Episódios de Descobri depois de adulta

#307: Não é fracasso não.. é tempo demais no celular

22 de setembro de 202618min
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Sai desse celular!

Participantes neste episódio1
A

Andréia Chociay

Host
Assuntos5
  • A comparação social como ladrão da paz e satisfação pessoalsentimento de nunca estar chegando lá·invalidação das conquistas pessoais·perda da capacidade de crer·tornar-se apático e cético
  • A importância de sair do celular para valorizar as conquistasantídoto contra a cobiça·curtir o momento presente·reconhecer respostas de oração·evitar a reclamação constante
  • O impacto negativo das redes sociais na percepção da realidadeconteúdo perfeitamente editado·sensação de estar atrasado ou perdido·distorção da percepção do normal·medo de ficar de fora
  • A ingratidão gerada pela comparação e suas consequênciasdesejo de ter mais·diminuição da celebração das vitórias·minando a motivação·sentimento de paralisia
  • A realidade editada das redes sociais e a percepção distorcidamostrar apenas o que se quer·esconder perrengues e dificuldades·ilusão de vida perfeita·não se esquecer da edição
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Quando a gente é criança, a gente quer o que gosta. Mas depois de adulta, a gente descobre meio que uma prisão invisível do você tem que ser melhor que. Melhor que a colega de faculdade, melhor que a prima que casou primeiro, melhor que a influenciadora, por exemplo, que posta uma vida muito perfeita. Aí, pra ajudar, você acorda se sentindo bem, toma seu café em paz, e aí você fala assim: vou dar uma olhadinha no Instagram. Em 5 minutos de um scroll infinito, toda a satisfação do dia sumiu.

De repente, a sua casa parece minúscula, Seu trabalho parece chato e estagnado, e até as suas férias agora que você acabou de tirar parecem menos do que as férias de um desconhecido que você viu no Instagram, você não sabe nem quem é. A comparação é o ladrão que entra na nossa casa, assim como um bom ladrão, sem pedir licença, e leva embora o que a gente tem de mais precioso: a nossa paz no momento presente. E aí você tem essas sensações de nunca tá chegando lá, porque o lá de outra pessoa sempre parece mais brilhante.

E esse episódio, ai, eu queria muito que fosse um despertar, entendendo que às vezes a sua dificuldade de estar contente com aquilo que você tem e não conformado é uma comparação que tá roubando a sua própria régua de sucesso. Olá, seja muito bem-vindo ao Descobrir Depois de Adulto, podcast que vai te conduzir pelo caminho de conhecer a si mesmo de uma forma leve e realista. Meu nome é Andréia Chociay, Instagram e TikTok @andreiachociay, tem muito conteúdo sobre vida adulta, então aproveita e já me segue por lá.

Quem é que nunca já esteve no trabalho e aí você tá ali fazendo as suas demandas, um trabalho que você sempre quis, que você lutou para ter, que você entregou currículo, orou e pediu a Deus para ser chamado naquela entrevista, ficou pensando: meu Deus, é o trabalho dos meus sonhos, ele vai realizar minha vida, ele vai resolver como eu estou. Pediu, pediu, pediu, pediu, entrou extremamente proativa, aquela pessoa dedicada, vou fazer muito mais do que me pedem, tá lá, força, gás total.

E aí você olha para o lado e pensa, nossa, como a vida dessa pessoa é muito mais fácil que a minha. Ou às vezes uma pessoa no café sentou do seu lado e está contando do quanto o marido acabou de receber uma promoção, do quanto eles vão fazer uma viagem internacional e é maravilhosa, e ela está falando sobre roteiros. E aí você olha e pensa: meu Deus, meu marido não é nada disso, nós não temos uma previsão de sequer ir ali no corguinho na esquina.

E começa a sentir esse mal-estar. E aos poucos nós vamos invalidando o que nós conquistamos, invalidamos o nosso esforço, invalidamos o nosso trabalho, invalidamos os nossos relacionamentos. Invalidamos aquilo que foi fruto de muita oração, de muito joelho dobrado, e eu vou aos poucos abrindo espaço para cobiça, mesmo que você ache que não, que você não quer ter aquilo, que você não deseja arduamente aquilo que o outro tem, mas também um espaço para incredulidade, que para mim é muito pior.

