Episódios de Rock na Mesa

EP #185 - Satyricon - Rebel Extravaganza

05 de agosto de 20261h24min
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Rebel Extravaganza representa um dos períodos mais desafiadores da trajetória do Satyricon. Em vez de repetir a fórmula dos trabalhos anteriores, a banda optou por uma abordagem mais áspera e minimalista, deixando os teclados em segundo plano e apostando em riffs hipnóticos, uma produção seca e uma atmosfera fria e opressiva. As composições transmitem um sentimento de isolamento, desprezo pela sociedade e inconformismo, reforçando a identidade provocadora da dupla. Embora tenha causado estranheza em parte dos fãs na época do lançamento, o álbum acabou se tornando um marco na evolução do Satyricon, mostrando que o grupo não tinha receio de romper expectativas e explorar novos caminhos dentro do black metal.

Neste episódio, William Faria e Bruno Glaser analisam o álbum faixa a faixa, explorando o contexto de cada música, as letras, as composições e os conceitos presentes no disco.

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NOSSOS LINKS - Instagram, grupo de whatsapp para ouvintes, etc.

Participantes neste episódio2
B

Bruno Glaser

Host
W

William Faria

Host
Assuntos7
  • Satyricon - Rebel ExtravaganzaContexto do álbum·Ruptura com o Black Metal tradicional·Sonoridade industrial e fria·Temática de misantropia e niilismo
  • Black MetalPrimeira onda do Black Metal·Segunda geração norueguesa·Estética do Black Metal·Purismo no Black Metal
  • Análise faixa a faixa de RisingTied in Bronze Chains·Filth Grinder·Rhapsody in Filth·Havoc Vulture·Primeval Renaissance·Supersonic Journey·End of Journey·Moments of Clarity
  • Temáticas LíricasMisantropia·Niilismo·Antirreligiosidade·Decadência humana·Crítica social
  • Rebel Extravaganza· EntretenimentoEstética bizarra e não convencional·Representação da sonoridade do disco·Ruptura com a imagem do Black Metal
  • Turnê de Shows· EntretenimentoTurnê de Shows·Convite do Pantera·Projeto com Phil Anselmo
  • Formacao Satyricon· CulturaSatyr e Frost como núcleo·Músicos convidados·Fenriz·Samoth
Transcrição148 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
WFWilliam Faria

A rotating silver-colored plateau drops a dance down the columns. Blue coal and the racing starwinder blowing towards that purple sphere. I gotta see. Coloca sua corpse paint, bota o teu cinto de bala, faz a cara de mal, mão de foguinho, e bem-vindo ao primeiro episódio de black metal do Rock na Mesa. Eu sou Bruno Glaser e tenho aqui comigo William Capeta Faria, que me deu a missão de defender essa desgraceira. Fala aí, William.

BGBruno Glaser

Ô, meu querido, beleza? Bem, bem pontuado, primeiro episódio de black metal em nossa programação, cara. Imagina só.

WFWilliam Faria

Medo. Eu que tô com medo, que tem que ficar com medo é o Paulo, nosso ouvinte, né? Foi sorteado no grupo do WhatsApp. A gente tem na postagem no Instagram o grupo do WhatsApp. Entrem lá para ouvir um monte de desgraceira mais suja do que o black metal que a gente vai falar aqui e Ele mandou um áudio, né, William, sobre o episódio. Vamos ouvir aí o que é que ele tem para falar sobre essa escolha de sorteio. Oi, Paulo Paes daqui, vencedor de um dos sorteios lá no grupo do canal, e ganhei com Satyricon Rebel Extravaganza, o álbum que na altura em que o black metal estagnou representa logo uma viragem radical.

Acabou-se com o purismo folclórico e medieval para ir para um som industrial frio futurista que aborda esses prazeres da misantropia urbana, da decadência humana e do niilismo. Até em termos de som ainda conseguiram encaixar estruturas progressivas e não esquecer que os truques de plantão ficaram furiosos com essa mudança, já que esperavam uma sequela do Némacis Divina. Hoje em dia, já com 27 aninhos, é considerado uma obra-prima, tal como daqui a uns anos será o St.

Anger dos Metallica, se calhar. Abraço e beijo. E agora, antes de cometer qualquer ato de rebelião, segue as nossas redes sociais aí, Podcast Rock na Mesa. Vamos, vamos trocar uma ideia lá. O William sempre tá aí respondendo comentários, né? Ele que tende a comandar o Instagram, essa atitude black metal que ele tem na veia dele. Mas é isso, cara, a gente tá com uma abrangência boa de temas aqui, né? Acho que tá faltando o quê?

A gente não tem grindcore, não tem sludge, tem que botar um yacht rock aí também. Vamos gravar um Steely Dan aí depois, Julhão?

BGBruno Glaser

Steely Dan pode rolar um dia, mas não se esqueça que a gente fez um mês todinho de AOR.

WFWilliam Faria

A OR não é hard rock, cara. São diferentes, são diferentes.

BGBruno Glaser

Pisamos ali, pisamos ali, pô.

WFWilliam Faria

Tá na beirada, né?

BGBruno Glaser

Na beirada, tipo, muito perto disso.

WFWilliam Faria

Mas vamos lá, vamos começar nesse tema aqui que acho que tem muita coisa interessante para a gente falar. Por ser o primeiro episódio de black metal, acho que a primeira pergunta é: William, qual é sua posição sobre black metal? Que eu nunca vi você falando sobre isso antes, cara. Sei que você teve a sua fase death metal, você tem a sua fase elecheval de thrash. Qual é a sua relação com esse gênero maldito?

BGBruno Glaser

Eu não ouço black metal há muitos anos. É bem lembrado aí que você mencionou a fase que eu ouvia death metal na adolescência, e bem nessa fase que eu conheci algumas bandas de black metal, mas eram as bandas meio antigas, né? As bandas aí da, vamos dizer assim, da velha guarda. Porque o meu primeiro contato com black metal foi com aquele vinilzão do At War with Satan do Venom. Então foi com aquele vinil que eu ouvi. E eu tinha Bathory ali também, uma banda que eu acabei ouvindo, Celtic Frost também.

Isso foi o mais próximo que eu cheguei. Eu não me aprofundei muito nas bandas mais atuais. Eu confesso que eu parei no tempo, perdi totalmente. Eu ouço mais vocês falarem aí no grupo, comentando nas nossas rodas aí, nos nossos happy hours aí que a gente faz, a gente se encontra. E eu confesso que é um universo para mim bem, bem diferente assim do que eu tô acostumado a falar, ouvir, né? Mas estamos aí para ser desafiado, estamos aí para ouvir coisas diferentes e tentar desbravar aí, né?

Eu confesso para você que para esse tema aqui eu tava bem curioso e também ansioso, porque eu falei, pô, disco diferente, um estilo que a gente nunca gravou. É, vamos, vamos dar a devida chance aí, ver o que que a gente consegue contribuir, agregar aí para o entretenimento dos nossos ouvintes aí, que certamente já imagino tem a sua parcela de ouvintes que gostam do estilo também.

WFWilliam Faria

Serão entretidos, né? Porque o Paulo escolheu um disco que é complicado, né, cara? Ele não— ele pegou um disco que é divisivo até para os fãs de black metal, cara. Tem muita gente que torceu o nariz quando esse cara aí saiu. E acho que já vale a pena setar a expectativa do Paulo, que chuto que o William não conseguiu sentir a maldade na forma como ele deveria sentir não, cara. Acho que foi uma saudade que repelia o William. Mas vamos lá, a gente vai, vai chegar lá ainda, né?

No meu caso, cara, assim, você falou do black metal, dá para chamar de primeira onda aí, primeira geração, né? Venom, Bathory, Celtic Frost. Eu nem tinha pensado nessa linha, cara, tinha pensado mais em falar sobre essa segunda geração norueguesa aí, mas eu conheci também pelo disco black metal do Venom, não foi? O At War with Satan. Que tinha uma fita cassete gravada lá em casa. Isso anos 80 ainda, né? E por muito tempo foi tudo que eu conheci de black metal, cara.

Conheci o Venom depois de, sei lá, no começo para o meio dos anos 90. Eu achei uma coletânea em CD do Venom também. Então eu ficava mais nesse espaço do black metal antigo. E aí é mais para frente, cara, mais para segunda metade da década de 90 que começaram a aparecer as revistas que vinha CD, né, para você conhecer uma faixa de cada banda, umas 15, 20 bandas lá. Leio um negócio legal para caramba. E aí eu falei da geração norueguesa, mas a primeira coisa que eu ouvi foi Cradle of Filth, cara.

Foi um disquinho que veio com Qual era a música? Nossa, deu branco agora. Mas sim, era uma música do Ypê do Cradle, cara. E eu fiquei primeiro meio incomodado, mas com o tempo a música começou aí me cativando, né? Comecei a aceitar a podreia. E aí, cara, com o tempo a gente tendo chance de baixar coisa, né? Aí já foi fase de download lá de samplezinho de algumas músicas meio espalhadas, eu comecei a ouvir o resto do black metal, né?

E aí acho que meio natural, acho que primeiro me pegou os black metal sellout que me pegaram o ouvido, Dimmu Borgir também, né? As coisas que são um pouquinho mais acessíveis. E depois só indo para o buraco, cara, só caminhando em direção ao inferno aí, ouvindo as coisas cada vez mais agressivas, mais esquisitas, né? Que é um negócio que eu acho legal do black metal, principalmente a geração da Noruega mesmo, é que o negócio começou super cru, né?

