Episódios de Caminhadas com Intenção

T32_Ep133 | ** Um dia também já fui mãe... mas foi preciso soltar para poder seguir. **

03 de maio de 202623min
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"Ela tornou o que estava partido em algo belo e o que era forte em algo invencível. Carregou o universo nos ombros e fê-lo parecer um par de asas." 
Ariana Dancu

"Assumir a nossa história e amarmo-nos através desse processo é a coisa mais corajosa que alguma vez faremos."

Brené Brown

Este não é um episódio estruturado ou perfeito… de todo.

É uma caminhada moldada por emoções de uma partilha pessoal.

Mas não é um episódio sobre mim.
É para ti, que também carregas algo em silêncio.
Para ti, que também já foste forte durante tempo demais. Para ti, que também tens uma dor que pensavas ter arrumado e que voltou sem avisar.

Hoje falo de um processo que foi meu.
De uma história que custou muito a dizer em voz alta.
E de tudo o que aprendi ao atravessá-la.

Não vais encontrar aqui respostas fáceis. Vais encontrar honestidade.
E um processo, o que me permitiu atravessar a dor sem ficar presa nela.

Um ciclo de quatro fases que trabalhei na minha própria vida e que pode ser o teu ponto de partida também: aceitar, perdoar e deixar ir, cultivar auto-compaixão e seguir em frente como a pessoa que emergiu de tudo isso.

Porque a superação não é apagar o que aconteceu.
É aprender a viver de forma diferente, na pessoa que nos tornamos.

É sermos inteiras(os), não apesar das fraturas, mas através delas.

Se estás num momento difícil, se precisas de atravessar ou superar algo, este episódio é para ti. Tal como este episódio te tocou, partilha-o com alguém que sintas que também precise de o ouvir. Nunca sabemos quem está do outro lado a precisar de saber que não está sozinho(a).
Se quiseres aprofundar a tua Viagem Regenerativa ou em algum momento te sentires perdido(a), deixo os meus contactos para agendares a tua primeira sessão de coaching regenerativo. A primeira sessão é gratuita
Uma oferta de mim para ti, para que não desistas. 
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Encontramo-nos todos os domingos!

Sandra Matos
Participantes neste episódio1
S

Sandra Matos

HostMentora regenerativa
Assuntos5
  • Ciclo de Regeneração PessoalAceitar a Dor e as Emoções · Perdoar e Deixar Ir · Cultivar Autocompaixão · Seguir em Frente como Nova Pessoa
  • Processo de Adoção AnuladoDor e Vergonha da História · Impacto Emocional da Anulação · Julgamento Próprio e Externo
  • A Dor da Ausência MaternaImpacto do Dia da Mãe · Sentimentos de Revolta e Zanga · Culpa pela Decisão Tomada
  • Ferramentas de Cura e RegeneraçãoDisciplina, Rituais e Hábitos · Práticas Somáticas e Presença Corporal · Kintsugi como Metáfora de Reparação
  • Plantando o FuturoSementes de Identidade · Intenção e Significado Diário · A Escolha de Continuar
Transcrição64 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Bom dia, alegria. Sou Sandra Matos, mentora regenerativa e todos os domingos estarei a tua guia numa gaminhada com intenção. Esta é a nossa viagem regenerativa, inspirada nos ciclos da natureza para que possas regressar a ti, reencontrar o teu equilíbrio e renovar-te. A cada domingo, damos juntos mais um passo neste ritual de pausa e reflexão, abrindo espaço para seres quem queres ser e veres a vida que verdadeiramente queres viver, com um propósito e com uma intenção. Seguimos viagem?

Ela tornou o que estava partido em algo belo e o que era forte em algo invencível. Carregou o universo nos ombros e fez-lhe parecer um par de asas. Ariana D'Ancou. Assumir a nossa história e amar-me-nos através desse processo é a coisa mais corajosa que alguma vez faremos. Brené Brown

Pensei muito se devia fazer este episódio, esta caminhada. Gravei-o na minha cabeça várias vezes esta semana, mas também o apaguei outras tantas. Perguntei-me se faria sentido, se era o momento certo e se estava pronta. E depois percebi que essa hesitação era precisamente a razão para o fazer. Por isso aqui estou.

Porque se há algo que aprendi neste caminho é que os episódios que mais me custam a gravar são muitas vezes os que mais chegam a quem precisa. Embora hoje seja uma partilha pessoal, não é sobre mim. Hoje quero falar para quem também está num sítio difícil. Para quem carrega uma dor que não se explica facilmente. Para quem sorri, funciona e até entrega.

