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LUCAS INUTILISMO | RivoTalks #125

07 de abril de 20261h51min
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Ele é youtuber, músico e um dos criadores mais originais da internet brasileira. Conhecido pelo humor caótico e pelas produções musicais impressionantes, ele construiu uma carreira única equilibrando criatividade, técnica e uma identidade muito própria.

No episódio, Lucas Inutilismo relembra o início do Inutilismo, fala sobre os empregos antes da fama e como lidou com o crescimento na internet. A conversa passa pela relação com a música, os bastidores das retrospectivas, o peso de ter milhões de pessoas assistindo e as inseguranças que vêm junto com isso. Também tem reflexões sobre identidade, timidez, processo criativo e o desafio de se manter relevante sem perder a essência.

Um papo leve, engraçado e ao mesmo tempo muito honesto sobre criar, crescer e se encontrar na internet. Solta o play!

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Participantes neste episódio3
A

Adriane Galisteu

HostApresentadora
G

Gabriel Weiner

HostJornalista
L

Lucas Inutilismo

ConvidadoYoutuber e músico
Assuntos5
  • Origem do InutilismoInício do Inutilismo · Empregos antes da fama · Crescimento na internet · Relação com a música · Desafios de se manter relevante
  • Identidade e AutoestimaIdentidade e timidez · Processo criativo · Fanbase e mediocridade
  • impacto da internetEvolução das redes sociais · Impacto do TikTok · Profissionalização do conteúdo
  • Desafios PessoaisExperiência de ser pai · Desejo de tocar em festivais
  • Música e CulturaFred Mercury · Queen · Tim Maia
Transcrição290 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Olá, sejam bem-vindos a mais um Rivotalks, esse espaço maravilhoso de conversas que abre portas para que vocês conheçam o... O Rivot News, toda sexta-feira, meio-dia e trinta, nesse mesmo canal. Seu resumo semanal de notícias para que você vá para o fim de semana, que nem eu comecei essa entrevista, rindo. Porque agora há pouco a gente estava aqui incorporando.

As nossas personas para essa entrevista. Exatamente. É fundamental. Sempre com o apoio da Escola de Música Intermesa e da produtora Camaleão. Mas a gente precisa incorporar pessoas. Assim como sempre fez quem? O senhor Lucas Vinícius da Silva. É um lance espiritual, né? Por trás do nosso trabalho. Tem. Receber a entidade para poder tocar o senhor. Total. E aí, seu Lucas? Tudo certo? Como é que tá? Lucas com... Com veio ou Lucas?

Tem um convênio. Ou seguimos com inutilismo? Então, eu fico me pensando, né? Essa foi uma boa solução? Será?

A Búlgari... Deu certo. Ninguém fala deles. Mas o Império Romano deu meio errado. E lá Lucas era... Mas é que eu acho que tinha um... Lá rolou um bafafado. Eu penso até hoje nisso aí. Se pega pensando às vezes. Muita gente que não tinha nada a ver.

tem certos pensamentos que ocorrem periodicamente na cabeça de homens especificamente se você for perguntar pra qualquer homem na rua quantas vezes por mês você pensa no Império Romano potencialmente ele vai te responder pelo menos uma isso é mais zoeira a gente não brinca você é debochado mas ele eu não estou sabendo ontem inclusive eu vi um reels maravilhoso mais ou menos sobre isso e aí

Você já entendeu como vai ser esse papo aqui hoje? Já, a gente já desistiu. Mas que você abre um parênteses, aí tem um parênteses dentro do parênteses. Isso, vai ser a conversa do filme. Uma matrosca de assunto sem conclusão. Mas que era um cara dizendo justamente assim, eu penso pelo menos uma vez por mês em como o Hagrid do Harry Potter foi concebido. Porque a mãe dele, nos livros, era uma giganta de 5 metros e meio e o pai, um homem de estatura normal.

Essa é a reação possível. Tá falando da anúpsia, né? É a anúpsia, a concepção mesmo. Isso. Ah, deve ter sido uma batalha, né? Hercúlea. Enfim, vamos começar essa entrevista falando sério. Mentira. Lucas, o Rivotalks, ele...

É um programa que já tem dois anos e pouco de existência. E a gente, com muito orgulho, ficou consolidado aí pra muita gente como um programa de entrevistas diferenciado. Porque a gente faz, especialmente a Cecília, uma pesquisa muito aprofundada sobre os nossos convidados. Mas sobre você foi muito difícil fazer. É mesmo? Não tem... Não, calma. Tem. Tem muito o que dizer.

né, mas além de você ser um cara evidentemente novo, né, não é que tenha assim uma biografia de 50 anos que nem algumas das pessoas que a gente recebe tem uns dois parágrafos aí, o segundo já é só insensão de linguiça. A gente na nossa reunião de pauta foi de ...

Existe vida inteligente fora da terra, há canudos que matam tartarugas. Eles matam mesmo. Matam mesmo, mas eu tenho a teoria de que é porque elas são burras. É. A evolução prioriza os mais espertos e assim, você não sabe diferenciar um peixe de um canudo? É, você tem o oceano inteiro ali, você vê um canudo, ah, vou enfiar no nariz, é porque a tartaruga é burra. De toda forma...

A gente também viu muitos podcasts nos quais você deu entrevista e os assuntos, eles vão muito pra essa cama. Eu tava até falando no off aqui, se me deixar, às vezes eu vou igual ao padre do balão, assim, tenho que me puxar lá de volta. É daí que vem o inutilismo? Ah, eu acho que sim. Acho que hoje em dia se tem uma epidemia desse negócio da dificuldade de reter atenção e de vagar e tudo mais.

Mas eu me vejo com essa característica já desde sempre. Acho que foi se gravando um pouco mais com o tempo, né? Mas é legal, porque me permite chegar a lugares que, por exemplo, é muito fácil de me distrair, sabe? Você fala, a gente começa o Rivotal, com o Império Romano, eu já... Minha cabeça já vai... Aí eu já puxo alguma coisa... Começa a passar a raiz quadrada na minha cabeça, começa a ir pra um lugar e eu acho que isso é bom, né? Isso me...

Traz um benefício, de um lado, mas pode ser meio irritante pra quem tá comigo. Aí eu peço já desculpa de antemão aí, qualquer coisa.

Mas é uma senhora fanbase, né? Não, é isso, porque você diz, você costuma dizer que você é meio pato, né? Aquele que não voa direito, não anda direito, não anda direito. Faz tudo de forma medíocre. Você disse isso. Então, medíocre é um bom adjetivo pra minha existência no geral. Pois é, mas olha só, junta o inutilismo com a mediocridade. Você acha que isso diz mais sobre a sua fanbase de milhões? Ou sobre quem você é?

Tipo assim, quem me acompanha é medíocre também, é isso? Não, o que isso diz, Zé, sobre a galera que te segue?

Cara, não, quando eu falo medíocre, eu tô levando pro... É porque é uma palavra muito feia, né? É isso. É tipo gonorreia, né? É muito pior do que a doença em si, né? Nem é tão ruim assim. Mas esse nome é horrível. Nem é tão ruim. Não, não é. Eu já tive e é um monte de... Paralhado, boa! E... E a palavra medíocre é só um cara que tá ali, ó. Ele não... Sabe? Bem na média, assim. Bem nada demais, sabe? Mas cara, se você não fosse, ó...

Olha o que você fez. Ah, sim, mas... 11 milhões de seguidores, uma galera olhando pra você, não é possível. É, então, eu não quero dar de coitadinha aqui, mas eu acho que tem um lance aí, talvez, né, quando eu tento explicar, porque realmente a minha galera é muito especial, assim, é um discurso que eu já venho repetindo há muitos anos, né, desde quando a gente... Desde quando eu já enxerguei essa base sólida ali de pessoas, né, e, tipo, tem uma galera que tá comigo na boa e na ruim, se eu for vender Ice Gurt, eles vão estar lá... Ah, Ice Gurt!

Eu acho que isso vem de um lugar de relacionamento, talvez por conta dessa mediocridade, talvez até dessa simplicidade, né? E de uma fórmula muito...

sem fórmula de conduzir as coisas, né? Eu sempre me guiei muito pela minha vontade de fazer as coisas de maneira muito orgânica, assim, sem um grande método por trás, sem um grande estudo por trás, sem um grande... Não, eu descobri o que vai me dar visualizações, assim. Eu nunca fui um cara disso, eu sempre fui um cara, tipo... Pô, isso aqui eu acho que é legal de fazer, isso aqui eu acho que faz sentido, e acho que isso acaba perfurando...

E criando atalhos pra essa conexão talvez até mais profunda do que de um cara que às vezes ele é muito metódico e ele segue a risca ali, a cartela de coisas que ele tem que fazer pra dar certo em determinada coisa da vida dele. Que talvez isso gere essa identificação mais forte de falar caramba, ele deu certo fazendo isso aí. Esse cara realmente... Tá, então não foi sorte. Foi autenticidade. Identificação. É.

Eu acho que na vida a gente tem que ter um pouquinho da proteção do acaso, né? Tá. Senão, não vou nem chamar só de sorte, mas aí você saber dançar com isso ali é fundamental pra que você tenha longevidade, né? Pra que você consiga construir um caminho e é um longo caminho já, né? São 12 anos que eu comecei nessa carreira de internet, fazer vídeo e tudo mais. Então, acho que fui protegido pelo acaso, assim como todos nós somos, acredito, né?

Mas também soube usar isso a meu favor, né? Soube, né? Te jogam num barco ali e você tem que saber velejar, né? Porque tem... A gente tem inúmeros casos na internet de pessoas que muitas vezes tem uma ascensão meteórica, explosiva, inexplicável. O cara surgiu do nada. E na mesma velocidade ele volta. Porque às vezes nem é isso que ele quer. Ou às vezes ele também não entende nada, né? Porque...

Ou não deu conta psicologicamente? Pois é. Então, talvez se acontecesse comigo hoje, talvez se eu fosse uma pessoa, vamos dizer, com uma vida mais normal, tivesse um trabalho normal e tudo mais, e hoje o negócio acontecesse comigo, talvez eu não soubesse lidar como eu soube lidar lá. É, porque 12 anos é um...

É um baita tempo, né? Num mercado que muda muito, quase que mensalmente. E vem mudando cada vez mais rápido. O que você enxerga como as principais diferenças da internet? Não só do ponto de vista do consumo mesmo, do conteúdo, mas também de profissionalização do negócio e compreensão do mercado sobre o que é esse mundo, daquela época em que você começou e hoje.

Eu acho que são alguns fatores que têm uma mudança bem notável. Acho que eu talvez listaria como um dos principais a velocidade que as coisas acontecem, principalmente a velocidade que as coisas mudam de figura hoje, que as coisas mudam de figura cada vez mais e cada vez mais rápido. E eu sempre falo que...

Na minha cabeça existe um gap temporal aí que ele foi muito potencializado pela pandemia, né? Assim como muita gente. Parece que eu entrei num buraco e eu saí e eu não sei mais de nada, assim. Parece que muita coisa aconteceu e não é como se eu tivesse... Eu não tava fora do mundo, mas parece que eu tava.

porque hoje em dia você tem outras... A régua é outra, a regra é outra, e isso é muito potencializado por esses canais de conteúdo mais rápido. O TikTok vem e ele muda completamente o planeta. A maneira como você consome conteúdo, como você cria conteúdo, e o TikTok falou para todo mundo, vocês vão ter que mudar.

Aí o YouTube também virou um pouco o TikTok. Aí o Instagram virou quase que completamente o TikTok. O Instagram é uma rede pra você postar suas fotos, pros seus amigos verem, né? É realmente uma rede social, não é uma rede de entretenimento, que nem o TikTok. E era um álbum de fotos, né?

E agora o Instagram, pra mim, já é muito mais virado pro entretenimento, né? Você é capaz de você abrir o Instagram e você vê sua tia fazendo meme lá. Eu chegando às três horas da manhã em casa. É isso, né? Ô tia, você é minha tia? Você era minha tia? O que fizeram? Levaram minha tia?

Vai lá fazer bolo pra nós, cara. Não é pra fazer meme o tempo inteiro. Então, tem isso. E eu sou de uma época que começa a minha carreira na internet que existiam algumas pessoas ali, algumas pessoas inclusive que me influenciaram muito, que eu sempre fui muito ligado, né? Já desde que o YouTube existe, eu já...

já era um consumidor, e aí foram começando a aparecer essas primeiras pessoas que falaram, cara, tá, esses aqui são uns caras, né, e aí você tinha uns 5, 10 caras ali que faziam, caras, mulheres, homens, que faziam conteúdo, e...

Mas isso ainda não era... Era um período bem embrionário de ver o YouTube como uma profissão. Sim. Era algo muito mais, tipo, porra, é muito legal isso aqui. Não um negócio profissionalizado e tudo mais, né? É, você abre a sua conta no YouTube, no dia... Logo depois você se forma no Ensino Médio, né? Dezembro de 2013, você pega e fala, vou abrir meu canal e vou começar. Mas não era com o intuito de, tipo, essa vai ser minha profissão, né?

Você quer saber minha faculdade? Não, você tentou fazer Ciência da Computação, mas aí você desistiu. Ah, falei miseravelmente. Ainda bem, porque todos os garotos de programa vão me desculpar, mas a TI não é pra mim mesmo. Apesar de... É uma das profissões do futuro. Do presente, eu diria. É que a gente está num futuro.

É... É muito... Tenho vários amigos que são programadores. Tenho nada contra, tenho que ir com amigos. Tem amigos que são. E é muito legal a versatilidade que te dá. Você pode trabalhar de qualquer lugar pra empresa gringa, ganhar um monte de dinheiro e tal, mas o negócio pra mim, assim, não ia servir jamais, né? Eu sempre fui...

