Episódios de Porta Estreita

022 - Prisão e morte de João Batista (Audiolivro O Desejado de todas as nações)

01 de julho de 202633min
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O Desejado de Todas as Nações é uma das obras mais marcantes de Ellen G. White, apresentando de forma envolvente a vida, o ministério, os ensinamentos, o sacrifício e a gloriosa ressurreição de Jesus Cristo.
Neste audiolivro, você será conduzido por uma profunda jornada espiritual pelos principais acontecimentos da vida de Cristo, desde Seu nascimento humilde em Belém, passando por Seus milagres, parábolas e encontros transformadores, até Sua entrega na cruz por amor à humanidade.
Com uma narrativa rica em detalhes bíblicos e reflexões inspiradoras, esta obra revela a beleza do caráter de Jesus, Seu infinito amor por cada ser humano e o plano da redenção preparado por Deus para salvar a humanidade.
Ideal para momentos de devoção, reflexão e crescimento espiritual, O Desejado de Todas as Nações é um convite para conhecer mais profundamente a Cristo, fortalecer a fé e renovar a esperança.
🎙️ Narração: Alberto Júnior
Permita que esta mensagem toque seu coração e aproxime você ainda mais daquele que é o centro da história e da nossa salvação: Jesus Cristo.
Participantes neste episódio1
A

Alberto Júnior

HostPastor
Assuntos4
  • Morte e RessurreiçãoJoão Batista e o anúncio do reino de Cristo · Herodes Antipas · Herodias · Dúvidas e desânimo de João na prisão · Natureza do reino de Cristo · Mensageiros de João para Jesus · Cura dos enfermos por Jesus · O testemunho de Jesus sobre João
  • Morte das irmãs Noémi e AudreyA armadilha de Herodias · A dança de Salomé · O juramento de Herodes · O silêncio dos convidados · A execução de João · Consequências do pecado e da intemperança · Remorso de Herodes · O legado de João Batista
  • Dom João VI· PoliticaComparação com outros profetas · O que constitui a grandeza aos olhos de Deus · Amor e pureza como atributos divinos · O testemunho de João sobre Jesus · João como elo entre dispensações · A vida de João em contraste com a de Cristo
  • Preço da ureiaVida, ministério e sacrifício de Jesus Cristo · Plano da redenção · Crescimento espiritual e fé
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?Voz B

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?Voz C

22. Prisão e morte de João Batista.

?Voz D

João Batista foi o primeiro a anunciar o reino de Cristo e foi também o primeiro a sofrer. As paredes de uma cela na prisão o separavam da liberdade do deserto e das vastas multidões ansiosas por suas palavras.

?Voz C

Estava preso na fortaleza de Herodes Antipas.

?Voz D

Grande parte do ministério de João Batista ocorrera no território leste do Jordão, o qual estava sob o domínio de Antipas. O próprio Herodes escutara as pregações de João. O devasso rei tremera diante do chamado ao arrependimento.

?Voz C

Herodes temia João, sabendo que ele era um homem justo e santo, e quando o ouvia, ficava perplexo. Mesmo assim, gostava de ouvi-lo.

?Voz D

João agiu de forma estrita para com ele, acusando-o por sua pecaminosa união com Herodias, mulher de seu irmão.

?Voz C

Por algum tempo, Herodes procurou sem sucesso quebrar a corrente de imoralidade que o aprisionava, mas Herodias o prendeu mais firmemente em suas redes e se vingou de João, induzindo Herodes a lançá-lo na prisão.

?Voz D

A vida de João Batista fora de intenso trabalho. E as sombras e a inatividade da prisão pesavam muito sobre ele. Ao passar semana após semana sem que houvesse nenhuma mudança em sua situação, o desânimo e a dúvida foram, aos poucos, se apoderando dele. Seus discípulos não o abandonaram. Era permitido que entrassem na prisão, e levaram-lhe notícias das obras de Jesus e de como o povo estava se reunindo em torno dele.

?Voz C

Mas se esse novo mestre era o Messias, por que não fazia alguma coisa para libertar João?

?Voz D

Como ele poderia permitir que seu fiel precursor fosse privado da liberdade e talvez da vida? Esses eram os questionamentos deles. Essas perguntas não deixaram de produzir efeito.

?Voz C

Dúvidas que de outra forma nunca surgiriam foram então sugeridas a João Batista.

