Episódios de Crônicas De Nada

Todos os cachorros do mundo

27 de abril de 202635min
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Quem eu serei ao final de quarenta parafusos? De quantos novos milagres terei sido vítima? Ainda estarei tangenciando o místico? Quanto caberá na memória? Neste episódio, todos os cachorros do mundo responderão todas essas dúvidas.

Participantes neste episódio1
J

João Vitor Panda

Host
Assuntos5
  • Milagres e Fe
  • Experiência na loja de parafusos
  • Mudança de Vida Profissional
  • Reflexões sobre dinheiro
  • Escrevendo um livro
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Meu nome é João Vitor Panda e esse aqui é o mais novo episódio do Crônicas de Nada. Um programa que pousa nos seus ouvidos como uma mosca pousa na cabeça de um pênis ereto.

Esses dias eu estava assistindo o meu amigo William fazer modificações num móvel da cozinha. Ele estava invertendo o lado das gavetas do móvel da pia, porque ele queria encaixar um tampo de mármore na pia.

fazendo modificações, caramba, inimagináveis, inacreditáveis. Só que no meio dessas modificações, ele percebeu que ele precisaria de parafusinhos, pequenos parafusinhos dourados, que ele tinha perdido, ou que ele não tinha encontrado, ou que não estava mais tão bom, para fazer as modificações. Perto da casa do meu amigo William...

Tem uma loja chamada Pioneira dos Parafusos. Eu já fui nessa loja com meu amigo William em duas ocasiões. Uma delas eu acho que ele precisava comprar alguma coisa que você imaginaria que se vende na loja Pioneira dos Parafusos. Mas em outra, a gente foi na loja Pioneira dos Parafusos única e exclusivamente para comprar um docinho que eles vendem no caixa. Tem um doce de chocolate com alguma coisa que é bem gostoso.

e que com certeza é comercializado em outros lugares que não a loja pioneira dos parafusos, mas que a gente tem certeza que tem na loja pioneira dos parafusos. Então, em momentos de terna doçura, já nos dirigimos até lá com esse objetivo. Mas agora, nesse momento de mudança de móvel, de transformar o móvel da pia num Frankenstein de mármore,

Ele precisava dos parafusos e não queria parar o que ele tava fazendo. Ele me enviou em missão até lá. Falou, cara, tu consegue ir lá comprar mais ou menos uns 10 parafusinhos desse? E daí ele deu na minha mão o parafusinho que ele precisava. E eu falei, claro, consigo. Vamos lá.

Então fui caminhando até a loja Pioneiro dos Parafusos, entrei, retirei uma senha no pequeno aparelho criador, gerador de senhas, mas não tinha nenhum outro cliente para ser atendido, já eram quase 6 horas da tarde, o horário final do expediente deles, acredito eu. E eu peguei minha senha e imediatamente fui chamado, entreguei a senha.

que não cumpria propósito nenhum, pro atendente. E botei o pequeno parafuso de exemplo que o William tinha me dado. E falei, eu preciso de mais ou menos uns 10 parafusos desse. E daí ele falou que ia dar tipo 1 real e pouquinho, ou algo assim. E eu imaginei que ia ser um valor muito pequeno pra se pagar no crédito, né? Que a essa altura do mês, era a única maneira de pagar qualquer coisa que eu tinha.

Aí ele falou, é, realmente, não dá pra passar esse valor só no crédito. Mas eu já tava com isso mais ou menos na cabeça. E o que que eu falei? A gente tava numa esquina, assim, do lado do caixa. Eles modificaram a loja, agora o caixa fica bem na cara da loja, bem na entrada. E as duas moças que trabalham no caixa, imagino que já extremamente ansiosas pelo fim do expediente, estavam trocando uma ideia ali, com pouca atenção. Aí eu falei, pô, pode ser dois, pode incluir também dois docinhos desse que vende no caixa.

Já pensando que eu ia comer um e o William ia comer outro, né? Fazer essa boa ação pro meu amigo que tava na lida, na labuta. Que estava transmutado em Vector Frankenstein, transformando a pia de sua cozinha num Frankenstein de mármore. Aí eu ouvi da moça do caixa que ouviu eu falando pro moço que atendia na parte parafusada.

que os docinhos já haviam acabado. Que na verdade aqueles docinhos eram bem populares e que se tu chega no final do expediente, com certeza eles já acabaram. Porque outras pessoas que foram lá adquirir parafusos ou outras ferramentas também adquiriram docinhos. Aí eu olhei em volta da loja e fiquei pensando, meu Deus, que outro item eu podia adquirir aqui da loja pioneira dos parafusos pra completar um valor minimamente válido de se passar no crédito, né?

