Episódios de RdMCast

RdMCast #559 - As Faces da Morte ontem e hoje

02 de julho de 20261h6min
0:00 / 1:06:34

Um “proibidão” clássico do final dos anos 1970 ganha um remake e a reação foi… nula? morna? indiferente? Aproveitando-se da fama de filme proibido e amaldiçoado que Faces da Morte mantém até os dias de hoje, o novo filme de 2026 busca atualizar a discussão para um app de vídeos curtos (que não pode ser nomeado por conta dos direitos autorais). A trama acompanha Margo, uma moderadora de redes sociais com um passado tenso, que vai entrando numa espiral de perturbação após ver vídeos extremamente violentos. E se eles forem reais? E se existir um assassino que quer recriar Faces da Morte? Dê play e confira o que achamos do novo filme de Daniel Goldhaber.

O RdMCast é produzido e apresentado por: Gabriel BragaThiago Natário e Gabi Larocca.

Apoie o RdM e receba recompensas exclusivas: https://apoia.se/rdmCITADOS NO PROGRAMA:

Faces da Morte (1978)

Faces da Morte (2026)

Citações off topic:

Holocausto Canibal (1980)

Faces da Morte II (1981)

Guinea Pig: Devil’s Experiment (1985)

Faces da Morte III (1986)

O Pior de Faces da Morte (1987)

Faces da Morte IV (1990)

Faces da Morte V (1995)

Faces da Morte VI (1996)

Faces da Morte: Realidade ou Ficção? (1999)

EPISÓDIOS CITADOS:

RdMCast #346 – Cases de sucesso: marketing e o horror

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PODCAST EDITADO POR

Felipe Lourenço

ESTÚDIO GRIM – Design para conteúdo digital

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Participantes neste episódio3
G

Gabriel Braga

Host
G

Gabi Larocca

Co-hostApresentadora
T

Thiago Natário

Co-host
Assuntos7
  • Morte de Figuras ImportantesModeração de redes sociais e censura · Violência explícita vs. discurso de ódio · Voyeurismo digital e exposição nas redes sociais · O papel do assassino e a busca por fama online · Inconsistência narrativa e de tom · Personagens com decisões questionáveis · Charlie XCX como funcionária da rede social · O caso da irmã e o acidente de trem
  • Etica e TecnologiaCensura em plataformas digitais · Apologia à violência vs. análise de filmes · Inteligência artificial na moderação de conteúdo · O caso do jornalista Daniel Pearl · Desafios e riscos de conteúdo online · O caso de Logan Paul na Floresta do Suicídio
  • Arquivos Epstein e canibalismoMortes de animais em cena · Acordo dos atores para simular morte · Problemas com a justiça
  • Café e mortalidadeCuriosidades mórbidas e sensacionalismo · A morte como destino inevitável · Confronto com a própria mortalidade · O exótico e o macabro
  • Literatura e referências históricasGuinea Pig: Devil's Experiment (1985) · O Pior de Faces da Morte (1987) · Faces da Morte: Realidade ou Ficção? (1999) · RdMCast #346 – Cases de sucesso: marketing e o horror · Legally Blonde · High School (série) · O Segredo de Widow's Bay · Cam (2016)
  • Histórias de terrorA Lenda do Lago Boogie Creek (1972) · Pânico 7 · How to Blow Up a Pipeline
  • Infância e Anos 90Moda e música dos anos 90 · Referência a Legally Blonde
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GBGabriel Braga

Bom dia, boa tarde, boa noite, amantes do horror. Sejam bem-vindos a mais um RDMcast. Aqui é o Braga e hoje é dia de polêmica, de ser macabro, da gente realmente destrinchar cadáveres, porque hoje o tema é o destino do qual nenhum de nós pode escapar. Vamos falar da morte. Eu queria ter a voz do Zé do Cachão pra conseguir falar naquela entonação, sabe? De trazer um macabro realmente.

?Voz C

Porque hoje o tema é o destino além de nós dois, cara.

GBGabriel Braga

Vamos falar da morte. Pra discutir sobre curiosidades mórbidas, sensacionalismo e a falta de ética na mídia e nas redes sociais. Temos ele, que já está com uma pá aqui para exumar os mortos. Thiago Natale.

?Voz C

Que isso, cara. O Braga começou muito inspirado essa introdução. Falando do jeito melhor. Porque aqui a gente é radical, né. Nós somos do rock, né, meu. Fala de morte, coisa mórbida.

?Voz A

Não fui eu nem o Braga que ficamos aí triste porque não conseguimos ingresso pro Iron Maiden, né, Braga?

?Voz C

Não, eu consegui.

?Voz A

Conseguiu depois só, mas só depois. Então quem é do rock aqui, põe: terceiro show da Iron Maiden.

?Voz C

Eles podem vir duas vezes por ano que eu vou dar um jeito, foda-se.

GBGabriel Braga

E também temos ela que vai aqui destrinchar todas as polêmicas do filme original, Gabi La Rocca.

?Voz A

Cara, eu só gostaria de começar o episódio, né, já que a gente tá falando de morte, a gente aqui é true, né? Gostaria de fazer uma citação de Tom Jobim, porque na música ele já fala: a gente mal nasce e começa a morrer. Então, galera, É o que tem pra nós, entendeu?

GBGabriel Braga

Agora vamos pros recadinhos, porque não dá pra superar a situação de Tom Jobim, né? Gabi zerou aqui a introdução, né? Já não tem como superar. Vamos pros recadinhos e a gente já volta. Muito bom, gente!

?Voz C

No Zecadinhos de hoje eu vou fazer uma coisa pouco usual e entregar uma questão de bastidores aqui, que é o seguinte: a gente tinha planejado fazer esse episódio sobre Widow's Bay, que é a nova série da Apple TV, O Segredo de Widow's Bay. Muita gente pedindo episódio sobre, enfim, né? A gente acabou não conseguindo gravar porque eu tive uma questão de saúde que eu simplesmente acordei sem voz no dia que a gente ia gravar. E como vocês podem perceber, minha voz ainda tá um pouco diferente, né?

É um vírus, alguma coisa que já melhorou. E também a gente tentou reagendar e aí teve o jogo do Brasil essa semana, então acabamos não conseguindo gravar. Episódio e a gente acabou puxando esse EP de Faces da Morte que é um episódio um pouco mais frio, né, no sentido de o tema é super interessante, mas não tem nenhum lançamento próximo ali que, né, tem essa preocupação de pegar o hype, enfim. O episódio de Widow's Bay fica pra semana que vem então, já dando um spoiler aqui de agenda do RDM, pra quem não terminou de assistir a série ainda ou, né, nem começou, fica aí a dica, né, quem quiser acompanhar o episódio sem tomar nenhum spoiler, dá pra correr lá pra assistir, são só 10 6 episódios e eles são bem curtinhos.

A série tem um formato meio de sitcom de horror em algum ponto, tem episódio de 30 minutos, mas na média uns 40 minutos. Então dá para assistir bem rapidinho e super vale a pena, é uma série realmente muito boa, mais uma da Apple TV. Então esse episódio da semana, né, a gente acabou mudando um pouquinho, e semana que vem sem falta o episódio sobre Widow's Bay. Mas então, sem mais delongas, deixo vocês com esse episódio sobre Faces da Morte.

GBGabriel Braga

Come on, I dare you. You haven't seen anything yet. O ano é 1978. E aí um cara meio doido chamado John Alan Schwartz, ele lança um filme chamado Faces da Morte, a sua estreia na direção, né? Ele depois conseguiu trabalhar como roteirista em alguns filmes, nada muito famoso. Ele lança esse Faces da Morte, que era um, assim, inicialmente, né, a ideia inicial, ele era um documentário sobre a morte, né, que prometia trazer cenas reais e muito perturbadoras.

Um filme que foi censurado em 46 países, só que ninguém nunca fala quais, né. Ah, deixa isso pra lá, pô, o filme foi polêmico aqui nesse Aqui é Polêmica. É um filme proibido, um filme proibido que tinha em locadoras, né, mas enfim, é um filme proibido. É que não era a era da internet ainda, né, mas Se fosse, já seria aquele "assista antes que apaguem", "assista antes que tirem do ar", né. Ele veio muito com essa ideia de mostrar mortes reais em câmera, sem censura, sem pudor, sem nada.

E acabou virando um filme meio cult, assim, né, uma fita meio amaldiçoada. Que adolescentes pegavam pra tentar demonstrar sua própria coragem, né. Tipo: "Vamos assistir com os amigos". E daí fica todo mundo sem dormir, né? Porque daí tá vendo lá, amor, chega em casa chorando. É o Faces da Morte, né? O Faces of Death. Ele vem, então, em 1978, antes mesmo do Holocausto Canibal, né? Por que que eu tô falando do filme do Rogério Deodato?

Porque o Holocausto Canibal, quando ele surge em 1980, ele é um dos primeiros, assim, que a gente pode falar de found footage, né? E o Rogério Deodato, inclusive, teve um certo problema com a justiça, né? Primeiro porque, enfim, o... O Holocausto Canibal realmente tem mortes de verdade em câmera de animais, né. Um problema muito sério que o Holocausto Canibal tem. E os atores, depois, eles fizeram um acordo de que eles iam ficar longe dos holofotes aí, né.