Até acho que é um negócio que gerou esse preconceito que existe com black metal, de que é tudo podre, gravado na caverna, no radinho de pilha, né? É uma estética que é muito seguida ainda, mas que para os medalhões rapidinho isso passou, né? Você pegar os Mayhem, Darkthrone, Slave, Emperor, todas essas bandas aí que tinham a sonoridade mais crua foram evoluindo, né? E inclusive no tipo de sonoridade, né? Então, sei lá, um Slave foi para uns progressivo com psicodélico, né, cara?

O Mayhem tem disco saiu no ano seguinte do que a gente vai falar hoje, que tem bastante coisa industrial também, os eletrônicos doido. Tem um monte de banda maluca lá da Noruega que eu acho tudo lindo, né? Mas não falei ainda, apesar de estar no título do episódio, a gente vai falar hoje de satírico, né? O Rebel Extravaganza. O nome já é esquisito, né, cara? Acho que é um, já é um cartãozinho de visita que eu comentei. O Paulo escolheu um disco complicado porque é um disco que queria ir contra o, não só humanidade, religião, essas coisas que são naturais do black metal, mas contra o próprio black metal, né?

É um lance bem interessante. Você chegou a ouvir alguma coisa do Satírico antes desse disco, William?

BGBruno Glaser

Zero, zero, nem de nome, nem de nome. Porque como eu te disse, minha relação com black metal foram essas bandas mais antigas. E aí foi legal, tu citou o Cradle e o Dimmu Borgir, porque também são bandas que eu, que eu tive uma super exposição a elas, porque elas simplesmente estouraram quando começaram a lançar os discos. Acho que a Brigade fazia muita propaganda dessas bandas, a Hold Crew. Só que eu nunca consegui levar essas bandas muito a sério no que diz black metal.

Nunca tive como referência de bandas assim que, sei lá, cara, black metal para mim sempre foi uma coisa assim muito ligada a isso. Tinha muito forte na minha cabeça as pessoas que eu conhecia que ouviam black metal na época, elas eram muito ligadas em magia negra, gostavam muito dessas coisas, entendeu? E eu sempre olhei para o Cradle, por exemplo, como uma coisa meio de menininha. Eu coloquei assim para ouvir, falei, cara, isso aqui é meio gótico, meio black metal, não consigo levar isso aqui a sério assim.

Falar, não, isso aqui não, isso aqui para mim não fecha com o que eu tenho de referência com black metal, entendeu? E eu demorei muito pouco para perceber isso e eu acabei deixando de lado, como eu te disse. Então o Satírico talvez de forma injusta tenha sido ignorado por mim. Eu não ouvi, não conhecia. Se em algum momento alguém me pôs para ouvir, eu não lembro, sendo bem honesto. Daí quando o Paulo indicou esse tema aqui no sorteio, falei, bom, chegou a hora de conhecer, né?

Nada melhor que um episódio para a gente fazer uma imersão e conhecer. Então eu não tinha ouvido mesmo. Então as impressões que os nossos ouvintes vão ter aqui da minha pessoa serão fruto dessas minhas audições aí nos últimos dias que eu peguei para ouvir, para a gente gravar sorteio, que foi auditado, 100% isento, não teve nada tendencioso, foi só pura sorte. Pô, imagina, né? Saiu um black metal pela primeira vez, olha aí.

WFWilliam Faria

Diz que foi lançado em 6 de setembro de 1999, ou seja, foi quase um presente de aniversário para mim, né? Mas assim, eu não cheguei a ouvir na época, cara. Eu ouvi alguns anos mais para frente. O William ouviu bastante anos mais para frente, né? Quase 30 anos depois, tá ouvindo pela primeira vez aí. E eu fiquei curioso também, cara, porque eu sei que você costuma voltar na discografia das bandas que a gente vai gravar, né? Principalmente quando você não tá tão familiarizado.

Vou voltar na discografia e ir para frente também, né? Tentar sacar um pouquinho qual é do disco dentro da vida da banda. Acho que você talvez comente isso um pouquinho depois, mas eu fiquei curioso. Você chegou a ouvir antes e depois, cara?

BGBruno Glaser

Não, eu fiz sim, eu fiz. Porque o que que eu, o que que eu, o meu ponto de partida foi ouvir o álbum. Então ouvi o álbum, confesso para você que foi bem difícil a minha primeira audição. Você viu as minhas reações que eu publiquei lá no nosso grupo lá da equipe. Eu fiquei bem confuso, bem, ah, isso aqui não tá legal, não tá descendo legal, tá muito estranho isso aqui, cara. Eu demorei umas 3 audições para poder, para poder tentar tirar alguma coisa e não saía.

Daí eu falei, bom, deve ter alguma coisa na discografia que me dê uma referência de se a banda regrediu ou progrediu. Daí no Kobus tem um panorama lá que eles criaram que chama Black Metal em 10 Álbuns. Em um dos discos que tem ali, justamente é o do Satyricon, que é o Nêmesis Divina. Lindão, isso. Daí eu peguei, voltei, eu dei uma ouvida nele. Ah, depois tu me indicou aquele de 2013, acho que é o Satyricon, que é um outro ali.

WFWilliam Faria

Esse eu te mandei uma faixa, né? Te mandei a Fênix, mas eu ouvi mais, ela é mais diferentona.

BGBruno Glaser

Aí eu vi a Cinêmesis também. Depois eu dei uma ouvida naquele Deep Cough Upon Deep, que a capa me lembra muito Rotten do Sarcófago.

WFWilliam Faria

Esse é o último fora do lance do Greek que eles fizeram, né?

BGBruno Glaser

Pincelei um pouco daquele The Shadow Throne de 2021. Então sim, eu dei uma voltinha.

WFWilliam Faria

O Shadow Throne é o segundo deles, cara.

BGBruno Glaser

Mas é que no Spotify, para mim, para eu que não conheço, eu não sei o que que é o primeiro, o que que não é, entendeu?

WFWilliam Faria

É, virou um negócio confuso, que você ouviu o segundo achando que era o mais recente.

BGBruno Glaser

Eu fui ouvindo, cara, fui catando aí. Eu não ouvi tudo não, mas eu ouvi bastante coisa.

WFWilliam Faria

Boa. Eu tentei também dar uma ajudada aqui, que eu falei, cara, o Paulo escolheu um disco que o Satírico tentou fazer uma ruptura com o que já era sujo, né? Então é um desafiozinho, né? Mas, cara, tem umas coisas interessantes aí da fase desse, da vida desse disco, né? Que O Satyricon fez uma turnê com Behemoth na Europa, quando Behemoth ainda era uma banda menor, né? E aí eles foram para os Estados Unidos fazer uma turnê que deve ter sido sensacional, que tinha o Immortal, o Angel Corpse e o Crisium.

E aí, cara, com o Crisium tem umas histórias que rolou uma bagunça aí. Não sei se chegou a ver isso. Mas se vocês procurarem na internet aí, tem os relatos dos caras do Crisium falando que o Satyr, que é o líder da banda, né, junto com o Frost— a gente vai falar da formação depois— que o cara é um babaca, né, que ele foi meio mistura de racista com xenófobo com os caras do Crisium, que quase saíram na mão e tal. E além de ter tido essa bagunça nos Estados Unidos, a turnê foi interrompida porque o Phil Anselmo do Pantera ouviu o disco, né, o Rebel Extravaganza, ficou fissurado no disco e convidou o Satyricon para fazer uma turnê europeia com eles tocando em arena, né.

Então assim, a banda underground nos Estados Unidos fazer uma turnezinha, do nada recebe um convite do Pantera para tocar em arena. Imagina, né. Então os cara pararam a turnê, foram embora Nessa época lá em 99, né, 2000, Pantera, cara, sei lá, na minha cabeça junto com o Metallica era as maiores bandas do metal, né. Não sei se você pensa diferente, William, mas olhando em retrospecto não tinha muita coisa que era do tamanho desses caras aí, né.

E gerou uma amizade tão, tão grande que nasceu até um projeto paralelo do Fioncelmo com o Satika. E ainda tinha na formação o Fenris do Darkthrone, o Killjoy falecido do Necrophagia, cara, que era uma das primeiras bandas de death metal, né, dos Estados Unidos. Então muitas coisas aconteceram com o Satyricon no ciclo desse disco aí, né. Vamos para a formação William, vamos lá, cara. O Satírico, ele teve bastante integrantes, né, no começo da vida, até que nesse disco o meio que o Satírico e o Frost bateram o martelo que a banda era eles.

O disco tem um monte de convidados, mas o coração da banda sempre foi os dois, né. Então quem compõe tudo, escreve letra, toca guitarra, né, e canta é o Satyr. O Frost é o baterista. Na gravação, Satyr também tocou baixo, né? E aí em turnê são músicos convidados, né? Aí a única curiosidade que tem aqui, além da lista grande de convidados, é que no ciclo desse álbum o Satyricon lançou um EP, né? Antes de sair o disco, eles lançaram Intermezzo 2.