A incredulidade é quando a gente perde a capacidade de simplesmente crer, crer que é possível, crer que eu estou no caminho, crer que uma hora a vida vai sorrir para mim e as coisas quem sabe vão dando certo. E nós vamos nos tornando seres apáticos, mas também seres céticos. A gente já não acredita mais em nada, nada nos provoca uma emoção. E a somatória desse espaço que a gente abre tanto para cobiça quanto para incredulidade automaticamente também vão nos fazendo tomar uma postura diante da vida que me impede de celebrar as minhas vitórias, independente do tamanho.

Porque eu digo que quando eu tenho uma vitória e eu declaro que aquilo é uma vitória na minha vida, quando eu tenho uma meta e essa meta é alcançada, ela precisa fazer sentido para mim. Se eu coloquei aquilo como meta, que na minha visão, para minha vida, para os meus limites, aquilo é muito bom. Só que com o tempo eu tenho percebido, e aqui eu falo por mim, mas eu tenho certeza que pela quantidade de pessoas que me ouvem talvez você se identifique, ultimamente as minhas celebrações de conquistas elas têm sido muito curtas.

Muito rápidas. É como se tudo que eu ganhasse tivesse quase que um sabor agridoce. É bom de estar recebendo, mas ao mesmo tempo automaticamente eu penso: mas será que é o melhor? Porque eu vi que fulano, alguém comentou. E é um ladrão, eu digo que a comparação ela é um ladrão silencioso porque todos nós Se eu perguntar de bate-pronto, ah, você tá se comparando? Você vai dizer que não. Não, eu sigo essa influenciadora porque ela me inspira.

E sim, a gente começa a seguir algumas pessoas, por exemplo, falando de internet, a gente começa a seguir algumas pessoas por pura inspiração, porque a rotina dela é algo que talvez você quisesse ter na tua rotina, porque o trabalho que ela tem talvez fosse um trabalho que você tem, a família que ela tem. Então a gente começa a seguir por uma inspiração, mas macetado diariamente com aquele conteúdo perfeitamente editado para mostrar uma rotina que funciona, você vai lá no fundinho do teu cérebro, bem no inconsciente, pensando: este é o normal.

Se ela tem, todo mundo tem. E se eu não tenho, eu estou atrasado, eu estou perdido, eu estou para trás. Aí aquilo que eu tanto desejo, que eu tanto sonho, que era primeiramente eu queria ter a minha casa própria, Eu não queria mais viver de aluguel e eu queria ter a minha— eu vou falar muito de casa, né, porque tá muito recente. Então vou citar exemplo de casas. Você só queria sair do aluguel e aí você consegue um financiamento, consegue uma entrada e compra lá o seu MRV.

Falando por mim, foi o passo a passo que eu comecei. Pequenininho, meu canilzinho, 48 metros quadrados. Se entrasse uma terceira pessoa, tinha que sair a Luli ou o Maicon para caber todo mundo. E você tá muito feliz com aquilo. Só que pouquinho tempo depois, vendo a vida das outras pessoas na internet, você começa a pensar: eu moro num canil, gente, mal é mais, isso aqui não é vida, isso aqui não cabe. Então aquela alegria que eu tinha de finalmente não estar mais no aluguel, ela é suplantada por um desejo de ter mais.

E aqui veja a diferença: não estou falando que nós devemos ser conformados, Não dá para a gente se estagnar no conformismo. É óbvio que a gente quer estar sempre melhorando. O que me assusta mais ultimamente é o quanto a celebração das nossas vitórias está diminuindo a cada tempo. E eu vejo sim isso muito na comparação, que é um ladrão silencioso porque ela rouba a nossa paz. Eu entro feliz, eu entro alegre, eu entro olhando para minha casa e falando: meu Deus, finalmente eu saí do apartamento, eu estou morando numa casa.

Mas aí eu entro na internet e scrollando um pouquinho eu vejo: poxa, mas fulano tem todos os móveis planejados e a gente ainda não tem. Ainda não tem, é um passo lá para frente, uma coisa de cada vez. Agora tem que pagar a casa. Mas aí eu penso: olha os móveis novos. Ela fez um luminotécnico, está todo decorado. Então automaticamente aquilo que eu estou realizando a maior alegria da minha vida, com 10, 15 minutos de Instagram, aquilo se torna comum, senão pequeno.

