você não tem.
Mas, assim, o que você deixa de viver junto aos seus, se dedicando à polícia. Essa menina morre, só para dar um desfecho nisso aí, ela morre e você, examinando a casa, você vê que houve uma discussão ali, muito acalorada, as testemunhas vão lembrar.
que dias antes essa menina, ela achou que com o casamento as coisas fossem melhorar.
mas não melhoraram. Porque aí entra uma figura da psicologia, por isso que muita gente fala assim, e o Gilvan está falando de papel, vai falar agora da viagem à Lua. Não é. Essas coisas estão todas abraçadas, conectadas. Todos nós estamos conectados. Então, cada vírgula dessa, eu estava pensando exatamente nisso, pô, Gilvan bota uma vírgula, ele bota um mais, e vai embora e não volta para cá. A vírgula é um QR Code, você vai ter que ir lá escanear e saber o que está dentro dessa vírgula.
Então, quando você começa a investigar e conversar com as pessoas dos tempos que antecederam aquele fatídico dia, tinha uma figura muito clara ali da psicologia que é o seguinte. Gente, é uma visão que eu me responsabilizo pelo que eu vou dizer agora. A mulher, ela tem uma... ela acredita...
fielmente, de uma forma fervorosa, quase que neurótica, de que este homem vai mudar para melhor. Ele tinha muitos problemas, mas aí você casa e ele vai mudar. Por quê? Você, que é uma outra figura, ele me ama. Ele te ama, cara. O amor é um holofote. Ele está focado em você agora e daqui a pouco ele está focado em outro lugar. E as coisas vão mudando.
Então, essa questão dela acreditar que vai mudar o homem, o homem não muda. E o homem? Casei com uma mulher sensacional. Essa mulher aí, pô, vai ser assim para sempre, não é. A mulher é metamorfose. Ela muda, ela melhora, ela avança. E o que parecia que estava acontecendo naquele ambiente é que a mulher estava dando...
linha nesse desenvolvimento e aquele homem, como muitos homens que eu entrevistei, eu interroguei muito poucas pessoas durante toda essa jornada, entrevistei para que eles falassem do homicídio que eles cometeram e tinha essa figura o tempo inteiro ali, ela mudou, ele não aceita a mudança, a mulher acha que o homem vai mudar, o homem não muda e o homem acha que a mulher não vai mudar e a mulher muda.
Quantas vezes você já ouviu falar, não muda de amigo não, aceita a mudança dos seus amigos, as coisas vão mudando. Você vê amigos que eu tenho lá do CPR de 1980, são 46 anos de convivência. Esses caras não mudaram? Mudaram. Às vezes você vai para uma reunião e fala, meu Deus do céu, eu não aguento mais esse cara. Mas é teu amigo, cara.
Você vai com ele. Quantos nós perdemos? O meu contador era do CPOR, faleceu ano passado. A dentista da minha mulher, que morreu agora com 42 anos no Infar, mulher de um amigo meu de infância, que é dentista também, lá de Quintino. Então, essas amizades perduram e você precisa... Estou te falando do fundamento, né? Aí eu falo, pô, o João já saiu da mulher que morreu ali.
Mas a figura, o fenômeno é o mesmo. A pessoa acha que a pessoa não vai mudar, a pessoa mudou. E você acha que a pessoa não vai mudar, ela mudou. 40 dias? 40 dias do casamento. Não tinha uma foto do casal. Você entra na casa, você não vê uma foto do casal. Tinha a foto dela.
Tudo que estava naquela casa reportava-se a ela, uma casa feminina. E a crueldade da morte? Foi uma morte cruel. Qualquer morte é cruel. Sim, eu entendo. Você é, pôs uma martelada, arrancar os dentes, então. Isso é recente, né, cara? Isso faz uns 10 anos, mais ou menos. É. Mas aí você levantou uma bola muito forte da psicologia. As primeiras marteladas, isso o perito diz, né? O médico legista aí.
ali da cena, a DH tem um grupo especial de local de crime, estava presente um médico que ele vê isso naquele momento, essa martelada que tem, muito baixa aqui, ela não tem sangue. Então essas primeiras marteladas, elas foram dadas antes das marteladas na face que sangraram. Então tudo que ele martelou depois trouxe sangue da boca. Então as primeiras marteladas você vai dar no ventre.
Você dá no peito. Depois você bate na boca, a pessoa vai ao solo e você continua martelando. E aí você vai deixar marcas de sangue para você ver a sequência dos golpes. Vamos. Eu conversei com a doutora Tula Mello, aqui no Fala Guilhermeiro, que já fez júri durante muito tempo, a gente está no júri hoje. E ela falou que nos casos de feminicídio...
o agressor tem uma tendência a machucar, vamos assim dizer, aquilo que faz a mulher ser feminina. Então, normalmente é no ventre, é no busto, é no rosto. De onde vem a provocação? O que eu estou te ouvindo agora vem de onde? Da sua boca. Então, eu vou calar a sua boca, vou quebrar todos os seus dentes, eu vou arrancar a tua língua.
mas é o que eu estou pensando a seu respeito. É sobre isso. Então me desculpa, não queria provocar isso em você. Entende isso? Você entende isso, mas só que é o seguinte, você aqui nesse ambiente, controlado, o que você faz? Você não discute comigo, porque eu estou reclamando. E você fala, pô, desculpa, ali não. Ali você não consegue compreender. Naquele momento aquela mulher não conseguiu compreender. E outra coisa, ela não acredita que ele vai fazer isso.
Uma menina que foi morta fora do país, alertaram. Olha, procura a polícia local. Ela falou, não, ele não mata nenhuma barata, porque ela não acredita. Essa menina? Outra. Tá vendo? Fui pra Austrália, tá? Você nem reparou, né? Ó, então vou te dar a primeira pegadinha, posso?
Ó, no exercício que nós fazemos de escuta diferenciada do seu cliente, que eu chamo de cliente, que a gente chama de vagabundo, de tralha, do que você quiser, eu chamo de cliente.
Você tem que estar num estado de epokê, de suspensão. A carinha de paisagem que você aprende lá nos bancos da faculdade de psicologia, carinha de paisagem. Se me diz alguma coisa muito ofensiva, alguma coisa que me machuca, eu congelo. Você não pode perceber que eu não gostei, porque essa conversa tem que continuar. Conversa técnica, tá? Então, você tem que estar num estado de epokê, uma cara de paisagem.
E você tem que ter, além dessa neutralidade, que não é 100%, você tem que ter a figura da espontaneidade, que é o quê? Deixa o outro se revelar, deixa ele falar. O Rafa não faz isso o tempo todo. Ele deixa falar, ele deixa falar, ele não se mete em nada. O Rafa... Deixa falar. Não é isso? O Rafa? Esse homem gentil, esse lorde.
ele fica quieto, sereno, aguardando. É assim, parabéns. E aí, quando você está falando com o seu cliente, você tem que estar nesse estado de epokê, de suspensão. Você tem que estar em neutralidade. Por exemplo,
Eu já conversei com pessoas que machucaram, pessoas da minha família, que mataram. E eu fui lá. Ó, fui lá. Um sobrinho emprestado muito querido que dois homens, durante o assalto, mataram esse garoto. Num roubo. Na zona sul do Rio. E eu fui conversar com ele. O que é o estado de neutralidade, que não tem um estado de 100%? Eu sabia quem era a vítima.
Eu vi o choro da mãe, o desespero, os dias que nós perseguimos esses assassinos até encontrarmos. Nós, quando falo, como você falou, a equipe da DH, vamos pensar. A equipe da DH vai lá no terreno e estuda muito, e câmera, e...
Horas e horas de entrevistas, coleta de dados, partindo do homem, os testemunhos, que muitas vezes você não tem absolutamente nada, só tem os testemunhos, que muitas vezes ela é considerada a prostituta das provas, não é isso? Só que você vai melhorar isso muito quando a pessoa vier para a delegacia, porque você vai entrevistá-la, você vai gravar tudo em áudio e vídeo, você vai colocar numa mídia e isso...
fará parte do inquérito, e isso vai ser discutido lá na frente, a desura do seu trabalho. Tranquilo. Rafa, falando sobre o que o Romulo falou, que é a doutora que falou aqui? Tulamelo. Tulamelo. É juízo? Juízo.
do nosso... Marquine. Marquine. Então, um abraço a toda a família. E o que eu disse no início aqui, né? Que essa nossa conversa é que mortes sejam evitadas e que esses policiais estejam cada vez mais, entre aspas, aparelhados ou em extensão, em conexão com tudo, para que cresçam na sua profissão.
É, estado de neutralidade e espontaneidade. Vai deixar eu falar? Vai me interromper? Vai pensar junto comigo?
Vai me responder? Então, você estava falando de homens que matam mulheres aí. Que ela falou que ele vai atacar a parte feminina do corpo, as ideias, o que ela fala. Então, vê se vocês não pensam em nada enquanto eu estou falando com vocês. Você lembra daquele jogador de futebol famoso?
que engravidou uma menina, uma gravidez indesejável, e ele chamou três amigos para matar aquela mulher, porque ele não aceitava a forma com que aquela criança foi concebida, enfim. E aí ele chama três amigos e conseguem realmente. Pelo menos a investigação, ela... Ela...
Chegou a esse resultado, que aquele homem, insatisfeito com a ajuda de seus amigos, foram até lá, ceifaram a vida daquela mulher por conta de um desejo. Uma injustiça foi feita comigo, muito grande, então eu vou lá resolver isso. Jogador com contrato, líder de uma nação, vocês lembram disso? Sim. Vê à tona novamente o assunto.
É? Você pode me dizer o que foi? O que veio à tona agora? Encontraram o passaporte dela na Europa. E aí, discutir como esse passaporte foi para lá. Não, mas o corpo dela já foi encontrado há muito tempo. O corpo da Elisa Samudio, não. Mas eu não estou falando da Elisa Samudio. Entendeu? Ó, vocês são meus alunos, é pegadinha para vocês. Eu falei um jogador de futebol, mas eu não disse que ele era jogador de futebol americano chamado Ray Carwood, que fez a mesma coisa que o Bruno fez aqui. Chamou três colegas e... E aí
Você entendeu? Ele fez a mesma coisa. E você pensou logo no quê? Que está mais próximo de você. Isso é importante ou não é importante? E agora você sabe o quê? Que outros fazem, mundo afora, a atitude é sempre a mesma. Por quê? O que eu falei para você, não é o teu conhecimento. Você rebaixa isso. Você mora em que bairro.
Em Copacabana. Em Copacabana. Não precisa dizer a rua nem endereço direitinho. Mas morou em que outro bairro? Vou fazer a pergunta diferente de vocês. Em que outro bairro você morou? Na Barra. Morou na Barra. E você morou onde? Na sua primeira residência foi em que bairro? Livramento, paraíba. Ah, eu já falei que a minha foi lá na Vila Priscila. Vocês conhecem Vicente Carvalho?
Conheço. Conheço de passar, porra. Conheço de cumprir uma idade de prisão e buscar prisão. Perfeito, conheço Vicente Carvalho. Vai conhecer um pouco melhor. Porque Vicente Carvalho, ele costumava dizer que a felicidade que supomos, ela existe, mas nós não a alcançamos. Porque a felicidade que supomos... Porra, porra, porra. Porra, porra, porra. Eu tenho que tratar vocês como meu cliente, não é isso? Excelente. Não é isso? Mas o que eu joguei antes para vocês?
Onde é que você mora? Morou onde? Eu tenho que levar você a esse lugar? Você me induziu a pensar em bairros. Quando você muda para Vicente Carvalho, você mudou para o autor e eu continuo pensando no bairro. Porra, você vai nessa. Olha o show de paciência para aprender isso. Mas não é melhor eu vir aqui e falar para você o que eu aprendi da prática, no dia a dia? Ô, Gilvan, seguindo. Posso terminar?
Só isso. Porrada na mesa ou cafezinho, Giovanni? Acabei de responder pra você. Aí eu vou fazer uma coisa pior. Você não vai tomar comigo? Eu já tomei. Tomou um cara aqui. Não, ele... Rafa, dá uma caneca cheia de café ali. Não. Você vai tomar um café comigo, pô. Me desafiou, vai tomar um café comigo. Rafa, você vai ser só o observador. Observador. Beleza?
tranquilo. Você me faz um favor? Vai ser muito rápido. Vai ser muito rápido mesmo. Você não vai nem perceber. Fica muito feio se você girar a sua cadeira e olhar para aquela estátua. Está estranho isso. Então não está público? Está estranho. Essa mesa me protege. Então, olha bem nos olhos dessa estátua. Está estátua da... Está aqui, Giovanna.
Fica aí, fica aí, que eu quero brindar com você. Vamos brindar, vamos brindar. Vem, vem brindar. Vem brindar comigo, vem. Vem, vem, tu já sabe, né? Você te viola contigo. Olha só o que você perde quando você se distrai durante uma investigação. Ó, você viu o que eu fiz? Eu não fiz, mas eu imagino por causa da nossa aula.
Não tenha nojo, porque estava tudo dentro de mim, botei aqui dentro. Se você vai ali e volta e perde uma informação, o mínimo que você tem que fazer, numa cadeia de custódia, é olhar e pensar, perdi alguma coisa aqui. E não vi uma opinião forte daquilo que você não presenciou. Aí, lá na DH, nós criamos o CSI.
É igual quando tu tá observando um alvo e tu fala assim, aí não sei o que, aquela conversa, cadê o carro que tava ali? Aham. O carro foi embora. Cadê o preso? Cadê o preso? O preso já fugiu. Ó. Já perdi o carro, o carro que era o alvo da... Não, mas o cara perdeu o preso. Ele olhou pra lá, quando olhou pra cá, cadê o preso? Que tava aqui. Ele foi embora. Piscou, dançou. Aí nós inventamos o CSI. E você sabe que tem muita gente que tem que trabalhar lá.
Vocês conhecem CSAI? Não me ajudam? Sim, eu tô sério. Não, lá da DH é CSAI. CSAI. Se você tá desatento, se você tá de bobeira, tirando o plantão embaixo da amendoeira, cara, vai embora, vai trabalhando no CSAI. Não chora, porque na DH não dá.
pela quantidade de trabalho, cara, hoje está muito, muito, muito melhor, eu penso. Mas quando nós chegamos ali, DH sendo formado em 2010, que saudoso Felipe Ettore, com a chefia do José Carlos Guimarães, enfim, cara, foi uma pedreira, tá? Quando nós resolvemos, um pouco mais à frente, com alguns psicólogos que estavam lá na DH, agora,
nós paramos e falamos, vamos criar esse serviço de estudos comportamentais? Porque a rapaziada não estava dando conta.