E quem gravou o baixo desse disco, cara, foi o baixista do Conception, aquela banda de prog norueguesa também, né, uma combinação meio inusitada. O Ingar Amien, ele chegou até algumas bandas de black metal aí, tocou, ele tinha o Crest of Darkness, né, o cara teve um envolvimento, mas foi um salto curioso que rolou. No passado, cara, chegou a tocar o próprio Fenris, né, o Samoth do Empero chegou a fazer parte da banda, mas aqui concentrou nos dois de fato. Algum comentário da formação, Lúnia?

BGBruno Glaser

Citou Conception, foi aquela banda do Roy Kahn.

WFWilliam Faria

Conception do Roy Kahn, é isso aí. Olha aí, 2 graus de distância entre Satírico e o Roy Kahn.

BGBruno Glaser

Comentários da formação, para mim realmente eu tô pisando em terreno novo aqui, eu me me chamou atenção realmente o fato de ter dois integrantes, né? E eu obviamente também fui atrás e li sobre a questão deles acabarem se firmando como o coração da banda. Aí então também esses músicos aqui que estão listados como convidados também não tem muitos aqui que eu nunca ouvi falar.

WFWilliam Faria

Tem uma galera aí.

BGBruno Glaser

Nossa, cara, nesse episódio, sabe aquele meme lá do John Travolta lá do Pulp Fiction Fica virando para um lado, para o outro assim. Eu já tô meio assim, tipo, tudo confuso, né?

WFWilliam Faria

Que tá acontecendo?

BGBruno Glaser

Muito, muito, tá diferente hoje, tá? Hoje para mim é tudo novidade.

WFWilliam Faria

Então eu tô tentando botar um pouquinho de contexto, cara. Não sou nenhum especialista, mas é um negócio que eu curto, né? Acho que às vezes ajuda um pouquinho a situar a galera onde tava o satírico aí.

BGBruno Glaser

Mas tu lembra mais ou menos quando você começou a ouvir essa banda assim? Tipo, tu lembra do qual foi o ponto zero? Como é que tu chegou neles?

WFWilliam Faria

Eu acho que foi o clipe de Mother North, cara, que é assim, foi, acho que é o primeiro clipe bem produzido junto com Lost and Cursed of Reverence do Emperor que eu vi, né? Mother North do disco anterior, do Nemesis Divina. Tem um clipe, cara, bem black metal, né, com a galera de Corpse Paint e fogueira e carinha de mal com mão de foguinho, os rituais. Tem uma, um certo grau de nudez ali, uma moça que é sacrificada, né. Vale a pena assistir o clipe porque ele é, ele é um negócio que para época, principalmente para uma banda de black metal, ele foi um uma produção bem feita, né?

E aí, cara, depois disso eu não lembro exatamente como é que foi a sequência de eventos, mas fui ouvindo os discos com o tempo, né? Isso deve ter sido na época que saiu Rebel Extravaganza, por aí, talvez um pouquinho depois. Não lembro exatamente não, porque esse começo do, da possibilidade de você baixar música na internet e tal. Eu fiquei meio, meio fissuradão ouvindo um milhão de coisas, conhecendo um milhão de coisas, né? Então no tempo para mim fica meio confuso, mas o caminho foi esse.

E aí, já que você falou dos dois amigos, cara, dos dois que são o coração da banda, comenta aí a capa que tem as duas figuras.

BGBruno Glaser

Bizarra, uma capa bizarra. Bati o olho assim, falei, pô, uma capa nada convencional, diferente. E batendo o olho nela, nem parece que é de uma banda de black metal, cara. Parece uma coisa assim meio, não sei, eu diria assim que parece algum trabalho assim de um hardcore, de um industrial, não sei, é meio doido assim, sabe? Esse logo, o nome do álbum Rebel Extravaganza ali, O logo da banda bem, não tá nada destacado, né? Tem que parar e prestar atenção, ele tá bem de ladinho ali, ele é bem diferente.

E a capa ela meio que fixou na minha cabeça naquelas minhas primeiras audições que eu tava lutando para tentar achar coisas boas no disco. Conforme eu ia tentando degustar o álbum, tentando deixar ele descer E olhava para essa capa, foi, cara, que disco estranho, que coisa esquisita ainda esses dois aí. Então parece com uma cara de um doente, um, sei lá, parece uma voz dele, parece uma voz de um duende, duende mesmo assim, sabe, uma coisa do tipo.

E o outro atrás parece uma mulher, cara, parece uma, sei lá, uma bruxa toda esgualepada ali. Puta merda, cara, foi, foi bem difícil, cara. E essa capa não ajudou muito não.

WFWilliam Faria

A expectativa já tava baixa, né?

BGBruno Glaser

Na verdade, eu não tinha expectativa nenhuma, cara. Eu fui bem curioso, eu fui de coração aberto, de mente aberta, e para mim tudo soou diferente, tudo muito estranho, cara. Principalmente a capa, não é o tipo de capa que eu gosto não, tá? Mas assim, vamos lá. Daí quando a gente se aprofunda no disco, quando a gente ouve, quando a gente analisa as letras, a capa tem sentido. Daí a capa faz o seu trabalho e tem sentido sim.

WFWilliam Faria

É, e chama atenção, cara. Eu lembro de me chamar atenção de cara de ter o Saty careca, né? Ele teve até esse nível de ruptura com o black metal, que era a galera de cabelão comprido, cabelo preto tingido, né? Ele já tinha meio que mudado no pop, que já tinha os cara com o cabelo claro, né, antes disso aqui. Aí aparece o cara de cabeça raspada, que assim, hoje acho que tem muita, muita banda com muita gente cabeça raspada. Tem, a gente falou do Jimi Hendrix agora há pouco, logo depois apareceu o Gauder, né, que é um cara que que também apareceu raspadão, o Kerry King, né?

Assim, foi um— depois começaram, começou a ter bastante gente. Kerry King acho que deve ter sido antes até, mas aqui para o black metal foi uma mais uma ruptura que os caras quiseram trazer aí, né? E aí eu concordo contigo, cara, ela representa um pouco o som do disco, né? Reparar aí que parece que os caras estão numa parede de tijolo e atrás tem um túnel Isso de uma banda que vinha de castelo, de floresta, né, de uma estética completamente diferente.

Mas eu curto, cara, eu curto essa capa aí. Diferente de você, acho que ela é interessante.

BGBruno Glaser

Certamente eu não gostaria de estar nesse corredor e dar de cara com esses dois aí.

WFWilliam Faria

Sabendo quem é, acho que eu ia pedir um autógrafo só.

BGBruno Glaser

Para efeito de curiosidade, eu acho que eu devo ter tido assim pelo menos umas 7, 8 audições do disco inteiras. E tu sabe que ele melhorou muito para mim quando eu comecei a ouvir com fone de ouvido, que eu ouvia nos monitores assim, cara. Eu ouvia nos monitores e sabe, o meu monitor eu deixo com o som dele meio flat, bem flatzão. Aprendi a ouvir música com bem flat, porque eu gosto dela de ouvir ela sem, sem muitos efeitos. E depois eu falei, pô, mas não tá legal nos flat, no monitor não tá legal, esse som aqui tá diferente, tá muito estridente, tá estranho.

Aí quando eu pus no fone, aí eu falei, opa, ganhou um gravezinho, ficou legal também. As duas últimas audições, principalmente a última que foi a que eu fiz as anotações do faixa a faixa, ela desceu bem melhor, viu. Eu confesso para você assim que não sei se tá tão curioso para saber o que que eu anotei do disco, mas eu acho que eu tenho impressões melhores do que aquelas primeiras que eu compartilhei contigo.

WFWilliam Faria

Então, cara, mas é isso, né? Esse black metal já não é um gênero fácil. Acho que a gente até falou nisso primeira gravação que eu participei com você, William, que não foi nem no Rock na Mesa, né, que a gente fez aquele lá cult de metal extremo. Foi esse gênero mais extremo de metal, cara. É assim, tem, tem o lado que você já comentou também no Rock na Mesa, que é de você querer ser o cara que escuta as coisas do mal, né? Então tem um lado, eu vou chamar aqui de estético, de você dizer, pô, escuta o black metal do capeta, música do anticristo.

Mas assim, a música ela não é Não é fácil, né, cara? E fica mais fácil quando tem alguém que vai te apresentando aos poucos as coisas, né? Então esse já era um disco que tava querendo ser diferente do que o black metal tava fazendo lá em 99, né, nos anos anteriores, que tava indo, como você falou, para o lado sinfônico, né? É uma época que tinha umas bandas de que a galera chamava de Bela e a Fera, né, que tinha um vocal gutural e a mulher cantando meio lírico, né, assim.

Tava caminhando para um lado desse, o Satire, a princípio, quis ir contra isso, né? Inclusive saindo da floresta e indo para a cidade nesse som industrial, que acho que não só a capa, mas você ouviu que o disco também tem essa pegada fria, né? Essas coisas que não são fáceis, cara, não adianta, você tem que ouvir mais de uma vez, né? Você tem que quase fazer força para interpretar o negócio, para entender o que que tava na cabeça dos caras, né?

Eu particularmente gosto muito de coisas que quando eu escuto me deixam meio desnorteado assim, né? Que que eu tô ouvindo, cara? Que diabo é isso? E aí me dá o interesse de ir descascando as camadas de cada um desses discos estranhos.

BGBruno Glaser

É, via de regra eu sempre venho para os nossos, vamos dizer assim, para as nossas gravações aqui com pelo menos, no mínimo, eu preciso de uma semana, duas no mínimo de tempo ouvindo o disco, algumas audições nas costas aí. Eu não consigo me imaginar vir gravar uma coisa ouvindo um disco no mesmo dia da gravação, um dia anterior, cara. Salvo exceções, né, que a gente— o Purple Splat, a gente teve pouco tempo para ouvir, ele lançou e a gente já foi lá e gravou.