Mas por dentro está em cacos, está um caos a tentar reconstruir-se em silêncio. Este episódio é para ti.

Mas é também para mim. Porque partilhar isto em voz alta é parte do meu próprio processo. Há pouco mais de um ano, partilhei com alegria e com o coração cheio que ia ser mãe. Tínhamos iniciado um processo de adoção que havia uma criança, uma menina, que ia fazer parte da nossa vida. Hoje partilho outra parte dessa história. Já sem vergonha, já sem o peso do julgamento, do meu próprio julgamento, que foi sempre o mais pesado.

O processo não resultou. Tivemos de anular a adoção. E durante muito tempo, costou-me dizer esta frase em voz alta. Mas aqui estou, a dizê-la, porque a história aconteceu. Faz parte de mim. E esconde-a, não está a tornar mais livre, nunca me tornou mais livre. Apenas mais sozinha com ela.

Não vou entrar em detalhes por questões de privacidade e porque não faz sentido, mas também porque não é isso que importa. O que importa é o caminho e o que fui descobrindo nele. Por isso, vem comigo hoje. Hoje que é o dia da mãe. Uma data que sempre passou por mim sem ligar muito. Não era um dia que me pesasse ou tive assim grande significado, mesmo quando fui mãe. Era apenas mais um domingo.

Porque embora clichê é verdade, o dia da mãe, o dia do pai, o dia da criança, são e devem ser todos os dias. Mas este ano foi diferente. E eu confesso que não estava à espera de tudo isto que aconteceu. Toda esta avalanche de emoções sem as conseguir controlar. E confesso que, tal como não me vi chegar, também não sei exatamente explicar porquê.

Talvez seja o momento em que estou, talvez seja todo este trabalho interior que tenho estado a fazer, que quando abre espaço para a cura, abre também espaço para o que ainda não foi completamente curado. E esta semana, nestes últimos dias, tudo ficou exposto, tudo eu mais. Talvez porque tenho até a subestimada dor que tenho vindo a sentir e que ainda sinto.

durante muito tempo achei que tinha e que conseguia ser forte que precisava de continuar que havia pessoas que precisavam de mim que havia trabalho para fazer havia toda uma vida para viver e assim esperava que essa dor fosse desaparecendo porque eu não lhe dava espaço convenci-me que estava a ficar bem porque funcionava, porque ajudava

Porque às vezes até sorria. Mas as coisas não funcionam assim. Não é por ignorar-se a dor que ela vai embora. Pelo contrário. Parece que fica aí dentro de ti a ganhar raízes. E depois, quando desperta, como aconteceu esta semana, vem com toda a força. Sim, a força de umas silvas que te arranham e te fazem doer. Uma dor gritante e aguda que magoa.

e que magoa muito. Começou pelas newsletters que foram chegando já há algumas semanas, anúncios por todo lado nas redes sociais, referências aparentemente inocentes em todo lado. Só que, só que desta vez, cada uma delas a falar do dia da mãe tocou em algo que eu pensava ter arrumado, mas que afinal estava apenas guardada à espera de poder ser sentido e enfrentado.

Há memórias que continuam a aparecer nos sítios mais improváveis. Uma ida ao supermercado, num corredor ou com um produto específico. Um gesto pequeno que em tempos foi especial e que agora carrega um peso silencioso. Uma data que este ano se repete como em todos, mas que o ano passado foi diferente. Era mãe.

Mas hoje já não sou. E isso veio com toda a força esta semana. Veio também com toda a força a revolta e a zanga que tenho sentido contra um sistema que nos enganou da forma mais cruel, pela mentira. Um sistema que toma decisões para alcançar estatísticas enquanto há vidas reais no meio, mas que não respeita.

Um sistema que destruiu três vidas. Três vidas que ficaram despedaçadas em cacos. E essa revolta é legítima. Eu aprendi a não sufocar. Mas ao mesmo tempo também me consome. Consome todos os dias pela impotência de não conseguir mudar nada. E depois há a culpa.

Durante muito tempo houve a culpa, a emoção mais pesada de todas, a que primeiro me torturou. A culpa de ter tomado uma decisão que tinha que ser tomada. A culpa principalmente de não ter conseguido. A culpa de me perguntar se fiz tudo o que podia, se podia ter feito mais, se podia ter sido diferente.

O isso andou semanas e semanas na minha cabeça. E se tivéssemos feito de outra forma? E se tivéssemos esperado mais? Principalmente, onde é que eu falhei?

