Episódios de Descobri depois de adulta

#309: Por que você sente que precisa justificar suas escolhas?

29 de setembro de 202619min
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Você se explica para comunicar ou para ter permissão de decidir?

Participantes neste episódio1
A

Andréa Chaucer

Host
Assuntos6
  • A necessidade de justificar escolhas pessoais mesmo sem ser questionadosentimento de precisar explicar decisões·provar que a decisão faz sentido·medo de ser irresponsável ou egoísta
  • A diferença entre comunicar uma escolha e buscar autorização para elaproblema de precisar convencer o outro·tentativa de conseguir aprovação·necessidade de validação externa
  • A importância de sustentar as próprias decisões e bancar as escolhasbanque suas gracinhas·não ter necessidade de explicar pormenores·fazer sentido para você
  • A maturidade em limitar explicações e não buscar aprovação de todosrespostas sucintas·não dar abertura para intromissão·não transformar discordância em debate
  • O caso do marido que buscou aprovação para uma decisão financeiradecisão de investimento em família·marido compartilha com colega·colega desaprova a escolha·busca inconsciente por chancela
  • O medo do julgamento e a dificuldade de tomar decisões sem aprovaçãoparalisação por falta de garantias·medo de parecer egoísta·preocupação com a imagem pessoal
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Você já percebeu que às vezes você toma uma decisão e imediatamente você sente que precisa abrir a boca para o mundo e explicar para todo mundo por que você tomou essa decisão? Ai, olha, eu tô saindo desse trabalho porque... Então, eu escolhi fazer desse jeitinho aqui porque... Não é que eu não goste, é que... E o mais curioso é que às vezes ninguém perguntou. Você simplesmente sente que se eu decidi, eu preciso justificar. Eu tenho que fazer a outra pessoa entender.

Eu preciso mostrar que a minha decisão faz sentido. Eu preciso provar que eu não tô sendo irresponsável, eu não tô sendo egoísta, ou que eu sei lá, eu tô tomando uma decisão errada. E muitas vezes você está fazendo isso sem nem perceber. Aí sai explicando por que que você não respondeu uma mensagem, por que que você deixou tal emprego, por que você quer terminar com uma pessoa, por que você não quer se relacionar agora, por que que você vai viajar para a Europa e não para os Estados Unidos, explicando as escolhas que deveriam ser somente sua para pessoas às vezes completamente aleatórias.

Mas por que raios a gente faz isso? Por que que a gente tem essa necessidade de ser compreendido o tempo todo? E principalmente, qual é a diferença entre eu explicar uma escolha e estar tentando conseguir uma autorização para fazer essa escolha? Veja que o problema não é você se explicar demais, mas você ter aprendido que para poder escolher a minha própria vida, eu primeiro preciso convencer o outro de que a minha escolha é válida.

E é sobre isso que a gente vai falar hoje. Olá, seja muito bem-vindo ao Descobrir Depois de Adulto, o podcast que vai te conduzir pelo caminho de conhecer a si mesmo de uma forma leve e realista. Meu nome é Andréa Chaucer, no Instagram e TikTok, @andreachaucer, tem muito mais conteúdo, então aproveita e já me segue por lá. O meu marido, boca de sacola, sandalinha arrebentada, aquele bocão aqui aberto, aquele bocão de tênis aberto.

Certa feita, estávamos no final de semana, eu e ele, vendo as finanças, momento difícil, momento duro dentro da casa. Olha daqui, olha daqui, faz uns cálculos, pô, vai entrar um dinheiro e tal, como que a gente vai investir esse dinheiro? Temos alguns investimentos já e tomamos a decisão por determinado investimento, batemos o martelo, fizemos conta, poxa, na nossa realidade é isso que se encaixa, estudamos, demos uma olhada, conversamos até com algumas pessoas que fazem, tiramos algumas dúvidas, pô, é isso que a gente vai fazer.

No outro dia, meu marido, boquinha de sacola, resolve contar para uma pessoa, um colega, não posso dizer que é um amigo assim, um colega, vez ou outra já saímos e tudo mais, mas é uma pessoa super próxima. E também não é um expert em investimento, nem trabalha com isso. E o Michael abriu a boca: ah, porque eu entrei, piriri pororó, vamos fazer isso, estamos pensando em fazer isso. Ao que essa pessoa gastou todo o tempo que estava com o senhor, meu marido, dizendo: não, não é bom, se eu fosse vocês, se o dinheiro fosse meu, se nananã, eu no seu lugar, porque eu acho que não é, enfim.

