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KIM KATAGUIRI | RivoTalks #119

03 de março de 20261h45min
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Kim Kataguiri é deputado federal, um dos fundadores do MBL e uma das figuras mais jovens e ativas da política brasileira atual. Entre plenário, redes sociais e debates públicos, ele construiu sua trajetória discutindo economia, funcionamento do Estado e os bastidores do poder em Brasília.

No episódio, Kim fala sobre como realmente funciona o Congresso, emendas parlamentares, relação entre Executivo, Legislativo e STF, além da polarização entre Lula e Bolsonaro e os impactos disso no país. A conversa passa por impeachment da Dilma, direita e esquerda hoje, letramento político, críticas aos próprios parlamentares e o que ele enxerga para o próximo ciclo político brasileiro.

Um papo direto, cheio de bastidores e sem roteiro, daqueles que você entende melhor a política depois de ouvir. Solta o play.

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Assuntos15
  • O caso MasterEnvolvimento do STF · Ministro Toffoli · Operação encerrada · CPMI · Transparência das investigações
  • CorrupçãoEsquemas de roubo · Combustível · Aluguel de carros · Aluguel de escritório · Superfaturamento de obras · Iniciativa própria do roubo
  • Atuação ParlamentarOrçamento secreto · Emendas impositivas · Distribuição de recursos · Transparência · Indicações de obras
  • Letramento e Educação PolíticaAnalfabetismo político · Falta de conhecimento eleitoral · Educação básica deficiente · Compreensão de cargos públicos · Voto de qualidade
  • STF Corporativismo e Abuso de PoderPerseguição política · Intolerabilidade · Julgamento tendencioso · Falta de limites institucionais · Autoritarismo
  • Congresso NacionalProcesso legislativo · Regimento interno · Discussão e votação de projetos · Papel das comissões · Questões de ordem
  • Crise InstitucionalSTF sem limite · Senado inoperante · Covardia institucional · Sistema feito para não funcionar · Possibilidades de reforma
  • Democratização do Debate PolíticoRedes sociais · YouTube vs Instagram · Acesso à informação · Multiplicação de vozes · Curadoria do debate público
  • MBLFundação e trajetória · Posicionamento anti-Bolsonaro · Programa de governo · Coerência ideológica · Relação com aliados
  • Reforma TributáriaMudança radical necessária · Reforma da educação · Sistema de gestão · Combate à corrupção · Projeto de país
  • Atuação de Lucia na políticaFracionalismo do PT · Pós-Lula · Divergências regionais · Novo partido de esquerda · Racha político
  • Impeachment Dilma RousseffMobilização popular · Papel do Congresso · Pressão institucional · Manifestações · Consequências políticas
  • Pressão Popular e MobilizaçãoImportância da população · Campanhas de assinatura · Pressão para aprovação de projetos · Casos de super salário · Veículo como pauta
  • Trajetória Pessoal de Kim KataguiriOrigem familiar · Primeiro vídeo sobre Bolsa Família · Interesse por economia · Formação acadêmica · Evolução política
  • Educação e conhecimento técnicoConfusão sobre papel de deputado · Emendas vs legislação · Municipalismo · Entendimento de funções · Percepção do eleitor
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Vamos ao Rivo Talks, esse espaço maravilhoso de conversa que abre portas para que vocês conheçam o... O Rivo News, nosso resumo semanal de notícias, toda sexta-feira, meio dia e trinta, neste mesmo canal, com tudo aquilo que você precisa saber para chegar no fim de semana bem informado e feliz. É, pelo menos a gente tenta transmitir as coisas com mais leveza possível, né? Tem sido difícil, mas a gente tenta. Com o apoio da produtora Camaleão, nossa parceira, porque a ideia é tentar ser mais leve. Eu acho que esse foi o objetivo.

talvez, lá no início, nesse nosso entrevistado. Sr. Kim Patroca Kataguiri, seja bem-vindo. Muito obrigado, obrigado pelo convite. Um prazer te ter aqui, Kim. Eu vou ser bem direto, vamos começar já com o tema quente. O país está pegando fogo, ano eleitoral, você é um deputado muito atuante, já são anos aí no movimento político. Então eu queria começar essa entrevista te perguntando se você, como descendente de samurais,

Eu jotei. Sushima não joguei. E me nego, né? Me nego porque a imprecisão histórica é grande. Sério? Você vê que assim, ele vai no detalhe, não é mesmo? Não estava esperando essa. Ah, bom. Bom, excelente. Mas é impressionante como é que a pessoa realmente repara nisso, né? É o tipo de coisa que você vê que o cara é SDF, entendeu? Ele é geek, é nerd. Mas ok, todo mundo sabe desse teu passado oriental aí, mas a gente tem também

uma ascendência meio portuguesa, meio italiana, que desembocou no Pará por meio de sua mãe, Dona Cláudia Cristina. Eu sei que você já fez famosas visitas à senhora Herveira Bete Cheirosinha. E aí eu queria saber, de verdade, assim, nunca te ocorreu de repente você comprar um banho de descarga ou até um antisona pra jogar no plenário? Não? Pra ver se dava jeito? É... Tá, eu queria falar sobre jogar coisas, mas o código penal me impede. Entendi. Não necessariamente banhos da

cheirosinha. Mas, assim, faria bem, assim, uma, digamos assim, um exorcismo ali no Congresso Nacional. Valeria, valeria? Com certeza, com certeza. Ainda mais no momento que a gente está vivendo. Você acha que a gente tem a pior legislatura da história? Muito se fala a respeito disso. Sei, porque eu não conheço todas, mas que o nível está muito baixo. Só que, assim, eu também tenho um ceticismo em relação a toda essa qualidade de debate

que colocam do passado. Eu só acho que a maior parte dos parlamentares não tinham a visibilidade que tem hoje. O alto clero era quem aparecia porque o espaço estava restrito à imprensa. E a imprensa tem um espaço limitado. Não dá para aparecer todo mundo na imprensa. Hoje em dia, todo mundo consegue aparecer ao mesmo tempo. E não existe, digamos assim, uma curadoria do parlamentar que vai ter espaço no debate público e daquele que não vai. Então, eu acho que sempre houve

digamos assim, o baixo clero no sentido de, não de quem não tem poder dentro da Câmara, porque eu me incluo nesse baixo clero, nessa definição, mas de quem não tem debate de país, de quem não tem visão de mundo, de quem sempre é base do governo, porque vende o voto para o governo da mesma maneira que o prefeito vende o voto para ele, da mesma maneira que o vereador vende o voto para ele, da mesma maneira que o eleitor vende o voto para o vereador.

É o ciclo completo de venda de voto. Acho que sempre existiu, mas agora está mais visível. Mesmo porque existe um interesse,

popular maior na política. Acho que antes a política, o debate político era muito guiado pela opinião das elites, que formava sua opinião por meio de veículos de imprensa, que por sua vez eram consumidos em regra por pessoas, no mínimo, de classe média. E agora existe uma democratização do debate. E a democratização do debate tem os seus pontos negativos. Muitas pessoas opinam sem saber sobre o que elas estão opinando. Mas, por outro lado, eu vejo o lado positivo de que existem hoje instrumentos para quebrar oligarquias com as quais a gente não tinha

tinha como combater antigamente. Democracia é uma delícia, mas tem seus custos, né? A frase do Ciro. É um pouco desesperador se a gente pensar, porque é óbvio que a gente quer que todos tenham voz. Essa é a ideia da democracia, mas é o que você falou. Nem todo mundo tem o preparo, às vezes, para entender a relevância de um cargo ou o que de fato faz um cargo. Você sempre destaca isso. As pessoas acham que deputado é executivo. As pessoas confundem. Se você mandou uma verba para a construção

de algo, você tem o poder de construir algo quando a tua função, na verdade, é pensar em leis. É isso. Primeiro que se a gente for falar de diferenciação de cargos dentro do próprio legislativo, eu não indigo que o eleitor, tá? Eu digo que os próprios parlamentares também, em sua grande maioria, não sabem também diferença de competição legislativa. Aí é difícil. É, assim, não é... Não dá pra gente fazer uma diferenciação tão grande assim.

entre o representante e o representado. A baixa qualidade do voto daquela pessoa que acredita, acho que muito em razão por causa da herança patrimonialista que a gente tem, que aquela obra que está sendo entregue pelo deputado, primeiro, é função de deputado, e segundo, é um favor que ele está fazendo para ele, leva a um parlamentar que, assim, realmente, não é uma, digamos assim, eles não são dissimulados quando eles dizem que,

de fato, a emenda parlamentar é independência, é municipalismo. Eles realmente acreditam que inaugurar a obra é papel de deputado, não é assim. Ah, não, os deputados têm uma outra opinião, mas porque beneficia eles, eles fingem que... Não, não, a maioria realmente... Acredita. Acredita que é isso mesmo, que o sinônimo de trabalho é você vender o seu voto para o governo o máximo possível, a não ser pautas que sejam extremamente impopulares e que ganhem repercussão nacional.

e que o trabalho... Tanto que eu escuto isso várias vezes, né? Ah, Pouquinho, você tem um voto muito fácil, né? Porque o voto de opinião, eu tenho o voto de trabalho, né? Porque ele considera que você legislar, você fiscalizar e você defender a sua opinião não é trabalho. Trabalho é você entregar obra, né? Esse é o voto de aspas, trabalho. Então, de fato, o nível de preparo, o nível de consciência, assim, são coisas básicas, assim, de processo legislativo.

Não, tem gente que está lá desde a redemocratização. E eu sou, não só por dever de ofício, mas também por um prazer um pouco esquisito, eu gosto muito de processo legislativo. Obrigado. Olha, tem até um brigadeiro. Para que fale as palavras doces. Eu tenho dificuldade com isso. Esqueci o que eu estava falando. Você gosta de processos legislativos. Isso, eu gosto de processos legislativos.

coisas básicas do processo legislativo do regimento interno, tem deputados que foram constituintes, e que eu uso algum instrumento, geralmente para atrapalhar uma comissão, porque está votando alguma coisa ruim. Construções. E eu nem sabia que isso existia. Eu falo, não, não é possível, você está aqui há 30 anos. Você insiste muito nisso, inclusive nas comissões. Ah, mas aqui o artigo tal do regimento... Essa semana eu tive um embate com o Gugumota. Um embate leve, mas ainda assim,

Porque é uma coisa simples. Num projeto você tem a leitura do relatório, a discussão e aí o encaminhamento. Encaminhamento, dois falam a favor, dois falam contra. Digamos assim, supostamente você tem a discussão, dá a discussão em tese. As pessoas se convencem de alguma coisa, ninguém se convence de nada. Passou a discussão, todo mundo tem a mesma opinião no encaminhamento. Mas no encaminhamento seria você falou depois da sua opinião já formada. Você não quer mais convencer ninguém, você está encaminhando o seu voto. Exato.

passou a fase de discussão e o Hugo Mota pulou direto pra votação. A gente deu. Sem o encaminhamento. E aí eu falei, o presidente, encaminhamento, questão de ordem de encaminhamento, né? Aí ele, eu tava fazendo por economia processual, mas eu falei, não existe economia processual de processo legislativo. O processo legislativo é uma garantia que a minoria tem, seja de atrapalhar, de atrasar pra ganhar tempo pra ter pressão popular, que é uma coisa que eu faço muito, seja pra, de alguma maneira, a sua opinião influenciar o voto da maioria, que

ele não tem, porque ele é de oposição. Os deputados que se encontram a favor permanecem como estão. Então, é prática, assim, porque as discussões, como a maior parte do Congresso vive de emenda, a discussão é só uma encheção de saco, né? Porque, assim, a votação ele já decidiu. Claro, já vai pronto, né? O que, falando de emendas, a fatia do orçamento desse ano destinada às emendas parlamentares supera 60 bilhões

de reais. Se a gente for dividir esse valor por todos os parlamentares do Congresso, dá uma média de pouco mais de 100 milhões de reais pra cada um, só nesse ano. E aí eu fui ver quanto você gastou desde que você foi eleito, entrei no portal da Transparência, qualquer um pode fazer isso. Desde que você tomou posse, então, fevereiro de 19, né, sete anos atrás, você teve de emendas efetivamente pagas, 134 milhões de reais. O que dá uma

de menos de 20 milhões por ano, né? É uma posição muito diferente da maioria dos seus colegas e, de alguma maneira, é também um exemplo de que, ok, as emendas servem como um mecanismo de reeleição mais fácil, mas você se reelegeu com uma votação muito expressiva sem fazer o uso desse artifício, né? É, na verdade, quando eu não tinha emenda e não era deputado, eu tive mais voto do que na reeleição, né? Certo. Então, a emenda é absolutamente irrelevante pra minha reeleição, ninguém vota em mim,

eu mando recurso para o município, mesmo porque todo município tem uma região que é capitaneada por um deputado que vive daquela região. Então, eu sempre vou mandar menos do que... Porque eu sou votado em todos os municípios do estado de São Paulo. Então, eu sempre vou mandar menos, porque eu distribuo muito mais do que qualquer outro parlamentar. E as minhas indicações são das emendas impositivas. São daquelas emendas que você consegue ver, que está no portal da transparência.