Pra comprar a ideia de que eles tinham morrido de verdade. Daí ele teve que caçar a galera pra apresentar em tribunal, né. Falar: "Gente, eu não matei os atores, tá?" Era tipo, era um filme. "A gente só mentiu que era tudo real." Calma, né.

?Voz A

Mas era uma baita desculpa, assim. Eu sei que tem muita gente que adora Holocausto Canibal. Não tô entrando no mérito do filme. Mas é uma baita filha da putagem. Putice, putagem?

GBGabriel Braga

O jeito que você preferir.

?Voz A

Ah, que se foda, entendeu? É você ser um baita filha da puta, você matar animal na câmera pra um filme de ficção, entendeu? Ponto, assim. Por isso que eu tenho uma birra com Holocausto Canibal. Que pra mim, assim, é inadmissível. Eu não julgo quem gosta do filme, não tô entrando nesse mérito. Mas assim, sabe quando você tem raiva de um filme? Eu tenho raiva desse filme.

?Voz C

A única coisa envolvendo caça que vale a pena é quando o caçador toma no cu. O cara foi lá caçar um elefante não fazendo porra nenhuma. Aí o elefante foi lá e deu-lhe uma patada, o desgraçado morreu. Aí, cara, isso aí é a vingança da natureza, né? É a única morte de animal que a gente apoia, do animal que fez o PT de caçador.

GBGabriel Braga

O Faces da Morte, ele veio muito inspirado naqueles shockumentaries, os documentários chocantes, ou mesmo aqueles filmes mondo da Itália, que enfim, ali nos anos 60, 70, tinha muito isso de mostrar coisas muito chocantes na câmera. Essa ideia dos filmes mundo mesmo, né? Tipo, ó, vamos ver uma civilização. Porque assim, a gente já entra um pouco mais também nessa questão, mas há um certo racismo europeu muito forte, não só europeu, mas estadunidense, enfim, de a civilização é violenta, mas onde a civilização não chegou?

Na África. Inclusive, o Faces da Morte fala, né? The country of Africa. Então, tipo, o país. Tudo bem que dá pra talvez argumentar "Ah, mas country não significa só país, você pode estar falando countryside." Interior, pode ser, né?

?Voz C

"In the country of Africa." Pode ser o interior da África.

GBGabriel Braga

É, pode ser no interior da África, assim. Dá pra gente tentar passar um pano ali?

?Voz C

Não, mas ainda assim é tosco, né, pô? É tosco. É um continente gigantesco. É o interior da África onde, meu amigo, né?

GBGabriel Braga

É sempre os dois lugares, né? África e Amazônia. São, tipo, os dois locais do exótico, que vai ter canibais e gente com cultos bizarros, né? O Faces da Morte ele tem também um pouco disso.

?Voz A

Acho muito louco como esse filme é de 78 e até o próprio Holocausto Canibal, alguns anos depois, como eles meio que anunciaram a internet. Eles têm essa pira assim com esse fascínio de morte, de ver cena de gente morrendo, de violência meio que uma violência crua, bruta, né? Tipo, não é aquela violência encenada, por mais que seja, né? Mas que é algo que ali a gente presencia muito no começo da internet e que esse filme de 2026 também vai tentar trazer, né?

Então, cara, é bizarro assim, porque o próprio Holocausto Canibal, né, todas as táticas de marketing que ele usa, o Bruxa de Blair usa 20 anos depois, mas se apoiando já na internet, já se apoiando naquele mundão da internet que ninguém sabia o que era verdade, o que não era. É muito bizarro você ver como eles anunciavam, de certa forma, o que a gente veria ali na internet dos anos 2000.

?Voz C

Tanto que daí alguém pensou: "Pô, é um ótimo filme pra fazer um remake". E era mesmo, né?

?Voz A

A ideia é boa, a ideia é boa, mas nem sempre a execução condiz à ideia, né?

GBGabriel Braga

Pois é, eu até esqueci de falar na introdução do remake de Faces da Morte, né, que é o que gerou a ideia de fazer esse episódio. A gente já fala desse remake aí, né? Só para continuar contextualizando o original, então ele vem nessa ideia de fazer um documentário falso. Não é exatamente uma ideia original, né? Já tinha tido aquele A Lenda do Lago Boogie Creek de 72, que é do Pé Grande, os vários filmes snuff falsos. A ideia original do Faces da Morte era só usar imagens de arquivo, era realmente trazer essas imagens reais de morte.

Mas aí, o que aconteceu? O Jon Schwartz, né, o diretor, ele achou que, primeiro, ficaria muito pesado. Mas na verdade, assim, vamos falar bem da real. Não é que ficaria muito pesado, porque ele usa algumas imagens reais no Faces da Morte. É que ia ficar muito chato. Porque aí você perde a ideia da narrativa, do controle da narrativa. Porque assim, você vai usar filmagem real de morte, não é uma coisa feita com uma visão artística aqui.

Então não é assim: "Ah, eu vou mostrar esse ângulo pra chocar mais as pessoas, pra aumentar a dramaticidade." Quando você mexe com filmagem real, não tem isso, é uma coisa muito seca. E aí, o que ele faz? Ele usa algumas imagens de arquivo, mas aí, na hora de filmar a morte, eles reconstruíram em ficção. E assim, porra, vendo hoje em dia, tem umas coisas que são muito falsas, né? Mas eles declararam que custou 450 mil o filme e eles lucraram mais de 35 milhões com, enfim, saídas em vídeo e tudo mais.

Tanto que gerou algumas continuações, né? Aqui na descrição vai estar. Obviamente a gente não vai falar de tudo isso, né? Vamos focar no original e no remake. Mas assim, a gente tem ainda Faces da Morte 2 em 81, o 3 em 86, o 4 em 90, 5 em 95, o 6 em 96, e ainda tem mais 2 extras, né? O pior de Faces da Morte, que é só uma compilação de mortes, que saiu em 87, e um documentário, Faces da Morte: Realidade ou Ficção, em 1999.

?Voz A

Eu tenho uma pergunta, Braga. Qual desses você já assistiu?

GBGabriel Braga

Eu só vi o primeiro mesmo.

?Voz A

Ah, tá.

?Voz C

Poser.

?Voz A

Poser, você não é true de verdade.

?Voz C

Você é fraco.

GBGabriel Braga

É que assim, eu sempre tive um pé meio atrás, né, por conta dessa questão de, pô, o cara usou filmagem real e tal. Ai, meio antiético. Daí, quando eu fui agora procurar, que eu vi que não, na verdade sim.

?Voz A

Agora ele vai assistir tudo, coitada da Lucy. Lucy, se você quiser vir aqui, pode vir, tá? Fugir do Braga, não tem problema.

GBGabriel Braga

Porque você vai ver, tipo, cara, na verdade todas as filmagens de mortes reais, elas são falsas. Inclusive, você tem uma questão de violência com animais ali, mas ela não é real. Tem uma rinha de cachorros, né, que aparece no Faces da Morte 1. Mas na verdade, o que eles fizeram? Eles pegaram dois cachorros brincando e aí eles fazem vários cortes e uma narração por cima, uma trilha sonora pra fingir que aquilo tá ocorrendo, assim, né?

Então quando você vai ver, é muito menos polêmico do que parece e muito mais uma discussão existencialista.

?Voz C

Tosco, né?

GBGabriel Braga

É, é tosco. Você vê que tem uma ideia do diretor ali de trazer uma discussão sobre o macabro e tal, né. Mas é que daí o filme, ele foi muito cercado por polêmicas, né.

?Voz A

É que eu acho que a crítica, ela se esvazia no momento em que ele usa a violência pra chocar, só chocar. Então você perde o ponto dessa crítica, né, assim. Que realmente eu não entendi, porque acho que ele... Cara, porque você tá meio que usando do que você tá criticando pra criar hype e pra fazer com que teu filme seja comentado. E daí a crítica não existe, porque as pessoas estão ali só pra ver o gore, só pra ver a violência.

Você não vai conseguir tocar a cabeça delas, delas falarem: "Caralho, por que eu tô assistindo?" Porque o teu filme reforça a parada que você tá querendo apontar o dedo. Não faz sentido.

?Voz C

É que já é uma discussão presente no fotojornalismo, né? Tem vários exemplos clássicos, históricos, de pessoas sendo registradas prestes a morrer, assim, né? Tem alguns mais antigos, de Primeira, Segunda Guerra Mundial.

?Voz A

Tem aquela bem famosa da... Menina e o Abutre, sabe?

?Voz C

É, sim, sim.

?Voz A

O Abutre e a Menina, desculpa.

?Voz C

E a gente falou sobre isso no episódio de Guerra Civil, né? Eu digo Guerra Civil, o filme Guerra Civil mesmo, né? Mas quando você faz um filme comercial, que aí, qual que é a discussão no fotojornalismo? É meio foda, é pesado, mas é com um tom de denúncia, né? Quando você faz um filme que não é um documentário, mas que quer ser um, se vender como documentário, pra criar esse sentimento aí de coisa bizarra, macabra, enfim, né, é bem questionável.