E eu fiquei pensando também, né? Às vezes tu vê esses vídeos de advogados falando coisas que tu nunca vai fazer, dizendo não. Eu pensei, né? Eu conseguia visualizar um advogado no TikTok falando, não, a loja não pode se recusar a te pagar. Eu pensei, porra, eu tenho crédito aqui, eu tenho como pagar. O cara pode se recusar a me vender 10 parafusos no crédito? Talvez ele possa, né? Mas eu não queria criar um caos. O que mais eu poderia fazer?

Às vezes não sei, né? Talvez no crédito tenha alguma lei específica. Mas... Eu sempre fico pensando, imagina se eu fosse o tipo de pessoa que causa transtornos, sabe? Que vai no lugar e fala, quem é o gerente dessa espelunca? Me dá a cópia de vocês do Código de Defesa do Consumidor, então. Que eu quero ver os meus direitos. Ah, vocês não têm uma cópia do Código de Defesa do Consumidor? Beleza, então.

Tô mandando meu advogado aqui. Um holograma do meu advogado vai aparecer aqui agora e vai processar vocês imediatamente. Essa loja é minha agora, eu sou dono dela. Não conseguindo pensar numa solução, eu simplesmente olhei pro cara e falei, cara, quantos parafusos desse eu preciso comprar pra que seja um valor aceitável de se passar no crédito?

Aí ele pensou um pouco, olhou pra mim e falou, acho que uns 40 parafusos. Aí eu falei, então me vê 40 parafusos. Aí o cabra foi pegar os 40 parafusos, botar num saquinho e a gente ficou conversando. Aí eu falei pra ele assim, uma vez eu vi um vídeo de um homem emocionado segurando um rolo de arame em sua garagem e ele tava falando que ele comprou aquele rolo de arame muitos anos atrás, sei lá, 20, 30 anos atrás.

E que agora o rolo de arame estava finalmente chegando ao fim. E ele estava falando para a pessoa que gravava o vídeo. Que de certa maneira. Aquele rolo de arame representava a passagem do tempo. Representava a vida dele. E que agora. Aquele rolo de arame. Já estava quase acabando.

E eu questionei para o atendente da loja da Pioneira dos Parafusos, falei, de alguma forma talvez será possível que de repente numa dessas, quem sabe, esses 40 parafusos que eu estou comprando agora são o meu rolo de arame?

Aí o cara começou a contar o próprio caos dele. Ele falou, cara, uma vez veio um homem aqui na loja. E ele tava vindo de muito longe. E ele veio comprar muitos parafusos. Porque ele disse que ele tava sempre fazendo muita coisa. E ele tava sempre precisando de muitos parafusos. E ele comprou uma quantidade esdrúxula, absurda, grotesca de parafusos. Tipo, muitos, muitos parafusos. E que se a mulher dele não estivesse junto com ele...

ele teria comprado uma quantidade ainda mais esdrúxula de parafusos. Eu não entendi direito por que ele me contou esse caos, rebatendo o caos que eu tinha contado, né? De repente ele só não soube o que dizer em relação ao que eu falei e quis falar outra coisa. São os mistérios da linguagem, são os mistérios da comunicação.

Mas aí eu peguei os meus 40 parafusos, paguei no caixa, deu 3 reais e pouquinho, acho. Não sei porque esse é um valor aceitável de passar no crédito e o outro não era. Só sei que voltei ao auxílio do meu amigo William, após um tempo maior do que ele esperava, com 40 parafusos. E voltei me questionando, né? Como será que vai ser a minha vida?

quando o William terminar de usar esses 40 parafusos. Onde eu vou estar? Quantos anos eu vou ter? Quantos livros eu vou ter lido? Quanto dinheiro eu vou ter na minha conta?

Acho que esse é o principal questionamento que eu me faço nesse momento. Tenho pensado muito em dinheiro. Tem um filme que eu nunca assisti, que o nome é Dinner with Andre. E eu já vi um print desse filme, tava falando no print assim, porra, quando eu era jovem eu pensava em arte, em música. Agora eu só penso em dinheiro. Isso aí. Hoje eu tô pensando em dinheiro. 40 parafusos pra frente, quem sabe no que eu vou estar pensando.

E aí

Eu tinha esquecido de contar um milagre que aconteceu comigo aqui, mas agora que eu já vivi plenamente os desdobramentos de tal milagre, talvez seja até um momento mais oportuno para narrar o que aconteceu. Vocês bem sabem que eu sou um homem muito milagreiro, muito miraculoso, muito mirabolante. Afinal de contas, quando eu escrever a minha autobiografia, ela vai se chamar João Vitor Panda, Vítima de Milagres. Já deixei esse título bem claro, né?

Então vou contar pra vocês qual foi o mais recente. Eu acho que eu falei no episódio passado, mas não tenho certeza. Enfim, quem ouve esse podcast há muito tempo, e aliás, o episódio Mensagens Paternas Ocultas é o episódio mais ouvido da história do Crônicas de Nada.

