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Tranquilamente: Endometriose – Por que o diagnóstico demora tanto?

06 de maio de 20260
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Participantes neste episódio3
A

Aline Costa

HostApresentadora
E

Ellen Oleria

ConvidadoCantora
H

Helena Mata

ConvidadoMédica e professora
Assuntos5
  • Sintomas e Diagnóstico da EndometrioseSintomas principais · Diagnóstico precoce · Tempo médio de diagnóstico · Não normalização da dor
  • EndometrioseCélulas do endométrio fora do útero · Falha no sistema imune · Respostas hormonais flutuantes · Teorias sobre a causa
  • Mitos e desinformação sobre endometrioseCuras milagrosas · Tratamentos sem comprovação científica · Retirada do útero cura endometriose · Chás como tratamento
  • Tratamentos para EndometrioseTratamento medicamentoso · Mudança de hábitos de vida · Exercício físico · Mudança alimentar · Fisioterapia · Psicologia
  • Endometriose e Saúde MentalImpacto da dor crônica na saúde mental · Deterioração da qualidade de vida · Ansiedade e depressão
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Tranquilamente, bem-estar e qualidade de vida. Um programa do Ministério Público do Estado da Bahia, Guardião da Cidadania.

Um salve a todos os ouvintes da rádio MP da Bahia, dos Ministérios Públicos de Minas Gerais, Goiás e Amazonas e também do Instituto Nacional de Seguridade Social, o INSS. Todos esses são meios que transmitem o nosso programa. Estamos dando início a mais uma edição do Tranquilamente. Eu sou o Aline Costa e hoje a gente vai conversar sobre um tema muito importante para todas as mulheres. Vamos falar sobre endometriose.

Lembrando que o Ministério Público tem como dever legal atuar na defesa da saúde. A instituição pode atuar, seja por recomendações ou ações civis públicas, para garantir o diagnóstico e o tratamento integral da endometriose pelo Sistema Único de Saúde, o SUS, incluindo cirurgias para casos de endometriose profunda.

A Lei 14.324 de 2022 instituiu o dia 13 de março como dia nacional de luta contra a endometriose e a Semana Nacional de Educação Preventiva e de Enfrentamento à Endometriose. Por isso, também é celebrado no mês de março o Março Amarelo para a conscientização sobre a doença. A gente bate um papo com a nossa entrevistada de hoje sobre esse tema, mas antes vamos ouvir aquele recado musical que nos faz refletir sobre o assunto. Sobe o som!

O que o seu corpo diz Se não há nada pra ter medo Ah, o que o seu corpo diz Se pra cuidar não tem segredo Pra cuidar bem de você É preciso olhar pra dentro E unir todo o sentimento à beleza

É ter certeza que há vida pra cantar E o mundo todo a descobrir Se proteger e confiar nos seus sinais Nos seus sinais

É um alfabeto Que no peito leva canção Cujo toque é poesia Pra poder viver Se cuidamos com afeto Prevenção é inspiração Pra ouvir

Toda mulher é um alfabeto Que no peito leva canção Cujo toque é poesia Pra poder viver

Se cuidamos com afeto, prevenção é inspiração

Nossa diva maravilhosa Ellen Oleria abre o nosso programa de hoje cantando Escute o seu corpo. Fortes cólicas menstruais, dor pélvica, incômodo na relação sexual, alterações intestinais, dor na região lombar e dificuldade para engravidar. Esses são alguns dos principais sintomas da endometriose, uma doença ginecológica que afeta uma a cada dez mulheres.

Em alguns casos, a doença pode ser até assintomática e só ter descoberta em exames de rotina. A gente vai agora saber um pouco mais sobre a importância do diagnóstico precoce, as causas, os tratamentos e os impactos da endometriose na saúde mental.

e qualidade de vida das mulheres e de pessoas que possuem útero. Para conversar conosco sobre o tema, a gente está aqui com a médica e professora, especialista em ultrassonografia ginecológica avançada e pesquisa de endometriose, doutora Helena Mata. Doutora Helena, seja muito bem-vinda. É uma honra recebê-la aqui no nosso programa Tranquilamente.

