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MILTON LEITE | RivoTalks #124

31 de março de 20261h31min
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Ele é um dos narradores mais marcantes da televisão brasileira, dono de um estilo único que mistura precisão, humor e bordões que viraram parte da cultura do futebol no país!No episódio, Milton Leite relembra o início da carreira, fala sobre os bastidores da narração esportiva e explica como é transmitir grandes momentos ao vivo. A conversa passa pela emoção do torcedor, a diferença entre narrar futebol e outros esportes, a evolução do jornalismo esportivo e a nova geração de narradores. Também tem espaço para polêmicas, seleção brasileira, Copa do Mundo e histórias que só quem viveu esse universo pode contar.Um papo leve, divertido e cheio de bastidores do esporte que todo mundo ama. Solta o play!___Apoie o Rivo! Pix: 54.538.001/0001-13

Participantes neste episódio3
G

Gabriel Weiner

HostJornalista
A

Adriane Galisteu

ConvidadoApresentadora
M

Milton Leite

ConvidadoNarrador
Assuntos6
  • Carreira de Milton LeiteInício da carreira · Transmissão de esportes · Experiência em narração
  • Divisão de emoçõesPaixão do torcedor · Irracionalidade do torcedor
  • Jornalismo EsportivoMudanças nas mídias · Crônica esportiva
  • Copa do MundoSeleção Brasileira · Desempenho do Neymar
  • Narradoras mulheres no futebolEspaço para mulheres · Estilo feminino de narração
  • Política prevalecendo sobre futebolFutebol como vitrine política · Impacto da política no esporte
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Olá, sejam bem-vindos a mais um Rivotalks, nosso espaço maravilhoso de conversas e que abre portas para que vocês conheçam o... O Rivot News, nosso resumo semanal de notícias, toda sexta-feira, meio-dia e trinta nesse mesmo canal. Aquela dose semanal de informação com muito bom humor, porque senão também não sobrevive nesse país, né? Justamente, no Brasil, no país, no mundo, tá? É, ultimamente tá complexo pra todo mundo.

sempre com o apoio da Intermesa Escolas de Música e da Produtora Camaleão. E hoje temos aqui conosco essa pessoa que também fala de Brasil e de mundo, só que de uma forma enviesada, digamos assim, né? Ligada aos esportes. O senhor Milton Rodrigues Leite, seja bem-vindo ao Rivotal. Muito obrigado, muito obrigado. É um prazer estar aqui, agradeço muito o convite. E antecipadamente já peço desculpas porque minha voz está meio falhando, está meio rouca, porque eu estou saindo de uma gripe.

Não foi combinado. Não foi combinado, mas é que a minha pergunta inicial vai justamente nessa linha, Milton. A narração não estava no teu plano original. Você era apresentador de variedades na Jovem Pan e aí deu a sorte de um dia o Milton Neves ficar sem voz num Palmeiras e Portuguesa. Foi exatamente isso. Se o Milton Neves não tivesse ficado roco aquele dia, quem você acha que seria Milton Leite hoje?

Olha, eu provavelmente seria talvez um apresentador de televisão, talvez não um narrador, mas provavelmente eu estaria apresentando alguma coisa. Porque eu fui ser jornalista, porque eu sempre adorei escrever, adoro até hoje, então eu queria trabalhar escrevendo. Não tinha talento pra ser um escritor, né? E foi assim que eu comecei em jornal. O jornal, lá em Jundiaí, onde eu comecei, tinha uma rádio, eu acabei indo fazer rádio.

O rádio foi que me trouxe pra São Paulo, na Rádio Jovem Pan, a M, naquela época.

E foi a Rádio Jovem Pan que me levou pra televisão. Porque eles estavam iniciando o processo da Jovem Pan TV. Que não é essa Jovem Pan TV de YouTube que tem agora. Era um canal de televisão mesmo, aberto. E acabei fazendo esse jogo que você citou aí, porque não tinha outro. Não tem tu, vai tu mesmo. Então, fui narrar o jogo lá no Pacaembu. O seu Tuta, o grande seu Tuta, que era o dono da brincadeira toda.

No dia seguinte eu chego na rádio pra fazer meu programa de variedades de manhã lá na segunda-feira e ele virou pra mim falando, no meio do corredor, né? A partir de amanhã você não é mais apresentador lá, agora você é narrador, você vai narrar jogo lá e tal. E foi assim que eu virei narrador, muito por acaso mesmo. Mas é uma doideira, né? Porque, claro, tem um componente de sorte, evidentemente. Mas se fosse no meu caso, por exemplo, eu provavelmente teria sido demitido.

Na sequência, tinha que ter um talento pra coisa Não, tinha que ter Porque ali você executava o papel, como você fala Que era de um Fernando Vanucci Que era o que o Vanucci fazia na TV Globo Fazia o pré-jogo, fazia o intervalo Aquela coisa mais animada ali Que era mais a linha do show da manhã Que você já fazia todo dia Que era um programa de variedades Na rádio Eu achei muito engraçado você falar Eu gostava de escrever, mas não tinha talento pra ser escritor Nunca se sabe, né? Vai que dava certo Só que Um

Você era muito novo quando você começa em Jundiaí e você se enfia ali na Jundiaíense. Na Rádio Difusora, mas eu comecei antes no Jornal de Jundiaí. Exato, no Jornal e aí depois você foi pra Rádio Difusora. Um ano depois eu vou trabalhar na Rádio Difusora e fico nos dois, porque era do mesmo grupo, né? Então eu vou trabalhar na Rádio também. Conheço bem isso. E assim, fui trabalhar na Rádio...

que foi o que aconteceu um pouco na TV Jovem Pan também, porque todo mundo sabia que eu adorava esportes. Eu sempre pratiquei esportes, eu fui da seleção de vôlei de Jundiaí, eu joguei jogos regionais, jogos abertos, vim jogar aqui em São Paulo. Sem contar os jogos na Vilinha, na Casa do Autor. É, na Casa do Autor, as peladinhas de futebol.

Então eu sempre fui muito ligado a esporte, apaixonado por esportes e tal. E foi isso que um dia levou o pessoal da rádio lá em Jundiaí. Pô, o Milton gosta de esportes, ele tem uma pinta bacana, fala bem e tal, por que ele não vem pra cá? E fui trabalhar na rádio por causa disso, que foi mais ou menos o mesmo raciocínio que o seu Tuto usou.

quando montou a equipe da TV Jovem Pan. Ele tinha já o pessoal mais ou menos. Precisava de um cara lá para fazer o pré-jogo, para fazer o intervalo. Ah, leva o Milton. O Milton gosta de esporte, ele é apaixonado, ele lê tudo, ele sabe de tudo. E foi assim que eu fui para a TV. E foi assim que acabou caindo no meu colo a chance de ser narrador nesse dia que o principal não pôde transmitir.

que você já vinha sinalizando. Mas isso tudo começa com você muito jovem e você já virou pai aos 20 anos da sua primeira filha. E a gente sabe que jornalismo e feliz mesmo é uma profissão que paga muito bem, né, Milton? No começo de carreira ali, especialmente, né? Principalmente no começo e morando no interior. Claro!

Deus do céu. E eu quero te perguntar assim Isso que era melhor do que é hoje Exatamente Exato Você se lembra do seu primeiro salário e o que ele representou pra você naquele momento? Ah, eu lembro que ele era muito pouco Fosse média média, né? Aqui em São Paulo, né?

É, naquele começo, assim, primeiro que eu ainda estudava, eu estava fazendo faculdade, né, quando a minha ex-mulher engravidou da Thalita, minha filha, que também é jornalista, aliás, eu costumo dizer que ela é a melhor jornalista da família da minha filha, então foi assim, eu tinha que me virar.

Então eu trabalhava no jornal e estava começando a trabalhar na rádio, eu fui lá no dono dos dois veículos e falei pra ele, olha, está acontecendo isso, eu preciso ganhar mais, você me arruma qualquer coisa pra fazer aqui dentro que eu quero ganhar mais pra poder bancar essa menina que está vindo aí.

E foi assim, eu fazia freiras pro comercial do jornal, eu fazia freiras pro comercial da rádio, de produzir textos comerciais, né? Ah, o cara vai publicar uma página no jornal do domingo, mas ele precisa de um texto bacana. Eu vou lá e eu converso com o cara e faço o texto pra publicidade. Eles me pagavam isso por fora, enfim. Entendi. Então eu tive que correr atrás pra poder bancar. E aí, já nessa época, quando você percebe que é muito difícil você ter uma família, você bancar uma família, eu comecei a me virar pra vir trabalhar a São Paulo. Por quê?

Porque os salários aqui sempre foram muito maiores do que os do interior. Então eu já comecei a me mobilizar e também...

Não sei se a gente chama de sorte ou chama de oportunidade. Nessa época em Jundiaí tinha um grupo de jornalistas importante que morava lá e que trabalhava em São Paulo. Principalmente no Estadão, no grupo do Estadão. Jornal da tarde do Estadão. Ah, eu já chegava pela bandeira antes. Exatamente. O marginal já estava no Limão. Isso. E já comecei a me mobilizar pensando nessa situação. Eu preciso ganhar mais, eu estou com uma família aqui, tenho que marcar aluguel, tenho que marcar casa, enfim. Mas quem traz você é o Fernando Vieira de Mello.

conversando com uma amiga de vocês. Na verdade, eu já estava no Estadão quando eu venho pra Jovem Pan. O Fernando Viradimela, a história é muito curiosa também, e é mais uma vez o cruzamento de oportunidade com sorte, eu não sei como chamar isso, porque eu costumo dizer que eu acho que as coisas acontecem quando tem que acontecer e da forma que tem que acontecer. Com certeza. Eu já trabalhava no Estadão, mas eu ainda mantinha o meu programa de rádio em Jundiaí todas as manhãs.

Eu fazia um programa parecido com o que é o show da manhã agora, que depois eu fiz, mas era um programa da rádio lá, Rádio Cidade, na época.

Fernando Vieira de Mello tinha um sítio, uma casa de fim de semana, pertinho de Jundiaí, no caminho entre Tupeva, Cabreúva e Jundiaí, que são cidades vizinhas. E ele, um final de semana, tentando captar rádios de São Paulo, que ele queria ouvir lá no sítio dele, ele passa pelo 730, que era o prefixo da rádio de Jundiaí, onde eu estava apresentando um programa numa manhã de sábado.

E mais uma vez, oportunidade, casada com sorte, uma garota que era repórter da rádio da Jovem Pan, ela tinha trabalhado comigo em Jundiaí. Ela era de Campinas, mas tinha trabalhado comigo em Jundiaí. Ele chega na segunda-feira, pô, vi um rapaz lá fazendo programa na rádio lá em Jundiaí, não sei o que conhece. Claro que conheço, trabalhei com ele muito tempo, não sei o que. E foi assim, ele me liga, fala com ela, ela me liga, o Fernando Vieira de Mero que ela fala com você.

E eu vou lá conversar com ele. E dois, três meses depois eu já tava trabalhando na Rádio Homem. Por causa disso. Então as coisas foram muito assim na minha vida. Eu só tenho a agradecer. Essas coisas de oportunidade, sorte, chance, enfim. Tá tudo conectado, né? Meu pai fala que quanto mais ele trabalha, mais sorte ele tem. Mais sorte ele tem, é isso. Porque podia ter dado uma dor de barriga esse dia específico. Ou ele não ter ouvido o programa.

É isso. Ou você não ter sido um cara bacana com a menina e ela jamais falar seu nome.

São muitas variáveis Você falou agora Você fazia essas redações publicitárias Foi pro jornalismo por conta Dessa paixão pela escrita Cafézinho E um brigadeiro Esse é bom, esse é famoso Muito obrigado E falando de escrita, Milton A crônica esportiva Um processo

brasileira, né? Tem uma tradição muito forte. Nelson Rodrigues, Armando Nogueira, uma turma que tratava o futebol como uma questão humana, essencialmente humana, um drama humano, né? Você acha que o jornalismo esportivo hoje, com a profusão das novas mídias e a mudança no modelo de consumo também, perdeu um pouquinho dessa dimensão?

literária barra filosófica da crônica esportiva? Sabe o que eu acho? Na verdade, o que acontece, e eu acho que isso não é uma questão só do jornalismo, é uma questão da vida, a nossa vida ficou um pouco isso.

Acho que as gerações atuais, e vocês já são de uma geração anterior à minha, vocês são muito mais jovens do que eu, a gente está ficando cada vez mais rápido e cada vez o consumo das coisas é muito superficial e é tudo muito rápido, é tudo muito telegrafado. Então acho que hoje os jornais, inclusive, nem tem espaço para um texto de Armando Nogueira. O que eu acho lamentável. O que eu acho lamentável é você não ter um Nelson Rodrigues escrevendo hoje. Estou falando em similares.