Muito volume de trabalho, assim, muito grande. E naquele pedacinho de DH ali, um colega que chegou na DH para trabalhar na DH em 2010, não chegou nem a trabalhar e tirou a própria vida. E pouco depois, outro, tirou a própria vida. E muitos disparos de arma de fogo, colega que atingiu o outro colega, dentro de uma viatura.
distração, quem sabe, não sei que estado que eles estavam. Nós começamos a sentar com o colega, com os colegas, que nós chamávamos no início de irmãos, perdemos um pouco isso. Esse aqui é meu irmão, esse aqui é um irmão muito querido, esse aqui é um irmão muito querido. Não que tenha que ser assim, as coisas mudam mesmo, mas o Naldo, vocês conhecem o Naldo? Fortão, malhador. O Naldo falou assim, cara, eu tive uma experiência muito ruim. Eu estava no IML e o colega falou assim, E aí
meu irmão, gostei muito de te conhecer, me dá um abraço aqui, o que é isso, rapaz, que maluquice é essa? Pô, cara, pra mim chega. Ele falou, não, pera, o que é isso? Não, pelo amor de Deus. Ele meteu a mão no telefone, o colega saiu, ele falou, acho que era a Sandra, uma colega muito querida no ML naquele tempo, ainda ali na... em Válidos, né? Aí ele falou, pô, cara, tá todo mundo preocupado com ele aí, aqui e tudo mais, pô, de saúde aqui, tá uma estranha, disse que no final do plantão dele o colega chegou na... E aí
com o Rabecão. Ele falou, cara, não fiz nada, o que eu poderia ter feito? O que eu poderia, naquele momento, dizer para ele? E é muito difícil. E vocês sabem, geralmente, assim, está escrito lá, então, eu acho que posso falar aqui, Organização Mundial da Saúde, aproximadamente, mundo, 3 mil suicídios. Gente, não fui lá me atualizar, não, tá? Mas até onde eu vi,
Há um tempo atrás, 3 mil suicídios por dia. Mundo. No mundo. Isso vai dar um milhão de mortes no final do ano. Vem cá, é só isso? E a tentativa? Quantos tentam e não conseguem? Então, chega, geralmente tem os dias mais marcados ali, né? Fim de semana, uma população de adolescentes, enfim, na polícia muita coisa. E aí?
Por dia, 30 mil tentativas. Dez vezes mais do que isso. Aí a pessoa fala assim, tu achando esse número baixo, mas se for na tua casa, tu não vai gostar. Era o que você estava falando de elucidação de crimes. Pô, é muito baixa. É, ela é baixa. Pô, mas eu resolvi em nove de dez. É, e aquele que você não resolveu, que foi na minha casa, que acabou com a minha família, e você não resolveu? Aí você vai achar, poxa, cara, quantas pessoas desaparecem?
e nunca mais são encontradas nesse Rio de Janeiro. A minha entrada foi pela descoberta de Paradeus, uma delegacia sensacional, sensacional, porque ali o Nelson Lelé chamava a gente de investigador de nada. Por quê? Ele perguntava, estava investigando o quê? Eu falei, não sei, a pessoa desapareceu. Mas foi para onde? Ele falou, não sei. Portanto, não sabe nada. Você é investigador de nada. Ele falou, está certo.
Você parte do zero. Vamos lá? Aquela combinação? Você, muitas vezes, você não precisa de tecnologia. Você não precisa de carrão blindado. Você não precisa de fuzil. Você não precisa de nada. Você não precisa de um grampo. Você não precisa de nada. Você precisa só estar atento. Preste atenção. Preste atenção. Aí, eu vou levantar. Tá bom?
Vou ao elevador, botar de coxa pra ele. Não é isso? Vamos lá? Vamos lá. Você não sabe do que você trata. Aí eu tô aqui. De coxa é pra você, né? Isso. Ah, pra você que vai chamar ou ele que vai chamar? Eu que vou te chamar. Vai chamar, né? Juvan? Juvan? Tá me chamado? Nada, não. Não precisa, pode falar. Não precisa.
Vou repetir. Ó, DDD, desprezo, distanciamento, desinteresse na nossa conversa. Olhando por cima do ombro. Vai apertar, elevador, sai de mandar, da DH, chega. Ele me chama e eu olho por cima do ombro. Você fala, na minha casa, está na delegacia, sendo investigado, é um desaparecimento. Ele foi a última pessoa a ser visto com essa garota.
E você olha por cima do ombro e faz esse movimento? Pode ir embora. Você fala, não precisa, por quê? O que você viu? Que não precisa nem mais falar com ele. Desprezo, distanciamento, desinteresse. E o movimento voltou ao local do crime na tua frente. O que ele fez?
Eu não podia levantar o cinto com as minhas mãos? Não, querido. Você está reproduzindo o que você fez na cena do crime. Você estava com a mão cheia de sangue. Você devia estar muito bem vestido. Não queria sujar a roupa. E você faz o movimento. Faz aí. Faz aí, estou te pedindo. Levanta a calça. E por que você não faz? Mete a mão, levanta.
porque a tua mão está suja de sangue, você volta a psíquica ao local do crime. Não tem que estar antenado? Não tem que estar ligado? Em tudo que o cara faz? Provamos. Ele mata a menina dentro de um hotel, ele leva para o alto da Boa Vista, ele dá um tiro na nuca dela, deixa a mulher lá, isso é madrugada. A investigação...
trabalhou em cima disso. Aquilo que você falou do filme, né? Qual o nome do filme? Match Point. Match Point. Nada disso foi confessado. E aí o que ele faz, Rafa? Vai embora da cena. Tá? O que ele vai fazer, Rafa? É madrugada. Rafa, por favor, o que ele vai fazer no dia seguinte? O que ele vai fazer? Não sei lá, pô. Hã? Não sei. O que o homem faz? O homem mata e sempre volta... No local do crime. No local do crime. Ele voltou.
Só que ele volta muito arrumadinho durante o dia. E ele entra na mata. E esse corpo, ele deve ter tocado no corpo, levado o corpo mais para baixo. Por quê? Porque durante a madrugada ele não viu como ele estava posicionado. Só que tem um problema. Novamente.
Nós não temos nada, não temos ninguém confessando nada. E começa a ver. GPS, era o único bolo de noiva que não funcionou naquele dia, naquela determinada região. Lembra do bolo de noiva que ficava em cima da viatura? Que era o GPS, né? E aí você encontra o corpo da menina, tá? No dia de São Jorge, 23 de abril, ela foi encontrada. Respeito total à família, tá? Uma perda, uma rima de família essa garota.
E ela só tinha um pedaço de pele, porque foi consumida por aquela floresta. Os restos mortais, você só tinha um pedaço da pele, e naquele pedaço da pele tinha uma tatuagem de cavalo, cavalo alado.
E aí vem o tatuador que falou, não, foi eu que fiz, não preciso nem ver. E aí ele vai e reproduz o que ele tinha feito na amiga muito querida, dá um depoimento extremamente emocionado. E, é lógico, tinha a mochila do irmãozinho, o aplique, a sandália, as roupas com que ela foi vista naquele último dia, e ele foi condenado.
Então, assim, nada, não tinha uma luneta, não tinha um luminol, não tinha nada que você fala, poxa, mas eu não tenho isso aqui para trabalhar. Você olhando à primeira vista e leva essa convicção até o final. E tem outros casos. Vamos lá. Giovana, vamos falar sobre a versatilidade policial. Você contou um caso... Você não vai falar do cafezinho? Um caso na...
na academia de polícia, em que você e um colega, um canga, nós chamamos na polícia, ou parceiro, vocês viveram uma situação de ter que buscar evidências dentro de uma favela ou comunidade. E aí você foi surpreendido por uma situação e você teve que usar versatilidade policial.
Olha o que ele está chamando aqui, versatilidade policial. Que ocorrência foi essa? Conta para a galera. Então, na realidade, o meu episódio não foi tão sofisticado. Nós não precisamos. Um assalto a banco. Na época, eu trabalhava na 18ª DP.
muito romântico, eu tinha um revólver 38, cano curto, com seis balas, seis munições, e estavam ali, seis projetos ali, e com a baleira aqui de couro, faltando das doze, só devia ter umas cinco, seis, e nós entramos na comunidade. E aí, estava ventando muito, você vê, é um ato heróico.
Entramos dois colegas por uma via, dois pela outra, e, de repente, daqui a pouco, um barulho, um estrondo. E eu... Cara, melou. Estamos cercados. E quando eu chamei o colega que estava atrás de mim... Aí, vem para cá. Esse colega já faleceu. Não vou falar o nome dele aqui, não. Falei, pô, vem cá, vem cá. Se junta aqui comigo e tudo mais, eu não encontrei mais. Cara, era um portão de ferro, de zinco, não sei das quantas, que bateu e fez aquele barulho. O colega já estava sozinho no morro.
Numa outra ponta, estava um colega já falecido também, ele chega numa comunidade, naquela comunidade, em outra comunidade, e ele tinha que entrar de qualquer jeito ali para fazer um levantamento. E quando ele passa no beco, ele é surpreendido.
E aí ele estava... Ele estufou a barriga. Isso aí, contando, tá? Já falecido. Ele estava com uma bandana. Os colegas andavam com colete. Graças a Deus, nesse dia, ele não estava com colete, aquele colete sem manga, com os braços de fora. E aí ele... Moço, você como um ator, onde é que fica a macumba?
Você usa e joga aquilo em cima do cara, porque ele olha para você tão doce. Você não é a polícia. O tempo que ele precisava, porque ele estava com a arma na mão, você conta com aquela distração para você sacar da tua arma e salvar a própria vida dos colegas que estão ali próximo. Você é um ator. E o que nós fazemos muitas vezes, sem aprendermos isso, é arte.
Foi mais do que isso, tá? Mas o André Ribeiro falou para eu não representar aqui. Porque essa brincadeira em sala de aula lá na Cadepol, eu fiz e todo mundo acreditou no meu papel. E aí minha filha, hoje com 44 anos, estava no churrasco e falou assim, você é filha do Givão? O Givão não é gay? Ela falou, não, você não prestou atenção na aula. Aquilo lá era só uma representação. Cara, olha só, isso é muito especial. Esse mesmo colega.
Batista, que Deus tenha, ele estava no carro dele e ele foi assaltado. Quando um veio numa porta, botou a arma em cima dele e abriu a porta e foram para cima das crianças dele, que estavam no banco do carona, ele desce de costas, arma na cintura, e ele se afasta. Moço, pelo amor de Deus, meu patrão vai me matar. Meu patrão vai me matar. As crianças olharam para ele assim, para o pai. O que está acontecendo aqui?
É o tempo que você precisa para aquele que estava vindo aqui abordar um homem forte, alto, ali naquela fragilidade, naquela leveza, aquele se afasta e esse aqui se distrai. E ele salvou a própria vida e conseguiu levar as crianças ilesas para casa. Então, muitas vezes, você não quer tirar a sua fantasia. Você entra na polícia com a fantasia e não quer fazer o striptease.
Essa fantasia está legal? Está gostando? Está bonito? Está bem na foto? Está? Está legal. Mas tira. Porque eu levei um indivíduo desse para a delegacia, nós estávamos falando disso antes, que até rodou na rede social, vocês viram aí, né? Foi pedido desculpa, né? Não, tem que falar mesmo. E aí, um jovem de 18 anos, ele mata três policiais. Matou um policial militar.
Ele mata um policial civil lá no Grajaú, 18 anos de idade. E aí ele vai fazer um, cometer um roubo. Lá no Engenho de Dentro, ele mata um policial federal, sequência. E ele vem para a delegacia. Alcançamos ele. Ele vem para conversar comigo.
E eu tinha esse grupo especial para entrevistas humanizadas, enfim. E uma particularidade nesse dia, eu não consegui que tirassem a algema dele.
Ele estava na cozinha, ele não estava querendo almoçar, e eu me sentei ao lado dele e não confessou nada até aquele momento. Eu fui oferecendo comida para ele, ele nada, eu falei assim, cara, olha só, você tem que se alimentar. Tua mãe vai chegar aí agora, você vai sentar, vai conversar com a tua mãe, e nos sentamos ali na cozinha. Esse policial entra. No momento em que eu, ele algemado, peguei a algema para trás. Eu pego a colher.
e coloco a comida na boca do cara. Ele aceitou. Umas duas, três colheradas, depois disse que ele não queria mais, eu falei, já estou satisfeito. Pelo menos você colocou alguma coisa no teu estômago, você está muito tempo sem comer. A mãe entra. Muito depois desse episódio, e ele olha para a mãe e fala, mãe, meu pai.
Eu não sei de onde ele tirou. Ele tem um pai idealizado. A mãe falou depois. Ele não conhece o pai. Ele não conheceu o pai. Sabe nada do pai. Falei, senhora, ele tem um pai idealizado. O que eu disse para ele e a forma humana como eu o tratei, ele deve ter reconhecido daquele que ele sempre imaginou.
na mente dele, que seria o pai, caso conhecesse. Esse colega sai dali e vai no grupo, no WhatsApp, e coloca, o Gilvan já está fazendo, montou o circo dele, e está fazendo aquela palhaçada de sempre. Só está faltando o Daú, acabou de matar o colega, e ele está lá, só faltando o Daú para a família.
colocou isso lá, depois pediu desculpas, enfim. Ele recebeu, eu lembro dessa mensagem. Lembra disso, né? Depois ele fez a mensagem pedindo desculpa. Pedindo desculpa, mas assim, acabou, passou. Mas que sirva de lição, Rafa. Não é... Qual foi o desfecho? O desfecho foi que, no final das contas, esse rapaz, ele confessa dois crimes. Que matou o policial militar.
durante um roubo, que até explicou, tem um que vai à frente com cara de nada, até com bobão. Ele olha tudo, faz o levantamento e leva até eles o conhecimento do local. Aquele que está com o celular, aquele ali tem um cordão de ouro, os garimpeiros. E ele vai lá e já sabe, o alvo é aquele, ele vai lá e ataca, aproveita, dá a oportunidade, um garoto com cara de nada também, e ele...
com um único tiro, ele mata aquele policial, um outro tiro, o nosso colega e o outro tiro, colega policial civil, todos os colegas, e depois vai lá e mata o policial federal. Estava fazendo um serviço lá, prestando uma ajuda para transportar um piano, enfim, para a casa de amigos, uma tragédia. Crimes irreparáveis, desnecessários. Ele confessou os crimes? Só não confessou um. Qual?
Policial federal, sim. Policial militar, sim. Civil, ele não conversa. Olha o ambiente que ele estava. Algemado. O que passa pela cabeça desse garoto? E o pai, ali do lado, policial civil. Aí, por quê? Novamente digo, essa pergunta é muito subjetiva, tem que ser feita a ele.
