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A esquerdopatia na medicina. - com Dr Leonardo Reis

03 de maio de 202622min
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6Autonomia médica não é apenas um conceito — é uma construção diária. 
Neste episódio, recebemos o Dr. Leonardo Reis — médico formado pela UFG, oftalmologista e psiquiatra, ex-presidente do CRM-GO e do Sindicato dos Médicos de Goiás, além de assessor em gestões municipais de Goiânia e autor do livro “A Esquerdopatia na Medicina, na Vida Geral e em Particular”. 
Em uma conversa profunda e provocadora, ele compartilha sua trajetória, os bastidores da medicina no Brasil e uma análise crítica sobre ideologia, mercado e os desafios reais da prática médica hoje. 
Se você sente que está perdendo o controle sobre sua prática ou quer entender melhor o cenário que está moldando a medicina, esse episódio é para você. 
🎙️ Dê o play e reflita: qual é o seu nível de autonomia na medicina? 
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Participantes neste episódio4
M

Maria Cecília Scherer

HostJornalista
I

Isabel Rabeix

Convidado
L

Leonardo Reis

ConvidadoMédico oftalmologista e psiquiatra
V

Viviane

Convidado
Assuntos5
  • A esquerdopatia na medicina e ideologiaAnálise crítica da ideologia na medicina · Revisão histórica e filosófica da esquerda · Crítica ao socialismo e ao papel do Estado
  • Psiquiatria e medicalizaçãoDiagnóstico de transtornos de personalidade · Transtorno dismórfico corporal em cirurgia · Atendimento a pacientes com autismo (TEA) · Importância da paciência e formação psiquiátrica
  • Impacto na saúde do médicoNecessidade de informação além da técnica médica · Crítica ao nível intelectual da formação médica atual · Importância do envolvimento político e do voto consciente
  • Autonomia profissional na oncologiaInfluência da lógica financeira e produtividade · Comparativo entre economias de esquerda e mercado livre · Carga tributária e seu impacto na produção
  • Extrema Direita BolsonaristaImportância da iniciativa conservadora no Brasil · Exemplo de desenvolvimento em Santa Catarina e Paraná · Divulgação do livro 'A Esquerdopatia na Medicina'
Transcrição56 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Olá, seja muito bem-vindo à nona temporada do podcast da Oftalma Expert. Eu sou Maria Cecília Scherer e hoje temos como convidado o doutor Leonardo Reis. O doutor Leonardo é médico oftalmologista, bom, primeiro é médico, formado pela Universidade Federal de Goiás.

com especialização em oftalmologia e psiquiatria. Foi presidente do Conselho Regional de Medicina de Goiás, do Sindicato dos Médicos de Goiás, assessor de gestões municipais de Goiânia e escritor, escritor do livro A Esquerdopatia na Medicina na Vida Geral e em Particular. Seja muito bem-vindo ao nosso podcast. Olá, muito obrigado a você, doutora Maria Cecília, doutora Viviane.

Principalmente também quero agradecer a doutora Isabel Rabeix e a todos que nos assistem. É um prazer participar aqui com vocês deste podcast, já na nona temporada, né? Já na nona temporada. O Oftalmo Expert. Exatamente. Muito obrigado pelo convite.

Nós que agradecemos, Leonardo. Leonardo, eu queria que a gente começasse você falando um pouquinho de você, né? Onde que você nasceu, como que foi escolher a medicina, depois a oftalmologia, a psiquiatria.

E se olhando hoje para trás, você consegue perceber aonde que as coisas se conectaram e aonde que essas escolhas te tornaram quem você é como médico, como pensador, como escritor? Muito bem. Hoje eu estou já bem velho, já estou com 46 anos. Então, a gente entrou na faculdade numa época diferente.

e eu brinco com as minhas alunas aqui da PUC, que acontece uma coisa muito estranha. Todo ano eu envelheço, mas elas não, elas estão sempre com 20, 21 anos. E nessa brincadeira aí já se passaram 23 anos de formado. Já é um tempinho. E eu me formei aqui na Universidade Federal de Goiás.

no ano de 2002, então, para 2006 já são 23 anos completos e mais alguns meses. Fiz a minha residência aqui também, em Goiânia, num hospital que se chama Fundação Banco de Olhos. Fiz o meu doutorado aqui também, em Goiânia, na Universidade Federal de Goiás. Depois fui fazer pós.

na Universidade de Paris, numa época muito interessante, onde o hospital escola era o Hotel Dier, que fica bem ali na pracinha da Notre-Dame, em frente à Notre-Dame, naquela pracinha, na Place du Parvis.

