EP #186: The Beatles - Revolver
Aproveitando as comemoração de 60 anos de lançamento de Revolver, trazemos uma resenha sobre o álbum, abordando aspectos históricos, curiosidades e compartilhando nossas opiniões sobre as músicas em nosso faixa a faixa.
Revolver é o ponto de virada na carreira dos Beatles. Depois de conquistar o mundo, a banda deixou de pensar apenas em fazer grandes canções e passou a explorar novas formas de compor, gravar e experimentar em estúdio. Foi esse disco que abriu caminho para a fase mais criativa dos Beatles.
Apresentado por William Faria, Bruno Glaser e Renata Costa.
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William Faria
Bruno Glaser
Renata Costa
- Eleanor Rigby· CulturaPaul McCartney·Solidão·Arranjo de cordas·George Martin·John
- Tomorrow Never Knows· CulturaJohn·Experimentalismo·LSD·Budismo Tibetano·George Martin
- Álbum Revolver· CulturaBeatles·Revolução sonora dos Beatles·Psicodelia·Experimentação em estúdio
- She Said, She Said· CulturaJohn·Psicodelia·Peter Fonda·Experiência com LSD
- Capa do Álbum Revolver· CulturaAnitta·Arte de capa·Abracadabra (título cogitado)
- Taxman· CulturaGeorge Harrison·John·Paul McCartney·Ringo Starr·Imposto de Renda·Crítica social
- Álbum Daqui para o Mundo· CulturaPaul McCartney·Beach Boys·Pet Sounds·Amor
- Faixa 10: For No One· CulturaPaul McCartney·Fim de relacionamento·Indiferença·Pop Barroco
- Got to Get You Into My Life· CulturaPaul McCartney·Soul Music·Maconha·Metais
- Faixa 4: Love You Too· CulturaGeorge Harrison·Cultura Indiana·Sitar·Espiritualidade·Paul McCartney
- Avaliacao de Album· CulturaRevolucionário·Aclamado pela crítica·Beatles
- I'm Only Sleeping· CulturaJohn·Guitarras invertidas·LSD·George Harrison
- The Beatles· CulturaJohn·Paul McCartney·George Harrison·Ringo Starr
- Good Day Sunshine· CulturaPaul McCartney·Felicidade·The Lovin' Spoonful·Piano
- Yellow Submarine· CulturaPaul McCartney·Ringo Starr·Música infantil·Animação Yellow Submarine
Fala, povo lindo! Saúdo a todos com essa intro cheia de experimentação. William Faria na área abrindo os trabalhos para mais um episódio do Rock na Mesa. Aqui comigo, Bruno Glaser.
Sei por que que o pessoal fica comparando Beatles e Rolling Stones, cara, querendo dizer um que é melhor que o outro.
Na sua opinião, qual que é melhor? Se tu tivesse que escolher de pronto agora, mano, não é nem competição, cara.
É, você comparar Beatles com Rolling Stones, os Beatles estão muito acima, né?
Ó, é um ponto, é um ponto. Renata Costa.
E aí, pessoal, como é que vocês estão? Fiquei super feliz de vocês terem topado gravar o Super Deluxe com 63 faixas, aonde a gente vai falar de take por take, faixa por faixa. Sim, ó, achei incrível.
Olha, que bom que você tá animada e com sentimento de gratidão, porque vai ficar tudo nas suas costas hoje. Conteúdo, contexto histórico, opiniões embasadas. Estamos contando contigo hoje. A gente aqui, sabe aqueles colegas de trabalho, de escola, que fica escorado no nerdzinho? Hoje a gente vai ficar na sua.
O cara que fica segurando o cartaz, né, que ficava segurando o cartaz enquanto os outros apresentavam.
É isso aí. O episódio de hoje, meus amigos, é sobre o disco Revolver dos Beatles, que completa 60 anos neste mês de agosto de 2026.
I was alone, I took a ride, I didn't know what I would find there. Another road where maybe I could see another kind of mind there.
Ooh, then I suddenly see you. Ooh, did I tell you I need you every single day of my life? Beatles já apareceu em nossa programação. Nós falamos de Sgt. Pepper's no episódio 23 e do Let It Be no episódio número centêntes... no episódio 73. Em todos eles nós falamos sobre o nosso início ouvindo Beatles. Então se tiver curiosidade volta lá. Hoje o foco da nossa conversa é sobre o Revolver. Eu sei que a Renata vai trazer um monte de coisa.
Aliás, diga-se de passagem, ela mandou para nós um videozinho da pauta dela. Ela fez literalmente uma cartilha. Ela escreveu tudo numa cartilhazinha, grampeou, ela fez capinha, ela fez tudo. Então hoje não tô brincando, ela se dedicou muito, muito mesmo. Mas eu vou ousar dar um pequeno contexto aqui para a gente dar seguimento na nossa conversa. Revolver é o sétimo trabalho de estúdio da banda, foi lançado no dia 5 de agosto de 1966.
Por um pequeno descuido da nossa parte, não vamos conseguir lançar esse episódio exatamente na quarta-feira que ele é lançado, mas você está ouvindo esse episódio uma semana depois, dentro do mesmo mês, então ainda dá tempo. Disco aí que foi produzido por George Martin e é o sucessor do Rubber Soul. O Revolver marca o momento em que a banda entrou de vez no território da experimentação, da psicodelia, e da criação do estúdio como ferramenta artística.
Então passo aqui agora para os meus amigos, iniciando pela Renata, que talvez entre nós é o elo mais forte com o disco, né, Rê? Então justo dizer que o Revolver ele é um divisor de águas na carreira da banda, ou você acha que esse título cai para outro álbum?
Não, sem dúvidas aqui é o fio da meada, né? É, tem uma— antes de tudo, muito obrigada pela introdução. Realmente sou muito fã desse disco, já coloco ele aqui como o meu disco favorito da banda. É o disco que, que assim, que me fez entender muita coisa do que hoje eu gosto. E se hoje eu tô aqui com vocês falando de rock, é por conta dos Beatles, em especial esse disco. Talvez se não fosse ele, eu nem aqui estaria. Conheceria mais adiante, mas talvez não tivesse essa mesma conexão.
O Revolver, ele é um disco muito importante na carreira dos Beatles e não só na parte musical, né, na parte de instrumentos, da experimentação, mas também aonde eles se entendem como artistas, né? Porque aqui fica consolidado os 3 pilares desse disco, que é o LSD, que vai expandir aí a mente do George Harrison, do John Lennon. A arte em si, porque a gente vai falar depois da capa, enfim, né, e o contexto do disco. E a inovação, né, o que eles fazem a partir daqui vai, vai ser exemplo para muitos outros discos que a gente vai ouvir.
Vai ter inversão da guitarra, vai ter a cítara, que é a introdução da música indiana. E um breve contexto: em uma entrevista, o George Harrison disse que o Revolver poderia ser facilmente o parte 2 do Robert Soul, porque eles são muito parecidos. Eles têm momentos ali de músicas que tu fica, nossa, parece uma junção das duas, né? Parece que é uma completando a outra. Eles são idênticos. Se não fosse por essas 3 características, né, que é essa expansão da mente do John Lennon, essa necessidade do Paul de provar que ele não é só mais um rostinho bonitinho, aqui também já fica bem visível que eles já estão cansados, saturados das turnês, porque eles falavam, cara, não adianta a gente tocar, a gente tá no meio de uma histeria.
A gente chegava lá, a histeria já tava acontecendo, as pessoas não ouviam nossa música. Então eles queriam também provar que eles eram bons músicos, né? Não era só aquela coisa pop aonde todo mundo queria é um pedacinho e ficar aquela coisa insana. E esse disco também, cara, a gente pode eu posso cravar aqui como a quinta essência dos Beatles, porque de certa maneira todos eles trabalharam na música. Diferente dos Sgt. Pepper's lá na frente, que vai ser uma coisa mais individual, cada um trabalha sua música sozinho.
O Rubber Soul também, que eles estão ali tateando. Aqui não, aqui eles, os 4, estão trabalhando em sintonia, tá uma sinergia boa. Tava aquele burburinho da mídia, né? Será que os Beatles vai acabar ou não? Aqui a banda tava longe de acabar, muito pelo contrário, eles estavam muito firmes nesse propósito. De inovar, de criar, de modificar, de serem criativos. Enfim, eu acho que é um pouquinho do que eu posso falar. A gente vai falar muito mais sobre isso, mas é o que eu acredito ser, né, desse disco.
Eu acho que o Rubber Soul e o Revolver são duas ilhas que vão formar o arquipélago que é o Sgt. Pepper's. Vou colocar assim. Agora, cara, o Bruninho, eu tô muito curiosa por saber a tua relação com esse disco e o que que tu acha desse disco. Para carreira dos Beatles e para tua vida também?
É, na vida não sei assim. Beatles, acho que eu comentei no, quando a gente gravou o Let It Be, eu tava até meio chocado aqui que foi no episódio 70. A gente já tá no episódio 5 milhões aqui, faz tanto tempo que eu tô gravando com vocês. É, mas esse disco, cara, assim, botar para ouvir é daqueles que todas as músicas estão, estão bem cravadas na minha cabeça, né? Tá super familiarizado com tudo. Eu não sei, não consigo dizer se esse é o meu favorito ou Abbey Road.
Eu sempre fico entre os dois. Não sei se isso é muito comum de fãs de Beatles, né? Eu não sou, não me considero um mega fã, não tenho um Beatle favorito, né? A galera sempre tem, ah, sou time Paul, time John, time George, time Ringo. Eu não tenho muito isso, né? Até dando aquela pesquisada para gravação Todas as faixas têm essas discussões, né? Não, essa aqui foi 80% Lennon e 20% Paul. Não, essa aqui foi 47% George e 53%— é, essas coisas aí eu não me aprofundo muito não.
Mas assim, as músicas são incríveis, né, cara? Sempre que eu paro para ouvir isso aqui, ainda mais ouvindo com aquele carinho diferente para gravar, tá muito acima de quase tudo que tem por aí, né? É um disco que é uma sacanagem de bom, já dando aquele pequeno spoiler de cara. E você, William, esse é o seu disco favorito dos Beatles? Como eu não gravei o Sgt. Pepper's e confesso que não ouvi, esse pai ainda tô com um passivo grande aqui do Rock na Mesa. Qual é o seu favorito, cara? Qual é o seu Beatle favorito também?
Pô, McCartney. Mas eu não sou um grande fã de Beatles, eu gosto muito, muito mesmo, cara. Mas assim, eu não posso, não é justo me considerar um puta fã da banda, aquele cara que conhece tudo, aquele cara que sabe muita coisa da banda. Eu acho que Beatles é uma daquelas bandas que elas sempre estiveram por aí, né? A gente cresce ouvindo Beatles, continua ouvindo Beatles, e quanto mais se ouve, mais se aprende, mais se conhece. Eu conheço, eu tenho os amigos que certamente conhecem muito mais do que eu, são especialistas no assunto.
Eu já vou mais assim na emoção. O meu disco favorito dos Beatles sempre foi o Magical Mystery Tour, é o que eu gosto mais, tá? Para mim ali, em sua essência, é como eu gosto que eles soam, tá? Eu sei que é um disco pouco convencional, mas eu gosto, é o que me agrada. Tá? E o Revolver, ele é um disco que depois que eu ouvi, por esse tempo aí que a gente tava se preparando para pauta, eu consegui finalmente entender o que que a Renata tá falando em questão de ser um disco assim que ele se posiciona como um disco redondinho, entendeu?
Então a gente gravou o Sgt. Pepper's, a gente estudou a respeito, a gente ouviu bastante a respeito. Entendeu? Então assim, esse antecessor aqui, o Revolver, ele acaba sendo um disco assim, ele tem mais senso de unidade de banda, entendeu? Ali os caras se convergeram para um trabalho como uma equipe, eles entraram no estúdio, fizeram isso aqui, que eu acho que a Renata falou lá que o Sgt. Pepper lá mais na frente eles se individualizam um pouquinho os papéis.
Aqui eu já acho que ele já é mais redondinho. Para mim foi uma experiência muito boa ouvir, porque eu pude resgatar algumas músicas que eu sempre gostei, que eu posso listar mais no Faixa a Faixa. Mas para mim foi um prazer gravar esse álbum aqui, foi muito bom a audição. E eu tô bem curioso sim para saber o que que a Yanata vai nos trazer aí de conteúdo, que eu tenho certeza que ela vai trazer muitas curiosidades, muitas opiniões aí apaixonadas por parte dela, né?
Eu acho que eu vou ser um pouquinho mais contido depois da Bíblia que ela mostrou, né, cara? Ah não, eu fiquei, eu fiquei, como é que se diz, eu fiquei tímido depois daquilo.
Sem querer pressionar, sem querer pressionar, mas o volume ali de conteúdo, nossa, é ali eu fiquei acuado ali.
Não, a gente vai ter que, aqui a gente tá pisando no território dela aqui hoje. Hoje é um episódio Renata Costa. Vamos lá então para a formação da banda. Aqui os integrantes, eles tocaram muitos instrumentos.
Engraçado até falar, né? É engraçado até falar de formação dos Beatles.
Quem precisa saber que a gente tá falando do Paul McCartney, George Harrison, do Ringo Starr, entendeu? Do John Lennon, cara. Porra, mas tem que cumprir o protocolo, né? E aqui é o seguinte, cara, os caras tocam um monte de coisa, que a lista é longa, ficaria longo demais. Mais, né? Mas tá lá, cara, John Lennon, todos eles cantam no álbum, essa é a grande parada. Mas tá lá o Lennon tocando guitarra, órgão, etc. O Paul McCartney, que além de cantar toca baixo, etc.
