Episódios de Caminhadas com Intenção

T32_Ep134 | ** Disciplina: o teu corpo é o teu solo; trata-o como tal. **

10 de maio de 202636min
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“Cuida do teu corpo. É o único lugar onde tens de viver.”
Jim Rohn

O corpo é o primeiro território. A fundação de tudo o resto.
E no entanto, é muitas vezes o último a receber atenção.

Neste episódio trago-te uma caminhada em duas partes.

Na primeira, apresento o modelo SOLO: quatro pilares simples e adaptáveis para cuidares do teu corpo com disciplina e intenção, não com rigidez ou perfeição.
Sono, Oxigénio, Leveza e Ordem. 
Não uma fórmula. Uma base a partir da qual constróis o que faz sentido para ti.

Na segunda parte, exploramos o que a maioria ignora: o corpo como arquivo emocional.
O que guardamos nele sem saber.

E como as práticas somáticas, nomeadamente o grounding e o body scan, podem ser o caminho de cura que as palavras não alcançam.

No final, fazes uma prática de body scan, de pés descalços no solo para te conectares com ele, seguida de uma avaliação do teu diagnóstico SOLO para perceberes a que pilar precisas começar a dar atenção.

O teu corpo sabe o que precisa. Hoje aprendemos a ouvi-lo

.Se este episódio te deu algo para levar, partilha-o com alguém que também precise de o ouvir. É assim que estas caminhadas chegam a mais pessoas e geram maior impacto. 
Se quiseres aprofundar a tua Viagem Regenerativa ou em algum momento te sentires perdido(a), deixo os meus contactos para agendares a tua primeira sessão de coaching regenerativo. A primeira sessão é gratuita
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Encontramo-nos todos os domingos!

Sandra Matos
Participantes neste episódio1
S

Sandra Matos

HostMentora regenerativa
Assuntos4
  • Interpretação do Corpo e EmoçõesEmoções guardadas no corpo · Práticas somáticas para cura · Grounding e body scan
  • Autossabotagem e disciplinaSono e recuperação · Oxigênio, movimento e respiração · Leveza e nutrição intencional · Ordem, ritmo e previsibilidade
  • Conscientização Corporal e TécnicaConexão com os pés no solo · Sensações corporais e atenção plena · Libertação de tensão física e emocional
  • Avaliação do modelo SOLODiagnóstico dos pilares: sono, oxigênio, leveza, ordem · Identificação do pilar mais frágil · Definição de um ponto de partida para o cuidado
Transcrição95 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Bom dia, alegria. Sou Sandra Matos, mentora regenerativa e todos os domingos serei a tua guia numa caminhada com intenção. Esta é a nossa viagem regenerativa, inspirada nos ciclos da natureza, para que possas regressar a ti, reencontrar o teu equilíbrio e renovar-te. A cada domingo, damos juntos mais um passo neste ritual de pausa e reflexão, abrindo espaço para seres quem queres ser e viveres a vida verdadeiramente queres viver, com um propósito e com uma intenção. Seguimos viagem?

Cuida do teu corpo. É o único lugar onde tens de viver. Jean Rohn. O único lugar onde vives. Não temporariamente, permanentemente. E no entanto...

Quantas vezes é este o último lugar a receber a tua atenção? E bem-vindos e bem-vindos a mais uma caminhada com intenção. A passada semana foi um episódio diferente, mais pessoal, mais posto. E estou grata por todos aqueles que me escreveram, que partilharam, porque é exatamente para isso que este espaço existe. Para nunca sentirmos que estamos sós nesta nossa jornada.

Mas esta semana voltamos ao nosso caminho de alinhamento. Um alinhamento através da disciplina. E se começas hoje connosco, és muito bem-vindo ou bem-vinda. Já estamos a meio desta viagem regenerativa, mas este é também um ótimo momento para começar. Construindo a disciplina que nos dá a liberdade, não autoridade ou rigidez.

