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RdMCast #558 – Uma história do horror queer com a Estante Virtual

25 de junho de 20261h12min
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Para comemorar o mês do orgulho LGBTQIA+, o RdMCast retornou para a catacumba assombrada da Estante Virtual para conversar um pouco mais sobre o horror queer na literatura e no cinema. Entre monstros clássicos, adaptações literárias marcantes e muitos filmes icônicos, hoje nossa bancada visitou os acervos da Estante Virtual, o lugar onde tudo sobre livros acontece, para discutir a história do horror queer, suas representações em diferentes tipos de mídia e mudanças ao longo do tempo. De vampiros do século XIX, passando por The Rocky Horror Show até chegar em Chucky e o Babadook, embarque conosco por essa jornada cheia de recomendações, risadas e histórias marcantes. Escolha um livro, se aconchegue na poltrona e se prepare para revisitar algumas de suas obras e personagens favoritos, afinal “a história do horror queer é a história do próprio horror”.

O RdMCast é produzido e apresentado por: Gabi LaroccaThiago Natário e Gabriel Braga.Apoie o RdM e receba recompensas exclusivas: https://apoia.se/rdm

CONFIRA O CATÁLOGO DA ESTANTE VIRTUAL:

Site: https://www.estantevirtual.com.br/

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CITADOS NO PROGRAMA:

1. MONSTROS LITERÁRIOS

2. MONSTROS CINEMATOGRÁFICOS NO HORROR CLÁSSICO

  • Drácula (1931) e Nosferatu (1922)

  • Frankenstein (1931) e A Noiva de Frankenstein (1935)

  • A Filha de Drácula (1936)

3. ADAPTAÇÕES LITERÁRIAS

4. ANOS 1970 E 1980

  • The Rocky Horror Picture Show (1975)

  • Vestida para Matar (1980)

  • Acampamento Sinistro (1983)

  • Os Garotos Perdidos (1987)

  • Entrevista com o Vampiro

  • A Hora do Pesadelo 2 (1985)

5. HORROR QUEER HOJE: RESSIGNIFICAÇÕES

  • Garota Infernal

  • Alta Tensão (2003)

  • The Retreat / Lutar ou Morrer (2021)

  • Faca no Coração (2018)

  • Freaky (2020)

  • Titane (2021)

  • Morte, Morte, Morte (2022)

  • As Boas Maneiras (2017)

  • Verão Fantasma (2022)

  • trilogia Rua do Medo (2021)

Sugestões de livros:

LISTAS ESPECIAIS DA ESTANTE VIRTUAL:

Campanha Orgulho: https://www.estantevirtual.com.br/lst/orgulho-na-literatura

Campanha de Horror: https://www.estantevirtual.com.br/lst/livros-de-terror-e-sobrenatural
Literatura Trans: https://www.estantevirtual.com.br/lst/literatura-trans

Livros que viraram filmes: https://www.estantevirtual.com.br/lst/livros-que-viraram-filmes  

Livros que viraram séries: https://www.estantevirtual.com.br/lst/livros-que-viraram-series

oUTRAS CITAÇÕES:

  • Filmes:

Queer for Fear: The History of Queer Horror (2022)

O Babadook (2014)

Matadores de Vampiras Lésbicas (2009)

Atração Mortal (1970)

Luxúria de Vampiros (1971)

As Filhas de Drácula (1971)

A Noiva! (2026)

Desafio do Além (1963)

A Mulher Oculta (1938)

Festim Diabólico (1948)

O Silêncio dos Inocentes (1991)

Raça das Trevas (1990)

Fome de Viver (1983)

Entrevista com o Vampiro (1994)

Scream, Queen! A Hora Do Meu Pesadelo (2019)

Chucky (2021 – 2024)

O Filho de Chucky (2004)

  • Outros livros:

Morto Até o Anoitecer

O Silêncio dos Inocentes: Entre Cordeiros e Monstros

Chucky: o Legado do Brinquedo Assassino

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PODCAST EDITADO POR

Felipe Lourenço

ESTÚDIO GRIM – Design para conteúdo digital

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Contato: contato@estudiogrim.com.br

Participantes neste episódio3
G

Gabi Larocca

HostApresentadora
G

Gabriel Braga

Co-host
T

Thiago Natário

Co-host
Assuntos5
  • Injustiça Social como HorrorCarmilla · Drácula · O Retrato de Dorian Gray · Sheridan Le Fanu · Bram Stoker · Oscar Wilde · Vampiras Lésbicas · Cristabel
  • Sexo e cinema de terrorNosferatu · Frankenstein · A Noiva de Frankenstein · A Filha de Drácula · James Whale · Murnau · Boris Karloff
  • A Estante Virtual como RecursoCupom de Desconto · Catálogo de Livros · Livros Raros e Fora de Catálogo
  • Inveja versus destruição na comunidade gayBury Your Gays · Buffalo Bill · Norman Bates · Lésbica Assassina · Estereótipos Negativos
  • Violência e Transfobia no BrasilBoas Maneiras · O Verão Fantasma · Sangue Raro
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GLGabi Larocca

Bom dia, boa tarde, boa noite, amantes do horror! Sejam muito bem-vindas, bem-vindes e bem-vindos a mais um RDMcast. Eu sou a Gabi e hoje nós vamos retornar para a catacumba assombrada da Estante Virtual para falar um pouco mais sobre horror queer na literatura e no cinema. E para essa tarefa que envolve garimpar livros extraordinários e clássicos do horror, eu tenho aqui comigo ele, que não resiste a uma comprinha na Estante Virtual, Thiago Natal.

?Voz B

Nossa, fazer aquele carrinho gigante. Puta, mas esse aqui é legal, mas esse aqui também. Puta, mas esse aqui também é legal, velho. Cara, irresistível mesmo.

GLGabi Larocca

E ele que vai nos mostrar como os vampiros são os maiores monstros queer que existem, Gabriel Braga.

?Voz E

Os vampiros são os maiores pegadores, né, de toda a ficção, né. Não tem como, é realmente a melhor criatura sobrenatural, né. Não tem, os vampiros são muito superiores, não dá.

?Voz B

A partir do ponto que você sobrevive chupando o pescocinho...

?Voz E

É isso aí, pô. É muito sexual, é muito sensual.

GLGabi Larocca

Mas fiquem com os nossos recadinhos, que a gente volta em instantes pra conversar sobre horror queer, literatura, cinema e, é claro, estante virtual. Aqui foi.

?Voz E

E também aí.

?Voz B

Bom, gente, recadinhos de hoje. Jogo bem rápido, só queria dar uma explicação que eu tinha comentado de repente fazer a live na semana passada e acabou não rolando porque enfim, esse mês tá complicado, final de semestre junto com Copa do Mundo, então a gente tá com dificuldade de achar uma data. Vou parar de fazer promessas e assim que a gente tiver alguma coisa mais definitiva eu volto avisar vocês. E a segunda coisa que eu queria falar rapidinho é que a gente lançou um cabana essa semana sobre Exit 8, que é um jogo bem simples Inclusive, eu não tinha jogado quando a gente gravou o Cabana e por coincidência joguei essa semana na casa de um amigo e a gente falou tanto sobre o jogo quanto sobre o filme que sai agora em 2026 e algumas impressões sobre como que o filme adapta a ideia central do jogo, que é basicamente uma transição por 8 níveis em uma espécie de um limbo que você tem que passar e identificar anomalias.

Então Até um pouco parecido com a ideia de espaços liminares que a gente tava falando sobre backrooms. E enfim, um filme bastante atual nesse sentido e que adapta o jogo de uma maneira interessante. Então a gente falou sobre ele no cabana, que nunca é demais lembrar, é um produto exclusivo dos nossos apoiadores, tanto pela Poia.se quanto pela Orelo, tá, gente? Eu não tava fazendo isso até então porque eu não tinha percebido que tinha essa ferramenta, mas eu consigo postar a partir de agora os cabanas na Aurelo também.

Então, pelo Apoia.se é bem simples, é só vocês fazerem o apoio e depois tem uma conexão que vocês fazem com o Spotify, que aí é um feed à parte que eu consigo postar o Cabana e vocês ouvem direto no Spotify, daí depois de fazer essa conexão com a conta de vocês no Apoia.se. Ou, né, para quem ouve pela Aurelo, apoia outros podcasts pela Aurelo, também é uma possibilidade, só procurar lá por aí, DM Cast, e eu tô conseguindo postar esse esses episódios de maneira exclusiva para os apoiadores.

Então tem essas opções, e tanto em uma plataforma quanto na outra, o acesso ao Cabana RDM é uma das recompensas a partir de R$20 mensais, mas também tem várias outras. Acho que vale a pena vocês darem uma pesquisadinha e ver o que que encaixa melhor no orçamento. E enfim, também tem várias outras recompensas para dar esse agradecimento para quem ajuda a manter o RDM no ar. Mas então é isso, gente, deixo vocês com mais uma aguardada, pedida colaboração entre o RDM e a Estante Virtual.

GLGabi Larocca

MIP! Estúdio Virtual: Horror Queer na Literatura e no Cinema. Bem, como é de conhecimento geral, ou deveria ser de conhecimento geral, junho é o mês do orgulho LGBTQIA+ e a gente se reuniu com a Estante Virtual, uma plataforma que não apenas possui um acervo mega vasto que fala de obras de horror, suspense, ficção científica e fantasia. Mas que também celebra todas as formas de amor e expressão. Pra finalmente conversar um pouco mais no podcast sobre o horror queer.

Que é um tema que vem sendo sugerido há muito tempo pelos nossos ouvintes. E que a gente confessa, nunca desbravou muito, porque tem muita coisa. Como a gente vai ver, é uma história assim, inacreditável. Com muitos filmes, livros, autores, enfim. Mas a gente recebeu esse empurrãozinho da Estante Virtual, né, pra falar sobre esse subgênero, gênero que tá ali no cinema, na literatura, na televisão. E pra começar, né, esse programa, eu queria só abrir com a frase que personificou aquele documentário, o Queer for Fear, que foi produzido pelo Bryan Fuller, que é o criador de Hannibal, né.

