Sobre a imitação de Cristo
Episódio do dia 05/05/2026 com o tema: Sobre a imitação de Cristo
Apresentação e produção: Israel Mazzacorati
No episódio anterior falamos que Jesus não é um modelo moral a ser imitado. Uma afirmação que certamente causa estranheza aos nossos ouvidos. Com essa afirmação não estamos dizendo que Jesus não é um bom modelo moral, ou um modelo moral desejável de ser imitado. Evidente que é. Estou dizendo apenas que Jesus não é um modelo moral a ser imitado porque simplesmente não é possível imitá-lo. Mas e como fazemos com os imperativos bíblicos para imitarmos a Cristo?
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Israel Mazzacorati
- Imitação de CristoJesus como modelo moral · Impossibilidade de imitar Jesus · A lei de Moisés vs. a lei do Espírito · O papel do Espírito Santo na vida cristã · Ser cristão é ter o Espírito de Cristo
- A Lei do Pecado e da MorteCondição humana sob o pecado · A escravidão do pecado · A lei do Espírito de Vida
- William Temple sobre imitação de CristoAnalogia com Shakespeare · O Espírito Santo como poder interior
Deus na Vida, com Israel Mazagorat. Olá, eu sou o Israel. Sente-se, pegue o seu café e vamos conversar sobre Deus e sobre a vida, sobre a fé e sobre as nossas dúvidas.
Seja muito bem-vindo a mais este episódio do Deus na Vida e eu quero agradecer você pelo prazer da sua companhia. Neste episódio, nós vamos retomar uma afirmação que fizemos no episódio anterior, quando dissemos que Jesus não é um modelo moral a ser imitado. Eu quero primeiro reforçar o que eu já havia dito no episódio anterior.
Com essa afirmação, não estamos dizendo jamais que Jesus não é um bom modelo moral ou que ele não é um modelo moral desejável de ser imitado. Evidente que ele é. Razão pela qual o grande objetivo da fé cristã é que sejamos conformes à imagem de Jesus Cristo, o Filho de Deus, como Paulo escreveu em Romanos capítulo 8.
A minha afirmação propositalmente soa estranha, para que ressaltemos um único ponto fundamental. Jesus não é um modelo moral a ser imitado, porque seres humanos não possuem poder para imitá-lo.
Aqueles que pensam que podem traçar um perfil comportamental de Jesus, baseando-se nos textos dos Evangelhos e das cartas do Novo Testamento, criar com isso uma lista de qualidades ou virtudes de Jesus e fazer disso uma cartilha orientadora da moral, cairão em dois erros. O primeiro será o de fazer da vida de Jesus uma nova lei.
Se Deus estivesse nos dando um novo código moral por meio da vida de Jesus para que o obedecêssemos, ele teria nos deixado na lei mosaica. Volto a dizer que, ao afirmar isso, não estamos dizendo que Jesus não viveu uma vida perfeita e moralmente exemplar. É óbvio que ele viveu, mas o caminho para a sua imitação jamais será o caminho de quem tenta viver como ele viveu sem ser um com ele. É óbvio que ele viveu.
O segundo erro é desconsiderar o que significa ser salvo em Cristo. Ser uma pessoa cristã é ter o Espírito de Cristo. A vida de Jesus convertida em uma cartilha moral não faz sentido, biblicamente falando, porque para viver como Cristo viveu, Cristo precisa viver em nós. E esse é o ponto. Vamos ler Romanos 8, 9? Paulo escreveu assim.
Entretanto, vocês não estão sob o domínio da carne, mas do Espírito, se de fato o Espírito de Deus habita em vocês. E se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo.
Este versículo é o que temos de mais preciso em todo o Novo Testamento sobre o que significa ser cristão. Ser cristão é pertencer a Cristo e pertencer a Cristo é ter o Espírito de Cristo. Vamos conversar um pouco mais sobre isso?
Deus na Vida, com Israel Mazagorat. Afirmamos que os seres humanos, por causa de sua condição humana, não possuem poder para imitar a Jesus. Significa que quando o assunto é imitação de Cristo, nos encontramos diante de uma barreira, devido a nossa condição humana que carrega ainda uma natureza carnal. Isso é, uma natureza forjada no pecado.
O texto de Romanos 8, 9 que lemos antes do nosso intervalo fala de dois modos de existência. O primeiro é a vida sob o domínio da carne. O segundo é a vida sob o domínio do Espírito. Esses dois modos de existência correspondem ao que o apóstolo Paulo escreveu no início do capítulo 8, lá no versículo 2, ao apresentar a lei do pecado e da morte e a lei do Espírito de vida.