Igual eu ouvi bastante, dei uma, algumas, fiz algumas audições ao longo de alguns dias, mas Nesse caso aqui eu me permiti ouvir bastante, tanto quanto eu pude.

WFWilliam Faria

A gente comenta isso, né, cara? Eu não me sinto confortável de ouvir uma vez um disco, que seja um Purple que não é um cara que tem a complexidade desse disco aqui, para dar minha opinião, né? Eu preciso de um tempinho também, cara. Concordo contigo. Bora para o faixa a faixa? Tô muito curioso com os seus comentários aí, cara.

BGBruno Glaser

Tamo aqui para isso. Isso, estamos aqui para isso. Como eu gosto de dizer, é a néctar do episódio. Vamos lá para agora, é o momento de secar essa desgraceira aqui, essa desgraceira.

WFWilliam Faria

É isso aí, de secar esse cadáver. Primeira faixa, Tied in Bronze Chains. Começa aí, William.

BGBruno Glaser

Eu acho que o disco ele abre com uma música de quase 11 minutos e tem que ser uma música muito boa que consiga segurar sua atenção por tanto tempo. Eu sempre tive para mim que o death black metal, no melhor dos cenários, tinham músicas que chegariam ali no máximo uns 6 minutos. Então essa música ela abre os trabalhos e soa como início de roteiro mesmo. Tem aquele som de sirene que já te deixa em alerta, tem muitas passagens rápidas, tem bumbo duplo, as guitarras que contribuem para essas passagens rápidas criam uma massa sonora estridente para caramba, como eu te disse.

Como também tem momentos que o ritmo favorece os riffs mais cadenciados, né, com mais personalidade. Esses momentos acabam sendo os melhores. Próximo do fim, então, os riffs melhoram muito e o vocal é característico do estilo. Esses em questão não fizeram a minha cabeça, tá? Mas longe de mim querer falar é um vocal ruim, o cara canta mal. Não, só o estilo que não faz muito a minha cabeça, só isso. E sobre o tema, essa abertura Ela define o pacto do disco, né, que é prisão, culpa e condenação.

Então o título ele sugere algo rígido, pesado, quase eterno, e a letra reforça essa sensação de aprisionamento moral, como se o sujeito estivesse preso a uma condição da qual ele não tem saída. Então para o roteiro do disco vale aqui destacar que essa faixa funciona tipo como uma porta de entrada para o universo do álbum. Nada é redentor, tudo é fixação, peso e decadência.

WFWilliam Faria

É, você começou falando que black metal tem que ter no máximo 6 minutos, 5, 6. Aqui é o mínimo, né? Fora as vinhetas, é tudo, tá tudo para cima disso. Mas, cara, eu, o disco para mim começa maravilhoso, né? Tem tudo que eu curto de satírico aqui. Teve de fato uma mudança de sonoridade, né, cara? Você ouviu o Nemesis Divina vindo para cá, né? Os caras meio que tiraram tudo que era teclado, né? Foram numa direção contrária do que tava rolando nesse sentido que eu falei agora um pouquinho, de ser tudo super sinfônico e super produzido, não sei o quê.

E aqui, cara, é um lance que assim Eu quase digo que é um, tem até um quê de progressivo, né? Porque nesses 10 minutos tem pouca coisa que se repete de fato, né, cara? Tem muitos andamentos diferentes, tem muito riff diferente, tem muita coisa diferente acontecendo, né? O começo, até os 2 minutos, ela acelera e desacelera, né, cara? Aí vem aquele riff melódico para caramba com a bateria do Frost, do bumbo duplo frenético. Né, é assim, é um monte de coisa diferente que acho que é um pouco do que deixa esse disco difícil, né.

Não tem muitas ideias para você se segurar na primeira audição, né. Não tem aquela melodia de voz marcante, não tem um refrão marcante que fica na sua cabeça, que você lembra com facilidade, né. Aqui é quase que uma linha que vai para frente, não volta mais, né? E assim, desde o primeiro disco, cara, o Satiri contém uma criatividade, tem uns negócios diferentes nas faixas de compasso mesmo, né? Umas músicas são em 5, uns negócio em 9, quebradinho, que acho que sempre foi um treco que eu curti para caramba no som deles, né?

Tipo, nessa faixa lá entre 4 minutos e 40 e 5 e 30, tem um monte de coisa quebrada e diferente acontecendo. Que acho que também é outra coisa que deixa o disco desconfortável, né? Você tá ouvindo, você fica meio desorientado na primeira vez que você ouve, porque você não sabe o que tá acontecendo. Aí você, quando você vai, beleza, entendi esse riff, ele vai para outro, já te deixa para trás, né? E, cara, isso para mim é muito legal, esse caos que ele só na música ele consegue trazer, né?

Eu adoro isso. Da letra, cara, para mim foi um pouquinho diferente, né? Acho que tem um lance das correntes de bronze aqui, que são aquele bem clichêzão, né, que são as amarras da religião e da sociedade, cara, né, que estão ali te prendendo. Tem um pouquinho de tentação também, né, ter esse lado de confrontação do próprio Rebel Extravaganza, né? Acho que o próprio bronze aqui é um É um metal que você vê claramente quando ele tá envelhecido, né?

Ele vai mudando de cor. Acho que é bem de, das restrições que as camadas do mundo aí te tentam te trazer, né? Tentam deixar todo mundo preso.

BGBruno Glaser

Vamos lá então para segunda faixa, Filth Grinder. Cara, eu adorei o título dessa faixa, pô, gostei. É moedor de lixo, moedor de lixo, cara. Porra, eu não vou negar, viu, o batera é muito bom, cara, simplesmente mói o instrumento. A música já tem um andamento que me agradou, os riffs estão bem pegados. Tem até um trítono ali que ficou bem legal ali no meizinho. Porra, eu adoro trítono, cara, na música. Considerando o título e a temática, é a trilha sonora que se espera desse tipo de música, né?

E então, para mim, a questão aqui do texto, eu acho que ela parece que descreve uma máquina de moer tudo que é puro, estável, inocente, reduzindo tudo a matéria corrompida. Se eu entendi bem. Fala aí, cara.

WFWilliam Faria

É esse moedor de sujeira aí do Satira. Acho que ele tá falando de meio como você comentou, né, de pessoas fracas, aquelas pessoas fracas de cabeça. É meio falando um pouco sempre, né, black metal contra religião, né, as ovelhas que estão seguindo cegamente um O Messias. De repente aqui ele tava até falando um pouco da cena black metal, né, aquela visão elitista de que tava assim, as bandas estavam se vendendo, né, o lado cult verdadeiro black metal dele.

Mas, cara, faz sentido você ter entrado um pouco mais nessa aqui porque acho que ela é um pouco mais direta mesmo do que a faixa de abertura.

BGBruno Glaser

Né?

WFWilliam Faria

Ela tem mais riffs, ela tem menos daquela quebradeira. É uma música longa também, né? Mas, cara, tem uns grooves ali que eu nem entendo direito, né? O groove de 1 minuto e 7 até 2 minutos é um treco esquisito, cara. Eu não sei exatamente o que que ele tá fazendo, mas é legal demais, né? Com a guitarra fazendo uns acordes mais abertos, né? Fica um aquela parede sonora linda demais, né? O final, cara, tem uns sons de martelo também, né?

Até curiosos ali, que eles estavam querendo não usar teclado, que nem tinha no black metal, no caminho que tava sendo seguido, mas eles estavam querendo fazer algumas experimentações, né? Então, teoricamente, esse martelo ele gravou batendo martelado no corrimão da escada do estúdio, né, para ter um eco diferente. Então tinha umas experimentações diferentes com sintetizador só para não ser teclado, né. E, cara, o final inclusive dessa faixa eu acho bem, bem esquisito, né.

Mas outra baita de uma faixa aqui, cara. Que já leva para vinhetinha, né? Terceira faixa, Rhapsody in Filth. Primeira vinheta do disco, cara, começa acústica, só que ela vai ficando meio incômoda, né? Começa a ter uns ruídos diferentes. Aí tem, se você ouvir com carinho, você ouviu no fone aí, né, William? Tem, parece que alguém respirando, né? Um lance de meio que de colagem sonora, mas é vinheta, né? Só quero saber, William, o que que é uma rapsódia? Explica aí.

BGBruno Glaser

É, não sei. Daí eu fico pensando aqui o que que seria isso, né? Tipo uma linguagem de arte nobre em matéria decadente, né?

WFWilliam Faria

Música clássica erudita na sujeira, né?

BGBruno Glaser

É, sei lá. Eu, para mim, é isso aí. É meio irônico, né? Tipo o rhapsody, ele sugere o quê? Elevação. Clássico, né, forma clássica, sofisticação, mas é subvertido pela sujeira. Então aqui é linguagem da arte nobre em matéria decadente. É como se dissesse assim, tipo, a beleza foi contaminada de forma irreversível. Então talvez pegue aí o roteiro, é uma boa faixa para falar da relação do disco com antiestética, entendeu? Tipo, ele pega a noção de refinamento e arrasta para o lodo.

WFWilliam Faria

Olha nós aqui, sujeira refinada, profunda.

