Acordo entre Supermercados BH, EPA e Mineirão Atacarejo
Shirley
Paulo Pacheco
- Acordo Supermercados BH e DMAUnião de operações comerciais · Aquisição do DMA pelo BH · Impacto na concorrência · Concentração de mercado · Efeitos para o consumidor
- Competição em mercados fragmentadosRedução de custos e poder de negociação · Impacto em cidades específicas (Itaúna, Itatiaí-o-Sul) · Dificuldade de concorrência para supermercados de bairro · Papel do Cade
- Acordo entre redes supermercadistasSupermercado BH como 4ª maior rede · DMA como 14ª maior rede · Faturamento próximo a R$ 40 bilhões · Superação do grupo Pão de Açúcar
- Portfólio de marcas e modelo de negóciosUnificação do mix de produtos · Tendência de unificação das marcas BH e EPA · Possibilidade de manutenção de marcas distintas (EPA+, Marte Plus) · Diferenciação entre BH e Verde Mar
Com Paulo Pacheco. Olá, Paulo, bom dia. Bom dia, Shirley. Bom dia a todos os ouvintes.
A rede de supermercados BH e a DMA Distribuidora, que controla o EPA e o Mineirão Atacarejo, assinaram um acordo essa semana para unir as operações comerciais. Essa negociação foi oficializada e prevê uma integração em Minas Gerais, mas também no Espírito Santo, Bahia e Pernambuco.
Em comunicado público, o grupo de supermercados BH afirmou que a medida representa um movimento estratégico para as duas companhias. A aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, que é a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, que é o CAD. Exato, Shirley. Ela não é exatamente uma fusão, nós estamos falando de uma aquisição. O supermercado BH está adquirindo...
as operações do DMA, donos do EPA e Mineirão. O supermercado BH é a quarta maior rede brasileira supermercadista. O DMA é a décima quarta. Isso vai consolidar a operação dos dois, ainda como a quarta maior, mas bem maior do que o grupo Pão de Açúcar, que é gigantesco no Brasil.
Então, o grupo realmente chega muito grande, com uma operação aí já chegando próximo dos 40 bilhões de faturamento, mais ou menos 37 bilhões. Tem um aspecto, vamos colocar aqui os aspectos positivos e negativos para o nosso ouvinte. Quando um grupo fica desse tamanho, ele ganha uma escala tal que as suas compras, a sua operação, ela reduz muito em custos. Consegue comprar produtos mais baratos dos fornecedores.
Então ganha poder de negociação com Destlé, Coca-Cola e todos os outros e acaba conseguindo fazer com que isso melhore os seus preços potencialmente nas suas lojas. A operação também fica mais barata, com mais centros de distribuição e assim vai. Por outro lado, a gente tem que olhar também que tem algumas regiões que podem existir concentração de mercado.
Então, a gente sempre fala aqui que o importante para o consumidor é concorrência, e a concorrência é a única que reduz preço e melhora a qualidade do serviço. Porém, dando exemplo aqui em duas cidades de Minas, Itaúna e Itatiaí-o-Sul, por exemplo. Em Itatiaí-o-Sul, o EPA dominava, era o maior supermercado da cidade. O supermercado BH inaugurou recentemente uma unidade.
Então ia ser muito bom para a cidade ter esse concorrente, mas agora não. Então isso passou a ser uma única grande opção.
na cidade. Então, é uma concentração de mercado. E concentrações não são boas para o consumidor. Afinal, Itaúna tem a mesma tendência. Pois é, porque como é que a gente vai falar de concorrência de preços? Porque estamos falando de dois grandes supermercados populares, né? Que sempre estão investindo em publicidade, enfatizando muito suas promoções. E agora a gente vai estar trabalhando o quê? Necessariamente vamos estar falando de supermercados com os mesmos preços?
A tendência é que tudo vire supermercado BH. A tendência já está exposta pelo Pedro, dono do supermercado BH, é que tudo vai virar supermercado BH no tempo. Então o mix de produtos do EPA, que tende a ser um pouco diferente do mix de produtos vendidos no BH, eles devem acabar no tempo virando uma coisa só. Então não vai ter...
Não existe aí uma possibilidade, mesmo que o Cade, o Cade ele vem com alguns remédiozinhos, dizendo, ó, em cidades ou em regiões você tem que vender uma loja ou tem que seguir uma política de preços separadas. Mas assim, a realidade, na hora que ela se impõe, no tempo, o grupo acaba realmente conseguindo uma dominação, sabe, Chile? Então, é preocupante, apenas do ponto de vista de algumas regiões.