Uma disciplina que nos permite construir a nossa identidade pelas pequenas ações, decisões, hábitos e rituais que fazemos no nosso dia-a-dia. A nossa vida é feita disso mesmo, não só de grandes feitos ou acontecimentos, mas principalmente do que vivemos, pensamos, sentimos e agimos nos pequenos momentos.

E começamos esta etapa da disciplina pelo mais concreto, pelo mais tangível, pelo mais imediato que temos, o nosso corpo. Tenho falado muito de identidade, de hábitos, de rituais, de liberdade interior, e tudo isso é real e importante. Mas há uma fundação que sustenta tudo isto e o resto até, e que muitas vezes ignoramos até ela começar a falhar.

Essa fundação é o corpo. Não como uma máquina de produzir resultados, não como algo a controlar ou disciplinar com força, mas como um solo, como a terra onde tudo o que somos cresce ou murja.

E hoje quero falar de como cuidar desse solo com intenção. Uma caminhada dividida em duas partes. O solo como aquilo que nos sustenta. E por outro lado, as emoções que sentimos no nosso corpo. As quais podemos controlar.

Começamos pela nutrição do nosso corpo como um todo, tal como precisamos nutrir um solo para que nele possa florescer vida. Solo é a terra que sustenta, é o que nutre as raízes, é o que permite que algo cresça e é também algo que fazemos por nós próprios para nós próprios.

Por isso, uso a palavra em si, solo, como um acrónimo para relembrar-te como preciso e como devo cuidar do meu corpo. Quatro letras, quatro pilares. Um guia para cuidar do teu corpo com disciplina, não com rigidez. E digo guia com intenção. Porque se já me conheces, sabes que eu não dou receitas milagrosas nem planos infalíveis. Não é isso que faço, sinceramente nem é isso que acredito que funciona.

Cada pessoa é única e especial do seu jeito. Cada um de nós está no seu caminho. E cada um de nós está num momento de vida que pede coisas diferentes. Cada corpo é único também. Por isso, o que faço apenas é dar as bases, os pilares. O ponto de partida a partir do qual cada um constrói aquilo que fizer mais sentido para si.

E é exatamente isso que solo é. Não é uma fórmula a seguir cegamente, mas uma base da qual podes começar, onde podes ver e onde podes perceber, onde precisas de investir mais atenção. Quatro letras. Quatro perguntas simples para te fazer regularmente sobre o teu corpo e sobre o que ele precisa. O S é de sono. Aquele pilar que restaura. Associado à recuperação, ao descanso, ao ritmo circadiano.

O O de oxigênio, o pilar que move e recula, ligado com a respiração, o movimento e o exercício. O L de leveza, o pilar que nutre energias e nos traz a nutrição, a leveza no corpo, a alegria, a energia. O O de ordem.

O pilar que sustenta e dá ritmo, através da disciplina diária. E com isto, vamos ver cada um deles em detalhe. O S de sono. Começo por aqui porque é o pilar mais subestimado e o mais sabotado também. O pilar que restaura. Associado à recuperação, ao descanso, ao ritmo circadiano.

Vemos uma cultura que ainda glorifica o pouco sono como um sinal de produtividade. Duro um pouco, mas faço muito, perdoa-se muito, como se o descanso fosse uma fraqueza, como se parar fosse perder tempo. Mas não é. É exatamente o oposto. E finalmente começamos agora a falar da importância do sono e do descanso. Mas confesso que ainda com muito para mudar. Certo? Talvez te revejas aqui também.

Mas pensa um pouco. Enquanto dormes, o teu corpo repara tecidos. O teu cérebro consolida memórias, processa emoções, limpa toxinas acumuladas durante o dia. O sistema imunitário fortalece. As hormonas regulam-se.

É durante o sono que a regeneração acontece de verdade, não quando estás acordado ou acordada a fazer coisas. O curso real da privação do sono não é só cansaço, é ficar irritado ou irritada sem explicação, é dificuldade em te concentrares.