BGBruno Glaser

Gostou? Tá vendo? Aí, olha nós aqui, a gente tá tirando interpretação de faixa instrumental, cara.

WFWilliam Faria

Veja bem, de black metal, de black metal, que diga-se de passagem.

BGBruno Glaser

É uma intro. A minha única crítica em relação a essa intro, eu não tenho problema com intro, tá? E diferente de você, eu até curto. Eu achei legal essa aqui, mas eu acho que podia ser um pouco menor, cara, porque ela não tem variação nenhuma. Ela vai na mesma pegada, vendo aquele som fica se repetindo, não tem variação de nada. Daí eu acho que fica um pouco desnecessário, podia ser um pouco menor.

WFWilliam Faria

1 minuto e 38, cara.

BGBruno Glaser

Cara, 40 segundos já tava de bom tamanho, 40 para 50.

WFWilliam Faria

Mas é o desconforto, William. Esse disco é feito para não ser confortável.

BGBruno Glaser

Tá, é, vai, um ponto, é um ponto, é justo. Vamos lá para a quarta faixa, Havoc Vulture. Bom, eu não sou um grande conhecedor do estilo, já falei desde o início, e eu poderia arriscar um palpite que aqui tem uma influência de industrial no som. A sonoridade desse som me agradou muito, eu gostei da intensidade dela. Do senso de urgência, de caos, de lodo, de podreira. O vocal já fica um pouco melhor nessa música aqui. Tem até um teclado no meio da podreira que acabou ficando bem legal.

Essa faixa ela trabalha bem a imagem do abutre, né, do que seria o símbolo ali da necrofagia, do oportunismo e sobrevivência sobre ruínas. E o Havok ali amplia isso para uma ideia de caos total, como se a ave aí, o abutre, não apenas se alimentasse destruição, mas a encarnasse. Então a música, a narrativa dela ajuda a consolidar o mundo do disco como um ecossistema de destruição contínua.

WFWilliam Faria

Profundo também, cara.

BGBruno Glaser

Claro que parte dessa interpretação que faça justiça também fui pesquisar um pouquinho, tá? Então tive que ir atrás de algumas fontes aí, não fiquei só lendo letra do Spotify para poder chegar nisso aqui não, tá? Teve um pouco de pesquisa aqui, mas faz parte, né, cara?

WFWilliam Faria

Ver as entrevistas, ver o que que os caras estavam pensando. Mas assim, acho que talvez uma das coisas que tem te atraído, para mim ela começa com uma cara quase metal tradicional, aquele groovezinho, né? Acho que ele não vai direto com o pé na porta. E aí eu não sei se não é até porque o Fenris toca percussão aqui nessa faixa, né? Ele é um cara que é pirado no metal tradicional, né? Mas aí logo depois vem o The Beat ali com os, porra, frenético para caramba, com a voz do Satyr aqui.

Ela tá mais processada para mim até, William. Não sei se é isso que você acabou gostando, né? Mas ela, ela tem uns efeitos, fica um pouco distorcida, cara. Eu gosto demais desse começo aqui. E tem uma transição para o bumbo duplo frenético também, que muda o groove da faixa, cara. Assim, é o bumbo duplo frenético, mas o riff é mais arrastado, né? Um riff com timbre estranho, né? Um timbre meio diferente, cara. Eu gosto demais assim.

Acho que o Satírico, ele tem um talento para fazer uns arranjos que são interessantes, né? E tem uma, acho que a melodia mais marcante, que não é marcante é porque é esquisita para caramba, que tem aqui. Me lembra um pouco o Emperor, cara, que da fase do Prometheus ali um pouco, né, que fica meio contraponto com a guitarra base, cara. O negócio meio, meio errado, mas que é foda, é legal demais ali. E você comentou, né, tem um Hammond aí, cara.

Tocado pelo Lasse Raffrager. Não sei quem é esse cara aí, mas combina para caramba. De alguma maneira o Hammond ficou legal no meio da podreira do black metal. Da letra, cara, acho que essa aqui é, pelo menos a minha leitura, é um pouco mais direta, né? Fala do Redentor que é cruel, né? Aí acho que a gente sabe qual é o Redentor que eles estão falando, né? Mas é aquele cara que, cara, você já tá mal, ele vai, ainda pisa em você, né?

Você tá machucado, você tá ferrado, ele te entrega uma coroa de espinhos para piorar, né? O cara que corta suas asas para lembrar que ele existe, né? E aí as asas, eu entendo como é tirar liberdade, né? Ele tira sua liberdade e você fica lembrando sempre que ele tá ali te olhando, por isso que você não é uma pessoa livre. E você comentou bem, né, o vulture aqui, o, o, eu tinha pensado em urubu, cara, mas você falou certo, né? Não é urubu, é outra coisa.

Mas de qualquer jeito são essas aves de rapina aí que ficam se alimentando de carcaça, né, que aqui é a carcaça dos subjugados, né? Ele fica a faixa inteira meio que subvertendo aquelas, as metáforas são super comuns de religião, né, de luz Só que aqui a luz é ameaçadora, né, e esperança e tal. Acho que é bem black metal, né, cara. Mas acho que são umas leituras interessantes que ele faz dos temas aqui, né. E, porra, preciso falar que os alright que ele manda na faixa eu gosto para caramba também, cara.

Acho super divertido. O que nos leva à faixa 5, Primeval Renaissance, que também, cara, assim, essa aqui não é metal tradicional, mas para mim começa um black metal tradicional, né? Aquela bateria bem, bem classicona, né, cara, mas que vai para um groove mais tradicional no verso, né. Eu acho que esse verso, depois escuta com carinho, William. Não sei se você pegou isso também, mas tem um lickzinho ali que me lembra muito a faixa And Justice for All do Metallica, cara. Depois você escuta lá pensando nisso.

BGBruno Glaser

Não tinha feito essa relação.

WFWilliam Faria

Convido os ouvintes também a fazerem esse teste aí, cara, né? Mas é uma outra faixa que tem participação do Fenris, que acaba tendo esse lado cru de black metal que eu gosto bastante também, né? Nos 3 minutos ela tem um groove ali também que me lembra muito a cara do que o Satyricon vai fazer mais para frente, que é aquela carinha de black and roll que a galera chama, né? Muda um pouco a característica da faixa. E aí de novo aquela letra que é, cara, misantrópica, antirreligiosa, né?

A gente fala de misantropia aqui, tava na moda falar disso há pouco tempo que hackearam o sistema de alerta de tragédia lá, de calamidade do governo, né, cara? Mas quem é fã de black metal, no mínimo pelo disco do Dream Borg, sabe o que que é misantropia há muito tempo, né? Mas, cara, é, fala aqueles clássicos, né? Vou matar os homens de branco, de Opus branco, né, que os padres lá, vou pastorar as ovelhas para se jogarem do precipício, que são os fracos, né, vai sufocar os porcos como político, né, esmagar os órgãos de fala, né, que é tipo meio que vou, quem controla a sua fala aí como uma censura, né.

O cara tá querendo destruir tudo para criar um mundo novo para o esporte. Fortes, né? Aquele in order to create, you must destroy, né? Para você criar, você tem que destruir. Essa letra também é um pouco mais direta na minha visão, né?

BGBruno Glaser

Não, William, olha só, eu não fiz a comparação com Metallica que você citou, mas presta bem atenção na minha primeira anotação da música. Eu escrevi: essa aqui me remeteu alguns thrash das antigas. Olha lá, eu acho que é um dos pontos altos do disco, viu? Eu prefiro assim, quando a música destaca passagens de guitarra, bateria, não tem só berro, gritaria, tem peso aqui, tem velocidade, as coisas fazem sentido, tá? Mesmo em meio ao caos, mesmo em meio à loucuragem, faz sentido.

É o que eu disse, você gosta de música pesada, música, por exemplo, Slayer. Em meio ao caos do Slayer existe um belo de um instrumental muito bem feito, entendeu? Tem coerência, não é só barulho, não é só gritaria, não é só pancadaria.

WFWilliam Faria

Tá falando que aqui não tem instrumental de qualidade, pô?

BGBruno Glaser

Às vezes inicialmente não achei não.

WFWilliam Faria

Você tem que ouvir, cara, não tá na cara assim. Bota o Lars para tocar isso aqui.

BGBruno Glaser

Aí também não dá. Então, outro ponto bacana dessa música é o som do teclado próximo do fim. Achei no mínimo curioso. Os caras conseguem criar umas coisas meio doidas assim, né, no meio das músicas, tipo umas coisas nada convencionais.

WFWilliam Faria

Então eles tentaram sair de tudo que fosse padrão, né? Então vai botar um som sintetizado, tem que ser um som esquisito, não pode ser um som de teclado que tava todo mundo usando igual aí, querendo fazer orquestrinha ou qualquer coisa do tipo, né? Por isso que acho que é interessante mesmo, cara, esse tipo de coisa você tá ouvindo aí, acho que é exatamente a ideia deles.

BGBruno Glaser

E quanto à temática dela, cara, eu acho que Aqui fala meio que do renascimento, né, que é do mal primário, né, da perversão, da regressão, né. Tipo, tem até uma ironia ali, né, tipo, que renasce não é a esperança, e sim a volta do que a civilização tenta esconder.

WFWilliam Faria

Ó, que coisa interessante!