Que eu acho que acaba resumindo muito bem a pauta que a gente pensou pro episódio de hoje. Que é: a história do horror queer é a história do próprio horror, né. Uma coisa não é separada da outra. E como a gente vai ver, é muito pelo contrário. Eles sempre estiveram juntos. Algumas vezes sendo deixados mais de lado, sendo marginalizados, sendo escondidos. Outras, celebrados. Mas sempre juntos. E foi pensando nisso que a gente retornou pras catacumbas da Estante Virtual.

Pra não apenas xeretar a diversidade de títulos, autores e editoras que abordam o horror queer, mas também discutir o que é isso., quais são as suas representações na literatura, no cinema, as suas mudanças ao longo do tempo. E como a Estante Virtual é o lugar onde tudo sobre livros acontece, não existe mais a desculpa pra você dizer que é difícil ter acesso ao horror queer, né. Porque eu já escuto, às vezes, assim: "Ah, mas eu não sei, não sei por onde começar, não sei qual livro, não sei qual filme".

E a gente vai criar um guia hoje, nesse episódio, que você não vai mais ter desculpa. Porque na Estante Virtual você não apenas encontra livros raros e fora de catálogo, mas até diferentes. Edições para conhecer mais essas histórias. Histórias que são muito famosas e que talvez você não saiba que são queer. Mas enfim, esse é o nosso episódio de hoje. Mas afinal de contas, né, o que que é o horror queer? Apesar dos dois termos meio que se complementarem, o termo horror queer é um conceito muito fluido, no sentido assim que ele é muito abrangente, é meio que um guarda-chuva que acaba englobando filmes filmes e livros e outras produções artísticas vinculadas ao horror que podem ser feitas por artistas queer ou não, né?

Não existe essa exclusão. Então assim, quando a gente fala de horror queer, a gente pode estar falando sobre filmes e livros que tratam abertamente de temas, né, da comunidade queer, ou que são mais intricadamente codificadas, né? Existem histórias que são destinadas majoritariamente ao público queer e tem até aquelas que são adotadas ou até posteriormente ressignificadas como os seus símbolos, como é o caso, por exemplo, do Babadook, né, que é um filme ali que foi muito abraçado pela comunidade LGBTQIA+ e acabou ressignificado ao longo dos tempos.

Então assim, é um termo muito vasto. Como a gente vai ver, o horror queer, ele tá ali junto com o cinema de horror ali no seu primórdio. Então muito antes até do audiovisual dar os seus primeiros passos, esses temas essa preocupação, essa temática, ela já apareceu na literatura lá nas novelas góticas do século 19. E então, né, acho que o primeiro grande monstro literário queer que a gente tem é a Carmilla, em 1872, né, a grande antecessora de Drácula.

A gente fala muito sobre Drácula e a sua importância dentro do horror como gênero, mas a Carmilla, do escritor irlandês Sheridan Le Fanu, foi uma das primeiras histórias a retratar esse tropo. Que é o Tropo da Vampira Lésbica, que ficou muito famoso no cinema. E não só no cinema, mas no cinema de horror erótico também, né. A Carmilla, eu procurei na estante virtual, tem várias edições. Tem graphic novel, tem edição mais antiga, tem edição mais nova.

Tem tudo que você possa imaginar. E é um clássico da literatura. E conta a história da Laura, né, que é uma jovem inocente e donzela, como toda boa narrativa gótica. Que acaba meio que seduzida pela bela e misteriosa Carmilla, né. Claro que por ser um livro do século 19, a gente tá falando de uma história que é bem sutil em alguns pontos. Mas quando a gente lê hoje, você consegue extrair todos os temas queer, de lesbianidade e de amor entre mulheres, sedução, né. Até porque vampiros são seres sedutores por essência.

?Voz E

Cara, Carmilla... É um clássico absurdo, assim, né. Às vezes a gente fala muito pouco o quão Drácula deve à Carmilla, né. O Drácula do próprio Bram Stoker, né. O quanto deve à Carmilla a própria concepção de vampiro, né. Do que seria isso. Claro, tem o vampiro do Polidoro e tal. Mas é que Carmilla é uma narrativa tão forte, né. E tem, nossa, tantas análises que dá pra fazer. E ela vai fundamentar totalmente aquele imaginário de vampiras lésbicas.

Que vai poder daquele filme que saiu quando a gente tava na escola, o Matadores de Vampiras Lésbicas, Caçadores de Vampiras Lésbicas. Desde como a Gabi falou, vai por um horror erótico, às vezes bastante problemático, às vezes não. Às vezes daí é uma coisa super legal assim que se faz a partir de vampiras lésbicas, né. Só uma curiosidade, apesar de ser de longe a principal e sem sombra de dúvida nenhuma a melhor vampira lésbica da história da literatura, a gente tem um exemplo um pouquinho anterior que é a "Cristabel" do Samuel Taylor Coleridge.

É que esse é bem menos conhecido porque foi um daqueles poemas que foi publicado em várias edições de revista e tal. Ele foi publicado entre 1797 e 1801. É um poema assim também, "Carmilla" tem uma coisinha de "Cristabel" no sentido de a gente vai seguir a Lady Geraldine que ela se depara com a jovem donzela Cristabel que tá andando pelo bosque ali, ela diz que foi sequestrada por um malfeitor. Daí a Geraldine já, tipo: "Pô, vamos ali no meu castelo, né, eu vou cuidar de você".

Elas já dividem a mesma cama. E aí, né, começa uma relação amorosa ali entre elas. E daí, Crustabel, claro, é uma vampira que vai hipnotizar a Geraldine, ela vai ficar perdidamente apaixonada, enfim. Claro que, no estilo de literatura da época, assim como Carmilla, né, muita coisa é um subtexto. Contexto, as coisas não são tão explícitas. Eu não vou esperando ler um romance hot assim, não, coisa muito explícita, né? Mas assim, tá lá, tá lá, quem tem olhos para ver, veja, né? Tá lá.

?Voz B

É que é muito aquela coisa de, ah, eu tinha uma tia que nunca se casou, ela morou 40 anos com uma amiga, mas ninguém sabe por quê, né? Elas eram muito amigas.

GLGabi Larocca

E a gente comentou sobre as inspirações de Carmilla no cinema, né? Nos anos 70, a gente tem ali a trilogia Karnstein, né, da Hammer. Que, tipo, pega Carmilla, né, tem uma inspiração, óbvio. Mas que produz— são 3 filmes, né. O Atração Mortal, de 70. O Luxúrias de Vampiros, de 71. E As Filhas de Drácula, também de 71. É claro que eles não seguem de perto o livro, né. Meio que mais uma inspiração temática, né, desse tropo da vampira queer.

E eles foram considerados, na época, bastante ousados, né. Porque eles têm uma representação— a gente já tá nos anos 70, né. Na época ali de uma revolução sexual. De um feminismo de segunda onda. Então eles têm uma representação bem mais explícita de sexo e de relações entre mulheres, né, de desejo. Mas daí a gente enxerga toda a potência da Carmilla. E é um livro bem bacana de ler, assim, pra quem curte vampiro e pra quem curte monstro clássico.

Não é difícil, não é difícil de achar, né, como a gente comentou. Ele tem várias traduções pro português. Então eu acho que, tipo, a gente sempre comenta: "Ah, tem que ler Frankenstein, tem que ler Drácula". Tem que ler Carmilla também, porque é meio que uma fundação do gênero e vai influenciar o cinema até hoje.

?Voz E

Os vampiros ali, como a Gabi tava falando, né, eles são realmente talvez a criatura mais representativa ou que mais frequentemente aparece dentro do que a gente pode classificar como horror queer, né. Porque desde o começo do vampiro na literatura, né, lá da Noiva de Corinto do Goethe e tal, ou já o poema do Ostenfelder, né, O Vampiro, você já tem essa ligação muito forte com a sexualidade. Claro que nesses primeiros pequenos poemas ainda uma questão muito heterossexual.

Mas que já vai trazendo o vampiro como essa figura que vai quebrar com o ideal do cristianismo, desse amor cristão, de que a relação sexual vai acontecer só depois do casamento. As vampiras lá, a noiva de Corinto do Goethe não quer saber disso, ela quer pegar o cara que tá noivo e tipo: "Não, vem aqui que eu vou te introduzir aos prazeres da carne". E aí quando a gente vai pensando em outras quebras de padrão do amor cristão, é claro que a quebra da heteronormatividade Também entra muito forte nessa questão das histórias de vampiro, né?

Tanto que a maioria dos vampiros que a gente tem aí de exemplo, tanto na literatura quanto no cinema, eles são bissexuais, pansexuais e por aí vai. Eles geralmente quebram com essa lógica da heteronormatividade. Em Crepúsculo não, né? Mas enfim, é outra questão aí, né?

?Voz B

É porque a autora é mórmon, né? Pequeno detalhe, né?

?Voz E

Mas, cara, pega um True Blood. Inclusive, porra, Morto ao Anoitecer, que é o primeiro livro de toda a saga True Blood, né? Livraço do caramba, dá para pegar. Enfim, estante virtual aí, vocês procurem, dá para ver todos os livros.

GLGabi Larocca

Gente, acho que são 12, se eu não me engano. Eu li todos, tá? Eu li todos. Eu não lembro mais porque eu li quando eu era adolescente, eu fui assim, tipo, devorando. Mas eu era apaixonada por essa, sei lá, 12 livros. Nem sei como chama uma série de 12 livros, mas enfim, vocês encontram na estante virtual porque Cara, vale muito a pena, assim.

