EPISÓDIO 02: Quem é Lorenna?
EPISÓDIO 02: Quem é Lorenna?
Um olhar rápido para a fotografia divulgada por ocasião deseu Desaparecimento revela olhos cuidadosamente delineados, cabelos escovados eum nariz fino edelicado. Mas Lorenna era muito mais do que a imagem estampadanos cartazes de busca. A vida fez de Lorenna e Thaynnara muito mais que irmãs.Ainda crianças, foram forçadas a enfrentar uma tragédia familiar que mudariaseus destinos para sempre. As marcas daquela história permaneceriam com elas pelo resto da vida.
Lorenna Existe! é a primeira temporada do projetoAudiodossiê, uma série documental em 10 episódios que reconstitui a vida, mortee luta por justiça no caso Lorenna Fox.
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Thaynnara
- Paternidade e Legado· SociedadeFamília humilde e união entre irmãs·Morte da mãe (feminicídio)·Perda da avó·Ausência paterna
- Sobrevivência e Prostituição· SociedadeDificuldades de inserção no mercado de trabalho·Prostituição como alternativa de sobrevivência·Estigma e marginalização social·Luiz Eduardo Magalhães
- Investigação e Busca por Justiça· SociedadeDesaparecimento e localização do corpo·Negligência policial·Mobilização social e redes sociais·Ativismo e denúncia·Melissa Chaves
- Lorena Fox· EntretenimentoAparência física e vaidade·Empatia e lealdade·Personalidade e nobreza de coração
- Violência contra a Mulher e Feminicídio· SociedadeFeminicídio no Brasil·Relacionamento tóxico e violência verbal·Impacto da violência na família
Se você chegou por aqui e está acompanhando a história da Lorena Fox, eu tenho uma boa notícia. Por causa da repercussão e do carinho que a série está recebendo, decidimos trazer o episódio também para o Sala do Júri. A série continua disponível na íntegra no canal Existo, mas a partir de agora, todas as segundas-feiras, um novo episódio também será publicado por aqui, pra quem prefere acompanhar pelo Sala do Júri. Então, se ainda não ouviu essa história, aproveite!
E, se já conhece, fica o convite pra revisitar essa trajetória que merece ser lembrada e compartilhada. Então bora para o episódio, galera!
Bem-vindos ao canal do Instituto Existo. Este é o segundo episódio do áudio dossiê Lorena Existe. Se você não ouviu o episódio anterior, recomendamos que volte e ouça a série na sequência correta. Esta série em podcast aborda um caso real que envolve violência, crime e situações de vulnerabilidade emocional, social e de gênero. Alguns trechos podem ser sensíveis para parte do público.
O nosso objetivo é narrar os fatos com respeito e responsabilidade, preservando a dignidade das pessoas envolvidas. Recomendamos cautela ao ouvir.
Os acontecimentos aqui narrados têm como base os documentos do processo judicial e matérias jornalísticas da época.
As opiniões expressas pelas pessoas entrevistadas são de sua exclusiva responsabilidade.
Caso alguma pessoa mencionada se sinta incomodada ou deseje um direito de resposta, entre em contato pelo email contato@institutoexisto.org.br.
Existo.
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Áudio Dossier, um projeto do Instituto Êxisto. Episódio 2: Mais que um corpo. Quem é Lorena? Antes dos registros frios de um laudo, das descrições técnicas e das perguntas ainda sem respostas, Existia uma história em curso, feita de escolhas, afetos, rupturas e resistências. Lorena não começa ali no local do crime, ou pelo menos onde acharam o seu corpo. Já descrevi Lorena no primeiro episódio com base na imagem que foi divulgada durante seu aparecimento.
Na selfie, é possível enxergar os olhos delineados, a sombra vermelha, assim como os cabelos bem escovados, ondulados na ponta. O nariz fino, delicado, a boca bem marcada, blusa preta, o decote em V profundo, os braços cobertos por um tecido transparente. Você deve se lembrar, mas isso diz muito sobre a aparência física. A descrição feita fala muito como ela se apresentava, de como sua vaidade era vivenciada. Mas como ela era de fato? Nada melhor que alguém da família para nos contar.
Ela tinha muita empatia pelo próximo, ela conseguia ali se colocar no lugar do outro. Isso é uma qualidade muito boa, que se todos os seres humanos tivessem, o mundo seria outro, né? As pessoas olharem para a dor do outro. Ela era muito leal, muito amiga. Muito parceira mesmo, aquela pessoa que podia contar com ela, falar assim, Lore, preciso de ti para tal coisa. Ela tava ali por você, ela não deixava, não soltava tua mão por nada.
Então eu descrevo ela porque assim, quando as pessoas morrem, as pessoas têm um hábito já de transformar as pessoas em uma pessoa boazinha, né? Todo mundo que morreu pode ser a pior pessoa que virou boa. Não, mas isso aqui não. Com a Lorena era diferente, ela realmente era uma pessoa boa. Isso aqui eu não tô falando da boca para fora. Se alguém for ouvir, assistir isso, vai, que pessoas que eram próximas dela vão concordar 100% com que eu estou dizendo.