São decisões mais pobres e mais impulsivas. É uma maior reatividade emocional. Reage de forma completamente desproporcional a situações que num dia descansado irias reagir com maior facilidade. É estar mais sujeito ou sujeito à doença. Porque o corpo sem sono é um sol seco e empobrecido. Nada cresce bem nele.

Então o que é esta disciplina no sono? O que é ter disciplina no sono? Não é só garantir oito horas perfeitas todas as noites, porque na realidade isso nem sempre é possível, mas é criar condições consistentes para que o sono seja restaurador. Na prática, de uma forma muito simples, significa teres uma hora aproximada sempre para deitar e para acordar, até mesmo aos fins de semana.

Criar um ritual de desaceleração na última hora do dia, ou melhor, nas últimas horas do dia, sem ecrãs, sem estímulos, sem aquele scroll infinito que alimenta o cérebro quando ele precisa mesmo de começar a desligar. O telemóvel deve ficar fora do quarto, longe da cama. O próprio quarto deve ter um ambiente adequado, uma temperatura fresca, escuridão, silêncio. Um ambiente sereno e tranquilo para o corpo poder adormecer completamente.

E antes de adormeceres, pensa sempre numa intenção para o dia seguinte. Deixa a mente saber que o dia terminou e que pode finalmente descansar. A disciplina do sono não começa quando te deitas, começa horas antes. É uma decisão consciente de respeitar o teu corpo o suficiente para lhe dar o que precisa para se regenerar.

porque sem essa regeneração não conseguimos fazer o resto. E com isso passamos à segunda letra do acrónimo SOL, o O de oxigênio, o pilar que move e regula, ligado com respiração, movimento e exercício.

Eu vou-te já tirar daqui de imediato aquela pressão que muitas pessoas sentem em relação ao exercício. Eu não estou a falar de ir-te ao ginásio 5 vezes por semana, nada disso. Se fores, ótimo, e se gostares de o fazer, melhor ainda. Mas sinceramente não estou a falar de performance, de quilómetros percorridos ou de calorias queimadas.

Estou a falar de algo muito mais fundamental. Mover o que está parado. O corpo foi feito para se mover. Quando não o fazemos, a energia física estagna. As emoções ficam presas sem saída. A criatividade diminui. O amor afunda. A ansiedade aumenta.

E garanto que isto não é metáfora, é fisiologia. O movimento é uma das ferramentas mais poderosas de regulação emocional que existem. E ainda por cima, é gratuita. Na prática, a disciplina do movimento significa coisas tão simples como encontrar uma forma de mover o corpo todos os dias. Não apenas quando tiveres tempo, não apenas quando tiveres vontade, todos os dias. Pode ser uma caminhada de 20 minutos.

Pode ser dançar na cozinha enquanto fazes o jantar. Pode ser alongar o corpo de manhã antes de qualquer outra coisa. Pode ser subir escadas em vez do elevador. Mas com intenção e com presença. O que importa é que seja consistente. Um movimento que seja intencional e que seja escolhido. Não uma obrigação que resistes, mas um ritual que te devolve energia.

E depois, com o movimento, há também a respiração, que é provavelmente a ferramenta mais poderosa e mais ignorada que tens, também disponível a qualquer momento, sem custo, sem equipamento, sem sequer teres de te mexer.

Já me ouviste falar muito aqui sobre a respiração, mas vale sempre a pena voltar a recordar. Porque quando o sistema nervoso está ativado, quando estás em stress, em ansiedade, em reatividade, a respiração é o caminho mais direto e mais rápido para o regular. Uma inspiração longa e profunda pelo nariz, contas até 4.

uma retenção breve e uma respiração ainda mais longa, contando até 8. Esta respiração simples ativa o teu sistema nervoso parasimpático, que é exatamente aquele que promove a conservação da energia, desacelera o ritmo cardíaco, diminui a pressão arterial, entre muitas outras coisas. Esta respiração simples, este parar conscientemente para respirar, onde o corpo começa a recalibrar, onde a mente.

a branda. Por isso a disciplina aqui é simples, respirar conscientemente, pelo menos uma vez por dia, com intenção. Não precisas de uma meditação formal se isso não for o teu caminho, mas pode ser apenas nos dois minutos antes de uma reunião difícil ou de uma conversa difícil.

