Vortex 132 - Especial Furry
Chegou o dia de @katiucha e @OdeioPePe colocarem suas fursuits imaginárias e falarem um pouco de uma das comunidades mais polêmicas, misteriosas e divertidas do mundo dos fandoms. O prometido especial furry chegou no Vortex 132!
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Contato comercial: comercial@parasol.company
Host: Katiucha Barcelos. Instagram: @katbarcelos | Twitter/X: @katiucha
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Link do post do episódio nas redes sociais:
Links comentados no episódio:
O que significa ser um 'therian' e qual a diferença para um 'furry'; entenda
A relação dos furries com o sexo, relacionamentos e p*rnografia
Produção: Thyara Castro, Bruno Azevedo e Aparecido Santos
Edição: Joel Suke
Ilustração da capa: Brann Sousa
- O que é um FurryComunidade de fãs de animais antropomórficos · Fursona · Fursuits · Therian · Otherkin
- Demografia e Identidade FurryFaixa etária jovem · Identidade de gênero e sexualidade · Educação superior · Neurodiversidade
- Imagem pública vs. realidadeEstereótipos negativos · Preconceito social · Comunidade de apoio · Fandom como refúgio
- Fursuits e FursonasCriação de personagens idealizados · Impacto psicológico positivo · Raças comuns de fursonas · Pokémons populares em fursonas
- Comunidade Furry no BrasilBrasil Fur Fest · Furtal (Fortaleza) · Crescimento do fandom · Fursuits caras
- Sexualidade e CastidadeArte furry pornográfica · Roleplay com teor sexual · Pornografia furry · Fantasias sexuais
E aí, pessoal? Tá começando mais um episódio do Vortex Podcast. Seu momento semanal de aproveitar notícias e histórias que são interessantes o suficiente pra prender a sua atenção, mas que provavelmente não vão mudar a sua vida. Eu sou a Kati Chu Barcelos, mas vocês podem me chamar de Kati. E hoje estou aqui com Odeio Pepe!
Au, au!
Perfeito. Hoje chegou o dia tão prometido. Hoje nós vamos falar sobre furries. No último episódio, a gente comentou por cima que tava aleatoriamente escutando o CD da Furacão 2000 na volta de uma convenção furry que a gente foi. A galera ficou: Como vocês só soltam essa informação e não dizem mais nada?
É assim, tem que pegar no ar, galera.
A informação chega na hora que ela quiser, entendeu? Que venha com saúde. Hoje é pra ela vir com saúde. A gente demorou muito, cara, pra chegar nesse assunto.
O pessoal não sabe, mas tem um programa gravado, não deu certo. Tem. Questões técnicas, infelizmente.
Não só por questões técnicas, né? Porque a gente gravou na época que a gente não tinha o Vortex em vídeo. Então a gente não tem muito como usar agora. Mas era muito massa, porque a gente tinha o Bran participando junto com a gente, que é o artista das capas do Vortex. E é um especialista tão amado, maravilhoso. E cara, arte na comunidade foi um negócio muito grande, muito importante. Mas fora isso, hoje estamos aqui sozinhos.
E se vocês estão assistindo ou no Spotify ou no YouTube, aonde agora estamos em vídeo também, eu vi um pessoal começando no Reddit que, ah, que eu não solto no YouTube, não vou ver.
Pois tá aí, estamos soltando no YouTube. Qual é sua desculpa agora? Ah, é porque eu tenho bom senso. Melhor, hein? Nós estamos de orelhinha no episódio de hoje.
As minhas orelhinhas de raposa.
As tuas orelhinhas são de cachorro? Eu acho, são tipo de husky, né, tuas orelhinhas?
Parece.
Eu quero dizer um negócio, tá? Eu quero fazer um comentário a mais em relação ao CD da Furacão 2000 que a gente tava escutando na volta, que era mais especificamente o álbum Tornado Muito Nervoso 2.
Muito nervoso, muito nervoso.
Pouco nervoso não, bastante.
E é o volume 2 que já foi feito.
Exatamente. Não é escrito volume, é só 2. Tornado Muito Nervoso 2. A gente tava num mindset ali de furry muito forte, né? E eu quero antes de tudo dizer dizer que impressionante como os furries estão em todos os lugares da cultura pop. E isso foi uma coisa que tu comentou dentro do carro escutando Furacão 2000, né?
Porque o que acontece, se você parar para pensar bem, praticamente todas as letras fazem referência a animais lá.
É tipo, você vai chamar alguém de gostosa, você não, gostosa não, você é uma potranca, potranca, né? Ou uma popozuda, mas normalmente também é uma potranca.
Late que eu tô passando, vai lá.
Também tem gatinha, né, que é um negócio muito Comum da gente falar, porque o fulano é uma gatinha.
É, se você já chamou alguém de gatinha na vida, você é furry.
Ai, porque eu acho ele um gato, eu acho ela uma gata. Parabéns, você acabou de descobrir que você é um furry. Tem muita gente que tá um pouco mais perdida do que a gente dentro desse mundo tão misterioso que é a internet. E mais do que isso, né, com a convivência humana, sociedade humana. Por exemplo, eu falei que ia para esse evento e aí mandei um vídeo para mamãe: mãe, estamos aqui, não sei o quê, o Odeio tem um rabinho. Aí ela ficou tipo, cara, que porra é essa, né? Mas ela vamos sempre sair disso assim, legal, palavras de apoio.
O legal é que ela não surpreende mais com a gente, né? Não tá sempre inventando uma besteirinha.
Não, eu quero antes de tudo dizer, gente, se você tem qualquer convite esquisito, chama a gente, por favor. É em Fortaleza? Ah, eu tenho esse rolê aqui que, cara, é completamente aleatório.
Até mesejando eu entrego, até mesejando. Depois de mesejando é loucura.
Eu acabei de saber que vai ter um simpósio de exorcismo e demonologia em Fortaleza. A gente quer ir, provavelmente. Galera, por favor, deem um jeito a gente. Ai, por que vocês querem é para frescar? Não, a gente quer descobrir.
Aprendizado é a viência.
A gente vai frescar um pouco, sim, mas a gente fresca com tudo e não quer dizer que a gente não respeite. A nossa frescura ela vem do coração.
Caraca, a nossa frescura vem do coração. Espera aí, preciso até parar um pouco para absorver isso aí.
Absorveu?
Tá, agora pode.
Mas afinal, o que é um furry? É o seguinte: várias das matérias que eu vou ler aqui, várias das coisas, os dados que eu vou trazer, eles vêm de Um site chamado FurScience. O FurScience, ele é um site de um grupo de psicólogos sociais de vários lugares do mundo, de várias universidades do mundo, que tão estudando a comunidade furry por muitos anos, mais de 10 anos, se eu não me engano mais de 15 anos, pra ser bem sincera. Tem vários estudos, tem vários dados legais.
É mais do que estuda endometriose. Aí, lacra aí na tua cara, pô! Pra, pra, pra!
Aulas. Aí eles têm um artigo de o que é um furry, afinal de contas. Então vamos trazer aqui, derramar conhecimento sobre a nossa comunidade. O termo furry descreve a comunidade diversa de fãs, artistas, escritores, gamers e praticantes de roleplay, né, tipo, então ele interpretando personagens online. A maioria dos furries cria para si um personagem animal antropomorfizado que se chama fursona, com o qual se identificam e que podem funcionar como seu avatar dentro da comunidade.
Alguns furries usam trajes elaborados chamados fursuits ou acessórios como orelhas ou caudas de animais, ou se apresentam como animais antropomórficos em comunidades online, como tipo Second Life ou outros jogos desse tipo.
Caraca, Second Life ainda existe aí?
Deve ter furry no Roblox também, então vamos dizer Roblox.
É mais fácil do Fortnite.
Eu quero, antes de ler o resto da matéria, te perguntar: me explica o que para ti é furry.
Agora que eu conheço, que eu sou introduzido na comunidade, lá ele vai começar aqui. Lá o furry, ele é uma pessoa que cria uma personalidade que tá além da personalidade dele. Na verdade, eu nem acho que ele cria, eu acho que ele se expressa, né, legal, de como ele é internamente, de uma forma mais estética.
Mas como é que tu acha que as pessoas de fora veem os furries antes? Porque assim, para quem não sabe de nada, é difícil até a gente explicar o que é que tá acontecendo.