?Voz E

O vampiro tem essa relação muito forte. É a figura mais frequente, assim, a figurinha carimbada de horror queer é o vampiro. Eles vão estar lá de alguma maneira. Nem que seja por uma referência, mas eles vão estar lá.

GLGabi Larocca

O próprio Drácula, né, hoje a gente tem muitos estudos que analisam como existe toda uma narrativa queer dentro do livro do Bram Stoker. E eu acho que talvez isso é uma das paradas mais legais dos vampiros e de vários monstros que a gente vai ver aqui, porque Se inicialmente eles foram pensados pra serem, assim, uma codificação do Outro, com a letra maiúscula, né. Essa coisa mais estranha, né. Um queer sempre assim, voltado à monstruosidade.

Eles também encontraram espaço pra serem ressignificados, né. Pra gente ter essas representações dos vampiros como monstros queer. Mas monstros queers que têm uma representação mais positiva. Acho que isso é uma coisa muito legal, de você ter esses dois caminhos de interpretação.

?Voz B

Só fazer um comentário aqui sobre tudo isso que a gente falou até agora. Eu tô anotando tudo aqui no Trello, nossa descrição desse episódio vai ficar gigante. Então vocês vão achar não só as referências aqui de livros e filmes, mas também links da Estante Virtual. E eu tava olhando aqui, a Gabi comentou sobre como Carmilla tem várias versões. Cara, não é um exagero, porque eu deixei o link aqui na descrição. Você pesquisa na Estante Virtual Carmilla, tem assim chutando por baixo, umas 20 edições diferentes.

Porque é o que é legal também de livros que já não tem mais obrigação dos direitos autorais, né? Porque tem muito livro que acaba ficando preso com uma editora que não reedita a obra, mas também não abre mão. E aí o negócio fica sem edição por anos, né? Esses livros mais clássicos como o Drácula, o próprio Frankenstein, o Carmilla, é muito legal que cada editoração, cada artista que pega a capa tem uma visão diferente, né? Então você abre aqui, tem uns assim super vermelho e porra, um negócio ali do vampiro.

Tem uns que é mais pro gótico total, preto e branco. Tem umas mais minimalistas. Tem uns que tentam fazer meio que uma... Pra um público mais adolescente, assim. Joga uma capa ali meio animadinha. É legal também ver essa construção das edições, né. Enfim, tem pra todos os gostos.

GLGabi Larocca

E lembrando que se você quiser adquirir Carmilla ou qualquer outro livro, título que a gente mencionar durante esse episódio, a gente tem um cupom na estante virtual, que é o RDMCAST. Então, não só a gente vai indicar, mas a gente também vai proporcionar descontos. A CRM faz de tudo.

?Voz B

De nada, né.

GLGabi Larocca

E assim, né, só pincelando rapidamente, outro grande clássico da literatura que também tá enraizado no horror queer é o Retrato do Dorian Gray, né. Não só pela trajetória do Oscar Wilde, mas também por todas as temáticas que o livro aborda. Que esse é outro também que tem várias edições, você encontra assim, mil e uma versões possíveis pra você ler. Desde edições de bolso até edições de luxo, né.

?Voz E

Inclusive, a versão do Dorian Gray em Penny Dreadful, né? Pra só falar uma série aleatória aí. Mas pô, incrível, cara. É uma das melhores representações de Dorian Gray que tem. Muito, muito bom.

?Voz B

Você falou a palavra proibida. Vai ter uns 5 comentários por baixo nesse episódio pedindo o episódio de Penny Dreadful.

?Voz E

Vai ter. Eu fiz de caso pensado.

?Voz B

Você vai tomar uma geladeira agora, Braga. Você não estará no próximo episódio. RDM.

GLGabi Larocca

Como a gente sempre comenta, a literatura gótica do 19 foi a base pro cinema de horror. Se a gente já tem esses temas queer aqui nessa literatura, é óbvio que isso foi transportado pro cinema. E não é algo recente, viu. Antes que a galera diga assim: "Nossa, agora o cinema de horror quer lacrar? Quer trazer essa questão de representatividade?" Meu filho, se você fala isso, você não tá manjando da história do horror. Porque... A temática queer dos vampiros, por exemplo, chegou nos cinemas em 1922 com a própria adaptação de Nosferatu, né.

Que é uma adaptação não autorizada do romance do Bram Stoker, a gente já falou, né. O Murnau, existem muitas especulações de que ele era um homem gay, que ele nunca se assumiu, né. E daí, isso a gente também não tem como fazer por ele, né. Mas se a gente olha pra Nosferatu hoje, existem muitos subtextos queer ali naquele longa-metragem, né. Isso acaba abrindo uma tradição de monstros que vão incorporar essa questão, assim, do outro, do diferente.

Em que em alguns momentos inspira compaixão, em que outras você fica pensando: talvez isso esteja sendo retratado de maneira mais negativa", né. Mas então você vê ali já nos anos 20 como o horror já era queer, muito antes da gente falar em queer, ou a gente falar em horror, ou a gente falar em qualquer termo desse nível. Muito se fala, né, canonicamente, do Frankenstein, né, do James Whale, como um dos primeiros filmes de horror queer, assim.

Eu pesquisei, e historiadores especialistas falam muito disso, justamente pelo Whale ser um homem gay. Ele era assumidamente um homem gay, então ele levou isso muito para os seus filmes, né? Então muitos especialistas e a galera que analisa fala que essa ideia de você ter uma maior empatia pelo monstro, de você ter essa atuação do Boris Karloff que a gente sempre fala, dele ser excluído, dele ser rejeitado pelo pai, né, que seria o Victor Frankenstein, por de ser excluído de uma sociedade que o considera diferente, tem muito desse toque do próprio James Whale, que também levou isso pra Noiva de Frankenstein, né.

Driblando muito da censura ali do código Reiss. Então, a gente tem muito disso, assim, nesse início do cinema de horror. E é justamente nesse horror clássico que a gente tem muito da figura do monstro ou do vilão como uma metáfora pra alteridade, pra marginalização. Principalmente pra uma sexualidade não normativa, né. O Frankenstein e A Noiva de Frankenstein, eu acho que podem ser muito bem lidos sobre esse viés. Obviamente que uma leitura não exclui a outra, né.

Eu tava até vendo, há uns tempos atrás, como A Noiva de Frankenstein tava sendo ressignificada como um ícone feminista. Porque ela diz não pra criatura, porque ela se impõe. Então, tipo, ela não tem o controle da criação dela. Ela é feita pra atender aos desejos, né, do monstro. Mas ela toma uma autonomia. Então, existem vários caminhos possíveis, né, pra gente poder ler esses monstros, mas eu acho importante, eu acho interessante ver como o horror queer abraça todos eles como formas possíveis de interpretação.

?Voz B

O próprio filme da Maggie Gyllenhaal trabalha um pouco com isso, né? Uma versão alternativa ali dos anos 20 com essa dualidade. Você tem empatia pela criatura, mas também, por outro lado, muito mais pela noiva de Frankenstein, que é criada ali para ser companheira dele e toma suas próprias decisões. É muito essa premissa também sendo ressignificada quase 100 anos depois. O Noivo de Frankenstein é de 1935, a gente tá falando de um filme de 2026.

Então é legal como essas coisas são sempre ressignificadas. São clássicos por um motivo, porque justamente eles permitem essa reinvenção.

GLGabi Larocca

Porque a gente tava falando justamente sobre esses monstros e desde o início desse episódio comentando sobre como os vampiros são meio que os originais, os monstros queer por excelência. E enquanto o cinema ia ali dando seus passos, e a gente tem ali na década de 30 a Universal consolidando seus monstros e criando essas franquias gigantescas, né. A gente já falou sobre isso algumas vezes aqui. Que daí tem O Filho de Frankenstein, A Filha de Drácula, né.

Tem aqueles crossovers. E O Filho de Drácula, que é de 36, é um filme da Universal que tem muito essa pegada de horror queer, né. Porque a gente tem ali uma condessa, e daí... De novo, Carmilla manda um abraço, né. Ela é super glamourosa e super misteriosa. E ela seduz e se alimenta não só de homens, mas também de mulheres, né. E você pensa: "Puts, isso na década de 30 é muito ousado", né. E tem um detalhe desse filme que eu acho sensacional.

É que ela procura ajuda psiquiátrica pra curar o vampirismo. E eu acho, assim, uma metáfora muito inteligente na época do Código Reis. E óbvio que essa ajuda não... Leva a nada, né, porque ela continua sendo uma vampira. É quem ela é. Então assim, o A Filha de Drácula, dentro desses monstros assim pós-Drácula e Frankenstein, quando a gente tem mais esses spin-offs nessas franquias, é muito celebrado como um grande exemplo do horror queer.

E os anos vão passando e a gente vai enxergando, né, como o horror ele aborda continuamente a temática queer, seja de forma mais explícita ou implícita, né. Não é o caso assim de: "Ah, em determinado ano, determinada década, você tem um maior boom." Não, como disse, a história do horror queer é a história do horror, né. São coisas que caminham juntas. Mesmo que às vezes os monstros sejam usados pra representar uma alteridade de forma mais negativa, em outros, eles também são usados pra você codificar uma norma, uma sexualidade que é considerada fora do que é imposto pela sociedade, né.

E a gente vê muito isso com o passar do tempo, com várias adaptações literárias que vão ganhando as telonas. E eu acho assim, uma das minhas favoritas, quando a gente fala disso, é o Desafio do Além, que é uma adaptação de 63 da obra da Shirley Jackson, A Assombração da Casa da Colina. E sei, parece repetição de pauta, porque no nosso último episódio da Estante Virtual a gente já falou desse livro, mas é um clássico do horror assim.