Então assim, é como eu já disse, me faltam palavras para poder descrever o ser humano extraordinário que é minha irmã. É isso, a Lorena, sei lá, é uma pessoa assim que eu às vezes eu fico procurando palavras para descrevê-la como pessoa e eu não encontro. Só quem teve a oportunidade de ser amigo próximo dela, de conviver com ela, que vai entender o que eu estou dizendo. Porque ela era assim, uma pessoa de um coração muito bom, o coração dela era muito nobre.
Ela se torna, como eu sempre digo, eu gostaria de ter pelo menos, não que eu seja uma pessoa má, eu não sou uma pessoa má, eu sou uma pessoa muito boa também, mas eu gostaria de ter pelo menos metade daquela nobreza da Lorena, sabe? Ela não tinha maldade com nada, por isso que muita gente se aproveitava dela, porque ela não tinha maldade. E ela era uma pessoa assim que ela tirava da boca dela para pôr na boca do próximo. Sempre foi muito amável e gentil.
Essa que acabou de falar é a Tainari, mãe de Lorena, que também participou do primeiro episódio desse podcast. A beleza de Lorena salta também aos olhos da irmã. Ela não consegue se segurar e passa a descrevê-la fisicamente.
Ela era morena, né, um tom de pele moreno claro, cabelos grandes, né. Ela sempre usou os apliques dela grande, ruivo. Ficou muito tempo usando essa, essa fez parte da personalidade dela, personalidade ruiva. Ela se identificava muito com esse cabelo. Ela era muito bonita. Ela inclusive, ela não tinha plásticas, né, nariz fininho, uns olhos grandes. Ela tinha uns olhos grandes, umas sobrancelhas bem bonita, uma boca muito bonita.
Ela tinha uns traços assim do rosto muito bonito, sabe? E eu vejo, outro dia eu compartilhei uma foto dela, da Lorena, e um vídeo, na realidade foi um vídeo que eu tenho dela assim, ela só com maquiagem, que ela era muito vaidosa, sempre gostava de estar maquiada. Eu fiquei impressionada assim, meu Deus, ela tinha um narizinho tão fininho que parecia que era feito o narizinho dela. Inclusive eu não saí com essas características não, saiu o oposto.
Então assim, ela era muito bonita, muito bonita mesmo. Onde ela chegava, as pessoas elogiavam ela, falava que ela tinha se tornado uma mulher muito bonita.
A frase que fica desse relato carinhoso da irmã de Lorena é: ela tinha se tornado mulher. Quando uma menina se torna mulher? Como uma menina se torna mulher? A reflexão proposta por Simone de Beauvoir em sua obra O Segundo Sexo oferece uma chave importante para compreender a história de Lorena que começa a se desenhar aqui. Ao afirmar que não se nasce mulher, torna-se, a autora estabelece uma distinção fundamental entre sexo biológico e a construção social de gênero, indicando que o que entendemos por ser mulher resulta de processos históricos, culturais e educativos, e não de um destino natural.
Essa perspectiva, que se tornou um dos pilares do pensamento feminista, nos convida a olhar para além dos fatos isolados e a considerar os contextos que moldam identidades. É sob essa lente que passamos agora a conhecer a trajetória familiar e de vida de Lorena, pela voz de sua irmã, Tainara.
Nossa família era uma família humilde, uma família normal. Nossa mãe era professora, né? É, minha mãe só teve eu e Lorena. A gente foi criada juntas, então a gente tinha uma relação muito boa. Porque eu não sei se tu já ouviu falar, mas eu tenho dois filhos. Mas eu acredito que quando são só dois, eles são mais unidos, porque é um pelo outro. Definitivamente tu não tem uma terceira via de opção. Então assim, eu e Lorena sempre foi assim desde criança.
A gente sempre foi muito unidas, né, sempre muito apegadas uma com a outra. E sempre foi aquele zelo, aquele cuidado. Inclusive eu Eu lembro como hoje o dia que Lorena chegou da maternidade, quando a minha mãe trouxe ela a primeira vez nos braços. Lembro que a minha mãe chegou no carro e eu fui correndo para poder ver, e foi aquela emoção toda. Então assim, é, nunca tivemos problema, a gente sempre teve uma relação muito boa. E depois que a nossa mãe morreu, faleceu, aí a gente se uniu mais ainda.
Aquela união que a gente já tinha, aquela parceria, ela duplicou assim de uma forma muito intensa, né? Até porque eu sou mais velha que Lorena. Sou mais velha que ela 4 anos. Então eu fiquei assim muito naquela responsabilidade de irmã mais velha, de mãe, que quando a nossa mãe partiu, a Lorena tinha 14 anos, era muito jovem, né, adolescente. E aquela fase da adolescência não é fácil, aquela fase é delicada, que a gente não entende tudo da vida, que começa aquela transição, né.