Eu de fora, eu pensava assim, pô, isso aqui no começo eu achava que era, ah, isso aqui o pessoal gosta de fazer um cosplay diferente, eles não fazem de personagens que existem, eles criam o próprio personagem. Aí calhou de ser um animais e tal. Mas eu acho que as as pessoas já veem como uma parada meio de kink ali, como uma coisa mais, né?
A visão de fora que as pessoas têm sobre a comunidade furry não tem boa intenção, não tem. A galera tenta interpretar da pior maneira possível, mas vamos ser justo aqui, tá?
É esquisito, como muitas coisas que você não tem contato, né? Como você tá vendo de fora.
Tem uns caras nos Estados Unidos, tem uma galera nos Estados Unidos que gosta de fazer, por exemplo, roleplay de guerra.
Hoje a gente tava no SANA e quando a gente tava estacionando tinha uma galera lá simulando, né, Call of Tô aqui, exatamente, fazendo filmagens, sabe, com a câmera em cima da arma para simular um jogo de primeira pessoa. Tem gente que gosta dessas coisas.
E vestidos em Fortaleza, em Fortaleza, gente, não tinha uma, assim, um pixel de pele aparecendo dessas pessoas no calor inacreditável. Isso aí, uma pessoa que não entende, olha de fora e pensa, isso aqui é top esquisitices, porque não é comum e eu não faço parte dessa comunidade. Essa galera também nos Estados Unidos que gosta de fazer esse roleplay de guerras históricas, né, cara, eles fazem todo ano roleplay da Guerra Civil dos Estados Unidos, cara.
E é tipo assim, uma galera mais velha, uma galera mais jovem, tem gente que herda papel do pai que fazia o personagem fulano de tal na recriação da Guerra Civil todo ano, não sei o quê. A pessoa agora tem a honra de fazer as falas, aí tem história. RPG, que é uma coisa que eu faço desde sempre, eu sempre joguei RPG. Esquisito demais, demais.
Não, principalmente quando na nossa época tinha um Fantástico lá Dizendo que a galera tava invocando Satanás.
Exatamente, exatamente. E os furries, eles de fato passam por isso aí também. Então tem muita, tem muito rumor de fora. E a galera de fora, quando fala sobre furry, diz assim: ah, é uma galera que gosta de se vestir de bicho e eles têm kink de fazer coisa aí, vestir de bicho, e eles são, o kink dele é com animal. E aí fica uma coisa, é uma impressão muito ruim, mano. A gente já tentou entrevistar vários furries em vários eventos e é uma galera que Mas é muita gente boa, pô.
Muito! Todos, caraca, fazem de tudo para ajudar você. Mas também são pessoas que se levam muito a sério.
É verdade. Mas eu acho também que é uma fase. Ai, caraca, é só uma fase, mãe. Eu acho que é uma fase até, tipo, é um estágio até virar uma coisa mais popular. Porque eu vejo, eu já vi conteúdo de furry, principalmente nos Estados Unidos, né, que eles filmam muita coisa. Então tem muito evento gigantesco assim, tem tem evento tamanho da CCXP só de furry. E eu vejo que eles se levam muito mais, tipo, na brincadeira. Tem um cara que ele, que um YouTuber que eu sigo, que é o All Gas No Brake, ele faz tipo, ele vai em convenções, ele vai em várias coisas assim nos Estados Unidos, faz o que a gente faz, ele faz o jornalismo das ruas dele.
E aí ele foi no Midwest Fur Fest, o cara tá lá para curtir, ele não liga assim, tipo, é óbvio que ele liga, é óbvio que ele trata como, ele definitivamente trata como uma coisa importante para ele porque ele Anime, a forçute mais massa que eu já vi.
É muito massa mesmo.
Só que ele já chega frescando, pô, ele se diverte.
A gente sempre gostou de coisa que é um pouco, em certo momento da nossa vida pelo menos, foi um pouco humilhante. Tipo, hoje em dia todo mundo assiste anime, mas na época que a gente começou a assistir anime era muito humilhante dizer tipo assim, ai, eu sou otaku. Falar uma palavra em japonês, tipo otaku, meu Deus, era a coisa mais constrangedora do mundo. Caraca, eu fiz cosplay várias vezes na minha vida, é um negócio que tipo, como que você explica?
Para minha família foi um negócio difícil de explicar, imagina para as pessoas de fora, entendeu? Não, eu digo mais, até de videogame.
Quantas pessoas já tiveram a experiência de você tá lá jogando no seu computador, né, como um Rikikomori lá, aí chega seu pai: tá só nos computer, tá navegando na internet, filhão?
E aí tá com seus amiguinhos que não existem na vida real?
Ele fica falando sozinho. Aí chega, chega, chama um tio: aí, ele fica falando sozinho.
E aí é que eu acho que a gente tem um pouco de autoridade para falar, que é tipo assim: se você não entrar um pouco na brincadeira e não não trouxer leveza para aquele assunto, fica muito difícil as pessoas de fora não encararem aquilo ali como uma coisa cada vez mais mistificada no sentido negativo, entendeu? De tipo assim, ah, não pode brincar não, porque senão a pessoa fica tipo, ela fica estranha e ela fica com raiva de você e tal. E aí fica muito uma vibe muito de seita, entendeu?
E aí eu acho que vai afastando cada vez mais as pessoas que são mais curiosas, pessoas que às vezes chegam pela brincadeira, pela curiosidade, acaba ficando, acaba gostando.
Exato. Eu acho que tem que ter essa abertura um pouco mais a não se levar a sério. Mas ao mesmo tempo, eu entendo que as pessoas dentro da comunidade furry muitas vezes encararam várias coisas que não são legais de gente acusando eles de coisas que não são legais, enfim, né, de coisas muito pesadas. Então entendo até certo ponto, mas eu quero dizer que tipo, em vários momentos aqui a gente vai frescar porque é legal, cara, brincar com esse tipo de coisa.
Tá tudo bem você brincar com isso, contanto que você tipo respeite as coisas dos outros, sabe? Falando um pouco do mundo furry aqui no Brasil, porque eu acho que é uma coisa que estourou aí nos últimos anos, inclusive eu acho que tem muita gente que pensa que furry é um negócio que surgiu aí nos últimos, sei lá, 10 anos.
Nada.
Mas na verdade é uma coisa muito antiga. Inclusive, a primeira convenção furry ela aconteceu em 1989, cara.
Aconteceu quando eu era uma criança e eu fiz aquelas fotos da Parmalat, sabe? Será que eu acho? Meu Deus, eu não devo ter. Mas acho que toda criança da minha geração tem a foto lá de leãozinho da Parmalat, né? E de exército também, né? Que o pessoal tirava nas escolas, tirava foto do exército.
Nossa, cara, eu tenho uma que eu sou mestre cuca. Nossa, eu amo. Tem uma matéria aqui que não é da 4Science, mas é brasileira, do G Show, que fala o seguinte: o que é furry? Conheça a comunidade de pessoas que se fantasiam de animais. Aí já começa uma coisa que nem sempre é verdade, porque nem todas as pessoas se fantasiam de animais, pelo que a gente entendeu, né? Inclusive, a gente entendeu isso na prática, vamos já falar sobre.
Fofinhos, felpudos e divertidos, apaixonados por animais com características humanas, os furries, em tradução peludos, como se denominam os participantes do furry fandom, grupo de fãs dedicados à criação de personagens imaginários animalescos que eu diria inclusive que são animais antropomorfizados, é um pouco mais real, né, do que isso aqui, estão tomando conta da cultura pop. A ideia é se ver em um mundo diferente, uma sociedade paralela, como a que assistimos em Zootopia, filme de 2016, muito citado entre eles, inclusive muito citado filmes como O Rei Leão de 1994 e personagens como o Sonic também servem para inspiração entre os furries.
Se tu fosse escolher um animal desses de ficção para para ser, qual tu escolheria?
Eu não sei se para ser, crescendo eu acho que todas as pessoas que falam mal de furry, por exemplo, elas vão concordar que quando as pessoas assistem Space Jam e elas viram a Lola Bunny, a terra tremeu, meu amigo. Aí fala aqui, tá? É uma subcultura que só cresce, com convenções organizadas por fãs no mundo todo, inclusive no nosso país. A edição desse ano da Brasil Fur Fest acontece nos dias 14 e 16 de julho em Santos, no litoral de São Paulo.
