027 - Um ex-leproso (Audiolivro O Desejado de todas as nações)
Neste audiolivro, você será conduzido por uma profunda jornada espiritual pelos principais acontecimentos da vida de Cristo, desde Seu nascimento humilde em Belém, passando por Seus milagres, parábolas e encontros transformadores, até Sua entrega na cruz por amor à humanidade.
Com uma narrativa rica em detalhes bíblicos e reflexões inspiradoras, esta obra revela a beleza do caráter de Jesus, Seu infinito amor por cada ser humano e o plano da redenção preparado por Deus para salvar a humanidade.
Ideal para momentos de devoção, reflexão e crescimento espiritual, O Desejado de Todas as Nações é um convite para conhecer mais profundamente a Cristo, fortalecer a fé e renovar a esperança.
🎙️ Narração: Alberto Júnior
Permita que esta mensagem toque seu coração e aproxime você ainda mais daquele que é o centro da história e da nossa salvação: Jesus Cristo.
Alberto Júnior
Speaker B
Speaker D
Speaker E
Speaker C
- Domingo do ParalíticoA impotência do paralítico · A fé dos amigos · Jesus perdoando pecados · A restauração física e espiritual
- Cura de NaamãLepra no Oriente Médio · Exclusão social do leproso · Fé e esperança em Jesus · O milagre da cura · Instruções de Jesus
- A Obra de Deus e a SalvaçãoJesus como libertador do pecado · O plano de salvação · O perdão divino
- A natureza de JesusJesus curando enfermos · O toque que transmite vida · Cura do corpo e da alma
- Lideranca ReligiosaOposição a Jesus · Incredulidade e ciúme · Confronto com a verdade
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27. Um ex-leproso. De todas as doenças conhecidas no Oriente, a lepra era a mais temida por ser incurável e contagiosa, e por suas terríveis consequências sobre as vítimas, enchia de temor os mais corajosos. Entre os judeus, era considerada um juízo sobre o pecado, sendo por isso chamada de o açoite, o dedo de Deus. Profundamente arraigada e mortal, era considerada símbolo do pecado. Pela lei ritual, o leproso era declarado imundo, era excluído das habitações humanas como se já estivesse morto.
Tudo que tocava ficava imundo, o ar era poluído por seu hálito. Uma pessoa suspeita dessa doença devia se apresentar aos sacerdotes, que tinham de examinar e decidir o caso. Sendo declarada leprosa, era separada da família, isolada da congregação de Israel e condenada a conviver unicamente com os que também sofriam desse mal. A lei era inflexível em suas exigências. Nem os próprios reis e líderes estavam isentos. Um rei que sofria desse terrível mal tinha de renunciar ao cetro e abandonar a sociedade.
Separado de amigos e parentes, o leproso devia sofrer a maldição de sua enfermidade. Era obrigado a anunciar a própria desgraça, a rasgar as roupas, a fazer soar o aviso advertindo a todos para fugirem de sua presença contaminadora. O grito imundo imundo, emitido em tons de lamento pelo pobre exilado, era um sinal que se ouvia com repugnância e medo. E na região onde Cristo desenvolvia seu ministério, havia muitos desses sofredores, e quando tomaram conhecimento da obra que ele realizava, um lampejo de esperança surgiu.
Entretanto, desde os dias do profeta Eliseu, Nunca se ouvira falar da cura de uma pessoa contaminada por essa enfermidade. Não ousavam esperar que Jesus fizesse em seu benefício aquilo que nunca tinha realizado por ninguém. Apesar disso, houve alguém em cujo coração a fé começou a nascer, mas não sabia como se aproximar de Jesus. Excluído do contato dos semelhantes, como se apresentaria ao médico? Além disso, perguntava a si mesmo se Cristo o curaria.
Ele pararia para atender a uma pessoa que era considerada vítima de um castigo de Deus? À semelhança dos fariseus e mesmo dos médicos, não iria proferir sobre ele uma maldição, advertindo-o que abandonasse a civilização? Pensava em tudo quanto lhe fora dito sobre Jesus. Nenhum dos que buscavam seu auxílio fora rejeitado. O pobre homem decidiu ir ao encontro do Salvador. Embora excluído das cidades, podia ser que acontecesse de atravessar seu caminho em algum atalho das montanhas ou encontrá-lo enquanto ensinava fora das cidades.