E para mim também, eu ainda era uma adolescente de certa forma, eu tinha 17 anos. Então também era uma adolescente, né? Mas aí eu assumi ali aquelas rédeas, né, de já me tornar uma adulta. Eu sempre digo, eu e Lorena, nós dormimos adolescentes e tivemos que nos despertar adulta após a tragédia que aconteceu com a nossa mãe, que a nossa mãe foi assassinada, um feminicídio, né? A gente presenciou tudo, a gente acompanhou tudo aquilo ali.
Então assim, a gente teve que mudar nossa vida total. Um dia a gente tinha tudo, tinha estabilidade emocional, Tinha casa, tinha tudo, e no outro dia a gente já não tinha nada. Então assim, isso é de uma certa forma mexeu muito com a gente e nos tornou mais unidas uma pela outra sempre.
A conversa caminha para a descoberta das origens familiares.
Os meus pais são goianos, né? Meu pai é de Aceara, Goiás, e minha mãe de Alvarado do Norte, Goiás, que é a cidade que eu e Lorena nascemos. Os meus pais não conviveram. Eu sou fruto de um namoro, né? E os meus pais não seguiram um casamento, né? Não deu certo. E a vida que seguiu foi essa.
E o seu pai é o mesmo da Lorena?
Não, não é o mesmo pai. A Lorena é filha de um outro pai, né? De um relacionamento que a minha mãe teve. A minha mãe ficou com a pessoa alguns anos, mas aí também não deu certo, né? E seguiu a vida dela e ele seguiu a dele.
Em meio às lembranças sobre a mudança brusca em sua realidade, surge uma pergunta que busca dimensionar a ruptura já relatada pela Tainara, em que elas dormiram tendo tudo e acordaram não tendo nada. A partir desse ponto, ela passa a refletir sobre como percebia sua própria condição antes e depois desta virada, oferecendo elementos importantes para compreender o impacto dessa transformação em sua trajetória?
Eu acho que assim, não vou te dizer que nós éramos pobres, porque eu não acredito que éramos pobres, porque nossa mãe era professora, nós tínhamos casa própria, tínhamos, nunca faltou alimento na nossa casa, a gente nunca passou, a gente já passou momentos difíceis, né, como qualquer pessoa em si passa situações apertadas, mas graças a Deus a nossa mãe nunca deixou faltar nada para gente, sempre deu o melhor dela. Minha mãe sempre tava trabalhando e para ajudar ali, para não faltar nada.
Então assim, eu não considero Considerando que nós tínhamos uma vida estável, tranquila, não nos faltava nada, materiais escolares, tinha tudo, roupa, sapato, tudo que é o básico em si para uma criança nós tínhamos. E comida em casa, né, que é o mais importante. E amor, claro, tínhamos muito amor também.
Relação com a mãe era boa?
Muito boa, nada a reclamar mesmo.
Em condições sociais consideradas pela própria Tainara estáveis, A educação ocupou um papel central na formação da vida familiar e nas perspectivas de futuro.
Por a minha mãe já ser uma educadora, né, já tiramos por aí que é uma pessoa que já tem educação, né, uma pessoa calma. Minha mãe era muito calma, era um poço em calmaria. Então assim, nós tivemos uma educação muito boa. Minha mãe sempre zelou pelos princípios, sempre me incentivou a fazer coisas boas, não prejudicar ninguém, não pegar nada que é dos outros, não usar drogas, não fumar, não roubar, nada disso. Então, inclusive, hoje eu sou uma mulher que não entra em nenhuma dessas características, né, graças a Deus, por causa da criação que eu tive.
Como ela também não fazia nada disso, foram referências também que eu peguei da minha mãe. Então, nossa criação, eu acho que não poderia ter sido melhor.
E frequentava escola normalmente?
Nossa, imagina se não frequentasse a escola, era impossível.
A Lorena terminou até o ensino médio.
Como é que foi?
Ela concluiu o ensino médio, inclusive a Lorena era bem mais inteligente do que eu, viu? Confesso, tenho que confessar.
Amor, princípios, educação, parece uma fórmula de criação de filhos bastante efetiva. Mas o que interrompe tudo isso? Para dimensionar o que já foi denominado aqui de ruptura e virada, É impossível não questionar como foi a tragédia que marcou a vida das meninas, Lorena com 14, Tainara com 17, em uma fase tão crucial para a formação delas.
Foi muito difícil para gente, né, porque nossa mãe era uma pessoa muito serena, calma, era nossa estabilidade emocional, nossa estabilidade de tudo. Então assim, foi repentino o que aconteceu, foi um ato, né, covardemente da pessoa que vivia com a minha mãe há 14 anos, né. E aí E foi um dia qualquer, ela tinha chegado da universidade, da faculdade. Minha mãe tava fazendo a pós-graduação dela, minha mãe era formada em pedagogia.