?Voz D

Satanás se alegrou em ouvir as palavras desses discípulos e ver como elas quebrantaram o coração do mensageiro do Senhor. Quantas vezes os que se julgam amigos de uma pessoa boa e anseiam mostrar sua fidelidade para com ela demonstram ser os mais perigosos inimigos! Quantas vezes, em vez de fortalecer a fé, suas palavras deprimem e desanimam!

?Voz C

Como os discípulos do Salvador, João Batista não compreendia a natureza do reino de Cristo.

?Voz D

Esperava que Jesus tomasse o trono de Davi, e com o passar do tempo, sem que o Salvador reivindicasse qualquer autoridade real, João ficou perplexo e perturbado. Declarara ao povo que, para que o caminho fosse preparado diante do Senhor, a profecia de Isaías devia ser cumprida: os montes e morros deviam se tornar planícies, os caminhos tortuosos deviam ser endireitados e os terrenos acidentados aplanados. Esperava que as elevações do orgulho e do poder humanos fossem derrubadas.

Havia apresentado o Messias como aquele cuja pá estava em sua mão e que limparia completamente sua ira, ajuntando o trigo no celeiro e queimando a palha com fogo que não se apagaria. Como o profeta Elias, em cujo espírito e poder ele próprio viera a Israel, João esperava que o Senhor se revelasse como um Deus que responde com fogo.

?Voz C

Em sua missão, João Batista havia sido um destemido reprovador da iniquidade, tanto nos lugares importantes quanto nos humildes.

?Voz D

Ousara enfrentar o rei Herodes com a repreensão do pecado. Não considerava preciosa sua vida, contanto que cumprisse a missão que lhe fora designada. E de sua prisão aguardava que o leão da tribo de Judá abatesse o orgulho do opressor e libertasse o pobre e o que clamava.

?Voz C

Jesus, porém, parecia se contentar em reunir discípulos em volta de si, curar e ensinar o povo. Comia à mesa dos cobradores de impostos enquanto dia a dia o jugo romano sobre Israel se tornava mais pesado.

?Voz D

O rei Herodes e a imoral amante faziam sua vontade, e o clamor do pobre sofredor subia ao céu. Ao profeta do deserto, tudo isso parecia um mistério além de sua compreensão. Havia horas em que os sussurros dos demônios torturavam sua mente, e a sombra de um terrível temor se apoderava dele. Poderia ser que o libertador esperado por tanto tempo ainda não tivesse aparecido? Então, o que significaria a mensagem que ele próprio fora levado a anunciar?

João se sentira profundamente decepcionado com o resultado de sua missão. Esperara que a mensagem de Deus tivesse o mesmo efeito que havia produzido a leitura da lei nos dias de Josias e de Esdras, que ocorreria uma profunda obra de arrependimento e conversão ao Senhor.

?Voz C

Toda sua existência fora sacrificada ao êxito dessa obra. Isso teria sido em vão?

?Voz D

João se sentiu perturbado por ver que, pelo amor que tinham por ele, seus discípulos estavam nutrindo incredulidade a respeito de Jesus. Será que seu trabalho em favor deles teria sido infrutífero? Teria sido infiel em sua missão para ser excluído do trabalho? Se o Libertador tinha aparecido e João se mostrara fiel à sua vocação, Jesus não derrubaria o poder do opressor e libertaria seu mensageiro?

?Voz C

Entretanto, João Batista não abandonou sua fé em Cristo.

?Voz D

A lembrança da voz do céu e da pomba que descera, da pureza de Jesus, do poder do Espírito Santo que sobre ele próprio viera, ao estar na presença do Salvador, e do testemunho das escrituras proféticas, tudo mostrava que Jesus de Nazaré era o Prometido.

?Voz C

João não queria discutir suas dúvidas e ansiedades com os amigos. Decidiu enviar mensageiros para questionar Jesus.

?Voz D

Ele confiou essa missão a dois de seus discípulos, esperando que uma conversa com o Salvador confirmaria a fé deles e traria certeza aos seus irmãos.

?Voz C

João ansiava uma palavra de Cristo dita diretamente a ele.

?Voz D

Os discípulos foram até Jesus levando a mensagem: "És tu aquele que estava para vir, ou havemos de esperar outro?" Passara-se pouco tempo desde que João Batista apontara para Jesus e proclamara: "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo." Este é aquele que vem após mim, que foi antes de mim. Entretanto, perguntou: "És tu aquele que estava para vir?" Isso era profundamente cruel e decepcionante para a natureza humana.

