Interlúdio #98 - Super Metroid, The Loyal Pin, KM2 (De Luxo)
Nesse Interlúdio de número 98, Lorena, Mateus e Fernanda se reúnem para explorar planetas inóspitos, se encantar com um romance sáfico da realeza na Tailândia dos anos 60 e se envolver com as pedradas da Ebony em seu novo álbum de luxo!
Arte da capa: @edipobarreto no Instagram
Assuntos:
00:00:00 - Abertura
00:03:47 - Jogo: Super Metroid
00:14:10 - GL: The Loyal Pin
00:29:03 - Álbum: KM2 (De Luxo)
00:47:50 - Encerramento
Citados no episódio: Hollow Knight (Jogo), Hollow Knight: Silksong (Jogo), Castlevania: Symphony of the Night (jogo), Super Metroid (Jogo), The Loyal Pin (GL), Sarocha Freen (Atriz), Becky Armstrong (Atriz), Gap The Series (GL), 4 Elements: The Earth (GL), 4 Elements: The Water (GL), 4 Elements: The Air (GL), 4 Elements: The Fire (GL), KM2 (De Luxo), Ebony (Rapper) Hester Landim (artista plástica), LARINHX (Rapper), Sojourner Truth (Ativista Política), Nina Simone (Cantora), Aqualtune (figura de liderança no Quilombo dos Palmares), Rolling Stone Brasil (revista).
Assista The Loyal Pin: https://youtube.com/playlist?list=PL4D0KlUVq4IyqMr7kszWIINegVFFrztUD
Instagram da Hester Landim: https://www.instagram.com/h.landim/
Entrevista da Ebony para a Rolling Stone: https://rollingstone.com.br/musica/ebony-e-muito-meu-dever-refletir-sobre-o-meu-tempo/
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- The Loyal PinSérie tailandesa GL (Girls Love) · Romance histórico sáfico · Produção e indústria GL na Tailândia · Cultura e turismo tailandês · Becky Armstrong e Freen Sarocha
- Gênero MetroidvaniaGênero Metroidvania · Samus Aran · História do jogo · Exploração de mapa · Trilha sonora atmosférica · Speedrun e comunidade
- KM2 (De Luxo) - EbonyÁlbum de rap e hip hop · Poemas e interlúdios no álbum · Traumas e vivências de periferia · Crítica ao machismo e racismo · Ascensão profissional e pessoal · Identidade LGBT+ · Capa do álbum e arte de Hester Landim · Poema 'Sangue Ruim' · Referência a Aqualtune · Poema 'Sojourner Truth' · Produção de Larinha
- Produção de PodcastsCatarse · Grupo no Telegram (Buraco Quente) · Redes sociais (Blue Sky, YouTube, Instagram, Twitch) · Contato por e-mail e Telegram
Olá, cavadores de buraco! Sejam bem-vindos ao Interlúdio número 98. Hoje eu tô aqui com a Fernanda. Olá, Fernanda, animada pra comentar sua indicação. Oi, gente! Tudo bom? Tô muito, muito empolgada pra falar sobre a minha indicação desse interlúdio.
Acho que vem coisa diferente aí, pelo que eu fiquei sabendo. Mas vamos falar disso depois. E também estou aqui com o Matheus. Tudo bem, Matheus? Oi, Lorena! Eu também estou animado aqui para fazer minha indicação. Na verdade, é quase uma prestação de contas aqui para o buraco. Vocês vão entender. Curiosa. Antes de a gente começar, eu queria passar os recadinhos de praxe da casa, que vocês já estão acostumados, mas é sempre bom lembrar, né?
Fernanda, conta para os ouvintes como eles podem apoiar o crescimento desse buraco.
Bom, vocês podem apoiar, claro, sempre compartilhando a palavra do buraco, isso já ajuda bastante, mandando episódio para os seus colegas, isso já é uma grande ajuda. Mas se você puder e quiser contribuir financeiramente para que esse buraco fique cada vez maior, você pode nos apoiar lá no Catarse, é no catarse.me barra buraco atrás do pôster. Você pode doar qualquer quantia e nós vamos ficar imensamente gratos por isso.
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Recentemente estamos numa empreitada para acompanhar vampiros num relacionamento homoafetivo, que hoje estamos todos ansiosos pela estreia da temporada de Vampiro Lestá. Então, se você também gostar e quiser falar sobre a sua obsessão vampiresca, contribua a partir de 10 reais e venha fazer parte do Buraco Quente. Ou se você não acompanha e quer começar a acompanhar. Tem pessoas pra conversar sobre aí. Então fica o incentivo, né?
Exatamente. Mas, além disso, Matheus, onde que o pessoal encontra a gente? Claro, eles encontram a gente no Blue Sky, no YouTube, no Instagram, na Twitch. Tudo buraco atrás do pôster, tá? Ou buraco atrás do pôster, se você for no Blue Sky. E se você quer entrar em contato com a gente, você pode mandar um e-mail para o contatobadp.gmail.com
você pode mandar uma mensagenzinha pro Telegram, buraco atrás do pôster, ele vai ser ali um chat seu amiguinho do buraco, ele vai ouvir seus comentários, e também você pode escrever ali no episódio do Spotify o seu comentário pra gente, a gente gosta dele bastante.
Sempre que você for enviar um e-mail ou um contato ali pelo Telegram, por favor, identificar ali qual o episódio que você está fazendo referência, porque os podcasters têm memória curta. Então, você vai estar ajudando bastante a nossa vida. Exatamente. Facilita a vida do Millennium.
É isso aí. E antes aqui da gente começar, lembrar mais uma vez que a gente tá aqui no aquecimento para o nosso jogo do mês, que vai ser Mass Effect 2. O grande Mass Effect 2, que é um jogo longo, mas ainda dá tempo de vocês jogarem, tá? Se vocês quiserem jogar pra acompanhar a gente na nossa discussão, vai ser muito bem-vindo.
Maravilha gente, então vamos lá as nossas indicações. Vamos começar com o Matheus. Matheus, o que você traz pra gente hoje?
Olha, eu já tô numa saga aqui de interludes anteriores, se você é um ouvinte que acompanha os interludes, você já deve estar mais ou menos ligado aí que de uns tempos pra cá eu tenho me aventurado aí no gênero Metroidvania. Esse gênero ali que é uma plataforma de ação e exploração, meio difícil até definir o que faz um jogo ser esse Metroidvania, né?