Ao que Maicon, chegando em casa, fututo da vida, pé da vida, estressado. Eu tô puto porque o cara ficou falando na minha cabeça, porque pererê, falou que eu tô errado, falou que não é para fazer e tal. E aí eu, muita sabedoria da esposa, perguntei para ele assim: por que raios você abriu sua boca? Por que é que você pegou uma decisão que nós tomamos nos centro do nosso lar, entre eu e você, as únicas pessoas que conhecem as contas de casa, as entradas, o que já tem investido, o que faz sentido para nossa realidade, e falou para essa pessoa.

Você foi tomar algum tipo de conselho? Porque ao meu ver, eu sei que o trabalho dele não é investidor, ele nem sequer é investidor. Já teve um outro vídeo que assim comentou de uma outra coisa que fez, mas assim Por quê? Você tá passando nervoso, você tá passando raiva por escolha? Não tô entendendo por que você fez. Nem eu sei por que que eu fiz, nem eu sei por que que BBB. E aí, pensando sobre isso, aí aconteceu. Eu falei, cara, não abre essa boca, faz sentido para gente, é um negócio assim, é eu e você, é o nosso lar, é a gente entende o porquê dessa decisão.

E aí eu comecei a perceber como a gente, em muitos casos, toma decisões, e geralmente as decisões mais importantes, e sai soltando para todo mundo e explicando por que que a gente tomou a decisão, ou falando da decisão. Ah, eu escolhi tal coisa. E aí a pessoa faz uma pergunta, você começa a se explicar e começa a explicar. E eu só consigo ver assim, principalmente nessa situação, que não é que o Maicon— talvez na cabeça do Maicon racionalmente, ele tenha assim, poxa, vou comunicar essa decisão.

Tava lá conversando sobre algo, talvez entrou no assunto de dinheiro e ele comunicou a decisão. Mas se você for olhar psicologicamente, um pouquinho mais a fundo, e nada é totalmente consciente, nós temos o inconsciente ali trabalhando muito forte, talvez essa comunicação num primeiro momento tenha sido na verdade muito mais uma tentativa de conseguir a aprovação. Ah, é que uma pessoa em tese, mas eu confio, acho que eu vou soltar aqui, ó, por alto e ver se eu consigo uma chancela, ver se a pessoa dá uma aprovação para eu ver se eu estou no caminho certo.

Veja que o grande problema do ser humano é sempre a decisão. A maioria de nós sabe o que precisa fazer, sabe a decisão que precisa tomar. Então, por que não toma? Por que não faz? Porque ao escolher algo eu vou desescolher o outro. E aí o meu medo é: e se eu escolher isso aqui e isso era o melhor e esse aqui não é? Então a gente quer garantias. Não tendo garantias, ficamos paralisados e não tomamos nenhuma decisão. Então eu vi ali muito mais essa necessidade da aprovação, tipo: isso aí, Maicon, é uma boa!

Para se sentir talvez um pouco mais seguro. E aí se você parar para pensar, indo um pouco mais a fundo, desenvolvendo aqui esse pensamento, Eu fico pensando na quantidade de decisões que a gente já não tomou ou deixou de tomar, porque assim, meu Deus, eu vou tomar essa decisão? Ai, mas eu vou ter que explicar para as pessoas. Como é que eu vou explicar para as pessoas que eu tomei determinada decisão? Aí eu quero mudar de emprego, eu quero fazer uma transição de carreira, mas como é que eu vou explicar para as pessoas que eu que sou juíza agora eu vou começar a querer ser criadora de conteúdo?

Como é que eu, Andréia, vou deixar 10 anos de profissão de engenharia, mais 5 anos estudando engenharia, 15 anos já vivendo na engenharia, para trabalhar com educação física, fazer um curso de educação? Como que eu explico isso para as pessoas? Como é que eu explico que eu quero terminar esse relacionamento porque aqui no tete a tete, entre nós dois, não tá funcionando, mas para os outros a gente é um casal tão perfeito? Como é que eu explico isso para as pessoas?

Ou seja, como é que eu tomo essa decisão, recebo uma chancela, recebo uma aprovação e ok, estou no caminho certo? E muitas pessoas continuam espalhando as suas decisões, falando para os outros suas decisões, justificando as suas decisões, às vezes sim querendo aprovação, querendo talvez um indício de que tá no caminho certo daquela decisão, Mas sei lá, tem gente que se explica demais porque tem medo do julgamento, tem medo de, ah, eu vou parecer um filho egoísta se eu não perguntar para o meu pai que carro que eu compro.