George Harrison faz guitarra, toca outros instrumentos também. Ringo Starr na bateria, toca maracas, chocalho, faz vocal de apoio, violão submarino, aquela coisa toda. Então tá aí a formação da banda, é até, chega a ser até um Vai ser assim uma perda de tempo a gente explicar quem são esses caras, né? Acho que o nome de cada um deles tá aí, como é que diz, eternizado na história do rock, né, cara? Então não tem cada um deles aí, seja lá quem você escolher, dispensa apresentações.
Você foi no show do Ringo Starr quando ele veio para São Paulo?
Não, nunca fui no show de um Beatle, cara. Eu não fui nem no Paul McCartney.
Eu achei que o Paul você teria ido. Eu perguntei do Ringo porque tem, tem gente, tem gente que você curte na formação que veio, né? Se não me engano, teve o Steve Luca, teve uma galerinha aí que eu sei que você é fã.
O Steve é foda, mas não fui, cara, não tive oportunidade. Infelizmente eu não fui. O Paul McCartney já veio algumas vezes, eu perdi todas. Eu consegui a façanha de perder todas as vezes. A última vez eu já moro aqui há alguns anos no sul e acabei não indo também. Então é uma pena. Não sei se eu vou ter essa chance, quem sabe.
Pena que agora você não vai mais a nenhum show, né? Não vai mais comprar ingresso.
É, me aposentei. Me aposentei em 2027, não quero mais ir em show, acabei. Vou ficar só, vou virar roqueiro de Spotify agora. Não quero mais saber de você.
Deixa eu compartilhar com vocês uma situação levemente constrangedora. Para quem é fã, eu acho que não é constrangedora, mas hoje, né, antes de gravar o podcast, eu tive que caminhar um longo percurso assim porque eu precisava fazer uma coisa. E aí eu tipo, quero saber, vou caminhando, daí eu vou ouvindo música. Daí tá, e tava ouvindo música, daí coloquei em modo aleatório do Spotify e começou a tocar Rei Jude. Gente, sério, a minha imaginação me levou pra um show.
Porque eu nunca vi um show do Doom Beetle também. Mas eu, enquanto ouvia Hey Jude, eu me imaginei num show do Paul cantando lá lá lá lá lá lá com ele. E na descida, olha só a minha mente. E na descida, eu conseguia me encontrar com ele e abraçar. E na minha imaginação, eu não conseguia dizer nada. Eu só abraçava ele assim, sabe? Tipo aquele abraço quentinho. Eu acho que é coisa de quem é fã mesmo, assim. Pra sentir esse calor da música e essa emoção que a música traz.
Imagina, né? Coisa louca.
O que que você falaria para ele?
Eu não falaria, acho que eu infartava antes de falar alguma coisa, amigo.
O que que tu acha que ele te falaria, Renata?
Cara, ele é um cavalheiro, ele é um lorde, ele com certeza seria muito cordial, acho, daria oi, acho que seria tipo tudo bem, ok. É aquele jeitinho dele, ele é muito amado, ele é um belo de um cavalheiro. Ele falaria oi, eu falaria oi.
Vamos falar sobre a capa do disco. Sai na frente aí, Renato. O que que tu tem para nos contar dessa capa?
Ah, tá bom, gente. Essa capa é emblemática, né? Vou até abrir ela aqui, ficar com ela na minha frente para poder falar sobre ela. Não quis anotar nada porque eu acho que ficaria uma loucura anotar alguma coisa sobre essa capa. Ela já mostra para o mundo, tanto comercial, tanto para quem é o fã ali, que eles estavam mudando, né, que o visual deles era outro. Eles acabam abandonando aquela tradicional foto de capa aonde estão todos eles com aquele cabelinho, como é que é que chamam, de pinico, aquele cabelinho cortadinho, né, deles.
E eles escolhem um artista que Puts, não lembro o nome dele agora, mas eu sei que ele é super renomado. Inclusive, ele ganhou um Grammy das capas. E esse desenho deles, né? E aí, com várias fases da vida deles ali no meio e passando. Eu acho que é justamente isso. Porque é a gente dentro da mente deles, por essa viagem de tempo que eles vão nos oferecer dentro da música. Eu acho engraçado que é um disco que não é conceitual, mas ele tem um conceito.
Eu acho isso super interessante. Então é uma capa que vai Não é uma capa por ser capa, ela tem uma arte por trás, ela tem esse significado de mostrar que os Beatles estavam amadurecendo. Eles já não eram mais aqueles 4 meninos imaturos de Liverpool, eles estavam tendo essa ideia mais madura de música e tudo mais. E qual a tua opinião sobre a capa, William?
O artista em questão é Klaus Voormann. Obrigada, amigo, tá anotado aqui. Bom, eu não sei se tu chegou a trazer isso para pôr em algum lugar, mas disse que cogitou chamar esse álbum de Abracadabra.
Sim, sim, sim, inclusive o livro aborda isso. Tem o livro, Ave Maria, falhou. Inclusive tem um livro, né, com esse nome, e eu gostaria de deixar aqui registrado um abraço para o Jovão Moura. Lá da Beatles School, que há muito tempo atrás ele me indicou esse livro para ler. É um canal para quem é beatomaníaco, vão lá que é um deleite. E sim, eu tinha colocado aqui, mas enfim, que bom.
Tem uma história, que uma curiosidade, que diz que a versão inicial dessa capa teria o Paul McCartney sentado em um vaso sanitário, que chegou a ser descartada no início. Uma das muitas curiosidades aí do, sei lá, tá ali, ó, ele sentado. Sim, mas teria ele em destaque, só isso.
Tá sentadinho ali, mas é no vaso sanitário, cara. Você não tá vendo ali não?
Aonde, cara?
Só para criar uma fake news.
Mas assim, eu acho que é uma capa minimalista, mas ao mesmo tempo cheia de de coisas, né, cara. É um, esse desenho ficou bem legal, tem essas colagens aí de fotos de arquivos pessoais, né. E tem essas imagens, parece que foram feitas por um tal de Robert Whittaker. Enfim, eu acho que, eu acho, eu acho que foi uma capa assim que não é uma das minhas preferidas da banda, mas ela Tem muitos elementos nela que tu fica prestando atenção, tu fica cuidando ali, né, para ver quem é que tá ali, quem é que não tá.
Tipo, pô, tem umas coisas ali bem curiosas. Tipo, eu particularmente das capas dos Beatles assim, eu sou muito mais a capa do Sgt. Pepper's, isso sem dúvida, Abbey Road em segundo, entendeu? Que eu acho que são capas que eu gosto muito. Mas essa aqui é uma capa Ao meu ver, essa tem bastante informação, mas ao mesmo tempo ela tem o seu minimalismo.
Então eu gosto.
E você, Bruno?
Eu tenho sentimentos conflitantes com essa capa, cara, porque acho ela mais interessante do que legal, né? Assim, acho que todas as capas dos Beatles são marcantes para caramba. Você vê de relance, você já sabe que é o disco, né? Esse lance de colagem, cara, é um estilo que acho que foi evoluindo nessa fase dos Beatles, principalmente de experimentalismo, né? Assim, tem colagens sonoras e tem colagens visuais na capa, né? Eles estavam querendo sair um pouquinho da casinha, né?
Então fica um treco marcante, legal, né? Eu acho interessante os desenhos com a colagem de tipo um olho real em cima do desenho, né, os lábios reais em cima do desenho. Tem umas coisas, são acho que interessantes, né, o negócio meio onde tá o olho de ficar olhando que você falou, William, ficar procurando os detalhezinhos, né, identificar aí onde é que tá o Paul McCartney sentado na privada. Mas não sei, também não é minha favorita dos Beatles não, cara. Acho que tem algumas de melhor gosto do que essa capa aqui.
Olha aí, tu reparou aquele, aquela figurinha, aquela pessoinha saindo da orelha do Paul McCartney ali na capa?
Deixa eu ver. Sim, tem uma pessoinha desenhada, né?
É curioso, né? Ali na orelha do John, ali parece que tem tipo como se fosse um cavaleiro ali, tipo um lorde, alguma coisa assim, sabe?
Fora que tava falando muito mal do John Lennon ali, né? Porque ele tá com a orelha fritando ali.
Tava falando mal do cara.
Acho que deve ser a orelha dele ali, tá em brasa, né?
É, e ele olhando meio desconfiadão assim, sabe?
Tô louco.
Uma informação importante que eu gostaria de deixar registrado antes do faixa a faixa é que a versão americana do Revolver veio com 3 faixas a menos: as faixas I'm Only Sleeping, Angel Bird Can Sing e Dr. Robert, elas ficaram fora da edição americana. Então, porque essas músicas já tinham saído no LP americano Yesterday and Today. Então, na edição inglesa tem essas 3 músicas e são as mesmas músicas que a gente encontra aí nos streamings aí, que é o que a gente vai usar para o nosso faixa a faixa.
A gente vai no Super Deluxe mesmo, né, cara?
Não, tá louco? Não, Deus me perdoe, não, de forma alguma.
12 horas de gravação, que essa versão Super Deluxe, ela saiu em 2022, né? E aí em 2022, um pouco antes dela subir para o Spotify e tal, vazou ela. E aí foi aquele, foi dentro desses fóruns aí de beatomaníacos assim, e aí foi aquele burburinho, porque aí foi o cara, é incrível, é uma coisa assim que quem tem grana compre porque é lindo. E aí Vazou o livro também que vinha nessa edição, sabe? E ela era, cara, aquela coisa assim, uau!
E no Spotify é 63 faixas, se não me engano, com os takes. Nessa versão que vazou tinha muito mais. Tipo, até como eu disse pro Bruninho hoje, eu tava tentando achar isso, que não achei. Porque realmente é muito arquivo, é muita coisa. De vários takes lá que tinham. Porque aí quando finalmente o filho do Brian... Amplisten conseguiu ter acesso a todo esse material. E com a tecnologia que tem hoje em dia, isso se eu não me engano em 2009, ele conseguia pegar e separar, né, tudo.
Tipo, ele conseguia separar o baixo, ele conseguia separar a voz, backing, enfim, ele conseguia separar tudo e aí fazer o que ele quisesse, mixar da forma como ele quisesse. Mas no fim ele respeitou a obra e não fez muitos ajustes, a não ser aquela leve equalização, tirou aquele ruidinho, enfim, esses pequenos detalhes.
Ouviu a versão mixada ali de 2026, essa da Expanded Edition ali, a Deluxe, né? Que que tu achou, Rê? Tu achou alguma diferença?
Essa é de 2022.
Na prática, tu sentiu alguma diferença? Para você soou diferente? O som respira melhor? Tu sente mais Tu percebe mais detalhes nas músicas?
Tu percebe, sim, principalmente quando tu escuta ali as partes separadas dos takes, na parte que tu escuta de headphone, sabe? É diferente, sim, fica mais limpo, fica mais— tu sente ali que tem uma mudança, uma— tiram o pó de cima, sabe? Tem diferença, sim. Apesar de eu gostar mais da versão de 2009.
Eu vou fazer uma pergunta agora que, se você quiser, tu me responde lá no Faixa a Faixa, você responde aqui, vê o que que tu prefere. Porque considerando o disco tendo lado A e lado B, né, vamos falar aí do vinilzão, qual que é a percepção que eu fiquei? O lado A do disco, ele é mais contemplativo, tipo melancólico. Eu achei o lado B mais feliz. Lado A começa com Taxman, lado B começa com Day Sunshine. Tu compartilha disso? Tu acha que não?
Ou tu acha que o álbum ele é, ele segue uma sequência assim coerente nesse sentido?
Acho que foi muito, é bem, bem ponto de vista. Acho que não, acho que ele intercala bem as faixas, porque às vezes a letra vai abordar um tema, mas a melodia vai vai reagir de outra forma, né? E aí na sequência que tu vai escutando ele assim vai fazendo sentido. Para mim funcionou assim, pelo menos.
Sentiu isso, Bruno?
Não, acho que tá equilibrado, cara. Pegar que tem Yellow Submarine lá do AC, a música mais felizinha infantil, com Taxman que é mais agressiva, né? Não acho que é tão contemplativo contra, contra feliz, não está equilibrado. Tô de acordo com a Rê aqui.
Vamos lá então, vamos começar nossa viagem aqui pelo álbum. Primeira faixa, Taxman. Eu fiquei hoje enchendo o saco de vocês no grupo, né? Vai lá, Renata, começa.
Cara, essa é a faixa famosa sempre que ela vem história, mas antes da história ela é uma música que começa sem introdução nenhuma, né? Ela começa ali com o Paul, é o Paul que faz aquela contagem, aquela voz diferentona lá que ele emula. Ele já tinha feito isso em outra música Acho que do lado, não vou lembrar disso agora também, nem vou, nem é uma coisa importante. Mas um dia eu tinha feito essa outra música. Hoje eu tava ouvindo hoje de tarde e aquela tosse, cara, ela abre, parece até uma demo, né?
É engraçado. E aquela tosse, o Dennis Harrison, em uma entrevista futura, ele vai dizer que é do George Harrison. Ele, cara, ele fala, meu pai fumou muito ali nos anos 80, nos anos 90. E aquela tosse eu reconheceria a quilômetros de distância. Então aquele 1, 2, 3 é o Paul, e aquela tossezinha que vai, né, no embalo é do George. E cara, depois desse milésimo de segundo já vem uma guitarra cortante. É um groove muito característico do que vai ser os anos 60.
Essa música foi composta pelo George Harrison com a ajuda do John Lennon, né? Porque agora eu vou detalhar mais, né, o contexto dela. Mas o George não tinha a malícia e a sagacidade que o John tinha de colocar algumas partes na música. Então ele, cara, vem cá me ajudar a finalizar. John vai lá e ajuda ele. O Paul vai gravar o baixo e o solo da guitarra, que é uma coisa super memorável. E o John faz só os backings, né? O John não canta nessa música.