Demorou-lhe tempo a perceber que esta culpa não é a verdade. É uma interpretação. Uma história que a mente constrói para tentar dar sentido ao que não tem uma resposta simples. E que carregar esta culpa não repara nada. Apenas me mantém presa num momento que eu já não posso mudar. Apenas me mantém presa numa decisão que tinha mesmo de ser tomada para o bem de todos. Consegui finalmente deixar de sentir essa culpa.

Mas estes meses têm sido duros, muito duros, com dias, muitos dias de uma tristeza e de uma apatia que moldaram tudo, em que me levantava apenas porque tinha que trabalhar, porque alguém precisava de mim.

Aliás, foi muitas vezes isso Saber que podia ajudar alguém Mesmo estando partida por dentro Que me deu a força para me levantar e continuar Mas depois Depois voltava para um lugar escuro Sozinha Onde não queria estar Mas também de onde não queria sair

sentia-me bem no silêncio e agora entendo que eu precisava desse silêncio para me conseguir ouvir mas eu não quero que vejas isto como um lamento faz parte de um processo de luto e de dor com o qual temos de aprender a viver e a aceitar cada fase que temos que passar

É apenas a honestidade sobre como a dor funciona, como se instala, como regressa, mas também como não podemos permitir que fique com parte de nós. Aceitar que existe, que tem de existir, que temos de viver, mas perceber também que, com as ferramentas certas, essa dor se pode atravessar e até se superar. Mas tudo a seu tempo, sem acelerar processos.

Se me tens acompanhado ao longo destas caminhadas, sabes que faço coaching e mentoria regenerativos. Estou sempre a estudar para tentar perceber como podemos funcionar de forma holística, corpo, mente e alma, e como posso ser o melhor instrumento de transformação para quem me procura.

mas desta vez fui eu que me fui procurar e a verdade é que as ferramentas que partilho elas não vêm só dos livros ou das formações vêm também daqui da minha própria experiência do que fui aprendendo a atravessar os meus próprios momentos de quebra e de dor e foi precisamente este conjunto de ferramentas construído ao longo de todos estes anos testado na minha vida que me permitiu e está a permitir atravessar tudo isto não sem dor, claro não sem dor

mas com direção, com uma intenção.

E principalmente aprendi que, tal como na natureza, tudo na vida são também ciclos de regeneração. A regeneração que tenho estado a fazer em mim. Um ciclo que aprendi a reconhecer e quero partilhar aqui hoje contigo. Quem sabe também te possa ajudar a sair de algum lugar onde sabes que não queres ficar, mas que tens dificuldades em sair. Ou de uma dor que sabes que tens o direito de sentir, mas da qual te queres libertar, ou pelo menos atenuar.

Ou até de um simples processo que precisas de superar. Pode ser que este processo te ajude, que tal como tem ajudado a mim. E a primeira fase deste processo é aceitar.

Não resignar. Não fingir que está tudo bem. Aceitar que estamos a viver e a sentir algo de diferente. Aceitar é dar espaço a tudo o que sentes sem tentar apressar o processo. A tristeza tem lugar. A raiva tem lugar.

A confusão tem lugar. Quando não deixamos que estas emoções existam, elas não desaparecem. Elas instalam-se no nosso corpo, na tensão, no caçaço, na apatia que não se explica. As emoções manifestam-se no nosso corpo, lembras-te? O corpo guarda tudo o que a mente tenta ignorar. A dor que não foi sentida,

Vive nos ombros que carregamos com demasiado peso, na respiração curta, no aperto no peito que aparece sem aviso, no cansaço que não passa, mesmo depois de dormir. O corpo não mente. E quando lhe damos finalmente espaço para sentir, quando paramos de o apressar e de o silenciar, ele também se começa a libertar.

Por isso, temos que aceitar primeiro. Eu aprendi a fazer isso. Deixar que a onda quebrasse sem tentar controlá-la. Sem tentar fugir dela. Porque aquelas ondas que resistimos são as que nos derrubam. As que atravessamos ficam para trás.

Mas nós não somos as nossas emoções. Elas não têm de definir a nossa identidade. Eu não sou uma pessoa triste. Eu estou apenas a sentir tristeza. E esta distinção muda tudo.

Aceitar isto muda tudo. Porque ao assumires uma emoção, ela torna-se quem és, como te apresentas, o que acreditas ser possível para a tua vida. Mas se aprenderes a aceitar uma emoção apenas como uma experiência, uma experiência que tem início e tem fim, permite-te existires para além dela. As emoções são apenas informações, são passageiras, são parte do processo.