Pode ser no carro, antes de entrares em casa. Pode ser de manhã, antes de pegares no telemóvel e começares o teu dia. Dois minutos. Dois minutos de respiração consciente mudam o estado do teu sistema nervoso. E por isso, mudam tudo o que vem a seguir.

Acima de tudo, trazem-nos mais leveza, o significado da próxima letra, mas que na verdade está associado ao que nos nutre e ao que nos dá energia, a nutrição. Mas não da forma que estás habituada ou habituada a ouvir. Não vou falar de dietas, nem sequer tenho formação para isso.

Também não vou falar de alimentos proibidos ou de regras alimentares rígidas. Isso para mim não faz sentido. Vou sim falar de leveza, porque é exatamente isso que uma nutrição intencional te dá. Ou te retira, quando está ausente. O colocas no corpo de fina energia com que vives o dia.

Defina a clareza com que pensas. Defina a clareza com que pensas. Defina a clareza com que pensas. Defina o humor com que acordas. Defina a capacidade que tens de regular as tuas emoções. O intestino e o cérebro estão em comunicação constante. O que comes afeta diariamente como te sentes, como pensas e como reages.

O corpo é o teu solo e o que comes é o que o alimenta ou empobrece. Na prática, a disciplina da leveza começa com uma consciência antes de começar com a mudança. Antes de alterares o que comes, observa como comes. Comes com presença ou em piloto automático, olhar para o telemóvel, a trabalhar, a ver televisão. Comes quando tens fome.

por tédio ou por recompensa emocional. Aquilo que comes dá-te energia nas horas seguintes ou deixa-te pesado ou pesada e sem qualquer vontade de fazer nada. Estas perguntas simples, feitas para serem respondidas com curiosidade e sem julgamento,

elas já são uma disciplina. Porque a disciplina não começa só na força de vontade, começa na consciência. E claro que depois é tudo o resto, as escolhas práticas que fazem diferença sem precisarem de ser perfeitas.

Começares o dia com água, antes do café, antes de qualquer coisa. Dares prioridade a alimentos completos, alimentos reais, em vez da alimentação processada. Não precisa de ser sempre, não precisa de ter aquela rigidez, mas preferires muito mais uma alimentação cuidada, os alimentos sazonais, os alimentos naturais, em vez daquela comida processada. Comer sentada ou sentada.

devagar, com presença. Reduzir o açúcar, não como uma punição, mas como um ato de cuidado, pelo sol que és. Leveza não é comer menos, é comer com intenção.

É tratar a alimentação como um ato de cuidado, não de controle, não de punição, muito menos de recompensa emocional. Nós somos o mesmo que comemos e não é só uma frase clichê. Quando o solo está bem nutrido, tudo que cresce nele é muito mais forte.

E essa força vem também do último pilar, aquele que sustenta e dá ritmo através da disciplina diária, o O de Ordem, que une todos os outros. Ordem não é rigidez, não é uma rotina militar sem margem para o imprevisível, não é a perfeição. É ritmo, é consistência, é dar ao corpo e ao sistema nervoso a previsibilidade que precisam para funcionar de uma forma otimizada.

O nosso organismo tem um relógio interno, o ritmo circadiano. Este relógio é extremamente sensível aos nossos hábitos. Acordar e dormir mais ou menos à mesma hora todos os dias, comer com regularidade em vez de saltarmos refeições e compensarmos depois.