Ele tem, tipo, sei lá, cinco vezes mais plays do que todos os outros episódios, assim. Do que a média dos outros episódios. O que, caralho, né? Eu fiquei bem surpreso. Eu imaginava que talvez, eu até esperava um pouco, que o apelo de... o apelo do, tipo, que porra é essa ia ter algum efeito, sabe? Porque não é todo dia que tu vê alguém publicando um episódio de podcast que tem oito horas de duração.

E daí eu pensei muito que... Eu tinha fé nisso, no fim das contas. Que o fato de ser uma coisa tão esdrúxula ia acabar atraindo ouvidos curiosos. E foi meio que exatamente isso que aconteceu. E assim, a audiência do programa cresceu, tá? Sei lá, tem uns 50 ouvintes novos. Teve uns 50 seguidores novos no programa.

Imagino que essas pessoas vão ter virado ouvintes frequentes, né? Mas começou também um novo movimento, porque pessoas que nunca tinham ouvido ficaram sabendo da regra que pra cobrar episódios novos você tem que ouvir todos os episódios que já foram lançados. Ninguém é obrigado a ouvir tudo que eu já lancei, até porque é coisa pra caralho, né? E o ouvido de vocês não é pinico. Mas fico muito grato a quem ouve todos, mas também quem for me cobrar porque eu atrasei a postagem de episódio, só tem o direito de fazê-lo se já ouviu todos.

Tá ligado? Mas enfim, quem já ouviu todos, e agora várias pessoas me mandaram mensagem dizendo que estão nesse movimento de maratonar o Crônicas de Nada desde o começo, com certeza me ouviram muito falar que reclamar...

o quanto eu não aguentava mais dar aula, eu tinha preguiça de dar aula e tal. No começo do ano eu saí da escola que eu trabalhava. Eu pedi demissão, fiz um acordo lá, né, pra... Vocês sabem como é, né? Conseguir pegar uma rescisãozinha legal, FGTS, emplacar um seguro-desemprego pra, né, ter um dinheirinho entrando ali enquanto eu ainda tô me estabilizando com outras coisas.

Eu ainda dou aula, mas agora eu tô dando aula online num outro esquema com... assim.

Em breve eu falo mais sobre isso, mas tô num projeto novo aí, de trabalho regular, enquanto eu fico trabalhando também com os meus projetos pessoais de criatividade com pouco foco, o Crônicas de Nada sendo um deles. Mas, eu não sei. Também já descrevi aqui o quanto eu tô sempre beirando o místico, né? Eu sou uma pessoa que tangencia...

O misticismo. Eu não sou uma pessoa que tem fé, não sou uma pessoa que acredita nas coisas, blá blá blá, já falei isso um milhão de vezes. Mas enquanto eu tangencio o místico, eu gosto de acreditar de brincadeira nas coisas. E tem duas piras específicas que eu tenho esse ano. Que é uma pira de estar sempre vendo horas iguais.

Eu e a Júlia toda hora a gente tá vendo Horas Iguais e a gente fica se mandando no WhatsApp. Convencionou-se acreditar que Horas Iguais pra gente é um símbolo de romance e de amor. Então quando ela vê Horas Iguais, ela me manda um Eu Te Amo no WhatsApp. E quando eu vejo Horas Iguais, eu mando um Eu Te Amo pra ela no WhatsApp.

E se a gente está junto, a gente vê isso como um reforço de tipo, ah, olha só, ah, olha só. Ou de sorte, ou de coisa acontecendo, ou... Às vezes a gente está falando sobre algo, aí a gente vai pegar o celular e são 17 e 17. A gente fala, ó, tá vendo o que a gente estava falando? Tá certo. Então, como eu estou sempre tangenciando o misticismo, de certa forma, sempre dialogando com algo a mais, porque eu também não me considero uma pessoa pragmática, prática e extremamente cética, apenas um pouquinho cética,

Nesse movimento de tangenciar, eu tô sempre procurando sinais da vida aí, de que eu tô fazendo as escolhas certas, ou de que a vida tá caminhando pra uma direção em que eu gosto, e que, não sei, eu preciso, como qualquer pessoa, eu preciso de reforço positivo, sabe? Eu preciso que algo ou alguém esteja me dizendo que eu tô fazendo as coisas certas, ou que tudo vai ficar bem, e eu fico procurando esses sinais no planeta, afinal de contas o mundo está repleto de coisas, pra me confirmar.

Aí, eu tenho certeza que eu já mencionei isso, mas eu não tinha falado exatamente o que aconteceu. Eu saí do meu emprego e estava meio inseguro de estar investindo num projeto novo, mas muito feliz por ter mais tempo de estar fazendo meus projetos pessoais também. Uma das coisas que me impedia é que o meu celular estava um lixo.