Eu tava indo muito no, mas tipo assim, tá, agora eu preciso escolher um curso pra fazer. Eu gosto de mexer no computador, né? Então, Ciência da Computação parece o curso correto. Olha só, cara. Tem nada a ver, né? Você é muito especial. Nada sobre comunicação passou pela sua cabeça. Eu tentei, eu prestei pra Rádio e TV também. E não passou? Não cheguei, passou.

Não, mas é que assim, eu não tinha... Eu tava querendo enganar quem, né? Essa é a grande pergunta. Porque eu fiz ali um pouco de cursinho quando eu saí da escola. E isso já foi junto com o inutilismo. O inutilismo já existia. Mas eu ia pro cursinho e eu tava tipo assim...

Cara, em algum momento você sentiu esse negócio de peso da responsabilidade pelo que você fala? Estou te perguntando isso porque eu vi um corte seu no PodPá, uma vez você falando de faculdade. Que Jesus não estudou. Nem Jesus fez. Isso é brincadeira, os entusiastas da Bíblia aí. Jesus estudou. Mas a piada é muito boa. Você vai vir com fatos pra mim? As coisas baixaram. A ideia não é essa.

Mas, sério, você pensou em alguma... Tipo, cara, eu tô falando com uma... Num dado momento, né? Porque você começou a ser a moleque também. Você não vai pensar isso. Mas a adolescência do homem vai até os 48. É, exatamente. Eu ainda tô bem... Fácil, com certeza. Mas a dona Carla Regina, que foi o pulsionador ali, tua mãe da coisa, ela vem e fala um momento, ela fala assim, pô, segura aí, cara. Tem uma molecada te vendo. Teve algum momento isso ou não?

Cara, a minha mãe, ela tem uma... A gente sempre teve uma comunicação boa, mas ela confia muito em mim. Acho que isso foi crescendo também com o tempo, né? Dela...

Ela sempre me apoiou muito. Eu tenho muito essa sorte, né? Minha mãe sempre... Ela sempre era a primeira. Tanto os vídeos que eu fazia com ela lá, que pra mim, na minha cabeça, as pessoas... Cara, tua mãe deve ficar muito brava. Eu falo, gente, mas não é tão óbvio assim que é... Que é uma piada. É, né? Você acha que alguém age assim, de verdade? Pelo amor de Deus. É minha mãe. As pessoas acham. Então, pois é. Eu fui percebendo ao longo do tempo que tinha muita gente que achava que eu era o diabo mesmo, né?

Sendo que na verdade é ela que tava me incentivando ali. Então o diabo é ela. Porque primeiro que ela que pariu... Ela que começou. É isso, bebê de Carla Regina. É isso. O Néfilin. O filho do anjo com o demônio. E... Então ela sempre... Nunca... Se eu falar que existiu essa conversa, é mentira. Porque existia muito esse voto de confiança nela. Assim, de tipo... Ela deve ter pensado isso. Deve ter pensado isso.

Mas ela guardou pra ela e falou assim, tá, vamos ver, né? Vamos ver onde é que vai dar. Parece que sabe mais ou menos o que tá fazendo. E ela sempre teve muito ali presente e tal, mas sobressentir o peso da responsabilidade, é claro que existe uma grande responsabilidade no que eu falo, né? Principalmente quando se atinge tantas pessoas e muitas pessoas que estão numa fase crucial da formação cognitiva ali, né?

E de mudança de vida, às vezes mesmo, né? Ela faz mais demoníaca da existência humana, que é a adolescência. Adolescência. A minha avó diz que juventude é um problema que passa com o tempo. É. Então tem que curar dessa doença aí. São quantos seguidores? 11 milhões? Em todas as redes, né? Somando as redes. Se contar tudo, deve estar por aí. Porque, às vezes, ele nem pensou na dimensão disso, né? Não dá pra pensar.

Você tem mais seguidores do que o estado de Pernambuco tem de habitantes. É, vários países da Europa. É isso o tamanho da sua responsabilidade, né? Uma responsabilidade de dimensões pernambucanas. Isso hoje em dia dá o que falar, inclusive, da série da mulher que está em coma, da dona da Pernambucana. Ah, sim, sim. Pois é, é verdade, né? Não tem que ir na viagem.

É, mas eu gosto desses... Eu tive que me segurar agora pra já não... Pra não ir embora. Mas ao mesmo tempo que eu tenho esse lado que... Não é que eu sou um louco que sai por aí falando qualquer coisa e dane-se os pais que eduquem. Mas existe um lado meu que se preocupa muito com isso e tem várias coisas, várias piadas que eu penso em falar. E não falo porque eu falo, não, isso aqui...

É difícil, né? Porque eu tenho esse jeito, eu tenho essa cara de idiota e aí as pessoas às vezes não sabem. É difícil de entender quando eu tô falando sério o que é uma coisa que dá pra ser usada a meu favor, mas que também existe um perigo ali, né? Só que tem algumas coisas que eu falo, não, essa daqui os caras vão ter que entender que é piada. Tipo a de Jesus que era foda. Não, Jesus era foda mesmo. Foda não, ele era muito espetacular. Não, ele era foda, velho. É, mas tenho medo da blasfêmia.

Não, mas tá de boa, ele vai entender. Ele entende, porque ele era espetacular. Exato. E aí eu falo assim, não, mas essa aqui, vai ter gente que vai falar... Na verdade.

Esse comentário está equivocado. Mas aí eu não quero saber dessa pessoa, eu acho, sabe? Total. Você sempre tem essa contingência ali, né? Você tem que se preocupar com... Não se preocupar, não. Mas você tem que ter em mente que vai ter essa pessoa que... Vai, ter o do contra, vai ter o chato. Mas aí eu estou acostumado a falar, mano, é isso aí, irmão. Tá certo. Você tá certo. Eu sou... Você quebra a pessoa um pouco, né? Ó, cafezinho.

cafezinho, brigadeirinho brigadeiro famoso aqui na região muito bom, muito bom diante dessa sua legião de fãs, de gente que acompanha o seu trabalho e também habitando a internet há tanto tempo Lucas, você vai numa linha assim Humberto Eco, de que acho que a internet é a grande e aí

libertação dos imbecis, ou você acha que é uma ferramenta mais positiva do que negativa nesse sentido, assim, né? A gente sabe que, enfim, avanços tecnológicos são maravilhosos, mas tô falando do ponto de vista social mesmo. Eu tenho dificuldade pra conseguir precisar a porcentagem aí, onde fica a taxa do ônus e do bônus da internet.

Às vezes eu acho que é 50 e 50. Às vezes eu acho que é 60 e 40. Às vezes eu acho que é 95 ruim. Eu fico alternando, né? Porque a gente, a internet é um universo gigantesco, né? Muito. E às vezes você entra em umas cavernas profundas aí, nos abismos, que você fala, velho, apaga tudo. Mata todo mundo. Explode. Não vai dar certo. Donald Trump. É isso. Aperte o botão.

Vai, faz a tua pergunta que você queria fazer. Porque ontem na nossa reunião de pauta a gente estava falando dessa sua pegada filosófica quase niilista, assim, né? Embora você nitidamente faça um trabalho que...

que me parece ser o seu propósito de vida. Você tá buscando isso também com a música. Um assunto sobre o qual falaremos, mas você acabou de dar a deixa pra eu fazer a pergunta que eu falei ontem, que eu queria muito fazer. Você acha que o Thanos, em alguma medida, tinha razão? Cara, eu consigo entender a matemática que ele fez na cabeça dele. Mas não dá, né? Mas foi sem dor.

E foi aleatório, o que também, de certa maneira, enobrece. Então, o que eu acho legal do Thanos, e que eu acho legal da maioria dos vilões, é que ele não é um cara mau. Ele não é do mal. Ele tem um propósito. E no final ele fala, mano, a gente tem que...

Dá um jeito nisso aqui, mas na cabeça dele ele tá querendo consertar. E eu acho isso legal, né? O conflito, o dilema, a última vez que a Marvel acertou em alguma coisa. Mas é porque tem... É diferente dos Thanos humanos, né? Da vida real que a gente teve ao longo dos séculos. Não tem uma pegada xenofóbica ou racista. Não tem discriminação.

Inclusive aleatório, né? Vamos eliminar metade, é isso aí. 50% joga aí na roleta da mega da virada. Como a gente tem um público que é um pouquinho mais velho, assim, vale explicar. O Thanos foi um grande vilão da história da Marvel, cujo objetivo final era juntar cinco joias do infinito, porque aí ele estalou o dedo, metade da humanidade pereceu.

Por que ele queria fazer isso? Porque ele era uma pessoa ruim? Não. Justamente porque ele percebeu que a quantidade de gente que tinha aqui, a gente ia acabar destruindo. E fazendo besteirinha? Pois é. Muito saneamento básico precisava. É isso. Ele tava pensando mais no saneamento básico. Mas aí ia voltar de novo, né? Ele ia eliminar a metade e os coelhos iam... Vim com força, né? Daqui 50 anos...

Talvez até mais, né? Precisamos repovoar. É, com mais gana, né? Com mais gana. O planeta é nosso. Isso. Então, ninguém nunca pensou no efeito rebote disso aí. É verdade. Não, ninguém nunca pensou no efeito. Você já tinha pensado nesse efeito rebote? Da gana de querer povoar de novo o planeta? Ah, mas com essa geração aí não corríamos esse risco.

De querer repovoar? É, com a turma que vai ficar, acho que... Mas por que você diz isso? Não, cara. E tá comprovadamente fazendo menos sexo e tal. É, a gente tem noticiado isso. Só pra saber se era isso mesmo. É, porque o Japão tá... Também tem um problema de pirâmide invertida. Estamos precisando de japoneses, pessoal. Você que é japonês, por favor, acerte o óvulo.

De mais japonês. De preferência. É manter o negócio. Olha só, tem uma coisa meio paradoxal em você, Lucas, que quanto mais sucesso você tem, mais você parece desconfiar do valor disso. Sim. Eu falo que estou esperando o João Kleber sair de trás de algum móvel e falar, era tudo mentira, você é miserável.

John Kleber esteve aqui, no Ribotop. Você é um abraço. Um abraço. Nessa poltrona. Exatamente. Para, para, para, para. Então, assim, ó. Primeiro, eu queria que você comentasse isso. E também dizer para a gente se o sucesso te trouxe mais respostas ou mais perguntas. Ai, caramba. É uma boa pergunta, né? Cara, é difícil porque...

Parece que, ao mesmo tempo que eu vejo esse meu trabalho como um trabalho de uma vida, assim, tipo, é difícil até eu lembrar de como era, sabe, quando você faz uma coisa há tanto tempo que você já não lembra muito bem como que era a vida. Poxa, eu tinha 18 anos. É, eu tinha, na verdade, precisamente 17, né? Eu tava pra fazer 18, mas eu não era, teoricamente, nem... Na prática, eu não era nem maior de idade. E... E...

Aí, às vezes, eu tenho ao mesmo tempo a sensação de que eu faço isso a vida inteira, e ainda tenho aquela sensação de que eu tô começando. Então, essa sensação meio conflitante, assim, ela me deixa... Às vezes, eu tô numa fase onde parece que eu entendi tudo e eu tô de boa, e às vezes eu tô numa de, mano, peraí, o que eu sou, né? O que que eu...

Isso é uma grande pergunta, que a gente teve dificuldade também de responder. Exatamente.

Então, e eu não sei se eu tenho uma resposta pra ela, né? Uma pergunta que pode nem ter uma resposta, né? Uma pergunta que pode ter uma resposta dinâmica. Posso falar o que eu sou hoje e daqui a um tempo, né? Todos somos um pouco assim, né? Mas eu acho que eu sempre tive esse lance de ir migrando de um lugar pro outro, né? De coisas que eu fazia e do tipo de coisa que eu tava fazendo, que eu...

Acabei me deparando com um certo... Hoje eu me vejo com um certo conflito de identidade. Não estou nem falando sobre o Lucas focado em entretenimento e comédia e o Lucas Música. Não estou nem falando sobre esses dois lados. Estou falando num geral mesmo. Nem o CNPJ, né? O CPF mesmo. Isso, estou falando num geral, porque...

Eu nunca consegui ficar muito tempo fazendo a mesma coisa, o que pode ter sido... Eu acho legal, porque eu acho legal que essa pergunta seja uma pergunta de difícil conclusão, sabe? Eu acho que é legal. Tipo, você fala, putz, é o cara, o Roberto Carlos, é o cara do especial de fim de ano, né? Hoje, há muito tempo, ele já é o cara do especial de fim de ano. Há 70 anos. É, pois é, aparentemente, 215 anos. É.

E aí tem um lado meu que acha legal, é isso, ah, o Lucas é o cara, beleza, ele é músico, ele faz vídeo, mas difícil precisar o que ele tá fazendo exatamente agora, né?

Só que isso tem um lado ruim também, né? De você não ter... Foco. É, eu sinto que existe essa ausência do foco e da consolidação, não da minha existência, mas de eu pregar e falar assim, putz, preciso trabalhar hoje. Aí o que eu vou fazer?

Qual que é o meu trabalho? Cara, eu acho que tem vários pontos aí. Vamos lá, vários pontos. Minha cabeça abriu várias águas ao mesmo tempo. Cecília Freud e Jung. Não, não, olha só. Ele acabou de fazer 30 anos. Você acabou de fazer 30 anos. Aham. Nesse segundo, né? Fevereiro, olha ali. Sim. Você acabou de fazer 30 anos.