Então, foi uma época muito bacana. E depois é que eu resolvi fazer a psiquiatria, mas nesse interstício fui presidente de entidades do Conselho Regional de Medicina, fui da diretoria do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, na gestão do Dr. Milton Ruiz Alves. Ele era o presidente, de 2013 a 2015.

E eu fui o seu primeiro secretário nessa gestão. Então, também dei uma contribuição à oftalmologia brasileira numa época muito difícil. Me fala um pouco da psiquiatria. Era uma coisa que você tinha dúvida na época? Se você fazia oftalmo ou se você fazia psiquiatria? Ou essa vontade surgiu depois de alguma situação, de alguma percepção?

Não, quando eu fui prestar a prova de residência, eu prestei para oftalmologia, para ginecologia e psiquiatria. Já fizeram uma vontade. Passei nas três residências. E aí eu escolhi a oftalmologia, porque na época é um período diferente. Assim como quando eu fiz o vestibular para a medicina, parecia uma carreira promissora, ao contrário de hoje, a oftalmologia também me parecia mais promissora. Não arrependo, foi bom.

mas talvez hoje eu não faria a mesma escolha. E aí depois veio a vontade de estudar um pouco da psiquiatria. Eu percebo no dia a dia, mesmo no consultório de oftalmologia, nós temos muitos pacientes, a população de forma geral está muito transtornada.

A gente percebe no dia a dia que as pessoas estão com transtornos de ansiedade, transtornos depressivos, principalmente alguns pacientes com transtorno de personalidade, que são muito difíceis de lidar aquele paciente com transtorno narcisista.

com transtorno de personalidade antissocial, eles nos dão muito trabalho. E principalmente quem lida com a área cirúrgica, eu que faço muita cirurgia de palpebra, plefroplastia, entre outras, cirurgia de estrabismo, então tem uma questão cosmética envolvida.

É muito difícil quando você pega, por exemplo, um paciente que tem um transtorno desmórfico corporal. Então, no próprio consultório de oftalmologia, eu fui observando pacientes com diversos transtornos mentais, com uma perturbação da saúde mental.

E pior ainda, né? Quem nunca pegou aquele paciente que você faz uma cirurgia de catarata, uma facectomia com implante de uma lente premium, e o paciente ainda fica queixando que não está vendo nada, que está muito ruim, que arrepende da cirurgia, que quer o dinheiro de volta. Então, são pacientes difíceis. E muitos querem só o dinheiro de volta por má fé mesmo, né? Então...

Eu achei importante fazer o diagnóstico prévio dessas personalidades, desses transtornos, para evitar problemas. E também, por exemplo, na pediatria, quantos pacientes com autismo, com TEA, a gente atende? Tem dia aqui que eu atendo três pacientes com transtorno do espectro autista.

E de uma forma randomizada, eu não sou oftalmopediatra especialista em autismo. Não, não sou. Isso de uma forma geral, muito pelo contrário. Eu atendo pacientes aqui de espera para mais de 100 anos, não tenho uma preferência por pediatria ou oftalmologia do paciente adulto, não. Eu atendo aqui de uma forma bem geral todas as doenças.

A minha agenda é bem sortida, bem aberta para várias especialidades. Esses diagnósticos você começou a fazer depois que você fez a residência em psiquiatria? Antes eles passavam batido? Esses diagnósticos de transtorno de personalidade? Eu já percebia, eu já percebia. Uma sensibilidade. A criança, por exemplo, com...

que chega aqui, quem não tem um paciente com 5, 6, 7 anos, que entra no seu consultório e quebra tudo, não para quieto, fica mexendo. Você vai falar, ele interrompe, ele quer falar, ele quebra as coisas, não tem muito controle motor, digamos, não para quieto.

fica batucando a cadeira. Então, a gente já percebia que tinha paciente aí que tinha um pouco de hiperatividade. E é muito ruim, né? Você está atendendo a mãe, coitada, ela já não sabe nem o que fazer mais. E se você não tem paciência, o médico não tem paciência, já dá bronca na mãe.

manda um menino no WhatsApp, não atende mais, é muito complicado, então tem que ter paciência.

E para isso, eu acho que foi muito importante a minha formação na psiquiatria. Na psiquiatria. Pronto. Era isso que eu queria entender melhor. Então, doutor Leonardo, uma coisa que a gente vai conversar agora, se você até puder mostrar, é sobre o seu livro, né? A Esquedopatia na Medicina. Se você quiser mostrar para a gente o livro físico.