BGBruno Glaser

Não podemos nos queixar, tá rendendo umas interpretações boas aqui. O fato de eu ser um estilo que não me atrai muito atualmente, que me causou uma certa repulsa de início, eu vi o álbum, no fim das contas se mostrou aí para mim com bons conteúdos aí para se trazer.

WFWilliam Faria

Aí, Paulo, fazendo um serviço à comunidade black metal brasileira aí, cara, trazendo mais pessoas para esse mundo de sujeira aí.

BGBruno Glaser

Vamos lá então para a sexta faixa, Supersonic Journey. Ó, É outra música aí com guitarra que me agradou para caramba. Tem umas passagens bem interessantes, tem aquele peso, é um instrumental meio assim isolador. Tem quase 7 minutos de duração, mas essa música não fica só naquele lugar comum, ela te prende a atenção. Quase 8. E a minha parte preferida é perto dos 5 minutos, que é a hora que entra o teclado. O som da bateria também aqui é animal.

E aqui eu acho que a temática dela sobre tipo essa viagem que ela fala não seria uma fuga libertadora, é mais tipo como se fosse um deslocamento em direção ao vazio, entendeu? Não sei se fez sentido para ti.

WFWilliam Faria

Eu acho que é isso, cara, é aquele lance meio cósmico, meio psicodélico, mas assim, aquela visão de de cosmos como um lugar gigante, pilares da existência, onde você é um nada, né? Você é um muito pequeno nada que tem zero chance de mudar qualquer coisa nessa, nessa vastidão, né? Falando um pouco sobre insignificância nossa em relação ao universo, né? Mas, cara, eu gosto demais dessa grosseria, né? Ela começa uma desgraceira com o teclado que você comentou, cara, curto para caramba, né?

Aquele é tocado por um outro cara que já tinha gravado o Nemesis Divino, depois chegou a tocar no Dimmu Borgir também. Ela tem os riffs esquisitos, cara, que eu adoro, né, que fica alternando compasso em 6 e 7, né? Essas coisas que deixam a música interessante e deixam caótica, né? Acho que parte do do que deixou esse disco impenetrável nas primeiras vezes que você ouviu. É esse tipo de coisa, né? Teve uma porradaria maluca e diminui, aí fica quebrado, né?

Aí volta para grosseria. E cara, ela é arrastada, né, da metade em diante, sofrida, né, cara? Meio ruim de contar também, né? Meio quebradinha. Mas é um negócio, porra, te joga meio para baixo assim, cara. Acho Uma baita de uma faixa, cara. Gosto demais disso aqui. E aí a gente vai para a sétima faixa, End of Journey. Mais um interlúdio um pouquinho mais longo aqui, né, cara? Aqui, só que aqui é meio orientado à guitarra, né? Na outra era mais, mais acústico, né?

Mais limpinho. Aqui uns barulhos e tal. Mas é essa aqui, essa eu acho que ela passa talvez um pouquinho no ponto, William. Para mim ela assim, ela funciona como uma introdução para faixa seguinte, mas ela acaba se esticando um pouquinho mais do que deveria.

BGBruno Glaser

É, para mim se faz valer a mesma reclamação que eu fiz daquela outra, nenhuma variação. Aqui ainda maior, 2 minutos e 18. Sem nenhuma variação. Então acaba não contribuindo muito mesmo. Talvez os mais aficionados aí, pessoal que é a galera aí que ouve, daqui a pouco é mais fanático, vai enxergar tipo nessa audição assim tipo como se fosse um aditivo para imersão sonora do disco, entendeu? Talvez o pessoal casual, que é o meu caso, tá chegando agora e vai pegar esse disco para ouvir, talvez passe batido sem dar a mesma chance para ela.

Eu acho que é mais para o pessoal que tá imerso no tema do disco e provavelmente goste. Eu acho que assim, não sei se tu quer comentar alguma coisa, a gente acabou falando do tema do outro, né, que aqui o título ele sugere término, né, tipo o fim da jornada, encerramento aí do processo.

WFWilliam Faria

É o final da jornada supersônica, que é a faixa anterior, né?

BGBruno Glaser

Exato.

WFWilliam Faria

Pode ser.

BGBruno Glaser

Vamos lá então para a oitava faixa, Moments of Clarity. Ó, outros destaque do disco para mim, viu? Eu gostei bastante dela, cara. Esse tipo de som pesado, intenso, mais lento, sombrio, já me agrada bastante. E aquela coisa, riffs arrastados e o pau torando um bumbo duplo, cara, é muito bom isso aí, cara. Termina bem para caramba, cadenciada, pesada, porra. Olha, fácil aí, talvez uma das minhas— não vou dizer, bom, poderia dizer até que seria minha preferida do álbum, Não sei, acho que é muito cedo.

Eu acho que talvez aqui a temática dela talvez seja assim, tipo, a lucidez do álbum não humaniza ninguém, entendeu? Então tipo, ela só revela com mais precisão a podridão ao redor. Seria essa análise simbólica aqui, porque clareza não significa salvação.

WFWilliam Faria

Profundo, hein?

BGBruno Glaser

Profundo, cara. E olha que eu só tomei chá.

WFWilliam Faria

O que que tinha nesse chá aí, cara? Tomou ayahuasca, né? Sacanagem, cara. Eu vi um pouquinho diferente, né? Para mim, a mensagem dela de maneira geral é aquele: você tem que pensar por você, né? E a sua busca por conhecimento tem que ser contínua, né? Um viés um pouco talvez elitista dentro do, é meio característica do, não só do satírico como black metal, né, mas é nessa linha, né. E ela tem um, eu botei entre aspas aqui, né, um refrão que acho a letra interessante, né, que é: descend and fly away to another day, another night, sleep forever to serve Or serve to justify, que é tipo, você vai descer e voar para o próximo dia.

Descer aqui no sentido de descida, eu vejo como descida para o inferno, né? Não de descer uma escada, mas de descida de— eu não sei traduzir exatamente isso aqui, né? Mas o dormir para sempre ou servir para justificar, que é meio, cara, dormir para sempre é aceitar o vazio do nada, né? Aquela morte que te leva para o esquecimento, ou você vive a vida servindo alguém, né, alguma coisa, querendo se justificar porque existe alguma coisa depois da morte.

Deixa umas ideias legais, cara. Mas da música, sou contrário de você, William, que essa aqui é que talvez seja a que menos me atrai de verdade no disco, cara, né. Ela tem riffs legais, né, esses riffs diferentes, criativos, Acho que tem o tecladinho que é interessante, né? Mas eu não sei, acho que as ideias dela, por incrível que pareça, não me soam coesas dentro de uma música como as outras do disco. Mesmo dentro da loucura das outras faixas, essa aqui acho que não me cativou tanto quanto as outras, né?

Gosto é gosto. Enfim, tem uns sonzinhos aqui que parece sonar de submarino, né? Tem uns negócio diferente, cara. Assim, é, continua sendo uma faixa interessante, uma faixa legal, mas dentro desse disco aqui eu acho que é que tem menos destaque para mim. E aí tem mais uma vinheta, cara. Down South, Up North, né? Desce para o sul, sobe para o norte. Que, cara, também não acho que agrega tanto assim. Ela, que a coisa interessante dessa faixa aqui é que ela tem, ela é uma parte de uma faixa zero que tinha na versão física.

Lembra aquele Aquele negócio que você dava play e voltava o disco, né? Então tinha faixa 1, se você voltasse não pulando faixa, né, voltar correndo o tempo do disco, tinha essa versão completa desse cara aí. Tem no YouTube, vocês forem procurar. É mais uma faixa de introdução aí. Nesse caso, acho que não é para finalizar a faixa anterior, acho que é abertura da faixa final do álbum, que, cara, sendo 100% sincero, não me agrega muito não, cara.

Eu queria que fosse logo para desgraceira da Scorn Torrent, mas chutaria que você também não faz questão dessa vinhetinha, né? Apesar dela ser a mais curta de todas.

BGBruno Glaser

Então aqui ela já tem a qualidade que falta nas outras, ela é mais curta.

WFWilliam Faria

Mas a qualidade ia ser curta, né?

BGBruno Glaser

É, mas para mim, cara, também concordo com você. Para mim não agregou em nada, não tem nenhuma variação. De novo aí, quem for muito aficionado no disco talvez encontre aí uma conotação para narrativa do álbum, mas para mim só mais uma vinheta, uma intro, uma vinheta, seja lá o que tu prefira chamar. E vamos lá para a décima e última faixa do disco The Storm Torrent. Bom, vamos lá. O disco começou com uma faixa longa e termina com uma faixa longa.

Aqui a gente tem uma faixa de 10 minutos e 23 segundos. Começa muito bem. Você vê que a música quer te entregar algo um pouco mais do que apenas o convencional. Talvez isso explique a duração para fazer isso acontecer. É um fechamento ambicioso, por assim dizer, dentro da proposta musical da banda. Mas tem momentos que esse som vai por uns caminhos estranhos, cara. Ali perto dos 4 minutos tem um vocal estranho para caramba. Depois dos 5 minutos tem umas partes bem arrastadas.

Me cansou um pouco. O disco teve muitos outros momentos mais interessantes. Acho que essa altura do campeonato o disco começa a me saturar bastante, a não ser que você seja muito fanático pelo estilo e pela banda. Encarar um encerramento de um disco de black metal com um som de 10 minutos é tarefa que exige um pouco de dedicação. Os 2 minutos finais dela tem aquela intensidade, aquele som pesado, de uma forma até bem massiva, como se eles pensassem assim, ó, chegou a hora de derreter os ouvidos de quem ainda não se convenceu que a gente faz black metal pesado e acelerado.