Ou seja, você está no meio do seu retorno de Saturno, que é bem difícil. Ele está voltando. É bem complexo. Eu achei que ela ia trazer psicanálise de astrologia. Ele é aquariano. O aquariano está sempre pensando lá na frente. Ele fica meio aqui, meio lá. Ele é essa coisa meio rebelde, meio vanguardista, meio aquariano. É assim. Quando me perguntam... Só uma rápida interrupção. Quando me perguntam sobre... Quando me perguntam sobre astrologia...

Eu sempre falo, ah, vai fora. Mas eu também não sei como refutar. Porque os caras vão acertando tudo, né? É. Eu abro certas concessões pra magia. Sim. Tá. O Corinthians. Tá. É uma magia meio obscura, né? Tá. Ali no caso, mas... Isso. E pras coisas boas, né? É. Previsões negativas, você não acredita. Não, não tem porquê. Tem muita gente assim. Você, na idade dele, 30 anos, você tava exatamente também nessa mudança aí de fase de vida.

Mas eu sempre acreditei em tudo. Não, você sempre acreditou, mas é outra pegada. Mas é essa coisa tipo... Sim, o retorno de Saturno. Qual caminho, confusão, fico, vou morar em Lisboa. Não, eu só falei isso porque a Cecília é engraçada, mas eu acredito em tudo. Mas é isso que eu acho. Acho que você está nesses momentos ao mesmo tempo que assim...

Você é aquele menino, Vila Ipojuca que você é, né? Isso. Você veio ali, pegou, construiu. Chapô é da Vila Ipojuca, grande amigo meu. Legal. Lá é um pedacinho de céu. Meu bem que é uma catuça, sabe? O pior é que é um distrito desse tamanho, no meio da Lapa, mas parece que você está no interior.

Ah, entendi. Então é aquele menino que sai dali, não sei o quê, família, produz conteúdo, aí constrói ali um patrimônio, chega no banco para... Fala, vou comprar meu apartamento. O gerente do banco vem te dar uma surra de realidade. É.

O cara meteu essa pra mim. Desde quando eu vou te dar o financiamento? Ele falou... Como é que é? Falou... Não, porque na pandemia tá tudo muito incerto. Eu falei, quem que tá mais certo? Não, pensei. Ah, mentira. Mas eu pensei em voz alta.

Quem tá... Você quer falar que eu tô incerto, irmão? Eu trabalho pro Google. Se tem alguém certo... A única coisa que continuou nessa caceta... Você vai liberar financiamento pros caras que estão... As empresas estão tudo falindo aí. Você acha que o Google vai parar? E aí, os caras... Eu sofri preconceito.

Você acha que isso mudou? Estrutural. Mas você acha que isso mudou? As pessoas já se tocaram que isso aqui é uma coisa séria? Youtuberfobia. É horrível. É, ninguém sabe o que eu passei. Cara, eu acho que pode ter mudado, sim. Mas com certeza ainda existe, né? Principalmente se tratando de lugares tradicionais cheios de velho calvo aí, os caras vão com certeza... Entendi.

Ainda existe esse pensamento, né? Rolou uma calvofobia também, mas tudo bem. Não, não. Não é. Mas são sempre eles. São sempre eles. É só uma coincidência. Não, mas é isso que eu tô te falando. É essa coisa. Esse movimento de incertezas e ao mesmo tempo. Você constrói, mas às vezes vem a realidade e pá. Faz assim em você. É. Pois é. Mas aí eu... Ela fez assim em mim, mas no final deu certo, né? Mas teve um trabalho, assim, né? Fui lá, contei pra minha mãe.

Entendi. Aí minha mãe foi lá e falou... Põe meu nome. Esse cara aqui não. Não, o nome da minha mãe fodeu. Se o meu é incerto, mãe, com todo o respeito, mas tá foda. Dona Carla Regina, te adoramos. É, eu adoro ela também. Coincidências à parte. A minha mãe, só contar uma história engraçada aqui, que teve um dia que eu tava no...

baile do Dennis DJ. Muito tempo atrás, foi fazia uns cinco anos. Cinco anos teve a pandemia, né? É, 21 já tinha algumas coisas abertas. Foi logo depois que voltou a pandemia e eu fui no baile do Dennis DJ. E aí, minha mãe começou a falar pra mim, me mandar mensagem, me ligar falando que se eu tava bem, porque tinha um cara falando com ela no WhatsApp, se passando por mim, tipo, de madrugada.

clássico, né? E ele pegou, ele printou um story que eu tinha postado e ele printou e ele usou o meu story de foto e mandou pra minha mãe mãe, tô aqui, tá barulho aqui, me dá 3 mil reais. E minha mãe falou Lucas eu? Tá pedindo pra mim mesmo? Ela falou Lucas, eu tenho 2 reais na conta.

Tipo assim, pô, você pode ser o melhor golpista do mundo. Não vai funcionar. E se você fosse, você teria essa informação, né? Provavelmente ela já nem seria um alvo, né? É isso. Teria sido pega antes na peneira. Então, pois é. Aí minha mãe botar no nome dela não seria uma alternativa. Mas ela chegou lá e falou, vai rolar.

É, tipo, teve uma... A gente teve que falar, não, aqui, olha a minha comprovação de renda. É uma empresa. É, existe uma coisa aqui acontecendo. Chama Lucas. Qualquer coisa, vocês vão lá e me expulsa. Chama Lucas Inutilismo Limitada, mas... É, o nome talvez não seja o mais atrativo. Exatamente.

Vamos procurar na entimologia. O que significa Bradesco também? Nossa, isso é muito foda. Eu sei lá o que quer dizer isso. Banco brasileiro de desconto. É isso mesmo? É, é. Mas não dá desconto.

Já deu desconto. É desconto da sua renda. Não, ele cobrar eles são bons, viu? Sempre assim. Ô, Lucas, assim como essa entrevista, a sua produção de conteúdo sempre foi bem caótica, assim, né? Os vídeos quase anárquicos.

É uma revolta contra o sistema. Mas por mais que você tente se revoltar, as pessoas adoram. E aí você se torna cada vez mais parte desse sistema. Eu tô lá no auge da minha análise, as pessoas estão rindo de mim. É igual aquele curta que ressuscita o Che Guevara em Nova York. E aí ele vai na frente de Wall Street, tem um cara, um camelô, vendendo camiseta com o rosto dele.

Pô, mas não era isso que eu queria, né? Você nunca ganhou nada. Só que hoje você foi migrando um pouco disso e você tá 100% focado na sua produção musical, né? É, da verdade. Isso sempre foi a sua ambição ou foi um interesse que foi sendo criado? Cara, pior que sim. A minha vida, às vezes, ela parece um...

sem querer ser o cara da síndrome do protagonista aqui, mas a minha vida parece que ela sempre caminhou pra esse lugar, assim, olhando agora retroativamente, né? E talvez eu esteja tendo uma análise um pouco romântica da situação como um todo, mas eu falo, já falei isso muitas vezes, que o que eu faço hoje é o que eu sempre fiz a minha vida inteira.

Que é tocar e fazer vídeo. Eu, desde cuna, beleza, tive que aprender a andar, essas coisas que você tem que fazer. Ah, básico. Eu quero falar, mas não sei as palavras. Ainda hoje não sei tão bem, sei algumas, né? Suficiente, mas eu tô na linha do mínimo. E aí eu já, com nove pra dez anos, eu já comecei a pegar instrumento e eu tinha um fascínio muito grande pelo lance de...

Eu falava, cara, como fantástico é isso, né? Eu acho que é uma das invenções mais absurdas da humanidade. Você, tipo, a realidade tá correndo aí, ela tá passando, o tempo passa em sua velocidade aí, e você consegue capturar um momento da existência do universo e assistir ele de novo. Tipo, como nunca, né? É, uma mulher tentou fazer isso lá na década de 70.

50, 60, não sei. Ela falou, cara, daqui a pouco a gente não vai ver nada disso. Ela passou, não sei quantos anos, gravando a programação integral de uma série de coisas em fitas VHS porque ela temia que as pessoas fossem sumir com todos os conteúdos e a gente não ia ver nada. É diferente de hoje. Cara, eu tinha um pouco disso.

Teve uma época que eu puxava um gato lá na minha casa, né? Desculpa aí. Não, é caro. Lembre-se, eu sou o antissistema. Isso. Meus atos de revolução começaram lá atrás. E eu ficava... Teve uma época no Cartoon Network que, de madrugada, passavam os desenhos retrô, né? Adult Swim. Não, antes disso até. Teve o Adult Swim, mas teve antes disso. Quando eu era bem molequinho mesmo, tinha a época que, de madrugada, passavam os desenhos retrô. Aí passava o inspetor.

E Pantera Cor de Rosa. Aham. E eu achava maravilhoso isso. E aí eu gravava o...

Eu falava, mano, isso aqui é tão raro. A Panteira Cor-de-Rosa passa três horas da manhã. Isso quando eu tava de férias, né? Que eu ficava acordado até mais tarde. E eu usava minhas fitas VHS pra gravar a Panteira Cor-de-Rosa e o desenho do inspetor. E eu falava, mano, eu preciso guardar isso aqui, né? Porque eu não sei, em algum momento isso aqui vai parar de passar. Eu preciso ter isso pra mim. E...

Enfim, aí eu sempre tive esse fascínio muito grande por câmeras, né? E por coisas que conseguiam capturar momentos, assim. Eu falava, cara, como pode, né? Tipo, eu crio uma história ali, né? Uma história, uma encenação teatral ali. Eu, criança, com as minhas irmãs, que foram peças fundamentais aí nesse lance de estímulo criativo, né? A Luma, principalmente, que é a minha irmã do meio, né? Que já nasceu logo depois de mim ali. E... E...

Era uma atriz, né? Uma atriz da minha gama ali, né? Era tipo... Uma turma e eu era o Tarantino. Pô, bacana. Ele é medíocre. É medíocre. Me engano é que eu gosto. Guardadas as devidas proporções. Claro. Porque você é muito melhor, exatamente. Exatamente. Ele não tinha algumas paradas de visão ali que eu tinha. E...

E eu achava isso muito legal, e eu sempre fui muito, muito, muito apaixonado por esse lance de você conseguir. E eu lembro que teve uma época, é um negócio muito besta, né? Mas a coisa que mais me motivava a querer gravar vídeo, isso eu tinha, sei lá, acho que eu não devia ter nem 10 anos. Era, na câmera que eu tive, eu tive uma Cybershot antes de voltar a ser moda, que era uma Canon.

Acho que era uma câmera de 2 megapixels, mas que era digital, que você conseguia filmar. E aí, no CD que vinha pra você instalar o programa dela no computador, vinha o QuickTime, que é um programa que reproduz vídeos. E o QuickTime tinha uma função de você colocar o vídeo em 2x. E aí você ficava com a vozinha do Alvin e os esquilos.

E eu falava, cara, eu ficava gravando coisa o dia inteiro pra falar, mano, isso aqui vai ficar muito legal quando eu ficar com a vozinha aí. Aí eu ficava fazendo, emulando narração de futebol, emulando narração de corrida, eu narrava história e criava coisa. Cara, que sorte que você deu de não entrar na universidade, né?

Não é? Imagina me colocar dentro de uma caixa. Não, mas tô falando sério. Porque às vezes... Você tentou, né? Você é monitor de coisa infantil, de buffet infantil. Ah, fui monitor de buffet há um tempo. Estagiário de prefeitura, né? É, eu fui estagiário no IPEM. O IPEM é o Instituto de Pesos e Medidas. Nossa, deve ser muito divertido. Meu, é foda. Parece o Hopi Hari. Eu posso imaginar.

É uma festa. Uma alucinante. E eu estagiário no setor jurídico lá, né? Então é fantástico. Nossa, que sonho. Que sonho. É, psico LTDA processou nós de novo. Processamos ele, sei lá. Caramba, vamos grampiar isso aqui, né? Aqui não tem jeito, aqui é grampo.

Aqui, Tommy Graham. Esse aqui merece dois. Não, tinha uns que... McDonald's, nossa, americanas. E aí eu fiquei um ano, foi um ano mais depressivo da minha vida. Porque isso, às vezes a vida encaminha a gente para uns caminhos mais monótonos, digamos, e você não ia explorar metade.

Dessa coisa que tava na tua essência, né? Pois é. Me inibia muito, né? Porque era uma coisa que eu acabava tomando muito do meu tempo. Eu trabalhava lá na puta que pariu. É só pra... O Instituto de Pesas e Medidas é um órgão do governo responsável por ver se no saquinho do Risas ali tem realmente a quantidade de gramas que fala que tem. E se não tiver...

Vem comigo na justiça e eu vou grampear. Existe uma autarquia pra verificar se o peso da Ruffles é o peso da Ruffles. Tem que ter, ó. Olho neles. Puxa, que país maravilhoso. É a porra do Brasil.

E aí, ele tava lá, ó. Mas também teve uma coisa bem positiva nesse meu ano de bastante aprendizado, assim, que foi o ano que eu bati o meu recorde.

E acredito que isso figura entre os primeiros ali do mundo de pontos no Temple Run, que era o jogo que você tinha que correr e pegar moedas na minha cagada remunerada. Aí, Pem, paga aí pra eu fazer cocô. E é o Brasil, né? Porque é dinheiro público, então não é só a empresa que paga. Mais um ato de revolta, né? Com certeza.

Aquele lugar era muito triste. Mas o Temple Run era de 18 milhões de pontos que eu fiz. Eu duvido que alguém... Você entende por que o brasileiro é viciado em bet hoje? Se tivesse bet naquela época, ele podia ser uma vítima disso.