Não sei o que aconteceu, onde é que esse garoto está, mas foi um episódio muito marcante e muito bom. E outra coisa, vou falar uma coisa aqui que as pessoas podem não entender. Eu agradeço, eu agradeço a oportunidade que essas pessoas me deram de ouvi-las. O que eu sei, eu ouvi desses homens e mulheres confessando seus crimes importantes.
foram importantes para a compreensão, feminicídio principalmente, angústia, uma angústia profunda que ele sentia, e ele ataca a pessoa, como eu descrevi a morte dessa menina, ele ataca essa pessoa, porque ele não aguenta mais daquela prisão, aquela angústia, ele precisa de alívio. O alívio só vem com a destruição desse objeto, que o afronta.
que o provoca. O que eu disse desde o início? Não adianta, de todos os níveis, o conhecimento não serve para nada naquele momento. É o homem às circunstâncias, o conhecimento foi rebaixado, e aí vem o momento. E a ação de uma mente medieval, com todos os direitos que essa pessoa tem de viver direito à vida. É preservado naquele momento? Não, eles matam.
eles precisam destruir o objeto. Você, na realidade, não é mais uma pessoa. Você foi coisificada por esses homens e eles, para a angústia passar, para que ele tenha alívio, ele precisa te matar, te destruir. Não pense mais nada. Só se livrar da angústia. Giovanni, isso é uma jaula? Não, não é uma jaula. Pô, é uma forma 100%? Não, foi o que eu ouvi desses homens. E aí eles vão sempre contar um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um pouco de um
subtraindo uma informação mais precisa que poderia levar você a essa subjetividade. Mas ele vai fazer isso para a autopreservação. E o que você vai fazer? Não vai forçar a entrada. Vamos até aí. Porque muitas vezes, foi o que o Romulo perguntou, o café ou a força? Os dois acabam em algum momento?
pressão, energia, o cara vai e confessa. Mas a maioria, 99% das vezes, isso não resolve. É o café, é a água, a comida na hora, deixar que ele escolha o que quer comer, escolha o que quer falar, com quem ele vai falar, tudo escolha dele. Eu entro num presídio, tem 10 homens, de dentro da cela...
o custodiado aponta para mim, aquele rapaz lá com aquela camisa quadriculada, com a camisa por dentro, quis falar comigo. Sei lá o que ele viu, porque naquela cena eu não estou representando, andando ali dentro do presídio, falo com um, falo com o outro, o boa gente, eu estou ali porque eu quero investigar, eu quero a verdade, e é o que importa. Eu estou ali para isso.
Não é exercer, e muita gente fala assim, mas não dá vontade, não tenho essa vontade. Eu não tenho essa vontade. Porra, não dá vontade de dar uma porrada? Não tenho essa vontade. Ponto.
Isso é um exercício? Eu não sei. Você ficou assim como? Eu não sei. Só que eu vi que o método humanizado, de aproximação, de compreensão, de uma entrevista mais longa, mais apurada, eu dormia ao lado de um rapaz, num crime lá no IMPA, Instituto de Matemática.
que ele bateu na cabeça de um colega, que estava dormindo, e tirou a vida desse rapaz. E logo em seguida, acho que ele tomou muito medicamento, enfim, ele caiu lá na cozinha, assim, o encontraram, levaram para a delegacia. Eu fiquei 18 horas com ele na cela, deitado com ele no papelão, com medo que ele atentasse contra a própria vida, que parecia que era isso que ele estava querendo fazer lá, para que ele não sufocasse.
Eu preciso que ele venha e conte a sua história. O meu objetivo é esse. Eu quero a verdade. Me conta aí o que aconteceu. Nesse da mão, isso representa apenas uma vírgula.
que é um QR Code que você tem que olhar com uma lupa. Mas naquele momento, o que ele dissesse para mim já não adiantava mais nada. Convicção de que ele tinha feito aquilo. Uma pergunta, por que você acha que são as maiores causas de motivação do feminicídio? Então, repetindo, motivação, vamos dividir bem esses momentos. O cara tem um motivo e ele tem uma intenção. Beleza? Eu vou aí, direto? Não, você direto. Aqui.
Vou falar de feridas emocionais. Feridas emocionais. Que não são feridas abertas aqui. Eu falo em Rita. Rita. R-I-T-A-H. Que é um livro. Estou pegando emprestado lá. E arrumei assim. Rejeição. Injustiça. Rita. Traição. Rita. Abandono.
Humilhação, o último passo para o homicídio. Ela me humilhou. Ela me humilhou. Quando eu não disse, eu pergunto. O que foi que ela disse para você? O que foi que você sentiu? Ela disse alguma coisa para você? Nunca firmo. Ela disse alguma coisa para você? Ela me humilhou. Eu me senti humilhado.
diante da minha família. Aí você fala assim, Juventus, em todos os lugares está. Um pai chega para os filhos e fala assim, esse garoto não serve para nada. E aí ele fala para mim durante a confissão, o meu pai dizia que eu não servia para nada e ele tinha a queridinha dele ali. Hoje eu tenho 30% só do ouvido esquerdo porque a arma dele explodiu na delegacia e eu perdi 70% do meu ouvido.
E aí meu pai falou, você não serve para nada? Ah, vou matar a queridinha do meu pai. Aí você começa a entender pelo estudo de casa, o que fez esse cara? Qual o motivo? Dele, papai, tem preferência pela minha irmã, Cassiolinha. Vou matar. Ele passou aproximadamente 12 anos fazendo uma arma em casa. Construindo, entrando na internet, construiu uma arma eletrônica.
Só que o cano, ele não colocou raia. Então, quando ele atirava, aquilo ia para tudo quanto é lugar. Foi o que salvou a minha vida. Que quando ela dispara dentro da delegacia, porque aí também tem uma questão de coleta, né? Que deveria ter ficado lá, esquadrão antibomba. Acho que não confiaram naquela arma. E a arma vai para a delegacia, estava na mão de uma perita, tá? E ela explode.
quando eu tirei da mão dela, não fiz nenhum movimento bruxo, falei assim, você nunca assistiu um filme? Me dá isso aqui. Aí, quando eu pego, tem a R.O. disso, enfim, ela explode, ela dispara o projétil. Ele vem capotando e crava no teto da delegacia, no teto de gesto. Acho que foi até o Edevaldo que foi lá tirar o projétil. Aí você fala, qual a motivação?
Ciúme da irmã? Rejeitado? Acha que não injusto? Foi traído? Foi abandonado? Foi humilhado? E leva tanto tempo assim? O rapaz que sai daqui vai matar uma menina lá na Austrália? Agora ele confessa. Pra mim. E depois desconfessa. Isso é muito sério. Por isso que você tem que estar gravando. Qual foi a motivação desse rapaz? Motivação. Vamos lá de novo? Pergunta pra ele.
Rejeição, injustiça, traição, abandono, humilhação. Muitas vezes estão todas elas aqui, nessa representação. Liga, ela não atende, ela rejeita, ela não quer falar, ele pega um avião, vai até lá, entra na casa, conversa com ela, discute, não consegue ser convencido e ele vai, aperta aquele pescoço,
Desculpa a família, vi o pai sofrendo muito por isso, porque foi alertado, ela falou, ele não mata nenhuma barata. Não acreditem nisso. É porque você está com uma lente sua que diz que você não faria aquilo, mas ele vai fazer. A lente que você usa não serve para essa avaliação. Você tem que usar a lente dele. Qual que é o Rita? Injustiça.
Ele se sente injustiçado. Como é que você me recusa? Você prefere minha irmã? No caso dele, prefiro o pai. Esse rapaz, no caso desse que vai lá para o chão, ele se sente injustiçado, cara. Ele não quer perder aquele objeto. Olha só, o homem vive num pêndulo. Isso é Schopenhauer, né? No pêndulo. Aqui ele tem uma vontade.
Ele tem um desejo, ele tem uma vontade. Então, o que a gente estava falando antes, ele tem a ânsia por ter, e depois tem um T e o P. Ânsia por ter, e depois, quando esse pêndulo vai, que ele é satisfeito, ele bate lá e tem o quê? Ali, o tédio por possuir.
Ânsia por ter, pede por você. O pêndulo volta, aí pega e vai de novo. Freud vai dizer que você é um prisioneiro dessa busca incessante. O homem não se preenche. E quando ele preenche, acha que preencheu o vazio existencial, pode ter preenchido com um recheio errado. Ele não faz essa avaliação, porque ele não quer ouvir o outro.
O que ele quer ouvir, você não tem para dizer para ele. E aí, Rafa, não adianta, olha só. Eu dei uma entrevista sobre a morte dessa policial lá em São Paulo. Que o coronel matou a menina, soldado, a Gisele. Uma esposa dele. Não, não é a esposa dele, não. Ela não é a esposa dele, não. Não, não é a esposa dele. Aí é que está. Ela não é a esposa dele. Eles moravam juntos. Não, não. Ela não é dele, não. Viu o que você falou?
Eu sei, querido, mas nós estamos num processo aqui de educação. Eu estou desesperado para aprender com você aqui. Quando você fala esposa dele, a minha conclusão de curso lá na UERJ foi homem, eu que escrevi, tá? Igual você falou, homens que matam as suas mulheres, com S maiúsculo, como você acabou de falar. Normal, a gente fala, pô, mas não era esposa dele? Eu não sou pai daquela menina? Você não é.
Dela, nem ela é sua. Ninguém é... Não, não é mesmo. Não estou te corrigindo. Estou me colocando na posição. Eu sou pai da minha filha. A minha filha é minha propriedade? Não. É isso que eu estou falando. Mas eu sou pai dela. Não, mas não estou... Assim como ela é minha filha. Você falou, né? Você falou, né? Eu não estou te corrigindo. Estou dizendo que o que você disse é extremamente importante. A esposa dele...
Eu só sei do seguinte, Ivano. Não, deixa eu com certeza. Se esse cara vai querer, não vai querer, deixa eu sair daqui. Só isso. Quando as pessoas falam isso...
que você acabou de dizer brilhantemente, porque você ouviu ele falar isso, a minha mulher, porque ela estava ali de camisola e ele foi lá porque a minha casa, porque o meu dinheiro, porque o meu, o meu, é tudo seu, isso é ego, cara. Você não pode. Isso não é sua propriedade. Quando eu falei de amor e você me pergunta se eu tenho filhos. Pergunta se eu tenho filhos. Tenho filhos? Fiz quatro. Te respondi?
Fiz quatro. Eu não posso dizer que eu tenho, cara. As pessoas é que vão dizer para você, você não está vendo o tempo todo aí? Os filhos dando as costas para os pais, os pais dando as costas para os filhos, filhos matando os pais, pais matando os filhos. Dizer isso, eu acho certo. Pô, Giovanna, tem uma filha, né?
É, Juval, mas isso é um referência. Porque se fosse assim, o pai não pode ser mentir. O juiz fala assim, tem que pagar a pensão do seu filho. Meu filho, não. Eu só fiz. O meu pai, por exemplo. O meu pai... Rapaz, o povo lá deve estar falando assim. O meu pai, por exemplo... O seu pai. O pai que é seu. Ele fez quatro filhos. Fez quatro filhos. Um belo dia ele decidiu comprar um cigarro.
Não é para rir, não. Olha só, tu acredita que um colega que trabalha comigo falou que não desistiu do pai, o pai fez isso? Mas olha só, Rafa, vamos deixar isso bem claro aqui. Você disse uma coisa brilhante. Eu tenho certeza que isso aí não é uma afirmação lógica. É você dizer isso e que não vai dar em nada. Você não vai matar ninguém e tudo mais. Aquele cara lá que está dizendo que a mulher é dele, a mulher dele não é de mais ninguém, cara.
Essa mulher é minha, ela não é de mais ninguém. Eu só queria que você entendesse isso. Que não é o teu caso e que não é o meu caso. Mas eu prefiro olhar e falar assim, cara, eu fiz. São meus? Eu quero ver você na hora de comer um quilo de sal com essa pessoa. Não precisa ser filho, não. Vamos falar de qualquer teu amigo, que você achava que era seu amigo, que ele dá as costas para você. Um filho, ele tirou um imóvel do pai.
alugou sem o conhecimento do pai, e o pai vai reclamar com ele, o pai falou para ele, sabe o quê? Que falou para o outro que matou a irmã, ele matou a irmã, tá? Esse que fabricou a arma, ele matou a irmã. O que nós evitamos é que ele fosse matar a outra irmã, que estava em outro estado. Ele pega aquele, dá um monte de tiro.
E ele falou, poxa, eu testei no Réveillon e eu vi que não estava legal, mas eu arrisquei. Aí chegou o dia, acho que foi o dia das mães, reuniram todos em casa, ele pegou e foi atirando até acertar a irmã. Ele matou a irmã. Ele só não conseguiu matar a outra. Então, assim, faz isso. Não, sim, sim, mas deixa eu fazer uma pergunta. Se esse coronel ou qualquer outro cara que praticou feminicídio... Sexta...
que ele tem esse sentimento de posse. De posse. Sobre a... Que não é o nosso caso. Aquela outra mulher. Não é o nosso caso. Se esse cara, se aquela relação, ao invés de uma relação heterossexual, fosse uma relação homossexual, mudaria alguma coisa? Ó, pelo que você vê, não. O efeito é o mesmo.
O comportamento seria o mesmo. Você viu aqui no Rio. Teria a rejeição, a justiça, a traição, o abandono. Sim, mas então, porque esse sentimento, aí eu peço mil perdões, porque eu já falei isso em sala de aula, já deu muito problema, mas tentando ajudar. Olha para o fenômeno violência. Se você olhar para o objeto...
Você não vai, falando de criminologia, enfim, estudando o crime. O crime é vontade, oportunidade e o alvo. O alvo...
homem, mulher, é qualquer um. Filho. Então, pergunto o T. Pergunto o T. Porque essa é onde eu quis chegar. Que é uma coisa que não entra na minha cabeça. Rapaz, nós já tivemos essa conversa. Que feminicídio, o cara mata mulher só porque ele é mulher. É assim, eu não... Pra mim é o seguinte, ele mata porque ele foi rejeitado, ele mata porque foi injustiçado, ele mata porque foi abandonado, ele mata por motivos passos. Mas não porque foi mulher, porque se esse cara mata porque ele é mulher,
ela é mulher, então ela não mataria um homossexual. Se a relação for homossexual, ela não mataria, porque o cara é homem. Bom, tu tá me entendendo assim? Porque isso não entra na minha cabeça. Eu acho que isso é uma narrativa, pra mim é uma falácia. Não, porque feminicídio é matar mulher por ser mulher. Eu falo, bicho, mas quem eu conheço que matou mulher por ser mulher foi o Jack Estripador, foi o maníaco do parque, que ele realmente é assim.
Não, o Jack Estripador, ele matava as mulheres. Ele saia para matar a mulher. O maníaco do parque queria matar a mulher. Não importava se ele tinha relação nele. Ele conquistava as mulheres para levar para um descampado ali e matar as mulheres. Sim, a fragilidade, a vulnerabilidade. Mas eles estão colocando agora o feminicídio, inclusive teve aumento de pena para 40 anos, porque...
Matou o homem e matou a mulher. Matou por ser mulher. Você concorda com essa afirmação? Eu vou fugir um pouco de responder diretamente isso. Eu já tive mil problemas com isso. Então, vou dizer para você o seguinte. Eu estudei isso no início e, quando eu vi pela primeira vez, eu falei, gente, vamos estudar isso melhor, vamos estudar a violência. Eu já estava no homicídio há muito tempo.
Então, assim, eu falei, de onde veio isso? Fui lá pesquisar. Algoses, né? Quadrilhas rivais, entravam no território do outro e matavam aquelas mulheres, mulheres, iam nas mulheres. Por quê? Que eles não queriam que aquelas mulheres...
tivessem filhos daqueles seus algózes. Matavam os homens e matavam as mulheres. Não vai acontecer. Se tinha alguém grávida, ele não queria saber, ele passava todo mundo que estava ali. Foi nela por essa condição. Ela só foi morta porque ela era mulher desses homens.