Acho que para um disco com uma temática e uma preocupação em colocar faixas com intros e toda uma ambientação, acho que perderam a chance de terminar com algo que fique na memória, sabe? E essa faixa, ela simplesmente termina e pronto. É a tua faixa perfeita, Bruno, não tem fade. Ela simplesmente acabou, terminou, entendeu? E o fechamento, acho que em relação ao tema, é coerente com o disco, né? Porque Scorn é desprezo, desdém, repulsa.

Aí o Torrent lá, apesar da gente baixar Torrent a vida inteira, a gente acha que é emule, mas é o fluxo massivo incontrolável, né, cara? Então a ideia mesmo, né, é a torrente, é E a ideia final é de um rio de desprezo atravessando tudo, né? Então fecha com a imagem de hostilidade contínua, entendeu? Acho que é uma conclusão até forte, né? Não tem uma resolução, mas só uma saturação emocional e moral.

WFWilliam Faria

Cara, para mim esse final aí é o mais emblemático do disco, né? Porque é uma grosseria e fica por tanto tempo, né, cara? Né? Acho que você falou 2 minutos, que é mais até desses 10 aí, deve ter uns 3 minutos que fica no último groove e é para te arregaçar mesmo, cara. É assim, para mim é bem proposital chegar no final do disco, você já tá um tempo ouvindo, né, essa violência, e aí vem essa avalanche aí que é, cara, para atropelar os fracos, né.

É uma grosseria bem proposital ali de ficar tanto tempo te arregaçando, né? Eu gosto demais dessa faixa aí, cara. Essa é uma grosseria tão, tão linda, né? Que, puta, tem um que você não falou, William. Você tinha que comentar dos vocais femininos aqui, cara. Tem umas harmonias de voz, são lindas, no meio do negócio, né? No meio da desgraceira. Tem uma mulher específica dando um belt, cara, dando um daqueles gritos quase de brother aí, cara, que são, porra, é muito foda, é muito legal, né?

E aí no meio tem aquela, aquele negócio arrastado, um riff bem staccato, né? Aquele, cara, assim, é uma mini jornada dentro dessa faixa que eu concordo com você que é o fim da história que veio sendo contada nesse disco aqui mesmo, cara. É o fim dessa jornada, né? Com uma mini jornada dentro dele, que a letra para mim é um pouco mais de, cara, vamos, vamos, aquele, aquela expressão call to arms, né? Vem todo mundo aqui, se prepara para guerra, cara, vamos arregaçar os fracos, né?

Com toda arrogância que isso carrega, né, do cara que tá olhando de cima para baixo para quem vive só aceitando tudo que é imposto, né? E aí aqui é sempre obviamente com a visão de, cara, você tá aceitando a religião, você tá aceitando as regras que ditam para você, né? Bem, bem com um ar de superioridade que o Satire com sempre teve, né, cara? Mas é que para mim, porra, chega nesse final, cara, esses 3 minutos finais da faixa que são de violência gratuita, que é lindo demais, cara.

E aí para, e aí é o nada, né? Termina o disco no vazio. Acho que é um fim, porra, perfeito, cara. Eu acho muito, muito foda, né? Para mim, acho que provavelmente as faixas, a inicial e a final, são as melhores exatamente por isso, né? Que tem muitas ideias e muitos conceitos que são muito interessantes aqui. Se você tiver disposto a aceitar a grosseria sonora, né, a grosseria das letras, dos esses caras, né, e tentar entender o que que tava passando na cabeça desses malucos aí, cara.

Mas é coisa linda, é uma desgraceira maravilhosa. Aí eu tô, confesso que eu tô com um pouco de receio, mas vamos ver, né, William? Quantos latões de óleo e sangue negro dessa black metal industrial maluco aqui você dá para esse disco, cara?

BGBruno Glaser

Pelo contexto, pelas músicas que eu gostei, pela oportunidade de conhecer uma banda diferente, 7,5.

WFWilliam Faria

Ah, foi bom, cara, foi bom. Achei que ia ser pior.

BGBruno Glaser

Não, eu vim, eu vim para cá decidido a tratar o disco com respeito, né? Até porque eu fiquei pensando assim, pô, uma coisa é eu não gostar do disco de cara e ficar com aquela repulsa em ouvir, mas eu tenho que tentar extrair coisas boas disso aqui para quando chegar na hora de gravar eu levar alguma coisa que realmente agregue, né? Senão ia ficar uma coisa meio, meio chata. Tô elogiando, falando coisas boas, e eu aqui do outro lado batendo.

Aí fica chato, né? Então, tipo, daqui a pouco o ouvinte fala, pô, por que que não convidou uma pessoa então que goste mais para criar uma base mais sólida aí de bom conteúdo? Mas eu acho que 7,5 é uma boa nota para quem chegou nesse universo do satírico aqui de mal abanando. Eu acho que tá legal, 7,5 é uma boa nota.

WFWilliam Faria

Mas eu acho que é digno de nota aí o carinho que você foi cuidar, tratar esse disco, cara, que não é um disco fácil, né? A sua primeira audição, eu lembro que você mandou uma mensagem, cara, que porra é essa?

BGBruno Glaser

Eu tava enlouquecido, eu cheguei num ponto, acho que quando eu tava ouvindo o disco pela terceira vez, eu falei, cara, eu vou cancelar essa gravação, chega, eu vou falar para o Paulo, Paulo, Escolhe outra coisa. Eu até mandava no grupo lá para ele, dos ouvintes lá de amigos, eu coloquei para ele: Paulo, Paulo, pô, Paulo, parabéns, Paulo, parabéns! Mas no fim deu tudo certo.

WFWilliam Faria

É, por outro lado, esses são os discos que, pelo menos para mim, né, eu sou um cara chato, para mim essas são as coisas mais gratificantes, cara, quando você vai É destrinchando mesmo as camadas do disco, né? E com o contexto todo, você sabendo o que que tava acontecendo na cena, sabendo de onde os caras vieram, né? Onde eles estavam mirando. Acho que é um disco que não é fácil, né? Não é um disco que eu indicaria, cara, quero ouvir black metal, o que que você me indica?

Não vai ser esse. Mas eu acho isso aqui um discaço, cara. Para mim é nota 9, que dá uma média 8,3. Ótimo, saiu uma nota digna. É, acho que foi um exercício legal para caramba para você, né, William? Eu não ouvia esse disco há um tempo e fiz uma mega imersão de novo. Valeu muito a pena fazer esse primeiro álbum de black metal, mas depois a gente pega uns que são mais tradicionais aí, né? Acho que inclusive no caminho até o fim do ano talvez tem alguma coisa aí menos, menos de graceira.

BGBruno Glaser

Isso é importante deixar como spoiler para os ouvintes aí, que até o final do ano a gente tem alguns temas aí bem interessantes nesse sentido. Dizem que a gente, o segundo semestre, ele vai ficar marcado por discos assim que talvez algumas pessoas que estão acostumados a nos seguir vão se surpreender.

WFWilliam Faria

Se isso é bom ou não, vocês vão descobrir depois. A surpresa pode ser para— mas vai ser legal, vai ser. Tenham fé que vai ser legal. E, cara, temos uma pancada de comentário, né? Tá, então, uma fase boa demais aqui, cara. O pessoal Debatendo os episódios que vão saindo. A gente gosta para caramba de ler isso. Continuem mandando os comentários. O William costuma responder, mas eu guardo comentários para quando a gente fizer a leitura, né, para defender, para atacar, para concordar, que acho que é mais interessante.

Então vamos lá. Infinita Cast falou sobre o Remedy Lane do Pain of Salvation. O episódio 178, mais um episódio longo. Isso é muito bom. Que história bacana desse álbum. William, que é um cara que sempre foi defensor, né, sempre falou que tem que ter episódio de 3 horas, né, nunca, nunca falou que tem que ser só 1 hora. Paulo Vicente País, hashtag Maxwell Jump, episódio do Van Halen, 1984. A única crítica menos positiva nesse episódio foi o fato do William espicaçar a curiosidade com a aventura entre ele e a professora e depois não entregar a história.

Rapaz, eu ouvi a história, hein, Paulo? Eu sei qual é a história, mas eu não vou falar. Aí tem que ser o William. Rapaz, tem que inventar uma campanha aí para fazer o William contar isso aí, cara. Talvez um bônus de Natal, não sei. Ou ter que ter, sei lá, o primeiro episódio com 10 mil audições. Vamos inventar alguma coisa aí.

BGBruno Glaser

É, o ruim é que se cria uma expectativa que daqui a pouco não faz jus ao que realmente aconteceu, entendeu?

WFWilliam Faria

Ó o medo, ó o medo. Infinita Cash de novo, comentou do Alice Cooper. Ei, estúpido, hashtag guiso, ouvindo agora esse álbum, contando a letra da segunda faixa, lembrou a história de um ouvinte que escutamos no nosso episódio 17, no qual ele se apaixona por uma GP. GP é gerente de projeto, tá, pessoal?

BGBruno Glaser

É Grande Prêmio Brasil.

WFWilliam Faria

Lembrei da música Elected, que tem o cover maravilhoso com as guitarras e a voz de Arjen Lukassen e Tobias Summit.