E é necessário buscar que aumente a concorrência. Porém, é muito difícil quando você tem um poder tão grande de um grupo desse. Belo Horizonte, por exemplo, Vespasiano vai sofrer com isso. Santa Luzia, Ibirité, Ribeirão das Negras, os dois são os grupos dominantes. E aí, o supermercado de bairro, ele não consegue concorrer. Como você mesmo falou, eles são muito capazes de grandes investimentos em mídia.
O supermercado BH agora fica ainda mais poderoso nessa situação. E o supermercado de barro tem dificuldade de concorrer. E os outros potenciais concorrentes grandes, eles não necessariamente entram na cidade, porque eles também receiam o domínio daquele que já tem ali dentro. Não tem essa capilaridade, né Paulo, que eles adquiriram ao longo dos anos? Exatamente. Então...
Vamos dizer, um grande concorrente, um carrefour, ele mesmo olha e fala assim, poxa, eu entrar em Ribeirão das Neves, já com a dominação, a dominância geral que o supermercado BH tem, pode ser preocupante, eles acabam não fazendo esse tipo de investimento. Então, não é que facilmente veremos crescimento de concorrência nesses mercados, os dois juntos.
Em mercados populares, eles são dominantes e juntos agora vira um grande player. Então, nessas regiões, como eu disse, Vespasiano já está bem claro, Santa Luzia e Ribeirão das Neves, olha, realmente vão ter quase exclusivamente as duas bandeiras. Eles vão ter problema. O Cade vai tentar olhar alguma coisa, algum remédio.
Mas, olha, a minha experiência mostra, estudando todas as aquisições e concentrações de mercado, é que aonde você tem mantido concorrência, por exemplo, o resto de Belo Horizonte, é bom para o consumidor.
Mas a honra onde você tem a queda de concorrência, como vai ser o caso dessas regiões da região metropolitana e Itaú, Itatiaí Sul, isso vai ser ruim para o consumidor. Só a concorrência, mais uma vez, é que é bom para o consumidor. Só a concorrência. Então, nós temos que ficar de olho nisso, sabe, Chile? Tem esse problema. Parabéns lá pela fusão. Parabéns para o Pedro. É um crescimento enorme.
O supermercado de H, ele ganha eficiência, mas esse cuidado é importante ao analisarmos essa fusão. É, porque no caso dessas cidades citadas por você, a gente já tem a presença desses supermercados e a concorrência seria unicamente de supermercados de bairro, que você já explicou bem aí a dificuldade para concorrer. É isso, Paulo? É, o mercadinho, né? O mercadinho, ele não consegue comprar em grandes volumes, ele não consegue ter preços competitivos.
a ponto de realmente despancar um supermercado BH, ainda mais agora, com essa aquisição. Então, você pega a neve, você vai ter várias bandeiras BH, o EPA se transformando em BH, e o supermercadinho do bairro, então é difícil para ele concorrer com isso. E uma vez que o supermercadinho do bairro não consegue concorrer, o próprio supermercado do EPA tem mais espaço para preços não tão baixos assim. Entende?
Então ele fica sozinho. Ao ficar sozinho, a tendência não é de preços.
mais baixos. É dele conseguir incorporar um pouco mais de margem ao seu negócio. Esse é o problema da concentração. E aí a dificuldade para esse consumidor final que está ali precisando de um item de bairro, na falta de uma opção de outros, dessa concorrência, o deslocamento para outros centros urbanos, o próprio Belo Horizonte para a compra, muitas vezes não vai valer a pena dependendo da compra. Vai gastar combustível, deslocamento, tempo.
Então ele acaba não conseguindo realmente sair dessa armadilha. Alguns lugares são ainda pior com relação a isso. Outras, por exemplo, Santa Luzia está mais próximo de outras regiões da própria cidade. Agora, Ribeirão das Neves, o deslocamento fica muito pesado para as pessoas poderem ir a um supermercado concorrente. Então, realmente, a queda de concorrência nesses lugares vai ser grande.
Para o resto da cidade de Belo Horizonte, que a concorrência existe, super nosso, existem outros, existe o verde-mar. Apesar que o verde-mar é posicionado por um público mais rico, mais elitivado, de uma maneira geral você tem mais concorrências, mais concorrência que acaba ajudando no processo de preços mais baixos e melhoria de produtos e serviços.