Se você quer ler assim horror mais contemporâneo, você tem que ler Shirley Jackson. É super fácil, a gente tem um acesso cada vez maior a ela porque as obras estão sendo continuamente traduzidas reproduzidas, né. E o filme de 63, ele pega ali uma pincelada da Shirley Jackson e ele torna em algo explícito. Então a gente tem uma das primeiras protagonistas que é explicitamente lésbica nas telonas, né, que é a Theodora. Que inclusive a gente tem o nome na maldição da residência Hill, né, tem a Tio, a Theodora, que vem do romance da Shirley Jackson.

E é muito legal, e que muita gente sempre comenta, é como a Tio, né, ela tem esse desejo, né, por mulheres Mas ela não é retratada de forma predatória, ela não é o monstro da história, ela não é a vilã da trama, né. Tipo, então assim, é uma virada, num sentido de que ela não tá ali pra destruir uma donzela, que nem uma vampira pode fazer. Ou levar uma mulher para o "mau caminho", entre aspas, né. Não, tipo, ela tá ali como outras personagens enfrentando a mesma ameaça daquela casa.

Claro, década de 60, a gente não vai ter o que a gente acha explícito hoje, né. Então às vezes a gente vai assistir ao filme e vai ver que são coisas menos óbvias, tem algumas cenas que foram cortadas, né. Mas ainda assim eu acho que vale muito a pena conferir o livro e o filme. E outro, né, personagem ou outra adaptação que tem muito a ver com horror queer é Psicose, né. Não só o filme do Alfred Hitchcock como o livro do Robert Bloch, que por sua vez é inspirado no caso real lá do Ed Gein.

?Voz E

E esse livro é bom demais, meu Deus do céu, vale muito a pena, assim, é uma baita de uma leitura. O único defeito é que você fica muito curioso e lê muito rápido, que você devora o livro assim numa, porque é muito difícil você abandonar o livro. A narrativa ela é tão envolvente e, cara, você fica querendo terminar o livro na mesma hora, assim, é um livraço.

?Voz B

E o filme também na época teve várias polêmicas e o Hitchcock driblando a censura em vários momentos, né? Claro que o mais famoso é a cena do chuveiro. Já em si era muito complicada por ter uma nudez, né, que muito longe de estar explícita, mas é um tipo de nudez. Mas também as relações são muito complicadas para um filme ainda sob o código Reis em 1960, né? Fato de a Marion não ser casada com o Sam, por exemplo. Pô, eles começam o filme, a primeira cena que eles aparecem é no motel.

Isso deve ter escandalizado uma galera aí. E o Hitchcock é assim, ó, foda-se, né? O que eu conseguir passar pela censura tá passado, né? A gente tem que também levar em conta que no final tem aquele disclaimer bizarro, né? Que claramente foi inserido depois, quase como uma quebra de quarta parede pra dizer que o Norman Bates não é um travesti, ele está ali passando por um processo de luto em que ele divide a própria mente e tal. Mas é aquela coisa da ressignificação também, né?

GLGabi Larocca

Você pode só falar "Ah, foda-se essa última parte do filme, eu vou fazer minha interpretação aqui e dane-se, né?" Hoje em dia, né, olhando de uma maneira do presente pro passado, muitas análises apontam como a sexualidade, as próprias performances de gênero do Norman Bates, elas acabam construindo um estereótipo negativo, né? Porque ele é perigoso, ele é monstruoso. Então você tem uma certa interpretação de que, tipo, olha o que esse maluco faz e ele é maluco, né?

Porque ele tem essa performance de gênero. Mas de novo, quando a gente fala sobre o horror queer, sempre tem espaço para várias interpretações, né? Então eu acho que isso é o mais legal, você pode ressignificar algo como positivo, ao mesmo tempo que você pode olhar os seus pontos negativos e falar: "É anos 60, né?

?Voz B

Não dá para exigir muito da galera." Só um comentário, o próprio Hitchcock, eu acabei não falando no episódio recente que a gente fez sobre filmes do Hitchcock ali nos anos 30, 40, mas aquele filme que a gente falou, O Adão Culta, que tem toda uma trama num trem e são dois caras que são protagonistas, dois caras britânicos, eles são gays pra caralho, velho. Eu não sei como que eu não abordei isso no episódio, acho que eu tava tanto, tinha tanto filme pra falar que eu acabei.

Mas cara, tem uma cena que eles tão numa banheira junto, eles tão literalmente dentro de uma banheira e aí tem toda sequência de filmes que eles fizeram depois, todo mundo fala, cara, eles são muito gays, velho, isso é muito óbvio assim, tipo, o filme é de 38, mas tem essa piada assim, você pega abrindo review no Letterboxd do filme, a galera sempre destaca isso, né? Como é uma retratação bem interessante ali pra um filme de, porra, 90 anos atrás.

GLGabi Larocca

O próprio Festim Diabólico de 48 tem várias discussões sobre como ele tem intrinsecamente uma temática queer, né? E eu gosto muito disso porque acaba dando um tapa na cara, né, dessa galera que fala assim: "Ah, só hoje que tem isso." Daí o cara vai lá: "Vou assistir o filme do Hitchcock", entendeu? Daí tem o filme lá da década de 30 dele que já tem. Codificado matemática queer, né? Eu acho que isso é a melhor maneira de você mostrar pra galera como ela tá sendo burra, sabe?

Não, você só tá sendo burro, você tá assistindo algo que você não tá pescando o porquê.

?Voz E

O nosso querido Hitchcock woke aqui, né? Colocando temática LGBT nos seus filmes.

GLGabi Larocca

Ainda bem que as crianças não podiam assistir isso, porque se as crianças assistissem, o raio gay ou o raio queer iria afetá-las, credo. O próprio Psicose, né, ou especificamente o próprio Norman Bates, ele vai influenciar muitas representações nas décadas seguintes que hoje são vistas de maneira mais problemática, né, como o próprio Buffalo Bill do Silêncio dos Inocentes. O filme de 91, mas tem o livro, né, do Thomas Harris. E também entrei aqui na estante virtual, tem 25 mil versões para você ler.

E para quem tem muita curiosidade do filme, a Darkside tem um livro desses de bastidores, né, que conta um pouco mais, que é O Silêncio dos Inocentes: Entre Cordeiros e Monstros, que também tem na estante virtual por um precinho assim bem mais amigável. Então se você é fã do Silêncio dos Inocentes, gosta desses livros de ficar sabendo um pouco mais das produções, também vale a pena.

?Voz B

O Silêncio dos Inocentes, falando do filme em si, de 91, é um caso bem interessante, né, porque filme gerou bastante controvérsia já na época que foi lançado, porque já é um momento momento bem diferente, né. A gente fala de psicose em 1960, é bem antes de ter um movimento inicialmente nos anos 60 com uma característica muito de homens gays, né, no final dos anos 60. Ainda assim, claro que existia um movimento, mas ainda muito emergindo, né.

Nos anos 90 já é outro cenário, né. Então, Cenas dos Inocentes foi muito questionado diretamente, né, por ter uma retratação negativa da transexualidade. E é curioso porque o próprio Jonathan Dean, que é o diretor do filme, Meio que, a um certo ponto, renegou o próprio projeto, né? Ele se juntou aos críticos depois, meio que como um arrependimento, até um comentário em relação ao roteiro, que não é dele, né? Então, já é um caso de algo que gerou um debate no próprio momento, assim, muito imediato, né?

Porque era um tipo de apresentação muito comum, né? O Buffalo Bill tem essa questão da transexualidade, é o que gera a psicopatia ali nele, né? Então, é uma associação automática ali que é problemática, né?

?Voz E

Cara, eu tô tentando lembrar mais do livro. Eu lembrava do livro ser mais antigo, né? Ele foi publicado em 1988.

?Voz B

Não demorou muito para—

?Voz E

é, eu achava que ele era um pouco mais antigo assim, porque eu lembro que o livro também tem um discurso um pouco problemático.

?Voz B

É que o Dragão Vermelho é anterior, né? Acho que é de 81. É um livro um pouquinho anterior. O cinema que seguiu a lógica ao contrário, né?

?Voz C

É!

GLGabi Larocca

Essência Virtual: Horror Queer na Literatura e no Cinéma. E falando de adaptações ou livros muito famosos que geraram franquias muito grandes ou até só um filme muito famoso, não dá pra esquecer do Clive Barker, né, que é um dos nomes mais conhecidos do horror. Ó, o Stephen King uma vez disse: "Eu vi o futuro do horror e ele se chama Clive Barker". Então assim, né. Tudo bem, o futuro já foi, tipo, há uns 40 anos atrás, mas a gente ainda diz que o futuro do horror é o Clive Barker, né.

E o Clive Barker, ele é um homem gay, ele é assumido, né. E ele traz muito disso pras suas histórias. Bem, se você assistiu Hellraiser e você não pegou o contexto queer, assim, sinto muito, mas acho que você assistiu errado. Porque em 87, né, ele adaptou e dirigiu o Hellraiser. Então ele pegou o próprio livro e trabalhou ali intensamente na sua versão pras telas. E ele traz essa história, né, que eu acho que no cinema fica ainda mais impactante, né, pelo visual.

Que é muito questionadora sobre normas, sobre aparência, sobre sexo, sobre desejo, sobre limites. A gente tem ali esses demônios, sim, demônios para alguns, anjos para outros, né, que não tem um gênero definido, né, vamos ser bem sinceros, que estão ali cheio com a roupinha de couro, bem inspirados nos clubes de SM que o Barker havia frequentado em Nova York. Ele mesmo fala que ele visitou esses clubes e eles prometem ali um prazer muito diferente do que as pessoas estão acostumadas, né.

Então eu acho assim que tipo é um dos maiores representantes do horror queer. E o próprio Barker, ele sempre foi muito aberto em relação a isso. Tanto que existem vários outros livros dele que também abordam isso. O filme é de 90, o livro é de 88, né. O filme chama Raça das Trevas e o livro chama Cabal. Que é uma alegoria queer sobre um grupo de monstros que são excluídos da sociedade, que vivem escondidos, que criam sua própria civilização.