Porque tudo hoje é muito na velocidade, é tudo muito curto. Você pega mesmo as matérias dos jornais, as reportagens e tal, é raro você ter uma coisa que passe de 40 linhas. É raro. E eu sou de um tempo de redação que você fazia páginas de reportagens. Você não fazia uma reportagem, você fazia páginas de reportagens, séries de reportagens que você publicava durante semana inteira, mês inteiro, enfim. Isso acabou. Isso você não vê mais no jornal.

Mas eu acho que não é um problema do jornalismo. O jornalismo está acompanhando... É o reflito.

Um fenômeno dessa garotada de hoje. Eu acho que é tudo muito telegrafado. O UOL não é um juízo de valor, mas sim um retrato do nosso tempo. O UOL agora faz resumo das notícias antes da matéria. Porque as pessoas só leem os tópicos. E aí já é um avanço em relação à leitura da manchete, né? Não, não existe mais o LID. O LID foi topicizado. E eu vou dizer pra você.

90% das pessoas leem esse resumo e pulam pra próxima e assim, não é nem ler elas passam o olho e absorvem o que elas querem daquele corte transversal ali que elas fizeram, né? E eu acho lamentável, porque assim, eu ainda me considero um cara de sorte, porque eu tive chance de ler esses caras todos, eu tive chance de trabalhar com a Armando Nogueira eu lembro na Copa de 2006 a Globo fez uma cobertura grande, foi minha primeira Copa no Grupo Globo, né? Na Alemanha E aí

O Armando Nogueira foi levado pra lá, porque na época ele já tinha um programa de entrevistas no Sport TV, e ele foi levado pra fazer um programa pós-rodada. Então eram três personagens, eles apresentando, eu que era o representante, vamos dizer assim, do Sport TV, e o Luiz Roberto que era o representante da Globo. Nem eu, nem ele, éramos os primeiros narradores naquela Copa dos Veículos, então a gente tinha um pouco mais de tempo, porque a gente ficava mais na base, a nossa base era Munique.

Então todo dia, acabava a rodada, sentávamos Armando Nogueira, Luiz Roberto e eu, pra falar sobre aquele dia da rodada. E assim, nós ficamos no mesmo hotel, então toda manhã eu tomava café com Armando Nogueira. Não só eu, mas várias pessoas da equipe. A gente sentava e ouvia histórias, ele contava coisas maravilhosas, ele dava aulas pra gente durante o café da manhã.

Isso, infelizmente, pro jornalismo, acho, infelizmente, acabou de você ter gente, desde que lá, te escrevendo um texto diário em algum jornal. E pensando de forma muito mais ampla sobre os assuntos. E essa coisa da crônica como a observação das relações humanas do esporte. É isso. Que eu acho que a gente...

perdeu bruto. Não é só a partida pela partida, né? O jogo pelo jogo. Isso, isso. Não, e o fracasso pelo fracasso, ou a vitória pela vitória, né? Porque você, o cara hoje é ídolo, ele é herói, porque ele decidiu um jogo, na semana que vem ele é o vilão, porque ele perdeu a bola do gol, porque ele fez um pênalti, enfim. Esse tipo de humanidade que eu acho que faz muita falta no nosso jornalismo de hoje.

E é o que você fala sobre o futebol, né? A frase que você diz que você desconhece algo que seja tão... Gerador de emoções. Gerador de emoções. Produtor de emoções como o futebol é. Porque é isso, né? Desperta as paixões aqui a colar. Mas eu acho que isso vale para tudo.

quanto é esporte, no fim das contas, né? No final, eu acho que a minha percepção é que o esporte é a manifestação humana que mais provoca emoção nas pessoas. Pro bem e pro mal. Seja pra você ficar super alegre porque o seu time ganhou, porque aquele atleta foi medalha de ouro, ou pra você ficar numa depressão profunda porque o seu time perdeu pro rival, enfim. E por quê?

Milton, por que você acha que a gente, como bicho humano, tem essa... O meu avô era comentarista esportivo no Rio Grande do Sul, Paulo Santana. E ele tem uma frase que, pra mim, eu sempre cito quando a gente fala de esporte, porque pra mim, e eu não sinto muito isso em relação a esporte nenhum, então sempre me chamou muita atenção. Ele dizia que ser gremista...

É o sonho delirante de não conseguir na vida ser nenhuma outra coisa. É de uma intensidade. Que o Gabriel não entende. Eu acho lindo. Ele, quando faleceu, foi velado na arena. Foi uma coisa...

Eu cruzei com ele em vários eventos. Eu imagino, em várias copas ele cobriu. Então, assim, de onde vem isso? O que você acha que explica essa emoção tão profunda? Acho que aí nós precisaremos abrir um capítulo sociológico aqui e ficar horas debatendo isso, né? Pra gente tentar entender. Mas, na verdade, é assim. O esporte tem várias questões envolvidas que acabam nos levando a essa emoção, né?

A primeira delas é... Ela não tem muita racionalidade, né? Por que eu gosto daquele time e não gosto daquele? Porque eu sou gremista e não sou colorado, né? Pra trazer o seu exemplo aqui. Você não tem isso, né? Claro que tem influência da família, o seu pai, seu avô, seu tio, seu... Todos te influenciaram pra ser... Mas, em geral, de repente aparece lá numa família que só tem gremista...

Um sobrinho que é colorado. Como é que esse moleque virou colorado? Ninguém explica isso. Então, acho que começa daí. É meio irracional essa coisa do esporte. Você gostar desse ou daquele. E isso leva à torcida, né? A você se descabelar porque o seu time não ganhou. Você ficar ali rouco, afônico, porque você tá gritando que o seu time é campeão. Enfim.

Então acho que o primeiro passo pra gente tentar entender é essa irracionalidade, né? Por que a gente gosta desse e não gosta daquele? Por que a gente torce? Por que a gente se emociona? Quanto mais você é apaixonado por um esporte ou por um time, mais aquilo vai te provocar. Se o time tá ruim demais, você vai ficar eufórico. Se o time tá ruim, você vai ficar triste. Você chora na alegria, né? Que é uma coisa também meio irracional. Sim, sim.

Eu acho que é muito longo esse tema para a gente explorar rapidamente, mas eu diria que a irracionalidade talvez seja o primeiro passo para a gente começar a entender. Ou talvez o senso de comunidade. Eu faço parte desse grupo. Claro, tem isso. Somos um só aqui. Não tem a menor dúvida. Todo mundo cantando aquele grito de guerra, aquele hino.

Aquele cara das torcidas organizadas, e eu vou usar um exemplo mais positivo, que vai lá, que faz bandeira, que falta papel picado, que hoje em dia nem se usa mais, em estádios tem até proibição, que em São Paulo ficou proibido durante muito tempo você usar bandeira com mastro, você não podia usar, você podia lavar bandeira de pano na mão, não tinha que ter mastro, porque aquilo servia para agredir os outros. Claro. Mas se você começa a perceber isso, é...

Então, as quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais

Aquele pessoal ali, talvez o cara seja mais contido do que aquele cara que está no meio da massa. Porque no meio da massa ele se solta. Ele faz parte de um grupo, né? É isso que você está falando. Ele está ali dentro.

Quando ele está sozinho, talvez ele seja mais quietinho, não usaria a camisa do time e tal. Porque a massa é que incentiva ele a ficar daquele jeito. Eu faço parte de um grupo. E eu acho que você sempre trouxe isso para o seu trabalho. De olhar para a sua equipe e fazer todo mundo se sentir parte de um grupo. Quem trabalhou com você sempre fala, né? O Milton é o cara que inclui todo mundo. Ele não é só o narrador, é o generoso.

o repórter apareça, que todo mundo apareça e todo mundo faça parte de uma transmissão e esteja junto numa transmissão. E nisso a gente faz muitos amigos, a dupla que todo mundo sempre fala é você, Noriel, claro. E aí a gente tem que honrar a presença. Honrar a presença, né? Claro.

Meu querido amigo, meu irmão Milton Leite, é um prazer poder fazer essa pergunta aqui para você, para tirar uma curiosidade que eu sempre tive desde os tempos que nós trabalhamos juntos. Como é que você faz para virar a chave de uma narração de futebol para outro esporte? Porque você é desses raros narradores que narram muito bem futebol, basquete, vôlei, natação, um monte de esportes. Como é que a preparação é diferente? Como é que você consegue abordar cada esporte?

meu amigo. É, se vocês querem me emocionar, começa a ouvir. Sabe que o Noriega, eu sou da geração do pai dele, né? Quer dizer, o pai dele era um pouco mais velho que eu, sei lá, uns 20 anos mais velho que eu, mas eu aprendi a assistir futebol na televisão com o pai dele, Luiz Noriega, que era narrador da TV Cultura, foi muito tempo da TV Tupi, essa parte eu não peguei, Rádio Tupi, ele trabalhou muito tempo, mas ele trabalhava na TV Cultura.

Quando eu era adolescente, estava começando a ser consumidor de futebol, e eu acompanhava muito as transmissões dele.

que foi a primeira coisa que eu falei para o Noriega quando a gente se encontrou para a primeira transmissão, que foi em 2005, quando eu fui contratado pelo Grupo Globo, eu fui transmitir um jogo entre Corinthians e Cianorte, no Pacaembu. Era um jogo de Copa do Brasil, um jogo de volta da Copa do Brasil, o Corinthians tinha perdido de 3x1, 3x2, jogando lá no Paraná, e quando jogou em São Paulo, precisava ganhar, e ganhar com muitos gols de diferença para se classificar.

E foi uma estreia no Sport TV com o Maurício Noriega de comentarista. E a partir dali a gente teve quase 20 anos juntos. Foi o cara com quem mais eu trabalhei, né? Porque quando eu comecei no Sport TV as equipes eram meio fixas, né? Então eu era o narrador sempre com o Noriega. E a primeira coisa que eu falei pra ele foi, olha, Noriega na minha vida já é importante. E falei do pai dele.

então agora eu vou ter um segundo Noriega na minha vida e a gente começou uma amizade, ele me chama de irmão, como vocês viram aí e é um cara fantástico a gente continua se vendo, continua se encontrando enfim, esse foi um amigo que eu fiz além do trabalho de profissão e voltando à origem da pergunta, você sabe Cecília, que na verdade

Eu entendo aquilo como um time, né? A gente é um time e o resultado só vai ser bom se o time inteiro jogar bem. Total. Se o time inteiro jogar, sobretudo, né? Então, sempre foi, desde o começo da minha carreira, quando eu passo a ser narrador, né? Porque o narrador é meio maestro, né? O meio chefe da equipe, enfim. Você que vai distribuindo a bola porque você é o cara que fala mais tempo, né?

Eu sempre tive essa preocupação. Estou narrando aqui, são dois repórteres. Eu percebo que esse aqui entra em toda bola, esse aqui quase não entra. Ou porque o time não está atacando para lá, ou porque o cara está mais time. Então eu provoco. Eu vou lá e falo, Flan, e aí? Aquela coisa e tal. Mas eu sempre tenho cuidado, inclusive, de saber se o cara sabe a resposta. Porque se eu faço uma pergunta e deixo o cara em maus lençóis, o cara vai falar, não sei, eu vou dar uma enrolada. Eu prefiro não fazer.

E os comentaristas é a mesma coisa. Quando eu comecei, era sempre um comentarista. O Noriega é o exemplo mais claro disso. Atualmente, as equipes têm dois comentaristas. Houve um tempo que tinha comentarista de arbitragem. Agora não são todas as transmissões que tem. E eu sempre achei isso. Eu achei que você precisa botar todo mundo para aparecer na transmissão. Porque é muito cômodo para mim, porque eu vou aparecer de qualquer forma, porque eu vou ter que falar o tempo todo.

Não tocar a bola, né? Eu sempre tive essa preocupação de tocar a bola, de armar, de deixar as pessoas falarem e levantar a bola, enaltecer informações que o cara está dando, enaltecer um comentário que o cara faz. Você lembra lá no primeiro tempo, Noréga, falou que o time estava atacando assim? Veja como mudou, entendeu? Eu acho importante isso. Enfim, ninguém me falou faça assim. Eu acho que faz parte do meu jeito de ser que as pessoas tenham a mesma chance de participar de uma transmissão como eu.

mas não é exatamente uma postura comum. Não. No meio, não necessariamente só falando de esporte, mas acho que também a gente trabalha, televisão sobretudo, o jornalismo de modo geral, mas acho que a televisão sobretudo é um lugar de muita vaidade, muito ego. Muito.

A gente sabe de muitas histórias, tem muita gente que conquista o seu espaço e trata aquele espaço com o seu absoluto espaço, né? Você falou agora que ninguém te ensinou que isso foi uma coisa, uma questão sua, de ética sua, mas você tem colegas que não são assim, né?