Eu tinha a Beth, mas era a mulher que cortava meu cabelo. Tava grande, Beth. O meu também é Beth. Você faria propaganda? Já fez? Já recebeu? É proposta pra fazer propaganda de Beth? Não. E eu me vejo muito nisso, né? De, nossa, que ato de nobreza, né? Que alma evoluída, né? O cara não... Não cedeu. Ele não cedeu. Mas eu penso, caramba, eu podia estar menos nobre nas Ilhas Maurício.

Com a dona Carla Região. Essa coisa de... Ele agora tá com dois reais na conta, mas nossa, como ele é nobre. Essa coisa de ele não tá legal ultimamente. Não, né? Melhor evitar. Os arquipélago tão... É, é. Melhor evitar. Região tá meio tenso. Mas é, eu nunca... Eu não fiz porque tem duas coisas, né? Tem o fator que, pô, realmente...

É muito complicado, né? Quando você para pra pensar que... É uma coisa que tá longe da minha realidade, né? Não tem nenhum caso na família de pessoa viciada em aposta, nem nada. Mas quando você vê que existe e o negócio é muito destrutivo, assim, é uma parada que... Já tem esse lado que é horrível, né? De eu falar, pô, mano, eu não...

Eu também nunca fui um cara muito do... Nossa, eu preciso fazer muito dinheiro pra viver uma vida luxuosa. Eu gosto de conforto. Eu gosto, mano, de um ar-condicionado. Tá bom. Um ar-condicionado e meu iFood ali. O resto... E o tênisinho Prada, vai, Lucas. É, mas é porque eu tô num lugar especial hoje, né? Ah, é? Porra! Muito obrigado. Somos chiques. Muito obrigado. Esse aqui é o único, né? Dezoito anos.

Não, mas não é uma condenação, tá? Quem sou eu, inclusive? É, que tu gosta, né? Sou a última pessoa que poderia criticar. Só que é bom ganhar dinheiro também, trabalhando honestamente. E esses dias eu ganhei uma carta de feliz aniversário da Dolce & Gabbana. Isso é uma coisa que a gente falou ontem de... Eu comprei um óculos lá, eu comprei o item mais barato de lá.

Mas deu certo, né? Não, mas assim, o seu trabalho... Eu vou fazer um networking assim. É, apesar de ser essa loucura completa e difícil de definir, você, por conta do que você faz, você foi parar em lugares que você nunca imaginou. Sim. É, você foi pra Arábia Saudita ano passado, né? Foi um lugar que eu nunca imaginei mesmo. É. Nunca imaginei mesmo. Queria estar lá agora. Na Arábia Saudita? Não, não, não. Hoje tá ruim. Queria estar lá no Irã.

Vibe positiva Ah, John Lennon Adoro esse clima, imagine all the people Imagine todas as pessoas Ia ser tipo o estoque De agora, ia dar tudo errado Vibe do show do U2 Isso, ia dar super certo agora Eles estão bem preocupados Mas Deu certo, você foi pra Arábia Saudita Você conheceu o elenco do Breaking Bad

Mano, isso foi muito legal. Isso foi bem legal mesmo. Essa foi uma das coisas mais... Que... Porque ao mesmo tempo que você vai... Você vai vivendo essas paradas e eu lembro a primeira vez que eu...

Acho que meu primeiro trabalho grande mesmo, assim, que eu fechei, não foi nenhum trabalho pra eles, na verdade, mas foi uma... Eu participei de um concurso da Fanta, que foi em 2015, acho, que basicamente o concurso era quem ia ser o novo milionário do YouTube. Mas não era em dinheiro, era em inscritos.

E aí, basicamente, eles pegaram... Eu não sei se eram três ou quatro. Quatro pessoas muito grandes da época. Eu acho que era o Cossiello, o Cauê... Castanhari? Eu não lembro se o Castanhari estava. Eu acho que não, mas o BR Caicedo. Eu acho que o Whindersson ainda nem era tão grande quanto ele passou a ser depois.

Mas, e aí, basicamente, esses três ou quatro, eu não lembro se tinha mais alguém, mas essas pessoas que estavam ali, que eram do YouTube, que estavam sendo pagas, de fato, pra fazer a campanha, eles teriam que dar um jeito de fazer... O cara, foi um movimento arriscado da Fanta, né? Mas teriam que dar um jeito de fazer a pessoa que ganhou chegar a um milhão de inscritos.

Então, tipo assim, o cara ganhou, aí os caras vão lá e divulgam o cara até ele chegar a um milhão de inscritos. Aí tava eu participando e mais uma galera lá. É, porque em novembro de 2015 você tinha 100 mil inscritos. Então, imagina, os caras iam ter que tirar 900 mil inscritos pra me dar ali, não sei de onde. Porra, ia gente pra caramba, ainda mais numa outra época, né? É, 10 anos atrás. Pois é. E aí eu lembro que eu fui selecionado pra essa parada, não lembro nem como é que eu recebi a notícia, mas eu falei... Sim.

Coca-Cola, sabe que eu existo, mano. É isso. A Coca-Cola, né? A Fanta é da Coca, né? Sim. É isso. Mãe, larga tudo. A Coca me reconheceu. Larga tudo que aqui deu bom. É isso. Mas deu essa sensação? Deu. Deu, porque... Cara, eu lembro... No começo era muito... No começo existia uma cultura... Ainda existe, mas é bem mais enfraquecida, né? Mas existia... Quando eu comecei a ver...

Um cascalho pingando ali, outro aqui. Porque meu primeiro ano... É, acho que meu primeiro ano do YouTube, eu nem olhei pro AdSense. Eu nem configurei. Porque eu queria fazer vídeo. Eu tava... Eu sempre fui meio desligado desse negócio de dinheiro, mas num nível que é meio preocupante. Óbvio. Mas é mesmo. Essa falta de constância, etc. É um exemplo disso. É preocupante, precisa de um assessor. E aí eu...

Fiquei mais de um ano sem nem olhar pra página de receita do YouTube lá. Aí um dia eu falei, mano, será que tem um dinheiro? Porque eu quero comprar um Playstation 4, né? Prioridade. Mas eu preciso de dinheiro pra isso. Eu preciso de dinheiro pra isso. É muito compreensível. Então, e aí eu lembro que eu fui lá e eu... E tinha o dinheiro, não era exatamente a quantia, mas tipo, faltava 200 reais. Aí você pirou. Eu saquei.

e saquei não, né? Parece muito simples, né? Mas tive que fazer o negócio lá de IBA, transferência internacional, falar com o príncipe. A gente levou uns oito anos. O programa tem dois e meio, mas... Mas já tem que começar lá desde antes. E aí foi uma situação, assim, mas eu consegui, aí eu recebi esse primeiro salário do YouTube e fui direto pro Pesão Games, que, ó, o malote.

Me dá o visual game. E eu falei, nossa, que coisa, né? Dá pra fazer dinheiro com esse negócio. Trabalhei um ano e meio e consegui comprar. Trabalhei.

Você tava se divertindo, né? Pois é, nem vi passar. E é o que eu tava falando da cultura hoje enfraquecida, que se fazia muito evento naquela época. Eu tava dos eventos de... Muitas vezes era evento de anime, ou às vezes um evento de cultura pop no geral. Aquele pessoal vai com seus cabelos coloridos, seu chapéu de anime. Parece o aeroporto de Orlando.

Eu fiquei com um pouco de vergonha, voltei agora há pouco. No aeroporto, indo embora, você vê adultos com tiara da Minnie, chapéu do Yoshi. Sim. Entendi. Dá um certo constrangimento. É, essa pegada aí, né? Mas a adolescência tem que... Mas num evento de anime, nada mais apropriado. É isso. E aí eu...

Lembro a primeira vez que eu fui fazer... Foi a primeira vez? Eu acho que deve ter sido o primeiro evento que eu fiz. Que uma menina chegou pra mim por e-mail e falou assim, a gente quer trazer você pra Arassatuba. E Arassatuba é a rua que minha mãe cresceu. Eu falei, bom, é aqui do lado.

Meu mundo e nada mais, já diria Guilherme Arantes, né? Só a minha referência. Aí eu descobri que era uma cidade que não fica tão perto, né? Dá até pra ir de avião pra Arançadelo. Dá pra ir de avião.

Mas aí ela falou assim, ó, você quer vir de avião ou de ônibus? Aí eu falei, eu tô em São Paulo, né? Eu não vou sair, eu nunca tinha pegado avião na vida. Mentira, você optou por um ônibus? Meu primeiro avião não vai ser para Arassatuba, ok? Não, tá... Não, não foi isso. Mas é, sei lá, eu falei, ah, mano...

Não sei. Eu não sei se eu sei andar de avião. Depois que eu percebi, depois que eu fui notar que eu não preciso fazer nada, é só sentar na cadeira lá que eu piloto. Isso, você não precisa pilotar. Eu acho, vou fazer agora eu, Gabriel Freud, eu acho que você se diverte tanto com o que você faz que você tem dificuldade de aceitar o reconhecimento disso como trabalho, como... É, mas eu acho que tem bastante disso. Eu acho que... Não sei, é que eu sou mais despachado, mas se alguém me pergunta, você quer ir ao Morumbi?

De carro ou de avião? Não sei que nem dá, mas eu vou de avião. É isso. É. E ainda mais como um reconhecimento do que você está fazendo. É, então. E aí eu optei por ir de ônibus. E eu tenho um grande amigo meu, que a gente tem até um podcast junto, que é o Marcelo, meu melhor amigo. E ele disse aqui, vamos comer bosta embaixo do MASP. E ele, mano, vamos.

Um sorrisão no rosto. Tem, bons amigos. E aí eu falei, mano, ó, Arasatuba, eu e você. Busão. Agora. Aí ele, bora, bora. E ele, CLT, né? CLT não, mas ele é garoto de programa. Sim. Tá. E aí eu fui eu e Marcelo, mano, numa viagem de nove. Tá zoando. Nove, nove. Horas.

Teve acidente? O que aconteceu? Não é só longe, ela só... Tudo isso? Nove horas. Deve ser por conta das paradas. Ah, no Grupo Alimentício Augusto Liberato. Exatamente. Grupo Rodoviário Alimentício. Grupo Rodoviário, é verdade. Rodoviário Alimentício.

E aí a gente foi, você imagina, a gente nove horas de ônibus, chegamos lá, aí eu entrei no evento, cabelos coloridos, dei uma palestra. Olha, não se leva a sério. Não, não se leva, né, um pouco. Uma palestra de uma hora, aí eu saí da palestra, a mulher que me contratou, ela falou assim, ó, vem cá.

Aí ela tirou um envelope. E te deu dinheiro. Com dois mil reais. Eu pôs um envelope. Entrou no ônibus. Entrei no ônibus. Nove horas de novo. É a festa, né? Da democracia. Não, mas aí você falou. Porra.

É. Tipo, eu falei, cara, nem dinheiro vivo. Eu me senti um membro do cartel, né? Sim. Isso. É, com influência, né? Talvez, com certeza. Mas olha só, essa sua relação como produtor de conteúdo é claramente diferente da sua relação como músico. Em que sentido você disse? Você leva, eu acho que você leva a música um pouco mais a... Não sei se é a sério a palavra, mas é uma coisa mais profunda de você, eu sinto.

A produção de conteúdo é uma coisa mais, tipo, é aquilo. O vídeo que você começou com o Gustavo... Mais natural. É isso. Mais zoeira, mais caótico. A música, apesar de você gostar da atitude rock'n'roll, da coisa maluca, da coisa caótica, não sei o quê. Você, aparentemente, ao meu ver, é uma coisa que você leva mais a sério como projeto. É, pode ser. Eu acho que sim, né? Mas eu...

O lance pra mim da música é que eu acho que ela traz na minha vida, né? Consigo um peso muito maior de... Porque a insegurança eu levo ela comigo em todos os âmbitos da vida, infelizmente, né? Mas eu acho que na música isso é um pouco mais grave, assim. Porque eu sempre me escondi muito atrás dessas cascas, né? Quando eu tinha banda do molequinho, eu queria só tocar cover. E aí, né?

Me sentia confortável nesse lugar de tocar cover, né? E aí foram necessárias muitas mudanças, porque eu sempre soube que era meu sonho estar no palco, né? Isso aí desde sempre, desde antes de eu tocar. E eu toco desde sempre, mas desde antes eu já tinha esses vislumbres, de falar, caramba, que legal, né? O Billy Joe, ele mostra a bunda lá, ele é muito legal. Eu ia gravar a tua vermelha dele. Ele é anarquista igual eu. Mesmo quando você não sabia o que significava anarquista. Ele deve ser meu seguidor.

E aí... Eu acho que existe um peso maior e talvez essa leitura minha... Mas eu acho que o meio da música, ele é um meio que...

é mais hostil, pelo menos, do que o que era a internet quando eu entrei. Pelo menos nesse lugar de YouTube, tipo, não existia. Por ser um mercado inexistente, na época, praticamente, a exigência, a cobrança e os moldes eram mais afrouxados, né? Então você tinha espaço pra chegar ali fazendo... Ah, mãe! Ah, mãe! Ah, mãe! Tá. E você podia virar uma grande estrela.

eventualmente. Um tarantino. Isso. E aí a música não, né? A música já existe há muito mais tempo, o mercado da música já é muito mais, ele tem seus espinhos e suas cercas elétricas muito bem postados ali há muito tempo. Então acho que isso me deixava, sempre me deixou e me deixa até hoje num lugar de muita tensão e de falar, bom, eu preciso entender

E aí eu cortei algumas... Eu falei, bom, em algum momento, se eu quero fazer isso pra minha vida, eu vou ter que começar. Eu vou ter que dar esse pontapé inicial. Por mais que eu não me sinta pronto, por mais que... Isso também eu entendo que é um pensamento muito comum, recorrente na cabeça do ser humano. Eu não tô pronto, eu preciso disso pra começar. Só começa. E aí chegou esse momento que eu só comecei e...