Esse aqui é o livro, né? A Esquerda e Opatia na Medicina, na Vida Geral e em Particular. Perfeito. E o livro, ele traz, de uma forma geral, a questão da ideologia como uma das causas das dificuldades, dos problemas que a gente enfrenta hoje na medicina, né?

Essa foi uma ideia construída, que foi sedimentada ao longo de experiências que o senhor teve na sua vida como médico?

Sim, um acúmulo, não apenas como médico, mas através dos cargos públicos que eu exerci, uma militância também desde a época de movimento estudantil, depois fui para o sindicato, depois para o conselho, CBO, trabalhei como assessor aqui do prefeito, na época prefeito Iris Resende.

foi governador também, foi ministro da agricultura, foi ministro da justiça. Trabalhei também com o prefeito, na época aqui de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, que também foi governador, foi senador, foi vice-presidente do Banco do Brasil. Então, com políticos importantes aqui do estado de Goiânia e em nível nacional. Leonardo. Ah...

Além dessa questão ideológica, nós vivemos um momento da medicina onde existe a lógica financeira, atua de uma forma muito grande, tem um papel bem importante. E outras questões também da produtividade, do mercado. Você também reconhece o papel dessas outras variáveis dentro da questão da diminuição da autonomia do médico.

Como que você vê isso? Sem dúvida nenhuma. Isso é um fator importante, porque o livro, ele aborda não só a questão política, médica, mas ele faz uma revisão histórica dos conceitos de esquerdismo, faz uma revisão da filosofia da esquerda, e também eu tive que abordar a questão da economia, né? A economia...

nos países de esquerda e a economia nos países onde o mercado é livre, né? E nós temos uma liberdade econômica sem muita interferência do Estado. Isso influencia, acaba jogando problemas também na área da saúde, não tenha dúvida. Dentro do livro eu coloco...

que os países que tiveram a experiência socialista, eles não conseguiram entregar o estado de bem-estar social que eles prometiam. Tudo aquilo que prometiam, saúde, educação, moradia, transporte, vestuário, alimento, o Estado não consegue entregar.

Muito pelo contrário, o Estado não produz. Quem produz é o homem do campo, que produz o alimento, é a indústria que transforma a matéria-prima em bens de consumo, é o comerciante que coloca o produto no mercado.

É o prestador de serviço, o médico, o profissional liberal que oferece os seus serviços. Essas pessoas é que fazem a produção de uma economia. O Estado apenas suga do pagador de impostos, parcela do seu trabalho, aqui 27,5%. Vou fazer uma série de benefícios sobre o benefício.

do que nós produzimos enquanto pessoa física vai para o governo federal, é muito dinheiro. Em questões empresariais, nós temos outros impostos, né? O imposto sobre produção industrial, de importação, CMS, que é de circulação de mercadoria e serviço, enfim.

Esse arcabouço fiscal hoje consome praticamente 50% da renda do cidadão. Então, 50% do que é produzido pelos brasileiros vai para o Estado, de uma forma ou de outra. É muito dinheiro. Então, na verdade, o Estado não produz nada, o Estado apenas tira dinheiro de quem produz. Então, numa economia socialista, você tem diminuição de produção interna.

e você não consegue entregar os serviços e bens de consumo para a população. Imagina se todo mundo resolve deixar de produzir e falar, não, agora eu vou viver do Estado, o Estado tem a obrigação de me dar alimento, moradia, transporte, vestuário, enfim, não vou trabalhar mais. Quem que vai produzir para sustentar?

as pessoas que não vão trabalhar. Você tem que ter alguém para produzir. Então é por isso que, dentro de um Estado socialista, você não tem uma sustentabilidade econômica. Por isso, nenhum país socialista conseguiu sobreviver dignamente. Todas as economias ruíram.

Leonardo, a gente falou então dessas questões problemáticas que a gente vem enfrentando hoje, o governo que a gente tem no Brasil. O médico numa situação em que diminuir a sua autonomia, seu poder de escolha.

e esse perigo todo. E eu queria que a gente fosse caminhando para o final com alguma mensagem, alguma proposta, alguma solução que você possa trazer para a gente diante de todo o teu estudo, de toda a tua pesquisa. O que você falou é muito verdadeiro.

O médico, nós, médicos brasileiros, nós temos uma preocupação enorme com a questão técnica da medicina. A graduação, a faculdade em medicina cobra isso da gente. Então, 80%, 90% do nosso tempo, nós estamos estudando artigos científicos, técnicas cirúrgicas, como aprender a fazer.