Mas eu resolvi, depois de ter jogado o Silk Song, o Hollow Knight, indicações do Lucco, do Regere, eu falei assim, não, beleza, agora eu vou tentar entender por que é, por que o pessoal chama de Metroidvania. Primeiro, eu joguei o Castlevania, Sinfonia da Noite. Você jogou o Castelo da Vânia?
O Castelo da Havanha e o Sanfoneiro da Noite. Esse mesmo. E tem algum interlúdio que eu comento sobre isso. E agora chegou a vez dele, o Super Metroid. É a outra parte aqui dessa composição da palavra. Super Metroid é o terceiro jogo da franquia Metroid. Ele é de 1994, um joguinho do Super Nintendo. Então, Matheus, nesse você já sabia que a Samus era uma mulher?
Nesse eu já sabia. Olha só, que loucura. Isso é uma coisa que o pessoal é meio maluco, né? Porque toda vez que a Samus morre, que a sua vida chega a zero, a armadura quebra e sai uma mulher loira de um cabelão. E o pessoal não sabia que a Samus era mulher. Mas beleza, eu nem vou entrar nesse mérito, não. Melhor deixar pra lá, né? É, nossa senhora.
Então, o Super Metroid é uma sequência dos outros jogos, onde o Metroid, que é esse alienzinho, ele foi capturado e estavam fazendo estudos com ele numa base espacial.
Até que, em um dado momento, essa base é atacada e a Samus, com a nave dela, que é igual ao capacete dela, chega lá pra ajudar o que que tá acontecendo e tá tudo indo meio que pro espaço.
Tá tudo muito explodindo. Você foge daquela base. Você vai atrás desse Metroid. De volta ao primeiro planeta. Que é o planeta Zerbes. Se eu salvo engano, se eu falei certo. E...
que é o mesmo planeta do Metroid 1. Então ele funciona quase como, não seria que um remake, mas é meio que, olha só, você tá voltando praquele planeta que você explorou lá no Nintendinho. Então tem coisas que são parecidas, áreas expandidas, é bem interessante de jogar uma...
coisa que o Super Metroid faz que, cara, é muito difícil ver isso acontecendo, comparando com esses outros Metroidvanias mais modernos, é que a Samus, ela já tem algumas habilidades que ela já tem no conjunto do personagem.
mas que o jogo meio que não te explica, e isso muda muito a forma de você explorar naquele mundo. Porque o jogo Metroid em si, a história é basicamente isso, tá? Não vai muito mais longe que isso que eu comentei. Ele é mais um pretexto pra você explorar esse planeta.
Mas pra mim, onde o jogo brilha é nessa exploração. E a trilha dele é muito atmosférica, sabe? Você se sente como o tempo todo como se você estivesse andando em um planeta inóspito. Aquela trilha assim, meio alien, é bem cativante. E uma dúvida que surgiu aqui, eu realmente só ouvi falar do jogo, não conheço nada dele. Essa questão de saber ou não saber que a personagem é mulher, é porque usa uma armadura, alguma coisa assim?
Olha, então, isso no jogo não tem nada. Não tem nada no sentido de... Isso pros desenvolvedores nem era uma coisa. Mas é que não é nesse terceiro jogo. É no primeiro, né? Que tem isso daí. É no Metroid. Sim, sim. É que eu fiquei em dúvida do porquê que não se sabe. É por causa da perspectiva do jogo? É porque ela tá coberta? Como é que é?
É porque ela tá coberta. Ela só anda de armadura. Ela só é armadurada. Entendeu? Ah, tá. Entendi. E principalmente no Nintendinho, que não era uma coisa com muitos detalhes, era bem difícil mostrar isso, assim, né? Mas eu acho que até tinha. Pra mim, quando chegou isso até mim, era até mesmo no Metroid 3. Quando eu já cansei de encontrar gente que não sabia que era a Samus.
Ah não, tinha gente que não sabia, mas todo o rolê aconteceu no Metroid 1, que era ainda só Metroid, não era Super Metroid, porque era o gráfico normal e o personagem estava sempre de armadura. Os desenvolvedores sempre pensaram que era a Samus.
Só que como só tem o nome Samus e tá em inglês, aí tem a questão neutra, né? Não usam her, né? Nem she, nem he em nenhum momento. E a personagem tá sempre de armadura. O que acontece é que no primeiro jogo, quando você faz o final verdadeiro, que aí tem umas regrinhas pra você completar, Lore.
Só nesse final verdadeiro, que você tinha um tempo pra zerar, tinha que conseguir um monte de coisa, acontecia que tinha uma ceninha final animada, no estilo pixel art, né? Em que ela tirava a armadura e dava pra você ver que era uma mulher. Ela tirava, tipo, o capaceiro e essas coisas. Então nem era todo mundo que via, né?
Não, não era todo mundo que via, porque não era um final fácil de conseguir. E nem todo mundo sequer sabia que existia esse final. Porque, vamos falar a verdade, gente, coisa lá dos anos 80, a gente, malemalhe, tinha informações extras sobre jogos. Você tinha que, às vezes, ter uma revista, as revistas mentiam pra caramba, né? Vide toda a lore lá que dava pra tirar a roupa da Lara Croft, né, gente? Vamos falar a verdade, essas coisas assim da IGN, né? Meu Deus. É, era isso. Ou o meme do Mario...
Do Super Mario World, que você tinha uma fase extra, que você tinha que fazer um combo específico. Era isso. Era um mundo que era mais difícil de você ter essas informações. E aí o que acontece é que nem todo mundo, quando jogou o jogo original, descobriu que Samus era uma mulher. E aí depois, nos outros jogos, você se virou, meu Deus, ela era uma mulher, não acredito. Mas nunca foi uma coisa pros desenvolvedores. Começou a lacração.
É, pros desenvolvedores a Samus sempre foi uma mulher. Ela só tinha esse final extra pra tirar o capacete.
Ah, sim, tem isso no Super Metroid, tá? Se você zera abaixo de uma hora, eu acho, tipo, acontece uma coisa, ela tira só o capacete, se for abaixo de três horas é outra coisa, enfim. Eu zerei com sete horas, mais ou menos, de gameplay. Peguei até que bastante coisinha.
Uma coisa que eu fiquei muito impressionado é que o jogo... Pô, vai parecer meio babaca, mas assim, o jogo é muito divertido. Eu não estava esperando me divertir tanto com ele quando eu peguei para jogar. Porque eu sou meio ruim nesse tipo de jogo, porque a Samus não tem level. Ela não tem uma coisa que vai me deixar objetivamente mais forte em si. Então eu tenho que melhorar no jogo, ou coletar muita vida, muitos itens ali, para sobreviver.