E o Ringo vai lá e coloca os seus apetrechos, né? Tem o cowbellzinho lá, Bruninho, que eu adoro. Eu acho importantíssimo ter, né? E aquela bandeirolinha também, que é do Ringo, e é muito massa. E aí é isso que eu falei no início, que é sobre todos trabalharem no disco, né? Cada um deles colocou a mãozinha numa música. Música para ela sair do jeito que saiu. E agora a história do Taxman, cara, ela se torna preocupante para os Beatles, porque ela vai começar ali no final de 65, no início de 66.
Eles estavam fazendo muito sucesso e com isso eles estavam arrecadando muito dinheiro. Só que na época, na Grã-Bretanha, eles estavam com regime aonde taxavam as grandes fortunas. Ou seja, quanto mais eles ganhavam, mais imposto eles pagavam. Eles chegavam a pagar tipo 95% do imposto. Então aquela altura eles já estavam assim, cara, eles estavam devendo muito. E o que que acontece? O contador chama os 4 para uma reunião e diz, ó, seguinte, piazada, negócio é o seguinte: 2 de vocês estão falindo e os outros dois estão indo para o mesmo caminho.
Ele não fala quem, né, qual deles que tá acontecendo isso, mas ao que tudo indica, né, os dois estavam à beira da falência era o George e o Ringo, porque eles tinham menos poder aquisitivo, né, porque eles tinham menos participação ali na função de composição. E o John e o Paul estavam indo para o mesmo caminho nessa altura. Cada um já tinha comprado uma casa, né? Cada um já tinha comprado uma casa para os pais também. O Ringo nessa época tinha uma casa lá em Montagu Square, Londres.
Essa casa que ficou famosa depois pelo Jimi Hendrix morar, e depois aquela prisão do John e da Yoko em 68. E enfim, então o contador chega neles e fala, ó, a situação de vocês é essa, vocês estão falindo. Além do mais, O Brian Epstein tinha esquecido de anunciar para eles que eles tinham que declarar imposto. Ou seja, além dos 95% que eles já tinham que pagar, eles ainda não declararam. Ou seja, eles deviam mais 25%. Eles estavam total na merda.
E é uma coisa assim meio louca de você pensar, né? Porque, cara, os Beatles naquela época, o que eles faziam de turnê, o que eles vendiam de disco, de single, de tudo e mesmo assim os cara à beira da falência. Existe uma teoria de que os 4 Beatles têm uma persona, né? O John é o ditador, era conhecido, o Paul bonitão, o Ringo com aquele humor duvidoso e o George o quieto. Nessa reunião, os 3 debateram exceto o George. O George ficou quietaço, ele engoliu a seco aquilo.
No entanto, ele respondeu nessa letra, né, sobre essa taxação de imposto. Essa cobrança absurda de imposto que eles tinham na época aí. E tem uma coisa, uma parada legal que ele fala, que é, bah, eles vão cobrar até a moeda, né, que vai no seu olho. Que é uma lenda grega que tem, que antigamente se colocavam moeda nos olhos das pessoas mortas para passar pelo, fazer aquele negócio de bruxar. A travessia do rio. É isso aí. Então, tipo assim, ó, tu ia ter que pagar até imposto para o barqueiro.
É uma parada irônica que isso veio do Joe, né? Dependia disso. E taxman tá aí para a eternidade. Agora, Bruninho, o que que tu acha dessa música?
Sobrou alguma coisa para mim?
Se não sobrar para ti, para mim não vai sobrar nada.
Não, cara, ó, vou bem, bem resumido aqui. É, o William tá fissurado nesse groove de baixo, cara, que é legal demais mesmo, né? E a guitarra, ela fica tocando um ré com sétima, cara, que fica um negócio bem cortante, né? Uma música que é bem agressiva dos Beatles. Aí vou até, quando passar para o William, quero que ele me diga o que que tem de mais agressivo que isso, que eu lembro, sei lá, Helter Skelter, She's So Heavy, tem algumas músicas, mas são poucas que tem essa pegada mais puxada aí, né?
Eu adoro as harmonias de voz dessa faixa, mas assim, é meio que todas as faixas dos Beatles você pode falar das harmonias de voz, né? O solo, cara, tá bem distorcido, né? Ele tem uma pegadinha meio indiana já aqui, não é cítara, mas ele já tem umas ideias que são bem comuns de desse tipo de som, né? A bateria aqui, cara, o Ringo faz umas viradas que não são super complexas, mas tem muito bom gosto e muita pegada, né? Acho que a única coisa que me incomoda, e aí é reclamação dessas edições modernas aí, é que o som estéreo para mim é um problema nesse disco, cara, que fica a guitarra, por exemplo, fica só a base na esquerda e aí o solo fica só na direita.
Isso me irrita um pouco. Né, esse som ultra estéreo. Um pouquinho acho que aqui ok, né, mas aqui não, sabe, Bruninho?
É por isso que eu queria tanto achar para ti essas versões que eu tinha, cara, porque você precisava ouvir, é muito massa.
Eu fui ouvir o disco mono, cara, porque isso aqui realmente me tira da música ouvindo com fone, né, ouvindo no Pode falar.
Não, não, não, eu só ia dizer outra coisa, que essa música ganhou um videoclipe em 2022, que honestamente não foi lá, né, um clipe, porque ele vai pelo mesmo caminho ali do Yellow Submarine, uma coisa mais animação e tal. E não sei se vocês chegaram a assistir o clipezinho dessa música.
Vi nada, nem, cara, sinceramente eu perguntei hoje para vocês quem já tinha visto os filmes Né, o Hard Day's Night e o próprio Yellow Submarine. Eu nunca vi nada, cara, nunca assisti nem dele nem do Elvis, né, esses filmes de— nem do Roberto Carlos, nenhum desses artistas aí eu assisti os filmes. Mas fala aí, William, você não acha que essa música é agressiva, cara, no contexto de Beatles, né? Que que tem de mais puxado deles aí? Eu só penso em Helter Skelter mesmo.
Eu não diria agressiva, Bruno, eu acho que ela é gruvada e pesada, cara. Cara, esse baixo dela é uma delícia, cara. Pô, tu foi muito feliz em falar porque eu fiquei viciado, né? Eu já conhecia a música, mas nem reparei que você ficou viciado. Eu escrevi assim no grupo do WhatsApp da equipe, cara, é muito bom, cara. Eu não diria agressiva, eu diria que ela é pesada, gruvada, ela tem presença.
Tô falando agressiva no contexto Beatles, né?
Que assim, é uma música mais pegada, mas vocês concordariam comigo se eu dissesse que eu já vou trazer de novo o disco que eu falei que é o meu preferido, a música Magical Mystery Tour, para mim, para mim é pesada. Ali é peso, ali é pegado, é acelerada. Para mim aquilo ali é o Beatles que eu curto.
Mas é que aqui eu tô com o Bruninho assim, não parte nem do machismo, é um fato. Essa música é mais pesada, que ela é muito diferente diferente do que os Beatles estavam trazendo para época, tá? Aqui a gente tá falando, a gente já escutou, a gente já, né, a gente sabe, a gente já sabe a história. Mas assim, para época, quando chega em 66, para quem vai comprar, cara, é muito diferente do que ele estava acostumado a ouvir com os Beatles, né?
É uma música que fala do imposto de renda, sabe? Não é uma música que vai falar de amor, de botar a mão onde não deve, de fazer escondido no carro, usar essas metaforazinhas ingenuazinhas para falar de conotação sexual, saca? Esse disco não tem, bem dizer, nada disso. É um disco que deixa de lado isso. E aí a guitarra é agressiva, essa guitarra é rasgadona, não é aquela tão, tão, tão que os Beatles faziam antes.
Não, não, certamente não é. Eu só não acho o conceito para mim de agressividade, de peso, é um pouco diferente, tá? Eu acho que é uma música assim que ela—
tu já falou isso, a gente sabe, não precisa nem dizer, de forma muito ampla.
Tu já falou já da questão do dos impostos, né, o fiscal lá que cobra imposto da banda. Mas eu já vejo isso aí já como uma mensagem, isso mais em tom de crítica e de sarcasmo mesmo, a indignação. O cara tá puto da cara, entendeu? Só que ele preferiu colocar isso aqui em forma de música, entendeu? Então eu não vejo essa agressividade ou algo em relação de raiva, eu vejo mais como tipo assim Tipo, esses filha da puta estão nos roubando, sabe?
Tipo indignação, entendeu? E aí eles escreveram, o George Harrison escreveu isso aqui. Então para mim é isso aí, sabe?
Que nessa época houve um certo deboche deles porque foi bem na época que eles foram condecorados lá pela, pela rainha lá, teve toda aquela função, né? E aí, cara, veio aquela zoeira, tipo, claro que eles têm que ser condecorados, eles pagando tudo, tudo que eles estão dando para o governo. Eles pagaram, é tipo, eles pagaram por isso, eles merecem isso.
É, então, e a música para mim, tirando o baixo, que eu já me derramei elogios, né, é uma delícia, cara. O ritmo é uma delícia, eu fico tarolando o som dela o tempo todo. Tá entre as minhas preferidas do disco, sem dúvidas. Eu acho que inicia essa fase psicodélica de estúdio, né? E mais, mas eu acho que essa música ainda traz muito para mim da sonoridade clássica da banda que eu gosto tanto. Isso se faz presente não só nos sons da guitarra, das guitarras, né? Mas no baixo, nos vocais também. Cara, uma baita abertura!
Vamos lá para a segunda faixa, Eleanor Rigby.
Vai lá, Renata, derrama essa história em cima de nós aí.
Não, não só estoura, mas meu coração em cima dessa música. Eu amo essa música, cara. Segunda parte do disco e já é essa obra, essa realeza, esse diamante assim. Que música incrível, a genialidade do Paul. E aí aqui, gente, é isso aí, os Beatles cresceram. Eu sei que eu falei isso algumas vezes, é que, cara, aqui é a prova disso, sabe? É a amostra que o Paul vai dar de que, cara, os Beatles estão falando de solidão. É um sinal e a prova de que eu amo essa música, cara.
E é o Paul, ele expande. Apesar do Paul não ter usado LSD na mesma época que o John e o George, ele acaba entrando nessa atmosfera. Então ele compôr uma música que vai falar de solidão, né, de olhar para as pessoas sozinhas, abandonadas. A gente não tá falando da solidão, eu sozinha em casa, as pessoas na rua, as pessoas que não têm aquele acolhimento. E isso acontece durante uma— ele namorava uma menina chamada Janie Escher em 66, e quando ele foi visitar ela, ele tava caminhando e ele observou, né, ela, ele ela fazer teatro.
Então ele acompanhou muito ela durante esse processo de teatro. Então ele visualizou muita coisa e o nome veio disso, numa caminhada, né? Ele viu aquela placa da empresa Rigby Evans perto do teatro e achou legal esse nome, né? Achou interessante. E tempos depois daí ele acha o Eleonora, ele acha exótico ao mesmo tempo. Então isso se funde aí com aquela memória da que ele viu no Liverpool. Então é uma música que começa dentro desse contexto de caminhada, de teatro, de solidão, de visualização.
É uma música onde nenhum dos Beatles toca, né? Elas, cara, exclusivamente só acho que só a voz do Paul mesmo, porque não tem. E aí ela é composta por violino, viola, cellos. Ah, do arranjo do George Martin, né, que é o quinto Beatle, vamos colocar assim. E tudo isso no improviso de Mi menor. Aí o Bruninho é um expert, né, vai saber falar melhor do que eu sobre isso. E cara, tem uma curiosidade que eu acho peculiar, é que o John Lennon, ele critica essa fase do Paul, sabe?
Foi numa entrevista para Rolling Stones em 1980. Ele achou tipo uma música, olha só, eu vou até grifei aqui, ó, a parte que ele fala, abre aspas: música sobre pessoas entediantes fazendo coisas entediantes. Enfim, ele achou um pouco egocentrismo do Paul falar sobre isso, né? E aí tá aí essa belíssima música, incrível. Outra curiosidade é que quando o Paul tava compondo essa música, eles estavam todos reunidos na casa do John E nisso tava um amigo da infância do John, né, o Pete.
E aí ele tava compondo lá. E aí ele tava— a ideia inicial era ser Father McCartney. E aí o Pete disse assim, cara, acho que não. Acho que o pessoal vai achar que é o pai do Paul. E aí então ele tava— o Paul começou a folhear uma lista telefônica e achou o McKenzie. Então ele, vai dar certo, né, entra aqui certinho. Aí ficou o Father McKenzie. Né? E aí essa música vai falar dessa, esse Padre McKenzie, né? E sobre essas pessoas solitárias.
Sempre quando eu compartilho essa música, eu sempre boto a mesma frase, só que eu mudo o ano. Aí agora eu vou botar: 60 anos, os Beatles perguntavam ao mundo aonde estão todas as pessoas solitárias. Aí eu faço essa pergunta para ti, Bruninho: aonde estão todas pessoas solitárias.
Essas aí morreram já, né?
A Eleanor morreu, faleceu falecida, cara.
Essa talvez seja a minha música favorita dos Beatles. Eu acho incrível o negócio, é uma melancolia gigantesca, né, cara? Você falou, eu não tenho, não tem, é um octeto de cordas tocando, né? Não tem guitarra Baixo, bateria, não tem nada. Esse arranjo de cordas, assim, sem querer soar arrogante, mas não é um negócio complexo, né, cara? É um arranjo que é difícil falar simples, né? Mas assim, é um negócio que é, que não é complicado, é tão efetivo, cara, que essa pegada meio, bem staccato, né, que parece que é até influenciado pela Psicose, né, Rê?
Acho que você deve ter visto aí. Pela trilha sonora de Psicose, né? Sim, cara, a melancolia da música. E assim, eu sempre falo que eu não ligo muito para letra, mas quando a gente vai gravar eu dou uma lida. Assim, você lê de cara, né, que a Eleanor Rigby, ela vai pegar o arroz de uma igreja onde aconteceu um casamento, né? Então você fica imaginando aquela pessoa sozinha no dia seguinte de um casamento, né, que é um evento que Tá cheio de gente feliz comemorando e depois ela vai lá sozinha, né?