Obrigada, Aline. É um prazer estar batendo esse papo com vocês. Muito obrigada pelo convite. Vamos bater um papo, então, sobre endometriose, que é uma doença tão prevalente. Ela comete, como você falou, 1 em cada 10 pessoas com útero. Causa bastante dor. É uma doença que realmente...

afeta muito a qualidade de vida, a saúde mental em todas essas pessoas. Perfeito. A gente vai trazer alguns dados estatísticos aqui, doutora, para embasar nosso bate-papo. A endometriose é uma condição crônica que afeta cerca de 7 milhões de brasileiras.

o equivalente a aproximadamente 10% das pessoas com útero em idade reprodutiva. Infelizmente, o diagnóstico da endometriose só acontece depois de muitos anos de dores e de diagnósticos equivocados. Recentemente, uma cantora brasileira de fama internacional declarou que passou 9 anos convivendo com cólicas intensas e diagnósticos incorretos de cistite.

e infecções sexualmente transmissíveis, até descobrir que, na verdade, tinha endometriose. É por isso que a conscientização sobre a doença e iniciativas como a Campanha Mundial Março Amarelo, que tem o objetivo de esclarecer sobre os sintomas e o diagnóstico precoce, são tão importantes para a melhoria e a qualidade de vida de quem convive com essa doença. Dados do Ministério da Saúde indicam...

que os atendimentos relacionados à endometriose na atenção primária do Sistema Único de Saúde cresceram 76,2% entre 2022 e 2024, o que pode refletir uma maior conscientização e busca pelo diagnóstico da doença. Bom, eu começo a nossa entrevista hoje perguntando a você, doutora Helena, o que é a endometriose e como é que ela se desenvolve no organismo?

A endometriose é o quê? São as células do endométrio, que são as células que a gente menstrua, aquele sangramento menstrual que a gente tem, uma parte dele reflui pelas trompas e cai na cavidade pélvica. Na grande maioria das mulheres, o que é que vai acontecer? O nosso próprio sistema imune vai lá e identifica que essas células não são daquele meio.

e destrói. Só que em 10% das mulheres existe uma falha nesse sistema imune e aí essas células implantam. Então a endometriose é o que? São células do endométrio, ou é o estroma que a gente chama, fora da cavidade endometrial, ou seja, fora do útero. Isso que é endometriose. Como ele é um tecido que é responsivo aos hormônios, é por isso que com o tempo de menstruação

ela vai piorando. Por quê? Porque todo mês a gente não é, como é que eu costumo falar, nós, diferente dos homens, a gente não é uma linha reta. A gente faz isso o mês inteiro, né? A gente sobe e desce, a gente flutua. Então, nossos hormônios são flutuantes. Tem um sobe, outro desce, para um subir, outro tem que descer, aquela confusão. Então, isso, ao longo de vários e vários e vários anos, vai fazendo a piora dessas doenças.

O hormônio faz com que essas células respondam, então elas se proliferam na cavidade endometrial. Quando não tem a...

gravidez, a gente sangra. Então é isso, elas terminam sangrando também. Existem várias teorias, essa é uma delas. Na verdade, hoje em dia, a causa principal da endometriose, a gente não tem uma causa única estabelecida. A teoria principal é essa, que são várias teorias juntas. O refluxo das trompas com a teoria da falha imunológica, mais a condição genética também, que pode influenciar, e causas ambientais.

Existem tipos de endometriose? Como é que se diferenciam isso? Isso, existem tipos, sim. Hoje em dia a endometriose é dividida em endometriose superficial, endometriose profunda e endometriose ovariana. A endometriose ovariana é aquela que está restrita no ovário, forma um cisto de endometriose no ovário.

A endometriose superficial e a endometriose profunda, ela é fora do útero também, mas a diferença é que a profunda a gente enxerga nos exames de imagem e a superficial não. Então, às vezes, tem algumas pacientes, isso é extremamente frustrante, que você vê que ela tem endometriose, ela tem a clínica de endometriose e você faz os exames de imagem e não diagnostica a endometriose.

Não quer dizer que a paciente não tenha tudo o que ela sente, ela sente de verdade. Ela não está inventando, não é coisa da cabeça dela, ela não é histérica. É uma mulher que sofre muito com dores, mas na hora do exame não aparece. Então o que é que faz hoje em dia, até adiantando um pouquinho, a gente trata clinicamente. Tem um ditado na medicina que a gente fala, a clínica sempre é soberana. Então como a gente desenvolveu muito tecnologicamente, a gente tem muita tendência a achar que para ter alguma coisa a gente precisa ter a imagem daquela coisa.

