O GÊNIO DO CRIME E A PAIXÃO PELA COPA DO MUNDO | ODEIOCINEMA #118 com MARCOS VERAS
GÊNIO NO PODCAST! O OdeioCinema recebe o talentosíssimo Marcos Veras! Em um bate-papo leve e muito divertido, o ator vem falar sobre estrelar "O Gênio do Crime", a aguardada adaptação moderna do clássico literário de João Carlos Marinho.
Veras abre os bastidores exclusivos da produção e compartilha histórias incríveis da sua carreira, além de soltar aquelas opiniões sinceronas que a gente adora. É um papo sensacional e cheio de momentos imperdíveis que conecta os desafios da atuação com a magia do cinema. É um episódio fantástico que você não pode perder!
O OdeioCinema vai ao ar toda quinta-feira e você pode acompanhar aqui no YouTube ou na sua plataforma de áudio favorita. Não esqueça de comentar e avaliar o nosso podcast!
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APRESENTADO POR:
✨Amanda Brandão: https://www.instagram.com/amandabrandao
- O Gênio do CrimeAdaptação do livro clássico · Produção para o público infantil e familiar · Trabalho com crianças no set · Importância do cinema brasileiro · Formação de público e cultura · Álbuns de figurinhas e Copa do Mundo · Nostalgia e colecionismo · O Gênio do Crime
- Carreira de Marcos VerasTransição do humor para outros gêneros · Paternidade e escolhas profissionais · Experiências em Zorra Total e Escolinha · Humor e suas mudanças sociais · Trabalho com crianças em produções artísticas
- Cinema e Memória AfetivaFilmes marcantes da infância · Experiências no cinema · Filmes dos Trapalhões · Titanic · O Mágico de Oz
- Humor e Mudança SocialEvolução do humor na TV brasileira · Crítica social e humor · Preconceito em programas de humor · Adaptação de formatos humorísticos
- O Papel da Arte e da CriaçãoInfluência da paternidade na carreira · Importância do ócio criativo · Arte como legado · Diversificação de gêneros artísticos
- Crítica CinematográficaFilmes controversos · Bruxa de Blair · A Árvore da Vida
Oi, oi, pessoal. Tá no ar mais um episódio do Adoro Cinema, o podcast do Adoro Cinema. Eu sou Amanda Brandão. E eu sou Carlos. Estou aqui pela primeira vez, Amanda. Que orgulho. Estou muito feliz de você estar aqui hoje. Estou feliz, amiga. Se você segue o Adoro Cinema, por um dia já me viu fazer alguma palhaçada em algum vídeo ou alguma coisa, então...
Mas hoje você tá aqui pra fazer uma entrevista muito legal comigo. Hoje é sério. Hoje é sério. Hoje é uma entrevista. Não é sério. É uma entrevista muito bacana. Que a gente tem aqui um convidado incrível. Ele que é ator da TV, do teatro, do cinema. E tá aí pra uma missão muito incrível. De investigar uma suspeita bem maluca. De como as crianças aí estão em O Gênio do Crime, novo filme.
que estreia nos cinemas, que é baseado num livro clássico dos anos 60. Estamos recebendo ele, Marcos Veras, pra falar disso e muito mais. Oi, oi, oi, tudo bom? Prazer estar aqui, obrigado pelo convite. E aí, Marcos, me conta uma coisa, que rotina maluca que você está nesse momento? Ave Maria, não me deixa nem sem perguntas, porque pode ser que eu durma. Não vai, não vai dormir, porque aqui é uma coisa bem maluca, não vai dormir.
E eu vou começar, inclusive, com uma pergunta que vai te fazer refletir. Qual que é o primeiro filme que você se lembra de ter visto no cinema, ou o filme que mais te marcou na vida, assim?
Caramba, o primeiro filme? Bom, eu vou... Vale Infância? Claro. Ah, eu acho que... Primeiro que lembra muito meu pai e minha família todos os filmes dos Trapalhões. Eu tinha certeza que você ia falar isso. Você tinha certeza? Sim. Eu já vi. Caramba.
Muita gente já falou isso aqui. Você é da época dos trabalhões? Não sou. Você é uma jovem. Não, eu não sou tão jovem assim, mas é o que eu peguei mais na TV, o Didi da TV, sabe? Nossa. Que passava no domingo. Eu sou da época da Cinelândia, no Rio de Janeiro, aqueles cinemas lá, o Patê, o Odeon, onde só tinha filas quilométricas pra assistir o quarteto. Era impressionante. Então, eu tenho uma lembrança muito forte disso, dos filmes. E acho que na fase adulta, adolescente, assim, eu vou eleger Titanic.
Ah, Titanic. Marcou no cinema. Não, eu não tive a chance de assistir Titanic no cinema. Não, também? Não. Ah, gente, eu tô dando um banho em vocês aqui, desculpa. Não, mas eu acho que deve ter sido uma experiência muito legal poder ver Titanic no cinema. Deve ter sido incrível. Outro dia tava, voltou pro cinema resmaterizado. É, eles fizeram um up no filme e botaram lá, né? É lindo, o filme é lindo. Eu imagino, porque só na TV você já consegue sentir a emoção.
Imagina ver na primeira vez o cinema de galona. E é longo, né? Ver no cinema deve ser melhor.
É lindo, é lindo, é lindo. Mas qual que é o seu filme favorito dos Trapalhões, você lembra? Caramba, não vou lembrar. Aquele da Serra Pelada, Os Trapalhões na Serra Pelada, era maravilhoso. Tiveram muitos, né, deles? É, tinha Lua de Cristal. Lua de Cristal, é o que eu mais lembro. Lua de Cristal era da Xuxa, mas não era dos Trapalhões. Mas tinha um deles.
Tinha umas participações. Tinha umas participações dele. Acho que todas, eu adorava. Sérgio Malandro, né, gente? É, Sérgio Malandro. É o príncipe, não é? O príncipe é o Sérgio Malandro. Pra você ver como tem tempo. Isso. É, os anos 90 foi uma época bem diferenciada aqui no nosso...