O filme foi um flop na época, mas ele anda sendo redescoberto, assim. Ele é bem bacana. E o livro também saiu recentemente. Livro com tradução para o português, tem na estante virtual também, porque eu dei uma checada. Então vale a pena. Na verdade, tem muito Clive Barker na estante virtual, então você encontra vários, porque ele é um autor que permaneceu aqui no Brasil um certo tempo sem reedições, há uns 5, 6 anos para cá que ele acabou ganhando mais edições e tendo mais os seus livros traduzidos, que é muito massa, porque eu acho que Clive Barker é rei demais.

?Voz E

Qualquer coisa do Clive Barker é maravilhosa, assim, ele é um cara que tem um talento pra escrita perfeito. E os seus personagens têm, né, muito dessa coisa da fluidez sexual, a identidade queer, tanto que o Pinhead, né, por muito tempo, se você vai ler o livro, o conto original, né, tem essa coisa meio andrógina ali, ele não define exatamente, depois o cinema vai e define pra homem, não, beleza, adotam Mas se a gente pega os personagens do Clive Barker, muitos deles têm essa questão de uma fluidez de gênero, uma sexualidade mais fluida.

E ele trabalha muito bem com isso, porque não é uma coisa que fica estereotipada ou que é visto como errado. Não, é uma coisa extremamente natural, assim. O universo do Clive Barker é maravilhoso.

GLGabi Larocca

Eu gosto muito como ele lida com essas essas questões assim meio que de normas da sociedade, de como existem esses grupos que existem fora dessas normas conservadoras. Mas em nenhum momento ele julga ou dá esse ar assim, tipo, do que é certo, o que é errado, o que é positivo, o que é negativo. A própria interação com os cenobitas, né, no primeiro filme, no primeiro livro, eles dizem, né: "A gente pode trazer prazer e dor, depende muito de você", né.

Então tem muita essa questão ambígua. Que é muito massa, de como ele consegue lidar. Apesar do cinema ter, né, cravado o Pinhead como um homem, né. Porque ele foi interpretado por muitos anos pelo Doug Bradley, que é um homem cis. É legal, né, porque no reboot ele foi interpretado pela Jamie Clayton, que é uma mulher trans. E que tentaram trazer um pouco mais dessa fluidez, assim, né. De mostrar assim: "Cara, o Pinhead pode ser uma mulher, ele pode ser um homem".

Ele pode ser interpretado por qualquer ator ou atriz, entendeu? Porque ele é um cenobita, esse é o mais... Importante dele.

?Voz E

É um dos próprios personagens principais deles, né, o Harry Damour. Enfim, ele é um grande representante desse horror queer aí. Daí vale a pena ver o Evangelho de Sangue, que é também um livro do Clive Barker aí. É meio que uma continuação do Hellraiser, se assim a gente pode dizer. Um livro do caramba também, gente. Que livro maravilhoso!

GLGabi Larocca

E assim, só para fechar a nossa onda de monstros literários ou de histórias que que foram dos livros para o cinema. Acho impossível falar de horror queer sem falar, assim, de um clássico dos anos 80, de 83 especificamente, que é O Fome de Viver, né. Que tem David Bowie, Catherine Deneuve e Susan Sarandon em um triângulo amoroso marcado por vampiros, sexualidade fluida, desejo, sexo e tudo que você possa imaginar. E um filme que traz uma representação, assim...

A gente sempre comenta, né, como ali nos anos 70 70, nos anos 80, a gente tem muitos personagens queer associados ao perigo, associados ali a uma monstruosidade, né. Como, sei lá, o próprio Acampamento Sinistro, quando a gente fez um episódio, com a transgeneridade e a travestilidade sendo retratadas como assassinas, né. Nesse mesmo período, o filme, que é uma adaptação do livro homônimo de 81, do Whitley Strieber, ele traz uma representação mais, assim, positiva, né.

Num sentido assim, claro, eles ainda são vampiros. Mas você tem o desejo, você tem a sexualidade representada de uma maneira menos polarizada, né, menos estereotipada. E é por isso que até hoje é considerado um dos melhores filmes de vampiros já feitos. E assim, gente, tem David Bowie, ponto. Tem a Catherine Deneuve e a Susan Sarandon, entendeu? Tipo, ali num triângulo bissexual, com muito desejo, tesão, sangue. Muito, muito bom. Sem contar que o visual desse filme assim é maravilhoso.

?Voz E

Esse filme é o ódio à bissexualidade, né? Você tem um filme que representa o beijo LGBT, é uma forma de viver assim. Cara, que filmaço, porra!

GLGabi Larocca

E de novo, esse é outro livro que você encontra na estante virtual. Então se você quer conhecer a história que deu origem, tá ali. Eu já vi até umas edições bem antiguinhas, então tá no catálogo.

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GLGabi Larocca

Eu acho que pulando agora assim para os anos 70 e 80, a gente já foi, né, porque a gente já tava aqui no Forma de Viver, tá fazendo, porque gente, a história não é linear, entendeu? A gente é historiador, a gente tem que desconstruir a ideia de progresso. Mas acho impossível falar de cinema, falar de cinema queer sem falar em 1975, de The Rocky Horror Picture Show. Tipo, a gente seria massacrado se não falasse sobre esse filme, que é baseado no musical, que é assim, acho que o maior exemplo de como o cinema, a arte, ela abraçou a liberdade sexual, a bissexualidade, androginia, as várias expressões de gênero, né?

E como também se pode criar uma comunidade entre as pessoas, né? Eu acho que talvez o The Rocky Horror Picture Show, o mais maravilhoso desse fenômeno que dura até hoje, é como muitas pessoas se encontraram dentro dessa comunidade, né? Eu vejo muitas entrevistas, gente falando assim: eu sinto que eu pertenço, né? Seja indo nos filmes, seja fazendo as performances, seja me sentindo fã, né? Então assim, é muito bonito ver como essa mensagem, que às vezes é muito simples, né, que seja não sonhe, seja, alcançou muita gente e continua celebrando de uma maneira assim muito divertida, muito para cima, muito colorido.

Cara, Rocky Horror Picture Show devia ser tombado um patrimônio da humanidade, porque esse filme assim é maravilhoso.

?Voz B

E de novo com a Susan Sarandon, né, também conhecida como a pessoa mais pessoa mais sensata de Hollywood, né? Ela tá em todos esses momentos, né? A gente tem um episódio inteiro sobre Rocky Horror Picture Show e, cara, é um filme espetacular mesmo, né? É realmente uma celebração nesse sentido, né, de liberdade sexual. Pô, se o filme tem que ser tombado, Tim Curry merece um tombamento à parte, né? Incrível.

?Voz E

Só a cena do I can make you a man, né, em que enfim, o Dr. Frank N. Furter tá cantando como que ele vai transformar o Rocky em um homem em apenas 7 dias. Pô, aquilo ali já é um resumex de muita literatura de gênero, assim, né? Nossa, preciso entender o que é gênero, mas tá difícil ler os livros acadêmicos, que também tem na estante virtual, tá, gente? Dá pra comprar John Scott, dá pra comprar muita coisa na estante virtual. Vai ver o I Can Make You a Man.

Ali é um resumex de boa parte de literatura de gênero acadêmica, assim. Aquilo ali é maravilhoso, gente. Incrível, incrível, incrível.

GLGabi Larocca

E assim, né, pulando um pouquinho para os anos 80, a gente vai ter alguns filmes como Os Garotos Perdidos do Joel Schumacher, que hoje vem sendo muito ressignificado, né, porque a gente só tem quase homens, uma gangue de homens que vivem uns com os outros. E cara, é um dos meus filmes favoritos da vida. E assim, é puro tesão entre todos, né? O Kiefer Sutherland e o Jason Patrick, eles querem se pegar. Eles querem se pegar, eu tenho certeza. No filme inteiro eles só não conseguem admitir um para o outro.

?Voz B

Sem contar o cara de sunguinha tocando saxofone, né, cara? Isso aí é o ápice icônico pra caralho.

GLGabi Larocca

Outro que deveria ser patrimônio da humanidade, o homem de sunguinha, né? E daí a gente tem nos anos 90 outro que daí ainda mais explícito, que é o Entrevista com o Vampiro, né? O filme é de 94. Mas ele é baseado nos livros da Anne Rice, que também é uma autora bastante traduzida pro português, tem na estante virtual. E o Lestat e o Louis são um casal, eles criam a sua filha Claudia, né. Então, assim, não tem como dizer outra coisa do que A Entrevista com o Vampiro se não é um filme, um livro e uma série que agora abraçou ainda mais, né, queer.

?Voz B

Ah, sim! Não, acho que isso, antes da gente falar, a gente tem episódio sobre a série. Tanto a primeira 2ª temporada e já fico compromisso aqui de ter sobre a 3ª, porque parece que tá maravilhosa. Que nesse sentido, nossa, mas dá uma lição no filme dos anos 90, né? Porque o filme fica cheio de dedo assim, tipo, pô, os cara, eles adotam uma criança junto e o filme fica, não, porque, ah, mas veja bem, né?

?Voz E

Eles dormem juntinho no caixão, cara.

?Voz B

Não, eles são grandes amigos. Vou colocar aqui o Tom Cruise com O Brad Pitt, que aliás tem esse histórico, porque o filme de Troia também, né, o Aquiles ele fica puto porque matou o primo dele, né. Só que eu nunca vi primo que na real os dois estavam se comendo, né. Porque assim, aquilo também é um pouco meio que um whitewashing de representatividade LGBT, né. Porque, porra, se você ler a Ilíada, ele, né, é bem explícito que é uma amante de Aquiles, né.

Acho que o filme tem essa limitação bem grande, né? Mas a série abraça com tudo, né?