Expor-nos à luz natural logo de manhã, que talvez não saibas, mas é um dos sinais mais poderosos para equilibrar o ritmo circadiano e para regular-te o cortisol. Criar momentos de pausa ao longo do dia, em vez de funcionares em modo acelerado, constante, até colapsares. Tudo isto parecem gestos muito simples, mas és nesta simplicidade que está a força de tudo isto.

São estes gestos simples que dizem ao corpo uma coisa fundamental. Estás seguro. Há estrutura. Podes funcionar bem. A disciplina da ordem na prática significa escolheres aqui dois ou três pilares do sol e criares uma estrutura consistente à volta deles. Não mudar tudo ao mesmo tempo, porque isso é o caminho certo para desistires em duas semanas.

Mas escolheres um ponto de partida. Mantê-lo por três semanas ao tempo que for necessário até se tornar natural. E só então começas a trabalhar noutro. A ordem não te limita. Liberta-te da energia que gastas a decidir coisas básicas todos os dias. Quando o corpo tem ritmo, a mente tem espaço. E quando a mente tem espaço, és mais livre para o que realmente importa. Para quem realmente és.

Solo. Sono, oxigênio, leveza e ordem. Não como uma fórmula, mas como um guia. Adaptável à tua vida, ao teu ritmo, ao teu momento. Claro que cada um destes pilares dá para trabalhar muito mais, dá para criar disciplinas, dá para criar rituais, dá para criar uma ordem na tua vida, nos teus dias.

Mas hoje quero apenas deixar aqui as sementes do teu solo. Já falei noutros episódios anteriores sobre hábitos que podes criar, sobre rotinas que podes criar, sobre coisas que podes fazer, coisas simples que efetivamente te nutrem o teu corpo.

Mas começa a cuidar de ti à séria. Começa a ouvir o teu corpo. Começa a respeitar o teu corpo. Todos os dias. Porque o corpo não é só físico. O corpo é um arquivo.

Guarda tudo o que vivemos, não só as experiências físicas, mas também as emocionais. O que não foi processado, o que foi suprimido, o que foi demasiado para ser sentido num determinado momento, tudo fica guardado aqui, no nosso corpo.

Atenção nos ombros, não percebemos de onde vem. Num berdo no peito, que aparece sem aviso. Na dor nas costas, que não tem explicação, não tem uma explicação médica, clara. No cansaço, que não passa, mesmo depois de dormirmos.

O corpo não inventa, o corpo fala. E durante muito tempo, na nossa cultura, na nossa educação, na nossa sociedade, aprendemos a ignorar esta linguagem, a empurrar para baixo, a continuar sempre, a sermos fortes. Mas o que é empurrado para baixo não desaparece, a guardar ali. Falei nisso no episódio anterior e por experiência própria. Daí ter mencionado as práticas somáticas que agora te trago em mais detalhe.

Soma, em grego, significa corpo. E as práticas temáticas são todas as abordagens que trabalham a cura através do corpo, não apenas através da mente ou das palavras. São práticas que te levam a ouvir, a sentir o teu corpo, tal e qual como ele merece ser sentido e ouvido.

Podem ser práticas muito simples de respiração consciente, movimento expressivo, yoga terapêutico, trabalho com o sistema nervoso, técnicas de libertação de tensão e até de trauma guardado nos tecidos. Não são alternativas à terapia ou ao coaching, pelo contrário, são complementares. É um caminho paralelo de cura. O que as palavras não alcançam, o corpo pode libertar.

Eu tenho feito este trabalho na minha própria vida e tem sido um dos meus pilares para o meu processo de regeneração e de cura interior. Há coisas que eu só consegui soltar através do corpo que anos de conversa e de reflexão não teriam conseguido mover. Porque algumas coisas não precisam de ser compreendidas para serem libertadas.

precisam de ser sentidas no nosso corpo. E é o corpo, esse sol que habitas, que te dá essa possibilidade. Queres experimentar? Eu não sei onde é que estás a ouvir esta caminhada, mas se estás no exterior, procura um local onde te possas descalçar. Vá uma zona de relva, de areia, terra, qualquer superfície natural que tenhas perto de ti. Se estás em casa e não te apetece sair, tudo bem. Trabalhamos com o chão de onde te encontras.