E aí aconteceu esse ato, esse crime, né? Minha mãe ficou na UTI 18 dias. E aí eu acompanhei todo o processo com ela na UTI. Na época, a Lorena não podia visitar porque a Lorena só tinha 14 anos e só era permitida a visita na UTI acima de 16 anos. Então eu que fiquei ali acompanhando a minha mãe todos os dias no hospital.
Isso em Brasília, né?
Porque nós Nós vivemos em Alvorada e como interior não tem nenhum tipo de recurso, esses casos graves são encaminhados para a capital mais próxima, né, que atendia ali a região na altura. E então assim, desestruturou toda a nossa vida emocional, tudo, é, caiu o nosso mundo definitivamente. A gente ficou assim, meu Deus, e agora o que que nós vamos fazer da nossa vida? A gente não tinha, eu, eu olha, naquela época ali eu Foi, acho não, tenho certeza absoluta que foi só Deus mesmo que nos manteve de pé, por a gente não desistir.
Então assim, porque foi muito, muito difícil mesmo, não é fácil a pessoa, a flor da idade, né, naquela altura que a gente mais precisa do amparo, do colo da mãe, e a gente ter perdido isso. E Lorena assim não tinha aquela relação com o pai dela, ela foi um pai que foi 100% ausente. O pai dela não, não cuidou dela, nada disso. Foi uma pessoa que foi covardemente, né, não assumiu a paternidade. Então a minha mãe era pai e mãe dela definitivamente, né.
Eu ainda tinha relação com meu pai, visitava meu pai nas férias. E a Lorena não, Lorena não teve essa figura paterna de nenhuma maneira na vida dela. Então ela, a minha mãe, era definitivamente tudo, tudo que ela tinha. Então eu acho que para ela ainda foi mais difícil. Não que para mim não tenha sido, claro que para mim foi muito difícil, mas Mas principalmente pelo fato dela ser mais nova.
O feminicídio permanece como uma das expressões mais graves da violência de gênero no Brasil, com dados recentes indicando sua persistência e crescimento. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou aproximadamente 1.568 casos de feminicídio em 2025, o que representa um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior, mantendo a média de cerca de 4 mulheres mortas por dia. Informações divulgadas pela Agência Brasil apontam ainda que, ao se considerar também as tentativas, o número de vítimas ultrapassa 6.900 ocorrências, evidenciando a dimensão do problema.
Esses números indicam que o feminicídio não ocorre de forma isolada, mas integra um contínuo de violências frequentemente iniciadas no ambiente doméstico. O caso da mãe de Tainara e Lorena confirma as estatísticas.
Tóxico, sempre foi tóxico, ele sempre foi uma pessoa tóxica. Ele era aquela pessoa assim estranha, não olhava nos olhos de ninguém. Quando chegava visitas, escondia dentro do quarto. Não agredia ela assim fisicamente, mas verbalmente, né? Era aquela pessoa que quebrava as coisas em casa. Um exemplo: cortava um fio de televisão para a gente não assistir televisão. Aí quando tava tudo bem, ele ia lá e emendava os fios. Era essa pessoa que sempre tava tentando colocar nossa mãe contra a gente, que nós também éramos adolescentes.
E como todo mundo sabe, adolescente tem as suas fases, né? Nenhum adolescente é— como é que eu posso te dizer— é nenhum adolescente, nem criança, e nem qualquer ser humano é um boneco, né, que tu vai colocar ali e vai ficar ali invicto e não vai fazer nada. Todos nós erramos. E então assim, ele queria, ele fazia muito essa, essa, ele tentava muito colocar nossa mãe contra a gente. Mas graças a Deus ela não ficava contra a gente, ela sempre perguntava.
Minha mãe era muito de diálogo, né? Por isso que hoje eu sou uma mulher muito calma, muito tranquila, porque eu fui essa criação que eu recebi da minha mãe. Então ela conversava, chegava, perguntava as coisas, tinha muito aquela questão de olhar nos olhos, falar: olha, me fala a verdade, eu sei que é difícil falar, mas quanto antes eu souber a verdade, é melhor. A gente ficava com aquele medinho normal de adolescente, né? Mas por fim a gente acabava falando a verdade.
Aí ela colocava algum castigo, por exemplo, o meu, ela tirava o celular, deixava só uma semana sem, essas coisas assim. Mas a minha mãe nunca foi agressiva, nunca foi aquela mulher de ficar batendo na gente, essas coisas nós não tivemos isso não, graças a Deus.
Com a perda da mulher que era ao mesmo tempo amor e porto seguro de somada à sua própria forma de ser, marcada por um forte instinto de proteção, Tainara acabou assumindo, de maneira quase inevitável, a responsabilidade por Lorena. Precisou ser adulta o suficiente para mover um processo criminal contra o assassino de sua mãe. Agora fica bastante claro a imagem que ela mesma criou de ter tudo e, em seguida, não ter nada. Não ter nada significa, nesse caso, uma independência forçada, saudade do passado, medo do presente e do futuro, uma série de responsabilidades precoces e, sobretudo, uma sensação de solidão e abandono.