Eu vi um cartaz ali agora aqui no cenário de vocês, Mágico de Oz, que também é um filme que me marcou muito, que eu amo esse filme, tem o DVD dele. E os Trapalhões fizeram uma versão, Mágico de Orois. Jura? É, tem um filme dos Trapalhões, que é Os Trapalhões e o Mágico de Orois, que é bem legal também. O negócio que eu acho legal de Mágico de Oz é que ele é muito antigo, ele é dos anos 30, né? E ele foi gravar, e isso quando eu descobri isso eu achei incrível, ele foi gravado em preto e branco, e depois eles meio que pintaram o filme. E você assiste e ele realmente parece um filme pintado, é muito bonito, né?
É uma obra de arte. É uma obra de arte. Uma obra de arte que não sai de moda. Eu adoro, amo. É, os bastidores são meio polêmicos, mas ele é um filme bem bonito de assistir. Agora, você falou do Mágico de Oz, o Mágico de Oroz, aliás, dos Trapalhosa. Fiquei pensando, quem o Didi foi, né? Quem o Didi era o... Cara, o Didi... Era Glinda. Era o Homem de Lata. Sabe que eu não sei quem... Agora eu não lembro. Eu lembro que o Zacarias era o Espantalho. O Homem de Lata era o Dedé.
O leão era o Mussum? Será que o Didi era Dorothy? Será? Mentira, gente. Pelo amor de Deus, precisamos mexer. E bom, agora você está em O Gênio do Crime, que é um dos Trapalhões, que era um filme para criança. Agora você está em O Gênio do Crime, que é um filme para criança. Isso. Como é fazer produções para esse público? Porque é diferente, eu imagino.
É diferente, é uma responsabilidade, né? Porque falar com criança requer um cuidado maior, uma responsabilidade maior. Criança é muito sincera. No set, né? No set. E também fora dele. E fora dele. Se gostou, se não gostou, fala na cara. Então, tem uma coisa muito genuína na infância, na criança, que a gente respeita muito e a gente toma cuidado. E eu fico muito feliz, tinha muito tempo que eu não fazia nada para criança. Apesar desse filme ser para a família inteira. Primeiro, porque é um clássico da literatura. Exato.
tem uma memória emotiva. Toda vez que eu falo pra alguém que fiz esse filme, que vai ser lançado e tal, as pessoas falam, caramba, é baseado naquele clássico do livro? Eu falei, é, exatamente. E o livro é dos anos 60. Dos anos 60. Então é uma geração muito, assim, pega uma geração muito, vamos dizer, uma galera, muita gente, né? Pega a galera dos anos 60, 70, até agora as crianças que nunca leram um livro. Exatamente. Então vocês tiveram que ter um cuidado também com isso, eu imagino.
Sim, a gente tem, é claro que é uma livre adaptação, mas também tem muito respeito à obra original. Então, quem lê o livro, vai assistir o filme e vai falar, está tudo lá. Tem algumas modificações para a adaptação do cinema, mas está tudo lá. Então, é um filme, como você falou, um livro que atravessa gerações.
É isso que eu queria dizer, através das gerações. Então, eu fiquei muito feliz. Óbvio, inevitável pensar no meu moleque, no Davi, meu filho, porque eu falo, ah, já tem uma obra pra ele, já tem uma coisa infantil juvenil pra ele, porque eterniza a obra no cinema. Então, tô muito feliz com o filme. E veio pra...
para movimentar o cenário infanto-juvenil, coisa que a gente faz pouco, eu acho, porque é um público que consome. Muito. E automaticamente os pais consomem, porque quem leva a criança, o adolescente, às vezes, para o cinema são os pais, então acho que tem uma importância. E aí, se você leva para o cinema o pai, que provavelmente leu o livro, ou que se não leu queria ler o livro, e aí aproveita e leva a criança também. Exatamente.
E uma coisa muito interessante também é que o cinema brasileiro está em alta. E quem tem que consumir principalmente o cinema brasileiro são os brasileiros. Exato. E aí você pega um filme desse que faz com que crianças vão ao cinema assistir um filme brasileiro, automaticamente, de certa forma, você já começa a educar aquela criança para no futuro ela assistir um Agente Segredo da Vida. Eu sei que é um pensamento muito maluco.
Mas a criança começa a já entender que, poxa, tem filmes brasileiros no cinema, eu posso assistir e cresce já com isso. Você está formando público.
Está formando público, está formando cultura, opinião dessas crianças que mais tarde serão adultas e que vão consumir. Porque realmente, como você falou, a gente tem que valorizar o que a gente faz. A gente faz muito bem, às vezes com pouco dinheiro, com mais ou menos de dinheiro, mas a gente faz muito bem o nosso cinema. E você tinha lido o livro?
Eu não tinha lido o livro, não tinha essa memória. Chegou a ler ou não? Li, antes das filmagens, li. E fiquei pensando, por que esse livro não passou por mim? Mas eu tenho uma memória dele estar na minha vida, de alguma forma. Na escola, ou meu pai, alguma coisa. Mas eu não lembro, não tenho a lembrança de eu mesmo ter lido.
esse livro. Ele vai ser relançado agora, ou já foi relançado o livro, com a capa do filme. Ah, que legal. Ele tá ganhando aí uma nova versão, uma nova roupagem também. E a maior honra é estar na capa de um livro clássico como esse. Exato. Eu vi que ele também já teve uma edição de 50 anos, porque tem 50 anos esse livro. É. Surreal isso. Mais de 50, eu imagino. Não, tem mais de 50. É porque ele é dos anos 69. Ah, não, ele vai fazer 50, hein?
Vai fazer 50. Eu sou péssimo de conta. Eu sou péssimo de matemática. A gente todo mundo aqui... Tá bom. Tá bom.
Todo mundo de exato. Então tu faz. 69, faz a conta aí. E manda nos comentários que é bom que engaja. É verdade. Tem uma trilogia, parece. São vários livros dessa sequência. Então, quem sabe não vem mais por aí.
Não, e aí realmente criou uma legião de livros e virou uma rotina isso na literatura brasileira mesmo, de ter essas sequências de livros de detetives e tudo mais. Exatamente. E eu gosto muito de como, enfim, toda a história do gordo vai se desenvolvendo. Eu também nunca li O Gênio do Crime na escola.