E a gente acaba sendo um pouco alienado, né? A verdade é que a gente não estuda outras coisas que são fundamentais.

para que a gente, no fim, lá da linha, possa prestar um atendimento melhor para o nosso paciente, que não são coisas técnicas, né? Então, você fez o teu dever de casa, você estudou, você foi entender melhor a fundo, e eu acho que isso te dá um poder de poder também trazer possíveis soluções para o que a gente vive hoje.

Sim, hoje aqui no estado de Goiás, eu como ex-presidente do Conselho Regional de Medicina, como gestor na área de saúde, em vários governos aqui, na época do Iris, do Maguito, e também como ex-membro da diretoria do CBO, eu tenho hoje uma autoridade aqui.

de poder orientar, principalmente, alguns colegas, né, nas entidades médicas, na política geral. Então, eu acho que o médico, ele tem esse dever. Ele tem o dever de buscar informação além da refração, né, além da refração, no nosso caso aqui, da oftalmologia, além dos transtornos mentais, no caso da psiquiatria.

Então, nós temos essa obrigação, porque o médico, um dia no Brasil, já foi um formador de opinião importante. E hoje, com o perdão da palavra, nós temos, olha, eu ia dizer uma palavra, mas nem vou mencionar. Mas o que ocorre? Nós temos hoje um nível de educação médica muito ruim.

e estamos formando médicos muito ruins. Então, o nível intelectual, o cognitivo já não é bom, hoje, da média dos médicos formados. Se nós não buscarmos os médicos mais experientes, orientar os médicos mais novos,

para que nós voltemos a ser formadores de opinião, para que nós voltemos a ter o respeito da sociedade, nós vamos ficar para trás. E a profissão médica pode vir a ficar cada vez mais desvalorizada. Então, nós temos que entender o contexto político. Isso é fundamental, porque quem manda no país é a política.

Eu entendo, então, que o que você tem para somar, para acrescentar, é que a gente, como médico individualmente, como classe, que a gente preste atenção nisso, que a gente dedique um pouco do nosso tempo a entender quem são as pessoas que estão dispostas a nos representar.

e entender o que que pra gente faz sentido ou não e escolher com base nisso, né? Mas que a gente precisa de alguma forma se envolver, a gente precisa deixar, colocar a nossa culpa no meio disso, né? A gente não...

não pode se afastar, se alienar e esperar que tudo dê certo, né? Se a gente não fizer, então, esse exercício de escolha, de livre escolha, consciente, baseado em fatos, né? A gente não vai poder reclamar muito depois, né? Exatamente, e tem muitos colegas, né? Que chegam aí em outubro.

aproveita o dia 12 e vai para os Estados Unidos e para a Europa. Gente, não faz isso. Todo mundo sabe que primeira semana de outubro é eleição. Não faça isso. Já marque na sua agenda. Não vai para os Estados Unidos ou para a Europa, porque daqui a pouco você não vai poder viajar. Nós precisamos eleger os nossos representantes. Perfeito.

Leonardo, posso agradecer a tua presença aqui com a gente, foi uma conversa muito esclarecedora, e vou caminhando aqui para o final, você gostaria de falar mais alguma mensagem, acho que já foi bem elucidado, bem destacada a importância do nosso papel como cidadão, da importância do nosso voto, mas também quero deixar para você mais um espaço para você dar a sua mensagem final.

Bom, essa é a mensagem que eu gostaria de colocar aqui, da importância da sua iniciativa aí, da doutora Viviane, da doutora Isabel. Essas frentes frias que chegam no Brasil, elas vêm sempre do sul, né? E essa frente que está vindo aí, uma frente conservadora, que vem do sul, e se Deus quiser vai espalhar pelo Brasil,

é extremamente importante, é fundamental e vai salvar o nosso país. Então, eu tive recentemente em Santa Catarina, um estado de primeiro mundo, né? É coisa... Paraná também é um estado muito desenvolvido, Rio Grande do Sul. Essa iniciativa de vocês aí é fundamental. Temos políticos importantes no Paraná que podem fazer a diferença.

Então, eu quero deixar mais uma vez aqui o livro A Esquerdopatia, na Medicina. A gente fala da doença esquerdista. E está na Amazon. Para quem tiver a curiosidade, entra na Amazon. A Esquerdopatia não tem outro. A Esquerdopatia. Esse aí é pioneiro.

Perfeito. Muito obrigada, Leonardo. E chegamos ao final de mais um episódio do podcast da Oftalma Expert, Oftalma Expert de Olho no Futuro.

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