Inclusive temos ouvintes de Santos, alunos do Tucano, que já participaram aí de uma matéria sobre de furries. Então a gente tá, o Vortex Podcast está infiltrado em todos os lugares, todos os lugares, que nem cearense. O presidente do evento conta que o movimento surgiu nos anos 80 dentro de convenções de ficção científica. Por lá os participantes discutiam sobre personagens antropomórficos em obras do gênero, enquanto cartunistas criavam os funny animals, como eram chamados na época.
O tempo passou e o que era um movimento se tornou uma grande comunidade cheia de fãs. A partir daí os participantes começaram a criar seus próprios personagens com características animais e humanas, os chamados fursonas, né, como a gente que a gente já falou aqui, termo que vem da junção das palavras furry e persona. Persona 6, né, gente, vem aí.
Mas de fato, 4 remake, de fato.
Mas vamos voltar. Eles podem ou não ter similaridades com seus criadores. Nesse processo, muitos também adquirem trajes especiais chamados de fursuits, no estilo das fantasias do The Masked Singer Brasil ou dos mascotes da Copa do Mundo. A fur fashion brasileira hoje é um ponto de encontro entre fãs de toda a América do Sul. A edição de 2023 receberá furries de 9 países diferentes consolidando assim como uma convenção internacional.
Antes disso, o evento, que promove a cultura furry como um todo— artes, música, performance, literatura e muito mais— também ajuda a arrecadar fundos e donativos para projetos sociais. Se nos Estados Unidos e na Europa o furry fandom é muito conhecido, por aqui os furries ainda estão em processo de furar a bolha. Abre aspas: o pouco preconceito que existe está totalmente na internet. Esses julgamentos são cada vez menores e mais focados em pequenos grupos de outros fandoms, analisa Dani.
Discordo. Pouco preconceito que existe está totalmente na internet? Vai acontecer vai ser um evento furry, coloca por favor uma pessoa com uma cabeça de uma fursuit para pegar um ônibus aqui em Fortaleza, Ceará.
E a gente vai ver, a gente vai achar irado.
É óbvio que a gente vai achar irado, porque é irado. Mas a galera vai dizer assim, meu filho, que roupa é essa?
Mas será que eles vão dizer por causa de ser uma roupa de furry ou porque é quente para caralho e tu tá em Fortaleza?
Eu acho que ambos, eu acho que ambos. Mas o que eu quero dizer é, ainda existe sim esse estigma em vários lugares. E hoje, ai caraca, tá queimando a minha E hoje nós viemos aqui também para dissolver um pouco desse estigma. Mas o primeiro passo é a gente reconhecer que ele existe e frescar um pouquinho. Aí ele diz o seguinte: a interação da comunidade furry, seja nas ruas ou em eventos geeks, é quase sempre positiva. Muitos vêm pedir para tirar fotos ou abraçar os fursuiters e acham tudo muito fofo.
De fato é muito fofo, mas ele garante que qualquer um pode ser furry, abre aspas, em tom de ameaça, né?
Qualquer um pode ser Isso é uma promessa.
Você não precisa nem ter uma fursona, basta gostar de conteúdo furry que você já é considerado um. E por isso o evento e a comunidade como um todo reúnem pessoas de todas as idades, unidas pelo objetivo de levar um pouco da fantasia para a vida real.
Isso eu acho que isso é importante, que até serve para diferenciar as duas comunidades, tá?
É tão difícil porque já vai ser difícil a galera entender furry. Quando a gente chegar com Terrien, que a gente chegar com Otherkin, aí o pessoal vai ficar, não sei nem o que é.
A parada é que furry não é uma pessoa que quer ser um animal, não, ela não se vê como um animal.
Ela pode ser um jumento do ponto de vista metafórico, entendeu?
Mas não que ela se identifica como um jumento.
Exato, é tipo a gente que é jumento e não se identifica como jumento.
Exatamente. Para essa nova comunidade, né, foi dado o nome de therian, que são as pessoas que de fato se enxergam como animais. Mas então vamos entrar nesse critério.
Eu vou ler um pequeno parágrafo aqui dessa matéria que a gente tem do FurScience só para explicar para galera por cima. Diz o seguinte: um pequeno subconjunto conjunto de furries, que é mais ou menos 10%, chamados de Therians, acredita estar espiritualmente conectado aos animais, ser menos ou mais de 100% humano, ser um animal preso em um corpo humano ou ter sido um animal em uma vida passada. Os Otherkin, assim como os Therians, são a terceira coisa, tá?
Sentem-se espiritualmente conectados a espécies não humanas e também não existentes, que são essas espécies místicas, né, fantasiosas, tipo dragões, grifos, minotauros, vampiros, lobisomens. É isso, gente, esses são furries. São pessoas que gostam de assistir coisas ou de, sei lá, consumir conteúdo que envolve animais antropomorfizados. Isso inclui desenho animado, isso inclui videogame, isso inclui várias outras coisas, anime.
Essas pessoas às vezes se tornam membros da comunidade mais ativos, tipo pessoas que escrevem histórias sobre esses animais antropomorfizados, tipo pessoas que fazem arte furry, que é uma coisa muito grande na comunidade furry. Os artistas, né? Tipo pessoas que usam fursuits ou coisas similares a fursuits. Tipo, a gente tá aqui de orelhinha, mas quando a gente foi para convenção furry aqui em Fortaleza, o Furtal, a gente foi de orelhinha, a gente foi de rabinho.
Verdade, gente, se comprometeu.
A gente tá lá para participar.
E peruca, caraca, tá de peruca, pô! Foi quase furry mesmo.
E aí tem gente que usa só o capacete da fursuit, né, da roupa inteira.
Faz uma roupa inteira, tipo meio que de príncipe e o capacete, que deve ser a coisa mais desconfortável de todos os tempos.
E tem muita gente que não se veste. Eu vi, cara, que o percentual de pessoas que tem fursuit é bem baixo, na verdade, porque é um negócio caro demais. Eu não sei se tu se liga, mas tipo, eu não sei quanto é em reais, mas uma fursuit muito foda pode chegar, eu imagino, até tipo uns R$40 mil, se liga. Porque tem umas fursuit, pô, que a galera leva muito a sério, tu não tem noção. Eles colocam as telinhas de LED nos olhos para ficar tipo piscando.
Tem gente que coloca ventilador para ventilar mesma roupa, porque enfim, é muito quente. Tem gente que coloca LED na roupa inteira para ficar tipo brilhando de mil cores diferentes. Fora que o modelo mesmo da roupa para caber uma pessoa dentro já é um negócio, brother, é um lance de figurino de profissional mesmo, né, tipo teatro profissional, entendeu? É muito caro fazer, e só dá para fazer dentro das suas medidas. Não é uma coisa que você vai chegar tipo uma loja de departamento e comprar um fursuit, né?
Então é caro para caralho. Mas isso não quer dizer que elas estejam menos dentro da comunidade furry, porque pelo que eu entendi, muito do roleplay que rola aí dentro da comunidade furry é online. Tem uma galera que tem a sua fursona, que é essa persona furry. Explica aí para galera o que é uma fursona, vai.
Cara, a fursona é a sua identidade furry, é como você, é o seu personagem que você cria. Você tanto serve como uma identificação de quem você é como uma forma de representar as suas características mesmo. Inclusive foi uma coisa que a gente, quando tava no Furtal, tinha muita gente que apesar de não ter a fursona tinha lá o crachazinho com a parte da fursona deles, é o avatar dele dentro do fandom, né? E tem nome, tem conceitinho, tem lore.
É tipo RPG, galera, é tipo RPG, só que não é um personagem que você cria para uma campanha. Muitas vezes é uma galera que passa a vida inteira dentro desse fandom e que dentro do fandom eles têm o mesmo personagem, a mesma fursona, né? Como se fosse uma identidade paralela, o avatar deles dentro daquilo ali.
Inclusive, uma coisa que foi dita lá no, no portal é que o lore vai avançando né? Na próxima versão tem a parte da história que foi deixada para trás, e aí vai seguindo um novo capítulo. Daí eles fazem também esse roleplay.