Eu tava com um iPhone meio velhinho e daí vão vindo as atualizações de iOS e ele vai ficando cada vez pior. E ele tinha apenas 64GB. E eu não sei como eu sobrevivi tanto tempo com 64GB. Eu tô muito acostumado a fazer manobras de memória, sabe? Porque eu editei todos os meus vídeos pro YouTube e eu editava naquele celular velho de 64GB. E eu não sei como eu consegui editar um vídeo de 50 minutos num celular que não tinha espaço pra nada. Não tinha memória nenhuma.

E trocar de celular era uma coisa que tava no meu horizonte, assim. E eu tava pensando, porra, será que eu uso uma parte da rescisão, do FGTS, sei lá, pra dar entrada no celular e parcelo o resto? Mas, porra, eu vou assumir uma parcela de alguma coisa no momento em que eu tô, porra, tentando fazer dar certo outras formas de ganhar dinheiro, num momento de um pouco de incerteza, o que será que eu tô fazendo, será que vai dar certo, caralho? Enfim.

Como eu falei pra vocês, porra, é um direito meu, né? Trabalhei pra receber, vou receber. Eu dei entrada no seguro-desemprego, e daí na parada nova que eu tô fazendo agora, que eu vou ser MEI, eu não comecei meu MEI ainda pra continuar recebendo o seguro-desemprego.

Não sei se isso é algum tipo de contravenção da lei. Se for, tudo que eu falo aqui nesse programa é mentira, né? Tudo ficção, as autoridades que estão ouvindo aí, o drone do governo, a inteligência artificial da Receita Federal, o leão holográfico da Receita. É tudo mentira o que eu falo aqui, nada é verdade. Mas eu dei entrada para receber o seguro-desemprego e ter um pouquinho mais de estabilidade aí, né? Ver se eu consigo juntar um dinheirinho e tal, blá, blá, blá.

E eu fui cadastrar lá e daí na hora de botar a agência do banco, eu uso o Nubank. E eu acho que pra todo mundo é assim, né? A agência do Nubank é só 0001, algo assim. E nos campos pra preencher, que tinha pra preencher, porque eu queria que as parcelas do seguro-desemprego recebessem direto na minha conta do Nubank, tinha um campo lá da agência e tinha a agência com dígito.

E daí a agência do Nubank estava escrito inteiriço, tudo junto, só 0001. Então eu pensei, será que o 1 é o dígito? Vou preencher dessa forma, foda-se. Aí eu preenchi 000, dígito 1. Turns out, que não é assim, tá ligado? Na verdade está errado. Ou seja, eu preenchi errado. Aí chegou o dia de eu receber a primeira parcela do seguro-desemprego.

E eu não recebi, não caiu na minha conta do Nubank, mas no aplicativo da carteira de trabalho digital, eu tava dizendo que o governo já tinha me mandado esse dinheiro. E eu falei, caralho, puta que pariu, né? Que merda, buceta, cu da cobra, pinto de padre, que porra é essa? Vai se fuder, minha Nossa Senhora da Graça, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte, amém.

Aí eu já começo a amaldiçoar tudo, né? Falei, meu Deus, é a maldição tecnológica, eu não consigo resolver nada por aplicativo. Isso que dá é eu não ser atendido por uma pessoa de verdade, com medos e sonhos e incertezas. Eu falei, caralho, qual é o órgão que eu posso ir lá conversar com uma pessoa? Onde que eu posso conversar com uma pessoa? Aí eu fui até a Caixa Econômica Federal e tinha a moça lá.

que fica na entrada distribuindo senhas e ela te pergunta o que que tu veio fazer aqui? Aí ela te dá uma senha de atendimento, uma senha de atendimento preferencial, uma senha de lapdance, sei lá, qualquer coisa.

E a moça tava lá numa correria do caralho, já era quase o horário de fechar o banco. Não sei, o banco fecha quatro e pouco? Acho que era quase três da tarde. E a moça não tinha nem almoçado ainda, coitada. Eu sei disso porque enquanto, quando ela tava prestes a me atender, tinha um motoboy do iFood entrando e entregando uma marmita pra ela. Falei, caralho, quase três da tarde, a nossa diva aqui não conseguiu nem parar pra almoçar.

De tanta gente que tá vindo aqui pedir senha, pedir lapidense na Caixa Econômica Federal.

Aí quando chegou a minha vez, ela já tava com a marmita na mão, agoniada já, pra tirar um intervalo. Não sei se alguém ia entrar ali e substituir ela. Aí eu falei, moça, eu tinha que ver um negócio do meu seguro-desemprego, que deu erro na parcela. Eu acho que eu consigo receber aqui na caixa, né? E daí ela falou, não, não, não. Ela já tava estressadíssima, né? Imagina, a pessoa sem almoçar, né? Ela, não, não, não. Caralho. A Racema entrou embaixo do sofá com uma agilidade impressionante aqui. Nenê, hein?