Tenho colegas que não são assim. E quando eu falo que é uma coisa que ninguém me ensinou, não me ensinou falando pra mim. Claro. Mas me ensinou quando eu observo as pessoas. Lógico. Então, por exemplo, vou te dar um exemplo aqui que é um queridíssimo amigo meu também, que esteve lá em casa recentemente, que é o Jota Júnior. Jota Júnior, quando eu cheguei no Sport TV, ele era o narrador principal em São Paulo, do Sport TV, né? Naquela época era mais dividido do que hoje.

Hoje as coisas são mais mescladas, quem é Rio, quem é São Paulo e tal. Mas naquela época não, o Jota era o número um em São Paulo, o Luiz Carlos era o número um no Rio, e eu cheguei para ser mais um aqui em São Paulo. Sabe quem foi a primeira pessoa que me ligou? Eu fui à redação da Globo, e eu vou te dar até a data, foi dia 1º de abril de 2005. Dia da mentira, mas eu fui lá assinar meu primeiro contrato com o Grupo Globo.

Eu vou lá na redação, Marco Mora era o diretor de esportes da época, uma figura fantástica também, que me ajudou muito lá na Globo. Ele, vou lá, converso com ele na sala, o Kleber Machado estava por acaso lá, porque era uma tarde de terça-feira, ele nem deveria estar lá, mas estava. Ele me apresentou o Kleber, não sei o que e tal. Enfim, fez uma sala, eu fui lá no RH, que era o prédio do lado, fui lá, acinei meu contrato, e estou indo para o estacionamento pegar o meu carro para ir embora para casa, já sabendo que eu ia fazer um jogo na semana seguinte, que foi esse Corinthians-Cianorte que eu...

Na verdade, eu fui apresentado no programa do Galvão Bueno na segunda-feira, no Bem Amigos. E na quarta-feira eu fiz o jogo no Paquembu. Esses foram os meus dois primeiros momentos lá no grupo. Quando eu tô indo pro estacionamento pegar meu carro, toco o meu telefone. Jota Júnior. Eu, tá, acabei de saber. Cara, eu tinha acabado de assinar meu contrato. Ele tinha fontes lá dentro. Claro. Tô sabendo que você acabou de assinar com a Globo.

Porra, seja muito bem-vindo. Cara, é um prazer ter você com a gente. Porque você é isso, você é aquilo, você é aquilo outro.

Um cara com o qual eu ia concorrer. Sim. Por escalas, por jogos. Ele ia deixar de ser o único, né? Entendeu? Porque eu tava vindo pra ser um cara importante em São Paulo, porque eu já era o principal nome da concorrência do Sport TV, né? Trabalhando na ESPN no Brasil. E ele foi o primeiro cara que me ligou. Pô, cara, que legal. Então, observando pessoas como o Jota Júnior, como o Maurício Noriega... Legal. Sabe que com o Noriega eu aprendi muito o fato de você ser crítico com aquilo que tá acontecendo, mas não ser malvado, não ser desleal.

Porque muitas vezes você critica um jogador e você esquece que ele tem família, que ele tem esposa, que o filho dele tá assistindo o jogo, que o filho dele no dia seguinte vai na escola e o moleque vai dizer pra ele, o cara lá falou que seu pai jogou mal a besta, falou que seu pai furou, entendeu?

O Noriega me ensinou muito isso, de como você tratar e ser crítico sem perder a humanidade, que a gente está falando aqui agora há pouco. Lembrar que o cara é um atleta profissional, que ele está se dedicando, que ele tem família, enfim. Então, a observação das pessoas, para mim, é fundamental para você ir criando esse tipo de comportamento, de você perceber que você tem que dar espaço para todo mundo numa transmissão. Mas você não respondeu a pergunta do Noriega. Como é que você vira a chave?

Entre os esportes todos. Bom, a primeira coisa que eu faço é assim, eu sou um apaixonado por esportes. Primeira coisa é você estar enfronhado em mais ou menos tudo o que está acontecendo. Então, por exemplo, no Sport TV, na época que eu trabalhei lá, normalmente eu fazia muito futebol, fazia um pouquinho de vôlei, fazia Superliga, né? Raramente fazia basquete, mas fazia também de vez em quando. Era assim, eu estou aqui concentrado no futebol que eu faço 3, 4 vezes por semana, mas eu estou de olho ali na Superliga, estou de olho lá no basquete, eu estou sabendo o que está acontecendo, pelo menos naqueles esportes, né?

pra quando você vai pra lá, você não tá, não cai de paraquedas, o que que é isso aqui, vôleibol, ele joga com a mão, né? Você não ser surpreendido dessa forma. Então, eu acho que essa minha paixão pelo esporte, como consumidor de esporte, eu gosto dessa expressão, consumidor de esporte.

Porque eu não sou só o cara que narra o jogo, eu sou o cara que lê os sites, na época eu lia jornal, agora ninguém mais lê o jornal. Os sites, eu acompanho os programas de televisão, eu acompanho as modalidades pra saber quem que tá na frente, quem que tá atrás e tal. Acho que isso me faz me transportar pra outra modalidade sem grandes atropelos.

Porque realmente... É tipo a gente fazendo o Rivo News, falando de Inter, de política, de... Mas eu acho que essa parte do consumo também, né? Porque são coisas que a gente se não fosse pago pra fazer, consumiria mesmo assim. Não é só a paixão de torcedor, não é só a paixão... É você consumir tudo, né? Você gostar da...

E acho que a sua comparação é muito boa. Quem não é do esporte, mas está ligado na política, faz um noticiário geral na economia, o que está acontecendo fora, na guerra, não sei o que. Tem que saber um pouco de tudo, né? E tem alguma modalidade que você narrou que essa te surpreendeu?

Porque o futebol é o maior produtor de emoções, né? Mas é possível também produzir emoções. Você sabe que é isso aí, eu quando comecei a narrar, ainda na TV Jovem Pan, lá muito jovem ainda, eu sempre tive um gosto grande pelo voleibol. Por quê? Porque eu joguei voleibol. Eu quando era garoto, lá em Jundiaí, eu jogava na seleção da cidade, fui para jogos regionais, enfim. Então eu entendi um pouco mais daquilo. Mas você sabe que o esporte que mais entrou na minha vida sempre de licença e acabou...

Eu diria que é um divisor de águas Na minha carreira dentro da Globo Foi a natação A natação, a primeira vez que eles me escalaram Foi nos Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio de Janeiro E eu transmiti quase o programa inteiro Daquele evento

E acho que foi bem, porque no ano seguinte teve os Jogos Olímpicos de Pequim. E eu fui pra Pequim e fui escalado pra fazer de novo toda a cobertura da natação. E eu fico dos Jogos Pan-Americanos até a Olimpíada do Japão, essa última, que foi a minha última Olimpíada lá, né? Não, foi a minha penúltima Olimpíada, porque depois ainda fiz a França, né? Paris.

Todo esse período que eu fiquei na Globo de 2007 até 2024, todos os programas de natação olímpicos fui eu que fiz. E vários campeonatos mundiais. Eu fui a dois mundiais, que é uma coisa rara de televisão fazer, em loco. Eu fiz 2013, 2017, Budapeste e Barcelona. A gente foi lá transmitir. E é curioso, porque eu acho que é na ação de 2007. Ficou boa, eles me botaram pra fazer 2008. Em 2008 acontece uma prova.

que é, na minha modesta opinião, minha melhor narração na minha carreira, que é o medalha de hoje do César Celo, na prova dos 50 metros, na do livro. Que assim, toda vez que eu assisto essa prova, eu me emociono e toda vez que eu assisto, eu falo, cara, como eu narrei bem essa prova. Porque eu sou um cara muito crítico, viu Cecília? Eu sou muito crítico comigo mesmo. E eu, quando eu saio de uma treinamento, eu falo, cara, hoje eu estava muito mal, errei tudo, nome de jogador, estava desatento. Mas quando eu vou bem, eu reconheço também. E essa prova...

Eu estava muito bem, muito bem. Você sabe que o Alexandre Pusseldi, técnico de natação, comentarista há muito tempo lá no Sport TV e tal, uma figuraça, a gente chama ele de coach. E naquela Olimpíada ele estava como técnico de uma seleção árabe, que eu não vou lembrar agora qual era, Jordânia, imitados árabes, enfim, ele era o técnico daquela seleção. Então ele tinha uma credencial que permitia ele entrar no vestiário, na área de aquecimento dos atletas.

E a gente chegou no estádio pra fazer a transmissão, então ele desceu lá, dá um pouco e ele sobe. Olha, o Cezão tá bem, hein? Ele falou pra mim, assim, eu e ele, tinha mais alguém que eu não vou lembrar agora, acho que era o Guilherme Roseguini, que tava junto com a gente, que hoje é repórter brilhante da Globo. Ele chega e chega na nossa posição de transmissão e fala assim, olha, não sei o que vai acontecer, mas o homem tá bem. O homem tá soltando lá na piscina de aquecimento e tal.

E aí tem a prova, eu acho que eu narro muito bem, é uma medalha histórica, porque o César Cielo é o primeiro e único até hoje medalhista de ouro em Olimpíada no Brasil.

E essa prova muda um pouco o meu ciclo dentro da Globo, porque eu passo a ser o cara da natação. Que doideira. Então todos os programas olímpicos fui eu que narrei até 2024. E vários mundiais, não todos, mas vários mundiais, porque os mundiais acabam coincidindo muito com eventos importantes do futebol e tal. Mas em dois deles eu fui ao local, fui a Barcelona, fui a Budapeste para transmitir o Campeonato Mundial de Natação.

transmito também uma medalha de ouro dele num campeonato mundial. A Etienne Medeiros, se não me engano, em 2017, ela ganha uma medalha de ouro também num mundial de natação, e eu tava lá tramitindo, enfim. Então a natação foi um esporte, assim, que eu não tinha muita intimidade com ele, mas que entrou e assim me atropelou, me levou, e eu tô lá, fiquei lá até 2024 tramitindo quase tudo.

quando a gente faz uma coisa com disciplina e com paixão, ela fica nítida, né? Ainda mais quando envolve voz. Quando envolve... Você tá jogando aquilo ali pro público pra marcar de alguma forma. A gente tem um esquema aqui no Rivotalks que a gente tem no Rivotalks os nossos membros de ouro. Quem é Rivo de ouro tem direito a saber quem são os entrevistados e mandar uma pergunta. E é uma pergunta que tem a ver com voz e com marca também, da Débora. Nossa, maravilhosa. Que mora lá na Holanda. Uau. Ela mandou essa pergunta aqui.

Olá Cecília, olá Gabriel Primeiro obrigada por terem escolhido a minha pergunta Milton, eu gosto muito do seu trabalho Eu sempre te assistia normalmente ao lado do Noriega Porque vocês faziam jogos do Palmeiras E eu como boa palmeirense sempre assistia E eu queria saber como foi para você fazer a narração do jogo FIFA Se é muito diferente de narrar um jogo de verdade E se você já se acostumou a escutar a tua voz Então quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais

todo lugar, por causa do jogo. É isso, gente. Obrigada. Beijo. Muito obrigado, Débora. Essa é uma pergunta muito boa, porque eu gravo videogame desde o final dos anos 90, né? Porque antes eu gravava o FIFA, que hoje nem tem mais como jogo, e depois passei a gravar o Pro Evolution Soccer, o PES, que hoje também já mudou de nome, hoje ele é eFootball, né? E de eletrônico. E eu comecei, você sabe que em 1998 a proposta de 8.

Eu tinha acabado de transmitir a final da Copa do Mundo lá na França, quando o Brasil perde pra França, eu tava na ESPN Brasil ainda. Na segunda-feira a gente só ia voltar na quarta, né? Porque quando acaba um evento desse, é muita gente saindo daquele lugar pra ir embora. Então é difícil encontrar voo, né? Então eu só voltava na quarta-feira seguinte. E eu lembro que um dia eu chego no hotel, na segunda ou na terça que eu tô voltando, a gente tinha ido passear, né? Ia ficar três dias em Paris, vamos passear, né? É.

Tem um recado pra mim na portaria do hotel, na recepção. Olha, ligava pro senhor do Brasil, não sei o que e tal, e era o número da empresa que gravava na época o FIFA, né? O jogo. Aí eu retorno pro sujeito e falo, olha, o cara falou, não, cara, você foi escolhido pra gente aqui pra você gravar o FIFA. Só que a gente tem que gravar rápido, porque nós queríamos lançar pra esse Natal, que era o Natal de 98 pra 99. Que era o FIFA 99, né?

Eles saiam com o filme, mas eles lançavam antes pra poder aproveitar as vendas de Natal.

Eu falei, cara, ó, tô em Paris ainda, como você sabe, né? Você me ligou pra cá. Eu volto ao Brasil na quarta-feira, vou chegar na quinta, porque eu vou sair daqui à noite. Aí a gente pode ver o que faz, né? E foi assim, cheguei na quinta, na sexta, me reuni com o cara, na semana seguinte eu já tava gravando pro FIFA. Agora, pra responder a pergunta da Débora, porque eu fiquei acho que sete anos gravando o FIFA, foi até dois mil e... Acho que o FIFA 2006 é o último que sai com a minha voz.