Mas eu lembro de ter visto O Gênio do Crime na leitura de livro paradidático das outras turmas. Sim, é um título muito presente na nossa infância. É um título marcante, né? O Gênio do Crime. É, exatamente. Chama muito a atenção, então eu gostei muito. E é até interessante ser um livro para crianças, né? Esse título que é um livro para crianças. Isso que eu acho interessante, porque são crianças que estão investigando um crime ali que inclusive tem relação com álbuns de figurinhas que depois a gente vai trazer isso para cá. Copa do Mundo. É, exato.
Como é que é trabalhar com crianças no set? Você falou um pouco já, só que eu imagino que seja muito diferente, e seja um trabalho mais cuidadoso e ao mesmo tempo até divertido.
muito divertido, e acho que acontece isso com muitos adultos. E aí, a produção que se vire, a gente vira criança também. Ai, que legal! Então, a contagia, a molecada, a energia deles, eles estão sempre muito dispostos, e às vezes você não está, o carro passa às 5 da manhã para buscar você para o set de filmagem, às 5, 6 da manhã eles já estão com aquela energia. Então, isso te contagia.
E a gente espalha isso pro set. Então é muito divertido, porque são crianças muito naturais também. Não tem os vícios que nós atores às vezes temos, as muletas. É quase uma brincadeira pra eles. É uma brincadeira pra eles, de alguma forma levada a sério, mas é uma brincadeira.
Eu acho que só tem vantagem em trabalhar com eles no set. Foi muito divertido. É um aprendizado, às vezes, de algumas coisas, né? Tipo, de como se jogar pra algumas situações, e não ter tanta vergonha. Não ter tanto pudor pra fazer determinadas cenas, não se questionar tanto. Vamos aqui se divertir. O que você pensou dessa cena? São crianças inteligentes também, né? Eu fico até na dúvida se eu chamo de criança, se eu chamo de pré-adolescente.
Talvez eles não gostem. Porque tudo tem 11 anos, 12. Aí um que tem 13. Eu falo, mas eu não sou mais criança. Eu falo, é, pra mim você é.
E agora... A aborrecência, né? Aquela faixa da aborrecência. E o melhor é, quando você encontrar isso daqui a um ano, eles já vão estar totalmente diferentes. Totalmente. E aí, porque eles mudam, com questão de meses, eles já mudaram tudo. Muda a voz, muda tamanho, jeito, postura, jeito de se vestir, impressionante. Pode falar, amigo. Não, uma dúvida, eu morro de curiosidade em muitas produções com criança, porque aqui no Brasil a gente tem muitas leis.
que protegem realmente o trabalho infantil. Mas aí o trabalho artístico infantil é uma exceção a essa regra. E aí como que era essa dinâmica no set? Os pais estavam sempre acompanhando? Os pais estão sempre nos bastidores. Até onde eu vi, os pais não ficavam no set mesmo, no cenário. E eles tinham uma carga horária menor.
Então tinha uma prioridade de ou chegar mais tarde ou sair mais cedo. Até por conta da escola. Tem a escola, o filme foi rodado durante as férias. Então isso é um facilitador também. Mas ainda assim, mesmo sendo nas férias, a carga horária deles é diferente.
Então isso é respeitado também. É, porque nos Estados Unidos, especificamente nos Estados Unidos, mas ao redor de todo mundo, tem muitas produções, principalmente em reality show com criança, né? Sim. E aqui no Brasil isso não acontece com tanta frequência, teve só um reality show com criança, que foi o Masterchef Kiss, enfim.
E eles também tinham essa rotina super apertada e tudo mais, que limitava muito a produção. E eu sempre fico em dúvida, eu adoro quando aparece um filme com criança, porque é isso, né? Porque você sabe que tem um respeito ali, tem um cuidado muito grande. Tem um cuidado muito grande, até com a segurança deles pra fazer cena. É um filme de ação. Total. De aventura. Então tem um cuidado também pra ninguém se machucar.
O filme me lembrou um pouco Detetives do Prédio Azul, que foi um grande sucesso no Brasil. Tem essa vibe, eu acho que tem. Tem, né? Tem, tem. Para as crianças que gostaram de acompanhar, eu acho que é uma referência legal para as crianças irem para o cinema. Sem dúvida. Porque quem é que não gosta, né, gente? Até nós, adultos, mas principalmente as crianças, gostam de desvendar coisas, fuçar coisas, né? Brincar de detetive é muito legal. Eu fiz o Mister Mistério achando que eu estava numa revista em quadrinhos.
Isso que eu ia te perguntar, quais foram as suas referências pro Mr. Mistério ali? Tem alguma referência sua de bagagem de quando você era criança? Ah, Espetobus de Ganga, sem dúvida, né? Retomei um pouquinho, que nem é da minha época, mas era uma referência do Lip Binder, nosso diretor, o Kojak.
Que era também um detetive. Poxa Jack, se eu não me engano, é anos 60. Estou chutando aqui, mas eu acho que é anos 60. Vi algumas coisas dele no YouTube. Enfim, todo livro de detetive, mistério, Agatha Christie, essas coisas. A gente sempre, quando é adolescente, mas principalmente criança, a gente brinca de divendar, de mistério, de esconder coisa.
Então eu trouxe um pouquinho da minha criança, que ainda mora em mim, pra fazer o Mister Mistério, que é inseguro, vaidoso, fanfarrão, engraçado, atrapalhado, tudo junto e misturado. É um personagem que eu me diverti muito. Eu gosto muito disso, que no programa dele ele é todo certinho, ele é o detetive perfeito, sem falhas. Qual é a palavra que usam? Ai, esqueci.
Mas tem essa palavra, que ele não falha, que ele não erra nunca. Ele não erra nunca, ele é perfeito. Só que ele tá meio em decadência. Ele não assume. Quando as crianças conhecem ele na vida real. Ele bebe o uísque. É inseguro, é vaidoso.