A gente ficou com a nossa avó por um ano. A minha avó não aguentou a perda da minha mãe e a minha avó morreu na sequência também, porque minha mãe era a filha mais nova, era aquela filha que sempre cuidou da mãe dela, que no caso da minha avó. Então a minha mãe era aquela filha presente, né? Aí para minha avó foi um choque muito grande. Minha avó caiu numa depressão profunda e não resistiu. Mesmo com um ano, a minha avó acabou falecendo.
Aí foi a hora que eu e Lorena definitivamente ficamos totalmente sozinhas no mundo, entendeu? Foi duas, foram dois lutos seguidos, não teve nem pausa assim, deu nem tempo da gente se recuperar de um para o outro, não teve tempo mesmo. Então nossa vida tava um caos mesmo, só escuridão, só tristeza. Eu já não sabia mais nem o que fazer. E aí eu falei, meu Deus, Deus, como que eu vou viver nesse planeta, nessa terra, sem nenhuma motivação?
Porque eu e Lorena, a gente não tinha mais motivação para estar aqui. Aí foi quando eu pedi, eu pedi para Deus um filho. Falei, Deus, me manda uma criança para eu ter força para viver. Aí o meu filho veio com um sopro de paz, de luz, de força. Meu filho veio para trazer, para tirar eu e minha irmã da escuridão, sabe? Foi um presente assim grandioso que Deus me mandou e que foi ele que nos deu aquela força ali para a gente prosseguir a nossa vida e ter um motivo para viver, sabe, para lutar e não desistir.
Após o falecimento da avó e o nascimento do filho de Tainara, as irmãs começam juntas a peregrinar atrás de novas oportunidades e principalmente sentido para a vida. Alvorada do Norte, onde residiam, é um município goiano localizado a cerca de 254 km de Brasília, situado na região nordeste de Goiás. Com cerca de 8.500 habitantes, de acordo com o censo de 2022, é um importante ponto comercial na rota para a Bahia, conhecido por suas serras e economia baseada em serviços e hotéis.
Mas, seja pela falta de oportunidades no local ou pela necessidade de deixar o espaço onde a mãe tinha sido assassinada, o primeiro movimento que fizeram foi com destino a Goiânia. Ali, as irmãs passaram a dividir um teto com uma prima. Viviam com o valor de um salário mínimo, em decorrência da pensão deixada pela mãe. Esse valor, que todos sabem que não é muito, era dividido entre as duas e destinava-se ao pagamento dos itens básicos para sobrevivência delas.
As oportunidades que surgem não são suficientes para tudo o que precisavam naquele momento. Lorena decide se mudar para Luiz Eduardo Magalhães. Muito jovem, sem experiência, local de trabalho nenhum a aceitava em Goiânia. Tainara, a irmã, não vai junto com ela logo de início, pois estava em um relacionamento com o pai de seu primeiro filho. Isso por um tempo. Logo que se separou, a vontade foi mesmo de viver novamente junto com a irmã.
Também se mudou para Luiz Eduardo Magalhães. Lá viveu com Lorena pouco mais de um ano, mas logo se mudaram para Curitiba. Lorena estava em um relacionamento sério com uma pessoa em Curitiba e as duas, mais o filho de Tainara, foram para lá.
Foi quando a Lorena me acolheu, eu e o meu filho, né, me ajudou para caramba. Sou muito grata a ela assim, sabe? Ela me ajudou mesmo muito, eu e o meu bebê, tudo que eu precisava. Na época eu não trabalhava porque eu tinha recém ganhado um neném, né, não tem com quem deixar, todas aquelas muitas questões que uma pessoa passa pós-maternidade, né? Então ela me ajudou muito, fiquei ali com ela, fiquei morando com ela em Luís Eduardo, eu acho que não sei se chegou a ser um ano, algo assim, não me lembro exatamente, especificamente.
Aí depois ela foi para Curitiba, aí eu não ficava sem minha irmã, aí eu fui também para Curitiba ficar com ela. Aí ela tava num relacionamento lá e depois terminou, aí ela não queria mais estar lá para não estar ali, né? Para esquecer a pessoa, a gente sai de um lugar, cada pessoa reage de um jeito. Aí ela foi para Brasília e vai eu ir também para Brasília com ela, eu e meu filho. A gente tinha tudo, só queria estar perto dela.
A gente queria estar muito perto. Como eu disse, o meu filho mais velho, ele teve mesmo esse convívio, esse contato com ela ali, de estar ali sempre, né? Então a gente foi para Brasília até que um dia, eu digo assim, com Infelizmente, esse dia aconteceu. Ela tava com um rapaz, aí foi ela e esse rapaz. E esse rapaz foi resolver alguma coisa na Bahia, não sei se foi comprar um carro, em Luiz Eduardo. E foi quando ela chegou, retornou lá após algum tempo ter saído.