Eu sei que eu quero esse Nivus e que ele é bom para mim, que ele cabe na minha garagem, que essa cor que eu adoro. Ai, mas se eu não perguntar para o meu pai, que sempre me ajudou a escolher carro, ele vai ficar fulo da vida comigo. Ah, mas meu Deus, se eu escolher tal coisa, eu tenho uma imagem a zelar. Eu, como que a pessoa vai me ver se eu tomar essa decisão. E aí você percebe que às vezes você não tá explicando para ser entendido, para ter um apontamento, para assim: olha, tomei essa decisão, ela faz sentido para mim.

É como se você tivesse assim: bom, eu vou me explicar porque daí eu estou autorizado a escolher. Só que daí existe uma diferença muito grande que às vezes a gente não percebe, que isso vai ficando nas entrelinhas. A diferença entre: eu quero que você entenda a minha decisão, Então eu escolhi fazer esse investimento porque hoje faz sentido, porque a gente tem tal investimento, a gente quer explorar um pouco aqui e tal, e eu preciso que você concorde com a minha decisão.

Porque sim, às vezes a gente é boca de sacola e sai falando as nossas decisões e sai explicando e no fundo querendo uma validação, querendo que alguém concorde. Só que o duro é eu tomar as minhas decisões e ter essa necessidade de que todo mundo concorde o tempo inteiro. Ai, eu preciso, minha decisão só é uma decisão boa se todo mundo concordar com essa decisão. Gente, só que daí é aquela loucura, é a mesma loucura que anda aqui, ó, tete a tete, com todo mundo precisa gostar de mim, todo mundo precisa me aprovar, todo, eu tenho que agradar todo mundo.

São duas loucuras aqui. Então, achar que todo mundo vai gostar de você, que todo mundo tem que te amar, e todo mundo, e outra é que todo mundo vai validar suas escolhas, e se alguém discordar, ela não vai ser válida. E aí você sai falando, falando, falando. Eu vejo, nossa, eu já vi isso assim, pessoas próximas, elas saem falando a decisão para várias pessoas até encontrar uma pessoa que concorde com aquela decisão. Então ela só precisa de uma pessoa que concorde.

Pode ser uma loucura, mas ela precisa de uma pessoa que concorde, porque se uma pessoa concordar, ah, ok, então agora eu posso escolher porque uma pessoa concordou comigo. Gente, que nível de loucura é isso? A gente achar que na nossa vida todas as decisões serão chanceladas pelo outro, decisões que são sobre a sua vida, uma vida que é só sua, uma vida que em tese só precisava fazer sentido para você. Eu vou falar para outras pessoas que não vivem a minha realidade, que não sabem dos pormenores, que não sabem dos detalhes, e eu quero que essas pessoas que não conhecem o background me deem ok.

Não é insano? Imaturidade, eu digo que tem muito disso da gente tomar as nossas decisões e sustentar nossas gracinhas. Eu sempre falo, você vai tomar uma decisão, você acha que é boa, você fez os cálculos de custo, você sabe quanto isso custa para você, quanto custa para sua família, quanto custa para os próximos, né? Você calculou, você planejou assim, tá ok, banque as suas gracinhas, sustente as suas gracinhas. Sustentar no ponto de falar para alguém, essa pessoa não concordar, a pessoa falar, ah, eu acho que não, eu acho que não é boa, e falar: mas faz sentido para mim.

E não ter a necessidade de explicar os pormenores quando você tem a certeza absoluta que aquilo faz sentido para você. E eu não estou falando aqui, pelo amor de Deus, que você não precisa se explicar para ninguém, que você pode sair tomando suas decisões e não precisa tomar conselhos. Eu sempre digo que a diferença tá aonde e como eu tô fazendo isso. Veja, é muito diferente, tipo, eu e o Michael, nós tomamos essa decisão, era um domingo, nós sentamos, tomamos essa decisão e tal.

