026 - Em Cafarnaum (Audiolivro O Desejado de todas as nações)
Neste audiolivro, você será conduzido por uma profunda jornada espiritual pelos principais acontecimentos da vida de Cristo, desde Seu nascimento humilde em Belém, passando por Seus milagres, parábolas e encontros transformadores, até Sua entrega na cruz por amor à humanidade.
Com uma narrativa rica em detalhes bíblicos e reflexões inspiradoras, esta obra revela a beleza do caráter de Jesus, Seu infinito amor por cada ser humano e o plano da redenção preparado por Deus para salvar a humanidade.
Ideal para momentos de devoção, reflexão e crescimento espiritual, O Desejado de Todas as Nações é um convite para conhecer mais profundamente a Cristo, fortalecer a fé e renovar a esperança.
🎙️ Narração: Alberto Júnior
Permita que esta mensagem toque seu coração e aproxime você ainda mais daquele que é o centro da história e da nossa salvação: Jesus Cristo.
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26. Em Cafarnaum. Jesus parava em Cafarnaum entre suas viagens de um lugar para outro, e essa cidade chegou a ser conhecida como sua própria cidade. Ficava na praia do Mar da Galileia e próximo à bela planície de Genesaré, para não dizer na própria planície. A profunda depressão do lago proporciona o agradável clima do sul à planície, está às margens de suas praias. Ali, nos dias de Cristo, floresciam a palmeira e a oliveira. Havia pomares e vinhas, campos verdejantes e belas flores em rica exuberância, tudo regado por córregos que brotavam das rochas.
As praias do lago e as colinas que as circundavam, a uma pequena distância, estavam repletas de cidades e vilarejos. O lago era coberto de barcos de pesca. Por toda parte, percebia-se a agitação da vida diária. Cafarnaum se adaptava bem para servir como centro da obra do Salvador. Estando na estrada de Damasco a Jerusalém e ao Egito e ao Mar Mediterrâneo, era uma grande via de comunicação. Pessoas de muitos lugares passavam pela cidade ou ali paravam para descansar nas idas e vindas de suas viagens.
Nesse lugar, Jesus podia encontrar representantes de todas as nações e de todas as classes sociais, tanto o rico e poderoso quanto o pobre e humilde. Desse modo, suas lições seriam levadas a outros países e a muitos lares. O estudo das profecias seria estimulado, a atenção seria atraída para o Salvador e sua missão apresentada ao mundo. Apesar da atitude do Sinédrio contra Jesus, o povo aguardava ansiosamente o desenrolar de sua missão.
Todo o céu estava cheio de interesse. Anjos preparavam o caminho para seu ministério, tocando o coração das pessoas e atraindo-as ao Salvador. O filho do nobre, a quem Jesus curara, era em Cafarnaum uma testemunha de seu poder, e o oficial da corte e sua família testificavam alegremente de sua fé. Quando se soube que o próprio Mestre estava ali, toda a cidade se agitou. Multidões eram atraídas à sua presença. No sábado, o povo se dirigiu à sinagoga de tal maneira que muitas pessoas tinham que voltar por não conseguirem entrar.
Todos os que ouviam o Salvador se maravilhavam da sua doutrina, porque a sua palavra era com autoridade. Ensinava-os como quem tem autoridade e não como os escribas. Os ensinos dos escribas e anciãos eram frios e formais, como uma lição aprendida mecanicamente. Para eles, a palavra de Deus não possuía poder vital algum. Seus ensinos eram substituídos pelas ideias e tradições deles próprios. Na costumeira rotina do culto, diziam que explicavam a lei, mas nenhuma inspiração de Deus comovia o coração deles ou de seus ouvintes.
Jesus não tinha nada a ver com as várias facções existentes entre os judeus. Sua obra era apresentar a verdade. Suas palavras derramavam uma torrente de luz sobre os ensinos dos patriarcas e profetas, e as Escrituras chegavam às pessoas como nova revelação. Nunca antes seus ouvintes haviam percebido tal profundidade de sentido na palavra de Deus. Jesus abordava o povo onde estava, como alguém que conhecia de perto suas dificuldades.
Tornava bela a verdade, apresentando-a da maneira mais clara e simples. Sua linguagem era pura, refinada e clara como a água corrente de uma fonte. Sua voz era como música aos ouvidos que haviam escutado o monótono falar dos rabinos. Contudo, embora seu ensino fosse simples, falava como alguém que tinha autoridade. Essa característica punha seu ensino em contraste com o de todos os outros. Os líderes religiosos falavam duvidosos e hesitantes, como se as escrituras pudessem ser interpretadas significando uma coisa ou exatamente o contrário.