As dificuldades eram grandes, mas essa era sua única esperança. O leproso foi guiado ao Salvador. Jesus estava ensinando próximo ao lago enquanto o povo se reunia ao seu redor. Mesmo se mantendo à distância, o pobre homem conseguia ouvir algumas palavras dos lábios de Jesus. Observava-o ao colocar as mãos sobre os enfermos. Viu o cego, o paralítico e os que estavam perecendo de várias enfermidades se erguerem com saúde, louvando a Deus por seu livramento.
A fé se fortaleceu em seu coração. Aproximou-se mais ainda da multidão reunida. As restrições que lhe foram impostas, a segurança do povo e o temor com que todos o olhavam, tudo foi esquecido. Pensou somente na bendita esperança da cura. A condição desse enfermo era repugnante. A doença fizera grandes estragos e era horrível ver seu corpo em decomposição. Ao avistá-lo, o povo recuou apavorado. As pessoas na multidão se atropelavam para evitar o contato com ele.
Alguns tentaram impedi-lo de se aproximar de Jesus, mas foi em vão. Ele não os via nem os ouvia. Suas expressões de repugnância não o atingiram. Via unicamente o Filho de Deus, escutara apenas a voz que comunicou vida ao que estava morrendo. Indo até Jesus, atirou-se aos pés dele com o grito: Senhor, se quiseres, podes purificar-me. Jesus respondeu: Quero, fica limpo. E pôs a mão sobre ele. Operou-se imediatamente uma transformação no leproso.
Sua carne ficou sã, os nervos recuperaram a sensibilidade e os músculos a firmeza. A aspereza e escamosidade características da pele atingida por lepra desapareceram, sendo substituídas por um tom suave como o da pele de uma criança saudável. Jesus pediu ao homem que não divulgasse a obra que ele realizara, mas fosse imediatamente se apresentar com uma oferta no templo. Essa oferta não podia ser aceita enquanto os sacerdotes não o examinassem, declarando-o completamente livre da enfermidade.
Embora os sacerdotes fizessem isso de má vontade, não podiam se esquivar do exame e da decisão do caso. As palavras das Escrituras revelam a veemência de Cristo ao orientar o homem quanto à necessidade de não falar sobre o assunto e agir com prontidão. Advertindo-o severamente, Jesus logo o despediu e disse-lhe: Olha, não digas nada a ninguém, porém vai, mostra-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou.
Para lhe servir de testemunho. Se os sacerdotes tivessem conhecimento dos fatos relacionados à cura do leproso, o ódio deles por Cristo os teria levado a dar uma sentença desonesta. Jesus queria que o homem se apresentasse no templo antes que qualquer rumor sobre o milagre chegasse aos ouvidos deles. Assim poderia ser obtida uma decisão imparcial, sendo permitido ao leproso purificado mais uma vez se unir à sua família e amigos.
Cristo ainda tinha outros objetivos ao recomendar silêncio ao homem. O Salvador sabia que seus inimigos estavam sempre buscando limitar sua obra e desviar o povo dele. Sabia que se a cura do leproso fosse divulgada, outras vítimas dessa terrível doença se aglomerariam ao seu redor, e então Diriam que o povo se contaminaria pelo contato com elas. Muitos dos leprosos não usariam o dom da saúde com o propósito de torná-la uma bênção para si mesmos e para outros.
E atraindo para si os leprosos, seria acusado de estar violando as restrições da lei ritual. Assim, sua obra de pregar o evangelho seria prejudicada. O acontecimento justificava a advertência de Cristo. Uma multidão presenciara a cura do leproso e as pessoas estavam ansiosas para ouvir a decisão dos sacerdotes. Quando o homem voltou para os amigos, a comemoração foi grande. Apesar da precaução de Jesus, o homem não fez esforço algum para ocultar a cura.