Bom, tá perdida pra debaixo do sofá. Entrou no mundo além do sofá. Não, acabou de sair. Acabou de subir na mesa. Tá. Ela falou, não, isso aí tu tem que ir lá no... Não lembro qual o nome do órgão. Eu falei, sério? Ela, sim, isso aqui não resolve aqui. Tem que ir lá primeiro pra resolver e depois tu pode vir e receber aqui.

Ou tu pode receber no Caixa Tem, que é um aplicativo. Meu Deus do céu, outro aplicativo. Eu achei que eu só ia chegar aqui na Caixa e ela ia falar, ah, não, se deu erro pra tu receber no Nubank, o dinheiro tá aqui na Caixa, já é só tu sacar o dinheiro. Já tava imaginando, né, o quão lúdico ia ser eu ter dinheiro de papel em 2026, que é a mesma coisa que não ter dinheiro, né? E ao mesmo tempo é a mesma coisa que ter dinheiro de graça, porque tu compra alguma coisa e não muda quanto dinheiro tu tem na conta do banco. Mágico o dinheiro de papel, né?

Mas não, aparentemente eu tinha que ir lá no Orgontal. Aí o que eu fiz? Eu fui lá no Orgontal, né? Não naquele dia, no outro dia. Eu voltei pra casa, fiquei de bobeira um pouco, fiz o que eu tinha que fazer, blá, blá. Aí no outro dia eu falei, vou lá. Tinha que marcar horário? Não, não tinha que marcar horário, era só chegar. Aí eu fui. Fui ouvindo música, pensei, caralho, né? Que dia lindo que eu tô aqui.

Não tô com pressa agora, não tô perto do horário de fechar, já tinha dado aula naquele dia, não tinha mais nada pra fazer naquele dia, só tinha que resolver esse negócio e, sei lá, gravar conteúdo. Mas eu tava até desanimado de gravar conteúdo, porque meu celular tava uma merda mesmo, não tava conseguindo mexer direito, tava tudo travando. Eu não tinha memória pra editar nem vídeo curto direito, tudo que eu queria, se eu quisesse editar um vídeo de 3 minutos eu tinha que, sei lá, apagar um monte de foto. E eu tô sempre apagando coisa pra gerir a memória, tava uma merda.

Aí eu tava num momento meio perdido, assim, tipo, caralho, meu Deus, não consigo nem gravar conteúdo, não consigo nem receber a porra do seguro-desemprego, que merda, que merda, que merda. Aí eu tava andando, mas o dia tava lindo. Aí eu não tava tão, que merda. Tava ouvindo várias músicas. Naquela semana, especificamente, eu tava obcecado pela música This Is The Place, do Red Hot Chili Peppers, a banda da minha adolescência, né? Do álbum By The Way. Grande álbum, bem divertido, bem bacana.

Aí o dia tava lindo, eu pensei, porra, não tô com pressa, não preciso ir pelo caminho mais rápido, né? Eu posso tomar o caminho mais cênico, o caminho mais bonito, o caminho mais legal. Aí eu fui dobrando esquinas do bairro, assim, virando, andando pelas ruas que tinham mais árvore, pelas ruas que tinham mais sombra. Aí eu virei numa rua, que é a rua da escolinha do meu sobrinho postiço, o Caetano, filho dos meus amigos Alice e Rafael.

Eu olhei um carro à distância e falei, caralho, aquele é o carro da Alice e do Rafael. E eu sei qual é a placa do carro deles, porque... Bom, eu posso falar, né? Não vou falar a placa inteira. Só vou falar? Não vou falar. Mas a placa, as letras da placa do carro deles, e eu sou bom de lembrar a letra de placa de carro.

Lembro da placa do carro do Evaldo. Falei disso no episódio da Mensagens Paternas Ocultas, né? Mas eu crio conexõezinhas assim pra lembrar. E o carro da Alice e do Rafael, a placa deles, as três letras, é tipo uma onomatopeia. Assim, tipo... Vou falar qual onomatopeia, né? Não sei se é bom eu divulgar a placa do carro dos meus amigos. E daí eu olhei na distância daquele carro e falei, caralho, na frente da escolinha do Caetano, aquele carro, será que é o carro deles?

Aí eu cheguei perto e era a placa do carro deles. Eu falei, caralho, será que eles estão vindo buscar o Caetano mais cedo?