Isso, dentro do que é possível de enxergar. A maior parte, você fez a divisão de 120. Hoje,

a impositiva, a que você tem, o dever de transparência, que todos os parlamentares indicam, independentemente de votar com o governo ou não, estão em 40 milhões. Então a gente está falando aí da maior parte das emendas são pagas para quem é da base do governo, sem a gente saber que elas são pagas. Sequer dá para ter uma diferenciação de saber quem está recebendo ou quem está recebendo mais, porque quem recebe mais recebe fora do orçamento das emendas impositivas.

Antes era, o orçamento secreto antes era por uma rubrica que era emenda de relator, RP9.

só passou para a RP6, que é a amenda de comissão. Então, assim, mudou uma assinatura. A gente não sabe para onde o dinheiro está indo, a gente não sabe quem está indicando, a gente não sabe quem está recebendo e por que está recebendo. E isso também não é só para não ter transparência para a população. É para não ter transparência para os próprios deputados. Para o próprio jogo político. Porque senão um líder vai falar para o governo. Não é. Por que o líder do PSD recebeu mais do que eu?

Isso, aí você vai criar problemas internos. Então, ele não é secreto à toa. Só que é importante a gente diferenciar aquilo que a lei impõe das emendas todos os anos para os parlamentares. Hoje, quando eu entrei, eu acho que as emendas impositivas eram de 15 milhões de reais por ano. Hoje está em 40. Então, menos de uma legislatura mais do que dobrou a impositiva. O orçamento secreto, muito mais. E essa é uma indicação que, como eu coloquei para você, é transparente.

e que está previsto que você precisa fazer. E eu confesso para você, tá? Acho que isso pode deixar um pouco triste as pessoas, as instituições para as quais eu envio emendas, mas é um pouco sacal ter que ficar... Porque, óbvio, você faz a indicação, aquela indicação está vinculada ao seu nome. E você precisa ir lá e você precisa fiscalizar, pelo menos no meu caso, porque, né? Primeiro que eu não quero que tenha nenhum roubo. E segundo que se tiver um roubo, eu morri. Você quer entender se é qual a verba está sendo aplicada, né?

Sua bandeira. E esse é um trabalho que eu não deveria estar fazendo. Eu deveria estar 100% focado em leis e fiscalização. Ainda mais porque o trabalho, primeiro, de elaboração de leis, quando você vai fazer bem feito, e é difícil porque nem o Congresso, nem o Executivo tem a estrutura de análise de impacto de projeto. Então você tem uma projeção do quanto vai gastar ou do quanto vai arrecadar, mas não existe um estrutura

do prévio sobre o que aquele projeto se transformado em lei vai ocasionar na realidade brasileira. Em nenhum caso existe essa questão. Não, não tem análise de impacto prévio. Existem casos excepcionalíssimos análises de impacto posterior. E ainda é a exceção da exceção. Então, a gente sempre faz tendo como paralelos outros países, que, claro, em qualquer análise seria um elemento, mas não um dos únicos elementos, para, de certa maneira, fazer uma adequação para a

Então já é uma coisa que demanda muito tempo e muito trabalho, porque sequer existe essa prática e essa imposição legal, que pra mim é uma coisa básica. Você se dá esse trabalho. É, exato. Assim, só de você ler todos os projetos e todas as notas técnicas sobre os projetos das comissões e do plenário, já é um baita de um trabalho. Eu entendo o porquê que boa parte dos meus colegas estão costumeiramente bem-humorados.

Porque eles não têm esse trabalho. Claro. Quando você tem esse trabalho, é um negócio extremamente estressante. É chato. É um negócio... Boa parte dos projetos ainda, você discorda, mas não é nem que você discorda. Um grande período do ano passado, como a gestão do Hugo Mota é uma gestão que ele não tem uma agenda própria, então ele não tem um legado, uma pauta importante que ele coloca o Congresso para discutir. Pode ser uma pauta que eu discorde,

uma pauta importante. Como não existiu isso no ano passado, eram basicamente projetos pontuais do governo, e o governo também não teve grandes projetos, nenhum ânimo de ser contra eu tinha, porque era uma coisa tão sensual, eram coisas tão sem graça, e que dava o trabalho de analisar, e que muitas vezes, pela ementa, parece uma coisa boba, mas mesmo quando parece uma coisa boba, você precisa ler, porque pode ser que tenha um jabuti, pode ser que tenha uma coisa que não tenha nada a ver. Então, assim, eu preciso ler, apesar de eu...

lembra, né, a gente tá na época de carnaval, o primeiro projeto que a gente aprovou urgência no ano passado, que foi a primeira urgência da gestão do Hugo Mota, foi a urgência do dia do axé. É... A gente tem um quadro no Rival News sexta-feira, que é o Como Vota Deputado, que a gente avalia só projetos de lei nessa linha, assim. E aí eu sou obrigado a ler o projeto do dia do axé, porque pode ser que tenha alguma coisa que não seja só criar o dia do axé. Mas assim, aí você lê, aí não tenho sequer ânimo pra falar assim, gente,

o nosso esforço, ainda mais numa urgência, porque ele tinha prometido, não vai, só coisas realmente muito importantes vão ter urgência aprovada porque eu quero prestigiar o trabalho das comissões. Aí a primeira coisa muito importante foi o dia do axé, eu falo, gente, né? Discurso e prática. Nós temos várias urgências acontecendo e as comissões também continuam esvaziadas. Ô Kim, eu sei que um orgulho na sua vida é o seu pai, o seu Paulo, que já se foi há mais de oito anos, que você começou apresentando ele,

ao público, lá no início da sua carreira, como metalúrgico que nunca foi petista. Mas a bem da verdade, da história e da sua família, é que você sempre fala que sua família foi muito normal. O que é uma família normal? É a família que não fica discutindo política em casa, ou não discutia no passado, e que não sabe quem votou na eleição anterior, certo? De onde que veio esse seu interesse, então? Me explica, porque eu entendo que você começou ali, 2013, falando de Bolsa Família,

um vídeo no YouTube que bomba muito. Novembro de 2014, nasce o primeiro evento do MBL. 2015, você já está na Time como o cara mais influente da juventude política no mundo. Como que vira essa chave numa família onde não há esse interesse? Olha, antes de tudo, parabéns, viu? Eu nunca vi em nenhuma entrevista nenhum jornalista fazer tão bem a lição de casa quanto você agora. Muito obrigada.

Esse primeiro vídeo que eu fiz no YouTube sobre o Bolsa Família, que deu origem ao meu canal, que até hoje é a minha principal rede, que também é uma diferença sobre outros parlamentares que trabalham com rede, geralmente a principal rede deles é o Instagram. Mas o meu é o YouTube porque, primeiro que... Só fazendo um travessão aqui antes de responder. Os reels, principalmente, os vídeos curtos, você é alimentado com base nas palmas.

altas, né? E não com base numa pessoa. Você pode até seguir, mas a maior parte das recomendações, elas vão ser com base no tipo de conteúdo que você consome. Então, se você ver futebol, você não vai receber apenas dos produtores de conteúdo de futebol que você segue. Você vai receber futebol de tudo quanto é criador de conteúdo. No YouTube, apesar de ter as recomendações, as pessoas recebem as notificações dos canais que a gente fala que ela clicou no sininho, né? Que é pra receber o alerta. Então,

existe uma continuidade no acompanhamento muito maior, é mais quando a pessoa te segue, ela de fato quer te acompanhar, diferente do Instagram, que geralmente você segue várias pessoas e não necessariamente você fica acompanhando o conteúdo delas, e você consegue desenvolver o raciocínio melhor, porque você faz um vídeo, vai, de 12, 15 minutos e uma taxa de retenção boa no YouTube é de 8 minutos, então pelo menos durante 8 minutos, né?

Ser aprendido. É, a pessoa parou pra te escutar, porque é muito mais difícil você desenvolver um raciocínio em vídeo curto. Muito. Mas essa provocação pra fazer esse primeiro vídeo foi... Não era pra ser público o vídeo, né? A ideia não era divulgar o vídeo. Eu fiz porque tinha uma tarefa, né? Da escola, que é do professor de história que queria que a gente produzisse conteúdo relativo ao Bolsa Família, né? E aí, eu dentro de um Google, por acaso, eu encontrei artigos do Instituto Liberais,

artigo do Instituto Mises. Na minha origem, digamos assim, eu era libertário. Eu era ali no... Eu lembro. Nunca fui anarcocapitalista, mas eu estava no... Você quase um don't tread on me. Eu estava no limiar ali do Estado mínimo possível. Mudou bastante o meu pensamento desde então. Mas esse vídeo veio por causa dessa provocação. Foi o primeiro... Que não foi bem o interesse por política. Foi mais o interesse por economia que depois levou ao interesse por política.

Você chegou a tentar concluir o curso e acabou sendo levado pela política. Exatamente. Eu, no colégio técnico, estudei no Cotil, o colégio da Unicamp em Limeira, em processamento de dados, porque eu queria ser designer de games, na verdade. Deu tudo errado, parabéns. Deu errado. Depois que eu me formei, eu basicamente fiz sistema de mercearia. E aí depois fiz dois anos de economia na Federal do ABC.

Saí e aí eu entrei em Direito. Me formei ano passado. Ah, então você se formou. Me formei. Pelo IDP. Pelo IDP. E eu acho que o... E assim, eu... Eu fico... Fiquei bastante feliz com o curso de Direito. Eu acho que realmente eu encontrei aquilo que eu gosto mais mesmo. Mas, Kim, você fez Direito na faculdade do Gilmar Mendes, Kim. Ah, olha, posso falar? Apesar das grandes divergências com votos do Gilmar Mendes, é uma excelente faculdade. A preparação.

Dá pra ser feita e bem feita. É, não, sem dúvida nenhuma, é uma excelente faculdade. Infelizmente, né, quando sai... Por exemplo, quando eu passei no vestibular do DP, a notícia da Folha foi essa, né? Inclusive com uma charge, né? Deu jogando um aviãozinho de papel no Gilmar. Ginga da guira e passa na faculdade do Gilmar, né? Infelizmente a chamada é essa, faculdade do Gilmar. Mas na prática, tem vários professores... Já tive aulas com o Gilmar, mas existem...

várias outras... E é muito interessante porque o Kim nunca... O Kim sempre dobrou a aposta. Então, assim, a Charles estava mostrando isso, ele botava 500 fotos com o Gilmar, assim. Não estava nem aí. É, vocês querem? Então tá, eu vou aparecer bastante com o Gilmar. Não tem problema. Vocês vão encher o saco, não tem problema. Eu vou bater na decisão dele e vou tentar continuar estudando no IDP, né? O Kim, você sempre... Assim, nem sempre, mas desde que você foi migrando...

Aliás, desculpa, o Gilmar deu um voto horrível agora. O que a gente falou de Gilmar, eu lembrei. Acho que foi essa semana, a semana passada, né?

vocês viram. Aliás, eu vi bem pouca repercussão sobre isso. Sobre a descriminalização do porte de cocaína. Não vi. Não vi. É. Ele deu um voto num recurso extraordinário da defensoria pra... No mesmo sentido da maconha, né? Discriminalizar o porte de cocaína pra uso pessoal, né? Continua sendo ilícito. Também que o pessoal... Confunde, né? Mais uma vez, né? Quando sai notícia, é... Ah, legalizou o porte de maconha, né? É bem assim.

Você ainda vai pra delegacia, você vai pagar a multa e você vai assistir palestras sobre o maconha ruim. É isso.

Você não vai sair... Não, tá tranquilo. Não virou Amsterdã. Não é assim. E no mesmo sentido, tá indo pra cocaína. Que assim, aí dois pontos. Ainda que a pessoa concorde com descriminalizar o porte de cocaína pra uso pessoal, não é o Supremo que tem que fazer isso. É o Congresso Nacional. Porque não é como se fosse inconstitucional a proibição de porte de cocaína. Não existe. Não tem essa demanda. Porque uma coisa é... O Congresso aprovou uma lei inconstitucional. Beleza.

vai lá e derruba. Não tem nenhuma inconstitucionalidade em você. Pelo contrário, você vai ver os debates da Constituição de 88, os debates eram justamente em você endurecer o enfrentamento ao tráfico de drogas. Não tinha ninguém, nenhum espectro político falando, olha, a gente está colocando esse dispositivo aqui justamente para... Não. Então, ainda que isso seja a favor, se você defende a democracia, não dá para você defender que seja feito via Supremo. Claro. E segundo, na minha avaliação, é assim, é bizarro. Porque, primeiro,

facilita muito a vida de aviãozinho, né? Verdade. Porque vai ser tráfico, né? Só que pela quantidade vai ser considerado... Uso pessoal. Uso pessoal. E segundo porque você vai avançando pra drogas mais pesadas, e aí? Cocaína não é maconha, né? E aí? Porque assim, pra mim, eu não sou um grande conhecedor de tipos de drogas, mas pra mim a próxima etapa depois da cocaína é o crack. É, exatamente. É possível de dizer isso. A gente...