Não é assim que funciona na endometriose. Como disse que precisa ver pra crer, mas a gente tem doenças invisíveis, né? Exatamente, exatamente. E a endometriose superficial é uma delas. E nós mulheres, doutora, temos um diferencial que às vezes é ruim pra gente, porque é uma coisa a mais pra fazer todo ano, mas a gente vai ao médico com regularidade, né? Especialmente ao médico ginecologista. O médico é ginecologista. Agora...

Mesmo assim, mesmo a saída constante, ainda assim é demorado o diagnóstico da endometriose. Por que é tão demorado esse diagnóstico e quais são os sintomas que merecem atenção, tanto do paciente quanto dos médicos?

Então, hoje tem um gap aí de mais ou menos sete anos entre o início dos sintomas e até a gente diagnosticar endometriose. A gente está vendo uma mudança nesse comportamento hoje em dia entre os médicos. A doença já está muito mais difundida. Todas essas campanhas, tudo serviu para difundir a doença.

Então, atualmente, quando a paciente chega com queixas de cólicas, com queixas de dores fortes abdominais, dores pélvicas contínuas, cólicas menstruais intensas, já se pensa de primeiro em endometriose. E a partir daí a gente já vai tentando fazer o diagnóstico, mas antigamente demorava muito. E hoje...

O que é que a gente tem visto acontecer? As pacientes que chegam para mim de endometriose com 30 anos, por exemplo, a grande maioria já sente cólica menstrual intensa desde a adolescência. Eram aquelas adolescentes que faltavam aula, que desmaiavam, passavam mal, certo? Isso aí, o pessoal dizia, ah, quando casar passa, tiver filho passa, porque se é adolescente eu achava que a menina era histérica, não sei o que, nada. Quando chega para mim com 30, está ali com o pé ou recongelada, cheia de endometriose.

Hoje, essas pacientes já são tratadas nesse início. Muitas dessas pacientes já são tratadas inicialmente, até porque nem sempre a gente consegue fazer o diagnóstico na adolescência. Às vezes não deu tempo da doença aparecer nos exames de imagem. E quais são os exames que confirmam o diagnóstico de endometriose? É possível realizar esses exames pelo SUS? Como é que está esse momento? Hoje em dia a gente consegue confirmar a endometriose profunda e a endometriose ovariana.

A endometriose avariana a gente consegue confirmar por um exame de ultrassom transvaginal simples. Às vezes é uma achada de exame. Ultrassom simples de rotina, às vezes se a paciente tiver o endometrioma, que é a endometriose do avário, a gente consegue confirmar tranquilamente. Agora, para a endometriose profunda, a paciente precisa fazer ou ultrassom transvaginal com preparo intestinal, é um ultrassom que é mais específico, bem mais demorado.

Ela começa a fazer o preparo desse exame 24 horas antes, com uso de laxantes, com uma dieta mais restritiva. E aí no dia do exame a gente ainda faz uma lavagem intestinal nela para poder fazer esse exame.

Tem esse, que é o exame de primeira linha, que é o tecnografia para pesquisa de endometriose, e a ressonância pélvica, também com protocolo para pesquisa de endometriose. Então, esses dois exames, o SUJ está fazendo, o Hospital da Mulher faz, que eu saiba aqui em Salvador, o Hospital da Mulher, e lá no Irmã Dulce também a gente está fazendo.

Maravilha. Só que qual é o grande problema? A curva de aprendizado é grande, demora um tempo para a gente conseguir ter traquejo, experiência para poder ver a endometriose, não é uma coisa tão simples, não é tipo eu termino minha residência, acabei minha residência, já consigo fazer o exame para diagnosticar a endometriose, não é assim, a gente precisa realmente estudar bastante.

fazer cursos de subespecialização, tanto na parte da ressonância quanto na parte da ultrassonografia. Porque senão você vai fazer exame assim, às vezes com uma pessoa que não tem muita experiência, ou ela deixa de ver ou ela faz um sobre diagnóstico. Sim.

Agora, pelo que você fala, antigamente a gente tratava de tal forma, muitas pessoas simplesmente passavam batido, porque a gente desacreditava naquela situação. Hoje em dia não, hoje em dia é diferente. Eu acho que o atendimento está mais respeitoso, inclusive com as mulheres, com as pessoas com útero. O que quer dizer, então, que a gente avançou bastante nesse debate sobre a endometriose e eu acho que no tratamento também.