Eles não foram na cidade ao lado, eles não foram lá na frente. É aquele grupo. Isso aconteceu em várias guerras. Em várias guerras. Então, assim, quando a garota ou o garoto resolve matar os pais, que tipo de crime é esse diferenciado? Só matou porque eram os pais. Mas por quê? Porque tinha vantagem.
ou se sentiam, de certa forma, em desvantagens, que muitas vezes não levava nada. Esse que matou o pai, porque o pai o rejeitou, o pai falou que ele não servia para nada, ele tinha alugado um imóvel do pai, o pai descobriu, ele foi lá...
Num momento de raiva, ele bate com o antebraço no rosto do pai e o braço dele quebra. Ele disse que foi tomado de um ódio naquele momento e ele bateu no pai com um pedaço de porrete até matar e levou o pai para um córrego atrás e largou o corpo do pai e foi embora. Ele não comenta com ninguém, ele vai para o hospital, hospital público.
E lá, ele já está indo para a mesa de operação. Olha só a fragilidade, que você não precisa ir absolutamente só uma lupa na mão para entender isso. Ele, da sala que ele queria entrar em cirurgia, ele liga para uma irmã, que tinha ele como um filho.
Ela superprotegia esse garoto. E ele falou, olha, eu quebrei meu braço. Ela falou, mas por que você não falou antes? Por que você não pediu socorro? Porque ele estava ganhando tempo para encobrir aquele homicídio. Aquele homem, se não fosse...
O pai daquele rapaz, naquela circunstância, com toda aquela... Ele definiu aquele garoto. Ele definiu o filho. Conhecia o filho profundamente. Não sei. Pais separados, a mãe morava em Minas Gerais.
Ele vai para a delegacia e eu, com tudo isso, falei, cara, foi ele que matou. Não, ele falou, não, mas eu quebrei meu braço porque caiu o andaime. Eu falei, vamos lá buscar o andaime. Fomos lá, buscamos. Pô, isso aqui, cara, não tem como. Enfim, saiu pela porta da frente, não tinha como, não tinha testemunha, não tinha nada. Tá? Beleza. Ele vai embora, eu falei, cara, eu vou te falar uma coisa. Você vai voltar aqui.
Eu vou te esperar. Porque isso aqui é um disco de vinil que eu estava falando com você. Ele vai tocando e a energia da picape não acaba. Ele vai ficar aqui tocando e aquela agulha que ele me emprestou, ela não acaba. E esse disco vai tocar, um dia você vai entrar aqui nessa delegacia. Porque eu vou te apanhar. Eu vou te apanhar.
Não precisou. Ele vai para a casa da família dele, ninguém quer saber dele, todo mundo convicto de que foi ele que matou o pai. E ele volta dois anos depois, eu estou na delegacia falando assim, mano, tem um rapaz que quer não falar contigo aí. Aí eu fui lá na recepção da DH e ele falou assim, eu vim falar com o senhor, eu vim pedir desculpa, porque eu matei meu pai. Eu falei, mas você matou o seu pai? Isso eu já sei. Eu quero saber o que o Rafa... O que é umigo?
Por que, cara? Como foi que você matou? Por que não é muito bom? Como foi que tudo aconteceu? Ele falou, eu bati, como? Eu bati com um braço no meu pai, quebrou meu braço, eu fui tomado por um ódio. Naquele momento, foi rebaixado o conhecimento.
A paternidade foi rebaixada, como aquele matrimônio foi esquecido. Ali já não era uma comunhão, duas pessoas que se amavam. E ali houve uma cisânia, houve o que a gente chama de superioridade de forças, como é que a gente fala? A simetria.
E o homicídio, o feminicídio, geralmente vai acontecer por essa simetria, mas não necessariamente, eu vou te responder assim, pelo que eu já vi, eu vi o homem matar o outro homem porque foi rejeitado, eu vi uma mulher tacar fogo na sua mulher porque foi rejeitada.
considerando aquilo uma injustiça, achando que foi traída, com todas essas importâncias, com todas essas feridas emocionais. Às vezes você tem todas elas. Então, não é bem por aí, eu posso dizer para você. Continua achando que é importante.
Travar uma luta gigante contra esse feminicídio, proteger essas mulheres, explicá-las que este homem não muda, que ele mata sim, troca a lente pela lente dele e observe bastante. Por quê? Essa lente que você está usando para olhar para esse homem, ela não serve. Você tem que olhar com o olhar dele.
Dá para você fazer um registro, dá para você... Tem aí Maria da Penha, tem a Ronda Maria da Penha, tem um esforço grande, tanto do Estado quanto do município, mundo afora, mas isso aí é o cônjuge.
O filho, o pai, todos movidos. O movimento é sempre o mesmo, rapaz. Eu tenho a minha motivação, ela está alicerçada, por exemplo, num imóvel que o meu pai se esmou de dar. Esse é outro caso, tá? Que o meu pai se esmou de dar para uma filha adotiva. Eu falei com ele, cara, mas ele deu o apartamento para a sua irmã. Ô, tchum. Ei.
Olha para mim, adotiva. Não, a sua irmã, adotiva. Teu pai criou. Adotiva. E o que você fez? Eu botei chumbinho no peixe do meu pai, na carne do meu pai. Legal, tranquilo, até aí tudo certo. Vem cá, e seus sobrinhos, três? E o seu irmão e a sua cunhada, você não botou na gelatina deles, escondido deles na geladeira, não? Ele falou, mas eu fui orientado pela minha advogada.
a dizer que não. Falei, não, então você está dizendo que sim, mas a advogada te orientou para não. E por quê? Ela disse para mim que sejam cinco tentativas, vai pesar demais. E aí, numa conversa muito longa com ele, humanizada, de trazê-lo para a realidade, que essa verdade é muito melhor ser dita do que o peso da mentira para o resto de uma vida.
E as pessoas perguntam, mas vem cá, como é que você sabe que ele está mentindo? Só quem é de verdade sabe quem é de mentira. É o exercício, Rafa, o tempo inteiro é o exercício. E tomem bastante cuidado, eu estou falando aqui para quem está em casa, tomem bastante cuidado, que o homem, ele fala assim, não, o que eu sei, você não sabe de nada, porque você é o homem e as circunstâncias em que você se encontra.
Eu vou lá em São Paulo, tem um... Se não me engano, é um delegado, delegado aposentado. Se eu não me engano, é o Jorge Lodelo. Certo. Ele faz comentários e passou a ser chamado a vários podcasts. Ele analisa casos que não foi ele que investigou, mas ele tem uma análise. Certo. Então, a gente vai meio que fazer isso aqui no Fala Guerreiro. Perfeito. E eu queria, já que a gente já mencionou, esse caso do coronel da polícia militar. Certo. Que matou ali...
A esposa que vivia com ele. Não, você pode... É isso. Aquela mulher. E viu? Não, mas exatamente isso. Você não vai repetir. Nós não podemos, nós somos técnicos. Não estamos errados. Você pode falar o que você quiser. Matou a mulher na constância do matrimônio. Ih, maravilha. Aprendi. Anota aí, Rafa.
Entendeu? Mas vamos lá. Ele, enquanto casado com aquela mulher... Um caso de violência doméstica e feminicídio envolvendo um coronel, uma sargento da Polícia Militar lá em São Paulo. Certo. Então, qual foi a sua análise? Qual a análise que você tem naquele caso ali? O que eu disse exatamente do coronel com a menina ou é outro? Não, daqui desse caso. É que enquanto eu estava com medo dele ficar com raiva de mim, eu não peguei. É desse caso. Então, o que acontece ali? Ali...
eu dei uma entrevista, não muito longa, enfim, porque fui apanhado de surpresa para falar sobre esse caso, isso aí não interessa. O que diz o seguinte, sem ir muito profundamente naquele momento, mas olhando agora pelo desenrolar, por tudo que aconteceu. Acontece o seguinte, se você olhar para as feridas emocionais todas, todas, todas, todas, alguns homens, como também poderiam ser algumas mulheres, nesse caso em específico,
você esquece completamente como se aquela filmagem do teu cérebro, de tudo, aquele filme que passa na tua cabeça, de todo um sacrifício dos seus pais, do que você estudou, do que você trabalhou, tudo, tudo, tudo, tudo, se reporta a um único lugar. Você rebaixou o seu conhecimento naquele momento, foi a zero, não serviu para nada, e você...
com um pouco de força, quer dizer, com um pouco de força, com a força que você tinha, com a superioridade.
por não conseguir convencer, porque nós não estamos ali dentro, nós não sabemos o que estava em jogo, por não aceitar os motivos daquela mulher para separar, para separação, isso não fica muito claro, porque diz que não, que em algum momento ele diz que estavam bem, estavam conversando, que ela se chamou para conversar, enfim, mas examinando o que...
o passo a passo, como é que você chega até aquele momento? Porque você não colocou a mãozinha para trás, você como policial, Rafa, eu, botou a mão para trás, e você olhou e falou assim, isso não vai dar certo, eu tenho que parar por aqui.
A hora de parar é essa. Não interessa o que você vai perder. Perda material, perda emocional, o amor que você julgou ser seu, a dedicação. Vamos lá, vamos lá, vamos lá. Aqui. A dinâmica de uma relação. Seis pilares, seis pilares. O desejo que eu tenho por você. Homem e mulher, tá? Dar paz.
a admiração que eu tenho por você, o respeito que eu tenho por você, dar paz, o projeto comum que eu tenho com você, as nossas afinidades e as nossas sexualidades. O que aconteceu com aqueles seis pilares? E você tem que admitir. Mas você não quer.
Não te deseja, não te admira, não te respeita, não tem projeto nenhum com você, não tem afinidade nenhuma e não tem sexualidade nenhuma. Acabou a relação. Acabou a relação. E você não admite, você não acredita. Comigo não.
A minha mãe não criou, minha mãe dizia, pô, cara, tua mãe dizia? Porque a minha mãe me disse que ela não prestava. A mãe, ela vai pro mesmo hotel em que o filho está na lua de mel. E ela se hospeda naquele hotel e na noite de núpcias, ela entra de babydoll naquele quarto. Essa mulher não é pra você, não. E ele foi dormir com a mãe. Isso aconteceu. Os dois se juntaram pra matar aquela mulher.
Você entende porque tudo é uma experiência, são os espaços psicológicos difíceis de você caminhar. Ô, Rafa, muito difícil. Mas quando você analisa, não é no casamento. Não vai fazer isso em casa, não, pelo amor de Deus, tá? Não, não, que eu digo assim, vou chegar em casa e falar, vem cá, tem uma foto minha aí, não tinha foto nenhuma na casa sua, cara. Tu chega na tua casa, não tem foto sua. A tua mulher não te deseja, ela não te admira. Ela não te respeita. Você não tem projeto nenhum com ela.
Afinidade nenhuma com ela. Vai embora. Chega. Acabou. E vou perder. Teve um que falou pra mim, meu Deus do céu, se é comigo, eu me mato. Eu falei, e aí ia ficar 100% pra ela. Não queria perder, sabe? Patrimônio. Se eu fosse você, eu quero paz. Tudo que vai tirar a minha paz é caro demais. E você não pensou.
Porque o pensamento é veneno para a alma, tá? Ainda tem isso. Ah, ele não pensou. O pensamento é veneno para a alma. Volto lá no início da dona doida. O que é mais importante? Nós falamos no início aqui. Não é a sua educação, filho. É o que você sente. Eu não vou fazer isso com você. Eu não vou fazer isso com um semelhante. Eu não mereço. Gente, acho que esse colega não vai ficar chateado comigo, não. O colega saiu de casa, meteu-me um fuzil em barra do braço, falou, vou matar essa mulher hoje.
E ficou ali na campana esperando a mulher descer. Na hora dela ir trabalhar. E eu já tinha falado com ele antes. Cara, olha só. Você não merece isso. Eu como orientador. Essa dor está muito desorientada. Deixa eu orientar. Não, mas eu vou fazer. E aí ele vai. Ela não foi trabalhar. Ele volta para casa.
abatido, pensa em tudo que nós conversamos e vai descansar. Tempos depois, esse calor passou, ela ligou, se desculpou, deu tudo o que ele queria, porque ela estava com outro interesse, uma constituição de uma outra família, enfim, tudo o que ele queria ela deu para ele. E hoje eles são amigos. Passou.
Porque tudo passa. O tempo é o senhor da razão. Mas não é difícil não. Agora só, peço desculpa. Não é difícil, Rafa? Você ir para uma delegacia de polícia, principalmente homicídios, principalmente falando da entrada, que é a descoberta de paradeiros, você olhar para isso tudo. E quando você entra, aí eu vou para o meu estudo de física. Só para dizer isso para você, para não tomar mais o tempo de vocês. Na física, ele vai dizer o que para você? Richard Feynman e muitos outros.
Tira uma foto do Rafael quando era criança. Você tem aqui uma linha. Aconselho até todos, vou fazer isso a minha também. Olha para tudo isso que você construiu. Eu sou o garoto da favela da Vila Cruzeiro, com um poço no quintal, com uma lugger com a ventana atirando na geladeira, com os meus primos da penca de tios.
Eu vou para Quintino, encontro essa turma ali na esquina, eu vou para o Senai, subir aquele viaduto de Benfica e correndo dos garotos de Pedro II e os colegas com o avental, com um pedaço de ferro dentro, pingente de trem, né? Meus pais já faleceram, que a gente vinha pendurado, só tinha aquele lugar. E aí depois eu vou fazer química, depois eu vou para o exército, depois eu vou... Eu sou isso tudo, cara.
Eu tenho quatro filhos e três netos. Olha, eu falei que tenho, né? Tenho. Eu falei para você que eu fiz, né? Mas eu acredito que tenho. Eu acredito que tenho. Quatro filhos e três netos. E tudo que nós gostaríamos é que os outros fizessem com você o que você tem para fazer, o que você fez com eles. Eu quero para você o bem que eu quero para mim. Como é que estão as famílias hoje?
Zona Sul do Rio de Janeiro, um homem formado é rejeitado pelo namorado. Ele entra na casa dos pais, o namorado não está. Ele mata os pais do namorado. Você sabe o que é isso, filho? Você sabe o que é isso? Efeito lagartixa.
que você falou aí do filme, é efeito lagartixa, que acaba a culpa caindo nas costas dos outros. Você sabe o que é o efeito lagartixa? A lagartixa, isso é uma tese, tá? Muita gente não... Mas é possível de acontecer. A lagartixa faz xixi dentro da gaiola do teu passarinho, na água do teu passarinho. O teu passarinho está com sede e ele vai beber aquela água. Ele não sabe do motivo nem da intenção da lagartixa. Ele vai até lá e bebe a água.
E aí ele morre por uma infecção. A lagartixa queria matar o passarinho? Ela está lá parada, olhando ele agonizar. Não. Ela quer que ele morra, apodreça, as moscas vêm e ela pega a mosca. Não tenho nada contra você, tá? Passarinho. O ser humano faz isso. Ele dá um tiro numa pessoa para ofender a outra. Quando você acha que ele vai naquele alvo, ele vai num outro alvo.