GBGabriel Braga

Now it is time to witness the many faces of death. E o filme, ele foi muito envolto em polêmica. Técnicas, né? Tem duas principais que eu vou citar aqui. Em 1985, num colégio na Califórnia chamado Escondido High School, tipo Escondido igual a gente escreve, né? É por isso que eu adoro essa cidade da Califórnia. Enfim, Escondido High School, um professor pegou uma dessas salas assim, tipo, ah, os alunos não estão fazendo nada, e ele passou faces da morte.

?Voz A

Esse professor era o Braga. Plot twist!

?Voz C

E não tem nem FGTS nos Estados Unidos. Você tá acreditando que é FGTS? Mas aí, pô, nem isso, cara. O cara ia sair sem nada, né.

GBGabriel Braga

Cara, ele passou. E aí, ele tomou um processo que foi movido por duas famílias, porque os filhos adquiriram, segundo o que o advogado colocou, um medo irracional de morrerem. Assim, que é o propósito do filme, né. Então, assim, ponto pro diretor e menos 3 pontos pro professor aí, que sofreu um processo, né. Aquele professor que só quer passar filmes, sabe. Tipo: "Passar um filme aqui pra não dar aula." Se ferrou.

?Voz A

Difícil defender.

?Voz C

Entendeu o colega, né? Achou uma fita VHS em casa sem título, falou: ah, vai ser aqui mesmo, né?

GBGabriel Braga

Pô, podia ter passado aí Guerra do Fogo, né, que todo mundo assiste na escola. Agora acho que já tá antigo demais, né, pra galera ver na escola, né? Mas o Guerra do Fogo, o Ilha das Flores, né?

?Voz C

Porra, Ilha das Flores é clássico pra caralho.

GBGabriel Braga

Pô, Tempos Modernos, né? Então, porra, o cara em vez de passar, passou Face da Morte. Em 86, o caso do Rod Matthews, que matou um colega de classe após assistir o filme. Ele falou que E ele ficou com uma curiosidade de saber como era a morte. Aí ele foi lá e matou o colega de classe. Isso é uma curiosidade. Ele foi preso, né, em 86. E ele foi solto agora há pouco, em novembro de 2024. Incondicional, olha só.

?Voz C

Ele conseguiu ver o remake, né. Desculpa o comentário macabro, mas...

GBGabriel Braga

Aí ele pediu assim: "Ô, galera, me bota pra prisão aí, por favor. Deixa eu ficar preso aqui, que tá..." Meu Deus.

?Voz C

"Tava melhor." Eu já fiz um comentário foda, aí o Praga foi lá e mandou sem isso, né.

?Voz A

Terminou de merdear o comentário, sabe.

?Voz C

Ele pediu 6, né, sem hesitação.

GBGabriel Braga

E aí, enfim, um filme ganhou muitas continuações, ele foi muito influente, né. Inclusive tem um que eu ainda quero ver, um jeito de trazer para RDM. Não, o Guinea Pig. Não, que ganhou.

?Voz A

Já tô dizendo não, não, foi vetado.

GBGabriel Braga

Ele ganhou o título de Guinea Pig Devil's Experiment, é um filme de 1985, um filme japonês que também ele se vendeu como, veja só, esse filme Snuff real. Tanto que tem toda uma lenda que o Charlie Charlie Sheen viu esse filme e ligou pro FBI para denunciar. E ele também ganhou, eu acho que são 4, né, tem 3 ou 4 filmes aí.

?Voz C

Mas imagina o exame toxicológico do Charlie Sheen. Eu acho que aí também acho que não é culpa do filme, né, porque—

GBGabriel Braga

E aí, né, ficou muito hype que em 2021 foi anunciado um remake. E veja, estamos em 2026, né, mas em 2021 foi anunciado um remake de Faces da Morte com a Charlie Charlie XCX, que agora não tô lembrando qual filme que a gente viu, que a gente já falou da Charlie XCX aqui na RDM. Você vê que já é segunda vez que ela tá aparecendo. A gente vai ter que começar a ouvir. É algum filme que a menina tinha um pôster da Charlie XCX no quarto.

Eu não tô conseguindo lembrar, mas é um episódio recente aí. Quem tá ouvindo pode comentar para nos ajudar. Eu não lembro se era o Pânico 7, que a filha tem o pôster no quarto. Alguma filha aí que Tinha o pôster da Charlie XCX no quarto, que a gente falou. Não, não é Pânico 7 não, cara.

?Voz C

Não, também não tô, mas foi.

GBGabriel Braga

Vai comentar aí que foi a primeira vez que tu ouviu falar da Charlie XCX, mas pelo jeito ela tá aí alguns anos já, que em 2021 já tinham escalado ela. Só que assim, daí eu fui comentário de tiozão, né? Foi, fui tiozão total.

?Voz C

Mas ela tá uns anos aí já, né, essa moça aí tem uma trajetória.

?Voz A

E é legal que esse comentário dele, ele vai para lugar nenhum, entendeu? Porque ele não consegue dizer qualquer filme em que ela aparece.

?Voz C

Não, eu sei, eu sei. Foi no Morro dos Ventos Vivantes, porque ela faz a trilha sonora.

?Voz A

Não, ele ainda tem um pôster.

GBGabriel Braga

Não tem mais um, cara? Então é a terceira vez que ela aparece no RDR. Ela já pode pedir pauta aqui, ó. Apareceu 3 vezes a Charles XX, já pode pedir pauta pra gente aqui, ó.

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GBGabriel Braga

Got a Sam's Cafe pizza order up. Mm, mm, mm.

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GBGabriel Braga

Só pra gente falar um pouco do Faces da Morte original, ele tenta dar um tom de seriedade. Vocês assistiram o Faces da Morte original?

?Voz C

Eu vi só os trechos que tem no remake, eu achei até interessante a parte narrativa, mas eu tenho certeza que o remake colocou só o best of, assim. O que dá pra tirar de legal desse negócio aqui?

GBGabriel Braga

O remake colocou o que é menos polêmico, talvez, assim, o que não ia dar tanto problema, sabe? Porque assim, ele começa começa com uma cirurgia do coração. Então é jogado na tua cara assim uma cirurgia do coração sem censura, sem nada, os cara operando um coração. Daí você fica: nossa, vai ser porrada, né? Daí um dos médicos da cirurgia sai, ele entra no que é pra ser um corredor do hospital, mas parece o corredor de uma casa de vó assim, tipo uma parada muito... você fica: meu amigo, para com isso, né?

Tá querendo me dizer que isso é um hospital, né? Um corredor estreito com papel de parede de flor assim. Aí o cara senta lá, ele tem um óculos bem pequenininho, todo torto, e ele se apresenta: ele é o Dr. Francis B. Gross. Só que daí, como ele é, sei lá, parece sueco, uma parada assim, então é G-R-O com trema S-S. Só que daí faz essa piada com o inglês, o gross, né, do nojento, né, que é a melhor tradução, eu acredito.

?Voz C

É nojento, perturbador, repulsivo, né. Repugnante.

GBGabriel Braga

Repugnante. E aí, tipo, cara, ali você já vê: "Porra, que parada forçada, né?" "Meu nome é Dr. Francisco Repugnante e eu vou mostrar pra vocês uns vídeos nojentos e macabros." Só que, cara, a gente também tem que entender que, né, quando você vai ver com aquela aura, né, de ser real, pô, beleza, funciona. É que eu acho que aí é uma coisa do... Vou usar aqui uma expressão do wrestling, né, da nossa querida luta livre aí. É o kayfabe.

?Voz A

Esse episódio tá muito aleatório.

?Voz C

Gente, meu Deus do céu. Tá muito rolê aleatório. Daqui a pouco aparece o Ronaldinho Gaúcho. Vem com luzes.

GBGabriel Braga

A gente pede pro editor aí soltar o depoimento do Ronaldinho Gaúcho. É o kayfabe. A luta livre só funciona se você comprar que o que tá acontecendo ali é real. Senão não vai funcionar. Você tem que comprar a história, a vingança, não sei o quê. Pô, inclusive, agora que eu já saí, né, só fazer um pequeno parênteses aqui, que eu preciso contar uma coisa que aconteceu na WWE perto dessa semana, que tem um lutador que é o O Kaiser.

E aí, ele foi preso, né. E daí tava aquela: "Meu Deus, ele foi preso!" Daí foi: "Não, porque ele agrediu alguém." Daí tava todo mundo: "Meu Deus, o cara foi preso por agredir alguém." Mas daí saiu a versão do que aconteceu. Ele tava no elevador com a namorada dele, que é uma repórter latina. E aí, eles tavam ali no elevador conversando e tal. O Kaiser agora, ele tá com uma gimmick, né, um personagem que é mexicano. O cara aprendeu a falar espanhol, ele tá muito dedicado na parada, assim.

E aí, o cara que tava no elevador saiu e falou assim, ó: "Toma cuidado dessa tua mulher aí, senão eu vou chamar o ICE pra prender ela." Ah, ele foi lá e meteu um socão no cara, velho, pra mim, ó, não errou.

?Voz C

Justificadíssimo.

GBGabriel Braga

Palmas para Ludwig Kaiser.

?Voz C

Pra bater foi pouco. Kaiser matou foi pouco.