E daí eu fui me aproximando e vi a minha amiga Alice, tava na porta da escolinha e tava indo buscar o Caetano mais cedo. O Caetano que é tipo o neném mais fofo, o dengoso, querido, inteligente, sorridente, neném Zeco, Dedéco, coisa mais linda do mundo. E daí eu, que tô sempre tangenciando o místico, tô sempre passando perto, olhei e falei, meu Deus, né? Se eu peguei o caminho mais bonito.

E ao pegar o caminho mais bonito, que era o caminho menos prático, encontrei a minha amiga Alice e o neném mais fofo do mundo. É um sinal de, tipo, Deus, universo, qualquer coisa, o místico, o misterioso. Aliás, eu conheci um... conheci não, né? Que eu já conhecia. Mas eu adicionei na minha lista de nomes legais o nome do avô do Jota, que é baixista da banda Vela Vulto, que é a banda dos meus amigos. E o nome do avô dele é Místico Mesadre.

Tá ligado? Olha que nome foda. Imagina um senhor chamado Místico Mesadre. Enfim. Místico. Então o místico, ou Deus, ou o universo, mostraram que eu tava fazendo a coisa certa ao escolher o caminho mais bonito num dia lindo, me recompensando em encontrar minha amiga Alice e o meu amigo, o meu sobrinho postiço Caetano. E ele todo sorridente, todo neném zeco. Na verdade ele tava um pouco doentinho naquele dia, por isso que eles estavam indo buscar ele mais cedo na escola.

E daí a Alice falou, onde tu tá indo? Eu falei, guria, eu tô indo resolver um negócio do seguro-desemprego lá no negócio do trabalho, que não sei o quê. E daí ela falou, ah, isso é perto da minha casa, eu posso te levar lá de carro. Eu falei, olha só. Fui pelo caminho mais bonito e ganhei uma carona. Apesar de estar um dia lindo, tava um dia quente pra caralho. E eu tava suando pingas, suando bicas, suando pingos.

Aí, ganhei uma carona no ar-condicionado, a Alice me deixou na porta do negócio que eu precisava, dei um beijo nela, dei um beijo no meu sobrinho postiço Caetano e adentrei o local. No que eu entrei no local, tinha uma criança na porta, uma criança barra pré-adolescente, que me indicou onde eu podia tirar a senha pra esperar, e eu já pensei, caralho, trabalho infantil, o menino tá aqui mostrando como que pega a senha.

Aí peguei uma senha e fiquei esperando a minha vez ser atendido. Fui atendido por uma senhora que me atendeu com muita impaciência. E ela estava muito impaciente. E daí eu falei, moça, eu não consegui receber na minha conta do Nubank a...

E nisso eu tinha conversado com o chat GPT também. De vez em quando eu converso com o chat GPT. Mas eu uso o chat GPT pra coisas, porque assim, tem usos de inteligência artificial que eu acho nefastos, né? Você usar a inteligência artificial como se fosse um amigo, eu acho horrível. Você usar a inteligência artificial como se fosse...

Um psicólogo, eu acho tenebroso. Você usar a inteligência artificial pra fazer arte é nojento, é horrível, é horripilante. Na maioria dos casos, né? Se você só estiver usando pra uma parte mais mecânica do processo, tudo bem. É uma tecnologia que tá aí pra gente usar, né? Vamos usar, então, né? Mas sempre questionando aí, né? Porque gasta água e blá, blá, blá.

Sempre ficando de olho no assunto também. Não pode estar alienado. Tem que estar conversando, tem que estar sabendo das coisas, tem que estar inteirado. Tem que se importar com as coisas. A verdade é essa. Mas eu gosto de usar o inteligência artificial para me dar viés de confirmação para coisas práticas e organizacionais. Então eu descrevi qual era o meu problema que eu tinha tido com a carteira de trabalho, até para ver se eu conseguia resolver sem ir no órgão.

Olha aí, eu contradizendo. Eu falei que eu queria ser atendido por uma pessoa, mas eu fiquei conversando com o robô.

E daí o robô me disse que, não, se você for lá vai resolver, tá tudo certo. Eu tava com medo de perder o dinheiro, né? Falei, caralho, será que eu vou perder o dinheiro? Ele falou, não, na pior das hipóteses, o dinheiro vai voltar e depois vai ser pago. Só fica de olho no status do aplicativo. Se você for no órgão tal, vai resolver mesmo. Aí beleza, eu fui no órgão tal. Aí a mulher que me atendeu com muita impaciência...