Vi muito acontecer isso. Isso é um tipo de motivação. Motivação? Eu não tenho nada a ver com você. Eu fui aí, te dei um tiro pra atingir o outro. Vingança. Você tá entendendo? Eu quero sabe quem? Lá na DH, a mulher falou assim, eu vou fazer você sofrer.
Dentro do ônibus, a porradaria, duas mulheres... Isso também é uma coisa que eu gostaria que fosse muito estudado. A violência da mulher contra a mulher tem aumentado, pelo menos eu tenho visto isso. Eu tenho visto a mulher sair na porrada direto. Porrada direto. Então isso é o quê? Fala para mim. Se matar, é o quê? Uma mulher que mata outra mulher. Fala para mim. Aí, Rafa, eu quero assim, deixa um recado para todos os especialistas, se quiserem me chamar.
A lei não faz essa previsão, que tem que ser um homem. Por favor. O autor. A lei não faz essa previsão. Uma mulher mata uma mulher feminicídio também.
Estamos num ônibus. Não, não, não. Eu estou falando que na rua estou andando, dei um esbarrão, brigou, pisou no meu pé, olhou para o meu marido e meia, estou aporrado em você e te mato. A garota estava no ônibus, numa excursão. E a porrada estancou. Ela jurou vingança. Falou, olha só, eu vou me vingar de você. Eu vou fazer você sofrer. O que ela falou? Porra, essa mulher vai me pegar, certo? Vai me torturar. Ela vai me machucar. O que ela fez? Se protegeu.
Resolveu? Ela resolveu? Não. Por quê? Ela matou a filha da mulher. Te fiz sofrer. Eu te fiz sofrer.
Ela nunca imaginou que essa mulher fosse fazer isso. E aí? Coloca um rótulo nesse homicídio também. Aí eu entendo o que você está falando. É o vicaricídio isso aí, né? Mas o vicaricídio também é quando o homem mata um parente da mulher para atingir a mulher. Quando a mulher faz isso, já não é vicaricídio.
É, mas ela não matou, ela pagou para alguém que fosse lá matar. É, mas o objetivo era causar o sofrimento através de um parente. Eu digo assim, que rótulo você quer colocar? As pessoas querem colocar rótulo em tudo. A verdade é essa. Eu preciso saber quem você é. Tem gente aí fazendo estudos caríssimos em universidade para se descobrir a bissexualidade de um cara que morreu há 1.200 anos atrás.
Pelo amor de Deus. É, cara, assim, eu acho que o homicídio é o pior crime que um ser humano pode cometer. E ele tem que sofrer as consequências independentes de quem ele matou. Se foi um homem, se foi uma mulher, se foi um homossexual, se foi uma criança, se foi um adulto, se foi um velho. Eu acho que a pena tem que ser a mesma. Ninguém ali é... Enfim, nenhum...
É você valorizar, você dá valor diferente a vidas, né? Por causa do gênero da pessoa, da opção sexual da pessoa. Aí você valoriza mais uma vida do que a outra. Eu sei que você falando isso, você não está dizendo não investiga isso, não investiga aquilo. É força em todas as investigações. É lógico que você tem uma pessoa enclausurada, fragilizada, morando numa casa que ela achava que era um lar, não é.
Um homem que não aceita por N motivos, muitas vezes ele está valorizando não a pessoa, porque o inverso eu já vi, um casal militar, ele comprou uma casa, ele comprou a casa para a mulher dele, um filho de 16 anos dentro de casa.
e a mulher resolveu se separar, mas ela falou, da casa eu não saio. Ele falou, cara, mas a gente está pagando essa casa, começamos a pagar essa casa agora.
Não é justo. Eu vou para onde? Ela falou, não quero saber. Você vai ter que ir embora. Aí ele falou, me deixa ficar aqui um tempo. A casa tinha dois andares, tinha um quarto só para o filho, enfim. E aí, pano de fundo, ela tinha um amante, que me parece tinha um envolvimento com a milícia. E aí ele combina com ela o seguinte, chegou um domingo e ele falou o seguinte, tchau.
Ele vai ao mercado, não vai? Ela falou assim, vai. Então, quando ele for ao mercado, eu chego aqui na tua casa e trago a fruta maracujá, não lembro exatamente o que, que ele mais gosta. Por que ele ou ela já não tinha essa fruta há muito tempo em casa? O que ele quer naquele momento? Espaço Psicológico do Crime. O que ele quer?
Chegou o dia da morte, ele leva a fruta na porta da casa, naquele momento, faltando pouco para ele entrar em casa. O que ele quer com isso? Que ela não desista. Eu estou aqui, está aqui, a fruta vai lá e faz. Não deu tempo para ela pensar.
Isso examinando, ela não disse isso, ninguém disse isso. É que você vai lá e olha e vê isso. Aí ele falou assim, e outra coisa, não oferece, deixa ele pedir. Ela foi, começou a bater lá as frutas, ele chegou, sentou o computador, o que você está fazendo aí? Um suco. Não ofereça, né? Aí ele falou, de quê? Porra, fruta que ele mais gostava, morango, baracujá, sei lá o que é. Você me dá um pouco? Claro.
tacou remédio dentro. Só que ela nervosa, botou em tudo. Na hora que ela colocou, o amante, ele fala assim, bebe também, tá? Na frente dele, para ele não desconfiar. Aí ela esquece e bebe. Ele bebe, ela bebe também. Ela entra em desespero. Corre para o quarto, pega o filho, tranca o filho de 16 anos, porque ela sabe que o amante vai chegar.
com um parceiro, para levar o marido dela embora. Covardia. O cara deita, ela falou assim, deita lá no quarto do fulano. E ficou da janela esperando e viu o portão abrir. Aí o filho, quem chegou aí, mamãe? Não, não, não, ninguém. Fica deitadinho aí, não sei o que garoto estava fazendo, ela destrói o garoto. O cara entra, sai com o cara, ela vê. Ele sai com o cara nos braços e bota dentro do carro.
E mata ele. Termina de matar. Talvez aquele ali não fosse matar o remédio, só para ele adormecer. E ele levou para longe e matou a mulher. Então, vamos lá. Rótulo para isso? Como? Como classificar isso? E quer ver uma coisa interessante? O pessoal fala dessa coisa do...
Aí vão fazendo leis e mais leis, mas ele vai proteger as mulheres. Mas eu acho que o que mais, claro, mas o que mais deixa a mulher vulnerável, esse caso que você contou do cara que matou a menina com a martelada, eu lembro muito bem desse caso, que foi uma coisa horrorosa, a menina era uma menina linda, o cara também era bonitão, o cara era bonitão, atleta, não sei o quê. Família, classe média. Classe média, o cara teve um ataque ali de fúria, pegou e matou a mulher na martelada.
E eu lembro que foi nessa época que eu estava entrando na polícia. E eu cheguei a ver as fotos da perícia. Sangue para tudo que é lá da cara da mulher completamente deformada. Um crime bárbaro, brutal. A grisóide. É, meu irmão, o cara deu uma artilada na cara da mulher. Quebrou a cara da mulher toda. A cara da mulher, ela estava desfigurada. Eu lembro bem dessa cena. E aí o que eu te falo, o que deixa a mulher em estado de vulnerabilidade, é que, meu irmão, menos de dois anos depois,
Eu vejo uma pessoa com um celular filmando esse cara, falando assim, inacreditável. Olha ele aqui. Ele tava solto, meu irmão. Ele tava solto andando de bicicleta, bicho. Passou de bicicleta assim, a pessoa falou assim, olha ali. Aquele cara foi que matou uma mulher martelada. Então não tem nada que deixe uma mulher em estado de fragilidade maior do que uma injustiça de um cara fazer uma barbaridade dessa e não estar preso desde o dia que ele foi pego ali, meu irmão.
Entendendo? Porque a sensação de impunidade, de medo que isso deve causar numa mulher, fala assim, caramba, bicho. O cara, ele destruiu uma mulher. Ele tá aqui andando de bicicleta. Foi pra academia, de camiseta. Não sei se tu lembra dessa cena. Ele de camiseta, fortão, de bicicleta, andando de bicicleta. Porra, aquilo, isso aqui é uns culaches, meu irmão. Isso aqui é uns culaches. Então você me deu um presente agora.
Você está querendo dizer que essas feridas não são pessoais, elas são da sociedade. A sociedade inteira está ferida. Você está dizendo aí agora. A sociedade toda tem essas feridas. Você falou da injustiça, né? Então você fala assim, cara, eu não tenho ninguém, estou rejeitado, ninguém cuida de mim. Aí tem um foragido... Aí o pai vai lá matar o cara.
E aí a gente começa o ciclo, fala, pô, olha só, bicho, desculpa, o cara tá solto aqui, deixa eu lá, vai lá e mata o cara. E aí vamos embora. Mas aconteceu agora há pouco tempo. O que aconteceu? Uma matéria lá no exterior, lá na Austrália, reportando, mostrando que esse assassino lá da Austrália, não vou discutir o direito, não, se ele tem direito ou não. Essa é uma matéria lá no exterior, mostrando ele na praia, ele já tá solto.
Esse que pegou um avião, foi lá na Austrália e matou, e veio para o Brasil, fugiu para o Brasil, respondeu aqui, foi preso, ele está na praia. A reportagem lá, alguém deve ter mandado para eles, ele estava na praia. Hã?
Ó, uma menina aqui, e aí você deve lembrar isso, uma menina chamada Mônica, eu acho que é Mônica Granuso. Foi jogada lá do prédio. Você é de década de 80, 90, você é antigo. Logo, logo depois, eu não sei quanto tempo depois, as pessoas também fizeram uma reportagem dizendo que... Cara, tu imagina para um pai, cara.
Entendeu? Passar, a pessoa... É, acabou... Vivendo como a gente. Vivendo como a gente. Sim, sim, cara. Você que é pai, eu já vi você falar várias vezes que vai lá na escola, né? E os cuidados que você tem. Eu tô com um filho de 10 anos agora, né? Enfim. E, assim...
Posso dizer hoje que eu estou um pai muito mais atento, muito mais experimentado, enfim, sou um pai velho. Eu tenho um jargão com o meu filho, queria deixar marcado aqui com vocês, que é uma coisa que eu não sei que seja proibido daqui a pouco de fazer isso. Que eu falo assim, o nome dele é Orlando, o nome do meu pai. Que Deus o tenha. E Orlando Pedro, falando Orlando, você anotou a placa? Ele anotei.
ele me chama de Menino Gato, um desenho animado lá, Menino Gato, anotei. Eu falei, e qual foi a placa que você anotou? Aí ele falou assim, homens inteligentes resolvem problemas, os gênios os previnem. Placa anotada. É um jogo nosso ali, para ele estar sempre muito atento. Por exemplo, ele vai entrar no barco,
tá com o celularzinho dele, pra não cair na água, em qualquer lugar, tá na chuva, guarda isso aí. Aí eu digo pra você, é a prevenção, bota no bolso, não fica andando na rua. Homens inteligentes evitam o problema. Eles resolvem os problemas. Resolvem os problemas. Aí os gênios, eu falo gênios, né? Os previnem.
É a prevenção. É o que faz você ir ali na padaria, botar uma arma na cintura. Pô, Giovana, o cara não me sinto... Você sente a vontade? Ir ali em algum lugar. Não, pô, deixa a arma aí, cara, olha só. Desculpa, mas não é só sobre isso, é sobre tudo. Homens inteligentes resolvem problemas. Vai embora e vai cuidar da tua vida, tá? Os gênios os previnem.
Se você perder esse celular, for furtado, for roubado, eu vou comprar outro, resolvi o problema. Os genes, os prevenem, bota no bolso, não aconteceu nada, prevenção. É sempre o melhor remédio. Isso com tudo. Foi um dos melhores cursos que eu já fiz na vida. Análise de cenário. Eu tive a oportunidade de fazer graças ao investimento que a polícia fez em mim.
Só temos que agradecer realmente a uma polícia que investe. Só que tem figuras... Mas é perturbador. Sim. Quando você começa a enxergar dessa forma, é perturbador. Você acaba se tornando chato para demais pessoas. Sim, meticuloso, chato. É uma coisa assim, é para levar para a vida. A polícia vai te ensinar o tempo inteiro, mas tem duas figuras aí que eu gostaria de deixar. Eu não sei quanto tempo mais a gente tem, que eu tenho só mais 45 casos para expor para...
Rafa, mas é o seguinte, tem gente que vem aqui para ser visto. E tem gente que vem para servir. E tem gente que vem para ser lembrado. Aí vai depender muito de um esforço conjunto, né? Mas, assim, eu prefiro servir a ser visto.
E aquilo que nós falamos em sala de aula, porque não é aquilo que você sabe que você não sabe, mas aquilo que você não sabe que você não sabe que vai te trazer um problema. Porque o que você diz a meu respeito é da sua inteira responsabilidade, porque isso não me modifica. Mas o que você diz a meu respeito...
muda, pode mudar o que eu penso a seu respeito. Nós estamos muito andando debaixo dos holofotes alheios, como se eles estivessem voltados para a gente. E as pessoas geralmente não estão nem aí para você, nem te viram. Você vira um inclusivista.
Tudo que você vê na rua, você acha que é para você. Pô, não é para você. Não tem nada a ver contigo. Você vira um inclusivista. E aí você perde energia e tempo para viver a sua própria vida. Nós estamos com a sociedade assim. E nós podemos mexer devagarinho. A gente vai mudando esse cenário. Agora, é um cenário que implica muito trabalho, muito estudo e muita entrega.
vou deixar aqui independente independente, tá? de... vou trazer um nome só eu tive um delegado titular chamado Rivaldo Barbosa e ele dizia o seguinte Gilvan, o teu trabalho é um trabalho de paciência e deixo aqui uma declaração deixou que eu fizesse incentivou
Deixou que eu montasse o serviço de estudos comportamentais. Trabalha, filma, grava. O que eu quero é lisura. E deixou um recado.
para todos que estavam presentes quando ele disse isso. Não sejam medíocres. E assim nós trabalhamos, com muita liberdade, falando de todos os titulares que lá passaram, e eu só permaneci lá por isso, que permitiram, agradeço a todos, de A a Z, que permitiram com que eu ficasse na DH, agradeço muito, muito esse tempo.
esses 23 anos dedicados à DH, e continuo trabalhando, continuo ajudando, sempre que precisado aos autos da justiça, isso nos ajudou muito. Porque é importante que você faça isso, um procedimento administrativo importante, que é você gravar essa entrevista, principalmente das confissões, e que elas...
estejam dentro do inquérito policial para ser visto por todos, para sempre. Então é isso. Agradeço mais uma vez a vocês e quando é que a gente volta? Não, espera aí, calma aí. Quero continuar analisando casos de homicídios que se tornaram conhecidos. Você estava falando do lado de São Paulo. Do lado do caso de São Paulo.