As dúvidas dos ouvintes aumentavam a cada dia. Mas Jesus ensinava as Escrituras com inegável autoridade. Qualquer que fosse o assunto, era apresentado com poder, como se suas palavras não pudessem ser contestadas. No entanto, era mais fervoroso do que veemente. Falava como alguém que tinha um propósito definido a cumprir. Estava apresentando as realidades do mundo eterno. Em todos os temas, Deus era revelado. Jesus procurava quebrar o encantamento da cega preocupação que mantém as pessoas absorvidas com o que é terreno.
Colocava as coisas desta vida em seu devido lugar, como subordinadas às de interesse eterno, mas não passava por alto a importância das coisas terrestres. Ensinava que o céu e a terra estão ligados e que o conhecimento da divina verdade prepara melhor as pessoas para o cumprimento dos deveres da vida diária. Falava como uma pessoa familiarizada com o céu, consciente de suas relações com Deus, mas reconhecendo sua unidade com cada membro da família humana.
Suas mensagens de misericórdia variavam, a fim de ajustar-se ao seu público. Sabia dizer boa palavra ao cansado, pois nos lábios lhe era derramada a graça, a fim de que transmitisse às pessoas, de maneira mais atrativa, os tesouros da verdade. Possuía tato para se aproximar da mente mais cheia de preconceitos, surpreendendo-a com ilustrações que lhe prendiam a atenção. Por intermédio da imaginação, ele alcançava o coração. Suas ilustrações eram tiradas das coisas da vida diária e, embora simples, traziam admirável profundidade de sentido.
As aves do céu, os lírios do campo, a semente, O pastor e as ovelhas. Com essas coisas, Cristo ilustrava a verdade imortal. Posteriormente, sempre que seus ouvintes viam essas coisas da natureza, recordavam suas palavras. As ilustrações de Jesus reiteravam continuamente suas lições. Cristo nunca bajulava as pessoas. Não dizia o que fosse exaltar suas fantasias e imaginações. Nem as elogiava pelas invenções inteligentes. Mas pensadores profundos, livres de preconceito, recebiam seus ensinos e verificavam que estes punham à prova sua sabedoria.
Maravilhavam-se diante da verdade espiritual expressa na mais simples linguagem. Os mais instruídos ficavam impressionados com suas palavras, e os incultos tiravam sempre benefício delas. Tinha uma mensagem para os iletrados e levava até mesmo os pagãos a compreender que tinha uma mensagem para eles também. Sua terna compaixão vinha com um toque curador ao coração dos cansados e aflitos. Mesmo entre a turbulência de inimigos furiosos, era rodeado por uma atmosfera de paz.
A beleza de seu semblante, a amabilidade de seu caráter, e, sobretudo, o amor expresso no olhar e na voz, atraíam para ele todos os que não estavam endurecidos na incredulidade. Se não fosse pelo espírito suave e compassivo refletido em cada olhar e palavra, ele não teria atraído as grandes multidões que atraiu. Os aflitos que iam até ele sentiam que identificava seu interesse com o deles, como um afetuoso e fiel amigo. Assim desejavam conhecer mais das verdades que ensinava.
O céu ficava mais próximo. Queriam permanecer diante dele para terem sempre consigo o conforto de sua presença. Jesus observava com profundo interesse as mudanças na fisionomia dos ouvintes. Os rostos que expressavam interesse e prazer lhe davam grande satisfação. Quando as flechas da verdade penetravam a mente, rompendo as barreiras do egoísmo e ocasionando a contrição e, por fim, o reconhecimento, o Salvador se alegrava. Quando seus olhos percorriam a multidão dos ouvintes e reconhecia entre eles os rostos que já vira anteriormente, seu semblante se iluminava de alegria.
Via neles candidatos em potencial a súditos de seu reino. Quando a verdade, dita com clareza, atingia algum ídolo acariciado, observava a mudança de fisionomia, o olhar frio de repulsa que mostrava que a luz não era bem-vinda. Quando via pessoas recusarem a mensagem de paz, isso lhe feria profundamente o coração. Certa vez, Jesus estava falando na sinagoga sobre o reino que viera estabelecer e de sua missão de libertar os cativos de Satanás.
Quando foi interrompido por um agudo grito de terror. Um louco saiu correndo dentre o povo exclamando: Ah, que queres conosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos destruir? Sei quem tu és, o Santo de Deus! Naquele momento, tudo era confusão e pavor. A atenção do povo se desviou de Cristo e suas palavras não foram escutadas. Esse era o desígnio de Satanás em levar a vítima à sinagoga. Mas Jesus repreendeu o demônio dizendo: Cala-te e sai deste homem!