E você acha que esse filme pode, de alguma forma, trazer as crianças de volta pra leitura? Fazer as crianças quererem ler a adaptação? Porque comigo isso acontece às vezes, tá? Às vezes eu assisto uma... Que nem eu assisti... Vou dar um exemplo muito além. Eu assisti Days, Jones and the Six. Eu quis muito ler o livro. Eu li o livro depois que eu vi, sabe? Assim, tem muita coisa que eu assisto e depois eu quero ler. E eu acho que isso pode ser um bom motivo pra fazer as crianças lerem, que o Brasil tem muito essa questão de leitura ainda ter uma resistência, né?
Eu acho que sim, eu acho que pode ser um facilitador para, de curiosidade, dessas crianças saberem que o filme é baseado num livro e ir lá e falar, deixa eu fuçar isso aqui, deixa eu dar uma olhada aqui nesse livro, deixa eu ver quais são as semelhanças da obra audiovisual para a obra literária.
Eu fiquei com muita vontade de ler o livro, inclusive, depois que eu assisti o filme. E o tá vendo? Acontece muito isso comigo. Eu fiquei com... Mas foi isso mesmo, curiosidade pra saber o que acontece. E eu vi que o segundo livro é ainda mais interessante, que eles vão pra Amazônia. E aí acontece toda uma parada de... O pessoal tá sequestrando criança. Fiquei, meu Deus! Vai gerar essa curiosidade também, até pro livro 2, o livro 3. E quem sabe não vem o filme 2 ou o filme 3.
Olha aí, é uma franquia, né? Pode ser. O Brasil tem várias franquias para serem exploradas. Teve Turma da Mônica, que já está sendo explorada bastante. Sim. E aí agora tem outra franquia que o gênero do crime pode ser explorado também. O próprio Detetive de Fred Azul também. Exato. Tem série, tem filme. E eu falei que eu não tinha tempo que eu não fazia algo para criança. Me corrigindo aqui. Agora você falou Turma da Mônica. Eu fiz Turma da Mônica. Fiz a série Origens, que mostra como a Turma da Mônica se conheceu.
E eu faço lá o Denilson, que é o gerente do hotel, que também foi muito divertido, que a gente gravou em Poços de Caldas. Foi muito divertido.
Turma da Mônica é um grande clássico da... Quem nunca... Eu aprendi a ler, lendo o HQ da Turma da Mônica. Também, eu também. É, então, a gente tem uma memória muito afetiva com o Turma da Mônica, né? Eu tinha isso aqui na pauta também, pra falar com o Turma da Mônica, com você. E a sua esposa também trabalhou com criança, né? Sim, sim. Vocês tiveram essa troca, assim, de tipo, poxa, como é trabalhar com criança? Os dois juntos conversaram sobre isso, de alguma forma?
Ela ficou muito mais tempo nesse lugar. O que ela me conta é que era sempre muito, no melhor sentido da palavra, muito caótico. Porque eu trabalhei com quatro crianças no gênero do crime. Na turma da Mônica eram, sei lá, seis, sete. E ela trabalhava com vinte.
Uma escola inteira. Uma escola inteira, com 20 falando ao mesmo tempo. Então ela sempre disse que era meio enlouquecedor, mas também era muito divertido. Entre elas, Maísa, que é uma caixa de surpresa. Maísa também, que já é atentada. Era naturalmente atentada. Larissa Manoela, que hoje são grandes atrizes. Nossa, é verdade. Larissa Manoela. O Jean também, que fazia o Cirilo, também hoje ator, adulto. O tempo passa, gente.
Tem um deles que faz muita review de perfume na internet. Ah, é verdade, tem. Ah, eu esqueci o nome dele mesmo? Juro por Deus que existe... É, ele virou tiktoker de... De perfume. Gente, como que é o nome dele? Eu esqueci total. Eu esqueci total, só que assim, teve um dia que eu caí numa... Mateus... Mateus? Mateus... O Zueta. O Zueta, ele.
Então, ele que... E aí, um dia desse eu caí numa live... Gente, mudei o assunto completamente. Eu caí numa live do TikTok da Granado que ele estava apresentando.
Já não é mais criança, obviamente. Ueta. Matheus Ueta. Me cantaram aqui. Perdão, Matheus. Errei o nome dele, mas tudo bem. Mas é super interessante essa questão do TikTok, porque é justamente isso. No próprio filme tem essas inserções de alguns momentos que eles falam no TikTok. Tem essa parada do celular. Eu gosto muito também de como tem toda essa pegada retrô, assim, de fita cassete e tudo mais. Mas eles têm celular, eles, enfim, são super espertos, assim, com tecnologia e tudo mais.
O filme tem, claro, esse pano de fundo retrô, como você disse, essa imagem também um pouco sépia, mas com certeza atualizado para os dias de hoje. Essas crianças, de um dia, quase... Ainda mais que já têm 13 anos, eles precisam do celular, inclusive, para conseguir essa investigação, para dar certo.
É isso, Jô. É, então, até queria te perguntar isso. O que você acha que o Gênio do Crime, o filme, traz para essas crianças de hoje em dia que estão tão acostumadas com o streaming, acostumadas com o conteúdo rápido de três minutos no TikTok? Como que você acredita que o filme faz para prender a atenção dessas novas crianças?
Eu acho que o filme fala muito de um lugar de união, de amizade, de que você não faz nada sozinho. E hoje a gente vive um mundo de telas, onde o teu melhor amigo, às vezes, é o celular. Então essas crianças, esses adolescentes que nos preocupam tanto ao ficar horas e horas nas redes sociais ali, sem se relacionar com o mundo externo.
Isso no filme é ao contrário. Eles se relacionam o tempo inteiro, verbalmente, fisicamente. Um pergunta a opinião do outro. Então o filme mostra que é um quarteto, e aí no meu caso um quinteto, que entro nessa turma, viro criança com eles. Então acho que o filme traz também uma leitura.
De que, caramba, como é bom ter amigos, como é bom ter parceiros, parceiros de crime, tocando, falando, olho no olho. O celular é só uma ferramenta, é só um aliado, mas ele não é o único dado importante. Então eu acho que o filme pode trazer isso também das crianças, os adolescentes assistirem e falarem, caramba!