Existem tratamentos mais recentes relacionados à endometriose que aprofundam isso, que dão chance da gente, sei lá, reconhecer isso de maneira mais rápida? Quando é que é o caso de realizar uma cirurgia, por exemplo? Pronto. Vamos lá. O tratamento da endometriose é um tratamento extremamente individualizado. Não tem receita de bolo e esse é um grande problema. Não é caso, não é caso.

Mas é cada caso é um caso mesmo. Tipo assim, às vezes, digamos, eu e você, a gente tem a mesma lesão de endometriose no mesmo lugar e o tratamento vai ser diferente para nós duas. Entendi. Entendeu? É muito individualizado. A gente tenta sempre começar com o tratamento medicamentoso. Mudança de hábitos de vida é importantíssimo. Eu brinco com minhas pacientes de que a parte mais difícil do tratamento de endometriose chama-se mudança de hábito de vida.

Porque tomar remédio, todo mundo toma, cirurgia todo mundo faz, mas mudar hábito de vida é a parte mais difícil. E são os três pilares do tratamento. Exercício físico, mudança alimentar e o tratamento medicamentoso, que aí a gente vai entrar um pouquinho nessa seara. Então, a gente começa inicialmente falando da parte mais médica, do tratamento medicamentoso, e aí vai variar de paciente para paciente. Então, pode usar hormônio, pode não usar hormônio.

Tem vários tipos de hormônios que podem ser usados. O paciente pode só usar anti-inflamatório e não hormonal. Então, são vários. E a cirurgia? Quando que a gente vai fazer cirurgia? Primeiro, se a endometriose atingir órgãos alvos. O que é que acontece? Às vezes a endometriose, ela pega rim. Ela vai ali, na verdade, ela vai nos ureteres, que são os canais que levam o xixi do rim, produzido no rim, para a bexiga. E ela fecha esses canais.

Então, quando fecha esse canal, não tem como o xixi descer do rim para a bexiga.

Ela pode se espalhar por outros órgãos. Ela se espalha para outros órgãos. Mas não necessariamente em todos os órgãos vai ser necessário cirurgia. Mas quando ela vai, por exemplo, para o ureter, que é esse canalzinho, tem que ser retirado porque senão a paciente perde o rim. Às vezes ela vai para o apêndice. No apêndice precisa ser retirado porque a gente, pelos exames de imagem, a gente não sabe dizer se é um tumor de apêndice ou se há endometriose.

E tem um risco aumentado também dela ter tumor de apêndice e ser endometriose, ou da endometriose estar ali parecendo ser um tumor. Então tem que ser retirado. Às vezes vai para o diafragma, vai para o pulmão. Então a paciente, graças a Deus, é coisas mais raras, mas às vezes a paciente tem malpite e aí precisa ser operada. Às vezes ela faz obstrução intestinal à direita. A endometriose da esquerda, a gente hoje em dia já não mexe tanto, já não se opera tanto.

Mas a endometriose que tem na parte que é do hílão e do seco, da parte direita do intestino, precisa ser retirada porque causa obstrução. Aí a paciente vai ter que operar de emergência. Então essas são as principais indicações cirúrgicas, que é o ureté, o apêndice e o hílão e o seco, que é o intestino direito. A cirurgia só é indicada quando isso acontece com esse espalhamento? Não, não, não. Às vezes a paciente precisa fazer a cirurgia porque tem dor refratária.

Então, principalmente, por exemplo, antigamente as pacientes, elas não tratavam, ninguém escutava, elas passavam 20, 30 anos sentindo dor. Quando descobria, ou se descobrisse ou não, aí operava, aí operava, retirava a ultra ovário e tal, mas continuava sentindo dor depois. Ela já estava com o sistema nervoso sensibilizado.

Então ela não conseguia mais ficar sem dor. Você tem que parar o ciclo da dor, porque senão sensibiliza o sistema nervoso central e você vai sentir dor a vida toda. É como se fosse aquele membro fantasma. Sabe, paciente que precisa amputar e continua sentindo o membro, mesmo depois da amputação. Então, nesses casos, a CIA opera.