Uma coisa que acontece é que, cara, explorar esse mundo é muito divertido. Então acabou que muitos dos chefões eu ia passando ali, coletando muitas coisas, e eu acabei atropelando o jogo. Acho que só teve um momento que eu precisei parar pra farmar, farmar item, que eu tava chegando muito perto do final e tava ficando complicadinho. Mas é muito legal andar pelo jogo, as movimentações são muito bem feitas.
E depois que você descobre todas as habilidades que a Samus tem, o mapa vira outro da perspectiva de... Desde o início do jogo, eu tinha coisas que eu ficava... Ah não, eu tenho que seguir por essa rota X. E não, eu não tenho que seguir por essa rota X. Dá pra fazer isso de diversas outras formas. Eu só não sabia que dava. É uma coisa... Um trabalho de design de mapa...
Que é absurdo até para os dias de hoje, sabe? Não tem... Eu acho que ele é o... Para mim, ele é o Metroidvania que melhor trabalha o mapa. Assim, é um negócio bizarro. Você que jogou os clássicos.
Você diria que você prefere mais o Metroid do que o Castlevania? Momento polêmico, eu tô aqui pra isso. Pra mim é... Os Castlevanias ali do estilo do Igarashi ali, que ele faz, é a minha vidinha, a minha geleia. Bater nos bichinhos, farmar level, pegar equipamento novo, fazer buildzinha no meu bonequinho pra ele ficar overpower e atropelar todo mundo. Essa é a minha geleinha. Mas eu entendo porque que o pessoal tem...
tanto um amor por Metroid. Eu entendo porque que tem muita gente que faz speedrun desse jogo, porque que tem uma comunidade muito forte até hoje, muito viva, porque o pessoal faz hack room pra esse jogo, faz mod, criam universos alternativos ali de jogos...
Jogos novos com a engine do Metroid 3. Eu super, super entendo. E pra mim ele é um jogo que dá pra você jogar nos dias de hoje tranquilamente. Ainda mais com o Save State. Porra, é uma delícia. E você jogou ele aonde? No PC?
Ah, eu joguei no Nintendo Switch. A maior parte do tempo foi... Ah, no Switch. É, porque ele tem lá no... É um daqueles joguinhos que a Nintendo disponibiliza pelo serviço online dela. Aí eu baixei lá e... E maravilha. Eu joguei e fiquei jogando, assim. E é bom que lá ele tem também aquela função de...
De voltar no tempo o emulador. Alguns frames. Então às vezes eu dava umas erradas ali na plataforma. Eu ficava, ai meu Deus, vou ter que voltar tudo. Eu só voltava no tempo. Facilita muito. Então é isso? É isso, Super Metroid. Joguem. Eu gostei muito. E recomendo. Pra quem não deu uma chance, pelo menos, jogar um pouquinho. É bem legal.
É bom né conhecer os clássicos. Maravilha então. Continuando aqui, e você Fernanda? Qual é a sua indicação de hoje?
Bom, hoje eu vou trazer algo diferente. Eu vou trazer uma indicação de uma série que está disponível no YouTube e uma série tailandesa. Hoje eu vou falar da série de romance histórico The Loyal Pin. Ela foi uma série lançada em agosto de 2024, conta com 16 episódios, todos disponíveis no YouTube, forma gratuita, e todos com legenda em...
português, gente. Então você consegue assistir lá de graça no YouTube acompanhar os 16 episódios dessa série. Loyalpin, né? O The Loyalpin. Ela foi produzida pela Idol Factory, que é uma produtora tailandesa de GL. O que é o GL, gente? É o Girls Love, o gênero de romance entre mulheres. Pros nossos ouvintes aí que gostam de anime, é o famoso Yuri.
Exato. E aí aqui, essa série, ela é protagonizada pelas atrizes Becky Armstrong, no papel da princesa Anin, e da Fring Sarocha, no papel da Lady Pin. Essa série começa nos anos 60, e aí a gente vai acompanhando o relacionamento, a relação, né, entre a princesa Anin e a Lady Pin.
desde a sua infância até elas chegarem na fase lá dos seus 20 e poucos anos. Elas se conhecem muito pequenas, porque a personagem, a Lady Pym, ela é uma garota que acaba ficando órfã após um acidente, e ela é criada pela tia Patti, a tia Patinka, que é uma princesa. Ela foi adotada pela família real.
E ela acaba cuidando da Pym após o falecimento dos pais dela. Então a Pym, embora ela não seja da família real tailandesa, ela tem uma certa figura de status, justamente por ser criada por eles, ela não é tratada como uma empregada. E aí ela se aproxima muito.
Da princesa Anin, a filha do grande príncipe, né? Da sua alteza e da série. E elas se tornam amigas. Até ela tava num momento bem de bastante vulnerabilidade, passando um luto. Elas se tornam muito amigas. E aí a gente vai vendo essa evolução dessa amizade. Quando ambas estavam com 15 anos, aproximadamente, a princesa Anin precisa ir estudar na Inglaterra. E os planos eram que ela ficaria 7 anos estudando no exterior. Pra terminar todo...
Ensino médio e tudo mais, e depois fazer faculdade. E a Pym não iria estudar na própria Tailândia, e a gente tem aquele primeiro momento de separação, até então duas amigas, que sentem muito a saudade uma da outra, ficam trocando cartinhas.
É muito fofinho. E aí, faltando mais ou menos uns dois anos pra esse período encerrar, então com uns 20 anos mais ou menos, a princesa Ninh retorna porque um dos irmãos dela iria casar e ela estava no período de férias da faculdade. Então ela retorna pra Tailândia, pro palácio, pra acompanhar o casamento da irmã.
E aí é que começa a parte do romance. Pois ela já como uma mulher adulta e ciente do seu interesse amoroso, ela resolve voltar pra Tailândia e descobrir se a Lady Pym tem interesse por ela também. Porque se tiver, ela vai lutar por essa mulher. E aí, gente, a série é maravilhosa. Eu conheci essa série por causa da Lorena, ela que me indicou. Então a gente começou a assistir, nós três começamos a assistir, o Matheus também.
