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Match Gastronômico #114 - Especial Dia das Mães: maternidade, carreira e empreendedorismo

10 de maio de 202644min
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Ser mãe já é um trabalho de tempo integral. Ser empreendedora também. E quando as duas coisas acontecem ao mesmo tempo — com tudo que isso carrega de culpa, pressão, conquista e aprendizado — a conversa fica honesta de um jeito que raramente se vê.

Neste especial de Dia das Mães do Match Gastronômico, Manu Carvalho e Gabriel Carvalho reúnem três mulheres que já estiveram no programa e que têm em comum muito mais do que a gastronomia: Paula Labaki, pitmaster e referência no BBQ brasileiro; Adriana Palermo, executiva à frente da New Dog, uma das maiores hamburguerias da América Latina; e Mari Sciotti, chef e idealizadora do Quincho, referência na gastronomia vegetariana em São Paulo.

Juntas, elas falam sobre o momento em que a maternidade chegou no meio da carreira, sobre a culpa de estar no trabalho quando a mãe faz falta, sobre o preconceito velado com a mãe empreendedora, sobre a rede de apoio que sustenta tudo — e sobre o que ninguém conta antes de tentar equilibrar tudo isso. Um episódio para quem é mãe, para quem tem uma mãe empreendedora, e para quem acredita que maternidade e ambição não são opostos — são combustível.

Hostess:

Manu Carvalho - ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠https://www.instagram.com/manucarvalho/⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

Gabriel Carvalho - ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠https://www.instagram.com/gabrielopcarvalho/⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

Match Gastronômico - ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠https://www.instagram.com/match.gastronomico/⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

JP Entretenimento - ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠https://www.instagram.com/jovempanentretenimento/

Assuntos6
  • Conciliação carreira e maternidadeEquilíbrio entre maternidade e empreendedorismo · Culpa materna · Preconceito com mães empreendedoras · Rede de apoio para mães · Transição para a maternidade
  • Mentalidade EmpreendedoraPaula Labaki · Adriana Palermo · Mari Sciotti
  • Desafios da MaternidadeMaternidade e ambição não são opostos · Mulheres e seus desejos além da maternidade
  • Infância e juventudeRespeito à individualidade dos filhos · Diálogo na adolescência · Apoio aos sonhos dos filhos
  • Relação com o PaiPai como figura insubstituível · Paternidade ativa
  • GastronomiaSugestões de restaurantes para o Dia das Mães · Fazenda Churrascada · Jardim Churrascada · Almanara · Rascal · Juca Alemão
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Olá, olá. Sejam muito bem-vindos ao MET Gastronômico, o maior programa de gastronomia e empreendedorismo do Brasil. Eu sou o Gabriel Carvalho e hoje a gente está num cenário um pouquinho diferente para um dia especial, né, Manu? É isso mesmo, Gabi. Eu sou a Manu Carvalho e estamos aqui para explorar o sabor de sucesso e aprender com histórias inspiradoras. Falei bem sua fala? Está muito bem. Adorei. Adorei. Então, ó... Está aprovada.

Vamos começar esse episódio muito especial. A gente celebra o Dia das Mães do jeito que a gente mais gosta. Com papo honesto, história real e muita inspiração. E a gente tem convidadas maravilhosas também para nos inspirar aqui nesse programa, né, Gato? É isso aí, Manu. Hoje a gente está reunindo três pessoas que a gente gosta muito, que já tiveram aqui com a gente. Foram papos muito bons. Então, conta um pouquinho para a galera qual o motivo de elas estarem aqui hoje.

Olha, elas são mães empreendedoras e mulheres de negócio e vão contar como equilibrar tudo sem perder a essência. Eu estou aprendendo porque eu sou uma mãe recente com uma bebê de quatro meses. Então, para mim, hoje vai ser uma aula. Manu está querendo fazer escola hoje aqui. Então, primeiro, sejam muito bem-vindas. Paula Labacchi, muito bom ter você aqui. Obrigada. Nossa craque, chefe executiva da Churrascada.

Adriana Palermo, executiva empreendedora à frente do New Dog, uma das maiores hamburguerias do Brasil, que inclusive no nosso programa eu engordei 3 quilos porque eu comi bastante nesse dia. Difícil se controlar, né? Eu não consigo, eu não consigo resistir. Não consigo. E Mari Ciotti, obrigado por estar aqui também. Mari, idealizadora do Quintio, que eu adoro. Enfim, a rainha da gastronomia vegetariana de São Paulo. Acho que criou um novo conceito de gastronomia vegetariana, né, Manu? É isso aí.

Gente, primeiro, antes da gente começar, não esqueça de seguir a gente nas redes sociais, que é arroba match.gastronomico e também se inscreva no nosso canal do YouTube para não perder nenhum episódio. É isso aí. Aproveita para seguir as nossas três convidadas de hoje. Vamos lá. Primeiro, Paulinha, deixa seu Instagram aí para o pessoal poder seguir. Arroba Pemudo Labac. Pronto. Dri. Arroba New Dog Hambúrguer.

Mari. Mari Ciotti. S-C-I-O-T-T-I, sobrenome. Não é tão simples, tem que explicar. E o Kintio.sp. Boa, ótimo. Vamos lá, vamos começar então a falar um pouquinho de maternidade. Queria que cada uma contasse. Enfim, começando pela Paulinha, quantos anos tem seu filho? Como é que foi no momento profissional que você estava, que ele nasceu? E como é que estamos hoje em dia?

Bom, eu tenho dois filhos, um casal. A Carolina tem 36, o Felipe tem 32. Eu estava num momento...

Eu iniciei muito cedo a minha carreira, mas eu ainda estava ali num momento de desenvolver a minha carreira. Não foi fácil, porque com duas crianças pequenas, uma diferença de quatro anos que não é muito, e eu tive duas gravidezes de alto risco, então eu tive que ficar de repouso a gravidez inteira, o que foi bem complicado, porque eu queria trabalhar, eu precisava trabalhar, eu já tinha o catering e tal.

