Dramas da paternidade em isolamento
Na coluna desta quarta-feira (23), Atílio Bari comenta a peça “O menor palco do mundo”, com Vladimir Brichta, em cartaz no Teatro Vivo. É o primeiro monólogo do ator mineiro, criado na Bahia, que retorna ao teatro após um período de ausência, dedicando-se a trabalhos no cinema e na televisão. Com base na obra homônima do escritor australiano Kim Crotty, Brichta debate temas como isolamento, vínculos familiares e amor parental. No texto, o autor narra a maneira que encontroupara manter a conexão com os filhos durante período na prisão, condenado por manter uma plantação ilegal de cannabis na própria casa. Cartas e desenhos o ajudaram a enfrentar o sofrimento e o desespero na tentativa de dialogar com a família.
A montagem segue o fio condutor do material original, e, com direção Luiz Felipe Reis, se desenrola no espaço estabelecido por paredes, a cela em que o protagonista vive a solidão, escreve e rabisca. Atilio Bari aborda a relação quase íntima que Vladimir Brichta apresenta com o solo: a tragédia pessoal da perda de sua esposa aos 21 anos e o afastamento do convívio com a filha pequena, episódio que evoluiu para uma longa disputa judicial pelos cuidados de Agnes Brichta.