Aí fiquei uns anos longe desse mercado e tal, e voltei em 2017 pra gravar o eFootball, que tu grava até agora, né? Tem gravação marcada agora pra maio, inclusive.

mas é muito interessante porque ele não tem nada a ver com o que eu faço como narrador. Por quê? Ali eu sou muito mais um ator, provavelmente um mau ator, do que um narrador. Por quê? Porque eu recebo textos pra gravar. Eu não tô assistindo um jogo e narrando e o cara vai aproveitando. Não. Na verdade, a gente tentou fazer isso um ano só, numa gravação de a gente gravar um jogo sem citar nomes pra eles ir cortando os lances. Mas não funcionou, não ficou legal.

Então, na verdade, eu gravo textos, né? Então tem textos com situações de jogo, que eu vou narrando, com mais emoção ou menos emoção, dependendo do que é o lance, e nome de jogador. Eu gravo 300 mil nomes todo ano de jogador, de time, de campeonatos, enfim. Então, assim, a diferença básica é que ali eu estou interpretando um texto. Aquilo tudo está escrito e eu estou lendo aquilo. E no futebol não tem texto nenhum, na vida real.

Claro, está assistindo. Você está vendo o jogo acontecendo à sua frente. Ângelo, teu neto, joga ou não?

Meu neto é muito de videogame, mas ele é zero futebol. Ah, eu acho que era bom. Comigo aconteceu mesmo. As pessoas não se conformam. O neto de Santana é gremista, né? É, mas... Por imposição da vida. Porque a coisa foi assim. Se me perguntar a escalação do gremio... Você sabe que tem uma história com o meu neto que é muito interessante. Porque, assim, é curioso que eu tenho dois netos. O Ângelo, que agora fez 11 anos no meio do ano, e a Serena, que tem 6 anos.

Os dois nasceram, eu estava no ar. Os dois. O Ângelo nasceu numa sexta-feira, ele é de 6 de junho, 2014. A Copa do Mundo ia começar na semana seguinte. Ia começar acho que dia 12 ou dia 13, que era a semana seguinte. E o Brasil faz um amistoso em São Paulo, numa sexta-feira, 6 de junho, contra a Sérvia, se eu não estou enganado. Era o último teste antes da Copa. A Copa ia começar na semana seguinte e o Brasil fazia o jogo de abertura em São Paulo na semana seguinte.

Eu fui escalado pra lá, transmiti o jogo. E quando eu tô saindo de casa, eu morava em São Paulo nessa época, minha filha me manda uma mensagem, a minha filha caçula é a mãe do Ângelo. Gabriela. Temos uma Gabriela, que me acompanha aqui hoje. Gabriela me liga e fala assim, pai, eu tô saindo pra na maternidade, eu tinha um sangramentozinho de manhã, fiquei meio enjoado e tal, a médica achou melhor dar uma examinada. Mas ela acha que não é pra hoje.

Falei, tá bom, e tô indo pra São Paulo. Vou até a televisão, deixo meu carro lá, pego a viatura que ia me levar pro jogo.

Quando estamos indo pro Morumbi, minha filha me liga e fala assim, pai, acho que vai ser hoje. A médica acha que não dá pra segurar mais, acho que vai ser hoje. Falei, tá bom, vai me informando, eu tô aqui. Você imagina, eu chego pra transmitir um jogo da Seleção Brasileira com essa coisa na cabeça. E aí, quando eu tô trabalhando, eu não fico com o celular perto de mim, ligado, nada disso. Mas naquele dia eu deixei ele ligado em cima da bancada.

Aí o jogo acontece, o Brasil ganhou, foi 2x0, se não me engano. Quando acaba o jogo, os jogadores estão saindo de campo pra sair dentro do Morumbi, e eu chamo os repórteres, né? Pá, pá, repórter, vamos lá, entrevista, não sei o quê. E aí nessa hora eu vejo que o meu celular fica... O meu celular que tá em cima, eu pego o celular e começo a olhar. O meu genro de dentro da sala de parto está mandando fotos do nascimento do meu neto.

Desculpe, mas eu me emociono até hoje. E eu começo a olhar e mostro pro Noriega. Era o Noriega e o Beletti. Era o comentarista daquela Copa. Daquela equipe que tava ali aquele dia. Começo a mostrar pra eles. Porra, meu neto nasceu. E o repórter levava no campo do greve. Meu neto nasceu. Porra, quem, meu neto?

E aí o Noriega, esse meu irmão Noriega, aperta o botão do talkback, que a gente chama, né, que é pra você falar com o caminhão sem sair no ar, né, ele aperta o botão e avisa o diretor da transmissão, olha, nasceu o neto do Milton. Aí eles combinam, sem eu saber, eles combinam. Quando o repórter devolve pra mim o Mário Jorge Guimarães, que era o diretor da transmissão, que certamente a Cecília conhece,

Ele vira e fala assim, não, vira pra câmera então, pra gente encerrar a transmissão, vira pra câmera. Então a gente tá transmitindo aqui pro campo, você vira pra lá pra aparecer na câmera, né?

Aí o Noriega vira pra mim e fala Milton, antes de você ensinar, eu queria só dar uma informação e aí ele solta aquela bolinha, sabe, do gol? Que a Globo usa assim, que aparece a bolinha pra você anunciar que teve gol em outro jogo. Sai a bolinha, o Noriega vira e fala essa bolinha é pra anunciar que nasceu o neto do Milton. Que demais. Aí os três viram pra câmera e a gente faz o Embala Neném do Bebeto, sabe? Eu tenho essa imagem guardada até hoje. Esse foi o Ângelo. E a Serena, a Serena nasceu em 2019.

19, 19. 19, que ela vai fazer sete anos esse ano, ela nasceu em 2019. 7 de julho de 2019. Sempre no meio do ano, né? Sempre no meio do ano. E eu estava no Rio transmitindo a final da Copa do Mundo feminina de futebol, olha a coincidência. Não vou nem lembrar, eu sei que era Estados Unidos contra alguém. E quando eu estou, eu fui fazer off-tube no Rio, né? Eu estou começando a transmissão, os times estão entrando em campo, não sei o que e tal.

Entra a coordenadora e fala assim pra mim no meu ouvido. Olha, fica tranquilo aí, mas a sua filha ligou pra dizer que a sua neta nasceu. Porque foi a mesma coisa. Eu viajei pro Rio no dia anterior, no sábado, dormi lá e fui transmitir o jogo, porque era na hora do almoço o jogo. Minha filha me avisa. A menina mesma. Sua filha ligou pra dizer que a sua neta nasceu. Tá tudo bem, sua filha tá bem. A minha outra filha, né? Aqui teve o neném. Tá tudo bem, nasceu, não sei o que e tal.

E aí quando ela fala isso, tá tocando o hino nacional dos times que iam jogar e tal. Aí quando volta pra mim, eu, de novo, meio chorando, falo na transmissão que a minha neta tinha nascido e não sei o que e tal. A Milene Domingues, que é a ex-mulher do Ronaldo, que jogou bola e tal. Ela ia comentar isso, que tava comigo. Ela ainda fala, foi muito gentil no ar e tal. Então os dois nasceram e eu tava transmitindo o futebol.

Acho até que a Serena, que vai fazer sete anos esse ano, vai ser mais de bola do que o Ângelo. O Ângelo é muito de videogame, mas não de futebol. Você sabe que eu fiz mais sucesso com o Ângelo quando eu fui na escola dele? Não sei se era festa junina, se era formatura, o que era. Quando eu fui na escola dele, e os outros meninos da classe dele, quando me viram, ah, meu avô lá, não sei o quê. O avô! O avô não tô leite! Então eu fiz o maior sucesso. O Ângelo passou a ter um status na escola depois daquilo.

Porque ele não tá nem aí pro futebol, mas, enfim, ele é neto de um cara que trabalha no futebol, né? Sensacional. Essa coisa do videogame, mesmo porque é isso, né? São textos lidos, mas o fato de escolherem a sua voz, reforço que a Cecília tava falando sobre a importância que a voz tem na memória das pessoas também, né? Não só a imagem.

Tem gente que lembra do primeiro gol do Ronaldo no Corinthians pela sua voz, a medalha do Cielo pela sua voz, e agora tem essa geração aí que cresceu te escutando também no videogame. Você já parou pra pensar no tamanho disso, da sua voz?

estar presente na memória afetiva de tanta gente, de idades tão diferentes. Vou te contar uma outra historinha. É bom que tem sempre uma historinha por trás, né? Claro. Pra exemplificar o que você tá falando. Eu tava com a minha mulher, eu morava muito pertinho ali da Globo, no Shopping Morumbi. Eu morava uma quadra pra cima do Shopping Morumbi, que é do lado da Globo. E é um shopping que eu gostava de ir, eu com a minha mulher.

Um domingo eu fui almoçar com ela no shopping, um domingo eu não tava trabalhando.

Aí almoçamos e saímos pra tomar um sorvete. Compramos um sorvete num quiosquinho lá e sentamos, era uma praça grande, assim, lá na parte de baixo do shopping. Tô ali tomando sorvete com a minha mulher. E você vai observando as pessoas. Minha mulher faz muito isso, né? A pessoa passa, me reconhece, mas não dá o braçador. Você passa e fica na... Ela falou, aquele cara te reconheceu. Ele falou pra namorada que ele conhece você. Minha mulher observa muito isso, eu sou mais desligado.

Aí eu tô ali, sentado, conversando, tomando sorvete, e eu vejo que uma mulher lá do outro lado dessa praça, ela levanta e tá vindo na minha direção, com o celular assim na mão, né? Ela vai falar comigo. Ela chegou, encostou, ela falou, posso falar? Pode, claro. Não, eu queria que você ouvisse o meu toque do celular. Eu falei, ah, bota aí pra eu ouvir. Era exatamente essa narração do gol do Ronaldo. A estreia dele no Corinthians contra o Palmeiras, lá em Presidente Prudente e tal, e ela traz essa gravação, né?

E aí você percebe exatamente isso. Como você mexe com as vidas das pessoas e como a sua voz acaba vinculada a emoções que a pessoa sente. Então essa do Ronaldo, aquilo mexeu tanto com aquela moça, corintiana, evidentemente, que ela resolveu botar aquela gravação. E olha que eu não era o único que estava narrando aquele jogo. Havia três emissoras transmitindo, a Globo, com o Galvão Bueno, eu, pelo Esporte TV, não vou lembrar agora quem era o cara que estava narrando, não era o Luciano Duval, mas tinha alguém narrando pela TV Bandeirantes.

Algo do tipo. E ela escolheu o meu gol. Mas você pensou com muito esmero, né? Pensei com muito esmero. Você criou a frase. Criou a frase, exatamente. Senhoras e senhores, o fenômeno voltou. E você sabe que esse gol, ele tem uma outra historinha atrás dele, que é a primeira vez que eu penso numa frase para dizer em um determinado momento. Porque, como eu disse, transmissão de futebol, de esporte, de futebol, é improviso. A coisa vai acontecer ali, você vai falando em cima do que está acontecendo.

Nesse jogo, quando o Ronaldo foi contratado pelo Corinthians, aquilo que eu falei aqui, que o Sport TV tinha gente que era mais dedicada a São Paulo e gente mais dedicada ao Rio. Eu sabia que a chance de eu transmitir o primeiro jogo do Ronaldo, ou o primeiro gol do Ronaldo, no Corinthians, era comigo. Porque eu era o cara de São Paulo.

Corinthians foi fazer um jogo antes desse do Palmeiras em Itumbiara, interior de Goiás, pela Copa do Brasil. O Ronaldo ficou no banco, entrou no segundo tempo, mas não aconteceu nada, ele jogou, tá direitinho. E aí tinha o clássico contra o Palmeiras no final de semana, que seria em presidente por dente, porque foi uma época que o Morumbi ficou interditado, tava em obras, não sei o que e tal. Grandes jogos, não podia ter lá.

Então eu estava preparado, eu sabia que podia ser eu e que eu tinha que fazer alguma coisa diferente. Porque eu falei, o Ronaldo é um dos maiores da história. Ele não é um dos maiores do Brasil. Ele é um dos maiores da história do futebol. O cara volta a jogar no Brasil, num time de massa como é o Corinthians, eu não posso fazer uma narração como eu faço pra qualquer um. A dele tem que ser diferente, o primeiro gol dele.

Então essa frase que eu uso quando o Ronaldo faz o gol, ela estava preparada já para o jogo de Tumbiara, porque se sai o gol lá, ela lá. Mas para a minha sorte, sai no jogo contra o Palmeiras, um jogo dramático, o Corinthians perdendo até o finalzinho, 40 e tantos do segundo tempo, ele faz o gol. E ainda me ajudou, porque derrubou a Lambrada, enfim, teve tudo aquela história. E essa experiência que eu tive naquele gol, de pensar uma frase para usar, porque era um jogo especial, eu passo a adotar depois.