Gente, tem a parte do romance entre as duas que eu gosto muito. Lógico, a gente fala, existem algumas coisas que você fala, essa parte aqui talvez foi meio esquisito, talvez eu não teria feito isso. Mas eu gosto muito de ver como num curto espaço de tempo, a produção de histórias de romances sáficos na Tailândia ganhou uma proporção muito grande.
Porque conversando com a Lorena, eu descobri que é bem recente. Eles começaram o primeiro GL produzido foi em 2022. E foi justamente protagonizado por esse mesmo casal, a Frim e a Becky. A gente sempre brinca que elas são as mães do GL.
E elas estão aí no ativo ainda. Né? Mês que vem vai sair um GL com elas. Sim! E é uma coisa muito recente. A gente já tinha filmes, tá? Tem um filme antigo. Antigo, né? Desde os anos 2000. Tem gente do mundinho sabe que conhece. Que é o Yes or No. E tem o Yes or No 2. Mas é filme. O GL realmente. A série GLs. Nos moldes que a gente tem hoje em dia. Começaram em 2022.
Assim, passando no YouTube, passando na televisão, essas coisas, né? Sim, e o primeiro Jellick, que foi com a Frenha Beck, que é Gap the Series, o nome. Gente, o Saint, que era o CEO lá da Idol Factory, ele tentou achar patrocinador, tentou achar pessoas pra investir, pra ajudar ele na empreitada. Ninguém quis, tá? Ninguém quis ajudar ele, ele teve que tirar do próprio bolso. Sei lá, financiou a casa da mãe, não sei o que ele fez.
Foi realmente muito na raça que eles fizeram esse GL. E deslanchou daí, né? Hoje é uma indústria consolidada na Tailândia. E o GL e o BL também, né? O Boys Love. São indústrias muito importantes. Que movimentam muito do turismo na Tailândia hoje em dia.
Pois é, eu fiquei bem impressionada, porque nós temos um hábito muito horrível de achar que o ocidente aqui, entre aspas, é muito mais esclarecido, né? A gente tem esse péssimo hábito de ter esse tipo de julgamento e de falar que as coisas nos países asiáticos e tudo mais têm um grande retrocesso.
Não estou falando que lá também não tem, tá, gente? Um conservadorismo, um machismo enraizado. Isso existe em todos os países. Mas a forma também como a Tailândia não foi colonizada, né? Ela não teve uma religião abrahâmica que influenciou a sua cultura e moldou a sua cultura após um processo de colonização? É, pra quem não sabe, a Tailândia é majoritariamente budista.
Exato. É muito engraçado ver como algumas coisas lá foram naturalizadas com uma facilidade muito maior do que aqui. Porque, embora a gente possa dizer, ah, mas aqui nós temos o casamento entre pessoas do mesmo sexo normalizado há bastante tempo. É, mas você não vê uma produção decente em canal nacional que envolva um casal LGBT sem ser uma...
piada, sabe? Sem ser uma chacota, ou principalmente o casal feminino sem acabar com uma morte, sabe? E mesmo na realidade hollywoodiana, a gente vê aí, a Netflix cancela tudo que é safra. A Prime Video também, né? Eu ia falar, dependendo, nem lança. Nem lança, e se lança, cancela rápido, mata as protagonistas. É assim, tá terrível. E com essa onda conservadora no ocidente, tá pior ainda. Então assim, gente, o meu refúgio tá sendo Tailândia, tá?
Sim, o refúgio de muitas Áfricas tá sendo a Tailândia. E são histórias de todos os gêneros. Essa aqui eu gostei muito, porque é uma história que é um romance histórico, e eles fizeram com apoio do governo tailandês. Teve apoio da...
do que seria o Ministério do Comércio, né? Então, tem pontos interessantes que, além da história das duas, que é muito boa, a gente tem personagens marcantes que vale a pena, né? É um dramalhão, tá, gente? É um drama. Pra você que é um bom brasileiro, que adora uma novela, é um prato cheio, porque vai ter tudo isso. Vai ter aquele elenco de apoio que você gosta, vai ter um momento de alegria, um momento de tristeza, que você torce pelo casal principal, tem tudo isso. É muito bom. Tem os vilões que fazem caras e bocas pra Cannes.
Sim, exato. É maravilhoso. E é muito legal como ele tem a parceria com o governo, né? Poxa, vai estar mostrando alguma coisa da cultura, como é que é feito roupa tal. Aí vai estar lá a senhorinha tecendo a roupa da realeza. Ou então, ah, isso aqui é a comida típica da rua. Ou então, essa aqui é uma comida que fazia em bailes. Você vê como é que o negócio é feito. É bem legal esses momentos TV Cultura do programa.
Sim, não, muito bom. E você vê também toda a questão estética, né? Porque, gente, a Tailândia tem uma cultura riquíssima. É absurdo. E você vê cenários belíssimos pra representar o que seria a arquitetura de tal região. Porque tem momentos em que você vai pra uma outra região e aí você tem a dança típica daquele local, as vestes típicas.
O figurino muda. Sim, o figurino muda. É muito incrível, tá, gente? Você conhecer a cultura de outro país. E a Tailândia tá sendo muito esperta, porque ela tá vendo nessas produções uma chance de fazer o que a Coreia do Sul fez também, né? Vou vender a minha cultura, o meu país, através de produções audiovisuais.
Exatamente, que é o que o Brasil deveria fazer também Aproveitando aí o agente secreto Ainda estou aqui, mas é complicado, né? Sim, é por isso que eu gosto Também, eu tô trazendo essa indicação Porque é isso, gente, como é importante Quando você tem um país Tendo noção de que o poder Cultural, né, esse poderio cultural Essa influência cultural também é importante Que a cultura é importante E que é importante a gente Mostrar a nossa cultura E valorizar a nossa cultura em relação ao mundo Música
Porque, infelizmente, o Brasil ainda tem uma síndrome muito grande. O brasileiro num todo de viralatismo, de achar o Brasil muito inferior, né? Sendo que o Brasil é um país culturalmente riquíssimo. Com muita coisa pra contar, com muitas histórias diferentes, povos diferentes. E vamos falar a verdade, né? É que a gente passou tantos anos engolindo, goela baixa, porcaria reciclada dos Estados Unidos. E acha que aquilo é cultura. Engole ainda, né? Pois é. É.