Se a gente fizer algo parecido, vamos montar um grupo de samba, que seja, vamos montar um grupo de leitura, vamos descobrir... Ou até mesmo agora que está vindo a Copa por aí, vamos montar um grupo de álbuns de figurinhas. Exatamente, vamos fazer um bolão para quem acerta o campeão da Copa do Mundo. Então eu acho que pode trazer um pouco dessa... retomar um pouco dessa coisa social. E não só da rede social.
Até a própria questão das figurinhas, né? Que é o que é investigado ali. E do álbum. É uma coisa meio nostálgica, né? Total. Traz uma nostalgia. Eu adoro colecionar álbuns de figurinhas. Não pelo álbum. Mas porque no meu bairro tem uma praça que tem um encontro de troca de figurinhas. Beleza.
E eu amo ir na praça. O que eu mais amo fazer é ir na praça. Eu não ligo pro álbum muito. E aí eu acho que tem isso também, sabe? Dessa coisa... O filme tem essa questão meio nostálgica. Por isso que pega também os pais. É. Pais e mães também. Então é um filme pra família inteira. Inclusive pra pai e mãe trocarem depois de terminar o filme. Conversarem sobre. E trocar figurinha. E trocar figurinha literalmente. Literalmente. Em todos os sentidos.
Eu até tinha essa pergunta de se vocês tiveram esse cuidado de fazer um filme que... Tá bom.
Falava também com o público lá, que era fã do livro e hoje já é adulto, e também com o público que nem conhece o livro, sabe? Se teve esse cuidado para juntar essas duas gerações. Sem dúvida. Se você pensar que... Vamos supor que não tivesse a existência do livro.
É um filme que você vai entender. Não precisa ter lido o livro para entender o filme. Então, a gente teve cuidado, sim, principalmente para falar com o maior número de pessoas. Com quem leu o livro, com quem não leu. Para os pais, para os adultos, adolescentes, para os casais de namorado. Eu acho que é um filme que é para você sentar no cinema, botar uma pipoca da maior, da gigante. E se...
deleitar com aquilo tudo. É um filme muito gostoso de ver, de assistir, de tentar desvendar. E é muito legal, é isso, é muito legal ver filme de mistério, porque você entra no negócio, você começa a refletir junto, né? Eu adoro. E esse é bem, assim, o vilão, o grande vilão, o gênero do crime, você realmente fica nossa, que isso, você realmente não espera, né? Não espera. O filme tá engraçado também, tá bonito, emocionante, tá engraçado, é pra rir, se divertir e trocar figurinha mesmo depois do filme.
E aí, falando um pouco de Marcos Beras, quando as crianças chegam na gráfica, elas ficam maravilhadas ali com aquele mundo. Quando você era criança, ou agora, mais cedo, mais recente, teve algum lugar que você chegou e você viu e ficou maravilhado, que nem eles ficaram com aquela gráfica? Você falou, nossa, como isso aqui existe? Cara, aquela gráfica é um negócio, primeiro que é uma locação, dá vontade de fazer outros filmes ali.
É real. A gráfica lá, que se eu não me engano é do Estadão, acho que é do Estadão, funciona.
E ela é toda retrô. Então eu gravei alguns clipes do Mr. Mistério, subindo escada, descendo escada, lá. E é uma fábrica de jornal. E tudo. Então foi muito bonito de ver. Eu falei, caramba, não sabia que... Lá você já ficou maravilhado também. É, já fiquei lá. E botaram pra realmente fazer as figurinhas ou era computação? Não, acho que as figurinhas, isso eu não posso te afirmar, mas eu acho que não foi feito lá, não.
E é muito doido pensar que ali deu vontade, eu já tive vários roteiros ali enquanto filmava, eu falei, hum, aqui dá vontade de fazer um filme de terror, aqui dá vontade de fazer uma comédia romântica, aqui dá vontade, porque é muito legal, muito cinematográfico, para onde você apontava a câmera, você falava, caramba, isso está bonito. Então, não sei nem se eu te respondi a pergunta. Respondeu, porque recente você ficou maravilhado de entrar naquela gráfica enquanto você filmava o filme. Sem dúvida, sem dúvida.
É, porque o impacto visual que dá na tela também te trouxe esse impacto estando lá, né? Mesmo tendo algo que, enfim, é antigo, né? Uma gráfica, não é uma coisa de tecnologia master, né? E eu com o meu figurino, que também é todo retrô, é todo personalizado. Você olha para o Mr. Mistério e fala, cara, isso é um detetive, é uma figura. É uma figura.
É o detetive, como se fala? Aquele estereotipado. Estereotipado, exatamente, total. O sobretudo Kaki. Que é lindo. O seu filho já assistiu? Ainda não, ainda não, mas vai assistir. Você tá curioso pra ver como vai ser a reação dele? Porque o fato de você ser pai te incentivou a embarcar em seu rolê todo?
Sem dúvida nenhuma. Toda vez que eu aceito um projeto que pode conversar com crianças e adolescentes, eu penso no Davi, meu filho. Eu falo, cara, ele vai assistir isso hoje, com 5 anos de idade, ou ele vai assistir com 15 anos, com 20. Essa semana mesmo ele me mandou um áudio que ele estava assistindo a Liga de Monstros, que eu dublei com o Steve, que é o protagonista. Ele, papai, assisti a Liga de Monstros. Aí eu falei pra ele que era a minha voz.
Aí ele, mas tá diferente. Eu falei, sim, porque o papai tá fazendo uma voz de monstro. O Gato de Botas, que eu dublei o Perrito, que é o amigo do Gato de Botas, ele ama, ama. E ele reconhece você? A gente escolheu não falar, porque ele começou a assistir isso com dois anos e meio, três, porque ele tava tão encantado que eu falei, cara, não vou quebrar esse encanto. Aí só agora, com cinco anos, ele sabe que foi eu que dublei. Ah, pensei que ele fosse descobrir com esse podcast.
Um presente pra ele aqui. E essa sua preparação pra fazer filmes mudou depois que você se tornou pai? As suas escolhas na carreira, alguma coisa assim mudou? Sim, sim. Eu acho que eu tomo... Primeiro que quando é infanto, juvenil, eu... Já fico feliz pra caramba que eu falo, cara, vamos fazer porque eu quero deixar uma obra pra ele. Já entrei nesse lugar da obra, tô ficando velho. Quero deixar uma obra para o meu filho, tá? E, claro, eu também... E aí
Escolher os projetos, eu penso quanto tempo eu vou ficar fora de casa, onde é, eu consigo levá-lo. Agora eu estou há dois meses praticamente sem folga, fazendo um musical, terminei um longa essa semana, mas eu planejei trazê-lo a cada oito dias.