Mas, como você me falou agora há pouco, é uma experiência que nada no mundo se iguala. Então, acho que é uma coisa meio da gente se perpetuar. Então, foi maravilhoso.

E eles me ajudaram muito no meu crescimento, no meu desenvolvimento profissional. Eles sempre tiveram muito presentes. Eles sempre me ajudaram, me separei. Eles eram muito pequenos. Os dois trabalham contigo hoje, não é? De alguma forma. É, já trabalharam comigo, mas hoje cada um tem o seu... O Felipe é meu sócio na Labacidele, a Carolina é confeiteira, trabalha com confeitaria. Os dois estão no mundo da gastronomia. Os dois.

E aí eles sempre estiveram muito próximos de mim na minha profissão. Eu, às vezes, muito sozinha, duas crianças, precisava trabalhar, e eles estavam lá firmes, entendeu? Tem histórias que não vai ter tempo aqui, mas muito loucas dos dois, tipo, verem que eu não ia dar tempo de eu fazer um negócio e eu chegar em...

Tava feito, sabe assim? Eles tinham feito. Então, assim, sempre tiveram muito presente e me deram muita força. E me ajudaram a chegar onde eu tô hoje. Ai, que lindo. Graças a Deus. Dri, você é super parceira da sua filha, né? Eu vejo bastante. É, eu tenho dois filhos, né? O Renan, de 25, e a Gabi, que vai fazer agora dia 11 e 21. E, ai, é incrível. Manu é uma coisa, assim, que acho que...

Eu brinco que é a melhor coisa da vida. Acho que qualquer outra coisa que a gente realize aqui enquanto ser humano não se compara com ser pai ou ser mãe. Acho que é diferente. Tem comparação. E como eles são uma esponjinha e absorvem tudo, tudo, tudo. Nossa luz e também a nossa sombra. A Gabi é uma coisa, a Adrianinha, até a pinta do rosto no mesmo lugar.

E ambos já empreendem, têm os seus negócios. E também estão entrando agora a terceira geração, filhos e sobrinhos. Eu que estou fazendo essa... Transição? Transição, para eles irem conhecendo, aproveitando a minha mãe matriarca para contar as histórias. Então está um movimento muito bonito da terceira geração. A ideia é que eles sigam com...

Que eles pelo menos conheçam, saibam. E tenham o conhecimento e a cultura. E quem quiser, segue, está tudo certo. Então os dois estão entrando para o mundo da gastronomia também? Isso. Os dois têm outros ramos, mas também com o New Dog estão entrando na gastronomia. O New Dog faz parte da minha história de vida. O meu também, com o meu pai e com a minha mãe. E qualquer pessoa que teve a juventude em São Paulo. E hoje eu levo os meus netos lá.

Memória afetiva. E você, Mari, como é que foi essa jornada? Eu sou mãe de três. Ah, é? E aí, você dá conta, calma. 20 anos. Deixa aí. Então, tem um cenário específico. Eu fui mãe muito cedo, eu engravidei do meu filho mais velho com 20.

E do meu mais novo com 38. Então é basicamente isso aí. Duas décadas tendo filhos. O meu mais velho agora está com 19. O meu mais novo está com um ano e meio. E eu tenho uma de seis, que vai fazer sete no meio do caminho.

E, assim, é isso. Eu vou repetir o que vocês já foram dito aqui, mas é a melhor coisa do mundo, da vida. Eu nunca tive dúvidas de que eu queria ser mãe. Nunca foi. Pelo contrário, sempre foi o maior desejo da minha vida. Então, talvez por isso o universo tenha me presenteado com um filho tão cedo, assim.

E isso me moldou completamente em tudo, porque eu entrei na vida adulta sendo mãe. Engravidar com 20 anos, você está adentrando a vida adulta, então eu tive muito pouco tempo de vida individual, como um indivíduo completo, sem ser mãe. Então eu sinto que realmente a maternidade, ela permeia por absoluto tudo o que eu sou.

E os três, enfim, cada um com a sua personalidade, cada um com a sua idade lá em casa, eu falo que é isso. Tem de tudo. Tem de tudo, exatamente. Seu mais velho vai seguir também na gastronomia? Não, ele é um artista, já está fazendo faculdade, já está trabalhando, ele é ilustrador. Que legal.

Está fazendo design gráfico, começou a trabalhar numa agência, começou com estagiário, já foi efetivado. O negócio dele é visual, desenho, muito bom nisso. Puxo ele para a cozinha para ele ser um adulto funcional, mas não é adeiro. Não é o prazer dele. Mas está sendo formado um adulto funcional.

E, assim, vocês, quando tiveram filho, já eram empreendedoras ou foi uma jornada que, enfim, aconteceu depois? Vocês resolveram empreender, já tinham filho, já estava com a vida um pouco mais estabilizada. Como é que foi, Dri, essa jornada para você? Bom, eu comecei nos 12 lá, com 12 anos, e o Renan nasceu quando eu tinha 28. Então, eu já estava nessa jornada.

É, nasceu no New Dog, né? É, e eu falo que a filha mais velha dos meus pais não sou eu, é o New Dog, né? Porque eu cheguei, ele já estava aí. E foram muitos desafios, claro, mas eu adoro a vida, ela é muito dinâmica e eu já empreendi também na área educacional, então também eles me dão um super apoio nessa outra jornada aí também. Legal.

Você acha que a culpa, Paulinha, é uma companheira constante quando você trabalha? Constante. Como é que você lida com isso? É muito louco, porque hoje eu tenho amigas na gastronomia que estão muito mais novas, com filhos pequenos, que nem você, por exemplo. E que elas ficam para mim, ai meu Deus, ai eu estou sentindo que eu estou... Eu falo, cara, não sinta essa culpa.

Porque é uma culpa que eu sentia demais e que eu vi que para eles não tinha esse problema. Pelo contrário, eles achavam o máximo eu trabalhar como eles acham até hoje. Eles têm uma baita admiração que foi formada por conta disso. Então não é...