É, eu já vi vários vídeos da galera interagindo entre as suas forçonas em jogos online, inclusive alguns deles que, desculpa, mas é muito engraçado, não tem como eu levar a sério. Por exemplo, eu descobri que inventaram um negócio chamado Phantom Sense. Tu já ouviu falar nisso?
Não. É o que eu tô dizendo, empolgado já.
Eu não sou psicóloga, eu não tenho como dizer o quão possível, o quão impactante uma coisa desse tipo. Mas eu tenho como dizer certamente que não é uma reação física. Tem gente que fica tiltado quando alguém pega um boneco e passa, por exemplo, por dentro do seu boneco no VRChat, entendeu? Porque diz: não, eu tenho sensor fantasma, eu tenho tipo sensação fantasma quando as pessoas passam por dentro do meu avatar em jogos online, eu sinto na vida real.
Uma mão na consciência, uma mão na consciência e outra no teclado, gente. Por favor, a gente aprende direito.
Às vezes é importante tirar a mão do teclado, botar as duas na consciência. E é uma galera que fica mal. E aí não é só a galera que diz que fica mal, é toda, é todo um grupo de pessoas que diz assim, e falando em chat de voz, e seríssimos, pô, é um tom muito sério dizendo, cara, a gente vai te expulsar daqui se tu de novo jogar essa maçã, essa maçã de pixels em cima do avatar da minha amiga que também é fã de pixels, porque ela tem sensação fantasma.
E quando as pessoas jogam essas coisas nela, ela sente na vida real. Então você está agredindo um ser humano.
Caraca.
Então tem as pessoas nessas comunidades de, nesses VR chats, que tratam como se fosse um problema muito sério isso, de tipo assim, alguém chegou muito perto do meu avatar e eu tenho essa sensação fantasma. Então eu sinto que tem uma pessoa de fato invadindo meu espaço pessoal. Entra no que a gente tá dizendo, que é tipo assim, se você levar a sério demais, você descola um pouco. Você descola um pouco, gente. E isso tá vindo de mim, eu que sou uma pessoa que já falei, chorei falando de um anime de voleibol.
Assim, mais de uma vez, mais de uma, todo dia. Se eu falar de Haikyuu, acaba dando choro. Aí fica, ai, meu Deus, isso é ridículo. Eu sei, as pessoas têm que saber a hora de desenhar a linha, principalmente quando eu tô interagindo com pessoas de fora da comunidade, né? Mas quem são os furries? Odeio PP. Primeiro eu quero dizer que a gente tem aqui os dados do Fur Science, né, como eu falei, que é essa galera que tá junto ali. Porém, esses dados eles são baseados na comunidade furry dos Estados Unidos.
Então a gente, eu não tenho muitas coisas ainda sobre a comunidade brasileira, eu não sei qual é a idade idade média da galera. Eu não sei qual é o perfil social da galera, mas a gente vai ver.
Em algum momento alguém vai fazer estudo aqui, a gente vai fazer o follow-up.
Exatamente, mas por enquanto esse aqui é o site que eu encontrei com estudos mais extensos, mais longos também. Então a gente vai usar ele, tá? Estatísticas demográficas e de identidade. Beleza, beleza. Idade: mais de 75% dos furries têm menos de 25 anos. É porque tem um documento, eles lançaram um livro de tipo assim 800 páginas, 790 e muitas páginas. Então obviamente eu não li esse todo. Ainda, mas eles lançaram uma versão resumida que eles falam basicamente dessas estatísticas sociopsicológicas da galera.
E esse sim eu li todo, que é um artigo de, sei lá, umas 80 páginas. Então de vez em quando eu vou trazer algumas coisas, alguns dados complementares. Por exemplo, né, mais de 75% dos furries têm menos de 25 anos e a maior parte deles entra no fandom antes dos 18, entendeu? Quando eles são menores de idade.
Inclusive, quando a gente tava no Furtal, algumas pessoas que a gente conversou pessoa disse que adolescente já tinha interesse e foi entrando. Mas isso mostra também, Catiuxa, que é uma coisa que vai crescer inevitavelmente. Se é um fenômeno maior entre os jovens, a tendência é que tá se renovando ao ponto de aumentar cada vez mais a comunidade, né?
Eu acho que uma coisa que é interessante quando a gente fala que o pessoal entra nessa comunidade com menos de 18 anos e que 75% tem menos de 25 até agora, né, pelo menos até quando essa pesquisa aqui foi complicada é que a gente já foi adolescente. Quando você é adolescente, tem umas coisas que elas são muito tentadoras. A ideia de você resetar sua personalidade em algum contexto é muito tentador.
Nossa, é muito fortíssimo!
Toda vez que tu começava um jogo online e aí tu fazia o teu boneco do zero e começava a interagir do zero.
Cabelo branco, sim. E o nome dele era Cyber Phoenix.
Qual a sua personalidade? Cara, eu sou muito forte, mas ao mesmo tempo eu sou muito tateira.
Exato, eu não gosto muito de papo, não dou muita risada não.
Não, não, eu sou serião e tal, mas tipo, todo mundo se importa comigo, todo mundo gostaria de saber o que se passa dentro da minha cabeça, mas não é minha vibe, sabe, falar.
Não, não, mas eu ao mesmo tempo sou muito bom e nunca falho com ninguém em tudo.
Sim, e eu também tenho um campo de força, é assim que funciona. Então é muito legal quando você é adolescente que você tá inseguro com todos os aspectos da sua existência. Seu cabelo tá esquisito, sua pele tá esquisita, o seu corpo tá esquisito, seu braço cresceu num ritmo que o resto do seu corpo não acompanhou, você tá assim passando por mil mudanças hormonais, mil mudanças sociais, tá entrando ali muitas vezes no ensino fundamental 2, então no ensino médio.
A ideia de você poder entrar em uma comunidade que você tem como dizer assim: eu vou apagar todos os meus erros do passado e eu vou começar de agora, nova pessoa. Quando você é adolescente, esse tipo de besteira é mó legal, é mó legal, tá tudo bem.
Não, eu lembro que a gente ficava jogando RPG do Senhor dos Anéis conversando com estranhos no Orkut, cara. Você ficava, chegava lá: eu entrei na taverna. Aí chega um estranho e Me aproximei de Cyber Phoenix da Terra-média e perguntei o que ele queria beber.
Faz isso no Mirk, pô. Faz isso no Mirk. Shadow Cat se aproxima de fulaninho de tal e fala, brother, não tem condição.
Mas na época isso era iradíssimo. Isso era adolescência.
Irado. E a gente sentia coisas na vida real de tipo assim, ai, caraca, hoje vai ter tipo, ai, hoje eu vou encontrar fulana de tal, fulano de tal. Você se empolga com seus amigos que você não conhece na vida real, você se empolga com os acontecimentos que não rolaram na vida real. E é isso, pô. Essa é a cabeça do adolescente. Gênero: aproximadamente 84% dos furries se identificam como homens, 13% como mulheres e 2,5% se identificam como trans.
Os furries são predominantemente brancos, né, pelo menos nos Estados Unidos. Obviamente aqui no Brasil não seria exatamente a mesma coisa, até porque todos somos latinos. Sexualidade: aproximadamente um terço se identifica como exclusivamente heterossexual. Os furries têm cerca de 5 vezes mais chances de se identificar como exclusivamente homossexuais do que a população geral, no entanto. E dentro desse espectro de sexualidade, em comparação com a comunidade normie, eles têm muito mais pessoas que se identificam como trans, que se identificam como qualquer outra coisa que não seja heterossexual, na verdade, como bissexuais, como pansexuais.
O que entra muito nesse negócio de aceitação e comunidade, tá ligado?
Aí é muito mais fácil não ter nenhum impacto na sua vida. Então você pode tipo ir testando e testando e se conhecendo.
É uma forma de se conhecer.
Educação: quase 60% do furry fandom relata estar matriculado em tempo parcial ou integral no ensino superior. Isso é muito maior do que o percentual médio da população americana. É conhecido dentro do fandom que, tipo assim, os furs são muito educados academicamente. Inclusive tem uma coisa que é muito conhecida em convenções gringas, que é a galera principalmente de programação, né, da área tech. Eles iam antes dentro dessas comunidades furs e dentro dessas convenções furs para fazer recrutamento de galera, pô.
Caraca, LinkedIn trabalhava em tech. Então você sabe que tá numa comunidade que já é competente tecnicamente e você sabe que você vai se dar bem com aquela galera.