?Voz C

Se João, o fiel precursor, não compreendia a missão de Cristo, o que se poderia esperar da multidão interesseira?

?Voz D

O Salvador não respondeu imediatamente à pergunta dos discípulos. Enquanto eles ficavam por ali admirados de seu silêncio, os enfermos e aflitos iam até ele para ser curados.

?Voz C

Os cegos iam tateando, abrindo caminho entre a multidão, doentes de todas as classes, alguns buscando conseguir por si mesmos passar, outros conduzidos pelos amigos comprimiam-se, todos ansiosos para chegar à presença de Jesus.

?Voz D

A voz do poderoso médico penetrava o ouvido surdo. Uma palavra, um toque de sua mão abria os olhos cegos para verem a luz do dia, as cenas da natureza, o rosto dos amigos e a face do libertador.

?Voz C

Jesus repreendia a doença e expulsava a febre. Sua voz chegava aos ouvidos daqueles que estavam morrendo e se erguiam com saúde e força. Possessos paralisados obedeciam a sua voz. A insanidade deles desaparecia e o adoravam. Ao mesmo tempo que Cristo curava doenças, ensinava o povo.

?Voz D

Os pobres camponeses e trabalhadores, evitados pelos rabinos como imundos, rodeavam-no de perto, e ele dizia as palavras de vida eterna.

?Voz C

Assim se passou o dia, com os discípulos de João vendo e ouvindo tudo. Por fim, Jesus os chamou e lhes pediu que fossem e dissessem a João o que haviam testemunhado, acrescentando: Bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço.

?Voz D

A prova de sua divindade era vista em sua adaptação às necessidades da humanidade sofredora.

?Voz C

Sua glória se revelava na complacência que tinha para com nossa baixa condição. Os discípulos levaram a mensagem e foi o suficiente. João recordou a predição sobre o Messias: O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados, a pregoar o ano aceitável do Senhor.

?Voz D

As obras de Cristo não somente demonstravam que ele era o Messias, mas mostravam também a maneira pela qual seu reino seria estabelecido. A mesma verdade desvendada a Elias no deserto foi revelada a João.

?Voz C

Um grande e forte vento fendia os montes e despedaçava as penhas diante do Senhor.

?Voz D

Porém, o Senhor não estava no vento.

?Voz C

Depois do vento um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto. Depois do terremoto, um fogo, mas o Senhor não estava no fogo.

?Voz D

E depois do fogo, o Senhor falou ao profeta por um sísseo tranquilo e suave.

?Voz C

Da mesma forma, Jesus devia fazer sua obra não com o impacto das armas, nem destruindo tronos e reinos, mas falando ao coração das pessoas por meio de uma vida de misericórdia e sacrifício. O princípio que regia a vida de João Batista, a abnegação, era o princípio do reino do Messias. João sabia como tudo isso era estranho aos princípios e esperanças dos líderes de Israel.

?Voz D

Aquilo que para ele era um convincente testemunho da divindade de Cristo não seria prova alguma para eles. Estavam aguardando um Messias que não fora prometido.

?Voz C

João viu que a missão do Salvador só podia receber deles ódio e condenação.

?Voz D

Ele, o precursor, estava apenas bebendo do cálice que o próprio Cristo tomaria até a última gota.

?Voz C

As palavras do Salvador: "Bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço" eram uma suave repreensão a João.

?Voz D

Que não foram em vão para ele. Compreendendo mais claramente a missão de Cristo, entregou-se a Deus para a vida e para a morte, segundo melhor conviesse aos interesses da causa que amava.

?Voz C

Depois da partida dos mensageiros, Jesus falou ao povo a respeito de João. O coração do Salvador se abriu em compaixão pela fiel testemunha que estava na prisão de Herodes.

?Voz D

Não deixaria que o povo concluísse que Deus havia abandonado João ou que sua fé se desfizera no dia da provação.

?Voz C

Que saístes a ver no deserto? Ele disse: um caniço agitado pelo vento.

?Voz D

Os juncos compridos que cresciam ao lado do Jordão, agitando-se a cada brisa, eram representações apropriadas dos rabinos que haviam se tornado críticos e juízes da missão de João. Eles oscilavam de um lado para outro, conforme os ventos da opinião popular.