é para ter culpa. Você está formando pessoas que estão vendo você trabalhar, empreender, acreditar, e isso acho que ajuda muito na formação da personalidade deles. Eu sinto que a Carolina e o Felipe, eles começaram também muito cedo a já se movimentar e tal, por conta disso.

E eles falam pra mim hoje que não tem culpa nenhuma, que pelo contrário, que pra eles era lindo ver eu correndo, eu fazendo, eu acontecendo e tudo bem. E de noite eu tava com eles. O tempo, uma coisa que é importante, óbvio, o tempo que você tem que seja de extrema qualidade. Que naquele momento ali você tá ali mesmo e mais nada. Então acho que isso... Não no celular, né? Não no celular. Então hoje tem muita mãe que tá lá o dia inteiro, mas tá o dia inteiro no celular. É isso.

Então, eu acho que isso foi muito importante. Eu acho que não tem culpa, não. Ô Mari, e você acha que a culpa mudou, assim, do primeiro, segundo e terceiro filho? Acho. Acho que é muito bonito, assim, quando os nossos filhos vão crescendo, é muito legal porque a gente passa a ter as nossas próprias memórias contadas por eles.

E isso é muito legal. Isso só acontece, de fato, na vida adulta, porque é quando eles também elaboraram o que eles viveram, o que marcou eles ou não. Às vezes você acha que uma coisa marcou muito e passou batido. Às vezes é um trauma seu, mas não deles. Exatamente. Às vezes é uma outra coisa que marcou. Então você vai tendo a sua própria narrativa mudada, porque você está se vendo pelos olhos de outra pessoa.

E eu acho que existe uma coisa muito egóica em ter filho pequeno. Porque aquele é o seu mundo e você está completamente alucinado por aquele ser e ele representa tudo. E conforme eles vão crescendo, existe uma quebra nisso. E você deixa de se espelhar tanto naquela pessoa e aceita aquela pessoa enquanto um indivíduo que independe de você. Você vai ter uma troca, vai existir uma codependência ali, que é uma simbiose quase no meio do momento. Mas assim, eu acho que a gente com filho pequeno...

fica muito egóico, porque o mundo, você acha que o mundo vai ver da mesma forma que você e é tão importante aquilo e tem que ser importante para todo mundo. E você também não se permite errar, porque você está numa busca de dar o melhor para aquilo e para aquela circunstância. E aí o tempo vai passando e você acha que vai ficando menos dura consigo mesmo também, entendendo que eles também são do mundo e que a gente também é um indivíduo, independente de ser mãe. Então, eu...

Eu fui muito cedo, então eu sempre tentei não me pegar pela culpa. Eu acho muito cruel com a mulher. Porque nenhum homem tem culpa paterna. Isso não existe por homem. Não é nem perguntado para ele se ele tem culpa de trabalhar ou não. E genuinamente, mesmo pais que são super presentes, eles não sentem essa culpa. Eles não acham que eles são menores pais ou piores porque eles estão trabalhando muito ou porque eles por algum período precisam se dedicar fora. Mas para a mulher isso é intrínseco pela sociedade e por nós mesmos.

É muito louco isso que você está falando, Mari, porque a sociedade te cobra se você não cria seu filho e a sociedade te cobra se você fica só para ele. Então, tipo... Não existe sucesso, né? Não tem como afetar. Quantas vezes a gente escuta, assim, uma mãe dizendo, nossa, eu estou exausta no fim do dia, mesmo que não trabalhe fora, eu estou exausta. Mas por que você está exausta? Você não fez isso? Você só fez isso. Cara! Como não? O RH de casa é o pior que existe, né? Meu Deus!

Hoje, eu tenho dois netos hoje, às vezes a Carolina, eles ficam comigo, eu chego no fim do dia, não estou exausta, estou morta, tipo assim, você entendeu? E tipo assim, é uma trabalheira, e para a mãe, é uma trabalheira a mãe, porque não é só o trabalho, é a responsabilidade, é o medo que aconteceu, tudo, né? Que não explica nunca, né? Quando você não está, você também está pensando, ah, na compra que tem que fazer, ah, o lanche da escola, ah, o passeio, ah, não sei o que. Hoje, meu filho mais novo é isso, eu cordou doente.

E muda a sua vida. Claro, completamente tudo, né? E acho que ser mãe é isso forever. Porque, assim, hoje, o Felipe tem 32, a Carolina tem 36, e eu continuo com preocupações. O Felipe foi viajar com a namorada. Puxa, será que está tudo bem na estrada?

vai ficar acessível até de baixo. Eu falo pras minhas amigas, quando eles vão também, quando eles já não estão mais aqui no teu controle, criança é cansativo, né? Demanda. Mas tá aqui. Mas tá no alcance dos seus braços. Quando vai pro mundo, gente, é isso. Meu filho nasceu, meu caçula tá com um ano e meio agora. Então, ele recém-nascido, eu tava acordada porque eu tava com um bebê recém-nascido e porque o meu de 18 tava na rola. Não durma nunca mais.

Realmente acabou. Tchau, cama. Vende, vende a cama, jamais faz. Eu vou fazer o tempo que já não durmo mesmo.

Mas vocês sabem que... Vai no New Dog fazer o after do New Dog. Fica lá, fica no New Dog. Foi no New Dog, depois ele se formou no colégio e a Aida foi no New Dog, depois a família inteira. Olha, o que eu fiz de after nesse New Dog, minha mãe não tá escrito. Todos nós, todos nós. E o meu desafio foi quando a Gabi começou a sair, né? E aí, às vezes, ela demorava pra chegar e eu ligava, filha, onde você tá? Mãe, tô no New Dog, né? Como se fosse em casa. Aqui pode, né?

Tá segura. Calma, estou no trabalho, pô, peraí. Mas vocês sabem que eu vi esses dias um artigo de um professor dos Estados Unidos que fez uma pesquisa tentando entender o estado mental dos pais de hoje em dia. E ele chegou à conclusão de que os pais de hoje em dia estão adoecendo, estão com pânico, com ansiedade, com depressão, com tudo. E ele foi tentar entender por quê.