De alguma maneira, isso dialoga com isso que você falou agora, sobre a votação da Constituição, na Constituição de 88, que não tinha nenhum espectro ideológico a favor dessa pauta. E muito se fala hoje sobre a esquerda identitária e a desconexão das elites de esquerda com o povo, muito em função desse identitarismo. Mas a direita no Brasil, de alguma maneira, também se tornou muito identitária, principalmente focada ali na figura do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ainda tem espaço no país pra uma direita liberal, né? Que tenha projeto, né? Que o projeto não seja só ser anti-esquerda. Porque é isso que parece que tá no jogo hoje, né? Tem, ela acabou de fundar o partido. Então explica pra gente como é que funciona. É o partido Missão, né? Eu discordo sobre a direita em torno do bolsonarismo, em torno do Bolsonaro ser identitária. Ela é personalíssima, né? Também. O que o Bolsonaro... Não é que assim...

Nem a coerência do identitarismo ela tem. Ela é só o que o Bolsonaro falar. Porque o Bolsonaro, na promessa dele, era a união da direita em três eixos. Primeiro, o lavajatismo, enfrentamento à corrupção, que estava ali sinalizado pelo Sérgio Moro. Segundo, a pauta de costumes, que estava sinalizada pela Damares. E terceiro, a economia liberal, que estava sinalizada pelo Paulo Guedes. No enfrentamento à corrupção, a extensa lista,

de, basicamente, vender o governo para o Centrão para o Flávio Bolsonaro não ser preso. O que ele enfrentou foi o enfrentamento à corrupção. Exatamente. Vai acabar com a Lava Jato, com a indicação para a Procuradoria Geral da República, a nomeação do Cássio Nunes, que também deu vários votos contra a Lava Jato, beneficiou o Lula, inclusive, enterrar a investigação contra o Supremo, que ia acontecer no Senado. A CPI da Lava Toga.

lembra ou nunca soube que aconteceu, mas nós aprovamos um projeto limitando decisão monocrática na legislatura passada, no governo Bolsonaro. Bolsonaro vetou. Bolsonaro vetou o projeto 2.1.2.1 de 19. Vetou a pedido do Toffoli, porque o Toffoli era presidente do Supremo. E foi o Toffoli que salvou como eliminar o Flávio Bolsonaro, porque ele suspendeu todas as investigações que envolviam compartilhamento de informação do COAF com a Receita.

Por isso que a família não fala do caso Master, né? Por isso que o Flávio Bolsonaro está absolutamente calado sobre o Banco Master. Por duas razões.

Uma razão chama-se Ciro Nogueira. Aliás, três razões. Uma razão chama-se Ciro Nogueira, que é um dos principais aliados políticos do Vorcaro. Frequentador de suas famosas festas, inclusive. Segundo, o Zettel, que fez doações milionárias, tanto para o Tarcísio como para o Bolsonaro. E terceiro, por causa do Toffoli. O Toffoli salvou o Flávio Bolsonaro da cadeia. O Flávio Bolsonaro tem rabo preso com o Toffoli. Por isso que ele não fala nada. Da mesma maneira que o Tarcísio não fala nada,

porque recebeu doação dos Etel. E sabe que se ele bater no Toffoli, ele vai receber uma ligação do Flávio. E o servilismo do Tarcísio ao Bolsonaro, a gente sabe que é comovente até. Ele nega. Ele reclamou esses dias que o Kassab disse isso, né? É, exatamente. Falou, não sou servil ao Bolsonaro. E aí continuaram, o próprio Sérgio Moro saiu do governo e os bolsonaristas ignoraram completamente isso. É o que o Bolsonaro diz, amém.

Eu lembro, votaram, tentaram votar a PEC da impunidade, que depois se reformulou,

como da blindagem na nova legislatura, né? Que, assim, se fosse um governo petista, né? Promovendo o que o governo Bolsonaro promoveu na impunidade, né? O Bolsonaro estava na rua. Claro. Mas como foi o Bolsonaro, não estava na rua. Estava votando dentro do Congresso. Afrouxamento de lei de impobridade administrativa, né? E várias outras agendas. Na economia, a mesma coisa. Paulo Guedes furou o teto 22 vezes. E nas 22 vezes, os bolsonaristas votaram a favor. Junto com o PT. Claro. Inclusive na PEC Kamikaze.

que votaram junto com o PT, né? Que o PT falou, olha, é populismo, viu? É eleitoreiro, mas eu vou votar a favor. E os bolsonaristas, ó gente, equilíbrio fiscal, tá? Mas eu vou votar a favor. Então é um negócio personalista, muito diferente do nosso. Porque assim, se eu não existir, o partido do Missão MBL continua existindo. Se o Renan Santos não existir, o partido do Missão MBL vai continuar existindo. A gente vai continuar tendo o nosso programa, que tá no que a gente chama de livro amarelo, que tem as discussões em cada uma das áreas, as principais áreas do país, segurança pública, saúde, educação,

infraestrutura, defesa, ciência, tecnologia. É um plano de governo? Não é um plano de governo, são as diretrizes de crenças e de políticas públicas que o partido defende, não necessariamente para uma esfera de poder. O que está lá não se aplica só para o governo federal, se aplica também para candidaturas estaduais e municipais. É uma constituição de ideias. É um programa de partido. É o que todo partido deveria ter. É isso, por isso que é difícil encontrar a palavra, no caso. A maior parte dos partidos,

são um ajuntamento de pessoas, né? Não são partidos. Claro. Principalmente os mais de centro, né? É, exato. Que são, assim, as que a maioria dos partidos, né? São do Centrão e que tem aqueles discursos muito empolgantes e muito cheios de conteúdo quando eles vão fazer propaganda na televisão, né? O que eles querem? Eles querem mais saúde, mais educação, mais segurança e muita democracia. Graças a Deus. Eu falo, não, beleza. Ainda bem que não é o contrário.

Não, mas e aí? Quem quer, né? É Miss, né? Quem quer menos, né? O que você quer? World?

peace, né? A paz mundial. É a resposta básica. Honestamente, eu, Cecília Flecha, não entendo como é que vocês têm estômago pra ser político. Eu não tenho, como você pode ver, minha tosse tá cheia de refluxo. É verdade, ele já avisou que ele tá cheio de refluxo. Rapidinho, só trazer isso aqui, aproveitando que mencionamos sobre essa questão de pauta, de identitarismo, a gente tem um esquema aqui que é o... A membresia. A membresia, a nossa membresia, a gente tem os rivos de ouro.

O pessoal que ajuda aqui a manter o canal e que sabe dos nossos entrevistados e tem direito a mandar uma pergunta.

E temos aqui a pergunta do Reziere Marcato. Direto da Suíça. Reziere Marcato. Vamos lá. Pergunta do Reziere. Ah, e vídeo? Kim, você acha que é possível falar e buscar consenso com a esquerda para garantir o que é importante para o Brasil evoluir? Ou tem que focar na pauta de costumes, bizarrices, etc, para garantir o voto de tiozão? Um abraço a todos vocês.

Obrigado. Eu não tinha ouvido, só tinha lido. Essa é uma falsa dicotomia, na verdade, né? Porque ou você constrói um consenso com a esquerda ou você defende pauta de tiozão. Não é assim que funciona. Claro. Não tem como você construir consenso com a esquerda porque você tem visões diametralmente opostas de mundo, né? É claro que num projeto ou outro é possível e, assim, é costumeira a piada, né, na Câmara de, olha só, tô votando com o Novo e com o Novo.

pessoal. Sempre. Esses dois estão sempre juntos. A gente falou isso semana passada. É maravilhoso. Estou voltando com o novo e com o pessoal. Então, assim, há momentos, por exemplo, eu votei contra a PEC da blindagem junto com o pessoal. Então, assim, há momentos e há pautas que é possível você fazer essa construção. Então, quando eu fui presidente da Comissão de Educação, a gente reajustou o valor da merenda e a esquerda toda votou a favor dessa minha emenda por orçamento. A gente reajustou o valor do auxílio permanência, das universidades

e a esquerda votou a favor. E o Bolsonaro vetou. E eu tive o voto da esquerda e do centrão pra derrubar o voto do Bolsonaro. Então, assim, claro que existem pautas que dá pra construir. Mas no que nós consideramos fundamental pro desenvolvimento do país, as decisões são muito diferentes. Não tem como eu sentar e convencer a pessoa. Aliás, eu escutei uma expressão muito boa de dois deputados que eu não vou revelar. Não é nada demais, mas eu não vou revelar o nome.

Que eles estavam discutindo economia, né? Os dois são economistas. E um disse o seguinte pro outro, né?

E eu respeito muito os dois, porque são dois que leem projetos, né? Que é uma coisa muito excepcional na câmera e que... Tem que respeitar. Mais do que isso. Que a primeira etapa de ler já é uma etapa que infiltra a maioria. Mas tem a segunda etapa, que é de entender o que leu. Então os dois entendem. E aí um diz pro outro, olha, eu desisto porque a estante dos livros que eu li tá muito distante da estante dos livros que você leu.

Então é isso. Assim, é... É só sobre isso. Chega um momento que não dá mais, que você não é... Se política...

fosse, digamos assim, o debate filosófico, fosse lógica aristotélica, né? Eu trago um pressuposto, um pressuposto, a gente vai chegar na mesma conclusão e a conclusão vai ser a verdade. Esses dois pressupostos foram verdadeiros. Não é. As pessoas têm criações diferentes. A política, ela não é só racional. Ela não é só sobre a proposta. É óbvio que isso... Ah, quem dera, né? É difícil falar isso quando a gente carece tanto de proposta.

Exato. Mas, assim, a política é muito sobre o quanto a pessoa se identifica com você. É a fé.

Sobre o quanto ela viveu e ela vê a própria história naquilo que você defende ou na sua história, sobre o quanto ela se vê em você. Então, assim, não é só uma discussão, digamos assim, acadêmica. E mesmo na academia, não existem grandes consensos, assim, sobre visões fundamentais de mundo. Então, assim, não dá e não são coisas excludentes, né? Não é como se... Porque, assim, se tem alguém que não fala de pauta de tiozão, é a gente.

mesmo porque a gente não só se coloca como nós somos representantes de uma nova geração, de geração Z. Com todo respeito ao amigo que fez a pergunta, mas ele está mais próximo de ser um tiozão do que nós. Entendi. Ele te vê como representante dos tiozões, talvez. Eu digo para ele que eu sou bem pouco popular entre os tiozões. Nós temos a demografia do nosso público e... Não é o caso.

A nossa maior proporção de voto é entre 16 e 24. Caramba. Então, assim, se tem alguém que a gente não chegou até aqui conquistando, é tiozão. Sim. A Cecília estava falando de ter estômago, né? E muita gente fala, é meio que uma mística, assim, de Brasília, que pessoas boas não conseguem ficar muito tempo lá, ou porque se enojam de estar presentes ali diante de esquemas, né?

que chega a Brasília, em algum momento vai ser abordado pra participar de um esquema, vai ser convidado, vai ser sugerido, etc. E aí, chega um momento em que essa pressão se torna demais e a pessoa vai embora. É verdade? Já te ofereceram coisas? A primeira metade, começando pela parte menos interessante, porque eu sempre gosto de começar pelo, por exemplo, se tem, sei lá, uma seleção de pizzas na mesa, eu sempre gosto de começar pela menos gostosa.