Mas também teve o caso Vitória, que também foi lá em São Paulo. A garota do patins, não é isso? Que estava patinando na rua, andando de patins, não é isso? Ou não? Então vai, fala, não sei, vai. Mas esse caso do policial, você não fez a análise. A análise do comportamental dele, quando os policiais questionaram ele, o fato dele querer voltar para o banho, não sei o quê.
o gestual, a forma como ele se comportou na audiência a forma de dizer, não, eu estava de boa não fazia questão de nada, eu já estava dormindo no quarto do então quando você, é assim você, primeiro que tudo para você fazer estudo
o importante seria eu ter conversado com ele. Esse cliente tinha que estar sobre esse estudo direto. Eu não posso falar primeiro de uma pessoa que eu não conheço. Estou falando, grosso modo, daquilo que observei ali na cena. A tentativa de convencer, naquele momento ali, algo que...
Na cabeça dele, aquilo tudo ia ser resolvido ali, porque é o que o cara faz, pensa ali na hora. Pô, cometi o crime, isso aqui já bastou. Só que às vezes ele não conta com a força de conhecimento daquele policial.
acho que era um soldado, um cabo, não sei, que falou assim, mas ele vai tomar banho? E fala para o oficial, poxa, mas ele não pode tomar banho, mas ele vai, ele vai. Ali, naquele momento, ele é o coronel, ele não é o esposo da pessoa que está ali.
na cena de crime que está sendo investigado. E aí ele se posiciona, no momento que está tudo tranquilo, ele é o esposo, dedicado, cuidadoso, e no momento seguinte que ele... Eu vou tomar banho sim, irmão. Eu estou indo lá sim, eu vou tomar banho sim, vou trocar de roupa sim. Mas tem um grande problema nisso tudo. O analisador, paciente, ele espera. Em algum momento você vai dar uma escorregada.
O que eu pude ouvir falando, ele vai caindo em contradição. Primeiro que tudo, ele fala assim, poxa, eu estava de bermuda, não, mas era de cueca, não, eu troquei a cueca, eu estava tomando banho, estava molhado, não, e ele vai caindo. Aí tem um momento que o delegado faz uma pergunta para ele lá, ele fala assim, poxa...
Mais uma gafia, mais alguma coisa que está errada. Não sei, não vou lembrar, confiando na memória. Ele mesmo diz, realmente, errei de novo. Porque você não consegue.
manter isso. Porque a verdade você conta várias vezes. A mentira você não consegue contar uma segunda ou terceira vez. Ó, então, do coronel eu não consigo falar porque não o ouvi para tentar entender minimamente a motivação e a intenção dele. No pós-crime você consegue ver. O cara, ao invés de ligar direto, tentar socorrer o que seja...
Eu pego uma cena em que, por exemplo, tinha uma mulher pendurada no chuveiro e o cano era de plástico. E a pessoa, ao invés de chegar lá e arrancar, quebrar, ele foi desatar o nó. Para depois, entendeu? Secar o corpo, tomar banho, ligar para a polícia. Que tempo que você estava esperando? É para pensar que você estava esperando.
O outro jogou a mulher no chão, a mulher bateu com a cabeça, porque estava trocando o chuveiro, falou, seu filho da puta, deixa que eu faço. Aí ele diz, eu fui na rua vender cebola.
Pô, mas nessa hora? Não, mas já estava combinado. Eu vou perguntar ao moço lá se você tinha combinado. Aí o cara falou, não, realmente ele vem sempre aqui nesse horário. Tá legal, tranquilo, com o filho no colo. E ela ficou lá. Quando voltou, ele todo sujo de sangue, porque ele abraça a pessoa para dizer que tentou socorrer e tudo. Ele senta e ele olha ao redor, você percebe. Ele fala, ninguém me ajudou, ninguém me ajudou. Nós chegamos na cena e ele, ninguém me ajudou, ninguém ajudou.
O delegado Felipe Cirne, que estava fazendo esse local, esse eu fui em loco, fui lá, ele falou, esse cara está querendo dizer o quê, João? Eu falei, que ninguém ajudou. É, isso nós estamos ouvindo. Eu falei, o que eu escuto é que ninguém ajudou, porque devia estar se separando e ninguém ajudou. Isso não era para ter acontecido.
É que ele pediu socorro porque ela queria ir embora, uma mulher muito mais jovem que ele, e ele era um provedor daquela família, de toda a família dela e dele, um cara super trabalhador, e ninguém me ajudou. Então ele coloca a culpa nos outros, porque essa morte só aconteceu porque ela quis.
Ela não fez o que eu pedi e ninguém me ajudou. E aí, ele, diante disso, você sabe que você vai ter várias perdas sociais. Isso aí é muito superior ao ganho de você ter a sua liberdade, virar a página e seguir em frente. Isso aí não importa. Na hora, eu tenho que destruir o objeto que está me afrontando. É isso que ele pensa.
E aquilo que você falou, o cara com essa força toda, com todo esse conhecimento, fez uma bobagem dessa? Fez, porque é o homem e as circunstâncias. Não vai você querer entender isso. A menina que está no posto de gasolina, trabalhando, é rejeitada, chega em casa com uma garrafa de gasolina, a menina está deitada, a menina tem uma filha pequena, ela joga a gasolina em cima.
taca fogo. Arrependida? Não é arrependida. Ela, quando chega na clínica e vê que a garota ainda está com vida e que ela vai entregar a autoria, ela não está arrependida. Aquele choro é um choro extorsivo porque o crime não deu certo. Ela está satisfeita. O outro matou um rapaz por causa de um copo de açaí.
que um cara, isso na Avenida Brasil, ele está comendo o açaí, a criança falou assim, você me dá um pouco? Ele, não. Você tem dois reais? Ele, não. O pai falou, é assim que se fala com a criança? Eu só estou dizendo que eu não vou dar, porque tem pouco e por quê? O cara meteu de porrada nele. Ele sai correndo, ali pela Avenida Brasil, e encontra dois rapazes que não têm nada a ver com essa história. Ele falou, como é que é isso?
Um passou a mão num facão, correu lá. É esse? É. Quase decepou os braços do cara. Para ajudar o amigo? Olha quanto distante. Só para ajudar o amigo? Matou o pai da menina. Por causa de um copo de sair. A garota estava com fome? Não sei. Ela queria um copo de sair. Eu vou sentar para conversar com ele. Demoradamente. Porque não é instantâneo.
não é pegar um macarrão e jogar lá na água. Eu vou conversar com ele. E eu faço uma pergunta dura que você faz, que dói mesmo, eu sei que dói, é complicado, mas não precisa me responder. E aí eu pergunto, você tem alguma lembrança antiga da sua vida? Porque eu estou tentando entender, e, cara, nem eu sei por que eu fiz isso.
Mas alguma coisa que te remeta a uma lembrança muito antiga? Ele falou, poxa, eu lembrei agora. Mas você quer dizer, você quer falar sobre isso? Quero. Nós entramos no mercado, eu e minha mãe, eu era muito pequeno. E lá em casa não tinha nada, eram muitos irmãos. E meu pai era esse pai que ia comprar cigarro e não voltava.
Pô, quando nós entramos no mercado, eu e minha mãe, carrinho vazio, sem dinheiro, quase dinheiro nenhum, meu pai passou com a amante empurrando um carrinho cheio de compra. Cara, que dor no coração. Olhei para a minha mãe, a minha mãe na hora largou o carrinho, nós fomos embora e ele ficou. Por que eu estou falando isso para você se eu não contei isso nem para minha irmã? Que irmã é essa? Que importância é essa?
O cara que está empurrando o carrinho, comida, dentro do mercado, aí você fala, não lembro o nome do filme, Match Point, vou guardar isso. Ele decepou o braço de quem, cara? Naquela briga por conta da comida, quem deu, quem não deu, quem está com fome, que injustiça é essa que você está reparando agora?
Leitura rasa, porque não foi isso que ele disse. Eu não sei por que eu estou te contando isso. Ele vê a cena de novo. Aqueles braços empurrando o carrinho que uma criança não pôde afrontar, não pôde bater, não pôde matar. Isso vai acontecer de forma remota. Isso é como aquelas bombas por simpatia que esperam explodir uma e a outra vai junto. Ele, quando entra naquela fúria...
hipótese de uma lembrança antiga, de uma dor muito profunda, alívio. Ele conseguiu fazer o que ele não pôde. Entende como é que é difícil? Eu olho o meu pai e não posso fazer nada. Nesse momento, esse cara apanhou, injustiçado, copo de açaí, junto isso tudo, vou até lá e resolvi o problema que eu não consegui resolver. Hoje eu resolvi. João.
Entende a dificuldade? Agora sim, deram a oportunidade e a DH tem esse espaço que poderia arrancar aquele nome lá, Delegacia de Homicídios, botar Casa de Ciência e você ir para lá. Porque é um trabalho sensacional. Entendeu? É um trabalho sensacional. Fala. O caso Vitória, foi uma menina de 17 anos, Vitória Souza, que ela saiu do trabalho. Ah, tá. Isso. É outra. Isso. Esse caso você acompanhou? Não. Conta.
Ela sai do trabalho e algum tempo depois ela apareceu morta. E a investigação envolve dois homens. Um seria namorado do outro, um ex-namorado do outro. Seria uma... Dois homens. Dois homens que tinham uma relação afetiva, supostamente tinham uma relação afetiva, e um deles matou a Vitória por ciúmes. Por ciúmes. Uma das versões, uma das vertentes seria essa. Mas esse caso você não acompanhou? Não, não acompanhei, mas isso já aconteceu aqui várias vezes.
ciúme. É porque o desfecho e as pessoas não imaginavam. Como assim? Não, mas eu preciso, porque, olha só, essa pessoa que ameaça, ameaça essa sua propriedade, que ela invade o teu território, e que coloca tudo a perder. Porque, se tudo a perder, ele coloca na relação.
Esse tudo a perder, a pessoa, ela identifica esse amor como sendo um amor necessário só para aquela relação. O amor não é o amor para você, eu não te amo. Eu não te amo. Eu amo. E eu amo tudo que eu toco. Tudo que eu vejo, eu amo. Você pode pegar esse amor, que é esse holofote.
gigantes que eu jogo em você, e você vai levar ele para um outro objeto. É como eu aprendi isso na faculdade, como investimento. Você tem um investimento emocional em um determinado banco, aquele banco, cara, quebrou, aquele banco faliu. Você pega todo o investimento que você conseguiu salvar, muito machucado, e leva aquele amor machucado para um outro...
banco para uma outra pessoa e você vai ali investir novamente porque é o teu jeito de amar. Ali é o seu jeito de amar. O teu amor não é pelo outro. E ele só vê aquele objeto no único lugar onde ele pode depositar o amor. Ele não vê uma outra saída. A menina estava grávida, outro caso, a menina estava grávida, muitas grávidas são mortas. Olha, você não tem ideia.
ideia de mulheres que são mortas pelos seus parceiros, porque aquela barriga ou ela é indesejada ou existe uma dúvida de, vou falar que é autoria, de autoria daquela concepção. O cara perguntou para a menina assim, vem cá, esse filho é meu? Ela falou assim, desculpa, eu sou uma mulher livre, você não deveria estar me fazendo essa pergunta, você não é meu marido. Quem é você para fazer essa pergunta?
Ele fez no primeiro mês, fez no segundo mês, terceiro mês. Ela não diz nada. Está vendo a ameaça? O que está acontecendo? O que vai acontecer daqui a pouco, com nove meses? Essa criança vai nascer. Então, ali, e a maioria, ele chega no sétimo, oitavo mês, ele vai lá e ataca aquela mulher, porque se não é meu, não é de mais ninguém. E se eu não desejo essa criança, essa criança vai morrer.
ele ataca a mulher que está carregando um fruto indesejável. Então, nesse caso específico, a mulher não disse de quem era o filho. O que ele fez? Escolheu a flor que ela mais gostava, que era uma flor rosa, lembra da fruta? Ele vai lá e pega a flor e vai até a casa da menina. A irmã atende. Ela falou assim, ó, está aí na porta. Mas fica tranquila, porque ele está trazendo flores.
Ela falou, vou lá ver qual é. Aí abriu a porta. Ele entrega as flores para ela. Essa menina, inclusive, grávida, filha de um colega nosso. Um luto terrível na família inteira. Ele saca de uma arma longa, não lembro qual era, é um agente também, tá? E dá dois tiros nela e mata. Ela acreditou...
naquele buquê de flores na porta da casa dela. Por que você fez isso? Pergunta para ele. Eu não sei. Eu acho que ele ainda está toforagido. Pergunta para ele. Eu não sei. Por que você fez isso? Que satisfação é essa? Que desejo é esse? Crime, vontade, oportunidade e o alvo. O que você não pode dar é a oportunidade.
Você está ao alcance dele, mas você não acredita, porque a lente que você está usando não é uma lente própria para enxergar como ele te enxerga. A lente dele é diferente da sua. Eu pergunto para você, por exemplo, você tem um amigo muito pessoal aí, cara, que eu olho para esse cara e acho que ele não é um cara confiável. Você olha para mim?
E fala assim, ei, eu não tenho essa lente que você está usando, não. Eu tenho que tomar cuidado e é com você. Porque eu nunca vi isso. Para mim ele não é uma ameaça, porque eu estou olhando com a minha lente. Aí você fala assim, você só faz, só acha que o outro faz aquilo que você é capaz de fazer. Porque eu nunca imaginei que ele pudesse fazer isso. Porque isso está na tua cabeça. É com você que eu tenho que tomar cuidado.
Geralmente você que não pensava nada a respeito daquela relação, aí você vai. Um rapaz da Conlurbe, afrontado pelos colegas, dizendo que a mulher estava traindo ele, gritona e tudo mais, e ela fez o quê? Ele falou assim, você não vai entrar para esse trabalho porque ali, cara, é um lugar que realmente, assim, eu não respeito as mulheres que trabalham ali. Ela falou, pois eu vou fazer, estou querendo mudar de vida, e ela vai.
E aí ela o afronta, peita. E até maior do que ele. Grandona, bonitona, família. E ele vem de uma outra relação. Entendeu? O cara lá do mercado, que cortou o braço do outro, ele vem de uma outra relação onde ele tomou uma coça da mulher dele na rua. Ele chegou em casa e falou assim para a mãe dele. Nunca mais nenhuma mulher vai fazer isso comigo. A outra mulher não bateu nele. Ele não está falando...
Ele não está falando da surra, ele está falando de algo muito profundo que ele identificou naquela surra que ele tomou. Ele era um João Ninguém. E a menina do novo casamento gostou dele. Os dois estão em outros trabalhos. Ainda não entraram para... Eu falei aqui com o Lourdes, mas lá do México. Aí os dois entram para esse trabalho.
E aí os colegas começaram a zoar ele. Pô, meu irmão, essa mulher aí, bonitona, você não tem talher para isso? Ele chega em casa, movido por essa provocação.
com um segundo ingrediente. Ela já não queria mais a relação, ela não estava gostando mais, por conta do ciúme, né? Enfim, ela está assistindo televisão, ela tinha um filho que não era dele. E lá na televisão, ela assiste o pai do garoto na televisão. Virou lá um popstar, né? E ela chamou o filho, e aí, teu pai lá? Ele falou, teu pai não, pai sou eu. Eu que cuido dessa criança desde cedo, o que é isso?
destituindo, tirou ele dessa posição. Aí vem, afrontou, rejeitou, não quero mais você, não entende você como o pai dessa criança, porque não vai ser mesmo, ele vai embora, ele vai continuar sendo o pai, é o que você falou, dessa menina, do mesmo nome.