Exato.
É a mesma comunidade que você.
Eu acho que uma coisa que é importante dizer é que tipo assim, o fandom furry ele começou muito dentro da internet. Primeiro começou dentro da comunidade de ficção científica, né? Então já é uma galera que tá mais ligado nessas coisas de ou de exatas ou de meio acadêmico e tudo mais. Aí é uma galera que depois que surgiu a internet começou a se falar muito na internet. A galera que é muito cronicamente online, principalmente algumas décadas atrás, eram pessoas que iam muitas vezes trabalhar com tecnologia.
Então foram pessoas— é por isso que você chegava em uma comunidade furry, em uma convenção furry, e era uma galera trabalhando com programação, porque era uma galera muito cronicamente online. Então tipo, a pessoa cresceu no computador, viveu no computador, tem esse lado mais curioso de chegar a comunidades que não são óbvios. E é muito mais comum você ver uma pessoa dessa trabalhando com tecnologia do que você ver uma pessoa que tem interesses muito, tipo, muito comuns, digamos assim, percentualmente falando.
Tipo, ah, eu gosto de futebol e eu gosto de música pop, eu gosto de virgínia, é do que essa galera que chega na comunidade furry. Porém, é importante dizer que tem gente de todo tipo na comunidade furry hoje em dia. E cada ano que passa, que a comunidade fica maior, tipo, que o fandom cresce, a gente fala isso porque, apesar da gente saber que tem uma galera que é furry e que tá em todo tipo de emprego, a gente tá falando dessa galera que tem empregos muito impressionantes, digamos assim.
Ah, de onde você trabalha? A pessoa: não, eu trabalho na NASA e tudo mais. E ela tá tipo numa fursuit completa, né? Porque muitas vezes o pessoal acha que é uma galera full abestada, né?
Exatamente.
E existem vários tipos de inteligência e também existem vários tipos de abestadiça, pô.
Ah, com certeza. Inclusive dá para acumular eternamente.
Exatamente. Estamos aqui na luta, inclusive, né?
Cada dia um pouquinho pior que ontem.
Aí diz o seguinte aqui: estigma e preconceito. Muitos dos estereótipos negativos sobre o furry fandom foram testados empiricamente e considerados infundados. Quando comparados a um grupo de controle, furries apresentam uma probabilidade significativamente maior de ter um histórico de sofrer bullying físico e verbal, uma diferença particularmente proeminente durante a adolescência, que coloca aqui 61,7% versus 37,1%, que é da sociedade geral, né.
Nossos estudos também indicam que 65% dos furries afirmam não ter contado a quase ninguém da sua família sobre seus interesses furries, e aproximadamente 70% dizem que não contam a quase ninguém com quem convivem no dia a dia, por exemplo, no trabalho. Aproximadamente 60% dos membros da comunidade concordam que sentiam preconceito da sociedade em relação a eles, enquanto aproximadamente 40% sentiam que ser furry não era socialmente aceito.
Como eu falei, né, de fato é complicado você chegar porque a galera não vai entender.
Eu não conto no trabalho que eu trabalho com podcast, imagina ser furry, né?
Mas descobriram independente, só fica espalhando, tá? Mas o que que a gente tira disso aqui? São pessoas que já tiveram em vários grupos e nesses vários grupos eles se sentiram inadequados.
Excluídos.
É verdade, eu e tu a gente já viveu isso da adolescência, na infância.
Não nesse nível assim, não sofri bullying. Eu sofri bullying, eu sofri bullying até eu aprender a imitar a galera das Garras da Patrulha. E aí eu amo isso, nada com humor, né, cara? O maluco ia me bater, eu já ficava: ei, psiu, pera aí!
Aí já é engraçado, né? O bicho é engraçado, vamos bater mais nele não.
Vamos lá, vamos lá, ele vai ser nosso pet.
Olha lá, olha lá, olha aí!
Inclusive eu tenho amigos, hoje do sábado eu encontrei amigo de infância que ele era nerdão que nem eu. E aí, depois dos 30 anos, ele tá fazendo cosplay pela primeira vez.
Felizão! Esse negócio aí de você ser constantemente humilhado pelas coisas que você gosta, você quer esconder mesmo? É paia, é paia mesmo. Aí a ideia de que você tem como chegar num meio que você diz assim: gente, eu gosto muito de anime, de videogame, eu quero ir vestido do meu personagem preferido para o Sano, então para CCXP. E a galera vira para você e diz assim: qual o teu personagem preferido? Nossa, eu também quero ir!
Que massa!
Nossa, eu acho que quando tu for fazer a peruca, tu devia fazer de tal, tal. Galera, isso é muito massa e mexe com a pessoa. Mas aí aqui na matéria também diz o seguinte: bem-estar psicológico e comunidade. Apesar de um histórico de bullying e de um estigma social significativo, a nossa pesquisa mostra que furries se beneficiam da participação no fandom e da interação de pessoas que pensam da mesma forma em um ambiente recreativo, e que está associado a uma maior autoestima e a uma maior satisfação com a vida.
Como a gente falou aqui, né, muito legal quando você encontra pessoas que estão de boa com as suas esquisitices, né? Apesar dos estereótipos negativos que patologizam ou que buscam explicar, digamos assim, né, os furries em termos clínicos, eles não diferem significativamente de um grupo de controle, né, da população geral, no que diz respeito à sua autoestima, bem-estar psicológico ou satisfação nos relacionamentos. E de fato, os furries apresentam maior probabilidade do que o grupo de controle de ter uma identidade mais bem desenvolvida, coerente e estável.
É importante dizer que depois eu vi um vídeo de uma outra pessoa dizendo que tem um outro estudo falando que dentro do fandom furry, a galera tem estatisticamente bem mais possibilidade de ser clinicamente ansioso, clinicamente depressivo e tudo mais. Só que é importante pensar se é o fandom que faz eles ficarem assim, eu imagino que não, ou se é a sociedade que faz eles ficarem assim.
Eu acho que é mais o outro, é, acho que é mais uma coisa que eles trazem da sociedade, vão tratar de certa forma participando do fandom.
Às vezes a galera confunde muito correlação com causalidade, né? Um dos grandes problemas de estudos científicos aí. Eu lembro que há muito tempo atrás tinha esse lance de quando a pessoa tinha muita espinha na cara ela tomava o Roaccutane, Roaccutane, e ela devia ter medo porque Roaccutane dava depressão. E aí um dia desse eu tava falando com a minha dermatologista e ela falou assim, ah, mas hoje em dia a galera acredita que é mais outra coisa, que é tipo, quando você é adolescente e você tem muita espinha no rosto, muita espinha, você tem essa ponto de querer usar Roaccutane.
Exato, a ponto de querer usar Roaccutane, você provavelmente tá deprimido porque você não se sente encaixado na sociedade, você não se sente atraente, você todas as vezes que vai sair de casa acha que não tá bonito ou bem o suficiente para sair. Então Aí você vai entrando nesse, enfim, né? Só tô falando que não é o fandom furry que atrai pessoas.
Uma coisa é outra coisa e outra coisa é outra coisa.
Perfeitamente, muito obrigada, meu cientista.
Esse é o termo científico.
Contrastando com estereótipos que retratam o fandom como simplesmente um fetiche, o atrativo mais citado para o furry fandom é o senso de pertencimento, recreação e fuga da banalidade do dia a dia, bem como apreciação da arte de histórias com animais antropomórficos. Como resultado da interação em uma comunidade que valoriza a tolerância, aceitação e a mente aberta, a interação com furry fandom está associada à cidadania global, um senso de responsabilidade para agir em prol da melhoria do mundo.
Por exemplo, preocupações ambientais, valorização da diversidade, preocupação com animais e coisas do tipo. E aí tem o lance da fursona. A matéria que fala: a maioria dos furries se apresenta e interage com o fandom usando fursonas que representam versões idealizadas deles mesmos, geralmente mais extrovertidos, mais sociáveis e confiantes do que eles próprios.
Caraca, então não é só como ele se sente, né? É a versão do que é o ideal para ele, é como ele gostaria de ser.