E aí você não percebe o quanto você está saindo cada vez pior das suas redes sociais, o quanto nós estamos distorcendo a nossa percepção fazendo com que aquilo que é real, aquilo que é normal para mim, não seja mais. E eu torne o novo normal aquilo que eu estou vendo na internet, que por muita exposição eu acho que todo mundo está tendo menos eu. E aí o ser humano não gosta dessa sensação de ficar de fora, de ser excluído. Logo, se está todo mundo tendo, eu também quero o meu quinhão, eu também quero a minha empatia.

E aí o que acontece? Isso me motiva e me anima para ir atrás, para crescer? Não. Na grande maioria, e aqui eu não generalizo, mas na grande maioria das vezes o que acontece é gerar em você uma ingratidão tão grande, um senso de que aquilo que você tem não é nada demais, que o que você conquistou é muito pouco, que acaba te cegando para todas as suas conquistas. A ingratidão, ela é um mal, ela é um mal que nos assola. E eu vejo isso muito na Bíblia.

Jesus falava muito sobre não ter esse coração ingrato, porque quando a gente tá sentindo ingratidão por algo, ou seja, eu queria muito um relógio, eu ganhei esse relógio, aí eu tô aqui, coloca ele no meu pulso, fica aqui, ó, no meu punho, 2, 3 vezes aqui, olhei para ele, olhei para ele, mas aí eu entro no Instagram. E aí eu vejo que o meu modelo é o Garmin 265, mas já tem o 965. E aí eu fico pensando, nossa, mas esse aqui tá tão pouco, né?

Eu não tinha nenhum. Ah, mas esse aqui tá tão pouco. Ai, não sei não. Ai, nem era esse que eu queria. Agora eu quero 965. Então algumas pessoas vão sentindo esse mal-estar, não sabem nominar esse mal-estar, só sabe que sai das redes sociais piores. E você sabe que é um efeito colateral grande que talvez você não perceba, é que isso vai aos poucos minando a sua motivação. E aí você acha que tá se inspirando, que aquilo vai te tirar do conformismo e fazer você querer ter o melhor, crescer na vida e expandir, mas na verdade isso tá te minando, porque você sai tão mal das redes sociais que você só tipo deita Fica pensando o quanto a sua vida é uma merda e não faz nada.

Aquele sentimento de paralisia. Então, além de me sentir uma merda, eu não tenho motivação para fazer nada. Aos poucos eu vou alimentando essa insatisfação crescente. Tá tudo ruim, eu não sei nominar o que tá ruim, mas eu sei que tá muito ruim, tá insuportável. E aos poucos a gente vai se tornando um ser humano apático. Incomodado, ingrato e apático. E eu já falei em vários episódios aqui, um dos efeitos da depressão mais nocivos, eu acredito, é a apatia.

É quando você não tem um porquê para fazer as coisas. Você tem que limpar seu quarto, aí você fala, ah, mas nem precisa limpar o quarto tanto assim. E aí as coisas vão se acumulando e vão deixando, e aí você vai Minando a sua motivação, se paralisando. Aí você também não cresce porque você não vai para frente, e você também não se contenta. Uma vez eu li uma frase do Thomas Watson que ele falava que o melhor antídoto contra a cobiça daquilo que é dos outros é me satisfazer absurdamente com o que é meu.

E quando eu entrei aqui na casa, eu, óbvio, que eu vou dar como exemplo a casa, eu me lembro da sensação que eu entrei e falei, caramba, olha o tamanho dessa casa, meu Deus, é tudo que eu sempre sonhei, tem uma piscina, eu vou poder tomar um sol, meu Deus, que coisa maravilhosa. E aí eu já tava ali assim com aquela sensação boa, aquela sensação gostosa, e uns 2, 3 dias eu já comecei, óbvio, não, acho que a gente tem que fazer uma reforminha aqui, tem uma porta que tem que trocar, tem um detalhezinho aqui e ali, e É isso, é show, a melhoria contínua.

Mas o que isso não pode me provocar é aquela sensação de desprezo pela casa, porque no momento eu não posso ter, estar pronta como está de outra pessoa. E é isso que acaba acontecendo com as nossas vidas. Isso é um exemplo muito esdrúxulo, mas é o que acaba acontecendo quando, por exemplo, ah, você quer começar a treinar, você quer melhorar seu corpo, E aí você começa, começa, começa, e aí você tá seguindo aquela pessoa que corre, que nada, que pedala, que vai não sei para onde, que come não sei o quê.