É muito diferente do Michael na segunda-feira ter chegado para um amigo lá dele, que ele mexe com investimentos, com diversos investimentos, e a gente tem uma proximidade muito grande de viver às vezes um na casa do outro, assim, a gente confia, a gente sabe que aquela pessoa quer muito o nosso bem, tem uma visão, ele é mais velho, tem uma visão maior, e o Michael chegar nessa pessoa e falar: fulano, olha, eu tô pensando em essa decisão, eu e a Andréia, a gente viu isso aqui, piriri, e tomar conselhos de uma pessoa que eu confie, de uma pessoa que é alguém que eu admire, de uma pessoa que, poxa, tem uma vida que talvez eu gostaria de ter próxima, do que eu pegar qualquer barrela que encontrar na minha frente porque tem mínimo de proximidade e falar de uma decisão que é tão importante.

Eu vejo pessoas fazendo isso com casamento. Aí a pessoa pega, ela tá tendo um baita de um problema no casamento dela, e aí, aí eu preciso falar, preciso botar para fora, e começa: ah, porque eu acho que eu vou terminar, porque eu acho que eu vou me separar. Falando isso para pessoas solteiras, pessoas que estão extremamente traumatizadas com casamento, que tá querendo mais é que as pessoas se separem e se divorciem. Não estou falando que todas as pessoas são assim, mas quando você tá doída, que você tá machucada, você não quer aquela situação.

Pedindo conselhos para pessoas que você nem conhece o casamento da pessoa, não sabe se ela tem um casamento que você admira para perguntar, para explicar, ou sei lá, não são seus pais, que são pessoas que estiveram com você desde o início do casamento, e tomando decisões equivocadas e ruins, ou deixando de tomar as decisões corretas. Porque uma pessoa aleatória disse, ah, eu acho que não vai dar bom, eu acho que para você não é bom isso.

Então é importante eu pedir conselhos, é importante sim prestar contas. Às vezes você tem que, para tomar uma decisão, prestar conta para o seu sócio, explicar para o seu sócio porque você tá tomando aquela decisão. Hoje eu, para tomar qualquer decisão, eu falo com meu marido. Lógico, nas mais básicas não, mas nas decisões relevantes que afetam a nossa vida, o nosso casamento, eu chego para ele e falo. Michael, eu tô pensando em investir em tal coisa, tô pensando em comprar tal coisa, eu tô pensando em fazer tal viagem, até as provas que eu vou fazer.

Mas, gente, você pede para o Michael a prova que você vai fazer? Óbvio, gente, nunca é prova aqui em Maringá, é sempre prova que vai ter que viajar. Michael trabalha, vai ter que pegar dias que ele não vai trabalhar, envolve custos, muitos custos, logística. Óbvio que para ele eu vou prestar contas, eu vou perguntar se dá para fazer. Não é a questão do, ah, não fale com ninguém, você tome as suas decisões. Mas, gente, pra quem que vocês estão justificando escolha?

Eu vejo gente, eu não vou começar a criar conteúdo porque tem gente que vai falar pra mim que olha lá, querendo ser a blogueirinha, que vai... Gente que não conhece, gente que não tem proximidade, que não muda em nada na vida. Terão... Gente, ó, na vida vai ter muita decisão que vai ter gente que vai achar que é absurda. Eu sempre vou citar, gente, quando eu falei: vou deixar a engenharia, estou fazendo curso de educação física.

Eu lembro que eu falei para uma pessoa aleatória, porque eu sou boca de sacola demais, eu não sei nem por que que eu falei, porque talvez eu estivesse buscando chancela aí, aprovação. A pessoa olhou para mim e falou assim: pelo amor de Deus, você é louca! Um curso tão prestigiado quanto engenharia civil, você vai fazer educação física? Olha a cabeça da pessoa! Então é Essa escolha que você tá fazendo, essa decisão que você tá tomando, você vai continuar tomando ela mesmo que a pessoa diga que é absurdo, que não concorda, que acha que você não deveria fazer?

Tem decisões que a gente tem que sustentar e precisa bancar, porque se faz sentido para você, se com todo seu planejamento, análise de custo, aquilo faz sentido para você, não precisa fazer sentido para os outros quando a vida é sua. Por isso que hoje eu sou muito assim, as minhas respostas elas são muito sucintas, porque eu percebo que se eu falar demais eu me embanano. Então a pessoa fala assim: ai, Andréia, vamos no happy hour hoje?