Tanto que todos os títulos, as finais de campeonato que eu fiz depois desse episódio, elas passam a ter uma frase que eu fiz só para aquele jogo. Até o Zen Bolt, você criou a frase para o Zen Bolt. Eu queria fazer o Zen Bolt, queria a frase para o Michael Phelps, porque depois o Michael Phelps ganha aqui no Rio de Janeiro uma medalha olímpica.

na Olimpíada do Rio, que ele passa a ser o maior medalhista da história. Eu também estava com uma frase preparada. Se sair na minha prova, essa frase... E sabe o que é interessante isso? Pode parecer uma bobagem, só um detalhe da transição. Mas isso fica para a história.

Esse gol do Ronaldo, quando repetirem esse gol, a minha frase está lá. Claro. A medalha do Usain Bolt ou a medalha do César Cielo, a medalha do Michael Phelps, quando eles forem repetir isso daqui a 20 anos, quando o Phelps aposentar, virar vovô, alguma coisa, que forem usar em mais, a minha frase está lá.

Então isso, de alguma forma, também me eterniza junto com você. É o quê? É muito doido isso. Não, é o Milton pensando o quê? Quando ele vai narrar. Hoje eu se consagro. Hoje eu se consagro. A cada vez que ele faz isso, é isso que ele pensa. Hoje eu se consagro. Exatamente. Ô, Milton, uma outra... Você tá falando aí sobre narrar, sobre...

essa emoção que tudo isso passa, só que a gente tem uma nova geração de narradores mais jovens, que está vendo aí, está multi agora, a gente tem para todos os lados várias opções, várias plataformas, vários caminhos. Você acha que essa nova linguagem, que é diferente da dos narradores antigos, que é diferente dos narradores, vamos lá, do início do século passado, digamos assim, funciona para todo mundo ou é só para essa geração? Porque eu vejo gente que...

até jovem, fala assim, eu prefiro ouvir o tradicional. Funciona pra todo mundo? Ou é mais pra essa nova geração que começa a consumir futebol a partir de agora? É difícil dizer se funciona pra todo mundo, mas eu acho que é diferente. E é diferente por quê? Porque o público também é diferente. Mais uma vez, é reflexo. É reflexo do que o público quer, espera e acompanha e tal. Por exemplo, hoje se faz uma televisão muito mais gritada

do que se fazia ou do que eu faço ainda, por exemplo, do que a minha geração faz, e mais gritada do que a anterior. A anterior, a pessoa que veio antes de mim, Walter Abrão, Geraldo José de Almeida, Luiz Noriega, essas pessoas transmitiam o futebol muito mais rebuscado, um palavrado mais rebuscado. Talvez a minha geração, o que veio um pouquinho antes de mim, um pouquinho depois, é uma geração um pouquinho mais direta. E já tem uma diferença do rádio para a TV, a TV tem imagem. Também tem isso.

A nossa geração, a minha geração, por exemplo, aprendeu já na televisão.

se você pega o pessoal, Geraldo José de Almeida, Walter Abrão, até o Gavão Boinho um pouquinho, esse pessoal veio do rádio. Naquela época não se tinha tanto esporte, tanto futebol na televisão, no começo, até os anos 80, começo dos anos 90, era pouco futebol, pouco esporte que tinha na televisão. Eu sou de uma geração que já aprende a fazer isso na televisão, né? E quem veio depois, muito mais, e quem veio depois inclusive tá aprendendo a fazer no YouTube, no streaming.

E é uma linguagem diferente. Se você pega, por exemplo, o público do YouTube, ele é um público muito mais jovem. E talvez peça isso. Eu não estou dizendo se é melhor ou se é pior. Não estou fazendo juízos aqui. Não estou fazendo um julgamento sobre o que é melhor ou pior. Por exemplo, eu provavelmente não saberia fazer o que essa molecada faz hoje. Assim como eu acho que eles não sabem fazer o que eu faço. Sim. Porque somos diferentes. Eu acho muito complexo dizer se vai pra todo mundo ou não.

Acho que o que eu faço ainda é pegar uma gama importante da população, da pessoa meia idade para cima.

E acho que agrada um pedacinho desse pessoal mais jovem. Não sei se os mais jovens conseguem agradar o pessoal meia idade pra cima. Sim, exato. Eu acho que faz muito sentido isso que você tá falando. Eu lembro de ir aos Jogos no Olímpico com o meu avô, e ele fissurado, nunca foi a um estádio sem o radinho na orelha, né? Que é um hábito dessa geração. Exatamente, mas...

recentemente fui a um jogo também absolutamente sem querer e uma coisa que eu reparei é que tem muito jovem que claro, não é um radinho de pilha mas que assiste no estádio escutando uma narração

Pelo telefone, no YouTube. Não sei te dizer quantos desses jovens estão ouvindo esses novos narradores, mas agora as rádios todas também estão transmitindo pelo YouTube. Então pode ser que estivessem ouvindo também essa narração um pouco mais clássica. Não sei se clássica é a palavra porque ela não é exatamente formal, cisuda, mas ela é mais...

rebuscada? Não é rebuscada. Menos gritada, mais eloquente. Mais falada, mais coloquial. Mais conversada. E futebol sempre foi um assunto que todo mundo sempre tem uma opinião a dar. Só que hoje, isso aqui é uma emissora.

Todo mundo tem uma emissora no próprio bolso. Então você tem os influenciadores de futebol, os jogadores, se eles querem dizer alguma coisa, não precisa necessariamente ser na coletiva, ele abre o Instagram e ele posta o pronunciamento dele. Todo mundo tem uma opinião e que pode ser escutada por todo mundo também, né? No mundo inteiro. No mundo inteiro. E agora, com essa coisa do outro dia, eu me coloquei pra me escutar em inglês no Instagram.

A inteligência artificial muda até a sua boca. A sua boca. Usa a sua voz num outro idioma e a boca se mexe. É uma coisa assustadora. Assustadora. É muito impressionante. O que sobra pro comentarista profissional nesse espaço? Se todo mundo comenta. É, eu acho que, na verdade, o que sobra é a credibilidade de cada um, né? Por exemplo, nós falamos várias vezes aqui do Maurício Noriega, meu amigo querido. Um cara como ele, ele cria...

uma credibilidade, né? Ele vai construindo tijolinho a tijolinho até chegar na posição que ele chegou. Hoje, certamente, um dos maiores do Brasil e tal. Eu acho que o que fica é isso. É diferente dele ouvir o Zé Dascovi lá, que grava um vídeo porque gosta do time ou gosta do futebol e tal, do que você ouviu o Noriag. O Noriag é um cara que estuda, é um cara que faz curso, é um cara que, né? Dá aula em faculdade e tal.

Então eu acho que o que fica, se eu quero uma informação bacana de um cara que tá balizado, tá estudado, tá não sei o quê, eu vou no Noriega, eu vou em tantos outros que tem por aí. Agora, se eu quero entrar na festa da torcida, o cara lá que fala do time, eu vou ver o cara no YouTube, o vídeo que ele gravou no Instagram, enfim. Acho que o que separa um do outro é isso, né?

A qualidade do produto. A qualidade final do produto. Eu tenho que te perguntar sobre as narradoras, meninas, porque eu achei a tua opinião muito prudente quando eu ouvi você falando sobre isso, que é...

obviamente todo mundo tem seu espaço, que bom que elas estão aí para fazer parte, só que elas têm que encontrar o modelo delas, o caminho delas, a voz delas, o jeito de fazer futebol delas. Eu, que não sou nenhuma consumidora, mas parece que é só uma mimetização do que os homens fazem e as mulheres estão fazendo. Sendo que a gente tem uma delicadeza, a gente tem um tom, a gente tem uma análise que por vezes...

é feminina, é diferente da dos homens. Só que eu ouvi você falando isso tem dois anos já. Você acha que a coisa já mudou ou a gente ainda precisa mudar? Eu acho que está mudando, eu acho que é um processo. E antes que alguém me cobre, eu vou dizer o seguinte, tem narrador bom homem e tem narradora boa mulher. Exato. Tem péssimos narradores homens e muitas mulheres ruins também.

que as mulheres são a novidade, é por isso que a gente está fazendo a pergunta, tá gente? É a novidade, exatamente. Então eu faria uma outra comparação, quando a gente falou aqui do futebol, das pessoas que vieram do rádio. Você sabe que quando eu comecei a narrar, lá na TV do Jovem Pan, isso é 1990, ou seja, vocês não tinham nem nascido ainda. Tinha, tinha. Ninguém aqui tinha nascido. O que acontece?

Quando você começa a fazer esporte em televisão, lá nos anos 50, quando a televisão surge e era muito raro ter, mas tinha, você vai buscar onde? Ah, traz pessoa do rádio, o pessoal que vem ao rádio pra narrar. Isso foi assim até os anos 80, praticamente. Eu disse aqui, Geraldo José, Geraldo José, Walter Abrão, esses caras todos vieram do errado. Luiz Loriega e tal.

Eles transmitem o futebol na televisão do jeito que eles transmitiam no rádio. Então é uma coisa que você ficar falando sem parar, parece uma metralhadora, não sei o que e tal. Quando é a televisão, você não precisa fazer isso. Claro. Na televisão você pode deixar um espaço em branco, você pode deixar... Tem o apoio da imagem. Você sabe quando eu comecei a narrar na TV Jovem Pan? Eu fazia isso. Eu narrava como se fosse rádio.

Aí um dia eu sou tuta, vou citar sempre porque ele foi um professorzaço meu, ele e o Fernando Viradimelo lá na Jovem Pan. Ele me chama no canto da redação e fala assim, meu camarada,

televisão, nada é mais importante do que a imagem. Então você não precisa falar tudo, porque o cara que tá sentado na casa, ele está vendo. Então não adianta você falar, a bola saiu pra fora. O cara tá vendo que a bola saiu pra fora. Você não precisa dizer, ah, vem trazendo pra direita, o cara está vendo que isso tá acontecendo. Você precisa pontuar, falar o nome do sujeito, dar uma informaçãozinha, fazer uma graça e tal. É essa a sua função.

Você não tem que contar tudo o que tá acontecendo, porque o cara está vendo o que está acontecendo. Então naquele momento houve uma propaga.

uma... uma... uma transferência, né? Uma transferência, isso, eu tava procurando essa palavra. Uma transferência, né? Você vem do rádio, você se adapta, que é o que a televisão tá fazendo, e você passa a entender o veículo do que ele tá te pedindo, né? E eu acho que é o que tá acontecendo com as narradoras femininas. A gente só teve homem fazendo isso, um clube do Bolinha Danado.

E acho ótimo, eu sou pai de três meninas, eu adotei uma quarta, então eu tenho quatro filhas. Tem uma filhada, uma neta. Tem uma neta, tem uma filhada, enfim. Eu acho que o mundo é delas, né? O mundo é feminino. O meu mundo, pelo menos, é muito feminino. Então, o que acontece? Essas meninas que hoje começaram a narrar futebol, ou que passaram a ter espaço pra narrar futebol, não é nem que começaram, elas passaram a ter espaço pra narrar futebol, e todas as equipes hoje têm, elas cresceram vindo o quê?

Os homens narraram. Claro. Seja no rádio ou na televisão, elas cresceram ouvindo homens narrar futebol. É natural que a memória afetiva, que o ouvido delas esteja mais treinado para narrar como homens. Sim. E é natural. Eu acho que isso é absolutamente natural. Como era natural os caras que vieram do rádio narrar na televisão como se fosse rádio.

E foi por isso que eu emiti esta opinião, que pode estar certa ou não, mas é a minha opinião. Elas têm que descobrir um jeito de fazer, um modo de fazer feminino. Que não é melhor, não é pior que o homem, é feminino. E por que isso, Cecília? Porque a voz é a mulher...

tende a ser um pouco mais aguda do que é do homem. Nem todas, mas tende a ser um pouco mais aguda do que é do homem. Mesmo ela sendo mais grossa, mais impostada, ela é mais feminina. E tem essa coisa mais... O jeito de falar é diferente do jeito masculino do homem. O ritmo é outro. Não é melhor, não é pior. É diferente, né? São coisas diferentes. Acho que isso vai acontecer. Acho que já está acontecendo. Ah, é isso. Você acha que já está acontecendo?

Eu acho que esse processo está em andamento. Daqui a pouquinho você vai ter gente...

E acho até podendo explorar muito mais a capacidade como narradora, tendo o seu jeito de fazer, que não fica preocupado. Basta você pegar isso. Se você pegar 10 narrações femininas, você vai ver que 7, 8 delas tem um tom que é masculino. Elas até engrossam a voz na hora do gol pra ficar mais parecido com o que elas fazem.