Engole até hoje. Mas voltando aqui pra série, a gente vai acompanhando o romance das duas. É um romance muito fofo. É... Você vai vendo, né, o apego, né, que cada uma vai criando com a outra. E, inclusive, enfrentando os problemas possíveis.
na época. Lógico que com uma roupagem um pouco mais facilitada, afinal de contas a Anin é uma princesa, e uma princesa criada de um jeito bem mais liberal do que outras personagens com uma hierarquia semelhante são criadas, porque são criadas num ar mais tradicional, né, com casamentos arranjados, a mulher não tem a escolha, e por aí vai.
Não é o caso da princesa Ninh O pai dela é aquele clássico personagem Pra quem já leu o Jen Austin É igual o pai da Emma, que deixa a filha fazer o que bem quer Embora não era o comum pra acontecer Com as mulheres na época E é engraçado que qualquer coisa que a Ninh faz Que distoa um pouco da norma O pessoal justifica com Ah, é que ela estudou no exterior Ela faz como os ocidentais É muito engraçado
Eu adoro muito. Não, mas ela tá questionando aqui porque esse conceito aí de amor, uma coisa muito dos ingleses, então...
Isso. Então é assim mesmo, mas ela... Vou ter uma conversa aqui com ela, não se preocupe. É o jeitinho dela, gente. E o que eu gosto, que eu tô recomendando também essa série, além de, ah, pra você que está procurando histórias sáficas e você quer assistir, e essa é muito bem produzida, vale muito a pena, é também uma questão de cultura. É muito interessante, através da série, você saber mais de um país que normalmente você não conhece muito. Uhum.
Saber mais da estrutura daquele país, saber um pouco mais até dos costumes desse país. Mesmo coisas que é pra criticar. Ah, isso aqui eu não acho legal. Nossa, coisa ultrapassada. Mas eu acho muito interessante. E melhor ainda, essa série tá inteirinha.
no YouTube, é fácil de assistir. E aí eu faço esse convite pra vocês, conheçam Lo Yalpin, deem uma chance pras séries tailandesas, pros GL tailandeses, são atrizes muito boas, com atuações muito boas.
E aí você, quem sabe, né? Você gosta e aí descobre um universo inteiro novo aí de produções LGBT pra você acompanhar num mundo em que, como a Lorena falou, a coisa tá complicada. Com o crescimento do conservadorismo, tá meio complicado a gente sonhar com produções novas e com produções duradouras. É até interessante porque a Lorena falou que...
desse casal principal, porque é isso, tá, gente? Na Tailândia, elas têm um hábito de o casal romântico repete as atrizes em outras séries com novos personagens. É, casal fixo. O casal fica fixo, porque o fandom gosta muito. Tanto que esse casal aqui é a Beck e a Frim, virou Frim Beck. O nome de casal. Então, elas atuam em mais séries. E aí, elas vão sair num episódio agora de uma...
mega produção, que eu vou trazer mais pra frente, mas pra vocês terem uma noção de como isso tá um ramo em expansão na Tailândia, é consolidado, mas está expandindo, que vão ser quatro séries interligadas, porque é uma grande adaptação de uma novel, e aí são quatro livros e eles vão fazer uma temporada, uma série inteira, fechada pra cada um, com quatro casais principais, então o negócio tá bem legal. Eu tô empolgada, tô animada.
Eu já tô ansiosíssimo pelo ar. É o universo expandido. O Avengers do GL. É. É que essa seria, pra quem tiver curioso e não quiser esperar eu terminar falar, é a série dos quatro elementos. Exato. Já temos terra. Estamos finalizando água. E aí vamos para o ar depois. E vai finalizar com fogo lá pra junho. Deve estar saindo fogo, gente. É o avatar lésbico, tá?
Exato. Então, assim, dê uma chance, né? Eu recomendo, assistam Loyalpin. E se vocês gostarem, mandem mensagem pra gente, o que vocês acharam da série e se conheçam o universo das produções tailandesas que, ó, tá de parabéns, viu? Eu sonho um dia ter isso no Brasil. E se quiserem mais indicação de GL, também é só mandar aqui.
A Lorena é especialista no assunto. Bé, ele não conheço nenhum, não vou estar podendo ajudar. E eles também têm o que eles chamam de Lacorn, que é tipo novela. Então, normalmente é casal hétero mesmo. Também não vou estar podendo ajudar porque eu não assisto. Mas ele é comigo, tá? Só mandar aí que a gente comenta sobre. Bom, mas é isso que eu queria trazer. Um romance histórico lésbico tailandês.
Vale muito a pena. Mega produção. E assistam porque... Gente, eu fiquei fascinada com a cultura da Tailândia, tá? Fiquei obcecada assistindo essa série. Fui ler mais. Fui aprender mais. E agora fico até com essa vontade de um dia viajar lá pra conhecer. Porque são locais belíssimos. E vale muito a pena. A Tailândia é um país lindo mesmo. Uhum. Mas... Seguindo. Lori, o que você traz de indicação pra gente nesse interlúdio? Bom, hoje...
Eu resolvi falar de um álbum que eu ouvi esses dias. Ele foi lançado agora em abril. Foi lançado no começo de abril, mas eu ouvi agora. E é o álbum chamado KM2, de luxo. É o de luxo entre parênteses. Que nem os gringos fazem o deluxe. Mas como é álbum BR. Ai, meu Deus. É o KM2 de luxo. É da rapper brasileira Ebony. E, bom, antes de tudo eu vou falar quem é Ebony, caso não conheçam. Mas a Ebony é o nome artístico da Milena Pinto de Oliveira. Ela tem 26 anos.
E é uma rapper natural lá de Queimados do Rio de Janeiro. Pra quem não conhece o Rio de Janeiro, Queimados é ali na Baixada Fluminense, considerado uma área periférica e tal. É um município ali que tá a cerca de uns 50km do Rio. Não demora ali uma horinha pra ir de Queimados pro Rio, do Rio pra Queimados, enfim. Inclusive, o nome KM2 é uma referência a Queimados. É uma forma de se referir a Queimados. Não sei bem porquê, não sei se acham a sonoridade. Não sei, mas enfim, KM2 é Queimados.
É porque se você falar inglês, né? Fica queimado. Mentira, não sei. Mas achei bom, tá?
Eu sei também. Enfim, lá no Rio temos muito isso. Temos Campo Grande que é Big Field, temos pô, temos outros, viu? Mas Big Field é o que mais pega. Muita gente só chama de Big Field, inclusive. Enfim, voltando ao KM2 de luxo. Ele é um relançamento do álbum KM2 da Ebony que esse álbum é de 2025, ele é do ano passado.