Tem muitos fatores, existem muitos quesitos que eu ainda me vejo muito iniciante nesse negócio de música. Por exemplo, eu tenho uma afinidade muito como consumidor de música e como instrumentista já há 20 anos esse ano.

Mas você transicionar disso pra uma pessoa que vai escrever uma música, é quase como se você estivesse aprendendo a falar um novo idioma. E você já ir lançando isso, aí você vai ficar nessa de... E que eu acho que é o modelo que deve ser feito, né? Mas de trocar o pneu com o carro andando ali e ir ou ir.

e falar, bom, eu vou soltar, e daí que vem, acho esse aspecto um pouco mais sério, porque eu tenho essa veia cômica muito forte em mim, sempre tive, sempre gostei de fazer palhaçada, sempre gostei de fazer graça.

Mas, e isso eu levo comigo, mesmo que indiretamente, onde quer que eu esteja, né? A minha presença no palco, ela tem um pouco desse lado de carisma, de comicidade, mas...

Esse meu lado musical é pra ser um pouco mais sério mesmo. Mais centrado, mais focado. Um pouco mais focado. Até porque eu vejo que existe um longo caminho a ser percorrido por mim. Em vários sentidos. De consolidação como um artista musical. E de satisfação minha comigo mesmo, enquanto compositor. Enquanto um cara que executa essas composições. O lance de... Eu como vocalista. Eu nunca me vi como vocalista. Até...

É uma coisa muito recente, uma coisa de cinco anos pra cá. É porque essa voz grave... É, então... Mas eu nunca me vi, porque era mais uma dessas seguranças, né? Tipo, eu sou uma criança muito tímida, muito introvertida.

Mas eu consigo... A minha guitarra vai falar por mim aqui, né? Então eu usava o instrumento como a minha válvula de, tipo assim, eu posso me esconder aqui atrás da minha... No meu cabelo de Beatle e minha franja aqui. A guitarra vai segurar a bronca ali. Então tem essa transição também que é um...

Porque, né, como é que eu quero ter um projeto, não que seja uma regra, né, mas se você quer ter um projeto que leva a ter um nome, que você vai compor as músicas, você vai fazer, você tem que ser o frontman lá, né, e o frontman, como eu falei, não é uma regra.

mas é o cara que canta, né? O cara que... Que comanda a parada, que domina o palco, né? Então eu estou fazendo essa transição, né? Para o cara que canta, para o cara que... Então tem muitos aprendizados aí em curso, né? Muitas coisas que tem ainda um longo caminho para serem lapidadas, mas que eu já dei primeiros passos que são bem importantes, principalmente se tratando de mim e de como as coisas funcionavam na minha cabeça.

Deixa eu trazer a pergunta rapidinho, pode ser? Vai, vamos. Porque a gente tem o nosso esquema de membresia aqui, tem o pessoal que apoia o canal, e a gente tem o Rivo de Ouro. Os Rivos de Ouro. E quem é Rivo de Ouro sabe quem é o entrevistado antes e pode mandar uma pergunta. Bacana. E a gente selecionou a da Luna. Luna. Luna é o intermédio entre minhas duas irmãs, porque eu tenho a Luma e a Luana. A Luma e a Luana, exatamente. A Luna Bergami te mandou essa pergunta aqui.

Oi, pessoal do Rivo. Tudo bem? Obrigada pela oportunidade. Oi, Lucas. Tudo certo? Minha pergunta pra você é qual que é o processo de criação da música do ano? Uma vez que você escolhe tantas músicas, cria novos arranjos pra elas algumas vezes, e ainda canta e toca todos os instrumentos. Como é isso? Deixa eu aproveitar e dizer que eu tenho uma irmã mais nova. Ela se chama Luana e ela é muito fã. Eu também. Obrigada, Luana. Tchau, tchau.

Eu imagino que seja... Você tem uma Luna e uma Luana. É isso. Imagino que seja Bérgami, só isso que eu ia dizer. Ah, Bérgami. Italiano, Bérgami. O quê? O sobrenome dela. Luna Bérgami. É, o cara tem o conhecimento espanhol, europeu. É, europeu. Bom, vamos lá. Falando sobre o... A primeira pergunta dela é sobre o projeto. Deixa eu primeiro mandar um beijo pra Luana aí. Luna. Ah, pra Luana. Mas é a irmã dela.

Um beijo pra Luna, obviamente, e pra Luana, sua irmã mais nova aí, que a gente tem essa característica em comum, né? Temos uma irmã mais nova chamada Luana. Então, já tem um lugar especial no meu coração aí. Agora, falando sobre a pergunta, esse projeto, né, que é o projeto de retrospectivas aí que eu fiz durante...

quatro anos, ele foi uma coisa que foi tomando proporções, foi uma coisa que tem um papel muito importante nessa minha projeção como músico e um papel muito importante nessa minha transição de cara que tocava cover pra um cara que hoje faz suas composições autorais. Foi intencional nesse sentido? Você tava mirando e...

Fazer essa transição? Cara, eu acho que não inicialmente, mas teve um momento ali que eu identifiquei que isso estava acontecendo e ajudei a canalizar, a direcionar o negócio mais especificamente para isso. E o processo de criação era absolutamente demoníaco.

Era uma coisa que acabava tomando bastante do meu tempo. Eu sempre gostei muito de fazer. E eu me vi desenvolvendo, né? Com o perdão da modéstia, mas... Eu me vi desenvolvendo uma aptidão pra isso, assim. De pensar, caramba, eu sou... Eu acho que eu sou bom nisso, né? Tá tudo bem, Lucas. Tá tudo certo. Tá tudo certo. Não precisa ter falsa modéstia, não. Você é bom. É isso. Não, então, mas eu comecei a desenvolver esse negócio de falar, caralho, eu acho que eu sei...

juntar uma música na outra, né? Parece que eu tenho uma... É, basicamente o trabalho de um DJ, vai, que o cara faz essas transições, né? Que uma coisa entra na outra e ela conversa e começou a me dar uma descarga de prazer, esse lance de conseguir encaixar uma música na outra.

e falar, pô, essa daqui, ela tá numa escala que combina com essa daqui, então eu posso trazer essa pra cá, desacelerar o BPM dessa, vai chegando e tal, manter o mesmo arranjo dessa, começa a entrar a voz dessa e tal, e eu comecei a pirar muito nessa brincadeira de fazer isso, né, e foi a coisa que foi meu...

um dos meus principais combustíveis pra tocar esse projeto por todos esses anos, né? E eu sempre soube que em algum momento eu ia querer parar com isso, né? Eu fiz um total de cinco edições e o processo criativo ele meio que ele era o ano inteiro, né? Porque era um processo... Saia um hit, você guardava aquela música e começava a trabalhar em cima dela.

Tinha um momento do ano em que eu falava, tá, vamos lá e começar a trabalhar nisso aqui agora full time, mas eu tava o ano inteiro meio, ó, essa daqui já vai, essa daqui... Então você já ia fazendo esse mapeamento, assim, que era um trabalho, né, bem difícil, porque eu era uma pessoa só e muitas vezes alguma coisa ficava de fora, né, porque querendo ou não, por mais aberto que eu estivesse e tentando entender o que que tá funcionando, o que que não tá, às vezes eu errava, às vezes eu falava, pô, essa da música aqui...

É um estouro. E, na verdade, depois ela não tinha sido tanto assim. Ou ao contrário, né? Essa música aqui estourou muito e eu deixei passar. Ah, tá.

E aí é isso, né? Aí você começa a lidar também com... Como vira um evento... Tem muita gente que me conhece só por causa disso aí, não sabe nem meu nome, não sabe nem que eu já fiz outra coisa da vida. Eu fui só essa pessoa que fez a retrospectiva por quatro anos e eu voltei à inexistência depois, né? Então existia também essa expectativa de gente tanto que me conhecia e já sabia de onde eu vim e dos meus trabalhos, como gente que só me conhece por causa disso, porque viu minha cara lá e me viu na rua. Você... Você...

E ninguém nunca sabe falar o nome do vídeo, né? Você é o cara do... Várias músicas do ano. O ano tem músicas, as músicas estão no ano. As músicas estão no seu ano. Elas saem do seu ano, inclusive. É a versão do Árvores Somnoses. Isso, o jardineiro é Jesus. É, o jardineiro é Jesus. Que estudou sim, tá, pessoal? É isso. Só uma correção aqui.

Você tava falando dessa casca, né? O fato de você ser um cara essencialmente tímido ao longo da vida, você foi criando várias cascas.

Mas de que maneira você percebeu que você precisava fazer isso? Porque você não parece aqui conosco um cara tímido. Você é debochado. Eu acho que eu tenho... É mais, isso também é uma casca, né? O deboche também é uma das minhas armas de defesa. Você é introspectivo. Você não é tímido. Eu não sei, porque eu sou um cara tímido. Pra muita coisa, inacreditavelmente. Pra muita coisa. Então, mas eu acho que existem situações, por exemplo...

Eu hoje estou mais acostumado. Eu acho que se não tivesse... Olha que louco isso, né? Porque se não tivesse nenhuma câmera aqui e não estivesse sendo gravada, eu acho que eu estaria bem mais tímido. Faz todo o ciclo. Eu consigo compreender absolutamente o que você está dizendo. Isso é muito louco, né? Porque isso aqui acabou também virando uma espécie de lugar que me remete à segurança para mim.

Tipo, pô, eu não sou tímido na minha casa, na casa da minha mãe, né? Mas tem certos ambientes que me deixam muito acanhados e tímidos e eu odeio isso. Eu odeio. Tipo o quê? Ai, cara, deixa eu tentar pensar num exemplo aqui. Mas, sei lá, às vezes um lugar... Por exemplo, se você me levar pra conhecer alguém que eu sou fã ou que eu admiro, eu não quero.

Ah, você não quer? Eu prefiro não. Porque vai me dar um... Não é que eu não quero. Não, não, eu entendi. Eu quero. Mas a ideia de eu... Te causa... Te dar uma gassura mental. De eu ter que romper essa barreira da timidez ali, eu já prefiro me dar uma ansiedade que eu falo... Cara, isso é total insegurança. Porque eu sempre falo que as pessoas confundem muito insegurança com timidez. Eu acho que o seu tá muito mais associado. Sabe aquela coisa da pessoa que te cumprimenta assim, ó? Oi, tudo bem?

olhando pro lado, sabe? Eu acho que tem muito de insegurança nisso, entendeu? E aí tem dois caminhos pra insegurança. Ou você pega e veste o colete da falsa segurança e você se faz gigante perto daquilo e as pessoas acham que você esnobe ou você só passa de antipático, entendeu? É, eu acho que isso deve acontecer muito. Acontece, eu ouvi muito falar de você, de verdade. Algumas pessoas disseram, pô, ele é meio antipático.

Então, eu não sou antipático. Você veio aqui pra ser ofendido por nós dois. Eu já falei também, medíocre, antipático. Então, pois é, mas acontece... Inseguro. E é isso porque... Sessão de terapia. Tem certos momentos, tem certos lugares que eu... Tô dentro do casulo, assim, sabe? Dentro de uma casa. Deixa eu ficar aqui. É. Mas é isso, né? É um...

medo, né? Um negócio tosco. É muito engraçado. E não tem explicação, porque as minhas timidezes são... Eu adoro conhecer pessoas que eu admiro. Se tiver um tempo marcado pra isso, melhor. É o melhor dos mundos. Eu conheci da Oi Show. Se tiver que conversar muito, já começa a me dar um ciricutico também. Mas, por exemplo, eu detesto, sei lá...

Eu tô num restaurante e...

Pedir pra mudar um prato do cardápio é uma coisa que me causa dor física. Não, não dá. Sabe? Não. Alguma coisa que eu acho que vai fugir muito do padrão do que o garçom tá esperando de mim. Deus me livre de incomodar, senhor garçom. Isso! Eu sou bem assim. Eu acho que eu vi ontem um vídeo no Instagram que é um corte do... Acho que é do Silent Hill, antigo jogo. Que é o protagonista do jogo andando no meio do nada, na neve, assim, sozinho.

E aí a legenda é o Uber me deixando no lugar e fala assim, é aqui? Eu falo, é aqui mesmo. Absolutamente. Isso aconteceria fácil comigo. É aqui. Nossa. Aí eu vagando no meio do chupacu de Goiânia.

Mas fácil, fácil. Gente, isso pra mim é muito estranho. Porque eu sou muito insegura, apesar de ninguém acreditar também. Mas é uma outra pegada minha. Eu, se eu tiver que falar com o presidente de uma empresa, pegar o telefone, bater lá na porta... A gente sabe. Eu vou e faço, não tô nem aí. Mas isso é bem foda, né? Eu não tenho...

Às vezes é pro outro extremo também. É, porque eu não me coloco filtro. Eu sou tão insegura que eu sou a pessoa mais segura do mundo. Não, mas a minha insegurança é de aguardar a validação dos outros. Eu quero que as pessoas falam. E aí, que maneiro. Oh, bom, hein? Parabéns. A minha insegurança tem mais a ver com isso do que com a minha atitude. A de vocês tem mais a ver com a atitude. É, eu só não quero de maneira nenhuma ser lembrado como alguém que incomodou.

E eu não estou falando de relações pessoais. Isso não é uma questão. Sim. Não tenho problema com conflito com os meus relacionamentos, mas com terceiros, assim. Com estranhos. É, principalmente com estranhos. Eu não tenho isso de forma alguma com estranhos. Eu tenho mais preocupação com os próximos. Sabe uma coisa que eu detesto, e não é um preconceito, entidades e associações e sindicatos, eu detesto a censurista.