Realmente teria sido impossível escondê-la. Mas o leproso acabou espalhando a notícia, imaginando que era somente a modéstia de Jesus que provocara essa restrição. Saiu proclamando o poder desse grande restaurador. Não compreendia que toda manifestação desse tipo tornava os sacerdotes e anciãos mais decididos a eliminar Jesus. O homem restaurado sentia que a bênção da saúde era realmente preciosa. Alegrou-se no vigor da força física e por ser restituído à família e à sociedade, e considerava ser impossível deixar de dar glória ao médico que o curara.
Mas esse seu ato de divulgar o caso prejudicou a obra do Salvador, fez com que o povo se aglomerasse em torno dele em uma multidão tão grande que foi forçado a interromper por algum tempo suas atividades. Cada ato do ministério de Cristo tinha objetivos muito abrangentes, envolvia mais do que o ato em si. Foi o que ocorreu no caso do leproso. Ao mesmo tempo que Jesus ajudava a todos os que iam a ele, também desejava beneficiar os que não iam.
Ele atraía os gentios e os samaritanos ao mesmo tempo que desejava se aproximar dos sacerdotes e mestres excluídos pelos preconceitos e tradições. Tentou todos os meios pelos quais pudessem ser alcançados. Ao enviar o leproso aos sacerdotes, Jesus lhes proporcionou um testemunho calculado para desarmar os preconceitos deles. Os fariseus haviam declarado que os ensinos de Cristo eram contrários à lei dada por Deus mediante Moisés, Mas suas instruções ao leproso purificado de apresentar uma oferta segundo a lei refutavam essa acusação.
Era testemunho suficiente para todos os que estivessem dispostos a se convencer. Os líderes em Jerusalém tinham enviado espias com o objetivo de procurar qualquer pretexto para matar Cristo. Ele lhes respondeu: apresentando uma prova de seu amor pela humanidade, seu respeito pela lei e o poder que tinha de libertar do pecado e da morte. Assim testificou acerca deles: pagaram-me o bem com o mal, o amor com ódio. Aquele que deu no monte o preceito: amai os vossos inimigos, exemplificou ele próprio o princípio, não pagando mal por mal ou injúria por injúria, Antes, pelo contrário, bendizendo.
Os mesmos sacerdotes que haviam condenado o leproso à exclusão atestaram sua cura. Essa sentença, proferida e registrada publicamente, era um firme testemunho em favor de Cristo. E ao ser o homem reintegrado, sadio na congregação de Israel, sob afirmação dos próprios sacerdotes, de que não havia nele vestígio da doença, tornou-se um vivo testemunho de seu benfeitor. Apresentou alegremente a oferta e engrandeceu o nome de Jesus.
Os sacerdotes estavam convencidos do divino poder do Salvador. Foi-lhes dada a oportunidade de conhecer a verdade e serem beneficiados pela luz. Se rejeitada, ela passaria. Para nunca mais voltar. Muitos rejeitaram a luz, porém ela não foi dada em vão. Foram tocados muitos corações que, por algum tempo, não deram sinal disso. Durante a vida do Salvador, sua missão parecia despertar pouca reciprocidade de amor da parte dos sacerdotes e mestres.
Depois de sua ascensão, porém, muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé. A obra de Cristo em purificar o leproso de sua terrível doença é uma ilustração de sua obra em libertar a pessoa do pecado. O homem que foi até Jesus estava contaminado com lepra. O veneno mortal da doença impregnava todo o seu corpo. Os discípulos procuraram impedir o mestre de tocá-lo, pois aquele que tocava em um leproso se tornava imundo. Porém, colocando a mão sobre o doente, Jesus não sofreu contaminação alguma.
Seu toque transmitiu poder de vida. A lepra foi eliminada. O mesmo ocorre quanto à lepra do pecado, profundamente alojada, mortal e impossível de ser purificada por poder humano. Toda cabeça está doente e todo coração enfermo. Desde a planta do pé até a cabeça, não há nele coisa sã senão feridas, contusões e chagas inflamadas. Mas Jesus, vindo habitar na humanidade, não recebeu contaminação alguma. Sua presença tem poder que cura o pecador.