E agora a Ebony então tá relançando ele com sete faixas novas. Caramba! Pois é, na verdade, cinco dessas faixas novas, a gente tem muito isso em álbum de rap e hip hop, né? São aqueles interlúdios, na verdade. Aquelas introduções curtas. E muita gente inclusive reclamou disso. Falou, ah, eu não sei se justifica um relançamento, sendo que cinco das sete faixas novas são apenas interlúdios.
Mas eu venho aqui discordar, porque esses interludes que o povo tá reclamando, são, na verdade, cinco poemas da Ebony, que ela lê, ela recita esses poemas, e tem uma mixagenzinha de fundo, né? E, gente, pra mim, esses poemas, eles dão, sim, um peso, eles adicionam uma camada muito interessante no álbum. Então, realmente, assim, não entendi quem reclamou. Mas, tudo bem, né? Cada um com sua opinião. Então é o seguinte, no álbum KM2, o do ano passado, o álbum original,
É um álbum que a Ebony fala muito sobre os traumas dela, a infância dela, a vivência dela como pessoa periférica e preta, em Queimados, né, na Baixada Fluminense. E também tem muita crítica a machismo, a racismo, inclusive no cenário nacional do rap, que é muito machista. Não que o internacional não seja, mas enfim, a realidade dela é o cenário nacional do rap, ela fala muito sobre machismo.
Ela viralizou, inclusive, fazendo uma rima que ela meio que chama na xinxa vários dos rappers brasileiros que a gente tem. Baco, Djonga, L7. Foi um bafafá. Enfim, ela também fala bastante no álbum, no KM2, sobre a ascensão que ela viveu e tá vivendo, né? Foi óbvio, com o sucesso da carreira, ela não tá mais na realidade de morar em queimados, ela não tem mais os problemas que ela tinha antes. Então ela também fala bastante disso.
E também uma coisa interessante sobre a Ebony, e que eu tenho visto bastante no cenário de rap feminino, nacional, é que ela disse que é uma pessoa LGBT. Na época, tem um tempo que ela falou isso no Twitter, ela disse que não ia se rotular como nada específico porque ela ainda tava se entendendo. O que eu acho muito legal e muito válido e muito honesto da parte dela de falar, olha gente, eu sei que eu sou LGBT, não sei bem se sou lésbica, se sou bi, o que eu sou, tô me entendendo.
E eu acho isso muito legal porque Quantas pessoas também não devem estar passando por isso, né? Ela dialoga muito com pessoas jovens Então eu acho que é muito legal que as pessoas vejam isso Tipo, ah, se nem a Ebony tá se entendendo direito Eu também não preciso me entender agora É um processo Então eu acho isso muito legal, assim, que ela deu essa Essa visibilidade pra essa descoberta que ela tava passando
Como eu falei, tenho visto bastante rapper mulher aqui do Brasil que tá comentando sobre essas questões LGBT. Os homens pouco falam, né? Obviamente a gente sabe que é um meio muito machista ainda. E bom, eu vou falar um pouquinho sobre uma faixa em específico que eu gostei muito. Mas antes disso, eu queria falar um pouquinho sobre a capa desse álbum novo.
Porque eu achei muito legal. A capa do KM2, de 2025, ele é um desenho infantil. E é um desenho muito legal que muitas pessoas no TikTok e Instagram começaram a se debruçar em teorias, assim. Porque ele é um desenho, como eu falei, um desenho infantil, né? Então é desenho de palitinho e tal. Aquela coisa bem simples. Mas ele é um desenho que mostra, assim, uma igreja ali de fundo. Meio que atrás da igreja tem um casal de homens juntos, assim.
E aí, do outro lado da igreja, tem uma árvore. E meio que atrás da árvore, tem um casal de meninos. E assim, na frente da igreja, ou seja, mais visível, mais ao olho do público, tem um casal hétero, né? Inclusive, eu nunca entendi se aquilo é o cabelo da moça, é um véuzinho de noiva, não sei, mas dá pra ver que é um casal hétero.
E mais na frente da imagem, só que muito distante ali dessa imagem de fundo, perto da gente, mas longe dessas outras pessoas, tem uma criança, que a gente imagina que represente a Ebony, né? Com uma figura vermelha do lado. E aí esse desenho...
No geral, as pessoas interpretam que representa o afastamento que a Ebony sente, o deslocamento que ela sente da sociedade. Que ela seria, então, uma criança assombrada, distante, deslocada, que se sente diferente do convívio social, da sociedade, né? É uma ilustração muito legal. E aí, no KM2 de luxo, o que ela fez? É uma foto dela com uma roupa muito bonita. Ela tá sentada pintando um quadro. Então, ela tá sendo retratada como uma artista mesmo.
pintando o quadro. E esse quadro é uma versão mais realista, mais bem trabalhada, não é um desenho infantil, é realmente um quadro, uma pintura, uma arte plástica desse quadro, que é o KM2, que é a capa do KM2. Então é a mesma imagem, é um casal gay atrás da igreja, um casal hétero na frente da igreja, um casal de meninas meio que atrás da árvore, a ébony na frente, só que é uma ilustração realista já.
E muito bonita. É um traço lindo. E aí eu quis falar disso, porque a artista que assinou esse quadro, que a Ebony tá pintando na capa, é uma artista chamada Esther Landin. E ela é de Mauá, aqui de São Paulo. É uma jovem, também artista preta. E eu fiquei, assim, muito impressionada com as pinturas dela. O Instagram dela eu vou até linkar aqui, que ela tem vários quadros lá. Muito bonito. Muito legal o trabalho da Esther. Então eu quis também comentar isso pra...
Enfim, pra divulgar aí um pouco o trabalho da Esther. Não que ela esteja precisando, né? Mas é sempre bom a gente conhecer coisas novas e tal. E realmente, assim, é um traço muito bonito. Ela é uma artista muito talentosa. Eu achei incrível. E é beleza, né? Então, isso foi a capa que eu já achei muito legal. Ela fazer referência do primeiro álbum ali. Com uma versão mais trabalhada. Enfim, já achei foda. E aí, então, fui ouvir o álbum.
E aí a Ebony resolveu que ela queria começar o álbum dela com um desses interludiozinhos novos, né? Que é um poema dela, que chama Sangue Ruim. E é uma pedrada, tá? Mas só rapidinho, ela falou que ela incluiu esses poemas dela por se inspirar na Nina Simone.