E depois ela morre nessa mesma igreja e aí ela é enterrada com o nome dela, né? Aquele enterrada com o nome dela aqui para mim é assim, ninguém vai lembrar dessa pessoa depois. Ela foi enterrada e acabou e não tem mais nada em relação a essa pessoa, desapareceu, né? O Father McKenzie escrevendo uma missa que ninguém vai assistir. Sabe, é um, cara, as coisas são densíssimas, né?
Eu acho isso poética, né, amigo?
Nossa, é, melhorou ainda a música, né? Que eu já era muito, muito fã. E aí, mas eu preciso dizer que de novo, cara, não escuta no estéreo essa faixa com fone, porque fica desgraça da voz do lado direito, cara. Tem que ouvir mono, né? Esse, essa mixagem estéreo aqui para mim fizeram uma maluquice que Meu, eu acho inexplicável. Enfim, falei, William.
Eu ouvi essa faixa no Cobus e ouvi no Tidal, né? E ouvindo os monitores aqui, Bruno, e o efeito não é só no fone de ouvido não. No fone de ouvido tem mais recurso, obviamente, mas o monitor é a mesma coisa, cara. Teve uma hora que eu tava ouvindo aqui, a grava, né? É do lado esquerdo tava tocando tudo e tipo do lado direito tava uns backings.
Nunca tinha.
Teve uma hora que eu pensei assim, pô, mas pera aí, calma aí, minha caixa tá com problema? Será que queimou alguma coisa? Eu falei não. Aí eu encostei assim, tava ali todo, todo o som da banda na caixa da esquerda e o rolê da direita só alguns vocais dando aquele complemento. Falei não, não, não tá legal.
É isso, cara. O Eleanor Rigby Picks Up the Rice fica no cantinho na direita e entra All the Lonely People no meio, né, centralizado. É uma maluquice, cara, eu juro que eu não entendi.
Os caras fizeram um excelente trabalho assim de mixagem, de trazer isso para uma tecnologia moderna, né. E pô, tu vê pelos documentários que foram para Disney, né, então os caras deram um tratamento foda para o disco, para os aficionados assim, que daqui a pouco, ó, vou vir som espacial no fone de ouvido, aquela coisa toda. Acho que tudo isso encorpa, engrandece. Mas sabe aquele documentário do Leme? Aquele que tem um documentário dele que fala sobre, assim, faz um passado da vida dele, né?
Aquele não sei quantos por cento motherfucker, questões por cento sonofóbico. Ele vai numa loja de CDs e compra um box dos Beatles, e ele chega lá, ele quer a caixa mono. E ele só encontra estéreo. Daí a vendedora, chega uma vendedora depois, entrega para ele: olha, eu tenho essa aqui, eu guardei, eu vou vender para você. Daí ele fica todo feliz. E aí ele fala assim: é dessa forma que os Beatles deviam soar, devem soar mono.
Olha só a sabedoria, cara.
O Leme é muito, era, foi um grande fã de Beatles, entendeu?
Todo mundo, né? Leme, Ozzy, todos esses caras aí, cara, não seria ninguém sem Beatles, né?
É, tem que ter. Eu acho que o mono, concordo contigo, Bruno, é o melhor, é a melhor maneira de se ouvir esse disco, melhor maneira de se ouvir Beatles mesmo.
Sabe uma coisa que eu deixei de comentar em X-Men? É sempre uma coisinha que falta, né? É que o Bruninho citou Psicose, mas também a influência do tema do Batman e do Robin, aquele tan tan, que teve isso também.
Lembrou? Lembrou? Caraca! Bom, gente, assim, sobre a Eleanor Rigby, para a gente passar adiante, o caminho é longo aqui, né? Não sobrou nada para mim, vocês não estão deixando nada para mim. Eu vou mudar a ordem no próximo. As vozes na intro dessa música são altamente reconhecíveis em questão de meio segundo, se não menos, entendeu? É uma das intros mais reconhecíveis do rock. E como fala de solidão, eu acho que Esse som de cordas na faixa traz uma sonoridade para algo mais triste, né?
Mas também dá um pouco de palco para aquela rotina insólita dos personagens, né? Eu acho que é uma música muito orgânica, dramática, triste, e eu acho que é isso que torna ela boa, entendeu? É uma das letras mais tristes da banda. Vocês já falaram muito bem a questão dos personagens, né, que a Eleanor Reeb e Father Mackenzie, né. E aí o Bruno pontua, né, porque a Eleanor Reeb ela representa a solidão da vida cotidiana, aí o Father Mackenzie é a solidão espiritual, social, de quem deveria justamente consolar os outros, né, mas também tá vazio por dentro.
É o cara que reza uma missa no qual ninguém comparece. Terceira faixa, I'm Only Sleeping. Vai, Bruno, começa contigo. Vamos variar um pouco.
Boa, cara! Essa música é bem esquisitinha, né? Mas ela vai conquistando com um jeitinho singelo, meio oculto, né? Ela tem uma pegadinha que é tão legal, cara, né? Essas guitarrinhas invertidas são muito doidas, né? Eu gosto mais da parte C dela, né, que volta para o verso, mas ela dá uma enganada porque vai para o solinho invertido de novo, né? Eu exatamente esse Keep an Eye on the World, cara, tem as vozes que, sei lá, parece um contraponto, né?
Cada uma tá subindo e outra descendo. Assim, o que eu acho legal de ouvir os discos dos Beatles com esse carinha é que, cara, muita coisa supostamente simples tem várias camadas de complexidade embutidas ali, né, cara? Dá para— não é à toa que tem tanta gente que vive de estudar essas músicas aí, né? E esse jeito meio preguiçoso, né, cara, da faixa, que acho que tem a ver com um pouco da temática. Aí com certeza o Rei, o William, vão mergulhar mais nisso aí, mas ela tem esse jeitinho preguiçoso e ainda com essas guitarras invertidas que dá uma característicazinha de aquele torpor, né?
Você tá quase dormindo, mas não tá dormindo, fica ali no meio do caminho, né, meio com as coisas meio confusas. É musicassa, cara, eu adoro essa faixa aí. Não sei, William, você tem muitos sonhos acordados com essa sonoridade aí?
Não, não. Mas assim, pegando carona com a temática da música, essa ideia de preguiça, né, ela tem um ritmo preguiçoso mesmo, cansatão assim, sabe? Mas não é, não tem nenhum demérito nisso aí. São qualidades porque ela proporciona essa experiência, entendeu? Então é uma faixa que o John canta muito bem. Eu gosto muito do timbre do John, cara, e para mim é aquele manifesto de isolamento voluntário, né? Tipo, brinca com a ideia de preguiça, né?
Mas é tipo assim, é como se quando você se recolhe para dormir, quando você não quer participar das coisas, né, de forma ativa, é como se fosse assim uma resistência, né. Então não é uma preguiça pura e simples por uma questão assim de um estado de ser do cara, o cara não gosta de fazer nada, não. Ele vai, quer saber de uma coisa, eu vou é dormir porque eu ganho mais. Então acho que vai bem nessa linha aí. Mas vamos lá, Renata, que vai nos, vai bater um prego em cima das nossas interpretações aqui.
Nada, isso aqui é uma música perfeita, né? Tem experimentação, esse humor característico do John, esse instrumental baixo que é super presente, mas também é uma viagem, né? Ela nos convida para uma viagem, porque vocês falaram que ela é mais lentinha, e ela é realmente, ela é lentinha com esse propósito, né? De tipo não acordar a pessoa que tá tentando dormir. Sabe, de ser uma coisa bem, bem assim, pé por pé, né? Então é, e vai apresentar esse zumbido característico da tambura também, que é mais um instrumento que os Beatles colocam dentro desse disco, que é muito massa, cara.
Essa guitarra sendo tocada ao contrário pelo George, eu acho que esse efeito também traz, ela é desconfortável. Eu não acho essa música muito assim acolhedora, sabe? Ela, ela é, ela deixa a gente assim numa situação de, ai, alguma coisa vai acontecer, porque fica aquele no final, aquele barulhinho. Aí a maneira como, como entra a voz, né, e vai subindo, e aí depois fica aquele zumbidinho no final. Isso para mim é prova de tudo que eles experimentaram e também os resquícios aí, né, do ácido.
Sabe que tem uma página do livro, uma não, umas 3 páginas no mínimo, que é um médico da época, um psiquiatra, justificando, né, o uso do LSD, explicando essa expansão da mente. Né, o porquê, como ela vai abrir a mente, como ela vai chegar, enfim, tudo mais. Eu achei meio curioso que é meio que o médico passando pano para o Joe ter usado, sabe, usado e abusado disso para compor as músicas. E tem uma parte que eu acho muito engraçada na antologia dos Beatles, tá disponível na Disney+, que quando eles, o George comenta, né, a primeira vez que ele e o John usaram foi na casa de um amigo deles.
Eles foram pegar um elevador para descer e eles sentiram que ficaram presos dentro do elevador, só que eles não estavam, o elevador nem tinha sido mexido. E eles ficaram alucinadão lá dentro. Diz que o John ria, ele ficava quieto, enfim, eles não sabiam o que tava acontecendo. E dentro desse contexto, né, do John meio dormindo, meio na viagem, talvez tenha surgido a ideia da composição de I'm Only Sleeping.
Tem uns estudiosos, a gente falou um pouquinho no episódio do Nevermore sobre o Timothy Leary, né? Tem bastante cara que fazia muito estudo sobre o uso do LSD como medicação, digamos, né?
Não só como nessa época se comprava, acho que tem farmácia, era uma droga muito acessível, né, para todos.
Não sei, aí eu já não sei, era uma coisa meio acessível para época.
O Jim Morrison também vai ser, vai se respaldar muito nessa coisa das composições dele vir dessa viagem, dessa expansão da mente. Existe alguns estudos que falam sobre isso, né, mas aí Enfim, não, não vem ao caso aqui.
Quarta faixa, Love You Too. A Renata fez um pedido especial: coloca essa faixa para abrir o episódio. Quero muito que esse episódio abra com ela por isso que vocês ouviram essa música na abertura do episódio. Mas eu vou começar então, pôr um pouco de fogo aqui no Faixa a Faixa, e depois eu passo para ela resolver aí. Esse tipo de música, experimentação, já é algo que eu não considero como atrativo da música. Eu acho interessante, eu entendo pela inspiração do Jordan ir para esse caminho, né, meio filosófico, né?
Tem som oriental. Eu acho que dentro disso aí funciona, mas enquanto ouvinte eu fico só no campo do achar interessante, com aspas. Eu não passo disso. Eu não, não seria uma música que eu colocaria para tocar em qualquer momento que seja, não fosse para ouvir o disco propriamente. Eu acho que tem pérolas mais, mais interessantes por vir, cara.
Eu sou contrário, eu adoro as experimentações. Eu gosto de, assim, eu prefiro essa fase, segunda fase dos Beatles aí, quando começaram a botar umas coisas diferentes, né? Essa música com esse lance paz, amor e contracultura, eu acho legal para caramba, né? Com os instrumentos indianos, tem tabla, tem a cítara, tem a voz que a própria voz é meio, meio drone, né? Não sei como é que se fala assim, mas é um negócio que é quase quase o canto gregoriano que fica lá no mesmo tom cantando.
Eu curto para caramba, cara. É, quase não tem instrumento ocidental aí também, né? Acho que tem umas guitarrinhas que fazem uns sons, tem tamborim, tamborim não, bandeirola. Vou chamar de bandeirola, ficar mais claro. Mas eu curto para caramba isso aqui, cara. E aí eu tô curioso, porque me parece talvez até que seja um Uma continuação da faixa anterior, cara, a Moon Sleeping, porque a Moon Sleeping fala um pouco de desacelerar, né?
Você tá dormindo, você tá no relaxamento. Essa aqui fala, cara, você tem que desacelerar porque o tempo passa rápido demais e você tá caminhando em direção à morte aí, né? Não sei se tem a ver isso ou não. Você que fez o seu doutorado aí, explica para a gente.
Tô ficando sem jeito, tô no vermelho, sabe? Bruninho, eu sou apaixonada por essa música. É um Bruninho, William, todos, né, que estão nos ouvindo. Lá no início eu falei sobre os 3 pilares, né, do disco. Foi o LSD, a arte, a inovação. Mas assim, um dos pilares, mais um pilar para esse disco é essa fase do George e essa imersão dele na cultura indiana, né? No Rubber Soul ele já começa a fazer isso, ele já trabalha com isso, só que ele é totalmente inexperiente, ele não sabe tocar, ele tenta sozinho aprender, não sai do jeito como ele quer.
É difícil para os produtores, para o engenheiro conseguir encaixar isso porque é uma nota muito alta, então ela ficando difícil de assimilar, de colocar. E aqui ele acerta em cheio. Aqui para mim ele faz assim o arranjo perfeito. Para mim, Taxman mostra um George Harrison revoltado, chutando o balde, mostrando assim, ó, cara, não é aqui. E Love You Too, ela mostra o George calmo, buscando entender essa espiritualidade dele. Esse novo caminho que ele tá seguindo.
A mãe dele fala, né, é uma curiosidade para os beatlemaníacos, que eu quando escuto alguma coisa sempre fico pensando assim, ó, por que que não falaram disso? Aí vou falar só porque se alguém vai, que alguém pense nisso, que ela escutava música indiana desde sempre. Então desde que ela tava grávida, desde que ele era pequeno, ele ouvia música indiana. Isso vai corresponder na vida adulta dele depois. Então é algo que tá muito entranhado nele, né?
E aí essa letra vai mostrar um George todo, para mim, totalmente diferente, porque ele não vai compor sobre declaração de amor romântico idealizado, né? Ele vai refletir sobre a brevidade da música, né, Bruninho? Acho que aí entra de acordo com aquilo que tu falou, né? A mensagem é muito clara: tempo vai passar, então a gente tem que amar intensamente, viver as coisas de forma plena. Isso caminha dentro da espiritualidade, né?