Quando tu era o Cyber Phoenix, tu pensava que o ideal era tu ser misterioso, sim, forte, personagem de cabelo branco, forte, etc., etc., ter duas adagas. Macho é forte demais, só ter duas adagas é irado. Se eu pudesse escolher ser uma pessoa que sabe usar uma katana, eu me cortei anteontem com a faca de cozer da Tramontina aqui em casa cortando um pão, pô.
Uma serrinha, uma serrinha.
Ei, se cortar de serrinha é paia, tá? É paia, é paia, porque você sente o corte várias vezes, é muito ruim.
E sente, né? Sempre dói duas vezes, dói o corte, dói a humilhação, né?
Exatamente, exatamente. Fala aqui: nossa pesquisa longitudinal está testando atualmente se passar mais tempo como sua persona idealizada leva mudanças positivas na própria personalidade dos furries. E aparentemente sim, né? Os furries, embora tenham vidas de fantasia mais ativas, não têm maior probabilidade do que a população geral de se engajar em formas patológicas de fantasia, como por exemplo delírio, escapismo, fantasia excessiva, etc., e são mais propensos do que os membros da população geral a se engajar na fantasia por motivos saudáveis e benéficos, incluindo a inspiração para criatividade e a interação social e recreação.
Isso aí é outro preconceito que eu tinha, que é que eu pensava: tá maluca, pô? Automaticamente gente maluco de tantas coisas. Não, é muito mais normal, a minha cabeça, muito mais normal eu querer ser quem, ó, Uchiha Sasuke. É muito mais normal me vestir de Sasuke do que eu querer ser, sei lá, um animal, reprodução do Cavalo de Fogo. Aí você vai ver, a galera tá muito mais confortável com as fursuits deles do que você, sei lá, de Sasuke Uchiha. É você de pirata no carnaval, pô.
Mas é porque a galera, pô, é muito esquisita. É muito, você chega num lugar e tal, a galera com a cabeça gigante de bicho. Aí você chega e diz assim, qual o teu personagem? Pessoas assim, não, essa é a minha persona, sou eu. Aí você, não, calma, sou eu. É muito mais fácil eu entender que tu é fã da Jinx de Arcane, se vestiu de Jinx de Arcane, do que que tu criou um personagem do zero que vai ser teu avatar dentro do teu fandom, entendeu?
E que tu, quando tu tiver vestido dele, tu vai ser ele.
É que tu vai ser um nobre cavaleiro. Não cavaleiro, cavaleiro de fato. Ele é um cavalo que monta um outro de cavalo e usa uma katana.
E tu tá com isso na cabeça, macho.
Eu vou fazer uma forçona, tu vai ver a putaria. Eu vou dizer, se tu fosse ter uma forçona, porque eu tenho pensado na minha forçona.
Ok, pode prosseguir. Eu gostaria de ser um urso panda ultra musculoso.
Foda, foda, foda.
Não, tipo de urso normal. Não, ele é o meu com panda normal. Eu quero um musculoso e ele também tá vestido com Calça militar, né? Como é a calça? Tem um nomezinho, não sei, verde oliva, não sei. Calça militar fica na mata camuflada, calça camuflada.
Ah, entendi, tá.
Ele tá usando calça camuflada, não tem parte de cima. Ele tem, sabe aquele Rambo que tem, não, que tem as balas só, tem um colete de balas?
Tu quer bala? Tu quer que ele segure balas?
Balas de verdade, mas ele não utiliza armas, né?
Que ele é, não, ele usa só pela estética as balas.
Sim, sim, legal. Inclusive são balas de mentira, só são estética mesmo.
Então inclusive são balas bombom, né? São uns bombonzinhos.
Uma de pips assim, ó. Foda.
Mas quais são as características psicológicas dele?
Eu vi que ele é um pacifista, pacifista, mas ele poderia, eu não sei, né? Exatamente essa é a parada. Se quiser guerra, vou querer guerra, mas eu não quero guerra.
Não, não, se quiser guerra, eu sou forte o suficiente, treinado o suficiente em artes marciais para dizer que a guerra não vale a pena.
E artilharia, exatamente.
E artilharia, exato, exato. Mas se a guerra chegar até mim sem eu ter vontade, eu vou tentar aquela paz.
A ira de um homem calmo.
Perfeito, exatamente. Eu gostaria de ser um guaxinim que usa armas brancas com grande proficiência. Por que tu tá rindo da minha persona, seu ridículo? Imagina, mano, é irado um guaxinim com katana.
Irado, cada um com as suas opiniões aí.
Exatamente, exatamente.
Tu tá fissurada, né, em guaxinim agora? Tu tá parada guaxinim?
Não, pô, faz muito tempo. É porque eu adoro gatos, mas eu sou fascinada com o conceito de guaxinim, porque ele é um animal que ele já vem vestido para o crime, pô.
É muito massa isso aí, é verdade, né? Caraca, é verdade.
Eles têm as mãozinhas que eles gostam de ficar pegando nas coisas, eles invadem casa, tipo Tipo, eles frequentemente, eles invadem domicílio das pessoas, eles reviram lixo, quebram as coisas. Eu acho legal, animal desordeiro, acho legal. E eu acho que é inclusive uma coisa que eu tô projetando no personagem, né? Porque tipo assim, na vida real eu tenho medo de quebrar regras.
Ao contrário, tu não passa de 40 por hora.
Depende se a via for 80 por hora, eu passo, que eu chego a 80 por hora.
É horrível para ti, pessoas que seguem Desde que eu não esteja no carro, né?
Entendi. Imagina que a gente passa vários anos interpretando esses personagens. É possível que a gente de vez em quando se notasse um pouco mais, sei lá, um pouco menos resistente a quebrar uma regra aqui ou ali, no meu caso. Ou que tipo tu olhasse o teu corpo como uma máquina um pouco mais forte e capaz de coisas, porque tu tá acostumado a interpretar o teu personagem, né?
Tu forçando a consciência corporal. Terapêutico, gente.
Exato, é uma coisa que a galera observou várias vezes já em gente que joga RPG, em gente que faz teatro, em gente que faz qualquer tipo de roleplay, né? Então assim, existe impacto psicológico positivo nisso de qualquer maneira. Aí eu tenho aqui vários dados aleatórios que eu vi nesse longo artigo sobre várias pesquisas sociais e psicológicas sobre furs. Eu já nos ambientes seguros da nossa amizade já falei algumas vezes que uma ou duas curvas de fãs na minha vida eu poderia ter me tornado furry, né?
Ou pior, ou pior, e adjacências, né?
Tem um gráfico aqui dizendo quais são os outros interesses ou outros fandoms que os furries participam. E se liga aqui: sci-fi, anime, esportes. Esporte, pouca gente, tá? Pouca gente. Videogame, RPG de mesa. Hoje em dia que eu gosto de esporte, eu praticamente gabaritei, cara.
É isso aí, é isso aí mesmo.
Vem aí, galera, eu furry. Fiquem atentos.
Ah, e as raças?
Vamos ver um graficozinho aqui mostrando quais são as raças mais comuns em fursona E fursuits. Primeiro, é híbrido de vários animais, vou já falar sobre isso. Segundo, lobo, que é o teu, orelhinha aí de lobo barra cachorro.
É, depende do ponto de vista.
Terceiro, raposa, que é a minha orelhinha, o teu.
É, é as mais mainstream que existe.
Quarto, cachorro, que se não for o lobo, o teu é cachorro. Grandes felinos, dragão, animal mitológico. Eu não sei por que que animal mitológico e dragão não tá mais.
O que que tem mais, né?
Não, vamos passar por isso, né? Aí tem gato, outro, não sei Não sei qual é o outro, não importa. Roedores, coelhos, guaxinins, répteis, outros, aves, e depois é que tem ursos.
Olha aí, sorriso.
Da tua persona seria bem diferente, tá?
E com tanquinho e balas.
Mas os animais mitológicos, vai ler aí quais são os mais comuns pra galera.
O mais comum, com mais de 25%, é Pokémon. Cara, não sabia que podia. Então vamos mudar um pouco, que eu não quero mais ser um urso panda, eu quero ser um Snorlax.
Tu quer ser o Snorlax bombado?
Agora tá ficando legal.
O Snorlax é um gato?
Ele parece mais um urso para mim. Eu perguntei aqui para o Google, ok, se o Snorlax é um gato ou um urso, ok? E o Google me disse que o Snorlax nem é um gato e nem é um urso. Oficialmente, o design do Pokémon foi inspirado em um funcionário real da desenvolvedora Game Freak, e ele deu o nome do cara, Koji Nishino. Vixe, ele parece mesmo Meu Deus, ele é muito fofo! Ele tem um olhinho igual.
