Episódios de Paulo Pacheco - Econominas

Endividamento do brasileiro

08 de maio de 202610min
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Paulo Pacheco fala sobre o endividamento e o poder de compra do brasileiro atualmente. Apesar de índices altos de empregabilidade que o país atingiu, o endividamento compromete boa parte da renda das famílias.
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Paulo Pacheco

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Shirley

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Assuntos3
  • Endividamento das famílias brasileirasDesenrola 2.0 · Perda de poder aquisitivo · Inflação · Apostas online (tigrinho) · Dívidas de cartão de crédito e cheque especial · Uso do FGTS para renegociação de dívidas
  • Crise Econômica no IrãRedução da inflação · Geração de riqueza e investimento · Ambiente de negócios favorável
  • Inflação e Política MonetáriaGastos públicos elevados · Impressão de dinheiro · Déficit público
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EconoMinas, com Paulo Pacheco. Muito bom dia, Paulo. Bom dia, Shirley. Bom dia a todos os ouvintes. Vamos falar a respeito do endividamento do brasileiro, pauta não só econômica, política também, uma preocupação do governo, Paulo, com relação a esse quesito. Não à toa, a gente teve o lançamento do Desenrola 2 pelo governo federal.

E tem chamado a atenção porque os outros dados, emprego, está em alta, quase pleno emprego, mas esse sentimento de que, apesar das pessoas terem renda, boa parte dela está comprometida com dívidas. É, nós temos um somatório de problemas, Shirley. O cidadão teve, sim, a economia como um todo, ela conseguiu gerar um aumento de renda.

Mas esse aumento de renda é inferior à perda de poder aquisitivo. O poder de compra da moeda sofreu muito mais nesse processo do que o ganho. A gente olha para o nosso salário, está lá 2 mil, 3 mil reais.

subiu para 3,2%, esse é um ganho de renda. Porém, ele foi corroído ao longo do tempo pelo processo inflacionário. Boa parte disso pode pôr na conta do governo, não só do governo atual, mas também daquele período da pandemia que nós tivemos ali um início de uma inflação muito forte. Então, esse processo todo fez com que o orçamento das famílias não desse mais conta. O orçamento está...

e não é pela compra de uma geladeira, ou pela compra de um carro, de uma moto. Não está fechando a compra do mês do supermercado. Então, parte desse endividamento que veio acontecendo, vem crescendo e hoje chegou a mais de 80% das famílias,

ele tem uma origem nessa perda de poder aquisitivo. As pessoas não estão conseguindo fechar suas contas. Então ela pegou dívida para fazer frente a essas coisas mínimas do dia a dia. Inclusive isso deve gerar uma...

É uma frustração enorme no indivíduo, que deve inclusive se refletir nas eleições. Mas vamos lá. Do outro lado, tem também escolhas erradas pelas pessoas. O crescimento de apostas, como o tigrinho, que nós até cobrimos aqui...

A CBN cobre o tempo todo esse problema. Levou uma parte significativa da renda também dessas famílias. Essa é uma escolha ruim. O Desenrola 2.0, ele inclusive obriga aqueles que virão...

a fazer suas renegociações, a ficar um ano, o seu CPF vai ficar um ano proibido de fazer a escolha do tigrinho, a escolha de apostas. Eu, pessoalmente, não gosto quando o Estado te proíbe de uma coisa ou de outra. Eu acredito que as pessoas devem fazer suas escolhas, mas as escolhas têm preço, as escolhas têm consequências.

E realmente tem um lado ruim nas escolhas que as pessoas estão fazendo com o seu dinheiro. Então temos uma junção desses fatores e o governo vem com uma solução. Essa solução, no meu entendimento, não vai resolver, mas ela é necessária. Até porque nós já até tratamos aqui sobre dívida. Quando você tem uma dívida muito cara...

como é a dívida de cartão de crédito, dívida de cheque especial, todas essas dívidas são tão caras que devoram a capacidade de pagamento de indivíduo. Vira uma bola de neve. Então, se nós pudermos suspender essas bolas de neve, já vai ter um efeito muito saudável, salutar na vida das pessoas.

E além disso, esse processo de renegociação vai se dar em parte com dinheiro que já é do trabalhador. Então pessoas...

com renda até R$ 8 mil, estão elegíveis para esse processo de renegociação, onde vai ser possível de utilizar até 20% do saldo do FGTS. Então, esse dinheiro é do trabalhador. Veja, o dinheiro do FGTS sai da sua conta todos os meses, vai para uma conta de FGTS que é mal remunerada. E do outro lado, então esse é seu dinheiro.