Mas o que é importante é que estejas descalça ou descalça, que haja um contacto direto entre os teus pés e o que te sustenta. Tira os sapatos, tira as meias. E fica um momento a sentir isso, o contacto da pele com o chão, a textura, a temperatura, a firmeza ou a suavidade sobre os pés.

Este ato simples que estás a fazer tem um nome. Chama-se grounding, aterramento. E não é apenas uma metáfora. O contacto físico dos pés descalços com a terra tem efeitos provados e comprovados no sistema nervoso. Reduz o cortisol, regula a inflamação, acalma a mente. O corpo reconhece este contacto como segurança, como regresso, como regresso à base, àquilo que somos.

a nossa terra.

Podes estar parada ou parada, podes caminhar devagar. Não há forma errada de fazer isto. Se estás parada ou parada, fecha os olhos, se isto for confortável. Sinta o peso do teu corpo distribuído pelos dois pés. Nota se te inclinas mais para um lado ou para o outro. Se há mais pressão no calcanhar ou na ponta do pé. Apenas observa, não faças mais nada. Permite-te sentir apenas.

Se estás a caminhar, faz cada passo com a atenção total, o calcanhar que pousa primeiro, a forma como o peso se transfere, o momento em que os dedos se desprendem do chão para dar o próximo passo, um passo de cada vez. Uma caminhada que normalmente fazemos sem pensar, feita agora com uma presença e uma intenção total.

Deixa-te caminhar ou deixa-te estar assim, parado ou parada, só a sentir a terra debaixo de ti, durante uns momentos. Deixa-te ficar o tempo que quiseres ficar.

E quando estiveres preparada ou preparada, permite-me que te guie numa outra prática que se chama Body Scan. Ou numa tradução mais simples, num rastreio corporal. É uma prática muito simples. Não tens de fazer nada de especial nem tentar relaxar à força. A ideia é só começar a levar a tua atenção para o corpo. Para cada uma das suas partes.

devagarinho. Já começaste pelos pés, a sentir o contacto com o chão, a temperatura, o peso do corpo e depois lentamente vou-te convidar a subires por todas as restantes partes até riscares ao rosto. Enquanto fazes

só sentir reparar no que está presente naquele momento talvez haja haja zonas mais leves outras mais tensas talvez sintas calor, frio, formigueiro ou talvez não sintas grande coisa está tudo bem muitas vezes passamos o dia inteiro presos na cabeça nos pensamentos, nas preocupações no que já aconteceu ou no que ainda vem aí e esta prática traz-nos ao presente ajuda-nos a voltar ao corpo é só

a voltar ao agora. E é incrível como algo tão simples pode trazer uma sensação de maior calma, de presença, de descanso. Pode ajudar até a reduzir a ansiedade, a libertar tensão acumulada no corpo e a criar uma relação mais tranquila com nós próprios. Por isso, enquanto continuas aí,

parado ou parada ou caminhar, dá-te mesmo a este momento. Sem pressa, sem expectativa. Só ouvir o teu corpo como quem reencontra uma casa conhecida, um local onde já esteve. Estavas a caminhar? Para. Fica onde estás. Tendo a certeza que podes ficar aí por algum tempo, sem ser incomodado ou incomodada.

Mantenha os pés no chão e comece a subir pelo teu corpo com atenção. Os pés já os estavas a sentir. Nota novamente a sensação. O calor. O contacto. As pernas. O peso que sustentam. Sente-se a atenção na barriga das pernas.

nos joelhos, nas coxas. Não precisas de resolver nada. Apenas observa e sente. Sente o peso das tuas pernas ou sente a leveza das tuas pernas. Tente entender. Tente aperceber o que te estão a dizer.