Sendo que hoje, em média, passa-se mais tempo do que a geração anterior. As pessoas têm, teoricamente, mais suporte, mais apoio, mais ferramenta para cuidar dos filhos. Mas estão ficando mais ansiosas cuidando dos filhos. E aí ele deu um motivo que vocês tocaram um pouco aqui, eu achei interessante. Que é que hoje eles são pais sendo vistos. Claro, eles comparam a performance.

Então, hoje, é tipo tudo, é um pouco do que a Manu falou. Você está o tempo todo com medo, sendo julgado. As pessoas estão vendo, as pessoas estão falando. Eu estou fazendo isso, estou fazendo aquilo. E aí as pessoas vão ficando ansiosas. Não é porque ela está fazendo bem feito ou mal feito. Cada um está. E eu hoje, mãe, me peguei pensando nisso. Eu estava levando minhas filhas para a escola e eu estava super atrasado. E eu...

Pô, é uma coisa que me incomoda chegar atrasado na escola. Vai ser a última criança a entrar na sala. Está todo mundo no...

No momentinho lá já no circle, que eles brincam, que é a hora que cada um fala do seu dia, não sei o quê. E eu super atrasado. Aí eu tô indo pra escola, eu comecei a prestar atenção na rua. Tinha um casal desesperado puxando a criança pela mochila, tinha outro com a criança no colo, correndo, a criança se debatendo. Falei, cara, tá todo mundo ferrado. Não é essa que tá, não. E aí a gente às vezes fica se julgando, ou pelo menos com medo do julgamento do outro, a gente se julga e vira essa loucura, né? Que é ser pai achando que tá tudo errado.

É, e eu acho que hoje a internet é maravilhosa para uma série de coisas, mas ela é terrível para outras. Então, assim, ali aparecem aquelas famílias perfeitas que a gente sabe depois que não são perfeitas, né? Aquela mãe, aqueles filhos... E aí a outra mãe que está ali vendo, né? Por exemplo, acabei de dar a luz, estou lá com o meu corpo todo ferrado, a outra acabou de dar a luz, já está toda... E essa comparação gera também uma ansiedade, uma coisa horrorosa, né? A Carolina é minha filha logo que ela teve...

O Leleu, no começo, ela falou, mãe, eu vou desligar o meu telefone, porque eu começo a me sentir, tipo assim, será que eu não consigo emagrecer, eu não consigo isso, eu não consigo... A outra dá conta de tudo, chega às seis horas da manhã, foi para a academia, voltou, já fez isso, já fez aquilo. E atrás daquela lá, tem cinco pessoas ajudando, um milhão de coisas. Se comparando.

falar uma verdade? Quem fala que amamentar emagrece é mentira. Você que está aí em casa é mentira. Isso daqui eu não posso mais comer direito. Por quê? Porque eu ainda estou amamentando e preciso perder mais 10 quilinhos. E você não se encontra mais em você. Eu acho que ser mãe é uma transição de você do passado, que era muito egocêntrica, para você do presente que não sabe mais quem é você.

e que você tem que estar bem. Uma coisa que sempre minha mãe me falava é que o dia que ela não está bem, a casa não está bem. O dia que meu pai não estava bem, a casa estava ótima. Então, a mãe é o centro de tudo. Isso também é na cozinha, vocês acham?

Tipo, o dia que você não está bem, você está tocando a cozinha, é... Bagunça. Bagunça, mas... É, eu acho, eu acho, porque essa coisa de energia, eu sou super... Acredito muito. Também. Acho que a gastronomia tem energia. Ficiana, né, Paulinha? Ficiana. Então, eu acho que a gente trabalha com a mão, a gente trabalha com... Você ingere o que, né? Você põe dentro de você o que eu estou produzindo. Até acho que, assim, às vezes num time.

Você saca que uma pessoa não está tão bem? Tira aquela pessoa daquela função naquele dia, põe para arrumar o estoque, põe para fazer outra coisa. Porque realmente, assim... Agora, se o líder está mal, o time todo é muito louco. Quando um líder está estressado, o time todo é estressado. Quando um líder está triste, você sente a cozinha com uma vibração bem mais baixa.

E nisso você acaba se forçando. Quantas vezes eu me forcei a estar numa vibração lá em cima porque você precisa subir o teu time. É isso. E na casa... É isso. Você alimentar o ambiente como um todo. A mãe precisa continuar fazendo. Você está doente, pega o seu lente. O levante de sua cama. Quem vai cuidar de você? Exatamente. E na vida acaba sendo isso. No fim, as mães são ótimas líderes. É isso. Porque elas são capazes de cumprir com várias funções.

Prever coisas que podem acontecer. Você precisa sempre dar um passo à frente. Conduzir questões emocionais das pessoas em volta. E, enfim, seguir apesar de como você está.

E quando você perde a sua mãe, porque eu perdi minha mãe, não sei vocês, mas eu já perdi minha mãe. E quando você perde a sua mãe, é exatamente isso que você sente. Nossa, agora eu estou sozinha. Perdi o lugar no mundo. Eu estou sozinha. Eu não tenho para onde voltar, para onde correr, sabe? Perdi o colo, né? Porque é essa coisa. Quem vai acordar de mim? Claro.

Por mais que ela já tinha a minha vida e tal, mas é a tua mãe. Então, essa sensação diz muito respeito a isso. A mãe é isso. A mãe é o porto seguro sempre. Totalmente. É engraçado. Eu fico, às vezes, muito tempo sem falar com a minha mãe, mas quando alguma coisa dá errado, é a primeira pessoa que eu passo o telefone. É isso. A mãe precisa falar. Fala, filha.

A minha mãe faleceu, sei lá, já faz 14 anos. E de vez em quando ainda, porque tinha horários que eu ligava pra ela. Tipo, todo dia de manhã eu ligava pra ela. Então, assim, sabe que até hoje, às vezes, aquela coisa de... Faltou. Faltou, não tem. Pra quem ligar, deixa eu continuar aqui. Mas é uma coisa que fica... É mãe, gente, tá ali, né? Tem um estudo agora que você carrega os células do seu mãe pro resto da sua vida, né? Então, acho que tem muito a ver tudo isso. Tá explicado. A mãe de vocês era empreendedora?