Caramba. Olha, vendo isso, até pra comentar aqui, eu fui olhar a capa, tá? Gente, que capa belíssima! Linda, né? Sim. Amiga, é muito lindo! Meu Deus! E realmente de luxo, tá? Eu tô muito apaixonada. A foto, a foto em si já é maravilhosa. A Ebony tá maravilhosa nessa foto.
E eu tô muito apaixonada pelos quadros da Esther Landin, tá? Eu realmente, assim, amei demais. Por isso que eu fiz questão de falar. Falei, não quero falar da Esther também. E aí lembra que eu falei que muita gente criticou, né? A Ebony por ter... Ah, só cinco interludizinhos, cinco poeminhas aí, não sei o quê. Precisa relançar um álbum pra isso? Só que, cara, pra mim, principalmente...
A faixa 1, que é Sangue Ruim, e a faixa 2, o Interlude 2, né? Que é Sojourner Truth. Eles adicionam uma camada muito interessante, que meio que tira do micro e passa pro macro. Porque como eu falei, o álbum fala muito da infância da Ebony, e óbvio.
As experiências pessoais da Ebony são pautadas em questões sociais macro, obviamente, né? Ela sofreu racismo, ela sofreu por ser uma pessoa periférica, isso tem a ver com questões sociais. Só que aqui ela escancara mais ainda com esses poemas dela. E ela fez questão de incluir esses poemas, ela falou que ela tinha vergonha de tornar esses textos públicos, mas que ela sentiu que era um dever dela fazer isso.
muito inspirada pela Nina Simone. E aí eu vou ler rapidinho uma citação de uma fala dela de uma entrevista que ela deu pra Rolling Stone Brasil. Rolling Stone Brasil não. Rolling Stone Brasil. Que ela falou o seguinte. É muito meu dever refletir sobre o meu tempo. Um dever de casa que eu tomei da Nina Simone pra mim. Esses poemas...
Sempre existiram. A parte mais difícil pra mim foi gravar. Porque por mais que seja rapper e eu fale coisas absurdas, já tenha feito teatro e tal, é um texto meu e isso me pega ainda. Mas senti que estava muito alinhada com a mensagem que o mundo precisa nesse momento. Genuinamente senti que as pessoas precisam ouvir de uma mulher negra, como a gente se percebe, que vai ficar tudo bem. E o que são essas taxas? Aqui eu imagino que ela tá falando dessas taxas de feminicídio que tão aumentando, né? O que tá acontecendo no mundo?
Eu tinha que usar esse poema pra alguma coisa na minha arte, e a versão de luxo deu esse espaço. E aí eu vou falar um pouquinho sobre essas duas faixas, a Sangue Ruim e a Surgeoning Truth. Eu só queria também falar uma coisa antes que eu fiquei muito feliz quando eu fui lá no Genius. Genius é um site que tem letras de música e informação sobre a produção do álbum e das faixas. Eu fiquei muito feliz quando eu vi que essas duas faixas foram produzidas pela Larinha.
E aí eu também já tô deixando a recomendação para ouvirem Larinha, que é uma rapper e produtora musical também LGBT, também do Rio de Janeiro. Ela produz muito junto com a Ebony. E Larinha escreve L-A-R-I-N-H-X, na chora Larinha mesmo. E poxa, recomendo demais Larinha, gente. Ela tem um álbum de 2021 que eu amo, que chama Eu Gosto de Garotas.
É maravilhoso Também ela lançou um EP agora em março Que chama Vadias in Love Maravilhoso, capa linda com a Bela Campos Mas enfim, voltando a Ebony Afasta o número do KM2 de luxo Que é a Sangue Ruim Gente, que poema foda da Ebony Desculpa que eu me estender, mas eu vou ter que ler o poema
O poema diz assim.
caralho. Foda, tá? Então, assim, eu ouvi isso, é a primeira faixa. Eu já fiquei. Não é possível que você vai começar com isso já.
já vai começar assim. Não, você lendo aqui arrepiou meu braço. Não, imagina eu ouvindo que o álbum já começa assim. Eu falei, não, a Ebony não veio brincar. E eu confesso que eu vi isso, né? Eu fui ler a letra, parei pra ler a letra, pra apreciar melhor ainda. E eu não sabia quem era a Qualtune. Não sei se eu que tô muito desinformada. Vocês podem me dizer se vocês conhecem a Qualtune.
Eu já ouvi falar na época de escola, sei que ela foi uma líder quilombola. Exatamente, eu não conhecia, porque a gente ouve muito da Dandara, né? Sim. A Dandara que foi a esposa do zumbi. Mas ela também estava no quilombo dos palmares. Ela era uma líder quilombola também.
Exatamente, eu fui pesquisar sobre a Kaltune um pouco e a gente sabe, né, essas figuras formam uma mulher preta em 1600 e bolinha. Obviamente que falta registros históricos fidedignos e tal, cria-se meio que uma lenda também em cima da figura da pessoa. Mas o que eu consegui realmente ver...
Quem eu consegui ver é que é a Qualtune. Ela era uma líder lá do Palmares, né, de Palmares. Ela meio que comandava um assentamento ali, um povoamento, porque Palmares era tão grande que tinha, tipo, sub-assentamentos. Então ela comandava ali um povoado de cerca de 200 casas. Então era um povoado grande que ela comandava.
E além disso, a Aquatune, a Aquatune, desculpa, é a mãe do Ganga Zumba, que foi o primeiro líder do Palmares. E ela também, segundo esses registros, é a avó materna do zumbi. Caramba! O zumbi que assumiu um tempo depois do Ganga Zumba. Pois é, ela é amplamente referida como a avó materna do zumbi, que eu não tinha ideia disso. Então assim, a primeira faixa do álbum da Ebony eu já tive que pausar e fazer toda uma pesquisa e aprender uma coisa nova.
O que eu lembrava, e eu fui até confirmar aqui pra não falar besteira, né? Falar desinformação. O que se tem é que tinha um documento português. Isso. Que se atestava que a Kaltune, ela era irmã do rei do Congo, do Antônio I, né? Que ele foi, né? Tipo, ele foi reinado. Então, assim, ela ser chamada de princesa, não só por tudo aqui que ela fez no Quilombo dos Palmares, é porque ela realmente vinha de uma ancestralidade de, né? Que a gente fala assim, né? De reis e rainhas. E aí
Sim, isso é também algo que se conta sobre ela, né? Só que é muito difícil de ter certeza do que é verdade ou não, porque, como eu falei, não tem muitos documentos. Mas isso é uma coisa que se fala também, que ela era uma princesa. E o que se tem quase certeza é que ela nasceu no Congo, de fato. Isso realmente é. Que ela era mãe do Ganga Zumba, avó do zumbi.