A cidade de Luiz Eduardo Magalhães, situada no oeste da Bahia, consolidou-se nas últimas décadas como um dos principais polos do agronegócio brasileiro, sendo frequentemente referida como a capital do agronegócio, o celeiro do Brasil. Impulsionada pela produção de soja, milho e algodão, com PIB estimado em cerca de R$8,8 bilhões, é em 2026 a 6ª economia do estado entre os 417 municípios que o compõem, conforme dados do Governo da Bahia.
Formada majoritariamente por migrantes da região sul do país, atraídos pelas oportunidades do agronegócio, a cidade apresenta características típicas de fronteira agrícola, com forte presença de pioneiros, cultura empreendedora e traços de conservadorismo social. Esse ambiente aquecido funciona como polo de atração populacional, com parcela significativa de novos moradores segundo o IBGE, evidenciando a busca por renda e ascensão social.
Como em outros centros de rápido crescimento, a intensa circulação de capital atrai fluxos diversos de pessoas em busca de oportunidades, contribuindo para a complexidade social e os desafios urbanos locais. Tainara conta que, ao retornar para Luiz Eduardo Magalhães, Lorena se depara exatamente com esse contexto social. Somente com o ensino médio, encontra dificuldades de colocação em empregos formais. E por força das circunstâncias, ela precisava pagar o aluguel, água, luz, comprar remédios, comer, colocar crédito no celular.
E sem conseguir emprego formal, mesmo na conhecida cidade das oportunidades, Lorena percebeu que não teria outro caminho e encontrou na prostituição uma forma possível de garantir sua sobrevivência. Esta escolha, por óbvio, não pode ser compreendida de forma isolada ou simplificada, mas sim à luz das condições que a cercavam. Talvez só ela saiba exatamente o que foi determinante para essa decisão. Aqui, o exercício é o de não rotulá-la, mas de reconhecer a complexidade de sua história e a dignidade de quem, diante de caminhos restritos, constrói alternativas para existir, sobreviver.
Também é preciso registrar que a história que estamos contando aqui é a história de Lorena, única, com CPF próprio. Para Lorena, a prostituição foi a única alternativa encontrada, mas existem pessoas que se tornam profissionais do sexo por outros motivos, voluntariamente inclusive, e não há nada a ser questionado. O termo profissional do sexo é reconhecido pelo Ministério do Trabalho e Emprego no Brasil, constando na Classificação Brasileira de Ocupações sobre o número 5198-05 desde 2002.
A prostituição não é crime, mas a exploração sexual sim. Terceiros que lucram com a prostituição alheia, como cafetinhas, boates, casas de prostituição, eles sim devem ser condenados. Apesar da legislação estar evoluindo para garantia de direito dessas pessoas trabalhadoras do sexo, a falta de reconhecimento e fiscalização na prática perpetua a precariedade. O objetivo aqui é contar a trajetória de Lorena e não de reforçar estigma, preconceito e marginalização social sofrida pelos profissionais do sexo.
Então assim, quando ela falou, né, é um susto assim. A gente não quer, a gente não quer isso para ninguém, claro que a gente não quer. Mas como ela mesma me falou, irmã, qual é a minha opção? Quais são as minhas oportunidades? Eu tava vendo a luta dela procurando trabalho em Goiânia, eu tava acompanhando lá em Goiânia. Tem um lugar ali que a pessoa vai, faz um pré-cadastro, né, de currículo, e deixa no sistema procurando trabalho, e ela não conseguia.
Ninguém queria, ninguém queria dar essa oportunidade. Ela queria aquele, aqueles jovem aprendiz, e era muito burocrático para fazer, é tudo muito difícil. Então assim, e ela nem tinha ainda a idade também, ela não tinha 18 anos para ter um trabalho de carteira assinada também. Então eu tive que aceitar e lidar com aquela situação, porque aquilo era o nosso cenário atual. Não tinha outro cenário. Nós não tínhamos ajuda de parentes, familiares, de ninguém.
Ninguém ligava: olha, vocês almoçaram hoje? Vocês jantaram? Vocês precisam de algum alimento? Não tinha ninguém para ligar. Nós não tínhamos essas pessoas. Então, quando a gente mais precisou de amparo familiar, nós não tivemos. Não, ela acabou por ficar nessa vida da prostituição, porque isso daí vai passando um ano, vai passando dois, aí a pessoa se torna independente, tem o dinheiro dela.
A história de Lorena nos impõe uma reflexão inevitável: teria sido o trabalho que exercia o fator que a colocou em risco? Ou, mais profundamente, é a forma como a sociedade enxerga determinadas mulheres, seus corpos, suas trajetórias e seus lugares que as expõe à violência? Nenhum trabalho por si só deveria implicar risco à vida. No entanto, quando uma mulher passa a ser vista como alguém passível de uso e descarte, desloca-se o problema do campo individual para o estrutural.