Querem se mover ou querem ficar aí, quietas, paradas? Volta agora a tua atenção para o abdómen, a respiração que o move. Inspira fundo pelo nariz, sente o abdómen a expandir. Inspira pela boca e sente o abdómen a soltar.

Faz isto três vezes, devagar. Centra agora a tua atenção no peito, nos teus ombros. Nota se o estás a carregar demasiado alto, como se estivesse permanentemente em alerta. À medida que vais respirando, deixa-os descer. Não com esforço, com permissão. Suavemente.

Tenta perceber a contração que existe no teu peito. Há algo bloqueado aí? Há algo que te está a fazer contrair o teu peito? Contrair os teus ombros? Permite-te relaxar. Permite-te libertar o peito e os ombros.

Não forces nada. Se não conseguir libertar agora, está tudo bem. Sente. Sente apenas. Permite-te sentir. E leve esse sentimento lentamente para o teu pescoço. Para a mandíbula. Um dos lugares onde mais guardamos tensão sem saber.

Deixa a tua mandíbula soltar ligeiramente. Deixa o teu rosto relaxar. Deixa que um sorriso apareça gentilmente nos teus lábios. Deixa que os olhos relaxem. Deixa que a testa deixe-te ficar franzida. Deixa o teu rosto simplesmente libertar tudo aquilo.

que guarda nele. Deixa-te ficar assim, tal e qual como estás. Com os pés bem assentes no chão, com o corpo presente. Deixa-te ficar o tempo que precisares. Permite-te sentir. Mesmo que sejam algumas sensações incómodas, deixa-as ficar. Não faças nada agora.

Permite-se só sentir. E quando estiveres preparado ou preparada, faz esta pergunta simples. Mas não faças a pergunta com a mente. Faz a pergunta com o corpo, para o teu corpo. Pergunta-lhe. O que é que precisas de mim, hoje?

Deixa a resposta vir. Sem condicionares nada, sem julgares nada. Pode ser uma sensação, pode ser uma palavra, um impulso. Uma zona do corpo que pede mais atenção, que te dê um alerta. Não julgues nada do que vier. Apenas recebe. E fica aqui, o tempo que precisares.

E quando estiveres pronto ou pronta, abre os olhos. Fica mais um momento de pé aí, descalço ou descalça, apenas a sentir o chão, a terra, o solo, sob os teus pés. Sente de verdade.

E isto foi uma prática somática, muito simples. Como vês, não precisa de ser complicado, não precisa de ser feito durante horas, mas precisa de intenção e de regularidade. Dois minutos descalço ou descalça na relva de manhã, no chão da tua casa, podem mudar o estado do teu sistema nervoso para o resto do dia. Desde que o sintas, desde que sintas e ouças o teu corpo. O corpo sabe como se regular.

Mas precisamos lhe dar as condições para ele o fazer. Precisamos de o ouvir. Precisamos de o sentir. Faz este bodyscan um ritual. Não uma exceção. Dois, três minutos. Pelo menos tenta fazer algumas vezes durante a semana, principalmente naqueles momentos de maior agitação. Permite conectar com o teu corpo.

Permite-te ouvi-lo. Permite-te senti-lo. E com aquilo que ouves e com aquilo que sentes, tenta compreender como podes cuidar mais de ti. Por isso agora, para completarmos a caminhada de hoje, quero convidar-te a um último momento de honestidade sobre o teu solo, sobre o teu corpo. Não é um momento de julgamento, mas um momento de curiosidade sobre aquilo que se passa em ti.

Pega num papel e numa caneta ou num lápis, ou então pensa só para ti. E vais avaliar cada pilar do modelo solo numa escala simples de 1 a 3. 1 significa que este pilar está frágil, precisa de atenção urgente. O 2 que está razoável, que tem espaço para melhorar. O 3 que está sólido, porque eu estou a cuidar dele. Faz perguntas simples para cada um dele.