Ela foi perguntando várias coisas do cadastro e eu falei, ah, eu cadastrei a agência assim. Ela falou, não, a agência não é assim que cadastra. O 1 não é o dígito. O dígito você tinha que deixar em branco, porque a agência do Nubank é só 0001 e você deixa lá. Então você preencheu errado, foi esse o problema.

ajeita isso no aplicativo que vai dar certo. As próximas parcelas vai cair na sua conta do Nubank. Mas esse dinheiro provavelmente foi para uma conta sua da Caixa, que é uma conta do Caixa Tem. E você tem que baixar um aplicativo para resolver isso. E eu naquele meu celular capenga, que já não tinha mais memória para porra nenhuma, pensando, meu Deus do céu, vou ter que baixar mais um aplicativo. Para eu baixar esse aplicativo, vou ter que apagar outro aplicativo, vou ter que não sei o que, vou ter que blá, blá, blá.

Já tava estressado com isso. Aí eu baixei o aplicativo, não tava conseguindo logar, não tava dando certo, não tava conseguindo entrar. Quando eu finalmente consegui entrar no aplicativo, esperando ver lá só o valor da parcela do seguro-desemprego que eu tinha pra receber. Quando eu abri o aplicativo do Caixa Tem, eu falei, caralho, não é possível. Que porra é essa? Não é possível isso aqui.

Será que eu falo o valor que tinha lá? Não vou falar exatamente quanto tinha lá. Eu esperando ter só uma parcela do seguro-desemprego, quando eu abri o aplicativo do Caixa Tem, tinha seis mil reais. Seis mil e poucos reais. Que é, tipo, muito mais do que a parcela do seguro-desemprego, que era a única coisa que eu estava esperando receber.

Eu falei, meu Deus do céu, mano, como pode? Como eu tô sempre sendo vítima de milagres? Eu e a Júlia, a gente tem uma coisa, a gente sempre olha um pro outro quando acontece uma coisa boa e fala, a gente é tão sortudo, né? Porque a gente fica falando que se a gente botar na cabeça que a gente é sortudo, cada vez mais coisas boas vão acontecer. E as coisas boas não tão acontecendo só porque a gente é sortudo. Tão acontecendo porque a gente se dedica, né?

Porque a gente tá correndo atrás das coisas, tá trabalhando, tá estudando, tá se informando, tá conversando, tá sendo gentil com as pessoas, tá correndo atrás, tá se conectando com os outros. Então...

A gente é sortudo, mas a sorte ela chega e a gente aproveita porque a gente tá fazendo as coisas direitinho. A gente gosta de ter essa métrica na nossa vida, de pensar dessa forma.

Aí eu falei, caralho, não acredito, mano. Tipo, esse aqui era o sinal que eu tava precisando pra ver que eu fiz a coisa certa mesmo. Tipo, se aconteceu essa coisa boa na minha vida, é porque o caminho que eu tô tomando na minha vida tá mais ou menos certo mesmo. Eu tenho que me dedicar pro novo projeto que vai ser o meu emprego fixo e continuar fazendo meus projetos no meu tempo livre. E daí eu falei, meu Deus, cara, olha esse dinheiro, do nada.

E qual que é a mágica? Se eu não tivesse errado o número da agência do Nubank, eu não teria passado por todo esse trâmite, todo esse processo, entre ir na caixa conversar com um robô onisciente, conversar com uma senhora impaciente.

E eu não teria aberto a minha conta do Caixa Tem e não teria achado esses 6 mil reais. Eu simplesmente teria recebido a parcela do seguro-desemprego já na minha conta da Nubank. E esse dinheiro que estava no Caixa Tem, que provavelmente era parte da minha outra rescisão, da vez que eu saí da outra escola que eu trabalhava, ou teve uma época que eu me demiti da escola e depois voltei para a mesma escola. Então provavelmente numa dessas trocas, tipo, esse dinheiro é meu, né?

Não é, tipo, o governo não me deu dinheiro sem querer. Era provavelmente algum direito trabalhista que eu tinha para receber.

E como eu sou um cara distraído, não tinha aberto no aplicativo da Caixa Tem e ficou lá o dinheiro. E daí agora esse dinheiro veio pra minha vida. E daí eu olhei e falei, o que eu vou fazer com esse dinheiro? Primeiramente fui almoçar no restaurante Pimenta de Cheiro, que eu e o Willian chamamos de Buceta de Cheiro. Que é um buffet livre bem gostoso que tem lá perto.

Almocei lá no dia seguinte, porque, porra, tô com dinheiro na conta, não posso gastar 30 e... Quanto que é o almoço na buceta? Acho que é 35 reais o almoço na buceta. Meu Deus, buffet livre maravilhoso.