?Voz C

Não queriam se humilhar para receber a penetrante mensagem do João, mas por medo do povo não tinham ousado se opor abertamente à sua obra. O mensageiro de Deus, porém, não era covarde. As multidões reunidas em torno de Cristo tinham testemunhado a obra de João. Haviam escutado sua destemida repreensão do pecado.

?Voz D

A todos João falara com igual franqueza: aos fariseus cheios de justiça própria, aos sacerdotes saduceus, ao rei Herodes e sua corte, príncipes e soldados, publicanos e camponeses. Não era um caniço trêmulo, agitado pelos ventos do elogio ou preconceitos humanos.

?Voz C

Na prisão foi, em sua lealdade para com o Senhor e seu zelo pela justiça, o mesmo que pregou a mensagem de Deus no deserto. Em sua fidelidade aos princípios, era firme como a rocha. Jesus continuou: Sim, que saístes a ver? Um homem vestido de roupas finas? Ora, os que vestem roupas finas assistem nos palácios reais.

?Voz D

João fora chamado a reprovar os pecados e excessos de seu tempo, e seu vestuário simples e vida abnegada estavam em harmonia com seu caráter e missão.

?Voz C

As roupas suntuosas e os luxos da vida não constituem a recompensa dos servos de Deus, mas dos que residem nos palácios reais, os dominadores deste mundo, aos quais pertencem seu poder e riquezas.

?Voz D

Jesus desejava chamar a atenção para o contraste entre o vestuário de João e o que era usado pelos sacerdotes e autoridades.

?Voz C

Esses oficiais se enfeitavam com vestimentas luxuosas e caros ornamentos.

?Voz D

Amavam a exibição e esperavam deslumbrar o povo, impondo assim mais consideração. Estavam mais ansiosos para conquistar a admiração das pessoas do que para obter a pureza de coração, que tem a aprovação de Deus. Mostravam que sua lealdade não era a Deus, mas ao reino deste mundo.

?Voz C

Para que saístes?

?Voz D

Para ver um profeta?

?Voz C

Sim, eu vos digo, e muito mais que profeta. Este é de quem está escrito: Eis aí, eu envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho diante de ti.

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?Voz D

Em verdade vos digo, entre os nascidos de mulher ninguém apareceu maior do que João Batista.

?Voz C

No anúncio feito a Zacarias antes do nascimento de João, o anjo declarara: Ele será grande diante do Senhor.

?Voz D

De acordo com a maneira de avaliar do céu o que constitui a grandeza, não é aquilo que o mundo considera que seja.

?Voz C

Não é riqueza, posição, nobreza de linhagem, nem dons intelectuais por si só.

?Voz D

Se a grandeza intelectual, à parte de qualquer consideração mais elevada, é digna de honra, então Satanás merece nossa homenagem, porque ninguém já igualou suas capacidades intelectuais.

?Voz C

Entretanto, quando pervertido para o serviço ao próprio eu, quanto maior o dom, maior maldição se torna.

?Voz D

O que Deus estima é o valor moral. Amor e pureza são os atributos que ele mais aprecia. João foi grande aos olhos do Senhor quando, na presença dos emissários do Sinédrio, diante do povo e perante seus discípulos, não buscou honra para si, mas encaminhou todos para Jesus como o Prometido. Sua alegria desinteressada no ministério de Cristo apresenta o mais elevado tipo de nobreza já revelado em uma pessoa.

?Voz C

O testemunho dado a seu respeito depois de morto pelos que o ouviram testificar de Jesus foi: Embora João nunca tenha realizado um sinal miraculoso, tudo o que ele disse a respeito deste homem era verdade.

?Voz D

Não foi concedido a João Batista fazer descer fogo do céu ou ressuscitar algum morto, como fizera Elias, ou empunhar o poderoso cajado de Moisés em nome de Deus. Foi enviado para anunciar o advento do Salvador e chamar o povo a se preparar para sua vinda.

?Voz C

Ele cumpriu tão fielmente sua missão que, quando o povo se lembrava do que lhes ensinara a respeito de Jesus, podiam dizer: "Tudo o que João disse a respeito deste homem era verdade." Todo discípulo de Cristo é chamado a dar um testemunho assim de seu mestre. Como precursor do Messias, João era muito mais que profeta, pois enquanto os profetas haviam visto de longe o advento de Cristo, João pôde contemplá-lo, ouvir do céu o testemunho de que ele era o Messias e apresentá-lo a Israel como enviado de Deus. No entanto, Jesus disse: O menor no reino dos céus é maior do que ele.