O demônio, depois de o ter lançado por terra no meio de todos, saiu dele sem lhe fazer mal. A mente desse pobre sofredor fora dominada por Satanás, mas na presença do Salvador, um raio de luz penetrara as trevas. Foi despertado e almejou a libertação do domínio do maligno. O demônio, porém, resistia ao poder de Cristo. Quando o homem tentou apelar para Jesus em busca de auxílio, o espírito mau pôs as palavras em seus lábios, e ele gritou em angustiante medo.
Em parte, o possesso compreendia que estava na presença de alguém que podia libertá-lo. No entanto, ao tentar chegar ao alcance daquela poderosa mão, outra vontade o segurou. Outras palavras encontraram expressão por meio dele. Terrível era o conflito entre o poder de Satanás e o seu desejo de libertação. Aquele que vencera Satanás no deserto da tentação foi novamente colocado face a face com seu adversário. O demônio exercia todo o poder para manter domínio sobre a vítima.
Perder terreno aqui seria dar a Jesus uma vitória. Parecia que o homem torturado perderia a vida na luta com o inimigo que fora à ruína de seu vigor físico. Entretanto, o Salvador falou com autoridade e libertou o cativo. O homem que estivera possesso estava perante o povo admirado, feliz na liberdade de controlar a si mesmo. O próprio demônio testificara do poder do Salvador. O homem louvou a Deus por seu livramento. Os olhos que até momentos antes flamejavam de loucura passaram a brilhar de lucidez e inundavam-se com lágrimas de gratidão.
O povo estava mudo de espanto. Assim que recobraram a fala, exclamaram uns para os outros: Que é isto? Que nova doutrina é esta, pois com autoridade ordena aos espíritos imundos e eles lhe obedecem? A causa oculta da aflição que havia tornado esse homem em um terrível espetáculo aos amigos e um fardo para si mesmo estava em sua vida. Estivera fascinado pelos prazeres do pecado e quisera fazer da própria vida um grande carnaval.
Não sonhava em se tornar um terror para o mundo e uma vergonha para a família. Achou que poderia gastar o tempo em extravagâncias inocentes. Porém, uma vez no declive, escorregou e caiu rapidamente. A intemperança e a futilidade perverteram seus nobres atributos naturais. E Satanás o dominou completamente. O remorso veio tarde demais. Quando quis renunciar à fortuna e ao prazer para readquirir as forças perdidas, tinha se tornado incapaz nas garras do maligno.
Havia se colocado no campo do inimigo e Satanás tomara posse de todas as suas capacidades. O tentador o seduzira com muitas ilusões encantadoras. No entanto, uma vez que o pobre miserável estava em seu poder, tornara-se incansável em sua crueldade e terrível em suas furiosas investidas. Assim será com todos os que compactuam com o mal. O fascinante prazer do início de sua carreira termina nas trevas do desespero ou na loucura de uma vida arruinada.
O mesmo espírito mau que tentara Cristo no deserto e que controlava o louco de Cafarnaum, dominava os incrédulos judeus. Entretanto, para com eles assumia um ar de devoção, buscando enganá-los quanto aos motivos que tinham para rejeitar o Salvador. A condição deles era mais desesperadora que a do endemoniado, pois não sentiam necessidade de Cristo, sendo assim mantidos seguros sob o poder de Satanás. O período do ministério pessoal de Cristo entre os seres humanos foi o tempo de maior atividade das forças do reino das trevas.
Durante séculos, Satanás e seus anjos haviam procurado controlar o corpo e a mente das pessoas para trazer sobre elas pecados e sofrimentos. Depois, ele acusará a Deus de toda essa miséria. Jesus estava revelando aos seres humanos o caráter de Deus. Estava destruindo o poder de Satanás e libertando seus cativos. Nova vida e amor do céu moviam o coração humano, e o príncipe do mal despertou para brigar pela supremacia de seu reino.
Satanás convocou todos os seus exércitos e, em cada passo, combatia a obra de Cristo. Assim será na grande batalha final do conflito entre a justiça e o pecado. Ao passo que nova vida, luz e poder descem do alto sobre os discípulos de Cristo, um vigor renovado está brotando de baixo e revitalizando os instrumentos de Satanás.