Porque eu preciso interagir no elevador e não é o que eu tava indo ali fazer. Outra coisa que eu detesto é barco música ao vivo. Eu adoro música. Mas tem uma pessoa ali que tá cantando pra mim. Eu preciso aplaudir, eu preciso prestar atenção. Aí você tá lá no... E aí eu não posso prestar atenção na minha comida, não posso conversar com ninguém. Isso, né? Temos nosso próprio tempo. Fala aí, vai. É.

Eu posso estar odiando a música, mas eu morro de pena também. Falou tudo. Sabe? É, não, mas eu também tenho... A música ao vivo é uma desgraça, né? A não ser que você vá para isso. Exatamente. Eu não tenho uma despreocupação com o volume, né?

Está, não, mas e aí? Começa isso. Falar em voz alta já me dá um pânico. E aí você tem que chegar perto, seu amigo tá com bafo de uísque. Sim. É terrível. Já tá aquela coisa. O que que eu ia falar? A gente foi pra aquele lugar. O que que você falou antes disso? A sensorista? A sensorista.

É atrapalhar. Ah, é. Isso. O medo de ser a pessoa que incomoda. Isso. Eu sempre fui 200, 1000% assim. Mas aí eu... Não muito tempo atrás, eu fiz a reflexão. Eu falo assim, mas será que... Isso aí não é uma merda? Claro. E não é legal ser a pessoa que incomoda? Pegou o gancho da minha próxima pergunta. Porque isso é uma atitude rock and roll que você ama.

O Romário, quando ele chega num evento e ele chega lá com o carro dele e o cara fala assim, você não pode parar aqui. Daí ele fala, eu posso parar aqui, eu sou o Romário, sai daqui, senão eu vou deixar meu carro aqui e ninguém vai entrar. Esse cara tá incomodando. Bastante. Mas ele é o Romário e ele vai conseguir o que ele quer. E aí depois as pessoas vão falar, cara, isso eu vi o Romário. Tudo bem, né? Tiveram 12 trabalhadores humilhados no processo aí. Isso. Algumas leis de trânsito infringidas. Isso.

Mas ele bancou. É. Então, e aí, porque eu tenho uns amigos que são assim. O cara que tá comigo num show...

Tem um cara que faz isso frequentemente. Não vou citar o nome dele aqui, mas ele... Lucas, vamos subir no palco. Show do Metallica. Vamos subir no palco. Mano, não. Subi no palco, tá louco. Ele, não, vem cá. Aí ele tem um fone de ouvido, um ponto, né? Que ele leva pra todo lugar. Um crachá da MTV. O cara foi preparado.

Ele fala assim, vem, vem, vem. Tô com o cara aqui, tô com o cara aqui. E vai indo. Tenho a menor condição de fazer isso. Ele falou, não, você tá louco. Isso é meu pai todinho. Daí eu penso assim, mas por que também que eu tô com todo esse medo, né? Um pavor assim, de caramba, vou infringir uma regra. Eu era anarquista criança. Eu era punk. O que que aconteceu comigo? É a vida adulta. É a vida adulta, é a vida adulta. É isso.

Essa fala é do Coringa. Sociedade. Mas eu era a pessoa que não tinha medo de nada. Minha primeira semana de trabalho da TV Globo, estagiária, eu entrei num correio de e-mail geral que chegava no Roberto Marinho, estagiário, e mandei feliz dia do jornalista pra todo mundo. Se menor medo, menor. Aí todo mundo veio, você tá louca. É um ato de rebeldia.

Não, mas eu tava de boa. Não somos todos jornalistas, gente? Qual é o problema de eu mandar um correio pro jornalista e falar um feliz dia do jornalista? Qual que é o problema? Tem que mandar uma figurinha da Gretchen. Qual que é o problema? Qual é o problema? Eu não tinha nem... Nem era um correio formal. Eu só falei feliz dia do jornalista a todos nós. Qual é o problema? E aí foram... Arranca um braço, arranca uma mão, arranca...

Tranquilo! Vai, vai podando, vai podando. Hoje em dia o quê? Eu tenho medo de falar... É triste isso, né?

Isso aqui, eu vim com essa blusa aqui, porque isso aqui pra mim é a coisa mais rock'n'roll que existe. Mãe, esposa e sócia proprietária de um... Não necessariamente bosta, porque eu não mando ninguém aqui. Mas... Você é mãe de um cara? De uma mina? De uma menina, de nove anos de idade. Que legal. Você tem uma sobrinha agora, menina. É, eu tenho uma... Eu chamo de sobrinha porque ela é filha do meu melhor amigo de infância, né? Sim, sim. Mas é minha filiada, né?

É um belo espécime. E isso aqui é muito rock and roll. É, isso é bem... Isso aqui é muito rock and roll, entendeu? Você tem que ter uma postura de anjo da vida pra controlar todos os pratinhos que é bizarro, entendeu? Porque rock and roll é isso. É o que você faz quando você pega o funk e joga a batida rock and roll. Exatamente, né? Quebrando o paradigma. Falando em rock and roll, isso aqui é maravilhoso. Eu tenho que abrir pro grupo.

É um dos itens aqui da nossa pauta. E eu vou falar exatamente como ele tá escrito aqui. Nossa, eu não vou fazer isso. Eu vou, eu vou. Porque aí a gente vai deixar. Agora é Freud bruto. Se você quiser virar de costas e deitar, inclusive. Legal. Item da pauta aqui desse Rivotalks de hoje. Isso é a Cecília, tá escrevendo aqui. Alguma coisa de Tarzan e o show do Edmota. E o fato dele, imagino que o Lucas e não o Edmota, gostar de Lady Gaga.

Como é que você une essas três coisas? Sabe, associação livre. Tarzan, Lady Gaga e Lady Gaga. Pá! Cara, é a santíssima trindade, né? Que tanto falam. Tarzan, Lady Gaga.

Não mantra pra vida. Não vai dar. Eu acho a Lady Gaga uma das maiores artistas. Ah, eu acho, né? Nossa, que opinião forte, hein, Lucas? Caralho. Mas eu tô te perguntando! Não, sim, mas sim, que opinião de merda, né? Óbvio que ela é uma das maiores artistas. Mas ela é...

Eu acho absolutamente fantástico o fato dela ser esquisita. Muito. Eu acho que isso é o que... Desde ela vestida de carne até... É, eu acho que isso é a parada que transforma ela, além de ela ser hipertalentosíssima, né? Tipo, baita cantora e tal. E uma pessoa que...

Vocês me perdoem se eu tô falando uma grande atrocidade. Mas é uma pessoa que me remete a uma coisa meio Madonna ali. Total. No estilo de som. E que é uma coisa muito rara. E de rebeldia também. É, é uma coisa muito rara. Madonas não existem. Não surgem toda hora, é.

E ela é, eu acho ela linda, eu acho ela excelente como atriz, eu acho ela excelente como cantora, como compositora. Eu acho que é muito, né? Eu não queria usar a palavra disruptivo, mas ela tá chegando próximo da minha boca.

É que usam tanto a torta e a direita que quando a gente quer usar da forma apropriada... É igual nuance e linha tênue. Vamos ter que erradicar. Eu só falo linha tênis agora. Você sabe que eu fiquei te chamando de Lucas Inutilíssimo. Ah, mas você não é a única. É muito difícil. Tem o meu grande porteiro do meu ex-prédio que chamava de Inutson.

Muito bom, muito bom. Entrega aqui, Lucas Inutson. Deixa aqui seu idioma, por favor. O meu porteiro falava, idioma é assinatura. Pega então a linha Teno e vai pro cipó do Tarzan. O cipó do Tarzan. Tarzan tem seu cipó. Cara, o Tarzan é meu filme favorito da Disney. Acho que ali ainda é Disney, né? Não existia a Pixar ainda.

É porque eu acho que ele encontra o equilíbrio perfeito do que, na minha visão, o musical deve ser. Porque ele é bem equilibrado, ele tem drama, tem humor, tem romance. E a Jane é...

Minha grande crush da infância, né? Pelo menos não é um carro. Pelo menos não é um carro azul. Um Porsche azul. Ah, mas dá também. Tem gente que... É, tem gente. O vídeo do rapaz que o escapamento do Celta. Tem outro membro do time que gosta do Diego. O tigre, dente de sábio. Ah, mas ele tem um apio, né? Ele tem um sexapio. Ele tem mandíbula marcada. Mas não tem a gambá? A gambá gostosa é do Sem Floresta. Puta, mas é gambá, né? Agora, e o Ed Mota? É...

Então, e aí, o Tarzan pra mim é um desenho perfeito, porque... Cara, é muito legal, né? Eu também sou muito ligado em bicho, assim. Acho, adoro, adoro. Amo os animais. Igual a menina do Charlie Brown, lá que ele cita na música. Tá ligado? Eu sou um bicho. É. É. Eu demorei até essa coisa.

E sempre, acho que foi... Eu tinha o VHS, né? Do Tarzan. E deve ter sido dos desenhos o que eu mais assisti. Com certeza. E eu sabia falas, assim. Eu achava... E é coisa que instiga muito, né? Você vê o Tarzan com a Jane, você fala Caramba, um dia vai ser eu, né? Em cima de uma árvore com a minha prometida. Aconteceu já?

Em cima de uma árvore, não. Isso. Não, é. Imagino que... Mas assim, questão de tempo também. E aí tem a trilha sonora, né? Que já é originalmente espetacular, com o Phil Collins, que parece um professor de álgebra fazendo show. Já viu o Phil Collins? Ele vai com o microfonezinho aqui cantando assim, ó. Parece que ele tá ensinando Pitágoras. E...

E o Ed Mota, que também é uma das vozes que eu acho mais fodas da música brasileira. Babra, babra, babra. Tem esse negócio que parece que tá caindo de moto, né? Caindo Ed Mota. E eu também sempre fui muito fã do Tim Maia. Tava uma família genética. Cara, Tim Maia. Você não foi... Era muito pequena na época de Fat Family.

É, eu era pequeno. Você já ouviu o Fat Family? É, não dá pra dizer. Tá. Porque é muito bom. Eu toquei outro dia pros jovens aqui, eles não conheciam. O Tim Maia morreu antes de eu nascer, acho, né? Eu acho que... Não, não foi antes. 98, eu acho. Porque eles deram o nome pro Jota Quest em 91. Ele deu. Não, 96.

morreu depois? é morreu pra você, filho ingrato eu me lembro do dia que ele morreu eu morava em Florianópolis, então foi em 97 você é de Floripa? não, eu sou de Porto Alegre, mas mudei muito aí eu as minhas lembranças eu tenho que lembrar onde eu morava na época eu sei mais ou menos a fase do que a coisa aconteceu é

É, igual pergunta, né? Onde você estava no 11 de setembro? Isso. 15 de março de 98. Ah, 98. Então eu já sabia o que estava acontecendo. É, com os meus dois anos recém-feitos. Eu vi um vídeo falando de skatistas em... Skatistas em 90 e poucos. Aí o cara está na sala da casa dele.

Com skate. Aí tá lá, skatistas em 2001. Aí ele tá na sala dele com o mesmo skate, só que na TV tá passando a reportagem do atentado e ele tá assim. Foi um dia difícil pros skatistas. E pra todo mundo, né? Por quê? Por que pros skatistas? É porque eles são pessoas também. Ah, com certeza. Os skatistas também são pessoas, tá? Com certeza. Tem até a mesma discussão. Tem até a mesma discussão. Mas só pra finalizar...

Eu adoro o Ed Mota, e eu adoro o Ed Mota por causa do Tarzan, né? E aí meu pai falou, ele é sobrinho do Tim Maia. Eu falei, vamos morrer! Que foda! Aproveitando essas referências que você teve de música paterna, inclusive, vamos fazer aquela brincadeirinha de eliminação? Eu vou te dizer uma música banda e você vai te optando, tá? Então vamos lá. Let There Be Rock, do ACDC, ou Rearrange, do Limp Bizkit? Ai, nossa.

Deus me perdoe. Mas eu vou de Rearrange do Limp Bizkit. Rearrange do Limp Bizkit ou Dois Mundos do Tarzan? Dois Mundos por muito. Dois Mundos do Tarzan ou Whole Lotta Love do Led Zeppelin? É, eu vou ter que ir de Whole Lotta Love com dor no coração, né? Mas Led Zeppelin é difícil pra mim.

Então, Whole Lotta Love, Led Zeppelin, ou When I Come Around, do Green Day? Vou continuar com Whole Lotta Love. Mentira? Tu tem até tatuagem do Green Day. É, então. Talvez se fosse outra música do Green Day. Então, calma. When I Come Around, eu gosto bastante. Mas, Led Zeppelin é foda. Whole Lotta Love, ou Grande Homem, do Tarzan? Vou de Whole Lotta Love.

Whole Lotta Love ou... Muito bom que vocês colocaram músicas do Thaís, né? No mesmo rol. Whole Lotta Love ou Nook, do Limp Bizkit? Whole Lotta Love. Adoro Nook, mas não tem como comparar. Whole Lotta Love do Led Zeppelin ou Kashmir do Led Zeppelin?

Kashmir. Kashmir. A Kashmir tem uma vibe muito única dela, assim, um negócio meio... Meio incômodo, sabe? Aquela progressão. A próxima é bem polêmica, porque é um personagem que ele já criticou publicamente. E por conta disso, é até hoje muito detestado em determinadas comunidades. Kashmir, do Led Zeppelin. Ou Jesus of Suburbia, do Green Day.

Que estudou, hein? Estudou. Lembrando sempre. Putz, Deezer of Suburban é muito foda. Mas eu vou de Cashmere. Cashmere, Led Zeppelin ou Thunderstruck do ACDC? É, um hino multigeracional aí, né? Adoro, amo o ACDC. Mas vou de Cashmere. Cashmere ou Break Stuff do Limp Bizkit? Também outro hino geracional, mas vou de Cashmere.