GBGabriel Braga

Bateu foi porrada. Mas enfim, perdão pelo parênteses. Mas é isso, você acaba comprando a ideia. O Faces da Morte, ele funciona se você tá dentro daquela ideia do: isso aqui tudo que eu vou mostrar é real e não sei o quê, eu vou te chocar com as diferentes faces da morte. E ele tem aquela voz mais grossa, meio metalizada, que dá uma seriedade para tudo aquilo. E aí a ideia é essa.

?Voz C

E tem a questão do, para quem viu na época, mas também tá preservado na filmagem, a questão do VHS, né? Esse amadorismo da captura do som também acrescenta ali, né? De você ter uma coisa que parece que você não devia estar vendo, né? Acho que é um pouco do charme.

GBGabriel Braga

E aí ele já começa, né, falando: "Ó, então a gente vai fazer essa grande reflexão aqui sobre a nossa própria mortalidade." Que aí que eu penso, ó, até inicialmente o filme tem uma proposta que é interessante, que eu não sabia que ele tinha, né? Essa ideia de vamos confrontar, pensar na mortalidade. E ele faz várias provocações, né, sobre o quanto a gente tem essa ideia, essa curiosidade macabra, essa coisa meio mórbida de que a gente não vai desviar muito o olhar, a gente quer ver essas coisas.

Ele joga meio com isso. Só que, claro, né, a intenção original é uma coisa, né? Como tava falando, a intenção original é uma coisa.

?Voz A

De boas intenções o inferno está cheio, né?

?Voz C

Passei o PC exatamente nesse tempo.

GBGabriel Braga

Quem que tá sendo tiozão agora aqui, ó? Parece que o jogo virou.

?Voz C

Mas nós somos 3 tiozões, né, cara?

?Voz A

Eu sou jovem, nem vem.

?Voz C

Meus alunos do ensino médio nasceram em 2010, agora a turminha tá vindo aí, eu fiquei em choque, cara.

?Voz A

Gente, eu descobri que eu tô velha, já sabia, né? Mas agora eu acho que realmente, porque o meu quadril dói.

?Voz C

Você descobre partes do corpo que você não conhecia, né? Ai, meu ciático!

?Voz A

É por causa do Muay Thai? É, mas eu fico pensando, se eu tivesse 20 anos, eu não ia estar com dor no quadril. E daí o pior foi quando meu pai falou: acho que é uma bursite. Eu falei: mas bursite é coisa de velho, eu não posso ter uma bursite aos 33 anos.

?Voz C

Seu pai falou: pois é, pois é, bem-vinda. Foda, cara.

GBGabriel Braga

Falando em velho, o Faces da Morte, ele começa com múmias.

?Voz C

Caralho, chamou a Gabi de múmia, não deixa ela vir aí não, pera lá, pera lá, olha lá. Ô louco, termina assim.

?Voz A

Olha, a gente vai resolver isso na porrada, né, eu e o Braga, a gente já descobriu.

?Voz C

Vai ficar quadril fodido também, Braga.

GBGabriel Braga

Pô, vou ficar quadril fodido, vou quebrar, vou chegar com o quadril quebrado. O Faces da Morte, ele começa no México. Quando ele explica lá que daí é um cemitério, que precisaram exumar os mortos. E quando foram exumar, tava todo mundo preservado, porque todo mundo virou múmia. Essa parte são filmagens reais, eles realmente filmam essas múmias. Tem até toda uma discussão, os limites éticos disso. Mas enfim, né, era 1978, né, gente.

Ética era outra coisa, né. Ainda mais dentro de filme, essas coisas. Então ele vai mostrando essas múmias pra já começar o choque, assim. Mas sim, não é nada que a gente, sei lá, quem já foi em museu, quem já viu algum documentário sobre o Moomin já viu isso, né? Não tem nada demais. Aí começa a pira. Ele vai o quê? Para Amazônia. Aí ele vai mostrar uma tribo lá, eles estão caçando. É muito uma coisa de animais nesse começo, né?

É um filme muito pró-vegetarianismo, assim, ele tem um discurso bem pró-vegetariano. O Thiago tá dando risada, né? Que assim, é tanta coisa esse filme. O episódio tá aleatório porque Faces da Morte é muito aleatório, assim. Do nada ele solta uma uma reflexão foda que você fica: "Nossa, daqui a pouco ele: 'Agora veja esse sangue aqui'." Mas enfim, daí vai pra Amazônia, que é sempre essa ideia, uma tribo que não tem contato com a civilização, mas eu fui lá.

E aí, olha só a bebida que eles fazem. Eles estão macerando mandioca e as mulheres ali dessa tribo estão cuspindo. E eu pude beber esse caldo e é muito gostoso. E daí eles vão mostrando essas mulheres cuspindo na mandioca. Que dá para fazer uma bebida, né, que é fermentada. Aí você fica, cara, mas o que que isso tem a ver com Faces da Morte assim? Quem que morreu ali? Ninguém. É meio essa ideia do exótico também, né? Então, claro, eles vão mostrar a questão do canibalismo, eles mostram uma cabeça numa estaca e tal, tipo, olha os indígenas canibais da Amazônia.

Enfim, é a ideia do holocausto canibal assim, né? Tipo, ó, eles vão para lá onde a civilização não chegou e vejo o que acontece. E aí, logo em seguida vai pra África, onde vai mostrar, enfim, cenas de muita violência. Ou aí é aquele clássico, é cenas de fome, é a pobreza extrema. É uma visão extremamente estereotipada, assim. Mas é muito significativo que seja Amazônia e depois "The country of Africa".

?Voz C

É tipo aquela matéria que vira e mexe aparece aí no Twitter, rede social e tal. "Ah, conheça o mosquito que causou a miséria na África". Daí a galera falou: "Pô, mas não precisa falar assim da Europa também, né?" Porque realmente, cara, é uma hipocrisia do caralho agir como se fosse— caiu do céu uma miséria aqui, né? "Ai, puta, pegou bem na África, que merda, né?" Como se não fosse um processo histórico, né, velho?

GBGabriel Braga

Enfim. E aí ele vai e ele muda assim, tipo, Amazônia, África e galinhas. Daí ele mostra, tipo, olha como que você tem que— o que você come de carne, na verdade, são animais mortos. Daí ele mostra lá uma galinha sendo decepada e continua andando. Dele vai mostrar os abatedouros, não sei o quê. E começa um mega discurso dele falando assim: "Porque depois de eu ter visto isso, eu decidi parar de comer carne. Eu sei que se eu tivesse que trabalhar numa fazenda, eu não conseguiria prover o meu próprio sustento." Né, que daí ele quer mostrar isso.

Que, ah, porque daí vamos falar do abate kosher, vamos falar do abate não sei o quê. Daí ele vai mostrar umas cenas de animais sendo abatidos, né. Que enfim, é bem essas pira de documentário vegetariano e tal, né. De "veja como eles são tratados com violência". E aí você tem também, ele mostrando, ó, mas também tem animais muito próximos da gente. Aí ele vai mostrar lá um caso de um crocodilo que tava na... É Flórida, né? Que é o lugar lá dos crocodilos.

?Voz C

Sempre, sempre, sempre.

GBGabriel Braga

Aí ele vai mostrar lá que, ah, tão nesse lago. E daí é uma reportagem fake de uma galera entrevistando uns adolescentes.

?Voz A

Crocodilo. Crocodilo.

?Voz C

E esse é o crocodilo. O que você conta pra nós aí?

GBGabriel Braga

Pra quem é curitibano, é tipo o Parque Barigui, assim, né? Olha lá, o jacaré.

?Voz C

Ou as capivaras, né?

GBGabriel Braga

Tem um monte de capivaras. Eles têm essa ideia de: "Ah, os policiais vão lá capturar." Daí um policial é devorado pelo crocodilo. Mas obviamente não é nada explícito, porque é tudo fake, né? Então só mostra, sei lá, o cara caindo na água. Daí a galera gritando: "Meu Deus!" E daí a câmera começa a mexer de um lado pro outro, assim. Todo mundo: "Meu Deus, ele está sendo devorado!" "Oh, meu Deus, que horrível!" incrível, mas não mostra nada, né?

Assim como uma das cenas mais famosas, que é a do urso, que tem um urso lá no parque. Daí uma família para o carro, vai lá ver, e aí assim, gente, tem muito corte de câmera. E aí você fica, tá, mas são coisas encontradas, por que que tem tanto corte de câmera? Nessa do urso é a única que eles justificam, que eles falam que tinha dois carros, tem duas famílias, então a gente vê de dois ângulos porque cada família tá filmando de um lado.

Então assim, dá uma justificativa. E daí o pai da família lá desce: "Ah, eu vou brincar com o urso aqui." Ah, daí ele é atacado brutalmente pelo urso, dilacerado. Mostra alguma coisa? Não. Mas é que são cortes de câmera que são bem feitos, que realmente parece que o cara tá sendo atacado. Igual eu falei do negócio da rinha de cachorro. Os cachorros estavam brincando, mas daí o jeito que eles filmam, os cortes de câmera, com a música e tal, te induz a ver algo a mais ali.