Ele chega em casa, pega o machado que ele pegou emprestado com o vizinho, bate com a cutela do machado na face da menina, ele destrói a face da menina, corta ela em pedaços, bota no carrinho de mão e joga o corpo fora. E nós não sabemos de nada disso.
Ele vai embora. Ele pega a roupa dele de trabalho, vai para uma comunidade, joga lá para dizer que as pessoas, pensando que ele tivesse sumido com a mulher, porque ninguém sabia de nada, pensem que foi vingança. Ele já morreu. Jogou a roupa, a mochila, jogou tudo lá num canto lá e nós não acreditamos nisso. Os colegas foram no local de trabalho dele quando abriram o armário.
Estavam todas as coisas da mulher dele lá. Dele não tinha nada. No armário dele, todas as coisas da mulher dele. E aí nós saímos daqui, eu e mais dois colegas, nós fomos quase na fronteira da Bahia, atrás dele. E nós não sabíamos, já estávamos procurando a mulher um tempão aqui no Rio, não conseguíamos encontrar. E aí, quando eu cheguei lá...
Vambora, já estou curtando. Dormimos na cidade, nos juntamos a uns colegas na cidade onde disseram que ele estava, na casa dos tios. Um trabalho terrível para chegar nele. Quando nós chegamos lá, eu sabia o que tinha acontecido? Eu vou chegar e dizer para ele o que eu estava fazendo lá? Pergunta. Você sabe quem eu sou? Não, senhor. Eu sou um policial do Rio.
E você sabe o que eu vim fazer aqui. Eu sei, sim, senhor. Então, você vai me dizer o que eu vim fazer aqui. Geralmente, o cara fala assim, onde é que está a sua mulher? Eu deitei, não encontraram. Eu não vou falar. Eu não disse isso. Ele estava no local isolado, sem informação, se tínhamos encontrado ou não tínhamos encontrado a mulher dele. Os cachorros que nós levamos ao local onde disseram que o corpo estava, não encontraram a garota.
Ele vai confessar agora. Ele disse, por causa daquela besteira que fez lá no Rio, que você fez uma besteira, eu sei. Eu sabia? Não sabia. Sabia. Eu sei o que você fez. Eu achava que ele tinha feito realmente o que nós imaginamos, da descoberta de paradido. Matou e sumiu com cor. E aí ele diz, eu matei minha mulher. Tá. Mas, aí ele fica te testando, né?
E joguei lá na estrada. Falei, lá você não jogou porque nós já fomos lá. Joguei, senhor. Eu vou lá e mostro.
Aí, naquela noite, naquele dia, nós não conseguimos voltar, porque eram 700, 800 quilômetros de distância, alguma coisa assim. Aí chegamos no Rio, ele foi exatamente no lugar onde nós estávamos. Estavam lá, novamente, os cachorros, estavam lá todos os policiais, da polícia militar, polícia civil, no local. Ele foi até o local onde ela estava e mostrou. Ele botou num saco hermético, não exalou nada, jogou no charco.
Aquilo misturando cheiros, né? Que você sabe que, pelo menos eu aprendi isso, tá? Qual o animal com cheiro muito mais parecido com o do homem? Que você encontra no... Que o cachorro, ele pode se confundir. É um corpo humano ou um... Dê a dica. Corpo ou... Parecido. Troca? Aí as vogais. Porco. Ou um corpo ou um porco.
parece... Não, assim, a válvula do coração era do porco. Assim, tem uns transplantes que você faz com a válvula do coração do porco. Os testes nossos que nós fazemos é no porco, né? Não sei se você já participou de um treinamento, enfim, é o tiro no porco pra que você veja qual o estrago que ele faz. Já viu isso, não? Não. Barista, que é tipo test barista. É, mas... E aí...
O porco morto, tá, gente? Pra não começar a criar problema. É, o porco é isso. Não, pelo amor de Deus. O porco vivo mata o porco. Não, não, não. A casa é o porco. Não, pelo amor de Deus. Não sei se vocês sabem que tudo isso que a gente come na cidade são cadáveres de animais que são abatidos. Não sei se as pessoas sabem disso. Tanto o boi quanto o porco. Estão mortos, não estão? A galinha, o frango. Como carne de bicho morto?
Então, é, não, ele morre para depois comer. Infelizmente, é isso, não tem nada de engraçado nisso. Como eu sou vegetariano, não sou, né? Deveria. Aí o Jô Soares falava assim, poxa, mas a alface está ali quietinha, você vai lá e ataca a alface do mesmo jeito. Arranca, planta. Pô, cara, o ser humano está, não sei, mas é por aí mesmo. Então, o que acontece? Nós extraímos a menina dali, né?
E aquele foi um trabalho muito grave, muito sério para a gente, como todos, mas devido àquele estado de decomposição, nós tivemos uma ideia que depois acabou, que a família talvez não tenha entendido, aceitou, mas depois pela demora, enfim, que nós levamos para a antropologia e fizemos um trabalho muito sério de uma reconstruição facial, enfim.
Mas, enfim, infelizmente, essa tragédia, esse luto, eu gostaria de deixar um pedido de desculpa aqui para os meus filhos adultos, 44, 43, 35, porque você acaba se afastando demais da sua família por esse exercício que é quase que uma internação dentro de...
Não é só o Givã, como é na DAS, como é no ADRE, isso não é um privilégio, não é uma característica de quem trabalha com homicídio, não. Então, pedido de desculpa, porque muitas vezes, vamos a uma festa? Vamos, não vou. Por quê? Famílias em luto aqui. Trocar a festa por ficar com essas pessoas. E aí você aprende com isso.
com o luto das pessoas. Você aprende a entender aquele luto, as perdas, como você falou. Por que ele fez isso? A melhor forma de você compreender, aí falando do rapaz lá do Alto da Boa Vista, o comportamento desse homem que leva uma menina em defesa para o Alto da Boa Vista, mata e dispensa esse corpo.
E é interessante porque eu coloquei isso no e-book, né? E eu coloquei isso...
Lá no alto, continua a mesma história, porque lá um cemitério clandestino, aberto, você já foi caçar, né? Caçar. Fui lá, como as pessoas chamam de colecionador de ossos, fomos procurar o corpo de uma menina lá, que supostamente o marido teria matado, e você vê ali assim que, cara, é um cemitério a céu aberto.
Quantas e quantas vezes nós fomos lá pegar esses corpos. Então, falando da pessoa que fez aquilo lá, tem uma forma muito, não é mágica, não é magia, como dizia a fonaudióloga Glorinha, o sobrenome, não lembro muito, é Bill Miller.
que é uma fonoaudióloga, que as pessoas achavam que ela fazia mágica, que ela fazia bruxaria quando ela curava as pessoas. E um dia um ator renomado, ele disse, não, não era bruxaria, era ciência.
E o que nós fazemos é ciência, não é bruxaria, não é magia. Nosso trabalho de investigação é ciência. E a forma de você entender um comportamento presente é você indo no passado dessa pessoa, porque só o passado pode explicar esse comportamento.
atual. Todas essas dores, como citei o caso desse rapaz que foi agredido pela ex-mulher, desse rapaz que viu a mãe andando no mercado e viu o pai com a amante com o carrinho cheio, e ele leva essa mochila emocional, todas essas dores, vida fora. E quando você está na vida adulta?
Você não conta isso pra ninguém. Você não revela isso. Você não chega lá e diz, ó, a minha mulher me bateu e já falei, ó, se fizer isso de novo, eu vou te matar. Ele não diz que vai matar, né? Ele falou pra mãe, esse rapaz falou pra mãe.
Não vai ser mais assim. Mas não é tirar a vida de uma pessoa, não é agredir. E aí eu volto a levantar essa bola. Eu tenho olhado para a violência de uma forma... Eu mais preocupado, porque estou vendo...
crianças na porta da escola, meninos, meninas, segredindo, e as pessoas filmando, hoje com o celular, e vibrando, achando isso bonito.
É isso? Então vamos buscar rótulo para isso também. Aí eu concordo com você. Se tem rótulo para isso, tem que ter rótulo para aquilo, porque pau que bate em Chico, bate em Francisco. Então, preocupe-se com tudo. O que eu estou vendo aí, eu já carreguei muito corpo de colega. Ninguém.
Eu desafio qualquer um, lá de 1961, de qualquer um dos meus pares, a não ser que tenha acontecido uma catástrofe, enfim, mas alguém que eu, como policial, que tenha perdido mais colegas de trabalho do que eu perdi. Eu desafio. Muito, eu não sei. Você parou para contar? Desde quando você entrou para a polícia? Cara.
de carregar dentro do carro o cara que foi meu professor, um dos meus primeiros professores na polícia, foi o Edinho, Edno Hipólito Batista. Foi baleado.
trabalhando, morreu, tomou um tiro trabalhando, enfim, vou usar às vezes termos que não são termos tão científicos. E um delegado que trabalhava com a gente, um, dois meus primeiros delegados, delegados importantes como Pedro Mendes de Queiroz, como o delegado Paulo Souto, que está aí com a gente até hoje, graças a Deus, que emprestou.
Porque famílias de policiais, né? Filha trabalhando com a gente e fazendo história na polícia, enfim. Tem muitas famílias de policiais, mas o Edno, Edno Hipólito Batista, Edinho, foi meu professor. E o doutor Paulo Souto falou, Giovanna, você vai lá no Getúlio, faz esse favor. Pediu, né? Dá pra você, porque tem gente que não aguenta, né? E entra lá no carro com o Edinho.
Edinho morto, né? Vamos trazer ele para o centro da cidade, você acompanha? Me pediu. Ele sensibilizado, o filho do Edinho, teve notícia da morte do pai naquele tempo, por rádio, né? Um colega de trabalho falou, ah, o Edinho, poxa, um nome muito parecido com o seu, você é Edinho e Paulo, né? Ele falou, é o nome, pô, meu pai, assim, ele soube. Foi, cara, não tinha condições, as pessoas se jogando no chão.
Eu vi famílias com a notícia que entram lá no ML procurando seus filhos, rolando no chão da Invalidos, da Rua dos Invalidos ali, num sol de 40 graus, rolando no chão, cara. Pessoas que não se falavam da mesma família, marido, mulher, separado, ex, cônjuge.
quando receberam a notícia da morte do seu filho. Então, assim, não tem como não se importar. Eu peço novamente desculpa se eu não estive nas festas, se eu não estive em várias, porque eu estava ocupado com famílias enlutadas. Então, eu pago qualquer preço, porque ninguém perdeu o que nós perdemos.
Duvido, duvido, alguns podem ter feito isso, mas de você vir o carro balançando nas ruas um pouco esburacadas e você com a cabeça do colega batendo no seu corpo. E você segurar e ficar conversando com o cadáver do seu amigo.
do helicóptero baixar na lagoa e eu entrar dentro. Era um estranho para mim, porque eu não o conhecia. E ver aquele policial indo embora, dentro da ambulância. E você fala, cara, eu não posso fazer nada. Nós, na nossa impotência. E qual é o rótulo? Ninguém bota rótulo nisso. Então, se é para ter rótulo, vamos colocar rótulo em tudo.
uma criança que entra na escola e mata os coleguinhas. Como aconteceu esse desastre, essa tragédia do menino que entrou lá na escola em Bangu. Eu entrei num episódio muito, desculpa aqui, muito foda. Eu fui para lá com duas policiais novas.
Talvez elas lembrem disso. Não sei se Luciana estava, mas era Gisele e Alessandra Valle. Nós entramos na escola. Posso ter trocado os nomes. E dali nós saímos, voltamos para a barra e fomos... Depois a Luciana entrou, acho que nesse quadro aí, ou já estava com a gente.
que a gente chamava carinhosamente de Luciana Ninja, mulher do Marconi, esposa do Marconi. E aí nós voltamos para a Barra, depois daquela tragédia. Não lembra a quantidade de crianças, adolescentes mortas naquela escola? Você lembra? Quantas crianças, o que entrou na escola de Realengo? Realengo foi uma tragédia. Foi o Márcio Alves, o policial militar, que conseguiu. Ele teve que ficar com a gente.
Teve aqui? Então, dali, Rafa, nós voltamos para a delegacia. E aí eu queria abrir os olhos de todos. Estava falando aqui dos delegados que eu peguei logo no início, tive o prazer, doutor José Carlos Ribeiro Franco, que era o nosso primeiro titular, e muitos outros. Eu não vou ficar falando aqui, eu vi doutor Gilberto Ribeiro chegando na polícia. Poxa, é uma família, é a nossa família. Quando você fala a família policial, é uma família.
É uma família? Como não? Essas pessoas nos abraçam, eles estão com a gente. Eles sabem, eles sabem, vocês sabem o que acontece com a gente no dia a dia. Mais ninguém. Mais ninguém. Eu não tenho filhos policiais. Não tenho filhos policiais. Por que escolha eu não sei, mas eu conheço famílias, está lá.
a Bárbara, filha do Mário, que o irmão é polícia, que todo mundo... E vão ali nos desdobramentos, né? Como eu falei, do Guimarães, tem o Edu Guimarães, tem a Márcia, tem fim. Famílias de policiais, como tem a Patrícia, que tem o Marcelo Emílio, filho do nosso saudoso Marcelo Emílio, tantos outros. Família Petra. Cara, são 37 anos. Eu não troco isso por nada.
Eu não troco isso por nada, absolutamente nada. Eu deixo esse recado aqui. Eu chego na Barra da Tijuca e falaram, cara, tu vai ter que ir lá para a base. Estava almoçando, nós estávamos almoçando, porque uma mulher, ela afogou o filho, o bebê. Teve um filho, acho que de oito meses, não sei, jogou dentro de um balde, ela está na delegacia. E eu cheguei, cara.
Ela tinha sido passada pelo hospital, ela estava com... Não lembro, estou confundindo isso. E teve uma pessoa que falou assim, você consegue... Sensível, né? Disse ela, sensível. Apedido que o doutor, carinhosamente, o doutor Roberto Cardoso colocou em mim, o nosso titular. Ele falou assim, chama o sensível.
eu ainda não era nem formado em psicologia, me ajudaram demais, porque foi um momento difícil de formação, enfim, que foi o cara que apontou lá para a Cadepol, né, e eu falei, poxa, eu quero muito dar aula na Cadepol, isso 2008, 2009, já tinha passado várias vezes pela Cadepol, mas não tinha abraçado, principalmente a psicologia, psicologia criminal. E ele apontou na direção, me pegou pelo braço, foi lá, e pô, a importância do trabalho que eu tenho visto aqui, enfim.
Dr. Roberto Cardoso, muito obrigado. Dr. Fabio Cardoso, muito obrigado. Todos os meus titulares, esquecendo ninguém. Mas um colega, posso chamar assim, falou assim, João, sensível, leva essa filha da puta lá no hospital, vamos prender. Mas não entendi, o que foi? Explica.