A Andréia do Velho Testamento, com a necessidade de aprovação, com medo de ser desgostadinha, eu ia falar assim: ai, gente, hoje eu não vou porque eu tô muito cansada e eu trabalhei demais, eu vou chegar em casa, eu vou ver se eu adianto um trabalho, porque amanhã Às vezes era mentira em algumas coisas. Hoje eu sempre falo: ai, gente, hoje não. Por quê? Ai, hoje não, não tô a fim. Pronto. Ah, mas eu acho que você deve ir. Eu acho— não, hoje não.

Quanto mais sucinta, quanto menos eu explico, aí eu acho que menor a chance de eu errar e menor a chance das pessoas arrumarem solução para aquilo que eu tô inventando porque eu não quero ir. Outra coisa, em vez de eu ficar assim: ai, olha, eu sei que você não vai concordar, mas não. Hoje eu simplesmente digo assim, ó: Eu entendo que você pense diferente, mas essa decisão está completamente alinhada com o meu momento atual, com o que eu quero para minha vida, então eu vou tomar.

São pequenas mudanças que eu fui tendo. Primeiro, né, assim, fechar minha boca, não sair falando para todas as pessoas e ser mais sucinta, mostrando a decisão e não porque eu tomei a decisão, que foram me deixando, foram deixando menos espaço para as pessoas se meterem na minha vida. Tanto que tem muitas perguntas às vezes nos meus vídeos, nos Reels e tal, fala assim: ai, Andréia, como que, como é que fala sobre, por exemplo, não ter filhos?

Ai, mas como você lida com a pessoa quando ela vem falar que você tem filho? Eu falo assim: hoje a pessoa não fala porque eu não dou abertura. Eu não chego para pessoa e fala assim: ai, acho que eu não quero ter filho. Eu chego para você: olha, eu não quero ter filho, não faz sentido para minha vida, já tenho 40 anos, desde nunca eu quis ter filho. Nunca nem sequer passou 3 centímetros de possibilidade de ter filhos, não quero nem sequer congelar óvulos, não é uma opção para mim.

O que que a pessoa fala para você, meu amor? Ah, mas tem gente sem noção que fala. Pois vai dar bom dia a cavalo. E se me apurrinhar demais é: eu não perguntei. Está querendo muito um filho? Tenha o seu, faça o seu. Meu úterozinho, eu escolho muito bem o que eu faço dele, tô carregando ele há 41 anos. Sei muito bem das decisões que eu estou tomando. Não gosto de partir para grosseria, mas, gente, se você limitou, se você não pediu opinião, se você não se explicou e a pessoa ainda insiste em dar, ai, me desculpa, mas tem coisa que a gente tem que resolver meio na patada, né?

Então assim, meus amores, aqui vai ser sempre um podcast tentando fazer a gente amadurecer. E a gente, eu me coloco nessa situação, a gente precisa entender que em todas as decisões, 100% das suas decisões, 100%, sempre pode acontecer de uma pessoa não concordar, de pensar que não sabe, que não é para ela. O que a gente não pode é ficar transformando cada discordância num debate. Hoje eu tenho feito principalmente opinião, opinião de religião, política, essas coisas.

Primeiro que eu não fico dando aleatório, eu falo assim, por exemplo, opinião política, eu só discuto política com pessoas que tem a mente aberta, que a gente vai discutir, que eu posso ter uma opinião divergente, a pessoa vai parar para escutar o meu lado, que são raras as pessoas. Do contrário, meu amor, eu simplesmente não dou, eu simplesmente não falo, prefiro não opinar, prefiro não— essa coisa adolescente de ai, todo mundo precisa saber minha opinião, precisa saber das minhas escolhas, é adolescente demais.

Eu preciso entender que se a pessoa discordou Eu estava com umas pessoas recentemente e a pessoa discordou no negócio que eu, assim, bem discordado assim, eu tinha muita munição para falar. Eu, ah, meu Deus, vou jogar pérola para porca. A pessoa tem assim uma capacidade cognitiva tão pequenininha, eu vou falar, falar, falar, falar, e a pessoa não vai entender. Eu só vou ficar me desgastando. Eu quero provar o quê para quem? Para mim mesma?

O quanto eu sei? Eu sei que aquela é minha opinião e tal, não preciso fazer isso. E, gente, isso é muita maturidade. E eu inclusive vou deixar esse— eu quero deixar uma pergunta muito indigesta para vocês, que me fez pensar muito assim: quantas coisas na vida de vocês vocês fariam diferente sabendo que vocês não precisam explicar essa decisão para ninguém? Talvez aí esteja a resposta para muitas coisas na vida de vocês. Um beijo, até a próxima!