E é, foi a primeira música dos Beatles construída quase que inteiramente sobre essa estrutura de música clássica, né, indiana. E aí aqui eu vou mencionar, né, porque o George vai tocar a sitara, claro, né, enquanto vai ser outros músicos indianos que vão executar os instrumentos tradicionais, né, aí como a Tabla. O Paul vai participar tocando baixo e fazendo algum backing vocal, e é só, né, as participações. O John e o Ringo tem quase nada de participação dentro dessa música, mas eu sou apaixonada.
É como eu disse lá no grupo para vocês, quando eu escuto essa música eu sinto assim, ó, que tem uma cortina, aquelas cortinas de demissanga, sabe? Eu tô abrindo essa cortina de demissanga e tô entrando dentro de uma espiral assim com prisma colorido e alucinógeno, sinto, e me sinto viajando. E aquela partezinha que faz aquilo, eu gosto muito também, é uma partezinha que me cativa.
Você tá abrindo as portas da percepção, Renata. Você tá falando de agradecer aí o livro do Aldous Huxley, ó, tá vendo? Você sentiu o efeito aí.
Não me permiti ainda, nem irei. Já tô velha para essas coisas.
Bom, então eu tô careta para ouvir essa música porque eu não senti nada disso que vocês estão sentindo aí. Quinta faixa, Here, There and Everywhere.
Cara, essa música é outra música apaixonante. Eu acho que ela anda de mãos dadas com a Yellow Submarine na questão da inocência, sabe? Eu tenho esse lado dela. Eu acho uma canção linda, que é do Paul, né? O próprio Jones, que era uma das músicas favoritas dele, escrita pelo Paul. E ela foi inspirada nesse relacionamento do Paul com a Jenny Asher, né, que naquela época os dois viviam aquele relacionamento intenso de juventude. Então ele queria expressar uma música aí, né, que representasse esse amor.
E a inspiração veio dos Beach Boys, especialmente do álbum Pet Sounds. O Paul, ele ficou, cara, ficou impressionado com o trabalho lá do Brian Wilson. E antes mesmo de compor essa música, ele ouviu repetidas vezes, God Only Knows. E enfim, né, essas harmonias vocais motivou ele criar essa música tão sofisticada. Eu amo que ele não, não sabe, é suave, é lenta, é uma música deliciosa de ouvir, cara. É uma faixa que me impressiona muito.
Ela tem, cara, ela tem um— tô tentando lembrar do ritmo dela, afinal, que não vem. Porque eu tô com aquele, sabe, a suavidade dele falando.
Enfim, essas faixas dos Beatles, cara, tem a capacidade de quebrar as pessoas, né? Tem na minha cabeça ela junto com, sei lá, Sun, tem Long and Winding Road, tem um lance que é tão uma mistura de nostalgia com melancolia, com uma tristezinha ali, cara. Apesar da letra ser bem declaraçãozinha de amor, né? Tá falando sobre a moça, né? Mas é sensacional esse cara. E aí falou muito bem, né, das harmonias de voz aqui. São quase a música inteira conduzida pelas vozes, né?
Quase que não precisava da guitarrinha ali. É, pensando ainda que é uma faixa pop, né? Mas que tem tudo ali, cara, né? A bateriazinha também não era necessária, né? Não acho que não atrapalha, mas podia ser só voz essa faixa, né? É um negócio que é legal demais. Tem até uma guitarrinha esquisita com cromaticismo ali no refrãozinho, cara, que tinha tudo para ser errado, né? Mas fica tão redondinho, né? Acho mais uma faixa maravilhosa, cara.
Acho que dos Beatles inclusive eu gosto Quanto mais triste, melancólico, mais me atrai a música. Mas fala pra gente aí, William, quem que você tá procurando aqui, ali, em todo lugar?
Cara, agora sim eu vou te dizer que é sobre isso que eu me refiro na faixa anterior. Aqui tá o tipo de som que eu gosto.
É sobre isso, tá tudo bem.
Eu amo, cara, essa faixa. Eu acho que ela fica tão linda ao vivo nos shows do Paul McCartney. Né? E nesse disco ela tá em seu estado puro, passa aquela sensação agridoce, porque ela é uma música delicada, né? Mas ela é grandiosa ao mesmo tempo.
E, amigo, puro nem o produtor tava nesse disco.
Mas é, não, tudo bem. Eu sei que, que assim, eu acho que é uma das letras mais delicadas do disco, né? Então fala sobre amor absoluto, aquela coisa toda. Pode-se falar que é uma declaração de amor muito linda por parte do Paul McCartney, né? Então, tipo, e é aquela coisa assim, aquela fase do amor que influencia até a forma de você enxergar o mundo, né? Então, para mim é uma música que passa muito isso, tá? Entre tantas músicas aí com experimentalismo, com declarações sarcásticas a impostos ou declarações para LSD ou maconha, eu acho que aqui tá uma música que ela foge um pouco disso aí e acaba indo por um outro caminho que me agrada muito.
E se for uma declaração de amor para droga?
Ah, essa aqui não é, isso aqui não é. Mas para mim não faria efeito nenhum, cara. A única declaração que faria efeito para mim é cerveja, de um drinkzinho assim, é a única declaração que eu gosto Essa droguelista. É, a gente já tá acostumado, né, cara? Quem cresceu ouvindo Snowblind, Sweet Leaf do Sabá não se impressiona, né?
Tem o time da farinha e tem o time da fumaça, cada um com seu caracol.
Isso aí.
E do papelzinho aqui, né?
É.
Sexta faixa, Yellow Submarine. Vai, Bruno!
Eu começo mesmo, que, cara, Yellow Submarine para mim é complicado, viu? Essa pegadinha lúdica demais, né, não me pega, cara, me afasta da música, né. Não é uma música ruim, tem um monte de coisa interessante, um monte de colagem sonora, cara. A bandinha lá de metais, né, as harmonias de voz dos Beatles aqui também, tem umas subindo e umas descendo, meio que naquele contraponto que eu falei numa faixa anterior. Mas, cara, não é o suficiente para me atrair nessa faixa aí, né?
Eu não sei, nunca me pegou, cara, nem quando era criança, que acho que supostamente era o público-alvo aqui. Mas talvez não, né? Porque eu lembro de ouvir quando moleque que o Yellow Submarine era uma, como se fosse o formato de um comprimido, que seria pílula anticoncepcional. Devocional, cara, sei lá, eu não sei nem com esse subtexto aí, isso me pega. Mas o William deve saber a verdade sobre o Submarino Amarelo. Fala aí, William, para gente.
Tu sabe que antes de eu parar para ouvir o Revolver propriamente, isso não só para o episódio lá atrás, muito tempo antes eu já conhecia essa música, que depois de 2 anos desse disco ela entra ali na animação de mesmo nome, né? Então Eu acho que antes do Revolver chegar até minha vida propriamente dito, eu já tinha me interessado por Beatles ali um pouco depois da adolescência, veio depois da adolescência, e essa música acabou vindo bem antes do disco para mim, muito por influência desse, dessa animação, tá?
Então, e eu acho que ouvindo ela de forma isolada por causa disso, eu acho que ela me fez enjoar um pouco dela. Eu acho que eu fui muito super exposto a ela. Eu queria ter tido oportunidade de ouvi-la mais no contexto do disco, entendeu? Eu queria absorvê-la em meio às faixas e eu não tive essa chance. Eu ouvia muito essa música antes de ouvir o disco, então acabei enjoando. Mas não é por causa disso que a música é ruim, de forma alguma, porque ela é boa, cara, tá?
É cativante, sabe? É aquele convite para cantar junto e tal. É uma canção infantil, aparentemente divertida, mas ela, ela é aquela coisa assim, é tipo um refúgio seguro, aquele lugar que os amigos vivem em paz e felicidade. Então assim, é aquela coisa lúdica da banda, né, onde tudo é permitido entre amigos e que eles encontram ali um cantinho para ser feliz. É bem coisa de criança mesmo, sabe? Casa da árvore, subir em cima de de pé de goiaba para comer fruta, essas coisas que a gente faz quando a gente é criança e que entre amigos a gente se sente seguro fazer.
Renata, ela que vai sacramentar se o que eu disse é viagem, se tu que disse é viagem.
Não concordo com nenhum de vocês, falaram menos do que maravilhoso, não tô concordando, cara. Eu acho que ao contrário, sabe? Acho que muito além dessa canção infantil, dessa aparência infantil que ela tem, ela vai representar essa liberdade deles de conseguirem expressar o que eles querem numa época onde o rock ele seguia um padrãozinho, né? E aqui eles furam a bolha, eles vão para outro lado, eles deixam a imaginação, o humor, a experiência conduzir eles.
Foi uma música composta pelo Paul. Vocês sabem, né, que todo disco dos Beatles cada Beatle canta uma música, e obviamente o Ringo tem que ter a sua música. E essa música foi feita, vem dizer, para ele cantar, porque o Paul imaginou ele cantando, porque ele tinha essa voz simpática, bem-humorada. O Ringo era um cara que tinha um humor, tem um humor muito, muito massa, né? Ele tem um humorzinho tosco aqui, sabe aquele humor de tiozão?
É o dele. Eu dou muita risada quando eu vejo documentários dele, as falas dele, enfim. Então o Paul, ele queria que fosse algo mais simples e fácil de cantar. Essa música foi lançada como single, né, lançada lá do lado, um compacto junto com a Eleanor. E ela se tornou um baita sucesso, né, que depois de alguns anos, 68, ela se transformou naquele filmezinho Yellow Submarine, que é bem legal, recomendo assistir. Parece um desenho da época do SBT lá, não sei se ainda passa desenho, porque é uma luva gigante assim querendo pegar.
Engraçado, é bem feito, isso eu posso garantir para vocês, vale a pena assistir pela diversão. E, cara, durante essa gravação, os Beatles, eles transformaram o estúdio num verdadeiro palco teatral, né? O John Lennon, George Harrison, Ringo, George Martin, até o engenheiro Geoff Emerick, vários amigos deles participaram produzindo esses efeitos sonoros, né, que foram usados. Eles usaram corrente, sino, apito, copo, balde, água.
A gente escuta, né, parece que uns copos se batendo no meio da música. Tem uma parte dessa música que eu adoro, é que é uma pena que eu não sei falar inglês, gente, que eu não vou passar vergonha. Mas eu amo aquela parte que vai para o refrão e aí repete, sabe? E aí dá aquele haha e bate esse copão assim. Eu imagino isso dentro de um submarino amarelo assim tomando, que é uma coisa muito meio característica ali da Inglaterra, dos anos 50, assim, sabe, uma coisa meio assim e tal.
Então aqui para mim é uma música que torna, dá um alívio para o disco, dá um respiro, porque falou de imposto, falou da solidão, falou de amor, de espiritualidade. E aí aqui a gente vai para um submarino amarelo e vamos brindar isso.
Sétima faixa, She Said, She Said. Que música boa demais, cara! Não, porra, o som da batera do Ringo é um dos meus pontos a se destacar aqui. Pô, que som foda, cara! As guitarras conduzem bem. Mas o Ringo para mim acaba dando o tom da música. Vocal dos caras aqui tá um primor, eles estão em perfeita harmonia. Se tem essa batera do Ringo que é seca, as guitarras acabam dando um ritmo encorpado para o ritmo da música. E a voz ali, os backings, parece que oferece um contraponto, sabe, mais suave, mais sutil.
É como se fosse assim uma pequena contradição de sonoridades aqui, é assim que eu diria, tá? E pelo que eu pude pesquisar aqui, parece que a letra, o texto dela, gira em torno de uma conversa com o ator Peter Fonda durante uma experiência com LSD, tá? Então ele comentou que sabia como era estar morto, né, e acabou impressionando o John, que canta a música aqui. Ele ficou meio impressionado, tipo, aquela experiência, tipo, eu sei o que é morrer, eu experimentei LSD, tá sob o efeito e tal.
Enfim, mas uma excelente faixa, um dos destaques do álbum para mim. Concorda, Bruno?
Concordo, cara, adoro essa pegadinha. Esse aqui é bem psicodélico, né, cara? Acho que se botasse no Piper at the Gates of Dawn caberia fácil lá, mas Um pouco que você falou, cara, o groove aqui bem a voz arrastada, né, melodia de guitarra aqui que são meio que um eco da voz, né, as vozes cantam e aí a guitarrinha faz um repeteco, é tipo o karaokê do Iron Maiden invertido, né. Mas, cara, ela tem uma no meio uma quebrada de ritmo que é muito doida, né, cara?
Aquele you don't understand what I've said and I said no, no, no. Ela tava no quatro por quatro normal e ali ela vai para um três com acentuação num lugar diferente, cara, que meio que te desorienta, né? Dá essa essa sensação meio meio esquisitinha, né? Eu gosto demais, cara. Essa É muita criatividade, né? E ainda com esse texto esquisitaço que você falou, né? De saber como é que é estar morto, né? Deve ser uma sensação curiosa, né? Não é, cara?
Bruninho, sim, é uma das músicas mais psicodélicas, né? Ela nos coloca, acho que, dentro da mente chapada e viajada e confusa do John. Eu acho que é uma das minhas favoritas de dentro do disco. Eu adoro essa música. Oxi, cê vai assim, essa voz anasalada do John sempre é uma parte que me pega desprevenida, que eu adoro. E como tu bem pontuou, né, cara, Peter Fonda, conhecido anos depois por fazer nada mais nada menos do que Easy Rider, um puta filme.
E cara, essa festa tava John Lennon, George Harrison, Ringo Starr, foi uma festa Foi uma música que nasceu em 65, né, durante a festa em Los Angeles, organizada pela banda The Byrds. Acho que é assim que se pronuncia, porque é com Y. Aí eu não sei se é Byrds ou Byrds. Enfim, é uma música que eu adoro bastante, adoro essa loucurinha dela.
E assim termina o lado A, né?