BGBruno Glaser

Abraços, abraço, obrigado, Ricardo. Um grande abraço para ti.

WFWilliam Faria

Rafael Capelari também sobre o Van Halen, 1984. Que episódio foda! Ó, valeu demais! 1984 foi o meu disco preferido do Van Halen durante a adolescência, principalmente por conta de Jump e Panamá. Quem nunca, né? Mas hoje o melhor para mim é o primeiro da banda. Ele é— sou time Diamond Dave, apesar de gostar da fase do Sammy também. Agora toda vez que eu ouvir Jump vou lembrar do ex-jogador do Botafogo, Michael Suel. É foda!

BGBruno Glaser

Que foda! Obrigado, Rafael.

WFWilliam Faria

Luciana Caneca, Van Halen, 1984, também mais um episódio de qualidade. Aqui em casa o debate sempre fica entre a alegria do DLR, do David Roth, e a seriedade do Heger. Eu gosto de uma boa música divertida, já dá para saber o meu lado. Uma grande injustiça com os ouvintes foi não contar a história da escola do William. Aí, William, já tem, tá se criando mais um momento aí, tá se criando um mito, uma lenda. Vamos ter que extrair essa história do William.

Ou então com Pix, de repente, sacanagem. Faça um episódio sobre mastodonte. Também quero, Luciana Caneca, que role um episódio de mastodonte. Quem sabe, William, você acha que vai rolar, né?

BGBruno Glaser

Talvez, quem sabe, né? É mais fácil rolar o mastro no Até o Final do Ano do que eu contar minha história ou a discografia do Satírico, né? Um abraço para Luciana, querida, sempre participa.

WFWilliam Faria

Infinita Cash de novo. Van Halen, 1984. Hashtag Maxwell. Na 8ª série tinha uma professora substituta bem gostosa. Nós meninos gostávamos de tirar dúvidas com ela só para ver o decote dela. Tenho inveja dos alunos que um dia foram pegos pelas professoras. Kkkkkkk, abraços.

BGBruno Glaser

Ô louco, cara, o pessoal tá— assunto professor aí tá deixando o pessoal em polvorosa aí.

WFWilliam Faria

E a sua história, William, você vai contar?

BGBruno Glaser

Não, só para jogar um pouquinho de curiosidade, cara, só quem poderia contar a história não tá mais em vida, que é o meu pai. Meu pai sabe da história porque ele foi lá num dia no primeiro dia útil lá assinar a minha, vamos dizer assim, minha suspensão. Fiquei um dia suspenso na escola.

WFWilliam Faria

The plot thickens, hein? O negócio tá ficando estranho, mas vamos lá. Alisson Villalobos, Metallica Load. Quando saiu eu curti, depois cansei, depois achei um saco, depois gostei de novo. Tava bom, mas tava meio ruim também. Agora parece que piorou. Enfim, hoje em dia eu canso depois da quinta música. Tivesse 40 minutinhos, tava lindão.

BGBruno Glaser

É errado, né?

WFWilliam Faria

A opinião do William, né?

BGBruno Glaser

É errado, não tá. Eu penso a mesma coisa.

WFWilliam Faria

José Clayerton Silva: obrigado, William, Bruno e Thiago. De nada. Esperava coisa pior, levando em conta a versão que esse álbum tem por muitos fãs, entre aspas, da banda até hoje. Eu considero o disco mais subestimado da banda e terceiro melhor da discografia. Desafia. Aí tá difícil, cara. Rapaz, discordo completamente do William eliminar 5 músicas. Bastaria eliminar Hero of the Day mesmo, ele vai lá contra mão mesmo, cara. Valeu, abraço a todos.

Olha o Jato lá, ele lá, ele. Infinita Cash, hashtag olha o Jato. Excelente episódio. Concordo com o William em tudo. E rapaz, isso aí, abraço!

BGBruno Glaser

Infinita Cast, o Ricardo é gente boa para cacete.

WFWilliam Faria

Paulo Vicente Paes: quem diria que a música mais pesada dos Metallica seria country? Mama Said. Falamos, falamos da letra lá, cara. Mas eu senti falta da hashtag. O Paulo sempre põe, que às vezes ele põe no grupo, né? Às vezes ele manda no WhatsApp, a gente tá acordando no dia seguinte da publicação, ele já ouviu o episódio, já tá tomando cerveja e já mandou a hashtag.

BGBruno Glaser

É um dos primeiros, às 6 horas da manhã no grupo ele já tá fazendo comentário, já que para ele o fuso horário ele tá mais adiante, né? Às vezes a gente tá tomando café 7 da manhã, 8, ele tá lá tomando a cervejinha dele.

WFWilliam Faria

Acho que ele mora no Brasil, cara, ele só finge que tá lá para encaixar o horário mesmo.

BGBruno Glaser

Pode ser, quem sabe.

WFWilliam Faria

Agora, Eu Sou Thiago, Você Não É é um belo nome, gostei. Diferente. Falando do episódio 121 da Cure, Desintegration, esse eu não gravei, queria ter gravado. Encontrei o podcast esses dias e logo de cara, e logo dei de cara com o episódio sobre o álbum mais importante da minha vida. Caramba, Desintegration é uma ode à melancolia, uma obra-prima, trilha sonora perfeita para as noites chuvosas e frias. Pô, valeu, cara, acho que chegou no episódio legal.

BGBruno Glaser

Muito obrigado, continua com a gente aí, vai ter coisas boas aí. Por vir.

WFWilliam Faria

Muita coisa chuvosa pela frente ainda.

BGBruno Glaser

Olha o jato!

WFWilliam Faria

Não, aí não, pelo amor de Deus. Bernardo Nunes: esse ano de 95, 96 foi estranho mesmo. Tá falando do load aqui, né? A gente abria as revistas de metal barra música, era só fofoca, divisão entre os fãs. Sepultura e Roots, Iron e tour do X Factor, e as viúvas do Paul McCartney, do Dickinson. Poxa, Metallica, foi um ano interessante se viver, cara. Era uma época curiosa, né? Uma época esquisita mesmo, cara.

BGBruno Glaser

Até eu até respondi ele, fez um comentário ali que acho que só lá por 98, 99 foi melhorar um pouquinho, com algumas ressalvas ainda, cara. Essa uma ressaca da primeira metade dos 90 aí foi um desafio viver na música.

WFWilliam Faria

É nada, cara, tem coisa boa todo ano Você só tá procurando errado. 96 saiu Nemesis Divina, porra, disco do Satyr, como a gente falou agora. Olha lá, olha lá. E para fechar aqui, Luciana Caneca de novo, episódio do Metallica. Olha, episódio é melhor, muito melhor do que o álbum.

BGBruno Glaser

Eu devo concordar com ela, eu também prefiro o nosso episódio.

WFWilliam Faria

Esse é o cara que tem autoestima Pô, lá no alto mesmo.

BGBruno Glaser

Se ela tá dizendo, cara, quem sou eu para discordar?

WFWilliam Faria

Quem somos nós, né, cara? Nem acho, nem ouvi ainda episódios, para ser sincero.

BGBruno Glaser

Saiu outro dia, parâmetro, né? Isso deve ter parado o quê? Lá no 80, 85 parou de ouvir?

WFWilliam Faria

Não, vou, eu ouvi o do B2W recente. Meu Deus, eu tô ouvindo, cara, tô ouvindo. Eu vou aos pouquinhos aqui. É bom que eu já não lembro mais, cara. A gente vai gravando esse negócio, eu não o que que eu falei. Tem coisa que eu nem concordo mais.

BGBruno Glaser

Eu não posso dizer a mesma coisa. Eu já ouvi, eu cada episódio que vai para o ar eu já ouvi umas 3 vezes inteiro antes de publicar para ver se tem coisa que eu ouvi, né?

WFWilliam Faria

É, não tem jeito, cara. Eu já não lembro o que que a gente gravou semana passada. Então quando eu vou ver o episódio novo, nem sou eu lá que tá falando. Mas então é isso, cara. Vamos passar a régua e fechar a conta aqui, cara, ou tu vai pedir a saideira ainda?

BGBruno Glaser

Não, não, acho que tá tudo certo. Semana que vem estaremos de volta com um disco clássico de uma banda icônica. Dando um spoiler aqui, tema é esse, super spoiler, né?

WFWilliam Faria

É um super spoiler, poucos discos clássicos de bandas icônicas.

BGBruno Glaser

Casa Cheia, provavelmente gravamos dois em dupla aí na sequência, né?

WFWilliam Faria

E é, cara, dois seguidos, que dois seguidos é Deep Purple, esse aqui. Próxima semana que vem vai estar todo mundo, né?

BGBruno Glaser

Segunda, acho que semana que vem a gente vai estar com uma casa cheia aqui. Vamos ver, é um disco bom aí, espero que o pessoal goste, vai ser bom.

WFWilliam Faria

Tema aí, será?

BGBruno Glaser

Tema proposto pela Renata. Vamos ver.

WFWilliam Faria

Boa!

BGBruno Glaser

Quer dar um spoiler do disco? Qual o tema do disco vai ser gravado?

WFWilliam Faria

Dá um tiro aí.

BGBruno Glaser

Tá dado o tiro. Valeu, valeu, um abraço para vocês, ouvintes. Muito obrigado aí pela audiência e até semana que vem. Um abraço, Bruno. Até mais, tchau para todos.

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