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Culto – Hebreus 11:1-3 – A Fé Que Não Retrocede: Certeza do Invisível e Garantia do Futuro

16 de julho de 202648min
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Neste culto, o Presbítero Isaque pregou sobre Hebreus 11.1-3, tratando da natureza da verdadeira fé. Contexto: judeus cristãos sob dupla pressão — perseguição romana e rejeição da comunidade judaica. Perdendo bens, reputação, família. A lógica humana dizia para retroceder ao judaísmo, religião permitida por Roma. Hebreus 10.39 divide a humanidade: os que retrocedem para destruição e os que têm fé para preservação da vida. Não é questão de temperamento, mas de natureza regenerada.

A fé não é ferramenta de barganha. Não é moeda de troca para obter coisas de Deus. É a confiança convicta na fidelidade de Deus, gerada pelo Espírito Santo. A fé não serve para dobrarmos a Deus, mas para nos dobrarmos à vontade de Deus. A teologia da prosperidade fabrica pessoas frustradas e apóstatas. Exemplos: parente que fez tudo como a "cartilha" mandava e nada aconteceu — hoje é umbandista. Amigo que orou com fé pela cura da mãe, ela faleceu — se afastou da igreja. Os hebreus estavam empobrecendo por causa do evangelho, não enriquecendo.

"Certeza daquilo que esperamos" (v. 1). A palavra "certeza" vem de termo usado em comércios — título de propriedade, escritura, garantia legal. A fé não é sentimento ou otimismo humano. É documento legal, garantia presente de realidade futura. Calvino: "A fé funciona como alicerce de concreto de uma casa ainda não construída." Você não vê as paredes, mas sabe que a casa já começou a existir. A fé não depende do que sentimos — é documento de propriedade que Cristo assinou com seu próprio sangue.

"Prova das coisas que não vemos." Termo jurídico: evidência irrefutável produzida em tribunal, que encerra o debate. A fé é a própria evidência legal de que o mundo invisível de Deus é real. Ter fé não é ser cego ou se autoenganar. O cristão sabe que a dor é real, que o diagnóstico é difícil, que a conta está no vermelho — mas tem no coração evidência jurídica superior: a promessa de Deus. João Crisóstomo: "Se é evidência de coisas que não se veem, por que deseja vê-las ao ponto de decair da fé?"

"Os antigos receberam bom testemunho" (v. 2). O termo é "martírio" — o próprio Deus testificou sobre eles. Não foram aprovados por vida fácil ou próspera. Muitos foram serrados ao meio, apedrejados, viveram em cavernas. Mas permaneceram firmes na promessa. Abraão creu em Deus e isso lhe foi imputado como justiça (Rm 4:3). A fé sempre foi o padrão de Deus desde Gênesis — confirma a unidade do pacto da graça.

"O universo foi formado pela palavra de Deus" (v. 3). Doutrina da criação do nada. Se a palavra de Deus tem poder para trazer criação do nada, tem poder para sustentá-la e cumprir suas promessas. John Owen: "Se pela fé temos certeza da criação do mundo a partir do nada, isso nos sustentará na crença de outras coisas que parecem difíceis."

História de Felicidade (c. 160 d.C.). Viúva romana rica, cristã devota. Sacerdotes pagãos a acusaram ao imperador. Prefeito Públio tentou convencê-la com favores, depois ameaçou com tortura. Resposta: "Não me deixarei seduzir por adulações, nem intimidar por ameaças. O Espírito de Deus habita em mim." Ameaçou os filhos. Ela respondeu: "Meus filhos viverão eternamente se não sacrificarem a ídolos." Os sete filhos foram mortos de formas diferentes na frente dela — açoitados, esmagados, espancados, jogados de precipício, decapitados. Ela glorificou a Deus por seus filhos terem permanecido fiéis. Quatro meses depois, foi decapitada.

A fé é bastão de corrida passado de geração em geração. Sustentou heróis do AT, sustentou leitores de Hebreus diante de Nero, sustentou Felicidade e seus filhos, está agora em nossas mãos. Hebreus 12:1-2: correndo com perseverança a carreira, com os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da fé.

Pregador: Presbítero IsaqueLocal: Igreja Batista Reformada em Belo HorizonteTexto base: Hebreus 11:1-3