E vamos para o lado B então. Oitava faixa, Good Day Sunshine. Good day sunshine, good day sunshine, good day sunshine.
I need to laugh.
Sabe o que é aquele sentimento que é viver em paz? Sabe, instrumental dessa música traduz bem o sentimento do Jeep. Paz, de se sentir vivo, de estar feliz, tá vivendo aquele dia bonito, sabe? Aquela dose de felicidade para te tirar um pouco da melancolia que a gente viu nas músicas anteriores, cara. Porra, é o salário na conta, pessoal. É quando você baixa o aplicativo, a notificação entrou, aí é tristeza, né? Depende, cara, fazer o quê?
Tu gasta teu dinheiro com um monte de show, eu não gasto, né? Só que não. A música é genial, cara. Para mim ela diz muito em pouco mais de 2 minutos. Aliás, um dos méritos do disco é um disco curto, é um disco pequeno, simples de ouvir. As músicas são muito curtas e diz muito em tão pouco tempo, sabe? Para mim é mais uma pérola do disco aí, sabe? Ela é tipo como se fosse um antídoto para a melancolia do lado anterior. Sabe, é bem-estar, né? Ela é contagiante e eu acho que resume bem esse sentimento, entendeu, Bruno?
Propaganda de margarina, margarina, família feliz. Ai, ai, cara, mas essa música, você tá falando do tempo das faixas, né? Tava pensando nisso também, William. São todas curtinhas, né? 2 minutos, menos de 2 minutos até. O máximo 3 é quase um disco de Grand Corps dos Beatles aí. Mas, mas, cara, esse lickzinho de piano, né? Esse piano meio honk-tonk, mas é tipo I Need to Left. Esse negócio é legal demais, cara. É muito, é muito pegajoso, né?
E o pianinho aqui é o destaque para mim da faixa, né? Que dá esse clima meio de Para mim é uma mistura de música de salão com cinema mudo, sei lá. E aí num contexto de propaganda de margarina, que eu concordo com você, William, aquele dia feliz que o sol tá nascendo e você tá sentindo aquele cheirinho bom de café e o pãozinho com manteiga, só alegria. Olha o Jota, né? Tá louco. Aí acabou com a vibe do negócio. E cara, assim, tem umas outras detalhezinhas muito fodas nessa faixa, né, que são aquelas coisas meio complexas que acabam ficando escondidinhas, né.
Que exatamente quando estão cantando Good Day Sunshine, em um dos refrões tem a bateria fazendo um polirritmozinho, cara, né, tipo a caixa com o bumbo fazendo um lance que é bem tortinho, cara. Eu acho sensacional, né, esses detalhezinhos que valem ouro aí. Mas certeza que a Rê vai contar que o Paul McCartney escreveu na beira da piscina essa faixa, né, olhando para o sol.
Cara, antes fosse o Paul, ele compôs essa música inspirada pelo som da banda The Lovin' Spoonful. Especialmente pela música Daydream, né? O Paul admirava a forma como eles misturavam esse folk e o pop, esse clima mais leve, mais descontraído. Então ele quis criar essa canção com essa mesma vibe. E essa letra fala de simples estar, né? Uma coisa, felicidade, vocês muito bem pontuaram, de viver. E aí ela quebra esse clima psicodélico que o disco tava apoiando, né?
E aí a gente entra para essa atmosfera mais alegre, mais leve, com essa sensação de um dia perfeito. Eu amo, muito bem pontuou, Bruninho. Eu tinha anotado aqui sobre esse pianinho, até não sabia muito bem o que que era, se era um órgão, o que que ele era, porque ele faz o tom, tom, tom, tom. Eu amo, amo. Eu acho que é um detalhe colocado ali para agraciar o ouvido do fã. Para época, quem ia botar a bolachona lá para rodar? Eu acho que Foi uma experiência incrível.
A forma como ela começa, né, com aquele pratinho de trufa. E aí já entra o Good day sunshine, good day... Cara, é muito bom. É pra cantar assim, de peito aberto, feliz da vida. Enfim, é uma baita de uma canção pra dentro do disco também.
Dona Faixa, and your bird can sing. Bruno, seu passarinho consegue cantar, cara? Vai lá, manda aí.
Quer ver?
Lá ele.
Cara, essa aí para mim talvez seja a pérola escondida do disco, né? Puxando o esquema dos prisioneiros aí, porque eu falei que eu sempre prefiro as faixas mais melancólicas, mais pesadinhas, não sonoramente, né, mas que são mais carregadas dos Beatles. Mas ela é tão feliz, cara, né? Ela tem um lance tão feliz, é mais feliz do que o sol nascendo, passarinho cantando, né? Também tá a continuação aí para você comentar depois, né?
Mas a melodiazinha da guitarra, né, cara, que tem as versões diferentes, vão tocar as vozes de novo com umas harmonias lindas, cara, né? Até a pandeirola que tá a música inteira lá aparecendo, fica legal. Mas não sei, me diz aí se essa, se o passarinho cantando é sequência do sol brilhando.
Cara, sabe que essa música é um mistério, que ninguém sabe, né, o quê ou quem o Joe tava falando, tava lá criticando. O Joe, eles vai escrever essa música lá em 66, bem mais tarde, e ele fala que nunca gostou muito dela, né. Ele uma vez ele chegou pode dizer até que ela é descartável. Só que, cara, tem muito, muita gente, inclusive eu assim, que acha que ele foi tipo cruel, né? Porque é uma faixa que se tornou favorita. Ela é muito boa, ela é muito gostosa, ela remete àquele, os Beatles mais clássicos, né?
Aquela coisa bem do iniciozinho, só faltou um iê iê iê dentro dela, cara. E a curiosidade é a letra, né, que existe várias interpretações. Acho que aqui vai ser um deleite para o William, que adora criar teorias da conspiração sobre o lado positivo de cada música, né? Tem algumas que eu gravei aqui que umas dizem que o John estaria ironizando alguém que tinha fama, dinheiro, sucesso, mas ainda assim não tinha compreendido o sentido da vida, que faz para mim faz sentido.
Outra teoria é que foi uma resposta a uma atriz chamada Mariane que havia presenteado Mick Jagger com um pássaro mecânico dentro de uma gaiola. E a outra é que a letra se dirigia ao Frank Sinatra, né, ou uma crítica ao consumismo. Mas o Joe nunca confirmou nada disso. Então é uma grande, um grande ponto de interrogação, né. Tem uma gravação que foi lançada anos depois lá no Anthology 2, e o Joe, Paul e o George não conseguem parar de durante essa execução.
Inclusive assistam porque é muito bom, que é o lado bem descontraído, a risada deles. A risada do George é muito gostosa, né? Ele pouco ri, quando ele ri é muito agradável de se ouvir. E o solo de guitarra do George Harrison e do Paul, para mim, é o que cravo como um dos mais famosos aí. Enfim, essa minha colocação sobre essa faixa. Eu adoro essa faixa, eu acho ela nostálgica, agradável, acolhedora. William, agora, ou já todos foram?
Não, é isso aí, sou eu. E é incrível como a voz do Lennon me leva de volta para aquele primeiro compacto dos Beatles que eu ouvi. Eu gostei desse compacto, acho que se não me engano, Piloto, depois no Sgt. Pepper's, que era de um lado tinha Revolution e do outro lado Hey Jude, que era o primeiro compacto dos Beatles que eu ouvi na vida, que meu pai tinha na coleção. Então quando eu ouço a voz do John E particularmente ouço nessa música, me traz muito aquilo de volta, sabe?
Essa música que ela tem um ritmo mais despojado, já é ter um astral mais elevado. Eu gosto muito dos backing, sabe? E o som do baixo tá muito acentuado aqui também. Aliás, tem tanta coisa acontecendo nessa música, tanto detalhezinho que ela, essa sim merece um fone de ouvido e merece que assim, se você for escolher uma faixa assim, a gente tava falando aqui da questão do mono, do estéreo, do espacial, aquela coisa toda, o que que a gente quer ouvir em termos de Beatles.
Mas se você quer ouvir uma faixa onde você quer perceber vários detalhes do álbum, os diversos instrumentos e as camadas que ele apresenta, essa aqui é uma excelente faixa para você. Prestar atenção. E se você, Renata, não conseguiu encontrar o significado da letra, não vai ser eu que vou conseguir, tá?
A única coisa que eu, eu não sou ninguém na fila do pão, nem o John, o autor da obra, sabe o que que ele escreveu. Então quem que sai?
Eu.
É porque eu já li.
Ele sabe.
Eu já li algumas coisas, tipo assim, ó, é como se fosse uma provocação para uma pessoa que tem tudo, mas não possui entendimento da vida, entendeu? Tipo uma pessoa que ao mesmo tempo tem tudo, mas ao mesmo tempo não tem nada, entendeu?
Você acha que ele não sabe quem é, né?
Mas é muito raso. Essa minha interpretação é rasa demais, eu também não vou arriscar.
Bom, ele nunca confirmou em vida, em morte não sei. Ver se eu consigo de repente um contato com uma tábua de ouija, perguntar para ele, incomodar o homem no caixão lá, tá? Escuta aí, João, qual é que é da mão?
Décima faixa, For No One.
Cara, que faixa é maravilhosa. Aí a gente falou, né, sobre— é que a gente não, eu falei, não lembro se vocês terem comentado sobre o quão parecido é com o Robert Soul esse disco, né, o quão eles estão interligados um no outro. E essa é uma faixa que foi inspirada, né, eles usaram a In My Life, que é a música da minha vida. Olha só que redundante, a música da minha vida, né, a música que me colocou perante os Beatles de joelho e fez com que eu me casasse com eles eternamente.
E é uma música que eu sou também, cara, apaixonada. E é uma letra que vai falar do fim do relacionamento, não pelo fato da briga, né? Porque o ponto de partida é uma briga que acontece em março de 66, né? Do Paul. E aí, cara, ela fala da dor, né, desse esfriamento, da indiferença. Eu acho que a pior coisa que tem não é a gente bater boca, mas é a gente se distanciar. E aí eu falo tanto na amizade, enfim, qualquer área da vida, sabe?
Tu sinto tomar um vácuo, tu perceber que aquilo tá esfriando. Então, cara, o Paul vai colocar em terceira pessoa, né, Observando esses pequenos ajustes, detalhes do cotidiano de uma mulher que simplesmente deixou de amar o outro. E a gente sabe o quanto isso é impactante. Pelo menos eu vou me colocar aqui, né? O quanto é impactante quando tu deixa de amar. E aí o Paul sente isso, né? O Paul, ele adota aqui uma postura assim, quase que desapegado, assim.
Sabe que o título dessa música era pra ser Why Did He Die? Né? Não sei se pronunciei certo, mas enfim, era porque morreu, que é porque que esse amor morreu, né? Porque que esse amor acabou. Essa gravação durou apenas 2 dias, né, dentro do estúdio. Até achei que foi rápido perante a profundidade que ela é. O vocal principal, piano, o contrabaixo, né, que é do Paul. O Ringo fica com essas maracas, o pandeiro, bateria. O John Lennon e George Harrison, eles Eles não participaram de nenhuma sessão da gravação.
E, cara, e essa formação também eu acho bem interessante, foi só 2 dos Beatles, né, que participam dela. É uma música que me tira o fôlego, né. Ela foi considerada também um dos pilares do pop barroco, né, esse movimento ali no meio dos anos 60 que vai fundir a estrutura da música E aí ela tá para ir, ela tá para posteridade de tudo que a gente também vai ver, as referências futuras. Eu sou apaixonada por essa música aí também, é outra que é uma das minhas favoritas, né?
O baixo também, cara, essa fundação rítmica dela é, ah, sei lá, gente, eu não sei, eu fico até meio que sem palavras quando a gente gosta tanto de uma coisa, fica até sem palavras. Aqui estou eu. William, tu que gosta desses rolê de amor esfriar, perder, brigar, conte para nós a tua versão sobre essa letra, sobre essa música, os teus sentimentos mais profundos que ninguém tem acesso.
Tu quer dizer que eu sou um fodido no amor? É isso?
É essa a tua sugestão?
Que eu não sei o que é felicidade? Que eu tô chamada Ver Relacionamentos Se Desvairam Pelas Minhas Mãos.
Não sei, mas eu acho assim, ó, que nos olhos dela tu não vê nada, nenhum sinal de amor atrás das lágrimas.
Ô louco, isso, né? Olha, eu, é sobre a mensagem da música, é aquela coisa, né? É a frieza dolorosa de quem já percebeu que terminou tudo. Então uma das partes é o que eu sempre digo, já falei em outros episódios, em todo término tem um acordo. Um entra com o pé, outro entra com a bunda, entendeu? Então tipo, quem entra com o pé percebeu que terminou, deu, acabou, deu para você, já era, entendeu? Tipo, é aquela coisa fria, tipo, terminou, acabou, não existe mais nada entre nós, não tem, não sinto mais nada.
Entendeu? Então é por isso que a letra acaba sendo muito cruel, entendeu? É o Paul descrevendo o fim de um relacionamento e não tem drama, cara. É isso aí, deu, acabou. Só que o legal é que a música, e aí é muito mérito do Paul McCartney, ele tem esse dom de conduzir a gente pela sutileza da voz dele. Então ele é sutil e contido. Até mesmo quando ele canta sobre temas difíceis como esse aqui. Daí eu não sei como a pessoa que entende o significado dessa música e como que ela recebe isso como algo que esteja vivenciando naquele momento, entendeu?
Eu não sei se ela consegue perceber isso na forma dele cantar, porque a letra é direta e de certa forma fria também, mas ele canta como se tivesse simplesmente assim, soando agradável, entendeu? Ali numa sacada de casa, a luz do sol, entendeu? Então para mim é o grande mérito dela. Quem ouve a música e não se aprofunda nisso talvez não entenda dessa maneira. O que que tu acha, Bruno?