Cashmere ou No Meu Coração Você Vai Sempre Estar do Tarzan. Nossa, isso é lindo. No meu coração você vai sempre...

Como pode? Tem uma... Acho que é um comentário num post do Djavan. Como pode? Tanto sentimento. Gente, o que o ser humano fez? Como pode? Dá pra cantar nas duas versões. Em inglês é lindo. Se sair, guardiã. Deixa eu ver se eu acho esse comentário do Djavan aqui.

Não foi do Djavan, né? Foi para o Djavan. Sim. Como pode? Tanto sentimento. Aqui, ó. Eu adoro ele. Que vontade insuportável e incontrolável de chorar. De onde vem tanta poesia? Quem dotou a raça humana de tanto sentimento?

É verdade. Mas eu chorei outro dia ouvindo essa música no carro. You'll be in my heart. Mano, é linda demais. Do nada. Mas pela instabilidade emocional. Você não é uma mulher de chorar no rádio. Não, mas sei lá. Eu ouvi e mexeu. É isso. Inclusive a Starry to Heaven já me fez chorar no táxi. Aí, ó. Pela dimensão.

Ela não termina a música. Ela é ótima dos três primeiros minutos, mas dá pra ir daqui até Interlabs ouvindo uma faixa só. Chorando porque tá muito trânsito. Não termina. Cashmere ou no meu coração você vai sempre estar. Eu vou de Cashmere com dor no meu coração. O Código de Tarzan sempre vai estar. Cashmere ou Basket Case do Green Bay? Eu vou de Cashmere também. Cara, o Green Bay tá fodido, né? Cashmere ou Back in Black do A-C-D-C.

Vou de Cashmere. E finalmente, Cashmere ou Stairway to Heaven. É, a Stairway to Heaven é aquilo, né? Ah, é um clichê, nessa loja é proibido tocar e tal, mas chegou lá por um motivo, né? Clichês são clichês, porque são verdade, né? Então, a Stairway to Heaven pra mim é uma das criações mais espetaculares do ser humano, assim. Quando diz respeito à música, ela tá pra mim na primeira prateleira lá de cima.

Então ela venceu. Magno Opus. Dá pra chegar em Interlagos. Mas entre Cashmere, Stairway e Stairway. Stairway de Réal. Então Stairway de Réal é a grande vencedora desse desafio. Muito bom. Falando em desafio? É, falando em desafio, Lucas. Ele faz uma... Inútil. Um cara... Ainda seguindo essa filosofia do comentário do cara pro Djavan. A última frase do Robert Plante é ser uma pedra e não rolar.

Tu tem um problema com essas coisas... Esféricas que giram? Esféricas que giram, não tem? Vocês sempre falam a Terra, a Lua. Tu tem esse negócio, né? É, eu sou entusiasta dos astros celestes. Magrão dos foguetes. Magrão foguetes. Fiz uma merda do caralho. Tudo bem. É toque de Midas. Deu certo pra você. Você já ouviu...

O Djavan reagindo puto aos comentários de que a música dele não faz sentido. Açaí Guardiã?

Zoom de besouro, imã, branca e a terça da manhã. Eu tenho uma válida lembrança de que eu já vi isso. É sensacional. Depois vocês também aproveitam que ele fica puto. É óbvio o que eu tô querendo dizer. Açaí que é. O que é desaguar? É óbvio. O que é desaguar em mim? É. Não, zoom de besouro, o imã. Porque quando você ouve o zoom do besouro, você não consegue focar em outra coisa. Branca e a terça da manhã, porque no alvorecer...

É triste quando o artista tem que sair da sua posição de enigmático pra ir lá e explicar a arte dele. Mas é depois que ele explica, tudo faz sentido mesmo. Mas vamos então pro nosso desafio. O zoom do besouro, quando ele aproxima a câmera. Isso. E bota um imã. A cabeça da nova geração, né? Não é zoom. Você precisa explicar o seu cérebro usando um jogo, um filme e um artista. Tá. Eu vou tentar. Eu não sou muito bom com essas coisas.

Um jogo. Flappy Bird. Tô brincando. Entendi. Quanto mais toca, mais sobe. Um jogo. Candy Crush. Jóia. Cara, um jogo. Putz. Ah, eu sou um cara muito básico e clichê, né, gente? Tá tudo bem. Que coisa superficial. Porque o jogo que aparece na minha cabeça... Pra explicar o seu cérebro.

É o Guitar Hero, mas veja bem. Super interno. O Guitar Hero tem camadas, né? Assim como os ogros e as cebolas e tudo mais. A referência do Shrek. É isso. E o Guitar Hero 3, que é um dos melhores jogos de todos os tempos, ele tem correndo...

em paralelo à parte de gameplay, que você toca as músicas, né? Só que o que as pessoas não entendem, eu não sei se alguém aqui, provavelmente alguém que está assistindo, teve contato com o Guitar Hero, né? E o que se... As pessoas hoje falam muito, porque o Guitar Hero foi um jogo que morreu. Sim. Não existe mais. E muito se fala sobre a volta de um Guitar Hero, e tem uma empresa que fez o Guitar Hero, tá trabalhando... Sim. E ele fala, mas vai ter tantas músicas, e você vai poder baixar as suas músicas. Eu falo, gente, mas não é isso.

O Guitar Hero, pra mim, é você tem uma banda amadora e você fecha um contrato com o Diabo. Esse também estudou. Isso também.

E você começa a seguir a sua carreira tocando em venues baratas e conforme você vai, você toca lá sua barracuda, você ganha um tostão e você abre outra casa de show pra você ir. E aí daqui a pouco você tem um chefão. E quem que é o chefão do jogo? É o Tom Morello. E aí você faz uma batalha contra o Tom Morello. E aí você segue ganhando dinheiro e você segue indo pra outras venues e daqui a pouco o chefão é o slash.

Você imagina pra uma criança que eu era tá jogando um jogo e agora o chefão é o slash. Irmão, é tipo sair correndo pelado pela casa.

Isso como um exemplo de uma coisa muito boa. Sim, é catarse. Sim, sim. Eu só conseguia tocar santeria. Minha coordenação não me permitia mais do que isso. É, mas é uma boa música. E o chefe final é o Diabo. É. Cara, você tá matando o Diabo em nome do rock'n'roll. Você tá derrotando ele na guitarra. Nossa, nunca pensei nesse jogo dessa forma, mas tá.

Então, e aí hoje existe esse negócio de não, vai voltar, mas o Guitar Hero não é sobre tocar as músicas. É também. Mas existe um lado do jogo, que ele é um jogo mesmo, um jogo como se fosse um jogo que tem fases, que você vai evoluindo e passando de fase, e essa fase é mais difícil, e aqui tem as músicas mais...

E acho que é um jogo que sempre teve muito alinhado ali, tem um grande papel na minha formação como músico e na minha formação como um cara consumidor também de rock, né? Muita coisa. Grandes clássicos que eu ainda não conhecia na época, até porque eu comecei a jogar Itagir com 10, 11 anos. Eu conheci por ali, me interessei por ali. Acho que o meu grande amor pelo Metallica começa muito no... Eu já tinha escutado antes, né?

Mas depois que você tem que tocar o ano... Mas essa reflexão você tinha aos 10 anos já? Não, ele acabou de ter. Ah, não tinha não? Porque aquela cena do Aquarius, né? Toca a Bethânia pra ela, mostra que tu é intenso. Uma criança que tivesse chegado a todas essas conclusões. Não, eu tinha que fazer umas três sinapses por semana.

Três sinapses por semana. Eu já faço umas sete. Bacana. Uma por dia. O filme. O filme. Eu vou colocar aqui um dos meus filmes favoritos da vida, que é... Eu sou muito... Esse diretor é muito foda e ele é... Esse filme é... Eu não sei como ele não é mais falado, né? Porque ele é...

Ele é perfeito. Tipo assim, é tudo... Então, é... Como pode dotar a raça humana de tanta... Tasa? Tô brincando. Vai. Você tá levantando muita régua. Não, mas eu acho que eu não vou... Pauli, o papagaio bom de papo. Já viu? Papagaio falando pra caramba. Tô brincando, é segurança de shopping, o 3. Não, falando sério, o filme A Chegada.

Já viram? Não. Não, então vocês vão chegar em casa hoje e vocês vão ver. Na chegada. Na chegada de casa. O que é a chegada? É o da língua? Isso. Ah, puta, esse é um filmaço. Qual? Dos aliens. É isso. Ah, a gente falou na entrevista com o Serjão. Foi, foi. Foi, só que você não falou o nome. É isso. Novo foguetes? É. É isso.

foda, realmente. Esse filme é magnífico porque ele traz vários elementos que eu acho muito interessantes, ele coloca em questão a bilância de linearidade do tempo, o tempo como algo muito abstrato, que é, e trabalha... As pessoas não estão preparadas pra essa conversa, mas é um filme que explica tudo o que Interestrelado tenta explicar.

Só que de forma muito mais fácil, rápida e divertida. Eu acho que o A Chegada é um Interestelar mais bem executado. Eu adoro o Interestelar. É um filme muito... Eu não gosto de filme que você precisa se drogar pra assistir e entender. Mas você acha muito complexo o Interestelar? Eu acho muito complexo.

Eu acho que no final no final ali ele cede um pouco pro lúdico de um jeito que eu entendo que algumas pessoas vão falar, mas eu Ele voltar é muito cretino é uma cretinice sem tamanho É, eu ainda gosto bastante, mas eu acho que o

O A Chegada tem muitos pontos em comum com o Interestelar. E é um filme que eu considero perfeito. Não tenho nada pra falar. Tá, vou ter que ver. E o Gavião Arqueiro lá, o Jeremy Renner, ele é muito, muito bom. E a menina também, que eu esqueci o nome dela. A Amy Adams. É a Amy Adams? Isso. Ela é fantástica. Ela é fantástica. Qual que é a outra? Um artista.

Um artista. Lucas Inutilismo. Eu brinco com meus amigos. Teve uma vez que eu fui no programa do Raul Gil, 10 anos atrás. Que ele me chama assim. E aí eu tenho esse áudio do Raul Gil chamando meu nome. Lucas Inutilismo. Maravilhoso. Toque do celular. É, eu vou ter que pôr aqui. Por favor.

Vai ser rápido. Que peça, cara. Cara, como é que uma voz tão grossa você consegue modular tanto essa voz? Ah, pressiona, esmaga o diafragma, né? Né? Impressionante, cara. Calma. Cara, ele tem realmente na... Pera, eu tenho... Deixa eu achar. E acha rápido, né? Na ponta do dedo, né? É. Coisa impressionante. É, põe perto do teu Mickey. Lucas Inutilismo!

Um monte de tia que não faz ideia do que é isso. Batendo palma pra mim. É isso, batam palma pra mim. E Carla Regira, como é que ficou nesse momento? O artista é real Gil, só pra entender.

É ele o seu artista referência? Não, é a Val Marquiori, a socialize que eu entrevistei nesse dia. Pode ser. Isso aconteceu? Aconteceu? Eu fui no programa do Raul Gil pra entrevistar a Val Marquiori. Cara! Isso talvez seja um dos episódios mais alucinantes da televisão brasileira, porque nada faz sentido nessa oração. Não, nenhuma dessas palavras tá na bíblia. Grande atração do programa do Raul Gil de hoje. Lucas Inutilismo entrevista Val Marquiori.

É mais aleatório do que um Rivotalks. É muito legal, né? Mas aí, o Big Bang é tipo isso aí, né? É verdade. O artista. Ai, não sufoque o artista. Um artista. Fala aí uns artistas pra mim. Porra! Depois da lista ali... Tem que ser da música? Não. Eu acabo indo mais pra esse lugar de música, né? Referências, vai.

Um artista que explicasse seu cérebro. Que explicasse meu cérebro. Kurt Cobain. Kurt Cobain eu acho que não. Esse é aquele que tirava cola. Kurt Cobain? É. Mas é que ele era muito rock'n'roll. Mas ele era muito mais rock'n'roll que eu, por exemplo. Não, é, mas às vezes seu cérebro é, mas você não desenvolveu isso.

Tá adormecido, tá incubado. Nossa, essa pergunta é muito difícil. Deixa eu pensar. É porque eu fico me levando pra essas pessoas que são da música, né? Mas é pra explicar o meu cérebro.

Eu tenho um nome na minha cabeça, mas eu não sei se ele se enquadra no lance de explicar o meu cérebro. Mas é um cara que eu acho que foi a minha primeira admiração como artista. Por conta do meu pai e tal. Que também é uma resposta meio óbvia, né? Mas é pra ele estar lá por conta disso, né? Estava.

Que é o... O Fred Mercury, pra mim, ele simboliza muita coisa que eu considero... E é um cara também que ele chega quebrando muita... Não só pelo fato dele ser... De ele ser gay e tudo mais, né? Mas... Eu acho que toda a vida dele é uma grande quebra de... Sabe? Eu acho que tão aleatório quanto o Raul Gil, Val Marchiori e Lucas Inutilismo...

tão aleatório quanto isso, é Bohemian Rhapsody, que é também pra mim uma música que tá na primeira prateleira. Faz todo sentido. Eu ia te sugerir o próprio Ed Mota por conta do... Que poderia ser uma explicação de como as coisas funcionam aí, mas Bohemian Rhapsody é realmente... Tem muitos grandes artistas que me inspiram. Você sabia que ele não era indiano? Fred Merck. Ele é de algum país...