Mas elas não são uma sentença definitiva. Aprenda a aceitá-las, aprenda a vivê-las, a senti-las, mas aprenda também a deixá-las ir. Porque a segunda fase passa por aí.

por deixar ir e por perdoar. E aqui quero ser muito clara. Perdoar não é absorver, não é apagar, não é fingir que não aconteceu. Perdoar é libertar-me do peso de carregar algo que apenas me destrói. É perceber que esta revolta que eu guardo não amagou a mais ninguém.

além de mim mesma, que o ressentimento é uma prisão com uma chave do lado dentro e que nessa prisão estou apenas eu. Deixar ir não significa esquecer, significa escolher, não deixar que tudo isto defina o que vem a seguir. E perdoar não é só perdoar os outros, é perdoar-te também a ti.

fizeste o melhor que podias com o que tinhas em cada momento não correu como esperado segue aprendemos, crescemos e para uma próxima fazemos melhor ou fazemos diferente

Só que tudo isto é muito mais fácil de falar do que fazer. E é por isso que a terceira fase, e talvez a mais importante, é a autocompaixão. E esta foi, e continua a ser em alguns momentos, a mais difícil para mim. Somos muito mais gentios com os outros do que connosco próprios.

Uma situação semelhante, diríamos a uma amiga, fizeste o que pudeste, não foi culpa tua, mereces seguir em frente. Mas comigo, comigo não foi bem assim. Até porque nós próprios raramente dizemos isto a nós mesmos com a mesma convicção com que dissemos a outra pessoa. Pelo contrário, julgamos-nos e martirizamos-nos constantemente.

Mas autocompaixão não é fraqueza. É um ato de coragem. É tratar-me com o mesmo cuidado e a mesma ternura que eu daria a quem ama. Por isso estou a aprender a ser a minha melhor amiga. Não aquela crítica interna, constante, que examina cada decisão à lupa. Aquela amiga que fica, que não julga.

Aquela amiga que diz eu estou aqui e vais conseguir. E acima de tudo, aquela amiga que não falha comigo. Porque eu preciso dessa amiga para continuar. Que é a quarta fase deste ciclo. Seguir em frente. Não é seguir em frente como se nada tivesse acontecido. Mas como a pessoa que emergiu de tudo isto.

Seguir em frente não é virar a página e fingir que o capítulo não existiu. É reconhecer que este capítulo me moldou, fez parte da minha vida, mas também escolher conscientemente quem quero ser agora. Há uma versão de mim que existia antes.

e à aversão de mim que existe hoje. E hoje mesmo, com todas estas marcas, ainda com toda esta dor, mesmo com os dias difíceis, eu prefiro esta pessoa que sou hoje. E eu escolho estar bem.

Eu quero estar bem, porque eu mereço. Agora este ciclo não acontece apenas na cabeça ou no papel, como se fosse uma receita. Não é um processo intelectual que se resolve a pensar. Todo este processo acontece no corpo, na mente e na alma. E precisa destas três dimensões para ser completo. E claro, precisa de ação. De fazermos acontecer.

E o fui fazendo, e ainda estou a fazer acontecer em duas vertentes. Pela disciplina, rituais e pelos hábitos para me voltar a reconstruir por inteiro. E pelas práticas somáticas, para conseguir sarar e regenerar. A disciplina tem criado a minha estrutura. Nos dias em que não havia vontade de nada, havia o ritual. O movimento do corpo de manhã, a escrita, a intenção do dia.

Não era porque me apetecesse, mas porque tinha decidido que ia cuidar de mim mesma, mesmo quando não sentia que merecia. Porque é isso que a disciplina faz nos momentos difíceis. Não te pede que sejas feliz. Pede-te apenas que continuas. Um passo de cada vez. Um ritual de cada vez. Um dia de cada vez.

Pede-te apenas que apareças para ti todos os dias, que não falhes esse compromisso contigo. Não precisas de estar na perfeição, mas precisas de estar para ti, na tua melhor versão possível desse dia. Não precisas de exigir o mundo de ti, mas tens de fazer o que conseguires e tentar dar ao máximo, ao mínimo possível, tal como farias por alguém que gostas e que queres ajudar.

Manter estes hábitos, estes rituais e uma disciplina que nos nutre vai nos levar a criar e a colocar uma intenção e um significado em cada dia. E será com isto que aos poucos vamos voltando à normalidade e à serenidade que precisamos.

De um outro lado, as práticas somáticas foram que as palavras não alcançaram, porque há uma dor que não se resolve a falar, que está a guardar no corpo, na forma como respiramos, na tensão que carregamos, nos lugares onde contraímos sem dar conta.