Repito, é um processo que está em andamento. Então isso vai acabar brevemente e a gente não vai mais sentir diferença. E acho que é na mesma linha das comentaristas, né? Porque isso é uma coisa que já vem de um tempo, né? A gente tem aí, de alguns bons anos pra cá, um número maior de comentaristas esportivas mulheres. E que no começo também foram muito... E é muito difícil, Gabriel. É muito difícil, porque esse pessoal tá enfrentando um machismo extremo com o Brasil.

Brasil é um país machista. Fecha parênteses. A sua mãe é a mulher mais machista que você conheceu. Você vê que ponto chegamos. Coitadinha da minha mãe. Então, mesmo tendo que fazer essa adaptação, de entrar num mercado que era muito fechado, um clube do bolinho, ainda sofrendo a pressão da grande parte da sociedade que assiste futebol, que ainda a maioria é masculina, você já tem muita mulher hoje que...

que gosta de assistir, mas a maioria ainda é masculina. Então você imagina a pessoa tendo que enfrentar isso e ainda tendo que se adaptar a um veículo que nunca deu espaço pra ela. Então é muito complexo. Eu acho que elas são heroínas. Eu parabenizo todas elas. De enfrentar, né? Tem que ter coragem. Ter coragem de fazer isso. Porque apanha mesmo. Apanha demais. O Milton, é...

A temática aqui do Talks geralmente não costuma ser de esporte, porque como você viu, Gabriel não é muito afeito, a gente entende muito pouco, quase nada. Então a nossa produção pensou em umas perguntinhas aqui.

Já pensando naquilo que o povo gosta de ouvir? Sabe? Então pode responder e explicar, fica à vontade. O senhor já mencionou de Neymar, que Neymar não está ali para você, nem nos top 30 do Brasil. Não é subestimando, mas também não superestimando o Neymar. Você levaria o Neymar para a Copa?

Provavelmente não Provavelmente não Se você pegar o histórico recente Do Neymar, e acho assim Isso ninguém lembra o que eu falei, mas eu falei isso também O Neymar é o único craque Que o Brasil produziu nesses últimos 20 anos Craque E eu sou muito criterioso pra dizer quando o cara é craque E quando ele não é Pra mim o Neymar é o único nesses últimos 20 anos Que é o período que ele tá jogando Que o Brasil produziu, craque, é o Neymar

Agora, pega os últimos três anos do Neymar. Não jogou nada em lugar nenhum. Ele mais ficou no departamento médico do que jogando. Pode pegar a história, não estou inventando isso. Pega aí. É um fato. Na Arábia, no Barcelona, não sei mais aonde. Paris Saint-Germain. Agora no Santos. Quantas partidas o Neymar fez no Santos? Ou seja, nos últimos três anos, ele praticamente não jogou. Praticamente não jogou, não decidiu, não foi decisivo em lugar nenhum, enfim.

Como é que você vai levar um cara desse pra uma Copa do Mundo que promete ser uma das mais duras da história? É a maior Copa de todos os tempos. Maior número de seleções, maior número de países, maior número de jogos pra ele chegar à final. Vai ter que jogar acho que nove partidas, se eu não me engano. Como é que você vai levar um cara que não jogou nos últimos três anos, que ficou mais tempo no departamento médico do que jogando?

Acho que ele vai pra Copa. Acho que o Ancelotti vai chamar o Neymar pra Copa. Por quê? Porque essa Copa também tem...

a possibilidade de você levar 26 jogadores. Eu lembro que antigamente eram 22, aí quando se abriu pra um terceiro goleiro, você passou pra poder levar 23, agora você vai poder levar 26. Então você tem uma margenzinha, vamos combinar, né? Você tem uma gordurinha pra levar um cara que você não tem certeza se vai jogar ou não, né? O Ancelotti foi, marcou de assistir a volta do Neymar ao time do Santos, ele não jogou. Porque ele tava machucado. Então...

pensando assim, eu vou montar minha seleção, talvez não levasse o Neymar. Mas acho que o Ancelotti vai levar. Por causa disso. Porque ele tem uma gordurinha. Ele pode levar um cara que ele não tem certeza se vai jogar ou não a Copa, mas ele bota ali nos 26. Então acho que ele vai pra Copa. E eu não levaria por esses últimos 3 anos dele. Ainda nessa linha de perguntas espinhosas, o Palmeiras tem mundial?

A FIFA diz que tem. A FIFA aprovou como mundial. E vou dizer assim, não estou falando só do Palmeiras, porque acho maldade fazer isso só com o Palmeiras. Me incomoda, a mim incomoda, como jornalista e como consumidor de esportes, você chegar aqui em 2026 e falar, aquele campeonato lá de 1951 valeu como mundial.

Porque ninguém foi pra ele disputar achando que era Mundial. Aí você chega 45, 50 anos depois e fala aquele campeonato valeu como Mundial, então Palmeiras é campeão mundial. A FIFA disse que é Mundial, é Mundial, pronto, acabou.

Como está sendo feito agora aqui em São Paulo. A Federação Paulista está dizendo aquele campeonato de 1932 que o Juventus ganhou, vale como campeonato paulista. Não, não vale. Na minha opinião, sabe por que não vale? Porque na época ninguém disse que vale. Você está fazendo a releitura daquele período, né? Claro, entendeu? Ou seja, quem foi para aquele campeonato mundial pensando que era mundial e quem foi pensando que não era mundial? Simples assim.

Eu me preparo de uma certa forma indo para um torneio de verão no Brasil ou eu me preparo indo para um campeonato mundial no Brasil. É diferente. São duas preparações completamente diferentes. Então assim, é campeão? É campeão porque a FIFA disse que é campeão e a FIFA é a dona da bola. Agora, literalmente. É muito estranho. Isso vale para todos os títulos, porque a gente tem um...

um ano, que eu não vou lembrar agora qual é, que você tem dois campeonatos mundiais porque teve um torneio aqui, outro ali, e os dois valeram porque um era um torneio de verão que também virou um campeonato mundial. Por quê? Porque a FIFA achou que tinha que ser.

E a mim não passa o fato de que você, 30 anos depois, fala naquele campeonato, lembra que era um campeonato que jogaram lá? Aquilo é mundial. Não, não é mundial. Certo. A menos que você diga quando o campeonato vai acontecer, este campeonato vale como campeonato mundial. Estamos indo para isso. Então o do Grêmio está garantido. 83. Porque foi nessa linha. Meu avô estava lá. Campeão do mundo. É que nem quando falam do Corinthians em 2000.

Lembra do campeonato do Corinthians? Que foi aqui no Rio. Foi o Corinthians de Vasco, que foi a final e tal.

Ah, todo mundo fala, aquilo foi um torneio da FIFA, aquilo não valeu... Não, a FIFA, antes do campeonato mundial, disse, este é o novo campeonato mundial de clubes. Então o balizador é a FIFA, pronto. Só a FIFA diz, só a FIFA diz. Objetivamente. Agora, eu critico a FIFA quando ela disse que 30 anos atrás aquele campeonato vale como mundial. Indo da bola do futebol pra bolinha de tênis, até onde vai João Fonseca?

Bom, eu quero dizer que eu não sou um expert em tênis, embora tenha transmitido muitos torneios de tênis e tal, mas eu acho que ele vai longe, né? Por tudo que eu leio, né? Os jogos que eu já acompanhei dele, a reação dos outros jogadores. Eu acho que é sempre muito interessante, Cecília, quando você observa o cara que entende do negócio. Então, quando...

Federer fala, aquele cara é bom. Quando o Nadal fala, esse cara vai dar coisa boa. Os caras ficam pra cumprimentar ele. Entendeu? Eu tinha um convite e falava, isso é um adversário difícil. Eu vou discutir com o Federer? Não. Meia pau, Juvenal. Entendeu? Então, são esses caras que estão falando que ele é muito bom.

Os resultados dele estão mostrando que ele é muito bom. Ele é muito novo ainda, né? Exato. Já está conseguindo resultados muito expressivos. Então, mesmo sem ser um expert, eu acho que ele vai muito longe. Eu acho que ele vai nos trazer boas lembranças de quando a gente torcia pelo Guga. Enfim, enfim. Bons tempos. Acho que é esse caminho.

Para a gente falar um pouquinho mais de um tema que é mais a nossa praia, mas que ainda tem a ver com futebol, já que a gente falou de Copa, você acha que os Estados Unidos deveriam perder o direito de sediar a Copa, dado o contexto político global atual de invasão ao Irã? É, se a Rússia não está jogando porque invadiu um país, faz sentido.

Exatamente essa é a conotação que eu acho. Se você puniu a Rússia, que até hoje não pode levar atletas para jogos olímpicos representando a Rússia. Eles têm ido, mas vão como avulso. Se você eliminou a Rússia de Copa do Mundo, se você fez tudo isso com alguém desse lado, você tem que fazer com alguém desse lado também.

Agora é muito mais difícil, né? Convenhamos, é muito mais difícil você enfrentar o maior capitalista do planeta. E um presidente da FIFA que gosta dele. Gosta, gosta. Dá prêmio da paz e tudo. Foi lá. Pois é, é patético isso, né? Eu acho patético. Porque é o cara que mais invasões promoveu no mundo inteiro, por parte dos Estados Unidos. É esse presidente que ganhou...

O prêmio da paz da FIFA, que criou-se para isso, eu não acho inacreditável. Porque a Copa do Mundo desse ano está numa situação muito delicada, porque a gente tem os Estados Unidos com essa situação toda, as pessoas já com medo de ir aos Estados, com medo de atentados, já estão falando isso lá com muita força. O México no Estado, que ninguém está sabendo como é que pode estar até a Copa.

com essa guerra do narcotráfico ali dentro, o governo tentando enfrentar e tendo rebeliões lá dentro, só para o Canadá.

Nenhuma mente em paz. Então, mas assim... Tem como mudar tudo? Os dois em litígio com os Estados Unidos. Sim. Os Estados Unidos, logo o Trump assumiu, a primeira coisa que ele fez foi detonar o México, detonar o Canadá e não sei o que e tal. Acho que atualmente não tem um país do mundo que não esteja em litígio com os Estados Unidos. E são vizinhos, né? E as seleções vão ter que cruzar pra lá e pra cá pra jogar no México, volta a jogar nos Estados Unidos.

Mas teria como trocar? Pra onde iria? Vamos supor, a FIFA fala, não, vai ser inviável. Essa altura do campeonato eu acho muito difícil. Não, e o pior é que... Não, e o pior é que...

Até o ano passado, meio do ano passado, você ainda conseguiria arrumar, vamos fazer uns jogos no Brasil, na Argentina, então vamos jogar na Europa e tal. Ainda daria. Agora já não dá mais. Porque a saída prática seria fazer no Qatar, que também não é um grande exemplo de democracia, de respeito à soberania dos países. Mas se fosse para mudar para outro lugar, que outro lugar seria?

Cara, você poderia levar para um país da Europa, por exemplo, porque esses países estão aparelhados, digamos assim, para receber uma Copa do Mundo. Não sei se uma Copa desse tamanho, né? São 48 seleções pela primeira vez na história, são 104 jogos, se eu não me engano. Ou você traz para cá, joga Brasil, joga Argentina, joga Uruguai, você teria equipamentos para receber uma Copa do Mundo. Mas agora eu acho que está muito em cima, tem ingresso vendido, praticamente tudo está vendido.

É complicado você mexer agora, tinha que ter mexido antes. Claro, claro. Tinha que ter mexido antes.

São quase 50 anos de jornalismo esportivo. Não chega a ser de jornalismo esportivo. De jornalismo esportivo. 35 anos. 35 anos de jornalismo esportivo. Então, eu sei, o futebol sempre foi político, principalmente no Brasil, com a nossa gloriosa CBF. Mas é também político mundialmente, como a gente está falando agora. Você acha que isso se intensificou?

ao longo desses seus 35 anos, quer dizer, quando você começou essas questões políticas que envolvem também o futebol, elas eram mais sutis?

a gente está mais crítico. Ao longo do século XX, vamos dizer assim, né? É, não sei se mais sutis. O que eu acho que aconteceu muito com o esporte de uma forma geral é o poder econômico que o esporte passou a ter, né? Uma Copa do Mundo 50 anos atrás, ela não tinha o atrativo que ela tem hoje financeiramente, eu estou falando, né? Por que os países hoje fazem Copa do Mundo? Eles fazem Copa do Mundo porque ela dá um retorno brutal financeiro para as empresas e para quem investe nela.

E também pra limpar barra. Por que o Catar fez uma Copa do Mundo? E vamos ter agora brevemente na Arábia Saudita. Pra esconder a ditadura que são esses países. O Catar fez isso, a Arábia quer fazer agora também. Os Estados Unidos, de uma certa forma, não muito isso, mas acaba servindo agora, porque quando eles foram candidatos a sediar a Copa do Mundo, a ideia não era muito essa. Mas agora passou a ser. A Copa do Mundo passou a servir uma vitrine. E é inacreditável, acho escandaloso que o presidente do país diga Ó, Irã,

Acho bom você não vir mesmo. Acho bom que vocês vão sofrer aqui. A gente vai receber vocês bem, mas... Melhor não vir. Porque a segurança não garante. Isso depois que o Irã declarou que não vai participar da Copa do Mundo. E aí você cria um outro problema. Quem que você bota no lugar do Irã? Quem que vem pro lugar do Irã? Como é que a FIFA vai resolver esse problema aí? Então, eu acho que o fato de o esporte ter virado uma indústria econômica muito pesada, acaba trazendo junto a política. Acaba misturando um pouco as coisas como você falou.