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Aparentemente. Aparece vestido como anjo de luz e multidões estão dando ouvidos a espíritos enganadores e a ensinos de demônios. Nos dias de Cristo, os líderes e mestres de Israel eram impotentes para resistir a Satanás. Negligenciavam o único meio pelo qual podiam se opor aos maus espíritos. Foi pela palavra de Deus que Cristo venceu o maligno. Os líderes judaicos afirmavam ser expositores da palavra de Deus, mas a tinham estudado apenas para apoiar suas tradições e impor suas observâncias de origem humana.
Por suas interpretações, haviam feito com que ela expressasse ideias que Deus nunca tivera em mente. Suas explicações místicas tornavam obscuro aquilo que ele fizera claro. Discutiam sobre questões técnicas insignificantes e negavam as verdades essenciais. Assim, a infidelidade se difundia amplamente, tiravam o poder da palavra de Deus e os espíritos maus atuavam à vontade. A história está se repetindo. Tendo a Bíblia aberta diante de si e professando respeitar seus ensinos, muitos líderes religiosos de nossa época estão destruindo a fé nela como palavra de Deus.
Ocupam-se em esmiuçar a Bíblia e estabelecer as próprias opiniões acima de suas declarações evidentes. Nas mãos deles, a palavra de Deus perde o poder transformador. É por isso que a incredulidade domina e a iniquidade reina. Depois de minar a fé na Bíblia, Satanás encaminha as pessoas a outras fontes em busca de luz e poder. Assim ele se insinua. Os que se desviam dos claros ensinos das Escrituras e do poder convincente do Espírito Santo de Deus estão convidando o domínio dos demônios.
A crítica e as especulações sobre a Bíblia têm aberto o caminho ao Espiritismo e à Teosofia, formas modernas do antigo paganismo, para conseguir se firmar mesmo nas supostas igrejas de Nosso Senhor Jesus Cristo. Lado a lado com a pregação do Evangelho, estão atuando forças que são apenas médiuns de espíritos mentirosos. Muitos se aproximam delas por mera curiosidade, mas, vendo demonstrações de forças sobre-humanas, são fascinados a ir sempre mais adiante, até que ficam dominados por uma vontade mais forte que a sua.
Não conseguem escapar de seu misterioso poder. As defesas da mente são derrubadas. A pessoa fica sem barreira contra o pecado. Uma vez que as restrições da palavra de Deus e de seu espírito são rejeitadas, ninguém sabe a que profundezas de degradação é capaz de emergir. Um pecado secreto ou desejo dominador pode manter cativo o indivíduo e torná-lo tão impotente quanto o endemoniado de Cafarnaum. No entanto, existe esperança para um caso como esse.
O meio pelo qual podemos derrotar o maligno é aquele que Cristo utilizou para vencer: o poder da palavra. Deus não domina nossa mente sem nosso consentimento. Contudo, se desejamos conhecer e fazer sua vontade, pertence-nos a promessa: Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina. Mediante a fé nessas promessas, todos poderão ser libertos das armadilhas do erro e do domínio do pecado.
Todos são livres para escolher que poder os dominará. Ninguém caiu tão fundo nem é tão mau que não possa encontrar libertação em Cristo. Em vez de uma oração, o endemoniado só conseguiu proferir as palavras de Satanás, mas o mudo apelo do coração foi ouvido. Nenhum grito de uma pessoa em necessidade, embora deixe de ser expresso em palavras, ficará desatendido. Os que consentirem em entrar com o Deus do Céu em uma aliança não serão deixados entregues ao poder de Satanás ou às fraquezas da própria natureza.
São convidados pelo Salvador: Que se apoderem da minha força e façam paz comigo. Sim, que façam paz comigo. Os espíritos das trevas combaterão pela pessoa que está sob o domínio deles, mas anjos de Deus lutarão por ela com um poder que prevalecerá. O Senhor declara: Será que se pode tirar o despojo dos guerreiros, ou será que os prisioneiros podem ser resgatados do poder dos violentos? Assim, porém, diz o Senhor: Sim, prisioneiros serão tirados de guerreiros, e despojo será retomado dos violentos.
Brigarei com os que brigam com você e seus filhos. Eu os salvarei. Enquanto todos na sinagoga ainda estavam espantados, Jesus se retirou para a casa de Pedro, a fim de repousar um pouco. Entretanto, ali também descera uma sombra. A sogra de Pedro estava enferma, com muita febre. Jesus repreendeu a enfermidade. E a doente se ergueu e atendeu às necessidades do mestre e dos discípulos. Por toda Cafarnaum, logo se espalharam as notícias da obra de Cristo.