A melhor, no final. Se eu começo com a melhor, eu fico desanimado pra comer o resto. Então,

Começando pela pergunta menos empolgante, realmente é muito frustrante você querer fazer um trabalho sério dentro da Câmara dos Deputados. Primeiro porque, tirando todos os defeitos peculiares do nosso parlamento, a própria natureza do parlamento é de muita discussão e de muito trabalho com pouco resultado e ainda mais um resultado que você enxerga com facilidade na prática. Porque mesmo depois que você aprova uma lei, uma lei é uma coisa muito abstrata.

e eu não fui lá e resolvi uma vaga numa creche. Eu não fui lá e melhorei a educação de uma escola. Claro que a gente dá diretrizes que podem ter isso como efeito prático, mas não é visível e não ser visível e não ser concreto assim, pelo menos para mim é um pouco frustrante. Mas isso é da natureza do legislativo. Mas o outro ponto é desse desânimo de você. São pouquíssimas as pessoas com as quais você consegue debater, porque a maior parte não está interessada no debate.

as pessoas votam em regra nos projetos mais importantes. Se o governo tá pagando emenda, se o governo tá pagando emenda. É isso. É isso que constrói a maioria no parlamento em regra. Existem situações excepcionais em que você consegue gerar muita comoção popular, muita pressão, muito apoio e isso faz com que uma proposta avance ou faz barrar uma proposta. Como foi o caso da PEC da blindagem. Sim. Ou agora... Bom, durante dois anos eu passei coletando assinaturas pra... 171 assinaturas de deputados pra poder apresentar

minha PEC contra super salários. Não tinha 171 deputados com grande boa vontade de enfrentar super salários. Dois anos. Dois anos. Mas a pressão foi tamanha. E tem um receio também. Porque isso acontece, tá? Com certa regularidade. Quando existe alguma grande proposta contra penduricalho, super salário, de interesse de setores do Ministério Público e do Judiciário, vai lá um sujeito membro do Tribunal de Justiça e fala, amigão, você sabe que um dia

você vai estar lá, né? Um dia algum processo vai ser distribuído que vai cair na minha turma. Então, ao mesmo tempo que não tem interesse do deputado fazer o enfrentamento, tem o outro lado de, ó, meu amigo, quando você perder foro, você tá na minha mão, né? Claro. E aí teve toda essa dificuldade, mas por que eu consegui? Porque era a gente ligando, enchendo o saco, né? E a gente fazendo campanha pra conseguir as assinaturas. Agora, e essa tá sendo muito mais fácil, graças a Deus, eu acho que é, primeiro, porque é uma coisa,

que impacta mais diretamente a vida das pessoas. Porque cortar super salário, inicialmente, só impacta a vida de quem recebe o super salário. Só vai passar a impactar a vida de quem não recebe quando eu pegar esse dinheiro que eu economizei e fazer alguma coisa com ele pras pessoas que não recebem. Mas isso leva um tempo. Até aí, é mais difícil de visualizar o benefício pra população. Elas se mobilizam mais por uma indignação de ver uma injustiça do que enxergar um benefício direto.

Quando elas enxergam o benefício direto, a mobilização é maior. Por isso que existe uma mobilização maior agora,

outra PEC que eu estou quase conseguindo já em três semanas coletar as assinaturas, que é colocar um teto de IPVA para 1% do valor venal do veículo e fazer o cálculo com base no peso do carro, como acontece nos Estados Unidos. Como as pessoas veem que vai ter uma redução no carro delas, tem uma mobilização maior. E para os parlamentares também, eles não precisam enfrentar grandes coisas para assinar isso, como no Judiciário e no Ministério Público, mas tem a parte impopular para os deputados que eu apresentei,

financiamento, porque não dá pra eu criar uma renúncia de receita sem a fonte, que é limitar a verba do próprio Congresso, das Assembleias Legislativas e o gasto com a publicidade dos governos estaduais e do governo federal. Ah, tá ótimo, eles vão super querer, com certeza. Mas tá quase. Mas tá quase, tá quase. Acho que a gente tem 120 já assinaturas em três semanas, comparado com dois anos pra super salário, é bem melhor. Agora, outra parte.

Isso. Sobre a pessoa... Então, assim, eu entendo as pessoas que desistem por causa da frustração,

mas assim, precisa ter resiliência. É do jogo. Senão você não vai mudar nada nunca, porque se você desiste logo no começo, você tem um mandato de deputado, você vê que o Congresso é o que é e você desiste, o Congresso sempre vai ser o que é. Outro ponto. Ah, mas tem uma grande pressão pra você roubar e se você roubar, se você não roubar, você é morto, se você não fizer parte do esquema da máfia, não é assim que funciona. Certo. Isso é uma grande lenda que eu escutei muito antes de...

e depois de entrar na Câmara de duas visões, né? A primeira de que se você não roubar vão te matar, né? Existe uma grande máfia ali. E não é que existe uma grande máfia. Tem várias pequenas máfias, né? Sim. E eventualmente as pequenas se juntam pra fazer uma coisa maior, como foi o caso do Banco Master. Claro. Mas não existe um grande esquemão com os 513, né? E aí se você não entrar no jogo, né? Você vai ser morto, não vai conseguir fazer nada lá dentro e tal. Isso não acontece. E eu vou passar a explicar

como é que é. E o segundo é você entra e todo mundo começa a te oferecer maneiras de você roubar. Também não é assim que funciona. Como funciona? Não existe essa passividade de você vai lá, você é eleito e chega uma pessoa te oferecendo uma mala em troca de você fazer alguma coisa. Você que vai atrás de roubar. Entendi. Primeiro você constrói a sua fama de que é ladrão pra você começar a receber ofertas. Você começa a mostrar a sua... Porque tem maneiras de você... Como o deputado começa a roubar?

Com maneiras que ele não precisa de nenhum agente externo. É o combustível. A primeira é a rachadinha, que é o gabinete dele. Ele vai lá, combina com os funcionários, ele rouba. Ninguém precisa jogar com uma mala de dinheiro pra ele. Ele vai lá, eu vou te contratar, você me dá metade do salário. Primeiro. Segunda, cota parlamentar. Então eu vou lá num posto, abasteço o carro, lanço 10 mil reais. Por isso que tem tanta notícia, né? Ah, o deputado gastou, daria pra dar a volta ao mundo 15 vezes.

Por quê? Porque é nota fria, né? E aí o cara tá lá e tá embolsando aquilo, né? E assim, isso é uma coisa também que indigna, que assusta, porque é muito óbvio que esse dinheiro tá sendo roubado e nunca vi a Procuradoria Geral da República atrás disso. É inacreditável. Porque uma coisa é assim, tem um esquema complexo, né? Poucos indícios pra começar uma investigação, porque é muito blindado, né? E aí a Procuradoria tem dificuldades.

Beleza, eu entendo. Agora, uma coisa assim, né? A luz do dia... E que todo mundo sabe.

Todo mundo sabe que está na imprensa. O cara falando que dá a volta ao mundo com o dinheiro da gasolina. É isso. Uma outra que era comum, criaram um instrumento para vedar, mas eu imagino que tenha sido eficaz durante um tempo, mas já temos encontrado uma maneira de burlar, que é aluguel de carro. Como é que é? O cara vai lá, aluga o mesmo carro durante quatro anos. Acabou o mandato dele, ele compra o carro por cinco mil reais.

Quando, na realidade, ele pagou com cota parlamentar no aluguel. Ele comprou o carro com dinheiro do Senado, do Congresso. Tem o roubo da gasolina,

roubo do aluguel do carro, tem o roubo de você alugar o escritório político, então, você, parte da cota, você pode destinar pra alugar o escritório no seu estado. Aí você vai lá e aluga o escritório do seu amigo por 15 mil reais, né? E parte volta pra você. Então, primeiro, você constrói a sua fama de ladrão, você tendo a iniciativa de roubar, né? Ninguém vai chegar... Aí, quando você faz isso, todo mundo sabe que você faz isso, né? As pessoas vão ter dificuldades de provar, porque eu preciso chegar lá e ter

um elemento que mostre você recebendo dinheiro. Eu não vou ter o elemento. Eu até posso saber um cara que faz isso, mas eu não tenho. Eu não tenho como provar. Mas as pessoas sabem, né? E parte nem faz muita questão de esconder. Aí, quando a pessoa fala, não, pô, esse aí... Já subi no ranking aqui, né? Esse aí dá pra eu comprar. Aí, mas ainda assim, quando você engalga a casa dos milhões, porque até aí você tá roubando umas dezenas de milhares.

de pinga. É, tá roubando umas dezenas de milhares. Aí quando você dá o salto pros milhões, ainda o salto pros milhões não é um cara chegando com a mala pra você. Que é a emenda. A emenda é, ele escolhe onde indica e pra quem indica. Então ele manda pro prefeito. Aí o prefeito faz uma obra superfaturada, ele tem um esquema com a empresa, parte vai pro prefeito, parte vai pra ele. Aí ele leva 20, 30%. Pega 20, 30% de 40 milhões todos os anos.

Claro. Ai, gente, sério, é pra dar gastrite. É, mas é o que explica a quantidade de mansão no Lago Sul, que é

de deputado federal. E aí, feita a etapa em que você tem a iniciativa, tem a etapa em que te oferecem. A etapa em que te oferecem é o seguinte, você quer indicar o diretor da Petrobras? Aí, entendeu? Entra nos esquemas mais complexos e aí você saiu do milhão pra ir pro bilhão. Você quer ser sócio de um banco? Você quer ter um resort? Por que não? Quer ter um sítio, um apartamento aqui? Ok, você trouxe esse assunto, é inevitável a gente falar dele, não só porque é o grande assunto,

do ano até aqui, politicamente falando, mas porque você é um parlamentar em atuação. O que vai acontecer? Porque assim, é uma pergunta difícil. Nem sei o resto, já digo não sei. Tudo que a gente soube em relação ao caso Master de novembro até aqui, sobretudo as questões que envolvem o ministro Dias Toffoli, são coisas aterradoras que em qualquer país minimamente decente já teriam sido suficientes para que ele não estivesse no processo,

nem vou entrar no mérito do cargo. É isso. Pelo menos à frente desse processo. Agora a gente tem uma admissão de que era, sim, sócio do resort, apesar de muita gente ter, inclusive, batido muito na Malu Magalhães, quando ela traz essa informação. Ele admitiu que é dono do resort, disse que não tem legalidade nenhuma nisso e que não tem o relacionamento com o Daniel Vorcaro, apesar de também admitir, na mesma nota, que vendeu a participação dele para um fundo da REAG, que era ligado

ao Banco Master. A gente está vendo agora no Congresso, tem uma pulverização de iniciativas de CPI, CPMI, não sei o quê. A gente sabe que quando o foco fica disperso, nada acontece, feijoado, no final. É porque o Hugo Mota já falou também que não vai fazer nada a respeito. Porque o Hugo Mota, o Hugo Mota e o Davi Alcolumbre, que é do Amapá, tem o fundo de pensões do Estado, que está absolutamente envolvido, encalacrado. Quer dizer, está todo mundo envolvido no escândalo do Banco Master. No Brasil,

Pelo nosso regramento institucional, vocês são as únicas pessoas que podem fazer alguma coisa diante disso. Na realidade, são senadores, né? É, o parlamento, o parlamento. Mas assim, eu quero só retomar uma coisa que você disse, porque é uma coisa que eu digo sempre, eu sou chato em relação a isso, né? Em qualquer país civilizado, em qualquer país decente, em qualquer país sério, e com isso eu quero deixar explícito que eu estou dizendo que nós somos uma barbárie,

e que nós não somos sérios, o país tinha parado. Parado, parado, parado. A Polícia Federal... No jato já. Na carona do jato. Três meses atrás. O Breno Pires soltou que a Polícia Federal não é que pediu a suspeição. A Polícia Federal não pediu a suspeição do Toffoli. A Polícia Federal disse que ele tem indício de crime. Isso. Não é que ele tem alguma amizade. Não, que tem indício de crime dele. Primeiro que é um passo anterior. Um país sério.

Supremo não é sócio de empresa. Mas eles ficam ofendidíssimos com essa sua teoria. Legislativo, judiciário, exato. A primeira coisa que eu tenho que falar, a entidade ou a instituição mais efetiva e que deveria ter uma atuação mais incisiva é o povo. Foi o que você falou. Esse ano, você falou aí da ascendência japonesa.

Eu estive no Japão, né? Cinco dias em missão e cinco dias para conhecer a minha família japonesa que eu não conhecia. E o Japão acabou de ter eleição e há algum tempo, ainda sob a gestão desse partido, o ministro da Agricultura disse que a inflação do arroz, que é um dos principais alimentos do Japão, não era um problema. Ele falou, gente, arroz eu nem sei quanto é que está que eu recebo dos meus eleitores e tal, de presente. Ele teve que renunciar o cargo porque ele disse isso. Não é porque ele fez nada,

ele tomou uma política pública ruim. Não é porque ele era sócio de alguma coisa suspeita. Não, não, não. Porque ele disse que a inflação no arroz não era um problema. Eu sempre dou o exemplo de um deputado suíço que no trem de volta pra casa comprou uma taça de vinho e um amendoim, mas usou o cartão do gabinete. E ele próprio, ele não foi descoberto. Ele se deu conta do erro e no dia seguinte pediu a sua renúncia. Se isso acontece no Brasil, esse homem vira presidente.