O quanto antes a gente descobrir alguma situação desse tipo, melhor, né? Melhor, melhor. Sempre, né? Sempre. Na verdade, em relação a todos os tipos de problemas de saúde, mas especialmente esse aí. E a gente nem imagina essa expansão aí para outros órgãos. Na minha cabeça, por exemplo, o pulmão não tem nada a ver com isso. Não tem nenhuma correlação, não é? Mas sim, vai. Graças a Deus erraram, mas acontece.

pericárdio, que é a pelezinha do coração, mas isso aí são coisas mais raras. Mas assim, a gente tem paciente que a gente chama de pelve congelada, que é quando a endometriose ela espalhou e como ela faz aderência com os órgãos, entre os órgãos.

a pélvica da paciente fica toda aderida, fica um órgão colado com o outro, e aí é terrível. Tem que ficar muito atento aos sinais que o corpo dá, porque o corpo dá muitos sinais, né, doutora? Dá, o corpo dá sinais. O corpo é muito mágico, é impressionante. E essa coisa que você falou da mudança no hábito de vida, como isso é importante? Porque, na verdade, é para longo prazo, né? Isso é uma coisa para o agora, um projeto verão, por exemplo. É uma coisa, né?

Ele não vai prevenir alguns tipos de doenças, né? E a mudança no hábito de vida, a transformação disso para o corpo, vai prevenir um monte de doenças, inclusive a endometriose. Exatamente. A gente consegue controlar muita dor nas pacientes com exercício físico e com dieta anti-inflamatória. Tanto que as pacientes, o tratamento para a endometriose, ele é multidisciplinar.

Precisa ter um educador físico, precisa ter nutricionista, a paciente precisa fazer exercício físico, ela precisa se alimentar bem. Tem casos que tem que ter fisioterapia junto, porque tem piora da qualidade de vida sexual. Às vezes tem piora, é paciente que faz cestite direto, certo? Ou faz vaginismo por causa da endometriose. Tem que ter psicologia junto, precisa de uma psicóloga junto, porque...

Paciente que sente dor todos os meses. E não é dorzinha, aquela colicasinha de desconforto, não. É dor de verdade. É paciente ficar agachada, paciente não conseguir trabalhar, não conseguir se levantar da cama, passar mal. Isso não é normal, gente. Não é para ser normal. Você não pode normalizar isso.

E essas pacientes que sentem dores assim, você não tem como exigir dela que ela seja uma pessoa bem humorada, legal, de bem com a vida. Poxa, vai sentir dor 3, 4, 5 dias de dor todo mês. E tem que ver como é isso a longo prazo. A saúde mental fica super deteriorada, exato.

Verdade. Doutora, e tem muitos mitos ainda que cercam a endometriose, né? Inclusive as curas milagrosas, os tratamentos sem comprovação científica, né? Com base nas evidências atuais, o que definitivamente não funciona como tratamento e por que é importante alertar os pacientes sobre esses mitos? Então,

É importantíssimo, né? Eu imagino que qualquer mito possa levar a gente para um caminho muito pior, né? Exato. O que é que a gente fala? Já existe o tratamento bem estabelecido, que foi o que a gente falou. É o tratamento medicamentoso associado ou não à cirurgia.

juntamente com a mudança do estilo de vida. Esse é o pilar do tratamento. Isso já foi estudado, testado, retestado. Então já teve, já tem muitas evidências científicas sobre isso. Aí o que é que acontece? Quando a gente está, hoje que a informação se proliferou demais, então você acha assim, todo mundo fala o que...

que quer na internet, eles pegam essas pacientes que estão muito debilitadas, que têm muito tempo de dor, de queixa, e que acham que o hormônio é coisa ruim, que tomar medicação é coisa ruim, e aí dá aquele canto da sereia, né? Ah, vamos usar essa beberagem daqui que vai melhorar. Vamos usar esse tipo de hormônio daqui que vai melhorar.

Não vai, gente. Não vai. Vocês precisam ter ciência de que o tratamento... Encare a endometriose como se você tivesse diabetes, hipertensão, doença de tireoide. Ela é como você falou, Aline. Ela é uma doença crônica na qual você vai precisar tratar durante toda a sua vida fértil. Depois da menopausa é uma outra história. Aí vem outras searas a partir daí por causa de nossa reposição hormonal. Mas assim, até a menopausa...

A gente precisa fazer esse tratamento direitinho, com as medicações e as mudanças de hábito corretas. Tem muita paciente que acha, por exemplo, que depois que operar vai ficar livre e não vai precisar usar mais medicação nenhuma. Não é bem assim. A cirurgia não retira os óvulos da gente, porque a gente precisa de nossos hormônios enquanto a gente está jovem. A retirada só do útero também não cura endometriose, é mito. Só vou tirar meu útero que vou melhorar. Não vai, não vai.