Temendo os rabinos, o povo não ousou ir em busca de cura durante o sábado. Mas assim que o sol se ocultou no horizonte, notou-se uma grande agitação. Dos lares, estabelecimentos e centros de comércio, os habitantes locais saíam para a humilde morada em que Jesus se abrigara. Os enfermos eram levados em leitos, iam se apoiando em cajados ou ajudados por amigos e se arrastavam com dificuldade à presença do Salvador. Durante horas a fio, iam e voltavam, pois ninguém sabia se no dia seguinte o médico ainda estaria entre eles.
Nunca antes Cafarnaum presenciara um dia como aquele. O espaço se enchia de vozes de triunfo e aclamações pela libertação. O Salvador se sentia feliz pela alegria que produzira. Quando presenciou os sofrimentos dos que tinham ido até ele, seu coração se moveu de compaixão, e Jesus se alegrou com o poder de lhes restaurar a saúde e a felicidade. Enquanto o último enfermo não foi curado, Jesus não cessou de trabalhar. Era tarde da noite quando a multidão partiu e o silêncio desceu sobre o lar de Simão.
Passara o longo dia cheio de atividades e Jesus procurou repouso. Mas estando a cidade ainda imersa no sono, o Salvador, tendo se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava. Assim eram os dias da vida terrestre de Jesus. Muitas vezes dizia aos discípulos que visitassem seus próprios lares e repousassem. Mas resistia gentilmente aos esforços deles para o afastarem de suas atividades. Ele trabalhava durante o dia todo, ensinando o inculto, curando o enfermo, dando visão ao cego, alimentando a multidão, e de madrugada ou cedo de manhã saía para o santuário das montanhas em busca de comunhão com seu Pai.
Muitas vezes passava a noite inteira orando, e meditando, voltando ao raiar do dia ao seu trabalho entre o povo. De manhã cedo, Pedro e seus companheiros foram até Jesus dizendo que o povo de Cafarnaum o procurava. Os discípulos tinham ficado amargamente decepcionados com a recepção que Cristo tivera até então. As autoridades de Jerusalém estavam procurando matá-lo. Seus próprios conterrâneos tinham tentado tirar-lhe a vida. Mas em Cafarnaum, ele era recebido com alegre entusiasmo, e as esperanças dos discípulos se reanimaram.
Talvez, entre os galileus que amavam a liberdade, estariam aqueles que apoiariam o novo reino. No entanto, os seguidores de Jesus ficaram surpresos ao ouvir estas palavras: Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de que eu pregue também ali, pois para isso é que eu vim. Na agitação que então dominava Cafarnaum, havia perigo de que se perdesse de vista o objetivo de sua missão. Jesus não ficava satisfeito em chamar a atenção meramente como realizador de atos sobrenaturais ou médico de enfermidades físicas.
Buscava atrair as pessoas a si como Salvador delas. Ao mesmo tempo que o povo queria ansiosamente crer que ele viera como rei, Para estabelecer um reino terrestre, Jesus desejava desviar a mente deles das coisas do mundo para as espirituais. O simples sucesso mundano impediria sua obra, e a admiração da descuidada multidão o desagradava. Em sua vida não cabia qualquer manifestação de egoísmo. A homenagem que o mundo presta à posição, à riqueza ou ao talento era estranha ao Filho do Homem.
Nenhum dos meios empregados pelos seres humanos para conseguir a obediência ou impor respeito era usado por Jesus. Séculos antes de seu nascimento, fora profetizado sobre ele: Não gritará nem clamará, nem erguerá a voz nas ruas; não quebrará o caniço rachado e não apagará o pavio fumegante. Com fidelidade fará justiça, não mostrará fraqueza, nem se deixará ferir até que estabeleça a justiça sobre a terra. Os fariseus procuravam se distinguir mediante seu meticuloso cerimonialismo e a ostentação de seu culto e atos de caridade.
Mostravam zelo pela religião, fazendo dela o tema de discussões. As disputas entre as facções opostas eram acaloradas e longas, e era comum se ouvir na rua vozes de intensas contendas entre instruídos doutores da lei. A vida de Jesus estava em grande contraste com tudo isso. Nela jamais foi presenciado qualquer discussão agressiva, ostentação de culto ou qualquer ato que buscasse aplausos. Cristo estava escondido em Deus, e Deus era revelado no caráter de seu Filho.
Era a essa revelação que Jesus desejava que a mente do povo fosse dirigida. E suas homenagens fossem prestadas. O Sol da Justiça não veio ao mundo em esplendor para ofuscar os sentidos com sua glória. Está escrito a respeito de Cristo: tão certo como nasce o sol, ele aparecerá. Calma e suavemente o dia surge na terra, afastando as trevas e despertando o mundo para a vida. Assim se ergueu o Sol da Justiça, trazendo salvação nas suas asas.