Na próxima eleição. É isso. Né? Essa é uma diferença substancial. E outro caso que acabou de acontecer também no Japão, numa prefeita, que no horário de folga, né? Foi pega num motel com um rapaz. Ela é solteira. Ele é solteiro. Ela só foi pro motel com um cara. E ela renunciou. Entendeu? Ela tava só sendo feliz, meu Brasil. Então, porque, puta, o decoro do cargo, a importância do cargo, não sei o que, não sei o que lá. Então, assim,

não era nem pra gente ter essa discussão, era pro Toffoli estar em rede nacional, curvado, assim, falando, gente, me desculpa, tchau, eu nunca mais vou ser nada na minha vida, eu tô renunciando, e isso não bastaria, porque a gravidade é tamanha que o processo criminal, eu ia ter que correr contra ele. E não é isso que acontece. Agora, CPI esquece. O Gomota abre quando quer e ele não quer. CPMI, a gente tem o julgado do Supremo dizendo que é direito da minoria,

e que é o precedente da CPMI da Covid e que foi o mesmo que eu usei na casa do INSS também, que o Davi estava barrigando. Então, assim, se tiver sessão, quando tiver sessão no Congresso Nacional, ele vai ser obrigado a ler. Então, e ela está protocolada, ela tem as assinaturas. Ah, ele vai ser... Ele é obrigado. Mas tem que ter sessão do Congresso, das duas casas juntas. Aí é o ponto, tem que ter sessão do Congresso. Só que o que me dá certo otimismo de que vai ser aberta a CPMI, ele tem interesse de derrubar veto.

Só derruba a veto com a sessão do Congresso. Com a sessão conjunto. Se tiver sessão do Congresso, ele é obrigado a ler. Claro. Agora, que ele vai postergar isso o máximo possível, ele vai, como fez com o DNSS, mas foi aberto. Não foi no timing do ápice das notícias do escândalo, que é ruim, mas vai ser aberto. E o ano termina em junho, né? É. Agora, a instituição cujos membros mais gostam de usar pantufa, que é o Senado da República, não faz nada.

E não é só no caso do Supremo. O caso do Supremo é uma aberração tão grande que eu acho que a principal pauta do Senado vai ser qual que é a sua posição sobre o Supremo. As pessoas não vão perguntar sobre saúde, educação e segurança pro senador. Na eleição desse ano, né? Senador, e o Supremo? É, esse ano. Senador, e o Supremo? Não quer saber mais de nada. E o Supremo? Essa vai ser a pauta. E o que me desanima, né? Boa parte vai falar, não, eu vou pra cima, não sei o que, não sei o que lá, como boa parte fez na última eleição, e aí o eleitor não vê o mínimo da história do cara,

falando se ele teve coragem de fazer alguma coisa que estivesse paralelo com a atuação que ele está defendendo, porque você não precisa ter mandato para mostrar que você vai fazer alguma coisa. Eu não quero... Não estou fazendo uma incitação da violência nem da barbárie. Só que... Mas... Eu realmente não consigo vislumbrar uma saída, né? Porque a gente vê esses semideuses, porque os ministros de cortes superiores se tornaram semideuses. É só porque eles ainda estão aqui.

Ah, tá. Mas assim, semideuses completos, não só no STF, mas em todas as cortes superiores. As únicas pessoas que podem fazer alguma coisa, que podem de fato demitir essas pessoas, são os senadores. Mas os senadores são julgados por essas mesmas pessoas. Sim. É um sistema que é feito para não funcionar. Os pesos e contrapesos acabam sendo travas e contratravas. Todo mundo fica encalacrado. Tirando a revolução, Kim, o que é possível?

Eleger novos parlamentares. Eleger novos parlamentares, especificamente sobre Banco Master, nós estamos vendo que existe disposição de setores importantes da Polícia Federal de conduzir e que, em sabendo que, no que depender do desenho institucional, nada vai avançar, a polícia está vazando. Sim. Porque ela sabe que é a única esperança... Fizeram isso na Lava Jato. É a única esperança que eles têm de ter algum balanço de poder por pressão popular. Porque, assim,

Mas não parece estar funcionando, né? Porque cada notícia que sai, ele dobra a posta, ele truca. É porque, assim, você acabou de falar de pressão popular, né? A gente já entendeu que isso é fundamental. Você, há 11 anos atrás, era um menino com desejos, com vontades, pegou, montou uma passeata, andou quantos quilômetros? Ah, mais de mil. Foi daqui a Brasília, né? Daqui a Brasília. E olhando a sua história,

Há exatos 11 anos atrás, onde você estava, e a situação que o Brasil está hoje, é tudo muito parecido. Se a gente for botar, eu não estou dizendo de ideias, estou dizendo de conceitos e de atitudes. A sua passeata, passeata do Nicolas. A reclamação de Marco Aurélio Mello. Não, desculpa, mas eu quero que você entenda aqui. Reclamação de ministro do Supremo, Marco Aurélio Mello. Reclamação de ministro do Supremo.

situações parecem muito próximas. A diferença é que a caminhada aqui te levou para dentro do Congresso, vocês conversando com o Eduardo Cunha, um grande interesse político por trás, impeachment da presidente Dilma e tudo mais, para quem achar que era golpe, foi golpe, para quem não achar, a coisa foi feita. A diferença é que aqui agora não há nenhum interesse político. Pode ter caminhada, pode ter o que for, a sensação que a gente tem é que todo mundo se acomodou,

O governo não se mexe, os políticos não querem se movimentar, porque todo mundo está com o rabo preso. Eu, vou repetir, eu, Cecília Flech, não tenho esperança alguma. Vamos lá. Não tinha interesse político na época do impeachment. O PSDB era contra, publicamente, o impeachment. E era o maior partido da dita oposição. Só teve alguma margem para ter interesse político? Só teve possibilidade de ter uma alternativa política que movimentasse o xadrez?

o Congresso ladeira acima. Foi assim no impeachment. Não é que teve uma maquinação política, uma reunião de cúpula, que essa foi a perspectiva dada pela Petra lá no documentário dela, né? Os políticos de Brasília se organizaram e a partir daí passou a ter manifestação. Não, foi o contrário. Políticos não queriam que tivesse manifestação, não queriam que tivesse impeachment. O discurso do PSDB era deixar a Dilma sangrar pro Aécio, vencer as eleições fácil, né? Seguir com a ação no TSE. E aí eles foram empurrados ladeira acima.

cima, eu lembro, quando a gente fez a caminhada até Brasília, pouco tempo antes, quando eu fui atropelado de Abadiana pra Alexânia, o Aécio, ele fez uma reunião com os líderes da oposição na Câmara, pra que a gente não fosse recebido, nem pelos líderes, nem pelo presidente da Câmara, né? E aí, quando eu fui atropelado e teve uma repercussão de imprensa, que o Aécio falou, ó, a minha solidariedade, e eu literalmente mandei, desculpa, ele tomar no cu, que aí, puta, quando eu mandei ele tomar no cu, a imprensa, puta, o cara foi lá, mandou ele tomar

ele expressou solidariedade e tal, mandou o cara de 50 milhões de votos tomar no... Aí, os líderes do PSDB na Câmara caíram matando e falaram, olha, vocês no Senado, eu não quero saber o que vocês vão fazer, a gente vai receber eles, que eu não vou me matar por causa de posição de ES. Claro. Se não o próximo a ser mandado sou eu. Claro. Então, não teve um jogo político que depois se transformou numa mobilização, foi o contrário. E outra coisa, sempre existem políticos envolvidos,

ou não no escândalo, que querem o espaço de quem está envolvido no escândalo. Então, assim, margem para movimentação no xadrez político sempre existe. E a mobilização popular faz com isso acontecer. E eu digo mais, a gente só está vivendo a mesma situação de ter um escândalo grotesco e de ter não atuação das instituições porque o Bolsonaro sequestra o legado do impeachment e mata o enfrentamento à corrupção. Se ele tivesse mantido vivo a indignação em relação à corrupção,

corrupção, assim, ele tinha um cenário, o Dirceu diz que se o Bolsonaro não fosse tão incompetente, ele teria criado um ciclo de 16 anos de direita no poder e em sendo uma direita coerente de enfrentamento ao combate à corrupção criada no legado das manifestações pelo impeachment, a gente não estaria vendo o que a gente estava vendo agora. Agora, isso mudaria o país pra sempre? A gente nunca veria um novo escândalo? Não, mas a gente pelo menos não veria num período tão curto de tempo. Claro. Ou tão ostensivo.

E com os filhos, né? Eu acho que o grande mal foram os filhos, né? Não tô isentando o ex-presidente de nada, mas é a partir do momento que ele vê os filhos sob ameaça que ele começa a dizer aqueles absurdos, tipo, filé mignon pro meu primeiro. Que é, inclusive, o primeiro posicionamento do Kim, eu acho mais evidente, assim que passa as eleições, já em 2019. 2018 ainda isso. O vídeo em relação a Flávia? Não é nem o vídeo. É assim que o governo assume, você começa a falar.

Os filhos do presidente estão participando demais desse governo. Eu acho que é o primeiro posicionamento evidente seu de que isso aqui não está legal, isso aqui não está bacana, isso aqui não está casando com aquilo que a gente estava esperando. E aí depois você fala mais de estatais, de privatização, e aí você vai pegando ele no pulo até a Covid, que fica insustentável. Mas a primeira manifestação sua é essa.

fazer oposição dos dois lados, né, Kim? Claro, a gente sofreu as consequências disso em 2022. Se eu tivesse surfado a onda do bolsonarismo em 2022, tinha um milhão de votos. A gente tinha eleito mais pessoas da MBL. Mas a gente escolheu ter coerência, seguir um caminho próprio. E tem lados muito positivos disso. Primeiro, a gente não ter que ficar escondendo aquilo que a gente acredita como boa parte dos bolsonaristas. Porque boa parte dos bolsonaristas desce o pau no Bolsonaro. Mas precisa publicar

Se eu falo mal do Bolsonaro, se eu faço uma crítica pontual, eu vou ser massacrado. Que foi uma das coisas também que nos levou para a oposição ao Bolsonaro. A gente queria ajudar o governo na reforma da Previdência. E a gente fazia alguma crítica na condução, seja política ou seja de comunicação. No bastidor, não é publicamente. No bastidor, chegava o Nix, o Paulo Guedes. Então, cara, vocês vão chamar a manifestação contra o Congresso nas vésperas da votação da reforma da Previdência.

economia, vocês são burros. Não é possível. Vocês ainda estão chamando a gente para participar. E aí, chega uma hora que você não está sendo ouvido no bastidor, você começa a bater publicamente. Aí começa a guerra. Claro. Então... Até perdi o que a gente estava falando. Não, dificulta você atingir os dois... Você bater nos dois lados. Dificulta muito. Agora, eu estava falando do ponto positivo. Quando saiu o partido Missão, um deputado bolsonarista veio falar comigo.

Ele falou, Alquim, eu tenho muita inveja de vocês. Por quê? Porque vocês não precisam

deu uma vela pro Deus Sol toda semana. É isso, né? Qualquer um que se destaca, ele me disse, qualquer um que se destaca em qualquer área, puta, o cara é um bolsonarista muito bom da saúde, ele tá se destacando por causa disso. Corta a cabeça. Ah, o cara é muito bom de segurança pública, corta a cabeça. Por isso que são tão parecidos, né? É isso, o Lula também, ele é tão hegemônico pra esquerda como o Bolsonaro é pra direita. Até hoje não existe um sucessor.

O Lula fez questão de acabar com a vida do Ciro e da Marina politicamente, porque a partir do momento que eles

passaram a representar uma ameaça. Que essa também é uma ilusão que a direita tem, né? Ah, a direita fica brigando, a esquerda é unida. A esquerda não é unida. O Lula matou os concorrentes. É verdade, ele não tem ninguém. É um consenso forçado. Não é que eles chegaram e concordaram. Gente, dentro do PSOL tem a divisão sobre ir pra oposição do Lula. Então, assim, é que é a parcela grande da direita que não acompanha a esquerda.

Então, fica falando coisas que não sabe. Mas a esquerda quebra o pau entre si. E outra coisa, eu tenho dito isso há algum tempo. O período pós-Lula vai ser a

maior crise da esquerda. Possa é democratização. Não tem liderança pra substituir, mas não é só não ter liderança pra substituir. Os lulistas também se odeiam. Tem várias facções dentro do PT. O PT do Nordeste odeia o PT de São Paulo porque acha que o PT de São Paulo entregou o Brasil pro Bolsonaro colocando uma mufadinha, que é o Haddad, que as pessoas não sabiam nem pronunciar o nome dele. O mais tucano dos petistas. O mais tucano dos petistas.

E o PT de São Paulo acha que o PT do Nordeste não entende de política porque tá...

Tá regionalizado, que só substituiu o coronelismo do PFL com o novo do PT, e que não entende de política em grandes centros e por aí vai. Então, assim, eu não duvido, e eu tenho feito essa aposta há algum tempo, de que o período pós-Lula vai surgir um novo partido de esquerda saindo do PT, de demandada do PT, da ala que perder, ou a ala do PT que perder vai pra um outro partido, como o PSB da vida, o PDT.