A da Adriana já sabemos que sim, é a sua era, Mari. Não, minha mãe teve um momento de empreender, mas minha mãe fez toda a carreira dela na educação, é uma executiva, enfim, sempre vi ela trabalhando muito, por isso concordo com você, Paula, é isso assim, ela esteve muito ausente porque o crescimento profissional da mulher se dá numa época em que geralmente os filhos estão pequenos, né? Obrigada.

mas eu nunca senti essa ausência pelo contrário, eu cresci olhando pra ela e falando, é possível ser mãe e ter carreira, porque minha mãe tem três filhos também sempre foi, não sei como se fez muito presente, ainda que não estivesse

E pra mim cresceu com essa certeza de que sim, se me dizerem que eu não posso ter tudo, estão mentindo. Eu vi minha mãe fazendo. Então acho que a gente assiste elas sendo mulheres, né? E aí a partir disso a gente também queria... E de certa forma isso inspira também, né? Inspira. Mari, porque é o que eu também...

De novo, o peso pro homem é muito menor e incomparável com o da mulher. Mas eu também, às vezes, me culpo. Eu viajo muito, às vezes eu passo dois, três dias sem ver minhas filhas. E eu fico, putz, eu sou aquele pai que não vê as filhas. Eu sou... Enfim. E aí a gente fica se culpando. Por outro lado, eu falo, cara, eu quero que minhas filhas tenham o que eu tive com os meus pais, com os meus avós, que era a inspiração de que, cara, ele corria atrás, ele ia buscar as coisas que ele acreditava, ele se entregava pro propósito dele. Porque, no fim, enfim...

Perfeito a gente não vai ser, né? Mas pelo menos alguma coisa tem de valor nisso também, né? A gente sempre erra tentando acertar. Mas sabe que eu acho que eu escolhi o empreendedorismo exatamente por já ser mãe. Quando eu entrei no mercado de trabalho, eu muito pouco tempo depois já tive meu filho. E eu trabalhava antes com moda, no audiovisual.

E aí, a intenção, quando eu decidi empreender, a maternidade teve um peso muito grande nisso que era eu quero ter um pouco mais de controle e flexibilidade com o meu horário. Então, partiu um pouco desse lugar, de eu conseguir ter uma agenda que eu pudesse manejar.

É um pouco idealista. A gente idealiza isso enquanto empreendedor. Nem sempre dá certo depois que vai. Assim, respondendo a algo ou alguém. Mas pela intenção de ter um pouco mais de controle da minha agenda. Então, acho que a maternidade foi fundamental na minha escolha em empreender. Eu estou no olho do furacão. E, às vezes, eu olho e falo, gente, como que eu vou dar conta disso no futuro? Porque eu ainda estou imersa na minha casa. Estou trabalhando, mas...

em algumas ocasiões, não todas, então eu não tenho reunião como eu tinha antigamente, em outras coisas. E, gente, ficar em casa durante três, quatro meses, ainda com ascensão de tecnologia, AI, cloud, chat de EPT, eu juro por Deus que, para mim, parece que eu estou no apocalipse. Eu falo, gente, o mundo está acabando, eu não sei o que fazer daqui. E agora? Vocês sentiram isso? Porque, para mim, está sendo assim. Tipo, juro, eu olho para o lado e falo...

Dá certo no futuro? Porque eu não sei. Eu... Pra mim, assim, eu tive gravidez de alto risco. Então, foi terrível nesse sentido de ficar ali... Parada. Parada. Então, no fim, quando as crianças nasciam...

Eu me sentia um pouco mais... Um alívio. Exatamente, um alívio. Tipo, agora eu conseguia fazer algumas coisas, trabalhava em casa, fazia... E é lógico, a gente tinha muito menos acesso, internet e tudo mais.

30 anos atrás. Mas eu acho que realmente essa coisa do... Você fica se perguntando como eu vou dar conta de tudo isso, mas eu acho que a mãe tem isso. A gente dá conta, é natural. É como o parto. Ai, como a dor, eu vou aguentar, não vou aguentar. Cara, você nasceu formada para aquilo. Mas eu vou falar um negócio para vocês. A minha esposa, a gente tem duas, uma de três e uma de quatro. A Paulinha conhece ela, a Manu também. E no começo...

Eu ficava meio em choque, porque eu falava, cara, não vai dar certo. É muita coisa. E eu tentava ajudar, mas tem coisas que eu não consigo fazer, enfim. E por mais que eu tentasse, beleza, eu troco a fralda, eu dou o colinho para tentar dormir. Ela chorava os prantos porque queria o colo da mãe. Desesperador isso. Mas, cara, eu acho que tem uma virada de chave quando a mulher vira mãe.

que parece que ela vira realmente a Mulher Maravilha. Eu não sei como a minha esposa dá conta da quantidade de coisa. Ela trabalha pra caramba muito, chega em casa tarde e tal, e tá sempre trabalhando, correndo. E a nossa casa funciona perfeitamente. Claro, eu tento ajudar onde eu posso. As crianças... Pô...

funcionam. Eu falo, cara, que mágica que você faz. Eu não sei, mas ela faz mais. Manda ela me ensinar. Você já sabe. É que você não acha. Ela também acha que está o caos. Está o caos. Ela também acha que está o caos. Manu, também acho que é um pouco da gente passar a entender qual pratinho vai cair. Vai cair. E tudo bem? Tudo bem.

O mundo não vai acabar. Se acabar, a gente vai estar na nossa bolha aqui e vai acabar pra todo mundo. Eu já aceito pisar em brinquedo. Isso, porque eu acho que... A parede rabiscada, tá tudo certo. Essa decisão, qual pratinho eu vou deixar cair? Porque você vai se cobrar, não deixar nenhum. E uma hora você vai falar, quer saber? Só vai. E aí caiu e você vai ver que não... Tá bom, caiu, mas... O mundo segue. Segue, tá tudo bem. E aí vai. Entendi. Agora a gente vai chegar no retrato do convidado.