Então no dia seguinte fui lá almoçar no Buceta de Cheiro. E o que eu fiz com o resto desse dinheiro? Guardei um pedacinho, fui vivendo o resto do mês ali. Pra não viver a vida no crédito, pra quando virar o mês eu estar de boa. Eu sou muito organizado financeiramente, pode parecer que não, né? Porque eu não sou muito organizado pra nada. Mas não é nem uma questão de organização, eu sou capricorniano. O meu único traço capricorniano é ser...

um pouco... paranoico com dinheiro. Eu já falei sobre isso aqui. Eu acho que eu sou casualmente paranoico com dinheiro. Eu sou casualmente mão de vaca. Eu gosto de economizar, eu gosto de... organizar dinheiro, eu gosto de pagar coisa. Aí eu recebi esse dinheiro, já fui pagar a conta, já paguei tudo que eu tinha que pagar. Só que sobrou uma boa quantia ali.

após eu almoçar e me organizar e guardar um pouquinho e passar o resto do mês. E daí eu guardei esse dinheiro e falei, com esse dinheiro o que eu vou fazer? Eu vou comprar um celular melhor, eu vou trocar de celular e eu vou continuar fazendo o que eu quero fazer na minha vida, que é investir nos meus projetos pessoais. Com um celular novo eu posso voltar a gravar vídeos longos no YouTube, eu posso gravar mais vídeos curtos, eu vou ter mais espaço para estar sempre gravando, eu posso baixar outros aplicativos, eu posso fazer outras coisas.

Vai ajudar muito na minha carreira digital. E eu troquei de celular e agora eu tô com um celular novo porque eu fui vítima desse milagre. Única e exclusivamente porque eu digitei errado a agência do Nubank. E achei um dinheiro que eu nem sabia que eu tinha. Mais uma vez em minha vida, eu fui vítima de um milagre.

Bom pessoal, esse é o episódio de hoje. Ele só se chama Todos os Cachorros do Mundo, um título que não tem nada a ver com o que eu narrei nos blocos anteriores, porque Todos os Cachorros do Mundo é o nome do segundo capítulo do meu livro, O Perpétuo Verão, de Joaquim Graúna, livro que estou escrevendo. E como o nome do episódio anterior é o nome do primeiro capítulo, que é o Sabonete,

achei que seria legal se o nome do próximo episódio fosse o nome do segundo capítulo, sem ter relação nenhuma com o restante do episódio. Apenas pra que eu esteja sempre falando aqui do livro que eu tô escrevendo, a fim de que quando eu terminar de escrever e for vender esse livro, vocês todos vão se sentir parte do processo e vão, porra, comprar essa porra desse livro aí, né? Caralho, que artista precisa de dinheiro. Dinheiro e atenção.

Se eu tiver dinheiro, atenção, café, amor, proteína, o que mais? Algumas outras coisas eu passo uns anos tranquilos aí. Tá ligado? Ah, eu também tô escrevendo um livro de orações. Um livro de preces. Um livro de rezas. Mas esse vai ser bem mais curtinho. Eu devo terminar, sei lá, logo logo. Eu quero escrever umas 30 orações. Por enquanto eu já escrevi 18.

Quando eu terminar, eu vejo como que eu vou conseguir lançar. Mas isso vai ser bem mais simples. Fazer uma publicação pequenininha, assim. Enfim, em breve pode estar nas suas mãos aí o meu livro de orações. Não tem nome ainda. Só tem em rezas.

É isso, galera. Eu também tô pensando, tô organizando a reformulação do meu Apoia-se. Falei sobre isso no final do episódio passado, mas eu estou confabulando a reformulação. Eu vou aproveitar que no momento eu tenho mais tempo livre.

para correr atrás das coisas e para estruturar a minha produção de coisas, e eu quero levar as coisas cada vez mais a sério. Eu quero que o Crônicas de Nada volte a ser semanal, que uma semana sem Crônicas de Nada seja a exceção, e não que uma semana com Crônicas de Nada seja a exceção.

Vou estar a ser produtivo aí, estou empolgado, eu quero aproveitar a fase boa para estabelecer coisas que me ajudem a manter uma constância, mesmo quando as fases não estejam tão boas, tá ligado? Tem que aproveitar a fase boa para melhorar.

Sabe? Às vezes a gente só curte a fase boa. Tipo, ah, tô numa fase boa, vou só curtir. Aí vem uma fase ruim, isso que é foda. Eu acho que em muitos momentos da minha vida, eu sempre aproveitei as fases ruins pra piorar, mas raramente eu aproveitei as fases boas pra melhorar. Então eu fiz essa autocrítica aí, como eu tô num momento bom.

de produtividade, de organização. Vou aproveitar para criar bases sólidas para que, mesmo em fases ruins, eu ainda tenha coisas prontas que me auxiliem a continuar fazendo o que eu gosto de fazer e o que eu preciso fazer.

Porque fazer é bom demais. Então é isso, pessoal. Por enquanto não vou voltar a dar o recado de assine ou apoia-se porque está sendo reformulado ainda. Peço desculpa aí a quem assinou e não está tendo as recompensas que era para ter, mas vamos na manhã. Obrigado por tudo e agora eu vou dormir, né? Dormir hoje para acordar amanhã. Tchau, tchau.