É, porque também é uma história bem antiga, e é como você falou, né? As pessoas não tinham interesse em contar as suas histórias. Exato. E aí acaba que, depois até na tentativa de resgatar essas figuras, até pra dar um up na história, às vezes as pessoas até inventam coisa, né? Que, ah, fez isso, fez aquilo. E, gente, às vezes não precisa embelezar a história, não. A pessoa já é foda, sabe? Não, sim, com certeza. Porra, gente, o que ela fez, pelo amor de Deus.
Não, uma mulher foda e que realmente eu não conhecia. Então, assim, obrigado, Ebony, por citar a Qualtune na música. Fui pesquisar, fui conhecer e eu realmente nunca tinha ouvido falar. Enfim, fiquei muito, muito feliz de ter conhecido essa referência. E é muito bom ver artistas jovens com Ebony tomando pra si essa responsabilidade, esse papel de eu vou estudar a minha história, eu vou me informar.
E eu vou repassar o que eu aprendi pro meu público. A gente vai falar dessas figuras históricas importantes. Que são esquecidas. Que não são mencionadas. E a música tá aí pra isso também, sabe? A Ebony não tem só músicas sérias que você vai aprender alguma coisa. Eu tenho uma música dela que eu amo. É de um outro álbum dela. Um álbum dela chamado Terapia. Que é uma rima que eu amo que ela fala. Que ela tem tesão em nerd. E ela tem mais tesão ainda que se o cara é um otaku que corre igual o Naruto. É.
O nome dessa música é Pensamentos Intrusivos. É realmente um pensamento intrusivo, gente.
Não, ela começa a música falando que gosta de garoto feio, magrelo, que a avó diz que parece que ele vai quebrar. Gente, essa música é muito engraçada. Eu amo, tá? Então, por favor, também vão lá ouvir. O álbum Terapia da Évoli também é muito bom. Mas, enfim, como o KM2 de luxo saiu agora, né? E eu tinha acabado de ouvir, eu fiquei muito empolgada com isso.
Falei, não, vou ter que falar. E até pra trazer essas referências, né? Da Qualtune e tal. Aí, rapidamente, eu acabei esquecendo de falar, né? A faixa 2 também que eu falei, que é a Sojourner Truth. A Sojourner Truth já é uma figura um pouco mais conhecida. Pelo menos, enfim. Eu vejo muitas pessoas falando sobre, mas é aquela ativista abolicionista americana. Norte-americana.
que fez o discurso do e não sou eu uma mulher, que, enfim, era uma convenção de homens discutindo direitos da mulher, e aí um cara lá falou assim, ah, não, mas a mulher não tem que votar, não tem que fazer nada porque a mulher é muito frágil, a mulher é muito delicada. A mulher precisa de ajuda até pra entrar numa carruagem, e aí a Sujuna se levantou assim e falou, pô, engraçado, porque eu, enquanto mulher preta, trabalho desde criança.
Eu aro terra Eu faço plantação Eu colho Eu tive 13 filhos E homem nenhum nunca veio me ajudar a entrar em carruagem nenhuma Homem nenhum nunca veio fazer nada por mim E não sou eu uma mulher? Sim É um discurso muito famoso É um discurso foda E é uma coisa que a gente bate muito
Toda vez que o feminismo liberal ou as pessoas esvaziam a pauta do feminismo em si sobre as mulheres lutaram para ter direito a trabalhar. Não, meu anjo, quem não trabalhava era a mulher rica, porque a mulher pobre e a mulher escravizada, essas sempre trabalharam. Nunca foi uma questão de que a mulher não trabalhava, era só uma questão de classe social mesmo. As mulheres queriam lutar para elas serem respeitadas, para elas serem direitos iguais aos que os homens tinham.
Os direitos pra poder votar, pra poder fazer a sua história. Esse papinho de que o feminismo é pra mulher querer trabalhar é uma leitura muito superficial de uma classe social bem específica. Normalmente, mulheres brancas da aristocracia ou burguesas, sabe? É algo bem específico. E essa história mesmo, né? Que pegou muito essa journey truth da fragilidade.
Nossa, engraçado, porque ninguém acha que a mulher negra frágil precisa de ajuda, precisa de ser paparicada, né? Que engraçado isso. Então, enfim, é o que a gente fala do feminismo interseccional, né? Que é uma questão de classe, é uma questão de raça. As mulheres, a nossa luta é uma só, mas a gente passa por coisas diferentes, a gente vive coisas diferentes e a gente precisa entender umas às outras. Sim. As vivências de cada uma. É muito importante esse tipo de discussão.
Exatamente, mas Enfim, aí a faixa 2, o interlude 2, que é Sojourner Truth, é um poeminha então que a Ebony Rapidamente conta um pouquinho Da história da Sojourner Truth, que também é muito Legal pra quem não conhece, quem é fã da Ebony Poxa, às vezes chega na Ebony por causa Dessas músicas, dela falando mal de Rap, dela falando que gosta De garoto que corre que nem Naruto Chega pela treta, né?
Exato, chega pela treta, chega pelo meme, mas acaba conhecendo essas outras referências, abrindo o seu mundo pra esse tipo de discussão, que, enfim, é fundamental. E a arte precisa muito cumprir essa função, né? Mas, enfim, já falei demais. Desculpa, gente, é que eu realmente fiquei muito feliz, muito empolgada com esse álbum. Não, imagina, foi uma contribuição incrível que você trouxe. Já tô aqui colocando no meu Spotify pra escutar.
Recomendo e espero que ouçam. E caso ouçam, por favor, mandem aí os comentários o que vocês acharam. E é isso, gente. Ouçam Leboni e ouçam Larinha também. Boa. Bom, é isso. Ficamos por aqui então, pessoal. Nos vemos no episódio de Mass Effect. Estamos ansiosos pra falar desse grande jogo. E obrigada, Fernanda e Matheus, pela companhia e pelas indicações. Ah, eu que agradeço aqui pela oportunidade e também por ouvir as indicações de vocês.
Anotei aqui o álbum, já coloquei no meu Spotify. E é isso. Valeu, gente. Tchau, tchau. Beijos. Beijos. Tchau, tchau. Tchau, tchau.
Ebony
KM2 (De Luxo)Hester Landim
The Loyal Pin