Então vai ser um racha gigantesco. Se não tivesse candidatura do Lula, o PDT lançava candidatura própria, o PSB lançava candidatura própria. Outra coisa, quer mostra mais aberta de divisão na esquerda que o PDT hoje estar na oposição? O deputado do PDT falou para mim, olha como a coisa está feia. Eu, por alinhamento ideológico, voto 90% com o governo, assim como o resto da bancada do PDT. Mas a coisa está tão feia, mas tão feia, que mesmo a gente votando 90% com o governo, a gente não quer ter nenhuma participação no governo, porque eu quebro a pau.

tamanho. E depois do escândalo da Previdência, também fica complicado. Fica bem puxado pro PDT. Fica complicado. Essa é a segunda vez que eu te entrevisto. Te entrevistei 11 anos atrás num programete da faculdade de jornalismo. Foi ali no final de 2015 e uma das suas respostas pra mim, eu te perguntei, né? O Eduardo Bolsonaro tinha subido um carro de som numa das manifestações de vocês e eu te perguntei. O Eduardo

do MBL? E aí você me respondeu que não, mas que qualquer um que quisesse se juntar à causa seria bem-vindo. Corta pra hoje, né? Você falou sobre o prejuízo que vocês tiveram ao não aderir cegamente ao bolsonarismo, né? Você disse recentemente que o Fernando Holliday nem que quisesse e pedisse desculpa pelas declarações que ele fez a respeito do movimento, de você e de outros integrantes, ele não seria bem-vindo de volta

movimento. Você endureceu com o tempo ou as pessoas é que pioraram? As duas coisas e um terceiro elemento, né? A época do impeachment interessava ser contra alguma coisa. Agora a gente tem um projeto. Então não é só eu discordo de alguma coisa e eu estou junto pra enfrentar um inimigo em comum. Tem uma ideia. Não, tem uma construção. Se você não tá alinhado com essa construção, você vai divergir, que é outra... Voltando pro mito da direita dividida e esquerda unida. A direita só esteve unida

impeachment porque era contra alguma coisa, porque tinha um inimigo em comum. A partir do momento que você tem a possibilidade da direita ter programa, de estar no poder e implementar esse programa, vai ter divergência de programa dentro da direita, vai ter divisão. Isso é fatal, isso é necessariamente vai acontecer. Então, o que eu endureci com o tempo, eu não tenho a menor dúvida. Com o tempo eu só fiquei mais triste, mais estressado, mais nervoso, mais miserável. E aí resolveu lançar um partido. Exato. A minha existência no planeta Terra,

a cada ano que passa, ela fica mais custosa. Então, não tenho a menor dúvida de que eu entureci. Mas... Mas é que eu não entendo essa vocação pra querer sofrer, gente. Mas é missão. Missão, entendi. Acredita na missão. É sacerdócio. Entendi. E também, assim, que as pessoas pioraram. Eu acho que as pessoas têm certa margem pra piorar ou pra melhorar margem limitada.

Na realidade, as pessoas só se revelam, né? Porque uma coisa também que eu escutava muito, né? Ah, pô, não entra pra política que a política vai te corromper. Gente, a política não corrompe ninguém. É igual o dinheiro que não deixa ninguém ruim. Dinheiro não deixa ninguém ruim. Você só descobre que a pessoa só expõe. Porque quando a pessoa tá numa posição de fraqueza, ela não consegue cometer um ato de maldade ou de tirania porque ela não tem poder pra isso.

Quando ela tem poder, aí sim. Se ela pode cometer um ato de maldade, ela vai cometer um ato de maldade se ela tiver aquilo no seu caráter.

foram parceiros por muito tempo. Sim. Vocês e o MBL e o Holliday. Sim, sim. Então ele conseguiu esconder durante... A sua avaliação é essa. Sim. Durante um bom tempo ele escondeu aquilo que de fato agora ele expõe que é. Sim. Eu acho que... E eu acho que ele expôs porque quando ele disputa eleição e perde, que ele sai do MBL, aí ele disputa eleição. Só que ele sai do MBL e mantém o posicionamento do MBL. Porque assim, eu digo pra você que o posicionamento na direita anti-Bolsonaro

está majoritariamente, com raríssimas exceções, concentrado no MBL. Não existe nenhuma organização, né? Existem pessoas de direita anti-bolsonarista que não são no MBL, natural, que não baseam no MBL, natural. Agora, não existe nenhuma organização de direita anti-bolsonarista que não seja no MBL. Então, se você sai, você tem esses discursos, e a gente já tem um espaço limitado por não surfar na onda de ninguém. Você saindo desse espaço limitado, você não tem espaço praticamente nenhum, e foi isso que ele descobriu. Aí ele foi pro caminho do voto fácil, que era,

pedir mil desculpas para o Bolsonaro e abraçar o Bolsonaro e surfar onda dele. O curioso é achar isso o voto fácil, mas tudo bem. Mas no Brasil... É, não, é uma coisa impressionante. Kim, vou te fazer uma pergunta muito, que é o que me pega muito, porque eu e o Gabriel fomos dar uma aula, não, mas fomos começar com estudantes de ensino médio. Você é um dos poucos citados. Não. É o que justifica. São só dois. São só dois, verdade.

Não era 14 anos? Não, não, 14. 14, 15. 14, 15 anos, numa escola particular de elite aqui de São Paulo. Eles só conhecem, pra além, lógico, de Lula e Bolsonaro, eles só conhecem dois políticos. É você e o Nicolas. Sim. É uma coisa muito impressionante. Os adolescentes. E preocupante, não por serem vocês dois, isso fica a critério de quem estiver escutando, mas porque as opções dessas pessoas que daqui a dois anos vão votar,

Elas estão muito restritas. Elas conhecem os políticos barra popstars. Elas não conhecem o que é a função de um deputado. Elas não entendem o que é política. É tanto que na resposta em quem você votaria para presidente na próxima eleição, se pudesse votar, é ou Nicolas ou Kim. Eles não sabem os cargos. Eles não sabem os cargos. A gente falou, quem vocês acham que vão encontrar no Congresso? Eles falavam de vereador. Então, é muito complexo isso.

politismo político muito grande. E como você, pequenininho, ganhou um concurso de conjugação verbal... Não, não ganhei, fiquei em segundo. Então, você chegou em casa dizendo que você ganhou, seu pai foi para o segundo lugar e você acha que você não ganhou, mas vai, ganhou. Se fosse medalha, ia ser medalha de prata, exatamente. Eu acho que... Eu entendo que falar bem, falar de forma clara, falar bonito, usar palavras difíceis, mostrar conhecimento teórico, por vezes é muito importante,

importante. Mas parece que as pessoas estão cada vez mais afastadas de um letramento político porque as pessoas não entendem. O caso Master, pra mim, não tem mais apelo popular porque é difícil entender. Claro. E tem aquela coisa do efeito que ele tava falando que se aplica às leis, mas nesse caso se aplica... Tudo bem, é um banco que roubou, como é que me afeta? Mas é um fundo de pensão e tem laranjas e tem um esquema. Não é uma mala de dinheiro com 50 milhões.

é o dinheiro na cueca, é muito complexo. Eu sei que o MBL tentou fazer isso, vocês tinham uma diretoria de memes em 2015, vocês tentaram fazer isso de forma muito bem feita, na difusão de informação, de forma muito clara e objetiva, brincando, mas hoje em dia as pessoas estão precisando urgentemente de letramento, de entender como resolve

Isso. Se você vê os comentários que a gente recebe no Rivo News, no Rivo Talks, as pessoas não concatenam lé com cré. E essas pessoas vão depositar seus votos nas urnas. Voltamos à questão da democracia, que tem seus custos. Como é que você explica para a população? Vamos lá. Só é possível fazer um trabalho nesse nível de país estando no poder. Não existe nenhuma iniciativa política que vá fazer isso acontecer. Não existe nenhuma iniciativa privada que vá fazer isso acontecer.

Não existe? Privada? Não existe. Você consegue, como a gente consegue, entregar a visão e conhecimento político para a parcela do seu público. Parcela significativa do seu público. Só que o seu público não é o país inteiro. O único que tem o país inteiro como público é o Estado. Então, não vai haver... E outra coisa, para ter letramento político, primeiro precisa haver letramento. 50% dos estudantes de ensino médio, segundo a OCDE, no Brasil, não possuem o nível...

suficiente para exercer a cidadania. Não é o nível de português para você entender uma matéria da Folha de São Paulo. É o nível de português suficiente para você exercer a cidadania, para você ser um cidadão, para você entender o que é você ser titular de direitos. Então, enquanto a gente não solucionar o problema, primeiro, de educação básica, de método de alfabetização também, que essa é uma discussão grande que está acontecendo.

a gente precisa ter uma estrutura, um projeto de país que faça uma revisão de gestão de educação. E essa revisão, ela vai ser custosa. Por quê? Porque o problema não é dinheiro. E esse é o discurso mais fácil que existe. Alguns países que mais investem, inclusive. Proporcionalmente investem bem. E mesmo em números absolutos, a gente apanha de países que em números absolutos, não é nem proporcionais, absolutos investem menos que a gente.

Sudeste asiático, quase todo. Que é o dado que eu costumo dizer, que para mim é um dos mais assustadores.

mostra que não é um problema só de escola pública e escola privada. Não. Definitivamente. O Vietnã, que é um país que tem o dobro de pobreza do que a gente e metade da renda per capita, o aluno mais pobre do Vietnã tem uma nota de matemática muito parecida com o aluno mais rico do Brasil. Então, assim, o filho do bilionário brasileiro está no mesmo nível de matemática do que o aluno mais pobre do Vietnã. Então, dos últimos 40 anos,

A gente ficou para trás em praticamente tudo. Eu costumo citar três honrosas exceções, que é a aviação civil, o ITA, pesquisa agropecuária, o Embrapa e medicina da USP. Agora, tirando isso, são pouquíssimas as áreas em que a gente se sobressai e está na fronteira de conhecimento. Mas nas outras áreas não é nem que a gente não esteja na fronteira. A gente está do outro lado. Então, são coisas muito elementares. Enquanto a gente não tiver pessoas letradas... Imagina o letramento político.

é impossível. Continua dizendo, não entendo como é que você quer ser político, mas vai, vai, Gabriel. É justamente por isso, pra tentar mudar. Se tivesse bom, eu não precisava ser político. Vamos fazer o nosso joguinho com quem? Vamos, vamos, vamos lá. Ó, eu vou... É online? Não, esse não. Mas você vai... Não, você não vai gostar. Não vai. Você tem que escolher, eu vou te dar duas opções, e você tem que escolher a pior, tá? Na sua concepção. Na sua concepção. Tá, mas a minha questão, fundamental...

Eu vou poder desenvolver a escolha ou não? Pode, pode. Mas a pessoa que sobrar, ela vai ser a presidente da Kim Kataguiro Holândia. Mas é o pior presidente que poderia ter na sua terra. Ah, o pior da minha terra. Isso, isso. Ciro Gomes ou Tabata Amaral? Quem é pior? Na sua avaliação. Lembrando que isso aqui não é um posicionamento editorial. Quem é pior? Tabata. O Ciro é mais preparado e mais sincero. Tabata Amaral ou Leonel Brizola?

que a Tabata ainda é um pouquinho mais liberal do que o Brizola, né? Tem um potencial devastador... Tem um potencial devastador menor do que o Brizola. Leonel Brizola ou Fernando Haddad? Quem que é pior? O Haddad, não tem a menor dúvida. Fernando Haddad, o Manoel... O Leonel entende política e tem alguma experiência de gestão, né? O Haddad, a única que ele teve, fez com que ele nunca mais ganhasse uma eleição majoritária. Vocês bateram muito. É... Haddad ou Manoela Dávila? Manoela Dávila. Não, Manoela Dávila...

tem nem a experiência de gestão que o David teve. Manuela Dávila ou Samia Bonfim? Quem que é pior, Manuela ou Samia? Samia porque a Manuela, a Manuela, ela ainda discordando diametralmente do posicionamento dela, ela ainda é da esquerda materialista, no sentido de se preocupar com estrutura econômica de poder. A Samia é da identitária, que assim, não é nada com nada, não serve pra nada. Esquerda identitária numa gestão, não serve pra nada. Agora eu quero ver.

esquerda identitária. Samia Bonfim ou Erika Hilton? Ah, Erika Hilton. Não, sem a menor dúvida. Ele vai todo mundo. Ah, ela é nova. Não, Erika Hilton. Porque Erika Hilton sim. Não, Erika Hilton não deveria nem estar na lista, porque ela sim não é uma parlamentar. Eu vou contar uma coisa sobre Erika Hilton que eu nunca contei pra ninguém. Opa! Erika Hilton foi líder do PSOL, né? Então, primeiro, quando você é líder, é muito mais fácil você aprovar os seus projetos, né?