Ele é da Tanzânia. Tanzânia? Tanzânia. De Zanzibar. Eu visitei a casa onde ele nasceu. Você foi pra Tanzânia? Tanzânia é o oeste da África. Isso. E Zanzibar é uma ilhazinha a oeste de... Então, isso aí é muito foda. Como é que é o nome? Eu sei como é que se fala trem na Tanzânia. É uma expressão. Zug? É. Bom, chegando lá eu já sei como pegar um...

É uma expressão muçulmana, se eu não me engano. Alguma coisa assim. O quê? Não. O que que é? A capital da Tanzânia. Mas a Tanzânia é um país muçulmano? Eles são... Tem bastante muçulmano. Não sei se ele é... Majoritariamente. Como lei, né? Mas não é.

Dar el Salam. Isso não é a capital, mas é o principal aeroporto. Enfim, bem pertinho de Dar el Salam. Foi a capital até 73.

Eu tô um pouquinho desatualizado. É que eu fui logo depois que mudou. É uma escala cósmica, isso aí não é nada. É isso, isso. Mas aí eles transformaram a casa do Fred Mercury num museu. E aí tem... Isso é na ilha? Na ilha, em Zanzibar. Você foi lá? Fui, foi Melo de Mel. Parece uma... Sabe Hard Rock Café? Sim. Parece um grande Hard Rock sobre...

Fred Merck. Grande não, porque é uma caseira. Depois a gente bota a foto aqui e eu mando pra eles. Mas é só memorabilha, assim. Aí tem as versões que ele compõe a mão. É bem divertido. Então, e eu acho isso muito fantástico, assim, que a vida inteira dele e toda a obra dele, ela é pautada em...

sair rasgando manuais a torto e a direito aí, sabe? Não é nada... O Queen é uma banda que você não consegue definir. Você fala que é rock, mas não é justo falar que é rock. É rock. Tanto que as versões de Bohemian Rap as de rap, hip hop, são mega famosas.

O Queen é o Queen, né? O Queen é o Queen. É uma banda do gênero Queen. O vinheteiro fez uma versão de Boeber Absurd, só apertando aquelas galinhas. As galinhas. É maravilhoso. Obra prima. Dá pra fazer tudo. E é... É muito... E é uma das pessoas que eu tive o primeiro contato, assim. E é um cara que, óbvio, tinha um certo... Tinha um certo não, né? Tinha o seu domínio técnico ali. Mas acho que ele...

o lance de como a entrega vocal dele era o que me fazia, que me puxava a atenção. Sabe, um cara que você via ele no show e ele tava se matando. Você via aqui, ó, tudo. E ele tinha aquele lance anatômico da boca dele, né? Que também ajudava nisso de ser um bagulho tão único, uma coisa tão especial, né? E toda a carga, e todo o lance de atitude, de mensagem, de postura, de pau, é muito... Galera foda.

O que mexe mais com a sua emoção? Ver isso, uma apresentação, tipo, Love of My Life, dele no Rock in Rio, ou Corinthians passando de fase no Libertadores? Eu não imaginava que tava indo pra esse lugar, essa pergunta. É...

Cara, eu acho que... Eu acho que eu vou ter que ficar com o Fred nessa, porque, assim, o Corinthians passar de fase na Libertadores não quer dizer muita coisa, né? Porque o Corinthians na Libertadores é igual um elefante em cima da árvore, né? Você não sabe como ele chegou lá, mas você sabe que ele vai cair muito em breve. Então, a vida vai te ensinando a não criar muita expectativa com algumas coisas, né? E apesar de, com certeza, despertar emoções em mim, eu acho que...

Fred é Fred. Fred é Fred. Ir a shows e fazer shows são as coisas que mais me dão um propósito na vida. E é engraçado, né? Porque parece, quando você fala, parece uma coisa que não tem essa importância, né? Tipo, parece uma coisa segmentada, né? Um show de música. Não. Mas é muito... É uma experiência, né? Então. E é muito impressionante o poder...

que tem um show, né? De mudar uma vida, de mudar uma percepção definitivamente, como já me aconteceu tantas vezes. Eu... Tem vários shows que eu fui que realmente eu saí de lá falando, pô, entendi. Entendi tudo. Caiu a ficha. Entendi a vida agora. Faz sentido agora. Entendi, Interstellar. Era isso, é. Entendi. Depois do show, do belo. Entendi. Pegou o papel, dobrou e furou com o lápis. Isso. Buraco de minhocas.

É muito... Eu odeio essa teoria. A dobra do espaço e do tempo. Aí eles vêm te explicar. Eu odeio, odeio. Eles vêm te explicar como se fosse muito fácil. Pensa num lençol. O lençol... Mas o princípio é básico, né? Não é. Ih. Aí você sai de um lugar e aparece... Não, não, não. Beleza. Esse conceito eu consigo conceber. Mas aí você pergunta assim, mas como que ele... Qual é a teoria? Aí o cara fala, pensa num lençol.

Dobrou. O lençol, ele é resistente o suficiente para nunca ser furado, mas ele é maleável o suficiente para ser dobrado. Então, neste lençol, você bota uma pedra no meio. O que vai acontecer com a pedra? Eu não sei!

A pedra não vai dobrar o lençol. Você tá me explicando e você tá me perguntando? Não, eu não tô te explicando. É isso, é isso. Eu tô falando pra você que tá me explicando a teoria, a pergunta é pra mim? O que vai acontecer? Eu sei lá o que vai acontecer com a pedra. É igual a piada do Ricky Gervais, que ele fala que ele foi no médico.

e levou os exames pra ele lá o médico falou pra ele assim então, o que a gente vai fazer? o cara falou, eu não vou fazer nada eu tô te pagando você vai no mecânico e o cara pergunta e aí, o que a gente faz? você resolve aí, irmão você estudou, conserta arruma, vem aqui pra projetar a gente tem umas opções aqui qual o caminho que tu quer seguir aqui?

Porque você sabe que cada pergunta vai abrir margem para... Acho que na primeira bifurcação à esquerda. É a primeira. É? Eu acho. Então tá. Eu acho. Tá. Lucas e Knudson. Adoro esse. O que você acha que você ainda não fez?

E que se você não fizer, vai te incomodar muito, assim, daqui 20 anos. Só uma outra versão que é legal, que também já veio de alguém... Eu não sei se era de prédio ou sei lá. Mutilino. Lucas Mutilino. Não, mas é que aí...

Não. Mutilino? Mutilino. Mas é, pegou no telefone. É, ouviu, né? É. Mutilino. Não pode ter lido mutilismo e dito mutilino. Só se ela teve um acidente. Dislexia. Dislexia. Não, derrame nesse caso. Alguma coisa que eu não fiz, se eu não fizer, eu vou daqui 20 anos. Se arrepender. Se arrepender. Se arrepender, você acha que vai se arrepender. Tá. Eu acho que não depende de mim.

Depende de nós. Se esse mundo ainda tem jeito, apesar do que o homem tem feito, se a vida sobreviverá. Fica o questionamento aí pra você de casa. Mas, tá, eu vou falar uma coisa que não depende muito de mim, depende mais ou menos, e outra coisa que depende mais de mim. Tá.

A coisa que não depende só de mim é tocar em um festival. Eu sempre tive muito essa... Eu acho muito legal o conceito de open air, de dia, sabe? Tocar com o sol, assim. Acho muito foda. Você perde o lance da luz, né? Mas ganhar em muitos outros... Uma vibe. Tem algum que você quer? Tipo Lola, Rock in Rio?

Cara, acho que quando você fala assim, o primeiro nome que me vem à cabeça é o Lollapalooza. Porque acho que tem um match maior, apesar de... Sim. O Rock in Rio, ele é... O Rock in Rio é um... É o Rock in Rio. O Rock in Rio é um simbolismo absurdo, assim. O que significa você tocar no Rock in Rio. Então, ele tá logo ali, mas acho que o Lolla, por... Dá pra chegar lá em uma Star Way to Heaven. Tá. É. Tá. E... A gente já vai começando.

Já vai começar. Já vai botando play aí. E acho que esse é um grande objetivo que eu tenho. Seria uma grande realização. Porque eu acho muito legal o conceito de festival. Acho... Já fui a muitos. E acho muito interessante isso dessa...

congregação ali, pessoas e bandas e tudo mais. Cada um indo pra ver uma coisa. É, eu queria muito viver isso um dia, sabe? Viver. Do palco. E tem umas pessoas ali que não faz ideia de quem eu sou, sabe? Ali, me olhando assim, ó. Lucas Mutilino? É o Mutilino que tá ali. Daí o cara traz Inutso. Você toca um samba como ninguém. Não, e tu vai entrar no palco.

Com Raul Gilch. É claro. Nossa, imagina. Tem que ser a abertura. A abertura. Fazer um... É, né? Eu posso ampliar. Total. Falar, Raul, pode ficar em casa, tá? Não precisa ir. Sabe o Pedro Sampaio? Vai ser isso. Luta! Multilino! Multilino! E aí tem a coisa que depende mais de mim, não só de mim, né? Biologicamente falando. Mas eu tenho um filho. Ah, bom. Você quer mesmo?

Querer mesmo é muito forte, mas a pergunta era daqui 20 anos, se eu não fizer, eu vou me arrepender. Tá. E daqui 20 anos, se eu não fizer, eu com certeza vou me arrepender. Porque é um pensamento natural, né? A gente fala, putz, só não fiz. Mas talvez não fosse pra fazer. Mas você não sendo mulher, você pode fazer a hora que você quiser. É. Dá pra levar mais tempo. Isso biologicamente falando, né? Sim. Obviamente, com qualquer idade você pode ser. Mas eu tenho um lado meu também que queria... Carregar no colo.

Não ser carregado. É isso. O bebê me cuidando. O bebê trocando minha fralda. É. Entendi. É, mas eu queria ter essa experiência de viver uma vida útil com o meu filho, sabe? Quando eu morava no Rio, meu irmão tinha uma coleguinha. Nós éramos crianças. E ela era o pai dela. Na época eles tinham o quê? Oito, nove anos. E o pai dela tinha oitenta e cinco.

E aí era muito engraçado que o pai sempre dizia muito emocionado, assim, ai, eu quero ver, quero levar minha filha ao altar. E a babá não se aguentava. Eu começava a rir cada vez que ele dizia isso. Vai, vacilo. Vai sim. Um amigo na bacia das almas. É isso, que vacilo. Não, coitado. É, não, enquanto tem bambu tem flecha, mas assim, né, é isso, não quero...

A minha ideia de ter filho é aproveitar o parental ali, né? Não dar andamento. Não simplesmente dar uma continuidade. É virar o Lucas utilismo. Isso. Entendi. Maravilha. Prazer o Renato Augusto Júnior aí pra vida. Tá. Com certeza. Ou a... Luna. Não, já tem Luma, já tem Luana, não pode ser Luna. Falta o meio termo. Cara, eu gosto muito de Ana.

Ana. Eu gosto de nomes curtos. E eu gosto de nome composto também, né? Eu sou um nome composto. Você é Lucas Anutilismo? Não. Isso. Lucas Mutilino. Eu gosto bastante de Ana. Já pensei muito em Ana. É que Lucas Vinícius é grande, né? É. Leva um tempo pra falar, né? Esse dia eu sou a Ana Maria, eu acho legal. Ana Clara. Boa.

O que que tá acontecendo? Não é legal, Ana Maria? Não, é bom, é bom. Se ela cozinhar de manhã, então? Olha lá. Ah, Ana Maria Braga. É isso. Achei que ele tava sendo só machista. Não, imagina.

Se ela não ficar num fogão a vida inteira. Sempre vigilantes. Se ela não puder votar nem dirigir. Aí é o máximo. Gente, sério. Agora tá indo pra um lugar perigoso. Vamos encerrar? Não, deixa eu falar um negócio. Sério, eu acho que depois do Gerald Thomas, talvez tenha sido uma das conversas mais loucas que a gente já teve. Mas se ele tivesse superado o Gerald Thomas, realmente estaríamos num outro patamar. Eu vou precisar ver isso, né? Isso tá no ar? Tá. E foi maravilhoso. Isso não é uma crítica.

Não, foi maravilhoso. Só foi absolutamente nadaísta. Foram quase três horas? Do nada ele mete um tantã e começa a tocar Ave Maria. Na batida de Jorge Aracão. Devia ter trazido alguma coisa, então. Pô, tocar...

Ah, nem tocar, mas não, não tocar não. Tocar violão não. Não? Odeio violão, tenho até amigos que são. Eu tenho amigos violões, mas eu não sou um violão. Ô Lucas, sucesso pra você, obrigada. Muito obrigado, gente, foi muito legal. Eu tenho estado aqui.

Eu adorei. Que mais gente possa ter te conhecido. Ah, sim, com certeza. Foi um prazer conhecer os meus novos melhores amigos que estão aí. E os antigos também que estão aí, né? Obrigado por estarem aí. Sempre dando aquela moral, né? Sempre dando aquela moral. Como é que é aí o orgulho? Até no Ice Gurt. Até no Ice Gurt. Na saúde, na riqueza. E no Ice Gurt. E no Ice Gurt. Muito obrigado, gente. Foi muito legal. Boa. Adorei.

E você, pra situar um pouquinho aqui na realidade... Não sei se vai dar. É, não vai dar. Mas, teoricamente... Fica pra uma outra... É, sexta-feira, teoricamente, meio-dia e trinta, o seu resumo semanal de notícias, o Rivo News. Que tá um grande caos o planeta e o Brasil, mas a gente vai tentar resumir pra vocês. O abdê do baobé. Se eu tô no Irã, eu falo assim, acabou! Chega! Não, acabou é perigoso, acabou é Afeganistão. É o outro. Chega! Aí melhor, mais fácil. Vamos falar! Chega! Beijo!