Então, eu tenho um mínimo de logística para aceitar esses... Sei lá, vou filmar no Piauí. Nunca filmei, mas fica a dica, podem me chamar. Só que você vai querer levar ele. Eu vou querer levar ele. Entendeu? Então, eu preciso pensar nisso. Depois que você é pai, você pensa um pouco na tua vida pessoal também, né? Não é mais um cara de 20 anos que se joga e bota uma mochila nas costas e vamos filmar. Então, hoje eu tomo cuidado com isso. E, ainda assim, trabalhando muito.
Você leva ele pro set às vezes? Levo, faço questão. E como que ele fica maravilhado? Ele adora, adora. Eu levo ele pro teatro, porque eu acho importante pra ele, pras crianças, entender o trabalho do pai e da mãe, e de que aquilo os fazem felizes. E não tipo, ah, vou lá porque eu tenho que pagar o boleto, vou trabalhar, o papai tá exausto. Não, filho, vem ver aqui como é legal. Olha como o trabalho do papai é legal, o papai ama o trabalho dele. Olha quantas pessoas fazem cinema, filho.
Aquela ali cuida do figurino, aquela ali cuida do café. E ele tão pequenininho já tem essa noção. Ele fica atento, ele fica muito atento, ele fica ligado. Ele foi semana retrasada no teatro, no dia que tinha duas sessões, aí entre uma sessão e outra a gente tem um intervalo que servem um jantar.
E aí eu falei, filho, quer comer o macarrão do elenco? Ele, quero. Aí levei o macarrão pra ele. Falei, ó, tá vendo essa comida aqui? Porque o pessoal ainda vai fazer outra sessão, filho. Então, essa semana mesmo ele me perguntou, papai, hoje é sete ou é teatro? Ai, que fofo. Que graça, ele já tem totalmente na cabeça dele. Falei, hoje é sete, filho. Teatro é só no final de semana. Muito fofo. Então eu gosto e faço questão de trazê-lo pro meu universo.
Você acha que ele vai querer ser do meio? Porque sua esposa é... Você cresce contaminado, por isso é invidável. Tem já traços nele que você vê? Tem, tem. Bastante. Bastante, bastante. Eu falo, não quero criar expectativas, nem forçá-lo a nada, imagina. Mas ele é muito musical. Ele é muito gaiato, engraçado.
Ele gosta de teatro, de música, de TV, de cinema. Ele gosta. Então, é um universo que ele vê o pai e a mãe fazendo. Então, é muito difícil ele não trabalhar com isso de alguma forma. É, nem seja ali nos bastidores, né? Diretor. É, o diretor. E escala o pai. Mas é muito cedo pra falar isso, né? Mas eu acho que a arte vai estar na vida dele, mesmo ele sendo médico, advogado, acho que a arte já é uma coisa presente na vida dele.
Eu tinha uma pergunta aqui, que é sobre quando você decidiu virar um pouco essa chave de humor, porque você ficou muitos anos trabalhando com humor, stand-up e tudo mais, e hoje em dia você tem testado outros formatos, outros gêneros. E pelo que você está me falando, talvez tenha sido a paternidade que te fez esse estalo de testar outras coisas ou não.
Acho que até antes, antes da paternidade, eu sempre gostei de sair das caixinhas que a gente mesmo se coloca, que o mercado coloca e que pode parecer confortável. Porque há uma tendência também no mercado de te chamarem para fazer a mesma coisa. Porque deu certo, então vamos escolher ele de novo e tal. Então eu sempre me forcei a sair desses lugares. E vim...
conquistando isso. Eu sempre fui, na própria TV Globo, eu fiz de um tudo. Apresentei programa, fiz novela, fiz humor e fiz drama. E isso foi transportado também para o cinema, para o teatro. Então, para mim, os projetos hoje são escolhidos assim, caramba, acabei de fazer um filme de comédia.
Legal. Próximo convite? Hum, é muito parecido com esse que eu acabei de fazer. Não, vamos fazer um drama agora? Ou uma dramédia? Não, agora eu vou voltar para o teatro. Não, agora eu quero fazer uma novela. Eu tento, claro que não é tão matemático, não é que eu mando assim na minha agenda, mas eu tento jogar isso para o universo e tento fazer essas escolhas de maneira diversificada. Até para o público eu acho isso bom. De ver, odeio falar em terceira pessoa, ver o Marcos Veras em lugares diferentes.
É, não achar que você está sempre no mesmo lugar. Ah, o Marcos Veras faz sempre o mesmo papel. É, já vi isso, já vi aquilo. Então, eu gosto de mostrar isso para mim, para o mercado e, claro, principalmente para o público. E falar, caramba, olha que legal, eu vi uma peça de humor do Veras, mas ele está fazendo isso, que legal, me emocionei.
Então, eu tenho uma carreira hoje que eu me orgulho nesse lugar. E pretendo continuar, sim. Atenção, produtores de elenco, diretores. Estamos aí. Eu choro maravilhosamente bem. Choro agora. Eu ia fazer isso. E você ficou agora falando um pouco da sua carreira, antes da gente finalizar. Você ficou muitos anos no Zorro Total. Sim.
E hoje em dia, você acha que esse humor ainda funciona? Existe algum personagem daquela época que você acha que não caberia mais? Ou alguma coisa... Enfim, como você enxerga o Zorro Total hoje em dia?
Eu acho que o Zorra teve uma importância muito grande por vários motivos. Primeiro porque revelou muitos talentos da minha geração, inclusive. Continuou empregando e mostrando a velha guarda, Chico Anísio, o Paulo Silvino, a Judo Ribeiro, que eu tive a honra de trabalhar. Então tinha essa importância, um humor muito popular, direto, comunicativo.