?Voz E

Cara, as Crônicas Vampiriscas como um todo, assim, né? Os livros, eles vão ficando cada vez mais LGBT. É incrível, assim. Entrevista com um Vampiro é um livro bem curtinho de ler, muito, muito tranquilo, né? Depois a Anne Rice vai expandindo esse universo, né? Porque tem toda uma jogada do primeiro livro ser um livro que você que você está comprando, que é feito pelo Daniel, né, o próprio jornalista. Então tem essa jogada e os outros livros são da Anne Rice, para você entender o que tá acontecendo naquele universo, né.

Então é como se o primeiro livro viesse direto daquele universo e depois você acessa ele. E é sensacional, cada livro vai só melhorando, vai vindo novos personagens que são às vezes até mais legais assim. Claro que o Lestat é imbatível, né, ele vai aparecer em livros ali, mas pô, tem outros personagens que vão aparecer ainda mais interessantes. Vale muito a pena ler as Crônicas Vampíricas, né? E vai ter tudo na estante virtual.

GLGabi Larocca

E assim, só para fechar os anos 80, a gente tem outros exemplos que retratam personagens queer de uma maneira mais negativa, como Vestida para Matar de 1980, do Brian De Palma, assim, que eu revi há uns tempos atrás e pensei, esse aqui envelheceu mal, assim, tipo, o filme em si é bom, as atuações são boas. Mas quando você vai olhar, você fala: né?" Mas acho que o maior exemplo de ressignificação é um filme de 1985, que é o A Hora do Pesadelo 2: A Vingança de Freddy.

Ele é a primeira sequência direta, né, da Hora do Pesadelo. Não contou com o Wes Craven na direção, né, ele foi dirigido pelo Jack Shoulder. E ele tem, assim, uma novidade pra franquia. Porque a gente não tem uma garota final, a gente tem um garoto final. Que foi interpretado pelo Mark Patton, né, que deu vida ao Jesse. E o filme, ele é recheado com temas homoeróticos, assim. Ele é um filme queer, tem várias cenas. Ele vai em um bar gay e encontra um monte de homens usando roupas de couro, assim, bem anos 80.

Ele tem toda uma questão com um colega, ele tem uma divisão, assim, entre eles, sabe? Dá pra ver que ele tá lutando entre a menininha que ele deveria gostar quem ele está e quem ele realmente quer ser. O filme tem muito disso. E por muito tempo, o roteirista e o diretor, eles negaram, falaram: não, não tem nada a ver, né? Tipo, nada a ver. Mas o Mark Patton, que mais tarde, né, o ator, ele se assumiu gay, ele começou a falar, né, sobre como o Jesse, ele não tava sendo atormentado só pelo Freddy Krueger, ele tava sendo atormentado pelo fato de que ele tava descobrindo homossexualidade, de que ele tava descobrindo que talvez ele não fosse um homem heterossexual, né.

Então o Jesse, ele surge não só como um dos primeiros garotos finais do horror, né, mas ele foi muito abraçado posteriormente pelos fãs que falaram assim: "Pô, foi uma das primeiras vezes que eu me senti representado no gênero", né, que eu olhei e falei assim: "Cara, é alguém como eu, é um adolescente como eu", né. Então, para quem quer saber um pouco mais dessa história, né, porque o filme ele foi muito massacrado na época que ele saiu, mas hoje ele é adorado assim pelos fãs.

Tem um documentário que é o Scream Queen: A Hora do Meu Pesadelo, ele foi lançado em 2019, e ele analisa o legado do filme e a vida do Mark Patton. Inclusive quando ele vai sendo abordado por fãs, por cineastas que falam assim: cara, esse filme para mim foi um divisor de águas porque eu senti que tinha espaço para mim dentro do cinema de horror.

?Voz E

Esse documentário é muito sensacional. Eu gosto de uma coisa que eles falam lá, que enfim, eles vão tratando o horror como esse local que realmente acolhe os desajustados, né? Ou seja, todos aqueles que não se sentem integrantes ali do padrão, né? Desse padrão branco, heteronormativo, né? E como o horror ele sempre teve espaço pra acolher essas pessoas. De como você tem as possibilidades de representação, seja no mocinho, seja às vezes no monstro, na maneira como o monstro é tratado.

O horror sempre foi acolhedor. Não vou dizer 100%, né, claro. Mas pelo menos ao nível da representação, sempre teve esses espaços pra acolher os desajustados, quem não se sentia bem dentro desses padrões da sociedade. De novo, o Clive Barker é muito muito exemplo disso, né? Enfim, como a Gabi falou ali do "a raça das trevas", né? De você ter aquele grupo que não se encaixa muito bem na sociedade. "Ah, mas é porque eles são monstruosos." É, na superfície sim, né?

Mas a gente pode ter algumas leituras ainda maiores. E o Hora do Pesadelo 2, ele se beneficia muito dessa leitura posterior, principalmente quando a gente consegue ver esses subtextos. Daí fica nessa pira, se, ah, mas intencionais? Não eram. Diretor negou. Cara, o que importa é a recepção às vezes, porque a gente não controla como a mensagem vai chegar muitas vezes. E a maneira como ele foi lido foi de uma maneira bastante acolhedora, né?

Como a Evelyn falou, as pessoas que se sentiram representadas com as suas angústias, né, as suas próprias questões de descoberta de sexualidade, que viram no Jesse um grande, enfim, exemplo, algo que poderiam se relacionar com, né, para além dele tá sendo perseguido pelo Freddy Krueger, mas que também tem outras questões envolvidas ali.

GLGabi Larocca

Eu li uma vez que o próprio nome do Jesse, ele sugere ali um nome neutro, né, em termos de gênero nos Estados Unidos, assim, na língua inglesa Jesse pode ser um homem, uma mulher. Então o diretor e o roteirista, eles negaram veementemente, né, mas assim, é muito difícil você olhar para esse filme e não ver todo contexto queer, assim. E tudo bem, foda-se o que eles dizem, o diretor e o roteirista. O importante é que o filme foi abraçado por uma comunidade e inspirou muita gente a produzir conteúdo, a gostar de filme de horror, a fazer filmes, a escrever livros, sabe?

?Voz B

E o cinema é uma arte essencialmente colaborativa, né? Então o diretor, claro que acaba sendo destacado como a figura principal, né? Porque na maioria das vezes é. Mas se o Mark Patton tava interpretando o Jesse como um homem gay, se identificando ali também com uma questão pessoal, foda-se o que o diretor acha, azar o dele, entendeu? Que cale a boca, isso que não é dele, né?

GLGabi Larocca

Essencial: horror queer na literatura e no cinema. E daí, pulando, né, então, para um horror queer na atualidade, pensando assim, anos 90 para frente, né, uns últimos 30 anos, De novo, como a gente comentou, não se trata de um progresso, né? Ai, só avanços, né? Só coisas boas. Não, a gente tem ali representações muito interessantes, representações que exploram um lado mais diverso e outras que acabam caindo ali em estereótipos, né?

O que é comum no cinema. Acho que é muito importante falar ali do Garota Infernal, da Karin Kusama, que na época ali em 2009 foi muito mal recebido. Teve um marketing terrível. A gente tem um episódio só sobre isso, né? Mas que tem muito do horror queer assim na sua essência, né? Afinal, Megan Fox, ela disse que ela joga para os dois lados, né? I go both ways. Ela não mata só meninas, ela mata garotas também, né? E daí de novo isso volta para essas vampiras lá do século passado que já também faziam, cara, eu chupo pescocinho de homem e de mulher, entendeu?

?Voz B

E a forma como a Amanda Seyfried interpreta a Niri, também o roteiro, né, deixa É claro. Ela tá absolutamente apaixonada pela amiga, né? Com certeza. Não é aquela coisa de uma quedinha, né? Assim, tipo: "Pelo amor de Deus, fica comigo".

GLGabi Larocca

Por isso que o filme, ele se tornou um símbolo, né? Tanto de uma representatividade lésbica quanto bissexual. Muito pensando naquele olhar da diretora e da roteirista de não hipersexualizar essas personagens, né? Elas não estão ali pra agradar o espectador masculino. E daí foi um grande erro no marketing do filme. Porque eles venderam o filme como se ele fosse pra um público de homens. Homens cis e héteros. Na verdade, era para mulheres, entendeu, que gostam de Transformers.

Então, tipo, eu acho assim que esse filme é um dos meus favoritos. E só uma dica: existe a novelização do roteiro, foi lançada há muito tempo e tem na estante virtual. Então, para quem gosta muito de Garota Infernal e gostaria de ler a história, né, como um livro, tem também lá. E daí, nesse mesmo período, né, a gente tem algumas, algumas representações que não são tão legais, tipo como Alta Tensão, né, que traz muito de novo aquela ideia da lésbica assassina, da lésbica psicótica.

E isso, essa leva de filmes que não são tão gentis, né, sendo gentil com eles, né, acabaram criando uma denominação que é muito estudada e que foi por muito tempo questionada, que é o bury your gays, né, que é tipo enterre os seus gays, que é meio que tipo aquela ideia de que os personagens queer, eles têm 3 destinos, né? Eles morrem, ou eles são os assassinos, e eles são assassinos por causa da sua sexualidade, né? De novo, o problema não é eles serem assassinos, o problema é o fato da sua sexualidade ser vista como uma anormalidade que leva à violência, né?

Ou eles são monstros. E a gente tem uma onda de filmes e de roteiristas que vão tentar, e vem tentando desde então, subverter esse tropo, né? Mostrar assim que, cara, você não tem que matar o seu personagem queer no final, né? Você não tem que transformar ele no vilão. Existem Existem muitas formas de você ser uma pessoa queer, de você existir enquanto uma pessoa queer, né? Então você não precisa abordar de uma maneira de segredos, entrelinhas, ou de uma maneira negativa.