Mas tu tá pronto para o próximo gráfico que diz quais são os Pokémons mais populares em fursonas? Chuta quem é o primeiro.
Ou Eevee ou Pikachu, eu acho.
Vamos ver. O mais popular é o Lucario. Caraca, vou te dizer, faz total sentido porque o formato do Lucario parece uma fursuit.
Exatamente, é verdade, faz muito sentido, faz muito sentido. Se você fizer um do tamanho da pessoa, é uma fursuit.
Aí depois tem Raichu, Eevee, não especificado, Vaporeon, Absol, Leafeon, Lugia, Luxray, Mewtwo, Umbreon e Vulpix. Poxa, que o Vulpix! E primeiro, cadê o Ninetales aqui, né?
Ninetales é muito mais gracioso.
Não tens não, Luxray. Cara, tu é muito diferente, tu não é como os outros garotos. Não, tu não é. Se eu cheguei nesse ponto, eu definitivamente não sou como os outros Ah, é aquele, ele é tão diferente, ele é tão diferente.
Aí filma a pessoa assim, ó, ele quer ser um Snorlax. É bombado!
Olha só quais são as forçonas de urso mais comuns.
Caraca, foi feito para mim isso aqui.
Panda é o mais comum. Tu é exatamente como os outros garotos, aparentemente. E quais são as forçonas de raposa mais comuns? Porque eu trouxe por causa das minhas orelhas, que é vermelho mais comum. É o que a gente aprendeu hoje, que a gente não original. Nada sobre a gente é novo e a gente na verdade nem tem tanta graça assim.
Caraca, é isso?
E aí vamos para uma das grandes polêmicas dentro da comunidade, né, quando os furs são vistos de fora, que é esse lance de ser uma comunidade muito sexualizada. Eu acho que lá atrás, quando o pessoal comentava sobre a comunidade furry, uma das primeiras coisas que surgia era esse rumor de tipo assim, a galera coloca roupa de animal para ir para suruba. Tu já ouviu falar nisso?
Já, mas não deve ser.
Eu sei que tem umas fursuits que são específicas para galera transar nelas, É, mas não quer dizer que a pessoa é uma surubeira, né? Pode ser uma coisa, não quer dizer, ela pode ser inclusive uma pessoa bem tradicional da casa dela, né? Exato. Inclusive, uma coisa curiosa e interessante é que a maior parte dos furries namoram pessoas dentro do fandom furry, né? Uma coisa que a gente viu quando a gente tava na Furtal aqui.
Tem várias pessoas em relacionamento, né, que é uma pessoa que já se identifica com seus hobbies, né?
É, faz total sentido. E normalmente se namora uma pessoa fora da comunidade furry, a pessoa acaba entrando também na comunidade depois de um tempo, porque normal, são convincentes. Exato, eles são gente fina, né?
Aí é quase que a gente tá com um pezinho lá.
Eu tenho um comentário sobre o lance da putaria de furry.
Comente sobre a putaria.
Que aspas, que aspas, mano! Se a grande maioria da comunidade furry é homem, pensa em qualquer outra comunidade que é majoritariamente masculina e tem menos de 25 anos. Qualquer uma. Fãs de futebol, fãs de Fortnite, fãs de Fortnite, não sei se eles são majoritariamente homens. Fãs do Cristiano Ronaldo, Conto Strike, todos esses fandoms aí que são majoritariamente masculinos e com pessoas abaixo de 25 anos, todos eles estão muito ligados à coisa sexual, cara.
Porque os caras estão cheios de hormônio, é verdade, em uma parte da vida ali, principalmente mais perto dos 18 do que dos 25, que os hormônios estão truando, batendo na testa.
Pau!
Aí você vai chegar em qualquer meio masculino e dizer assim, chega aí num grupo de uma galera que ama futebol e fala assim, ei, mano, vocês estão— eu tô ligado que vocês que gostam de futebol estão vendo sacanagem online.
Os caras vão dizer, transando pelado com a mulher.
Beleza, eu sei que vocês estão aí pensando em transar, eu sei que quando vocês interagem aí com as pessoas vocês estão pensando em sexo. Assim, não tem como não ser assim, não tem como não ser assim, é muito comum isso.
É apenas o esperado, é apenas esperado, não é culpa dos furs.
É um pouco mais esquisito quando você pensa que as pessoas podem sim ter uma fantasia de transar numa fursuit, um pouco, um pouco. Mas a gente também sabe que tem gente que tem aí fantasia sexual de vestir de policial, vestido de enfermeiros, enfermeiras. Coelhinho da Playboy é furry?
Eu digo mais, as tigresas do João Inácio Júnior, caralho, são Furries.
Mas o João, o nosso Júnior, é furry?
Caraca, eu acho que ele foi pioneiro, né? Early adopter do negócio.
Caraca, gente, a gente chegou num ponto aqui do conhecimento que ele de fato vai rolar nas redes agora. Qual que vai rolar nas redes é furry, pô. Aí tem aqui um gráfico de perguntas que eles fizeram aqui para homens e mulheres dentro da comunidade furry. Qual percentual de arte furry que você vê é pornográfico? Os homens disseram 50,9%, as mulheres disseram 30,7%. 8,7%. Há uma preferência, de fato, é o percentual de arte furry que você tem que é pornográfico.
Os homens disseram 20,9%, as mulheres disseram 8,7%. Quando você faz roleplay online ali, tá fazendo, interpretando um personagem online, qual o percentual disso tem teor sexual? Os homens disseram 34%, as mulheres disseram 21,4%, que as pessoas estão interagindo, conversando sobre a vida ali.
Aí desmistifica um pouco o negócio ser, ah, vou fazer roleplay de furry, automaticamente vou fazer de putaria.
Não, exato. Sabe quem é que tá fazendo roleplay quase sempre de putaria? A galera que tá em aplicativo de relacionamento, pô.
Ah, isso é verdade.
Porque fala, o que que tu tá vestindo? Tal coisa. Ah, não sei o quê. Isso aí é roleplay, é a mesma coisa. Ah, porque não tem um bonequinho lá que é um bicho. Ah, meu amigo, cada um com seus problemas também.
Não tem um bonequinho, mas tá pedindo para mostrar o bicho.
E aí, a última pergunta pergunta aqui é: no último mês, quantas vezes você viu pornografia furry? Os homens disseram 43,5 vezes num mês, no último mês, e as mulheres disseram 10,5. Isso é uma coisa que a gente precisa falar aqui, que é: a gente em vários momentos teve que segurar o impulso de cantar a música do hentai do Sonic, em várias ocasiões, né? Mas principalmente quando a gente tava no Fortal, não por causa das pessoas do Fortal, mas porque a gente foi dentro do carro frescando muito com isso.
E aí diz muito sobre, muito mais sobre a nossa falta de maturidade do que sobre a comunidade furry em si, né?
Claro. Mas a verdade é que também é um trend na comunidade furry, né? Tem gente que faz a sua forçona baseada em Sonic.
O Aparecido, quando a gente foi para o FurTown, ele foi com uma roupinha ali que era um soft cosplay de Sonic.
No nosso coração a gente já tá cantando: eu sinto Shadow no meu, não quero seus beijos, só me apaixono por ouro Ouviços pretos, caraca. E os ouriços não estavam lá na estatística, né?
Mas não tem ouriço, né? Será que a galera não conta o Sonic como ouriço?
Porque conta como mítico, conta como mítico.
Eu não vejo o Sonic como ouriço, eu vejo ele como Sonic.
É verdade, ouriço para mim é outra parada.
Para mim também é outra parada.
Ele não parece espinhudo, apesar de ter um topete, né, de espinho.
Por que que tu acha que o Sonic tá bombando hoje em dia, mano?
Caraca, eu não faço a menor ideia.
Na nossa época não era uma grande coisa, era uma grande coisa, mas é diferente porque existia a coisa toda do tipo Mario, tu gosta mais de Mario ou mais de Sonic? A Sega ou Nintendo?
De videogame, não como objeto de desejo.