Do outro lado, você está com uma dívida caríssima, destruindo a sua vida. Então, nada mais justo que poder utilizar a parte disso. Tem consequências? Claro que tem. Se você no futuro for demitido, seu colchão diminuiu.

o governo deixa de ter recursos para, parte de recursos, para financiar moradia e assim vai. Então tem consequências. Mas é justo que o trabalhador possa utilizar parte desse dinheiro que é dele

para melhorar a sua vida no presente. Vai resolver olhando o futuro? Não. Mas veja, o indivíduo está sofrendo hoje. E aí eu sou, sim, favorável a que exista essa possibilidade de renegociar trocando uma dívida muito cara, como é atual, por uma dívida realmente mais barata e poder abater boa parte dela junto aos bancos. Eu acho saudável, não vai resolver.

Mas eu estou olhando o sofrimento do indivíduo que está acontecendo nesse momento. E aí alivia um sufoco emergencial, né Paulo, como você está explicando. Agora é muito sério quando a gente imagina que essa conta não está fechando para contas do dia a dia. Nós estamos falando de compra do supermercado, incluindo aí um sacolão, açougue, uma padaria, a conta de luz, a conta de água, condomínio, aluguel, se tiver. Se o salário não está suficiente para comprar isso, para pagar esse tipo de conta,

Como é que faz? Porque é uma bola de neve que não tem perspectiva de muita redução, né, Paulo? Porque a gente está falando de algo muito essencial. No caso de apostas, sem dúvida, é uma questão de escolha. Mas esses outros, é muito difícil, né? Por mais que se faça uma...

tenta reduzir um pouco o consumo, troque as marcas no supermercado, marcas mais baratas, tente economizar o gasto de energia, o conto de água, tem um limite isso. E parece que as famílias já extrapolaram esse limite e mesmo assim a conta não fecha.

Exato, Chile. O problema é bem profundo. A perda de poder aquisitivo, inclusive isso está acontecendo em vários lugares do mundo, das eleições americanas, a palavra é affordability. As pessoas não estão conseguindo pagar o que compravam há algum tempo atrás. E aqui, nós já somos de renda baixa, o problema explodiu de uma forma enorme.

E traz, obviamente, muito sofrimento. Como se resolve isso? Tem dois aspectos. O primeiro, o governo tem que baixar a inflação. A inflação, eu falo sistematicamente, é o principal fator que corrói o poder de compra do cidadão.

E a inflação não é culpa do dono do açougue. A inflação é culpa de um volume muito grande de dinheiro em circulação, que vem de gastos públicos elevados, que vem do governo imprimir dinheiro. A maquininha, então, nós temos esse problema. 8% de déficit. Esse é o principal causador da inflação brasileira. Então, reduzir a inflação de um lado. E do outro, tem que criar riqueza.

O Brasil precisa urgentemente criar as condições para que o empreendedor pequeno, pequenininho, pequeno, médio, grande, volte a investir e gerar mais riqueza no país. É só pela geração de riqueza que a renda vai crescer. E ela precisa crescer muito, e ela precisa crescer com uma certa velocidade.

esse que eu estou te dizendo, não vai acontecer muito rápido. Então nós vamos passar por um período complicado no Brasil, de poder aquisitivo muito baixo, gerando inclusive mais endividamento e pessoas realmente sofrendo.

até termos um período de investimentos. E eu não estou vendo esse período de investimentos acontecer, porque o ambiente não está permitindo que as pessoas confiem o seu risco, o seu dinheiro, em atividades econômicas. Montar a próxima padaria, montar a próxima fábrica, montar o próximo negócio que vai gerar novos empregos, e esses novos empregos...

também gerando mais renda para as pessoas. Não existe outra forma. Exige geração de riqueza e inflação, que deveria ser zero, senão muito próxima de zero, para respeitar o cidadão. É desrespeito ao cidadão, termos inflação alta.

E todo economista que se preza sabe muito bem que esse é um ponto central que os governos não têm tanto interesse em atacar, porque para o governo ter um pouco de inflação é bom para as contas públicas, porque corrói a dívida. O governo passa a ter uma dívida menor no tempo, mas o cidadão é quem vai sofrer e pagar essa conta. Então são esses dois aspectos aqui, colocando para o nosso ouvinte num assunto tão triste que é a dívida.

Paulo Pacheco, muito obrigada pela coluna. Bom fim de semana para você. Um grande abraço a todos.

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