Mas acho que hoje, para se fazer ele, teria que ser revisto os bordões preconceituosos, machistas, homofóbicos, separatistas, porque tinha e porque na época, não que fizesse sentido, mas não se discutia isso na sociedade. Não tinha esse olhar cuidadoso. Não tinha esse olhar cuidadoso, apesar de algumas classes já chamarem atenção para isso. Na época, pô, mas isso é homofóbico.
Ah, mas é engraçado. Opa, mas a que custo? Homofobia mata o Brasil. Teve alguma dessas conversas que chegou até você, que você foi algum grupo? Não, eu não tive contato com esse tipo de crítica. Eu saí do Zorra em 2015. Depois o Zorra foi reformulado por um humor mais moderno. Mas eu acho que há espaço, sim, para programa de humor com peruca.
Um humor mais caricato, mais clássico. Há espaço. Vide a escolinha do professor Raimundo Nova Geração. É. Que eu fiz. Que eram os personagens de sempre. Só que com releituras. Com texto mais respeitoso. Mais moderno. Mais moderno. Atual. Respeitando os limites que a sociedade... Os limites não. As conquistas que a sociedade trouxe. Isso não pode, galera. Está errado. Isso mata.
E entender que tá errado, né? Mais do que respeitar, mas é entender num nível de nem trazer mais pra mesa. Exatamente. Acho que aconteceu muito isso com a sociedade com o humor no geral. E aí a escolinha eu acho que é um humor caricato, de peruca, da voz, do personagem, do jeito, mas com a releitura muito mais responsável, sem tirar a graça.
sem perder a essência. E era um fenômeno. A escolinha é reprisada até hoje. Não, eu acho incrível. A escolinha é incrível. Essa nova escolinha que eles fizeram. Eu amava. Me divertia muito. Muito divertido. Eu achei que foi uma ideia muito inteligente que tiveram pra trazer de volta e fazer ao mesmo tempo uma homenagem à escolinha que foi... Sem dúvida. Marcou muito a televisão. Formou muito comediante. Formou o Brasil, inclusive, né? Porque eram personagens muito brasileiros aqueles personagens.
E como você disse agora, pelo humor mudar tanto, o humor muda praticamente a cada ano, né? Tem alguma coisa que você fez no início da sua carreira que hoje em dia você acha que você não faria mais? No início da carreira?
Eu acho que hoje eu não me identifico mais com esse humor que o Zorra fez. Hoje eu evito colocar uma peruca. Toda vez que alguém vai me chamar pra fazer um trabalho, eu falo assim, ah não, mas precisa de peruca. Precisa. Ah, mas e se ele andasse de uma forma tal? Mas o personagem precisa andar assim? Eu amo humor físico, amo. Nada contra a peruca, mas esse humor que vai eu estou com seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte seguinte
para o lugar só da caricatura. É quase uma muleta, né? É. Eu prefiro fazer um humor que tem uma identificação mais irônica, mais cara limpa.
Com menos de artifício, menos muletas. Porque eu acho que esse humor caricato são muletas. Mas você vê, por exemplo, a Praça Nossa é um fenômeno. Até hoje. É um fenômeno de audiência. Eu acho engraçado pra caramba. Eu vejo lá o Saulo Laranjeiras fazendo o deputado. Eu acho maravilhoso. Mas é que o Praça Nossa também conseguiu ser... Ele ainda tem esse humor bem antiquado. Sim. Mas ele consegue anualmente meio que se...
Se reinventar. Reinventar, traz um negócio novo ali, traz uma crítica atual, tipo deputado, sabe uma coisa assim? Sem dúvida. Consegue de alguma forma falar com o público que ainda assiste ele de uma forma reinventada. Sim. E falando nisso, completando a minha resposta, não é que eu me arrependa de ter feito, pelo contrário. Não, não, exato. Porque isso me formou. Eu sou formado pela televisão, pelo teatro, pelo humor, né?
Então, trabalhar com a Judo Ribeiro, com o Leandro Hassum, com a Catiúcia Canoro, Rodrigo Santana, Paulo Silvino. Essa galera me formou, trabalhando com eles ali, dividindo cena. Então, é que hoje, na minha vida artística, também não caberia. Mas, se tiver que fazer, a gente faz de um tudo. Eu sou um grande cara de palco, eu faço de um tudo.
É só por causa disso que a gente está falando sobre essas mudanças que a vida tem e que você teve. Sim, sim. É um movimento natural, né? A gente é formado por tudo isso, mas o ideal é que a gente cresça e aprenda coisas novas. Claro. E mesmo com as mudanças, né? Você pega um roteiro hoje escrito por uma pessoa...
atenta às mudanças, ainda assim pode ter uma coisa machista, tem um deslize lá que você fala, caramba, isso é patriarcado, isso é cultural, isso é... Mas vamos trocar essa palavra aqui por essa? Então acho que essa discussão hoje ela tá sendo muito mais aceita, bem feita, mesmo com alguém que escreva um roteiro de forma atenta. Ela pode errar.
A gente está suscetível a isso. É isso que a gente diz quando a gente usa a palavra estrutural. Estrutural. A gente cresce realmente nesse ambiente. E é normal a gente pensar, ter esses pensamentos, eles virem à tona. O errado é a gente aceitar e normalizar. E normalizar isso. Ou ficar só justificando, mas é por causa da idade. Ah, não, é geracional, gente. Ele tem 60 anos. É que na minha época... Essa frase acaba comigo. Na minha época, isso é difícil de ouvir, mas enfim.
Eu tô chegando no final, tenho duas perguntas pra fazer aqui. Você quer fazer alguma? Porque, Carlos, esse é o momento final. Eu tô... Assistindo ao filme, voltando um pouco pro filme, então. Assistindo ao filme, eu fiquei muito maravilhado com essa questão de figurinhas. Porque eu, hoje em dia, acho palhaçada. Não entendo como as pessoas conseguem mais colecionar figurinha. Mas por causa da grana. Não só por causa da grana. É só papel colado no papel, amada.