Para o sono, por exemplo, como é que está o teu descanso? Acordas com energia ou completamente exausto ou exausta? Sentes que tens um sono reparador ou, por outro lado, acordas sempre cansado ou cansada? O O de oxigênio, de movimento.

Moves o teu corpo com regularidade? Ou por outro lado, estás todo o tempo parado, sentado ou sentada, sem que te permitas que o corpo se mova? Olha para o teu dia. O que é que fazes para mover o teu corpo? Respiras conscientemente? Tens noção da tua respiração?

Usas a tua respiração para te controlares, para controlares as tuas emoções e as tuas reações. O terceiro pilar, a leveza, a tua nutrição. A tua alimentação nutre-te ou apenas te preenche porque tens que comer algo? Comes de forma consciente ou emocional?

Sentes que o teu corpo está nutrido ou está sempre em falência, sempre a precisar e a ansiar por algo? E por último, o ódio e ordem. O teu dia tem ritmo, tem pausa, tem consciência ou vives em reação constante?

Consegues ter um alinhamento de todo o teu corpo ou vives completamente desalinhado ou desalinhada? Olha para os números com que respondeste a cada um destes pilares. Qual é o pilar mais frágil?

Depois de perceberes e de seres honesta ou honesta contigo, começa aí. Não começa em todos ao mesmo tempo, apenas num. Com uma mudança pequena, uma mudança concreta que seja possível fazer, já esta semana, já hoje, já amanhã. Se fizeste a prática de grounding há pouco, o que é que o teu corpo disse que precisava? Deixa que essa resposta te ajude e que te possa dizer também onde precisas de começar.

Ouve o teu corpo. Cuida dele. Dá-lhe essa atenção. Já hoje. Qual é o pilar mais frágil? É onde é que precisas mais neste momento de cuidar? É no sono? É na tua nutrição? É mexer-te mais? Ou é pura e simplesmente fazeres um alinhamento do teu corpo e começares a cuidar dele?

Mas começa, porque o solo não se transforma de um dia para o outro. Transforma-se com um cuidado consistente, com uma intenção diária. Com a decisão de tratar o teu corpo como a fundação que é, e não como o último da fila. Como aquele que precisa de gritar bem alto para alguém o ouvir. O teu corpo é o teu solo. Respeita-o. Cuida dele.

Nútre-o tal e qual como merece. Tal e qual como tu mereces.

E chegamos ao final de mais uma caminhada com intenção. Em que pilar do solo vais começar a investir esta semana? Já hoje? Amanhã? O corpo é esse teu solo. É onde tudo começa. É onde tudo se sente. É onde tudo se cura. Quando lhes dá espaço para isso. Trata-o como tal.

Ele precisa que lhe deis atenção, que o ouças e que cuides dele. Na próxima semana continuamos o nosso caminho pela autodisciplina e vamos falar de algo que pode mudar completamente a forma como te relacionas com ela. Porque a autodisciplina não se treina. Escolhe-se. E eu vou-te explicar porquê e como através do poder da mente.

Este episódio foram apenas pequenas sementes para começares a semear no teu sol. Mas se há algo que recebeu contigo, partilha-o também com alguém que precisa de ouvir isto. Que sintas que precisa de ouvir o seu corpo. É assim que estas caminhadas chegam a mais pessoas e conseguem criar um impacto numa transformação que precisa de acontecer.

E se sentes que queres aprofundar este trabalho de forma mais pessoal, mais individual, seja no cuidado do corpo, seja num trabalho somático, ou até mesmo na construção de hábitos que realmente sustentem quem queres ser, fala comigo. A primeira sessão de mentoria regenerativa é uma oferta de mim para ti. Os meus contactos estão no descritivo deste episódio. Agenda. Dá o primeiro passo já esta semana.

Mas até lá, fica bem. Cuida de ti. Cuida do teu corpo. Diverte-te. E seguimos.

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