?Voz C

É um grande efeito Kuleshov, né, com essa ideia do... De morte, né? Você usa montagem e aí vamos lembrar que aqui é montagem, é o corte raiz, né? Porque a gente não tá falando de edição em digital, né? A gente tá falando de ir com a tesourinha, literalmente cortar o filme, né? E você vai montando de um jeito que parece algo que não é o que tá sendo de fato mostrado, né? É muito sugestivo, realmente.

GBGabriel Braga

E aí o filme ele vai crescendo, né? Ele começa com essa coisa de civilizações distantes, com a violência animal, Aí ele vai passar pra essa ideia da violência de pessoas. Então ele começa falando de um assassino, o François Jourdan, que é um assassino real, mas real mesmo. Tanto que ele aceitou dar entrevista pro Faces da Morte, né? E aí, cara, é o melhor estilo Gugu entrevistando o PCC, assim. Gugu in memoria, né?

?Voz A

Mas assim, é total o Gugu, cara.

GBGabriel Braga

A pira do PCC, assim.

?Voz C

Aqueles caras da Fox News que vão entrevistar o líder do Antifa. Aí é sempre o mesmo cara, já viu esse meme? Que é tipo, a Fox News fala com o líder do Antifa. Aí sei lá, Fox News fala com o líder do Black Lives Matter. Aí você vê que é sempre o mesmo estagiário com a balaclava assim.

GBGabriel Braga

Cara, que é muito essa entrevista. O François Jourdan, a voz dele tá distorcida e ele tá com uma balaclava e ele fica: "Pois é, eu mato por dinheiro." Baclava que vocês tão falando é o doce, né?

?Voz A

Não é... Como que é o nome do doce?

?Voz C

Não, balaclava.

?Voz A

Balaclava? Balaclava mesmo?

?Voz C

É, não é? É balaclava, é a máscara.

?Voz A

Balaclava, é verdade. É que eu pensei, eu pensei no doce. Eu tô com tanta fome nesse episódio que eu já pensei naquele docinho de pistache com mel, bobão.

GBGabriel Braga

A gente gravando episódio com fome. Falando em fome, eu lembrei agora de uma das cenas mais chocantes do filme, que é quando eles vão comer o cérebro do macaco. Essa é famosa também, gente, não tem nada de real. E tal. Na verdade, o cérebro do macaco é couve-flor, né? Um trabalho daí muito legal de maquiagem, né? Porque é realmente muito bem feito essa cena. É bem desconfortável, ela é bem bizarra. Mas assim, tem muitos cortes.

É o segredo ali que o Hitchcock já tinha ensinado em 1960. Você não precisa ter violência real, é só você fazer cortes, né? Então eles fazem vários cortes pra fingir que tão batendo na cabeça do macaco. Pra depois sair o cara lá: "Olha só, tirei o cerebrozinho, né? Vamos comer ele e tal." E daí o médico faz aquele comentário: bizarro do "eu perguntei pra um desses homens o porquê que ele estava ali e ele falou que comer um cérebro o faz sentir mais próximo de Deus".

Desculpa, o que que tem nesse, cara? Mas sim, não dá pra dizer que não são comentários com frases de efeito. É que, de novo, não dá pra pensar muito sobre. É ok, Fabe, se você por um momento começa a ver aquilo como não real, tchau, estragou o filme. Só que assim, daí nesse momento a coisa fica muito bizarra. Porque a trilha sonora, ela é muito desconexa com o filme. Porque tem um momento que toca umas músicas muito ridículas assim, que você fica: "Cara, pelo amor de Deus, deixa sem som." A trilha sonora te tira muito dessa ideia do filme ser real, assim, porque é muito ridículo.

Tanto nessa parte, como depois que eles têm aquela da SWAT, né, que o cara sai com a arma de casa e dão um tiro no cara. O outro que é condenado à cadeira elétrica. É elétrica. Inclusive, ali, esse da cadeira elétrica, eu acho que é bem interessante a provocação que ele faz, né, falando assim: "Assassinato é feio, né, mas daí na hora de a galera quer, vamos condenar o assassino à morte e vamos ver, porque esses assassinatos tem gente que vai lá assistir e tal." Então, assim, ele joga muito essa questão: "É errado matar, mas o Estado pode, né?" É, o Estado pode.

?Voz C

É, se for no Texas, tudo bem, né?

GBGabriel Braga

A gente pode matar em alguns contextos.

?Voz C

E tem essa discussão muito forte nos Estados Unidos, né? Porque tem a tal da injeção letal, né? Que é pra ser um modo humano de execução. Cara, é um negócio horroroso igual. Não tem forma evoluída de matar um ser humano num ritual ali supostamente judicial, que na verdade é uma coisa meio Código de Hammurabi, né? Um negócio horroroso assim. Então acho que essa parte é uma crítica interessante. Muito forte mesmo.

?Voz A

Isso me lembra muito quando correu a, acho que foi a execução do Ted Bundy em 89, que a galera tava lá fora da cadeia, da prisão, vendendo tipo camiseta, vendendo broche, sabe, tipo como memorabilha, como se fosse um evento assim nacional que todo mundo tivesse ligadaço.

GBGabriel Braga

É, mas é por essas coisas. Eu acho que o Faces da Morte de 78, ele tem uma ideia muito interessante, até que eu não fazia ideia que ele tinha. Mas aí ele começa a se perder, né? Depois daqui, né, de fazer toda essa reflexão dele, vai mostrar um culto canibal, que daí ele fala, ó, essa galera aceitou aparecer aqui no nosso documentário, hein, porque eles querem que todo mundo entenda a crença deles. Eles vão lá e devoram uma pessoa, daí eles ficam se banhando com sangue e tal.

Acho que ataque do urso vem agora. Daí depois eles apelam para mostrar umas filmagens reais do Holocausto, depois eles vão falar sobre suicídio. Então assim, o filme se perde perde muito no comentário que ele faz para depois ir nessa exploração do tipo: "Veja que o Holocausto..." Ele traz muitas filmagens reais. O do suicídio também tem uma filmagem real assim, que aí de novo, né, aonde que tá a ética? Até quando a gente vai, né?

Porque daí o jornal pode mostrar. Ainda era 78, não tinha rede social, né? Mas assim, nada impedia de ter uma filmagem ou outra de realmente ali uma pessoa tirando a própria só que quando a gente pensa agora nesse contexto mais atual, enfim, é muito mais fácil de você ter filmagens que entram nas redes sociais e são completamente antiéticas, que é o que leva a gente pro remake de Farsas da Morte agora de 2026. The many faces of death.

Come on, I dare you. They haven't seen anything yet. Anunciado em 2021, finalmente foi— finalmente assim, né, não sei se tão finalmente, mas foi liberado o remake de Faces da Morte, que foi dirigido pelo Daniel Michael Goldhaber. Ele é o cara que fez aquele Cam de 2016, que é legal, é um filme bacana, é bem surpreendente assim.

?Voz C

É, é, ele é bem naquela época que a Netflix comprou Black Mirror e daí eles fizeram um monte de parada meio Black Mirror, né, assim é um tipo Black Mirror, teve uma onda de filme nessa época, mas é um filme legal.

GBGabriel Braga

Uma boa definição, ele é bem Black Mirror.

?Voz C

E ele fez também aqui recentemente o How to Blow Up a Pipeline, que Eu acabei não assistindo ainda, mas é bem elogiado também. Eu já vi bastante recomendação desse filme.

GBGabriel Braga

Ele tá, né, o remake ali, né, o remake vai figurar em torno da Margot. Ela é uma moderadora de uma rede social que, por não poderem usar o TikTok, né, vão chamar de Kino App, mas assim, é claramente o TikTok. Não é só uma rede de vídeos curtos, mas todo o layout assim é 100% TikTok, né. Mas ela é uma moderadora, e aí qual que é a tarefa dela. Vídeo que denuncia, ela assiste pra ver se pode ou não. O que aí já é meio irreal, que assim, daí trazendo uma coisa que a gente, enquanto RDM, passa às vezes.

Teve uma época aí que a gente tava sofrendo muita censura mesmo do TikTok e do Instagram. Geralmente, né, com o Podcast de Ouro, o que acontece? Dizem que a gente tá fazendo apologia à violência. E a gente tem que argumentar, tipo: "Não, nós estamos falando sobre um filme, é uma análise sobre um filme." filme.

?Voz A

Há uns tempos atrás o Instagram denunciou alguns posts nossos que era tipo do John Wayne Gacy, o nosso episódio sobre o Gacy, sabe? E eu já vi muita gente reclamando nessas plataformas que assim, é conteúdo de true crime, qualquer coisa assim é lido como apologia.

GBGabriel Braga

E por quê? Porque não são pessoas que— tem pessoas que trabalham na moderação, mas é inteligência artificial, é robô. E daí o cara vai lá, joga, né, o robô vai lá, joga como conteúdo impróprio.

?Voz C

Patrio, famoso bot, né?

GBGabriel Braga

Até você provar, cara, às vezes demora uma semana, às vezes até mais, né? Teve coisas nossas que demoraram assim para voltar porque foi sinalizado como conteúdo perigoso, como às vezes da gente tá incentivando pessoas a se machucarem. Você fica, gente, vê o que que a gente tá falando ali, por favor!

?Voz A

Quem ousa calar o RD Mcast?

