Episódios de Ana Raquel Veloso

EP138 - O trabalho é uma benção escondida...

06 de maio de 202611min
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Alinharmos o nosso trabalho com aquilo que somos, pode ser um desafio... No entanto, acredito que através do nosso trabalho nos realizamos e podemos ser a expressão mais genuína do nosso potencial ao serviço de outros. Mas isto, exige coragem...

Participantes neste episódio1
A

Ana Raquel

Host
Assuntos3
  • Trabalho como realização pessoalAlinhamento do trabalho com o ser · Coragem para a mudança profissional · Satisfação profunda no trabalho · Expressão de dons e potencial · Desafios na relação com o trabalho
  • Formação e autoconhecimento profissionalConhecer a si próprio · Construção de si mesmo · Diversidade de formações e competências · Human Design
  • Transformação do mundo do trabalhoMudanças de valores · Necessidade de decisões coerentes · Crescimento na adversidade
Transcrição31 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Olá, eu sou a Ana Raquel e este é o meu podcast, um espaço onde nós conversamos sobre o comportamento humano. O episódio de hoje tem como tema o trabalho é uma bênção escondida. A frase é mais completa, mais longa. Eu li esta frase há muitos anos, apontei-a nos inúmeros caderninhos que eu vou tendo e encontrei um destes dias que dizia o trabalho é uma bênção escondida que nos permite descobrir os nossos dons.

E eu trago este tema hoje do trabalho porque tenho falado com bastantes pessoas, tenho atendido bastantes pessoas que me dizem que querem mudar de emprego, que querem pedir redução de horário, que estão cansadas daquilo que fazem, que não se identificam com os valores das suas empresas, que estão fartos de...

de ser empresários e querem ser outras coisas. E eu, ao longo da minha vida, sempre atendi pessoas que tinham uma relação desafiadora com o trabalho. Havia sempre aqui um nicho de clientes que não estava satisfeito com o seu trabalho, que não se identificava. E aquilo que tinham como profissão, na verdade, não era a sua paixão.

E o que eu sinto hoje, com tantas mais pessoas a trazer-me esta questão,

é que é preciso viver cada vez mais em verdade e muitas vezes um salário alto, uma boa posição, o facto de terem, como eu ouvia, não é, sei lá, regalias sociais, o SAMS, o SAMS Quadros, de terem um bom seguro de saúde, o facto de não haver nenhum motivo que faça aquelas pessoas querer sair do trabalho, nenhum motivo, eu vou dizer tangível, tangível,

Na verdade, há algo que as querem fazer sair daquele trabalho, que é uma satisfação profunda, e sentirem que aquele trabalho, na verdade, não lhes está a permitir desculpas.

E eu acredito que para a maioria de nós o trabalho é uma parte importante, importante da vida, importante dos nossos dias, importante da vida quando eu digo como percurso existencial. Eu cumpro-me através do meu trabalho, eu sirvo através do meu trabalho. Isto que eu faço, gravar um podcast, para mim é trabalho.

Para mim é trabalho. Eu assumo a responsabilidade de eu fazer semanalmente há não sei quantos anos, acho que já é o terceiro ano, porque eu sinto que esta é a minha forma de contribuir socialmente. Agora, isto é a minha natureza.

Isto é aquilo que eu gosto de fazer e sinto que faço com facilidade. Portanto, flui através de mim. E como alguém em tempo disse, não é? Se eu estiver a fazer aquilo que gosto, eu não vou sentir como trabalho. Mas na verdade, é a minha forma de colocar os meus dons no mundo e ajudar outros com isso. Ajudar-me também a cumprir-me. Ora.

Se muitas pessoas andam insatisfeitas com aquilo que é o seu papel, com aquilo que é o seu contributo, com aquilo que é a expressão dos seus dons no mundo, é natural que a sua vida, de alguma forma, não esteja tão bem, não seja tão satisfatória, não esteja tão em paz, ou que não tenha o sucesso, eventualmente que almejam.

Agora, o que eu percebo é que é preciso também muita coragem para nós alinharmos a nossa carreira com aquilo que nós somos. Eu não acredito que nós nos alinhemos com a nossa carreira. Eu, no início da minha vida, ainda pensei ser advogada e percebi, antes de entrar em direito, felizmente, que eu nunca iria ser feliz como advogada.

que iria ter conflitos de interesse, interesses internos, iria ter grandes conflitos internos e que não era um mundo onde eu eventualmente me cumprisse, me realizasse. E percebi que qualquer mundo sem linguagem, sem comunicação,

seria um mundo muito escuro para mim. Embora nem sempre soubesse como é que eu iria fazer isto. Um mundo sem comunicar, sem passar informação, era um mundo desafiador. Mas a verdade é que a vida, apesar de eu ter emprego, a comunicação esteve sempre dentro de mim e... ... ...

Dou formação há mais de 30 anos, portanto, sempre por convite. A vida aparece e dá-nos as oportunidades, mas eu acredito que nos dá as oportunidades quando nós as conseguimos ver. A vida dá-nos as oportunidades quando nós temos competências para isso. Se eventualmente eu estivesse a forçar, como certamente forcei outras coisas, isso não acontece. Há pessoas que querem muito...