Um conselho para quem acabou de virar mãe e tem uma carreira pela frente. No caso eu, né? Quase isso. Tenha certeza absoluta que você vai dar conta de tudo e foca na tua carreira. Porque lá na frente, teus filhos vão ter o maior orgulho da tua carreira, da mulher que você foi, de tudo que você deixou para eles como aprendizado. Perfeito. Bri, conta um dia das mães inesquecível para você.

O Dia das Mães Inesquecíveis foi na escola, onde a gente foi para um parque fazer atividade física. Nós gostamos bastante de exercício, tudo. Fui eu com os dois na mesma escola, então foi uma delícia. Foi muito bom, muito bom. Muito bacana. Mari, tem uma coisa que seus filhos te ensinaram que nenhum livro de negócio ensinou?

Acho que a prioridade, o que é prioridade, o que é prioridade, acho que eles me ensinaram, eu passei a ver com muito mais clareza o que realmente é prioridade e segue ensinando. Acho que eles trazem a gente, eles aterram a gente, mas também expandem. Então a gente fica com o pé no chão e a mente, assim, né?

Para tudo, porque a gente vive através deles, sonha por eles, mas para mim é muito claro o que é prioridade e o que não. Sabe que quando a Manu fez a pergunta, eu lembrei da tua resposta sobre escolher qual pratinho vai cair. É. Falei, cara, isso é de uma sabedoria tão profunda que eu acho que a maternidade... Fica tranquilo com cair mesmo. Vai cair o outro, tá tudo bem. Vai fácil. Vou fazer uma pergunta que não tá no script. Manu, como é que tá a sua expectativa para o primeiro dia das mães?

Vou chorar. Antônia, conta pra gente. Gente, é muito emocionante. Eu acho que ser mãe, assim, é um amor de outras vidas. Eu acho que se tivessem me contado, eu não teria acreditado. Não dá pra entender. Porque você não consegue entender. E cada dia que passa, minha mãe sempre me falou isso. Filha, o amor cresce. Você vai ver. O primeiro dia é um dia. O segundo vai crescer. O terceiro...

E ser mãe é você estar na sua casa, a sua filha estar no quarto do lado, você sentir saudade. Eu nunca tinha visto isso na minha vida. Então, é muito estranho, é muito louco. E eu estou, assim, muito emocionada. Eu acho que é uma bênção surreal. Boa. Vamos terminar, então. Eu vou fazer uma pergunta para cada uma. Ser mãe para você, Edri?

É o amor mais puro que existe na face dessa terra. Para você, Mari. Para mim é o amor incondicional. Eu costumo dizer que a gente não pode ter nessa vida amor incondicional e liberdade plena. Acho que você não tem os dois juntos. Então, antes de ter filho, você tem a liberdade plena, porque é você por você. Depois que você tem filho, você deixa de ter a liberdade plena, mas passa a conhecer o amor incondicional, que não precisa de condições para existir.

Verdade. E é engraçado que é muito prazeroso ceder essa liberdade. Muito. Nossa. Eu não tenho nenhum apego. Leva? Absolutamente. Para ter esse amor incondicional, leva? Mas acho que o grande comparativo é esse. Você não tem os dois. Escolha o seu. Escolha um. Paulinha, para você? Eu acho também que é o amor incondicional, sem dúvida. E uma força.

que eu não sei de onde vem. A mãe tem uma força que eu não sei de onde ela vem. Você derruba um muro se você precisar salvar o seu filho que está do outro lado. É uma coisa que é desse amor incondicional. Então, acho que é uma força incondicional também ligada ao amor. Chegamos agora no momento Panela de Pressão. Panela de Pressão.

Eu acho que a gente já falou um pouquinho disso, mas dá para ter tudo? Maternidade, carreira, saúde mental, ou sempre tem um que cede? Dri, conta aí para a gente, o que você acha? Olha, eu acho que é possível a gente equilibrar tudo, né? Quando a gente consegue...

É estar centrado, porque quando a gente fica olhando muito para fora, comparando com o mundo, aí você se cobra algo que não tem nada a ver com a sua essência, muitas vezes, e pode se perder. Então, eu costumo dizer que quando a gente está na gente, no centro a gente sente leveza. Tem até um livro de Bert Hellinger que chama No Centro Sentimos Leveza.

E quando a gente está ligado com a nossa essência, com o nosso propósito, a gente equilibra os pratinhos de uma forma que a gente nem sabe como.

E está tudo bem, né? Então, eu costumo olhar, eu falo que eu sou a doente da melhoria contínua, obsessiva por isso. Mas eu olho para mim. Como é que eu estava ontem? O que eu posso fazer hoje? E assim por diante. Dá um certo de sossego, mas é muito bom. Então, acredito que sim. E quando a gente está olhando para dentro, a gente consegue, inclusive, cuidar melhor da nossa saúde mental.

Faz sentido. E eu acho que, de novo, isso é um problema da sociedade atual, né? A gente está num nível de conforto quando você compara com 50 anos atrás. É incomparável. Todo mundo tem ar-condicionado em casa, todo mundo hoje consegue chegar mais rápido nos lugares, a gente come melhor, tem mais acesso... Telefone, né? As pessoas, as coisas, etc. E, ao mesmo tempo, a sociedade está mais infeliz. O que está acontecendo?

Porque a gente está se comparando mais, a gente está se vendo o tempo todo. E eu acho que isso é um grande problema da atualidade. Conta aí, Mari, dá para ter tudo? Dá, eu sou uma eterna otimista. Eu acho muito cruel dizer para uma mulher que, pelo fato dela fazer uma escolha para a maternidade, ela já não pode mais ter outras coisas. Eu vou defender...