Quem se prostra de joelhos aos seus pés, dizendo com fé: Senhor, Se quiseres, podes purificar-me. Ouvirá a resposta: Quero, seja purificado. Em alguns casos de cura, Jesus não concedeu imediatamente a bênção desejada. Porém, no caso do leproso, assim que o pedido foi feito, ele o atendeu. Quando pedimos bênçãos terrestres, a resposta à nossa oração talvez seja demorada, ou Deus nos dê algo diferente daquilo que pedimos. No entanto, não é assim quando buscamos livramento do pecado.
Sua vontade é nos limpar disso, tornar-nos seus filhos e nos habilitar a ter vida santa. Cristo se entregou pelos nossos pecados para nos desarraigar deste mundo perverso. Segundo a vontade de nosso Deus e Pai, Esta é a confiança que temos para com ele, que se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito.
Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.
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Na cura do paralítico de Cafarnaum, Cristo voltou a ensinar a mesma verdade. Foi para manifestar seu poder de perdoar pecados que o milagre foi realizado. Além disso, a cura do paralítico ilustra outras preciosas verdades. É cheia de esperança e encorajamento, e do ponto de vista de sua relação para com os astutos fariseus, traz também uma advertência. Assim como o leproso, esse paralítico perdera toda a esperança de restabelecimento.
Sua doença era resultado de uma vida pecaminosa e seus sofrimentos eram amargados pelo remorso. Por muito tempo apelara para os fariseus e os mestres, esperando alívio do sofrimento mental e físico, mas eles friamente o declaravam incurável, abandonando-o à ira de Deus. Os fariseus consideravam a doença como testemunho do desagrado divino e se mantinham distantes do enfermo e do necessitado. No entanto, muitas vezes Os mesmos que se exaltavam como santos eram mais culpados que as vítimas que condenavam.
O paralítico estava totalmente impotente e, não vendo perspectiva alguma de auxílio de qualquer lado, caíra em desespero. Então ouvira falar das maravilhosas obras de Jesus. Foi-lhe dito que outros, tão pecadores e desamparados como ele, Haviam sido curados. Até mesmo leprosos tinham sido purificados. E os amigos que relatavam essas coisas o incentivavam a crer que também poderia ser curado se pudesse ser conduzido a Jesus. No entanto, sua esperança desapareceu ao se lembrar da maneira pela qual tinha contraído a enfermidade.
Temeu que o Imaculado Médico não o tolerasse em sua presença. Não era tanto o restabelecimento físico que desejava, mas sim o alívio para o fardo do pecado. Se pudesse ver a Jesus e receber a certeza do perdão e a paz com o céu, estaria contente de viver ou morrer conforme a vontade de Deus. Ele gritava: Ah, se eu pudesse chegar à sua presença! Não havia tempo a perder. Sua afetada carne já começava a mostrar indícios de decomposição.
Suplicou aos amigos que o conduzissem em seu leito a Jesus, e eles o fizeram de boa vontade. Contudo, a multidão que se aglomerava dentro e nos arredores da casa em que o Salvador estava era tão densa que foi impossível ao doente e aos amigos ir até ele, ou mesmo chegar ao alcance de sua voz. Jesus estava ensinando na casa de Pedro. Segundo seu costume, os discípulos sentaram-se bem próximo dele, ao redor, e achavam-se ali assentados fariseus e mestres da lei, vindos de todas as aldeias da Galileia, da Judeia e de Jerusalém.
Eles tinham ido como espiões, buscando motivos para acusar Jesus. Além desses oficiais, aglomerava-se uma multidão heterogênea: sinceros e reverentes, curiosos e incrédulos, nacionalidades diversas, e todas as classes sociais estavam ali representadas. O poder do Senhor estava com ele para curar. O espírito de vida pairava sobre a reunião, mas fariseus e mestres não percebiam sua presença. Não experimentavam qualquer sentimento de necessidade, e a cura não era para eles.
Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos. Repetidas vezes, os amigos que transportavam o paralítico procuraram abrir caminho por entre a multidão, Mas em vão. O enfermo olhava ao redor de si com inexprimível angústia. Como poderia abandonar a esperança quando o socorro que há tanto tempo aguardava estava tão perto? Por sugestão sua, os amigos o levaram ao telhado e, abrindo um buraco no teto, desceram-no aos pés de Jesus.
O discurso foi interrompido. O Salvador contemplou o doloroso semblante e viu os suplicantes olhos fixos nele. Entendeu o que estava acontecendo: tinha atraído a si aquele perplexo e duvidoso homem. Enquanto o paralítico ainda estava em casa, o Salvador levara a convicção à sua consciência. Quando se arrependera de seus pecados e crera no poder de Jesus para curá-lo, As vitalizantes misericórdias do Salvador haviam começado a beneficiar seu ansioso coração.
Jesus observara o primeiro sinal de fé transformar-se na crença de que ele era o único auxílio do pecador, e o tinha visto tornar-se mais e mais forte a cada novo esforço para chegar à sua presença. E agora, em palavras que soaram como música aos ouvidos do enfermo, o Salvador disse: Tem bom ânimo, filho. Estão perdoados os teus pecados. E o fardo de desespero saiu da mente do enfermo. A paz do perdão chegou ao seu coração e brilhou em seu rosto.
O sofrimento físico desapareceu e todo o seu ser foi transformado. O impotente paralítico estava curado, o pecador culpado estava perdoado. Com fé simples, aceitou as palavras de Jesus como a bênção de uma nova vida. Não insistiu em qualquer outro pedido, mas permaneceu em alegre silêncio, feliz demais para se expressar com palavras. A luz do céu brilhava de sua fisionomia, E o povo contemplava a cena com assombro. Os rabinos haviam esperado ansiosamente para ver o que Jesus faria com esse caso.
Lembravam-se de como o homem apelara para eles em busca de auxílio e haviam recusado oferecer-lhe esperança e compaixão. Não satisfeitos com isso, haviam declarado que estava sofrendo a maldição de Deus por causa de seus pecados. Tudo isso lhes veio novamente à lembrança ao verem o enfermo diante de si. Observaram o interesse com que todos contemplavam a cena e experimentaram o terrível medo de perder a influência sobre o povo.
Esses líderes não disseram nada, mas olhando-se, leram no rosto uns dos outros o mesmo pensamento de que devia ser feita alguma coisa para deter a onda de sentimentos. Jesus havia declarado que os pecados do paralítico estavam perdoados. Os fariseus tomaram essas palavras como blasfêmia e conceberam a ideia de apresentá-las como pecado digno de morte. Disseram em seu coração: Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados senão um que é Deus?
Fixando sobre eles o olhar, sob o qual tiveram medo e recuaram, Jesus questionou: Por que pensais mal em vosso coração? Pois o que é mais fácil, dizer ao paralítico: Perdoados te são os teus pecados, ou: Levanta-te e anda? Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra autoridade para perdoar pecados, Disse então ao paralítico: Levanta-te, toma tua cama e vai para tua casa. Então aquele que fora levado a Cristo em um leito colocou-se de pé com a elasticidade e o vigor da juventude.
O poder da vida corria em suas veias. Cada parte de seu corpo voltou a funcionar imediatamente. A palidez terminal foi substituída por um aspecto saudável. Ele se levantou e, no mesmo instante, tomando o leito, retirou-se à vista de todos, a ponto de se admirarem todos e darem glória a Deus, dizendo: Jamais vimos coisa assim! Como é maravilhoso ver o amor de Cristo inclinando-se para curar o culpado e o aflito! A divindade se compadecendo dos males da sofredora humanidade e suavizando-os.
Que maravilhoso poder manifestado assim aos olhos dos filhos dos homens! Quem consegue duvidar da mensagem de salvação? Quem consegue menosprezar as misericórdias de tão compassivo Redentor? Nada menos que um poder criador era necessário para devolver a saúde àquele decadente corpo. A mesma voz que comunicou vida ao homem criado do pó da terra transmitiu-a ao paralítico à beira da morte. E o mesmo poder que havia dado vida ao corpo renovara seu coração.
