Curioso por Ciência #114: Estudo mostra proteção preservada contra febre amarela após retirada do timo em crianças
retirada do timo durante cirurgias cardíacas realizadas nos primeiros anos de vida pode provocar alterações no sistema imunológico. Mas será que isso compromete a proteção oferecida pelas vacinas? Essa foi a pergunta investigada em trabalho de pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, apresentado no episódio desta semana no podcast Curioso por Ciência.
O timo é um órgão fundamental para o desenvolvimento do sistema imunológico, especialmente na infância. É nele que amadurecem os linfócitos T, células responsáveis por coordenar a defesa do organismo contra vírus, bactérias e outros agentes infecciosos. Em algumas cirurgias cardíacas realizadas em bebês, entretanto, a retirada total ou parcial do timo é necessária para permitir o acesso ao coração.
A pesquisa avaliou se essa remoção poderia comprometer a resposta à vacina contra a febre amarela, uma das principais ferramentas de prevenção contra a doença. Para isso, os cientistas estudaram pacientes entre 2 e 24 anos com diagnóstico de transposição das grandes artérias, submetidos à cirurgia cardíaca antes dos 2 anos de idade e vacinados contra a febre amarela. Os pesquisadores analisaram diferentes componentes da resposta imunológica, incluindo células de defesa, moléculas envolvidas na regulação do sistema imune e a produção de anticorpos contra o vírus.
Os resultados mostraram que, embora os pacientes timectomizados apresentassem redução em alguns tipos de células imunológicas, a resposta à vacina permaneceu adequada. O organismo continuou produzindo anticorpos capazes de reconhecer e combater o vírus da febre amarela, sem evidências de deficiência imunológica clinicamente relevante.
Segundo os pesquisadores, os achados reforçam a segurança e a eficácia da vacinação contra a febre amarela nesse grupo de pacientes e fornecem informações importantes para médicos e famílias que acompanham crianças submetidas a esse tipo de cirurgia.
O trabalho é parte da tese Avaliação da resposta imune à vacinação contra a febre amarela em pacientes timectomizados após cirurgia cardíaca neonatal, de Milene de Oliveira Reis, orientada pelo professor Paulo Henrique Manso no Programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e do Adolescente da FMRP.