GBGabriel Braga

E enfim, a Margot trabalha nisso. E aí ela tá vendo lá os vídeos, e aí esse começo eu achei muito Muito bom do filme. Nem perguntei impressões iniciais, que eu acho que a gente vai concordar em muita coisa. A gente já vai desenvolvendo mais. Mas eu achei muito legal que daí ela tem alguns vídeos que são extremamente violentos e ela: "Não, de boas aqui." E daí, sei lá, uma pessoa: "Vou ensinar a colocar um preservativo usando essa banana." "Ah não, é conteúdo sexual." Conteúdo explícito. É conteúdo explícito.

?Voz C

"Vou ensinar aqui a usar uma droga pra salvar alguém que entrou em uma overdose." "Ah não, isso aí é uso de droga." "Porra!" Cara, aqui é muito a vibe das redes sociais.

GBGabriel Braga

Você tá falando coisa séria, você não, não pode, porque isso aqui é conteúdo sexual, isso aqui é apologia. E daí conteúdo, tipo, principalmente discurso de ódio, né, que é o que aparece ali, pessoas claramente falando coisas extremamente racistas ou misóginas.

?Voz C

"Ah não, é liberdade de expressão." "Isso aqui nós vamos promover, inclusive, né?

GBGabriel Braga

Esse aqui é que é bom." Ajuda a promover esse comércio Achei muito, muito bom assim, porque é uma parada que a gente vivencia todo dia em rede social. Você vai lá, denuncia um vídeo que o cara tá sendo racista. Aí: "Não, a nossa equipe não checou nada de errado ou impróprio. Somos a favor da liberdade de expressão e tal." Mas a gente não pode falar de, sei lá, um filme de horror que não é apologia à violência. Aí vocês foram longe demais.

?Voz C

Imagina o Twitter que você denuncia o cara por racismo e é o dono da rede, né? Aí é complicado, né? Cara, tinha que ter uma compilação. Eu acho que tem isso, uma compilação de vezes que o Elon Musk foi desmentido ao pelo próprio Grock. Toda vez ele tem que reprogramar aquela porra e toda vez o bagulho dizer: "Ah, Hitler era de esquerda." Aí alguém: "Aí, Grock, é verdade?" "Não, isso é ridículo, nada a ver." E aí ele fica puto, vai lá, mexe de novo no bagulho. Deve ter uma thread disso, cara.

GBGabriel Braga

E aí a Margot se depara com um perfil misterioso que tá postando umas execuções. Que no começo ela fica... E são coisas muito gráficas, assim. Mas ela fica: "Ah, beleza, né? Isso aqui é claramente falso e tal." Mas aí aparece de novo, aparece um outro vídeo, ela começa a ficar meio meio preocupada. E ela tem uma questão muito pessoal, né, ligada aí a um trem e a irmã dela, que depois a gente vai descobrir, né, o que que aconteceu.

Mas ela tem uma coisa que ela leva meio como uma missão, tirar esse tipo de vídeo da internet, né. E aí a investigação vai ser essa: esses vídeos que estão ali são reais, não são? O filme joga umas discussões éticas, acho que ele começa muito bem, mas aí acontece Acontece o resto da história, né? Daí que eu quero perguntar pra vocês, né? E aí? O começo é legal mesmo? Eu tô dando uma exagerada? E o resto do filme? E aí, gente, o que vocês acharam do remake de Faces da Morte?

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GBGabriel Braga

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?Voz D

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?Voz C

Cara, eu vou ser bem sincero, eu não achei o filme ruim. Talvez até a gente discorde um pouco nesse aspecto, que eu acho um filme ainda um saldo que salva algumas coisas, mas eu achei ele um filme bizarramente inconsistente. Tem uma cena muito boa, uma cena horrorosa. Tem uma ideia de background de personagem muito legal, uma uma letra péssima. Eu acho umas decisões muito esquisitas. Eu acho que a ideia tinha tudo para ser um filme muito legal assim, de você explorar um pouco dessa metalinguagem com rede social, e daí o assassino que se inspira num caso ali real, e ele quer ser destaque numa comunidade.

Eu acho que tem umas conexões interessantes. Claramente o— nossa, o nome desse cara é foda— o Dacre Montgomery tá fazendo uma coisa meio metido a macho alfa assim. Tem até uns comentários da galera falando: nossa, que comportamento chamado de sigma e ele quase goza assim, nossa, os cara tão me achando um sigma. Eu achei interessante isso. E aí tem esse embate, né, com as pessoas que são mais protagonistas do filme, tem uma preocupação de ser muito representativo e diverso, né.

Então acho um pouco forçado até alguns pontos, e parece muito filme dizendo, ai, que legal, né, ele é um homem gay, né, como se fosse meio que um rótulo assim para dizer, olha que legal que eu sou, né. Mas enfim, eu acho que o saldo geral ainda é positivo. Mas eu fico pensando, fico até meio triste, assim, porque eu ainda acho que podia ser um filme muito melhor com uma certa polida de roteiro, assim. Você podia fazer um negócio realmente muito legal.

E como ficou, é um filme cheio de boas ideias e outras ideias... Essa parada do trem, eu acho péssimo. Péssimo, péssimo! Tudo que aparece da rede social é muito tosco. Que nem você falou, é o TikTok, mas não pode usar o TikTok. Então fica aquela coisa de filme querendo dialogar com o zeitgeist, mas aí mostrando uns negócios que parecem internet dos anos 2000, assim. Enfim, ele tem esse vai e vem, é bem consistente mesmo.

?Voz A

Eu acho que em uma era de remake assim, a ideia do filme é muito louvável, de você não só fazer um remake, você tentar criar uma discussão ali no meio, né? Ter toda essa característica da metalinguagem. Eu sinto que é um filme que tem intenções boas, mas que não consegue desenvolver as ideias Então ele consegue trazer uma abordagem provocativa, consegue levantar algumas questões que são muito atuais relacionadas à nossa presença online, né, um voyeurismo digital.

Só que ele nunca chega lá, eu acho que esse é o ponto, porque ele acaba perdendo muito ritmo, né, acaba ficando mal desenvolvido, o que é uma pena, porque ele acaba sendo um resultado esquecível. É um filme que ninguém vai lembrar muito e poderia poderia sim ser um puta filme esse ano, poderia fazer a galera tá conversando sobre ele até agora, né?

GBGabriel Braga

É porque ele tem uma ideia legal, né? Ele traz então essa discussão da exposição nas redes sociais, até quando vai. Pô, gente, a gente tem alguns casos, né, o que é muito triste, mas a gente não é só um, a gente tem alguns casos de ou pessoas que transmitiram, enfim, o suicídio de outros, ou de pessoas que compartilham. E assim, não precisa nem ser tão macabro, é muito brabo assim, né? Mas pessoas compartilham o dia a dia de outras pessoas, dos seus próprios filhos, às vezes, né?

Tenta registrar o filho como marca, esse tipo de coisa, né? Então assim, uma exposição muito grande, né? Tipo, mas até quando que vai essa ética? O quanto que isso pode ser danoso para as pessoas que estão sendo expostas, né? Mas de novo, ele lança muita discussão, depois não sabe trabalhar bem. A concepção do assassino, concordo, é muito legal. Ele vai recriar as mortes do Face da Morte e ele tem essa coisa, né, da internet, masculinidade e tal, mas também não aprofunda muito nisso.

Então fica aquela coisa meio mal trabalhada. Mas eu concordo muito com o Thiago, a inconsistência eu acho que é o que mais incomoda. Pô, começa bem, daqui a pouco você fica: "Cara, o filme tá ruim." "Não, agora ele deu uma melhorada." "Pô, mas isso aqui tá uma bosta." "Não, agora é legal." E daí ele vai incomodando isso, né, de toda hora tá: "Não, agora eu vou melhorar." Não, brincadeira.

?Voz A

Sabe, esse filme meio que chegou em um momento bem oportuno, assim. Porque há uns tempos atrás, eu e o Matheus, a gente tava assistindo uns documentários no YouTube, justamente sobre essa violência no início da internet, sabe. Quando a gente tinha esses fóruns e esses sites de gore. E sei lá, você conseguia acessar coisas inimagináveis, que eram 100% reais, assim, né. Eu lembro muito do caso do assassinato daquele jornalista americano, Daniel Pearl, que morreu em 2002.

Ele foi decapitado. E a imagem, tipo, vídeo assim, circulou no início de internet assim, logo depois do 11 de setembro. E cara, todo mundo assistindo, o vídeo caiu assim, e a gente tava assistindo. E tem assim vários documentários feitos por YouTube que meio que tentam problematizar essa época dessa internet e como a gente é herdeiro disso ainda, apesar da internet ter mudado muito, né? Mas como esses lugares esses sites, esses fóruns, eram um antro de nazi, de racismo, além de tudo.

E de como isso foi dessensibilizando violência, mercantilizando violência, né. E a gente é fruto disso até hoje, né. Só que com um novo estilo, né, com redes sociais e coisas que tornam ainda mais acessível essa violência. Então, cara, quando esse filme chegou, assim, meio que foi numa hora muito oportuna, sabe. Que a gente tava tendo essa conversa. Até mesmo o Matheus tava falando: "Pô, eu assisti uns vídeos quando era criança que eu nunca devia ter assistido." assistido assim de decapitação, e essas coisas ficam com a gente, mexem com a gente.