Aquele que na criação falou e tudo se fez, que ordenou e tudo passou a existir, comunicará vida à pessoa morta em ofensas e pecados.
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A cura do corpo era evidência do poder que tinha renovado o coração. Cristo pediu ao paralítico que se levantasse e andasse. Para que saibais, disse ele, que o Filho do Homem tem na terra autoridade para perdoar pecados. O paralítico encontrou em Cristo cura tanto para o corpo quanto para a alma. A cura espiritual foi seguida da restauração física. Essa lição não deve ser desconsiderada. Existem hoje milhares de vítimas de sofrimentos físicos, as quais, como o paralítico, estão ansiosas pela mensagem: os teus pecados estão perdoados.
O fardo do pecado, com sua inquietação e desejos insatisfeitos, é o fundamento de suas doenças. Não conseguem encontrar alívio enquanto não vão até o grande médico. A paz que só ele pode dar transmite vigor à mente e saúde ao corpo. Jesus veio para destruir as obras do diabo. A vida estava nele, e ele diz: Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. Jesus é espírito vivificante e possui ainda o mesmo poder vitalizante que tinha quando na terra curava o doente e assegurava o perdão ao pecador.
Ele perdoa todas as tuas iniquidades, sara todas as tuas enfermidades. O efeito produzido sobre o povo pela cura do paralítico foi como se o céu tivesse sido aberto, revelando as glórias do mundo melhor. Enquanto o homem curado passava por entre a multidão, bendizendo a Deus a cada passo e levando sua carga como se fosse leve como uma pena, o povo recuava para que ele passasse. E com grande espanto observava-o, falando entre si, sussurrando: Hoje vimos coisas extraordinárias.
Os fariseus estavam mudos de espanto e esmagados pela derrota. Viram que não havia lugar para instigar com seu ciúme a multidão. A maravilhosa obra realizada na vida do homem que haviam entregado à ira de Deus Impressionara de tal forma o povo que naquele momento os rabinos foram esquecidos. Viram que Cristo possuía um poder que tinham atribuído unicamente a Deus. No entanto, a suave dignidade de sua atitude apresentava forte contraste com o porte altivo deles.
Ficaram desconcertados e confundidos. Reconhecendo, mas não confessando, a presença de um ser superior. Quanto mais forte era a evidência de que Jesus tinha poder na terra para perdoar pecados, tanto mais firmemente se fortaleciam na incredulidade. Da casa de Pedro, onde tinham assistido o restabelecimento do paralítico por sua palavra, saíram para formular novos planos para silenciar o Filho de Deus. A enfermidade física, embora maligna e profundamente alojada, foi afastada pelo poder de Cristo.
Mas a enfermidade espiritual dominou os que fecharam os olhos à luz. A lepra e a paralisia não eram tão terríveis quanto a hipocrisia e a incredulidade. Na casa do paralítico curado, foi grande a alegria quando ele voltou para a família conduzindo com facilidade o leito sobre o qual fora vagarosamente levado de sua presença pouco tempo antes. Reuniram-se em torno dele com lágrimas de alegria, mal ousando crer no que seus olhos viam.
Ali estava ele, em sua presença, no pleno vigor da saúde física. Os braços que tinham visto sem vida estavam prontos a obedecer imediatamente à sua vontade. A carne contraída e escurecida estava agora rosada e fresca. Caminhava com passo firme e desimpedido. A alegria e a esperança estavam impressas em cada traço de seu rosto, e uma expressão de pureza e paz havia substituído os vestígios do pecado e sofrimento. Daquele lar ascenderam jubilosas ações de graças, E Deus foi glorificado por meio do Filho, que restituíra a esperança ao abatido e força ao aflito.
Esse homem e sua família estavam dispostos a dar a vida por Jesus. Nenhuma dúvida enfraquecia a fé deles, nenhuma incredulidade maculava a lealdade deles por aquele que lhes levara à luz Aularem trevas.
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