?Voz D

O profeta João foi o elo entre as duas dispensações. Como representante de Deus, apresentou-se para mostrar a relação da lei e dos profetas com a dispensação cristã. Era a luz menor que seria seguida por outra maior. A mente de João era iluminada pelo Espírito Santo para que projetasse luz sobre seu povo. Mas nenhuma outra luz já brilhou, nem jamais brilhará tão claramente sobre os seres humanos decaídos como a que irradiou dos ensinamentos e do exemplo de Jesus.

Cristo e sua missão, segundo eram tipificados nos sacrifícios simbólicos, foram compreendidos apenas muito vagamente.

?Voz C

O próprio João não entendera plenamente a vida futura e imortal mediante o Salvador.

?Voz D

Exceto a alegria que João encontrara em sua missão, sua existência foi de dores. Raras vezes sua voz fora ouvida, a não ser no deserto. O isolamento foi a recompensa que lhe coube, e não lhe foi permitido ver os frutos de seu trabalho. Não teve o privilégio de estar com Cristo e testemunhar a manifestação do poder divino que acompanhava a luz maior. Não lhe foi concedido ver o cego com a visão restaurada, o enfermo curado e o morto ressuscitado.

Não contemplou a luz que saía de cada palavra de Cristo, derramando glória sobre as promessas da profecia. O menor discípulo que viu as poderosas obras de Cristo e ouviu suas palavras foi, nesse sentido, mais privilegiado que João Batista. Por isso é dito que foi maior do que ele. Por meio das grandes multidões que haviam escutado as pregações de João, sua fama se espalhara pelo país. Profundo era o interesse manifestado quanto ao resultado de sua prisão.

No entanto, sua vida irrepreensível e a forte opinião pública em seu favor levavam a crer que nenhuma medida violenta seria tomada contra ele.

?Voz C

Herodes acreditava que João era profeta de Deus e tinha toda a intenção de libertá-lo.

?Voz D

Contudo, adiava seu plano por medo de Herodias.

?Voz C

Herodias sabia que por meios diretos nunca poderia obter o consentimento de Herodes para a morte de João e resolveu realizar seu intento por meio de uma armadilha. No dia do aniversário do rei, seria oferecida uma festa aos funcionários do governo e aos nobres da corte. Haveria banquete e bebedeira.

?Voz D

Herodes ficaria vulnerável, podendo ser então influenciado segundo a vontade dela.

?Voz C

Ao chegar o grande dia, o rei estava se banqueteando e bebendo com seus convidados. Herodias mandou sua filha à sala do banquete para dançar, a fim de entreter os convidados. Salomé era jovem e sua beleza cativou os sentidos dos nobres envolvidos na farra. Não era costume que as mulheres da corte aparecessem nessas festividades, e foi prestada a Herodes uma lisonjeira homenagem quando essa filha de sacerdotes e autoridades de Israel dançou para entretenimento de seus convidados.

O rei estava entorpecido pelo vinho. A razão foi deixada de lado e a emoção assumiu o comando. Enxergava apenas o ambiente devasso, os hóspedes farristas, A mesa do banquete, o vinho cintilante, o brilho das luzes e a jovem que dançava diante dele. No impulso do momento, desejou fazer uma exibição que o exaltasse diante dos homens importantes do reino. Com juramento, prometeu dar à filha de Herodias qualquer coisa que ela pedisse, até mesmo a metade do reino.

?Voz D

Salomé correu para a mãe a fim de saber o que devia pedir.

?Voz C

A resposta estava pronta: a cabeça de João Batista.

?Voz D

Salomé desconhecia a sede de vingança que havia no coração da mãe e recuou diante da ideia de apresentar esse pedido. No entanto, a decisão de Herodias prevaleceu. A moça voltou com a terrível petição: "Dá-me aqui num prato a cabeça de João Batista." Herodes ficou atônito e confuso.

?Voz C

Cessou a festa barulhenta e um sinistro silêncio desceu sobre a cena de orgia.

?Voz D

O rei ficou tomado de horror ante a ideia de tirar a vida de João. No entanto, sua palavra estava dada e não queria parecer inconstante ou precipitado. O juramento havia sido feito em honra aos convidados, e se algum deles tivesse dito uma palavra contra o cumprimento da promessa, O profeta teria sido poupado. Herodes lhes deu oportunidade de falar em favor do preso. Eles haviam caminhado longas distâncias para ouvir a pregação de João e sabiam que ele era inocente e servo de Deus.