Um filme que trata isso de uma maneira bem interessante é o The Retreat, né? Que ele foi escrito pela roteirista Alison Richards e dirigido pela Pat Mills. E ele aborda um casal de mulheres que são ameaçadas por assassinos homofóbicos. Quando elas estão passando um final de semana, tipo um getaway. E é bem legal, assim, tipo, porque você acha que vai ser aquela coisa meio que da violência pela violência, no sentido de que as personagens são só alvo de violência.

Mas mostra como assim você pode ter essas personagens em perigo, você pode ter esses personagens sendo vilões, sendo assassinos, mas você tem que ter uma maneira mais diversa, né, ou assim um pouco mais plural, até verdadeira, de representar. A gente fala muito sobre isso quando comenta sobre representação feminina, né, não é o caso de Mulheres não podem ser retratadas como assassinas. É a maneira que você retrata, a maneira que você constrói esse olhar sobre elas.

E esse aqui é meio que só a pontinha do iceberg. Óbvio que a gente não consegue falar sobre todos, né. Mas sei lá, a gente tem 2018, Faca no Coração. Que é um slasher ambientado no mundo da pornografia gay, com personagens queer, assim. Tem Mill Freak, né, do próprio Christopher Langdon, né. Que brinca com identidade de gênero. Essa coisa da adolescente que assume o corpo de um homem nessa fluidez. A própria—

?Voz B

a gente tem episódio, né, sobre o Freaky e o A Morte Está Parabéns, né? Então tem comentários mais extensos sobre o filme, que é divertido para caralho, né? Os dois são, mas o Freaky eu acho que até supera um pouco, né, cara?

GLGabi Larocca

Eu gosto muito de como o Freaky faz esse comentário sobre gênero num sentido assim, tipo, cara, gênero não é um quadradinho, não é uma coisa cimentada, é muito mais fluido. E ele usa literalmente aquela metáfora do eles estão trocando de corpo, sabe? É muito bom. E a gente também tem o Titanic, da Julia Ducournau, que a gente já falou aqui também, um embate entre o Titanic e o Raw. E o Titanic, cara, é um dos meus filmes favoritos.

Eu consigo falar sobre ele, acho que podcast inteiro. Mas assim, é um filme que questiona não só o que é ser humano, né, não só questiona o que é gênero, que é sexualidade, Mas ele também traz uma representação muito subversiva do que é afeto, do que é pertencimento dentro desse subtexto queer. Cara, maravilhoso. Acho Titânia, assim, um dos melhores filmes já feitos nos últimos anos.

?Voz E

A Julia Ducournau, ela sabe muito bem como tratar e problematizar questões de gênero, jogar na tela de um jeito completamente maluco, assim, que vai deixar a gente vidrado. Pô, ela é uma diretora sensacional.

GLGabi Larocca

E como ela faz isso de uma maneira não muito óbvia, né? Isso que eu gosto, assim. Ela vai trabalhar essa ideia de pertencimento e de desconstrução de masculinidade, mas assim, é tudo de uma maneira que vai pegando a gente. Cara, sério, Titânia é 10, né?

?Voz B

É bem francês, né? É bem francês, né?

?Voz E

É bem francês, né?

?Voz B

Tanto na literatura quanto no cinema, e muitas vezes é bem não óbvio, assim.

GLGabi Larocca

A gente tem o Morte, Morte, Morte também, né, que traz essa questão, né, da geração Z. Tem o Rua do Medo, que a gente também fez episódio, que eu acho assim um dos momentos mais legais do Rua do Medo é quando ele quebra com as nossas expectativas, que a gente acha que vai ser um casal de homem e mulher e são duas mulheres. Assim, eu acho isso muito bacana.

?Voz B

E ele usa também a questão do nome, né? A personagem tá falando lá, Sam, Sam, A Sam. É legal como ele brinca com isso, você presume certamente que é um homem, né? E aí é a Sam. E foi uma coisa que, como, né, teve aquele lançamento simultâneo, todo mundo viu meio que ao mesmo tempo, né? Então você não tem tempo de pegar muito spoiler assim, é um negócio que surpreende mesmo, né?

GLGabi Larocca

E assim, né, só para passar essa onda de filmes, o próprio Boas Maneiras, né, o brasileiro dirigido pela Juliana Rogers e pelo Marco Dutra, que tem duas mulheres que vão ter um relacionamento amoroso, né, têm as suas vidas entrelaçadas. E é um filme que não só aborda sexualidade, mas aborda classe. E tem sobrenatural no meio, assim. Se você ainda não assistiu As Boas Maneiras, é um filmaço. E também, né, um outro que... Só mencionar, é O Verão Fantasma, do Matheus Marchetti.

Que também é um coming of age, assim, que tem dois adolescentes que se apaixonam, tem um mistério. É um filme brasileiro bem bacana. E assim, né, você deve estar pensando: "Porra, eles fizeram um episódio de horror queer e eles não citaram nem Chuck, nem Babadook?" Já tô esperando, a galera já tá aqui digitando aqui furiosamente. Não, é que a gente trouxe aqui, né, só para finalizar essa parte assim mais de cinema, de como esses dois personagens, eu acho que tanto Babadook quanto o Chucky, eles passaram por processos de ressignificações e eles acabaram sendo anexados a simbolismos muito importantes.

O Chucky, na verdade, ele sempre teve isso, né, tipo a própria franquia desde o seu início ali, a concepção dela, né, pelo Assassine, que teve a ideia inicial, seus temas. Até assim você fala, mas o Chuck, ele vira um ícone queer mais ali no Filho do Chuck. Pô, no 3 você já tem algumas pinceladas em relação a isso, em relação a estar dentro do armário, né? É uma franquia que quanto mais ela foi ganhando voz, né, mais ousada ela foi ficando, mais espaço ela encontrou para poder dar voz a esses seus temas queer.

E acho que a série em em si foi o grande ápice disso, né, junto do Filho de Chuck, que eu acho assim, cara, era um filme que todo mundo odiou quando saiu, mas se você assiste hoje, o Filho de Chuck é sensacional, é sensacional esse filme. É uma pena que na época ele não foi compreendido, ele é uma diva injustiçada assim, total, porque o Glen Glenda, toda essa coisa de você ter esse gênero fluido, sabe, é muito, muito legal. Mas a série, né, eu acho que ela também conseguiu abraçar muito isso, né, quando eles trazem o Jake, né, que é o protagonista que é um adolescente assumidamente gay, né?

E quando ele tem que lutar com o Chuck, eu acho incrível como o Chuck fala, tipo, cara, eu sou um assassino, mas eu não sou homofóbico, tá?

?Voz E

Maravilhoso. Você acha que eu sou um monstro, Jake?

?Voz B

Esse coach na época assim deu uma expandida na série porque o Jake se assume para ele e ele, porra, eu não sou um monstro, Jake, eu posso até matar, mas homofóbico é "Ah, pô, não me ofende, né?" É muito bom, né, como o Chucky, ele personificou cada vez mais isso.

GLGabi Larocca

O Don Mancini, que é quem teve a ideia original, né, do boneco, ele fala: "Quanto mais eu escrevo sobre o Chucky, essa franquia, mais pessoal ela fica", né? Em uma entrevista ele comentou que o Jake é meio que uma projeção de como ele lidava, né, sendo um adolescente gay, com o bullying e com todas as questões e questionamentos que ele teve. Mas, cara, o Chucky assim é incrível. E vou fazer um jabá meio pessoal assim, né? Mas pra quem quiser conhecer mais sobre a história da franquia, tem um livro que é o Chucky: O Legado do Brinquedo Assassino.

Ele está aqui na estante virtual. É um livro de 500 páginas que acompanha a franquia inteira desde a sua concepção ali, o seu primeiro filme, como que foi fazer esse primeiro filme até a série, né. E eu que traduzi, então... Passei, acho que uns 3, 4 meses trabalhando. E foi muito legal revisitar toda a franquia, porque o livro dá esse insight não só dos filmes, mas das pessoas envolvidas nessa série, de todo mundo que colocou a sua criatividade, a sua mente.

E de como o Chucky sempre foi um ícone queer, assim. Você termina esse livro... Eu lembro que quando eu finalizei o trabalho, eu... Assim, acho que eu fiquei mil vezes mais fã do brinquedo assassino, assim. É muito, muito legal. E o Babadook, só pra gente não levar um hate, né. O Babadook, ele é outro exemplo de como um personagem se torna um símbolo queer. Porque, gente, ele é um outsider, e ele fica escondido no porão. Só falta ele estar ali dentro do armário.

Então, assim, muitas pessoas da comunidade se sentem representadas por ele, né. Então, assim, meio que o Babadook virou uma piadinha. Começou uma piadinha, né. Teve uma época que você olhava nas paradas do Orgulho e tinha muito Babadook, né? Porque era como se ele fosse transformado nesse símbolo, né, da comunidade e de como o que é considerado estranho, um pouco extravagante, né, tá ali dentro do horror.

?Voz E

É que o Babadook foi muito bom, que na época que ele entrou na Netflix, ele caiu na categoria filmes LGBT, né? E daí via lá, ué, o Babadook. E eu acho que é sensacional isso, toda essa reapropriação que fizeram do Babadook é muito interessante. República do Medo, Estante Virtual.

GLGabi Larocca

E aqui, né, vamos fazer uma rodada ou várias rodadas de sugestão de livros. A gente já citou vários, né, assim, acho que se você não tem uma sugestão desse episódio, mas como a gente tem um cupom que é o RDMCAST na Estante Virtual, a gente tem alguns títulos que tem tudo a ver com horror queer, né, para você dar uma conferida. Um que eu acho bem bacana, a gente falou muito sobre releitura, ressignificação nesse episódio, é o A Queda da Casa Morta, do T.

Kingfisher. Que é uma releitura do A Queda da Casa de Usher, do Edgar Allan Poe. Só que ele acompanha um soldado aposentado não-binário. Então, a história inteira usa linguagem neutra. É muito legal, o livro é curto. Gente, eu li, assim, tipo, em um dia. E é muito, muito bacana a história. Porque não só você tem no início esse estranhamento. Mas depois fica tão fácil de ler, você percebe assim: É muito legal e tem uma pira, tipo, de horror com fungos e casas decadentes. E tem coelhos bizarros no meio. Cara, é muito, muito bom.