Ah, peraí. Você colecionava figurinhas, você tinha essa mania? Pra caramba, cara. Principalmente de Campeonato Brasileiro, Copa do Mundo, Copa União. Eu adorava. Sério. E eu parei. Hoje em dia, na minha fase adulta, talvez eu, agora com o gênio do crime, talvez isso retome até por causa do meu filho. É. Que talvez queira. É super legal fazer isso com o filho, tá? Vai lá na praça do meu bairro que você vai ver.
Mas uma coisa que tem no filme que eu fiquei muito feliz, que realmente, isso eu gostava. Era o bapho, de jogar bapho. Sim, pô, adorava. E eu era bom, tá? Era bom? Eu era bom no bapho. É que eu acho que o álbum de figurinha tem uma coisa, Carlos, que é a lembrança daquela época. Tipo, eu tenho guardado o álbum de 2006. Vira um documento, né? É. Você abre lá e fala, nossa, essa pessoa aqui tava na Copa de 2006, nem lembrava da cara dessa pessoa. Enfim, eu acho que o álbum vira uma lembrança de uma época que você viveu.
Eu tava lá. É, é isso. Eu acho que álbum de figurinhas é mais sobre essa lembrança de uma coisa que você foi fã ou de uma coisa que você viveu. Tipo, álbum de figurinha de Rebelde, RBD. A galera que era fã tinha e amava. Você tem dificuldade de se desfazer disso. Total. Eu, por exemplo, amo vinil. É, é a mesma coisa, eu acho. Eu tenho que ver vinil.
velhos lá, que eu tenho uma vitrola que talvez nem funcione mais, mas tá lá, porque eu adoro, é quase uma decoração. E aí, o vinil é o mesmo problema do álbum de figurinhas, a grana, é muito caro hoje em dia. Ficou caro, né? Tudo que é no salto fica caro. E agora tá voltando. Então, já pensou se o álbum de figurinha volta? Porque isso, o vinil era moda antiga. Como assim, volta? Nunca parou. Eu acho que nunca parou, a gente é que parou de ter contato com isso, mas nunca parou. Nunca parou, já foi anunciado o álbum da Copa 2026. Mas eu digo...
Não sei, realmente porque eu sempre estive muito fora de circuito. Mas nunca deixou de ser uma coisa, não? Sempre volta? Eu acho que sempre volta. E a gente é que saiu do nicho. Isso, eu também acho. E aí, vou finalizar aqui com duas perguntas. A primeira é, se você pudesse dar um conselho pra Marcos Veras no começo da carreira, qual seria? Caramba! Descanse um pouco mais.
Dois meses sem folga é complicado. Descanse um pouco mais, porque é importante o ócio criativo. E no início da carreira a gente tem sangue nos olhos. Ainda tenho muito, vi de dois meses sem folga. Não quero romantizar aqui esse excesso de trabalho, pelo amor de Deus, porque não é saudável, tá? Dei conta e tá tudo certo e isso também não é sempre, não é recorrente. Mas no início da carreira a gente fica muito... Quero fazer, quero fazer, quero fazer dinheiro, quero acontecer, e quero não sei o quê, não sei o quê, não sei o quê, não sei o quê. Aí você engorda.
Dorme mal, fica estressado. Então eu daria esse conselho. Calma, respira. Então eu daria esse conselho pra Marcos Vera. Mas no mundo artístico, é isso, né? É sempre a sua chance. É sempre a sua chance, né? Quando na verdade é importante você estar sempre preparado. Porque a chance pode chegar. Preparado é uma coisa, estafado é outra. E aí ninguém rende. É verdade. E a última pergunta que eu sempre faço aqui. Um filme ou uma série que todo mundo ama e você não gosta.
Um filme ou uma série que todo mundo ama e eu não gosto? Eu posso ir de dois filmes? Pode, óbvio. Se você quer ser cancelado duplamente, eu vou. Tá na sua. Se você quiser dar 36 filmes. Vou cancelado agora. Palavra cancelado, posso falar meio filme? Tô brincando, tô brincando. Cara, eu lembro de um burburinho, um auê com Bruxa de Blair. Que eu fui assistir. Olha a cara dele. O Carlos ficou. Vou cancelar, vou cancelar. Eu fui assistir, eu falei. Talvez eu tenha que reassistir hoje. Tem muito tempo, Bruxa de Blair.
Eu fui assistir e falei, quero meu dinheiro de volta. O que é isso? O que é isso? Eu faria também. Você falou assim, eu também faria esse filme. Porque Bruxa de Blair é aquele que é filmado na câmera, na mão. É, exato.
Mas duas horas e meia daquilo, Jesus? Mas enfim. Eu não acho tudo isso. Posso dar mais uma chance. O outro, talvez eu seja mais polêmico agora. Agora eu vou ser cancelado. Não sei nem se o nome do filme é esse. Árvore da Vida? Sou eu também pra falar, né? Eu tô brincando. Eu vou começar a receber um monte de haters assim. E aquele filme merda que tu fez, velho? Não.
Não, não vai receber nada disso. Veras, eu queria agradecer muito sua presença aqui, mesmo com essa sua agenda maluca, que você que teve um tempo de vir aqui com a gente hoje. Obrigada mesmo por valorizar aqui o nosso programa e vir aqui bater esse papo com a gente. Obrigado, obrigado a vocês. Sempre um prazer, sempre acompanho, adoro cinema. Vou lá consultar pra saber se o filme é bom, se não é.
pode dar nota boa pra mim, não tem problema, adoro e é isso, vem mais filme por aí, assistam Gênio do Crime nos cinemas, vem Calendário do Amor em 2027, vem Shaolin do Sertão vem Voodoo Delivery muita coisa vem aí se Deus quiser, joga pro universo é igual o Anne Hathaway, Anne Hathaway e Marcos Veras gostou? o Anne Hathaway é a única que vai trabalhar na vida jogou pro universo 50 filmes, 50 séries
Carlos, obrigada. Bate aí, volta mais vezes. Agora você mora em São Paulo, né? Agora eu tô aqui. Agora você tá aqui sem. Só me chamar, amor. Muito obrigada a todos vocês que nos acompanharam aqui até agora. E se eu odeio cinema, tem episódio toda quinta-feira. Se inscreve aí no nosso canal, ativa o sininho na sua plataforma de áudio favorita. Um beijo e até a próxima. Tchau. Tchau.
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