Porque você está no colégio de líderes, você pode pedir pra que seus projetos sejam pautados.

E não necessariamente pra te atender de maneira egoísta. Você pode ter projetos da bancada que todos os deputados assinam, que não é prática em comum no PSOL. Então, a produção legislativa dela é nula. Não é que é pífia, é nula, nula, nula. A do Boulos é pífia. A dela não existe. Não existe um projeto que a Érica tenha aprovado ou que ela tenha barrado. Ela não pede relatoria de nada. Ela não escreve voto. É nada, é zero. Não existe atuação política. Nem discurso na tribuna.

assim, pouquíssimas vezes eu vejo a Carilto no plenário da Câmara, né? Então, a atuação... A 6x1 que vai ser votada não é dela? Eu acho que não vai ser a dela, mas ainda que seja, não é por causa dela. Não, claro. Tanto que a própria propositura desse projeto veio, acho que, para o vereador do PSOL do Rio de Janeiro, que começou esse movimento, aí depois ela surfou, mas não foi nem ela que criou a comoção em torno do tema. E ainda assim, ela não trabalha nada em torno desse tema, né? Falei assim, cadê ela na CCJ?

tá falando pra pautar, ela falando pro Hugo pra despachar pra CCJ, nada, zero. E mais uma vez, se ela quisesse ter atuação na escala 6x1, que é o que eu digo sempre, é projeto de lei, não é PEC. Quem quer que essa lei, que eu discordo porque acho que não vai acabar com a escala 6x1, nem por PEC, nem por lei, mas quem quer fazer com que ande, do ponto de vista da esquerda, é PL. Se você quer matar a discussão, é PEC. Porque ela vai demorar muito mais pra tramitar, ela precisa de muito mais deputados pra ser aprovada, ela precisa de dois turnos,

casas e basta um PL, porque você tá diminuindo. A Constituição vede aumentar. Não vede diminuir. Então, enfim. Eu não precisava coletar assinatura de ninguém, fazer campanha pra ninguém. Foi só pra aparecer. Ela era líder do PSOL. Quando ela era líder do PSOL, a gente votou a prisão do Chiquinho Brasão. Que, né, teria aí mandado matar a Marielle, né? Então, vamos lá. Me colocando no lugar da Erika Hilton, tá? Eu sou líder de uma bancada do Partido Missão. Desculpa, Renan, mas mataram o Renan Santos.

O cara tem um deputado que mandou matar o Renan. O Renan morreu. Foi fuzilado. E nós estamos votando a prisão daquele cara. E aquilo ali, meu amigo, é a minha principal pauta. É a principal pauta do partido. Eu vou falar com absolutamente todo mundo. Eu vou fazer campanha. Eu vou acionar todos os veículos de imprensa que eu conheço. Eu vou fazer um escarcel. Tudo. Vou mover o planeta. Vou chegar a Atlas. Sai daí que eu que vou carregar agora. Então, é. Mover montanhas pra prender o vagabundo que mandou matar o Renan.

Pois bem, eu estava conversando com um deputado do PT, que tinha amizade com a Marielle, e aí esse deputado do PT disse que estava pedindo votos pra prender o Chiquinho Brasão. E aí ele estava relatando o seguinte, que ele chegou pra determinado líder do Centrão, pra pedir o voto da bancada daquele líder, pra prender o Chiquinho Brasão, e aí o líder respondeu, tá, mas você é líder do PSOL nem falou comigo. Você é líder do partido de vocês, que morreu uma pessoa do partido de vocês, não veio me pedir voto? Porque eu vou votar pra quê?

indispor aqui com o Chiquinho. Nem me impediram. Nem me explicaram o que aconteceu. Mas você acha que é inabilidade? Medo. Política? O que é? Que medo? Inabilidade. É incompetência, vagabundagem. Não conhece o processo. Falta de vontade de trabalho. Não tem o que conhecer ali. Estamos votando a prisão de um deputado que matou uma pessoa. É sim ou é não. Não tem nenhum procedimento. Tem nenhum segredo. Você não teve o mínimo disso.

Ela não teve vontade. Ela não teve nenhuma comoção. Ela não teve nenhum vínculo. Ela não teve nenhuma intenção.

de fazer justiça pela Marielle. Ela simplesmente cagou pra pauta. Não importava pra ela, porque não é a pauta de diva pop que dá like pra ela. Ponto. É isso. Entendi. Daqui pra frente, vamos pra cima. Daí, o meu voto. Tá certo. Pra Erika Hilton. Erika Hilton ou Jandira Feghali? Quem é pior? Erika Hilton. Não, a Jandira ainda tem alguma atuação. Erika Hilton ou Dilma Vanna Rousseff?

Cara, a Erika Hilton é pior que a Dilma. Essa me impressionou. A Dilma, a Dilma, vamos lá. Olha só. O rapaz que começou a derrubada da Dilma Rousseff. Olha só. Cara, olha. A Erika Hilton é tão feia que ela faz defender a Dilma. Ó, ó. Façam esse recorte. Que catagueira é defendendo a Dilma Rousseff. Isso. A Dilma, pelo menos. Vamos lá. A Dilma tem uma trajetória, pelo menos, de acreditar em alguma coisa muito firmemente. Coisa que a Erika Hilton não tem.

A Erika Hilton não tem convicção nenhuma. A ponto de não dialogar com os parlamentares.

Ela não acredita em nada. Ela quer aparecer. Ela quer fama e comprar bolsa cara. É isso que ela quer. A Dilma não. A Dilma tem uma convicção. A Dilma defendeu a sua convicção na ditadura. E caiu da presidência muito em função também de ter se mantido muito firme as suas convicções. É, não discordo. Mas aí é outro assunto. E a Dilma ainda foi em Casa Civil, foi em Minas Energia, passou pela presidência da República.

entendam que, assim, primeiro que eu tô dando margem pra um corte muito ruim pra mim. Eu adoro. Sobre o risco de defender Dilma Rousseff. É, é, é. Porque pra mim nós estamos falando, né, pô, qual desgraça, né, que você, qual que o caminho miserável que você quer seguir. Então, ainda tem alguma convicção, ainda tem uma trajetória política, ainda teve alguma experiência de gestão. É que a Hilton é nada de nada, assim, não devia nem estar na lista, entendeu? Entendi. Política é a Hilton,

não deveriam estar na mesma frase nunca. Continuando então, Erika Hilton ou Glaze Hoffman? Erika Hilton. Gente, acabou, né? É, acabou, gente. Não, mas eu acho que vale, vale. Como eu disse, é orconcur, não tem como. Erika Hilton ou Guilherme Boulos? Você já falou da produção bífia. Erika Hilton ou Joanes Manuel? Erika Hilton. Erika Hilton ou presidente Lula? Erika Hilton. Então, tá eleita. Eleita. Não, pelo amor de Deus, gente.

Você acha que é a pior parlamentar do Congresso Nacional hoje? Ah, uma das piores. Uma das piores. Só não é a pior porque, assim, que eu vou falar, puta, é a pior. Porque não dá pra estar num patamar abaixo, porque é impossível no mundo real. Você tá num patamar abaixo de parlamentar do que ela. E há vários outros que estão nesse piso. Então dá pra falar que ela é ela, entendeu? Tá bom, tem muitos companheiros nessa mesma posição. Mas aí eu vou fazer advogado do diabo aqui.

O diabo é a Erika Hilton. Se você quiser dizer assim, tudo bem. Você que falou que ia ser advogado. Não, vamos lá. Ainda bem que essa vai depois. E esse diabo veste prada. Mas vamos lá. A gente estava falando sobre conversar com a população. Certo. A Erika Hilton pode, pelo que você está falando, não fazer nada. Certo. Mas ela consegue se comunicar com a população.

são lembrados. O nome da Erika Hilton não foi lembrado espontaneamente da turma, mas quando a gente provocou entre os estudantes. Ah, é! Tem essa. Ela consegue se comunicar. Ela consegue entregar. Ela consegue chegar numa comissão e falar uma coisa muito interessante, bonita e que parece de muita convicção a ponto de gerar muito corte e as pessoas falarem maravilhosa, excelente, isso aí,

talvez seja uma das poucas da esquerda que, de fato, tem uma habilidade de comunicação. Tanto que foi a única que se dispôs a tentar enfrentar o Nicolas ali naquelas... Nos vídeos do Pix, né? Nos vídeos virais e etc. Ela tem isso. Ela pode não fazer nada efetivamente com isso. Mas ela tem. Como é que você aproveita, então, isso? Não tem como aproveitar? Não tem como tentar falar assim, então, Fia... Olha esse projeto aqui, me ajuda. Você tem voz. Vão trabalhar aqui? Vão fazer acontecer?

é uma das coisas mais fáceis, porque ela tem um canhão. É isso. E ela poderia usar esse canhão a serviço da convicção política dela. Mas o meu ponto é, ela não tem convicção política. Por isso não é de interesse dela utilizar esse canhão. Mas não é de interesse das pessoas puxarem ela e usarem o favor dos colegas? Eu não tenho dúvida de que vários colegas de bancada dela devem ter tentado. Mas e colegas de oposição? E fracassado.

O que eu de oposição vou puxar a Erika Hilton pra defender a política? Aí piora a minha situação. Se ela usa o canhão dela pra defender as ideias ruins que ela pode defender, aí pior.

que ela fique tendo tanto impacto de comunicação quanto o Chacrinha tem e passando tanto conteúdo político quanto o Chacrinha. Isso eu entendi. Muito ajuda quem pouco atrapalha, né, Kim? Entendi. Tem um inimigo que tem um canhão que ele pode atirar contra mim. Você quer que eu dê munição, que eu ensine a usar o canhão? Não. Negativo. Continua aí tirando bala de festinho. Balas enormes que várias pessoas vêm. Mas eu pensei em tentar te ajudar nos teus projetos.

Te ajudar não. Ajudar nas pautas incomunhas. Tu vai me ajudar no quê? Vai ter pauta incomunha.

ela precisava ter pauta. O que eu estou querendo dizer, Kim, é assim, você falou agora há pouco aqui na entrevista que tem momentos que existe consenso entre a esquerda e a direita. Muitas pautas, você já votou junto com o pessoal? Muitas é muita coisa, algumas. Algumas, já teve algumas, ainda que fossem duas ou três pautas que vocês votaram a favor. Não dá para usar a popularidade de Erika Hilton para uma boa causa? Não,

Ela não tem a intenção de usar para uma boa causa. Ela não sabe o que é uma boa causa. Se um dia ela chegar a alguma conclusão de que algo é uma boa causa, não será minha. Eu acho que é um ponto anterior. Quando há consenso é porque há uma ideia. Eu acho que o que o Kim está dizendo é que não há nem ideia. É mais ou menos isso. E ela não quer ter. O Kim, você só pode dar uma resposta. Qual é o principal problema? Então por que você vai perguntar? Não, não, não.

Ou a que eu quero. Não é a nossa resposta. É isso, é isso. É só assim, o principal problema hoje... Só pode listar um problema. Isso. Do Legislativo, do Executivo e do Judiciário a nível federal. Coisa mais grave que a gente tem hoje em cada um dos nossos três poderes. Eu acho que o Legislativo é o fisiologismo, né? Sem dúvida nenhuma. O principal problema é a pessoa que vem de voto. É o centrão. É o centrão que...

Faz com que a maior parte dos deputados não leiam o que votam. Faz que a maior parte dos deputados só votem aquilo que o governo está pagando. E faz com que o eleitor tenha a falsa percepção de que o papel do deputado é inaugurar a obra. E aí condena... Aliás, as menores cidades e com menor IDH são as que os deputados do Centrão têm mais voto. Tem um estudo sobre isso. Então, é o principal problema. Do judiciário, abuso de poder. Do judiciário, sem nenhuma dúvida, é querer legislar no nosso lugar.

Rosa Weber foi mais problemática. É que por freio de outros ministros, ela não conseguiu levar em frente. Mas aborto, droga, a intenção do legislador originário em relação à terra indígena. E perseguição a adversários políticos. Porque quando eu... Isso é uma coisa que eu digo também. Sempre se escolheu um bom político. E é natural e em certo grau até bom que seja assim. E isso nunca foi um problema. Passou a ser um problema,

esculhambar pessoas públicas quando passaram a esculhambar ministro do Supremo. Sim. Aí passou a ser um problema. Por quê? Porque eles sempre se sentiram intocáveis, né? Ninguém que... Como ousa falar de um ministro do Supremo Tribunal Federal? Só que o que é pior, quando um cidadão que incomoda o ministro do Supremo, ou um parlamentar que incomoda o ministro do Supremo, critica ou mesmo xinga o ministro do Supremo, não é uma ação por dano moral que ele vai mover contra você. É atentado contra o Estado Democrático de Direitos. E sem...

instâncias superiores pra você recorrer depois, né? Sim, sim. Pelo menos terrenas, né? Você pode rezar. Às vezes pra pneu. Então, o autoritarismo, agora o exemplo do caso do Toffoli, do caso do Alexandre de Moraes e a mulher dele no Banco Master, isso tudo é uma demonstração de que hoje eles estão com poder sem limites, né? E aí, o segundo problema do legislativo seria covardia pra fazer enfrentamento

é isso. E aí do executivo... Não vale dizer o inquilino do Palácio do Planalto. Não, mas calma. Você quer saber do executivo e instituição? É. Não, é. Por que não? Não. Porque calma. Então tá errado. Não é do governo. Então minhas outras duas respostas estão erradas. Porque o fisiologismo não é característica do legislativo e instituição. É característica dos membros de hoje. Mas o nosso congresso foi desenhado pra que o fisiologismo imperasse dentro dele. Senão não imperava. Não. Não, calma.