Nossa, o poder econômico chama muita atenção porque começa a interessar os países também, né? Porque o Brasil, o que a gente teve de obra do legado, a obra da Copa, a obra... Outro dia... O que a gente não terminou? Ali perto da Globo... Mas vai começar agora. Vai funcionar agora. Mas outro dia apareceu para mim no Instagram um recorte de uma entrevista do Aldo Rebelo, na época que era ministro do governo Dilma.

e ele tava sendo questionado, uma entrevista no Roda Viva, e estavam falando sobre, era especificamente sobre o estádio lá em Manaus. E veja bem, claro que ele reagiu dizendo que era uma espécie de xenofobia, né, dos repórteres do Sudeste e tal, mas o que o... Eu não vou lembrar agora qual era o jornalista que tava fazendo a pergunta, mas ele tava dizendo assim, ó...

Não era nem não tem que ter, era por que Manaus e não Belém? Porque no Pará você ainda tem uma tradição de futebol um pouco maior. Ou seja, tinha uma estrutura de estádio. Exatamente. Eles falam assim, os estádios atualmente do Amazonas, eles já não lotam.

É isso? Pra que você vai fazer um estágio de Copa lá? Historicamente, os shows internacionais, eles não costumam ir a Manaus. Então, por que investir tudo isso? E aí, usou aquela retórica de xenofobia, vocês são centrados no Sudeste, todo mundo tem direito, não sei o quê. Mas é muito doido, né? Porque foi muito dinheiro.

Você começa a mexer uma máquina muito poderosa, né? Muito dinheiro injetado no país. Quem é de São Paulo, conhece São Paulo, quem não é, pode procurar na internet que vai achar fácil. Peguem a Avenida Roberto Marinho, que é a avenida que passa ali ao lado da Globo, chega lá na Marginal, ela vem lá de cima. Antiga Águas Espraiadas. Antiga Águas Espraiadas. Ela tem uma estrutura que começou a ser construída que sairia do aeroporto de Congonhas, desceria toda a Roberto Marinho, atravessaria a Marginal, o Rio Pinheiros.

E subiria até o Morumbi, pra chegar lá no estádio do Morumbi, que era o estádio da Copa do Morumbi. Essa estrutura foi construída, deveria ter sido construída, para a Copa de 2014. Nós estamos em 2026 e a obra tá parada. Até hoje, não passa um... Mas isso que eu tô te dizendo, agora vai chegar no shopping Morumbi.

Olha que maravilha. É porque não atravessa a marginal. Pois é, o problema original é esse. Vai chegar lá no estádio do Morumbi. Não, vai chegar no shopping. Eu tô muito feliz. E tá parado até hoje. Doze anos depois a gente tá quase concluindo. Crescendo mato nas estruturas, árvore que não... Tá lá do mesmo jeito. Já se gastou uma fortuna naquilo. Só o que tem de concreto ali. Nossa. Dava construir os quatrocentos conjuntos habitacionais. Nossa.

e era para a Copa de 2014 isso tudo em função desse enorme investimento ô Milton eu não falei sobre essa pessoa especificamente

Mas vamos falar do seu Mário, Rodrigues, Leite? Você quer me fazer chorar. Você fala que ele foi a sua grande inspiração, ele foi o cara que te levou, você falou de estádio do Morumbi, aí eu vou lembrar que ele foi o cara que te levou no teu primeiro jogo ali. Só que ele era dos esportes? Quem era o seu Mário que te fez um menino apaixonado por esportes?

Bom, meu pai, ele era certamente a pessoa mais ética, mais honesta que eu conheci na vida. Meu pai faleceu em 2024, no dia que ele faria 93 anos, ele faleceu. E o meu pai, ele teve uma vida um pouco sofrida, vamos dizer assim. Porque quando ele estava terminando o ensino médio, que hoje seria ensino médio, se preparando talvez para fazer um curso universitário, o meu avô...

começou a ficar doente. Ele teve um problema de gangrena na perna, enfim. E aí o que aconteceu? Meu pai, era o meu pai, mas duas irmãs, eram duas tias que eu tinha. E naquela época, muito pior do que hoje, era difícil pra mulher trabalhar, ainda mais ganhar bem e ter uma carreira, né?

Então meu pai foi trabalhar para substituir meu avô. Ele teve que trabalhar muito cedo, largou os estudos para poder bancar a família. Meu pai passou a ser o rimo de família das minhas tias e da minha avó. Meu avô faleceu, eu tinha dois anos, três anos. Eu sou de 59, meu avô faleceu em 61, 62. E com isso ele deixou de criar uma carreira. Ele não estudou, não conseguiu fazer uma faculdade.

Foi trabalhar num escritório de contabilidade, ele era muito melhor que o contador, mas ele não podia assinar porque ele não era formado, mas ele trabalhou nisso muito tempo. E o meu pai era de esportes assim, no sentido de que ele jogava bola, ele jogava na VARES, aqui em São Paulo na época ainda tinha muito campo de VARES, eu tenho foto do meu pai ainda com camisa de time de futebol aqui de São Paulo, da periferia e tal. E ele gostava muito de esporte, ele ouvia muito esporte no rádio na época, e talvez isso tenha passado um pouco pra mim, né, esse gosto pelo esporte e tal. Corintiano também.

Meu pai era corintiano. A família inteira do meu pai era corintiano. E o meu pai, ele... Ele gostava muito de ir a estádio, a gente ia de vez em quando a estádio. O primeiro jogo que eu fui, foi com ele, eu era garoto ainda. E... E acho que uma outra coisa que eu tenho muito em comum com meu pai, era muito parecido fisicamente, eu com meu pai, mais do que meus outros dois irmãos.

E além disso, eu tenho a sensação, e isso é uma sensação, ele nunca me falou isso, de observar com a sensação de que ele gostaria de ter tido uma carreira parecida com a minha. Ele gostaria de ter trabalhado em comunicação, trabalhado em alguma coisa do tipo, se ele tivesse tido a chance de estudar, enfim.

Então isso me liga ainda muito mais a ele. E quando eu falo que ele foi a minha grande inspiração, eu queria ser tão honesto quanto o meu pai, tão ético como o meu pai, tratar tão bem as pessoas como o meu pai tratava. Não tinha uma pessoa que falava mal do meu pai. Todo mundo adorava o meu pai. Quando ele trabalhava, que ele era dono de escritório, que as pessoas que eram subordinadas a ele tratavam, eram super bem tratadas e gostavam do meu pai por causa disso.

Meu pai, já velhinho, quando a gente já mudou pra Jundiaí e tal, pra não ficar sem fazer nada, ele abriu uma lojinha de produtos descartáveis, copinho de plástico, essas coisas, pratinho, produtos descartáveis. Ele passava o dia ali na loja, quase não dava dinheiro aquilo, mas era pra ele passar o tempo.

90 anos de idade ele tinha isso? Não, isso um pouco antes. Um pouquinho antes. Isso um pouco antes. Se ele devia ter até 87, 88 anos, meu pai ainda trabalhou. Nossa. E as pessoas adoravam, meu pai. Muitas vezes encontravam comigo e falavam Passei lá na loja do seu pai ontem, fiquei conversando com ele, ele só fala de você, que você transmitiu não sei o que jogo, que você isso, que você aquilo. Então eu tinha efetivamente uma ligação muito forte com meu pai.

Enfim, eu tento ser um pouco do que meu pai foi, em termos de honestidade, de ética, de tratar bem as pessoas, enfim. Meu pai efetivamente fez de mim uma pessoa melhor. Ao que tudo indica, você conquistou. É o que dizem. É o que dizem. É o que dizem quem trabalhou com você. Acho que é a opinião mais...

Certeira. Antes da gente ir pro nosso isso ou aquilo clássico, queria te fazer uma pergunta, Milton, porque muita gente fora do eixo sul-sudeste no Brasil acusa a televisão de historicamente favorecer os times do eixo.

o Sudeste, tanto em tempo de tela, quanto em comentários eventualmente enviesados e tal, que a gente sabe, por exemplo, que eu acho que a maior torcida, eu vi recentemente, do Ceará, por exemplo, é para o Flamengo. Muito em função de que durante muito tempo o futebol era consumido unicamente ou na Globo, enfim.

E os jogos eram transmitidos para o país inteiro. Hoje em dia a gente tem uma transmissão muito mais pulverizada. Então, diante desse cenário atual, você olhando em retrospecto, você acha que essa crítica faz sentido? Você faz um mea culpa nesse sentido?

Eu vou te dizer o que faz sentido, Gabriel. É o seguinte. Primeiro, vamos voltar bem no tempo. Como é que começa essa história de Nordeste, Norte, Centro do País acompanharem mais o Flamengo do que os times locais? Começa com a Rádio Nacional, antes da televisão. A Rádio Nacional transmitia jogos do Flamengo para o Brasil inteiro. Era uma potência na época e tal. Isso começa a criar essa situação de você ter gente que mora em Fortaleza, nunca viu o Flamengo ao vivo, mas torce para o Flamengo porque ele ouve na Rádio Nacional o Flamengo.

Isso acaba se consolidando Quando a TV Globo e outras televisões Assumem o futebol, né, começam a transmitir na televisão Porque Os times do Sul e do Sudeste São os que dão mais audiência Então, por exemplo, por que a Globo transmite Preferencialmente o Corinthians pra São Paulo? Porque é a maior torcida daqui Por que ela transmite o Flamengo? Porque é a maior torcida do Rio

Então, isso foi mantendo, vamos dizer assim, esse status quo criado lá atrás pela Rádio Nacional, um pouco, em parte. Hoje até eles tentam fazer um terceiro jogo que é pra uma outra capital que não seja São Paulo e Rio e tal. E acho que o fato de esses times serem os mais mostrados acabam utilizando os profissionais destas cidades. Então, o cara que faz na Globo, o cara que faz no Sport TV, o cara que faz na SPN, ou ele mora em São Paulo, ou ele não mora no Rio. Em geral, são essas as principais capitais. Isso acaba...

levando a que a opinião seja um pouco mais voltada para esse time. Não tenho a menor dúvida disso. É uma falha? É uma falha. Mas é uma falha do sistema. Não acho que fulano faz assim, beltrano faz assim. É uma falha do sistema. O sistema foi criado dessa forma. E não condeno. Por exemplo, eu não condeno a Globo quando ela põe o Flamengo domingo sim, domingo não. Por quê? Porque é o que dá audiência. Do ponto de vista de negócio.

Exatamente isso. A televisão vive do negócio, ela vive da audiência. Porque a audiência traz a publicidade, a publicidade traz o dinheiro.

Então é isso, eu não condeno. Acho que não é o ideal, não é o ideal. Seria bom se ela pudesse mostrar regionalmente cada setor ter um jogo e tal. Mas não dá pra fazer isso, até porque encareceria muito direito de transmissão e tudo mais. Então acho que tem essa origem que acabou ficando sistemática e é difícil mudar, né? Eu acho difícil mudar. E rapidamente, você que é de outra geração, bobeira dizer pra qual time torce?

Eu não acho bobeira, não. Eu acho que é uma questão de segurança. Sabe por quê? O estádio de futebol é um lugar muito bélico. Infelizmente, a gente estava falando aqui, quando eu fui citar a coisa positiva do torcedor, as bandeiras, não sei o quê. Mas tem o lado negativo, que é o lado que as pessoas não admitem que você torça para outro time, as pessoas não admitem que o time dele a perca e que você está narrando aquele jogo. Eu não falo por questão de segurança.

questão da segurança pra mim é fundamental. Agora nem vou tanto, né? Porque desde que eu saí do Sport TV eu parei de visitar estádios. Eu faço tudo off-tube. Mas, quando eu ia estar, eu morria de medo. Eu morria de medo. De eu chegar pra transmitir um jogo do Corinthians, o cara achar que eu sou palmeirense e o cara querer me bater porque eu sou palmeirense. Ou o cara do Flamengo querer me bater porque eu sou vasco. Não é pela narração em si.

É pela segurança. Não, em geral não. Integridade física. O que acontece no futebol é o seguinte.

Se o time do sujeito perde, você é o pior narrador do planeta e você ajudou meu time a perder. Você não teve nada a ver com o jogo. Você foi um mau agudo. Quando o time dele ganha, você é o maior narrador da história do planeta e o meu time ganhou porque era você que estava na área. Maravilhoso. Vou te dar uns exemplos rapidinho. Mas, por exemplo, quando o Palmeiras foi campeão da Libertadores em 99, todo mundo tinha certeza que era o Palmeiras. Porque o time ganhou.