Não, olha só, ela matou o filho, botou dentro de um balde, chegou no trabalho e falou para os colegas de trabalho que ela tinha matado a criança, teve um filho, deixou dentro do balde, ela embaixo do chuveiro tomando banho, o filho cai dentro do balde e ela botou para secar.
a criança no varal, e chegou lá no trabalho e contou isso para os amigos. Eu falei, poxa, desculpa, por favor, olha só, essa pessoa está bem? Eu pergunto para vocês, essa pessoa está bem? Teve um filho dentro de um balde, coloca para secar e vai para o trabalho e conta para os amigos o que aconteceu? A situação, ela...
ela incomoda e causa náuseas. Mas a ciência explica o estado porperal, alguma coisa nesse sentido, né? Sim, mas a dinâmica. Botar no varal para secar. Só isso. E vai para o trabalho. Quero saber o que ela te disse. Não, vamos lá. Porque ela fez isso. Botou para secar. Levamos ela para o hospital, tá?
Ela conta isso para os colegas de trabalho, os colegas de trabalho ligam para a polícia militar, a polícia militar vai lá, constata e leva ela para a delegacia e eu vou para o hospital. O marido dela vai chegar, ela estava com um cheiro muito forte e tinha que ser hospitalizada. E lá um policial ficou fazendo a custódia e ela foi presa realmente e tal. E o marido chegou, quando o marido chegou...
vagamente, eu lembro ali das meninas, Luciana, Alessandra, não sei quem é que estava ali, e o marido chegou, o marido chegou aí, eu fui conversar com ele, e o que acontece? Eu perguntei para ele, cara, você veio aqui, sua mulher nesse estado, eu falei, cara, eu amo essa mulher, já é a segunda vez que ela faz isso. Ele vai até a cama,
E ficou aguardando ao lado, eu fui falar com ela, o seu marido está aí, ela falou, estou com muita vergonha. Muita vergonha. Não sei o que ele vai fazer, o que ele vai dizer. Eu fiquei ali ao lado, ele abraçou, beijou, enfim, tal. E vida que segue. Bom, tempos depois, eu recebo um telefonema, eu deixo sempre meu celular ali aberto para a família, era ela, estava no táxi, voltando para casa, agradecendo pelos cuidados.
Quando nós estamos voltando para casa, eu agradeço. Aquele cuidado daquele momento, aquele acolhimento. Ponto. Eu não sou a palmatória do mundo. Eu não estou aqui para te julgar. Eu estou aqui para entender o fenômeno. E a pergunta que você fez, mas como, cara? É muito complexo e subjetivo demais para você cravar um diagnóstico. Você só sabe que essa pessoa não está bem.
E aí você vai olhar o passado dessa pessoa para entender o comportamento atual. Essa semana, na homicídio, chegou um rapaz lá, assim, completamente desorientado. Eu estava lá, fazendo uma visita, quando esse rapaz chegou, jogou a identidade em cima do balcão e falou, estão dizendo que eu matei três pessoas, eu vim aqui para ver se realmente... Você vê que a pessoa está em surto.
Eu falei, senta aqui um pouquinho, os colegas já me conhecem. E aí eu coloquei a mão na cabeça dele, que ele falou que tinha tirado um tumor e tinha uma cicatriz muito grande. Aí, quando ele saiu, porque os colegas chamaram a SAMU e tal, aí o colega Renato falou assim, que já acompanhou o meu trabalho, ele só queria aquele carinho, né? Não sei.
quem tem que dizer isso é ele, né? Você botou a mão na cabeça dele, várias vezes eu cheguei assim, perto, né? E ele falou, pode botar a mão, pode botar a mão, e colocou a minha mão, eu fui, eu estou vendo. Tiraram aqui um tumor da minha cabeça, aí falou de remédio que ele tomava, e o Renato, pela sensibilidade, por já ter entendido o trabalho, ele compreendeu aquela cena melhor do que eu. O colega,
que eu pedi para tomar o Valdir, Valdir, pega um café lá para o fulano, ele falou, cara, me deu uma raiva quando tu pediu para pegar o café do preso, com todo o carinho, Valdir. Ele falou assim, porra, não entendi aquilo, cara. Aí fui pegar o café puto. Quando eu volto, porra, o cara chorando abraçado contigo, aí que eu entendi. Já tinha entendido, mas aquele momento, aquele momento assim que tu fala, pô, minha ficha caiu.
me dei conta, o bagulho é esse mesmo. Aí eu falo com você, café ou porrada? Café, porrada, para quem quiser. Para mim é um tratamento humanizado, porque porrada, sabe o que eu vi no presídio? Nunca resolveu nada, porque lá dentro, foi o que me disseram, sabe aqui dentro? O que mais essas pessoas tomaram no passado? Porrada. Então pode dar porrada. Agora fala diferente com ele. Trata diferente. Ele te chama de pai.
porque aquilo ali ele nunca viu. O colega está na favela, morador da favela, policial, assistindo o jogo dos meninos na rua. Um estava jogando pelado, oito anos de idade. Pelado. Foi atrás do poste e fez cocô, não tinha com o que se limpar, voltou cagado a jogar. Moleque bom de bola, ele estava correndo. Ele falou, está aparecendo um cara lá das cavernas.
Aí que eu disse pra você, né? Parece que saiu da caverna e veio pra cá hoje. Sem nenhum rótulo, tá? Sim, à vontade, correndo. Por que não? Tá bem. Deixa ele jogar a bola dele. Deixa ele se divertir. Nesse mesmo cenário, um garoto foi lá embaixo, no Meier, e matou um jovem que estava indo pra academia pra furtar um cordão.
Ele de moto, ele falou, ó, parei a moto, botei o descanso, falei, pô, vou deixar ele passar, vou fingir que estou mexendo na moto, eu dei o bote. Só que quando eu dei o bote, ele puxou a minha mão e eu dei um tiro. Mas ele correu. Olha que coisa horrível, com todo respeito, a família. Ele sobe na moto.
como se estivesse num safári urbano, a vítima correndo, fragilizada parou, ele parou a moto, vítima cambaleando, foi lá, sem nenhuma dificuldade, arrancou o cordão que veio junto com o fone, iPhone, ele leva aquilo tudo e vai embora.
fez a limpa que ele tinha que fazer. Sabe o que ele diz lá de cima do morro? Eu sou um homem rico, eu tenho uma fazenda de gente rica. Um garoto olha oportunidades em toda a cidade para eu ser um homem correto, me desenvolver. O outro, no mesmo lugar, olha para a cidade como uma fazenda de gente rica, ele faz a ordem e volta. Ele disse isso.
Aí você fala, quer dizer que você é o gado desse cara? No mesmo lugar. Não vou dizer, não é a mesma casa, o mesmo lar. No mesmo lugar. Um olha para a cidade com oportunidade, o outro olha com uma cidade que parece uma fazenda de humanos ricos. Ele vai descer, vai fazer a ordem e vai voltar para o lugar dele. Não é complexo?
É complexo. Como é que resolver isso? Sozinho você não vai resolver. Não é problema só de polícia, você sabe muito bem disso. Tem que estar todo mundo... E sem bater. Todo mundo querendo a mesma coisa. Foi o que você falou. Nem você, nem eu. Ninguém aqui tem certeza nenhuma. Ninguém é dono da certeza. A psicologia principalmente fala isso. Não existe certeza absoluta para nada. O que foi uma grande ciência no passado, os caras ganharam o prêmio Nobel, hoje você olha para aquilo e fala, pô, o cara errou.
O cara errou, querendo acertar. E nós fizemos isso. Excelente, meu irmão. Pô, Giovana, obrigado, meu irmão. Obrigado aí por compartilhar suas experiências, seus conhecimentos. Não vai deixar eu falar os outros 46? Pô, o Giovana 2, pô. Tem Giovana 2, 3, 4. Fazer a saga. A saga Giovana.
E, pô, obrigado, cara, por você compartilhar principalmente essa visão, né, cara? Essa visão de investigação, de conhecimento, algo que foi bem sucedido e quem te conhece sabe o quão competente você é, a referência que você virou dentro da polícia. Recebi mensagem aqui, eu recebi mensagem aqui no chat, tá o Bruno Carnevale, a Fernanda Noten, enfim, e uma galera aí que você trabalhou.
Os queridos. E até hoje você ficou aí no coração de todas essas pessoas.
Pô, que agradeço a oportunidade e, assim, sempre pronto para colaborar. Quem, como o Edivaldo Flores falou, pô, deixou um vácuo, deixou uma lacuna, nesses dias aí, eu já falei, dessa semana, né? Conversando com o doutor André, que é o atual titular, sobre cadeia de custódia de pessoas, coleta, dados humanos e incrementar, né? Assim, é... E aí
inovar nesse campo, trazendo coisas que deram certo no passado, ouvindo essa turma nova aí, e estou pronto para preparar a galera. O que aconteceu foi que muita gente como vocês não se especializaram tanto, e não tiveram tantas oportunidades como eu tive.
que venham, formem grupos. Eu estou disponível para ajudar no que for preciso. Formar grupos importantes para esse tipo de olhar, não só lá, em qualquer lugar.
em qualquer delegacia, seja numa Draco, seja lá na DAIS, cara, eu não trabalhei diretamente em nenhuma dessas especializadas, mas eu sei que isso pode ser feito em todos os ambientes, entrevistas interrogatórias, humanizadas, com cuidado, ouvir esse paciente.
ouvir esse cliente com paciência, ouvir muitos dos antigos que estão por aí ainda e que tem muita coisa para oferecer. E sempre querendo uma cidade mais justa, com muito mais cuidados, segurança e paz. Eu sempre peço aos colegas assim, mando para vocês, sucesso!
saúde, em primeiro lugar, e muita paz. E, entre aspas, por que entre aspas? Anota aí, o Rafael que está vendo, você está anotando tudo. O primeiro A é o A de amigos. Saúde, paz, sucesso.
saúde, paz e muita amizade. Amém, meu irmão. Amigo, obrigado. Fala aí do evento lá na Livraria Travessa. Ih, rapaz, então, ó, esqueci de falar de um cara aqui que é meio irmão, sensacional, já me deu inúmeras oportunidades, tá?
Vou falar do José Júnior também, que acabou de me dar um presente para a vida. O Genil Saraújo, que nós conhecemos aí, o repórter aéreo, um cara fenomenal, um amigo, um amor, um profissional. Cara, conheço o Genilso há, sei lá, mais de 30 anos.
desde que eu entrei para a polícia. E ele me convida para fazer um curso de crônica, até inspirado em você aí. Você disse que é o estudioso aí, que aprendeu. Tu falou que é o estudioso, eu fiquei de olho naquele dia, naquela conversa no café ali com a gente. E eu acho muito importante que você estude sim, apoie. Genilso me convida.
para entrar num livro de coletânea de crônicas. Eu tive muito pouco tempo, não é pedindo desculpa pela crônica que está lá no livro, não. Uma única crônica que eu tive o privilégio de ser selecionada. E no dia 8 de maio, ainda vou confirmar isso porque eu não recebi o cartaz, no 8 de maio próximo, às 17 horas, na Livraria Travessa, do centro da cidade. Vamos estar recebendo os amigos lá de 17 horas.
às 19 horas. Eu espero que o Genilso apareça por lá. E dois, o José Júnior, ele me chama, o Rafael Rangel, um ex-chefe nosso, falou do meu trabalho para o grupo, eu chamo aqui Grupo Afro-Reg, falo do José Júnior em particular, me chama para ir lá para me conhecer. Rafael.
tinha um cara aqui na DH e tal, às vezes a gente chamou para tomar um café, 10 horas da manhã, toma um café, esse cara vai embora. Eu fiquei para o almoço, porque eu falo pouco, não sei se vocês notaram isso. Aí fiquei para o almoço, muito obrigado, e estava quase tomando café da tarde com ele. E ele com os roteiristas, naquele momento, ele...
ele me presenteou com um personagem dentro da série Homicídios, vai rodar, acho que inicialmente... Vai ter um personagem inspirado em você? É, o Digão, se não me engano, o Digão Ribeiro, desculpa se eu errei, mas que vai fazer esse papel brilhantemente, um cara assim, eu conheci, tive o privilégio agora de conhecer, o Digão, você conhece o Digão ou não?
E, assim, nessa conversa, vai fazer esse papel dentro da série Delegacia de Homicídios. Com esse tipo de entrevista, ele voltado para esse lado humano, cuidadoso, e recebendo os nossos clientes extremamente importantes para entender seus motivos, as suas intenções desse crime reprovável, irreparável.
irreversível, que atormenta tanto a população. Fica aqui o meu agradecimento ao Rafael, ao grupo inteiro, a Afroreg, ao José Júnior em particular, por ter me dado esse presente. Meu nome está lá. Bom, como colaborador apenas, como disse a Isa, apenas como um flanelinha. Vem mais para cá, vem mais para lá, vai aqui e tal, e ajeitando isso.
para que o público entenda isso. E eles terão muito mais a oportunidade de colocar isso mais no audiovisual, muito mais forte, mais abreviado, é claro, mas que possa precisar, mostrar por uma vontade, um interesse e uma necessidade, que nós chamamos de van, carinhosamente eu e o Breno Carnevale chamamos de van, vontade, interesse e necessidade.
A francesana do tema, o fundamento, que cada um tem em qualquer aproximação humana. Vontade, interesse e necessidade. Se você não tiver nada disso, acaba. Olha para a intenção das pessoas, a vontade delas, o interesse delas e a necessidade. E não esqueça o Gilvan também. Gula, inveja, luxúria, vaidade, avareza e negligência, que é igual à preguiça. São as aproximações.
de intenção pecadoras com exagero sem exagero a gente atura excelente, então se você quiser tomar um café com o Gilvão, é dia 8?
10 horas da manhã, termina 5 da tarde o café. Você falou assim, se quiser tomar um café com a Giovana, a qualquer momento vai levar 8 horas. Mas não, no dia 8 tem hora para começar. Vai. Dia 8, na Livraria Atravessa, aqui do centro do Rio de Janeiro. Aparece lá, o dia inteiro lá, autógrafo, café. 17 às 19. Agora eu vou te matriculei. 17 às 19 horas na Livraria Atravessa. E eu espero vocês dois lá, hein? Valeu, camarada.
A você, nosso muito obrigado pela audiência. Amanhã, sexta-feira, dia 1º de maio, dia do trabalho, dia do trabalhador, na verdade. A gente vai estar trabalhando. A gente vai estar aqui trabalhando. Vamos receber o Cabo Daciulo e todas as histórias dele. Está viajando o Brasil todo aí.
Glórias! Ele vai falar aqui sobre o Vasco, vai falar sobre essas viagens dele, principalmente na Amazônia. Teve lá, dando uma conferida na Amazônia Legal, vai explicar pra gente o que está acontecendo lá e tal. E vai contar aí como fez Rodrigo Pimentel no último, uma novidade. Uma novidade. Amanhã... Abraço, Rodrigo. Então, muito obrigado, Rafa. Então, amanhã estamos juntos novamente aqui no Fala, Guerreiro!
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