A gente tava conversando sobre como a gente não mede o impacto que assistir essas paradas pode ter, né? E eu acho que esse filme podia estar aqui nesse momento, né, nessa discussão. Mas, putz, parece uma oportunidade muito desperdiçada assim.

?Voz C

É que é um no cravo, um na ferradura, né? Eu acho principalmente o assassino em si tem uma caracterização muito foda. A ideia do que ele tá fazendo é muito legal, legal, né, no sentido, né, enfim, de discussão.

?Voz A

Muito bacana seu plano aí, cara, parabéns!

?Voz C

Parabéns! Eu acho interpretação muito boa, só que acaba tudo isso meio desperdiçado, um filme medíocre, né? Porque, cara, que que aquele chefe dela, ah, vai para puta que pariu, cara! Ah, eu vou aqui no show então e faz aí o meu trabalho até de noite, e vou deixar meu computador aqui com informação sensível e a senha para você. E aí a mina vai lá e larga as drogas dela. Ah, cara, na A porra da, desculpa falar assim, mas a porra da Charlie X sei lá o quê lá, que personagem nada a ver, cara.

Personagem imbecil. Ela fumando lá fora, é porque eu sou babaca mesmo, sei o quê. Aí todo mundo reconhece a mina da porra do vídeo do trem, cara. Não tem uma merda de um vídeo na internet que de boomer a geração Z conhece, cara. Não existe isso, velho. O taxista, cara, reconhece ela de um vídeo da internet sei lá quanto tempo atrás. Pô, cara, é isso que é foda. Tem coisa que dá muito ódio assim, aí acho que dá mais raiva ainda de estar junto com coisa legal, porque daí você fica puto de estar estragando um filme que poderia ser muito bom, né?

?Voz A

Eu sinto que o filme ele não tem meio que uma ousadia de levar até o fim aquilo que ele quer, entendeu? Então ele começa bem e daí ele cai porque falta essa coragem assim de seguir num caminho mais até perto, entre aspas, do original assim, sabe? Tipo, ele é meio polido demais, eu não sei, É, realmente, eu acho que o que desanima é o que o Thiago falou, é a oportunidade desperdiçada, essa coisa meio de um ritmo que não é constante assim.

A gente meio que começa a se pegar no relógio para ver que horas vai acabar, porque começa muito bem, daí vai cair. É meio triste assim, porque eu acho que o tema é muito atual e é muito interessante, rende muito debate.

GBGabriel Braga

É que o roteiro mata muito, né? É diálogo demais. Mas tudo é muito explícito. Por exemplo, quando o assassino tá falando com a Margot lá do "porque todo mundo me ama, as pessoas adoram um remake", daí você fica "ah cara, para".

?Voz A

Pânico 7, né? É, exato.

?Voz C

Pânico 7 mandou um abraço.

?Voz A

Quando ele vai levantar as motivações e fica essa coisa, parece muito clímax de Pânico 7, você fica assim "mano, ok, não precisa disso".

GBGabriel Braga

A própria coisa lá mais pro final que o Narcano, aquilo que é apresentado lá no início, né, pra você evitar o overdose, overdose, que é tipo um negocinho de sprayzinho de nariz assim, pra você evitar overdose. Isso lá no final volta, né? Só que assim, volta no momento que daí não precisa mais de explicação, porque já explicou lá no começo do filme. Mas não tem problema, ela vai explicar de novo. Esse cara não precisa, para de ficar explicando, reexplicando.

A própria coisa do trem, né? Depois que apresenta lá o que aconteceu, beleza. Mas não, tem que ficar relembrando toda hora. Ah, mas você é pulou do trem. Ah, mas porque eu agora vou fazer isso, porque quando aconteceu isso, a gente já entendeu, a gente já entendeu sua motivação, não precisa ficar repetindo ela todo momento.

?Voz A

Você esvazia, né? Porque, por exemplo, quando você tem essa coisa, e a gente cada vez mais, né, com as redes sociais dominando as nossas vidas, começam a surgir esses desafios idiotas, qualquer coisa por like, né? Então você tem uma reflexão sobre isso, é muito legal, mas quando Você usa o tempo inteiro tentando explicar pro teu espectador o que tá acontecendo, você perde a eficácia daquilo que você tá tentando dizer, né?

?Voz C

É, e também fica muito tosco porque o tom do filme também é muito inconsistente. Eu entendo ele começar mais leve, né, como se fosse meio que uma sátira, os personagens meio abobalhados, e aí depois conforme aquilo vai ficando real, né, porque tem um potencial ali muito legal de que a Margo não é que ela não tem noção das consequências, porque ela tem bem, né, isso até enfatizado 50 mil vezes. Mas ela começa a investigar os casos que ela vê lá na moderação meio que como se ela fosse intocável, assim, ah, vou ver aqui, cria um perfil falso, não usa uma porra de um VPN, né, cara.

Se tivesse um patrocinador de VPN aqui já podia fazer inserção, porque pelo amor de Deus, pelo menos dá um VPN, né, cara, amadorismo. Mas aí falta um ponto de virada de dizer, ó, agora fudeu, agora é sério, esse assassino é um cara asqueroso, ele vai fazer tudo e ele é amedrontador. Cara, tem umas cenas meio que no Mas que é meio idiota assim, é quase engraçado. Cara, não faz sentido, né? Ou você vira de uma vez e daí fica um negócio mais pesado, mais grave.

Ou você continua um tomzinho de sátira. Não dá pra fazer uma cena depois da outra, né? Enfim, também tem um problema de montagem ali, de trilha sonora. É frustrante mesmo, porque realmente tinha tudo pra ser um filme muito relevante, né?

GBGabriel Braga

Aqui, ó, anotei outro diálogo que eu não gostei, que é quando, aos 33 minutos de filme, ela vira pro amigo dela e fala: E fala: "Ryan, o que é Faces da Morte?" E daí o cara vai lá, pega o VHS, que daí ele tem em casa, né. Ele pega e daí ele vai: "Vou te explicar aqui." E daí ele vai e explica certinho. Mas ele explica como o primeiro viral. Você fica: "Ai, para com isso, porra!" Tem uns diálogos assim que matam demais, né. E aí, acho que é pra gente falar do final.

Talvez dar um avisinho de spoiler, né. Que tem algumas coisas que a gente tá falando meio no mistério, né, pra não revelar muito. Só vamos fazer um avisinho de spoiler aí, pra sei lá, vai que alguém quer assistir o filme e daí assiste e depois termina de ouvir o episódio, tá? Então solta o avisozinho. Então assim, o que que a gente tem? A Margot então, ela tava fazendo uma denuncinha com a irmã dela no trilho do trem porque, nossa, muito legal, que é perigoso.

A irmã dela cai, morre, e isso tava sendo transmitido. Então as pessoas tiveram acesso a esse vídeo, por isso que ela ficou super famosa como a menina do trem.

?Voz A

Só queria fazer um comentário bem aleatório, tava esperando a gente chegar na parte do spoiler porque eu tava assistindo um vídeo aleatório mesmo, já que esse episódio tá, né, enfim, e Cara, você vê como a galera assim, né, faz tudo pelo like. Tem um caso, eu não vou lembrar de nome nem nada, de um YouTuber que ele morreu porque ele achou que seria interessante fazer um experimento onde a namorada dele dava um tiro nele e ele segurando um livro, e dele queria ver se a bala não passava pelo livro.

Ele morreu na hora, tá? Só queria compartilhar isso assim Porque, cara, é o que mais tem. É por isso, de novo, que esse filme tinha muito poder, né? De poder trazer uma discussão e fazer a galera ficar conversando sobre. Porque todo dia tem isso, tem algum desafio imbecil, sabe? Que você tem que fazer as crianças não fazer porque vai se machucar. Tem o que morre querendo like, entendeu?

?Voz C

Tipo... Então, mas essa parada do trem, vocês não têm a impressão que é anacrônico? Parece uma coisa meio analógica, assim, de... Ai, tem muito mais uma impressão de criança que roubou a câmera digital dos pais nos anos 90 e foi filmar ali segurando num trem, não parece uma coisa, sabe, atual. Eu acho que eles podiam ter usado qualquer outra coisa, cara. Eu achei essa ideia do trem muito escrota assim.

GBGabriel Braga

É que a gente não vê em trem, né?

?Voz C

Daí não, até tem em Curitiba, né? JK, não conhecia. Paraná, né?

GBGabriel Braga

Eu acho que foi mais uma ideia de, por isso acho que só queriam conseguir pensar em algum acidente assim muito grave. E acho que eles acharam que elas dançando no meio da rua, acho que vai ser muito ridículo.

?Voz C

Porra, o trem é melhor, você acha?

GBGabriel Braga

Sei lá, né, que assim, entre, sei lá, um barco no meio da rua e o avião, né, acho que o trem acho que vai ser o menos, talvez o menos pior.

?Voz C

Se fosse um metrô, acharia menos ridículo.