Palmeiras não tinha Libertadores. É igual a política, cara. Ganhou aquele jogo final e eu transmiti o Palmeiras em todos os jogos daquela Libertadores, ainda na ESPN Brasil em 99. Quando o São Paulo é tricampeão brasileiro, como o Urici, eu fui o único narrador que narrou os três jogos do título. Já era ponto escorrido no dia final, né? Mas em 2006 eu fiz o jogo, a Globo também fez. Acho que em 2007 era um jogo que a Globo não transmitiu, só eu transmiti.

E 2008 de novo tinha os dois. Então o tricampeonato, os três jogos, só eu transmiti no Sport TV na época. Torcedor do São Paulo, pô esse cara que é São Paulo, só ele ter feito os jogos lá e tal...

E assim aconteceu com o Santos do Neymar. Quando o Santos ganha a Libertadores, eu narrei todos os jogos do Santos naquela Libertadores. E por quê? Porque a Globo não punha o Santos, porque o Santos não dava audiência. A Globo preferia pegar outros times para transmitir a Libertadores. Só eu, do Sport TV, fiz todos os jogos do Santos naquela Libertadores. Todos os jogos. Desde a classificação até a grande final.

Santista, o cara é Santista porque ele grita no gol do Santos que nem um desesperado por quê? Porque era o time brasileiro que tava ganhando é muito engraçado, a gente fala muito de política no Rivo News, né e eu gosto que quando eu falo alguma coisa que agrada um determinado

grupo político ideológico, o elogio é ah, finalmente um jornalista imparcial. E eu não tô sendo imparcial, não. Eu tô defendendo o que aquela pessoa acredita. Mas na visão dele, como eu tô indo... Em direção ao que ele acredita, eu tô sendo imparcial. Exatamente. O cara ganha, você é o melhor do mundo. Quando o time perde, você não sabe nada. Você é um péssimo narrador.

Agora, se eu critico, aí eu sou um comunista. Se eu elogio, eu sou imparcial. É, exatamente. Eu sou de extrema direita e aí fica dificílimo lidar. Muito bom. Vamos pro isso ou aquilo, então? Vamos pro nosso isso ou aquilo. Vamos começar aqui pelo primeiro. Então, eu vou começar comparando a seleção do Tetra com a seleção do Penta, tá?

É, a gente fez esse mesmo joguinho com o Benjabak quando ele esteve aqui. Então a nossa produção ajudou a gente montar, porque você já viu que a gente não entende nada do assunto, tá? Mas é bem clichê. É aquele pro corte das redes sociais, bem bacana, tá? Então a gente vai comparar a seleção do Tetra com a seleção do Penta, jogador por jogador. E o que vale é o jogador.

No dia lá do jogo. Essa é a regra. Ah, entendi. A fase dele analisada tem que ser ali naquele período. Na carreira dele. Isso, isso. Porque eu já vi tu dando resposta pra umas coisas assim Ah, pô, grande amigo, Ricardinho já fui comer churrasco na casa dele. Então não é isso, tá? Então a gente tem que ir ali. Então eu sei que pode ter relações pessoais envolvidas mas vão concentrar. Então vamos lá. Vocês vão comparar jogador de cada seleção.

Isso. Brasil de 94 contra Brasil de 2002. E eu vou dizer qual que eu acho melhor. Isso.

Olhando para aquela fase ali daquele momento. Daquela Copa. Isso. Tá bom. Tafarel ou Marcos? Marcos. Jorginho ou Cafu? Essa é uma pergunta difícil. Cafu. Aldair ou Lúcio? Aldair. Márcio Santos ou Roque Júnior? Essa também é difícil. Roque Júnior. Branco ou Roberto Carlos?

Não vale o amigo que falava com você na transmissão, não. Não, nem os dois são amigos meus, nem nunca trabalhei com eles. Eu acho o branco mais jogador, mas o Roberto Carlos acho que ele foi mais importante ao longo da história. Na Copa do Mundo eu voto no branco. Mauro Silva ou Edmilson? Mauro Silva. Dunga ou Gilberto Silva? Gilberto Silva, sem pensar. Mazinho ou Cleberson? Mazinho. Zinho ou Ronaldinho?

Ronaldinho Gaúcho, né? É. Ronaldinho Gaúcho. Romário ou Ronaldo? Essa é uma armadilha. Essa até quem não entende fica tenso. Essa é uma armadilha. Mas vou votar no Ronaldo. Bebeto ou Rivaldo? Essa também é difícil. Mas acho que assim, se você pensar no momento Copa, o Rivaldo foi mais jogador. Parreira ou Filipão?

Eu acho o Parreira mais técnico, mas eu vou dizer Filipão, porque ele ganha a Copa de uma maneira que eu achei que não conseguiria ganhar. Então eu vou votar no Filipão. Com aquela... Família, família escolar. Os dois eu lembro muito bem de viver as duas Copas. Eu iria no Filipão pela emoção.

Gaúcho. Vai, vai? Você vai você? Vamos, vamos. E agora a mesma coisa, mas sobre os mundiais do Corinthians. Então, Corinthians 2000 versus Corinthians 2012 e de novo considerando ali o momento de cada jogador. Dida ou Cássio? Cara. Essa é pedreira. Agora eu vou votar no Dida. Índio ou Alessandro? Alessandro.

Adilson ou Chicão? Adilson. Fábio Luciano ou Paulo André? Aí acho pau pau. Fábio Luciano. Kleber ou Fábio Santos? Eu acho que o Fábio Santos é até mais importante, mas eu acho que o Kleber é mais jogador. Não pensando na época do Mundial, vou votar no Fábio Santos. Tá. Vampeta ou Ralf?

Rampeito. Rincón ou Paulinho? Cara, assim, se você pensar no Mundial, acho que o Paulinho foi mais jogador do que o Rincón. O Rincón era muito bom de jogador, mas o Paulinho foi, naquela conquista, ele foi fundamental. E agora não, não são exatamente da mesma posição, mas pra efeitos de escalação, Marcelinho Carioca ou Jorge Henrique? Marcelinho Carioca. Ricardinho ou Danilo?

Aí vai... Meu lado amigo do Ricardinho pesa muito. Falei do Ricardinho, foi no churrasco lá em casa, casado com a dona Coisa. Dona Coisa é ótimo. Dona Juliana. Ricardinho. Tecnicamente ele foi o mais jogador. Edilson ou Emerson Sheik? Essa também é difícil. Edilson. Luizão ou Guerreiro? Luizão. Osvaldo de Oliveira ou Tite?

Ah, eu acho, nesse episódio específico, eu acho o Tite, porque primeiro que o Corinthians ganha muito o Mundial em função dele, do time que ele montou e tal, e acho que ele foi mais técnico ao longo da história do que o Oswaldo Oliveira. Dois gaúchos, tá vendo? Eu tenho uma predileição pro gaúcho. É isso! Eu tenho muitos bons amigos no Rio Grande do Sul.

Aê, valeu a indignação dos técnicos brasileiros reclamando do Ancelotti chegando? Teve aquele bafafá, todos ali falando, tinha que valorizar mais os produtos nacionais ou grande besteira, Milton? Eu acho uma grande besteira. Eu acho que, na verdade, a gente tem que discutir por que a gente teve que recorrer a um cara como o Ancelotti, que é um dos maiores vencedores da história do futebol. Se você pega o número de títulos que o Ancelotti tem em clubes e países diferentes, é um negócio...

assombroso, né? Então acho que a gente tem que discutir por que chegamos ao ponto de ter que recorrer a um estrangeiro. E não é... A gente tem que lembrar de outras modalidades. Não é uma coisa do futebol. O basquete já trouxe técnico de fora que melhorou o nosso time. O vôleibol trouxe o coreano, quem não lembra do Kim, acho que era Kim o nome dele, quase todo coreano. É, Kim. Que melhorou, ele dirigiu Minas aqui durante um tempo, que foi, acho que, tricampeão brasileiro, se não me engano, naquela época.

depois ele trabalhou inclusive na Seleção Brasileira, enfim. A gente tem que ter essas experiências como o que esse cara está trazendo para melhorar a gente, como é que eu posso desfrutar disso, aproveitar e absorver coisas que são importantes. A gente só chegou a esse ponto porque os nossos técnicos ficaram parados no tempo. O futebol cresceu muito, evoluiu muito. Qual técnico brasileiro é pretendido pela Europa hoje em dia? Zero. Nenhum deles é pretendido pela Europa.

Quais brasileiros saíram daqui e fizeram algum sucesso na Europa? Quase nenhum deles. Lembra o fiasco que foi o Luxemburgo na Europa? O Filipão ainda fez algum sucesso, sobretudo em Portugal, foi técnico da seleção portuguesa. Mas quando foi pra Inglaterra, foi uma tragédia, foi um desastre.

Então acho que a gente tem que pensar sobre esse prisma. Quais brasileiros hoje estão interessados, o mercado internacional se interessa por eles? Ninguém. Uma coisa é jogadora, outra coisa é técnico. Completamente diferente. Então acho que os nossos técnicos deviam sentar e pensar assim, cara, por que eles trouxeram um acelote e não pensaram em ninguém daqui do Brasil? Porque não tem ninguém no Brasil, nível internacional, nível seleção brasileira para uma Copa do Mundo. Veste a sandalinha da humildade e para para pensar.

estudar, vamos saber por que está acontecendo isso como é que está sendo a formação dos profissionais aqui no Brasil nessa área, enfim pra gente encerrar, Milton já? infelizmente a culpa é só a sua você acha que o Brasil era melhor quando a gente sabia de cor a escalação da seleção e não a escalação do STF? não tenho dúvida disso, eu não tenho dúvida disso não só porque não tenho dúvida quais quais quais quais quais quais quais quais quais quais

Essa parte política brasileira está muito no nosso dia a dia hoje, que nunca teve, agora está. E acho que é bom que esteja, e acho que é bom que a gente se preocupe com isso e saiba por que está assim, por que hoje a gente sabe em nome de ministro do Supremo e antigamente não sabia. É bom que a gente pense um pouco sobre isso.

Mas é bom que a gente pense também que o futebol brasileiro caiu muito. Caiu muito. Eu sou de uma geração, quando eu era garoto, que acompanhava futebol, que você tinha três, quatro, cinco jogadores excepcionais para uma função, para uma posição da seleção. Hoje você olha e fala, pô, tem três, mas se somar os três não dá um. E é verdade, entendeu? Hoje a seleção brasileira não é mais top de linha, como a gente costuma dizer. Ela está ali em segundos, parte de baixo do segundo escolão, quase terceiro.

A gente tem seleções muito melhores que o Brasil hoje. Então o sonho do Hexa não é pra agora.

Na minha, pode até chegar lá e ganhar. Mas eu acho que em condições normais de temperatura e pressão, acho muito pouco provável que o Brasil chegue até quartas, semifinais. Eu acho que cai antes disso. E tem sido assim, né? Desde 2002 que a gente não passa das quartas e final. Só passamos aqui no Brasil pra semifinal e tomamos de sete. Foi bem bonito. Eu acho muito pouco provável que o Brasil chegue muito longe na Copa.

Com a Celote e tudo, que eu acho um excepcional técnico, vencedor, enfim, não tem o que discutir sobre isso. Mas sem material humano não faz seleção boa, não. Acho. Então é isso. Quanto tempo será que o Brasil leva pra ganhar de novo?

Aí vai depender de quanto tempo ele vai levar pra começar a preparar jogadores de novo na categoria de base, pra não permitir que esses jogadores saiam daqui com 17 anos, porque assim, ah, não pode viajar antes do 18. Mas com 17 eles estão vendidos. Esse Estevam, o menino do Palmeiras, o Hendrick do Palmeiras, eles já estavam vendidos. É que eles não podem sair do Brasil antes de completar 18 anos. Mas já estavam vendidos. Mas já estavam todos vendidos. Entendeu?

Então, enquanto isso continuar acontecendo, vai ser difícil a gente montar uma seleção bacana aqui. Não bastasse exportar cérebro, exportamos pernas e pés. Claro. Maravilha. Exatamente isso. Muito obrigada. Eu que agradeço muito. Foi muito legal. Muito obrigado pela gentileza do convite e do tratamento aqui de todo o time de vocês aqui. Foi muito legal. Prazer e uma honra. Muito obrigado.

E é isso, né? Sexta-feira tem negócio de Rivonews. Tem negócio, perceberam que ela tá bem, né? Negócio de... a dona Coisa. Dona Coisa. Dona Coisa, se você estiver nos assistindo, sexta-feira, meio-dia e trinta, neste mesmo canal, Rivonews, seu resumo semanal de notícias. Não vai ter futebol, então se contenta aqui comigo, tá? Vai ter sim. Ah, não, já vai ter sim. Essa entrevista já foi. Essa já foi, não vai ter, tá? Então, beijo, a gente espera vocês.