Trabalhar o corpo através do movimento, da respiração, de práticas que trazem presença ao que é físico, foi fundamental. Foi o caminho paralelo desta cura que complementou tudo o resto. O corpo sabe o que a mente ainda não consegue processar e quando lhe damos espaço, o corpo liberta. Eu tinha e tenho tanto ainda para libertar.

Preciso tanto me voltar a sentir livre, em pleno. Mas aceito que estou a fazer o meu caminho a seu tempo.

Corpo, mente e alma. Não em separado, mas no constante diálogo. Em processo conjunto. É assim que a regeneração acontece de verdade. E todo este processo de regeneração recorda-me uma técnica japonesa chamada kintsuki, que é a arte de reparar o que se partiu, mas com ouro. Quando uma peça de cerâmica quebra, em vez de a esconder ou a deitar fora, os japoneses reparam as fraturas com o ouro líquido.

Não para esconder o que se partiu, mas para celebrar o que sobreviveu. As linhas douradas não são cicatrizes a esconder, tornam-se a parte mais bela da peça. E é assim que eu me sinto hoje. Não apesar do que aconteceu, mas por causa do que aconteceu. As fraturas estão lá, vão-te sempre lá estar. Não vou fingir que não.

mas tão douradas. Foram preenchidas com tudo o que aprendi, com tudo o que cresci, com tudo aquilo que eu escolho construir a partir destes cacos. E por isso decidi fazer esta caminhada hoje. Porque acredito profundamente que é possível seres a tua própria versão de Kintsuki, que o que partiu em ti não precisa de ser escondido. Pode ser o que te torna ainda mais inteiro, ou mais inteira, e ainda mais especial. Porque és tu.

Esta semana doeu muito, inesperadamente, mas permiti-me sentir, sem me julgar, sem me apressar, sem me dizer que já devia estar bem, porque ainda não estou, mas eu sei que vou ficar, porque eu escolho estar bem. E agora, com a primavera em pleno, eu sinto que é o tempo de começar a plantar.

Não falo apenas de objetivos, não falo de listas ou de planos, falo de sementes de identidade, de quem eu escolho ser agora. Como os rituais que eu construo, os hábitos que eu cultivo, a disciplina que eu pratico, não serão apenas ferramentas para fazer mais ou melhor, serão a definição de quem me estou a tornar.

a pessoa que rego todos os dias com intenção, essa é a pessoa que eu vou colher no verão. Porque no solstício, no dia mais longo do ano, eu quero celebrar. Não a perfeição, não a ausência de dor, mas a escolha.

A escolha de ter continuado, mesmo quando dói. Ter plantado, mesmo quando o sol parecia árido. Ter acreditado que havia uma primavera a chegar, mesmo nos dias em que não conseguia vê-la. Mas o sol nasce todos os dias, mesmo que por trás das nuvens. Basta acreditar. Basta continuar.

Tu também estás a plantar agora, mesmo que não sintas, mesmo que o processo seja lento, estás a plantar. E és tu quem decide, sou eu quem decide, que sementes devemos semear para vermos florescer a pessoa que queremos ser. Hoje, todos os dias, a pessoa que somos hoje, não aquela que um dia fomos.

E chegamos ao final de mais uma caminhada com intenção. O que precisas te permitir sentir e enfrentar para conseguir seguir em frente. Numa resposta certa, apenas honestidade e coragem. Nas próximas semanas voltamos ao nosso caminho. À disciplina, aos leituais, liberdade de ser quem escolhe ser. Ao fazer esse caminho contigo, vou acrescentando também algumas práticas somáticas simples.

que talvez também te possam ajudar. Juntos fica mais fácil. Se o que partilhei hoje te tocou, mesmo assim numa caminhada meio confusa, repleta de emoções que não consigo ainda controlar, mas também estás num processo assim, ou sentes que precisas de acompanhamento para atravessar, podes falar comigo. O trabalho de mentoria regenerativa que faço é precisamente isto. Acompanhar processos de transformação de forma holística com ferramentas para o corpo, para a mente e para a alma.

A primeira sessão é uma oferta minha para ti. Os meus contactos estão no descritivo do episódio, se quiseres agendar. E se sentes que esta caminhada pode ajudar alguém, que alguém precisa de ouvir este episódio, partilhe-o com essa pessoa. Nunca sabemos que estás do outro lado a precisar de saber não estar sozinho ou sozinha.

Grata por me ouvires hoje e por me permitires partilhar nesta turbulência de emoções. Mas hoje confesso que sinto mais leve. Sigo o meu caminho, um dia de cada vez, sem apressar. A dor continua cá, mas eu já aprendi e vou aprendendo a viver com ela. Até o próximo domingo. Fica bem e seguimos.

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