GBGabriel Braga

Acho que teria outras alternativas, né. Mas a gente tem relato de gente que foi tirar selfie, morreu, né. Inclusive tem avisos, né. Uma professora da Federal, ela foi lá para Machu Picchu e ela falou, eu nunca fui, né, mas ela falou, e foi que agora tem avisos que é para não mexer celular quando você tiver subindo lá as escadas, só que pô, é um lugar perigoso e tal.

?Voz C

É íngreme pra caralho, né?

GBGabriel Braga

É, e aí o que que tem acontecido? A galera pega pra tirar uma selfie e cai, e aí se machuca ou até pior, né? Então, tipo, por favor, não tirem selfie da beirada de prédio, não fica tirando selfie no trilho do trem, né? Não fica tirando selfie em lugar que você vai se distrair e você vai poder se machucar, porque as pessoas realmente morrem assim de maneiras estúpidas por conta de desatenção e de produzir conteúdo em rede social, enfim, né, acaba extrapolando aí, ou extrapolando limites éticos, né.

Não teve aquele youtuber que tava lá no Japão, na Floresta do Suicídio, o cara foi lá filmar um corpo e daí tipo, gente, ele tá no WWE agora. É que eu não lembro se foi o irmão dele, se foi o Logan Paul, se foi o Jake Paul que fez isso.

?Voz A

É o Logan Paul, é o Logan Paul.

GBGabriel Braga

Foi o Logan mesmo, caraca. Foi, é, é o Logan Paul.

?Voz A

Você não sabe tudo sobre o WWE, entendeu?

GBGabriel Braga

Por isso que ele é real na TV, por isso que ninguém gosta dele. E aí você tem, por um lado, a Margot tentando parar esses vídeos. Daí ela meio que adquire consciência meio que do nada, assim.

?Voz A

Ela é uma personagem meio bosta assim, né? Vamos ser bem sinceros, ela tem umas atitudes que, putz, não é nem aquela ideia do protagonista perfeito, não é isso, mas é umas decisões que você não consegue comprar com ela.

GBGabriel Braga

Ela Ela é estúpida.

?Voz A

É, exato, obrigado.

GBGabriel Braga

É triste, né? Mas que assim, o problema é o roteiro. Ela é estúpida, que daí do nada ela começa: não, agora eu tô percebendo que o que a gente faz aqui nessa empresa, a gente é tipo, né, o chefe dela: foda-se, né? A gente não pode censurar porque é censura e eu não gosto da C-word, né? Eu não gosto da palavra com C aí, não é legal, então não vamos censurar dela. Mas tem gente morrendo dele, e daí?

?Voz C

Dá vontade de pegar na mão dela e falar: meu amorzinho, então quer dizer que a sua cruzada moral dona de uma empresa de tecnologia, dona de um bilionário, e você acha que você vai moderar conteúdo assim, cara? Sério, velho?

GBGabriel Braga

Porra. Aí ela vai: não, porque agora a gente vai achar aqui o assassino, né? A internet vai fazer seu trabalho. Vou jogar no Reddit. Deu Reddit, eles puderam usar o Reddit mesmo, né? Vou jogar no Reddit e vai todo mundo achar. A galera vai achando, vai vendo as pistas e tal. O assassino achar ela. Aí ela vai ter Ah, tipo, porque daí a influencer tá lá. O próprio cara do jornal tá lá, né. Eles sequestram um jornalista que, puta...

A cena do jornal é muito boa. Que ele tá assistindo ele próprio na televisão. E é tipo, ele dando uma notícia mega trágica, mega triste. E daí, do nada, ele: "Mas agora vamos falar desse cachorro fofinho aqui". Você fica: "Caraca, é maravilhoso". E aí, ela tem que fugir. Aí, em vez de chamar a polícia, ela fica: "Não, a gente não pode chamar a polícia, a gente tem que ter provas". Aí você fica: "Pelo amor de Deus, mulher". Ela só toma umas decisões meio burras.

?Voz A

É meio difícil você compreender para ela.

GBGabriel Braga

Eu acho que esse é um problema de roteiro mesmo, que aquele final aí, pô, vai só ficando pior assim. Ela: ah, não, vamos chamar a polícia porque eu quero pegar os dados aqui para pegar os metadados e provar para polícia que o vídeo é real. Você fica: pô, mulher, para com isso, né, vai fazer outra coisa. Daí a influencer lá também da Charlie XCX aí, né, perdão aos fãs, mas é que no filme ela tá muito ruim, que também a personagem dela é muito mal escrita, né, personagem dela.

?Voz C

Mas ela não é influencer, ela é a funcionária, colega. A funcionária é outra atriz.

GBGabriel Braga

Ah, é a Charlie XX, verdade mesmo. Ela é a menina lá que pede para comer o sanduíche.

?Voz C

Você vai comer sanduíche aí? Ai, como eu sou dark! Nossa, vai para puta que pariu, cara!

GBGabriel Braga

Confundi, ela pede para comer o sanduíche semicomido ali da outra.

?Voz C

Puta que pariu! Nossa, essa personagem também, cara, vai tomar no pouco, velho. Nossa Senhora.

GBGabriel Braga

E daí, para no final a polícia não acreditar nela, ela volta para casa lá, que daí o cara fala: ou você vem aqui ou eu mato todo mundo. E ela vai lá, né, tipo, foda-se, passa um sprayzinho antidrogas no nariz antes, porque daí é um spray mágico também, né, que daí ela consegue lutar com ele, mata ele e posta o vídeo na internet. Mas fica maluco, a pira dela não era realmente tirar esse tipo de conteúdo na internet, ela vai lá e posta. E você fica mais—

?Voz A

é porque essa é a maneira dela de ser assim, tipo, contra o sistema, sabe? Não faz sentido algum, porque meio que, aí, beleza, então ela vai tentar burlar o sistema de dentro, é uma, entendeu? Não faz muito sentido. Ou ela caiu e realmente agora, tipo, sabe, mal escrito.

?Voz C

Eles querem fazer uma parada ali, não, porque ela tá sem usar internet há anos. Aí ela, quando dá o cliquezinho que posta, né, a porcentagem, ela tipo tem um orgasmo assim, Ah, nossa, postei! Nossa, pô, é muito vergonha ali. A galera fica enchendo a porra do saco lá do Snyder Cut, daquela bosta daquele Liga da Justiça. Eu quero a porra do corte desse filme de alguém que sabe montar um filme, cara. Pega o bruto dessa merda, pega o bruto, deve ter muito mais gravação, e faz um corte decente desse filme, pelo amor de Deus, cara.

Porque eu acho que dá ainda, talvez seja possível. É o remake do remake agora. Né? Tipo, faz um outro corte que acho que, porra, é uma tristeza, cara. Podia ser tão bom esse filme.

GBGabriel Braga

A gente pediu o Depp e Montgomery cut aí, que já tava, ou a Charles XCX cut aí, que também fora do filme, né?

?Voz C

Cut pra longe, pelo amor de Deus.

GBGabriel Braga

Triste, né? Mas eu acho que não chega a ser também assim um porquê, meu Deus, mas tá longe de ser um filme bom assim.

?Voz A

Eu acho que o que deixa triste é o que ele poderia ter sido. Essa é a questão.

GBGabriel Braga

Saudades do que a gente não viveu com esse filme.

?Voz A

Exato.

GBGabriel Braga

3, 2, 1. Gente, primeiro desculpas aí pelo episódio confuso e aleatório, mas é que os dois filmes, é tanto original quanto remake, são bagunçados. Com o Satsuki, não dava para fazer um episódio assim tão certinho, organizadinho, né. A gente espera que vocês tenham gostado da discussão, mas é que quando viu o Faces da Morte, né, pô, acho que dá uma discussão boa e tal. E sempre tem aquela pira do original, né, ser tão recheado de mistérios, né, essa aura meio macabra.

Então acho que era legal trazer para discussão, né. Mas a gente também quer saber o que que o que vocês acham desse tipo de filme como O Faces da Morte original, né? É válido, não é? É exploração pura ou ele tem um quê artístico? E também comentar o que vocês acharam desse remake aí, que digamos que ele não está tão inacessível assim, se é que vocês me entendem. Piscadinha, piscadinha. Então também falem pra gente o que vocês acharam desse remake.

Vai que, sei lá, alguém falou: "Não, incrível, melhor filme do ano." Ou alguém vai trazer: "Não, pô, inconsistente não." Ele é consistentemente gente uma porcaria, né? Às vezes vocês também têm umas opiniões diferentes aí, compartilhem com a gente, por favor.

?Voz A

Lembrando que vocês nos encontram nas redes sociais, a gente tá no Instagram e no Facebook como República do Medo, e no TikTok, Twitter e Blue Sky como RDMcast. Tem também o nosso site republicadomedo.com.br, e caso você queira escrever um e-mail, você pode enviar para contato@republicadomedo.com.br.

?Voz C

E também, caso você queira assistiu o conteúdo extra do RD, mas a gente tá no YouTube também, né? É só você procurar por República do Medo e clicar ali na aba ao vivo que tem as lives que a gente já fez. E se inscreva no canal também que vocês recebem as notificações de próximas lives.

GBGabriel Braga

Gente, nós vamos ficando por aqui essa semana. Muito obrigado pelo carinho, pela atenção, e até quinta que vem.

?Voz C

Até!

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