Contudo, embora chocados com o pedido da jovem, estavam fora de controle para fazer qualquer objeção. Ninguém se manifestou para salvar a vida do mensageiro do céu. Esses homens ocupavam altas posições entre a nação e tinham sérias responsabilidades. Haviam se entregado a comer e beber até que os sentidos ficaram embotados.

?Voz C

O cérebro deles ficara transtornado com a estonteante cena de música e dança, e a consciência estava entorpecida.

?Voz D

Com seu silêncio, Proferiram a sentença de morte contra o profeta de Deus para satisfazer o desejo de vingança de uma mulher depravada. Herodes esperou em vão para ser liberado do juramento.

?Voz C

Então, relutantemente, ordenou a execução do profeta.

?Voz D

Logo, a cabeça de João Batista foi levada perante o rei e os hóspedes. Aqueles lábios que fielmente advertiram Herodes para se desviar da vida de pecado estavam fechados para sempre.

?Voz C

Nunca mais se ouviria aquela voz chamando as pessoas ao arrependimento.

?Voz D

A orgia de uma noite havia custado a vida de um dos maiores profetas.

?Voz C

Quantas vezes a vida de um inocente é sacrificada por causa de intemperança dos que deviam ser os guardiães da justiça.

?Voz D

Aquele que leva aos lábios a taça intoxicante se torna responsável por toda injustiça que possa cometer sob sua embrutecedora influência. Entorpecendo os sentidos, torna a si mesmo impossível julgar com serenidade ou ter clara percepção do que é certo e do que é errado. Abre o caminho para Satanás agir por meio dele, oprimindo e destruindo o inocente.

?Voz C

O vinho é escarnecedor e a bebida forte alvoroçadora. Todo aquele que por eles é vencido não é sábio.

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?Voz B

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?Voz D

É por isso que a justiça retrocede e quem evita o mal é vítima. Aqueles que têm responsabilidade sobre a vida de seus semelhantes deveriam ser considerados culpados de um crime quando se entregam à intemperança. Todos quantos executam as leis devem ser observadores delas. Precisam ter domínio próprio, precisam ter completo controle sobre suas habilidades físicas, mentais e morais para que possuam vigor intelectual e elevado senso de justiça.

?Voz C

A cabeça de João Batista foi levada a Herodias, que a recebeu com perversa satisfação. Exultou em sua vingança, com a expectativa de que a consciência de Herodes não mais seria perturbada.

?Voz D

Não recebeu, porém, nenhum benefício por seu pecado. Seu nome foi difamado e odiado, ao passo que Herodes foi mais atormentado pelo remorso do que havia sido pelas advertências do profeta.

?Voz C

A influência dos ensinos de João não silenciou. Ela se estenderia a cada geração até o fim dos tempos.

?Voz D

Herodes sempre se lembrava de seu pecado, buscava constantemente alívio às acusações da consciência culpada.

?Voz C

Sua confiança em João era inabalável. Ao recordar sua vida de abnegação, seus solenes e fervorosos apelos e seus julgamentos corretos, e lembrar de como morrera, Herodes não conseguia encontrar sossego. Empinhado nos negócios do governo, recebendo honras dos homens, mostrava-se sorridente e com aspecto de dignidade, mas escondia sua ansiedade, sempre oprimido pelo temor de que pesava sobre ele uma maldição. Herodes ficara profundamente impressionado pelas palavras de João de que não se pode esconder algo de Deus.

Estava convencido de que ele estava presente em todo lugar, que havia testemunhado a devassidão na sala do banquete, ouvir a ordem de degolar João, vir a Herodias exultante e os insultos dirigidos à decapitada cabeça daquele que o repreendia.

?Voz D

E muitas coisas que Herodes tinha ouvido dos lábios do profeta falavam naquele momento à sua consciência mais claramente do que a pregação no deserto. Quando Herodes ouviu falar das obras de Cristo, ficou imensamente perturbado. Pensou que Deus ressuscitara João e o enviara com ainda mais poder para condenar o pecado.

?Voz C

Vivia em constante temor de que o Batista vingasse sua morte, condenando tanto ele quanto sua casa.

?Voz D

Herodes estava colhendo aquilo que Deus declarara ser o resultado do pecado.

?Voz C

Coração tremente, olhos mortiços e desmaio de alma.