E aí aos poucos você vai olhando para si e pensando: eu não progrido, eu não vou para frente, eu não melhoro, os meus resultados não aparecem, não tá valendo a pena porque tem um monte de gente na frente, tem um monte de gente já tá fazendo, o meu vai demorar demais. Puf! Para tudo e deixa. Às vezes a gente tá achando que precisa fazer mais na nossa vida, vendo, né, todo mundo conquistando no Instagram, todo mundo muito feliz, todo mundo muito conquistando, todo mundo muito incrível.

Inclusive eu tenho um vídeo, vou deixar aqui, sobre coisas que o Instagram fez a gente não achar mais normal. Sugiro muito que vocês assistam. Mas às vezes o que a gente tá mais precisando é sair um pouco do celular. E aí quando eu entrei aqui na casa e esses pensamentos começaram a me sondar, Eu lembro que eu olhei para o Maicon e falei assim: vamos ficar menos no celular, vamos curtir esse momento. Cara, não é sempre que você consegue comprar tua casa.

Ainda não é nossa, estamos pagando, mas esse momento é único, ele vai ficar gravado na nossa vida, no momento que a gente entrou a primeira vez na casa. Imagina eu ter uma lembrança de eu entrar, ficar feliz por um dia, no outro já ficar pensando: ah, mas não tem móveis. Ah, mas tem que fazer tal coisa. Ah, mas tem uma infiltraçãozinha ali. Ah, mas tem um negócio. Isso é a raiz da ingratidão. Torna a gente, sabe, incrédulo, torna a gente apático, torna a gente para baixo, não consegue motivar nada, não consegue celebrar nada.

Meu pedido hoje para você é, cara, sai um pouco do celular, vai ver quanta coisa você já tá vivendo que é resposta de oração. Esses dias eu tava, né, idiota, reclamando, é porque Não sei o quê, porque trabalhando em casa, porque ai, que saco, que saco, que saco. E eu falei, cara, Andréia, cala sua boca! Lembra da tua rotina insana, cara? Você não ficava dentro da tua casa. Eu, grande parte da vida da Luli, me dá uma dor assim, mas até os, sei lá, 8, 9 anos da Luli, eu só via Luli de noite, tipo 10 horas da noite, que eu chegava em casa 10 horas e 8 horas da manhã já tava no trecho.

E manhã, tarde, noite, manhã, tarde, noite. Eu falei, cara, o que que eu tô reclamando? Teve um dia que eu acordei, tava chovendo gostosinho. Adoro produzir quando tá chovendo. Falei, eu não preciso tirar o carro de casa, eu posso trabalhar aqui dentro da minha casa, eu posso fazer o meu horário. Sai um pouco do celular, sabe? Às vezes essa reclamação do cacete, ai, meu Deus, eu não tenho essa chatice. É só você olhar um pouco mais para o que você tem.

Não tô falando, pelo amor de Deus, não sejam ingênuos, eu não tô falando se conforme com que você tem aceito, que você tem, mas pô, também não dá para desfazer de tudo que eu tenho. Ah, minha vida é uma merda, minha vida tá uma bosta. Não, você tá se comparando demais com vida que é editada, gente. Eu sou criadora de conteúdo, tá? Chá revelação. Eu mostro o que eu quero mostrar. Se eu quiser mostrar só coisa boa, vocês vão achar.

Olha, a minha vida quando eu estava em depressão, eu estava na merda, na merda, tava lá postando e tal, você estava achando que tava tudo perfeito. Alguns com um pouco mais de sensibilidade podia achar diferente, mas assim, a grande maioria faz ideia que eu tava atravessando o vale da morte, da sombra, da escuridão, querida, querendo me passar desse mundo, querendo ir embora para nunca mais voltar. A gente edita, não se esqueçam.

Eu nunca vou me esquecer disso, do dia que eu vi uma criadora de conteúdo postando os perrengues dela e a menina comentou: eu deveria ter salvado isso. Ai, amiga, é, a gente tá aqui para fugir um pouco da nossa própria realidade. Então não quero ver seus perrengues, eu quero ver as coisas que estão dando certo para você. É isso. E vocês estão achando que tudo é certo e que tudo é maravilhoso. Então vamos sair um pouquinho do celular. Um beijo, até a próxima!

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