Viver sob o domínio da carne é equivalente a viver escravizado pela lei do pecado e da morte. Essa vida de escravidão do pecado e da morte é a condição humana de quem ainda não foi salvo em Cristo Jesus. E mesmo aqueles que já foram salvos em Cristo Jesus ainda precisam lutar contra os resquícios desta longa exposição de uma vida às leis do pecado e da morte.
É aqui que se encontra então a barreira para imitarmos a Cristo. Não se imita a Cristo enquanto se está sob o domínio do pecado e da morte. A lei que rege a vida, como a lei da gravidade, não pode ser alterada por nós. É preciso que vigore uma outra lei para que seja possível viver na imitação de Cristo Jesus.
Essa outra lei que revoga a lei do pecado e da morte e nos liberta do domínio da carne é a lei do espírito de vida. Essa lei não é exterior a nós, não pode jamais ser confundida com um código de conduta.
um código moral, mesmo que esse código moral tenha sido extraído das perfeitas virtudes de Jesus Cristo. Essa lei é interior, a reger o coração e, por extensão, toda a vida.
Por que Deus enviou o seu filho como sacrifício para que o pecado e a morte fossem condenados? Paulo responde isso em Romanos 8, 3 e 4. Porque aquilo que a lei fora incapaz de fazer por estar enfraquecida pela carne, Deus o fez, enviando seu próprio filho à semelhança do homem pecador como oferta pelo pecado.
E assim condenou o pecado na carne, a fim de que as justas exigências da lei fossem plenamente satisfeitas em nós, que não vivemos segundo a carne, mas...
Segundo o Espírito. Agora nós podemos recordar a explicação altamente criativa de William Temple sobre isso. Ele disse assim, abre aspas, Não adianta me darem uma peça como Hamlet ou Rei Lear e me mandarem escrever algo semelhante. Shakespeare era capaz, eu não. Também não adianta me mostrarem uma vida como a de Jesus e me mandarem viver de igual modo.
Jesus era capaz, eu não. Porém, se o gênio de Shakespeare pudesse entrar e viver em mim, então eu seria capaz de escrever peças como as dele. E se o Espírito Santo puder entrar e habitar em mim, então eu serei capaz de viver uma vida como a de Jesus. Fecha aspas.
Quem nos dá o poder para viver na imitação de Jesus Cristo é o Espírito Santo de Deus que foi derramado nos corações daqueles que creram em Jesus. Para imitar a Cristo é preciso que, antes de tudo, estejamos em conformidade com Cristo, identificados com Cristo, da maneira como Paulo escreveu em Gálatas 2.20, Já não sou eu quem vive.
mas Cristo vive em mim. E isso não é uma figura de linguagem para Paulo, é literal. É verdade que esse é um grande mistério da fé cristã, que escapa as capacidades humanas de investigar e comprovar objetivamente que o Espírito de Cristo vive em seus discípulos. Mas é por isso mesmo que se trata de uma vida que se vive pela fé.
Como também disse Paulo na sequência do texto de Gálatas 2.20, a vida que eu agora vivo, vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim. Então, se Jesus não é um modelo moral a ser imitado, porque não temos poder para imitá-lo, como ficam os imperativos bíblicos para sermos imitadores de Cristo? Simples.
Todos esses imperativos repousam sobre a verdade bíblica do Espírito de Cristo vivendo em nós. É para pessoas que receberam o Espírito de Cristo que tais imperativos são possíveis de serem cumpridos e que devem sim ser obedecidos. Ser habitado pelo Espírito é o pressuposto da imitação de Cristo. Caso contrário...
Estaríamos apenas brincando de teatro, imitando um personagem, enquanto Deus está trabalhando para transformar o nosso coração.
Deus na Vida, com Israel Mazagorat. Agradeço ao Senhor pelo privilégio de estarmos juntos em mais um episódio do Deus na Vida. E lembre-se, o Evangelho é a preciosa notícia de que Deus enviou o Seu Filho para condenar o pecado e a morte e com isso Ele nos libertou da lei do pecado e da morte e nos colocou sob a lei do Espírito de Vida. Por isso, meu irmão e minha irmã,
Viva plenamente a nova vida no Espírito que Ele te concedeu. E até o nosso próximo encontro.