# 139 CLARA WHITAKER — SER MÃE: SACRIFÍCIO OU SACRO-OFÍCIO?
A palavra sacrifício vem do latim sacer, sagrado, e facere, fazer. Literalmente, significa fazer o sagrado: um ato de oferenda, de consagração. Mas o que significa quando falamos do sacrifício materno?
Para a psicanalista Anne Dufourmantelle existe o sacrifício e a renúncia. Renunciar é abrir mão do próprio desejo. O sacrifício é outra coisa: seria um gesto pelo qual alguém aceita perder algo para não perder aquilo que considera essencial.
Será que, quando uma mulher se torna mãe, ela renuncia ao seu desejo? Ou a maternidade transforma radicalmente sua relação com esse desejo e com a própria vida?
Clara tem 28 anos e é mãe de Emanuel. Engravidou aos 26, sem planejar, ainda se perguntando se aquele era o momento certo para ter um filho. E sem saber que a maternidade se tornaria esse ofício sagrado.
Ela conta aqui como o apoio da mãe lhe deu força para seguir com a gestação, fala da dor do parto e da desordem do puerpério. Com ela, falamos das pequenas renúncias, das belezas e também da transcendência da maternidade.
Obrigada, Clara, por trazer um outro olhar sobre o sacrifício materno.