Eternamente, que sim, ela pode ter tudo, deve ter tudo. Eu acho que a maternidade não pode ser um ímpeto, algo que acabe com a ambição da mulher. Porque acho que às vezes fala-se muito de carreira sem considerar a parte ambiciosa também. Parece que a mulher vira uma figura santificada e que ela deixa de ter...

desejos, enfim, pulsões que estão além da maternidade. Então, eu acho que o homem tem um papel de várias maneiras, né? Seja o homem como pai, como parceiro, como chefe, como parte da sociedade, o homem tem um papel fundamental em a mulher poder continuar desejando tudo após ser mãe. Porque só se eles fizerem o papel deles é que a gente vai poder ser completa no nosso também. Então, sim, dá, mas os homens precisam ajudar. Ajudar.

Tem que ajudar. Concordo, concordo. Bom, e aqui a gente tem quatro provas vivas de que dá. E uma pergunta, uma pergunta. Uma última pergunta nessa panela de pressão. Minha mãe sempre me falou que o filho é da mãe. Vocês concordam com isso ou não?

Eu discordo. Pelo meu marido, eu discordo. Acho que, em parte, sim. Quando eu vejo pela figura geral, acho que sim. O filho é sempre da mãe. Mas um bom pai... Muda tudo. É insubstituível. Não concordo. A mulher não vai ocupar esse lugar. A mãe não vai ser o pai.

Exato. Então, ambos têm seu papel. Estamos falando, obviamente, de um cenário de uma família heteronormativa, mas eu acho que o pai é insubstituível. Eu vivi com pais separados desde os meus oito anos, Mari. E os dois tiveram um papel muito importante na minha vida. E muito presentes e muito importantes até hoje. E cada um com o seu papel. Cada um tem o seu...

Sou o personagem dentro da minha história, mas muito importantes os dois.

Você concorda, Paulinha? Eu concordo. Eu concordo com o que você falou, mas eu acho que mesmo sem um homem, porque eu criei meus dois filhos sozinha, mesmo sem um homem a gente consegue equilibrar as coisas. Momentos de insanidade todos temos, mas eu acho que a gente consegue equilibrar. E acho isso, acho exatamente isso. Acho que o homem tem o papel dele, o meu ex-marido teve o papel dele.

Não foi presente, mas teve o papel que foi importante no tempo que teve. E o meu filho, a gente tinha uma família de mulheres, basicamente. Muitas mulheres na família, pouquíssimos homens. E acho que eu consegui ter bons amigos, aonde ele se inspirou, aonde ele via a retidão, honestidade, o lado masculino. E foi tudo bem. Então, acho que a gente consegue equilibrar tudo até sem a presença de um homem. Boa, boa, Paulinha.

Aprendendo aqui, você vê que não é momento panela de impressão mesmo, né? Só para fechar o panela de impressão, Dri, você que olha um pouquinho mais esse olhar de educação, enfim, formação de times e etc, que eu sei que você trabalha muito nessa frente, você acha que a adolescência tem um peso mais complexo do que a primeira infância ali? Acho que a primeira infância tem uma carga física muito grande, né?

Mas a adolescência bagunça mais o coreto dos pais. Como é que é isso? Olha, para mim, a adolescência dos meus filhos foi extraordinária. Então, chegam muitas pessoas que falam, ai, meu filho isso, meu filho aquilo. Na adolescência, eu falo, não. Não é possível, porque foi incrível. E acho que a diferença que teve é que eu respeito a individualidade deles.

Eu não quero impor que eu quero que eles façam ou que eles sejam. Então, eu respeito os dois como indivíduos, com o que eles gostam de fazer, com o sonho que eles têm para fazer. Eu dava aula em pós-graduação e o Renan, o sonho dele era ser jogador de futebol. E ele foi jogador profissional em Portugal, aqui no Brasil também.

E eu falei para ele, filho, para de estudar. A mamãe estuda até hoje, depois você estuda. Vai seguir o que você quer fazer. Então, eu sempre apoiei, sempre. Tudo que eles precisaram contar comigo. A Gabi é fashion designer, ela tem a grife dela. Então, ela me deixava maluca. De três aninhos, a gente ia na loja de sapato, ela queria um pé de sapato diferente do outro, desde pequena.

E eu dava uma hora, não comprava, porque senão não é para andar. Mas assim, sempre apoiei. Então se eu pudesse dar uma dica para os pais de adolescentes, é respeite a essência do seu filho, da sua filha, como ela é.

Eu acho que na adolescência uma coisa que é muito importante, que eu vejo que com a gente ali no meu núcleo funcionou demais, foi o diálogo. Eu sempre conversava muito, porque como eu estava mais ausente, eu conversava para que eles entendessem tudo sobre drogas, sobre sexualidade, sobre tudo, para não ter que sair buscando pelo mundo.

Porque aí eu não sabia como a coisa aconteceria. Então, eu acho que o diálogo dentro da adolescência é tão importante. Muitas vezes, como ele é mais difícil, né? Porque, lógico, você está com uma personalidade ali que já está formada, já está cheia, borbulhando de vontades e tudo mais. Então, lógico que esse diálogo é mais difícil, né? Sim.

Mas ele é fundamental. É a hora que ele começa a querer experimentar o vídeo. Exato. Então, é a hora que você tem que realmente conversar, puxar para você e trazer para dentro. Eu lembro que eu falava, traz todo mundo aqui para casa, a gente vai fazer um lanche super legal. Então, assim, foi muito importante. Acho que eu também tive muita sorte por isso. Tive dois adolescentes muito legais. A minha mãe foi mãe muito jovem também, assim como a Mari. Acho que o primeiro filho da minha mãe, ela tinha 21, então, bem próximo.

Minha mãe ia pra balada comigo. A gente era tão próximo que a gente saía junto, ia pra balada, as festas eram lá em casa, minha mãe entrava na farra com a gente. Eu fiz muito isso também com a menina. Saio com ela até hoje. Eu tenho 60, ela tem 36 e a gente, nossa, show, se diverte, adoro. É, muito bacana.

E aí, Mari, como é que foi pra você? Porque você já tem um adolescente... Sim, ele tá entrando agora na vida adulta. Pra mim foi o mesmo que eu também. Meu filho, eu costumo falar que ele veio pronto. Ele foi bem tranquilo, assim. Mas acho que é a gente receber.