O risco, então, não reside apenas no trabalho, mas em um contexto social que naturaliza a desumanização e, em casos extremos, tolera a eliminação de vidas que julga menos dignas de proteção. É nesse ponto que a pergunta deixa de ser sobre Lorena e passa a ser sobre a sociedade que a cerca.
Avançado estado de putrefação, fratura do osso occipital à direita, traumatismo cranioencefálico, instrumento pérfuro contundente.
Diante da brutalidade do crime, uma dúvida insistia em permanecer: Lorena teria sido assassinada com requinte de crueldade por clientes aparentemente comuns ou haveria algo mais por trás daquela violência? A resposta, ao menos naquele momento, dependia exclusivamente do trabalho da polícia. Lorena havia desaparecido no dia 23 de fevereiro e seu corpo só foi encontrado em 1º de março, por acaso, por um funcionário que realizava a roçagem de um matagal às margens da rodovia.
O tempo entre o desaparecimento e a descoberta apenas ampliava as incertezas. 3 dias após a localização do corpo, Tainara ainda não tinha qualquer resposta concreta, nenhum indício, nenhuma linha clara de investigação havia sido apresentada. O silêncio das autoridades alimentava angústia que crescia a cada dia. Diante disso, tornava-se evidente que não seria possível apenas esperar. Cuiabá. Algo precisava ser feito. A ativista Melissa Chaves foi crucial para organizar as evidências até então identificadas que chegavam nas suas mãos.
Ela intuía que se o inquérito permanecesse restrito à condução da polícia local e não despertasse atenção para além das fronteiras de Luiz Eduardo Magalhães, havia o risco concreto de que o caso se perdesse entre tantos outros e que os responsáveis pela morte de jamaicana jamais fossem responsabilizados. Essa percepção não nascia da desconfiança isolada, mas da compreensão de como a visibilidade pública frequentemente influencia o ritmo e a profundidade das investigações.
Diante desse cenário, ela procurou Tainara, e em diálogo direto e urgente, as duas reconheceram a necessidade de ampliar o alcance daquela história. Não bastava aguardar respostas. Era preciso mobilizar, tornar o caso conhecido, provocar reação. Juntas decidiram clamar por justiça para além daquele território, rompendo o silêncio local e buscando eco em outras vozes, na tentativa de impedir que a vida de Lorena fosse reduzida a mais um caso sem desfecho.
Ofício encaminhado pela Organização Não-Governamental de Direitos Humanos do Ministério Público da Bahia, datado de 14 de março de 2023, questionava uma série de negligências, omissões e descasos.
A família colocou à disposição da polícia o telefone de Lorena e o mesmo não foi apreendido, não sendo realizada a devida perícia.
Por que a polícia não determinou a apreensão e a realização de perícia no celular de Lorena? Já que o aparelho permanecia disponível na casa onde ela morava? Entre profissionais do sexo, é comum que o telefone não seja levado para os encontros, justamente como medida de proteção contra furtos ou roubos. A análise pericial do aparelho poderia ter sido decisiva para a investigação, permitindo identificar as últimas conversas, contatos e possíveis combinações relacionadas ao encontro que antecedeu o assassinato.
As vias próximas ao local encontrado o corpo possuem câmeras de segurança. Assim, pugna ao Ministério Público que solicite as imagens das câmeras de segurança das vias por onde a vítima transitou até o destino final. Testemunhas relatam tê-la visto entrar em um veículo com dois homens rumando para a Assim, pugna pela identificação do referido veículo.
Testemunhas relataram ter visto Lorena entrar em um veículo com dois homens, seguindo sem saber em direção à própria morte. Diante disso, quais medidas haviam sido tomadas até então para identificar o carro e seus ocupantes? Por que a polícia não solicitou as imagens das câmeras de segurança das vias por onde a vítima transitou até o destino final dentro de um carro com dois homens que a mataram e dispensaram seu corpo. Ainda que o trajeto não contasse com monitoramento público, era sabido que muitas residências e estabelecimentos da região possuíam sistemas privados de vigilância capazes de auxiliar na reconstrução do percurso, na identificação do veículo e dos suspeitos.
Considerando a profissão da vítima, requer que o Ministério Público solicite a quebra do sigilo bancário para que identifique os pagantes do programa, uma vez que o pagamento adiantado do serviço fora feito como de hábito. Tem ainda conhecimento de que parte dos pagamentos eram realizados por meio de cartão de crédito. Crédito, devendo ser oficiada a prestadora do serviço de crédito.
E mais uma vez, apuração dessa denúncia não cabia a pessoas que não tinham formação ou preparo para isso. Tampouco seria ético, prudente ou responsável repassar informalmente aquela informação a terceiros. A investigação competia exclusivamente às autoridades responsáveis. Ainda assim, havia notícia de que a denúncia não teria sido devidamente apurada. E a pergunta que permanecia era: por quê? Cabia exclusivamente às autoridades competentes verificar a veracidade das informações e conduzir a investigação com devido rigor e cautela.