?Voz D

A tua vida estará suspensa como por um fio diante de ti. Terás pavor de noite e de dia e não crerás na tua vida. Pela manhã dirás: Ah, quem me dera ver a noite!

?Voz C

E à noitinha dirás: Ah, quem me dera ver a manhã!

?Voz D

Isso pelo pavor que sentirás no coração e pelo o espetáculo que terás diante dos olhos.

?Voz C

Os próprios pensamentos do pecador são seus acusadores, e não existe tortura maior do que os aguilhões da consciência culpada, que não lhe dá repouso nem de dia nem de noite.

?Voz D

Para muitos, um profundo mistério envolve o destino de João Batista. Questionam por que teria sido deixado a definhar e perecer na prisão. O mistério dessa obscura Providência Divina não pode ser desvendado por nossa visão humana, mas se nos lembrarmos de que João foi apenas um participante dos sofrimentos de Cristo, esse fato não poderá nunca abalar nossa confiança em Deus.

?Voz C

Todos quantos O seguem usarão a coroa do sacrifício.

?Voz D

Sem dúvida serão mal compreendidos pelos egoístas e se tornarão alvo dos ferozes ataques de Satanás.

?Voz C

Esse princípio de abnegação é o que seu reino se propôs a destruir e lutará contra ele onde quer que se manifeste. A infância, juventude e idade adulta de João se caracterizaram pela firmeza e força moral. Quando sua voz se fizera ouvir no deserto, dizendo: Preparei o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas, Satanás temeu pela segurança de seu reino.

?Voz D

A culpa do pecado era revelada de tal maneira que as pessoas tremiam. O poder de Satanás sobre muitos que haviam estado sob seu controle foi destruído.

?Voz C

Ele fora incansável em procurar afastar João Batista de uma vida de incondicional submissão a Deus, mas fracassara.

?Voz D

E fracassara também quanto a Jesus. Na tentação do deserto, Satanás fora derrotado, e seu furor havia sido grande. Decidira então causar dor a Cristo, ferindo João. Causaria sofrimento àquele a quem não conseguia levar a pecar. Jesus não interveio para livrar seu servo. Sabia que João conseguiria suportar a prova. De boa vontade, o Salvador teria ido até João para, com sua presença, iluminar as sombras do cárcere. Mas não devia se colocar nas mãos dos inimigos e pôr em risco a própria missão.

Com prazer teria libertado seu servo fiel. Entretanto, por amor a milhares que em anos posteriores passariam da prisão para a morte, João devia beber o cálice do martírio. Quando os seguidores de Jesus estivessem em solitárias celas, ou morrendo pela espada e pela tortura, ou na fogueira, aparentemente abandonados por Deus e pelas pessoas, que consolo lhes seria ao coração o pensamento de que João Batista, de cuja fidelidade o próprio Cristo dera testemunho, passara pela mesma experiência?

Foi permitido a Satanás abreviar a vida terrestre do mensageiro de Deus, mas o destruidor não podia atingir aquela vida que está oculta juntamente com Cristo em Deus.

?Voz C

O inimigo se alegrou por levar aflição a Jesus, mas fracassara em vencer a João.

?Voz D

A morte em si mesma apenas o colocara para sempre além do poder da tentação. Nessa batalha, Satanás estava revelando o próprio caráter.

?Voz C

Na presença observadora do universo, manifestou sua inimizade para com Deus, entre Deus e o ser humano.

?Voz D

Embora nenhum miraculoso livramento fosse proporcionado a João, ele não fora abandonado. Tivera sempre a companhia dos anjos celestiais, que lhe abriram as profecias sobre Cristo e as preciosas promessas das Escrituras. Elas foram seu amparo, como seriam para o povo de Deus nos séculos futuros.

?Voz C

João Batista, assim como os que vieram depois dele, recebeu esta segurança: 'Eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século.' Deus nunca dirige seus filhos de maneira diferente daquela pela qual eles mesmos prefeririam ser guiados, se pudessem ver o fim desde o início e perceber a glória do plano que estão realizando como seus colaboradores. Nem Enoque, que foi trasladado ao céu, nem Elias, que subiu em uma carruagem de fogo, foi maior ou mais honrado do que João Batista, que morreu sozinho na prisão.

?Voz D

A nós foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele.

?Voz C

E de todos os dons que o céu pode conceder aos homens, a participação com Cristo em seus sofrimentos é o mais importante encargo e a mais elevada honra.

AJAlberto Júnior

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?Voz B

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