Cara, eu não acho que ele tá numa varanda de sol não, cara. Acho que ele tá sofrendo aí, tá na merda, né? É o contrário. Imagina o cara que tá olhando os olhos da mulher e não vê nada, cara, nela. Você não vê nada, um olhar vazio, né, para um amor que você acha que devia ter durado anos. Acho que o cara não tá bem não. Mas é uma música que também ela é o contraste, é que ela é meio bonitinha, né. Ela não é, não é muito para baixo, ela tem uma pegada um pouquinho feliz, né?
Eu adoro o trechinho do nos olhos dela você não vê nada, né, que é quando a música muda um pouquinho, dá uma modulada, né? E no, no, no sign of love behind the tears, isso, o baixo tá indo no sentido contrário da voz, cara. São as coisas muito, muito legais, muito fodas, né?
A melodia do clavecórdio, que eu não comentei.
Do quê?
Você que manja mais do que eu, do timbre.
É esse pianinho, né? É do clave, meio cravinho, né? Não é piano aqui diretamente, né?
É um clavecórdio, né? Que eu não sei, eu escuto falando que essa foi essa captação que eles pegaram, que eles o microfone colado nas cordas, né, e corte dessa frequência grave, que aí que dá esse seco, sabe, que se entrelaça com esse piano.
Ah, entendi. Isso eu não sabia não, sabia desse treco não, desse detalhe.
É, e tu sabe que o Foi o Alan Seville que fez isso, né? E ele fala que a nota tava totalmente fora do alcance prático, né, do que ele consegue, só do que ele conseguiria fazer, né? Mas aí o Paul e o George Martin, eles, cara, não, vai, vai sair. E aí o Alan, ele aceitou. E aí depois de várias tomadas, ele consegue executar com persuasão isso daí.
Mas isso é da trompa, né? Da trompa, da trompa. Não é a do pianinho, né?
Isso, que foi o do French horn. Ai, não sei pronunciar.
Isso é trompa, né? French horn é trompa mesmo. É?
Sabia não.
E a música termina meio suspensa, né? Ela não se resolve, que para mim é o cara que não se resolveu mesmo. Ele ainda tá lá sofrendo, cara, com o pé na bunda. Ele ainda tá lá. Para mim, ele pode até estar na varanda, mas tá de noite lá chovendo, né, cara? Aquela cena de filme que o cara tá chateadaço.
Vamos lá para a 11ª faixa, Dr. Robert. A letra brinca com uma figura de um médico, né, que que oferece soluções rápidas, mas a leitura mais conhecida da música é como se fosse uma substância, né? Tipo, a gente já falou disso algumas vezes. Para mim, o instrumental dela é meio satírico, sabe? Cai como uma luva para narrativa. Então tem esse refrão que você fica cantarolando o tempo todo, sabe? De certa forma, a música vicia um pouco, sabe?
Eu até brinquei com vocês várias vezes hoje durante o dia assim, né? Fiquei Bruno, tu conhece o Dr. Roberts? Dr. Roberts, Dr. Roberts, porque porra, é muito foda isso aqui, tá? Eu acho que foi inspirado num médico, né, de Nova York, que ele fornecia estimulantes e vitaminas para celebridades e tal.
Então tem muito disso aí, né?
É, tem muito de humor e ambiguidade aqui sobre dependência química. Acho que é essa, essa Essa é a, vamos dizer assim, é a lore da música, né? Sentiu isso, Bruno? Tu acha ou não? Tu conseguiu distrair outra coisa?
Anfetamina não, ela é um rockinho, né, cara? Essa aqui tem cara de Beatles mais antigo, né? É difícil falar Beatles antigo porque a banda tinha, sei lá, 3, 4 anos aqui, né? Mas ela tem mais cara daquele rock basicão, né? Ela até tem a modulaçãozinha aqui que a fica interessante, né, que sobe um pouquinho o tom. E a parte do well, well, well, que é legal demais, cara, né, que ali acho que é onde eles estão falando da anfetamina mesmo, né.
Parece um órgão de igreja e os well, well, well são tipo os anjinhos recebendo você no céu, né, que você tá lá com o efeito do negócio em cima de você. Mas eu não tenho profundidade fora do Dr. Robert, né, eu sei que tem umas especulações de quem era esse doutor aí, mas não sei se é conclusivo ou não. Talvez a Renata saiba se esse Robert é alguém ou é só um nome que escolheram.
Cara, não tenho essa informação, na verdade, nem no livro nem nos docs que eu assisti, nada tem. Você tem sempre é uma suposição, né? Eu acho que usaram para mascarar. Eu acho que o Jô não ia ser tão louco Estragar o rolê do cara lá e colocar. E é uma música super animada, acho que vocês muito bem pontuaram, né, sobre ela remeter, né, o que os Beatles faziam no passado. E, cara, sabe que tem uma música do TNT, né, que é uma banda de rock gaúcho, chamada Ela é Irmã do Dr.
Robert? Eu adoro essa música, é muito massa e gruda, né? Dr. Robert fica Vicia, fica na cabeça. Dr. Roberts. Ela foi feita acho que para isso, para chiclete. Muito boa, adoro essa faixa.
12ª faixa, I Want to Tell You. Te agrada o som do baixo dessa música, Bruno, ou tu prefere o piano, cara?
Cara, essa aqui acho que quem leva a faixa é mais o piano mesmo, né? Principalmente aquele negócio dissonante ali, que é, acho que é feito para ser meio abrasivo mesmo, para incomodar ali a dissonância, né? E talvez pela temática também, né, que parece que é um cara que tá confuso, ele não consegue falar o que ele, o que tá na cabeça dele, né? Não consegue se expressar, vem uma avalanche de pensamentos, né? Eu adoro o riff do comecinho dela, cara, né, que é para mim é bem marcante no disco também, esse esse, né, não tem tanto riff, riff, né, mas esse é legal para caramba.
E de novo, cara, as vozes harmonizadas aqui, elas são mais simples do que as outras, cara, mas é legal demais, né. Eu curto para caramba essa faixa aí. Eu não extraí muito mais do que isso da letra, né, não sei se a rede também vai ter toda a profundidade aí do que que o George queria contar para turma, né?
Então, cara, é as famosas viagens, né, do senhor Harrison. E é uma canção mais pessoal assim dele, né? É aquele momento que ele reflete de novo aquele crescente, esse interesse que ele tá nessa fase, né, da vida dele, a questão da mente, consciência, comunicação. Eu acho que essa, quando ele entra para esse caminho, as composições dele vão refletir muito sobre isso, sobre essa nova linguagem dele. E cara, para mim é uma faixa assim que se destaca esses acordes, né?
É uma tensão, tem esse piano que é tocado pelo Paul, e aí reforça muito essa coisa de um leve desconforto, né? Uma música muito sofisticada do George. Eu acho ela muito elegante também. E, cara, sabe que originalmente ela se chamava Laxton Superb? Um nome de uma, tipo, um tipo de maçã que o George viu num catálogo. Então não tinha muita relação com a, o título não tinha relação com a letra, né? E aí mostra muito esse caminho, né, das dessa evolução do George que ele tem como compositor, a maneira como ele se impõe, né, de forma firme.
Tipo, ele não fica para trás na dupla Lennon-McCartney, ele mostra que ele sabe compor música com personalidade, que é essa nova tendência dele, vai ser o que ele vai fazer daí por diante. Aqui eu acho uma maneira muito firme e muito bem colocada dele. É uma baita de uma canção, eu curto para caramba.
Eu acho que o som do baixo e o piano me agradam muito, por isso que eu perguntei para o Bruno ali, que são duas coisas que eu gostei bastante. É uma música de estrutura simples e é fácil de assimilar, mas tem alguma coisa nessa música que me instiga e me tira um pouco da quietude. Talvez seja uma das genialidades aí desse disco, né? Faz com que os instrumentais trabalhem tão bem para os temas das canções, né? Eu acho que a própria mensagem da música e o título entrega inclusive isso, sabe?
Então, tipo, é como se fosse assim, a ideia da música é tipo ela quer se expressar, mas as palavras não saem com a precisão necessária, entendeu? Então é isso aí, é um problema de comunicação. Eu quero dizer a você Não sei se vocês fizeram a mesma leitura, mas é isso aí que ficou para mim. 13ª faixa, Got to Get You Into My Life. Olha, eu quase falei cantando o refrão, não tem como não falar esse esse título cantando. Sabe que a primeira vez que eu ouvi essa faixa foi assistindo um DVD, foi um DVD, hein, DVD, logo nos primórdios do DVD do Paul McCartney.
Ele tocava essa música ao vivo e, porra, essa música é muito boa, cara, é empolgante e tem uma gana, sabe? A gente falou sobre música um pouco mais pesada, certa forma agressiva no início, mas na forma de cantar, para mim, é o que o Paul faz aqui nessa faixa, tá? Preciso trazer você para minha vida. E aqui a gente pensa assim que é por causa de uma garota, e não é, maconha, né? Pelo que a história registra, né? Tipo, o cara tá viciadaço, entendeu?
É aquela fissura, vontade. Então tem muito de entusiasmo, de urgência na coisa toda, entendeu? E isso se reflete Não só no instrumental como também na letra da música. Tu achou isso, Bruno?
Cara, essa aí, te falar que não interpretei nada. Eu acredito em você, pode ser. Acho que sobra, faz sentido. Eu tô de acordo. O cara fala que tava sozinho e E foi dar um rolê. Pode ser isso aí mesmo. Essa faixa, eu não sei, cara, acho que era para eu gostar mais dela. Não que seja ruim, obviamente, né, mas eu curto os metais da faixa, né, que dá essa carinha meio americanizada de R&B, sei lá, cara. Coisa que o Tim Maia também pegou para o Brasil, né, esse tipo de coisa.
Eu gosto da cadência de voz do Vessa, né, cara, que é aceleradinha, né, Tipo, esse tipo de pegada que não tem nada parecido no disco, né? O refrão agressivão, né, cara? O gotta get you into my life fica, chega a ser meio rasgado, né, de agressividade lá também. Mas não sei, por algum motivo ela não me pega tanto, né? A faixa legal, mas dentro desse disco aqui, cara, tem tanta outra coisa que me atrai mais que ela acaba ficando meio apagada para mim.
E agora eu vou esperar a ré da Avoadora só porque eu falei que a faixa não é tão boa.
A Avoadora é nada, né? Tá aí para a gente conversar, debater. É uma música que eu adoro bastante, né? E assim, ela não é só tão boa para mim quanto para os Beatles, porque aí ela marca essa mais uma mudança na vida dos Beatles. Bruninho, você falou muito do soul music, né? E isso vem diretamente, é uma inspiração pela gravadora, a gravadora Montal, né? Que aí tinha esses artistas lá. E aí o Paul, ele se inspira, enfim, faz esses arranjos diferentes, né?
Ele vai substituir aquilo que ele faz, né? Aquelas cordas, né, desses são de metal, aí ele consegue substituir Então, putz, o resultado é essa música super influenciada aí pelo soul. E aí eu acho que coloca muito os Beatles meio que no caminho do Stevie Wonder, sabe? Eu acho, eu acho muito, muito massa, cara. A forma como o Paul canta ela, essa forma firme, pesada, sabe? E com esse vibrante, dá, ela nos coloca num clima assim de festa, né?
Para mim, contagiante, dá vontade de cantar. E aí, chegando quase no final, né, tem essa música que vibra, que quer para cima, e que sim, William, ela faz referência à maconha, né? Durante muitos anos ali, os fãs achavam que era sobre uma mulher, achavam ainda que era sobre a ex dele, e não, é essa nova descoberta do povo que o Paul foi muito tardio em descobrir as drogas, diferente dos outros Beatles, né? Ele vai, ele vai ser, vai se atrasar para isso. Ele não tinha tanta vontade, tanta curiosidade.
14ª e última faixa, Tomorrow Never Knows. É justo dizer que se a gente vai falar do experimentalismo e coisas não muito convencionais que estão presentes no disco, aqui a gente tem um belo exemplo do maior extremo dele. Deixo essa pergunta para vocês responderem quando chegar a vez de vocês. Porque nessa seara, para mim, ela já me agradou mais que I Love You Too. Se é para experimentar, se é para usar, é isso aqui que eu quero ouvir.
Os elementos estão ali e de certa forma até mais intensos que antes, mas ela tem um andamento que já me agrada mais, sabe? É uma música que pulsa, ela termina o disco de forma mais orgânica, experimental, intenso. Entendeu? A letra já convida o ouvinte ali a abandonar ego, a expandir a consciência, sabe? É uma experiência espiritual ali, sabe? Provavelmente influenciado por LSD e por meditação e tudo que eles estavam vivendo naquela época.
Mas para mim, eu acho assim que é uma— eu acho que é a música mais fora da curva do disco. Concorda, Renata?
Dá para concordar assim, né, que é uma loucura organizada. É uma música, tá, e aí é uma opinião totalmente minha, uma coisa não sei quem concorda, mas para mim revolucionária, tá, gente. Para mim aqui ela vai, vai ser assim uma virada de chave muito brusca para os Beatles, e aí efetivamente coloca eles num de como eles são foda. Eu já achava isso, não precisava de mais essa música para me convencer, saca? E aquele, aquele só cravam mais uma vez o quão bom eles são compositores.
E essa produção que eles têm é muito incrível. É uma música, cara, ela é um laboratório, né, da inovação. O George Martin, o inteiro, o Geoff, eles, meu, eles usam coisas inéditas para época. E é uma coisa assim que os Beatles vão fazer lá novamente no Sgt. Pepper's, né? Eles querem, eles buscam essa inovação, eles querem tecnologia. Então assim, cara, eles, fita como loop, sabe? Vão lá, eles vão processando esses áudios. A gente tá falando, gente, de coisa que não é que nem hoje que dá para gravar uma voz, salvar, gravar outra voz, salvar.