Gostaria de entender. Se algum de vocês aí dos comentários tiver explicação sobre esse fenômeno, por favor fala pra gente, porque eu sou muito curiosa em relação a isso. Outra coisa que eu vi é que dentro da comunidade furry as pessoas são, em comparação com a população geral, estatisticamente elas são muito mais propensas a se identificar como alguém que tá dentro do espectro ou que é neurodivergente. E aí uma coisa interessante é é que quando você tá dentro do espectro, uma das coisas que é mais falada é que é muito difícil a galera olhar expressão facial e ficar tipo assim: será que essa pessoa tá ok de eu chegar e falar com ela muito de perto?
Essas pequenas coisas que pessoas neurotípicas vão vivendo a vida inteira. E tipo assim: ah, eu sei que quando uma pessoa tá tipo conversando comigo e se afastando um pouco para trás, ela não tá muito confortável com proximidade. Ou então tipo: pode ser que ela esteja incomodada com, sei lá, meu hálito. Então com ela não gosta de toque. Ou então ela não gosta de ver as pessoas tão de perto, ou sei lá, ah, eu não tenho nenhum problema em manter contato visual com outras pessoas, mas gente neurodivergente muitas vezes tem dificuldade de manter esse contato visual.
Aí você tá dentro de uma fursuit, ou então só com a cabeça de uma fursuit, vários desses problemas somem, pô.
É porque você se sente protegido, né, Catiuxa? E nem sempre na vida a gente tem oportunidade de estar protegido.
Nem sempre, nem sempre.
Mas alguns momentos Se você utilizar NordVPN, você acaba se protegendo.
Sim, se você usa NordVPN, com apenas um clique você encripta todos os seus dados. É como se você estivesse protegido dentro da sua fursuit, só que em relação à sua conexão na internet, cara.
Quer proteger seus dados? Quer acessar conteúdo de streaming que você já assina, mas que o catálogo não tá disponível no país, NordVPN.
Exatamente. E a galera que escuta o Vortex Podcast tem condições especiais para testar e assinar NordVPN usando o nosso link nordvpn.com/vortexpod, V-O-R-T-E-X-P-O-D, ou usando o cupom VortexPod na hora de fazer a sua assinatura. Porque aí, dependendo do plano que você escolher, você pode ganhar até 4 meses a mais na assinatura apenas com o nosso linkinho, apenas com o nosso cupom. E aí eu acho que a gente deveria falar um pouco sobre o evento furry que a gente foi, de maneira mais específica.
Claro que a gente foi, Catiuxa, e logo fazer o nosso jornalismo, né, que o nosso compromisso é sempre com a fofoca, na verdade, porque os dados já foi, agora é a fofoca. A gente foi no evento Furtal, que é um evento de fã, que é realizado em Fortaleza, se eu não me engano, anualmente.
Coisas que surpreenderam a gente no Furtal. Primeira coisa que me surpreendeu: pouca gente de First Suit. Eu não sabia que era tão incomum assim First Suit. Depois eu fui descobrir que era porque tava sendo abestado, que na verdade nem todo mundo tem um bolo de dinheiro inacreditável para gastar em uma fursuit, né?
Quase todo mundo tava com seu crachazinho representando qual era a forçona da pessoa.
Eu esperava que tivesse um pouco mais de destaque na galera que tava de fursuit completa, mas a gente conheceu muita gente legal, muita gente.
Todos são legais, conversando com a galera, entender mais história.
Muita gente com medo da gente também, com medo de responder perguntas, e na verdade a gente só queria frescar com eles, o que é justo, porque muitas vezes a gente fresca com a galera, mas ao mesmo tempo, pô, a gente não fresca a galera e diminui os gostos dos outros. Não é mó paz isso aí, pô. TV Colosso é furry?
Acho que sim, né?
Vamos pensar em coisas da cultura pop brasileira que podem ou não ser furry. A gente já falou das tigresas, Sucrilhos Kellogg's. Sucrilhos Kellogg's, se a pessoa sentiu atração pelo sucrilho ou fascínio pelo tigre do sucrilho, foi tigrão.
Proerdi, né?
Leão da Proerdi.
Leão da Proerdi furry. É, que mais?
Mascotes da Copa, os três. Vou dizer, todos os três mascotes da Copa desse ano flop, tá?
Quem é? Nem sei quais são.
São, é um mascote para cada país e tipo os três não chamaram atenção nenhuma. Quem coloca três mascotes para uma Copa, gente?
Pelo amor de Deus, não se decidam.
Caraca, não tem um fuleco, pô?
Não tem, não tem um pintinho lá, o galinho, como é, canarinho pistola? Canarinho pistola.
Se a pessoa se sente representada pelo canarinho pistola, se ela sente vontade de entrar dentro de uma roupinha de canarinho pistola e sair interpretando a personalidade do canarinho pistola furry. Mas tu assistiu Beastars todinho, né? Tu não tem nada a dizer? Então, Odeio, agora que a gente aprendeu um pouco mais sobre furries, agora que a gente foi em um evento furry e de fato colocamos orelhinha, rabinho e tal, e a gente não fez isso só para frescar não, é para entrar mesmo no clima, é para ver qual é.
Para ser justo, a gente se divertiu demais, muito. Era muito difícil andar balançando o rabinho. Aparecido tentou me pedir para fazer isso, eu não conseguia. Tu é um natural, tu consegue fazer isso muito de boa. Mas qual é a nossa conclusão sobre eles? Não sei a nossa, mas a tua, né?
Eu acho que vem forte, tá? É isso, vem aí uma coisa forte. Pode não ser uma grande coisa hoje, mas tem potencial, tem potencial.
As crianças estão cada vez mais furs. É preocupante se uma criança da sua família quiser furry? Não necessariamente, não necessariamente. Pode ser um negócio legal, tranquilo, de boa, como qualquer outra coisa. É mais preocupante a sua criança querer. Criança não quer mais jogar League of Legends, né?
Acho que não. Essa geração tá livre, galera.
Boa, gente! Finalmente, finalmente vocês foram salvos. Mas falando sério, os furries, eu tinha uma ideia muito mais bizarra do que era o fandom furry. Eu achei eles de fato muito gente boa. Dito isso, esquisitação também, esquisitação.
Você não pode ter todas as coisas também, né?
Não pode, não pode. Se eu sofri bullying por fazer cosplay, eu tenho até hoje uma figurinha no Telegram dizendo: teu pai faz cosplay. Então assim, os furries também vão ter que sofrer um pouco do leve bullying e preconceito bem-humorado de pessoas que sabem que eles não são pessoas ruins, mas são sim pessoas esquisitas, pelo menos por enquanto. Eu vou dizer o que que tem ajudado muito os fãs de anime a serem menos marginalizados socialmente: a Megan Thee Stallion tem que virar furry.
A Megan Thee Stallion, ela é linda, as músicas delas são iradas, ela faz várias referências ao anime constantemente. Então se ela entrar para o fandom furry, galera, pode ser que a vida de vocês seja transformada. Ai, porque ela não quer entrar? Encontre outra pessoa incrível como a Megan Thee Stallion.
Pô, difícil, hein?
É isso, é isso. Cada vez mais o pessoal aí, a gente vê nos esportes, o pessoal tá começando a assistir anime, na narração o pessoal tá assistindo anime. Pessoal que tá assistindo o vôlei aí na GRTV sabe, sabe Sabe como é que os otakus estão? Exatamente. Então chegou a hora de vocês espalharem a paixão furry em todos os cantos. E quando a galera impressionante começar a se mostrar furry aí para a gera—
você disse que chegou quando tudo era mato.
Tu acha que a gente tá fazendo isso, vindo aqui de orelhinha comentar sobre furs?
Talvez, mas a gente tá pelo menos garantindo a nossa vaga.
A gente tá aqui para fazer o gatekeeping depois, né?
Exatamente. Depois ninguém vai poder negar.
Ô, Deu, então tu tem um beijo para mandar para galera ou um cheirinho na bundinha? Mentira, desculpa, não.
Eu vou deixar um beijo para você que também tem secretamente o desejo de ser um Pokémon bombado.
Perfeito. Bom, gente, é isso. Eu espero que vocês tenham aprendido um pouco sobre furries. Eles definitivamente são mais curiosos do que a gente imaginava inicialmente. Por hoje a gente vai ficando por aqui. E a gente se encontra na próxima. Tchau, tchau!
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