Querem muito algo, querem muito trabalhar numa determinada área, mas querem...

Não porque desejem, não porque seja a sua essência, seja a sua verdade interna. Querem ou porque se ganham muito dinheiro, ou porque é bonito, ou porque os outros também estão a fazer. Então, para nós percebermos o nosso grau de individualidade, para nós percebermos onde está a diferença do nosso ser e como isso se expressa através da nossa profissão, da nossa carreira, daquilo que estamos cá para construir, não porque...

temos que nos conhecer a nós próprios. Eu não me fui preocupando ao longo da minha vida em construir uma carreira. Eu fui procurando construir-me. Eu fui procurando chegar até mim. Conhecer-me.

perceber onde estavam as minhas dores, perceber por que razão sentia o que sentia, cada vez que havia um desassossego interno, virar-me para dentro e não virar-me para fora, perceber aquilo que estava a acontecer. E no meu processo de descoberta eu fui adquirindo competências que sempre fui partilhando com os outros. E a minha carreira foi sendo construída desta forma.

Digo eu em verdade, mas não em linearidade. Porque seria mais fácil fazer-se sempre os estudos todos numa área. Eu fiz uma pós-graduação em gestão empresarial, em marketing, fiz uma pós-graduação em bio-neuroemoção, fiz uma pós-graduação em neuropsicologia clínica e isto pode parecer sempre em muitas outras coisas que não estavam relacionadas, mas era aquilo que eu estava a precisar no momento.

E era aquilo que eu sentia que era um déficit e aquilo que eu sentia que era uma resposta que a minha vida me estava a pedir. E ainda hoje continuo a estudar uma série de coisas. Então, nesta procura incessante sobre aquilo que me fazia bem a mim, eu fui cuidando-me, acabei por encontrar ferramentas e desenvolver competências que me permitem cuidar do outro.

E isto sim, isto sim, eu acho que é a expressão do trabalho, do trabalho vivido de uma forma mais saudável. É duro, é. Na minha vida nunca houve uma linearidade em termos de caminho, mas depois quando descobri o human design percebi isso e fiquei em paz.

Fiquei em paz por perceber, ok, esta é a minha natureza. Então aquilo que eu passo aos meus é, descobram-se e façam do vosso trabalho a expressão mais genuína daquilo que vocês são.

Façam do vosso trabalho a expressão mais anuína daquilo que vocês são. Porque, na verdade, é a única forma que eu sinto que é possível trabalhar, em verdade, com satisfação, com paz, com sucesso, com tudo aquilo que nós estamos cá para trazer para o mundo. Só que isso exige coragem. E nos tempos que nós estamos a viver, muitas vezes, temos que abdicar.

de cisões ou situações que podem ser confortáveis, que podem ser mais seguras, em detrimento de outras que eventualmente nos podem parecer mais aliciantes, mas não são tão seguras, não são tão confortáveis.

Agora, eu não acredito no conforto da vida como promotor do desenvolvimento humano e profissional. Eu acho que é mais fácil nós crescermos na adversidade. E nós próprios vamos tendo que criar situações, muitas vezes tomando decisões, escolher um caminho que não parece tão fácil, que parece mais desafiador, que não é tão seguro nem tão confortável, mas que é muito mais a nossa cara.

que é muito mais correto para nós, tem muito mais a ver com aquilo que nós somos agora. Que nós somos agora. Porque nada adianta dizer, há 10 anos gostava disto. Claro. Claro.

E eu gosto de conversar com pessoas conscientes e de ir preparando os meus colientes muitas vezes para as mudanças que a vida lhes vai trazer. E às vezes ouço coisas que eu acho extraordinárias, que é, eu começo a sentir um certo desconforto e sei que isto não vai, não me vai permitir ficar aqui muito tempo. Uau! Isto sim é consciência.

Isto sim é consciência. E por isso é que eu quis gravar este episódio, para mostrar que estamos todos a passar por situações de mudança. E a questão do trabalho é um tema que eu sinto que nos próximos tempos vai abalar bastantes pessoas.

Porque o mundo está num processo de transformação muito grande. Nós vemos valores a serem transmutados, o trabalho está alicerçado em valores que muitas vezes não respeitam a vida humana.

E quando eu digo a vida humana, digo os tempos de descanso, o entusiasmo, o prazer, uma série de coisas. Portanto, é natural que todas estas almas que estão a fazer um trabalho em si mesmas e que se estão a desenvolver internamente, depois precisem de manifestar essa mudança interna no seu mundo externo. E isso, obviamente, vai exigir decisões. Decisões que podem não ser...

consistente com aquilo que outra hora foram, mas são coerentes com aquilo que hoje são. E a única coisa que nós precisamos é de coragem. Coragem para continuarmos a ser nós e a tomarmos estas decisões corretas para nós. Perdão, pois o resto, alinhar-se-á. Sem dúvida, sem dúvida. Bom, eu espero que este episódio tenha sido inspirador. Nós marcamos encontro para a próxima semana. Fiquem bem e até breve.