?Voz E

Um que dá pra gente recomendar também, que vai se relacionar com coisa que a gente já fez no podcast. O Chalé no Fim do Mundo, do Paul Tremblay. Inclusive, tem vários livros do Paul Tremblay aí. A história vai falar sobre um grupo de pessoas que chega pra um menino. E daí fala assim, ó, a gente tem que ir lá no chalé dos seus pais porque a gente tem uma mensagem de que o mundo vai acabar. Nossa, não parece aquele filme do Shyamalan?

Sim, é justamente o livro que inspirou Batem à Porta, né? Aquele filme com o Jonathan Groff, o Rupert Grint e o Dave the Animal Bautista. Eu tô fazendo a metralhadora aqui com as mãos. E aí o livro, enfim, a gente sabe, o menino é filho lá do de um casal, né, de dois homens e tal. Cara, também é um livro bem legal aí, facinho de achar na Estante Virtual por um precinho bom, ainda mais com o nosso cupom. Mas tem uma autora que daí procurando coisas eu vi, a Jacqueline Hartmann, ela tem uns livros bem interessantes também, vários vocês conseguem encontrar na Estante Virtual.

E aí tem um chamado Eu Que Nunca Conheci os Homens, parece ser um livro bem interessante, né, começa, enfim, mulheres que estavam presas em uma jaula num porão mas que depois, enfim, tem uma menina sem nome, elas precisam se ajudar nessa nova descoberta do mundo. É bem interessante, tá? A Jacqueline Hartmann tem vários livros ali na estante virtual, em várias línguas, tá? Porque uma coisa que se diga, estante virtual você consegue achar livros em várias línguas.

Então, para quem quer treinar o francês, né, tem muitos livros da Jacqueline Hartmann.

GLGabi Larocca

E falando em livros que estão em outros idiomas, mas também em português, né. Coincidentemente, eu tava trabalhando uma outra coisa, em um texto sobre uma autora que chama Kate Selsa. E ela é uma mulher lésbica e ela fala muito sobre como incorporar temas queer nos seus livros, né. E ela tem toda uma pira com magia, então ela sempre traz essa ideia, tipo, de uma bruxaria moderna para suas narrativas, a ideia de uma autodescoberta, né.

E ela tem um livro que chama Fans do Impossível. E esse tem na estante virtual. Na verdade, se você procurar o nome dela, você encontra em várias edições. E também, assim, em inglês, em português, os livros mais recentes, né. E ela deu várias entrevistas, e ela falou, né, que tipo, um dos pontos mais importantes como escritora é tentar mostrar perspectivas mais amplas, né, sobre o que é ser uma pessoa queer. E ela diz assim: "Eu tento evitar clichês, né.

Porque, na minha opinião..." "Para você representar a experiência queer sem cair neles, a literatura, os escritores, eles precisam destacar mais de um tipo de narrativa, né? Ou seja, dar espaço para diversas identidades, personagens, trajetórias." Então ela fala assim: "Eu gosto de trazer, assim, o personagem religioso, o personagem que tá tentando se autodescobrir, o apaixonado, sabe? Pra mostrar que existem várias formas de ter, né?" viver como uma pessoa queer.

E ela tem vários livros na estante virtual, é bem bacana assim pra quem se interessa por um young adult com uma pira de magia, sabe? É bem interessante.

?Voz E

Ah, pra citar um autor nacional aqui, o Duca Santana, Sangue Raro, enfim, todos os livros que a gente tá falando tem na estante virtual, não precisa ficar lembrando aqui e lembra de usar nosso cupom. É um livro que vai mexer com magia e essa questão do sangue raro, que é uma pessoa com características especiais que ela consegue fazer alguns rituais mágicos, né. Então, pra quem curte uma literatura mais fantástica nacional, vale a pena.

A coletânea O Corpo Dela e Outras Farras, da Carmen Maria Machado, também vai trabalhar muito com essa questão da sexualidade. E uma literatura mais— agora não chama mais Infanto Juvenil, né. A gente já falou disso, agora é Young Adult. A gente tem vários livros da Kellyn Bayron. O que eu destaquei pra falar aqui é o Cinderella Está Morta. Porque eu achei o título muito maravilhoso, né.

?Voz B

Mas enfim, é um livro que vai falar: Cinderela tá morta há 200 anos.

?Voz E

Daí tá um reino agora em que mulheres são vistas apenas como objetos. E uma menina vai decidir o próprio destino. E ela quer romper com tudo, contrariar com tudo isso. Cara, parece ser um livro muito legal, assim. Mais nessa vibe Young Adult. A autora é a autora bestseller do New York Times, né? Então alguma coisa isso deve significar, né? Não li, mas eu acho que pra quem tá buscando essa literatura mais young adult, eu acho que os livros da Céline Bayron, acho que são uma ótima opção aí, né?

Cinderela Está Morta, tem Coração Envenenado. E vocês podem ler inclusive o Cinderella Is Dead em inglês, porque tem também na estante virtual, né? Então pra quem quer treinar o inglês aí, às vezes é legal a gente pegar uma literatura literatura assim, para dar uma lida.

?Voz B

E fora todas essas recomendações que a gente deu, também tem duas listas que eu vou deixar aqui na descrição, com vários outros títulos, né, não necessariamente de horror, que é uma lista de livros do orgulho LGBT na literatura. E aí tem, né, livros tão super em alta, né, tipo aquele Vermelho, Branco e Sangue Azul, o Heartstopper. Tava dando uma olhada aqui por cima, tem aquele Rivalidade Ardente, que é dos jogadores de hóquei, né, que teve a série também.

Então tem vários ebooks legais para consultar, tanto livros quanto HQs, e tem também uma outra lista sobre literatura trans também, tem uns títulos bem interessantes. Então o que não falta é recomendações dentro do catálogo infinito da estante virtual.

GLGabi Larocca

E só um comentário, né, porque eu tô lendo atualmente um que chama A Criatura do Jardim, do Noah Medlock, que é muito bacana porque é uma vibe Frankenstein Frankenstein, mas mistura com horror botânico e horror corporal na Londres vitoriana. É muito massa. A gente tem tipo dois homens que vivem escondidos da sociedade, no sentido assim, eles são um casal, mas a gente tá numa Londres vitoriana, e eles passam o seu tempo em casa cultivando plantas, né?

Um deles principalmente. E meio que umas experiências, umas criações, ele dá origem a uma filha botânica. Mônica, né, que é meio mulher, meio monstro, meio mulher, meio planta. E daí isso vai levando para vários questionamentos, como a gente disse, né, sobre família, sobre acolhimento, sobre você se expandir em um universo que acha que você não deve se expandir. É bem legal assim. Eu ainda estou lendo, né, mas eu já estou gostando bastante. Eu dei uma olhada e já tem na estante virtual, então fica aqui a recomendação.

?Voz E

A qui foi?

GLGabi Larocca

Enfim, né, acho que a gente fez um apanhadão do horror queer, né, a convite da Estante Virtual. Obviamente que não dá para mencionar tudo que já foi feito, senão a gente ia ficar aqui por muito tempo. Tem vários documentários feitos para televisão e para streaming que abordam isso, né, com daí 12 horas, 20 horas, daí você tem um tempo Fica aqui o nosso convite, né, para dar uma olhada lá na Estante Virtual, que é um lugar que celebra todas as formas de expressão e amor, e onde você encontra o horror queer o ano todo, tá?

Não é apenas em junho não, assim, esses títulos estão lá, esses autores estão lá, essas temáticas também, né? Então vai lá, entra em estantevirtual.com.br, dá uma pesquisada e usa o nosso cupom RDMCAST, que você com certeza consegue comprar pegar o seu livrinho e tirar alguma indicação de tudo que a gente citou aqui nesse episódio.

?Voz B

Também a descrição desse episódio está gigantesca porque eu fui anotando aqui algumas coisas que a gente foi falando. Então todos os livros recomendados têm link direto para a Stanford Law, para vocês não terem nem que pesquisar, é só clicar no link que tá na descrição do episódio. Tem várias recomendações de filmes também que a gente foi falando. Todos os episódios que a gente citou vão estar aqui em vários estados também. Então aproveitem aí a descrição desse episódio porque tem também várias referências que a gente foi deixando ao longo do EP.

E também fica o convite vocês usarem os comentários do Spotify, né? A última vez que a gente fez um episódio com a Essência Virtual, a gente bateu o recorde de comentário. E acho que é legal também ter essa experiência mais coletiva, né? Então vocês podem destacar aí livros nas temáticas que vocês leram que foi importante para que vocês se interessaram, filmes, comentários sobre o episódio. É muito legal também ter esse espaço de compartilhamento, da gente ter essa conversa com vocês para além do episódio.

E também, né, vocês nos encontram nas redes sociais, principalmente no Twitter e no TikTok como @rdmcast, no Instagram como @republicadomedo. E caso vocês queiram mandar um comentário um pouco mais extenso, né, algum feedback, algum pedido, relato do Em Volta da Fogueira, enfim, vocês podem mandar para contato@republicadomedo.com.br.

?Voz E

E se vocês quiserem um pouquinho mais de RDM, vocês podem procurar a gente no YouTube. A gente tem nosso canal República do Medo, onde a gente transmite nossas lives mensais. Tem bastante coisa gravada lá para vocês curtirem também. Então entra lá, assina o canal e ativa o sininho para ficar por dentro da nossa programação.

GLGabi Larocca

É isso, gente, muito obrigada pela audiência. Não esqueçam de conferir a estante virtual, que é o lugar onde tudo sobre Livros acontece e até a próxima quinta-feira.

?Voz E

Até!

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