Olha o raciocínio que você acabou de desenhar. Uma coisa só acontece se houve um desenho para que aquela coisa acontecesse. A nossa história é repleta de momentos em que um desenho foi feito e depois ele não se concretizou, que ele não foi seguido. Como? Lava jato? Não. Não, como o próprio Congresso. O desenho era para ser parlamentarista. O regimento e a Constituição são parlamentaristas. É verdade. Se as coisas seguissem seu desenho, a gente estava no parlamentarismo hoje.

Então não, não é para fazer o desenho. Tem que ser de momento. Então e aí? Agora eu preciso que vocês escolham.

Dá as duas respostas. É o melhor. Não, você só pode ter. E a minha. E a minha. Entendeu por que é político? Entendeu? É isso. Tô te esperando. Ah, eu? É. Bom, vai na mesma linha das duas que você fez antes. Tá, a mesma linha, então, não é do poder em si. Isso. Fico muito dividido entre incompetência e corrupção. A corrupção ainda é latente nesse executivo? Quem você acha? Banco Master. Gente, vai.

eu vou chutar, mas é um educated guess, não é qualquer chute, que 30% do escândalo do Banco Massa era PT, principalmente com o PT da Bahia, com o Jacques Wagner e com o Rui Costa. As indicações foram todas assumidas, inclusive. Com o Augusto Lima, que é conhecido na política baiana, que comprou por 15 milhões de reais na época, salvo engano, o finalzinho do governo ACM,

que depois ele vendeu e trocou como participação no Banco Master, quando ainda não se chamava o Banco Master. Então, assim, sim. Vai pegar todo mundo. Corrupção é um problema muito grande do Executivo. Bom, o INSS, né? O escândalo do INSS e vários outros pequenos escândalos que vão surgindo ao longo do tempo que se tornam um grande escândalo. Mas a gente falou Executivo Federal, né? Sim, mas o Rui Costa é casa civil e o Vorcário teve com o Lula. Mais de uma vez.

sabendo que o Vorcaro é o Vorcaro. Foi assim, uma coisa você tá com o Vorcaro, vai, cinco, seis anos atrás. Outra coisa você tá com o Vorcaro agora. Então... E outra coisa, ninguém vai me convencer de que o Vorcaro foi pro Palácio ter reunião com o Marcola, que é o assessor do Lula. O Marcola, ele... Assim, é conhecido em Brasília. O Marcola, ele é um secretário. Ele não faz política, ele não toma decisão. O Vorcaro não vai ter reunião com o Marcola, né? No Palácio tem

Três possibilidades de reunião. Vocês sabem as possibilidades de reunião no Palácio? Presidente, Casa Civil. E? Secretaria-Geral da Presidência? Não. Quase. Também é Secretaria de Relações Institucionais. Ah, é. Se o Vorcaro vai pro Palácio, ou ele vai falar com a Glaze, ou ele vai falar com o Rui, ou ele vai falar com o Lula. A Glaze não se tem notícia de que tenha qualquer participação. O Rui se tem bastante notícia. Pô. O Lula se tem alguma notícia. Então, é... É, vai, eu colocaria, assim, corrupção. Corrupção.

Nada ficou no lugar. Kim, estudando a tua história, é... Eu acho engraçado falar em história com uma pessoa de 30 anos. Mas é, você conseguiu nos últimos... Desde 2014, você conseguiu construir uma história. É óbvio que você ainda vai ter muito a aprender. 30 anos é nada nessa vida. Mas a grande preocupação de sua Paula Turrira e do seu pai era você se prejudicar.

você ser prejudicado diante de tudo que você se metia quando ele ainda podia ver e presenciar o que você fez, as manifestações e estar ali, era o grande medo dele. 2026 promete ser um ano de ebulição política. Já estou cansado. A gente está exausto e é fevereiro, nem passou o carnaval no momento dessa gravação. Ninguém sabe o que vai acontecer, não dá para prever nada,

prevê que a gente vai ter um embate aparentemente bem dividido. Vocês estão tentando colocar alguém aí na disputa, mas que, por enquanto, é desconhecido do grande público e tudo mais. O que você espera que aconteça esse ano? É um ano de fechamento, de encerramento de um ciclo, para daí recomeçar em 2030? O que é 2026 a 2030 no cenário político, a partir de agora? Boa pergunta. Que, para mim, é tiro, porrada e bomba, e aí eu lamento, seu Paulo,

pegar. Não, mas nem isso aí, né? Sempre, quase. Mas a sua pergunta me parece que é o que é a eleição de 2026 do ponto de vista histórico, ou não? É histórico, a partir de agora. Que momento é esse que a gente vai viver? O que esperar para o Brasil? Serão quatro anos de espera de compasso até 2030? Não, calma. Pra gente saber, primeiro assim, nunca é de espera. Essa hipótese eu descarto. Independentemente do que

aconteça em 2026, não vai ser espera. Vai ser quatro anos de grande emoção. Não, não é de construção. Pode ser de destruição, pode ser de retrocesso, pode ser de avanço. De espera, definitivamente não vai ser. Os quatro anos até 2030. Só pra te dar uma dica. A gente recebeu uma astróloga aqui e ela falou que a conjunção astral do momento em que vivemos, desse ano, equivale à época da Revolução Francesa. Olha,

É exatamente o mesmo céu. Tá. Eu só espero não ser Robespierre. É isso. Por isso que eu citei São Paulo. Viviane Bárcio pode ser Maria Antonieta. Eu só tô torcendo pra ela estar certa. Pela Revolução Francesa. Que realmente é não uma Revolução Francesa, né? Porque depois da Revolução não veio nem igualdade, nem liberdade, nem fraternidade. Veio Napoleão, né? Mas... Ah, mas assim, como depois do impeachment que vocês insistiram tanto, veio Bolsonaro. Sim. Então, nem sempre

aquilo que é desenhado, né? É isso. É isso. Mas eu acho que assim, o nosso país, ele é profundamente corrupto, ele é profundamente miserável, né? E eu acho que eu só fui ter a noção do quanto o nosso país é pobre, assim, eu nunca fui rico, né? Nunca passei fome nem nada, mas foi sempre uma coisa... Classe média. É. Agora, conhecer o quanto o Brasil é pobre e o quanto

quem discute política mais intensamente, em regra, vive numa bolha de, vai chutando alto, 30 milhões de pessoas, que 30 milhões de pessoas é bem pouco representativo pro país. Claro. Se a gente for falar o que é o país. Bem pouco. Cara, mais da metade da população é miserável, não é pobre, é miserável. É miserável. Você vai pôr, amapá, o estado do presidente do Congresso Nacional. Assim, não tem asfalto no centro da cidade. Ah, mas recentemente o Randolph,

inaugurou uma obra muito importante. Sim, quatro canos de PVC do cão-orelho. Pra alimentar o cão-orelho. E já acabou, né? Não sei se você viu a nova imagem. Ah, derrubaram? Não, não, não derrubaram. Tipo, acabou a ração e no potinho de água caiu ração e misturou, virou uma papa lá que, enfim, já não atende mais nenhum cachorro os quatro canos de PVC. É, acontece. E tem uma... Fala em Randolph, tem uma foto maravilhosa. Quando eu tava tendo aquela trend de primeiro você começa, depois você melhora, né?

O Randolph tirou uma foto onde ele nasceu. Sim, andando. Mesma coisa. No lugar contínuo.

igual. A única pessoa que melhorou foi ele, que ficou rico. Você, inclusive, postou isso. Ele saiu de um lugar miserável. Ele voltou depois, senador da República. O lugar continua miserável. Só tá ele de terno. Mas, enfim. Então, o que eu quero dizer é o seguinte. A gente é profundamente miserável. Eu parei de ver já a comparação dos últimos 40 anos do Brasil com os últimos 40 anos dos países em desenvolvimento, porque é grotesco. Sugiro que as pessoas

busquem, principalmente pesquisas de professores do INSPER em relação a isso. Economicamente a gente ficou muito pra trás. Em termos de, ah, os números de redução de pobreza e tal, nós saímos de uma pobreza, entre os países em desenvolvimento, nós saímos de uma pobreza menor pra irmos pra uma pobreza que hoje tá maior do que boa parte dos nossos pares que antes tinham uma pobreza maior. Então assim, foi um movimento que aconteceu em todos os países em desenvolvimento, redução da pobreza, muito por causa do ciclo global de crescimento e que ainda assim,

a gente apanhou dos nossos pares. Mesma coisa economia, mesma coisa educação, educação. Então, acabei de falar para vocês do Vietnã, que é um exemplo bem pobre ainda para se dar. Saúde também, a gente continua com um modelo péssimo de atenção primária. A gente tem um bom atendimento, pelo menos no estado de São Paulo, de média e alta complexidade, só que a maior parte dos casos nunca deveriam chegar na média e alta complexidade. Esse ano, 2026, é o ano que o número de

idosos ultrapassa o número de jovens. Então, nós somos um país que... O Japão vive esse problema hoje, e a Europa também, só que eles ficaram ricos antes de ficar velhos. A gente está ficando velho e indo até pobre. E profundamente corrupto também em boa parte das instituições públicas e privadas, que se não tiver uma mudança muito radical, realmente eu acho difícil das coisas andarem. Então, estou torcendo aí para... Pela revolução. Pela taróloga.

Não, astróloga. Não, porque eu já vi você falando de... O que é o conservador? O conservador é o cara que entende que, em vez de demolir a casa, ele reforma a casa porque, pelo menos, as estruturas básicas daquilo ali estão ali. Mas, atualmente, você está achando que, talvez, demolir a casa fosse mais eficiente? Talvez deixar um alicercezinho. A fundaçãozinha. Só para facilitar o processo de reconstrução. Agora derruba a parede.

O Kim, pra gente encerrar, eu sei que todo político detesta essa pergunta em ano eleitoral. O Renan é o candidato do partido Missão à presidência da República. Pelas pesquisas, não tem viabilidade nesse momento. Sei que a eleição é filme, não é retrato, tem um tempo, é desconhecido, pode se tornar conhecido. E pode avançar pro segundo turno, como pode não avançar pro segundo turno. Eu não odeio essa pergunta, eu já sei qual é. Você que vai odiar a resposta,

Mesmo que eu dou em todo lugar, ela vai ser absolutamente sem graça, mas continua. Você vai fazer um churrasco ou vai votar no segundo turno? Caso o Renan não avance. Não existe essa hipótese. Nós só trabalhamos com a hipótese do Renan Santos estar no segundo turno. Mas eu não tô nem te pedindo pra votar em alguém. Eu só quero saber se o Renan não estiver no segundo turno. Não trabalha com esse cenário. Você se recusa a trabalhar.

Tá vendo? Você tá virando um político tradicional aqui em Kataguiri. Eu te disse que quem não ia gostar da resposta era você. A pergunta pra mim é bem tranquila. Tá.

Nem cenário hipotético. Vamos dizer que, de repente, assim, Renan não vai estar no segundo turno. Não, não. Eu trato essa pergunta da mesma maneira como se você me perguntasse. E se caiu o meteoro amanhã? Eu falo, gente, não trabalha com essa possibilidade. Entendi. Tá bom. Acho que era isso, né? Acho que é isso. Rendeu, hein? Rendeu. Ô, você rendeu. Senhor Kim Kataguiri, obrigada, viu? Eu que agradeço. Pela participação. Sucesso na luta. Continuo sem entender. A motivação, né?

mas força. Muito obrigado. Prazer te receber, Kim. E é isso, vocês podem tentar se atualizar, entender um pouquinho mais do que acontece nesse país no Rio de Janeiro. Sexta-feira, meio dia e trinta, eu ia dizer que é para chegar no fim de semana bem informado e com alguma alegria, mas depois das constatações do nosso parlamentar, não sei se alegria, alegria é o que você vai ter nesse fim de semana. Exatamente. Mas esperamos vocês aqui na sexta, meio dia e trinta. Sempre.