Não, era em fita, era muito recurso que eles investiam nisso até chegar nesse resultado final, sabe? Então assim, eles processavam os vocais até soar como, pô, monge num topo, sabe? Eles produziam um cenário na cabeça deles e eles queriam que esse cenário fosse transferido para música deles. E aí, quando eu digo deles, é a nossa dupla maravilhosa, lendo uma carta, e que aqueles vão assim fazer esse trabalho que é diferente. Eu não sei como soa para todo mundo assim, porque é uma música bem experimental, né, mas é uma música assim que traz essa, essa coisa assim muito, muito aberta da essa viagem realmente alucinógena, mas que não é uma bagunça, sabe?
É uma coisa muito bem organizada. Ela, cara, ela é uma faixa assim, ó, que eu não sei, tô tentando destacar pontos, mas eu não consigo, exceto a grande genialidade de todos eles assim, porque me pega muito desprevenida ela ser a última assim, ela encerrar esse grande teatro que foi esse disco. O título original, né, era para ser Mark I, mas aí acabou sendo substituído por Tomorrow Never Knows, né, que foi uma expressão inclusive dita pelo Ringo durante uma dessas frases dele aleatórias que ele larga lá.
E a inspiração da letra veio do livro A Psicodélica, a experiência psicodélica, a experiência psicodélica Uma coisa assim que o John tava lendo, né, que aí é um texto budista de um livro tibetano dos mortos. Bruninho, passo para você a palavra.
É, aqui é isso, né, você falou do livro tibetano dos mortos, aqui eles foram lá para o Oriente mesmo, né, chegaram lá com força. É uma música meio de transe, né, esse, a bateria que é bem também, o groove repetitivo, o baixo repetitivo, né, o tipo de ruído que fica meio esse drone, né, fica aquele som contínuo a música inteira. Acho que é o mesmo acorde que tá segurando tudo junto. É uma doideira, cara. É, acho que vocês comentaram, né, se a droga era implícita nas das letras anteriores, cara, aqui foi por um lance espiritual de LSD, de tudo que se imagina aí de transe, de hipnose, do que for, né?
E o que eu achei mais engraçado, cara, que eu não fazia ideia, que eu tenho uns barulhos, parece umas gaivotas aí, que parece que no fim das contas é risada do Paul super acelerado, né? Fica um negócio engraçado demais, as gaivotinhas certinhas lá. Mas eu gosto para caramba, cara. E é engraçado, né, que de novo uma faixa super curtinha, né, chegou nos 3 minutos ali. Não, acho que não deve dar tempo deles entrarem no transe que eles queriam ali, mas é uma experiência que fica super legal, cara. Eu curto para caramba essa faixa aí.
Finalizamos então nossa resenha. Renata, satisfeita? Enfim, eu lembro que quando a gente começou o podcast já tinha tenteado umas 2, 3 vezes esse disco aqui. Tá satisfeita?
Vou ficar agora comigo e Bruninho e você comentando sobre duas faixas que ficaram de fora, né? Bruninho, a Rainha Paperback Writer. Paperback Writer, vai, Bruninho!
Cara, eu gosto para caramba dessa faixa, né? Acho ela estranho ela ser um single que não apareceu no disco, né? Aí eu não sei exatamente a história de— acho que ela foi um single antes do Revolver sair, né? Mas é bem rock and roll, cara. Ela foi lá do lado single, que lá do B era Rain, né? Mas ela saiu antes do Revolver e não botaram no disco, sei lá por quê. Porque ela é gigante, né? Acho que ela é mais famosa do que algumas músicas aí do próprio Revolver.
Mas, cara, já começa com as vozes dos Beatles, né, cara? Eu curto para caramba essa faixa, né? Bem direta. Fortona. Eu acho que de temática, reclamaram que eles só escreviam canções de amor e de romance, não sei o quê, de pegação, que a gente tinha falado um pouco. E aqui resolveram falar sobre um escritor, né? Mas é sonzeira, cara, sonzeira. Vou passar para o William, que eu não sei se ele chegou a ouvir a paperback, senão ele já passa adiante para Essa música é conhecidíssima, por favor, né?
Mesmo que eu não tivesse ouvido para o propósito do episódio, é uma música que eu conheço há muito tempo. Eu conheço e eu gosto muito dela, cara. Gosto muito do ritmo dela, principalmente da levada dela. Eu gosto muito da— ela tem uma puxada no baixo ali, né? E na forma dela soar, que eu acho que é viciante. Tá, mesmo a música viciante, eu gosto bastante. Mas eu confesso que eu tô desassociando ela do disco, tá? Eu tô resenhando porque vocês— eu não trouxe nenhuma anotação dessas duas, eu estou comentando porque vocês puxaram, tá?
Para mim o disco já terminou, para mim já rendeu. Mas essa é uma música que é um bônus, que ela de forma isolada soa muito interessante. Se ela fizesse parte do disco de forma fixa teria agregado bastante.
É, são duas faixas aí que para mim não teria problema nenhum que elas teriam entrado para dentro do disco, para mim, porque elas combinam muito com a estética e a temática de dentro do disco. São faixas maravilhosas. Eu, cara, eu vou colocar Rain. Eu acho que o Ingo tem um puta trabalho de bateria, sabe? Eu acho muito foda, muito massa, e são duas faixas muito boas. São realmente, cara, tem uma parte do livro lá, não sei se eu mandei, Bruninha, lá um print que fala, né, que o George tava num almoço lá, que ele sempre ia lá almoçar com uma família que era indiana e tal.
E aí eles criticam, falam que não fazia nada a ver essas músicas, que não era tão boa quanto ele pensava. Estavam enganados. Eu particularmente realmente adoro. E aí, William, é, respondendo a tua pergunta, né, finalmente, agora sim estou satisfeita, estou bem servida. Peço desculpa pela minha gagueira, minha falta de jeito. É um disco muito importante para mim. Confesso que algumas horas eu fiquei nervosa porque eu fiquei, cara, não posso errar, é um disco muito importante, eu estudei para isso.
Eu acho que eu fiquei o mês de julho, bem dizer, todo em torno disso. Vivendo isso, respirando isso, que me trouxe, acendeu aquela chama que só um verdadeiro fã de Beatles sente, que é querer ouvir toda a discografia de novo, querer saber tudo de novo, é, sabe, querer viver a história dos caras. É uma banda que não tem como ser indiferente, é responsável por tudo aquilo que hoje eu amo, tudo que hoje eu gosto. Eles foram os responsáveis daí por isso tudo.
E é um grande prazer estar aqui com vocês, meus amigos, né, para resenhar esse disco que tem, cara, é 90% aí da minha trilha sonora da minha vida. Sempre digo, Revolver primeiríssimo lugar, Rubber Soul, aí Sgt. Pepper's, depois o Abbey Road. É a minha sequência de disco. Até, até tô sendo, como é que é, corajosa em fazer, fazer isso, né, porque é difícil fazer isso com uma discografia dos Beatles. Mas enfim, obrigada, pessoal.
Falar para ti o que a gente já falou em tantos outros episódios, né? Tu queria tanto esse episódio, como é que é? Agora a gente pode falar assim: vai, toma, pega essa porra desse episódio de uma vez.
É, toma, tá satisfeito?
Toma. Mereço, mereço.
E da Rain, tu não vai comentar, Bruno? Vocês puxaram duas músicas, só falaram de uma.
Eu comentei. Tatu e o Bruno, a gente não vai falar da Rain?
É que a Rê tá egoísta agora.
Pois é, ela puxou dois sons, tacou duas músicas, só quer que a gente fale de uma. Vai, Bruno, fala da Rê aí que eu falo. Vamos embora.
Cara, a Rain, acho que de todas as faixas dessa fase é que eu tenho menos familiaridade, né? Ela tem essa carinha de ficar meio ali entre o Beatles e o Beatles psicodélico. Concordo com a Rê, cara, o Ringo aqui tá quase um Keith Moon, né? Ele tá tocando os grooves frenéticos, né, cara? Bem, bem divertido de ouvir, né? É uma faixa legal assim, é Eram outros tempos, né, cara? Curioso que o pessoal fazia umas baitas faixas assim que não entrava nenhum disco comum, né?
Depois aparece um milhão de coletâneas, ok, mas meio estranho. Acho que a Paperback Writer, se bobear, foi para número 1, cara, de—
ela foi bem aceita pelos fãs.
É, e não tem disco, mas é É uma faixa excelente também, né não, William? Fala aí, tua saideira agora sobre esse jato.
Paperback Writer, ela sai bem melhor. A Rain, ela tem aquela puxada mais para guitarra, aquele ritmo mais estreito, né, mais direto, que eu acho que destoa um pouco. Apesar dela poderia mesclar bem Eu vou dizer assim, teria lugar para ela no disco? Provável, entendeu? Mas ela, para mim, eu acho que ela, ouvindo ela de forma isolada, ela soa bem. Eu gosto do som da guitarra, gosto da forma como ela soa, e tá tudo bem sendo um lado B. Paperback Writer é muito superior a ela.
Vamos para nota então, porque é curioso, né? Vamos para E eu interrompendo. Se diz que é curioso, né, vocês falando e eu pensando aqui com meus botão. Porque mesmo sendo um disco experimental e diferente, ele foi muito bem aceito. Ele foi um disco, é um disco muito aclamado pela banda, né? Não é tão complexo e tão difícil de digerir que nem o Sgt.
Pepper's.
É um disco que mesmo tendo essas faixas aí diferentonas, o pessoal curte, o pessoal comprou a ideia. É Achei muito interessante isso, esse resultado que ele deu. Enfim, só esse comentário.
Maravilha! Vamos para as notas, Bruno. Vamos puxar aí, cara, de 0 a 10 canecos cerveja. Que que tu acha que esse disco merece?
Vou dar 9,5 papeizinhos de LSD. Vou tirar meio ponto aí, cara. Papelotes, preciso tirar 0,5, infelizmente.
Eu vou dar nota 9 para o disco.
Cancelado os dois.
Pode falar a sua.
10. Como o disco fui eu que escolhi, minha nota vale por uns 3, então 30.
Bruno, média?
9,5, né? Essa média aí foi fácil.
Excelente, excelente. Bom, quase 3 horas de episódio aí pela frente. Imagina, umas 2 horas e meia. Não sei de quanto tempo a gente já tá aqui gravando, mas desculpa, desculpa, fica aqui o registro.
Tem comentário, né?
Tem comentários. A gente às vezes a gente tem muitos comentários, às vezes a gente tem poucos comentários.
Hoje a gente passou pouco tempo, né, William? A gente gravou atrasado o episódio anterior, né?
Nós temos poucos, nós temos 2 hoje para ler em relação ao último episódio, tá? No episódio Cloud, o Leandro Pereira, o Bola, nosso amigo, ele colocou hashtag olha o jato e riu. E nós tivemos hoje um comentário, dia da gravação, do Jason Voorhees. Olha só, grande personagem do cinema de terror, gostei do nome dele.
Que medo!
Ele comentou em cima do Pain of Salvation, Remedy Lane, colocou assim: ouvindo só agora sobre um álbum que amo tanto, tenho no meu braço as tatuagens de um MP3 tocando a Second to Love e a capa do álbum B. Essa banda é perfeita. Olha aí, sensacional!
Quem diria que o Jason era progueiro, né, cara?
Olha aí, cara, muito bom! E baita resposta que teve esse episódio 178, Pain of Salvation, né?
Legal demais!
Nossa, teve boa resposta mesmo, pessoal gostou realmente.
Além dele, muito bom! Além dele matar criancinhas no lago, ele ainda escuta Pain of Salvation.
Vocês vê só, o Eu acho que quem gosta desse disco é maluco pelo disco, cara. Deu para ver aí que sim, quem, quem veio por causa dele é fissurado, né?
Com certeza.
Só pressiona mais a gente, né, Renato? Que nem é repressionado pelo revólver aqui. Gravar esse disco foi difícil, foi tenso.
Isso aí.
Ainda mais o William botando uma leve pressão.
Tema, tem pressão. A gente quase 3 horas gravando aqui, eu pondo pressão. Renata, esse é teu episódio, é para mostrar aí para os teus haters aí, ó, o quanto, quanto tu te dedica aí, o quanto tu consegue entregar quando tu ama a coisa.
Olha aí, mas eu entrego de qualquer jeito, meu querido. Problema deles que não gosta de mim.
Quando gravou o Néstor, tu não se dedicou tanto assim, pessoal. Então agradeço aí por mais essa hashtag. O que que vai ser de hashtag? O que que vai ser?
Hashtag imposto.
Imposto.
Vai ser maravilhoso. A receita querendo saber o que que é. Hashtag imposto.
É isso aí, tá definido então. Se você chegou até o fim, hashtag imposto. Aproveito para pedir a todos vocês que nos sigam no Instagram, Podcast Rock na Mesa. Lá vocês vão encontrar as postagens referentes aos nossos episódios, vão encontrar um a nossa Linktree com todos os serviços de agregadores de podcast que no qual nós estamos, nos quais a gente tá hospedado, né? Então segue lá, aproveita e entra, entra no nosso grupo do WhatsApp também. Enfim, eu tô tão cansado.
Eu imagino a gente hospedado, a gente com as malinhas sentadinho assim, ó, dentro do Morelo. Na Morelo, eu prefiro.
Você prefere morar no Spotify ou na Morelo? Prefiro morar na Morelo. É, então ouça na Aurelo. Se você tiver oportunidade, ouça na Aurelo, pelo menos a gente ganha por audição. E ouvintes do Spotify, não esqueçam aí de colocar uma classificação por estrelas. Terminou de ouvir lá o primeiro episódio, já fica habilitado, classifica o podcast com estrelas. É bem importante para nós, é importante para nossa relevância. E é isso aí, meus queridos amigos, muito obrigado aí pela parceria.
Thiago segue em férias, semana que vem provavelmente ele está de volta. Carlos tá no INSS. E seguimos aí, seguimos aí com nossa programação. Um grande abraço a todos e até semana que vem.
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