Ainda assim, permanecia a dúvida: por que essa linha investigativa não teria sido aprofundada? Os detalhes sobre essas evidências organizadas por Melissa Chaves serão apresentados nos próximos episódios. Aqui vale lembrar que o objetivo era fazer o maior barulho possível e acionar o máximo de pessoas que se pudesse alcançar para que o caso não ficasse paralisado e o crime impune. E no dia 3 de março de 2023, diante da ausência de respostas e da urgência por visibilidade, ativista resolveu usar as redes sociais com objetivo claro: mobilizar o maior número possível de pessoas em torno O vídeo reuniu vozes que acompanhavam de perto a situação e buscou transformar a indignação em ação, ampliando o alcance da história de Lorena para além dos limites locais.
Foi com essa estratégia, nesse espaço, que as informações foram compartilhadas, apelos foram feitos e a necessidade de justiça ganhou novas dimensões.
Lorena tinha só 27. Foi encontrada morta alguns dias depois de denunciado o seu desaparecimento, que parece ter incomodado pouca gente. A quem interessa esconder quem matou Lorena e por quê? Por que que nós incomodamos tanto ao buscar respostas para um crime bárbaro, para um assassinato? São muitas perguntas, quase nenhuma resposta, mas uma certeza: nós vamos continuar buscando, nós vamos continuar incomodando. A irmãzinha da Thay foi assassinada e isso não vai passar batido.
Não vai ser mais um caso com cheirinho de higienização para uma sociedade machista e hipócrita.
O que se iniciou como um apelo por atenção começava aos poucos a ganhar eco. O vídeo rompeu o silêncio, atravessou fronteiras e colocou novas pessoas diante de uma história que não podia mais ser ignorada. Mas a exposição também traz consequências, e nem todas são previsíveis. No próximo episódio, você vai acompanhar os desdobramentos dessa mobilização e as repercussões que vieram à tona quando vozes decidiram definitivamente colocar a boca no trombone.
O caso mais recente é o homicídio de Lorena, de 27 anos, que ficou 7 dias desaparecida até ser encontrada sem vida por um trabalhador rural em meio ao capim. Ela só foi reconhecida por causa do sapato abandonado junto ao corpo. Zonas rurais e fronteiras agrícolas, como é o caso de Luiz Eduardo, costumam ter padrões de masculinidade rígidos, A presença do agronegócio atrai uma grande população masculina flutuante, ou seja, homens em jornadas temporárias de trabalho, o que aciona fortemente a prostituição, explicou um agente da Polícia Federal.
Há ainda uma rede de exploração sexual protagonizada por cafetinas, que lucram e muito com o trabalho de garotas de programa espalhadas em pontos pelas rodovias que cortam a cidade. Não parece haver uma preocupação institucional em lidar com essa violência. Existem, por exemplo, centros de acolhimento municipais ou políticas públicas específicas voltadas para conter esses índices de criminalidade. Leia a reportagem completa no Correio 24 Horas.
A matéria do Correio da Bahia caiu como uma bomba no colo das autoridades locais.
O meu nome é Ives Bittencourt, eu sou advogado humanista e antidiscriminatório. E há 4 anos eu estou no cargo de presidente desta comissão da OAB Bahia. E aí, quando a gente foi apurar, a gente viu que a própria OAB também da região também não estava colaborando, né? Eles até respondiam a gente, até porque eles não podem, né, omitir uma resposta, mas não tínhamos nada palpável para que a gente pudesse entender de fato como os procedimentos estavam sendo tomados.
Esse podcast é uma criação do Instituto Existo Sociedade em Movimento. A produção é uma parceria entre o Instituto Existo e o canal do podcast Palavra Narrada. A direção é de Nilanda Chaves. O roteiro foi desenvolvido por Leandro Negreiros e Melissa Chaves. As entrevistas e a narração são de Leandro Negreiros. A edição e a mixagem foram realizadas por Leandro Negreiros em Minas e por Melissa Chaves no Tocantins. A trilha sonora utiliza os áudios gratuitos do Pixabay e conteúdos criados com o apoio de inteligência artificial.
As vozes adicionais são de Nilanda Chaves na leitura de matérias jornalísticas, do João Batista na leitura de documentos oficiais, e de voz criada por inteligência artificial nas vinhetas ocasionais. A revisão de texto foi realizada por Gustavo Negreiros. A consultoria jurídica é da Doutora Suaine Dourado. A identidade visual foi criada por Rairan Jacóbia. A distribuição é realizada pelo Instituto Existo e pelos podcasts Sobre Nós Dois, Palavra Narrada e Sala do Júri. Esse episódio utilizou áudios do perfil Jornal Correio da Bahia no Instagram.
Existo, existo, existo, existo.
Áudio Dossier, um projeto do Instituto Existo.