O adolescente é isso, é receber o mundo deles, deixar que eles contem pra gente. Porque senão parece que pra toda história você vai ter uma grande moral no final. E aí tem uma hora que a pessoa, né, assim, é chato também. Alguém que toda hora vai querer te dar uma lição de moral em cada coisa que você viver. Então eu acho que é uma hora de continuar conduzindo.

mas deixar que eles expressem quem eles são, mostrem o mundo deles, mostrem a visão de mundo que eles têm, respeitar verdadeiramente isso e puxar o universo deles para dentro. Trazer amigo para dentro de casa, permitir que eles possam expressar exatamente quem eles são.

Eu acho que é um dos momentos que nós, como mães, mais aprendemos. É, também acho. E eu acho delicioso. Eu acho que cria um monstro que não é isso. É muito legal a adolescência. É muito legal. Eu fiquei muito emocionada em vários momentos na adolescência porque você se vê naquela descoberta do mundo. Você não sabe nada, mas você está com o mundo inteiro para você. É uma fase muito legal.

Gente, então chegamos naquele momento que o povo de casa ama. Os melhores restaurantes, especial o Dia das Mães. Paulinha, um restaurante para passar o Dia das Mães em um prato. Ah, vou ser bem tendenciosa, né? Eu acho que tem dois lugares incríveis em São Paulo para você passar esse domingo lindo. Um é a Fazenda Churrascada, que a gente está com um prato especial de Dia das Mães.

E o outro é o Jardim Churrascada, que dentro do parque, aquele clima de família, dentro daquele parque, vendo as figueiras, é muito gostoso, é muito família. Adoro ir lá com os meus netos, com os meus filhos, porque é gostoso se sentar lá e ficar olhando o parque, que faz parte da história da gente também, né? O Parque Ibirapuera. Então, convido para esses dois... Deixando o médico gastronômico. Mas vamos!

apesar de eu também amar Fazenda Chascada e Jardim Chascada eu quero outro tá bom, então eu vou te falar um que eu ia muito quando eu era adolescente com a minha mãe com o meu pai que é o Almanara a gente ia muito no Almanara, adorava sentava naquela mesa redonda é uma lembrança assim, bem de adolescência e infância você Dri olha, em família a gente vai muito no rascal

Legal. Tem pra todo mundo, né? Tem pra todo mundo, aí cada um escolhe. Todo mundo sai feliz do rasgo, não tem como. Todo mundo sai feliz. Mas nos últimos anos a gente tem ido, nós estamos fazendo brush em algumas padarias, assim, que também é algo diferente. Tem alguma que você gosta mais? Solta a dica. Eu tava aqui pensando, tem uma ali no Itaim, eu não lembro o nome, é o terceiro ano que a gente vai passar lá, mas eu não lembro o nome. Na Mesquina?

Não, é numa rua bem pequenininha, tranquila, no meio. Depois você manda para a gente, a gente... Eu vou olhar e manda, escreve aqui embaixo. E você, Mari? Para mim, é o Juca Alemão. Juca Alemão é um restaurante alemão. E, gente, eu acho muito incrível, porque ele representa uma categoria de restaurantes, primeiro, acima de modismos, ele está igual a 65, sei lá quantos anos eles têm.

Eu amo tudo sobre manter-se através dos anos. E é um lugar que chama famílias. Então, acho assim, a média dos clientes do Juca Alemão deve ser entre 75 e 85 anos. Então, toda vez que eu vou lá, eu fico muito tocada, porque é um ambiente familiar. E no Dia das Mães, o negócio explode. Você chega às 11h30, a fila já está.

E eu amo essa vibe de um restaurante que ultrapassa o tempo, ultrapassa as gerações e que a família encontra um lugar ali. Agora, na unidade que eu vou, que é ali do Campo Belo, tem uma brinquedoteca. Então, é uma delícia isso. É uma pessoa de 85 anos com um de 5 correndo, 500 garçons, aquele monte de comida alemã. Eu adoro esse lugar e eu acho um restaurante muito família.

Legal. Boas dicas. E você, Manu? Vai pra onde? Já decidiu? Normalmente, eu gosto de pedir em casa. Meus pais são meio, assim, de... Enfim, pegar filas, etc. Tem dois lugares que a gente gosta de pedir bastante. Um, Jardim de Nápoles. E o outro, Camponesa, que é o melhor parmediana, que eu amo de paixão. E você, Gabi? Eu, a minha esposa vai saber agora, mas eu e as meninas vamos cozinhar pra ela. Uh! Vai ser a farra boa no domingão.

Ê, delícia. Gente, que papo incrível. Assim, muitos aprendizados. Eu que sou mãe de primeira viagem ainda, estou conhecendo esse mundo. Manu trouxe o caderninho pra tomar nota. Tá aqui, tá aqui. Três mulheres diferentes, com momentos incríveis, e que mostram que dá pra construir realmente uma carreira com alma. E o negócio também. Então, muito obrigada pela presença de vocês. Hoje foi um match gastronômico muito especial aqui.

Adorei. Acalentou o meu coração. Muito bom, muito bom o programa. Eu aqui mais aprendendo pra ajudar a minha esposa em casa, mas foi muito bom pra mim também, foi riquíssimo o papo. Até porque paternidade também faz parte dessa discussão. Lógico. De uma forma importante e deveria fazer cada vez mais, como a Mari mesmo colocou. Bom, se esse episódio te inspirou, já se inscreve no nosso canal e ativa o sininho pra não perder nenhum outro, porque tem mais por vir.

É isso, até a próxima. Feliz Dia das Mães e para todas as mamães que estão nos assistindo. Um grande beijo, até a próxima semana. A opinião dos nossos comentaristas não reflete necessariamente a opinião do Grupo Jovem Pan de Comunicação.

Realização Jovem Pan.

Match Gastronômico #114 - Especial Dia das Mães: maternidade, carreira e empreendedorismo | Castnews Index — Castnews Index