Isso antigamente, há uns 20, 30 anos atrás, a gente via isso. Tinha muita paciente que tirava o útero e continuava sentindo dor, óbvio. Porque a endometriose, como eu falei lá na frente, ela é uma doença de fora do útero. Então, se a paciente opera e não retira os focos de endometriose, não vai fazer nenhuma diferença. Ela vai continuar sentindo dor mesmo sem útero.

E assim, como você falou, se o tratamento é individualizado, eu não posso usar esses chás, que são coisas massificantes. São, exato. Imagina, é um remédio que todo mundo pode usar.

para poder melhorar, então não tem tratamento individualizado, não existe. Exatamente, não existe. É uma coisa conflitante essas informações aí. Sem contar que isso pode piorar bastante, né, doutora? Tive uma médica uma vez que disse assim, olha, chá é remédio, viu? Se você toma um litro, você está tomando uma caixa, né? É mais ou menos essa... Mais ou menos isso, exatamente. Óbvio que reservadas as devidas proporções do que eu estou falando, mas...

Se a gente não tiver cuidado também com os chás ou com os... A gente tem milhões de casos de hepatotoxicidade por chá vejo, chá de hibisco, que o pessoal toma demais, querendo risar, querendo emagrecer, e aí...

faz problema no fígado por conta disso. É a mesma coisa. Bom, doutora, a gente já está chegando ao final desse nosso primeiro programa. A gente volta com a doutora Helena Mata no próximo programa, na próxima quarta-feira. Eu queria reforçar mais uma vez aqui para os ouvintes, doutora, uma coisa que você falou que é muito importante, que é essa coisa de não normalizar a dor. Às vezes a gente se acostuma com a dor, né? É algo que o corpo se adapta a coisas ruins, a coisas boas. A gente se adapta mesmo.

E é importante que a gente não abra mão da nossa qualidade de vida, do nosso bem-estar, da nossa saúde mental. Isso em detrimento de algo que você sabe que, e a gente já está falando sobre isso aqui, sabe que tem tratamento, tem possibilidade de melhorar. Então, eu queria que você conscientizasse aí os nossos ouvintes, pessoas com útero e também as pessoas, aos homens, pessoas que não têm útero.

que também tenham uma certa tensão com relação a isso, para que a gente possa viver melhor com tudo isso, com essa questão da endometriose. Então, eu queria que você deixasse aí uma mensagem para os nossos ouvintes em relação a isso. Então, pessoal, mensagem final é isso. Sente dor não é normal. Você passar mal no período menstrual, você ter dor na relação, ter aqueles sangramentos abundantes, isso não é normal. Adolescente, passar mal.

perder a aula e parar na emergência, desmaiar por causa de cólica menstrual, não é normal. Não normalizem.

Você não é louca, você está sentindo, você tem algum problema e tem que ser resolvido. Perfeito. Bom, nosso programa chega ao fim, a gente retorna na próxima quarta-feira, novamente com a nossa entrevistada de hoje, a médica ginecologista Helena Mata, abordando mais uma vez a endometriose, que é o tema central desses dois programas, o de hoje e o da semana que vem. Na próxima quarta-feira a gente vai conversar sobre a relação da endometriose com a saúde mental das mulheres, vai aprofundar um pouco mais sobre isso, a gente já falou um pouquinho hoje.

Doutora Helena, muito obrigada mais uma vez pelo bate-papo de hoje. E a gente segue agora com a programação musical da Rádio MP da Bahia e retorna semana que vem. Obrigada, doutora Helena. Até semana que vem, então. Obrigada, Aline. Até semana que vem. Perdeu os programas anteriores do nosso Tranquilamente? Entra na aba Especiais da página da Rádio MP da Bahia, que estão todos lá para você ouvir, baixar e compartilhar. Um abraço carinhoso a todos e todas e até a próxima quarta-feira.

Me cansei de lero, lero, dá licença, mas eu vou sair do sério, eu quero mais saúde. Me cansei de escutar opiniões de como ter um mundo melhor, mas ninguém sai de cima, nesse chove não molha. Eu sei que agora eu vou é cuidar mais de mim.

Tudo bem, apesar, contudo, todavia, mas porém as almas vão rolar. Não vou chorar, se por acaso morrer do coração. É sinal que amei demais, mas enquanto estou viva, cheia de graça, talvez ainda faça um monte de gente feliz.

Toda dia, mas porém as águas vão rolar, não vou chorar, não, se por acaso morrer do coração. É sinal que amei demais, mas enquanto estou viva, cheia de graça, talvez ainda faça um monte de gente feliz.