Paulo, para as duas empresas, desculpe, o supermercado BH e também para o EPA, que é a DMA distribuidora, você já disse a questão mesmo de compra, o poder de compra dessas duas grandes empresas. Mas em termos de venda ali no final, acaba sendo um grande negócio também? Ou como é que é essa divisão de valores? Negocia-se?
Valores de forma conjunto, com o seu estabelecimento vendendo de forma individual? Só no início, só no início. A tendência é que todos os supermercados EPA acabem virando supermercados BH.
Então, a tendência é não manterem as duas bandeiras, até porque os dois estão exatamente para o mesmo público. A tendência de ter bandeiras diferentes é quando eu tenho um público diferente. É imaginar o supermercado BH comprando o Verde Mar. Não faria o menor sentido ele mudar a marca Verde Mar para a marca BH, porque são públicos muito distintos.
Então, eles manteriam marcas separadas e administrariam essas marcas separadamente. BICs diferentes de produtos e marcas diferentes, preços diferentes também. No caso específico, EPA e BH são concorrentes diretos para o mesmo público. Em vários momentos, em algumas dessas regiões que eu falei, eles estão na mesma rua, com diferença de um quarteirão. Os dois supermercados concorrendo exatamente pelo mesmo público. Então, você unificar isso...
no final você acaba levando para uma única oferta. Mesmo que em alguns lugares eles mantenham a marca PH e EPA, você passa a ter uma única oferta, porque o ganho de escala deles é unificar o mix. Você unifica a compra de arroz, a compra de feijão, você unifica tudo. Então você acaba tendo os mesmos produtos nos dois supermercados.
E é isso que o consumidor vai ver no final. Vai ter uma alteração no mix, no tempo, no mix de produtos que o EPA tem, vai passar a ser muito similar ao que o BH tem. E aí eles vão começar mudando as marcas para unificar tudo em BH. Isso mesmo, levando em consideração, Paulo, as outras marcas, próprio dentro do EPA, o EPA tem EPA Premium, EPA Plus, algo nesse sentido. Mesmo dessa forma, a ideia é uma unificação, então?
É, assim, tem que olhar melhor, nós não sabemos se o Pedro BH tem o interesse de ter um outro tipo de marca, talvez mais sofisticada, que seria a tentativa do EPA+, né, de atingir um mercado um pouco mais sofisticado. Por exemplo, existe um EPA+, na Avenida Senhora do Carro, que tenta atingir um outro tipo de mercado.
Pode ser. Eu não tenho acesso exatamente à estratégia, mas sempre que você vai para diferentes públicos, diferentes mercados, a tendência é você ter diferentes marcas. Porque isso dá sentido para que o consumidor entenda o que ele está comprando. Mas quando eu tenho mercados idênticos, como é o caso do ETA e do BH, existe a tendência a se virar uma coisa só.
Então vamos aguardar para ver se ele vai pegar uma marca como a Epo Plus e vai expandir como uma marca mais sofisticada do grupo dele agora. Ou se a tendência é realmente virar uma coisa só. Então temos que aguardar para ver um pouquinho disso.
Me lembro que o Epa, o grupo, tinha umas lojas Marte Plus que faziam esse recorte para esse outro público, mas se não me engano em 2014, então a gente está falando de uns bons anos aí, mudaram de nome e passaram a se chamar Epa Plus.
Então, já eram marcas diferentes e agora a aglomerada é EPA, mas é EPA Plus. E agora com essa fusão, essa incerteza, né, Paulo? Para saber exatamente como é que isso vai se acomodar e, em especial, aqui essa análise para o consumidor final. Infelizmente, a expectativa é tão boa. E o Cade, sim. Temos que aguardar o Cade para ver qual vai ser o remedinho que ele vai dar para essa...
dessa fusão não ser tão impactante do ponto de vista de concentração. Onde não tem concentração, mais uma vez, bom para o consumidor que vira um grupo mais forte, com compras mais eficientes, junto às grandes indústrias. Paulo Pacheco, conosco sempre às sextas-feiras, aqui na coluna Econominas. Paulo, bom restinho de feriado, bom fim de semana. Até sexta-feira que vem. Um grande abraço a todos. Belo feriado.
Açaí Atacadista
EPA
Supermercados BH